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Resumo de Cirurgias da Orelha e do Ouvido

Guia sobre otites em animais: define otite externa, média e interna; apresenta sinais clínicos, exames (otoscopia, radiografia/TC, cultura), orientações de tratamento e descrições das ressecções do canal vertical e do canal vertical e horizontal.

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♥ Otite Externa: inflamação do canal auditivo vertical
ou horizontal ou ambos.
♥ Otite Média: inflamação da cavidade e da membrana
timpânica.
♥ Otite Interna: inflamação do ouvido interno que
normalmente causa a doença vestibular em cães. É
quase sempre causada por extensão da infecção no osso
petroso na otite média.
♥ Determinar a extensão e a gravidade da doença de
acordo com o espessamento e calcificação do canal
auditivo, que indicam doença inflamatória irreversível.
♥ Observar sinais de dor à palpação e ocorrência de
inclinação de cabeça.
♥ Abscessos periorbital e retrobulbares podem estar
associados à otite crônica externa, média e interna.
♥ Otoscopia deve determinar se a membrana
timpânica está intacta.
♥ Radiografia de crânio ou TC para determinar doença
do ouvido médio é concomitante ou se existe neoplasia.
♥ Após a imagiologia, não pode limpar o ouvido com
clorexidina em uma solução mais forte que 0,2%, de
iodo ou iodo iodóforos etanol, cloreto de benzalcónio, ou
algum aminoglicosideo se a membrana timpânica
estiver rompida.
♥ Oral: pré-operatório.
♥ Sistêmica ou Tópico: infecções graves e otite externa
(melhor tratada se for tópico, porque a concentração
dela é muito maior do que só o medicamento sistêmico).
♥ A cultura otológica é imprescindível, pois o meio do
ouvido é propício para proliferação bacteriana.
♥ Ouvido Interno: labirinto ósseo e membranoso
responsável pela audição e equilíbrio (hemolinfa).
♥ Ouvido Médio: formado pela cavidade timpânica e
conecta-se à faringe através da tuba.
♥ Ouvido Externo: formado pelo meato auditivo e um
canal curto. Se divide em duas regiões: canal horizontal
e vertical. O pavilhão é composto pela cartilagem
auricular, assim como o tragus, cruz lateral da hélice,
incisura pré-trágica e incisura intertrágica.
♥ Técnica realizada para aumentar a drenagem e
melhorar a ventilação do canal auditivo e facilitar a
colocação de agentes tópicos dentro do canal horizontal.
♥ Indicações: hiperplasia do epitélio do canal auditivo e
pequenas lesões neoplásicas lateral do canal vertical.
♥ Contraindicação: obstrução ou estenose do canal
auditivo horizontal, otite média concorrente, hiperplasia
epitelial grave e doença subjacente (ex: hipotireoidismo).
técnica cirúrgica
♥ Faz uma marcação na pele no comprimento do
canal auditivo vertical abaixo do canal auditivo
horizontal, faz uma incisão nessa marcação e rebate a
pele desde o tragus ventral até o local marcado.
♥ Em seguida, levanta a pele dorsal para expor a
parede cartilaginosa lateral do canal auditivo vertical.
A pele dorsal pode ser descartada.
♥ Faz incisão com a tesoura de Mayo sobre o canal
vertical, separando a aba da cartilagem distalmente
para inspecionar a abertura do canal horizontal.
♥ Depois, rebate a parede do canal (corta as duas
laterais), resseque a metade distal da aba da
cartilagem para fazer o escorredor e corta ele na
altura do corte de pele.
♥ Por último, faz a sutura em “X” da pele com a
cartilagem, começando pela abertura do canal
horizontal, em seguida, o escorredor.
♥ É a retirada do canal vertical do ouvido para ter
menor exsudação e menor dor pós-operatória.
♥ Indicações: quando o canal vertical todo está doente,
mas o canal horizontal está normal, casos de neoplasia
confinada ao canal vertical e otite externa crônica.
♥ Proporciona uma melhor aparência estética do ouvido
do que a ressecção do canal auditivo lateral.
técnica cirúrgica
♥ Faz uma incisão na pele em formato de T abaixo da
borda do tragus e desce paralelo pelo canal horizontal.
Deve-se ter cuidado para não encostar no nervo facial
que fica na curva do canal vertical com o horizontal,
para evitar que ocorra paralisia.
♥ Faz uma incisão do ponto médio da incisão
horizontal até o local do canal horizontal e recolhe as
abas da pele para expor a face lateral do canal
vertical.
♥ Depois, vai soltando o conduto auditivo do tecido
conjuntivo. Com o bisturi, continua a incisão horizontal
através da cartilagem ao redor do meato acústico
externo e, com tesouras Mayo curvadas, disseca em
torno das faces proximais e mediais do canal vertical,
para liberar o canal vertical inteiro.
♥ Depois, corta o canal ventralmente 1 a 2 cm dorsais
ao canal horizontal e envia ele para exame histológico.
♥ No restante do canal vertical faz uma incisão
cranial e caudal, para criar abas dorsal e ventral. A aba
ventral puxa para baixo e sutura com a pele e faz o
mesmo com a aba dorsal para cima, fechando o tecido
subcutâneo. Por último, fecha a pele em formato de T.
♥ É a retirada do canal vertical e horizontal do ouvido
realizado em animais nos quais ressecções do ouvido
lateral falharam.
♥ Indicações: otite externa crônica recorrente, intensa
calcificação e ossificação da cartilagem auricular, ou
hiperplasia epitelial grave se estendendo para além do
pavilhão auricular ou do canal auditivo vertical.
♥ Contraindicação: doença passageira ou por cirurgiões
não familiarizados com a anatomia do ouvido.
técnica cirúrgica
♥ Faz uma incisão na pele em formato de T abaixo da
borda do tragus e desce paralelo pelo canal horizontal
até chegar no meato acústico externo.
♥ Faz uma incisão do ponto médio da incisão
horizontal até depois do local do canal horizontal e
recolhe as abas da pele para expor a face lateral do
canal vertical.
♥ Depois, vai soltando o conduto auditivo do tecido
conjuntivo. Com o bisturi, continua a incisão horizontal
em torno da abertura do canal auditivo vertical e, com
tesouras Mayo curvadas, disseca em torno das faces
proximais e mediais do canal vertical até o meato
acústico externo.
♥ Faz o bloqueio do meato acústico com uma pinça
para observar o tímpano. Caso ele não esteja íntegro, é
passado uma rugina ou uma cureta para fazer uma
raspagem na mucosa e remover o tecido secretor.
♥ Se necessário, coloca um dreno de Penrose e fecha o
tecido subcutâneo e a pele.
♥ Expõe a cavidade timpânica de forma que o epitélio
secretor e o exsudado possam ser removidos, o que
melhora a drenagem. Isso deve ser realizado em
conjunto com ablação total.
técnica cirúrgica
♥ Disseca grosseiramente o tecido a partir da face
lateral da bula usando um pequeno elevador periosteal.
Deve-se evitar danificar a artéria carótida externa e a
veia maxilar, que percorrem ventralmente a bula.
♥ Depois, secciona as paredes laterais e ventral da
bula até expor o canal caudal do ouvido médio e
visualizar completamente a cavidade timpânica.
♥ Insere uma cureta na bula timpânica e raspa até
retirar todo tecido que recobre dentro da bula. Feito
isso, lava a bula timpânica para remover o material
contaminado, evitando a curetagem na área rostral da
cavidade timpânica para não danificar os ossículos.
♥ Por último, fecha a pele e, se necessário, coloca um
dreno para escorrer a secreção.
técnica cirúrgica
♥ Desenhe uma linha imaginária que liga os ramos da
mandíbula e uma segunda linha imaginária ao longo do
eixo do aspecto ventral da cabeça.
♥ Faça uma incisão paralela de 7 a 10cm com a linha
média do pescoço e centrada 2cm em direção ao lado
afetado, de onde essas linhas imaginárias se cruzam.
♥ Incise o músculo platisma, retraia a veia
linguofacial se necessário, a incisão e aprofunde
abruptamente dissecando o músculo digástrico dos
músculos hioglosso e estiloglosso.
♥ Evite danificar o nervo hipoglosso, localizado
lateralmente ao músculo do hipoglosso.
♥ Confirme a localização da bula, utilize afastadores
de autorretenção para espalhar os músculos digástrico
e glossal e retraí-los da bula.
♥ Analgesia (7 a 10 dias).
♥ Curativos com bandagem levemente compressivo.
♥ Utilizar colar elizabetano.
♥ Compressa fria pode diminuir inchaço excessivo.
♥ Antibioticoterapia precisa 3 sem (cultura obrigatória).
♥ Drenos de Penrose removidos de 3-7 dias.
♥ Suturas removidas de 10 a 14 dias.
♥ Drenagem inadequada quando uma abertura do
canal horizontal for insuficiente.
♥ Otite externa continuada quando tem doença de
pele subjacente ou otite externa tratada
incorretamente.
♥ Paralisia do nervo facial (rara) quando tem umdano
permanente pode ocorrer se o nervo é seccionado ou é
muito esticado.
♥ Síndrome de Horner transitória (um olho se
comporta diferente do outro) em gatos.
♥ Necrose marginal (ponta) do pavilhão auricular.
♥ Coleção de sangue dentro da placa de cartilagem do
ouvido caracterizada como inchaços cheios de fluido
flutuantes na superfície côncava do pavilhão auricular.
♥ Causado por uma agitação da cabeça ou arranhões
no ouvido provocados por dor ou irritação associada à
otite externa.
♥ Diagnóstico Diferencial: doença subjacente do ouvido.
técnica cirúrgica
♥ Realizar uma incisão dupla em “S” na superfície
côncava interna da orelha e retira esse tecido para
chegar na cartilagem e expor o hematoma e seu
conteúdo de uma extremidade à outra. Depois, irriga a
cavidade com soro para remover os coágulos de fibrina.
♥ Feito isso, faz a sutura de ±1cm de comprimento
através da pele na superfície côncava do ouvido e da
cartilagem subjacente. Elas devem ficar paralelas aos
grandes vasos (verticais) e em grande quantidade
para não deixar nenhum bolsão em que o líquido possa
se acumular.
♥ Não deve ligar as ramificações da grande artéria
auricular visível na superfície convexa do ouvido e não
sutura a incisão fechada, deixa uma pequena abertura
para permitir a drenagem contínua.
♥ Curativo: coloca uma proteção de luz sobre o ouvido e
apoia a orelha sobre a cabeça do animal com uma fita.
Remove o curativo e a sutura entre 10 a 14 dias.
♥ Carcinoma de Células Escamosas: mais comum do
pavilhão auricular em gatos, está associado à falta de
pigmentação e exposição ao sol. Embora seja altamente
invasivo, a metástase é incomum, porém, pode ocorrer
nos gânglios linfáticos regionais e pulmões.
técnica cirúrgica (pinectomia)
♥ Remover a parte afetada da orelha (ponta) e
suturar a pele restante junto com a cartilagem.
♥ A recidiva local do carcinoma espinocelular é comum
se margens largas não são obtidas no momento da
cirurgia.
♥ O prognóstico é ruim em carcinoma de células
escamosas do ouvido médio e interno.
♥ A amputação do pavilhão auricular para carcinoma de
células escamosas da margem da orelha pode ser
curativa.