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Cadu – 5°β / TIII • Infecção da superfície endotelial do coração. - Geralmente acomete as valvas. - Fatal e associada a complicações graves. - Difícil diagnóstico. EPIDEMIOLOGIA • Aumento significativo nos países desenvolvidos, especialmente após cirurgia de prótese valvar, marcapasso e uso de drogas intravenosas. • No Brasil, o principal fator de risco é a febre reumática, que tem como consequência lesão de valva cardíaca. FISIOPATOLOGIA - Para ocorrer, tem como condições lesão do endotélio cardíaco e bacteremia • O endocárdio tem um mecanismo de proteção que impossibilita a colonização bacteriana. Contudo, qualquer trauma no endotélio cardíaco leva à formação de trombo. • No local em que o trombo foi formado há perda da proteção, de modo que microrganismos passam a conseguir aderir para colonizar. • Com isso, em casos de bacteremia, bactérias conseguem aderir e colonizar o endocárdio. • O processo inflamatório que se desenvolve pode ter crescimento em sentido horizontal e em direção ao lúmen ventricular, formando a lesão vegetante. - As lesões vegetantes podem romper e formar embolo que vai para a circulação e pode causar obstrução de vasos. • Agora aderidas, as bactérias produzem toxinas que causam mais lesão endotelial, a qual pode atingir os folhetos das valvas cardíacas, causando destruição valvar. CLASSIFICAÇÃO AGUDA • < 6 semanas de evolução após o evento a lesão do endocárdio. SUBAGUDA • > de 6 semanas de evolução após a lesão do endocárdio. VALVAS NATIVAS • Infecção na valva natural. VALVAS PROTÉTICAS • Infecção na prótese. FATORES DE RISCO - Relacionados com pacientes que têm propensão a ter lesão cardíaca e / ou bacteremia. • Idade > 60 anos. - Maior idade = maior chance de doença valvar degenerativa = necessidade de substituição valvar. • Sexo masculino. • Dentição deficiente ou infecção dentária. • Uso de prótese valvar. - Não tem a proteção, o que gera aumento de risco de colonização em caso de bacteremia. ENDOCARDITE INFECCIOSA Cadu – 5°β / TIII • Dialíticos. - Têm maior risco de bacteremia. • Imunodeprimidos. - Maior chance de bacteremia, pois a redução das defesas faz com que os microrganismos fiquem mais tempo presentes na circulação. - Correm o risco não apenas por bactérias, também por fungos. • Uso de drogas EV. - Falta de assepsia local. - Compartilhamento de perfurocortantes. • Valvopatias reumáticas. - Perda da proteção por ataque dos folhetos valvares pelos Ac, gerando processo inflamatório que lesa a parede dos folhetos. • Uso de dispositivos cardíacos. - Má instalação pode causar microtraumas no endocárdio. • Endocardite prévia. - O local que a bactéria causou trauma anteriormente forma cicatriz e a proteção não é restabelecida. AGENTES ETIOLÓGICOS PREVALENTES - Têm maior resistência aos mecanismos de defesa, conseguindo chegar até o coração. ESTREPTOCOCOS • E. viridans. - Principal. - Maior quantidade na cavidade oral. - Em caso de cárie e lesão gengival, alcançam a circulação. - Predomina na EI subaguda de valva nativa. • E. gallolyticus. - Associado a neoplasias intestinais, podendo a bacteremia ocorrer pelo processo invasivo do tumor visto que essa bactéria faz parte da microbiota intestinal. - Necessário pesquisa de neoplasia intestinal. ESTAFILOCOCOS AUREUS • Presente principalmente na pele. • Mais comum em usuários de drogas EV. • Predomina na EI aguda de valva nativa. BACTÉRIAS DO GRUPO HACEK • Haemophilus aphrophilus. • Actinobacillus actinomycetemcomitans. • Cardiobacterium hominis. • Eikenella corrodens. • Kingella kingae. FUNGOS - Cândida. - Imunodeprimidos. QUADRO CLÍNICO - Sintomas inespecíficos, devendo ser feita associação com FR. - Procurar sinais de infecção nos focos mais comuns (seios da face, pulmões, sistema urinário e licor). • Mal estar. • Calafrios. • Hiporexia. SINAIS E SINTOMAS QUE AUXILIAM NA HD • Febre de origem indeterminada. • Sopro cardíaco. - Por destruição dos folhetos valvares. • Fenômenos embólicos. - Crescimento vegetante pode romper. Cadu – 5°β / TIII • Fenômenos imunes. - Secundários a produção de Ac e suas ações sobre as bactérias. DIAGNÓSTICO • Anamnese. - FR. • Exame físico. - Cavidade oral. - Sopro cardíaco. - Sinais neurológicos. - Presença de hemorragias distais (ungueal, conjuntival). A obstrução do vaso pelo êmbolo que rompeu do crescimento vegetante podem chegar a microcirculação, obstruir e, como esses vasos são frágeis, não há isquemia, mas rompimento, sendo desenvolvida hemorragia no local. CONFIRMAÇÃO - Critérios de Duke. - 2 critérios maiores, 1 maior e 3 menores ou 5 menores. - MAIORES • Hemoculturas positivas para EI. - Microorganismos típicos para EI em 2 hemoculturas diferentes. - Microrganismos compatíveis com EI em hemoculturas persistentemente positivas. 2 hemoculturas positivas com diferença de 12h de coleta, todas de 3 ou a maioria de 4 amostras (primeira e última com diferença mínima de 1h) ou uma única amostra positiva para Coxiella burnettiou com IgG > 1:800. • Exame de imagem sugestivo de EI. - ECO positivo: vegetação, abscesso, pseudoaneurisma, fístula intracardíaca, perfuração valvar, aneurisma, deiscência de prótese valvar. - Atividade anormal no local de implante da prótese valvar. - Lesão para valvares vistas por TC cardíaca. - MENORES • Condições cardíacas predisponentes ou uso de drogas injetáveis. • Febre > 38°C. • Fenômenos vasculares. - Embolia arterial. - Infartos pulmonares sépticos. - Aneurisma micótico. - Hemorragia intracraniana. - Hemorragia conjuntival. Cadu – 5°β / TIII - Lesões de Janeway: maculas eritematosas não dolorosas causadas por focos hemorrágicos na palma das mãos e na planta dos pés em decorrência de embolização séptica. • Fenômenos imunológicos causados por imunocomplexos bacterianos. - Glomerulonefrite. - Nódulos de Osler: nódulos violáceos subcutâneos dolorosos. Principalmente nas polpas digitais, mas também podem aparecer nas regiões tenar e hipotênar. - Manchas de Roth: lesões hemorrágicas exsudativas e edematosas da retina com centros pálidos. - Fator reumatoide. • Evidências microbiológicas que não se enquadram em critérios maiores. - Hemocultura positiva que não preenche critério maior. - Evidência sorológica de infecção ativa por organismo consistente com EI. PROGNÓSTICO Cadu – 5°β / TIII TRATAMENTO • Hospitalar. • Pedir hemocultura com antibiograma. - Escolha do melhor tratamento. - Em caso de hemocultura impossível ou demora para resultado, fazer uso de antibiótico de amplo espectro / terapia empírica. • Associação de antibióticos tem melhor resposta que iniciar com monoterapia. - Via EV. - Via oral não resolve. DURAÇÃO • Valva nativa. - 2 – 6 semanas. • Prótese valvar. - > 6 semanas. STREPTOCOCUS - CEFTRIAXONE • 2g. • EV ou IM. • 1x ao dia. Ou - PENICILINA G CRISTALINA • 300 – 400 UI. • 4 em 4h. • Máximo de 20 milhões / dia. - STREPTOCOCUS PERSISTENTE • Ceftriaxone - 2g. - EV ou IM. - 1x ao dia. • Gentamicina - 3mg / Kg / dia. - EV ou IM. - 1x ao dia. - Efeitos ototóxico e nefrotóxico. ENTEROCOCUS - AMPICILINA • 200mg / Kg / dia. • 4 – 6 doses / dia. + - CEFTRIAXONE • 4g / dia. • 2x / dia. ou - VANCOMICINA • 30mg / Kg / dia. • 2x / dia STAPHYLOCOCUS - OXACILINA • 12g / dia. • 4 – 6 doses / dia. - SE ALERGIA A OXACILINA • Vancomicina - 30 – 60mg / Kg / dia.- 2 – 3 doses / dia. FUNGOS - ANFOTERICINA B ESQUEMA EMPÍRICO • Hemocultura não disponível. Cadu – 5°β / TIII • Hemocultura demorada. - Iniciar o esquema e depois fazer tratamento específico. INDICAÇÃO CIRÚRGICA • Retirada de extensa lesão vegetante. • IC secundária a EI. • Hemocultura positivamente persistente pós antibioticoterapia. • Prevenção de tromboembolismo. - Grandes lesões vegetantes. - Episódios embólicos prévios. PROFILAXIA • Em pacientes com risco de bacteremia por contaminação intra oral. • Pacientes com alto risco. - EI prévia. - Portadores de prótese valvar. - Transplante com valvopatia. NÃO FARMACOLÓGICA • Escovação. • Fio dental. • Consultas odontológicas trimestrais. FARMACOLÓGICA • Amoxilina. - 2g. - 1h antes do procedimento odontológico. - SE ALERGIA À AMOXILINA • Azitromicina ou claritromicina. - 500mg. - 1h antes do procedimento odontológico.