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Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 APG 21-Gravidez Objetivos: Impactos da gravidez na adolescência - Fisiologia da gravidez - Métodos contraceptivos - Diagnóstico da gravidez - Fatores de risco; Fisiologia da Gravidez As alterações fisiológicas observadas na gestação decorrem, principalmente, de fatores hormonais e mecânicos, e os ajustes verificados no organismo da mulher devem ser considerados normais durante o estado gravídico, embora determinem, por vezes, pequenos sintomas que afetam a saúde da paciente. ➢ Modificações sistêmicas ❖ Postura e deambulação ✓ A postura da gestante altera-se antes mesmo da expansão de volume do útero gestante. Quando, porém, a matriz evadida da pelve apoia-se à parede abdominal, e as mamas, dilatadas e engrandecidas, pesam no tórax, o centro de gravidade desvia-se para a frente, e todo o corpo, em compensação, projeta-se para trás. A atitude adotada é, de modo involuntário, a de quem carrega um objeto pesado, mantendo-o, com as duas mãos, à frente do abdome. ✓ Essa situação torna-se mais nítida quando a gestante está de pé, visto que, para manter o equilíbrio, empina o ventre, amplia-se a base do polígono de sustentação, os pés se afastam, e as espáduas projetam-se para trás, provocando a lordose da coluna lombar. ✓ Essa sustentação ampliada e os ângulos formados pelos pés com a linha mediana aumentados, principalmente à direita, por conta do dextrodesvio uterino, conferem à gestante uma movimentação peculiar, com passos oscilantes e mais curtos, que lembram a deambulação dos gansos, o que constitui a chamada marcha anserina. ✓ Grupamentos musculares que ordinariamente não têm função nítida ou constante passam a atuar, estirando-se e contraindo-se, e sua fadiga responde pelas dores cervicais e lombares, queixa comum. ✓ As articulações apresentam maior mobilidade durante a gestação, notadamente as sacroilíacas e a sínfise pubiana. Atribui-se à relaxina, secretada pela placenta, a frouxidão dos ligamentos, especialmente da sínfise pubiana, que pode alargar cerca de 4 mm nas primíparas e 4,5 mm nas multíparas. ✓ O principal resultado dessas modificações é o aumento da capacidade pélvica, favorecendo a disjunção sinfisária e os movimentos de nutação do sacro. Essa crescente mobilidade das articulações contribui para transformar a postura materna e a sua marcha, como já relatado anteriormente. É a ostentação da gravidez, pride of pregnancy, epíteto shakespeariano que fez fortuna. ➢ Metabolismo As alterações no metabolismo materno são necessárias para suprir as exigências suscitadas pelo rápido crescimento e desenvolvimento do concepto durante a gravidez. Grandes modificações no metabolismo de energia e no acúmulo de gordura têm sido documentadas. ❖ Metabolismo glicídico ✓ Na gravidez, as alterações do metabolismo glicídico são notáveis: o Como o concepto é um consumidor de glicose, há um aumento na demanda dessa substância no organismo da mãe. Diante de período prolongado de jejum, o feto continua a extrair glicose e aminoácidos da gestante, em taxas idênticas às observadas nos períodos de alimentação (parasitismo verdadeiro); o A fim de prover suprimento ininterrupto de glicose e de aminoácidos para o concepto, a gestante faz ajustes importantes: deixa de consumir a glicose de modo indiscriminado, e, à medida que a gravidez se desenvolve, seu uso periférico diminui, graças à elaboração de hormônios contrainsulares pela placenta. ✓ A glicose é transferida rapidamente ao feto por difusão facilitada, embora seja pequeno o gradiente de concentração (os níveis fetais de glicose são cerca de 20 mg/dℓ inferiores aos da mãe). ✓ O consumo contínuo de glicose pelo concepto e seu rápido transporte através da placenta influenciam profundamente o metabolismo dos carboidratos na Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 gestante. Em todos os estágios da gestação, depois de uma noite de jejum, os níveis de glicemia são 15 a 20 mg/dℓ inferiores àqueles fora da gravidez. ✓ A grávida exibe aumento na resistência à insulina ao fim do 2º trimestre, podendo chegar à aproximadamente 80% no termo. Níveis elevados de hormônio lactogênio placentário humano (hPL), hormônio do crescimento placentário humano (hPGH) e adipocinas (leptina, adiponectina, fator de necrose tumoral alfa [TNF-α], interleucina [IL]-6) estão implicados no processo. ✓ Os níveis de hPL elevam-se rapidamente no 1º e no 2º trimestre e alcançam o seu máximo nas últimas 4 semanas da gravidez. O efeito diabetogênico do hPL resulta na mobilização de lipídios na forma de ácidos graxos livres (AGL). Esses AGL servem como fonte de energia, poupando glicose e aminoácidos, que estarão disponíveis para o feto. ✓ No 3º trimestre, após a administração de glicose, observa- se hiperinsulinismo pós-prandial, à conta dos já mencionados fatores contrainsulares; ✓ O efeito inibitório da insulina na lipólise é significativamente reduzido durante o 3o trimestre quando comparado ao de outras fases do ciclo gestatório. Em resumo, a gravidez avançada caracteriza-se por mudanças em seu metabolismo no que se refere à preservação de glicose, graças à utilização dos lipídios. A liberação excessiva de ácidos graxos também ajuda a reduzir o uso da glicose materna. ❖ Metabolismo lipídico Durante a gestação, a mãe tem de adaptar o seu metabolismo para fazer frente à contínua demanda fetal de nutrientes através da placenta, a fim de suprir o seu desenvolvimento. Quantitativamente, a glicose e os aminoácidos são os nutrientes mais abundantes que atravessam a placenta e, como já discutido, o feto depende dessas substâncias. Todavia, a placenta é praticamente impermeável aos lipídios, exceto aos AGL e aos corpos cetônicos. o Metabolismo do tecido adiposo materno ✓ O aumento do peso materno durante a gestação corresponde ao crescimento da unidade fetoplacentária e ao acúmulo dos seus próprios tecidos, especialmente o relacionado com a elevação de lipídios nos depósitos de gordura. ✓ Esse fenômeno, comum na gravidez humana e de alguns animais, ocorre durante os primeiros 2/3 da gestação e é responsável pela maior parte do acréscimo de peso materno, excluindo o decorrente do concepto, e parece estar diretamente relacionado com a hiperfagia, pois desaparece com a restrição alimentar. ✓ Esse aumento nos depósitos de gordura maternos é especialmente decorrente da lipogênese aumentada e corresponde à elevação na síntese de ácidos graxos e do glicerídio glicerol, indicando que a formação dos triglicerídios (TG) está exaltada. ✓ A tendência de acumular gordura cessa durante o último trimestre da gravidez, quando o metabolismo lipídico transmuda-se para estado catabólico, em virtude de diversas alterações coincidentes no tecido adiposo, como: o Redução rápida do aumento da atividade lipogênica; o Aumento da atividade lipolítica, talvez comandada pelo hPL por ação similar à do hormônio do crescimento. ✓ O aumento da atividade lipolítica do tecido adiposo eleva a liberação de AGL e de glicerol na circulação materna, na qual eles alcançam grandes concentrações no plasma. ✓ A transferência placentária desses dois produtos lipolíticos é baixa, e o fígado materno é o principal receptor, após serem convertidos no fígado em suas respectivas formas ativas (AGL em acil-CoA e glicerol no glicerol-3-fosfato), eles podem ser empregados para a esterificação, na síntese dos triglicerídios, para a produção de corpos cetônicos, por meio do AGL, ou para a formação de glicose no que concerne ao glicerol. No fim da gestação, a transferência aumentadade AGL e de glicerol ao fígado em decorrência da lipólise nos tecidos adiposos justifica a exaltada esterificação e a subsequente liberação hepática da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) na forma de triglicerídios. ✓ A síntese de corpos cetônicos torna-se altamente incrementada durante o fim da gestação sob condições de jejum, e o uso desses produtos pelos tecidos maternos reduz o consumo de glicose, que fica disponível de ser transferida para o feto. No fim da gravidez, a gliconeogênese a partir do glicerol está aumentada, poupando aquela proveniente dos aminoácidos, que são transportados para o feto. Conclui-se que o feto beneficia-se dos produtos finais do metabolismo decorrente da atividade lipolítica do tecido adiposo materno. Os corpos cetônicos cruzam livremente a placenta e podem ser usados como combustível fetal ou mesmo como substratos para a síntese de lipídios no cérebro. Finalmente, a atividade lipolítica intensa do tecido adiposo durante o fim da gestação também favorece os tecidos maternos, pois nesse estágio o uso periférico de glicose é bastante diminuído pela resistência à insulina, e os produtos lipolíticos – especialmente AGL e corpos cetônicos – podem ser empregados como combustíveis alternativos, poupando a glicose. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 o Hiperlipidemia materna ✓ Durante a gravidez normal há aumento constante nos triglicerídios plasmáticos e pequeno acréscimo no colesterol. Essa hiperlipidemia corresponde ao enriquecimento proporcional de triglicerídios nas frações lipoproteínas, mesmo naquelas que os transportam em baixas concentrações, tais como a lipoproteína de baixa densidade (LDL) e a lipoproteína de alta densidade (HDL). O maior acúmulo absoluto nos triglicerídios no plasma, contudo, corresponde à VLDL. Essas lipoproteínas atuam no fígado e carregam triglicerídios derivados de AGL e de glicerol, que também são sintetizados no próprio órgão ou o alcançam a partir da circulação, na qual são liberados pela lipólise do tecido adiposo, que está muito aumentada no fim da gestação. ✓ A produção acentuada dos triglicerídios VLDL e sua remoção diminuída da circulação em decorrência da menor atividade da lipoproteína lipase (LPL) no tecido adiposo são as principais responsáveis pelo aumento dos triglicerídios VLDL durante a gestação. ✓ A abundância de triglicerídios VLDL no plasma materno, assim como de outros fatores sumarizados na contribui para o acúmulo de triglicerídios nas outras lipoproteínas. Um desses fatores é o aumento da atividade da proteína de transferência do éster de colesterol (CETP), que catalisa a transferência de triglicerídios da VLDL para as lipoproteínas pobres nesses lipídios, LDL e HDL, enquanto a de éster de colesterol (CE) ocorre no sentido contrário. Outro fator contribuinte para o mesmo efeito é a diminuição da atividade da lipase hepática (HL), também observada ao fim da gravidez. A HL controla a conversão da HDL2b no fim da gestação. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 o Benefícios da hipertrigliceridemia materna para o feto Muito embora os TG não cruzem a barreira placentária, o feto beneficia-se da hipertrigliceridemia materna: • Sob condições de jejum, o fígado materno mostra aumento da atividade da LPL, tornando-se órgão receptor de triglicerídios circulantes usados como substrato para a síntese de corpos cetônicos, e esses compostos rapidamente difundem-se pela placenta e são usados pelo feto; • A atividade da lipase na placenta disponibiliza ao feto os ácidos graxos essenciais (AGE) provenientes dos triglicerídios maternos. A lipase da placenta hidrolisa os triglicerídios maternos, e os AGL liberados podem alcançar o feto para serem reconvertidos em triglicerídios • A indução da LPL nas mamas por volta do parto dirige triglicerídios circulantes para essa glândula, visando à produção de leite (ver Figura 5.2). Por esse mecanismo, AGE da dieta materna que circulam como triglicerídios podem se tornar disponíveis para o lactente. o Ácidos graxos essenciais ✓ Os AGE referem-se a lipídios que não podem ser sintetizados pelo organismo e devem provir da alimentação. As duas famílias de AGE – ômega-3 e ômega- 6 – são requeridas para funções fisiológicas, incluindo transporte de oxigênio, armazenamento de energia, atuação na membrana celular e regulação da inflamação e da proliferação celular. Na gravidez, os AGE são necessários para o desenvolvimento da unidade fetoplacentária no início da gestação, e o ácido docosa- hexaenoico (DHA), um tipo de ômega-3 derivado de peixe marinho, é vital para a homeostase materna, assim como o desenvolvimento do cérebro e da retina fetal durante todo o 3º trimestre. ✓ Como já se referiu anteriormente, os AGE são aqueles não sintetizados pelo organismo, sendo incorporados pela alimentação: ácido linolênico (ômega-3) e ácido linoleico (ômega-6). Os AGE são benéficos para a mãe por prevenirem doenças cardiovasculares, câncer do colo e doenças imunológicas, assim como são indispensáveis para o desenvolvimento cerebral e visual do concepto. ✓ Os ácidos ômega-3 e ômega-6 são precursores dos ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (AGPICL): ácido araquidônico, da série ômega-6; ácido eicosapentaenoico (EPA) e DHA, da série ômega-3. ✓ O feto não tem capacidade de sintetizar os AGPICL por meio dos seus precursores ômega-3 e ômega-6, sendo suas necessidades supridas pela placenta e pelas reservas tissulares da mãe, principalmente do tecido adiposo. ✓ As principais fontes de ômega-3 são peixes gordurosos de água fria (salmão, atum), truta, sardinha, ostra, mariscos, óleos de linhaça e de canola, nozes e rúcula. A dieta moderna proporciona 7 a 10 vezes mais ômega-6 do que ômega-3, quando a proporção ideal seria 5:1. Os ácidos graxos trans (AGT) também são prejudiciais para a saúde, pois inibem a formação dos AGPICL.. ❖ Metabolismo Proteico ✓ Apesar de o tema ser mal estudado, sabe-se que a concentração da maioria dos aminoácidos está reduzida na gravidez. ✓ As proteínas totais, embora aumentem em valores absolutos pela hemodiluição plasmática, têm suas concentrações diminuídas. As de albumina sofrem redução nítida, enquanto é menor a queda das gamaglobulinas. Os teores de alfa- e de betaglobulinas e os de fibrinogênio, por sua vez, ascendem. ✓ Aspectos relacionados com as necessidades calóricas de vitaminas e sais minerais na gestação, assim como o aumento ponderal da gestante, por serem tópicos de grande importância na assistência pré-natal. ❖ Metabolismo Hidroeletrolítico Os fatores responsáveis pela retenção de líquido estão descritos a seguir: ▪ Retenção de sódio ▪ Novo nível de osmolaridade ▪ Diminuição do limiar da sede ▪ Redução da pressão oncótica. As consequências da retenção de líquido são: ▪ Redução na concentração de hemoglobina ▪ Redução do hematócrito ▪ Diminuição da concentração de albumina ▪ Aumento do débito cardíaco ▪ Elevação do fluxo plasmático renal ▪ Edema periférico. ❖ Metabolismo do cálcio ✓ Na gravidez, uma grande quantidade de cálcio (e de fósforo) é transferida contra gradiente de concentração da mãe para o feto (transporte ativo), com acúmulo de 25 a 30 g de cálcio no termo. ✓ Para isso, a absorção de cálcio no intestino dobra na gravidez, consequência também do nível duplamente elevado de vitamina D3 de origem placentária e materna renal. A vitamina D3 elevada abre os canais de cálcio voltagem-dependentes na membrana dos enterócitos e é, dessa maneira, responsável pela maior absorção do elemento. ✓ Na verdade, o nível de PTHno soro diminui na gestação, o que é compensado pelo acréscimo do peptídio relacionado com o PTH (PTHrP) de origem fetal e placentária. ✓ O PTHrP elevado na gravidez, produzido pela paratireoide fetal e pela placenta, contribui para o aumento da vitamina D3, o decréscimo da concentração de PTH e a regulação do transporte transplacentário da mãe para o feto. ✓ O transporte de cálcio pelo trofoblasto também depende do aumento da concentração da proteína de ligação ao Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 cálcio, que atinge máxima concentração no 3o trimestre, quando é marcante o crescimento fetal. A calcitonina é um hormônio peptídico de 32 aminoácidos elaborado pelas células parafoliculares da tireoide. Ela age como antagonista fisiológico de PTH, impedindo a elevação do cálcio acima dos níveis normais. Figura 5.5 Metabolismo do cálcio. Na gravidez, o aumento do Ca++ no esqueleto fetal se faz principalmente à custa da maior absorção de Ca++ no intestino da mãe, consequência da ação direta do aumento da vitamina D3 de origem placentária e materna (renal) no enterócito. Na lactação, o aumento do Ca++ no esqueleto do bebê obtido por meio do leite materno é possível porque o Ca++ é mobilizado do esqueleto da lactante, assim como é maior a sua reabsorção tubular renal, ambos mecanismos dependentes da elevação do peptídio relacionado com o paratormônio (PTHrP) de origem mamária. PTH, paratormônio ➢ Sistema cardiovascular ✓ O débito cardíaco aumenta em 30 a 50%, com início por volta da 6ª semana e valor máximo entre a 16ª e a 28ª semana (normalmente na 24ª semana). ✓ O débito cardíaco permanece próximo dos níveis de pico até depois de 30 semanas. Em seguida, o débito cardíacose torna sensível à posição do corpo. Posições que causam aumento uterino (p. ex., posição deitada) que obstrui em parte a veia cava causam diminuição do débito cardíaco. Em média, o débito cardíaco diminui levemente da 30º semana até o parto. ✓ Durante o trabalho de parto, o débito cardíaco aumenta mais 30%. Após o parto, o útero contrai e o débito cardíaco permanece de 15 a 25% acima do normal, então Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 diminui lentamente nas próximas 3 a 4 semanas até atingir os valores pré-gestacionais por volta da 6ª semana pós-parto. ✓ O aumento do débito cardíaco decorre principalmente de demandas da circulação uteroplacentária; o volume da circulação uteroplacentária aumenta de modo acentuado e a circulação dentro do espaço interviloso funciona de certa forma como uma derivação arteriovenosa. ✓ Enquanto a placenta e o feto se desenvolvem, o fluxo sanguíneo para o útero deve aumentar em torno de 1 L/min (20% do DC normal) até o nascimento. As necessidades da pele (para regular a temperatura) e dos rins (para excreção de resíduos fetais) contribuem para o aumento do DC. ✓ Para elevar o DC, a frequência cardíaca aumenta do valor normal de 70 para valores que chegam a 90 bpm, e o volume sistólico também aumenta. ✓ Durante o 2º trimestre, a pressão arterial normalmente cai (e a pressão de pulso se alarga), embora o débito cardíaco e os níveis de renina e angiotensina aumentem em razão da expansão da circulação uteroplacentária (desenvolvimento dos espaços intervilosos na placenta) e a resistência vascular sistêmica diminua. ✓ A resistência diminui porque a viscosidade sanguínea e a sensibilidade à angiotensina diminuem. Durante o 3º trimestre, a pressão arterial pode voltar ao normal. ✓ Nas gestações gemelares, o DC aumenta mais e a pressão arterial diastólica é menor na 20ª semana, se comparados à gestação com feto único. ✓ O exercício físico aumenta o DC, a frequência cardíaca, o consumo de oxigênio e o volume respiratório/min mais durante a gestação do que em outras situações. ✓ A circulação hiperdinâmica da gestação aumenta a frequência de sopros funcionais e acentua os sons cardíacos. ✓ Os exames de radiografia ou ECG podem mostrar o deslocamento cardíaco para uma posição horizontal, com rotação para a esquerda, com aumento do diâmetro transverso. As extrassístoles atriais e ventriculares são comuns durante a gestação. ✓ Todas essas mudanças são normais e não devem ser erroneamente diagnosticadas como uma doença cardíaca; podem ser geralmente manejadas com controle, apenas. Entretanto, paroxismos de taquicardia atrial ocorrem com mais frequência na gestante e podem necessitar de digitalização profilática ou fármacos antiarrítmicos. A gestação não afeta as indicações de segurança para cardioversão. Constituem as alterações cardiovasculares mais relevantes: ▪ Aumento da frequência cardíaca (10 a 20%) ▪ Aumento do volume sistólico (10%) ▪ Aumento do débito cardíaco (40 a 50%) ▪ Diminuição da pressão arterial média (10%) ▪ Diminuição da resistência vascular periférica (35%). ➢ Sistema sanguíneo ✓ A volemia aumenta proporcionalmente ao débito cardíaco, mas o aumento no volume de plasma é maior (aproximadamente 50%, geralmente de cerca de 1.600 mL para um total de 5.200 mL) do que a massa eritrocítica (aproximadamente 25%); assim, a hemoglobina (Hb) diminui por diluição de cerca de 13,3 para 12,1 g/dL. Essa anemia dilucional diminui a viscosidade do sangue. Em gestações gemelares, a volemia materna aumenta mais (perto de 60%). ✓ O leucograma aumenta ligeiramente para 9.000 a 12.000/mcL. A leucocitose acentuada (≥ 20.000/mcL) ocorre durante o parto e nos primeiros dias do puerpério. ✓ As necessidades de ferro aumentam em um total de aproximadamente 1 g durante toda a gestação e são maiores durante a 2ª metade da gestação — 6 a 7 mg/dia. ✓ O feto e a placenta utilizam aproximadamente 300 mg de ferro e o aumento na massa eritrocítica materna requer 500 mg adicionais. A excreção é de 200 mg. ✓ A suplementação de ferro é necessária para prevenir anemia, pois a quantidade absorvida da dieta e o recrutamento dos estoques de ferro (média de 300 a 500 mg) são geralmente insuficientes para suprir a demanda da gestação. Portanto, as principais alterações hematológicas ocorridas na gestação são listadas a seguir. ▪ Diminuição: do número de hemácias, da concentração de hemoglobina e de hematócrito ▪ Aumento: de leucócitos e da concentração de fibrinogênio. ➢ Sistema Urinária ✓ As mudanças da função renal acompanham as da função cardíaca. A taxa de filtração glomerular (TFG) aumenta de 30 a 50%, com pico entre a 16ª e a 24ª semana, e permanece nesse nível até próximo do termo, quando pode diminuir ligeiramente porque a pressão do útero sobre a veia cava costuma causar estase venosa nos membros inferiores. ✓ O fluxo plasmático renal aumenta proporcionalmente. Como consequência, o nitrogênio da ureia sanguínea geralmente diminui para < 10 mg/dL (< 3,6 mmol/L de ureia), e o nível de creatinina diminui proporcionalmente para 0,5 a 0,7 mcg/dL (44 a 62 micromol/L). ✓ A dilatação acentuada dos ureteres (hidroureter) é causada por influências hormonais (predominantemente por progesterona) e por obstrução decorrente da pressão do útero aumentado nos ureteres, que também pode causar hidronefrose. No puerpério, o sistema coletor urinário pode levar até 12 semanas para retornar ao normal. ✓ Modificações posturais afetam a função renal, mais durante a gestação do que em outras situações; isto é, a posição supina aumenta a função renal e a posição ereta diminui a função renal. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 ✓ A função renal também aumenta acentuadamente na posição lateral,especialmente quando deitado no lado esquerdo; essa posição alivia a pressão do útero sobre os grandes vasos quando a gestante está em supinação. O aumento posicional da função renal é uma das razões pelas quais a gestante necessita urinar com frequência enquanto tenta dormir. ➢ Sistema Respiratório ✓ A função pulmonar se altera nas gestantes, em parte pelo aumento da progesterona e em parte porque o aumento uterino interfere na expansão pulmonar. ✓ A progesterona estimula o cérebro a diminuir os níveis de dióxido de carbono (CO2). Para reduzir os níveis de CO2, o volume corrente, o volume-minuto e a frequência respiratória se elevam, o que aumenta o pH plasmático. ✓ O consumo de oxigênio cresce cerca de 20% para suprir o aumento metabólico necessário ao feto, à placenta e a vários órgãos maternos. As reservas inspiratória e expiratória, o volume e a capacidade residual e a PCO2 plasmática diminuem. ✓ A capacidade vital e a PCO2 plasmática não se alteram. A circunferência torácica aumenta em torno de 10 cm. ✓ Ocorrem hiperemia e edema consideráveis do trato respiratório. Ocasionalmente, ocorrem obstrução nasofaríngea sintomática e congestão nasal, as tubas auditivas ficam transitoriamente obstruídas, assim como o tom e o timbre da voz mudam. ✓ É comum haver dispneia moderada durante esforço e respirações profundas mais frequentes. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 Portanto, as principais modificações respiratórias são: ▪ Frequência respiratória sem alteração ▪ Volume-corrente e volume-minuto aumentados cerca de 30 a 40% ▪ Capacidade residual funcional reduzida em 20% ▪ Hiperventilação fisiológica ▪ Dispneia (em 60 a 70% das gestantes). Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 ➢ Sistema Digestório ✓ Na evolução da gestação, o útero aumentado pressiona o reto e as porções inferiores do cólon, causando constipação intestinal. ✓ A motilidade gastrintestinal diminui em decorrência dos níveis elevados de progesterona que causam relaxamento da musculatura lisa. Pirose e eructações são frequentes, possivelmente como resultado da demora do esvaziamento gástrico e do refluxo gastroesofágico, em razão do relaxamento do esfíncter esofágico inferior e do hiato diafragmático. ✓ A produção de ácido hidroclorídrico diminui; desse modo, é incomum o surgimento de úlcera péptica durante a gestação e as úlceras preexistentes tornam-se menos agressivas. ✓ A incidência de doenças da vesícula biliar aumenta um pouco. A gestação afeta sutilmente a função hepática, em especial o transporte de bile. ✓ Os testes de função hepática habitualmente são normais, mas os níveis de fosfatase alcalina aumentam de modo progressivo durante o 3º trimestre e podem chegar a 2 ou 3 vezes acima dos valores normais no parto; esse aumento decorre da produção placentária dessa enzima e não da disfunção hepática. ➢ Sistema Endócrino ✓ A gestação altera as funções da maioria das glândulas endócrinas, em parte porque a placenta produz hormônios e em parte porque a maioria dos hormônios circula sob a forma de proteínas ligadoras e essas proteínas aumentam durante a gestação. ✓ A placenta produz a subunidade da gonadotropina coriônica humana (beta-hCG), um hormônio trófico que, como os hormônios folículo-estimulantes e luteinizantes, mantém o corpo lúteo e, portanto, previne a ovulação. Níveis de estrogênio e progesterona aumentam cedo durante a gestação porque o beta-hCG estimula os ovários a produzi-los continuamente. Após 9 a 10 semanas da gestação, a própria placenta produz grandes quantidades de estrogênio e progesterona para ajudar a manter a gestação. ✓ A placenta produz um hormônio (similar ao TSH) que estimula a tireoide, causando hiperplasia, aumento de vascularização e moderado aumento de seu tamanho. ✓ O estrogênio estimula os hepatócitos, causando aumento dos níveis de globulina ligadora dos hormônios tireoideos; assim, embora os níveis da tiroxina possam estar aumentados, os níveis de hormônios tireoideos livres permanecem normais. O aumento da função tireoidea pode se assemelhar ao hipertireoidismo, com taquicardia, palpitação, transpiração excessiva e instabilidade emocional. Entretanto, o hipertireoidismo verdadeiro ocorre em apenas 0,08% das gestações. ✓ A placenta produz o hormônio liberador de corticotrofina (CRH), que estimula a produção materna do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). O aumento dos níveis de ACTH eleva os níveis de hormônios adrenais, principalmente de aldosterona e cortisol, contribuindo assim para o edema. ✓ O aumento de produção de corticoides e da produção placentária de progesterona causa resistência insulínica e elevação das necessidades de insulina, da mesma forma que o estresse da gestação e, possivelmente, o aumento dos níveis de lactogênio placentário humano. Insulínase, produzida pela placenta, também pode aumentar as necessidades de insulina, de tal modo que muitas mulheres com diabetes gestacional desenvolvem outras formas mais evidentes do diabetes. ✓ A placenta produz MSH, que aumenta a pigmentação da pele durante a gestação. ✓ A glândula hipófise aumenta cerca de 135% durante a gestação. Os níveis de prolactina no plasma materno aumentam em torno de 10 vezes. A elevação da prolactina está relacionada ao aumento da produção do TRH estimulado pelo estrogênio. ✓ A função primária da elevação da prolactina é assegurar a lactação. Os níveis de prolactina retornam ao normal no pós-parto, mesmo nas mulheres que amamentam. Função da tireoide e o feto O T4L materno é transferido para o feto durante toda a gravidez e é importante para o desenvolvimento normal do cérebro fetal, sendo especialmente relevante antes de a tireoide fetal começar a concentrar iodo e sintetizar o hormônio da tireoide, o que ocorre por volta das 12 semanas de gravidez. ▶ Iodo e bócio. A tireoide materna mostra aumento da vascularidade e alguma hiperplasia, mas não há bócio declarado, a menos que haja deficiência de iodo na alimentação ou doença da tireoide. Mulheres em idade fértil devem ter aporte diário de 150 μg de iodo; durante a gravidez e o aleitamento, a dose será de 250 μg/dia (Endocrine Society, 2012). O aumento da depuração renal de iodo na gravidez e a quantidade significativa de iodo transferida para o feto, que no fim da gravidez passa a produzir seus próprios hormônios, causam mínima hipotireoxinemia, mas não bócio, em áreas de suficiência de iodo. A carência de iodo manifesta-se por elevada hipotireoxinemia, com aumento de TSH e da tireoglobulina (TGB), com significativa hipertrofia da tireoide. ▶ Exames de laboratório. Os níveis de TSH recomendados na gravidez pela American Thyroid Association (2011) são: 0,1 a 2,5 mUI/ℓ no 1o trimestre; 0,2 a 3,0 mUI/ℓ no 2o trimestre; e 0,3 a 3,0 mUI/ℓ no 3o trimestre. Em relação aos níveis de T4L, há divergências, mas podem ser adotados valores entre 0,8 e 2,0 ou 0,9 e 2,0 ng/dℓ. ➢ Dermatológico ✓ O aumento dos níveis de estrogênio, progesterona e MSH contribuem para as mudanças pigmentares, apesar de sua patogênese exata ser desconhecida. Essas alterações incluem: Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 ▪ Melasma (máscara gravídica), que são manchas de pigmento acastanhado que cobre a testa e as proeminências malares ▪ Escurecimento da aréola mamária, axila e genitais ▪ Linea nigra, uma linha escura que aparece na parte inferior média do abdome. ✓ O melasma devido à gestação geralmente retrocede dentro de um ano. ✓ Aincidência de angiomas aracneiformes, normalmente um pouco acima da cintura, e de capilares dilatados com parede fina, especialmente nas pernas, é maior durante a gestação. ➢ Modificações dos órgãos genitais ❖ Vulva e vagina Sob a influência dos estrogênios, o epitélio vaginal torna-se mais espesso durante a gravidez e há aumento da sua descamação, o que resulta em maior secreção vaginal. Essa secreção tem pH mais ácido (3,8 a 4,0) do que o existente na mulher não gestante, para proteger contra a infecção ascendente. A vagina também está mais vascularizada na gravidez. A vulva e a vagina tumefazem-se, experimentam amolecimento e têm sua coloração alterada. A vulva pigmenta-se, e o sítio lindeiro à extremidade inferior da vagina perde o róseo característico, tomando a cor vermelho- vinhosa, com ninfas e grandes lábios entreabertos (sinal de Jacquemier). O conteúdo da vagina altera-se, e o estudo da citologia esfoliativa rastreia peculiaridades significativas. O epitélio vaginal, durante a vida da mulher, é sede de importantes alterações, cuja apreciação, pelos esfregaços, possibilita inferências acerca do endocrinismo sexual. ❖ Útero O útero é formado pela fusão na linha média dos dois ductos müllerianos, sendo composto por três camadas separadas e distintas: (1) serosa, cobertura peritoneal externa; (2) miométrio, camada de músculo liso; e (3) endométrio, membrana mucosa que reveste a cavidade uterina. Órgão simples na aparência, o útero apresenta características histológicas e funcionais peculiares. Nem é de se estranhar sua complexidade: destinado a reter e abrigar o concepto e seus anexos, quando gravídico, modifica-se fundamentalmente em pouquíssimo tempo. Com extrema sensibilidade a estímulos hormonais e nervosos, é dotado da capacidade de adaptar-se a desmesurado crescimento e de proporcionar ao ovo considerável afluxo sanguíneo; são-lhe inerentes, ainda, as propriedades de impedir a interrupção prematura da gravidez e, chegado o termo, de transformar, em curto prazo, a capacidade de retenção em eficaz motor expulsivo. Figura 5.15 O útero nas diversas fases da vida. A. Feto a termo: o colo é maior do que o corpo. B. Recém-nascido e infância; carente de estímulos hormonais, o útero regride de modo mais acentuado no corpo. C. Puberdade: a atividade ovariana provoca o desenvolvimento do órgão. D. Menacma: útero não gravídico de nuligesta. E. Menacma: útero não gravídico, de multigesta. F. Senilidade: há involução de todo o órgão, especialmente do corpo. G. Na gestante. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 Métodos contraceptivos Existem diversos métodos contraceptivos disponíveis para evitar uma gravidez indesejada e até mesmo infecções sexualmente transmissíveis (IST). Os mais modernos e populares são a pílula e a camisinha, porém há outras opções. Eles são classificados por: métodos de barreira e métodos hormonais. ➢ Métodos de barreira Os métodos de barreira são removíveis, que evitam a entrada do esperma no útero. Esses contraceptivos são indicados às mulheres que não podem tomar algum tipo de hormônio ou que desejam proteção de ISTs. São eles: ❖ Métodos de barreira que previnem ISTs ✓ Preservativo masculino: popularmente conhecido como camisinha, é um contraceptivo utilizado no pênis, para recolher o esperma, impedindo-o de entrar no corpo da mulher. A camisinha é descartável e o material do preservativo é composto por látex ou poliuretano. Além de prevenir uma gravidez indesejada, previne também contra doenças sexualmente transmissíveis (DST). ✓ Preservativo feminino: conhecido também como “camisinha feminina” é um contraceptivo inserido na vagina antes da penetração do pênis, para impedir a entrada do esperma no útero. O preservativo é pré- lubrificado com silicone, porém, outros lubrificantes, à base de água ou óleo, podem ser usados, para melhorar o desconforto e o ruído que o preservativo feminino pode causar. Esse método contraceptivo também reduz o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST). ❖ Outros métodos de barreira ✓ Diafragma: é um contraceptivo composto por uma membrana de silicone, em forma de cúpula, envolvido por um anel flexível. Existem diafragmas de vários tamanhos, podendo variar entre 50 mm a 105 mm. O diafragma é inserido na vagina antes da relação sexual, impedindo a entrada do esperma no útero. É recomendável que o diafragma seja utilizado junto a um creme ou geleia espermicida, para oferecer maior lubrificação e também para aumentar a eficácia contraceptiva. O diafragma deve permanecer no lugar durante seis a oito horas depois do coito para poder evitar a gravidez, mas deve ser removido dentro de 24 horas. ✓ Espermicidas: são substâncias químicas em forma de geleia, creme, comprimido, tablete ou espumas, que devem ser colocadas na vagina 15 minutos antes da relação sexual. Os espermicidas servem como barreira para impedir o contato dos espermatozoides com o útero. Usados isoladamente, os espermicidas não oferecem grande eficácia, mas associados a outros métodos de barreira, como o diafragma, são úteis e oferecem mais proteção. Em algumas mulheres, a substância pode provocar reações alérgicas. ✓ Dispositivo Intrauterino (DIU): é um método anticoncepcional constituído por um aparelho pequeno e flexível que é inserido dentro do útero. Ele só pode ser utilizado em pacientes saudáveis e que apresentem exames ginecológicos normais; ausência de vaginites, tumores pélvicos, doença inflamatória pélvica (DIP), etc. Existem vários modelos de DIU, hormonais e não Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 hormonais, e é um contraceptivo que deve ser colocado por um profissional da saúde. ➢ Métodos hormonais Os métodos hormonais servem para controlar ou interromper a ovulação, evitando a gravidez, mas não previnem contra doenças sexualmente transmissíveis (DST). ✓ Pílula contraceptiva oral combinada: ou simplesmente pílula, como é conhecida popularmente, é um método contraceptivo composto por diferentes tipos de hormônios, que servem para inibir a ovulação e evitar a gravidez. O uso de pílulas anticoncepcionais não é recomendado para mulheres fumantes, ou com pressão arterial elevada, histórico de câncer de mama, fígado, ou câncer endometrial. O melhor tipo de pílula para cada paciente deve ser indicado por um ginecologista. ✓ Contraceptivo hormonal injetável: esse método contraceptivo é feito com uma injeção de hormômios, que é administrada uma vez por mês ou a cada três meses, dependendo do tipo de contraceptivo injetável. Esse método é muito eficaz para evitar gravidez. ✓ Anel vaginal: é um anel fino e flexível e deve ser colocado na vagina, durante três semanas. Na quarta semana, o anel vaginal deve ser removido e, assim, reinserir um novo anel depois de sete dias de pausa. O diâmetro externo é de 54 mm e a espessura é de 4 mm. O anel vaginal contém hormônios como estrogênio e progesterona, que são absorvidos para a circulação e levam à inibição da ovulação. Sua indicação e uso devem ser feitos com o acompanhamento de um ginecologista. Esse método contraceptivo não pode ser utilizado por mulheres que apresentem histórico de coágulos de sangue, derrame ou ataque cardíaco, ou algum tipo de câncer. ✓ Adesivos cutâneos com hormônios: são pequenos selos que contêm estrogênio e progesterona. Esses dois hormônios são absorvidos pela pele e vão diretamente para a circulação sistêmica. Os adesivos devem ser usados por 21 dias, seguido de pausa de sete dias. Os benefícios, eficácia e contraindicações são as mesmas para os anéis vaginais e as pílulas.✓ Implante contraceptivo: é um pequeno bastão implantado pelo médico sob a pele, na parte inferior do braço. O procedimento é rápido, feito com anestesia local. Dentro do corpo, o dispositivo libera progesterona. É eficaz por até três anos, mas pode ser removido antes. Diagnóstico da gravidez ❖ Teste para beta-hCG na urina ✓ Normalmente, faz-se teste de urina e, ocasionalmente, exames de sangue para confirmar ou excluir a gestação, geralmente poucos dias antes do período menstrual atrasado ou logo alguns dias depois da fecundação; ambos são precisos. ✓ Os níveis de beta-hCG, que estão correlacionados à idade gestacional em gestações normais, podem ser utilizados para determinar se o feto está crescendo de modo normal. A melhor abordagem é comparar 2 valores séricos de beta-hCG, obtidos com 48 a 72 horas Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 de intervalo e medidos pelo mesmo laboratório. Em uma gestação normal habitual, os níveis de beta-hCG dobram aproximadamente a cada 1,4 a 2,1 dias durante os primeiros 60 dias (7,5 semanas e meia) e então começam a decair entre a 10ª e a 18ª semana. A duplicação regular dos níveis de beta-hCG durante o 1º trimestre sugere fortemente crescimento embrionário normal. ❖ Outros sinais aceitos de gestação incluem: ✓ Presença de saco gestacional no útero, visto por ultrassonografia, geralmente realizada entre a 4ª e a 5ª semana e correspondendo a níveis séricos de beta-hCG em torno de 1.500 mUI/mL (o conteúdo do saco gestacional pode ser visualizado por volta da 5ª semana); ✓ Batimentos cardíacos fetais, visualizados por ultrassonografia em tempo real já na 5ª à 6ª semana; ✓ Sons do coração fetal, ouvidos por ultrassonografia Doppler já na 8ª e a 10ª semana, se o útero estiver acessível pelo abdome; ✓ Movimentos fetais, que podem ser sentidos pelo exame físico depois da 20ª semana. Impactos da Gravidez na Adolescência ✓ A gravidez na adolescência tem sido objeto de debate, de investigação e de políticas públicas no Brasil em razão de seus altos índices. De acordo com relatório publicado em 2018 pela Organização Pan-Americana da ✓ Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a taxa mundial de gravidez adolescente é estimada em 46 ✓ nascimentos para cada mil adolescentes e jovens mulheres entre 15 e 19 anos. Na América Latina e no Caribe, a taxa é estimada em 65,5 nascimentos. No Brasil, um em cada cinco bebês nasce de uma mãe com idade entre 10 e 19 anos, o número chega a 65 nascidos, superando a da região. Ainda, no País, a proporção de nascidos de mães entre 10 e 19 anos é de 18%. ✓ A mulher grávida precocemente pode apresentar sérios problemas durante a gestação, inclusive risco de morte. Entre os fatores biológicos que merecem destaque, podemos citar os riscos de prematuridade do bebê e baixo peso, morte pré-natal, anemia, aborto natural, pré- eclâmpsia e eclâmpsia, risco de ruptura do colo do útero e depressão pós-parto. Outras possíveis complicações são: ▪ Anemia ferropriva materna; ▪ Toxemia (eclampsia e pré-eclâmpsia); ▪ Infecção urinária; ▪ Baixo ganho de peso materno; ▪ Prematuridade do bebê; Sobre os riscos da Gravidez Precoce ✓ Agestação na adolescência é classificada como de risco, pois representa uma situação de risco biológico (tanto para as mães como para os recém-nascidos), e existem evidências de que este fenômeno ainda repercute negativamente nos índices de evasão escolar (tanto anterior como posterior à gestação), impactando no nível de escolaridade da mãe, diminuindo suas oportunidades futuras; ✓ Segundo dados do Ministério da Saúde, 66% das gestações entre adolescentes são indesejáveis, indicando que as condições para que isso aconteça são: falta de informação, falta de apoio das redes familiares e comunitárias, etc. Independentemente de ser planejada ou não, a gravidez precoce aumentará o risco de morte materna e infantil, bem como o risco de parto prematuro, anemia, aborto espontâneo, eclâmpsia e depressão pós- parto. A falta de conhecimento, a impossibilidade de obter métodos anticoncepcionais e informações suficientes para o planejamento reprodutivo, afeta diretamente um grande número de gestações na adolescência. ✓ De acordo com dados da edição 2015 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 72,1% das entrevistadas que tiveram pelo menos uma relação sexual afirmaram ter usado algum método para prevenir a gravidez ou infecções sexualmente transmissíveis. No entanto, o alto índice de gravidez mostra que o acesso à informação e a conscientização dos adolescentes sobre as responsabilidades e riscos da gravidez precoce ainda são desafios a serem superados. ✓ A efetivação dos direitos das meninas, adolescentes e mulheres jovens como mães deve levar em consideração a importância do conhecimento e do acesso aos diversos serviços e cuidados, como o pré-natal e o parto humanizado. Tais direitos envolvem também a necessidade de garantir que as mães, meninas, adolescentes e jovens frequentem a escola e participem de atividades sociais, oportunidades e espaços que fortaleçam e promovam a convivência familiar e comunitária. Referencias: MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende Obstetrícia Fundamental, 14ª edição. [Digite o Local da Editora]: Grupo GEN, 2017. 9788527732802. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527 732802/. Acesso em: 09 abr. 2022. https://www.msdmanuals.com/pt- br/profissional/ginecologia-e- obstetr%C3%ADcia/abordagem-%C3%A0-gestante-e- cuidados-pr%C3%A9-natais/fisiologia-da- gesta%C3%A7%C3%A3o https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_sexuai s_reprodutivos_metodos_anticoncepcionais.pdf https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas- noticias/metodos-contraceptivos-vantagens-e- desvantagens#:~:text=Atualmente%2C%20existem%20diver sos%20m%C3%A9todos%20contraceptivos,de%20barreira% 20e%20m%C3%A9todos%20hormonais. https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/abordagem-%C3%A0-gestante-e-cuidados-pr%C3%A9-natais/fisiologia-da-gesta%C3%A7%C3%A3o https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/abordagem-%C3%A0-gestante-e-cuidados-pr%C3%A9-natais/fisiologia-da-gesta%C3%A7%C3%A3o https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/abordagem-%C3%A0-gestante-e-cuidados-pr%C3%A9-natais/fisiologia-da-gesta%C3%A7%C3%A3o https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/abordagem-%C3%A0-gestante-e-cuidados-pr%C3%A9-natais/fisiologia-da-gesta%C3%A7%C3%A3o https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/abordagem-%C3%A0-gestante-e-cuidados-pr%C3%A9-natais/fisiologia-da-gesta%C3%A7%C3%A3o https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_sexuais_reprodutivos_metodos_anticoncepcionais.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_sexuais_reprodutivos_metodos_anticoncepcionais.pdf https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/metodos-contraceptivos-vantagens-e-desvantagens#:~:text=Atualmente%2C%20existem%20diversos%20m%C3%A9todos%20contraceptivos,de%20barreira%20e%20m%C3%A9todos%20hormonais https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/metodos-contraceptivos-vantagens-e-desvantagens#:~:text=Atualmente%2C%20existem%20diversos%20m%C3%A9todos%20contraceptivos,de%20barreira%20e%20m%C3%A9todos%20hormonais https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/metodos-contraceptivos-vantagens-e-desvantagens#:~:text=Atualmente%2C%20existem%20diversos%20m%C3%A9todos%20contraceptivos,de%20barreira%20e%20m%C3%A9todos%20hormonais https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/metodos-contraceptivos-vantagens-e-desvantagens#:~:text=Atualmente%2C%20existem%20diversos%20m%C3%A9todos%20contraceptivos,de%20barreira%20e%20m%C3%A9todos%20hormonaishttps://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/metodos-contraceptivos-vantagens-e-desvantagens#:~:text=Atualmente%2C%20existem%20diversos%20m%C3%A9todos%20contraceptivos,de%20barreira%20e%20m%C3%A9todos%20hormonais Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 https://brasilescola.uol.com.br/biologia/gravidez- adolescencia.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/gravidez-adolescencia.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/gravidez-adolescencia.htm