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 Natalia Quintino Dias 
 
HPV e câncer de colo uterino 
HPV 
O HPV (Papiloma Vírus Humano) é a etiologia mais 
comum do câncer de colo de útero. Há mais de 100 
subtipos. Os de alto risco são os considerados 
oncogênicos, sendo os mais importantes: 16, 18, 
31, 33 e 35. 
Os subtipos oncogênicos mais comuns são o 16 e o 
18 (DEzesseis e DEzoito: os DEsgraçados!) 
É altamente prevalente na população. 
Os subtipos 6 e 11 são os mais associados ao 
condiloma acuminado (lesão benigna – 
“verrugas”). 
Transmissão 
A transmissão do HPV se dá por qualquer tipo de 
atividade sexual e, excepcionalmente, durante o 
parto, com a formação de lesões cutaneomucosas 
em recém-nascidos ou papilomatose recorrente de 
laringe. A transmissão por fômites é rara. 
Rastreamento para o câncer de colo de útero 
Realizado por meio do exame citopatológico de 
colo de útero, também conhecido como 
colpocitologia oncótica ou exame de Papanicolaou. 
Por que fazer o rastreamento? 
As lesões precursoras pré-malignas são geralmente 
assintomáticas, e o tempo de progressão de uma 
lesão pré-maligna para o câncer invasivo é de 
aproximadamente 8 a 10 anos. É nesse intervalo 
que podemos atuar na prevenção secundária, pois 
elas são curáveis na quase totalidade dos casos. 
Recomendado para 
• Mulheres que já tiveram relação sexual. 
• Idade – 25 a 64 anos. 
• Após 2 exames anuais consecutivos normais → 
Trienal (3 ANOS!!!). 
• Após os 64 anos, não deve ser mais realizado 
(mulheres sem história prévia de doença 
neoplásica pré-invasiva e com 2 exames 
negativos consecutivos nos últimos 5 anos). 
Por que não iniciar antes dos 25 anos? 
A incidência do câncer até essa idade é muito 
baixa, e o rastreamento é menos eficiente para 
detectá-lo. Além disso, o início mais precoce 
aumentaria o diagnóstico de lesões de baixo grau 
(que apresentam grande probabilidade de 
regressão espontânea) e resultaria em aumento 
significativo de colposcopias e na possibilidade de 
sobretratamento, acarretando maior risco de 
morbidade obstétrica (já que o tratamento 
envolveria ressecção de uma porção do colo 
uterino), se associada a uma futura gestação. 
Como colher 
Idealmente, devem ser obtidas amostras da 
ectocérvice (com Espátula de Ayre) e endocérvice 
(com escova endocervical). 
Adequabilidade da amostra 
Podem estar presentes células representativas dos 
epitélios do colo do útero: 
- Células escamosas. 
- Células glandulares (não inclui o epitélio 
endometrial). 
- Células metaplásicas (da zona de transformação o 
– ZT - é a região de maior atividade mitótica no 
colo, sendo, portanto, o local de maior incidência 
de lesões neoplásicas). 
Gestantes: deve seguir as recomendações de 
periodicidade e a faixa etária das demais mulheres. 
Mulheres na pós-menopausa: devem ser 
rastreadas de acordo com as orientações para as 
demais mulheres. Pode haver resultados falso-
positivos causados pela atrofia secundária ao 
hipoestrogenismo. Se necessário, proceder à 
estrogenização previamente à realização da coleta. 
Histerectomizadas: Mulheres submetidas à 
histerectomia total por lesões benignas, sem 
história prévia de diagnóstico e lesões cervicais de 
alto grau, podem ser excluídas do rastreamento. 
Imunossuprimidas: HIV, transplante de órgãos 
sólidos, tratamentos de câncer e usuárias crônicas 
de corticosteroides. Intervalos semestrais no 
primeiro ano e, se normais, manter seguimento 
anual enquanto se mantiver o fator de 
imunossupressão. Mulheres HIV+ com menos de 
200 linfócitos CD4+/ mm3 devem ter priorizada a 
correção dos níveis de CD4+ e, enquanto isso, 
devem ter o rastreamento citológico a cada 6 
meses. 
Vacinação – prevenção primária 
Partículas de vírus produzidas em células de 
levedura por meio de tecnologia DNA 
recombinante (mais especificamente, antígenos do 
capsídeo viral): vacina tipo VLP1. 
Não administrar em gestantes. 
 
 Natalia Quintino Dias 
 
Ministério da saúde 
Vacina tetravalente – atua contra os HPVs tipo 6, 
11, 16 e 18. 
População-alvo: 
- Meninas de 9 a 14 anos (2 doses: 0 e 6 meses). 
- Meninos de 9 a 14 anos (2 doses: 0 e 6 meses). 
- HIV+ de 9 a 45 anos (3 doses: 0, 2 e 6 meses). 
- Pacientes em tratamentos oncológicos em QT/RT 
ou transplantadas até 45 anos (3 doses: 0, 2 e 6 
meses). 
Em novembro/2020, a OMS lançou a Iniciativa 
Mundial de Eliminação do Câncer de Colo do Útero 
com 3 pilares e metas principais a serem instituídos 
até o ano de 2030: 
- Vacinação de 90% das meninas até os 15 anos de 
idade com a vacina contra o HPV. 
- Garantir que 70% das mulheres realizem pelo 
menos 1 teste efetivo de rastreio até os 35 anos de 
idade e outro até os 45 anos. 
- Garantir que 90% das mulheres identificadas com 
lesões precursoras ou câncer invasivo recebam 
tratamento. 
Alterações do exame citopatológico do colo de 
útero 
 
A maior parte das lesões regride espontaneamente 
e a minoria progride para câncer. O local mais 
comum para a displasia cervical é a Zona de 
Transformação (ZT). 
- Endocérvice – epitélio glandular colunar. 
- Ectocérvice – epitélio escamoso estratificado. 
- Ambos estão em continuidade e se encontram na 
Junção Escamocolunar (JEC). 
O epitélio glandular, sob os efeitos de alguns 
fatores, pode se transformar em epitélio escamoso 
(metaplasia escamosa) e esse é um processo 
fisiológico. Essa área é conhecida como Zona de 
Transformação (ZT). A ZT geralmente é 
ectocervical, mas tende a ficar endocervical em 
mulheres pós-menopausadas. 
Colposcopia 
Exame para avaliar o colo e a ZT de forma 
magnificada (6 a 40 vezes). Para ser considerada 
satisfatória, deve-se visualizar a ZT. 
Indicada para algumas alterações de CCO. 
Utiliza-se ácido acético 5% (cora células com 
núcleo com grande quantidade de proteínas – 
células jovens em sua maioria com bastante carga 
viral HPV) e lugol (cora células maduras ricas em 
glicogênio e não cora células jovens que não 
tiveram tempo de armazenar glicogênio). Quando 
há alteração após o ácido acético, chamamos de 
lesão acetorreagente ou acetobranca. Com lugol, 
dizemos que é iodo-negativa ou Schiller positiva. 
O iodo cora glicogênio! Células saudáveis 
apresentam níveis citoplasmáticos suficientes de 
glicogênio para permitir visualização do corante à 
colposcopia, enquanto as células doentes não se 
coram pelo mesmo motivo. Se o iodo não corou, 
“iodo-negativo”, o teste de Schiller deu positivo. 
Progressão da doença 
A doença intraepitelial cervical não é um processo 
contínuo, mas sim um sistema de 2 doenças 
descontínuas: Lesões Intraepiteliais de Baixo Grau 
(LSIL ou LIEBG) e Lesões Intraepiteliais de Alto Grau 
(HSIL ou LIEAG). 
A lesão de baixo grau é de menor risco de 
progressão para carcinoma invasivo, 
diferentemente das lesões intraepiteliais de alto 
grau, causadas por tipos de HPV oncogênicos, 
tendo comportamento de lesão precursora. 
 Natalia Quintino Dias 
 
NIC 1: representa a expressão citomorfológica de uma infecção transitória pelo HPV e tem alta 
probabilidade de regredir → NÃO é considerada lesão precursora do câncer do colo do útero. 
 Natalia Quintino Dias 
 
ASC-US (Atypical Squamous Cells – Undetermined 
Significance, provavelmente não neoplásica): 
Representa a atipia citológica mais comum no CCO. 
Pode ocorrer pela presença de inflamações 
inespecíficas, como corrimentos genitais, ou 
mesmo pela atrofia epitelial pós-menopausa. 
Devemos sempre procurar tratar esses fatores 
antes da próxima coleta. 
*Imunossuprimidas/ HIV → Colposcopia. 
ASC-H (atipias de significado indeterminado em 
células escamosas não podendo se excluir lesão de 
alto grau) = Colposcopia. 
AGC (Atypical Glandular Cells – atipias de células 
glandulares) = Colposcopia. Como a alteração é 
glandular, se ≥ 35 anos, deve-se realizar USGTV 
para avaliar endométrio. 
LSIL / LIEBG: Segunda atipia citológica mais comum 
no CCO. LSIL representa a manifestaçãocitológica 
da infecção causada pelo HPV → potencial de 
regressão frequente. 
• ≥ 25 anos → repetir em 6 meses. 
• < 25 anos → repetir em 3 anos (ou quando 
completar 25 anos). 
HSIL = colposcopia, inaceitável repetir CCO. 
Se na colposcopia houver um achado anormal = 
VER e TRATAR (tratamento excisional ambulatorial 
– exérese da zona de transformação – EZT). 
• < 25 anos → colposcopia com biópsia (sem 
EZT). 
• Gestantes – realizar a biópsia e em caso de NIC 
2/3 → reavaliar 90 dias pós-parto. 
Lesão intraepitelial de alto grau não podendo 
excluir microinvasão ou carcinoma epidermoide 
invasor: Colposcopia. 
• Se houver suspeita de invasão na colposcopia 
→ biópsia. 
• Se não houver suspeita → EZT. 
A conduta para um 1º achado de NIC 1 é o 
seguimento clínico! Há grandes chances de 
clareamento e eliminação da lesão. 
NIC 2 E NIC 3 
NÃO são câncer, mas sim lesões pré-neoplásicas. 
A conduta padrão para as pacientes com NIC 2/3 e 
idade maior que 25 anos é preferencialmente a 
cirurgia. 
A conização pode ser realizada com bisturi de 
lâmina fria (cone clássico), CAF (Cirurgia de Alta 
Frequência) e até o Laser de CO2. 
Condiloma acuminado 
As lesões da infecção pelo HPV são polimórficas, 
sendo as lesões pontiagudas denominadas 
condilomas acuminados. São as verrugas genitais. 
O tamanho pode variar de milímetros até 
centímetros. Costumam ser únicas ou múltiplas, 
achatadas ou papulosas, mas sempre 
papilomatosas. Por essa razão, a superfície 
apresenta-se fosca, aveludada ou semelhante à da 
COUVE-FLOR. 
Apresentam-se da cor da pele, eritematosas ou 
hiperpigmentadas. Em geral, são assintomáticas, 
mas podem ser pruriginosas, dolorosas, friáveis ou 
sangrantes. As verrugas anogenitais resultam 
quase exclusivamente de tipos não oncogênicos de 
HPV (os mais comuns são o 6 e o 11). 
● No homem, as lesões ocorrem mais 
frequentemente no folheto interno do prepúcio, 
no sulco balanoprepucial ou na glande. Podem 
acometer, ainda, a pele do pênis e/ou do escroto. 
● Na mulher, costumam ser observadas na vulva, 
na vagina e/ ou no cérvice. 
Em ambos, podem ser encontradas nas regiões 
inguinais ou perianais. 
Diagnóstico 
É clínico. 
Em situações especiais, há indicação de biópsia 
para estudo histopatológico: 
-- Dúvida diagnóstica, suspeita de neoplasias ou 
outras doenças. 
-- Lesões atípicas ou que não respondam 
adequadamente aos tratamentos. 
-- Lesões suspeitas em pessoas com 
imunodeficiências – incluindo a infecção pelo HIV, 
cânceres e/ou uso de drogas imunossupressoras –
, caso em que esse procedimento deve ser 
considerado com mais frequência e precocidade. 
Tratamento 
O objetivo do tratamento das verrugas anogenitais 
é a DESTRUIÇÃO das lesões identificáveis. Apesar 
de haver recomendação de tratamento, não há 
evidência de que os tratamentos disponíveis 
modifiquem a história natural da infecção pelo 
HPV. 
 Natalia Quintino Dias 
 
Recidivas são frequentes em tempo bastante 
variável, podendo ocorrer após meses ou anos. 
Dividem-se os tratamentos em domiciliares 
(realizados pelos próprios pacientes) e 
ambulatoriais (realizados pelos profissionais de 
saúde). 
Tratamento domiciliar 
Imiquimode 50 mg/g creme: é um modulador da 
resposta imunológica pela indução do interferon 
alfa e de outras citocinas. 
O imiquimode não destrói o vírus, mas auxilia na 
eliminação da verruga. Portanto, novas verrugas 
podem aparecer durante o tratamento. 
A exposição da pele à luz solar durante o 
tratamento deve ser evitada, em razão do aumento 
da sensibilidade cutânea a queimaduras. 
A inflamação provocada pelo imiquimode é o seu 
mecanismo de ação terapêutica; portanto, serão 
observados irritação e eritema no local do 
tratamento. É destinado apenas para uso externo. 
Para as verrugas externas genitais/anais, as 
aplicações devem ser realizadas em dias alternados 
(3x/sem). O tratamento com imiquimode deve ser 
mantido até o desaparecimento das verrugas ou 
por um período máximo de 16 semanas a cada 
episódio de verrugas. 
Podofilotoxina: é a forma purificada da podofilina e 
possui propriedades antimitóticas. A absorção 
sistêmica após a aplicação tópica é muito baixa. A 
aplicação de podofilotoxina deve ser feita 2 vezes 
ao dia, pela manhã e à noite, por 3 dias 
consecutivos, seguida por um período de 4 dias 
sem aplicação (um ciclo de tratamento). Caso haja 
qualquer verruga remanescente após 7 dias de 
aplicação, outro ciclo de tratamento pode ser feito. 
Recomenda-se, no máximo, 4 ciclos de tratamento. 
Tratamento ambulatorial 
Ácido tricloroacético (ATA) 80% a 90% em solução: 
agente cáustico que promove destruição das 
condilomas pela coagulação química de seu 
conteúdo proteico. Aplicar uma pequena 
quantidade com um aplicador de algodão, 
adequado ao tamanho das lesões. Deve-se evitar o 
contato com a mucosa normal e permitir que a 
solução seque – é observado um branqueamento 
semelhante à porcelana. A frequência e o número 
de sessões devem variar conforme a resposta, 
sendo adequado iniciar com aplicações semanais. 
É um tratamento que pode ser utilizado durante a 
gestação. 
Podofilina 10% a 25% (solução): derivada de 
plantas (Podophylum peltatum ou Podophylum 
emodi), tem ação antimitótica, podendo trazer 
dano ao tecido lesado e ao tecido normal. Aplicar a 
podofilina sobre as verrugas e aguardar a secagem, 
evitando o contato com o tecido são. A frequência 
e o número de sessões variam conforme a resposta 
ao tratamento, sendo adequado iniciar com 
aplicações semanais. Além de irritação local, a 
absorção de grande quantidade da substância 
pode acarretar cardio, neuro e nefrotoxicidade. 
É contraindicada na gestação. 
Eletrocauterização: exige equipamento específico 
e anestesia local. É apropriada para o caso de 
lesões exofíticas, pedunculadas e volumosas. 
Como vantagem, permite a destruição de todas as 
lesões em uma sessão. Os resultados dependem da 
experiência do operador; o uso inadequado da 
técnica pode resultar em cicatrizes desfigurantes e, 
excepcionalmente, estenose ou fístulas em 
estruturas tubulares, como uretra, canal anal e 
vaginal. 
Exérese cirúrgica: requer anestesia local. A exérese 
tangencial (shaving) com tesoura delicada ou 
lâmina é um excelente método, uma vez que, além 
da remoção completa das lesões, permite o estudo 
histopatológico dos fragmentos. É adequada para 
lesões volumosas, especialmente as pedunculadas. 
Em geral, não é necessário realizar sutura ou 
procedimento para hemostasia, sendo suficiente a 
compressão do local operado. 
Crioterapia: o nitrogênio líquido é atualmente a 
substância mais usada no tratamento ambulatorial 
das verrugas. Tem seu ponto de ebulição a – 192ºC 
e promove citólise térmica. Pode ser utilizada por 
meio de sondas, aplicadores de algodão ou, em sua 
forma mais prática, em spray, mediante 
equipamento específico. A crioterapia é atóxica, 
podendo ser utilizada na gestação. É muito 
apropriada em caso de lesões isoladas e 
queratinizadas. Geralmente bem tolerada, pode, 
excepcionalmente, requerer anestesia. 
A frequência e o número de sessões variam 
conforme a resposta ao tratamento, sendo 
adequado iniciar com aplicações semanais. 
 
 Natalia Quintino Dias 
 
Seguimento 
Sabendo-se que o tratamento das verrugas 
anogenitais não leva à erradicação viral, 
recorrências são frequentes. O paciente e sua(s) 
parceria(s) sexual(is) devem retornar ao serviço de 
saúde caso se identifiquem novas lesões. 
Gestação 
O HPV não causa infertilidade. Na gestação, as 
lesões podem apresentar crescimento rápido, 
atingir grande volume, tornar-se friáveis e 
sangrantes. O tratamento das gestantes muitas 
vezes tem pior resultado. A podofilina e o 
imiquimode não devem ser usados na gestação. 
O ácido tricloroacético ou o nitrogênio líquido são 
boas opções. Por vezes, especialmente no caso de 
lesões volumosas, a eletrocoagulaçãoou a exérese 
tangencial (shaving) são as melhores opções. Não 
há indicação de parto cesáreo pela presença das 
lesões, ainda que haja a possibilidade de 
transmissão destas ao recém- -nascido. A indicação 
seria a obstrução do canal de parto ou 
sangramento (ocorrências excepcionais). 
Lesões pré-malignas de vagina 
São lesões associadas ao HPV. 
Diagnóstico: a partir de biópsia, realizada durante 
a colposcopia. Essas lesões vão corar com o ácido 
acético (serão acetorreagentes) e não vão corar 
com o lugol (serão iodo negativo ou Schiller 
positivo). 
O tratamento será guiado pelo grau na lesão. 
● NIVA 1 (Neoplasia Intraepitelial Vaginal grau 1): 
há uma alta chance de eliminação espontânea. 
Então geralmente orienta-se o acompanhamento 
semestral da lesão. 
● NIVA 2 (Neoplasia Intraepitelial Vaginal grau 2) e 
NIVA 3 (Neoplasia Intraepitelial Vaginal grau 3): 
recomenda-se o tratamento, já que há o risco de 
evolução no longo prazo para o câncer de vagina. 
Há vários modos de tratamento, como técnicas 
destrutivas ou por excisão (bisturi elétrico, lâmina 
fria e até uso do laser de CO2). 
Lesões pré-malignas de vulva 
São lesões relacionadas aos vírus de HPV de alto 
risco (oncogênicos – 16 e 18). 
Diagnóstico: por biópsia, que pode ser realizada no 
próprio exame ginecológico “a olho nu” ou durante 
a vulvoscopia. Essas lesões vão corar com o ácido 
acético (serão acetorreagentes). Como é uma área 
bastante sensível, pode-se realizar uso de algum 
anestésico local antes da biópsia. 
O tratamento será guiado pelo grau da lesão. 
● NIV 1 (Neoplasia Intraepitelial Vulvar grau 1): alta 
chance de eliminação espontânea → seguimento 
semestral. 
● NIV 2 (Neoplasia Intraepitelial Vulvar grau 2) e 
NIVA 3 (Neoplasia Intraepitelial Vulvar grau 3): 
tratamento (pois há risco de evolução a longo 
prazo para câncer de vulva). Há vários modos de 
tratamento, como técnicas destrutivas ou por 
excisão (bisturi elétrico, lâmina fria e até uso do 
laser de CO2). 
Câncer de colo uterino 
É o câncer ginecológico mais comum entre as 
mulheres e o câncer ginecológico com mais mortes 
relacionadas mundialmente, sendo de maior 
prevalência em países subdesenvolvidos e em 
desenvolvimento. 
No Brasil, é esperado o diagnóstico de 16.710 
novos casos, com uma incidência média de 
16,35/100 mil mulheres; mas há diferenças 
regionais importantes, chegando a ser o tumor 
mais incidente após os tumores de pele não 
melanoma na Região Norte, o 2º no Nordeste e o 
5º no Sudeste, demonstrando como o acesso ao 
Serviço de Saúde Pública e o rastreamento são 
elementos fundamentais para o diagnóstico 
precoce, principalmente no momento das lesões 
pré-invasivas. 
Fatores de risco 
Está relacionado com situações de 
subdesenvolvimento e fatores comportamentais, 
como: 
• Infecção pelo HPV (principalmente 16 e 18). 
• Início precoce da atividade sexual. 
• Múltiplos parceiros sexuais. 
• Parceiro sexual de risco. 
• Atividade sexual sem proteção. 
• Tabagismo. 
• Desnutrição. 
• Imunossupressão. 
• Multiparidade. 
• Baixa escolaridade. 
• Baixo acesso ao Serviço de Saúde. 
 
 
 Natalia Quintino Dias 
 
Oncogênese 
O Carcinoma de Células Escamosas (CEC) se 
desenvolve nas Células da Junção Escamocolunar 
(JEC) infectadas pelo HPV de alto grau 
(principalmente 16 e 18), que se integra ao 
genoma celular, iniciando a replicação 
descontrolada – oncoproteínas E6 e E7 ligam-se às 
proteínas supressoras de tumor (p53 e Rb), 
inativando-as e perpetuando a progressão 
neoplásica. 
Disseminação local – as células cancerígenas 
passam a se desenvolver no colo uterino, podendo 
causar lesões exofíticas (para ectocérvice, visível ao 
exame físico) ou endofíticas (para endocérvice, 
com visualização mais difícil). 
Disseminação linfática – o colo uterino possui uma 
ampla rede linfática acompanhando o curso das 
artérias uterinas, drenando para linfonodos 
parametriais e paracervicais, em sequência com a 
evolução do quadro, para linfonodos pélvicos. 
Extensão local e a distância – a extensão e 
infiltração da lesão aos paramétrios (ligamentos de 
sustentação uterina, que passa em contiguidade 
aos ureteres distais) podem ocasionar 
hidronefrose; a extensão por contiguidade pode 
ocorrer também na bexiga e reto, em casos 
avançados. As lesões à distância (metástases) mais 
comuns são: pulmonares, ovarianas, hepáticas e 
ósseas. 
Tipos histológicos 
Os tipos mais comuns são: 
- Carcinoma de Células Escamosas (CEC) – 
corresponde a 80% dos casos e tem melhor 
prognóstico. 
- Adenocarcinoma. 
O adenocarcinoma se origina das células colunares 
do endocérvice, podendo muitas vezes se 
encontrar no fundo das criptas do canal 
endocervical e de modo multifocal, o que 
comumente dificulta seu diagnóstico e é a causa de 
grande parte dos diagnósticos falso-negativos do 
Papanicolaou e da colposcopia. Dessa forma, tem o 
seu diagnóstico retardado. 
Quadro clínico 
Nos estágios iniciais, costuma ser assintomático. 
Quando sintomáticos, podem ocorrer 
principalmente sangramento vaginal e 
sinusiorragia (sangramento durante ou logo após a 
relação sexual) ou aparecimento de corrimento 
líquido serosanguinolento (que as pacientes 
relatam como “água-de-carne”). 
Conforme ocorrem a progressão da doença e o 
avanço da infiltração tumoral, o tumor pode 
ocasionar hidronefrose e comprometimento renal 
do tipo pós-renal; hematúria, dor vesical e 
sensação de esvaziamento incompleto quando 
acometimento vesical; dor lombar e pélvica 
importante quando há comprometimento das 
raízes sacrais; além de edema de membros 
inferiores quando há comprometimento da 
drenagem linfática pélvica. 
Diagnóstico 
O exame de colpocitologia oncótica é o primeiro 
instrumento de rastreamento para o câncer de 
colo uterino. Os casos suspeitos são encaminhados 
para colposcopia e biópsia. 
Um exame especular adequado, com boa 
visualização do colo uterino e colposcopia dele, 
além do toque vaginal e do toque retal (para 
avaliação de comprometimento dos paramétrios), 
é fundamental. 
A cistoscopia ou retossigmoidoscopia somente 
deve ser realizada se houver sintomas urinários e 
intestinais associados a tumor visível ou palpável 
na topografia uterina (colo ou istmo uterino). 
Para o diagnóstico dos tumores ginecológicos, a 
biópsia sempre é mandatória (mesmo com imagem 
sugestiva), para o devido diagnóstico e 
determinação de subtipo histológico que pode 
interferir no melhor tratamento a ser proposto. 
Pacientes com colposcopia insatisfatória associada 
à colpocitologia oncótica alterada (ASC-H ou LIEAG) 
ou com lesões de alto grau em biópsia de colo 
uterino (NIC3) devem ser encaminhadas para 
realização de conização a frio para confirmação 
diagnóstica. 
Estadiamento 
Até 2018, o estadiamento do colo uterino era 
totalmente CLÍNICO. 
A FIGO acrescentou a avaliação linfonodal através 
de exames de imagem. 
Assim, o estadiamento atual é 
predominantemente clínico (exame físico), mas 
também radiológico. 
 Natalia Quintino Dias 
 
Deve ser realizado exame físico completo, com 
avaliação ginecológica pélvica e avaliação retal. 
Adjacentemente, realiza-se a ressonância 
magnética de pelve para avaliação da localização, 
do tamanho e da invasão tumoral, e a tomografia 
computadorizada de tórax e abdome superior para 
avaliação linfonodal (pélvica e para-aórtica) e 
presença de metástases (principalmente hepática, 
pulmonar e óssea). A cistoscopia e a 
retossigmoidoscopia podem auxiliar caso o exame 
físico e o exame de imagem não sejam conclusivos 
para o diagnóstico de invasão de bexiga e reto 
(atualmente são mais utilizados para confirmação 
diagnóstica de fístulas vesicouterinas ou 
vesicovaginais ou fístulas retovaginais). 
Taxa de sobrevida em 5 anos 
IA: 95-97,5% 
IB: 75-89% 
IIA: 73% 
IIB: 65% 
III: 39-41,5% 
IV: 9-22% 
 
Prevenção 
Método de prevenção primária: vacinaçãocontra o 
HPV. 
Prevenção secundária: colpocitologia oncótica 
(Papanicolaou) e a coleta de PCR DNA-HPV. 
Tratamento 
Estadio I: são passíveis de cirurgia. 
 Natalia Quintino Dias 
 
Em estágios mais avançados são tratados com 
RT+QT. 
 
 
Histerectomia radical 
Nesse tipo de histerectomia, removem-se o colo 
uterino, o corpo do útero, a parte da vagina 
proximal e os paramétrios bilateralmente. Essa 
técnica ainda envolve a dissecção de linfonodos 
pélvicos. Como os ovários não são fator de risco 
para o câncer de colo uterino, podem ser 
preservados (exceto nos casos de adenocarcinoma 
ou células claras, em que os ovários devem ser 
removidos, devido ao maior risco de metástase). 
→ Pacientes submetidas a este procedimento 
devem se manter com sonda vesical de demora por 
7 a 14 dias, quando se realiza resíduo pós-
miccional; em caso de volume acima de 150 mL, a 
sonda vesical de demora deve ser mantida por 
mais 7 a 14 dias. Tal fato ocorre devido à 
manipulação e ao trauma da inervação sacral e 
sacral profunda, com lesões temporárias ou, às 
vezes, permanentes da inervação responsável pelo 
esvaziamento vesical. 
Tratamento sistêmico 
A base do tratamento é a radioterapia 
propriamente dita, tanto pélvica externa 
(teleterapia) quanto braquiterapia. 
A quimioterapia é baseada em cisplatina 
concomitante à radioterapia e tem como função 
somente a potencialização do efeito da 
radioterapia (ter mais ação com menor dose de 
radiação). 
As principais complicações são derivadas da 
ionização da vagina (retite e cistite actínica), 
fístulas e atrofia vaginal, levando à disfunção 
sexual. 
O tratamento sistêmico com intuito curativo é 
indicado a partir do estágio IB2/ IB3. Nos casos 
muito avançados (estágio IVB), a quimioterapia 
passa a ter papel fundamental para controle da 
doença à distância (realizada como 1ª linha na 
maioria dos casos: carboplatina + paclitaxel) e a 
radioterapia pode ser indicada na pelve para 
controle de sintomas (com intuito de conforto/ 
paliação). 
Mesmo nos casos em que houve indicação 
cirúrgica, pode haver a necessidade de realização 
de terapia adjuvante com radioterapia, a depender 
da avaliação dos Critérios de Sedlis. Estes critérios 
observam o tamanho do tumor, o grau de 
profundidade da invasão estromal e a presença de 
invasão angiolinfática; a depender do escore 
apresentado, pode ser necessária a realização de 
braquiterapia (risco intermediário) ou QRT (risco 
alto).

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