Prévia do material em texto
23 I. RESUMO A doença cardíaca coronariana (DCC) é a principal causa de mortes no mundo. A DCC está relacionada com níveis elevados da lipoproteína de bai- xa densidade colesterol (LDL-C, ou “mau” colesterol) e triglicerídeos e com níveis baixos de lipoproteína de alta densidade colesterol (HDL-C, ou “bom” colesterol). Outros fatores de risco para DCC incluem fumo, hipertensão, obesidade e diabetes. Os níveis de colesterol podem estar elevados devido ao estilo de vida (p. ex., sedentarismo ou dieta contendo excesso de gordu- ras saturadas). As hiperlipidemias também podem resultar de um defeito genético no metabolismo das lipoproteínas ou, mais comumente, de uma combinação de fatores genéticos e estilo de vida. Mudanças adequadas no estilo de vida, associadas ao tratamento medicamentoso, podem reduzir de 30 a 40% a mortalidade por DCC. Os anti-hiperlipêmicos (Fig. 23.1) com frequência são tomados indefinidamente para controlar os níveis lipídicos no plasma. A Figura 23.2 ilustra o metabolismo normal das lipoproteínas séricas e as características das principais hiperlipidemias genéticas. II. OBJETIVOS DO TRATAMENTO Os lipídeos plasmáticos consistem principalmente de lipoproteínas – com- plexos esféricos de lipídeos e proteínas específicas (apolipoproteínas [apos]). As lipoproteínas clinicamente importantes, listadas em ordem de- crescente de aterogenicidade, são LDL-C, lipoproteína de densidade muito baixa colesterol (VLDL-C), quilomícrons e HDL-C. A ocorrência de DCC está associada de forma positiva ao alto colesterol total e, ainda mais forte- mente, ao LDL-C elevado. [Nota: o colesterol total é a soma de LDL-C, VLDL-C e HDL-C.] Em contraste à LDL-C, os níveis altos de HDL-C foram associados com menor risco de doença cardíaca (Fig. 23.3). Redução de LDL-C é o objetivo principal do tratamento de diminuição do colesterol. Anteriormente, as normas do colesterol recomendavam o tratamento para objetivos específicos de LDL-C. As normas recentes não recomendam alvos, mas enfatizam o tratamento de alta ou moderada intensidade com estatinas, em populações definidas com risco de doença cardiovascular INIBIDORES DA HMG-CoA REDUTASE (Estatinas) Atorvastatina Fluvastatina Lovastatina Pitavastatina Pravastatina Rosuvastatina Sinvastatina FIBRATOS Gen�brozila Feno�brato NIACINA Niacina INIBIDORES DA ABSORÇÃO DE COLESTEROL Ezetimiba Icosapente etila ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA-3 Ácidos docoexaenoico e eicosapentaenoico SEQUESTRANTES DE ÁCIDOS BILIARES Colesevelam Colestipol Colestiramina Figura 23.1 Resumo dos anti-hiperlipêmicos. HMG-CoA, 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A. Karen Sando Anti-hiperlipêmicos Capitulo_23_Whalen.indd 311 25/04/2016 10:27:51 312 Whalen, Finkel & Panavelil CAPILARES 1 2 3 4 TECIDOS, (p. ex., o adiposo) Ácidos graxos livres A mucosa intestinal secreta quilomícrons ricos em TG (produzidos principalmente a partir de lipídeos da dieta); o fígado secreta partículas de VLDL ricas em TG Lipase lipoproteica extracelular, ativada por apo CII, degrada TG em quilomícron e VLDL As LDLs se ligam a receptores especí�cos nos tecidos extra- -hepáticos e no fígado, onde sofrem endocitose Os quilomícrons remanescentes se ligam a receptores especí�cos no fígado, onde sofrem endocitose I III IIA Lipoproteína lipase IV IIB FÍGADO INTESTINO DELGADO Quilomícron LDL IDL VLDL nascente VLDL Quilo- mícron nascente Quilomícron remanescente Triacilglicerídeos Colesterol e ésteres de colesterila Legenda: Proteína Fosfolipídeo TECIDO EXTRA- -HEPÁTICO Figura 23.2 Metabolismo das lipoproteínas plasmáticas e doenças genéticas relacionadas. Os algarismos romanos nos círculos brancos se referem a tipos genéticos específicos de hiperlipidemias resumidos na página seguinte. CM, quilomícrons; TG, triglicerídeo; VLDL, lipoproteína de densidade muito baixa; LDL, lipoproteína de baixa densidade; IDL, lipoproteína de densidade intermediária; apo CII, apolipoproteína CII encontrada nos quilomícrons e na VLDL. (Continua) Capitulo_23_Whalen.indd 312 25/04/2016 10:27:51 Farmacologia Ilustrada 313 VLDL Tipo IV (HIPERTRIGLICERIDEMIA FAMILIAR) Os níveis de VLDL estão aumentados, ao passo que os de LDL estão normais ou diminuídos, resultando em níveis normais ou elevados de colesterol e níveis muito elevados de TG circulante A causa é a produção excessiva e/ou a diminuição da remoção de TG da VLDL do soro É uma doença relativamente comum. Apresenta poucas manifestações clínicas além da aceleração de doença cardíaca isquêmica. Pacientes portadores desse distúrbio frequentemente são obesos, diabéticos e hiperuricêmicos Tratamento: dieta. Se necessário, o tratamento farmacológico inclui niacina e/ou feno�brato LDLVLDL Tipo IIB (HIPERLIPIDEMIA FAMILIAR COMBINADA [MISTA]) Semelhante ao Tipo IIA, exceto pelo fato de os níveis de VLDL também estarem aumentados, resultando em aumento dos níveis plasmáticos de TG e de colesterol Relativamente comum A causa é a produção excessiva de VLDL pelo fígado Tratamento: dieta. Tratamento farmacológico semelhante ao do Tipo IIA LDL Tipo IIA (HIPERCOLESTEROLEMIA FAMILIAR) LDL elevada com níveis normais de VLDL devido a um bloqueio na degradação da LDL Isso resulta no aumento do colesterol plasmático, mas em níveis normais de TG Causada por defeitos na síntese ou no processamento dos receptores de LDL Grande aceleração de doenças cardíacas isquêmicas Tratamento: dieta. Heterozigotos: colestiramina e niacina ou uma estatina VLDLQuilomícron Tipo V (HIPERTRIGLICERIDEMIA FAMILIAR MISTA) Níveis séricos de VLDL e quilomícrons elevados. LDL normal ou reduzida. Isso resulta na elevação dos níveis de colesterol e na grande elevação dos de TG A causa é o aumento na produção ou a redução na depuração da VLDL e dos quilomícrons. Em geral, é um defeito genético Ocorre mais comumente em adultos obesos e/ou diabéticos Tratamento: dieta. Se necessário, o tratamento farmacológico inclui niacina e/ou feno�brato ou uma estatina Quilomícron Tipo I (HIPERQUILOMICRONEMIA FAMILIAR) Hiperquilomicronemia massiva em jejum, mesmo após ingestão normal de gorduras na dieta, resultando em grande elevação nos níveis plasmáticos de TG De�ciência de lipoproteína lipase ou de apolipoproteína CII normal (raro) O Tipo I não está associado a aumento de doenças coronarianas cardíacas Tratamento: dieta pobre em gorduras. Nenhum tratamento farmacológico é e�caz contra hiperlipidemia Tipo I IDL Tipo III (DISBETALIPOPROTEINEMIA FAMILIAR) Concentrações séricas de IDL aumentadas, resultando em aumento dos níveis de TG e colesterol A causa é a produção excessiva ou a pouca utilização de IDL devido à apolipoproteína E mutante Nos pacientes de meia idade desenvolvem-se xantomas e doenças vasculares aceleradas Tratamento: dieta. O tratamento farmacológico inclui niacina e feno�brato ou uma estatina Figura 23.2 (Continuação) Metabolismo das lipoproteínas plasmáticas e doenças genéticas relacionadas. CM, quilomícrons; TG, triglicerídeo; VLDL, lipoproteína de densidade muito baixa; LDL, lipoproteína de baixa densidade; IDL, lipoproteína de densidade intermediária; apo CII, apolipoproteína CII encontrada nos quilomícrons e na VLDL. Capitulo_23_Whalen.indd 313 25/04/2016 10:27:52 314 Whalen, Finkel & Panavelil aterosclerótica (DCVAS). Tratamento de maior intensidade é recomendado para aqueles com DCVAS estabelecida ou com um risco geral maior de doença cardíaca (Fig. 23.4). A. Opções de tratamento contra a hipercolesterolemia Mudanças no estilo de vida, como dieta, exercício e diminuição de mas- sa corporal, podem causar redução modesta no LDL-C e aumento no HDL-C. Contudo, a maioria dos pacientes é incapaz de obter reduções significativas no LDL-C apenas com modificações do estilo de vida, e o tratamento farmacológico pode ser necessário. A primeira opção contra a hipercolesterolemia é o tratamento com inibidores da 3-hidroxi-3-metil- glutaril coenzima A (HMG-CoA) redutase (estatinas). O tratamentocom estatinas é recomendado para quatro grupos principais, apresentados na Figura 23.4. B. Opções de tratamento contra a hipertrigliceridemia Níveis elevados de triglicerídeos estão independentemente associados com risco elevado de DCC. Dieta e exercícios físicos são as principais formas de combater a hipertrigliceridemia. Se forem indicados, niaci- na e derivados do ácido fíbrico são os mais eficazes na redução dos triglicerídeos. Ácidos graxos ômega-3 (óleo de peixes) em doses ade- quadas também podem ser úteis. A redução dos triglicerídeos é um benefício secundário das estatinas, cujo benefício primário é a redução do LDL-C. III. FÁRMACOS USADOS CONTRA HIPERLIPIDEMIA Os anti-hiperlipêmicos incluem estatinas, niacina, fibratos, resinas ligadoras de ácidos biliares, inibidor da absorção de colesterol e ácidos graxos ômega-3. Esses fármacos podem ser usados isoladamente ou em associação. Contudo, o tratamento farmacológico deve sempre ser acompanhado de modificações no estilo de vida, com exercícios e dieta pobre em gorduras saturadas. A. Inibidores da HMG-CoA redutase Os inibidores da HMG-CoA redutase (mais conhecidos como estatinas) reduzem os níveis elevados de LDL-C, resultando em redução substan- cial de eventos coronarianos e de morte por DCC. Eles são considera- dos o tratamento de primeira escolha para pacientes com risco elevado de DCVAS. As vantagens terapêuticas incluem estabilização das pla- cas, melhora da função endotelial coronariana, inibição da formação do trombo plaquetário e atividade anti-inflamatória. A importância de diminuir o LDL-C com estatinas foi demonstrado em pacientes com e sem DCC estabelecida. 1. Mecanismo de ação: Lovastatina, sinvastatina, pravastatina, atorvastatina, fluvastatina, pitavastatina e rosuvastatina são inibi- dores competitivos de HMG-CoA redutase, a etapa limitante da síntese de colesterol. Inibindo a síntese do colesterol, elas esgo- tam o seu estoque intracelular (Fig. 23.5). O esgotamento do co- lesterol intracelular leva a célula a aumentar, na superfície, o nú- mero de receptores específicos de LDL-C que podem ligar o LDL-C circulante e internalizá-lo. Assim, o colesterol no plasma diminui por redução da síntese e aumento do seu catabolismo. 100 160 220 85 65 45 25 HD L (m g/ dL ) LDL (mg/dL) 0 1,0 2,0 3,0 LDL elevada e HDL baixa são fatores de risco para DCC Ri sc o de D CC Figura 23.3 Efeito do LDL-C e do HDL-C circulantes sobre o risco de DCC. LDL, lipoproteína de baixa densidade; HDL, lipoproteína de alta densidade. Reforce aderência e estilo de vida Exclua causas secundárias de dislipidemia Considere tratamento não estatinas em indivíduos de maior risco ou naqueles que não toleram o tratamento com estatinas Resposta menor do que a prevista ou há intolerância ao tratamento A resposta ao tratamento é o previsto Reforce a adesão ao tratamento Acompanhe em 3 a 12 meses Avaliar o padrão lipídico de jejum e adesão ao tratamento 4 a 12 semanas Estatina de intensidade moderada a alta Estatina de alta intensidade Estatina de intensidade moderada Estatina de alta intensidade DCVA clínica SIM LDL-C ≥ 190 mg/dL SIM Risco estimado de DCVA 10 anos Risco estimado de DCVA 10 anos ≥ 7,5% e idade 40-75 anos Idade > 75 anos ou não candidato para estatinas de alta intensidade Idade ≤ 75 anos Diabetes tipo 1 ou 2, idade entre 40-75 anos SIM Risco estimado de DCVA 10 anos Estatina de alta intensidade Estatina de intensidade moderada < 7,5% ≥ 7,5% SIM Enfatizar estilo de vida saudável e recalcular o risco de DCVA 10 anos cada 4 a 6 anos Se o padrão basal de TG ≥ 500 mg/dL iniciar tratamento para diminuir TG (�bratos, niacina) NÃO Avaliar o histórico do paciente e o padrão lipídico basal (p. ex., DCVA estabelecida, diabetes ou fatores de risco para DCVA)De�nição de tratamento de intensidade moderada ou alta com estatinas Alta dosagem diária reduz LDL-C ≥ 50% Dosagem diária moderada reduz LDL-C entre 30 e 50% Grupo de DCVA que se bene�cia com estatinas Figura 23.4 Normas para o tratamento das hiperlipidemias. DCVAS, doença cardiovascular aterosclerótica; LDL-C, lipoproteína de baixa densidade colesterol; TG, triglicerídeo. Capitulo_23_Whalen.indd 314 25/04/2016 10:27:52 Farmacologia Ilustrada 315 Pitavastatina, rosuvastatina e atorvastatina são as estatinas redu- toras de LDL-C mais potentes, seguidas de sinvastatina, pravasta- tina e então lovastatina e fluvastatina. (Nota: como esses fárma- cos sofrem acentuada extração de primeira passagem no fígado, seu efeito dominante se dá nesse órgão.) Os inibidores da HMG-CoA redutase também diminuem os níveis de triglicerídeos e podem aumentar os níveis de HDL-C em alguns pacientes. 2. Usos terapêuticos: Esses fármacos são eficazes em reduzir os níveis plasmáticos de colesterol em todos os tipos de hiperlipide- mias. No entanto, pacientes homozigotos para hipercolesterolemia familiar não têm receptores de LDL-C e, dessa forma, se benefi- ciam muito menos do tratamento com esses fármacos. 3. Farmacocinética: A lovastatina e a sinvastatina são lactonas hi- drolisadas no fármaco ativo. As outras estatinas são todas adminis- tradas na sua forma ativa. A absorção das estatinas é variável aterosclerótica (DCVAS). Tratamento de maior intensidade é recomendado para aqueles com DCVAS estabelecida ou com um risco geral maior de doença cardíaca (Fig. 23.4). A. Opções de tratamento contra a hipercolesterolemia Mudanças no estilo de vida, como dieta, exercício e diminuição de mas- sa corporal, podem causar redução modesta no LDL-C e aumento no HDL-C. Contudo, a maioria dos pacientes é incapaz de obter reduções significativas no LDL-C apenas com modificações do estilo de vida, e o tratamento farmacológico pode ser necessário. A primeira opção contra a hipercolesterolemia é o tratamento com inibidores da 3-hidroxi-3-metil- glutaril coenzima A (HMG-CoA) redutase (estatinas). O tratamento com estatinas é recomendado para quatro grupos principais, apresentados na Figura 23.4. B. Opções de tratamento contra a hipertrigliceridemia Níveis elevados de triglicerídeos estão independentemente associados com risco elevado de DCC. Dieta e exercícios físicos são as principais formas de combater a hipertrigliceridemia. Se forem indicados, niaci- na e derivados do ácido fíbrico são os mais eficazes na redução dos triglicerídeos. Ácidos graxos ômega-3 (óleo de peixes) em doses ade- quadas também podem ser úteis. A redução dos triglicerídeos é um benefício secundário das estatinas, cujo benefício primário é a redução do LDL-C. III. FÁRMACOS USADOS CONTRA HIPERLIPIDEMIA Os anti-hiperlipêmicos incluem estatinas, niacina, fibratos, resinas ligadoras de ácidos biliares, inibidor da absorção de colesterol e ácidos graxos ômega-3. Esses fármacos podem ser usados isoladamente ou em associação. Contudo, o tratamento farmacológico deve sempre ser acompanhado de modificações no estilo de vida, com exercícios e dieta pobre em gorduras saturadas. A. Inibidores da HMG-CoA redutase Os inibidores da HMG-CoA redutase (mais conhecidos como estatinas) reduzem os níveis elevados de LDL-C, resultando em redução substan- cial de eventos coronarianos e de morte por DCC. Eles são considera- dos o tratamento de primeira escolha para pacientes com risco elevado de DCVAS. As vantagens terapêuticas incluem estabilização das pla- cas, melhora da função endotelial coronariana, inibição da formação do trombo plaquetário e atividade anti-inflamatória. A importância de diminuir o LDL-C com estatinas foi demonstrado em pacientes com e sem DCC estabelecida. 1. Mecanismo de ação: Lovastatina, sinvastatina, pravastatina, atorvastatina, fluvastatina, pitavastatina e rosuvastatina são inibi- dores competitivos de HMG-CoA redutase, a etapa limitante da síntese de colesterol. Inibindo a síntese do colesterol, elas esgo- tam o seu estoque intracelular (Fig. 23.5). O esgotamento do co- lesterol intracelular leva a célulaa aumentar, na superfície, o nú- mero de receptores específicos de LDL-C que podem ligar o LDL-C circulante e internalizá-lo. Assim, o colesterol no plasma diminui por redução da síntese e aumento do seu catabolismo. 100 160 220 85 65 45 25 HD L (m g/ dL ) LDL (mg/dL) 0 1,0 2,0 3,0 LDL elevada e HDL baixa são fatores de risco para DCC Ri sc o de D CC Figura 23.3 Efeito do LDL-C e do HDL-C circulantes sobre o risco de DCC. LDL, lipoproteína de baixa densidade; HDL, lipoproteína de alta densidade. Reforce aderência e estilo de vida Exclua causas secundárias de dislipidemia Considere tratamento não estatinas em indivíduos de maior risco ou naqueles que não toleram o tratamento com estatinas Resposta menor do que a prevista ou há intolerância ao tratamento A resposta ao tratamento é o previsto Reforce a adesão ao tratamento Acompanhe em 3 a 12 meses Avaliar o padrão lipídico de jejum e adesão ao tratamento 4 a 12 semanas Estatina de intensidade moderada a alta Estatina de alta intensidade Estatina de intensidade moderada Estatina de alta intensidade DCVA clínica SIM LDL-C ≥ 190 mg/dL SIM Risco estimado de DCVA 10 anos Risco estimado de DCVA 10 anos ≥ 7,5% e idade 40-75 anos Idade > 75 anos ou não candidato para estatinas de alta intensidade Idade ≤ 75 anos Diabetes tipo 1 ou 2, idade entre 40-75 anos SIM Risco estimado de DCVA 10 anos Estatina de alta intensidade Estatina de intensidade moderada < 7,5% ≥ 7,5% SIM Enfatizar estilo de vida saudável e recalcular o risco de DCVA 10 anos cada 4 a 6 anos Se o padrão basal de TG ≥ 500 mg/dL iniciar tratamento para diminuir TG (�bratos, niacina) NÃO Avaliar o histórico do paciente e o padrão lipídico basal (p. ex., DCVA estabelecida, diabetes ou fatores de risco para DCVA)De�nição de tratamento de intensidade moderada ou alta com estatinas Alta dosagem diária reduz LDL-C ≥ 50% Dosagem diária moderada reduz LDL-C entre 30 e 50% Grupo de DCVA que se bene�cia com estatinas Figura 23.4 Normas para o tratamento das hiperlipidemias. DCVAS, doença cardiovascular aterosclerótica; LDL-C, lipoproteína de baixa densidade colesterol; TG, triglicerídeo. Capitulo_23_Whalen.indd 315 25/04/2016 10:27:53 316 Whalen, Finkel & Panavelil Colesterol LDL MEMBRANA PLASMÁTICA SANGUE Receptor de LDL HMG-CoA Acetato CoA 2 NADP+ Ácido mevalônico 2 NADPH + 2H+ Inibidores da HMG-CoA redutase As estatinas inibem a HMG-CoA redutase, levando à diminuição da concentração de colesterol no interior da célula 1 RNAm DNA Receptor Ribossomo RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO VLDL VLDL + O baixo colesterol intracelular estimula a síntese de receptores de LDL 2 O aumento do número de recep- tores de LDL pro- move a absorção da LDL do sangue 3 O baixo colesterol intracelular diminui a secreção de VLDL 4 Figura 23.5 Inibição da HMG-CoA redutase pelas estatinas. HMG-CoA, 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A; LDL, lipoproteína de baixa densidade; VLDL, lipoproteína de densidade muito baixa. (30-85%) após administração por via oral. Todas as estatinas são biotransformadas no fígado, e alguns metabólitos retêm atividade. A excreção ocorre principalmente pela bile e pelas fezes, mas tam- bém ocorre alguma eliminação urinária. Suas meias-vidas são va- riáveis. Algumas características das estatinas estão resumidas na Figura 23.6. 4. Efeitos adversos: Pode ocorrer aumento das enzimas hepáticas no tratamento com estatinas. Por isso, a função hepática deve ser avaliada antes de iniciar o tratamento e quando o paciente tem sintomas consistentes com disfunção hepática. (Nota: a insufi- ciência hepática pode causar acúmulo do fármaco.) Foram relata- das miopatia e rabdomiólise (desintegração do músculo esquelé- tico, rara) (Fig. 23.7). Na maioria desses casos, os pacientes tinham insuficiência renal ou estavam tomando fármacos como eritromicina, genfibrozila ou niacina. A sinvastatina é biotransfor- mada pelo CYP3A4, e inibidores dessa isoenzima podem aumen- tar o risco de rabdomiólise. Os níveis de creatinocinase no plasma devem ser mensurados em pacientes com queixas musculares. Os inibidores da HMG-CoA também podem aumentar o efeito da varfarina. Dessa forma, é importante avaliar frequentemente a re- lação normalizada internacional (INR, do inglês international nor- malized ratio). Esses fármacos são contraindicados durante a gravidez e a lactação. B. Niacina (ácido nicotínico) A niacina pode reduzir o LDL-C entre 10 e 20% e é o fármaco mais efi- caz para aumentar HDL-C. Ela também diminui os triglicerídeos em 20 a 35% na dose típica de 1,5-3 g/dia. A niacina pode ser usada em combi- nação com as estatinas, estando disponível uma associação de doses fixas de lovastatina e niacina de longa duração de ação. 1. Mecanismo de ação: Com doses na faixa de gramas, a niacina inibe fortemente a lipólise no tecido adiposo, reduzindo assim a produção de ácidos graxos livres (Fig. 23.8). O fígado normalmen- te usa os ácidos graxos livres circulantes como principais precur- sores na síntese de triglicerídeos. Níveis reduzidos de trigliceríde- os no fígado diminuem a produção de VLDL-C hepático, o que, por sua vez, diminui a concentração de LDL-C no plasma. 2. Usos terapêuticos: Como a niacina reduz os níveis de colesterol e triglicerídeos no plasma, ela é útil no tratamento de hiperlipide- mias familiares. Ela também é usada no tratamento de outras hi- percolesterolemias graves, frequentemente associada a outros anti-hiperlipêmicos. 3. Farmacocinética: A niacina é administrada por via oral. No orga- nismo, ela é convertida em nicotinamida, que é incorporada ao cofator nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+). A niacina, seu derivado nicotinamida e outros metabólitos são excretados na urina. (Nota: a nicotinamida isolada não reduz os níveis lipídi- cos plasmáticos.) 4. Efeitos adversos: Os efeitos adversos mais comuns da niacina são intenso rubor cutâneo (acompanhado por uma desconfortável CARACTERÍSTICA ATORVASTATINA FLUVASTATINA LOVASTATINA PITAVASTATINA PRAVASTATINA ROSUVASTATINA SINVASTATINA Redução de colesterol de LDL sérico produzido (%) 55 24 34 43 34 60 41 Redução de triglicerídeos séricos produzido (%) 29 10 16 18 24 18 18 Aumento de colesterol de HDL sérico produzido (%) 6 8 9 8 12 8 12 Meia-vida plasmática (horas) 14 1 a 2 2 12 1 a 2 19 1 a 2 Penetração no sistema nervoso central Não Não Sim Sim Não Não Sim Excreção renal da dose absorvida (%) 2 < 6 10 15 20 10 13 Figura 23.6 Resumo dos inibidores da HMG-CoA redutase. HDL, lipoproteína de alta densidade; LDL, lipoproteína de baixa densidade. Miopatia Contraindicado durante a gravidez Insu�ciência hepática Figura 23.7 Alguns efeitos adversos e precauções associadas com os inibidores da HMG-CoA redutase. - Ácidos graxos VLDL VLDL Triglicerídeos Ácidos graxos FÍGADO Triglicerídeos TECIDO ADIPOSO Niacina LDL Figura 23.8 A niacina inibe a lipólise no tecido adiposo, resultando na redução da síntese hepática de VLDL-C e da produção de LDL-C no plasma. VLDL, lipoproteína de densidade muito baixa; LDL, lipoproteína de baixa densidade. Capitulo_23_Whalen.indd 316 25/04/2016 10:27:53 Farmacologia Ilustrada 317 (30-85%) após administração por via oral. Todas as estatinas são biotransformadas no fígado, e alguns metabólitos retêm atividade. A excreção ocorre principalmente pela bile e pelas fezes, mas tam- bém ocorre alguma eliminação urinária. Suas meias-vidas são va- riáveis. Algumas características das estatinas estão resumidas na Figura 23.6. 4. Efeitos adversos: Pode ocorrer aumento das enzimas hepáticas no tratamento com estatinas. Por isso, a função hepática deve ser avaliada antes de iniciar o tratamento e quando o paciente tem sintomas consistentes com disfunção hepática. (Nota: a insufi- ciência hepática pode causar acúmulo do fármaco.) Foram relata- das miopatia e rabdomiólise (desintegração do músculo esquelé- tico, rara) (Fig. 23.7).Na maioria desses casos, os pacientes tinham insuficiência renal ou estavam tomando fármacos como eritromicina, genfibrozila ou niacina. A sinvastatina é biotransfor- mada pelo CYP3A4, e inibidores dessa isoenzima podem aumen- tar o risco de rabdomiólise. Os níveis de creatinocinase no plasma devem ser mensurados em pacientes com queixas musculares. Os inibidores da HMG-CoA também podem aumentar o efeito da varfarina. Dessa forma, é importante avaliar frequentemente a re- lação normalizada internacional (INR, do inglês international nor- malized ratio). Esses fármacos são contraindicados durante a gravidez e a lactação. B. Niacina (ácido nicotínico) A niacina pode reduzir o LDL-C entre 10 e 20% e é o fármaco mais efi- caz para aumentar HDL-C. Ela também diminui os triglicerídeos em 20 a 35% na dose típica de 1,5-3 g/dia. A niacina pode ser usada em combi- nação com as estatinas, estando disponível uma associação de doses fixas de lovastatina e niacina de longa duração de ação. 1. Mecanismo de ação: Com doses na faixa de gramas, a niacina inibe fortemente a lipólise no tecido adiposo, reduzindo assim a produção de ácidos graxos livres (Fig. 23.8). O fígado normalmen- te usa os ácidos graxos livres circulantes como principais precur- sores na síntese de triglicerídeos. Níveis reduzidos de trigliceríde- os no fígado diminuem a produção de VLDL-C hepático, o que, por sua vez, diminui a concentração de LDL-C no plasma. 2. Usos terapêuticos: Como a niacina reduz os níveis de colesterol e triglicerídeos no plasma, ela é útil no tratamento de hiperlipide- mias familiares. Ela também é usada no tratamento de outras hi- percolesterolemias graves, frequentemente associada a outros anti-hiperlipêmicos. 3. Farmacocinética: A niacina é administrada por via oral. No orga- nismo, ela é convertida em nicotinamida, que é incorporada ao cofator nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+). A niacina, seu derivado nicotinamida e outros metabólitos são excretados na urina. (Nota: a nicotinamida isolada não reduz os níveis lipídi- cos plasmáticos.) 4. Efeitos adversos: Os efeitos adversos mais comuns da niacina são intenso rubor cutâneo (acompanhado por uma desconfortável CARACTERÍSTICA ATORVASTATINA FLUVASTATINA LOVASTATINA PITAVASTATINA PRAVASTATINA ROSUVASTATINA SINVASTATINA Redução de colesterol de LDL sérico produzido (%) 55 24 34 43 34 60 41 Redução de triglicerídeos séricos produzido (%) 29 10 16 18 24 18 18 Aumento de colesterol de HDL sérico produzido (%) 6 8 9 8 12 8 12 Meia-vida plasmática (horas) 14 1 a 2 2 12 1 a 2 19 1 a 2 Penetração no sistema nervoso central Não Não Sim Sim Não Não Sim Excreção renal da dose absorvida (%) 2 < 6 10 15 20 10 13 Figura 23.6 Resumo dos inibidores da HMG-CoA redutase. HDL, lipoproteína de alta densidade; LDL, lipoproteína de baixa densidade. Miopatia Contraindicado durante a gravidez Insu�ciência hepática Figura 23.7 Alguns efeitos adversos e precauções associadas com os inibidores da HMG-CoA redutase. - Ácidos graxos VLDL VLDL Triglicerídeos Ácidos graxos FÍGADO Triglicerídeos TECIDO ADIPOSO Niacina LDL Figura 23.8 A niacina inibe a lipólise no tecido adiposo, resultando na redução da síntese hepática de VLDL-C e da produção de LDL-C no plasma. VLDL, lipoproteína de densidade muito baixa; LDL, lipoproteína de baixa densidade. Capitulo_23_Whalen.indd 317 25/04/2016 10:27:53 318 Whalen, Finkel & Panavelil sensação de calor) e prurido. A administração de ácido acetilsalicí- lico previamente à niacina reduz o rubor, que é mediado por pros- taglandinas. Alguns pacientes também sentem náuseas e dor ab- dominal. A lenta titulação da dosagem ou o uso de uma formulação de liberação prolongada de niacina reduz os incômodos efeitos adversos iniciais. A niacina inibe a secreção tubular de ácido úrico, predispondo, assim, à hiperuricemia e à gota. Também foram rela- tadas hepatotoxicidade e intolerância à glicose. Ela deve ser evita- da na doença hepática. C. Fibratos O fenofibrato e a genfibrozila são derivados do ácido fíbrico que redu- zem os triglicerídeos séricos e aumentam os níveis de HDL-C. 1. Mecanismo de ação: Os receptores ativados pelo proliferador de peroxissomo (RAPPs) são membros da família de receptores nu- cleares que regulam o metabolismo lipídico. Os RAPPs funcionam como fatores de transcrição ativados pelo ligante. Eles são ativa- dos ao ligarem os seus ligandos naturais (ácidos graxos ou eicosa- noides) ou a anti-hiperlipêmicos. Então eles ligam a elementos de resposta proliferador de peroxissoma, o que finalmente leva à dimi- nuição da concentração de triglicerídeos por meio do aumento da expressão da lipoproteína lipase (Fig. 23.9) e diminuindo a concen- tração de apo CII. O fenofibrato é mais eficaz do que a genfibrozila na redução dos níveis de triglicerídeos. Os fibratos também au- mentam o nível de HDL-C pelo aumento da expressão de apo AI e apo AII. 2. Usos terapêuticos: Os fibratos são usados no tratamento das hi- pertrigliceridemias. Eles são particularmente úteis no tratamento da hiperlipidemia iipo III (disbetalipoproteinemia), na qual se acu- mulam as partículas lipoproteicas de densidade intermediária. 3. Farmacocinética: Genfibrozila e fenofibrato são completamente absorvidos por administração oral e se distribuem amplamente, li- gados à albumina. O fenofibrato é um pró-fármaco que é converti- do na molécula ativa, o ácido fenofíbrico. Os dois fármacos sofrem extensa biotransformação, sendo excretados pela urina como con- jugados glicuronídeos. 4. Efeitos adversos: Os efeitos adversos mais comuns são distúr- bios gastrintestinais (GI) leves. Eles diminuem à medida que o tra- tamento avança. Como esses fármacos aumentam a excreção bi- liar de colesterol, há uma predisposição de formar cálculos biliares. Pode ocorrer miosite (inflamação de um músculo voluntário); as- sim, deve-se avaliar a presença de fraqueza e sensibilidade mus- cular. Pacientes com insuficiência renal podem estar em risco. Fo- ram relatadas miopatia e rabdomiólise em pacientes que recebiam, ao mesmo tempo, genfibrozila e estatinas. O uso de genfibrozila é contraindicado com sinvastatina. Ambos os fibratos podem aumen- tar os efeitos da varfarina. Por isso, a INR deve ser monitorada mais frequentemente quando o paciente estiver tomando ambos os fármacos. Os fibratos não devem ser usados em pacientes com disfunção renal ou hepática grave ou em pacientes com doença preexistente na vesícula biliar. Tecidos (p. ex., ADIPOSO) Capilares Ácidos graxos livres Quilomícrons remanescentes VLDL Quilomícron IDL Lipoproteína lipase Gen�brozila + Figura 23.9 Ativação da lipoproteína lipase pela genfibrozila. VLDL, lipoproteína de densidade muito baixa; IDL, lipoproteína de densidade intermediária. Capitulo_23_Whalen.indd 318 25/04/2016 10:27:54 Farmacologia Ilustrada 319 D. Sequestradores de ácidos biliares Os sequestradores de ácidos biliares (resinas fixadoras de ácidos bilia- res) têm efeito redutor do LDL-C significativo, embora seus benefícios sejam menores do que os obtidos com as estatinas. 1. Mecanismo de ação: Colestiramina, colestipol e colesevelam são resinas que realizam trocas de ânions e se ligam aos ácidos e sais biliares com carga negativa no intestino delgado (Fig. 23.10). O com- plexo ácido biliar/resina é excretado nas fezes, diminuindo, assim, a concentração de ácido biliar. Isso estimula os hepatócitos a aumen- tar a conversão de colesterol em ácidos biliares, componentes es- senciais da bile. Consequentemente, diminui a concentração de colesterol intracelular, o que ativa maior captação hepática de co- lesterol contendo partículas LDL-C, levando a uma redução do LDL-C plasmático. (Nota: esse aumento na captação é mediado por maior ativação/sensibilização dos receptores de LDL-C da su- perfície celular.) 2. Usos terapêuticos: As resinas que ligam ácidos graxos são úteis (frequentemente combinados a dieta ou niacina) no tratamentodas hiperlipidemias tipo IIA e tipo IIB. (Nota: naqueles raros indivíduos que são homozigotos para o tipo IIA e nos quais os receptores fun- cionais de LDL-C são totalmente ausentes, esses fármacos têm pouco efeito nos níveis plasmáticos de LDL-C.) A colestiramina também pode aliviar o prurido causado pelo acúmulo de ácidos bi- liares em pacientes com obstrução biliar. O colesevelam também é indicado para o diabetes tipo 2 devido a seu efeito de diminuição de glicose. 3. Farmacocinética: Os sequestradores de ácidos biliares são inso- lúveis em água e têm grande massa molecular. Após administra- ção oral, não são absorvidos nem alterados metabolicamente no intestino. Em vez disso, são totalmente excretados nas fezes. 4. Efeitos adversos: Os efeitos adversos mais comuns são distúr- bios GI, como constipação, náuseas e flatulência. O colesevelam apresenta efeitos GI menores do que os outros sequestradores dos ácidos biliares. Esses fármacos podem comprometer a absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e interferem na absorção de vários fármacos (p. ex., digoxina, varfarina e hormônios tireói- deos). Assim, outros fármacos devem ser administrados pelo me- nos entre 1 e 2 horas antes ou de 4 a 6 horas depois das resinas fixadoras de ácidos biliares. As resinas podem aumentar os níveis de triglicerídeos e são contraindicadas em pacientes com hipertri- gliceridemia significativa (≥ 400 mg/dL). E. Inibidores da absorção de colesterol A ezetimiba inibe seletivamente a absorção de colesterol da dieta e da bile no intestino delgado, diminuindo a oferta de colesterol intestinal para o fígado. Isso reduz as reservas de colesterol hepático e aumenta a re- moção de colesterol do sangue. A ezetimiba diminui o LDL-C em cerca de 17%. Devido a esse efeito modesto, a ezetimiba frequentemente é usada como adjunto no tratamento com estatinas ou em pacientes in- tolerantes a estatinas. A ezetimiba é biotransformada principalmente no intestino delgado e no fígado por meio da conjugação de glicuronídeos Colesterol Fígado Intestinodelgado Colesterol Sais biliares Fezes Paciente hiperlipêmico não tratado Paciente hiperlipêmico tratado com resinas ligantes a ácidos biliares Complexo insolúvel Sais biliares A colestiramina, o colestipol ou o colesevelam formam um complexo insolúvel com os ácidos e sais biliares, impedindo sua reabsorção no intestino A maior parte dos ácidos e sais biliares secretados no intestino é reabsorvida Ácidos e sais biliares A B Ácidos e sais biliares Figura 23.10 Mecanismo de ação das resinas ligadoras de ácidos biliares. Capitulo_23_Whalen.indd 319 25/04/2016 10:27:54 320 Whalen, Finkel & Panavelil com subsequente eliminação biliar e renal. Pacientes com insuficiência hepática moderada a grave não devem ser tratados com ezetimiba,cujos efeitos adversos são raros. F. Ácidos graxos ômega-3 Ácidos graxos poli-insaturados (AGPIs) ômega-3 são ácidos graxos es- senciais usados predominantemente para reduzir triglicerídeos. Os áci- dos graxos essenciais inibem a síntese de VLDL-C e triglicerídeos no fígado. Os AGPIs ômega-3 – ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosa-hexaenoico (DHA) – são encontrados em fontes marinhas tais como atum, alabote e salmão. Cerca de 4 g de AGPIs ômega-3 mari- nhos por dia diminuem a concentração de triglicerídeos séricos em 25 a 30% com pequenos aumentos no LDL-C e no HDL-C. Cápsulas de óleo de peixe de venda livre ou sujeitas à prescrição (EPA/DHA) podem ser usadas para suplementação, pois é difícil consumir AGPI ômega-3 suficiente somente com a dieta. Icosapente etila é um fármaco de re- ceituário que contém apenas EPA e não aumenta significativamente o LDL-C, diferentemente dos suplementos de óleo de peixe. Os AGPIs ômega-3 podem ser considerados auxiliares de outros tratamentos para reduzir os lipídeos em indivíduos que têm triglicerídeos significativamente elevados (≥ 500 mg/dL). Embora eficaz para diminuir os triglicerídeos, a suplementação com AGPIs ômega-3 não reduziu a morbidade e a mortalidade cardiovascular. Os efeitos adversos mais comuns do AGPI ômega-3 inclui efeitos GI (dor abdominal, náusea, diarreia) e o gosto de peixe. Pode aumentar o risco de sangramentos naqueles que estão tomando simultaneamente anticoagulantes ou antiplaquetários. G. Tratamento farmacológico combinado Frequentemente, é necessário usar dois anti-hiperlipêmicos para al- cançar os níveis lipídicos plasmáticos almejados. A combinação de um inibidor da HMG-CoA redutase com um ligante dos ácidos biliares se re- velou muito útil na redução dos níveis de LDL-C (Fig. 23.11). Atualmente, sinvastatina e ezetimiba, bem como sinvastatina e niacina, são asso- ciadas em um comprimido para tratar o LDL-C elevado. Contudo, são necessárias mais informações clínicas para determinar se a associação proporciona benefícios de longo prazo melhores do que o uso de uma dosagem elevada de estatina. Enquanto essa incerteza se mantém, vários especialistas recomendam maximizar a dosagem de estatina e adicionar niacina ou fibratos apenas em pacientes com elevação persis- tente de triglicerídeos (> 500 mg/dL) ou naqueles com níveis de HDL-C baixos (< 40 mg/dL). A associação de fármacos não é isenta de riscos. A toxicidade hepática e muscular ocorre com maior frequência com a as- sociação de fármacos que diminuem os lipídeos. A Figura 23.12 resume algumas ações dos anti-hiperlipêmicos. Dieta Dieta + Lovastatina Dieta + Lovastatina + Colestipol 0 400 800 Co le st er ol to ta l p la sm át ic o (m g/ dL ) Média Figura 23.11 Resposta do colesterol total plasmático à dieta (com baixo colesterol e baixa gordura saturada) e a anti-hiperlipêmicos em pacientes portadores de hipercolesterolemia heterozigota familiar. TIPO DE FÁRMACO EFEITO SOBRE LDL EFEITO SOBRE HDL EFEITO SOBRE TRIGLICERÍDEOS Inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas) Fibratos Niacina Sequestradores de ácidos biliares Inibidor da absorção de colesterol Figura 23.12 Características das famílias de anti-hiperlipêmicos. HDL, lipoproteína de alta densidade; HMG-CoA, 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A; LDL, lipoproteína de baixa densidade. Capitulo_23_Whalen.indd 320 25/04/2016 10:27:55 Farmacologia Ilustrada 321 Questões para estudo Escolha a resposta correta. 23.1 Qual dos seguintes é o efeito adverso mais comum no tratamento com anti-hiperlipêmicos? A. Elevação da pressão arterial. B. Distúrbios gastrintestinais. C. Problemas neurológicos. D. Palpitações cardíacas. E. Cefaleia de tipo enxaqueca. 23.2 Qual das seguintes hiperlipidemias se caracteriza por elevados níveis plasmáticos de quilomícrons e não pos- sui tratamento farmacológico disponível para reduzir os níveis de lipoproteínas plasmáticas? A. Tipo I. B. Tipo II. C. Tipo III. D. Tipo IV. E. Tipo V. 23.3 Qual dos seguintes fármacos reduz a síntese de coleste- rol inibindo a enzima HMG-CoA redutase? A. Fenofibrato. B. Niacina. C. Colestiramina. D. Lovastatina. E. Genfibrozila. 23.4 Qual dos seguintes fármacos causa redução da síntese hepática de triglicerídeos limitando a disponibilidade de ácidos graxos livres necessários como componentes nessa via? A. Niacina. B. Fenofibrato. C. Colestiramina. D. Genfibrozila. E. Lovastatina. Resposta correta = B. Os distúrbios GI ocorrem frequentemente como efeito adverso do tratamento com anti-hiperlipêmicos. As outras esco- lhas não são consideradas efeitos comuns. Resposta correta = A. A hiperlipidemia tipo I (hiperquilomicronemia) é tratada com dieta pobre em gorduras. Nenhum fármaco é eficaz contra essa doença. Resposta correta = D. A lovastatina diminui a síntese de colesterol inibindo a HMG-CoA redutase. Fenofibrato e genfibrozila aumentam a atividade da lipoproteína lipase, aumentando, assim, a retirada de VLDL-C do plasma. A niacina inibe a lipólise no tecido adiposo, eliminando, assim, os componentes necessários para a produção de triglicerídeos no fígadoe, por isso, de VLDL-C. A colestiramina reduz a quantidade de ácidos biliares que voltam ao fígado pela cir- culação entero-hepática. Resposta correta = A. Com dose na faixa de gramas, a niacina inibe energicamente a lipólise no tecido adiposo, o principal produtor dos ácidos graxos livres circulantes. O fígado normalmente usa esses ácidos graxos circulantes como principal precursor na síntese de tri- glicerídeos. Assim, a niacina causa redução na síntese hepática de triglicerídeos necessários para a produção de VLDL-C. Os fármacos das outras opções não inibem a lipólise no tecido adiposo. sinvastatina e ezetimiba, bem como sinvastatina e niacina, são asso- ciadas em um comprimido para tratar o LDL-C elevado. Contudo, são necessárias mais informações clínicas para determinar se a associação proporciona benefícios de longo prazo melhores do que o uso de uma dosagem elevada de estatina. Enquanto essa incerteza se mantém, vários especialistas recomendam maximizar a dosagem de estatina e adicionar niacina ou fibratos apenas em pacientes com elevação persis- tente de triglicerídeos (> 500 mg/dL) ou naqueles com níveis de HDL-C baixos (< 40 mg/dL). A associação de fármacos não é isenta de riscos. A toxicidade hepática e muscular ocorre com maior frequência com a as- sociação de fármacos que diminuem os lipídeos. A Figura 23.12 resume algumas ações dos anti-hiperlipêmicos. Dieta Dieta + Lovastatina Dieta + Lovastatina + Colestipol 0 400 800 Co le st er ol to ta l p la sm át ic o (m g/ dL ) Média Figura 23.11 Resposta do colesterol total plasmático à dieta (com baixo colesterol e baixa gordura saturada) e a anti-hiperlipêmicos em pacientes portadores de hipercolesterolemia heterozigota familiar. TIPO DE FÁRMACO EFEITO SOBRE LDL EFEITO SOBRE HDL EFEITO SOBRE TRIGLICERÍDEOS Inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas) Fibratos Niacina Sequestradores de ácidos biliares Inibidor da absorção de colesterol Figura 23.12 Características das famílias de anti-hiperlipêmicos. HDL, lipoproteína de alta densidade; HMG-CoA, 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A; LDL, lipoproteína de baixa densidade. Capitulo_23_Whalen.indd 321 25/04/2016 10:27:55 Capa Iniciais Ficha catalográfica Folha de rosto Ficha técnica Coautores Prefácio Sumário Unidade I - Princípios da terapia farmacológica Capítulo 1 - Farmacocinética Capítulo 2 - Interações fármaco-receptor e farmacodinâmica Unidade II - Fármacos que afetam o sistema nervoso autônomo Capítulo 3 - O sistema nervoso autônomo Capítulo 4 - Agonistas colinérgicos Capítulo 5 - Antagonistas colinérgicos Capítulo 6 - Agonistas adrenérgicos Capítulo 7 - Antagonistas adrenérgicos Unidade III - Fármacos que afetam o sistema nervoso central Capítulo 8 - Doenças degenerativas Capítulo 9 - Ansiolíticos e hipnóticos Capítulo 10 - Antidepressivos Capítulo 11 - Antipsicóticos Capítulo 12 - Antiepilépticos Capítulo 13 - Anestésicos Capítulo 14 - Opioides Capítulo 15 - Fármacos de abuso Capítulo 16 - Estimulantes do sistema nervoso central Unidade IV - Fármacos que afetam o sistema cardiovascular Capítulo 17 - Anti-hipertensivos Capítulo 18 - Diuréticos Capítulo 19 - Insuficiência cardíaca Capítulo 20 - Antiarrítmicos Capítulo 21 - Antianginosos Capítulo 22 - Anticoagulantes e antiplaquetários Capítulo 23 - Anti-hiperlipêmicos Unidade V - Fármacos que afetam o sistema endócrino Capítulo 24 - Hipófise e tireoide Capítulo 25 - Antidiabéticos Capítulo 26 - Estrogênios e androgênios Capítulo 27 - Hormônios suprarrenais Capítulo 28 - Obesidade Unidade VI - Fármacos para outros distúrbios Capítulo 29 - Sistema respiratório Capítulo 30 - Anti-histamínicos Capítulo 31 - Antieméticos e gastrintestinais Capítulo 32 - Distúrbios urológicos Capítulo 33 - Anemia Capítulo 34 - Distúrbios dermatológicos Capítulo 35 - Distúrbios nos ossos Capítulo 36 - Anti-inflamatórios, antipiréticos e analgésicos Unidade VII - Fármacos quimioterápicos Capítulo 37 - Princípios do tratamento antimicrobiano Capítulo 38 - Antimicrobianos inibidores da parede celular Capítulo 39 - Antimicrobianos inibidores da síntese proteica Capítulo 40 - Quinolonas, antagonistas do ácido fólico e antissépticos do trato urinário Capítulo 41 - Antimicobacterianos Capítulo 42 - Antifúngicos Capítulo 43 - Antiprotozoários Capítulo 44 - Anti-helmínticos Capítulo 45 - Antiviróticos Capítulo 46 - Anticâncer Capítulo 47 - Imunossupressores Unidade VIII - Toxicologia Capítulo 48 - Toxicologia clínica Abreviaturas Crédito das figuras Índice 2016-06-24T11:56:09+0000 Preflight Ticket Signature