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Principais lesões no Esporte Adriana Marinho Descrição Abordagem das principais lesões no esporte envolvendo os membros superiores, cabeça, tronco e os membros inferiores. Propósito A identificação das principais e mais recorrentes lesões dos membros superiores, cabeça, tronco e membros inferiores relacionados ao esporte é necessária para o fisioterapeuta no planejamento de ações preventivas e de reabilitação nos praticantes de atividade física em geral e atletas. Objetivos Módulo 1 Os membros superiores Reconhecer o mecanismo e as lesões dos membros superiores no esporte. Módulo 2 A cabeça e o tronco Localizar o mecanismo e as lesões de cabeça e tronco no esporte. Módulo 3 Os membros inferiores Identificar o mecanismo e as lesões dos membros inferiores no esporte. Introdução Sabemos que a prática de exercícios físicos regulares gera melhora no condicionamento cardiovascular, ganho de força, aumento de flexibilidade e de densidade óssea, além de diversos outros benefícios que impactam positivamente nossa qualidade de vida. Porém, uma das desvantagens do exercício é a maior suscetibilidade ao aparecimento de algumas lesões. Muitas vezes, não temos adaptações musculoesqueléticas suficientes para suportar as sobrecargas exigidas em determinados esportes. Outras vezes, por serem esportes de contato, ocorrem traumas diretos entre os praticantes, o que pode causar lesões. Neste conteúdo, vamos abordar as principais lesões ocorridas no esporte em relação aos membros superiores, inferiores, cabeça e tronco, buscando saber os mecanismos causadores e as consequências em nível tecidual. Vamos lá? 1 - Os membros superiores Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o mecanismo e as lesões dos membros superiores no esporte. Lesões dos membros superiores no esporte Fratura da clavícula e do úmero As fraturas do ombro geralmente envolvem uma solução de continuidade da clavícula, do colo do úmero ou de ambos. As lesões podem ser causadas por traumas diretos, como golpes repentinos sobre a articulação ou até mesmo uma queda. Esportes de contato, como por exemplo o rúgbi e o futebol americano, podem acarretar fraturas nessa região após um choque violento entre dois jogadores. olução de continuidade Descontinuidade de um segmento. Anatomia A clavícula é um osso alongado em forma de “S”, apresentando uma convexidade anterior e medial, e uma concavidade anterior e lateral fixando-se medialmente ao manúbrio (articulação esterno-clavicular) e lateralmente ao acrômio (articulação acromioclavicular). A clavícula protege o plexo braquial (conjunto de nervos responsável pela inervação do membro superior), a pleura (uma vez que o ápice do pulmão atinge a articulação esterno clavicular) e os grandes vasos da extremidade superior (como a artéria e veia subclávia). Fraturas da clavícula ocorrem em geral após uma queda sobre a região lateral do ombro ou queda com o braço estendido. Anatomia da clavícula Relação anatômica da clavícula com o plexo braquial (em amarelo), artéria e veia subclávia e ápice pulmonar. Fratura da clavícula esquerda Radiografia apresentando fratura completa da clavícula esquerda. Fratura do colo cirúrgico do úmero Local comum de fratura, representa uma região estreita e distal à cabeça e aos tubérculos do úmero. Conheça agora os sinais e os sintomas manifestados em fraturas na clavícula. É importante lembrar que os sinais são quantificáveis, ou seja, percebidos por outra pessoa sem a necessidade de relato do paciente, como edema, coloração da pele, temperatura corporal, entre outros. Sintomas são os relatos do paciente, como dor, desconforto, ou seja, a queixa que somente o paciente consegue perceber. Veja a seguir os sinais e sintomas, a intervenção imediata e as formas de reabilitação e prevenção: Dor intensa, gerando incapacidade para movimentar o membro superior, principalmente no nível da articulação do ombro, e considerável aumento de volume no local da lesão (edema). Sinais e sintomas As complicações são incomuns, embora possa ocorrer pneumotórax, hemotórax, lesões do plexo braquial ou dos vasos subclávios. Como em toda fratura, deve ser respeitado o prazo para a sua consolidação, a fim de evitar a ocorrência de uma pseudoartrose, ou seja, uma cicatrização inadequada do tecido ósseo, o que gera dor, sendo muitas vezes necessária uma intervenção cirúrgica. Gelo e imobilização do segmento lesionado. É fundamental o alinhamento da fratura, com a devida imobilização, para evitar o que denominamos de consolidação viciosa, o que gera deformidades e compromete os movimentos da articulação. Geralmente, o tratamento médico é conservador, ou seja, sem necessidade de intervenções cirúrgicas, por serem fraturas sem deslocamento. Após a consolidação, a reabilitação vai incluir exercícios que visem restaurar a amplitude de movimento, associado ao fortalecimento, que é necessário para o restabelecimento funcional do ombro. Luxação do ombro A luxação do ombro pode ocorrer quando um atleta sofre uma queda com a mão espalmada sobre o chão, estando o cotovelo estendido, ou durante abdução e rotação lateral do ombro, sendo esse movimento o que gera menor contato da cabeça do úmero com a cavidade glenoide, promovendo maior instabilidade articular. O mecanismo da lesão se dá quando a porção superior do úmero se desloca da cavidade glenoidal da escápula, perdendo a relação de contato entre as superfícies articulares. Para que a luxação ocorra, é necessária uma força significativa sobre o ombro, a menos que o atleta esteja apresentando recorrência de luxações, ou seja, haja recidivas, o que com o tempo fragiliza a cápsula articular e os ligamentos glenoumerais que reforçam a cápsula. A luxação do ombro pode se apresentar de diversas maneiras, sendo mais comum a luxação anterior, que representa aproximadamente 95% dos casos. Entenda melhor, a seguir: Intervenção imediata Reabilitação e prevenção Luxação anterior da articulação do ombro – perda de contato entre a cabeça do úmero e a cavidade glenoide Nesse tipo de luxação, as estruturas responsáveis pela estabilização anterior do ombro (cápsula anterior e os ligamentos glenoumerais, especialmente o ligamento glenoumeral inferior) são rompidas. “Sinal da dragona militar”, característico da luxação anterior da articulação do ombro Quando o indivíduo, após o evento traumático, apresenta o “sinal de dragona militar”, isso sugere que ocorreu uma luxação anterior do ombro, que se caracteriza pela perda do contorno arredondado do ombro. Lesão de Hill-Sachs Q d b d ú d l t i t d ti l d d id d A seguir, veja o contorno irregular do músculo deltoide na luxação do ombro: Quando a cabeça do úmero se desloca anteriormente, desarticulando-se da cavidade glenoide, o úmero pode retornar ao seu lugar, e a região posterior da sua cabeça acaba chocando-se na cavidade glenoide, havendo uma lesão nesse retorno da cabeça do úmero, podendo nesse momento ocorrer simultaneamente à luxação uma fratura por compressão da cabeça umeral posteromedial, que é conhecida como lesão de Hill-Sachs. Pode ocorrer ainda uma avulsão da região anterior do lábio glenoidal, constituindo-se na lesão de Bankart. Essas duas lesões ocorrem frequentemente como consequência de uma luxação anterior do ombro. Lesão SLAP É uma patologia que acomete a inserção da cabeça longa do músculo bíceps braquial na cavidade glenoidal, na região superior do lábio glenoidal. Ocorre principalmente em atletas que praticam arremesso e movimentações acima da cabeça, geralmente com idade inferior a 40 anos, acometendo o lado dominante, ou seja, o mais utilizado, como pode ser observado na imagem acima. Essa lesão também é conhecida como ombro do arremessador ou ombro do atleta. Veja a seguir os sinais e sintomas, a intervenção imediata e as formas de reabilitação e prevenção: Dor intensa no ombro, com manutenção do ombro em rotação lateral e contorno irregular do músculo deltoide. A luxação doombro causa laceração dos ligamentos capsulares, tornando a articulação menos estável, o que a deixa mais propensa a luxações sucessivas durante as atividades esportivas, uma vez que o ligamento imobilizado pode não cicatrizar na posição apropriada. Redução (aproximação das superfícies articulares) da articulação luxada e imobilização. A maioria das luxações de ombro é tratada de maneira conservadora, ou seja, sem necessidade de cirurgia, embora ela possa ser necessária no caso de luxações recidivantes, ou quando o atleta passa a ter instabilidade do ombro após a luxação. Uma alternativa ao tratamento cirúrgico é a proloterapia, que envolve injeções aplicadas diretamente na porção anterior da cápsula do ombro e sobre os ligamentos glenoumerais médio e inferior, com o objetivo de redução da dor, restauração da mobilidade e um retorno mais rápido à atividade esportiva. Uma das vantagens da técnica é que evita a formação de tecido cicatricial, comum após uma cirurgia. Sinais e sintomas Intervenção imediata Reabilitação e prevenção A fisioterapia sempre vai atuar por meio de fortalecimento muscular. No caso do tratamento conservador, como no manguito rotador, atuará no bíceps braquial – cabeça longa, harmonização das cadeias de movimento, restabelecimento do ritmo escapuloumeral e avaliação de fatores biomecânicos que podem estar envolvidos na lesão. Quando o tratamento médico for cirúrgico, poderá atuar tanto no pré-operatório como após o procedimento, para restaurar a força e amplitude articular. Luxação da articulação acromioclavicular Luxação acromioclavicular Essa elevação lateral da clavícula, quando pressionada com o dedo, apresenta mobilidade, sendo conhecida como “sinal da tecla de piano”. Exemplo de mecanismo de lesão da articulação acromioclavicular Ocorre principalmente em praticantes de ciclismo, judô e futebol. Veja a seguir os sinais e sintomas e as formas de reabilitação e prevenção: Sinais e sintomas Dor e edema na região superior do ombro, com limitação do movimento e dificuldade para realizar a elevação da cintura escapular. No exame clínico, identificamos a clavícula mais elevada e com mobilidade aumentada, sendo esse aumento da mobilidade da clavícula conhecido como “sinal da tecla de piano”, que se caracteriza pela elevação da extremidade lateral da clavícula sob a pele que reduz com a pressão digital realizada pelo examinador, porém retorna à posição original uma vez cessada a pressão. A luxação acromioclavicular é facilmente diagnosticada por radiografias do ombro, porém em casos mais leves, não visualizados na radiografia, o diagnóstico pode ser confirmado somente com a ressonância magnética. Geralmente, o tratamento é conservador, feito por meio da imobilização do segmento e, depois, é sempre indicada a fisioterapia para o normal restabelecimento da força e minimizar os efeitos deletérios da imobilização, como a rigidez tecidual. Entretanto, nos casos mais graves, como a luxação acromioclavicular grau 5, em que ocorre ruptura do ligamento acromioclavicular e coracoclavicular – que se divide em ligamento conoide e trapezoide –, o tratamento deve ser cirúrgico. Percebemos que se trata de uma entorse que ocorre nos ligamentos entre a extremidade lateral da clavícula e o acrômio , gerando a perda do contato normal entre essas superfícies articulares. Síndrome do impacto A síndrome do impacto é um comprometimento crônico que envolve a articulação do ombro, causado por atividades repetitivas realizadas acima da cabeça ou por esportes que geram grande estresse sobre a articulação, como as manobras de arremesso, atingindo muitas vezes o lábio glenoidal, a bursa subacromial e a cabeça longa do músculo bíceps braquial. rônico Quadros crônicos são aqueles em que os sintomas permanecem por mais de três meses. Reabilitação e prevenção Situações em que ocorre um estreitamento do espaço entre os tendões do manguito rotador e o acrômio podem resultar em dor e comprometimento da biomecânica normal do ombro, uma vez que esses músculos precisam estar saudáveis para a movimentação normal da articulação, pois funcionam como estabilizadores. Anatomia do manguito rotador O manguito rotador é composto por quatro músculos: subescapular; supraespinhal; infraespinhal; redondo menor, bem como suas fixações musculotendíneas. Músculos que formam o manguito rotador. O manguito rotador atua na estabilização da articulação do ombro (glenoumeral), uma vez que seus tendões se localizam ao redor da articulação, aproximando a cabeça do úmero da cavidade glenoidal da escápula durante os movimentos. Lesões, incluindo lacerações do manguito rotador, podem causar instabilidade na cabeça do úmero, não realizando a artrocinemática normal, levando ao impacto. Destacamos ainda, na região do ombro, a bolsa subacromial (um prolongamento da cápsula articular preenchida por líquido sinovial, localizada inferiormente ao acrômio), que é uma estrutura anatômica que sofre lesões com bastante frequência, principalmente em movimentos repetitivos de adução da articulação do ombro. Veja a seguir como ocorrem essas lesões nessa região, os sintomas, o tratamento imediato e as formas de reabilitação e prevenção: Movimentos repetitivos acima da cabeça, como ocorre no tênis, na natação, no golfe e no levantamento de peso, gerando compressão da bolsa subacromial. Sobrecarga do manguito rotador em esportes que solicitam movimentos rápidos e repetitivos da articulação do ombro, como ocorre no vôlei e no beisebol, por exemplo, colaborado ainda por predisposições físicas, como artrite reumatoide ou outras doenças reumatológicas. Dificuldade em elevar o braço. Dor durante o sono, ou sempre que o braço lesionado sofre pressão. Dor durante os movimentos de rotação, como alcançar o bolso de trás com o braço. Caso negligenciada, a síndrome do impacto pode gerar aumento da rigidez da articulação e uma subsequente redução dos movimentos fisiológicos, comprometendo a movimentação normal, operando um efeito cascata: Redução do movimento → enfraquecimento das estruturas anatômicas → mais redução da força, da amplitude e do movimento. Os tendões dos músculos rotadores podem ainda ser lacerados quando a atividade esportiva é retomada antes da recuperação total. Repouso, imobilização do segmento, bolsas de gelo e intervenções da eletrotermofototerapia que tenham ação anti-inflamatória. Causas da lesão Sintomas Tratamento imediato Reabilitação e prevenção Durante e após o período de cicatrização, a fisioterapia é indicada para restaurar a força e a amplitude de movimento do ombro acometido. Evitar ou limitar movimentos repetitivos que causam sobrecarga nessa região é importante para o restabelecimento. A síndrome do impacto apresenta melhora entre seis e doze semanas. Nos casos em que o quadro não apresentar melhoras nesse prazo, pode ser indicada a intervenção cirúrgica. Manguito rotador Neste vídeo, será abordada a justificativa anatômica para a importância desse grupamento muscular na estabilização da articulação do ombro. Epicondilite lateral (cotovelo de tenista ou “tennis elbow”) No antebraço, temos no total vinte músculos, sendo que posteriormente localizamos doze: sete superficiais e cinco músculos profundos. Com relação à epicondilite lateral, nos interessam os superficiais, com inserção proximal no epicôndilo lateral, especificamente: extensor radial longo do carpo; extensor radial curto do carpo; extensor do dedo; extensor do dedo mínimo; extensor ulnar do carpo. Esses músculos superficiais, com fixação no epicôndilo lateral, realizam a extensão do punho e dos dedos. Certas situações, como em esportes que utilizam raquetes ou atividades que exijam esses movimentos, podem gerar a maior sobrecarga no ponto de fixação dos tendões desses músculos, desenvolvendo um processo inflamatório. Epicondilite lateral ou cotovelo de tenista. É uma condição clínica bastante dolorosa, limitando o movimento, sendo geralmenterelatada pelo paciente a dor no epicôndilo lateral e em direção aos músculos extensores de punho e dedos. Durante o tratamento, é indicada a redução de atividades que envolvam esses músculos e a eletrotermofototerapia, que pode auxiliar na redução do processo inflamatório, juntamente com a crioterapia (gelo) e o alongamento dos músculos extensores de punho e dedos. Epicondilite medial (cotovelo de gol�sta ou “golfer's elbow”) Na região anterior do antebraço, localizamos oito músculos, sendo que cinco são superficiais e apresentam fixação no epicôndilo medial. Os músculos que realizam flexão do punho e dedos envolvidos na epicondilite medial são: flexor radial do carpo; palmar longo; flexor superficial dos dedos; flexor ulnar do carpo. Os movimentos que exigem a flexão do punho e dos dedos de forma mais repetitiva podem levar ao processo inflamatório destes tendões, sendo uma condição clínica menos comum que a epicondilite lateral, mas não menos dolorosa, gerando dificuldade e dor durante a movimentação. Ilustração sobre epicondilite medial (cotovelo de golfista). Durante o tratamento, é indicada a redução nos movimentos que solicitam esses músculos e, como no cotovelo de tenista, a eletrotermofototerapia, que pode auxiliar na redução do processo inflamatório, juntamente com a crioterapia (gelo) e o alongamento dos músculos flexores de punho e dedos. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Assinale a alternativa correta sobre a anatomia dos membros superiores. A A cintura escapular, ou cíngulo do membro superior, consiste de uma clavícula na posição posterior e uma escápula lateralmente. B Na clavícula, a extremidade esternal, em forma de cone, articula-se ao manúbrio do osso esterno medialmente, e a extremidade acromial achatada articula-se com a escápula lateralmente. Parabéns! A alternativa B está correta. A clavícula é um osso anterior, e não posterior, conforme cita a alternativa A. O erro da alternativa C consta em afirmar que as escápulas estão localizadas na superfície frontal da caixa torácica, uma vez que as escápulas estão localizadas posteriormente no gradil costal. O rádio articula-se com o capítulo do úmero e a ulna com a tróclea do úmero, e não ao contrário como citado na alternativa D. A margem lateral da escápula finaliza na região superior em uma fossa rasa (cavidade glenoidal), e a margem medial é paralela à coluna vertebral, sendo, portanto, ao contrário do que afirma a alternativa E. Questão 2 Pode-se dizer que, na semiologia do ombro, o “sinal da tecla de piano" é típico da luxação: C As escápulas são ossos planos, triangulares e delgados localizados na superfície frontal da caixa torácica, entre a primeira costela (na posição superior) e a oitava (na posição inferior). D O úmero, sendo o maior e mais longo osso no membro superior, articula-se com a escápula (cavidade glenoidal) e com o rádio (tróclea – fossa do olécrano) e a ulna (capítulo). E A escápula tem três margens. A margem superior é a mais curta e forte. A margem medial (ou axilar) margeia a axila e termina na posição superior em uma fossa rasa. A margem lateral ou vertebral é paralela à coluna vertebral. A Glenoclavicular B Umeroclavicular C Acromioumeral Parabéns! A alternativa E está correta. O sinal da tecla de piano consiste na mobilidade lateral da clavícula, que é percebida se pressionada inferiormente após a luxação da articulação acromioclavicular. Não existe articulação glenoclavicular, umeroclavicular e acromioumeral, citadas nas alternativas A, B e C. Já a luxação da articulação glenoumeral apresenta o “sinal de dragona”, e não o “sinal da tecla de piano”. 2 - A cabeça e o tronco Ao �nal deste módulo, você será capaz de localizar o mecanismo e as lesões de cabeça e tronco no esporte. D Glenoumeral E Acromioclavicular Lesões de cabeça e tronco no esporte Lesões da cabeça e pescoço Os traumas na cabeça estão entre as lesões mais preocupantes com que os atletas se deparam, podendo se apresentar de diversas formas, sendo as mais comuns: concussão → envolve aceleração súbita da cabeça; contusão ou esmagamento do tecido cerebral; hemorragia ou sangramento no interior do crânio; fratura dos ossos do crânio. Atletas envolvidos em esportes de contato, como futebol, futebol americano, rúgbi, hóquei, artes marciais mistas (MMA) e boxe, são os mais vulneráveis a tais lesões. Quando é aplicada sobre a cabeça uma força de grande magnitude, os ossos do crânio podem fraturar, algumas vezes colidindo sobre o tecido cerebral. Já as hemorragias no interior do crânio podem ocorrer com ou sem fratura. Caso haja um vaso sanguíneo entre o crânio e os danos teciduais cerebrais, pode-se formar um coágulo ou um hematoma, que venha a comprimir o tecido cerebral subjacente. Um coágulo formado entre o crânio e a dura-máter é denominado hematoma epidural, enquanto um coágulo abaixo da dura-máter é nomeado hematoma subdural. As hemorragias que ocorrem mais próximas do tecido nervoso podem causar contusão ou esmagamento do tecido cerebral. Veja a seguir os mecanismos da lesão, os sinais e sintomas, o atendimento imediato e as formas de reabilitação e prevenção: Forte colisão com outro atleta durante a prática esportiva. Quedas com impacto sobre a cabeça. Traumas diretos ocasionados por golpes, como ocorre no MMA e no boxe. Perda da consciência. Confusão e perda de memória; Náuseas ou vômito. Tonturas ou problemas de equilíbrio. Visão dupla ou embaçada. Se possível, deixar o atleta em um local tranquilo, estancar o fluxo sanguíneo, se necessário, e procurar cuidados médicos imediatamente. Devemos ter ciência de que todos os abalos são potencialmente graves, e todos os atletas com suspeita de concussão não devem voltar a jogar até que haja uma liberação médica, sendo confirmada a gravidade ou não do trauma por meio de exames específicos, como tomografia computadorizada, ressonância magnética e testes neuropsicológicos. A reabilitação das lesões cerebrais varia dependendo de sua natureza, de sua extensão e do comportamento do paciente pós-lesão, pois até concussões leves podem deixar em alguns casos sintomas que podem persistir por tempo prolongado. É importante que os atletas sigam as regras Mecanismos da lesão Sinais e sintomas Atendimento imediato Reabilitação e prevenção dos esportes e utilizem mecanismos de proteção, como capacetes ou outros protetores de cabeça, que auxiliam na prevenção dessas lesões. Quando ocorre uma lesão leve, o prognóstico geralmente é bom, embora sintomas como dor de cabeça, vertigem e amnésia possam persistir por algum tempo após a lesão. Já coágulos sanguíneos, hemorragias e fraturas dos ossos do crânio frequentemente necessitam de intervenção cirúrgica. Lesão em chicote (Whiplash) A lesão em chicote ocorre quando há uma flexão e/ou extensão súbita do pescoço, ocorrendo geralmente quando o atleta é golpeado por trás durante esportes de contato, e a cabeça é rapidamente deslocada para a frente e para trás, semelhante a uma chicotada. Os tecidos moles do pescoço, como articulações, discos, ligamentos, músculos cervicais e raízes nervosas, podem ser lesionados, gerando dor, rigidez e redução da mobilidade do pescoço. Lesão em chicote. Veja a seguir os mecanismos de lesão, os sinais e sintomas e as formas de reabilitação e prevenção: Choques por trás, por exemplo, como ocorre nas faltas no futebol. Colisão grave com outro atleta ou com uma parte do equipamento. Golpe direto na cabeça, como ocorre, por exemplo, no boxe e MMA. Mecanismos da lesão Sinais e sintomas Dor e rigidez na região do pescoço, no ombro ou entre as escápulas, tonturas, visão borrada, irritabilidade e mal-estar. Se negligenciada, a lesão em chicote pode produzir sintomas crônicos de dor (que perduram por mais de três meses), redução da amplitude de movimento, além do desenvolvimento de outros sintomas, como fadiga e comprometimento dos movimentos queenvolvam a região cervical e os membros superiores. Quando a lesão apresenta sintomas mais graves, o tratamento imediato pode necessitar de imobilização com um colar cervical. Mesmo quando ocorre a necessidade de imobilização por meio de um colar cervical, é encorajado o retorno ao movimento o mais precocemente possível, para prevenir o enrijecimento e enfraquecimento da região. Após a cicatrização dos tecidos afetados, o treinamento de força e flexibilidade é indicado. O risco de lesão em chicote pode ser minimizado com um equipamento protetor e aquecimento adequado, preparando o corpo para reagir de modo mais eficaz aos impactos sofridos, embora a prevenção em esportes de contato não possa ser totalmente garantida. Contusão, distensão muscular e fratura da coluna cervical Entenda a seguir o significado de lesões, distensões e contusões: Lesões no pescoço As lesões no pescoço podem ser graves, principalmente quando ocorrem fraturas de vértebras. Reabilitação e prevenção Distensões musculares do pescoço Distensões musculares do pescoço são menos graves e muito mais comuns e envolvem rupturas de fibras musculares ou tendões do pescoço. Contusões Já as contusões são esmagamentos da pele e tecido subjacente do pescoço, geralmente como resultados de golpes diretos. A coluna cervical é composta por sete vértebras, que iniciam na base do crânio (atlas), articulando-se com os côndilos occipitais, e se curvam, formando uma lordose à medida que alcançam o tórax, conectando-se com as vértebras torácicas através de C7 (vértebra proeminente). Diversas camadas de músculos são localizadas na região cervical, com ações motoras e funções de auxiliar na inspiração forçada, como os escalenos e o esternocleidomastóideo. Veja a seguir como ocorrem essas lesões nessa região, os sinais e sintomas e as formas de reabilitação e prevenção de novas ocorrências: Rotação súbita do pescoço. Queda gerando carga em flexão ou extensão da região cervical. Golpe direto na região do pescoço, o que pode gerar contusão. Dor no pescoço e no ombro. Perda de força e da mobilidade da região cervical. Mecanismos da lesão Sinais e sintomas Lesões mais graves, como as fraturas, podem gerar uma tetraplegia (paralisação dos membros superiores e inferiores) ou uma tetraparesia (redução de força nos membros superiores e inferiores). Para distensões musculares do pescoço, pode ser recomendada a imobilização com um colar cervical pelo período de algumas semanas. Quando ocorre fratura, as vértebras podem ser tratadas com intervenção cirúrgica. A fisioterapia após a consolidação da fratura e durante o período de internação é fundamental, seja no restabelecimento da amplitude de movimento, da flexibilidade e da força, ou para evitar contraturas, perdas cardiorrespiratórias significantes e quadros decorrentes da imobilidade no leito durante o pré e pós- cirúrgico. Capacetes ou outros protetores de cabeça apropriados ao esporte, bem como preparação técnica adequada, aquecimento e fortalecimentos de rotina, podem ajudar a prevenir algumas lesões do pescoço. As distensões musculares e contusões na região cervical são menos graves, e os resultados costumam ser bem satisfatórios e positivos com tratamento fisioterapêutico, repouso adequado e tratamento médico conservador. Torcicolo agudo O torcicolo é um acometimento doloroso do pescoço que geralmente surge a partir de um movimento rotacional abrupto da cabeça, comprimindo nervos espinhais cervicais, acarretando espasmos musculares, que acompanham dor e perda dos movimentos fisiológicos, envolvendo geralmente a contratura do músculo esternocleidomastóideo (ECOM), gerando o posicionamento do pescoço para o lado oposto do músculo acometido, uma vez que o ECOM realiza rotação contralateral. Reabilitação e prevenção Muitos esportes e movimentos podem causar a lesão, devido a alguma sobrecarga articular. Com frequência, também pode ocorrer torcicolo espontaneamente pela manhã, ao acordar, podendo estar relacionado ao disco intervertebral. Veja a seguir os mecanismos da lesão, os sinais e sintomas e o tratamento imediato: Rotação abrupta da cabeça em esportes de contato. Uma queda que cause contratura no pescoço. Golpe direto na cabeça, levando a uma rotação inesperada da região cervical. Dor, rigidez e perda de movimento, podendo o pescoço apresentar-se imóvel ou “congelado” em uma posição. Mecanismos da lesão Sinais e sintomas Pode ser indicada a imobilização do pescoço lesionado com um colar cervical, e a intervenção fisioterapêutica específica através de mobilizações tem geralmente bom resultado, restabelecendo o movimento. Em geral, o torcicolo desaparece em uma semana ou menos, embora os espasmos dolorosos possam ser temporariamente debilitantes, ocorrendo na maioria dos casos a recuperação total, exceto nos casos em que há condições subjacentes mais graves. O que é o torcicolo? Neste vídeo, serão abordadas as causas que levam ao torcicolo, as estruturas anatômicas envolvidas e, ao final, como o fisioterapeuta pode contribuir nesses casos. Lesões do tórax Anatomia Sabemos que o esqueleto do tórax é formado por: 12 pares de costelas; esterno; cartilagens costais (anteriormente); Tratamento imediato vértebras torácicas (posteriormente), articulando-se com as costelas. Percebemos que os pulmões ocupam praticamente toda a cavidade torácica, mantendo uma relação anatômica de proteção desses órgãos vitais. Veja a seguir os mecanismos das lesões e a forma de fratura de costela: Esportes de contato, como futebol e lutas, e esportes que podem resultar em quedas ou traumatismo torácico de maior intensidade, como skate e ciclismo, apresentam uma incidência maior de fratura de costela que outras atividades. Dor e aumento da sensibilidade sobre a região torácica após uma queda ou traumatismo direto sobre essa área, especialmente se for acompanhada por dificuldade respiratória, devem ser sempre investigados e tratados como uma possível fratura de costelas, sendo necessário atendimento médico. O repouso é essencial para a recuperação e o reparo das costelas fraturadas, porém é importante desenvolver um trabalho de expansão pulmonar dentro do possível, para garantir a manutenção adequada do tecido pulmonar e evitar complicações ou doenças respiratórias. É importante destacar que não há possibilidade de repousar a região torácica totalmente, uma vez que há um movimento constante durante a respiração, o que causa um aumento no tempo de consolidação das fraturas, levando em média entre seis e oito semanas. Geralmente, as costelas consolidam-se completamente após repouso adequado, sendo que o número de costelas envolvidas na lesão pode aumentar o tempo necessário para a recuperação. Caso os tecidos e órgãos vitais, como o coração ou os pulmões, estejam envolvidos na lesão, o tempo necessário para a recuperação completa pode ser muito maior, resultando em um período Mecanismos das lesões Fratura de costelas significativo de recuperação. É recomendado que, ao retornar às atividades, essa área esteja acolchoada e protegida por mais uma ou duas semanas. A realização de exercícios que levam ao fortalecimento da musculatura torácica e do dorso ajuda a proteger o gradil costal, auxiliando na prevenção de fraturas, somado à utilização de equipamentos e protetores apropriados, sendo ainda importante sempre evitar traumatismos diretos à caixa torácica. Lesões do abdome O abdome, especificamente a parede anterolateral, é formado pelos seguintes músculos: reto do abdome; oblíquo externo; oblíquo interno; transverso do abdome. São músculos que realizam a flexão da coluna vertebral, flexão lateral e rotação. São posturais, localizando- se na região entre as costelas e a pelve, circundando os órgãos internos. Auxiliam na manutenção das vísceras abdominais e na expiração forçada, aquela que ocorre quando elevamos a frequência cardíaca, como ocorre quando praticamos atividade física. Vejaa seguir os mecanismos da lesão e a forma de distensão muscular abdominal: Alongamento muscular excessivo. Movimento repentino e violento do tronco. Traumatismo direto. Os sintomas são dor abdominal no músculo lesionado, dor na região lombar e espasmos musculares. Mecanismos da lesão Distensão muscular abdominal Distensões musculares são lesões que acometem o ventre muscular ou o tendão, ocorrendo geralmente na junção musculotendínea. A distensão do músculo abdominal ocorre a partir de alongamentos excessivos das fibras musculares, sendo uma lesão comum em muitos esportes. Tal laceração tende a ser leve, mas, em casos graves, o músculo pode se romper. Esse tipo de lesão é frequentemente observado nos esportes que envolvem movimentos de rotação do tronco, como tênis, golfe, beisebol, arremessos e lançamentos, mas também pode acometer praticantes de saltos e corridas. As distensões musculares do abdome são comuns e, geralmente, resolvidas com repouso adequado. Após o processo cicatricial, é importante a realização de exercícios direcionados ao fortalecimento dos músculos abdominais, incluindo prancha, isométricos e do core. Core Músculos que atuam na estabilização da coluna, fornecendo suporte para todas as atividades que realizamos, transferindo forças e evitando que articulações que suportam grande sobrecarga – como quadril, pelve e lombar – sejam sobrecarregadas. O termo core significa centro, núcleo essencial. Os músculos incluídos no core são: musculatura do assoalho pélvico, músculos da parede anterolateral do abdome (transverso e reto do abdome, oblíquo externo e oblíquo interno), eretor da espinha, glúteo máximo e diafragma. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 No torcicolo, o músculo envolvido e o posicionamento da cabeça são: A Escaleno, rotação ipsilateral do músculo acometido. Parabéns! A alternativa D está correta. Os escalenos anterior, médio e posterior não são os músculos envolvidos diretamente no torcicolo, sendo a resposta correta o músculo esternocleidomastóideo (ECOM). Por ser um rotador contralateral, ou seja, o ECOM direto gira a cabeça para o lado esquerdo e vice-versa, quando acometido pelo torcicolo, gera um posicionamento em rotação contralateral ao lado acometido. Questão 2 Com relação aos mecanismos de lesão da coluna cervical e aos sinais e sintomas, marque a alternativa incorreta: B ECOM, flexão ipsilateral do músculo acometido. C Escaleno, flexão ipsilateral do músculo acometido. D ECOM, rotação para o lado oposto ao músculo acometido. E ECOM, rotação para o mesmo lado do músculo acometido. A Pode ocorrer por meio de uma rotação súbita do pescoço. B Pode ser causada por uma queda, gerando carga em flexão ou extensão da região cervical. C Golpe direto na região do pescoço, ocasionando a contusão. D Apresenta sintomas como dor no pescoço e no ombro. Parabéns! A alternativa E está correta. As alternativas A, B e C narram corretamente os possíveis mecanismos de lesão da região cervical. A letra D apresenta corretamente sintomas que ocorrem após a lesão, porém o erro na alternativa E consta em afirmar que ocorre um aumento da mobilidade, enquanto o que ocorre é justamente o oposto, ou seja, a redução da mobilidade. 3 - Os membros inferiores Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car o mecanismo e as lesões dos membros inferiores no esporte. Síndrome do piriforme O músculo piriforme, localizado na face lateral do quadril, profundamente à musculatura glútea, tem importante função estabilizadora da pelve, realizando a rotação lateral do quadril e abdução. Porém, na sua E Ocorre o aumento da mobilidade da região cervical. insuficiência, associada muitas vezes à fraqueza do músculo glúteo máximo, pode ocorrer uma adução e rotação medial, resultando em uma adaptação em valgo do quadril e consequente sobrecarga nas estruturas anatômicas por inadequada distribuição de peso. Síndrome do piriforme: compressão do nervo isquiático pelo músculo piriforme e representação da distribuição da dor. Essa síndrome pode ser relatada em esportes que envolvem corrida, mudanças de direção ou descarga de peso excessiva, sendo uma das principais causas da dor na região glútea. No encurtamento do músculo piriforme, seja por sobrecarga relacionada ao esporte seja por características anatômicas individuais, pode ocorrer a compressão do nervo isquiático, que gera uma dor referida na região lateral do quadril, podendo irradiar posteriormente na coxa, acompanhando o trajeto do nervo isquiático. Atenção! Os sintomas, por serem semelhantes aos da hérnia de disco, merecem um diagnóstico diferencial, pois o tratamento é bem diferente. Na hérnia de disco, a lesão tem origem na coluna vertebral, sendo um dos enfoques do tratamento essa região, enquanto na síndrome do piriforme, a lesão tem origem profunda na região glútea. O nervo isquiático é formado pelas raízes nervosas de L4, L5, S1, S2 e S3, sendo responsável pela inervação dos músculos localizados na região posterior da coxa (isquiotibiais), seguindo distalmente em direção ao joelho, quando se bifurca em nervo tibial (medialmente) e nervo fibular (lateralmente) inervando a perna. As causas dessa síndrome podem ser: posturas sentadas por tempo prolongado, carteira guardada no bolso posterior da calça associado à manutenção da postura sentada, variações anatômicas (o nervo isquiático passando por dentro do ventre do músculo piriforme), restrições de movimentos fisiológicos da pelve e consequente tensão sobre o músculo. O tratamento geralmente é conservador, tendo indicação cirúrgica em casos de recidiva e em situações que a fisioterapia não alcança resultados. Músculo tensor da fáscia lata e/ ou músculo glúteo máximo encurtados O músculo tensor da fáscia lata tem sua inserção distal no trato iliotibial, que é uma aponeurose, formada por tecido conjuntivo que serve também como um dos pontos de fixação do músculo glúteo máximo, sendo denominado por alguns autores de deltoide glúteo. poneurose A aponeurose apresenta a mesma estrutura tecidual de um tendão, porém o que a difere é sua forma, que é laminar, plana, diferentemente do tendão, que é cilíndrico ou em fita. Tanto a aponeurose como os tendões apresentam a função de fixação muscular. Essa comparação com o músculo deltoide que movimenta a articulação do ombro ocorre pela semelhança de disposição anatômica e pelas ações musculares que ambos realizam, nos membros superiores e inferiores, como podemos ver: Músculo deltoide Flexão, rotação medial, abdução, rotação lateral e extensão da articulação do ombro. “Deltoide glúteo” (músculo tensor da fáscia lata e glúteo máximo, �xados no trato iliotibial) Flexão, rotação medial, abdução, rotação lateral e extensão da articulação do quadril. A seguir, os músculos glúteo máximo e tensor da fáscia lata formam o deltoide glúteo: A redução de flexibilidade, seja do músculo tensor da fáscia lata seja do glúteo máximo, gera efeito na tensão transmitida para o trato iliotibial, repercutindo em redução de mobilidade e sobrecarga mecânica local. As alterações posturais que podem ser associadas ao encurtamento desses músculos podem ser: Anteversão pélvica Podendo estar associada à hiperlordose. Reti�cações da lordose lombar Ocasionando um dorso plano, com consequente encurtamento do músculo glúteo máximo. Pode o uso excessivo desses músculos, associados à redução de mobilidade do trato iliotibial, ser um fator desencadeador da bursite no quadril e repercutir em limitações na articulação do joelho, denominado “síndrome da banda iliotibial no joelho”. Esse é um exemplo clássico de encurtamentos originados na região do quadril, gerando disfunções em articulações distais, como a do joelho. Bursite Sabemos que as bursas ou bolsas sinoviais são prolongamentos da cápsula articular, que funcionam como um acolchoamento entre uma proeminência óssea e um tendão. O processo inflamatório dessas estruturaspode ocorrer: Na bursa do músculo iliopsoas A dor é referida na região anterior e proximal da coxa, podendo ser irradiada em direção ao joelho, sendo agravada em movimentos que exijam grande amplitude de flexão da articulação do quadril. Na bursite trocantérica A dor é referida na região lateral do quadril, podendo se dirigir distalmente, acompanhando o trato iliotibial, devido à relação anatômica do trato com a bursa. A seguir, o quadro de dor na região lateral do quadril, característico de bursite trocantérica: Veja a seguir os sinais e sintomas e os mecanismos da lesão: Os sintomas podem aumentar quando o indivíduo fica em pé de forma assimétrica, o que pode acarretar em maior sobrecarga do membro afetado, ao deitar sobre o lado afetado, ao subir escadas ou até durante a marcha. Os desequilíbrios posturais e musculares, como encurtamentos e redução da força muscular, podem ser fatores predisponentes que levam à irritação da bursa. Pode ser desencadeada por traumas locais diretos, como quedas, ou sobrecargas em movimentos de abdução do quadril. Sinais e sintomas Mecanismos da lesão Bursite isquiática Veja a seguir os sintomas e os mecanismos da lesão: A bursite isquiática é sentida ao redor da tuberosidade isquiática (ao redor do ísquio, na região glútea), principalmente na posição sentada, podendo ainda ocorrer a dor irradiada, assemelhando-se aos comprometimentos que envolvem a compressão do nervo isquiático, como ocorre na hérnia de disco ou na síndrome do piriforme. Pode ter como causa exercícios em extensão do quadril com grande sobrecarga e muita repetição (ex.: exercícios feitos para a região glútea na academia) ou por traumas diretos como quedas na posição sentada. A bursite se desenvolve durante a prática intensa de exercícios e na prática rotineira de atividades como a corrida e o salto. Tendinite Os processos inflamatórios dos tendões geralmente envolvem os músculos adutores, os flexores e a origem dos isquiotibiais. As causas podem estar relacionadas a encurtamento, o que é muito verificado na região adutora e nos músculos posteriores da coxa, ou a desequilíbrios de forças musculares, que podem predispor a lesões como distensões durante as atividades ou nos exercícios físicos. Sintomas Mecanismos da lesão Desequilíbrios musculares Os desequilíbrios musculares estão, muitas vezes, associados à maior força muscular dos músculos reto femoral e tensor da fáscia lata, em relação ao glúteo máximo e médio, somados ao encurtamento de adutores e isquiotibiais, ocorrendo um movimento desalinhado, gerando maiores tensões sobre a articulação. Traumas mecânicos Os traumas mecânicos diretos, como escorregar em superfícies planas, quedas e impactos no esporte podem gerar distensões musculares que podem progredir para tendinites ou bursites. Muitas dessas estruturas relacionam-se com o joelho, como o reto femoral, trato iliotibial e isquiotibiais, o que pode ocasionar sintomas de dor na região do joelho e ainda na região lombar, por descarga inadequada de apoio de peso. Pubalgia Também chamado de osteíte púbica ou pubeíte, consiste na dor originada ou localizada no púbis, sendo mais frequente em jogadores de futebol, em corredores ou em praticantes de atividade de impacto, estando geralmente associado a desequilíbrios musculares, que na maioria das vezes melhora com o repouso e piora com o esforço físico. A pubalgia crônica (que tem duração superior a três meses) pode ter relação com sobrecarga da musculatura adutora associada à fraqueza dos músculos abdominais e, quando combinada com a hiperlordose lombar, é denominada “trilogia infeliz”. Essa é uma lesão frequente em jogadores de futebol, por solicitarem flexão combinada com adução durante o chute, o que gera sobrecarga em adutores. Veja a seguir os sintomas e o tratamento: A dor geralmente se manifesta na adução contra a resistência ou na abdução (quando alongados os adutores). O grupo muscular adutor atua em conjunto com a parte mais distal dos músculos abdominais para estabilizar a pelve durante as atividades dos membros inferiores. A diminuição de amplitude de movimento da articulação do quadril juntamente com o desequilíbrio entre adutores e abdutores pode estar correlacionada com os processos dolorosos A pubalgia é tratada geralmente de forma conservadora, sendo em casos mais graves indicada a correção cirúrgica, lembrando que é sempre importante avaliar a articulação do quadril, pela relação e proximidade anatômica e funcional, uma vez que a sínfise púbica estabiliza a cintura pélvica anteriormente, dando suporte para a articulação do quadril. Nos quadros agudos, o tratamento consiste em repouso, analgesia e afastamento das atividades físicas, podendo associar ao emprego da crioterapia. Caso haja um processo inflamatório, porém, deve-se avaliar se a inflamação está relacionada à sínfise púbica, que teria a indicação do uso do gelo, ou à lesão muscular de adutores. Nesse último caso, como sabemos atualmente, deve ser evitado o uso de anti-inflamatórios, que acabam por prejudicar o processo natural de cicatrização tecidual. Quando o atleta não apresentar mais dor, é importante iniciar um programa de correção postural, focando nos possíveis desequilíbrios musculares envolvidos na lesão. Lesões da articulação do joelho O joelho é classificado morfofuncionalmente como uma articulação sinovial condilar biaxial, realizando flexão e extensão no plano sagital e rotação medial e lateral com o joelho ligeiramente flexionado no plano transversal (horizontal). As superfícies articulares apresentam incongruências, não havendo um encaixe ósseo que garanta a sua estabilidade, como ocorre na articulação do quadril, o que por outro lado lhe permite maior mobilidade. Sintomas Tratamento Suprindo essa incongruência, temos os meniscos, que vão garantir um melhor encaixe entre as superfícies ósseas, além de aumentar a área articular, reduzindo a pressão sobre a articulação, sendo um componente anatômico importante para dissipar a sobrecarga sofrida. A cápsula articular envolve a superfície articular do fêmur, da tíbia e da patela, lembrando que a fíbula não faz parte da articulação do joelho. Auxiliando a função de união e estabilização promovida pela cápsula articular, temos os ligamentos capsulares, extracapsulares e intra-articulares; ainda verificamos tendões e bursas ao redor da articulação. Essa quantidade de componentes articulares nos leva a dizer que a articulação do joelho é uma das mais complexas do corpo humano, não só pelas estruturas envolvidas como também por se encontrar entre duas grandes articulações (quadril e tornozelo), recebendo carga nos dois sentidos, precisando ainda garantir mobilidade e estabilidade. Os músculos que cruzam o joelho apresentam um importante papel em sua estabilização, por isso sempre devem ser considerados na prevenção e no tratamento de lesões. Podemos citar o músculo quadríceps, os isquiotibiais, o tensor da fáscia lata através de sua aponeurose (o trato iliotibial) e ainda a “pata de ganso” (sartório, grácil e semitendíneo). O trato iliotibial funciona como um ligamento ativo, estabilizando a articulação do joelho lateralmente. Para que ocorra uma movimentação com adequada distribuição de forças, existe um arranjo muscular e ligamentar (principalmente através do retináculo patelar medial e lateral), que traciona a patela naturalmente durante os movimentos em diversas direções e sentidos, de modo a neutralizar a artrocinemática e permitir seu deslizamento de forma alinhada em suas superfícies articulares. etináculo patelar Formado por tecido conjuntivo fibroso, estabilizando a patela. O desequilíbrio dessas forças pode levar a um desgaste articular maior, desenvolvendo artrose, luxações patelares lateralmente (por existir um predomínio de tração lateral da patela, pelo próprio vasto lateral), condromalácia e alteração do “trilho” fisiológico articular. Observamos uma grande variedade anatômicanas estruturas articulares do joelho, entre elas o formato da patela, que pode estar envolvido nas instabilidades patelofemorais (NAVARRO et al., 2010). Qual a importância do trato iliotibial? Neste vídeo, serão abordadas as características anatômicas e a importância do trato iliotibial para a estabilização da articulação do joelho. Lesão dos ligamentos cruzados anterior e posterior A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é muito comum entre atletas, como os praticantes de futebol, basquete e esqui, chegando, na maioria das vezes, a uma indicação cirúrgica. Porém, pessoas que não praticam esportes também podem romper o ligamento, ou seja, sofrer entorses em atividades cotidianas, como quedas e torções do corpo quando o pé está fixado ao solo. Entre praticantes de atividades físicas, as lesões também podem ocorrer quando o calçado permanece aderido ao solo enquanto ocorre uma torção do corpo, transferindo essa carga rotacional para a articulação do joelho. Atualmente, os procedimentos cirúrgicos e os tratamentos fisioterapêuticos evoluíram bastante, ocorrendo geralmente o retorno às atividades realizadas anteriormente à lesão. Lesão do LCA Como fatores causais das lesões no LCA, podemos destacar: Importantes mudanças foram necessárias em relação à confecção de calçados esportivos, principalmente no que diz respeito às travas, que são necessárias para garantir estabilidade ao atleta durante atividades de aceleração, desaceleração e torções, como dribles. Porém, quando a aderência é muito grande, acaba ocorrendo a fixação do pé no solo, quando ele deveria acompanhar a mudança de direção do corpo, gerando um eixo rotacional sobre o joelho, e muitas vezes com o segmento estendido, sendo certa a lesão nesta situação. Os encurtamentos geram músculos fracos, e consequentemente ocorre a sobrecarga de estruturas ligamentares e musculares próximas, como uma forma compensatória, sendo esse um dos fatores causais das maiorias das lesões, inclusive do LCA. O ligamento cruzado posterior (LCP), juntamente com o LCA, são estruturas intra-articulares estabilizando o joelho nos movimentos de rotação, e especialmente o LCP impede que a tíbia se desloque posteriormente em relação ao fêmur. Esse ligamento apresenta maior espessura e consequentemente maior resistência que o LCA, sendo geralmente a sua lesão associada a traumas de maiores energias. Os mecanismos de lesão do LCA podem estar associados a: Traumas frontais sobre a face anterior da perna em esporte de contato. Queda com hiperflexão dos joelhos. Acidentes automobilísticos, quando o painel do veículo gera uma força mecânica deslocando a perna posteriormente em relação ao fêmur. Calçados esportivos e superfícies Desequilíbrios musculares O tratamento não cirúrgico do LCA deve ser considerado em pacientes mais velhos, sem lesões associadas, com pouca queixa de instabilidade e que não pratiquem atividades físicas de maior exigência. Existem pessoas que apresentam respostas positivas ao tratamento conservador, mantendo até mesmo práticas esportivas com lesões do LCA. Porém, se casos de falseios e novas lesões surgirem, o procedimento cirúrgico deve ser considerado. O LCP, quando lesionado, diferentemente do que ocorre com o LCA, apresenta uma boa capacidade de cicatrização, podendo o tratamento convencional obter sucesso sem a necessidade de cirurgia. As lesões de graus I e II geralmente não têm indicação cirúrgica, e as de grau III precisam de uma decisão individualizada quanto à idade, às atividades praticadas e lesões associadas, como a ruptura de menisco, por exemplo. Lesões meniscais As lesões meniscais estão entre as mais frequentes na articulação do joelho, relacionando-se geralmente com traumas mecânicos que geram força rotacional quando a articulação encontra-se flexionada, comprimindo os meniscos entre a tíbia e o fêmur. Os esportes como futebol, basquete, tênis e handebol respondem por boa parte das lesões ocorridas nas práticas esportivas, por envolverem desaceleração com mudança brusca de direção, estando ainda as atividades de corrida, voleibol e academia em ordem crescente de riscos de lesões meniscoligamentares (ASTUR et al., 2016). Os meniscos desempenham um papel importante na estabilidade do joelho, na transmissão de carga, absorção de impacto, na congruência articular e na propriocepção, e quando lesionados comprometem o funcionamento normal da articulação, gerando dor e dificuldade de movimentação, sendo um dos fatores causais de processos degenerativos da cartilagem articular, podendo levar ao desenvolvimento de artrose na articulação (ASTUR et al., 2016). Veja a seguir os sinais e sintomas, o diagnóstico e a forma de tratamento: A dor no momento da lesão é muito variável, podendo evoluir nas primeiras 24 horas, desenvolvendo edema articular, juntamente com a incapacidade para estender o joelho, bem como para agachar ou Sinais e sintomas ajoelhar, associado a falseios (a estabilidade da articulação fica prejudicada pela redução das informações proprioceptivas causada pela lesão do menisco). O diagnóstico é traçado através da história do trauma e do exame físico, por meio de testes específicos e identificação de pontos de dor à palpação. A avaliação através de imagens é indicada para um adequado planejamento cirúrgico, até mesmo para a identificação de lesões de outros ligamentos, como o LCA, LCP e ligamento colateral medial, que muitas vezes podem estar associados às lesões meniscais. O tratamento conservador (fisioterapia) pode ser uma opção inicial, porém se o joelho permanecer travando, com movimentação restrita, e ainda associado à lesão de ligamento, sem evolução no tratamento ou até mesmo piora, a indicação será de intervenção cirúrgica. Deve ainda ser considerada a idade do paciente, o nível de atividade física e o risco cirúrgico, para determinar a melhor conduta. Cisto poplíteo (Baker) O cisto de Baker é um cisto sinovial que surge na fossa poplítea em razão do aumento da pressão intra- articular, o que gera uma herniação da membrana interna da cápsula articular (membrana sinovial), contendo no seu interior líquido sinovial. isto Esses cistos foram descritos pela primeira vez por Adams em 1840, mas se popularizaram com a descrição de Baker em 1877, sendo atualmente entendidos como um cisto localizado entre a cabeça medial do músculo gastrocnêmio e o tendão do semimembranáceo (DEMANGE, 2011). Diagnóstico Tratamento Seu desenvolvimento geralmente está associado a um comprometimento prévio, como se fosse uma reação, sendo comum em ambos os sexos, entre adultos e idosos, sendo a maior parte associada à artrose e também às lesões traumáticas anteriores, principalmente a ruptura meniscal. Veja a seguir o diagnóstico e o tratamento: O cisto pode ser encontrado em exames de imagem realizados por outros motivos, sendo nestes casos geralmente pequeno e assintomático. Quando o paciente procura atendimento pelo cisto de Baker sintomático, se queixa de abaulamento na região poplítea (posterior do joelho) associado a sintomas de dor e rigidez. Porém, em casos de cistos maiores, pode ocorrer ruptura com compressão de estruturas adjacentes e aparecimento de sintomas semelhantes à trombose venosa profunda. É um cisto de consistência líquida, não aderido a planos profundos, sendo o tratamento inicial voltado para a analgesia, se esta for a queixa principal, e o tratamento da doença primária inflamatória ou degenerativa associada, que é na verdade a causa da dor. Pode ocorrer também a regressão espontânea do cisto. Nos casos em que ocorre um aumento progressivo, com dor significativa ou com sinais de compressão de estruturas adjacentes, é necessário encaminhar para um médico ortopedista para avaliar a necessidade de abordagem cirúrgica. Condromalácia Patelar Diagnóstico Tratamento A condromalácia patelar, também denominada artropatia degenerativa da cartilagem fêmoro-patelar, está associada a processos inflamatóriose alterações biomecânicas. Segundo Matos (2015), as principais alterações anatômicas que podem interferir na biomecânica do joelho são: a forma e a altura da patela; a forma da tróclea femoral; e os distúrbios de desalinhamento do joelho. As alterações biomecânicas levam à maior sobrecarga sobre as áreas desta articulação (patelofemoral), o que pode alterar a homeostase entre a produção de colágeno tipo II e a sua degradação. olágeno O colágeno é uma proteína fibrosa que garante resistência à cartilagem articular, que é composta primariamente de colágeno tipo II. Já o processo inflamatório seria secundário às alterações biomecânicas, como uma forma de resposta tecidual desordenada às cargas impostas, ocorrendo por secreção de citocinas inflamatórias e enzimas proteolíticas necessárias ao catabolismo do colágeno tipo II. Atualmente, novas pesquisas têm demonstrado uma reação autoimune nesse desequilíbrio de síntese e absorção de colágeno. itocinas Proteínas produzidas por diversas células, mas principalmente por linfócitos e macrófagos ativados participando da resposta imune. A partir desses novos achados, os tratamentos fisioterapêuticos na condromalácia passaram a ser associados a acréscimos de novas medicações que poderiam inibir a degradação do colágeno, ou seja, uma atuação multidisciplinar envolvendo médico e fisioterapeuta. Principais tipos de lesões musculoesqueléticas no tornozelo Entorse do tornozelo O tornozelo anatomicamente é formado pela pinça bimaleolar, que é a união entre os maléolos medial (da tíbia) e lateral (da fíbula) através da sindesmose tibiofibular distal, conferindo estabilidade na união entre os ossos da perna distalmente, sendo essa pinça posicionada sobre o tálus, formando a articulação do tornozelo. Essa articulação apresenta lateralmente os ligamentos colaterais laterais (talofibular anterior, calcaneofibular e tatofibular posterior) e medialmente o ligamento colateral medial, conhecido como ligamento deltoide. As lesões desses ligamentos são comuns no cotidiano e no esporte, principalmente em inversão, associada à flexão plantar, como ocorre quando descemos um degrau, no amortecimento de um salto ao tocar o pé no solo, e com o uso de sapatos mais elevados. Entorse dos ligamentos colaterais laterais (�bulares) Nesse tipo de lesão, pode ocorrer a ruptura de ligamentos colaterais laterais, principalmente do talofibular anterior e calcaneofibular. Entorse do ligamento colateral medial Já quando o mecanismo da lesão se dá em eversão e flexão dorsal, com cargas mecânicas maiores, pode ocorrer a entorse do ligamento colateral medial, ou em cargas mecânicas maiores, como ocorre em quedas com o pé em pronação, havendo fratura do maléolo fibular. As lesões de entorse podem ser de menor ou maior intensidade, sendo classificadas em leve (grau I), moderada (grau II), ou grave (grau III). Grau I Edema leve, ligeira perda da função, ruptura de até 25% das fibras. Grau II Edema moderado, com instabilidade do tornozelo, dificuldade para suportar peso, ruptura entre 25% e 75% das fibras ligamentares. Grau III Ruptura ligamentar podendo chegar a ser total, com edema, hematoma, dor significativa e instabilidade do tornozelo considerável. Tabela: Classificação das entorses. Extraído de Adriana Marinho, 2021. Fratura do maléolo lateral e/ ou medial As lesões de entorse do tornozelo podem associar no momento do trauma fraturas, que podem envolver o maléolo medial ou lateral, porém essa perda da solução de continuidade do tecido ósseo pode ocorrer por traumas mecânicos sem associação de lesões ligamentares. Veja a seguir os sinais e sintomas e a forma de tratamento: Os sinais e sintomas que podem indicar uma fratura são: edemas, hematomas, incapacidade de suportar o peso, dor severa e imediata e incapacidade de movimentar o segmento. Sinais e sintomas Tratamento As fraturas que envolvem os maléolos são muitas vezes cirúrgicas e, por afetarem uma região articular, deve ser evitado qualquer desvio na consolidação da fratura, o que pode levar a alterações do movimento e desenvolvimento de processos degenerativos que podem tornar a articulação rígida e dolorosa. A cirurgia busca a redução (aproximação e alinhamento) por meio da fixação de placas e parafusos, sendo necessária, após esse processo, a intervenção fisioterapêutica para a recuperação da força muscular, da amplitude articular, do treino da marcha e de atividades funcionais. Bursite do calcâneo Trata-se de um processo inflamatório da bursa localizada entre a pele da região posterior do calcâneo e o tendão (bursite posterior do calcâneo) ou entre o calcâneo e o tendão (bursite anterior do calcâneo ou bursite retromaleolar). A bursite posterior pode ser causada por pressões de calçados sobre a Bursa, enquanto a bursite anterior, também chamada de doença de Albert, pode ter as mesmas causas da bursite posterior e ainda ser desencadeada por doenças reumatológicas como gota e artrite reumatoide. Os sinais e sintomas incluem edema, aquecimento local, dor e grande sensibilidade ao toque no local. Bursite do calcâneo Tendinite do tendão do calcâneo O tendão do calcâneo é uma faixa de tecido conjuntivo denso que faz a fixação dos músculos da panturrilha (gastrocnêmio lateral, gastrocnêmio medial e sóleo → tríceps sural) no osso calcâneo. O tríceps sural tem ação na flexão plantar do tornozelo e inversão da articulação talocalcânea (subtalar). Quando esses músculos se contraem, o tendão do calcâneo traciona o osso em sua inserção distal, permitindo os movimentos de flexão plantar, que é necessário quando saltamos, corremos ou andamos. Comentário O tendão do calcâneo, apesar de ter a capacidade de suportar grandes tensões, esse tendão apresenta um suprimento sanguíneo limitado e recebe grande carga mecânica, e muitas vezes repetitivas, como ocorre com corredores e bailarinos. A dor, sensibilidade no calcanhar e limitação de movimentos são os principais sintomas, sendo o tratamento geralmente conservador, associando repouso e recursos fisioterapêuticos. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Leia as afirmativas abaixo e marque verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) A articulação do tornozelo é responsável pela transmissão das irregularidades sentidas pelos pés ao restante da perna, dando ao corpo a adaptação necessária para que ocorra o equilíbrio sobre os pés. O tornozelo é responsável pela união entre a canela e o pé, podendo realizar movimentos de flexão e extensão, plano coronal. ( ) A articulação do joelho responde pelo movimento angular existente no meio da perna, permitindo a adaptação da perna às diferentes superfícies durante o caminhar (subida, descida ou plano). Portanto, é responsável pela união entre a coxa e a canela e realiza o movimento, que ocorre no plano sagital e transversal. ( ) A articulação do quadril é responsável pela movimentação da perna (coxa, joelho, canela, tornozelo e pé), e o movimento que realiza no plano coronal é o de extensão e flexão frontal da perna. ( ) O movimento de flexão e extensão do tornozelo é realizado no plano coronal, assim como o de inversão e eversão. Assinale a alternativa CORRETA: A V, V, V, V Parabéns! A alternativa C está correta. 1ª assertiva: o movimento do tornozelo de flexão dorsal e flexão plantar é realizado no plano sagital, e não no coronal (frontal). - FALSA. 2ª assertiva: no plano sagital, o joelho realiza flexão e extensão, e no plano transversal ou horizontal, o joelho realiza rotação medial e lateral. – CORRETA. 3ª assertiva: o movimento no plano coronal (frontal) é abdução e adução, não de flexão e extensão. – FALSA. 4ª assertiva: o movimento de flexão e extensão do tornozelo é realizado no plano sagital, e a inversão e eversão é um movimento do pé, realizado na subtalar (articulação talocalcânea). – FALSA. Questão 2 As entorses do tornozelo que cursam com fratura da fíbula abaixo do nível da articulação no maléolomedial e lesão do ligamento deltoide (colateral medial) são causadas por: B F, F, F, F C F, V, F, F D V, V, V, F E F, F, V, V A supinação-eversão. B pronação-rotação externa. C pronação-rotação interna. Parabéns! A alternativa E está correta. As entorses que ocorrem pela eversão e flexão dorsal com maior força mecânica, como após um salto ou uma queda, podem causar, além da entorse do ligamento colateral medial (ligamento deltoide), uma fratura do maléolo lateral. Considerações �nais Como vimos, as lesões no esporte podem estar relacionadas com as características da própria atividade, como esportes de contato e lutas, características físicas do praticante que podem levar ao desenvolvimento de lesões, quedas e acidentes inerentes às práticas esportivas e ainda o desrespeito às regras desportivas durante as competições. Como em toda área de atuação fisioterapêutica, devemos sempre buscar intervenções preventivas, como fortalecimento e mobilidade muscular, aquecimento antes das atividades e utilização de equipamentos de proteção adequados à prática desportiva. Porém, quando a lesão já estiver instalada, cabe ao fisioterapeuta conhecer o seu mecanismo de instalação e a extensão do dano causado para então gerar um plano de tratamento eficaz. Conhecer e estudar lesões deve ser uma meta constante dos personagens da área de saúde, em especial o fisioterapeuta desportivo, que precisa ter a capacidade de correlacionar atividades praticadas e as consequências físicas dessas práticas. Podcast D pronação-abdução. E eversão-flexão dorsal. Agora, Adriana de Souza Marinho Teixeira finaliza nosso estudo relembrando e pontuando características principais do CORE e a sua importância na prevenção de lesões no esporte. Explore + A natação é um excelente exercício, porém, embora não tenha impacto, pode gerar lesões. Conheça os fatores de risco atrelados a lesões dessa modalidade esportiva lendo o artigo Lesões desportivas e seus fatores de risco em adolescentes praticantes de natação, de Franciele Marques Vanderlei, Renata Claudino Rossi, Luiz Carlos Marques Vanderlei, Jayme Netto Júnior e Carlos Marcelo Pastre, na revista da USP, facilmente encontrado na internet. Aprofunde seus conhecimentos sobre lesões esportivas por meio da leitura do artigo: Definição de lesão desportiva – uma revisão da literatura, de Tiago Atalaia, Ricardo Pedro e Cristiana Santos, também encontrado facilmente na internet. Referências ASTUR, D. C. et al. Fraturas por estresse: definição, diagnóstico e tratamento. Rev. Bras. Ortop, v. 51, n. 1, p. 3-10, 2016. DEMANGE, M. K. Cisto de Baker. Rev. Bras. Ortop., v. 46, n. 6, p. 630-633, 2011. Consultado na internet em: 15 maio. 2021. MATOS, M. A. Avaliação de cinco casos de condromalácia patelar bilateral tratados com fisioterapia convencional e colágeno tipo II, não desnaturado. Rev. Saúde HSI. 2 MAR (1): 41-43, 2015. NAVARRO, M. S. et al. Relação entre o ligamento patelofemoral lateral e a largura da faceta patelar lateral. Acta Ortop. Bras, v. 18, n. 1, p.19-22, 2010. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF()