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1) OBJETIVOS - Construir o raciocínio clínico nas disfonias funcionais; - Correlacionar os dados da avaliação laríngea, perceptivo auditiva e acústica da voz nas disfonias funcionais; - Definir os critérios diagnósticos das disfonias funcionais; - Elaborar o planejamento terapêutico nas disfonias funcionais. 2) DISFONIAS FUNCIONAIS - Divididas em 3 grandes grupos: • Disfonias funcionais primárias: - Tem como fator etiológico o comportamento vocal • Disfonias funcionais secundárias: - Comportamento Vocal associado às inadaptações vocais OBS: Ou seja, o indivíduo vai apresentar uma alteração na estrutura laríngea que diminui a resistência vocal, com um comportamento vocal mais exigente, o indivíduo vai desenvolver a disfonia - Inadaptações vocais • Disfonias funcionais psicogênicas: - Simbolismo psicológico na comunicação 3) DISFONIAS FUNCIONAIS PRIMÁRIAS - Fator etiológico: Comportamento vocal • Falta de conhecimento vocal - Das potencialidades vocais • Modelo vocal inadequado às características anatomofuncionais do indivíduo - Tentativa de reproduzir um modelo vocal que não corresponde as características anatomofuncionais - Comportamento vocal: • Hábitos ou uso vocal inadequado ao nível: - Glótico • Ex.: Falar em forte intensidade com uma constrição de pregas vocais muito grande - Respiratório • Ex.: Incoordenação pneumofônica - Ressonantal • Ex.: Uso de ressonância muito alta ou muito baixa → Isso gera uma alteração na projeção vocal exigindo fortes intensidades - Articulatório • Também vera alteração na projeção vocal - Corporal • Hábitos corporais inadequados - Todos esses hábitos e usos inadequados geram ajustes musculares hiperfuncionais • Ao longo do tempo, vai sobrecarregar a laringe e gerar uma disfonia - Modelo Vocal Deficiente: • Crianças → Modelo familiar, escolar e social OBS: Muito comum em crianças que buscam reproduzir modelos vocais, imitar a voz do pai, mãe, professora, colega... • Adultos → Profissional e social OBS: Uso profissional da voz, buscando modelos vocais. • Pensamento importante → Modelo vocal eleito está próximo às possibilidades vocais do indivíduo? - Possibilidades vocais - 3 tipos de extensão vocal 1- Extensão vocal fisiológica ou potencial → Do mais grave ao mais agudo, do mais forte ao mais fraco que consegue produções, sem levar em consideração se está ou não fazendo esforço, ou seja, é a contração máxima da musculatura laríngea. 2- Extensão da voz cantada (tessitura) 3- Extensão da voz falada → Uso de ⅓ da extensão vocal potencial. OBS: Quando o indivíduo elege modelos que estão fora desse campo de voz falada que é mais confortável pra ele, ele acaba utilizando regiões de sua extensão potencial, por querer falar mais grave ou mais agudo por ser próximo ao modelo que deseja, e acaba gerando sobrecarga. OBS: Seja no comportamento vocal ou no modelo vocal, o indivíduo usa essa musculatura e quebra a sinergia muscular pois usa a musculatura de forma hiperfuncional, o que vai ao longo do tempo gerando fadiga muscular. - Diagnóstico clínico: • Exame de laringe normal OBS: Disfonia primária é uma disfonia inicial, ainda não há lesão, mas há um quadro de fadiga muscular com presença de alteração vocal • Alteração da qualidade vocal – G1 (grau leve) B (soprosidade) ou R (rugosidade) • Presença de fadiga vocal → Associação com a demanda da voz 4) DESCRIÇÃO – CASO CLÍNICO 1 - Feirante, 23 anos - Queixa: “Minha voz está piorando ao longo do tempo e agora eu canso para falar” . Queixa de fadiga vocal e baixa resistência há mais de 03 anos, o que coincide com o aumento da demanda no trabalho. - ORL: Laringe normal. Paciente medicada para rinite alérgica. - Avaliação fonoaudiológica: • Qualidade vocal rugosa de grau leve • G1R1B0A0S0l0 • Ataque vocal brusco • Articulação indiferenciada • Tensão na região cervical e laríngea • Shimmer alterado • Outros parâmetros de acordo com o esperado • Análise espectrográfica: Traçado regular, estável, riqueza de harmônicos (até 5kHz), não apresenta subharmônicos e há presença de ruído → Se relaciona com o parâmetro auditivo, pois o Shimmer alterado indica aperiodicidade da amplitude e a presença de ruído, coincidindo com a disfonia de grau leve → Achados mostram que há aperiodicidade de vibração das PPVV, muito provavelmente em função da fadiga muscular. - Diagnóstico clínico: • Qualidade vocal rugosa de grau leve • Ataque vocal brusco • Articulação indiferenciada • Tensão na região cervical e laringea • Rinite alérgica • Fadiga vocal relacionada ao uso profissional OBS: O planejamento terapêutico não conta com objetivos específicos para qualidade vocal e fadiga vocal porque eles estão no objetivo geral, já que todo o tratento tem como objetivo esses dois sintomas/aspectos, já os outros aspectos precisam ser abordados no específico - Planejamento Terapêutico: • Objetivos específicos 1. Adequar ataques vocais (quando forem bruscos). 2. Adequar articulação. 3. Equilibrar força muscular da região cervical. 4. Orientar sobre cuidados com a voz. • Uso profissional da voz • Rinite alérgica • Hidratação (Abordar os hábitos de higiene vocal) 4) DISFONIA FUNCIONAL SECUNDÁRIA - Fator etiológico: Inadaptações vocais → falta de adaptação de estruturas do aparelho fonador - Restringem ou não o desempenho vocal - Consequências: • Resistência vocal → fadiga • Impacto vocal variável - Inadaptações Anatômicas (AEM) • Assimetrias laríngeas • Fusão laríngea posterior incompleta (muito rara) • Desvios na proporção glótica • Alterações estruturais mínimas – AEMC - Inadaptações Anatômicas (AEM) 1- Assimetrias laríngeas Laringe Assimétrica Laringe Simétrica - Conceito de laringe simétrica • Uma laringe simétrica seria um lado exatamente igual ao outro (imagem especular), mas não há essa simetria no corpo, ou seja, uma leve simetria é normal. - Assimetrias anatômicas - Assimetrias funcionais – pior prognóstico • Simetria laríngea X voz normal • Impacto variado – resistência • Voz fluida, grave, pouca modulação - Desvios na proporção glótica: • Proporção intermembranosa • Proporção intercartilaginosa • Proporção - 2:1 homens - 1:1 mulheres e crianças - Gera diferença no modo de coaptação • Coaptação x proporção glótica - Faz com que haja maior prevalência das fendas posteriores nas mulheres (66%) e ocorrência de fendas triangulares em crianças - Predispõe a lesões de massa e fadiga vocal 2- Fendas Glóticas - Fenda não é diagnóstico é sinal laríngeo • Por isso o importante é descobrir o que está gerando a fenda. - Trabalho não com a fenda, mas com o fator causal. • Ou seja, é necessário saber o que está gerando a fenda para intervir, não é o tipo de fenda que importa - Tamanho X soprosidade • O tamanho da fenda não tem relação direta com o grau de soprosidade - Fechamento incompleto é o achado mais comum nas Disfonias funcionais - Principais fatores causais das fendas: • Desequilíbrio da musculatura intrínseca Ex.: Fenda triangular médio posterior • Distúrbios neurológicos • Redução da mobilidade da mucosa • Lesões de massa OBS: A própria lesão de massa impede o fechamento glótico • Assimetrias de volume e extensão das PPVV - Tratamento → Quando pensa em tratamento, é importante considerar o fator causal • Adequar a coaptação glótica - Quando for hiperfuncional - Quandofor hipofuncional • Estimular o movimento mucoondulatório 5) FENDAS GLÓTICAS: 1- Fenda triangular posterior - Área respiratória da laringe padrão feminino e infantil - Sinal laríngeo funcional em 66% das mulheres • Crianças OBS: Mulheres e crianças têm proporção glótica de 1:1 e isso faz com que a fenda triangular posterior seja prevalente. - Pressão de fechamento glótico na mulher é maior porque a área é menor OBS: As mulheres por terem a prega vocal menor, são mais suscetíveis a fonotraumas e é por isso que vemos uma prevalência maior de DISFONIA nas mulheres - Não há indicação de Fonoterapia 2- Fenda triangular médio – posterior - Muito ligado ao estado hiperfuncional da laringe → Ação do cricoaritenoideo posterior (CAP) - Limitação da área de contato da prega vocal - Fluxo de ar → Turbilhona - Qualidade vocal → Soprosa e/ou rugosa com redução do TMF - Indicação de Fonoterapia - Diagnóstico etiológico= Disfonia Funcional Secundária (Porque tem uma hiperfunção muscular) 3- Fenda triangular ântero- posterior - Estado hipofuncional da laringe → presbifonia, distúrbios neurológicos - Psicogênicas - Qualidade vocal – soprosa, TMF V, restrita projeção vocal e ataque vocal soproso - Fonoterapia 4- Fenda Dupla - Fenda triangular médio- posterior + nódulos + fenda anterior OBS: Paciente com fenda triangular médio posterior já apresentando diminuída resistência vocal, aliado aos comportamentos vocais gera nódulo que leva ao surgimento da fenda anterior formando a fenda dupla OBS: Efeito massa da lesão gera a fenda anterior que junto com a fenda triangular médio posterior forma a fenda dupla. - Qualidade vocal – rugosa/soprosa, fadiga vocal - Quadro hiperfuncional → Necessidade de adequação do fechamento glótico - Fonoterapia - Diagnóstico etiológico: Disfonia organofuncional 5- Fenda em ampulheta - Normalmente pacientes apresentam lesão no terço médio das PPVV → Pólipo, cisto... - Também forma uma fenda anterior e uma posterior, mas em vez de formar um triângulo como na fenda dupla, formará um fuso. - Fonoterapia → Limitada para o fechamento da fenda pois o fechamento não ocorre pois a lesão não permite. Então é necessário remover a lesão do terço médio para que haja o fechamento glótico 6- Fenda fusiforme ântero- posterior - Muito comum - Fuso na região anterior até a posterior - Atrofia de mucosa → Muito ligada a rigidez de mucosa (cicatriz iatrogênica, presbifonoa, sulco) - Alterações estruturais → Sulco (90% das pessoas que tem sulco, tem fenda fusiforme ântero-posterior) - Disartria hipocinética – Parkinson - Qualidade vocal → Rugosa, Soprosa e bitonal - Indicação de Fonoterapia • Para fechar a fenda: - Se for por causa de rigidez da mucosa= Estimular o movimento mucoondulatório - Se for pela presença de uma alteração neurológica= Adequar o fechamento glótico nós casos hipofuncionais - Diagnóstico etiológico= Depende da causa • Se for pelo sulco= Disfonia Funcional Secundária • Se for por uma cicatriz ou presbifonia= Disfonia orgânica • Alteração neurológica (Parkinson)= Disfonia orgânica 7- Fenda irregular - Irregularidade da glote → laringites, leucoplasia, atrofias de mucosa - Qualidade vocal varia de acordo com a causa da irregularidade - Fonoterapia muito ligada ao fator causal 6) DESCRIÇÃO – CASO CLÍNICO 2 - Professora, 31 anos - Queixa: “Depois que comecei a dar aulas em dois períodos, minha voz está piorando” OBS: Comportamento maior que a resistência vocal - Queixa de piora da qualidade vocal e fadiga vocal há 02 anos, com piora mais evidente no final da semana. - ORL: fenda triangular médio-posterior Professora, 31 anos - Avaliação Fonoaudiológica: • Qualidade vocal soprosa/rugosa de grau moderado • G2R1B2A0S0l0 • TMF= 12 seg (Reduzido) • Incoordenação pneumofonoarticulatória (IPFA) Tensão na região cervical e laríngea - Avaliação ergonômica do uso da voz na situação de trabalho - Análise espectrográfica: Traçado regular, estável, Presença de ruído, diminuição da intensidade dos harmônicos correspondentes às frequências mais agudas a partir de 3kHz (diminuição da energia da estrutura harmônica) • Shimmer e Jitter alterados, mostrando uma correlação com o grau de DISFONIA moderado. • Aperiodicidade de vibração das pregas vocais e escape aéreo não sonorizado em função da fenda triangular médio posterior - Diagnóstico clínico: • Qualidade vocal soprosa/rugosa de grau moderado • Fenda triangular médio-posterior • Redução de TMF • IPFA (Incoordenação Pneumofonoarticulatória) • Tensão na região cervical e laringea • Fadiga vocal e piora da qualidade da voz relacionada a uso profissional OBS: Qualidade vocal e fadiga vocal entram em objetivos gerais e os outros aspectos entram em objetivos específicos - Planejamento Terapêutico: • Objetivos específicos 1. Adequar a coaptação glótica (quando for hiperfuncional). 2. Adequar coordenação pneumofonoarticulatória 3. Adequar o tempo máximo de fonação (TMF). 4. Equilibrar força muscular da região cervical. 5. Orientar sobre cuidados com a voz. • Uso profissional da voz (amplificação) • Hidratação