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TecnoUnidade 3 - Tecnologia de produtos de origem animal OBJETIVOS DA UNIDADE Compreender os procedimentos necessários para a obtenção do leite de qualidade, assim como para sua conservação e processamento; Conhecer as técnicas de produção e conservação de derivados do leite, como queijos, iogurtes e manteiga; Compreender os procedimentos de produção, processamento, conservação e estocagem de carnes e ovos. TÓPICOS DE ESTUDO Leite // Qualidade // Conservação e processamento // Pasteurização // Beneficiamento // Evaporação Derivados do leite // Queijos // Iogurtes // Manteiga Carnes e ovos // Carnes vermelhas // Carnes brancas // Ovos Leite O leite é um produto secretado por glândulas mamárias de fêmeas, com a finalidade de alimentar o filhote nos primeiros dias de sua vida. Todas as fêmeas mamíferas secretam leite, mas o leite de vaca é o mais consumido pela humanidade há muitos anos. Trata-se de um líquido açucarado, com a presença de proteínas, minerais, vitaminas e gorduras. A composição do leite varia de acordo com o animal, com a fase de lactação da fêmea e com as necessidades do lactente (filhote que mama). O leite para o consumo humano também pode ser obtido de diferentes animais, como as vacas, as ovelhas, as cabras e as búfalas. A composição nutricional desses leites costuma variar também, pois cada filhote tem a sua necessidade. O leite de vaca, por exemplo, possui menos proteínas que o de cabra. No entanto, o leite de cabra possui menos lactose que o de vaca. Após ser retirado do animal, o leite passa por processos para garantir a sua qualidade integral, podendo, assim, ser comercializado e consumido pelos seres humanos. Ao ter o filhote, até cerca de 8 dias, a fêmea produz o colostro (Tabela 1), um leite mais denso e rico em anticorpos e nutrientes. No entanto, esse leite produzido pelas vacas não é consumido pelos seres humanos devido ao gosto forte e à coloração amarelada, bem como por ser essencial aos filhotes, pela alta taxa de anticorpos presentes e pela composição nutricional diferenciada. Outras situações em que há variação da composição nutricional do leite de vaca são a idade do animal, a raça, o estágio de lactação, a alimentação, o estado sanitário da glândula mamária e o intervalo entre cada ordenha. QUALIDADE Um leite de qualidade deve ter baixa quantidade de microrganismos, ou seja, deve ser retirado de forma adequada e seguir os procedimentos de conservação. Com uma carga microbiana baixa, o leite está menos sujeito a deterioração durante todo o processo que percorrerá até chegar ao consumidor final. Para manter a qualidade higiênico-sanitária do leite de vaca, é necessário executar procedimentos adequados de limpeza das vacas e de todos os equipamentos de ordenha. O local da ordenha deve ser bem arejado, com acomodações adequadas ao serviço, que permita a higienização completa e respeite o limite físico de lotação de 3 m² por vaca. As salas de ordenha devem dispor de piso cimentado e água em abundância (VIDAL; NETTO, 2018, p. 3). Os profissionais que participam do processo de ordenha devem seguir procedimentos de higiene pessoal criteriosos, além de executar um adequado manejo de ordenha. Assim, Um adequado manejo de ordenha envolve, obrigatoriamente, três fatores que devem participar do processo de forma harmônica: o ordenhador, o ambiente em que os animais permanecem antes, durante e após a ordenha e a rotina de ordenha. Geralmente, é nesse momento em que o leite é contaminado. Portanto, o ordenhador deve tomar muito cuidado, pois a maior parte da contaminação é de origem externa. (VIDAL; NETTO, 2018, p. 4) Para mensurar a qualidade higiênico-sanitária do leite retirado, é possível fazer a contagem bacteriana total do leite cru dentro dos tanques. É também de grande importância, à qualidade do leite, avaliar o estado de saúde das vacas. Para que se obtenha um leite de qualidade ao consumo humano, as fêmeas devem estar em bom estado de saúde e mantendo uma alimentação adequada. Além disso, o estado da mama da fêmea deve ser saudável, sem lesões e inflamações. A mastite, inflamação em glândulas mamárias, pode alterar a composição e prejudicar a qualidade do leite de vaca. A contagem de células somáticas (CMT) em tanques é uma forma de avaliar se o leite retirado está em qualidade inferior, devido à ocorrência de mastite nas fêmeas. O CMT (Quadro 1) é o teste mais utilizado, por ser simples e eficiente, sendo recomendado realiza-lo uma vez por mês. A ocorrência de mastite no rebanho de vacas tem sido causa de grande perda na produção de leite e derivados como o queijo, por exemplo. Um leite de qualidade deve ser retirado de vacas sadias, que não passem por trabalho duro e estresse, que vivam em clima ideal, sem calor excessivo, e que estejam em idade adequada à produção de leite. O estresse, antes do processo de ordenha, leva à redução da produção de leite, pelo aumento de hormônios, como a adrenalina, e pela diminuição da ocitocina. Atualmente, a qualidade higiênico-sanitária dos leites é obtida com o auxílio de um processo mecanizado, com adequada limpeza de todos os equipamentos e utensílios, seguido por um processo de pasteurização, garantindo a ausência de microrganismos patogênicos. Os cuidados com a saúde e a alimentação do rebanho de vacas, assim como com suas mamas, também são indispensáveis à qualidade do leite. CONSERVAÇÃO E PROCESSAMENTO A conservação adequada dos leites é fundamental para garantir a segurança e a saúde dos consumidores e evitar perdas financeiras por deteriorações. Todo o processo, desde a ordenha até a distribuição final dos leites, deve seguir criteriosamente os padrões sanitários vigentes. No entanto, há uma taxa aceitável de contaminação dos leites por microrganismos, que podem vir do momento da ordenha. Para evitar a proliferação desses microrganismos no leite, procedimentos de conservação, como o resfriamento, são empregados. O resfriamento do leite é essencial à sua conservação, pois inibe a proliferação microbiana. Após a ordenha, seguindo ou não o processo de pasteurização, o leite deve ser resfriado a 4 °C, para então ser transportado ao destino. É importante ressaltar que o leite deve ser de qualidade antes da refrigeração, ou seja, deve ser livre de microrganismos patogênicos. Uma vez contaminado, só é possível fazer o controle da proliferação microbiana, mas não a eliminação destes com a refrigeração. Desse modo, a técnica de resfriamento: [...] apresenta inúmeras vantagens na cadeia produtiva do leite. Para o produtor, representa a diminuição do custo do transporte (carreto), uma vez que pode entregar o leite de dois em dois dias; é menor o esforço físico despendido na atividade; os horários de trabalho são mais cômodos; e a quantidade de produtos de limpeza e de escovas apropriadas e a mão de obra utilizada nos cuidados higiênicos são mais simples do que quando se utilizam latões. Para a indústria, a matéria-prima refrigerada implica a redução de custos operacionais em torno de 25% no processamento e a flexibilidade do horário de recepção do leite, além demelhor qualidade e maior vida de prateleira dos produtos (VIDAL; NETTO, 2018, p. 21). Os carros de transporte de leites refrigerados devem manter a conservação do alimento, garantindo temperatura adequada, higiene completa e pessoal adequadamente treinado. Os motoristas de caminhões tanques, que transportam leite refrigerado, devem ser orientados conforme padrão sanitário para manter a qualidade do leite. Ao chegar nos pontos de destino de vendas, pasteurização ou processamentos, os leites devem ser mantidos sempre em condições higiênico-sanitárias adequadas e em temperaturas baixas, para manter as taxas de microrganismos estáveis e evitar processos de deterioração. PASTEURIZAÇÃO O processo de pasteurização do leite de vaca é de grande importância para a eliminação de microrganismos e para a conservação do leite por mais tempo. Leites de vaca não pasteurizados possuemmuito risco à saúde humana, principalmente quando precisam ser transportadospara locais de venda ou consumo distantes. Quanto mais próximo domomento da retirada do leite for o processo, mais segurança higiênico-sanitária o leite irá oferecer. Assim, os leites podem ser divididos em tipos, sendo eles: O leite tipo A é pasteurizado imediatamente após a sua retirada, sem manter contato com seres humanos após a ordenha. Isso traz mais segurança ao produto, pois menos microrganismos podem estar presentes; O leite tipo B possui uma quantidade maior de microrganismos, podendo evoluir para uma deterioração mais precoce; O leite tipo C é bemmais perigoso, devido às possibilidades de contaminação e proliferação dos microrganismos. Sua coleta pode ser feita manualmente oumecanicamente, e ele segue sem refrigeração, transportado até os locais de pasteurização, podendo ser mais contaminado ainda devido à multiplicação bacteriana; O leite tipo UHT (Ultra-High Temperature) é criado por meio do processo de esterilização, que é considerado omais seguro, do ponto de vista higiênico-sanitário. O processo de pasteurização UHT eleva as temperaturas para níveis maiores do que o processo comum. A temperatura pode subir rapidamente entre 130 °C e 150 °C por poucos segundos, sendo resfriada também rapidamente. O processo UHT tem a principal finalidade de evitar a proliferação microbiana e garantir a qualidade higiênico-sanitária do alimento oferecido. Ele garante um tempo de vidamaior para o leite de vaca e, com esse processo, o leite pode ser envasado adequadamente a até armazenado em temperatura ambiente. Quanto mais altas forem as temperaturas de pasteurização, mais nutrientes podem ser eliminados, como vitaminas, enzimas e minerais. Por isso, o leite UHT pode ser mais pobre nutricionalmente do que os demais leites, que passam por processos menos intensos de pasteurização. Assim, podemos perceber uma dificuldade, encontrada pela indústria de leites, uma vez que o leite de maior qualidade higiênico-sanitária não é o leite mais nutritivo, podendo até mesmo ser de difícil digestão para muitas pessoas, perdendo assim a sua capacidade de comercialização. O leite possui uma alta atividade de água e, por isso, condições propícias à proliferação bacteriana. Por isso, se faz necessária uma série de processos que garantam a segurança do leite oferecido aos consumidores finais. Segundo o artigo 251 do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), o processamento do leite compreende, entre outros processos, o pré-beneficiamento do leite, que conta com “as etapas de filtração sob pressão, a clarificação, a bactofugação, a microfiltração, a padronização do teor de gordura, a termização, a homogeneização e a refrigeração” (VIDAL; NETTO, 2018, p. 147). Assim, o processo de beneficiamento de leites se dá de acordo com essa necessidade de segurança, visando a padronização dos tipos de leites e seus derivados. No pré-beneficiamento, então, podemos apontar as fases de filtração, necessária para retirar impurezas e materiais sólidos; padronização, que consiste na retirada da gordura do leite, para que seja adicionada conforme o tipo de leite ou seu derivado a ser produzido (leite desnatado, creme de leite, manteiga, iogurte, entre outros); e clarificação, um processo mecânico que visa a retirada de impurezas do leite, sendo feita em centrífugas que possuem discos apropriados para a separação de sólidos e líquidos. Quando o leite alcança a temperatura desejada na seção de pasteurização, ele é submetido à bactofugação, um processo utilizado para eliminar bactérias contidas no leite, utilizando força centrífuga. Para aumentar a eficiência do tratamento, ele é realizado no leite aquecido, pois, dessa forma, ocorre menor resistência ao deslocamento das bactérias. Assim, o bactofugador acaba sendo integrado ao sistema de pasteurização rápida e seguido pela regeneração e o resfriamento. O processo de bactofugação complementa a centrifugação e tem uma eficácia de até 90%, sendo muito eficiente em derivados do leite que necessitam de maior tempo de vida, como o leite em pó, por exemplo; A homogeneização tem o objetivo de evitar a separação da nata, diminuindo e rompendo os glóbulos de gorduras, promovendo mais estabilidade ao leite. Na homogeneização, há a aplicação de grande pressão sobre o leite, com aumento de temperatura (50 a 65 °C), seguido por resfriamento (4 °C) e armazenamento refrigerado. Com a aplicação desse processo, o leite fica mais branco, devido ao aumento do número de partículas que fazem a luz refletir; O processo de termização tem como principal objetivo eliminar os microrganismos. Esses processos de aumento de temperatura do leite não possibilitam a eliminação completa da carga microbiana, contudo, podendo atingir cerca de 90% a 99% de eliminação. Como vimos, o processo de pasteurização (Diagrama 1) visa o aumento da vida útil do leite pela eliminação microbiana. Este é um procedimento obrigatório, que pode ocorrer em tempos e temperaturas diferentes, conforme a necessidade e a finalidade do alimento a ser comercializado. O processo de pasteurização lenta ocorre com o aumento de temperatura entre 6 ºC e 65 ºC durante 30 minutos, reduzindo a carga microbiana em cerca de 95%. Já a pasteurização rápida aquece o leite entre 72 ºC e 75 ºC, durante 15 segundos, e possui redução da carga microbiana em cerca de 99,5%. O processo UHT eleva a temperatura do leite entre 130 °C e 150 °C, por cerca de 4 segundos, promovendo uma eliminação mais eficiente de microrganismos e permitindo que o leite seja armazenado em temperatura ambiente por até 180 dias. Até o processo de pasteurização UHT pode conter riscos. Caso o leite mantenha a contaminação por esporos antes do processo, estes não serão eliminados. Por isso, todos os processos que antecedem a pasteurização devem seguir criteriosamente os padrões higiênico-sanitários determinados. EVAPORAÇÃO Na evaporação do leite, ocorre a eliminação da água pela ebulição, promovendo, assim como na pasteurização, a perda de alguns nutrientes (Tabela 2). O objetivo deste processo é a fabricação do leite em pó. Assim, o uso de um evaporador gera uma separação, alcançada pela (VIDAL; NETTO, 2018, p. 161): [...] diferença de volatidade entre água e solutos. O ideal é que ela remova seletivamente a água semmudar a composição do soluto, de forma que o produto original seja obtido por diluição. Chega-se perto disso em alguns equipamentos, porém, quanto mais perto do ideal, maior o custo. Tabela 2. Perdas nutricionais por processamento de leites. Fonte: FELLOWS, 2006. Outras operações também utilizadas para eliminação de líquidos são a osmose reversa e a atomização. Na osmose reversa, a água é eliminada pela membrana semipermeável de uma solução. Na atomização, por outro lado, ocorre a desidratação por pulverização, por meio do uso de um atomizador (Figura 1). Nesse equipamento, o alimento é bombeado com alta pressão, passando por um orifício muito pequeno. Gotículas de leite são borrifadas dentro de uma corrente de ar quente, de até 300 °C, promovendo a secagem pela evaporação da umidade. Figura 1. Atomizador utilizado para produção do leite em pó. Fonte: VIDAL; NETTO, 2018. A aplicação de enzimas ao leite de vaca também é bastante praticada pela indústria alimentícia. Devido aos processos de pasteurização em altíssimas temperaturas, como o processo UHT, há perdas das enzimas naturais do alimento. Assim, o alimento se torna menos digerível e sua comercialização também diminui. Com a finalidade de melhorar a digestibilidade de leites de vaca UHT, são adicionadas enzimas digestivas, necessárias principalmente à digestão da lactose, também aumentando a vida útil dos leites. O processo de pasteurização do leite de vaca é importante para a segurança do alimento, que se deteriora com base no tempo levado até a pasteurização. Desse modo, os leites podem ser divididos em tipos, que são: Leite tipo A É pasteurizado imediatamente após a retirada. Leite tipo B É refrigerado e levado até o local da pasteurização.Leite tipo C É transportado sem refrigeração, até ser pasteurizado. Correto 👍 Muito bem, a resposta está correta! Conforme vimos no tópico “Pasteurização”, os leites podem ser divididos em tipos, com base nos procedimentos de segurança pelos quais passam para eliminar microrganismos. O leite tipo A, então, é o mais seguro, pois é pasteurizado assim que extraído, o leite tipo B é refrigerado e transportado, antes de ser pasteurizado, logo, é mais suscetível a deterioração. O leite tipo C, por fim, é transportado sem refrigeração, sendo o mais perigoso dos três. Derivados do leite Os derivados de leites são obtidos por processos tecnológicos aplicados ao leite. Esses processos são extremamente variados e podem levar a alterações na composição do leite, na sua textura, aparência, sabor e odor. Alimentos que derivam do leite podem ser obtidos pelo processo de fermentação (como queijos e iogurtes) ou podem não passar por fermentação (como a manteiga). QUEIJOS Os queijos podem ser frescos ou maturados, sendo obtidos a partir da separação parcial do soro do leite pela adição de enzimas, bactérias ou ácidos orgânicos. A produção de queijos deve ser feita, obrigatoriamente, com leite pasteurizado e pode ser usado o leite desnatado, semidesnatado ou integral. Além disso, é utilizado um coagulante adequado à produção do queijo, além adição de bactérias, caseínas, cloreto de sódio, condimentos e outros ingredientes permitidos. CURIOSIDADE Os queijos têm ampla variação em relação à composição de gorduras, que vai depender do tipo de leite utilizado na produção de queijos. Atualmente, no Brasil, há a produção de queijos a partir de leites de vaca, de búfala, de cabra, entre outros. Queijos produzidos a partir de leites mais gordurosos, como o integral de vaca, por exemplo, costumam ser mais gordurosos. Os queijos podem ser classificados conforme padrões de umidade ou pelo grau de cozimento damassa. Os queijos de massa crua são os não curados (queijo de minas ou frescal) e os curados (meia cura, curado por bactérias, e o gorgonzola, curado por fungos). Já os queijos de massa semi-cozida são os de cura rápida (como o gouda, curado de um a dois meses) e cura longa (como o cheddar, curado por três meses oumais). Por fim, um exemplo de queijo de massa cozida é o mussarela. A coagulação dos queijos é o primeiro processo a ser aplicado na transformação de leite em queijos, podendo ser feito de forma ácida ou enzimática. Na coagulação ácida, há a adição de bactérias que produzem ácido lático, enquanto a coagulação enzimática se dá pela adição de enzimas coagulantes que promovem a hidrolise da caseína do leite e formam um gel. Exemplos dessas enzimas são a quimosina e a renina. Na coagulação enzimática, ocorre a ação da enzima coagulante com liberação de uma parte proteica chamada glicomacropeptídeo, que é solúvel e se perde no soro. Em seguida, ocorre a formação do gel de coalhada. Nessa fase, proteínas, gorduras, lactose e sais minerais são organizados em forma de gel, dando origem aos queijos. Ainda há a possibilidade da ação da enzima dematuração do queijo. A coagulação ácida é utilizada em número limitado de tipos de queijo, como o cream cheese, por exemplo. Desse modo (VIDAL; NETTO, 2018, p. 192): O pH cai para próximo de 5,0 (entre 5 e 20 horas), dependendo do tipo de queijo que será produzido. A acidificação é proporcionada pela fermentação da lactose para ácido lático pelas bactérias láticas adicionadas ao leite. Normalmente são utilizados os seguintes microrganismos: 1) os mesofílicos homofermentativos Lactococcus lactis subsp. lactis e Lactococcus lactis subsp. cremoris; 2) os mesofílicos heterofermentativos Lactococcus lactis subsp. lactis biovar. diacetylactis e Leuconostoc mesenteroides subsp. cremoris; 3) os fermentos termofílicos Streptococcus salivarius subsp. thermophilus, Lactobacillus helveticus e Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgaricus. A produção por coagulação ácida também é importante para evitar a proliferação de microrganismos patogênicos, garantindomais segurança e estabilidade aos queijos. Assim que o queijo atinge a quantidade de umidade e o PH desejado, a massa é separada do soro e é colocada em formas diferentes, para que ocorra o restante da drenagem. Para produção de queijos de menor umidade, há a necessidade de passar pelo processo de prensagem. Após esses processos, é realizada a salga do queijo, com o objetivo de melhorar o gosto e conservar por mais tempo. Amaturação ocorre em refrigeração e pode alterar a composição química do queijo. As ações de enzimas durante a maturação conferem ao queijo características organolépticas especificas. A partir daí, as próximas etapas são mais específicas para cada tipo de queijo, sendo descritas em regulamentos técnicos. O Regulamento Técnico Geral para Fixação dos Padrões Microbiológicos para Queijos, publicado pelo Ministério da Agricultura, estabelece padrões microbiológicos aos diferentes tipos de queijos a serem comercializados (BRASIL, 1996). Esses padrões devem ser atendidos pela indústria alimentícia, que também deve manter análises de amostras da sua produção de queijos. A produção do queijo minas frescal, por exemplo, é obtida pela coagulação não enzimática. Esse queijo possui massa crua não maturada e grande umidade, sendo por isso muito perecível. Para produzí-lo, é necessário usar o leite pasteurizado e o coalho, na proporção de 1%, é adicionado ao leite para promover a coagulação da caseína. O cloreto de cálcio também é adicionado, com a finalidade de recuperar o cálcio e melhorar ainda mais a consistência do coágulo. Essa etapa de adição do cloreto de cálcio é realizada a uma temperatura média de 41 ºC. Após esse processo, o coágulo é cortado e mexido para promover uma coagulação ainda maior e aumentar a separação do soro. O processo pode seguir com corte da massa e armazenamento em recipientes para prensagem. A salga é obrigatoriamente realizada e o queijo segue ao armazenamento por 24 horas, em 4 ºC. Após esse período, o queijo é desenformado e embalado para ser expedido. Os principais problemas relacionados à produção do queijo minas frescal são a contaminação e a proliferação das bactérias como Staphylococcus coagulase positiva, Listeria monocytogenes e Salmonella spp, podendo deixar o queijo mole e aquoso, com alterações no sabor e na aparência. A produção do queijo gorgonzola segue etapas iniciais iguais aos demais queijos, mas evolui à perfuração do queijo com agulhas de aço, para que ocorra a entrada de oxigênio, a eliminação de gás carbônico e o desenvolvimento do Penicillium roqueforti. O objetivo é que a cultura se multiplique durante o tempo dematuração (até 11 dias) e o aspecto de mofo azul seja criado. Apesar de o queijo gorgonzola ser desenvolvido pela proliferação de fungos, isso não compromete a saúde dos consumidores, desde que seja consumido dentro dos padrões recomendados, ou seja, com a proliferação de fungos adequada. Ele é um queijo de massa crua e muito gorduroso, sendo seus principais problemas relacionados com a contaminação e a proliferação de outros tipos de fungos, levando a alterações na consistência, no odor e na aparência, por exemplo. O queijo muçarela possui a massa cozida e é produzido por meio do leite pasteurizado, que recebe o cloreto de cálcio, o fermento e o coalho. Os ingredientes são misturados e deixados em repouso por 40minutos. Após o corte da massa, ela segue ao cozimento em temperatura baixa (40 °C), por cerca de 40minutos. A filagem ocorre na sequência e é a etapa responsável pela capacidade do queijo de ser alongado. Após a massa ser enformada e desenformada, o queijo segue diretamente à salga para, posteriormente, ser embalado e maturado por 11 dias, em refrigeração. Defeitos podem ser encontrados nas massas de queijos muçarelas, como rachaduras da massa e estofamentos, por exemplo. Desse modo, a atividade de água pode variar entre um queijo e outro, e, devido aos procedimentos específicos de produção de cada queijo, a vida de prateleira delestambém pode ser diferente. Sendo assim, cabe ao produtor de queijos estabelecer seu prazo de validade e as condições de armazenamento. Para ajudar com isso, o sistema de legislação sanitária para a produção alimentícia estabelece algumas condições importantes de armazenamento. Para a adequada conservação e estocagem de queijos produzidos, é necessário seguir criteriosamente os padrões sanitários vigentes. O queijo é um alimento perecível e, quanto maior o seu teor de umidade, maiores serão as chances de deterioração microbiana. Os locais de armazenamento de queijos devem ser limpos, sendo isentos de pragas e microrganismos. Além disso, os queijos não devem ser armazenados com produtos crus, como carnes, por exemplo, que podem conter microrganismos e contaminar os queijos que não passarão pelo processo de cocção. A Portaria CRV-5 do estado de São Paulo (2013) determina que os queijos sejam armazenados em estabelecimentos produtores de alimentos ou refeições por até três dias, em uma temperatura de até 4 °C. No entanto, se houver especificações diferentes, de tempo e temperatura de estocagem, estipuladas pelos fabricantes de queijo, essas devem ser seguidas. As condições de armazenamento devem ser controladas sempre por meio de registros específicos de tempo, temperatura e higienização. O principal objetivo desse controle é evitar a contaminação e a deterioração dos alimentos estocados. IOGURTES Os iogurtes são produtos lácteos, fermentados por bactérias que promovem as características específicas do produto. As bactérias comumente utilizadas são a Streptococcus salivarius subsp. Thermophilus e a Lactobacillus delbrueckii subsp. Bulgaricus. A produção industrial de iogurte (Diagrama 2) se dá com leite pasteurizado de boa qualidade, mas a adição do leite em pó é importante para aumentar a concentração de sólidos no produto. O próximo passo é a homogeneização, com a finalidade de reduzir glóbulos de gordura, seguida pela pasteurização com desnaturação da caseína, melhorando a incorporação do soro, a consistência e a viscosidade do produto final. Com o produto já no local de maturação, como um tanque, por exemplo, são adicionadas bactérias fermentativas. A homogeneização é realizada por dois minutos e, posteriormente, o produto é incubado por quatro horas, para que ocorra a fermentação, essencial ao desenvolvimento das características sensoriais e de acidez adequadas. O iogurte é, então, resfriado, para evitar uma proliferação de bactérias maior que o necessário. A adição de edulcorantes e polpa de frutas pode ser realizada com a finalidade de obter cor, aromas e sabores específicos. A conservação de iogurtes deve ser cuidadosa, por serem alimentos altamente perecíveis. Eles devem ser armazenados em tempo e temperaturas seguros, pois alterações em sabor e consistência são comuns em iogurtes que ultrapassam o tempo de validade. Segundo a legislação sanitária vigente, iogurtes devem ser armazenados em baixas temperaturas e por um curto período de tempo, principalmente após abertos. O produtor do iogurte pode determinar esse tempo, temperatura e condições de armazenamento do seu produto. Nos casos em que não há recomendação do fabricante, é possível utilizar o que a legislação local vigente determina. Segundo a Portaria CVS-5 do estado de São Paulo (2013), os derivados de leite devem ser armazenados em até 7oC, por até cinco dias. MANTEIGA A manteiga é composta basicamente pela gordura do leite, sendo obtida por creme de leite e podendo ser sólida ou pastosa, a depender da temperatura. Ela apresenta cerca de 80% demassa gorda, podendo sofrer adição de cloreto de sódio e fermentos específicos. Na produção de manteiga extra, o creme de leite deve ser de primeira qualidade e a água deve ser potável, filtrada, clorada e refrigerada. Para obtermos esse creme, [...] o leite deverá sofrer desnate artificial (submetido à centrifugação com cerca de 6.000 rpm) ou natural (leite em repouso por aproximadamente 12 horas). Para que o desnate seja bem feito, é importante que o leite fique a uma temperatura baixa e que, antes, seja previamente filtrado, o que garantirá a qualidade da manteiga produzida. Posteriormente, é realizada a padronização a aproximadamente 35% de gordura e feita a neutralização utilizando carbonato ou bicarbonato de sódio ou hidróxido de cálcio (VIDAL; NETTO, 2018, p. 211). A pasteurização do creme obtido deve ser efetuada a 75 °C, de 10 a 20minutos, seguida por resfriamento a 25 ºC. Depois, há a adição de fermento, contendo bactérias como o Streptococcus lactis, o S. cremoris, o S. dyacetylactis, o Leuconostoc citrovorum e o L. dextranicum. O objetivo da adição do fermento é acidificar o creme que passará pelo processo de resfriamento. Além disso, corantes naturais ou artificiais (como a cúrcuma e o beta caroteno) podem ser adicionados, para obter a cor desejada. Depois, é realizada a bateção damistura, separando a parte líquida da parte cremosa, obtendo glóbulos menores que garantirão maior firmeza para o produto. A salga é, então, realizada, seguida por amassamento e refrigeração a 4 ºC, para posterior expedição. A manteiga deve manter padrões de umidade adequados, assim como de percentual de gordura, que deve estar em torno de 80%, para a padronização do produto nomercado. Defeitos de fabricação de manteigas podem ocorrer e prejudicar a sua comercialização. Alguns defeitos comuns são a cristalização, o aparecimento de partes brancas e o endurecimento excessivo da manteiga. Esses defeitos estão relacionados a erros durante o processo de fabricação. Para que ocorra a adequada conservação das manteigas, é preciso seguir o determinado pelos fabricantes antes e depois do produto ser aberto, sendo imprescindível seguir os critérios de tempo e temperatura de armazenamento adequados. A legislação sanitária vigente, que visa promover as Boas Práticas de Fabricação, estabelece que manteigas sejam armazenadas em refrigeração adequada, sempre separadas de outros alimentos crus (como vimos no caso dos queijos). Os tempos e as temperaturas de armazenamento para derivados de leite, incluindomanteigas, é de até 7 ºC por até cinco dias, sendo esse critério utilizado na ausência de uma especificação do fabricante de manteigas. Além disso, os locais de armazenamento de manteigas devem ser limpos adequadamente, devendo ser garantido o fluxo de ar frio entre os produtos armazenados no equipamento de refrigeração, como câmaras ou refrigeradores. Com os controles adequados durante o período de armazenamento, há poucas chances de deterioração e perdas de manteigas, evitando assim os prejuízos financeiros e os possíveis riscos aos consumidores. VAMOS REFORÇAR O QUE APRENDEMOS ATÉ AGORA? Os derivados do leite devem seguir procedimentos criteriosos de conservação e armazenagem, tendo em vista padrões sanitários. Segundo a legislação vigente, deve-se armazenar em até 7 ºC e por até cinco dias derivados de leite como: Os queijos. Os iogurtes. As manteigas. Correto 👍 Muito bem, a resposta está correta! Conforme vimos durante todo o tema “Derivados de leite”, a legislação brasileira vigente estipula que alimentos como os iogurtes e as manteigas devem ser armazenados em até 7 ºC, por até cinco dias. Os queijos, contudo, são mais criteriosos, podendo ser armazenados por até três dias, em uma temperatura de até 4 ºC. Carnes e ovos As carnes podem ser definidas como qualquer tecido de origem animal que pode ser consumido pelos seres humanos. A carne vermelha pode ser obtida de diversos animais, como bois, porcos, cordeiros, búfalos, entre outros, enquanto as carnes brancas podem vir das aves ou dos peixes. As carnes de aves são bastante consumidas e têm origem principalmente do frango e do peru, enquanto a carne de peixes e frutos domar são mais consumidas em regiões próximas a rios e no litoral. CONTEXTUALIZANDO O Brasil é um grande exportador de carne bovina, mas, o consumo interno de carne vermelha também é amplo. As populações da região sul e sudeste consomem grande parte da carne deboi produzida no País, enquanto, na região norte, há grande consumo de carne de búfalo. A legislação sanitária do estado de São Paulo define carne de açougue como a parte muscular comestível de mamíferos e aves, com seus ossos, proveniente de animais de boa saúde, abatidos com a presença de inspeção veterinária e manipuladas em condições de higiene adequadas. Além disso, apesar de bemmenos comum, há também o consumo de carnes de animais comumente não domesticados, conhecidas como carnes de caça. CARNES VERMELHAS As cars vermelhas mantêm diferentes composições, podendo ser compostas por 65% a 85% de gua, 16% a 22% de proteínas e 3% a 13% de gorduras e substâncias nitrogenadas. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a definição de qualidade para as carnes bovinas pode ser resumida em quatro dimensões, sendo elas: A visual: englobando a apresentação e aspecto da carne; A gustativa: englobando a sensação durante o consumo; A nutritiva: englobando os valores de nutrientes essenciais; A higiênico-sanitária: sendo determinada pelo processo de produção. O abate de carnes resulta em carcaça (parte limpa com gordura e ossos), subprodutos comestíveis (fígado, rins e miolo) e partes não comestíveis, como pelos e couro. Hoje em dia, estratégias de abate humanitário são empregadas, com procedimentos antiestresse e garantindo que o animal morra sem sentir dor (EMBRAPA, [s.d]). Assim, o animal que será abatido deve conter um documento de sanidade, além de serem realizados o banho e a higiene adequada do animal. Antes do abate, o animal deve permanecer no curral por no mínimo 24 horas, para diminuir seu conteúdo ruminal e reestabelecer suas reservas de glicogênio muscular. Além disso, deve-se monitorar os riscos de contaminações, por meio de controles e mapeamentos de pontos críticos, com inspeções sanitárias e liberação adequada das carcaças saudáveis. Desse modo, A correta realização do processo de abate propicia: qualidade visual, por evitar a carne escura de animais com sangria inapropriada; qualidade sensorial, por evitar endurecimento da carne ao aplicar estimulação elétrica e correto resfriamento da carcaça; e é determinante na qualidade higiênico-sanitária, pela redução na possibilidade de contaminação ou pela inspeção e liberação de carcaças sem o risco de transmitir doenças (EMBRAPA, [s.d.]). O abate inadequado produz uma carne sem qualidade, com aspecto escuro e dura, devido à falta de glicogênio e a redução do PH. Por isso, os investimentos em procedimentos adequados de abate têm sido considerados, com a finalidade de aumentar a capacidade de comercialização das carnes. Amaturação de carnes é feita para promover o relaxamento lento domúsculo, levando ao amolecimento e amaciamento da carne por meio de enzimas naturais do alimento. A maturação é efetuada após o abate e pode durar até 15 dias em refrigeração, sendo seu principal objetivo a melhora de características sensoriais e organolépticas da carne, aumentando assim a sua aceitação pelos consumidores e o seu poder de comercialização. O processamento de carnes pode alterar a carne fresca, seus principais objetivos sendo garantir maior durabilidade e conservação por meio de alterações na carne, aumentando sua vida útil. Além disso, diferentes formas de apresentação são obtidas por meio do processamento, promovendo diferentes formas de consumir e preparar os alimentos. Podemos apontar como exemplos de processamento a cura, a defumação, o enlatamento, a cocção, o congelamento, a desidratação e o uso de aditivos, como produtos químicos ou enzimas. Carnes vermelhas podem ser processadas e inalteradas, do ponto de vista da sua composição, ou alteradas e misturadas a outros tipos de carnes, como as linguiças, por exemplo. As carnes processadas devem ser adequadamente embaladas. Sua vida útil pode aumentar quando submetidas ao congelamento, abaixo de 10 °C, e quando são aplicados processos como a sublimação em cristais de gelo e a rancificação. O enlatamento, a desidratação e até a defumação podem aumentar a vida útil das carnes e até modificar o modo em que elas devem ser armazenadas. A carne vermelha possui diversos riscos sanitários, que devem ser previstos e evitados pelomonitoramento de processos precisos. O objetivo principal é evitar a contaminação e deterioração de carnes por microrganismos, por meio da eliminação e de cuidados para evitar a proliferação desses. Atualmente, a legislação vigente do estado de São Paulo determina que as carnes cruas sejam recebidas pelos estabelecimentos a uma temperatura de até 7 °C e armazenadas em refrigeração, até 4 °C, em nomáximo três dias. No caso das carnes congeladas, a temperatura de armazenamento pode variar, de acordo com a Tabela 3. Tabela 3. Temperatura de armazenamento de alimentos congelados. Fonte: SÃO PAULO, 2013 É importante ressaltar que carnes cruas, temperadas ou pré-preparadas, devem ser armazenadas a uma temperatura de até 4 °C, por nomáximo dois dias. Todos os alimentos crus devem ser armazenados nos equipamentos de refrigeração e congelamento, sem qualquer contato com alimentos prontos ao consumo ou que não sofrerão processo de cocção, evitando, assim, a contaminação cruzada entre alimentos. CARNES BRANCAS As carnes brancas são amplamente consumidas no mundo. Elas mantêm um bom valor nutricional, devido à alta quantidade de proteínas, e são, na maioria das vezes, superiores às carnes vermelhas para muitas pessoas, quando o assunto é digestibilidade. Além disso, em alguns locais, os custos das carnes brancas são menores do que os das carnes vermelhas, proporcionandomais acessibilidade. As carnes brancas mais consumidas no Brasil são as carnes de aves e peixes. Os peixes são muito comercializados atualmente, principalmente em regiões litorâneas e próximas a rios. A carne de ave mais comercializada no Brasil, atualmente, é a carne de frango, sendomais consumida do que a carne suína e a bovina. Além da carne de frango, outras aves também são consumidas, como os perus, as codornas e os avestruzes, por exemplo. O ramo da zootecnia dedicado à produção de aves para a alimentação é chamado de avicultura e destina-se à produção de carnes de aves e ovos. Além do crescimento no consumo dos alimentos derivados da avicultura, o Brasil também é um grande exportador. Por isso, os cuidados e as tecnologias empregadas na avicultura vêm crescendo e se desenvolvendo, com a finalidade de reduzir despesas, aumentar os lucros e garantir a qualidade dos alimentos aos clientes. A alta produção de grãos no Brasil também contribui para garantir o adequado abastecimento de alimentos às aves. Assim, o empenho do produtor de aves, assim como os avanços em pesquisas e tecnologias, promove grandes melhorias no setor, além de soluções cada vez mais eficientes. Dentre estes avanços, podemos apontar a genética como parte do planejamento, que permite a escolha de linhagens de aves, com base na produção que se deseja (EMBRAPA, [s.d]). Além disso, o manejo da produção também é: [...] parte essencial para garantir a qualidade da carne e integra os esforços da cadeia avícola. Esse conceito compreende a incorporação de metodologias, processos, produtos e tecnologias ao processo produtivo. É nesse contexto que entram as práticas de alimentação animal, biosseguridade, bem-estar animal, boas práticas de produção e rastreabilidade (EMBRAPA, [s.d]). Procedimentos adequados de transporte de animais, que garantam seu bem estar, são decisivos para a qualidade e segurança dos produtos finais comercializados e para a redução de perdas importantes. Da mesma forma, o abate de frangos deve ser realizado em condições adequadas de higiene, de forma rápida e sem estresse às aves. Após a recepção adequada das aves, elas são penduradas e atordoadas, para não sentirem dor, sendo, então, realizada a sangria, seguida pela escaldagem, depenagem e evisceração. Para garantir a conservação, então, é feito o resfriamento da carcaça. Após esses processos, a carne é embalada e seguida para comercializaçãoou para um novo processamento. A busca por diferentes formas de preparo de frango, pelos consumidores, fez com que a indústria aprimorasse seus processos e desenvolvesse diferentes formas de oferecer seus produtos. Frangos defumados, moídos, em forma de hamburguer, linguiça ou empanados são alguns exemplos de processamentos da carne de frango que promovem um aumento do consumo desses alimentos pela população em geral. A qualidade da carne oferecida ao cliente também garante uma maior comercialização. Os processos de higiene e controle de qualidade, assim como as análises dos pontos críticos a serem monitorados, devem estar presentes em toda a cadeia de produção. Desde o abate até a distribuição final, devem ser aplicados controles rígidos, para garantir a qualidade higiênico-sanitária. O transporte de carnes, prontas ao consumo ou destinadas a novos processamentos, deve ser feito com controle de temperatura, por congelamento ou refrigeração, sendo tudo controlado e monitorado por meio de registros de temperatura e higiene adequados. O recebimento, armazenamento, pré-preparo e preparo de frangos pelas empresas produtoras deve ser feito com base na legislação vigente. Assim, devem ser utilizados, para o frango, os mesmos critérios de tempo e temperatura de armazenamento utilizados para a carne vermelha. Caso o produtor indique outros critérios de tempo e temperatura, esses devem ser considerados e priorizados. Todos os cuidados e controles descritos na cadeia produtiva de frangos, então, visam reduzir os riscos de contaminação, aumentar a aceitação dos produtos, evitar perdas e aumentar lucros. O outro exemplo importante de carne branca é a carne de peixe, que costumam ser leves e de fácil digestão, além de possuírem um ótimo valor nutritivo, por conter proteínas e ácido graxos essenciais à saúde humana. Em regiões em que há produção natural de peixes, como as regiões litorâneas e próximas a rios e lagos, a população local costuma ter esse tipo de carne como a fonte principal de proteínas. Contudo, há também, no Brasil, a produção de peixes em tanques, com o desenvolvimento de técnicas cada vez mais aprimoradas, que promovem uma boa e maior produção de peixes. Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de peixes, sendo a tilápia, no estado do Paraná, um dos mais produzidos e comercializados. A piscicultura é um ramo altamente promissor para o Brasil dos próximos anos, devendo receber bastante investimento para o uso de tecnologias que aprimorem a produção de peixes. Com isso, os peixes terão menores custos e serão mais consumidos pela população. Omanejo de peixes deve ser extremamente cuidadoso, visto que esse é um alimento muito perecível e que pode causar problemas, se consumido inadequadamente. Para que isso não aconteça, quando há produção em tanques, eles devem ser dimensionados e projetados com base nas definições propostas pela legislação e a água deve ser livre de compostos químicos e ter PH adequado. A alimentação dos peixes também é um cuidado importante, contando com estudos que vêm sendo desenvolvidos e aprimorados. O crescimento, a saúde e a qualidade nutricional dos peixes dependem da alimentação. A pesca ainda é uma atividade econômica muito intensa em diversas regiões, abastecendomuitas comunidades. Os cuidados nomanejo de peixes vindos da pesca profissional e artesanal também devem ser tomados, considerando as Boas Práticas. As empresas produtoras e a indústria de alimentos, que recebe peixes, deve ter confiança em seus fornecedores, podendo fazer vistorias para verificar o adequadomanejo de peixes nos processos que antecedem a entrega da mercadoria. No ato do recebimento de peixes, eles devem ser inspecionados quanto às características físicas, aparência, odores e temperatura. As temperaturas médias ideais para o recebimento de peixes variam em torno de 2 ºC e 3 ºC (podendo também serem recebidos congelados), ou conforme especificação do fabricante (Tabela 4). Após o recebimento dos peixes, eles devem ser armazenados em refrigeração ou congelamento, dependendo da necessidade de produção estabelecida. Tabela 4. Condições de tempo e temperatura para armazenamento de peixes. Fonte: SÃO PAULO, 2013. (Adaptado). A deterioração de peixes é muito comum e de fácil ocorrência, devendo os procedimentos de controle de qualidade ser aplicados sempre, para minimizar os riscos, evitar problemas de saúde e perdas financeiras. Peixes deteriorados costumam ter alterações significativas no odor, sendo, assim, facilmente reconhecidos. Diversas bactérias podem contaminar e deteriorar os peixes e, por isso, os controles de temperatura são tão importantes durante toda a cadeia produtiva de peixes. A indústria de alimentos também trabalha com o processamento de peixes, com a finalidade de diversificar suas formas de apresentação e aumentar a vida útil por meio da adição de compostos químicos ou sal. Exemplos desses processos são o enlatamento de peixes, o desenvolvimento de hamburgueres e outros tipos de alimentos processadas com peixes. Assim, uma maior segurança no consumo é obtida por meio de controles e técnicas de conservação. Além disso, o acesso ao consumo de peixes é uma realidade cada vez mais presente na população. OVOS Devido à ampla aplicação pela culinária e pela indústria de alimentos, os ovos são muito consumidos, sendo, na maioria das vezes, botados em granjas, por galinhas que não têm contato com os machos, os galos, e, por isso, os ovos não são fecundados. A grande produção de ovos no Brasil ocorre commuitas galinhas em confinamento, contando com processos automatizados, consumo de ração comum e uso de diversos antibióticos pelas galinhas, para evitar doenças. Há também a produção de ovos com galinhas soltas, em local limpo e arejado. Essas galinhas podem consumir alimentos orgânicos ou não, produzindo assim o ovo orgânico ou o caipira, respectivamente. Galinhas soltas normalmente têm contato com galos e, por isso, alguns ovos podem estar fecundados. Em granjas, a coleta dos ovos é automática e deve contar com frequência e funcionamento adequados. Em locais de produção de ovos orgânicos, por outro lado, a colheita é sazonal e se adequa às necessidades das galinhas. A boa condição de saúde das galinhas é essencial para se obter ovos adequados ao consumo humano, estando a galinha livre de doenças e com suas vacinas em dia. Para obter ovos limpos e sem rachaduras, é necessário seu manejo adequado durante a postura. Ovos sujos são dificilmente comercializados e os rachados são praticamente eliminados. As gaiolas utilizadas nas granjas, assim como as bandejas de ovos, devem estar adequadamente limpas, de acordo com os procedimentos higiênico-sanitários estabelecidos. Após a postura dos ovos, eles seguem à classificação, na qual os ovos sujos e manchados são separados, e os quebrados são eliminados. A partir daí, é realizada a higienização automática dos ovos, em temperatura elevada (cerca de 38 ºC a 46 ºC). As lavadoras de ovos devem ser periodicamente higienizadas, seguindo os padrões higiênico-sanitários vigentes, e, após a lavagem, os ovos seguem à secagem, em uma câmara de ar quente, para evitar mofos e proliferação de manchas. A partir daí, a pesagem e a observação promovem umamelhor padronização, em relação aos tamanhos, para posteriormente serem embalados em caixas ou bandejas, contendomeia dúzia oumais ovos. ASSISTA Para entender melhor como funciona a produção de ovos em granjas, o canal Epagri Vídeos, no YouTube, criou um vídeo sobre a automatização na produção de ovos e ganho na produção trazido pelos avanços tecnológicos. Os ovos podem ser comercializados in natura, em pó ou de forma líquida. A pasteurização de ovos é muito utilizada para eliminar riscos de contaminação por microrganismos e garantir maior segurança, principalmente àqueles que não passarão por processos de cocção durante o preparo. Esses ovos pasteurizados podem ainda ser liofilizados, se transformando em pó, ao passar por um processo automatizado de desidratação. Essa transformaçãogarante maior segurança aos produtores de alimentos, principalmente àqueles que não promovem a cocção integral dos seus alimentos. Além disso, ovos liofilizados têm mais tempo de vida e podem ter vantagens em relação à comercialização. O armazenamento de ovos pode ser realizado antes ou após a expedição e deve seguir todos os critérios sanitários vigentes para garantir maior qualidade e segurança. Segundo a Portaria CVS-5 do estado de São Paulo, a temperatura adequada ao armazenamento de ovos crus é de até 10 ºC, por até sete dias (SÃO PAULO, 2013). Nos casos em que o produtor de ovos especifica seus tempos e temperaturas de armazenamento ideais, esses devem ser seguidos. Os ovos devem ser armazenados em equipamentos que proporcionem a circulação de ar adequada à refrigeração interna de todos os alimentos. A Portaria CVS-5 determina também algumasmedidas importantes nomanejo de ovos, para evitar a contaminação, principalmente por Salmonella, bactéria bastante presente na casca e na gema de ovos. O sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) tem semostrado bastante eficaz na redução dos riscos inerentes aos ovos utilizados pelas empresas produtoras de alimentos. Segundo a legislação sanitária vigente no estado de São Paulo, [...] os estabelecimentos comerciais de alimentos e os serviços de alimentação devem reconhecer a qualidade dos seus fornecedores de ovos e as aves que realizam a postura (SÃO PAULO, 2013). Desse modo, exige-se o uso de ovos pasteurizados, desidratados ou cozidos, no caso de preparações sem cocção (maioneses, cremes, mousses etc.). Proíbem-se as preparações em que o ovo permanece cru oumal cozido, devendo o cozimento se dar por sete minutos e, no caso de fritura, apresentar gema dura. Assim, com o manejo adequado de toda a cadeia produtiva de ovos, desde os procedimentos adequados nas coletas até a distribuição final, os riscos de contaminação reduzem significativamente, proporcionando um alimento versátil e seguro tanto à indústria alimentícia como aos consumidores finais. VAMOS REFORÇAR O QUE APRENDEMOS ATÉ AGORA? As carnes podem ser definidas como qualquer tecido de origem animal que pode ser consumido pelos seres humanos, sendo classificadas em três grupos. Sendo assim, a carne de um javali pode ser classificada como uma: Carne vermelha. Carne branca Carne de caça. Correto 👍 Muito bem, a resposta está correta! Conforme vimos no tópico “Carnes e ovos”, as carnes podem ser classificando em carnes vermelhas, no caso de animais como bois ou porcos; carnes brancas, como aves ou peixes; e carnes de caça, no caso de animais não domesticados, como javalis ou patos. Agora é a hora de sintetizar tudo o que aprendemos nessa unidade. Vamos lá?! SINTETIZANDO Embora o leite seja um produto secretado pelas glândulas mamárias de fêmeas, com a finalidade de alimentar seus filhotes, seres humanos de diversas idades consomem leites de vários animais, principalmente de vacas. O leite de vaca destinado ao consumo humano deve ser de qualidade, com redução da carga microbiana, sendo retirado de fêmeas com boas condições de saúde e com extrema higiene dos locais, dos equipamentos e dos ordenadores. Após a ordenha, o procedimento de conservação do leite deve ser efetuado, sendo o resfriamento e a pasteurização os procedimentos mais utilizados. Muitos alimentos derivados de leite são amplamente consumidos atualmente, como queijos, iogurtes e manteigas, que são produzidos com o uso de recursos tecnológicos e da fermentação natural, ou pela adição de bactérias fermentativas. Os derivados de leite são alimentos perecíveis e devem ser produzidos, estocados e distribuídos em condições adequadas de higiene e temperaturas. Além disso, há determinações de controles de tempo e temperatura de alimentos derivados de leite na legislação vigente. As carnes são alimentos essenciais à saúde humana e podem ser obtidas de diferentes animais, como bois, porcos, aves e peixes. Os controles de qualidade e higiene devem ocorrer em todas as etapas de produção de carnes vermelhas e brancas, desde o abate, passando pelo armazenamento, até a distribuição final. A cadeia produtiva de carnes é ampla e requer muitos cuidados com a criação dos animais, como uma alimentação adequada, o tratamento de doenças e a eliminação do estresse. Além disso, todos os outros cuidados devem ser efetuados, do ponto de vista de minimizar os riscos de contaminação e deterioração microbiana. Por fim, a produção de ovos é de grande importância, vista a sua versatilidade em preparações e seu alto consumo. Os ovos podem ser produzidos em granjas ou em terrenos, sem o confinamento das galinhas. O manejo adequado de ovos evita perdas financeiras e a contaminação principalmente pela Salmonella. Desse modo, a cadeia produtiva de alimentos de origem animal requer atenção e uma evolução constante, de técnicas e controles. O uso da tecnologia dos alimentos proporciona cada vez mais segurança, eficiência e produtividade.