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TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DAS DISLIPIDEMIAS A dislipidemia não pode ser vista como uma doença isolada, mas sim no conjunto com os demais fatores de risco para aterosclerose. Risco aumentado de mortalidade cardiovascular ligado a níveis elevados de LDL e a níveis diminuídos HDL. Além disso, a hipertrigliceridemia representa um fator de risco independente. O risco torna-se ainda maior quando a hipertrigliceridemia está associada a baixas concentrações de HDL, mesmo se o LDL estiverem normais. Associação direta entre [ ] plasmática de lipídios e risco de doença cardiovascular Classificação genotípica - monogênicas ou poligênicas (multifatorial) Classificação fenotípica ou bioquímica: Hipercolesterolemia isolada: elevação isolada do LDL-c (≥ 160 mg/dl); Hipertrigliceridemia isolada: elevação isolada dos TGs (≥ 150 mg/dl) que reflete o aumento do número e/ou do volume de partículas ricas em TG, como VLDL, IDL (intermediary density lipoprotein) e quilomícrons. Hiperlipidemia mista: valores aumentados de LDL-c (≥ 160 mg/dl) e TG (≥ 150 mg/dl). Distúrbio do metabolismo de HDL-c: redução do HDL-c (homens < 40 mg/ dl e mulheres < 50 mg/dl) isolada ou em associação a aumento de LDL ou de TG. ● TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DAS DISLIPIDEMIAS - Hipercolesterolemia Estatinas (inibidores da HMG-CoA redutase) Ezetimiba (inibe a NPC1L1 - ↓ absorção do colesterol) Inibidores da PCSK9 Resinas de ligação de ácidos biliares - Hipertrigliceridemia Fibratos (ativam PPAR-𝝰 - estimula lipase nos músculos) Niacina (ácido nicotínico) Ácidos graxos ômega-3 ● TRATAMENTO DA HIPERCOLESTEROLEMIA - ESTATINAS Efeitos: Considerada terapia mais validada por estudos clínicos para reduzir a incidência de eventos cardiovasculares; Promove redução significativa nos níveis circulantes de LDL-C e TG, além de elevação no HDL-C, sendo útil particularmente nos casos onde houver hipercolesterolemia; Melhora da função endotelial - ↑ NO, VEGF ↓ endotelina Redução da inflamação vascular - ↓ infiltrado celular, moléculas de adesão e citocinas Redução da agregação plaquetária, fibrinólise e redução de fibrinogênio Aumento da neovascularização do tecido isquêmico Usos Clínicos: Prevenção secundária de IM e AVE em pacientes com doença aterosclerótica sintomática Concentrações séricas elevadas de colesterol Atorvastatina, sinvastatina: indicadas para crianças > 11 anos Pravastatina aprovada para crianças > 8 anos As estatinas reduzem os TGs também mediante o aumento da expressão de LDL-R e, consequentemente, pela remoção de lipoproteínas ricas em triglicerídeos do plasma (ex: VLDL, LDL IDL). Com relação ao HDL-C, as estatinas elevam os níveis plasmáticos por um conjunto de efeitos que inclui estímulo à síntese de apo AI, ABCA1 (transportador cassete ligado ao ATP A1) Contra-indicações: Hepatopatia grave Gravidez Efeitos adversos: Miopatia (a mais comum): de mialgia, com ou sem elevação da creatinoquinase (CK) até a rabdomiólise Hepatotoxicidade: a dosagem de transaminases só é aconselhada de 6 a 12 semanas após introdução ou aumento de dose das estatinas. Caso haja alterações significativas superiores a 3x o valor de referência, a suspensão temporária das estatinas é aconselhada. A suspensão definitiva é recomendada apenas em casos com infecção hepática ativa ou disfunção hepática grave. Outros: constipação, dor abdominal, dor de cabeça. - EZETIMIBA Inibe a absorção do colesterol na borda em escova do intestino delgado. Adm vo (1cp/dia, 10 mg, em qualquer horário). Sem efeito na absorção de TG, ácidos biliares ou vitaminas lipossolúveis. Circulação entero hepática e eliminação lenta (22h). Excreção fezes e leite (contra indicado para lactantes) - INIBIDORES DA PCSK9: evolocumabe e alirocumabe A PCSK9 é uma protease expressa predominantemente pelo fígado, intestino e rins, capaz de inibir a reciclagem do LDLR de volta à superfície celular, resultando em menor número de receptores e aumento dos níveis plasmáticos de LDL. A inibição da PCSK9 bloqueia a degradação do LDLR, com maior capacidade de clearance da LDL circulante. Usos Clínicos: Diretrizes de 2017 - utilização somente em pacientes com risco cardiovascular elevado, em tratamento otimizado com estatinas na maior dose tolerada, associado ou não à ezetimiba, e que não tenham alcançado as metas de LDL-c ou não HDL-c recomendadas. Efeitos adversos: Nasofaringite Náuseas, fadiga Reações no local da injeção (vermelhidão, prurido, edema ou sensibilidade/dor). ALTO CUSTO - RESINAS DE LIGAÇÃO DE ÁCIDOS BILIARES (Colestiramina) Se ligam aos ácidos biliares no intestino delgado, reduzindo a absorção intestinal de colesterol - aumentam a captação de LDL pelos receptores hepáticos. - Usos Clínicos: Podem ser usadas em associação às estatinas quando a meta de LDL-C não tiver sido atingida, apesar do uso de estatinas potentes em doses efetivas. - Efeitos adversos: Constipação (até 25% dos indivíduos tratados) Pode haver aumento compensatório de colesterol endógeno e de triglicérides plasmáticos, principalmente em indivíduos com hipertrigliceridemia acentuada (> 400 mg/dl). Diminui a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, K e E), de ácido fólico e de alguns fármacos – hidroclorotiazida, digoxina, ezetimiba, varfarina - adm 1 h antes ou 4 h após resinas. ● TRATAMENTO DA HIPERTRIGLICERIDEMIA - FIBRATOS Fenofibrato, genfibrozila, ciprofibrato, bezafibrato Ativam o receptor PPAR-α que se localiza principalmente no fígado e tecido adiposo marrom (temperatura corporal): ● Diminuição na síntese de triglicerídeos nos hepatócitos com redução nos níveis plasmáticos ● Aumento da oxidação e captação e de ácidos graxos pelas células musculares; ● Aumento nos níveis circulantes de HDL ● Redução de LDL-c Fármacos de 1a escolha no tratamento da hipertrigliceridemia isolada Efeitos adversos: ● Distúrbio TGI ● Mialgias ● Litíase biliar ● Diminuição de libido ● Erupção cutânea, prurido ● Cefaleia ● Perturbação do sono. ● Miosite grave (“rabdomiólise”) mais comum com genfibrozila + estatinas = evitar Contra-indicações: ● Pacientes com doenças renais ● Alcoolismo - rabdomiólise ● Crianças e gestantes - NIACINA (também chamada de vitamina b3 ou ácido nicotínico) Inibe lipases nos adipócitos ↓ liberação de ácidos graxos na circulação ↓LDL e VLDL e ↑ de HDL ↓ síntese hepática de TG • reduz TG (35-45%) • reduz LDL (10 - 20%) • aumenta HDL (15-35%) Usos Clínicos: ● Estudos demonstram associação entre o uso de niacina e redução de eventos coronários e mortalidade total. Mais recentemente, foi demonstrado que niacina combinada com outros fármacos hipolipemiantes pode atenuar a progressão da aterosclerose coronária. Precaução com pacientes em uso de anticoagulantes ou estatinas ou se sintomas de miopatia acontecerem (monitorar CPK). Efeitos adversos: ● Menor tolerabilidade com a forma de liberação imediata (rubor e prurido; náusea, dispepsia, dor abdominal e diarreia. Também pode haver hiperglicemia ● Hepatotoxicidade (liberação lenta) ● Preferir uso na forma de liberação intermediária, com melhor perfil de tolerabilidade.