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Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas 
Curso: Medicina 
SOI VI 
Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 
APG 21-Gravidez 
Objetivos: Impactos da gravidez na adolescência - Fisiologia da gravidez - Métodos contraceptivos - Diagnóstico da gravidez - Fatores 
de risco; 
Fisiologia da Gravidez 
As alterações fisiológicas observadas na gestação decorrem, 
principalmente, de fatores hormonais e mecânicos, e os 
ajustes verificados no organismo da mulher devem ser 
considerados normais durante o estado gravídico, embora 
determinem, por vezes, pequenos sintomas que afetam a 
saúde da paciente. 
➢ Modificações sistêmicas 
❖ Postura e deambulação 
✓ A postura da gestante altera-se antes mesmo da 
expansão de volume do útero gestante. Quando, porém, 
a matriz evadida da pelve apoia-se à parede abdominal, e 
as mamas, dilatadas e engrandecidas, pesam no tórax, o 
centro de gravidade desvia-se para a frente, e todo o 
corpo, em compensação, projeta-se para trás. A atitude 
adotada é, de modo involuntário, a de quem carrega um 
objeto pesado, mantendo-o, com as duas mãos, à frente 
do abdome. 
✓ Essa situação torna-se mais nítida quando a gestante está 
de pé, visto que, para manter o equilíbrio, empina o 
ventre, amplia-se a base do polígono de sustentação, os 
pés se afastam, e as espáduas projetam-se para trás, 
provocando a lordose da coluna lombar. 
 
 
✓ Essa sustentação ampliada e os ângulos formados pelos 
pés com a linha mediana aumentados, principalmente à 
direita, por conta do dextrodesvio uterino, conferem à 
gestante uma movimentação peculiar, com passos 
oscilantes e mais curtos, que lembram a deambulação dos 
gansos, o que constitui a chamada marcha anserina. 
✓ Grupamentos musculares que ordinariamente não têm 
função nítida ou constante passam a atuar, estirando-se 
e contraindo-se, e sua fadiga responde pelas dores 
cervicais e lombares, queixa comum. 
 
✓ As articulações apresentam maior mobilidade durante a 
gestação, notadamente as sacroilíacas e a sínfise pubiana. 
Atribui-se à relaxina, secretada pela placenta, a frouxidão 
dos ligamentos, especialmente da sínfise pubiana, que 
pode alargar cerca de 4 mm nas primíparas e 4,5 mm nas 
multíparas. 
✓ O principal resultado dessas modificações é o aumento da 
capacidade pélvica, favorecendo a disjunção sinfisária e 
os movimentos de nutação do sacro. Essa crescente 
mobilidade das articulações contribui para transformar a 
postura materna e a sua marcha, como já relatado 
anteriormente. É a ostentação da gravidez, pride of 
pregnancy, epíteto shakespeariano que fez fortuna. 
➢ Metabolismo 
As alterações no metabolismo materno são necessárias para 
suprir as exigências suscitadas pelo rápido crescimento e 
desenvolvimento do concepto durante a gravidez. Grandes 
modificações no metabolismo de energia e no acúmulo de 
gordura têm sido documentadas. 
❖ Metabolismo glicídico 
✓ Na gravidez, as alterações do metabolismo glicídico são 
notáveis: 
o Como o concepto é um consumidor de glicose, há 
um aumento na demanda dessa substância no 
organismo da mãe. Diante de período prolongado 
de jejum, o feto continua a extrair glicose e 
aminoácidos da gestante, em taxas idênticas às 
observadas nos períodos de alimentação 
(parasitismo verdadeiro); 
o A fim de prover suprimento ininterrupto de glicose 
e de aminoácidos para o concepto, a gestante faz 
ajustes importantes: deixa de consumir a glicose de 
modo indiscriminado, e, à medida que a gravidez se 
desenvolve, seu uso periférico diminui, graças à 
elaboração de hormônios contrainsulares pela 
placenta. 
✓ A glicose é transferida rapidamente ao feto por difusão 
facilitada, embora seja pequeno o gradiente de 
concentração (os níveis fetais de glicose são cerca de 20 
mg/dℓ inferiores aos da mãe). 
✓ O consumo contínuo de glicose pelo concepto e seu 
rápido transporte através da placenta influenciam 
profundamente o metabolismo dos carboidratos na 
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gestante. Em todos os estágios da gestação, depois de 
uma noite de jejum, os níveis de glicemia são 15 a 20 
mg/dℓ inferiores àqueles fora da gravidez. 
✓ A grávida exibe aumento na resistência à insulina ao fim 
do 2º trimestre, podendo chegar à aproximadamente 
80% no termo. Níveis elevados de hormônio lactogênio 
placentário humano (hPL), hormônio do crescimento 
placentário humano (hPGH) e adipocinas (leptina, 
adiponectina, fator de necrose tumoral alfa [TNF-α], 
interleucina [IL]-6) estão implicados no processo. 
✓ Os níveis de hPL elevam-se rapidamente no 1º e no 2º 
trimestre e alcançam o seu máximo nas últimas 4 
semanas da gravidez. O efeito diabetogênico do hPL 
resulta na mobilização de lipídios na forma de ácidos 
graxos livres (AGL). Esses AGL servem como fonte de 
energia, poupando glicose e aminoácidos, que estarão 
disponíveis para o feto. 
✓ No 3º trimestre, após a administração de glicose, observa-
se hiperinsulinismo pós-prandial, à conta dos já 
mencionados fatores contrainsulares; 
✓ O efeito inibitório da insulina na lipólise é 
significativamente reduzido durante o 3o trimestre 
quando comparado ao de outras fases do ciclo gestatório. 
Em resumo, a gravidez avançada caracteriza-se por 
mudanças em seu metabolismo no que se refere à 
preservação de glicose, graças à utilização dos lipídios. A 
liberação excessiva de ácidos graxos também ajuda a reduzir 
o uso da glicose materna. 
❖ Metabolismo lipídico 
Durante a gestação, a mãe tem de adaptar o seu 
metabolismo para fazer frente à contínua demanda fetal de 
nutrientes através da placenta, a fim de suprir o seu 
desenvolvimento. Quantitativamente, a glicose e os 
aminoácidos são os nutrientes mais abundantes que 
atravessam a placenta e, como já discutido, o feto depende 
dessas substâncias. Todavia, a placenta é praticamente 
impermeável aos lipídios, exceto aos AGL e aos corpos 
cetônicos. 
o Metabolismo do tecido adiposo materno 
✓ O aumento do peso materno durante a gestação 
corresponde ao crescimento da unidade fetoplacentária 
e ao acúmulo dos seus próprios tecidos, especialmente o 
relacionado com a elevação de lipídios nos depósitos de 
gordura. 
✓ Esse fenômeno, comum na gravidez humana e de alguns 
animais, ocorre durante os primeiros 2/3 da gestação e é 
responsável pela maior parte do acréscimo de peso 
materno, excluindo o decorrente do concepto, e parece 
estar diretamente relacionado com a hiperfagia, pois 
desaparece com a restrição alimentar. 
✓ Esse aumento nos depósitos de gordura maternos é 
especialmente decorrente da lipogênese aumentada e 
corresponde à elevação na síntese de ácidos graxos e do 
glicerídio glicerol, indicando que a formação dos 
triglicerídios (TG) está exaltada. 
✓ A tendência de acumular gordura cessa durante o último 
trimestre da gravidez, quando o metabolismo lipídico 
transmuda-se para estado catabólico, em virtude de 
diversas alterações coincidentes no tecido adiposo, 
como: 
o Redução rápida do aumento da atividade 
lipogênica; 
o Aumento da atividade lipolítica, talvez 
comandada pelo hPL por ação similar à do 
hormônio do crescimento. 
✓ O aumento da atividade lipolítica do tecido adiposo eleva 
a liberação de AGL e de glicerol na circulação materna, na 
qual eles alcançam grandes concentrações no plasma. 
✓ A transferência placentária desses dois produtos 
lipolíticos é baixa, e o fígado materno é o principal 
receptor, após serem convertidos no fígado em suas 
respectivas formas ativas (AGL em acil-CoA e glicerol no 
glicerol-3-fosfato), eles podem ser empregados para a 
esterificação, na síntese dos triglicerídios, para a 
produção de corpos cetônicos, por meio do AGL, ou para 
a formação de glicose no que concerne ao glicerol. No fim 
da gestação, a transferência aumentadade AGL e de 
glicerol ao fígado em decorrência da lipólise nos tecidos 
adiposos justifica a exaltada esterificação e a subsequente 
liberação hepática da lipoproteína de muito baixa 
densidade (VLDL) na forma de triglicerídios. 
✓ A síntese de corpos cetônicos torna-se altamente 
incrementada durante o fim da gestação sob condições 
de jejum, e o uso desses produtos pelos tecidos maternos 
reduz o consumo de glicose, que fica disponível de ser 
transferida para o feto. No fim da gravidez, a 
gliconeogênese a partir do glicerol está aumentada, 
poupando aquela proveniente dos aminoácidos, que são 
transportados para o feto. 
Conclui-se que o feto beneficia-se dos produtos finais do 
metabolismo decorrente da atividade lipolítica do tecido 
adiposo materno. Os corpos cetônicos cruzam livremente a 
placenta e podem ser usados como combustível fetal ou 
mesmo como substratos para a síntese de lipídios no cérebro. 
Finalmente, a atividade lipolítica intensa do tecido adiposo 
durante o fim da gestação também favorece os tecidos 
maternos, pois nesse estágio o uso periférico de glicose é 
bastante diminuído pela resistência à insulina, e os produtos 
lipolíticos – especialmente AGL e corpos cetônicos – podem 
ser empregados como combustíveis alternativos, poupando 
a glicose. 
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o Hiperlipidemia materna 
✓ Durante a gravidez normal há aumento constante nos 
triglicerídios plasmáticos e pequeno acréscimo no 
colesterol. Essa hiperlipidemia corresponde ao 
enriquecimento proporcional de triglicerídios nas frações 
lipoproteínas, mesmo naquelas que os transportam em 
baixas concentrações, tais como a lipoproteína de baixa 
densidade (LDL) e a lipoproteína de alta densidade (HDL). 
O maior acúmulo absoluto nos triglicerídios no plasma, 
contudo, corresponde à VLDL. Essas lipoproteínas atuam 
no fígado e carregam triglicerídios derivados de AGL e de 
glicerol, que também são sintetizados no próprio órgão 
ou o alcançam a partir da circulação, na qual são liberados 
pela lipólise do tecido adiposo, que está muito 
aumentada no fim da gestação. 
✓ A produção acentuada dos triglicerídios VLDL e sua 
remoção diminuída da circulação em decorrência da 
menor atividade da lipoproteína lipase (LPL) no tecido 
adiposo são as principais responsáveis pelo aumento dos 
triglicerídios VLDL durante a gestação. 
✓ A abundância de triglicerídios VLDL no plasma materno, 
assim como de outros fatores sumarizados na contribui 
para o acúmulo de triglicerídios nas outras lipoproteínas. 
Um desses fatores é o aumento da atividade da proteína 
de transferência do éster de colesterol (CETP), que 
catalisa a transferência de triglicerídios da VLDL para as 
lipoproteínas pobres nesses lipídios, LDL e HDL, enquanto 
a de éster de colesterol (CE) ocorre no sentido contrário. 
Outro fator contribuinte para o mesmo efeito é a 
diminuição da atividade da lipase hepática (HL), também 
observada ao fim da gravidez. A HL controla a conversão 
da HDL2b no fim da gestação. 
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o Benefícios da hipertrigliceridemia materna para o 
feto 
Muito embora os TG não cruzem a barreira placentária, o feto 
beneficia-se da hipertrigliceridemia materna: 
• Sob condições de jejum, o fígado materno mostra 
aumento da atividade da LPL, tornando-se órgão receptor 
de triglicerídios circulantes usados como substrato para a 
síntese de corpos cetônicos, e esses compostos 
rapidamente difundem-se pela placenta e são usados 
pelo feto; 
• A atividade da lipase na placenta disponibiliza ao feto os 
ácidos graxos essenciais (AGE) provenientes dos 
triglicerídios maternos. A lipase da placenta hidrolisa os 
triglicerídios maternos, e os AGL liberados podem 
alcançar o feto para serem reconvertidos em triglicerídios 
• A indução da LPL nas mamas por volta do parto dirige 
triglicerídios circulantes para essa glândula, visando à 
produção de leite (ver Figura 5.2). Por esse mecanismo, 
AGE da dieta materna que circulam como triglicerídios 
podem se tornar disponíveis para o lactente. 
o Ácidos graxos essenciais 
✓ Os AGE referem-se a lipídios que não podem ser 
sintetizados pelo organismo e devem provir da 
alimentação. As duas famílias de AGE – ômega-3 e ômega-
6 – são requeridas para funções fisiológicas, incluindo 
transporte de oxigênio, armazenamento de energia, 
atuação na membrana celular e regulação da inflamação 
e da proliferação celular. Na gravidez, os AGE são 
necessários para o desenvolvimento da unidade 
fetoplacentária no início da gestação, e o ácido docosa-
hexaenoico (DHA), um tipo de ômega-3 derivado de peixe 
marinho, é vital para a homeostase materna, assim como 
o desenvolvimento do cérebro e da retina fetal durante 
todo o 3º trimestre. 
✓ Como já se referiu anteriormente, os AGE são aqueles não 
sintetizados pelo organismo, sendo incorporados pela 
alimentação: ácido linolênico (ômega-3) e ácido linoleico 
(ômega-6). Os AGE são benéficos para a mãe por 
prevenirem doenças cardiovasculares, câncer do colo e 
doenças imunológicas, assim como são indispensáveis 
para o desenvolvimento cerebral e visual do concepto. 
 
✓ Os ácidos ômega-3 e ômega-6 são precursores dos ácidos 
graxos poli-insaturados de cadeia longa (AGPICL): ácido 
araquidônico, da série ômega-6; ácido eicosapentaenoico 
(EPA) e DHA, da série ômega-3. 
✓ O feto não tem capacidade de sintetizar os AGPICL por 
meio dos seus precursores ômega-3 e ômega-6, sendo 
suas necessidades supridas pela placenta e pelas reservas 
tissulares da mãe, principalmente do tecido adiposo. 
✓ As principais fontes de ômega-3 são peixes gordurosos de 
água fria (salmão, atum), truta, sardinha, ostra, mariscos, 
óleos de linhaça e de canola, nozes e rúcula. A dieta 
moderna proporciona 7 a 10 vezes mais ômega-6 do que 
ômega-3, quando a proporção ideal seria 5:1. Os ácidos 
graxos trans (AGT) também são prejudiciais para a saúde, 
pois inibem a formação dos AGPICL.. 
❖ Metabolismo Proteico 
✓ Apesar de o tema ser mal estudado, sabe-se que a 
concentração da maioria dos aminoácidos está reduzida 
na gravidez. 
✓ As proteínas totais, embora aumentem em valores 
absolutos pela hemodiluição plasmática, têm suas 
concentrações diminuídas. As de albumina sofrem 
redução nítida, enquanto é menor a queda das 
gamaglobulinas. Os teores de alfa- e de betaglobulinas e 
os de fibrinogênio, por sua vez, ascendem. 
✓ Aspectos relacionados com as necessidades calóricas de 
vitaminas e sais minerais na gestação, assim como o 
aumento ponderal da gestante, por serem tópicos de 
grande importância na assistência pré-natal. 
❖ Metabolismo Hidroeletrolítico 
Os fatores responsáveis pela retenção de líquido estão 
descritos a seguir: 
 
▪ Retenção de sódio 
▪ Novo nível de osmolaridade 
▪ Diminuição do limiar da sede 
▪ Redução da pressão oncótica. 
As consequências da retenção de líquido são: 
▪ Redução na concentração de hemoglobina 
▪ Redução do hematócrito 
▪ Diminuição da concentração de albumina 
▪ Aumento do débito cardíaco 
▪ Elevação do fluxo plasmático renal 
▪ Edema periférico. 
❖ Metabolismo do cálcio 
✓ Na gravidez, uma grande quantidade de cálcio (e de 
fósforo) é transferida contra gradiente de concentração 
da mãe para o feto (transporte ativo), com acúmulo de 25 
a 30 g de cálcio no termo. 
✓ Para isso, a absorção de cálcio no intestino dobra na 
gravidez, consequência também do nível duplamente 
elevado de vitamina D3 de origem placentária e materna 
renal. A vitamina D3 elevada abre os canais de cálcio 
voltagem-dependentes na membrana dos enterócitos e 
é, dessa maneira, responsável pela maior absorção do 
elemento. 
✓ Na verdade, o nível de PTHno soro diminui na gestação, 
o que é compensado pelo acréscimo do peptídio 
relacionado com o PTH (PTHrP) de origem fetal e 
placentária. 
✓ O PTHrP elevado na gravidez, produzido pela paratireoide 
fetal e pela placenta, contribui para o aumento da 
vitamina D3, o decréscimo da concentração de PTH e a 
regulação do transporte transplacentário da mãe para o 
feto. 
✓ O transporte de cálcio pelo trofoblasto também depende 
do aumento da concentração da proteína de ligação ao 
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cálcio, que atinge máxima concentração no 3o trimestre, 
quando é marcante o crescimento fetal. A calcitonina é 
um hormônio peptídico de 32 aminoácidos elaborado 
pelas células parafoliculares da tireoide. Ela age como 
antagonista fisiológico de PTH, impedindo a elevação do 
cálcio acima dos níveis normais. 
 
Figura 5.5 Metabolismo do cálcio. Na gravidez, o 
aumento do Ca++ no esqueleto fetal se faz 
principalmente à custa da maior absorção de Ca++ no 
intestino da mãe, consequência da ação direta do 
aumento da vitamina D3 de origem placentária e 
materna (renal) no enterócito. Na lactação, o aumento 
do Ca++ no esqueleto do bebê obtido por meio do leite 
materno é possível porque o Ca++ é mobilizado do 
esqueleto da lactante, assim como é maior a sua 
reabsorção tubular renal, ambos mecanismos 
dependentes da elevação do peptídio relacionado com 
o paratormônio (PTHrP) de origem mamária. PTH, 
paratormônio 
 
➢ Sistema cardiovascular 
✓ O débito cardíaco aumenta em 30 a 50%, com início por 
volta da 6ª semana e valor máximo entre a 16ª e a 28ª 
semana (normalmente na 24ª semana). 
✓ O débito cardíaco permanece próximo dos níveis de pico 
até depois de 30 semanas. Em seguida, o débito 
cardíacose torna sensível à posição do corpo. Posições 
que causam aumento uterino (p. ex., posição deitada) que 
obstrui em parte a veia cava causam diminuição do débito 
cardíaco. Em média, o débito cardíaco diminui levemente 
da 30º semana até o parto. 
✓ Durante o trabalho de parto, o débito cardíaco aumenta 
mais 30%. Após o parto, o útero contrai e o débito 
cardíaco permanece de 15 a 25% acima do normal, então 
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diminui lentamente nas próximas 3 a 4 semanas até 
atingir os valores pré-gestacionais por volta da 6ª semana 
pós-parto. 
✓ O aumento do débito cardíaco decorre principalmente de 
demandas da circulação uteroplacentária; o volume da 
circulação uteroplacentária aumenta de modo acentuado 
e a circulação dentro do espaço interviloso funciona de 
certa forma como uma derivação arteriovenosa. 
✓ Enquanto a placenta e o feto se desenvolvem, o fluxo 
sanguíneo para o útero deve aumentar em torno de 1 
L/min (20% do DC normal) até o nascimento. As 
necessidades da pele (para regular a temperatura) e dos 
rins (para excreção de resíduos fetais) contribuem para o 
aumento do DC. 
✓ Para elevar o DC, a frequência cardíaca aumenta do valor 
normal de 70 para valores que chegam a 90 bpm, e o 
volume sistólico também aumenta. 
✓ Durante o 2º trimestre, a pressão arterial normalmente 
cai (e a pressão de pulso se alarga), embora o débito 
cardíaco e os níveis de renina e angiotensina aumentem 
em razão da expansão da circulação uteroplacentária 
(desenvolvimento dos espaços intervilosos na placenta) e 
a resistência vascular sistêmica diminua. 
✓ A resistência diminui porque a viscosidade sanguínea e a 
sensibilidade à angiotensina diminuem. Durante o 3º 
trimestre, a pressão arterial pode voltar ao normal. 
✓ Nas gestações gemelares, o DC aumenta mais e a pressão 
arterial diastólica é menor na 20ª semana, se comparados 
à gestação com feto único. 
✓ O exercício físico aumenta o DC, a frequência cardíaca, o 
consumo de oxigênio e o volume respiratório/min mais 
durante a gestação do que em outras situações. 
✓ A circulação hiperdinâmica da gestação aumenta a 
frequência de sopros funcionais e acentua os sons 
cardíacos. 
✓ Os exames de radiografia ou ECG podem mostrar o 
deslocamento cardíaco para uma posição horizontal, com 
rotação para a esquerda, com aumento do diâmetro 
transverso. As extrassístoles atriais e ventriculares são 
comuns durante a gestação. 
✓ Todas essas mudanças são normais e não devem ser 
erroneamente diagnosticadas como uma doença 
cardíaca; podem ser geralmente manejadas com 
controle, apenas. Entretanto, paroxismos de taquicardia 
atrial ocorrem com mais frequência na gestante e podem 
necessitar de digitalização profilática ou fármacos 
antiarrítmicos. A gestação não afeta as indicações de 
segurança para cardioversão. 
Constituem as alterações cardiovasculares mais relevantes: 
▪ Aumento da frequência cardíaca (10 a 20%) 
▪ Aumento do volume sistólico (10%) 
▪ Aumento do débito cardíaco (40 a 50%) 
▪ Diminuição da pressão arterial média (10%) 
▪ Diminuição da resistência vascular periférica (35%). 
➢ Sistema sanguíneo 
✓ A volemia aumenta proporcionalmente ao débito 
cardíaco, mas o aumento no volume de plasma é maior 
(aproximadamente 50%, geralmente de cerca de 1.600 
mL para um total de 5.200 mL) do que a massa eritrocítica 
(aproximadamente 25%); assim, a hemoglobina (Hb) 
diminui por diluição de cerca de 13,3 para 12,1 g/dL. Essa 
anemia dilucional diminui a viscosidade do sangue. Em 
gestações gemelares, a volemia materna aumenta mais 
(perto de 60%). 
✓ O leucograma aumenta ligeiramente para 9.000 a 
12.000/mcL. A leucocitose acentuada (≥ 20.000/mcL) 
ocorre durante o parto e nos primeiros dias do puerpério. 
 
✓ As necessidades de ferro aumentam em um total de 
aproximadamente 1 g durante toda a gestação e são 
maiores durante a 2ª metade da gestação — 6 a 7 mg/dia. 
✓ O feto e a placenta utilizam aproximadamente 300 mg de 
ferro e o aumento na massa eritrocítica materna requer 
500 mg adicionais. A excreção é de 200 mg. 
✓ A suplementação de ferro é necessária para prevenir 
anemia, pois a quantidade absorvida da dieta e o 
recrutamento dos estoques de ferro (média de 300 a 500 
mg) são geralmente insuficientes para suprir a demanda 
da gestação. 
Portanto, as principais alterações hematológicas ocorridas na 
gestação são listadas a seguir. 
▪ Diminuição: do número de hemácias, da 
concentração de hemoglobina e de hematócrito 
▪ Aumento: de leucócitos e da concentração de 
fibrinogênio. 
➢ Sistema Urinária 
✓ As mudanças da função renal acompanham as da função 
cardíaca. A taxa de filtração glomerular (TFG) aumenta de 
30 a 50%, com pico entre a 16ª e a 24ª semana, e 
permanece nesse nível até próximo do termo, quando 
pode diminuir ligeiramente porque a pressão do útero 
sobre a veia cava costuma causar estase venosa nos 
membros inferiores. 
✓ O fluxo plasmático renal aumenta proporcionalmente. 
Como consequência, o nitrogênio da ureia sanguínea 
geralmente diminui para < 10 mg/dL (< 3,6 mmol/L de 
ureia), e o nível de creatinina diminui proporcionalmente 
para 0,5 a 0,7 mcg/dL (44 a 62 micromol/L). 
✓ A dilatação acentuada dos ureteres (hidroureter) é 
causada por influências hormonais (predominantemente 
por progesterona) e por obstrução decorrente da pressão 
do útero aumentado nos ureteres, que também pode 
causar hidronefrose. No puerpério, o sistema coletor 
urinário pode levar até 12 semanas para retornar ao 
normal. 
✓ Modificações posturais afetam a função renal, mais 
durante a gestação do que em outras situações; isto é, a 
posição supina aumenta a função renal e a posição ereta 
diminui a função renal. 
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✓ A função renal também aumenta acentuadamente na 
posição lateral,especialmente quando deitado no lado 
esquerdo; essa posição alivia a pressão do útero sobre os 
grandes vasos quando a gestante está em supinação. O 
aumento posicional da função renal é uma das razões 
pelas quais a gestante necessita urinar com frequência 
enquanto tenta dormir. 
➢ Sistema Respiratório 
✓ A função pulmonar se altera nas gestantes, em parte pelo 
aumento da progesterona e em parte porque o aumento 
uterino interfere na expansão pulmonar. 
✓ A progesterona estimula o cérebro a diminuir os níveis de 
dióxido de carbono (CO2). Para reduzir os níveis de CO2, 
o volume corrente, o volume-minuto e a frequência 
respiratória se elevam, o que aumenta o pH plasmático. 
✓ O consumo de oxigênio cresce cerca de 20% para suprir o 
aumento metabólico necessário ao feto, à placenta e a 
vários órgãos maternos. As reservas inspiratória e 
expiratória, o volume e a capacidade residual e a PCO2 
plasmática diminuem. 
✓ A capacidade vital e a PCO2 plasmática não se alteram. A 
circunferência torácica aumenta em torno de 10 cm. 
✓ Ocorrem hiperemia e edema consideráveis do trato 
respiratório. Ocasionalmente, ocorrem obstrução 
nasofaríngea sintomática e congestão nasal, as tubas 
auditivas ficam transitoriamente obstruídas, assim como 
o tom e o timbre da voz mudam. 
✓ É comum haver dispneia moderada durante esforço e 
respirações profundas mais frequentes. 
 
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Portanto, as principais modificações respiratórias são: 
▪ Frequência respiratória sem alteração 
▪ Volume-corrente e volume-minuto aumentados 
cerca de 30 a 40% 
▪ Capacidade residual funcional reduzida em 20% 
▪ Hiperventilação fisiológica 
▪ Dispneia (em 60 a 70% das gestantes). 
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➢ Sistema Digestório 
✓ Na evolução da gestação, o útero aumentado pressiona o 
reto e as porções inferiores do cólon, causando 
constipação intestinal. 
✓ A motilidade gastrintestinal diminui em decorrência dos 
níveis elevados de progesterona que causam relaxamento 
da musculatura lisa. Pirose e eructações são frequentes, 
possivelmente como resultado da demora do 
esvaziamento gástrico e do refluxo gastroesofágico, em 
razão do relaxamento do esfíncter esofágico inferior e do 
hiato diafragmático. 
✓ A produção de ácido hidroclorídrico diminui; desse modo, 
é incomum o surgimento de úlcera péptica durante a 
gestação e as úlceras preexistentes tornam-se menos 
agressivas. 
✓ A incidência de doenças da vesícula biliar aumenta um 
pouco. A gestação afeta sutilmente a função hepática, em 
especial o transporte de bile. 
✓ Os testes de função hepática habitualmente são normais, 
mas os níveis de fosfatase alcalina aumentam de modo 
progressivo durante o 3º trimestre e podem chegar a 2 ou 
3 vezes acima dos valores normais no parto; esse 
aumento decorre da produção placentária dessa enzima 
e não da disfunção hepática. 
➢ Sistema Endócrino 
✓ A gestação altera as funções da maioria das glândulas 
endócrinas, em parte porque a placenta produz 
hormônios e em parte porque a maioria dos hormônios 
circula sob a forma de proteínas ligadoras e essas 
proteínas aumentam durante a gestação. 
✓ A placenta produz a subunidade da gonadotropina 
coriônica humana (beta-hCG), um hormônio trófico que, 
como os hormônios folículo-estimulantes e luteinizantes, 
mantém o corpo lúteo e, portanto, previne a ovulação. 
Níveis de estrogênio e progesterona aumentam cedo 
durante a gestação porque o beta-hCG estimula os 
ovários a produzi-los continuamente. Após 9 a 10 
semanas da gestação, a própria placenta produz grandes 
quantidades de estrogênio e progesterona para ajudar a 
manter a gestação. 
✓ A placenta produz um hormônio (similar ao TSH) que 
estimula a tireoide, causando hiperplasia, aumento de 
vascularização e moderado aumento de seu tamanho. 
✓ O estrogênio estimula os hepatócitos, causando aumento 
dos níveis de globulina ligadora dos hormônios tireoideos; 
assim, embora os níveis da tiroxina possam estar 
aumentados, os níveis de hormônios tireoideos livres 
permanecem normais. O aumento da função tireoidea 
pode se assemelhar ao hipertireoidismo, com taquicardia, 
palpitação, transpiração excessiva e instabilidade 
emocional. Entretanto, o hipertireoidismo verdadeiro 
ocorre em apenas 0,08% das gestações. 
✓ A placenta produz o hormônio liberador de corticotrofina 
(CRH), que estimula a produção materna do hormônio 
adrenocorticotrófico (ACTH). O aumento dos níveis de 
ACTH eleva os níveis de hormônios adrenais, 
principalmente de aldosterona e cortisol, contribuindo 
assim para o edema. 
✓ O aumento de produção de corticoides e da produção 
placentária de progesterona causa resistência insulínica e 
elevação das necessidades de insulina, da mesma forma 
que o estresse da gestação e, possivelmente, o aumento 
dos níveis de lactogênio placentário humano. Insulínase, 
produzida pela placenta, também pode aumentar as 
necessidades de insulina, de tal modo que muitas 
mulheres com diabetes gestacional desenvolvem outras 
formas mais evidentes do diabetes. 
✓ A placenta produz MSH, que aumenta a pigmentação da 
pele durante a gestação. 
✓ A glândula hipófise aumenta cerca de 135% durante a 
gestação. Os níveis de prolactina no plasma materno 
aumentam em torno de 10 vezes. A elevação da 
prolactina está relacionada ao aumento da produção do 
TRH estimulado pelo estrogênio. 
✓ A função primária da elevação da prolactina é assegurar a 
lactação. Os níveis de prolactina retornam ao normal no 
pós-parto, mesmo nas mulheres que amamentam. 
Função da tireoide e o feto 
O T4L materno é transferido para o feto durante toda a 
gravidez e é importante para o desenvolvimento normal do 
cérebro fetal, sendo especialmente relevante antes de a 
tireoide fetal começar a concentrar iodo e sintetizar o 
hormônio da tireoide, o que ocorre por volta das 12 semanas 
de gravidez. 
▶ Iodo e bócio. A tireoide materna mostra aumento da 
vascularidade e alguma hiperplasia, mas não há bócio 
declarado, a menos que haja deficiência de iodo na 
alimentação ou doença da tireoide. Mulheres em idade fértil 
devem ter aporte diário de 150 μg de iodo; durante a gravidez 
e o aleitamento, a dose será de 250 μg/dia (Endocrine 
Society, 2012). O aumento da depuração renal de iodo na 
gravidez e a quantidade significativa de iodo transferida para 
o feto, que no fim da gravidez passa a produzir seus próprios 
hormônios, causam mínima hipotireoxinemia, mas não bócio, 
em áreas de suficiência de iodo. A carência de iodo 
manifesta-se por elevada hipotireoxinemia, com aumento de 
TSH e da tireoglobulina (TGB), com significativa hipertrofia da 
tireoide. 
▶ Exames de laboratório. Os níveis de TSH recomendados na 
gravidez pela American Thyroid Association (2011) são: 0,1 a 
2,5 mUI/ℓ no 1o trimestre; 0,2 a 3,0 mUI/ℓ no 2o trimestre; e 
0,3 a 3,0 mUI/ℓ no 3o trimestre. 
Em relação aos níveis de T4L, há divergências, mas podem ser 
adotados valores entre 0,8 e 2,0 ou 0,9 e 2,0 ng/dℓ. 
➢ Dermatológico 
✓ O aumento dos níveis de estrogênio, progesterona e MSH 
contribuem para as mudanças pigmentares, apesar de 
sua patogênese exata ser desconhecida. Essas alterações 
incluem: 
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▪ Melasma (máscara gravídica), que são manchas de 
pigmento acastanhado que cobre a testa e as 
proeminências malares 
▪ Escurecimento da aréola mamária, axila e genitais 
▪ Linea nigra, uma linha escura que aparece na parte 
inferior média do abdome. 
✓ O melasma devido à gestação geralmente retrocede 
dentro de um ano. 
✓ Aincidência de angiomas aracneiformes, normalmente 
um pouco acima da cintura, e de capilares dilatados com 
parede fina, especialmente nas pernas, é maior durante a 
gestação. 
➢ Modificações dos órgãos genitais 
❖ Vulva e vagina 
Sob a influência dos estrogênios, o epitélio vaginal torna-se 
mais espesso durante a gravidez e há aumento da sua 
descamação, o que resulta em maior secreção vaginal. Essa 
secreção tem pH mais ácido (3,8 a 4,0) do que o existente na 
mulher não gestante, para proteger contra a infecção 
ascendente. A vagina também está mais vascularizada na 
gravidez. 
A vulva e a vagina tumefazem-se, experimentam 
amolecimento e têm sua coloração alterada. A vulva 
pigmenta-se, e o sítio lindeiro à extremidade inferior da 
vagina perde o róseo característico, tomando a cor vermelho-
vinhosa, com ninfas e grandes lábios entreabertos (sinal de 
Jacquemier). 
O conteúdo da vagina altera-se, e o estudo da citologia 
esfoliativa rastreia peculiaridades significativas. 
O epitélio vaginal, durante a vida da mulher, é sede de 
importantes alterações, cuja apreciação, pelos esfregaços, 
possibilita inferências acerca do endocrinismo sexual. 
❖ Útero 
O útero é formado pela fusão na linha média dos dois ductos 
müllerianos, sendo composto por três camadas separadas e 
distintas: (1) serosa, cobertura peritoneal externa; (2) 
miométrio, camada de músculo liso; e (3) endométrio, 
membrana mucosa que reveste a cavidade uterina. 
Órgão simples na aparência, o útero apresenta características 
histológicas e funcionais peculiares. Nem é de se estranhar 
sua complexidade: destinado a reter e abrigar o concepto e 
seus anexos, quando gravídico, modifica-se 
fundamentalmente em pouquíssimo tempo. 
Com extrema sensibilidade a estímulos hormonais e 
nervosos, é dotado da capacidade de adaptar-se a 
desmesurado crescimento e de proporcionar ao ovo 
considerável afluxo sanguíneo; são-lhe inerentes, ainda, as 
propriedades de impedir a interrupção prematura da 
gravidez e, chegado o termo, de transformar, em curto prazo, 
a capacidade de retenção em eficaz motor expulsivo. 
 
Figura 5.15 O útero nas diversas fases da vida. A. Feto a 
termo: o colo é maior do que o corpo. B. Recém-nascido e 
infância; carente de estímulos hormonais, o útero regride de 
modo mais acentuado no corpo. C. Puberdade: a atividade 
ovariana provoca o desenvolvimento do órgão. D. Menacma: 
útero não gravídico de nuligesta. E. Menacma: útero não 
gravídico, de multigesta. F. Senilidade: há involução de todo 
o órgão, especialmente do corpo. G. Na gestante. 
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Métodos contraceptivos 
Existem diversos métodos contraceptivos disponíveis para 
evitar uma gravidez indesejada e até mesmo infecções 
sexualmente transmissíveis (IST). 
Os mais modernos e populares são a pílula e a camisinha, 
porém há outras opções. Eles são classificados por: métodos 
de barreira e métodos hormonais. 
➢ Métodos de barreira 
Os métodos de barreira são removíveis, que evitam a 
entrada do esperma no útero. Esses contraceptivos são 
indicados às mulheres que não podem tomar algum tipo de 
hormônio ou que desejam proteção de ISTs. São eles: 
❖ Métodos de barreira que previnem ISTs 
✓ Preservativo masculino: popularmente conhecido como 
camisinha, é um contraceptivo utilizado no pênis, para 
recolher o esperma, impedindo-o de entrar no corpo da 
mulher. A camisinha é descartável e o material do 
preservativo é composto por látex ou poliuretano. Além 
de prevenir uma gravidez indesejada, previne também 
contra doenças sexualmente transmissíveis (DST). 
✓ Preservativo feminino: conhecido também como 
“camisinha feminina” é um contraceptivo inserido na 
vagina antes da penetração do pênis, para impedir a 
entrada do esperma no útero. O preservativo é pré-
lubrificado com silicone, porém, outros lubrificantes, à 
base de água ou óleo, podem ser usados, para melhorar 
o desconforto e o ruído que o preservativo feminino pode 
causar. Esse método contraceptivo também reduz o risco 
de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST). 
❖ Outros métodos de barreira 
✓ Diafragma: é um contraceptivo composto por uma 
membrana de silicone, em forma de cúpula, envolvido por 
um anel flexível. Existem diafragmas de vários tamanhos, 
podendo variar entre 50 mm a 105 mm. O diafragma é 
inserido na vagina antes da relação sexual, impedindo a 
entrada do esperma no útero. É recomendável que o 
diafragma seja utilizado junto a um creme ou geleia 
espermicida, para oferecer maior lubrificação e também 
para aumentar a eficácia contraceptiva. O diafragma deve 
permanecer no lugar durante seis a oito horas depois do 
coito para poder evitar a gravidez, mas deve ser removido 
dentro de 24 horas. 
✓ Espermicidas: são substâncias químicas em forma de 
geleia, creme, comprimido, tablete ou espumas, que 
devem ser colocadas na vagina 15 minutos antes da 
relação sexual. Os espermicidas servem como barreira 
para impedir o contato dos espermatozoides com o útero. 
Usados isoladamente, os espermicidas não oferecem 
grande eficácia, mas associados a outros métodos de 
barreira, como o diafragma, são úteis e oferecem mais 
proteção. Em algumas mulheres, a substância pode 
provocar reações alérgicas. 
✓ Dispositivo Intrauterino (DIU): é um método 
anticoncepcional constituído por um aparelho pequeno e 
flexível que é inserido dentro do útero. Ele só pode ser 
utilizado em pacientes saudáveis e que apresentem 
exames ginecológicos normais; ausência de vaginites, 
tumores pélvicos, doença inflamatória pélvica (DIP), etc. 
Existem vários modelos de DIU, hormonais e não 
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hormonais, e é um contraceptivo que deve ser colocado 
por um profissional da saúde. 
➢ Métodos hormonais 
Os métodos hormonais servem para controlar ou 
interromper a ovulação, evitando a gravidez, mas não 
previnem contra doenças sexualmente transmissíveis (DST). 
✓ Pílula contraceptiva oral combinada: ou simplesmente 
pílula, como é conhecida popularmente, é um método 
contraceptivo composto por diferentes tipos de 
hormônios, que servem para inibir a ovulação e evitar a 
gravidez. O uso de pílulas anticoncepcionais não é 
recomendado para mulheres fumantes, ou com pressão 
arterial elevada, histórico de câncer de mama, fígado, ou 
câncer endometrial. O melhor tipo de pílula para cada 
paciente deve ser indicado por um ginecologista. 
✓ Contraceptivo hormonal injetável: esse método 
contraceptivo é feito com uma injeção de hormômios, 
que é administrada uma vez por mês ou a cada três 
meses, dependendo do tipo de contraceptivo injetável. 
Esse método é muito eficaz para evitar gravidez. 
✓ Anel vaginal: é um anel fino e flexível e deve ser colocado 
na vagina, durante três semanas. Na quarta semana, o 
anel vaginal deve ser removido e, assim, reinserir um 
novo anel depois de sete dias de pausa. O diâmetro 
externo é de 54 mm e a espessura é de 4 mm. O anel 
vaginal contém hormônios como estrogênio e 
progesterona, que são absorvidos para a circulação e 
levam à inibição da ovulação. Sua indicação e uso devem 
ser feitos com o acompanhamento de um ginecologista. 
Esse método contraceptivo não pode ser utilizado por 
mulheres que apresentem histórico de coágulos de 
sangue, derrame ou ataque cardíaco, ou algum tipo de 
câncer. 
✓ Adesivos cutâneos com hormônios: são pequenos selos 
que contêm estrogênio e progesterona. Esses dois 
hormônios são absorvidos pela pele e vão diretamente 
para a circulação sistêmica. Os adesivos devem ser usados 
por 21 dias, seguido de pausa de sete dias. Os benefícios, 
eficácia e contraindicações são as mesmas para os anéis 
vaginais e as pílulas.✓ Implante contraceptivo: é um pequeno bastão 
implantado pelo médico sob a pele, na parte inferior do 
braço. O procedimento é rápido, feito com anestesia 
local. Dentro do corpo, o dispositivo libera progesterona. 
É eficaz por até três anos, mas pode ser removido antes. 
 
Diagnóstico da gravidez 
❖ Teste para beta-hCG na urina 
✓ Normalmente, faz-se teste de urina e, ocasionalmente, 
exames de sangue para confirmar ou excluir a gestação, 
geralmente poucos dias antes do período menstrual 
atrasado ou logo alguns dias depois da fecundação; 
ambos são precisos. 
✓ Os níveis de beta-hCG, que estão correlacionados à 
idade gestacional em gestações normais, podem ser 
utilizados para determinar se o feto está crescendo de 
modo normal. A melhor abordagem é comparar 2 
valores séricos de beta-hCG, obtidos com 48 a 72 horas 
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de intervalo e medidos pelo mesmo laboratório. Em uma 
gestação normal habitual, os níveis de beta-hCG dobram 
aproximadamente a cada 1,4 a 2,1 dias durante os 
primeiros 60 dias (7,5 semanas e meia) e então 
começam a decair entre a 10ª e a 18ª semana. A 
duplicação regular dos níveis de beta-hCG durante o 1º 
trimestre sugere fortemente crescimento embrionário 
normal. 
❖ Outros sinais aceitos de gestação incluem: 
✓ Presença de saco gestacional no útero, visto por 
ultrassonografia, geralmente realizada entre a 4ª e a 5ª 
semana e correspondendo a níveis séricos de beta-hCG 
em torno de 1.500 mUI/mL (o conteúdo do saco 
gestacional pode ser visualizado por volta da 5ª semana); 
✓ Batimentos cardíacos fetais, visualizados por 
ultrassonografia em tempo real já na 5ª à 6ª semana; 
✓ Sons do coração fetal, ouvidos por ultrassonografia 
Doppler já na 8ª e a 10ª semana, se o útero estiver 
acessível pelo abdome; 
✓ Movimentos fetais, que podem ser sentidos pelo exame 
físico depois da 20ª semana. 
Impactos da Gravidez na Adolescência 
✓ A gravidez na adolescência tem sido objeto de debate, de 
investigação e de políticas públicas no Brasil em razão de 
seus altos índices. De acordo com relatório publicado em 
2018 pela Organização Pan-Americana da 
✓ Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), 
Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e 
Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a taxa 
mundial de gravidez adolescente é estimada em 46 
✓ nascimentos para cada mil adolescentes e jovens 
mulheres entre 15 e 19 anos. Na América Latina e no 
Caribe, a taxa é estimada em 65,5 nascimentos. No Brasil, 
um em cada cinco bebês nasce de uma mãe com idade 
entre 10 e 19 anos, o número chega a 65 nascidos, 
superando a da região. Ainda, no País, a proporção de 
nascidos de mães entre 10 e 19 anos é de 18%. 
✓ A mulher grávida precocemente pode apresentar sérios 
problemas durante a gestação, inclusive risco de morte. 
Entre os fatores biológicos que merecem destaque, 
podemos citar os riscos de prematuridade do bebê e 
baixo peso, morte pré-natal, anemia, aborto natural, pré-
eclâmpsia e eclâmpsia, risco de ruptura do colo do útero 
e depressão pós-parto. 
Outras possíveis complicações são: 
▪ Anemia ferropriva materna; 
▪ Toxemia (eclampsia e pré-eclâmpsia); 
▪ Infecção urinária; 
▪ Baixo ganho de peso materno; 
▪ Prematuridade do bebê; 
Sobre os riscos da Gravidez Precoce 
✓ Agestação na adolescência é classificada como de risco, 
pois representa uma situação de risco biológico (tanto 
para as mães como para os recém-nascidos), e existem 
evidências de que este fenômeno ainda repercute 
negativamente nos índices de evasão escolar (tanto 
anterior como posterior à gestação), impactando no nível 
de escolaridade da mãe, diminuindo suas oportunidades 
futuras; 
✓ Segundo dados do Ministério da Saúde, 66% das 
gestações entre adolescentes são indesejáveis, indicando 
que as condições para que isso aconteça são: falta de 
informação, falta de apoio das redes familiares e 
comunitárias, etc. Independentemente de ser planejada 
ou não, a gravidez precoce aumentará o risco de morte 
materna e infantil, bem como o risco de parto prematuro, 
anemia, aborto espontâneo, eclâmpsia e depressão pós-
parto. A falta de conhecimento, a impossibilidade de 
obter métodos anticoncepcionais e informações 
suficientes para o planejamento reprodutivo, afeta 
diretamente um grande número de gestações na 
adolescência. 
✓ De acordo com dados da edição 2015 da Pesquisa 
Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 72,1% das 
entrevistadas que tiveram pelo menos uma relação sexual 
afirmaram ter usado algum método para prevenir a 
gravidez ou infecções sexualmente transmissíveis. No 
entanto, o alto índice de gravidez mostra que o acesso à 
informação e a conscientização dos adolescentes sobre as 
responsabilidades e riscos da gravidez precoce ainda são 
desafios a serem superados. 
✓ A efetivação dos direitos das meninas, adolescentes e 
mulheres jovens como mães deve levar em consideração 
a importância do conhecimento e do acesso aos diversos 
serviços e cuidados, como o pré-natal e o parto 
humanizado. Tais direitos envolvem também a 
necessidade de garantir que as mães, meninas, 
adolescentes e jovens frequentem a escola e participem 
de atividades sociais, oportunidades e espaços que 
fortaleçam e promovam a convivência familiar e 
comunitária. 
 
Referencias: 
MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende 
Obstetrícia Fundamental, 14ª edição. [Digite o Local da 
Editora]: Grupo GEN, 2017. 9788527732802. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527
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