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Estudo sobre os con�itos Aula 9 - Os Con�itos No Processo de Mediação INTRODUÇÃO O con�ito é uma construção, explicando melhor, qualquer situação vivida como con�itiva será considerada como tal. Uma mesma situação pode ser con�itiva para alguns e para outros não ser nem percebida. Podem acontecer internamente, no sujeito, sendo chamados de intrapsíquicos, ou na interação de duas ou mais pessoas, ou seja, interpessoais. Os con�itos tratados na mediação são os interpessoais. É importante, no trabalho do mediador, expor sobre quais aspectos dos con�itos opera a mediação, porque sabemos que um con�ito pode afetar diferentes áreas da vida do sujeito, como afetiva, moral, religiosa, econômica e assim por diante. É fundamental imaginar esses elementos como uma rede, uma cadeia associativa que forma a própria identidade do sujeito. Independente do entendimento adotado há uma transformação da percepção do con�ito, que é estabelecida a partir do diálogo e do reconhecimento das posições, dos interesses e valores das partes, construindo o consenso na mediação. OBJETIVOS Compreender o signi�cado e o objetivo da mediação; Identi�car algumas características da solução dos con�itos na mediação; Analisar os fatores importantes no gerenciamento dos con�itos. Mediação de con�itos As pessoas, envolvidas no con�ito, são responsáveis pela decisão que melhor as satisfaça. Você deve estar percebendo que a mediação é um mecanismo utilizado por quem, a partir do diálogo, encontra uma alternativa e�caz e satisfatória para a resolução do problema. O mediador é aquele que auxilia na construção desse diálogo. O OBJETIVO DA MEDIAÇÃO: DIMINUIR AS DISPUTAS OU RESOLVER CONFLITOS? As palavras disputa e con�ito, segundo Parkinson (2005), são empregadas comumente como sinônimos, mas, na realidade, é errado pensar desta forma. Disputa (glossário) X Con�ito (glossário) (Clique nas palavras acima.) Atenção , A mediação pretende ajudar as partes a acharem soluções consensuais e diminuir as disputas. Talvez, segundo Parkinson (2005), também sirva para resolver con�itos. No entanto, comenta a autora, é pouco realista acreditar que um processo breve resolva os ressentimentos e as dores profundas de uma relação. Isso pode nunca acontecer. A mediação não oferece um aconselhamento ou uma psicoterapia. O processo de trabalho em conjunto da mediação permite que as pessoas se escutem, muitas vezes, pela primeira vez. Algumas pessoas ao ouvir e a entender a si e ao outro, mudam suas percepções e atitudes. Pode-se chegar a um acordo sem que as atitudes mudem e sem que se resolva o ressentimento. Por outro lado, algumas pessoas parecem experimentar uma espécie de catarse, em que passam de uma posição de recriminação para uma relação diferente baseada em cooperação e con�ança. Saiba mais , Para Sales (2010), o objetivo mais evidente da mediação é a solução de con�itos, através da facilitação do diálogo e da ressigni�cação de interesses e valores. O diálogo participativo deve ser construído tendo em vista o ganho mútuo, a visão positiva do con�ito, a cooperação entre as partes e a participação do mediador como facilitador dessa comunicação. Para a autora, outro objetivo da mediação é a prevenção. Como a mediação estimula uma cultura de paz, muitos indivíduos, que passaram por esse procedimento, passam a vivenciar um novo modo de integração e solução de con�itos, melhorando e aprimorando suas relações. Para que você tenha uma visão mais abrangente das formas de lidar com os con�itos, observe o esquema: Fonte: A gestão educacional (Google) (glossário). Acesso em 03 março de 2017. A mediação objetiva não apenas a assimilação de novos comportamentos, ou seja, novas respostas às questões divergentes, mas também a �exibilização de valores das partes envolvidas e suas autonomias, possibilitando uma maior negociação das demandas e um diálogo mais produtivo. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA SOLUÇÃO DO CONFLITO ATRAVÉS DA MEDIAÇÃO Vamos agora reconhecer algumas características da solução de con�itos a partir da mediação, fundamentando essas características nos estudos realizados pelas Escolas mais tradicionais da mediação de con�itos (Harvard, Transformativa e Circular-Narrativa), já estudadas por você em outras disciplinas de nosso curso. O CONFLITO COMO INERENTE ÀS RELAÇÕES HUMANAS Para a mediação, o con�ito é inerente às relações humanas. Não se deve compreender o con�ito como algo negativo. As diferenças entre as pessoas devem ser consideradas como aliadas na construção de um vínculo entre as pessoas mais fortes. As diferenças são valorizadas, respeitadas e incluídas na construção de um consenso entre as partes. DA COMPETIÇÃO À COLABORAÇÃO Na mediação, quando todos os envolvidos no con�ito são chamados para participar e decidir em conjunto estimulados a avaliar os seus reais interesses e valores, conseguimos um diálogo cooperativo. A percepção da importância da colaboração facilita o diálogo. O mediador deve preparar as pessoas para que possam perceber, cada um, a situação pelo lado do outro — colocar-se no lugar do outro. CONFLITOS APARENTES E CONFLITOS REAIS https://sites.google.com/site/agestaoeducacional/artigo/conflitos Os con�itos aparentes são aqueles falados, mas não re�etem o verdadeiro sentimento que causa mal-estar na pessoa. Se não houver um aprofundamento da discussão, explorar o problema e aprofundar suas causas, para se chegar ao con�ito real, muitas vezes, construímos uma solução super�cial para a situação e o con�ito corre o risco de ser agravado. DO PERDE-GANHA PARA O GANHA-GANHA Na mediação, a proposta é ganha-ganha. O importante é trabalhar para que aconteça o sentimento de satisfação mútua. Para isso, é necessário avaliar os interesses e valores de cada parte envolvida na mediação, para que possam ser encontrados pontos de convergência nas divergências relatadas. É fundamental a concentração nos interesses das partes para que possa, a partir daí, ser elaborado um diálogo participativo para a construção de soluções e�cazes e satisfatórias para todos. DO INDIVIDUAL PARA O COLETIVO A mediação possibilita a retirada do foco de si mesmo para a visão do todo. O deslocamento do individual para o coletivo facilita a compreensão da responsabilidade de cada pessoa na solução do problema. A pessoa deve ser trabalhada, na mediação, para perceber a relação entre os seus atos individuais e o resultado destes na relação como um todo. Muitas vezes, as pessoas agem sem perceber o impacto de sua atitude em um relacionamento. A transformação dos con�itos na mediação promove a inclusão das pessoas na situação, estimulando a cooperação e o entendimento em relação à responsabilidade de um e de todos naquela decisão. GERENCIAMENTO DE CONFLITOS NA MEDIAÇÃO É essencial gerenciar as diferenças que levam ao con�ito. Para que isso possa ocorrer é fundamental compreender a origem do con�ito e agir de forma organizada e coordenada. Gerenciar o con�ito é a forma como o mediador facilita o diálogo entre as pessoas que vivenciam uma questão e a sua ajuda na construção de um novo olhar para o con�ito. Saiba mais , Segundo Littlejohn e Dominici (1999), o con�ito existe quando as pessoas vivenciam suas diferenças como um problema que demanda esforços para ser gerenciado. Ao mesmo tempo, temos de pensar que se o con�ito não existisse ou as pessoas não tivessem que gerenciar suas diferenças, a criatividade das pessoas estaria limitada, não havendo capacidade para superar situações difíceis. Além disso, o interesse das pessoas em relação a novas experiências da vida seria perdido e os indivíduos aprenderiam muito pouco sobre os outros. A construção e o gerenciamento das diferenças entre as pessoas, segundo Littlejohn e Dominici (1999), estabelecem- se através da comunicação. As pessoas aprendem novas expressões e signi�cados umas com as outras, observando diferentes respostas às suas ações. Se há coerência das pessoas no sentir, pensar e fazer, elas se veem compreendidas e respondem de maneira positiva. No entanto, a falta de coerência desa�aráo conhecimento, os sentimentos e as atitudes das pessoas, podendo levar a con�itos. O mediador, segundo Grosman (2011), auxilia a tornar cada mediado mais inteligível para o outro, traduzindo, clari�cando e reformulando as suas declarações. O mediador facilita o diálogo entre os mediados de forma a levá-los a uma solução que promova ganhos para todos. Com sua técnica, o mediador promoverá um movimento interno em que a comunicação entre elas levará a uma nova posição do con�ito, acarretando: Mas, o que falar, como falar, como entender o que estão fazendo e como responder um ao outro, nas situações em que as diferenças se tornam um problema? O que voçê buscaria, como mediador? Você, a partir do trabalho de construção de novos padrões de comunicação, pode ajudar as partes a explorarem as questões difíceis, levando-as a terem uma nova visão sobre elas, chegando a uma solução. Segundo Littlejohn e Domenici (1999), três questões são importantes no gerenciamento e�caz do con�ito: 1. SER REFLEXIVO É olhar de forma crítica para as observações que as pessoas fazem umas das outras. Quando as partes agem de forma re�exiva sobre o assunto que gerou o con�ito, os signi�cados podem ser �exíveis. Ser re�exivo, para estes autores, é estar consciente e inserido no processo de construção social. A re�exão envolve a busca por novas visões sobre as diferenças e ações. Na verdade, é pensar em como as coisas poderiam ser diferentes se novas regras, valores, crenças e procedimentos fossem utilizados. Se em uma mediação empresarial, uma das partes comenta: “Muitas vezes, eu sinto que esta empresa está me sufocando...” O QUÊ VOCÊ, COMO MEDIADOR E COM O OBJETIVO DE GERAR REFLEXÃO, PERGUNTARIA? Se pensou em questionar algo como: “Você pode explicar o que quer dizer com sufocado? Em que ocasiões, você se sente sufocado? O que seria necessário para você mudar essa sensação?”, está entendendo a nossa proposta. 2. TRABALHAR PARA A MANUTENÇÃO DA RELAÇÃO Em alguns casos de mediação, os indivíduos valorizam a relação e querem mantê-la. Sendo assim, devem unir esforços para gerenciar as diferenças. Esse esforço para manter a relação deve ser positivo e deliberado. Sabemos que as relações satisfatórias são alimentadas pelo afeto, sendo assim, é muito importante ser receptivo e dividir informações. Além disso, ocasionalmente, pode ser que a relação necessite de uma manutenção que deverá ser realizada através de conversas sobre problemas para que estes não se transformem em uma ameaça para ambos. 3. NEGOCIAÇÃO DE PADRÕES DE COMUNICAÇÃO FUNCIONAIS Na mediação, muitas vezes, encontramos padrões de comunicação entre as partes que são negativos e prejudiciais. Observando o cotidiano da empresa em que você trabalha, você percebe certa rispidez no tom de um colaborador subordinado com outras pessoas. EM UMA SITUAÇÃO DESSA, QUAL O QUESTIONAMENTO QUE VOCÊ FARIA A ESTE COLABORADOR? Se pensou em questionar algo como: “É dessa forma que você quer se comunicar? / Esta forma de você se comunicar está funcionando? / Existe outra forma que você possa se comunicar?”, chegou aonde nós queríamos. Atenção , Os con�itos ao serem trabalhados, na mediação, podem ser remodelados para um novo formato ou até mesmo abandonados. O compromisso e a colaboração, criados entre as pessoas, tornam-se poderosas estratégias e ferramentas para o convívio, o trabalho e a comunicação conjunta. Como vimos, para que um con�ito se con�gure de tal forma que seja pertinente à mediação, são necessárias determinadas condições do mediador e dos participantes. Finalizando, o mediador reformula a disputa em termos dos interesses que estão em jogo, de�ne o con�ito, segundo os interesses, de forma que eles sejam aceitáveis pelas partes, podendo ser reconhecidos em suas singularidades e que estejam de acordo com a demanda apresentada pelas mesmas. QUESTÃO Leia com atenção: “Processo ou estado em que duas ou mais pessoas divergem em razão de metas, interesses ou objetivos individuais percebidos como mutuamente incompatíveis”. Esse conceito refere-se a: a) Processo destrutivo b) Con�ito c) Mecanismo de fuga e luta d) Disputa e) Espiral de con�ito Justi�cativa Glossário DISPUTA As disputas são abertas e públicas e para solucioná-las as pessoas podem aceitar condições que impliquem concessões ou compromissos. Mesmo que alcancem um acordo, suas atitudes recíprocas podem ser hostis e sem comunicação entre eles. CONFLITO O con�ito, por outro lado, pode ser aberto ou oculto e sua gestão não necessariamente persegue o acordo. CATARSE Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à puri�cação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um trauma.