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Pericardite aguda – diagnostico ECG • As arritmias cardíacas, principalmente atriais, podem ocorrer em qualquer momento do curso da doença. • A presença de complexos QRS de baixa amplitude sugere DP, ao passo que a alternância elétrica de morfologia e amplitude do QRS sinaliza DP volumoso e está associada a tamponamento cardíaco. •As alterações eletrocardiográficas (difusas) podem ser caracterizadas em estágios de evolução de acordo com o tempo de apresentação: Estágio I (primeiras horas a dias): caracteriza-se por supradesnivelamento côncavo difuso do segmento ST e por infradesnivelamento do segmento PR . Diferencia-se do padrão isquêmico que apresenta supradesnivelamento convexo, de maior magnitude, limitado às derivações correspondentes a área do infarto, sem surgimento de ondas Q. Estágio II (primeira semana): retorno dos segmentos ST e PR aos padrões normais. Estágio III (após normalização do segmento ST): ocorre inversão difusa da onda T. Estágio IV: retorno da onda T ao padrão normal. Se o tratamento for instituído muito precocemente, pode haver normalização do ECG sem a evolução para todos os estágios. Alterações do ritmo podem ocorrer em qualquer estágio e variam de taquicardia sinusal até arritmias atriais diversas Ecocardiograma A ecocardiografia tem se mostrado uma ferramenta muito útil no diagnóstico das doenças do pericárdio, assim como no acompanhamento da resposta terapêutica e do prognóstico. Também tem sido utilizada como guia na drenagem do derrame pericárdico. Comumente, os achados ao ecocardiograma associados a pericardite aguda envolvem aumento do espessamento pericárdico e derrame pericárdico. No entanto, podemos ter casos de pericardite aguda sem alterações ao ecocardiograma, usualmente denominados “pericardite aguda seca”. A avaliação de comprometimento hemodinâmico ou tamponamento cardíaco associado ao DP constitui outra importante ferramenta da ecocardiografia. Radiografia de tórax O aumento da silhueta cardíaca na radiografia de tórax pode indicar a presença de DP e colaborar com a suspeita de pericardite. Entretanto, apenas derrames com volume acima de 200 mL são geralmente identificados pela radiografia. Na maioria dos casos de pericardite viral não exibe alterações. Exames laboratoriais O hemograma pode revelar leucocitose com predomínio de linfócitos. Elevações acentuadas podem indicar infecção bacteriana ou malignidade, ao passo que leucopenia indica a necessidade de pesquisar doenças autoimunes. Tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética e medicina nuclear A tomografia do coração permite determinar espessamento do pericárdio (maior que 2 mm), mostrar DP localizado ou sugerir constrição pericárdica, na presença de calcificação. A ressonância magnética é adequada para avaliar a espessura do pericárdio, a presença e quantificação de DP. A medicina nuclear pode ser útil na avaliação de pacientes com dor torácica de causa indefinida, especialmente quando permanece uma indefinição diagnóstica após ecocardiograma e com contraindicação ou indisponibilidade da ressonância magnética. Tem utilidade na avaliação de pericardites relacionadas a doenças sistêmicas ou a tuberculose. Pericardiocentese e biópsia endomiocárdica A pericardiocentese é um procedimento invasivo que não está indicado em casos de pericardite aguda não complicada ou em pequenos derrames. A biópsia pericárdica, por sua vez, está indicada na investigação diagnóstica em pacientes com pericardite persistente refratária ao tratamento clínico, sem diagnóstico definitivo estabelecido. Tratamento A pericardite aguda idiopática ou viral tem curso autolimitado na maioria dos casos e responde ao tratamento com AINH que atua reduzindo inflamação e promovendo analgesia.5,6,22 A droga de escolha é o ibuprofeno por causa de efeitos colaterais raros e impacto favorável no fluxo sanguíneo coronariano. A colchicina tem demonstrado ser efetiva como terapêutica coadjuvante da pericardite aguda, no alívio da dor e na prevenção da recorrência ao fim de dezoito meses. Nas formas mais graves e recorrentes, alguns estudos sugerem o uso da colchicina por 12 a 24 meses após o último evento de recorrência com retirada gradual. A utilização de corticoides para supressão da atividade inflamatória da pericardite usualmente ocasiona dramática melhora clínica e inflamatória. A indicação da terapia com corticoide na pericardite aguda idiopática é para as situações de ausência de resposta terapêutica aos anti- inflamatórios não hormonais e à colchicina A terapêutica antiviral tem como objetivo não somente a melhora dos sintomas e a remissão da doença como também evitar a sua recorrência. Nas pericardites virais vários esquemas terapêuticos antivirais estão sendo testados: 1) pericardite por citomegalovírus: hiperimunoglobulina 2) Coxsackie B: interferon; 3) adenovírus e PVB-19: imunoglobulina intravenosa. Pericardite crônica As inflamações pericárdicas crônicas incluem as formas efusivas, adesivas e constritivas, com duração maior que três meses. A pericardite recorrente pode ser intermitente (intervalo livre de sintomas sem tratamento) e incessante, aquela que ocorre depois da retirada do tratamento anti- inflamatório. As principais causas de pericardite recorrente são: pericardite viral/ idiopática, síndrome pós-pericardiotomia e pós-infarto agudo do miocárdio (IAM). Tuberculose, neoplasias e pericardites bacterianas habitualmente não cursam com recorrência. Diagnóstico e quadro clínico O diagnóstico da pericardite recorrente é realizado em pacientes com pericardite aguda prévia documentada, dor torácica sugestiva e quando há a presença de um dos seguintes critérios: Alterações no ECG: supradesnivelamento difuso do segmento ST, infradesnivelamento de PR. Atrito pericárdico. Derrame pericárdico novo ou piora do preexistente ao ecocardiograma. Elevação de PCR e/ou VHS. Leucocitose. Comumente os sintomas na recorrência são menos intensos em relação ao primeiro episódio. A dor torácica é o sintoma mais frequente e habitualmente tem caráter pleurítico, com melhora quando o paciente se senta e com piora quando se deita. Tratamento Anti-inflamatórios não hormonais - Estão indicados como primeira opção em todos os casos de pericardite recorrente que não apresentem contraindicação. Recomenda-se ácido acetilsalicílico (AAS) na dose de 800 mg ou ibuprofeno da dose de 600 mg, a cada oito horas, em associação com a colchicina. Devem ser mantidos em dose plena até que ocorra normalização das provas de atividade inflamatória (PCR, VHS), quando então o desmame pode ser iniciado, com redução de 30% da dose por semana. Essa orientação é fundamental para o sucesso do tratamento, uma vez que a retirada precoce das drogas está associada ao aumento das recidivas. O uso de corticoides deve ser reservado para os casos com falha terapêutica ou contraindicação aos anti-inflamatórios, além dos casos de etiologia autoimune (por exemplo, lúpus). A droga de escolha é a prednisona. Pericardite constritiva A pericardite constritiva é consequência da inflamação crônica do pericárdio, que se torna espessado e calcificado desencadeando restrição do enchimento diastólico dos ventrículos, queda do volume sistólico e baixo débito cardíaco. A diferenciação entre pericardite constritiva e cardiomiopatia restritiva muitas vezes é difícil de ser estabelecida, pois ambas as entidades apresentam características hemodinâmicas similares. A diferenciação dessas duas entidades pode ser realizada pela identificação do espessamento pericárdico. Um periocárdio normal é aquele < 2 mm; já um espessamento pericárdico > 4 mm sugere constrição, e aqueles > 6 mm são os que apresentam maior especifi- cidade de constrição. Quadro clínico - Os sintomas são sugestivos de insuficiência cardíaca direita, incluindo anasarca, ascite, distensão abdominal eedema de membros inferiores, e também de insuficiência cardíaca esquerda, incluindo a dispnéia, decorrente da insuficiência diastólica. Apresentação característica auscultatória é o ruído (knock) pericárdico, que corresponde à súbita cessação do enchimento ventricular. A primeira bulha usualmente é normal, com a segunda bulha desdobrada. Diagnostico Radiografia torácica - A radiografia torácica caracteriza-se por presença de derrames pleurais (60%) e calcificação pericárdica (40%) (Figura 2). Eletrocardiograma - Algumas características inespecíficas podem sugerir constrição pericárdica, como: baixa voltagem de QRS, inversão de onda T, fibrilação atrial, bloqueios atrioventriculares e, raramente, padrão de pseudo-infarto. Tratamento Em pacientes com quadro clínico sugestivo de pericardite constritiva sem calcificação pericárdica importante e com sinais de atividades inflamatórias pericárdica e sistêmica, o tratamento clínico pode ser considerado antes da indicação da cirurgia de pericardiectomia. Nesses casos, o tratamento etiológico (por exemplo, nos casos de tuberculose e colagenoses) ou com anti-inflamatórios (nos casos idiopáticos) pode levar à completa reversão dos sinais de IC. Nos casos sintomáticos, em que não há sinais de inflamação e o espessamento e calcificação pericárdica estão presentes, a cirurgia de pericardiectomia não deve ser adiada. Tamponamento Cardíaco Nas formas crônicas a elevação da pressão venosa, a hipofonese das bulhas e a taquicardia são sinais muito evidentes. O que não ocorre no tamponamento agudo inicial, no qual as manifestações mais freqüentes são hipotensão arterial, agitação e oligúria. O tamponamento cardíaco agudo manifesta-se com dispnéia, dor torácica, relacionada com os batimentos cardíacos ou com movimentos respiratórios. Diagnóstico O diagnóstico de tamponamento é inicialmente clínico, alguns exames complementares podem confirmar ou até mesmo excluir o diagnóstico: 1. Radiografia de tórax: as alterações observadas dependem da quantidade de líquido e da velocidade com que foi acumulada, bem como da complacência do pericárdio. Nas situações agudas, em geral não há grande aumento da silhueta cardíaca. Nas situações crônicas em que o acúmulo de líquido é lento, encontramos áreas cardíacas muito aumentadas. No pós-operatório é frequente haver aumento da área cardíaca e derrame pleural. Uma área cardíaca normal não exclui um tamponamento. 2. Ecocardiograma: quando é possível ser feito (pois muitas vezes a situação é de emergência e não se deve esperar), esse exame é muito útil, tanto na confirmação do diagnóstico como no diagnóstico diferencial com outras situações (pericardite constritiva, cardiomiopatia dilatada, hipertensão pulmonar grave). No tamponamento há sempre a presença de líquido (seroso ou sangue) causando restrição diastólica; pode haver líquido, mesmo em grande quantidade, mas sem restrição diastólica, portanto sem tamponamento. O ecocardiograma tem grande importância para guiar a pericardiocentese feita à beira do leito. Tratamento Quando se apresenta de forma aguda, em geral existe uma instabilidade hemodinâmica mais acentuada e o tratamento deve ser feito em caráter de emergência. DOENÇAS AUTOIMUNES | DEFINIÇÃO: As doenças autoimunes representam um grupo heterogêneo de distúrbios que ocorrem quando o sistema imunológico do organismo não consegue diferenciar self de não self e monta resposta imunológica contra tecidos do hospedeiro. As doenças autoimunes podem afetar quase qualquer tipo de célula, tecido ou sistema orgânico. Algumas, como tireoidite de Hashimoto, são específicas para um tecido. Outras, como o LES, são sistêmicas, e afetam vários órgãos e sistemas. Sistêmicas: Doença mista do tecido conjuntivo Polimiosite – dermatomiosite Artrite reumatoide Esclerodermia Síndrome de Sjögren Lúpus eritematoso sistêmico Sanguíneas: Anemia hemolítica autoimune Neutropenia e linfopenia autoimunes Púrpura trombocitopênica idiopática Outros órgãos: Polineurite idiopática aguda Gastrite atrófica e anemia perniciosa Suprarrenalite autoimune Síndrome de Goodpasture Tireoidite de Hashimoto Diabetes melito tipo 1 Miastenia gravis Insuficiência gonadal prematura (ovário) Cirrose biliar primária Oftalmia simpática Arterite temporal Tireotoxicose (doença de Graves) Doença de Crohn, colite ulcerativa