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1 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Internato 2022.1 2 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Conceitos gerais: → Crescimento: processo biológico de aumento da massa corporal (hiperplasia e hipertrofia); → Medido de forma quantitativa; → Métricas: o Peso; o Comprimento (até 2 anos) e altura (>2 anos); o Perímetro cefálico. → Desenvolvimento: processo em que os indivíduos adquirem novas habilidades e funções; → Avaliado de forma qualitativa; → São processos interligados: crescimento + desenvolvimento; → Normalmente, crianças que crescem bem, se desenvolvem bem. Fatores que influenciam o crescimento: → Fatores extrínsecos: o Meio ambiente; o Nutrição com macro e micronutrientes; o Atividade física → Fatores intrínsecos: o Fatores genéticos: ▪ Ausência de cromossomopatias e mutações genéticas; ▪ Potencial genético herda do pai e da mãe. o Alvo genético: Meninos: estatura do pai + estatura da mãe + 13/2 +/-10 Meninas: estatura do pai + estatura da mãe – 13/2 +/-9 o Sistema neuroendócrino: ▪ GH/IGF1: atuam nas placas de crescimento; ▪ Hormônios tireoidianos; ▪ Glicocorticoides; ▪ Esteroides sexuais. → GH: o GNRH: hormônio hipotalâmico liberador de GH; o GH: hormônio liberado pela adeno-hipófise que atua sobre as cartilagens e epífises de crescimento. → Hormônios tireoidianos: o Na criança, o principal sintoma é o atraso do crescimento e do desenvolvimento; o Crianças com hipotireoidismo congênito normalmente nascem com tireoide ectópica, aplasia ou hipoplasia de tireóide; o O distúrbio não é decorrente de alterações hormonais. → Glicocorticoides: o Usada normalmente para doenças reumatológicas ou pneumopatias em crianças; o Outra doença: insuficiência adrenal; o Não deve ser utilizado com frequência em crianças sem essas comorbidades pela alteração do crescimento. → Hormônios sexuais: o Promove o estirão da puberdade. Fases de crescimento: Fase intrauterina: → Fase de maior crescimento da vida humana: vida intrauterina; → Pouca influência do GH, hormônios tireoidianos e potencial genético; → Muito estímulo da insulina. Fase do lactente: 3 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Fase de maior crescimento extrauterino (1º ano de vida): o 15 cm no primeiro semestre; o 10 cm no segundo semestre; o 12 cm no segundo ano de vida; → Fatores ambientais e nutricionais possuem grande influência nessa fase. Fase pré-puberal: → 3º ano de vida até o início da puberdade; → Aumento de 2-3 kg/ano e crescimento de 6-7 cm/ano; → Grande influência do GH e potencial genético. Fase puberal: → Influência do crescimento pelo GH e esteroides sexuais. O sistema nervoso central cresce até os 2 primeiros anos de vida, por isso, mede-se o perímetro cefálico nessas crianças até essa idade. Avaliação do crescimento: Peso: → Sofre influência de muitos fatores; → Mais sensível do que específico; → Se altera inclusive com quadros agudos; → Crianças 0-23 meses: o Pesagem com balança pediátrica; o Capacidade da balança: até 16 kg; o Devem estar despidas, sentadas ou deitadas no centro da balança. → Crianças de 24 meses ou mais: o Balança plataforma; o Posicionar a criança de costas para o medidor da balança; o Descalça e com poucas roupas; o Ereta no centro do equipamento; o Com os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo. → A criança DOBRA o peso do nascimento aos 4-5 meses (nasceu com 3kg – 6kg aos 4-5 meses); → A criança TRIPLICA aos 12 meses; → A criança QUADRUPLICA entre 2 anos e 2 anos e meio; → Dos 2-8 anos: ganho de 2 kg/ano até a puberdade; → Estimativa do peso: o Situações que impossibilitam a pesagem (emergências por exemplo); o 3-11 anos: peso = idade x 2 +9. → Ao nascimento: perda de 10% do peso de nascimento na PRIMEIRA semana de vida com recuperação desse peso na SEGUNDA semana; → Ganhos: o 1º trimestre: 700g/mês ou 25-30g/dia; o 2º trimestre: 600g/mês ou 20g/dia; o 3º trimestre: 500g/mês ou 15g/dia; o 4º trimestre: 400g/mês ou 12g/dia; o Fase pré-escolar: 2 kg/ano ou 8-6g/dia; o Fase escolar: 3-3,5 kg/ano. Estatura: 4 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Ao nascimento: RN a termo mede 50 cm; → 1º ano de vida: o 1º semestre: 15 cm; o 2º semestre: 10 cm. → 2º ano de vida: aumento de 12 cm/ano; → Após 2 anos: crescimento de 5-7 cm/ano até a puberdade; → Com 4 anos a criança mede em torno de 1 metro; → Puberdade: o Pico de VC; o Meninas: o Meninos: Perímetro cefálico: → Reflete indiretamente o crescimento cerebral nos 2 primeiros anos; → Primeiros meses de vida: identifica desvios do desenvolvimento neurológico; → Medido passando uma fita métrica do ponto MAIS elevado do occipital até a glabela (região supraorbitária); → Medidas: o Ao nascimento: média de 25 cm; o 1º trimestre: 2 cm/mês; o 2º trimestre: 1 cm/mês; o 3º e 4º trimestre: 0,5 cm/mês; o 1 ano: aumento de 12 cm (PC médio 47 cm); o 2º ano: 2 cm/ano; o Do período pré-escolar até 18 anos: crescimento de 5 cm ao todo. Proporções corporais: → A relação entre o segmento superior e o segmento inferior é maior ao nascimento e diminui com a idade, com valores entre 0,9-1 por volta da puberdade; o Medida da estatura; o Medida da estatura sentada; o SS/SI. → Envergadura: distância entre os dedos médios das mãos estando os braços abertos; → Na adolescência, a relação envaergadura/estatura fica em torno de 1; → Envergadura >5 cm em relação à estatura: proporções eunucoides (pensar em hipogonadismo). Avaliação e interpretação: → Percentil: curvas da OMS; → Z-SCORE: informa a posição relativa do paciente em relação a média para a idade; o Z-SCORE = 0 equivale ao P50. Exemplo: Z-SCORE = estatura encontrada – estatura esperada / desvio padrão da estatura para idade Estatura pela idade: → <-3: muito baixa estatura para idade; 5 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Entre -3 e -2: baixa estatura para idade; → >-2: estatura adequada para idade. Peso para idade entre 0-10 anos: → <-3: muito baixo peso para a idade; → Entre -3 e -2: baixo peso para a idade; → Entre -2 e +2: peso adequado para a idade; → >+2: peso elevado para idade. Peso para estatura ou IMC para idade entre 0-5 anos: → <-3: magreza acentuada; → Entre -3 e -2: magreza; → Entre -2 e +1: eutrofia; → Entre +1 e +2: risco de sobrepeso; → Entre +2 e +3: sobrepeso; → >+3: obesidade. IMC para idade entre 5-19 anos → <-3: magreza acentuada; → Entre -3 e -2: magreza; → Entre -2 e +1: eutrofia; → Entre +1 e +2: sobrepeso; → Entre +2 e +3: obesidade; → >+3: obesidade grave. Manguito para aferição da pressão arterial em crianças: Desenvolvimento: → Avaliação de 4 áreas: o Motora; o Adaptativa ou motora fina; o Social; o Linguagem. → Regras: o Desenvolvimento é sequencial e previsível; o Segue uma sequência cefalocaudal e do centro para periferia; o Primeira, pega, depois, solta. Recém-nascido: → Motor: membros fletidos, postura tônico-cervical e cabeça pende; → Adaptativo: fixa a visão; → Social: prefere a face humana (30 cm de distância); → Criança sempre deve dormir de barriga para cima no berço, sem protetores, direto no colchão, sem travesseiro ou outros tecidos (prevenção de asfixia e morte súbita do lactente). 1º mês: → Motor: pernas mais estendidas, postura tônico-cervical, levanta o queixo em prona; → Adaptativo: segue um objeto em movimento de 90°; → Social: sorri. 2º mês: → Motor: postura tônico-cervical, levanta a cabeça em prona, sustentaçãopendular da cabeça; → Adaptativo: segue um objeto em movimento por 180°; → Social: sorri socialmente (em resposta a estímulos); → Linguagem: vocaliza. Tummy time: 3 meses: → Motor: levanta a cabeça e tronco em posição prona, sustentação pendular da cabeça; → Adaptativo: estende a mão para objetos; 6 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Social: contato social (vocaliza e sorri); → Linguagem: sons guturais. 4 meses: → Motor: levanta a cabeça e tórax com a cabeça em posição vertical, mãos na linha média e sustenta a cabeça; → Adaptativo: → Social: → Linguagem: gargalhadas. 6 meses: → Senta com apoio e sustenta o peso com o membro inferior; → Agarra cubos com as mãos, tenta pegar objetos pequenos, tenta alcançar objetos; → Rola sobre seu eixo; → Inclina-se com as mãos para frente; → Adaptativo: pega radial e transfere objetos com as mãos; → Social: prefere a mãe; → Linguagem: polissílabos vogais (lalação). 9-10 meses: → Motor: senta-se sozinho e sem apoio e alguns engatinham. o Andador: NÃO pode ser utilizado pelo risco de acidentes, principalmente TCE e queimaduras. → Transfere-se de deitado para sentado. Começa a ficar em pé com apoio; → Adaptativo: segura objetos com pinça entre polegar e indicador, solta objetos se retirados; → Social: estranha pessoas que não são de seu convívio, acena, bate palmas, brinca de cadê. Sentido de permanência; → Linguagem: sons consonantais (mama e dada). 12 meses: → Motor: andar com apoio e levanta-se sozinho; → Adaptativo: apanha objetos com pinça entre polegar e indicador, entrega objetos por solicitação; → Social: ajuda a vestir-se (faz ajustes posturais) e brinca com bola; → Linguagem: fala pelo menos 3 palavras com sentido. 15 meses: → Motor: anda sozinho e escala as escadas; → Adaptativo: faz torre de 3 cubos e faz uma linha com o lápis; → Social: aponta o que deseja e abraça os pais; → Linguagem: atende a comandos simples. 24 meses: → Motor: corre bem e pula; → Adaptativo: faz torre de 7 cubos, rabiscos circulares, linhas horizontais; → Social: ajuda a despir-se e ouve histórias; → Linguagem: forma frases (sujeito, verbo e objeto). Crianças prematuras: → Correção da idade para 40 semanas ao nascimento; → Abaixo de 37 semanas ao nascimento; → Subtrair o número de semanas que faltaram para totalizar 40 semanas; → Idade corrigida até os dois anos para avaliação do crescimento e do desenvolvimento. Curvas de crescimento da OMS: 7 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Perímetro cefálico: 8 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Peso por idade 0-5 anos: 9 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Peso por idade 5-10 anos: 10 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Estatura por idade 0-5 anos: 11 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Estatura por idade 5-19 anos: 12 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto IMC por idade 0-5 anos: 13 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto IMC por idade 5-19 anos: 14 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Eixo GH-IGF-1 ou eixo somatotrófico: → Fatores metabólicos: o Estado nutricional (jejum); o Glicose e insulina; o Ácidos graxos livres. → Fatores neurogênicos: o Sono (GH é pulsátil e liberado mais durante a noite); o Estresse; o Neurotransmissores (beta- agonistas, alfa-agonistas). → Fatores hormonais: o Estrogênios e testosterona; o Hormônios tireoidianos. → Outros fatores: o Idade; o Puberdade; o Composição corporal; o Sexo; o Atividade física. → Funcionamento do eixo: o O eixo somatotrófico é o eixo responsável pelo crescimento; o GHRH estimula a adeno- hipófise a liberar GH; o O GH é liberado e estimula a produção hepática e cartilaginosa de IGF-1; o O IGF-1 é a substância responsável por promover o crescimento. Conceituação de baixa estatura: → Estatura abaixo do percentil 3 da curva de crescimento ou estatura abaixo de -2DP do score-Z; → Também pode ser abaixo de - 1,5DP do canal familiar. Avaliação de baixa estatura: → História: o Prematuridade? o Intercorrências? o Pequena para idade gestacional? o Baixo peso ao nascer? o Doenças crônicas? DRC, anemias, doenças reumatológicas com altas doses de corticoide. → Exame físico: o Altura; o Peso; o Circunferência cefálica; o Altura sentado (segmento inferior); o Dismorfismo; o Proporção corporal (envergadura); o Estadiamento puberal; o Estaturas prévias; o Canal familiar. → Calcular a velocidade de crescimento (quantos cm/ano a criança cresce); → Proporção corporal normal: segmento superior/segmento inferior. o 1,7 no RN; o 1,3 aos 3 anos; o 1 entre 8-10 anos. → Alterações de proporção: pensar em síndromes genéticas e doenças ósseas; → Procurar por sinais de: o Cushing (face em lua cheia, pletora facial, estrias centrípetas violáceas, obesidade central). ▪ Em crianças, suspeitar sempre em: 15 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto obesidade + baixa estatura ou diminuição da VC. o Hipotireoidismo; o Estigmas de Turner: ▪ Ocorre apenas em mulheres (X único 45X0). → Radiografia óssea: exame inicial OBRIGATÓRIO. o Avaliar fechamento de epífises; o Surgimento de novos ossos; o Atlas de maturação óssea. Causas de baixa estatura: → Anemia; → Hipotireoidismo; → Desnutrição; → Deficiência do hormônio de crescimento familiar; → Constitucional; → Idiopática; → Síndromes genéticas (principalmente, Turner); → Uso crônico de corticoides; → Privação psicossocial; → Puberdade precoce ou atrasada; → Displasias genéticas; → DRC. Exames de investigação inicial: → Radiografia de idade óssea; → Hemograma; → Cinética do ferro; → Função tireoidiana; → Função renal (Cr e ureia); → Função hepática (TGO, TGP, albumina, proteínas totais, bilirrubinas); → Urina 1; → Gasometria; → Glicemia; → IGF-1. Crianças com crescimento no limite inferior: → Solicitação de radiografia óssea para avaliar baixa estatura constitucional ou familiar. Variantes da normalidade: Retardo constitucional do crescimento e da puberdade (RCCP): → Baixa estatura; → Mais comum em meninos; → Velocidade de crescimento normal no limite inferior; → Canal familiar normal; → Puberdade tardia; → Idade óssea atrasada (mão e punho esquerdo); → ATINGE ESTATURA-ALVO. Baixa estatura familiar: → Baixa estatura; → Velocidade de crescimento normal; → Idade óssea normal; → Puberdade normal; → ATINGE ESTATURA-ALVO; → Canal familiar menor. Doenças de baixa estatura: Déficit de GH: → Nascimento com tamanho normal; → Cresce normalmente até 2 anos de idade; → Após os 2 anos: desaceleração do crescimento importante; → Atraso da idade óssea; → Aumento da distribuição de gordura central; → Voz fina; 16 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Aspecto de “anjinho barroco”; → Pode haver micropênis em meninos, devido à deficiência de outros hormônios da adeno- hipófise (nesse caso, LH); → Suspeita: clínica compatível; → Investigação: o Exames gerais de investigação inicial; o Dosagem de IGF-1: ▪ Baixa concentração: solicitar GH; ▪ Solicitar ITT (teste de tolerância à insulina); ▪ Dosagem dos demais hormônios hipofisários para descartar outras alterações; ▪ Ressonância de sela túrcica: alterações estruturais congênitas ou alterações estruturais adquiridas (tumores) → Tratamento: o Critérios de aquisição pelo SUS: ▪ Deficiência de GH em crianças e adultos; ▪Síndrome de Turner; ▪ PIG; ▪ Baixa estatura idiopática; ▪ Síndrome de Prader- Willi (obesidade monogênica com baixa estatura). o Tratada propriamente com a somatropina (GH); o Aplicação SC 1x a noite; o Dose: 0,03 a 0,07 mg/kg/dia (0,1 a 0,2 UI/kg/dia) todos os dias a noite. Teste de tolerância à insulina: → Contraindicações: o Crianças <2 anos; o Presença de DM; o Alterações neurológicas. → Crianças em jejum; → Aplicação de 0,1-0,15 de insulina regular: provocação de hipoglicemia; → Após a aplicação, a cada 30 minutos, coleta de GH e glicemia durante as 2 horas seguintes à aplicação de insulina; → A provocação de hipoglicemia causa o estímulo de hormônios contrarreguladores da insulina para proteção do SNC: o Glucagon; o GH; o Cortisol; o Catecolaminas. → Após a estimulação, considera-se que o GH esteja >7. Valores <5 levam à suspeita de deficiência de GH; → Teste padrão-ouro para diagnóstico. Síndrome de Turner: → 1:2000/5000 crianças meninas nascidas vivas acometidas; → Cariótipo: 45,X0 e mosaicismos diversos; → Manifestações: o Baixa estatura relacionada a depleção do gene SHOX; o Orelhas assimétricas e mais baixas; o Pálpebras caídas; o Tórax largo; 17 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Muitas dobras na pele; o Constrição aórtica com coarctação; o Pouco desenvolvimento dos seios; o Mamilos muitos separados (hipertelorismo); o Metacarpo curto; o Deformidades no cotovelo (ovalgismo cubital); o Ovários subdesenvolvidos (hipogonadismo hipergonadotrófico); o Unhas pequenas; o Manchas castanhas; o Amenorreia; o Edema de extremidades; o Exatrasudorese; o Palato ogival; o Pescoço alado; o Implantação capilar em tridente. → Outras manifestações: o Anormalidades renais e autoimunes; o Otites de repetição; o Nevus pigmentados (aumenta a chance de melanoma?); o Malformações cardíacas: ▪ Coarctação de aorta; ▪ Válvula aórtica bicúspide; ▪ Dissecção aórtica em adultas. → Falência do crescimento se dá a partir dos 3 anos de idade; → Diminuição da VC e ausência do estirão; → Estatura final de aproximadamente 20 cm a menos (média de altura: 1,433 m +/- 6 cm); → Confirmação diagnóstica: realização do cariótipo; → Tratamento: o GH 0,15 UI/kg/dia; o Manter até idade óssea de 14 anos ou mais e/ou VC <2 cm/ano. A mais... → Principais causas de hipogonadismo hipergonadotrófico: o Meninas: síndrome de Turner; o Meninos: síndrome de Klinefelter. 18 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Puberdade: → Puberdade: fase de transição, entre a infância e a idade adulta, em que se completam o crescimento somático e o desenvolvimento sexual; → Aquisição da capacidade reprodutiva; → O início dessa fase é determinado pelo aumento, em amplitude e frequência, da secreção pulsátil do hormônio hipotalâmico liberador de gonadotrofinas (GnRH); → Durante a infância este hormônio se mantém em uma fase de quiescência; → Os pulsos de GnRH estimulam a secreção de gonadotrofinas pela hipófise anterior (LH e FSH) com reativação da função gonadal; → Tal reativação leva a produção de estradiol pelos ovários e de testosterona pelos testículos; Marcos puberais: Gonadarca: → Trata-se do momento em que a puberdade se estabelece pelo início da secreção pulsátil do GnRH; → Meninas: podem entrar na puberdade entre 8 e 13 anos, sendo o marco inicial a telarca (desenvolvimento mamário); → Meninos: podem entrar na puberdade entre 9 e 14 anos, sendo o marco inicial o aumento do volume testicular (a partir de 4 cm3); o Como medir: orquidômetro de Prader. Adrenarca: → Fase de estimulação do desenvolvimento da glândula suprarrenal para produção de hormônios androgênios; → Estimulação da pilificação, hipertrofia de glândulas sebáceas e engrossamento da voz, nos homens; → Tal estimulação ocorre em menor quantidade nas mulheres; → Aumento da produção de andrógenos na zona reticular da adrenal (DHEA-S), produzindo androstenediona; → Perifericamente, a androstenediona é convertida em testosterona e di-hidro- testosterona → Precede, independe e difere do controle da gonadarca; → As concentrações de DHEA-S elevam-se aos 6-7 anos na menina e aos 7-8 anos no menino; → As manifestações clínicas são: o Pubarca; o Odor axilar; o Pelos axilares. → Tais manifestações ocorrem, geralmente, após a telarca e o aumento do volume testicular. Características sexuais secundárias: Meninas: → Mamas: o M1: sem sinais de broto mamário; o M2: broto mamário que não ultrapassa a aréola; o M3: mini-mama adulta sendo que a glândula ultrapassa os limites da aréola; o M4: aumento da glândula com sinal do duplo contorno e projeção mamilar; 19 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o M5: mama adulta; → Pilificação: o P1: sem pilificação; o P2: pilificação entre os grandes lábios; o P3: pilificação nos grandes lábios com crescimento em direção à sínfise púbica; o P4: preenchimento total da sínfise púbica sem acometimento da raiz da coxa; o P5: alcance da raiz da coxa. Meninos: → Aumento testicular: o G1: testículos <4 cm3; o G2: testículos alcançam 4 cm3 e ocorrem alterações ectoscópicas da bolsa testicular associada, como enrugamento, pendularidade e coloração rosada/avermelhada da bolsa; o G3: ocorre crescimento peniano em comprimento predominantemente; o G4: ocorre o crescimento em diâmetro e aumento da glande (sinal do duplo contorno); o G5: pênis e testículos adultos. → Pilificação: o P1: sem pilificação; o P2: pilificação na base do pênis; o P3: pilificação em direção à sínfise púbica; o P4: total preenchimento da sínfise púbica, sem atingir a raiz interna da coxa; o P5: alcance da raiz interna da coxa; o Fala-se em P6, quando ocorre a pilificação abdominal e dorsal. Estirão de crescimento puberal: → Ocorre nas meninas em M3 e em G4 nos meninos pelo estadiamento de Tanner; Fisiologia da puberdade: → Diversos genes já caracterizados e outros ainda não conhecidos são essenciais para que a puberdade normal ocorra; → O desenvolvimento puberal (secreção de GnRH) requer a ação coordenada de um conjunto de genes organizados em redes funcionais; → A regulação epigenética tem importante papel neste contexto; → Fatores genéticos, ambientais, nutricionais e socioeconômicos atuam em conjunto no desenvolvimento da puberdade. Sequência e cronologia dos eventos puberais: Incluir a imagem printada. Meninas: → Estirão de crescimento ocorre em M3; → Menarca ocorre em M4, conjuntamente com a redução da velocidade de crescimento; → Do início da telarca até a menarca leva em torno de 2 anos. Meninos: → Pico do estirão ocorre em G4; → Início da puberdade se dá em G2. Sinalizadores periféricos envolvidos na puberdade: → Leptina: o Concentrações de leptina aumentam imediamente antes do início da puberdade em primatas; o Mutações no receptor da leptina causam hipogonadismo hipogonadotrófico. 20 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → IMC: o Um maior IMC está relacionado a maiores concentrações de leptina e insulina. → Idade óssea: o Forte correlação com o IMC; o Meninas afro-americanas tem IO> que meninas brancas; o Avanço patológico da idade óssea leva a puberdade precoce secundária. Puberdade precoce: → Quem investigar e/ou tratar? o Meninas: ▪ Caracteres sexuais secundários <8 anos; ▪ Menina <9 anos com menarca; ▪ Puberdade rapidamente progressiva e/ou acompanhada de alterações neurológicas. o Meninos: ▪ Caracteres sexuais secundários <9 anos. → Causas da puberdadeprecoce: o Dependente de gonadotrofinas (central): ▪ Envolve a ativação do eixo HHG; ▪ Estímulo de LH e FSH. o Independente de gonadotrofinas (periféricas): ▪ De origem adrenal (+ comum); ▪ De origem gonadal (sem estímulo de LH e FSH). Meninas com telarca precoce: → Questionamentos: o É progressiva? o Há outros sinais puberais: ▪ Pubarca: acne? Odor axilar? Pelos? ▪ Aumento da VC? ▪ Mudanças de comportamento? ▪ Mudança na composição corporal (padrão ginecoide)? ▪ Há lesões cutâneas ou ósseas? ▪ Há avanço na idade óssea? → A telarca isolada não fecha diagnóstico para puberdade precoce, podendo se tratar apenas de telarca precoce isolada|idiopática; → Exames complementares: o LH; o FSH; o Estradiol; o Radiografia de idade óssea. → Interpretação de exames: o LH, FSH e estradiol púberes + IO avançada, aumento na VC, estatura acima do CF: puberdade precoce central; o LH, FSH e estradiol pré- púberes + IO compatível com idade cronológica, VC normal e crescimento dentro do CF: telarca precoce isolada ou estrógenos externos; o LH basal pré-pubere e estradiol aumentado: ▪ Muito elevado: • Tumores adrenais; • Tumores ovarianos. ▪ Manchas café com leite: Síndrome de McCune-Albright. → LH pós-estímulo com GnRH: o Solicitar no caso de LH baixo com sinais clínicos de puberdade precoce; 21 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Administração de LHRH e dosagem de LH de 15/15 minutos para avaliar a pulsatilidade. → Telarca precoce isolada ou estrógenos externos: seguimento clínico a cada 4-6 meses para acompanhar mudanças; → Investigação etiológica: o Solicitação de RNM é mandatória! → Quadro clínico: o Telarca progressiva; o Alterações da mucosa vaginal (pelo estímulo estrogênico); o Pubarca (pode estar ausente); o Menarca (pode ainda não ter ocorrido); o Útero e ovários aumentados; o VC aumentada; o Idade óssea avançada; o Alterações do comportamento. → Diagnósticos diferenciais principais: diferenciação com dosagem de LH o Cisto ovariano (LH pré- púbere); o Síndrome de McCune- Albright (LH pré-púbere e estradiol elevado). Puberdade precoce nos meninos: → Aumento do tamanho testicular >4 cm3 <9 anos + sinais de puberdade: diagnóstico de puberdade precoce central; → Sinais de puberdade + volume testicular <4 cm3 <9 anos: puberdade precoce periférica; → Nos meninos com sinais de puberdade precoce, pensar: o Possibilidade de andrógenos ou hCG exógeno? ▪ Sim: fonte exógena; ▪ Não: tamanho testicular. → Investigação etiológica: o Solicitação de RNM de encéfalo ou sela túrcica Solicitação de RNM Normal: Idiopática Mutação do gene MKRN3 Anormal: Meningite ou TCE prévios Lesões do SNC: Hamartoma hipotalâmico Tumores Mal- formações Volume testicular >ou=4 mL hCG elevado ou discreto aumento testicular (5-6 mL) ou aumento unilateral Sim: tumor secretor de hCG Não: Dosar LH basal e/ou pós estímulo com GnRH: Púbere: puberdade precoce central Pré-púbere: testotoxicose 22 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto para verificar alterações estruturais. → Quadro clínico: o Aumento do volume testicular bilateral; o Acne, pelos axilares e pubianos; o Odor axilar; o Velocidade de crescimento aumentada; o Idade óssea avançada; o Alterações de comportamento. → Diagnóstico diferencial: o Tumor produtor de hCG (aumento do volume testicular unilateral); o Testotoxicose (LH pré- púbere). → Diagnóstico laboratorial: o Radiografia de idade óssea: avançada; o Concentrações de LH: aumentadas; ▪ LH pós-estímulo com GnRH: padrão-ouro (na PPC o pico de LH pó-GnRH é >4/5 UI/L. o Testosterona >30 ng/dL; o Dosar hCG para descartar tumor de células germinativas. Puberdade precoce central: → Idiopática: familiar em 5-25% dos casos; → Secundária: o Causada por lesões hipotalâmicas ou do SNC em geral; o Tumores do SNC: ▪ Hamartomas hipotalâmicos; ▪ Gliomas ópticos. o Processos inflamatórios: encefalites e meningites; o TCE; o Hidrocefalia e mielomeningocele; o Lesões vasculares; o Irradiação craniana; o Asfixia perinatal. → Imagem: o Ressonância magnética para avaliação da etiologia; o Puberdade precoce central secundária: ▪ Tem como principais causas os tumores e anormalidades do SNC; ▪ Ocorre mais em crianças mais jovens (<6 anos); ▪ Mais comum em meninos. Curiosidade → Hamartoma hipotalâmico: o Causa crises convulsivas gelásticas (risos incontroláveis e imotivados); o Puberdade precoce central secundária. Tratamento da PPC: → Agonista do GnRH (Leuprorrelina); → Injeção intramuscular mensal ou trimestral; → Acompanhamento da IO e LH; → Interrupção do bloqueio: o Meninas: IO de 12 anos / 12 anos e meio; o Meninos: IO de 13 anos / 13 anos e meio. Puberdade precoce periférica: → Sinais de puberdade precoce + volume testicular <4 cm3; → Pensar em causas adrenais: o Tumor adrenal (pubarca progressiva de evolução rápida e virilização); o Hiperplasia adrenal congênita: 23 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ▪ Forma clássica: ambiguidade genital em meninas e pubarca aos 2-3 anos; ▪ Forma não-clássica: sem ambiguidade genital e pubarca aos 5-8 anos. o Resistência aos glicocorticoides. → Diagnósticos diferenciais: o Pubarca precoce idiopática isolada (diagnóstico de exclusão na ausência de outras alterações clínicas); o Fonte exógena: uso de cremes com andrógenos. → Exames solicitados: o DHEA-S: marcador de tumor suprarrenal; o Testosterona; o Androstenediona; o 17-OHP; o Radiografia de idade óssea. Hiperplasia adrenal congênita: → Deficiência enzimática de 21- OHD; → Cascata de produção reduzida de cortisol e aldosterona, com aumento compensatório da produção de androgênios (aumento de 17-OHP). Formas: → Forma clássica: o Subtipo perdedora de sal: ▪ RNs: • Meninas com virilização intraútero (aumento do falus e fusão da rafe mediana): criptorquidia bilateral, ou seja, ausência dos testículos na bolsa escrotal; • Meninos podem ter aumento peniano, mas sem outros estigmas presentes, sendo descoberta quando os sintomas de perda de sal se iniciam. o Subtipo virilizante simples: pubarca precoce, entre 2-3 anos de idade, sem sintomas perdedores de sal e sem aumento do volume testicular. → Forma não-clássica: o Mais comum em crianças maiores e mesmo na vida adulta; o Mulheres com hirsutismo, amenorreia e infertilidade. Diagnóstico: → IO avançada; → Aumento de testosterona e androstenediona; → Aumento de 17-OHP (entre 2.000 e 100.000 ng/dL na forma clássica); → Renina plasmática: o Forma perdedora de sal: aumentada; o Forma virilizante simples: normal. 0 1 2 3 4 5 6 Cortisol Aldosterona Androgênios 17-OHP Concentração Hormonal HAC Dosada no Teste do Pezinho 24 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Tumor adrenal: → Mutação do gene supressor de tumor P53; → Maior acometimento na região sul e sudeste (explicação histórica); → Diagnóstico: o Testosterona elevada; o Androstenediona elevada; o DHEA-S muito elevado; o 17-OHP normal ou levemente elevado; o Teste de supressão com dexametasona: ▪ Internação da criança; ▪ Administração de dexametasona para supressão da adrenal (6/6 horas); ▪ Mantém elevado: produção autônoma de hormônios (tumor); ▪ Redução dos níveis hormonais: hiperplasia. o Exame de imagem das adrenais (RNM ou TC): identificação de qual adrenal acometida. → Tratamento: o Laparotomia pelo serviço de urologia; o Retirada da adrenal acometida;o Pesquisa de acometimento linfonodal e metástases; o Pode ser necessário tratamento adjuvante (adrenolítico e QTX). 25 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: → 1980: era a 2ª causa de morte infantil no Brasil (24,3% dos óbitos); → Em 2005, era a 4ª (4,1%); → OMS e MS instituíram a classificação de desidratação e os planos de reidratação, para padronização das condutas; → Em 2006, o MS instituiu no PNI a vacina contra o rotavírus, que era o principal agente causador de diarreia em crianças; → Diarreia é diferente de disenteria: o Diarreia: 3 ou mais evacuações diárias, configurando uma alteração do hábito intestinal e da consistência das fezes (pastosas ou aquosas); o Disenteria: diarreia com presença de produtos patológicos (como sangue). → Classificação temporal: o Aguda: até 14 dias; o Persistente: de 14 dias a 30 dias; o Crônica: >30 dias. → Classificação quanto ao tipo: podem estar associadas. o Osmótica; o Secretora; o Invasiva. Diarreia osmótica: → Principal agente: rotavírus; → Extremos de idade; → Invasão celular pelo vírus → incapacidade de absorção → multiplicação viral com morte celular → liberação de fluidos e substâncias no lúmen → criação de pressão osmótica → aumento de líquidos na luz intestinal; → Piora do padrão evacuatório pós- alimentação. Diarreia secretora: → Principal agente: Escherichia coli; → Também é causada pelo vibrião da cólera (um dos piores quadros diarreicos conhecidos); → Patógeno aciona a enzima Adenil ciclase por meio de enterotoxinas que se ligam ao enterócito, promovendo o transporte ativo de água e eletrólitos para a luz intestinal; → Além disso incapacita a reabsorção dessas substâncias, promovendo fezes muito volumosas. Diarreia invasiva: → Principais agentes: Shigella e Salmonella; → Invasão da parede intestinal → acometimento do tecido submucoso; → Ao acometer o tecido submucoso, o patógeno ativa os macrófagos teciduais, ocasionando um processo inflamatório mais exacerbado; → Tal processo inflamatório ocasiona produção de pus e sangramentos na diarreia; → São quadros mais agressivos. Etiologia e principais agentes: Rotavírus: → Agente mais frequente em <2 anos de idade e idosos; → Diarreia viral é mais leve; → Melhora em aproximadamente 72 horas. E. coli: → Existem diversos subtipos que se comportam de formas distintas; → Enterotoxigênica (ETEC): 1ª causa de diarreia bacteriana no Brasil 26 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto (relacionada aos quadros pós- viagem); → Enteroinvasiva: febre é a principal característica, além de produtos patológicos nas fezes; → Entero-hemorrágica (EHEC): causadora de Síndrome Hemolítico-Urêmica e associada ao consumo de carne crua. Geralmente, cursa sem febre. S. aureus: → Usualmente, presente em ovos, maionese, presunto; → Diarreia secretora não-invasiva; → Ocorre 1 a 24 horas após ingestão dos alimentos contaminados. Salmonella spp: → Presente em ovos, leite e carne contaminados (intoxicação alimentar em eventos); → Diarreia secretora e invasiva (presença de muco e sangue). Shigella spp: → 1ª causa de disenteria; → Também causa SHU e glomerulonefrite. Clostridium difficile: → Infecção hospitalar; → Causa colite pseudomembranosa; → Isolamento de contato desses pacientes. Vibrio cholerae: → Causa diarreia secretora com fezes em água de arroz e odor de peixe; → Desidratação grave. Campylobacter jejuni: → Disenteria em países desenvolvidos; → Associação com Guillain-Barrè e quadros de artrite reativa. Yersínia: → Mimetiza quadro de apendicite aguda. Entamoeba histolytica e Giardia lambia: → Acomete mais crianças de 1-5 anos; → Transmissão fecal-oral (água ou alimentos contaminados); → Diarreias prolongadas e menos intensas, com alternância entre quadro diarreico e constipação; → Entamoeba: mais agressiva, que pode ter sangue, muco e febre; → Giardia: causa diarreia aquosa, com quadro mais brando. Causas: → Infecção (principal causa); o Mais viral do que bacteriana. → Intolerância alimentar; → Medicamentosa; → Inflamação ou alergia. Fisiopatologia da diarreia: → TGI é revestido por microvilosidades, sendo compostas por enterócitos; → As microvilosidades são formadas por criptas/vales e pelas cristas; → Os enterócitos imaturos se localizam nas criptas e, conforme amadurecem, migram para as cristas; → O quadro de diarreia é ocasionado pela inflamação dos enterócitos, incapacitando-os a absorver os alimentos e líquidos; → Em alguns quadros, os enterócitos são estimulados à secretar substâncias osmóticas, ocasionando maior perda de líquidos. Diagnóstico laboratorial: → Raramente é necessário solicitar exames; → Quando necessário (internação ou quadros intensos): 27 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Hemograma (leucocitose nas bacterianas e eosinofilia nas parasitoses); o Função renal e eletrólitos; o Copograma (leucócitos fecais); o Coprocultura; o Parasitológico de fezes; o Sorologias específicas; o Hemoculturas (mais em quadros que necessitam de internação). Classificação: → Objetivo: classificar desidratação e estabelecer o plano terapêutico adequado; → Estimativa pela perda de peso: Classificação Déficit % pela perda de peso Déficit de fluidos Leve ou sem desidratação <5% em lactentes <3% em crianças <50 ml/kg Moderada 5-10% em lactentes 3-6% em crianças 50-100 ml/kg Grave >10% em lactentes >6% em crianças >100 ml/kg - Limitação: necessária a medida do peso anterior ao quadro de diarreia. → Classificação da OMS: Sinais Grau A Grau B Grau C Estado geral Bem alerta Irritado, intranquilo Comatoso, hipotônico Olhos Normais Fundos ou encovados Muito fundos e secos Lágrimas Presentes Ausentes Ausentes Sede Bebe normal, sem sede Sedento, bebe rápido e avidamente Bebe mal ou não é capaz de beber Sinal da prega Desaparece rapidamente Desaparece lentamente Desaparece muito lentamente (>2s) Pulso Cheio Rápido e fraco Muito fraco ou ausente Diagnóstico Sem sinais de desidratação 2 ou mais sinais: desidratação 2 ou mais sinais: desidratação grave Tratamento Domiciliar TRO no serviço de saúde Terapia de reidratação parenteral - Dois ou mais sinais na coluna B: com desidratação; - Dois ou mais sinais na coluna C: desidratação grave. Sinais mais fidedignos: olhos e sede. Tratamento: Plano A: → PREVENÇÃO DA DESIDRATAÇÃO. → Oferecer ou ingerir mais líquido que o habitual para prevenir desidratação; → Líquidos caseiros (gelatina, água, sucos e sopas); → Solução de reidratação oral após cada evacuação diarreica; → Leite: pode piorar a diarreia devido à redução de lactase; → Não oferecer refrigerantes e bebidas adoçadas artificialmente; → Manter alimentação habitual; → Orientar sinais de alarme: o Olhos; o Sede; o Piora da diarreia; o Vômitos repetidos; o Recusa de alimentos; o Sangue nas fezes; o Diminuição da diurese. → Orientar sobre a preparação e administração do SRO e medidas de higiene pessoal; 28 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Retorno se não melhorar em dois dias ou se sinais de alarme presentes; Idade Quantidade de SRO (administrar após cada evacuação) <1 ano 50-100 mL 1-10 anos 100-200 Ml >10 anos Quanto o paciente aceitar → Administrar zinco por 10-14 dias: o Até 6 meses: 10 mg/dia; o >6 meses: 20 mg/dia. Plano B: → Administração da SRO na unidade com reavaliação em seguida até desaparecimento dos sinais de desidratação; → Realizar as mesmas orientações do plano A; → Ofertar 50-100 mL/kg na unidade entre4/6 horas; → Vômitos persistentes: o Sonda nasogástrica para reidratação oral; o Antieméticos. → Se melhorar: PLANO A; → Se mantiver: sondagem (gastróclise); → Se piorar: PLANO C; → Realizar orientações sobre higiene pessoal e domiciliar. Plano C: → Reidratação parenteral; → Dividido em duas fases: o Fase rápida (expansão); o Fase de manutenção. → Fase rápida em menores de 5 anos: o Soro fisiológico 0,9%; o 20 mL/kg até reidratação completa; ▪ 10 mL/kg se cardiopata ou RN. o Reavaliação após cada expansão; o Duração da expansão: 30 minutos; o Diferente do choque séptico. → Fase rápida em maiores de 5 anos: o SF0,9% ou ringer lactato ou solução polieletrolítica; o SF0,9%: 30 mL/kg em 30 minutos; o Ringer ou solução PEl: 70 mL/kg em 2 horas e 30 minutos. → Fase de manutenção: aplicação da Regra de Holiday. Solução Volume em 24 horas SG5% + SF0,9% na proporção 4:1 Até 10 kg 100 mL/kg 10-20 kg 1000 mL + 50 mL para cada kg excedente após 10 kg >20 kg 1500 mL + 20 mL para cada kg excedente após 20 kg SG5% + SF0,9% na proporção 1:1 50 mL/kg/dia com reavaliação da necessidade do paciente KCL 10% 2 mL para cada 100 mL de solução da fase de manutenção → Avaliar paciente continuamente e, se mantiver desidratação, aumentar volume de infusão; SG5% SG5% SG5% SG5% SF0,9% KCL10% 29 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Após 2-3 horas, se paciente aceitar SRO, oferecer junto com reidratação EV; → Interrupção da reidratação apenas se paciente conseguir ingerir quantidade suficiente de SRO; → Manter em observação por, pelo menos, 6 horas. Choque hipovolêmico: → Sinais e sintomas (CDF4P): o Rebaixamento do nível de consciência; o Diminuição do débito urinário; o FC elevada; o Pulsos finos ou ausentes; o Perfusão lentificada; o Pele marmórea/rendilhada/pálid a; o Pressão arterial reduzida (sinal tardio). → Tratamento: o 20 mL/kg de SF0,9% aberto ou em bolus; o Reavaliação a cada alíquota. Soro de reidratação oral: → Validade de 24 horas após preparado; → Oferecer a cada evacuação ou vômito; → Ofertar de acordo com a idade; → Preparação do soro caseiro: 1 colher de chá de sal + 1 colher de sopa de açúcar + 200 mL de água. Outras condutas: → Manter alimentação; Zinco: → <5 anos; → <6 meses: 10 mg/dia (2,5 mL) por 10 a 14 dias; → >6 meses: 20 mg/dia (5 mL) por 10 a 14 dias. Antieméticos: → Ondansetrona 0,15-0,3 mg/kg até de 6/6 horas em >6 meses; o Limitação: apresentação única como comprimido. → Dimenidrinato (Dramin) para >2 anos 1 gota/kg de até 6/6 horas. Antitérmicos: → Dipirona: 0,6 a 0,8 x peso; → Paracetamol: 1 gota/kg. → Se necessário. Probióticos: → Floratil; → Enterogermina. Racecadotrila (Tiorfan): → 1,5 mg/kg/dose 3x ao dia; → Contraindicado em <3 meses; → Atua sobre a secreção da diarreia, reduzindo seu volume. Antibioticoterapia: → Uso restrito aos casos de toxemia e disenterias; → Opções terapêuticas: o Ciprofloxacino 15 mg/kg 12/12 horas por 3 dias; ▪ Cuidado: alteração de cartilagem. o Azitromicina 15 mg/kg/d 1x ao dia por 5 dias; o Ceftriaxone 100 mg/kg IM 1x ao dia por 2-5 dias (opção em internação); o Metronidazol 30 mg/kg/d 12/12 horas por 7 dias (repetir após 2 semanas). Proscritos: → Loperamida (Imosec); → Escopolamina (Buscopan); → Antiperistálticos (risco de translocação bacteriana); → Imosec ainda é opioide e pode causar intoxicação por opiáceos. 30 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: Importante o reconhecimento e tratamento adequados; Prevenção de doenças crônicas futuramente por meio do tratamento da ITU, como DRC e HAS secundária; Quando a ITU não é tratada adequadamente, pode evoluir para quadro de sepse de foco urinário; Sinonímias: o Infecção do trato urinário febril; o Infecção do trato urinário alta; o Pielonefrite. o Cistite; o Infecção do trato urinário baixa; o ITU afebril. Epidemiologia: Maior prevalência em meninas, devidos a condições anatômicas; No primeiro ano de vida, a prevalência é de 1:1 em meninas e meninos NÃO circuncidados; Fisiopatologia: Principal causa: o E coli (em meninos <1 ano, Proteus mirabilis); Maioria das infecções ocorrem por mecanismo ascendente através de suas fimbrias que permitem seu deslocamento; Ao alcançar a bexiga, que é um local estéreo, tal bactéria consegue se reproduzir livremente, sem a necessidade de vencer barreiras competitivas; Nos casos de infecções mais agressivas, seja por alterações anatômicas que facilitem a ascenção, seja por reprodução bacteriana exacerbada, essa colônia de bactérias pode atingir os rins, provocando a ITU alta; Outras vias de disseminação: o Continuidade: infecção em outro foco com proximidade ao sistema urinário que o atinge; o Contaminação direta: trauma renal. Quadro clínico: A partir de 3 anos: Cistite: o Disúria; o Polaciúria; o Plenitude vesical; o Dor em baixo ventre. Pielonefrite: o Febre; o Dor lombar: Giordano +; o Toxemia (redução do estado geral). <3 anos: Usualmente, quadros muito inespecíficos; Aumento do choro e irritabilidade; Febre sem sinais localizatórios; Perda de peso por recusa alimentar; Icterícia persistente; Alterações do aspecto urinário; Diarreia e vômitos; Toxemia. Diagnóstico: Padrão-ouro: urocultura; Urina 1: o Leucocitúria; o Nitrito positivo; 31 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Contagem leucocitária; o Bacterioscopia (normalmente não está no exame comum); o Gram (normalmente não está no exame comum). Urocultura: o Deve ser coletada de forma adequada; Métodos de coleta: o Criança com controle esfincteriano: ▪ Coleta através do jato médio de urina, após assepsia prévia; ▪ Positivo se contagem bacteriana >ou= 100.000 colônias/mL; ▪ Também positivo se contagem bacteriana >ou= 50.000 colônias/mL + exame de urina com piúria. o Crianças sem controle esfincteriano: ▪ Sondagem vesical: se negativa, descarta (alto valor preditivo negativo), mas se vier positiva, não confirma; ▪ Valores de crescimento bacteriano >ou= 1.000 colônias/mL é altamente sugestivo de ITU na SV; ▪ Punção suprapúbica: o crescimento de qualquer bactéria na PSP confirma o diagnóstico. Punção suprapúbica: o Inserção da agulha 2 cm acima da sínfise púbica na linha média; o Traça-se uma linha imaginária da sínfise púbica à cicatriz umbilical e punciona-se no terço inferior à linha; o Inserção da agulha aspirando até adquirir conteúdo urinário. Outros exames: o VHS; o PCR e procalcitonina. Manejo inicial da ITU febril: 32 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Tratamento: Antibioticoterapia para ITU afebril: o Cefalexina 50 mg/kg/dia por 7 a 10 dias; o Amoxicilina + clavulanato 50 mg/kg/dia por 3-5 dias; o Nitrofurantoína 5-7 mg/kg/dia 6/6 horas por 3-5 dias; o Sulfametoxazol- trimetropim 8-12 mg TMP/kg/dia 12/12 de 3-5 dias. Antibioticoterapia para ITU febril: o Drogas de uso oral: ▪ Cefuroxima 30 mg/kg/dia 12/12 de 7 a 10 dias; ▪ Cefaclor 40 mg/kg dia 8/8 7 a 10 dias. o Drogas parenterais: ▪ Cefuroxima 150 mg/kg/dia 8/8; ▪ Gentamicina 5-7,5 mg/kg/dia 1x ao dia EV ou IM. Indicações de internação: o Crianças <2 meses; o Pacientes toxemiados; o Risco de não adesão ao tratamento. Investigação de ITU de repetição: Definição: 3 infecções do trato urinário nos últimos 1 anos. Investigação: Avaliar se a criança é retentorade urina: o Poucas idas ao banheiro; o Criança sentada sobre as pernas; o Criança com as pernas tremendo e cruzadas; o Estase urinária facilita o crescimento bacteriano; o Estimular rotina miccional e aumento da ingesta hídrica. 1 mês a 2 anos / febre >38,5°C / sem foco <3 meses Cultura por PSP >3 meses Comprometimento do estado geral? Sim: suspeita de pielonefrite aguda Cultura coletiva invasiva ou por jato médio (se controle miccional) Não: Teste rápido por jato médio ou saco coletor Negativo: SEM ITU Leucocitúria e/ou nitrito +? Cultura por coleta invasiva. 33 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Avaliar se a criança possui constipação intestinal: o Dilatação da ampola retal, comprimindo a uretra e dificultando o jato urinário. Tal fator aumenta a estase urinária; o Estase das fezes no cólon pode ocasionar a translocação bacteriana para a bexiga; o Deve-se tratar a constipação intestinal por meio de medidas farmacológicas e não- farmacológicas. Exames de imagem: o Ultrassonografia de rins e bexiga; o Uretrocistografia miccional (UCM); o Cintilografia renal com ácido dimercaptosuccínico com tecnécio-99 (DMSA). USG de rins e vias urinárias: o Visualiza alterações anatômicas grosseiras, como hipogenesia renal ou rim único; o Principal achado: hidronefrose (indica refluxo vesicoureteral); o Exame pouco invasivo e de baixo custo; o Exame examinador- dependente (limitação); o Distensão abdominal por flatos dificulta a visualização da janela renal e possíveis alterações. Uretrocistografia miccional: o Infusão de contraste através de sonda vesical nas vias urinárias; o Interpretação: contraste deve se manter apenas na bexiga, caso alcance o parênquima renal, diagnostica-se RVU; o Melhor visualização de refluxo vesicoureteral; o Limitação: uso de contraste e exame invasivo; o Graus de RVU: ▪ I: urina chega apenas ao ureter; ▪ II: urina alcança o cálice renal; ▪ III: urina alcança o cálice renal e há uma discreta dilatação da pelve; ▪ IV: urina alcança o cálice renal e há muita dilatação da pelve; ▪ V: dilatação de ureter e cálice renal a ponto de ocasionar distorções anatômicas (baqueteamento dos cálices). Cintilografia renal DMSA ou estática: o Injeção de marcador EV; o Absorção do marcador apenas por áreas renais saudáveis; o Avalia cicatrizes renais, pois as áreas fibrosadas não absorvem o tecnécio- 99. Quando solicitar cada exame? Ou melhor: quando NÃO solicitar: o Meninas >2 anos; o Infecções afebris. 34 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Quais são as alterações consideradas? Meninos <6 meses de idade; DMSA alterado; ITU atípica ou recorrente; Meninos + hidronefrose; Presença de fatores de risco. Antibioticoprofilaxia: ATBs: o Nitrofurantoína; o Cefalexina; o Bactrin. Redução das doses terapêuticas para profilaxia. Monitorização: Indicações: o Pacientes com RVU de alto grau; o Cicatriz renal documentada; o Malformações do TU. Exames: o Função renal; o Pressão arterial; o Albuminúria. ITU de repetição ou ITU febril? Alteração?* Solicitar uretrocistografia ou DMSA. Sem alteração. Solicitar USG de rins e vias urinárias 35 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: 50% das crianças falecem com choque refratário na 1ª semana; Maioria não possui história de doenças prévias; Infecções comunitárias são as mais prevalentes. Definições importantes: Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS): presença de pelo menos dois dos critérios seguintes, sendo que um deles DEVE ser alteração da temperatura ou do nº de leucócitos; o Alteração de temperatura corpórea; o Taquicardia; o Taquipneia ou necessidade de VM, excluindo-se causas neuromusculares ou anestesia geral; o Alteração leucocitária. Infecção: doença suspeita ou confirmada causadora de SIRS; Sepse: SIRS + quadro infeccioso suspeito ou confirmado; Sepse grave: presença de sepse e... o Disfunção cardiovascular ou; o Disfunção respiratória ou; o Duas ou mais disfunções dos demais sistemas. Choque séptico: Sepse + ausência de resposta à reposição de volume; Fisiopatologia: o Aumento da demanda de O2 (infecção); o Diminuição da capacidade tecidual em extrair o oxigênio; o Transporte de O2 reduzido pelos seguintes fatores: ▪ Hipovolemia; ▪ Disfunção miocárdica; ▪ Alteração do conteúdo arterial de O2. Ativação de mecanismos compensatórios: Aumento da FC (taquicardia): sinal precoce de choque séptico; o Tentativa de manter o DC e compensar o baixo volume sistólico; o Quanto mais jovem a criança, maior a chance de resposta inadequada de melhorar o DC pela FC; o Taquicardia excessiva leva ao tempo de enchimento ventricular diminuído e hipoperfusão coronariana (diminuição de O2 para os tecidos, inclusive para o próprio coração). Vasoconstrição: o Aumento da RVP; o Redirecionamento do sangue para órgãos nobres. Cérebro: o Alteração do nível de consciência de acordo com o grau de isquemia; o Alerta → responsiva à voz → responsiva à dor → não responsiva. Rins: o Oligúria; o Crianças: <1 mL/kg/h; o Adolescentes: <30 mL/h; o Sinal de má perfusão renal. Aumento da contratilidade cardíaca: esvaziamento mais completo do ventrículo (hiperdinamismo cardíaco); 36 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Hipotensão ocorre com a falha desses mecanismos compensatórios (sinal tardio e súbito): mau indicador da homeostase cardiovascular. Alterações celulares: Redução da oferta de O2 → aumento da extração de oxigênio para manter a viabilidade dos processos celulares; Hipóxia celular leva à disfunção das bombas iônicas da membrana celular, com edema intracelular, alteração da função mitocondrial e inadequada regulação do pH intracelular, finalizando com morte celular pelo influxo de água; A lesão celular pode ocasionar disfunção de múltiplos órgãos (DMOS). Resposta imunológica na sepse: Resposta à agressão de um microrganismo que vai promover uma resposta hiperinflamatória; Células endoteliais, linfócitos e macrófagos recebem estímulos de produtos microbianos, o que leva a uma resposta pró- inflamatória; Liberação de citocinas pró- inflamatórias (TNF-alfa, IL-1, IL- 6), causando um estado hiperinflamatório no organismo; Tal resposta vai promover uma reação imediata do organismo, tentando deter a liberação de citocinas pró-inflamatórias (resposta anti-inflamatória sistêmica compensatória); O aumento dessa resposta anti- inflamatória está diretamente relacionado com o aumento da mortalidade, uma vez que suprime o sistema imune e torna o paciente mais susceptível aos agressores do meio. Disfunção cardiovascular: Apesar de >40 mL/kg de solução salina 0,9% EV na primeira hora, paciente persiste com: o Hipotensão; OU o Necessidade de medicação vasoativa para manter PA, sendo: ▪ Dopamina >5 mcg/kg/min. OU o Dois dos seguintes: ▪ Acidose metabólica não explicada; ▪ Lactato >2x; ▪ DU <0,5 ml/kg/hora; ▪ TEC>5 segundos; ▪ Gradiente de temperatura central/periférica >3°C. Disfunção respiratória: PaO2/FiO2 <300 s/ cardiopatia congênita cianótica ou doença pulmonar crônica; OU PaCO2 >65 ou 20 mmHg acima do basal; OU Necessidade de ventilação não invasiva ou invasiva não eletiva. Disfunção neurológica: ECG <11; OU Alteração aguda do nível de consciência com queda de 3 pontos ou mais na ECG. Disfunção hematológica: 37 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Plaquetas <80.000/mm3 ou queda em 50% do maior valor registrado nos últimos 3 dias; OU RNI >2. Disfunção renal: Creatinina sérica >2x do valor normal ou aumento em 2x do basal. Disfunção hepática: Bilirrubina total >4 mg/dL (exceto em RNs); OU TGO >2x do normal. Faixas etárias pediátricas na sepse: Lactente: >1 mês a 1 ano incompleto; Pré-escolar: 2 anos a 5 anos incompleto; Escolar: 6 anos a 12 anos incompleto; Adolescente: 13 anos a 18 anos incompleto. Tríade da avaliação pediátrica: Sinais de gravidade: Alteração de nível de consciência: irritabilidade, agitação, choro inapropriado, interação pobre com familiares, sonolência, letargia e coma; Alteração da perfusão tecidual: TEC >2 s ou muito rápida (em flush; Taquipneia inapropriada para idade; Taquicardia inapropriada para idade (bradicardia em <1 ano); Pulsos periféricos diminuídos; Extremidades frias ou livedo; Diurese diminuída (<1 ml/kg/h); Hipotensão (sinal TARDIO de choque séptico). Principais sítios de infecção: Respiratório (70%); Corrente sanguínea; SNC; TGI; Genitourinário; Abdominal; Cutâneo e partes moles; Relacionado a cateteres; Cardíaco. Principais agentes: Bactérias gram-negativas (21%); Vírus (17%), principalmente VSR; Bactérias gram-positivas (16,7%); Fungos (3,6%). Valores de anormalidade dos sinais vitais: Idade FC FR Contagem leucocitária Hipotensão PP Taqui Bradi Taqui Leucocitose Leucopenia PAS PAM-PVC 0ds - 1 s >180 <100 >50 >34.000 -- <59 50 1s a 1m >180 <100 >40 >19.500 <5.000 <69 55 1m a 1a >180 <90 >34 >17.500 <5.000 <75 60 1-5a >140 -- >22 >15.500 <6.000 <74 65 5-12a >130 -- >18 >13.500 <4.500 <83 65 12-18 a >110 -- >14 >11.000 <4.500 <90 65 1. Aparência 2. Respiração 3. Circulação 38 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Cálculo da PA e definição de hipotensão: RN: hipotensão se PAS <60; <1 ano: hipotensão se PAS <70; 1-10 anos: hipotensão se PAS <70 + (idadex2); >10 anos: hipotensão se PAS <90 ou PAD <65. Condições de risco elevado para sepse: Lactentes jovens e recém- nascidos; Doença oncológica; Asplenia; Transplante de medula óssea; Presença de cateter venoso central; Transplante de órgãos sólidos; Imunodeficiência/supressão/ comprometimento. Medidas da primeira hora: Avaliação clínica de até 15 minutos na suspeita de sepse grave; Início do tratamento em até 15 minutos; Acesso vascular em até 5 minutos; Ressuscitação volêmica em até 30 minutos; ATB de amplo espectro nos primeiros 60 minutos; Inotrópicos ou vasopressores em choque séptico refratário nos primeiros 60 minutos; Otimização do tratamento na primeira hora. Rotina de atendimento: 1. Avaliação mnemônica ABCDE; 2. Registro em prontuário do diagnóstico e condutas tomadas inicialmente; 3. Realização de exame físico completo com atenção especial ao SCV (satO2, FR, FC, PA, TEC, amplitude de pulsos, NC e diurese); 4. Categorização do paciente; 5. Se sem disfunção orgânica: ATB de amplo espectro e coletar kit sepse com monitorização contínua dos sinais vitais; 6. Nos pacientes com disfunção orgânica, o pacote de primeira hora deve ser realizado rigorosamente. Pacote de primeira hora: Ressuscitação inicial: Sinais de hipervolemia: o Crepitações bilaterais em bases pulmonares; o Queda da saturação; o Aumento >10% do peso corporal; o Hepatomegalia; UTIP disponível UTIP indisponível 39 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Aumento do diâmetro de VCI. Sinais de hipervolemia + permanência de choque = substituir fluidos por agentes inotrópicos; Cardiopatias congênitas, RNs, suspeita de miocardiopatias e ausência de UTIP: iniciar bolus com 10 mL/kg em 10-20 minutos. Monitorização: Oximetria de pulso contínua; ECG contínuo; PA não invasiva 15/15 minutos; Temperatura; Débito urinário: sondagem vesical de demora; o <1 ano: sonda 6; o 1-3 anos: sonda 8; o >3 anos: sonda 10; o Se não houver sonda pediátrica, passar sonda de aspiração. Glicemia; Cálcio ionizado. Oxigenação: Em caso de alteração de FR ou dessaturação; Manter >92%; Máscara não reinalante → CPAP ou cânula de alto fluxo → IOT; Critérios de IOT: o Aumento do esforço respiratório; o Hipoventilação; o Alteração do nível de consciência. Cuidado com drogas sedativas na IOT: instabilização hemodinâmica; VNI se associada com SDRA; ECMO se SDRA + hipoxemia refratária. Acesso venoso: Dois acessos venosos periféricos OU acesso intraósseo imediatamente; Ressuscitação volêmica + drogas EV. Kit de exames: Gasometria e lactato arterial (garantir o resultado em <30 minutos); Hemograma completo; Creatinina; Bilirrubinas; Coagulograma; Hemoculturas e culturas de sítios suspeitos. o Hemoculturas: 1 vidro para lactentes, pré-escolares e escolares e 2 vidros para adolescentes. Considerar de acordo com o quadro: o TGO e TGP; o Ureia; o Sódio e potássio; o PCR ou procalcitonina; o Troponina. Antimicrobianos: Amplo espectro via EV; Considerar nível de resistência antimicrobiana local; Não atrasar a administração de ATB para coleta de hemoculturas; Opções: o Foco pulmonar: ▪ Lactentes: oxacilina + ceftriaxone; ▪ Crianças e adolescentes: oxacilina + ceftriaxone + claritromicina. o Foco urinário: ceftriaxone; o Foco abdominal: ceftriaxone + metronidazol + ampicilina OU piperacilina-tazobactam; 40 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Foco de partes moles: oxacilina (associar clindamicina se sinais de choque tóxico ou necrose); o Meningite: ceftriaxone em dose dobrada; o Sem foco definido: ▪ Ceftriaxone; ▪ Se imunocomprometido: vancomicina + cefepime + avaliar cobertura para fungos. Correção de distúrbios metabólicos: Hipoglicemia (dextro e glicose 50% 1:4 de soro); Hipocalcemia (gluconato de cálcio). Após 1 hora... Avaliar internação em UTI pediátrica e: Monitorização: Acesso venoso central e cateter arterial: o PAI; o PVC; o Saturação venosa central de oxigênio (SvcO2) >70; o Ecocardiograma funcional; o Pressão de perfusão (PP = PAM-PVC). Variáveis hemodinâmicas avançadas: o Índice cardíaco: 3,3-6 L/min/m2; o Índice de resistência vascular sistêmica (IRVS): ▪ 80 x (PAM – PVC)/IC; ▪ 800-1600 dina- s/cm5/m2. o Acompanhamento dos níveis séricos de lactato. Exames após 1ª hora: Solicitar de acordo com a necessidade para avaliar o perfil perfusional e novas disfunções. Hidrocortisona: 100 mg/dia; Indicação evidente: risco de insuficiência adrenal. Reavaliação do perfil hemodinâmico: Perfil volátil nas primeiras 48 horas; Diversas possibilidades de apresentação. 41 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Fluxograma de atendimento da sepse pediátrica: Otimização hemodinâmica: Choque hipodinâmico (frio): iniciar inotrópicos; o Adrenalina 0,05-0,3 mcg/kg/min em BIC. Choque hiperdinâmico (quente): iniciar vasopressor. o Noradrenalina 0,1-1 mcg/kg/min em BIC. Diluição 1 ampola : 3 ampolas de SF0,9% Velocidade de infusão: 4 ml/hora. Choque resistente às catecolaminas: Choque hipodinâmico com PA normal: Nitroprussiato de sódio + otimização de adrenalina; Choque hipodinâmico com PA baixa: adicionar noradrenalina + dobutamina; Choque hiperdinâmico com PA baixa: o Euvolêmico: vasopressina. Outras recomendações: Diagnósticos diferenciais: o Choques refratários, pensar: ▪Efusão pericárdica; ▪ Pneumotórax; MOV: monitorizar, oxigenioterapia sn e acesso IV/IO Colher KIT de primeira hora: HMG, gasometria arterial, lactato arterial, hemocultura e eletrólitos Culturas de sítios pertinentes ATB empírico Correção de DHE e distúrbios metabólicos Ressuscitação volêmica Se hipoperfusão tecidual (alteração do NC ou TEC >2s) Bolus 20 mL/kg em 5-10 minutos até melhora dos sinais de hipoperfusão Reavaliar a resposta a cada expansão; Após infusão de 40/60 mL/kg e mantém hipoperfusão? Otimização hemodinâmica em choque resistente aos fluidos. Mantém hipoperfusão? Choque resistente a catecolaminas: hidrocortisona 100 mg/dia 42 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ▪ Hipoadrenalismo; ▪ Hipotireoidismo; ▪ Hemorragias; ▪ Aumento de PIA; ▪ Comprometimento imunológico. Hemoderivados: o Hb >ou=7; o Indicação: ▪ Choque + DVA + Hb <ou= 7 g/dL. o Não há indicação de plaquetas e plasma no choque séptico. Ventilação mecânica: o Não utilizar etomidato; o Preferir cetamina + baixa dose de BZD. Correção de DHE, AB e metabólicos: o Hipoglicemia e hipocalcemia são os principais; o Manter glicemia <ou= 180 mg/dL evitando hipo. Diuréticos e TSR: o Diuréticos para reversão de sobrecarga hídrica quando ESTÁVEL; o Em crianças hipervolêmicas refratárias à diuréticos, avaliar necessidade de TSR. Suporte nutricional: o Tubo gástrico; o Iniciar precocemente (48 horas da admissão) se sem CI; o Nutrição parenteral deve ser suspensa em 7 dias de admissão; o Procinéticos e vitaminas estão contraindicados. Imunoglobulinas estão contraindicadas de rotina (indicadas para síndrome do choque tóxico, fasceíte necrosante, imunodeficiências humorais primárias e imunocomprometimento documentado). 43 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: ❖ Definição: falência cardiopulmonar é uma falha na oxigenação, ventilação e perfusão do indivíduo. A evolução da falência cardiopulmonar é a parada cardiorrespiratória; ❖ Parada cardiorrespiratória é definida como ausência da atividade mecânica cardíaca, vista por 3 parâmetros: ❖ Parada cardiorrespiratória precoce: definida como a PCR súbita e inesperada; ❖ Sinais de gravidade: o Bradicardia; o Bradipneia com respiração irregular ou ventilações ineficazes; o Extremidades frias; o Fadiga respiratória; o Tempo de enchimento capilar lentificado; o Diminuição do nível de consciência; o Pele cianótica e moteada; o Pulsos centrais fracos ou pulsos periféricos ausentes. Epidemiologia: ❖ 16.000 crianças/ano sofrem PCR nos EUA; ❖ Sobrevida em PCR no ambiente extra-hospitalar: <10%; ❖ Retorno de circulação espontânea no ambiente hospitalar: 77%; ❖ Sobrevida no ambiente intra- hospitalar: 36-43%; ❖ Melhora da sobrevida é decorrente de ressuscitação de alta qualidade e cuidados pós- parada mais efetivos. Fisiopatologia: ❖ 3 principais causas de PCR: o Asfixia | hipóxia (principal causa de PCR em crianças); o Isquemia; o Arritmias. ❖ Fases da PCR: ❖ Intervenções em cada fase: o Pré-parada: identificação e tratamento de fatores que podem levar à parada; o Fase sem fluxo: reconhecimento rápido, iniciar suporte básico | avançado de vida e minimizar o tempo para desfibrilação (se necessária); o Fase de baixo fluxo: o objetivo é realizar a massagem cardíaca de Pulso central ausente Irresponsividade Apneia ou respiração agônica Pré-parada Fase sem fluxo Fase de baixo fluxo Pós-parada 44 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto qualidade para manter a perfusão de órgãos nobres; o Pós-parada: após o retorno da circulação espontânea, o objetivo é preservar a função neurológica, prevenir injúrias secundárias, determinar e tratar doenças de base e encaminhar o paciente para unidade de tratamento adequada. Massagem cardíaca: ❖ Depressão torácica de 4 cm em bebês e 5 cm em crianças; ❖ Permitir reexpansão total do tórax; ❖ Frequência: 100-120 compressões/minuto; ❖ Evitar hiperventilação; ❖ Minimizar interrupções da massagem; ❖ Desfibrilação se necessário; ❖ Epinefrina se necessário (EV ou IO); ❖ Revezamento a cada 2 minutos. Ritmos de parada: ❖ Taquiventricular sem pulso; ❖ Fibrilação ventricular; ❖ Atividade elétrica sem pulso (AESP); ❖ Assistolia. Desfibrilação: ❖ Tratamento definitivo para ritmos chocáveis (TVSP e FV); ❖ Dose inicial: 2J/kg; ❖ Dose seguinte: 4J/kg; ❖ Doses subsequentes: aumento da carga até 10J/kg ou a dose máxima para adultos; ❖ Após a desfibrilação, cheque novamente o ritmo, em seguida, o pulso se for uma TVSP, e reinicie as compressões; ❖ Antes de descarregar o choque, verifique se todos estão afastados do paciente e se não há equipamentos com oxigênio acoplados ao paciente; ❖ Se as pás forem de adulto, acople uma na frente e outra atrás; ❖ Se forem pás pediátricas, acople no local correspondente ao de adultos; ❖ Não demorar mais do que 10 segundos para checar o pulso; ❖ Não parar compressões até o desfibrilador estar carregado. Ventilação: ❖ Bolsa-válvula-máscara com O2 a 100%; ❖ Relação compressões : ventilações: o 1 socorrista: 30:2; o 2 socorristas: 15:2. ❖ Não hiperventilar: o A hiperventilação aumenta a pressão intratorácica; o Dificulta o retorno venoso para o coração e o volume sanguíneo que chega às coronárias; 45 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Dificulta o retorno da circulação espontânea. ❖ Via aérea definitiva: o Deve ser considerada durante a reanimação, mas não é essencialmente necessária; o Pode-se manter a ventilação apenas com bolsa-válvula-máscara; o Se for estabelecida via aérea definitiva, deve-se ventilar a cada 6 segundos e manter as compressões contínuas Drogas na parada: Epinefrina: ❖ Deve ser administrada imediatamente nos ritmos não chocáveis e após o segundo choque nos ritmos chocáveis; ❖ Não interromper a RCP durante a administração; ❖ Após a primeira dose, administrar epinefrina a cada 2-5 minutos; ❖ Cada dose de epinefrina deve ser seguida de um flush de SF0,9%; ❖ Doses: o Endovenoso: [1:10.000]: 0,1 mL/kg (0,01 mg/kg); ▪ Quantas vezes forem necessárias. o Endotraqueal: [1:1.000]: 0,1 mL/kg (0,1 mg/kg). ▪ Só pode 1 vez!!! Amiodarona: ❖ Antiarrítmico administrado na PCR; ❖ Administrada após o 3º choque nos ritmos chocáveis; ❖ Em substituição à amiodarona, pode-se administrar lidocaína; ❖ Também realizar um flush de SF0,9%; ❖ Dose: 5 mg/kg em bolus (repetir 2 vezes se necessário). Sulfato de magnésio: ❖ Administrar se o ritmo for correspondente a Torsades de Pointes; ❖ 25 mg/kg em 10-20 minutos (no máximo, 2g). Algoritmo de atendimento à PCR: Identificação de PCR? Ritmo Chocável Desfibrilação imediata 2J/kg RCP 2' + acesso 2' RCP: Mantém ritmo chocável? Desfibrilação 4J/kg + Epinefrina 3-5' + considerar via aérea avançada 2' RCP: Mantém ritmo chocável? Desfibrilação + Amiodarona ou lidocaína + tratamento de causas reversíveis Ritmo Não- chocável 2'RCP + Acesso + Epinefrina imediata + considerar via aérea avançada 2' RCP: Mantém ritmo não- chocável? Manter Epinefrina a cada 3-5' Iniciar RCP, oxigenação e checar ritmo Não Não Sim Sim 46 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Causas reversíveis de PCR: ❖ Os Hs: o Hipoglicemia; o Hipovolemia; o Hipóxia; o Hidrogênio (acidose); o Hipotermia; o Hipo/hipercalemia. ❖ Os Ts: o Trombose pulmonar (TEP); o Trombose coronariana (IAM); o Tamponamento cardíaco; o Tensão sobre o tórax (pneumotórax); o Toxinas. Correção de hipoglicemia:❖ Glicemia <60 mg/dL; ❖ Correção intravenosa de hipoglicemia: Idade [] Preparação Volume Até 5 anos Glicose 10% Glicose 50% ---- 1ml/kg Água para injeção --- 4 ml/kg 5-10 ml/kg >5 anos Glicose 25% Glicose 50% --- 1 ml/kg Água para injeção --- 1 ml/kg 2-4 ml/kg (máx: 100 ml) Adolescentes Glicose 50% Glicose 50% --- 1 ml/kg sem diluir 1-2 ml/kg (máx: 50 ml) ❖ Correção intravenosa da hipovolemia: ❖ Oferta de oxigênio para crianças: Situações especiais: ❖ PCR pós trauma: o Estabilização da cervical; o Jaw thrust sem extender a cervical; o Controle de sangramentos externos; o Infusão de cristaloide para tratamento de hipovolemia; o Descompressão de pneumotórax hipertensivo; o Pericardiocentese em tamponamento cardíaco; o Vasopressor em suspeita de choque neurogênico. ❖ PCR pós afogamento: o Causada por hipóxia e hipotermia principalmente; o Otimização da temperatura; o Verificar glicemia; ❖ PCR em criança com ventrículo único; ❖ PCR por hipertensão pulmonar: o Óxido nítrico se paciente já estava em uso previamente a parada. ❖ Envenenamento: administração de antídoto associado ao protocolo de parada. Cuidados pós-parada: ❖ Oxigenação: o Após retorno da circulação espontânea, refazer a reavaliação primária (ABCDE); o Oximetria de pulso para monitorização da saturação: manter >94%. ❖ Ventilação: o Instituição de via aérea definitiva; o Monitorização com capnografia; o Evitar hiper e hipoventilação; o Cateter gástrico para aliviar distensão do órgão. ❖ Suporte cardiovascular: o Monitorização contínua com ECG e monitor hemodinâmico; o Tratamento de arritmias se presentes; 47 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Medicações para manter função cardíaca adequada (inotrópicos, volume, vasopressores); o Manter PAS > p50; o Considerar monitorização por cateter central e SVD; o Considerar ecocardiograma. ❖ Manejo da temperatura: o Manter normotermia nos 5 dias seguintes (36-37,5°C) ou 2 dias seguintes de hipotermia (32-34°C) seguidos de 3 dias de normotermia; o Febre deve ser agressivamente solucionada com antitérmicos. ❖ Cálculo do peso: o Idade x 3 = estimação do peso em crianças. 48 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: 60% dos RNs a termo desenvolvem quadro de icterícia e 80% dos RNs prematuros desenvolvem; Geralmente, ocorre por aumento de bilirrubina indireta (mas pode ocorrer por aumento de bilirrubina direta, como na atresia de vias biliares); Diagnóstico é clínico associado a exames laboratoriais; O aumento de bilirrubina ocorre pela degradação do grupo heme, que compõe a Hb (75% da hemoglobina); O aumento da bilirrubina indireta é um processo fisiológico dos primeiros dias de vida da criança. Metabolismo da bilirrubina no RN: Durante a vida fetal, a bilirrubina indireta é transportada pela placenta para fora do organismo do feto; Fígado não realiza o processo de conjugação da bilirrubina; Ao nascimento, o sangue do RN possui valores elevados de hematócrito, uma vez que o ambiente uterino é naturalmente hipóxico comparado ao meio extrauterino, aumentando a massa eritrocitária para manter os níveis adequados de oxigenação. Enquanto isso, as hemácias presentes no organismo do RN possuem meia-vida mais curta, uma vez que são compostas pela hemoglobina fetal; Ambos os fatores expostos acima promovem uma sobrecarga dos hepatócitos, ainda imaturos, que passam a conjugar a bilirrubina, porém de forma mais lenta e gradual; Além disso, nos RNs a circulação entero-hepática é aumentada pela maturação do fígado, o que leva ao aumento da enzima glicuronidase, responsável pela desconjugação da bilirrubina no intestino, elevando ainda mais seus níveis séricos ao ser reabsorvida no intestino; No intestino, a ação bacteriana converte a bilirrubina conjugada em urobilinogênio, sendo parte dele convertido em estercobilina e eliminada nas fezes e a outra parte reabsorvida e eliminada na urina na forma de urobilina. Zonas de Kramer: Gráfico de Buthani: Utilizado para estratificação de risco do RN segundo os seus níveis séricos de bilirrubina total e sua idade pós-natal; Dividido em: o Zona de baixo risco; o Zona de risco intermediário baixo; Bilirrubina indireta Circulação entero- hepática Bilirrubina direta Glicuronidase no intestino Glicuronil- transferase no hepatócito 49 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Zona de risco intermediário alto; o Zona de alto risco. Sinais de alerta | alto risco: Icterícia nas primeiras 24 horas; Associação da icterícia com outras complicações e/ou alterações ao exame físico; Sinais de hemólise (palidez e hepatoesplenomegalia); Icterícia zona 3 de Kramer ou + ou acima do p75 no gráfico de Buthani; Céfalo-hematoma; Incompatibilidade ABO ou Rh conhecida ou deficiência de G6PD conhecida; Prematuridade (35-36 semanas); Aleitamento materno exclusivo; Irmãos com história de icterícia neonatal; Icterícia associada a sinais de acometimento do SNC (indicativo de Kernicterus). Hiperbilirrubinemia significante: Fatores de risco: o BT na zona de alto risco antes da alta hospitalar; o Icterícia nas primeiras 24 horas; o Incompatibilidade sanguínea ou outras doenças hemolíticas; o IG entre 35 e 36 semanas; o Irmão com icterícia neonatal tratado com fototerapia; o Céfalo-hematoma ou equimoses (tocotraumatismos); o Aleitamento materno exclusivo, especialmente se há dificuldades na amamentação e perda ponderal significativa; o Etnia asiática; o Filho de mãe diabética; o Tempo de clampeamento do cordão >60 segundos. Tipos de icterícia neonatal: Fisiológica: Ocorre sempre após 24 horas de vida; Pico de incidência entre o 2º-3º dia de vida; Declínio dos níveis de bilirrubina a partir do 7º dia de vida; Ocasionada pelo aumento de bilirrubina indireta; Aumento crânio-caudal; Zona de Kramer 3: bilirrubina de pelo menos 12 mg/dL (máximo da icterícia fisiológica); Não provoca outras alterações. Associada ao leite materno: Devido ao leite materno especificamente; Icterícia persistente; Autolimitado; Ocorre mais tardiamente (a partir do 4º-14º dia de vida); 2-4% dos RNs a termo desenvolvem esse tipo de icterícia; Ganho de peso normal; Concentrações mais elevadas de betaglicoronidase no leite materno, aumentando a desconjugação da bilirrubina e os níveis séricos de bilirrubina indireta; Prova terapêutica: cessação do leite materno por 48 horas (+ se 50 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto melhora da icterícia). CUIDADO com essa conduta! Não evolui para hiperbilirrubinemia grave (kernicterus); Pode evoluir com necessidade de fototerapia. Associada ao aleitamento materno: Mais precoce (entre 2º-3º dia de vida); 12-13% dos RNs a termo desenvolvem esse tipo de icterícia; Decorrente de dificuldades alimentares no início da vida (pega incorreta, posicionamento inadequado, oferta insuficiente, ingesta reduzida); o Pode ser resolvida por meio de orientações sobre técnica de amamentação. Perda de peso acentuada (>10% na primeira semana); Diminuição da eliminação de mecônio com diminuição do trânsito intestinal; Ao reduzir o peristaltismo, a glucoronidase desconjuga a bilirrubina, aumentando a circulação entero-hepática e os níveis de bilirrubina indireta; NÃO evolui para kernicterus. Incompatibilidade ABO: Mãe deve ser O e filho deve ser A ou B; Mãe produz IgG contra os antígenos A ou B na parede das hemácias; Testede coombs: o Pode ser positivo ou negativo no RN; o Coombs direto no RN e indireto na mãe; o Pode não destruir as hemácias, apenas causando redução do tamanho das hemácias (esferócitos). Incompatibilidade Rh: Mãe Rh negativo sensibilizada por algum meio (normalmente em multíparas); Teste de coombs indireto: identifica anticorpos anti-D (anti-Rh) no sangue materno; Teste de coombs direto do RN sempre é positivo. Incompatibilidade materno-fetal por antígenos irregulares: RN com coombs direto positivo; Impossibilidade de incompatibilidade ABO ou Rh. Deficiência de G6PD: Coombs direto NEGATIVO. Esferocitose hereditária: Coombs direto NEGATIVO. Atresia de vias biliares: Única icterícia neonatal às custas de bilirrubina direta; Condição rara e GRAVE; A partir de 1 mg/dL do aumento de BD; Provoca colestase neonatal; Obliteração progressiva da árvore biliar, com fibrose das vias e cessação da drenagem biliar; Quadro clínico: o Hepatomegalia; o Acolia fecal; o Colúria; o Icterícia persistente e tardia. Investigação: o USG: diagnósticos diferenciais para atresias biliares e identificação de sinais sugestivos dessa condição (sinal do cordão triangular); o Biópsia hepática: alto poder discriminatório de atresia e hepatites neonatais; 51 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Colangiografia: padrão-ouro (normalmente peri- operatória) Tratamento: o Sempre cirúrgico: cirurgia de Kasai: entero- hepatostomia (procedimento inicial); o Tratamento definitivo: transplante hepático; o Anastomose de alça intestinal em y de Roux; o Preferencialmente, o mais precoce possível, ou seja, até 6 semanas (antes de 16 semanas de vida). Investigação laboratorial: Icterícia neonatal às custas de BI: o Bilirrubina total e frações; o Tipagem sanguínea (Rh e ABO da mãe e do RN); o Coombs direto e indireto; o Hematoscopia; o Contagem de reticulócitos; o Hemograma. Icterícia neonatal às custas de BD: o Função hepática e de vias biliares (albumina, coagulograma, TGO, TGP, FA, gama-GT; o Triagem infecciosa (hemograma, PCR, VHS, sorologias); o Pesquisa de deficiência de G6PD; o Dosagem de TSH e T4 livre. Encefalopatia bilirrubínica: Bilirrubina indireta é uma substância neurotóxica que atravessa a BHE e se deposita no SNC; Relação entre níveis de bilirrubina e desenvolvimento de kernicterus é controversa; Bilirrubina causa impregnação do SNC, levando à lesão neuronal; Quadro clínico: o Inicialmente: ▪ Hipotonia; ▪ Letargia; ▪ Sucção débil; ▪ Choro agudo; o Em seguida: ▪ Hipertonia de membros extensores; ▪ Convulsão; ▪ Febre. o Evolução final: ▪ Hipotonia completa; ▪ Lesão cerebral irreversível; ▪ Após 1 semana. Fototerapia: Conversão temporária da bilirrubina indireta em um isômero que é mais facilmente excretado pela urina (produto lipossolúvel → produto hidrossolúvel); A fototerapia pode promover uma conversão reversível (lumirrubina) ou irreversível; Fatores influenciadores: o Comprimento de onda de luz empregado; o Irradiância; o Superfície corpórea exposta. Cuidados durante fototerapia: o Distermias; o Perda de peso e desidratação (aumento das perdas insensíveis de água); o Proteção ocular e gonadal. Indicações: o RNs AT e prematuros tardios (>35 semanas): indicação de acordo com o normograma de Buthani; 52 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o RNs <35 semanas: ▪ <1000 g: se BT >5 mg/dL; ▪ 1000-1500 g: se BT entre 7-9 mg/dL; ▪ 1500-2000 g: se BT entre 10-12 mg/dL; ▪ 2000-2500 g: se BT entre 12-14 mg/dL. o BI <24 horas de vida; o BI acima de 17 mg/dL Exsanguíneotransfusão: Definição: troca de 2 volemias do RN (cerca de 2x 80-85 mL/kg); Substitui 90% do plasma, 80% dos anticorpos e 50% da bilirrubina plasmática; Indicações: o Falha da fototerapia em frear o aumento da BT para níveis tóxicos; o Interrupção de hemólise e remoção de anticorpos e eritrócitos sensibilizados; o RN prematuro <1500 g com bilirrubina nos 2 primeiros números do peso; o Isoimunização Rh se: ▪ BT de cordão >4,5 mg/dL ou Hb <11 g/dL; ▪ Aumento de BI apesar de fototerapia; ▪ Nível de Hb entre 11- 13 e BI >0,5 em fototerapia; ▪ BI >20. Riscos: o Distúrbios ácido-básicos e DHE; o Distermias; o Bacteremias. 53 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Definição: • Crise epiléptica: o Descarga elétrica anormal de neurônios no córtex cerebral; o Tal descarga anormal pode ou não atingir as regiões vizinhas, caracterizando uma crise focal ou generalizada; • Na maioria das vezes, são intermitentes e autolimitadas; • Crise convulsiva: estigmas de abaulamentos dos membros com rigidez associada de forma anormal e excessiva (crise tônico-clônica generalizada). Epidemiologia: • Ocorrência neurológica mais frequente em emergências pediátricas; • 4-10% da população terá pelo menos 1 episódio até os 16 anos • Crianças tem maior predisposição devido à imaturidade cerebral, mas possuem maior chance de reversão completa dessas crises; • 0,5-1% das crianças sofrerão uma crise convulsiva até a adolescência; • Na população em geral, a mais comum é a parcial; • Nas crianças, a mais comum é a crise generalizada. Tipos de crises: • Crises sintomáticas agudas: o São secundárias a outras doenças. • Crises não provocadas: o Sem fatores de risco associados; o Recorrentes: epilepsia. Causas: • Síndromes genéticas (como canaliculopatias); • Estrutural (trauma, malformação); • Metabólica (erros inatos do metabolismo, DM1 em CAD); • Imunes (LES); • Infecciosas; • Idiopáticas; • Oncológicas; • Toxicológicas (síndrome de abstinência ao álcool, abstinência de anticonvulsivantes, anfetaminas, anti-histamínicos, antidepressivos tricíclicos). Origem: • Idiopáticas: sem lesões estruturais ou outros sinais e sintomas neurológicos; • Sintomáticas: com lesão ou agressão cerebral estabelecidos; • Provavelmente sintomáticas: provável lesão associada. Fisiopatologia: • Aumento do consumo de oxigênio e glicose associado à aumento da produção de lactato e CO2; • Inicialmente, criança desenvolve uma resposta simpática: o Taquicardia; o Hipertensão; o Hiperglicemia; o Queda da saturação. • Crises curtas não trazem dano cerebral; • Se a crise é prolongada, ocorre piora ventilatória: Hipoxemia + hipercapnia = acidose respiratória. • Maior risco de: o Acidose láctica; o Rabdomiólise; o Hipoglicemia. • Após a crise, a criança pode retornar confusa, com liberação esfincteriana, com cefaleia. 54 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Classificação: Focais ou parciais: • Descarga elétrica anormal se mantém no local onde ocorreu; • Atinge apenas um hemisfério; • Pode ser: o Parcial simples: paciente mantém nível de consciência preservado; o Parcial complexa: perda de consciência pelo paciente. • Manifestações podem ser: o Motoras; o Sensoriais; o Autonômicas; o Movimentos oral-bucais. • Pode se tornar generalizada. Generalizada: • Descarga elétrica anormal acomete todo o cérebro; • Atinge ambos os hemisférios; • Sempre ocorre perda da consciência; • Manifestações podem ser: o Motoras (usualmente, tônico-clônica generalizada); o Ausência; o Focal evoluindo para TCG. Desconhecida: • Quando não é possível determinar se é uma crise focal ou generalizada; • Quando não é presenciada. Não classificada. Clínica: • Característica; • Sutil: o Desvio de comissura labial. • Subclínicas: o Pacientes não apresentam sinais de crise convulsiva. • Pacientepode já chegar sem crise; • Importante caracterizar evento e duração, tentando estabelecer causa com anamnese e exame físico direcionados: o Presença de aura; o Movimentos tônicos, clônicos ou tônico-clônicos; o Movimentos anômalos dos olhos; o Perda de consciência; o Perda de controle esfincteriano. • Caracterização do pós-ictal: o Confusão; o Irritabilidade; o Fadiga; o Cefaleia; o Liberação de esfíncter; o Paresia de Todd (déficit focal). Avaliação clínica: • É realmente uma convulsão? o Estigmas de convulsão; o Perda de consciência; o Liberação esfincteriana. • Crise sintomática aguda ou não provocada? • Qual o tipo de crise? • Qual a etiologia mais provável? Abordagem: • Anamnese detalhada (principalmente do episódio convulsivo); • História patológica pregressa; • História familiar; • Desenvolvimento neuropsicomotor; • Uso de medicações ou drogas. Estado de mal epiléptico: • Falhas nos mecanismos de inibição da crise; • Pode provocar lesão e necrose neuronal; • Mortalidade: 2,7-5,2%; • Sequelas em 15% dos casos; • Definição: 55 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Crise com duração >30 minutos ou 2 ou mais episódios reentrantes (sem recuperação total da consciência) com duração >30 minutos. • Definição estendida: crise superior a 5 minutos ou criança que chega no serviço convulsionando. Exames complementares: • Glicemia (realizar dextro em todas); • Eletrólitos e gasometria arterial; • Hemograma; • PCR; • HMC; • Triagem toxicológica; • Pesquisa de erros inatos do metabolismo; • Nível sérico de anticonvulsivantes: identificar subdoses se fizer uso; • LCR se sinais de irritação meníngea ou em neonatos sempre; • TC principalmente se sinais de HIC e necessidade de coletar LCR; • Eletroencefalograma (EEG): diagnóstico definitivo de crise epiléptica. Tratamento: • Suporte: o Local seguro; o Posição neutra da cabeça; o Garantir via aérea e oxigenação adequada; o Acesso venoso se possível; o Monitorização; o Dextro e correção de hipoglicemia. • Medicamentoso: o Crises com duração >5 minutos: ▪ Drogas de 1ª linha: BZDs BZDs Dose Obs Diazepan EV ou retal 0,3 mg/kg/dose EV 0,5 mg/kg/dose retal Midazolan 0,15-0,3 mg/kg/dose EV 0,2 mg/kg IN IM Lorazepan --- Meia vida mais longa que os anteriores, mas pouco disponível ▪ Repetir até 3 vezes, com intervalo de 5 minutos entre cada dose; ▪ Se não funcionar, passar para próxima droga; ▪ Cuidado especial: em excesso podem causar insuficiência respiratória. o Fenitoína: ▪ Dose de ataque EV: 20-30 mg/kg. o Fenobarbital: ▪ Dose de ataque EV: 20-25 mg/kg com SF0,9%. • 2ª linha de tratamento: o Feito em ambiente de UTI; o Garantir via aérea SEMPRE; o Midazolan contínuo: 0,2 mg/kg em bolus + 0,1 mg/kg/hora; o Tiopental*rebaixamento hemodinâmico considerável com droga vasoativa associada; o Propofol* rebaixamento hemodinâmico considerável com droga vasoativa associada; o Cetamina. • Para neonatos, a droga de escolha desde o início do tratamento é o fenobarbital. 56 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Convulsão febril: Introdução: • Trata-se de um evento benigno; • Ocorrência pode se dar entre o 1º mês de vida até os 5 anos de idade; • Sem antecedentes de crise; • 80% das crises duram <5 minutos, sem recorrências e sem déficits pós-crise; • Definição: crise convulsiva na vigência de febre e sem relação com infecção do SNC; • Normalmente, história familiar positiva; • Durante essa faixa etária, ocorre a maior intensidade de atividade cerebral, por isso, é mais fácil de ocorrer uma desorganização neuronal; • A febre pode suscitar essa desorganização; • Afastar possíveis causas e descartar infecção do SNC; • Bom prognóstico e sem sequelas; • 30% de recorrência Coleta de líquor: • Indicações: o Crianças <1 ano; o Sinais meníngeos presentes. Tratamento: • Conduta: o Tranquilizar e orientar os pais; o Investigação com exames de imagem apenas em crises complicadas ou a partir do 2º episódio. • Somente se necessário; • Mesmo de crises típicas; • Antitérmicos não previnem novas crises; • Alta sem necessidade de internação. 57 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: definição de exantema ou rash: erupção cutânea disseminada; doenças exantemáticas são classificadas como um grupo de condições caracterizadas pelo surgimento agudo de erupção cutânea; possui diversas etiologias, especialmente por infecções de origem viral; as infecções são as principais causas de exantema com febre na infância. Evolução clínica: Período de incubação: o Do momento do contágio até o aparecimento dos primeiros sinais e sintomas; o Infecções virais possuem um período de incubação mais prolongado; o Infecção bacterianas possuem períodos de incubação mais curtos e com poucos dias de duração. Fase prodrômica: o Período que antecede o exantema propriamente dito; o Paciente apresenta sinais e sintomas; o Período contagioso; o Sinais e sintomas: febre, sinais constitucionais (prostração, hiporexia), sinais catarrais (coriza, congestão nasal, tosse) e enantema. Fase exantemática: caracterizada pelo surgimento do exantema; Convalescença: o Fase de recuperação; o Descamação pode estar presente ou ausente; o Pode ser furfurácea (descamação fina com aspecto de farinha) ou laminar (lascas de pele, normalmente em mãos e pés); o Descamação furfurácea é característica de sarampo; o Descamação lamelar é característica de Kawasaki e escarlatina. Aspecto do exantema: Pode ser: o Maculopapular; o Vesicular. Exantemas maculopapulares: o Morbiliforme: máculas e pápulas confluentes e avermelhadas (característico de sarampo); o Rubeoliforme: máculas e pápulas rosas de coloração fraca (característico de rubéola); o Escarlatiniforme: lesões micropapulares com pele de aspecto áspero (característico de escarlatina). Progressão: o Crânio-caudal; o Centrífugo. Exantemas maculopapulares: Sarampo: Agente etiológico: vírus do gênero Morbilivirus e da família Paramyxoviridae; Transmissão: 58 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Ocorre pelo contato com secreções nasofaríngeas ou aerossol; o Pode ocorrer mesmo sem contato face-a-face entre suscetível e doente; o Transmissível de 6 dias até 4 dias após início do exantema. Dados clínicos mais marcantes: o Fase prodrômica: ▪ Febre alta; ▪ Conjuntivite não- purulenta com fotofobia; ▪ Tosse; ▪ Manchas de Koplik (patognomônico): enantema esbranquiçado na região jugal. o Fase exantemática: ▪ Fáscies sarampenta; ▪ Exantema morbiliforme com pregressão craniocaudal lenta; ▪ Início próximo à linha de implantação capilar, na região retroauricular e na nuca; ▪ 50% dos casos têm acometimento da região palmo-plantar. o Fase de convalescença: ▪ Descamação furfurácea; ▪ Tosse é a última manifestação a desaparecer. Complicações: o Bacterianas: ▪ Otite média aguda: complicação mais comum; ▪ Pneumonia: principal causa de morte. o Virais: ▪ Pneumonia; ▪ Encefalite; ▪ Panencefalite esclerosante subaguda (PEES). o Em países subdesenvolvidos, ocorrem inclusive quadros de diarreia devido ao sarampo. Prevenção: o Pré-exposição: imunização básica; o Pós-contato: vacinação de bloqueio ou imunoglobulina específica; o Vacinação de bloqueio: ▪ Em até 72 horas; ▪ Produção de anticorpos em um tempo menor que o período de incubação da doença; ▪ Contraindicação: •<6 meses; • Gestantes; • Imunodeprimido s. o Imunoglobulina específica: ▪ Até 6 dias após exposição; ▪ Para pacientes com contraindicação para vacinação de bloqueio. Doença de notificação obrigatória e imediata; Tratamento: vitamina A; Sabe-se atualmente que a hipovitaminose A é um fator de risco para a doença e seu uso promove redução da morbimortalidade pela doença; Esquema vacinal para sarampo: Faixa etária Esquema <6 meses Não devem ser vacinados 6-11 meses Uma dose (dose 0, não válida) 1-29 anos Duas doses válidas 59 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto 30-59 anos Uma dose válida >60 anos Não precisam ser vacinados *trabalhadores da saúde devem ter a comprovação de duas doses da vacina de sarampo independente da faixa etária. O bloqueio vacinal seletivo deve ser feito preferencialmente em até 72 horas em todos os contactantes do caso suspeito, acima de 6 meses, durante a investigação. Rubéola: Principal diagnóstico diferencial com sarampo; Agente etiológico: vírus causador do gênero Rubivirus da família Togaviridae; Transmissão: o Ocorre pelas secreções nasofaríngeas dos infectados; o Maior transmissibilidade entre 5 dias antes até 6 dias após o início do exantema. Características marcantes da doença: o Fase prodrômica: ▪ Febre baixa; ▪ Sinais catarrais leves; ▪ Linfadenomegalia cervical posterior, retroauricular e suboccipital. o Fase exantemática: ▪ Exantema maculopapular róseo com progressão craniocaudal rápida; ▪ Máculas róseas no palato (sinal de Forschheimer). Complicações: o Artrite: ▪ Muito comum em mulheres adultas; ▪ Acomete pequenas articulações de mãos. o Trombocitopenia; o Encefalite ou panencefalite progressiva; o Síndrome da rubéola congênita (catarata, surdez e persistência do canal arterial – PCA). Tratamento: sintomáticos; Prevenção: o Pacientes infectados devem ser afastados dos susceptíveis até 7 dias após o surgimento do exantema; o Pré-exposição: vacinação; o Pós-exposição: bloqueio vacinal em até 72 horas após exposição. Rubéola é doença de notificação compulsória. Eritema infeccioso: Agente etiológico: Parvovírus B19; Transmissão: o Ocorre pelas gotículas de saliva e secreções nasofaríngeas; o O vírus é eliminado entre 7 e 11 dias após a infecção inicial; o Na fase em que o exantema surge, o paciente não transmite mais o vírus. Incubação: 16-19 dias; Pode ocorrer infecção de medula óssea no período de incubação; Pródromos são inespecíficos e até mesmo ausentes; Dados marcantes da doença: o 1ª fase: face esbofeteada (eritema malar bilateral); o 2ª fase: exantema rendilhado (1-4 dias após o eritema malar em superfícies extensoras); o 3ª fase: recidiva do exantema por estímulos 60 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto físicos ou psicológicos (duração de 1-3 semanas); o Artropatia pode estar associada. Complicações: o Crise aplásica transitória: principalmente em pacientes com anemias hemolíticas; o Anemia persistente ou supressão medular completa em imunodeprimidos; o Hidropsia fetal; o Síndrome papular-purpúrica em luvas e meias. Exantema súbito | roséola: Agente etiológico: herpes vírus humano 6 e 7 (sendo mais comum com o 6); Transmissão: contato com gotículas de saliva do hospedeiro saudável; Dados clínicos mais relevantes: o Acomete lactentes (pico entre 6-9 meses); o Fase prodrômica: febre MUITO alta que desaparece em crise repentinamente após 72 horas. o Fase exantemática: exantema maculopapular róseo que começa no tronco e pescoço algumas horas após o desaparecimento da febre. Complicações: o Convulsão: ocorre em até 1/3 dos pacientes com exantema súbito. Tratamento: sintomáticos (antitérmicos) e hidratação. Varicela: Agente etiológico: vírus Varicela- zoster (tipo de herpes vírus); Período de incubação: entre 10-21 dias; Transmissão: o Ocorre através de secreções orofaríngeas ou no fluido das lesões por aerossol e contato direto; o O período de transmissão vai de 2 dias antes do início do exantema até todas as lesões se tornarem crostas (3-7 dias após o início das lesões). Dados marcantes da doença: o Fase prodrômica: ▪ Febre; ▪ Mal-estar; ▪ Adinamia; ▪ Anorexia; ▪ Prostração. o Fase exantemática: exantema vesicular de distribuição centrípeta com lesões em várias fases evolutivas em uma mesma região do corpo (polimorfismo regional); Evolução das lesões: Mácula → pápula → vesícula → pústula → crosta. É um exantema polimórfico pruriginoso; Podem ocorrer também lesões em orofaringe, mucosa vaginal e conjuntiva; Quando todas as lesões se tornam crostas e não surgem novas lesões, a viremia é interrompida; Outras apresentações clínicas: o Varicela no período neonatal; o Varicela congênita: ▪ Exposição no início da gestação; ▪ Lesões cicatriciais cutâneas que acompanham um dermátomo; ▪ Hipoplasia de membros; 61 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ▪ Anomalias neurológicas, oculares, renais e sistema nervoso autônomo. o Herpes zoster: ▪ Mais grave em crianças imunodeprimidas. Complicações: o Infecção secundária das lesões: principal complicação bacteriana (impetigo ou piodermite); o Pneumonia: principal causa de óbito (especialmente em adultos e grupos de risco); o Complicações do SNC: encefalite e ataxia cerebelar aguda; o Síndrome de Reye: disfunção hepática, hipoglicemia e encefalopatia (precipitada por uso de AAS); o Varicela progressiva: comum em paciente imunossuprimidos, com envolvimento visceral, coagulopatia e hemorragias graves; o Diagnóstico diferencial: síndrome mão-pé-boca (lesões em mesmo estágio). Tratamento: o Sintomáticos: ▪ Antitérmicos; ▪ Anti-histamínicos para redução do prurido; ▪ Manter as unhas curtas e higienizadas. o ATB VO ou EV: se infecções bacterianas secundárias (escolha da via a depender da gravidade); o Tratamento específico: Aciclovir. Aciclovir EV: o Varicela progressiva; o Imunodeprimidos; o Gestantes; o Recém-nascidos. Aciclovir oral: o 2º caso em um mesmo domicílio; o Uso de AAS; o Doenças cutâneas ou pulmonares; o Corticoide em dose não- imunossupressora; o Pacientes com mais de 13 anos (não gestantes). Prevenção: o Pré-exposição: vacinação; o Pós-contato: ▪ Vacinação de bloqueio em até 5 dias (ambientes hospitalares e creches) para imunocompetentes acima de 1 ano de idade; ▪ Imunoglobulina humana antivaricela zoster (IGHAVZ) em até 96 horas. Indicação de IGHAVZ: o Pré-requisitos: ▪ Susceptível; ▪ Contato significativo; ▪ Risco de doença grave. o Risco de doença grave: ▪ Imunodeprimidos; ▪ Gestantes; ▪ Recém-nascidos prematuros <28 semanas; ▪ Recém-nascidos de mães nas quais a varicela apareceu nos últimos 5 dias de gestação ou em até 48 horas após o parto. Infecções bacterianas: 62 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Escarlatina: Resultado de infecção estreptocócica; Faringite estreptocócica ou infecção cutânea pelo agente + exantema característico; Agente etiológico: Streptococcus pyogenes (beta-hemolítico do grupo A de Lancefild), que é produtor da exotoxina pirogênica; Transmissão: contato com gotículas de saliva ou secreção nasal da pessoa infectada; Clínica: o Crianças entre 5-15 anos; o Período de incubação: 2-5 dias; o Fase prodrômica: ▪ Odinofagia e febre na ausência de tosse; ▪ Faringe hiperemiada; ▪ Amígdalas aumentadas cobertas com exsudato purulento; ▪ Petéquiasno palato; ▪ Adenomegalia cervical anterior. o Fase exantemática: exantema pode surgir 24 a 48 horas após o início do quadro ou mesmo ser a manifestação inicial da doença; Características do exantema: o Exantema micropapular com aspecto da pele em lixa, que surge em torno do pescoço e dissemina-se pelo tronco e extremidades. o Mais intenso nas axilas, região inguinal e prega cubital (sinal de Pastia); o Hiperemia em região malar com palidez peribucal (sinal de Filatov); o Enantema que evolui em 2 fases: ▪ Língua em morango branco; ▪ Língua em morango vermelho. o Descamação do exantema após alguns dias, semelhante a uma descamação por queimadura de sol. MAS nas extremidades a descamação é lamelar. Tratamento: o Penicilina G benzatina: ▪ <27 kg: 600.000 UI; ▪ >27 kg: 1.200.000 UI; ▪ Dose única IM. o Amoxicilina 50 mg/kg/dia 8/8 horas por 10 dias; Indicações de penicilina G benzatina: o Risco de má adesão; o Desejo da mãe. Enteroviroses não-pólio: Agentes etiológicos: o Grupo do gênero Enterovirus; o Família Picomaviridae; o Principais grupos: ▪ Coxsackie A e B; ▪ Echovirus; ▪ Enterovírus. Transmissão: via fecal-oral ou respiratória, vertical ou por fômites; Doença mão-pé-boca: o Causada pelo vírus Coxsackie A16, principalmente; o Doença branda, sem febre ou febre baixa; o Lesões vesiculares e ulceradas na cavidade oral, lesão nas mãos, nos pés e nas nádegas. Outras manifestações: o Miocardite; o Pericardite; o Orquite (Coxsackie B); 63 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Manifestações gastrointestinais e respiratórias. Tratamento: sintomáticos (anti- histamínico e banho de aveia); Prevenção: adoção de medidas adequadas de higiene e orientações sobre descamação da pele e queda das unhas. Doença de Kawasaki: Doença exantemática reumatológica; Vasculite que acomete as artérias de médio e pequeno calibre, com predileção pelas artérias coronárias; Etiologia: o Não se sabe ao certo, mas há correlações de origem infecciosa associada a predisposição genética; o Maior incidência em crianças asiáticas. Diagnóstico: o A partir de critérios clínicos; o 5 de 6 critérios, sendo a febre critério OBRIGATÓRIA: ▪ Febre alta por pelo menos 5 dias; ▪ Conjuntivite bilateral não-exsudativa; ▪ Alterações nos lábios e na cavidade oral (língua em fgramboesa, fissuras labiais); ▪ Linfadenopatia cervical; ▪ Exantema polimórfico em tronco e região inguinal; ▪ Alterações de extremidades (eritema, edema de mãos e pés, descamação periungueal). Principal complicação da doença: aneurismas coronarianos (20-25% dos que não foram tratados com imunoglobulina); Podem ocorrer também aneurismas em artérias axilares, poplíteas e ilíacas; Avaliação complementar: o Hemograma: anemia normo-normo, leucocitose com predomínio de neutrófilos e plaquetose; o Aumento de VHS e PCR; o Urina 1: piúria estéril (leucocitúria com urocultura negativa); o Transaminases hepáticas levemente elevadas; o Ecocardiograma: exame mais importante para avaliação de aneurismas coronarianos. Tratamento: o Objetivo: diminuir a incidência de formação dos aneurismas coronarianos; o Fase aguda: ▪ Imunoglobulina intravenosa; ▪ AAS em dose anti- inflamatória: 80-100 mg/kg/dia por via oral por até 14 dias. o Fase de convalescença: AAS em dose antiplaquetária 64 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Conceitos principais: q Aleitamento materno exclusivo deve ser mantido nos primeiros 6 meses de vida; q Aleitamento materno complementado deve ser mantido até 2 anos de idade, no mínimo; q Definições: o Aleitamento materno exclusivo: apenas leite materno e nenhum outro alimento ou líquido (exceto, SRO ou medicamentos); o Aleitamento misto: leite materno e outro tipo de leite; o Aleitamento materno predominante: leite materno + outros líquidos (NÃO É MAIS RECOMENDADO); o Aleitamento materno complementado: leite materno + alimentos sólidos ou semissólidos. Fisiologia da lactação: q Regulação pelo eixo hipotálamo- hipófise-mama; q Estímulo da sucção age sobre a hipófise anterior, liberando prolactina que atua sobre a mama, levando a produção do leite; q Na hipófise posterior, há liberação de ocitocina, que promove a ejeção do leite; o Situações de estresse físico e/ou emocional levam ao bloqueio da liberação de ocitocina e impede a ejeção do leite. q Apojadura: ocorre em geral entre 3º-4º dia após o parto e ocorre independentemente da sucção; q Quanto mais o bebê mama, mais leite materno é produzido, secretado e eliminado pela mama. Vantagens do aleitamento: q Para a mãe: o Prático e barato; o Involução uterina (elimina restos placentários e evita anemia puerperal); o Perda ponderal (amamentação leva a alto gasto energético); o Prevenção de câncer (mama e ovários); o Efeito anticoncepcional (pouco eficaz): apenas nos primeiros 6 meses após o parto, desde que a amamentação seja exclusiva e que a mulher esteja em amenorreia. q Para o bebê: o Alimento completo; o Evita infecções: prevenção de diarreias, pneumonias e otites; o Redução do risco de alergias (rinite, asma e dermatite atópica); o Redução no risco de doenças crônicas; o Melhor desenvolvimento da cavidade bucal e efeito positivo na inteligência; o Redução do risco de problemas odontológicos e de respiração bucal. Composição do leite materno: q Fatores protetores: o Imunoglobulinas: 65 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ▪ IgA secretória → proteção contra agentes mais prevalentes do meio em que a criança está inserida. o Lisozimas: ação bactericida, destruindo principalmente E. coli, com maior atividade a partir dos 6 meses; o Lactoferrina: ▪ Proteína bacteriostática, indisponibilizando o ferro necessário para sobrevida de bactérias patogênicas, especialmente a E. coli; ▪ Quela o ferro, aumentando sua biodisponibilidade. o Fator bífido: ▪ Acidifica as fezes e alimenta a flora intestinal saprófita do intestino; ▪ Impede a hiperproliferação de bactérias patogênicas. o Macrófagos e linfócitos maternos: ▪ Secretam imunoglobulinas; ▪ Produzem complemento, lactoferrina e lisozimas. o Lactoperoxidase: atua contra Streptococcus. q Diferenças do leite materno e leite de vaca: Características Leite humano Leite de vaca Energia 66 kcal/dl 65 kcal/dl Proteínas 1 g/dl 3,4 g/dl Gorduras 3,8 g/dl 3,7 g/dl Lactose 7 g/dl 4,6 g/dl Sódio 41 meq/dl 150 meq/dl Composição das gorduras Lipase; LC-PUFA Gordura saturada Composição proteica Caseína (40%); Alfa-lacto- albumina Caseína (80%) Beta-lacto- albumina *lactose + fator bífido: promovem o crescimento de Lactobacillus bifidus na flora intestinal, com queda do pH local, tornando o ambiente inadequado para proliferação bacteriana patogênica, além de facilitar a absorção do cálcio ** beta-lactoalbumina: maior envolvimento no desenvolvimento de alergia à proteína do leite de vaca (APLV); *** caseína: proteína de difícil digestão mais presente no LV; **** LC-PUFA: são ácidos graxos poli- insaturados de cadeia longa que promovem o desenvolvimento cerebral, visual e melhora a resposta inflamatória (ácido docosaexaenoico e ácido araquidônico). Modificações na composição do leite: q Colostro: o Primeiros dias após o parto; o Mais proteínas que o leite maduro (maior prevalência de imunoglobulinas); o Leite maduro possui maior teor de lactose e de gordura do que o colostro; o Maior teor de eletrólitos, como sódio, cloro e magnésio;o Mais rico em vitamina A. q Leite de transição; q Leite maduro: o Produzido entre o 10º-15º dia de vida; o Maiores concentrações de lactose e gorduras. q Ao longo de uma mamada a composição do leite também se altera: 66 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Leite anterior: leite secretado após o início da mamada, risco em proteínas do soro e em lactose; o Leite posterior: leite secretado ao final da mamada, mais rico em gordura. q A concentração de gordura aumenta ao longo de uma mamada; q Variações ao longo do dia: a concentração de gordura presente pela manhã é menor que a encontrada durante a tarde e a noite (garantir saciedade e qualidade do sono). Leite de mães de prematuros: q Maior teor de proteínas e gorduras; q Maior densidade energética; q Menor teor de lactose; q Maiores teores de sódio, cloro, cálcio e fósforo; q Maior teor de vitaminas A e E; q Menor teor de potássio; q Maior concentração de IgA e lactoferrina nos primeiros dias de vida. Técnica de amamentação: q Pega adequada: o Boca bem aberta; o Aréola não-visibilizada ou mais aréola visível acima da boca do bebê; o Lábio inferior evertido (boquinha de peixe); o Queixo do bebê toca a mama; o Mãe leva o bebê à mama, não a mama ao bebê; o Bochecha enche quando suga o leite. q Posição adequada: o Posicionar barriga-barriga; o Rosto do bebê de frente para a mama, com nariz na altura do mamilo; o Corpo do bebê próximo ao da mãe; o Tronco e cabeça do bebê alinhados; o Bebê bem apoiado. q A pega correta permite o estímulo dos ductos lactíferos e evita fissuras mamárias; q Aspectos práticos relacionados à amamentação: o Frequência das mamadas: livre demanda (mamada nutritiva e mamada afetiva); o Frequência normal de evacuações no RN: decorrente de reflexo gastrocólico, o bebê mama e evacua. Pode ser líquida ou pastosa, de coloração amarela a esverdeada; o Pseudoconstipação: criança pode ficar até 1 semana sem evacuar devido ao leite materno, fazendo esforço evacuatório, mas com fezes amolecidas e em quantidade adequada (disquezia). q Orientações às mães que desejam manter AME e retornar ao trabalho após 4 meses de licença: o O leite deverá ser ordenhado, armazenado e oferecido para a criança na ausência da mãe; o Sempre que estiver em casa, a mãe deve oferecer a mama com frequência; o Anter de retornar ao trabalho, deve começar a praticar a ordenha do leite e congelá-lo para uso futuro; o Durante as horas de trabalho, esvaziar as 67 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto mamas por meio de ordenha e guardar o leite em geladeira; o O leite cru pode ser armazenado em geladeira por 12 horas e em freezer ou congelado por 15 dias. q Técnica de ordenha manual: o Lavagem das mãos e antebraços com água e sabão; o Uso de máscaras faciais, evitar falar, tossir e espirrar, além de usar de toucas durante a ordenha; o Posicionar a mão em C, pressionando a mama com o polegar e o indicador, um em direção ao outro, levemente para dentro (em direção à parede torácica); o Colocar o leite ordenhado em uma vasilha limpa (existem recipientes próprios para o armazenamento, que usualmente são de vidro, lavadas e esterilizadas durante 15 minutos em água fervente); o Cuidado! Após esterilizar os recipientes, não tocar na porção interior do vidro ou da tampa. q Preparação do leite materno congelado: o Descongelar; o Aquecer em banho-maria, fora do fogo, antes de ser oferecido à criança; o Ofertar com copinho ou colher (evitar confusão de bicos com mamadeiras); o Não aquecer o leite no fogo pela desnaturação das proteínas (principalmente as imunoglobulinas); o O leite não ingerido deve ser jogado fora. Impossibilidade de amamentação e fórmula: q Fórmula infantil: o Até os 6 meses: fórmula para lactentes (fórmulas de primeiro semestre); o A partir do 6º mês: fórmula de seguimento (fórmula de segundo semestre); o Não ofertar leite de vaca até 12 meses; ▪ Sobrecarga renal; ▪ Aumento do risco de alergias; ▪ Aumento do risco de programação metabólica alterada (obesidade, DM e HAS); ▪ Redução da absorção de ferro (quelação do ferro pelo leite); ▪ Gera microssangramentos na mucosa intestinal. o Introduzir a alimentação complementar aos 6 meses (de idade corrigida em prematuros)! q Leite de vaca: o A partir dos 4 meses: forma integral sem adição de açúcares, amidos ou óleos (máximo 500 mL); o Antes do 4º mês: diluir o leite; o Diluir 2/3 (2/3 de leite + 1/3 de água): geralmente 70 mL de leite + 30 mL de água; o Para melhorar a densidade energética, o Ministério da Saúde recomenda o acréscimo de 3% de óleo (1 colher de chá de óleo para cada 100 mL). q Quando a fórmula é necessária? o Filhos de mãe HIV; o Filhos de mães drogaditas; 68 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Filhos de mães com CA de mama em tratamento. q Diluição da fórmula infantil: o A cada 30 mL de água coloca-se 1 medida de fórmula; o Quanto mamar? Aproximadamente, 150-200 mL/kg/dia; o Não é necessário ofertar água, pois a fórmula já possui água. Mas pode-se ofertar. Queixas comuns na amamentação: q Hipogalactia: o Condição rara; o Quantidade reduzida de ductos lactíferos. q Fissuras (peito rachado); q Ingurgitamento mamário (peito empedrado); q Mastite. Contraindicações a amamentação: q Absolutas: o Filhos de mãe HIV+; o Filhos de mãe HTLV-1 ou 2 +; o Portadores de galactosemia: ▪ Erro inato do metabolismo; ▪ Criança não metaboliza a galactose; ▪ Impossibilita o recebimento de qualquer alimento que contenha lactose; ▪ Utilizar leite de soja. o Condições que necessitem de jejum: ▪ Fenilcetonúria: deficiência da fenilalanina- hidroxilase; ▪ Acúmulo de fenilalanina no SNC: leva ao desenvolvimento de encefalopatia crônica progressiva; ▪ Níveis séricos de fenilalanina são monitorizados e, de acordo com os valores obtidos, os percentuais de fórmula ISENTA EM FENILALANINA e de leite humano são modificados; ▪ Dieta com pequena quantidade de leite humano + fórmula isenta em fenilalanina. q Relativas: o Citomegalovirose: ▪ RN <32 semanas tem risco de desenvolver doença mais grave ao serem infectados; ▪ O leite deve ser ordenhado, congelado e pasteurizado antes de ser ofertado a criança. o Infecção herpética: ▪ Apenas se houver lesão ativa na mama; ▪ Manter amamentação na mama sadia; ▪ Lesões orais e genitais devem ser cobertas. o Doença de Chagas: ▪ Evitar a amamentação na fase aguda da doença ou na presença de lesões sangrantes no mamilo. o Varicela: ▪ Não amamentar se a doença materna se apresenta de 5 dias 69 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto antes até 2 dias após o parto (risco de varicela neonatal). q Falsas contraindicações: o Hepatites virais: ▪ Pode amamentar; ▪ Criança deve receber vacina + imunoglobulina ao nascer. o Tuberculose: ▪ A mãe deve usar máscara durante o período bacilífero; ▪ Criança deve receber isoniazida; ▪ Nesses casos, não é feita BCG ao nascimento. Medicamentos contraindicados durante a amamentação: q Imunossupressores e citotóxicos; q Compostos radioativos; q Sais de ouro; q Amiodarona; q Dúvidas se o medicamento é permitido? https://www.e- lactancia.org/ acesse para consultar se o uso é permitido. Alimentação do lactente: q Dos 6 meses aos 2 anos; q Documento de referência: 10 passos para uma alimentação saudável para crianças menores de 2 anos (MS/SBP); Orientações gerais: q Não usar mel no primeiro ano de vida pelorisco da existência de Clostridium botulinum contaminando as preparações (risco de botulismo); q De 1 a 2 anos: utilizar apenas para fins terapêuticos, não para adoçar os alimentos. Passo a passo da alimentação saudável: 1. Dê somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro líquido/alimento; q O leite materno contém a quantidade de água suficiente para as necessidades do bebê, mesmo em climas quentes e secos; q A oferta de água e chás diminui o volume de leite materno ingerido, o qual é mais nutritivo, além de aumentar o risco de doenças; q É importante esvaziar as mamas e isso depende do ritmo de cada bebê; q É importante estar em uma posição confortável ao amamentar e descansar o máximo que puder; q Se sentir dor nas mamas ao amamentar, é importante procurar ajuda pois pega e posição podem estar incorretas; 2. A partir dos 6 meses, introduza de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até 2 anos ou mais; q A introdução é lenta e gradual, mas contendo todos os grupos de alimentos; q No início, a criança pode rejeitar as primeiras ofertas, pois tudo é novidade para ele (colher, sabor, consistência); q Ofertar de 10-12 vezes o mesmo alimento para garantir a adaptação; q Mesmo recebendo outros alimentos, a criança deve continuar a mamar no peito até pelo menos 2 anos de idade; q O leite materno continua alimentando e protegendo a criança contra doenças; q Existem crianças que se adaptam com facilidade às novas etapas e aceitam bem os alimentos. Outras precisam de mais tempo, não precisando esse fato ser https://www.e-lactancia.org/ https://www.e-lactancia.org/ 70 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto motivo de angústia ou ansiedade para as mães; q Nesta fase, oferecer água tratada, filtrada e fervida nos intervalos das refeições; q É importante respeitar os sinais de saciedade da criança e não tornar esse processo traumático. 3. Após 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e verduras) três vezes ao dia se a criança estiver em aleitamento materno; q A criança aceita entre 2 a 3 colheres de sopa aos 6 meses. Aos 7-8 meses, passa a aceitar entre 3-4 colheres de sopa. Aos 9-11 meses, 4-5 colheres de sopa e, entre 1 e 2 anos, 5-6 colheres de sopa no total; q Se a criança mama no peito, ao completar 6 meses ofereça: o 2 papas de frutas; o 1 papa salgada. q Ao completar 7 meses, ofereça: o 2 papas de frutas; o 2 papas salgadas. q Ao completar 8 meses, a criança já pode receber a alimentação básica da família desde que não sejam utilizados temperos industrializados, excesso de sal e pimenta, alimentos gordurosos como bacon, banha, linguiça e outros; q A papa salgada deve conter um alimento de cada um dos 5 grupos: o Legumes; o Verduras; o Cereal ou tubérculo; o Feijões; o Carne ou frango ou ovo. q Não oferecer suco de frutas devido ao alto teor de frutose e baixo teor às fibras, além de prejudicar a aceitação de água e aumentar o risco de sobrepeso futuramente; q Existe preferência por frutas? NÃO, podem ser ofertados todos os tipos de frutas. Apenas ter cuidado com frutas redondas e pequenas, devido ao risco de obstrução de via aérea por engasgo; q O prato deve ser preparado com os alimentos SEPARADOS e AMASSADOS, não batidos em liquidificador. Não passar em peneira; q É importante que a criança aprenda desde o início a diferenciar os sabores e consistências para não provocar seletividade alimentar; q E o ovo? Pode ser ofertado tanto clara quanto gema desde os 6 meses para redução da chance de alergias; q Utilizar temperos naturais. Não colocar sal! q O leite materno pode ser oferecido em qualquer momento que a criança quiser. 4. A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários das refeições da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança; q É importante distinguir os sinais de fome de outras situações de desconforto, como sede, sono, frio, calor ou fraldas sujas; q Não ofereça comida ou insista para a criança comer quando ela não estiver com fome; q Procure ofertar os alimentos regularmente, mas sem rigidez de horários e os intervalos entre as refeições devem ser FIXOS; q Nos primeiros dias de oferta dos alimentos, a mãe pode amamentar em seguida caso a criança ainda manifeste fome; 71 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto q Não castigue ou ofereça prêmios para a criança que não comeu a quantidade considerada necessária. 5. A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida na colher. Iniciar com consistência pastosa e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação usual da família; q No início, os alimentos complementares devem ser especialmente preparados para a criança; q Os alimentos devem ser cozidos em água suficiente para ficarem macios, ou seja, deve sobrar pouca água na panela; q A consistência dos alimentos deve ser pastosa (papa ou purê) para que a criança se acostume com novas texturas e fortaleça a musculatura mastigatória; 6. Ofereça à criança diferentes alimentos ao longo do dia; q Ofereça duas frutas diferentes por dia, selecionando as que são da estação e preferencialmente ricas em vitamina A (amarelas e alaranjadas) e que sejam cultivadas localmente (melhor custo-benefício); q A papa deve conter um alimento de cada grupo e a cada dia um novo alimento deve compor a alimentação da criança; q Para que o ferro seja melhor absorvido, alimentos folhosos e feijão devem ser consumidos junto a alimentos ricos em vitamina C, como limão, acerola, tomate, goiaba e laranja. Carnes também ajudam nessa absorção; q Sempre que possível, ofereça carnes nas refeições. Uma vez na semana, ofereça vísceras ou miúdos que são boas fontes de ferro. 7. Estimule o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições; q Quando a criança já se senta a mesa, o consumo desses alimentos pela família irá estimulá-la a experimentar. 8. Evite açúcares, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Use sal com moderação; q Prefira alimentos in natura, sem adição de açúcares; q Escolha frutas que não precisam ser adoçadas; q Não deixe a criança pequena “experimentar” de tudo, como iogurtes industrializados, macarrão instantâneo, bebidas alcoólicas, salgadinhos, refrigerantes, frituras, cafés, embutidos, enlatados, chás e doces; q Oriente os irmãos maiores para NÃO oferecer à criança doces, sorvetes e refrigerantes; q Leia o rótulo dos alimentos para evitar oferecer aqueles que contém aditivos e conservantes artificiais. 9. Cuide da higiene no preparo e manuseio dos alimentos, garantindo seu armazenamento e conservação adequados; q Lave as mãos em água corrente e sabão antes de preparar as refeições; q Mantenha os alimentos cobertos; q Use água fervida e filtrada para oferecer à criança e para o preparo dos alimentos; q Não ofereça sobras da refeição anterior. 10. Estimule a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos 72 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto preferidos, respeitando sua aceitação; q Se a criança mama só no peito, aumente a frequência das mamadas; q Ofereça os alimentos que a criança preferir, desde que saudáveis; q Ofereça quantidades pequenas por refeição e em maior frequência; q Se a criança estiver com febre ou diarreia, oferte mais líquidos, nos intervalos das refeições e logo após. Suplementaçãode vitamina K: q Aplicação de injeção de vitamina K após o nascimento; q Prevenção de doença hemorrágica do RN. Suplementação de vitamina A: q Apresenta-se em concentrações adequadas no leite materno, porém algumas regiões do país têm altos índices de hipovitaminose A: o Região nordeste; o Vale do Jequitinhonha em MG; o Vale do Ribeira em SP. q Nessas regiões, o MS recomenda: o Lactentes 6-12 meses: 100.000 UI em cápsulas por VO dose única; o Crianças 12-72 meses: 200.000 UI em cápsulas VO a cada 6 meses. q O intervalo mínimo seguro de administração dessas doses é de 4 meses. Suplementação de ferro: q Por que suplementar ferro? Prevenção de anemia ferropriva, uma vez que a alimentação pode não suprir totalmente a necessidade de ferro. Além disso, há maior consumo pelo organismo, aumentando a necessidade da criança pelo íon; q Crianças SEM fator de risco: o Recém-nascidos a termo, AIG, em aleitamento materno exclusivo até 6 meses; o Profilaxia: 1 mg de ferro elementar/kg/dia, iniciado aos 180 dias (6 meses) até o 24º mês de vida (2 anos). q Crianças COM fatores de risco: Situação Profilaxia RN AT, AIG, em AME até 6 meses 1 mg de ferro elementar/kg/dia iniciado aos 90 dias (3 meses) até 24 meses (2 anos) RN AT, AIG, independente do tipo de aleitamento 1 mg de ferro elementar/kg/dia iniciado aos 90 dias até 24 meses RN AT com peso <2.500 (baixo peso ao nascer) 2 mg de ferro elementar/kg/dia iniciado aos 30 dias de vida (1 mês) até 12 meses. De 1 ano a 2 anos, 1 mg/kg/dia de ferro elementar RN PT com peso >1500 (baixo peso ao nascer) 2 mg de ferro elementar/kg/dia iniciado aos 30 dias de vida por 1 ano. De 1 ano a 2 anos, 1 mg/kg/dia RN PT com peso entre 1500- 1000 (muito baixo peso ao nascer) 3 mg de ferro elementar/kg/dia iniciado com 30 dias de vida, durante o primeiro ano. De 1 a 2 anos, 1 mg/kg/dia RN PT com peso <1000 (extremo baixo peso) 4 mg de ferro elementar/kg/dia iniciado com 30 dias de vida no primeiro ano. De 1 ano a 2 anos 1 mg/kg/dia RN PT que receberam >100 ml de CH durante internação Avaliar individualmente pois podem não necessitar de ferro nos primeiros 30 dias, apenas após esse período q Suplementação de acordo com fatores de risco em RN AT AIG com peso >2.500 g: 73 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Situação Recomendação Insuficiência placentária presumida 90 dias a 2 anos Síndrome hemorrágica do 3º trimestre (DPP e placenta prévia) 90 dias a 2 anos Má nutrição materna 90 dias a 2 anos Falta de suplementação de ferro na gestação 90 dias a 2 anos Clampeamento precoce de cordão (<1 minuto) 90 dias a 2 anos Necessidade de atendimento imediato ao RN 90 dias a 2 anos Mãe tabagista 90 dias a 2 anos Anormalidades vasculares 90 dias a 2 anos Perda sanguínea materna (SUA ou secundário a doenças) 90 dias a 2 anos Falta de suplementação de ferro na lactação 90 dias a 2 anos Concentração baixa de Hb ou ferritina na mãe 90 dias a 2 anos Velocidade de crescimento >p90 90 dias a 2 anos DHEG 90 dias a 2 anos q Suplementação de vitamina D: o Fatores de risco para deficiência de vitamina D: ▪ Crianças amamentadas ao seio sem suplementação e exposição solar adequada; ▪ Pele negra; ▪ Limitada exposição solar e necessidade de fotoproteção; ▪ Má-absorção; ▪ Uso de medicamentos. o A deficiência de vitamina D pode levar ao raquitismo, causando mineralização óssea inadequada, ossos frágeis, deformidades esqueléticas e falha no crescimento; o Valores de referência: ▪ >30 ng/mL: adequado; ▪ 20-30 ng/mL: insuficiente; ▪ <20 ng/mL: deficiência. o Tempo de exposição solar: ▪ 30 minutos por semana (6-8 minutos/dia 3x na semana) apenas com fraldas (NÃO É MAIS RECOMENDADO PELA SBP E PELA SBD); ▪ 2 horas semanas (17 minutos/dia) com roupas. o Horário ideal para exposição solar: antes das 09:00 e após as 16:00; o Suplementação: ▪ Primeira semana de vida a 1 ano: 400 UI/dia; ▪ 1-2 anos: 600 UI/dia; ▪ Crianças e adolescentes em grupo de risco: 600 UI/dia. Anemia fisiológica da infância: q Fisiopatologia: o Resultado de uma adaptação à vida extrauterina; o Ao nascimento, criança possui níveis elevados de Hb e Ht; o Isso promove maiores índices de saturação de oxigênio nas hemácias, reduzindo a produção renal de eritropoetina; 74 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Redução de EPO provoca diminuição dos precursores eritroides na medula óssea; o Tal queda na MO, reduz a produção de hemácias. q Ocorre entre 8-12 semanas; q Hb pode chegar a 11 ou níveis mais baixos (<10 pensar em investigação); q Não há tratamento específico para essa condição, uma vez que é fisiológica e se resolve espontaneamente. Anemia ferropriva: q Definição: condição na qual a concentração de Hb se encontra abaixo dos níveis esperados (<- 2DP), tornando-se insuficiente para suprir as demandas fisiológicas exigidas, de acordo com idade, sexo, gestação e/ou altitude; q Possui origem multifatorial, ou seja, ocorre por deficiência de ferro ou por outros nutrientes, por perdas sanguíneas, processos infecciosos e patológicos crônicos ou medicações específicas que impedem a absorção do ferro; q A principal causa de anemia é a deficiência de ferro, associada a 60% dos casos em todo o mundo; q O ferro é o metal mais presente no organismo; q A maioria desse ferro é proveniente do próprio sistema de reciclagem das hemácias, enquanto uma outra parte é proveniente da dieta; q O ferro da dieta é obtido através de vegetais e inorgânicos (ferro não hêminico), além de carnes e ovos (ferro hêminico ou orgânico); q A secreção gástrica de ácido clorídrico é importante para a absorção de ferro (por isso condições que reduzem a cloridria gástrica prejudicam a absorção de ferro, como bariátrica e medicamentos); q Prevalência: 40-50% das crianças estudadas, sendo mais prevalente em <3 anos e em gestantes; q Ocorre principalmente em países subdesenvolvidos; q Repercussões da anemia: o Prejuízo no desenvolvimento de habilidades cognitivas, comportamentais, linguagem e capacidades motoras da criança; ▪ Permanece mesmo após o tratamento após décadas, especialmente em crianças pouco estimuladas ou de baixo nível socioeconômico. o Cáries dentárias; o Menor discriminação e identificação de odores em comparação aos grupos controle; o Alterações na imunidade não específica; o Paladar e apetite alterados (com associação a quadros de picacismo); o Resposta alterada ao estresse metabólico; o Desenvolvimento audiovisual. q Diagnóstico clínico e laboratorial: o Clínica: ▪ Existem 3 fases do desenvolvimento da anemia ferropriva: • Depleção; • Deficiência de ferro; • Anemia. ▪ Os sintomas surgem de fato no 3º estágio: • Apatia; 75 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto • Cansaço; • Irritabilidade; • Taquicardia. o Depleção de ferro: ▪ Caracterizada por diminuição dos depósitos de ferro no fígado, baço e medula óssea; ▪ Ferritina sérica: principal parâmetro utilizado para avaliar as reservas de ferro, por apresentar forte correlação com a quantidade de ferro armazenado nos tecidos; ▪ A concentração de ferritina é influenciada pela presença de doenças hepáticas e processos infecto-inflamatórios, devendo-se tomar cuidado ao interpretar esse índice; ▪ Valores inferiores a 12 ug/L são fortes indicadores de depleção das reservas de ferro em crianças <5 anos e inferiores a 15 ug/L em crianças entre5-12 anos; o Toda criança com 1 ano de idade deve ter um hemograma e a cinética do ferro avaliadas para identificar precocemente a anemia; o Deficiência do ferro: ▪ Para diagnóstico, é observado redução do ferro sérico, aumento da capacidade total de ligação da transferrina (>250- 390 ug/dL) e a diminuição da saturação de transferrina (<16%); ▪ O ferro sérico é relevante ao diagnóstico quando seus valores são <30 mg/dL; ▪ Índice de saturação de transferrina = fe sérico / TIBC (capacidade total de ligação da transferrina). o Anemia ferropriva: ▪ Diminuição sanguínea da hemoglobina e hematócrito, além de alerações hematimétricas; ▪ Estágio final de instalação da anemia; ▪ Valores de referência: • <11 de 6-60 meses; • <11,5 de 5-11 anos. ▪ Pode ocorrer leucopenia e plaquetose; ▪ Diminuição de reticulócitos (representa falência da MO); ▪ Anemia micro-hipo; ▪ Diagnóstico diferencial com talassemias (solicitar eletroforese de Hb). q Prevenção: o AME prolongado; o Introdução alimentar com alimentos que aumentam a biodisponibilidade e absorção do ferro; o Contraindicação ao leite de vaca antes dos 12 meses; 76 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Após os 12 meses, máximo de 500 mL/dia de leite de vaca; o Suplementação em caso de dietas restritas para o uso de carne; o Suplementação em lactentes. q Tratamento: o Orientação nutricional para o consumo de alimentos fonte de ferro; o Reposição de ferro por via oral com dose terapêutica de 3-5 mg/kg/dia de ferro alimentar para crianças por no mínimo 8 semanas (idealmente 3-6 meses); o A suplementação deve ser continuada visando a reposição dos estoques de ferro, o que varia entre 2-6 meses ou até obtenção de ferritina sérica >15 (idealmente entre 30-300 ug/dL); o A suplementação deve ser feita longe das refeições, tomada em jejum, 1 hora antes de se alimentar ou antes de dormir; o Principal composto: sulfato ferroso; o Efeitos colaterais: ▪ Náuseas e vômitos; ▪ Gosto metálico; ▪ Pirose; ▪ Dispepsia; ▪ Plenitude gástrica; ▪ Desconforto abdominal; ▪ Diarreia e constipação. o Monitorização: ▪ HMG completo + reticulócitos a cada 30-60 dias; ▪ Dosagem de marcadores do estoque de ferro a cada 30-90 dias. o O tratamento deve durar até a reposição dos estoques de ferro (por volta de 6 meses de tratamento); o Sulfato ferro: 125 mg/mL = 25 mg/mL de ferro elementar, por isso, 1 gota = 1,25 mg de ferro alimentar (1 gota = 1 mg na prática); o Neutrofer 250 mg/mL e Ultrafer 50 mg/mL = 1 gota equivale a 2,5 mg de ferro elementar; o Incluir uma fruta cítrica junto ao consumo do sulfato ferroso para aumentar sua absorção; o Neutrofer e Ultrafer possuem menos efeitos colaterais; o Myrafer e Dexfer: 1 gota equivale a 5 mg de ferro elementar. 77 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Crupe viral: → Laringite de etiologia viral; → Inflamação da laringe reduz o espaço para passagem do ar pelo edema de glote; → Quadro clínico: tosse ladrante + rouquidão + estridor alto (esteto no pescoço com ruído na inspiração); → Piora do quadro durante a noite com tosse importante e dispneia; → Tratamento: inalação com adrenalina + corticoide sistêmico (Dexametasona 1 dose EV); → Preparação de adrenalina: 5 ampolas para 1 inalação ou 0,5 ml/kg de adrenalina; → Alta com melhora do quadro e orientar que na noite seguinte pode ocorrer novamente Epiglotite: → Crupe de etiologia bacteriana; → Instalação abrupta + sintomas sistêmicos + obstrução importante (mais agressiva); → IOT é necessária; → Usualmente, causada pelo Haemophilus tipo B (redução dos casos após introdução vacinal); → ATBterapia necessária. Bronquiolite: → Sempre de etiologia viral: mais comumente VSR; → Definição: primeiro episódio de sibilância na vida do lactente; → Pode haver infecção bacteriana associada (até metade dos quadros de internação); → Ocorre apenas em lactentes (<2 anos); → Transmissão: contaminação pelo contato com secreções; → Incubação: 3-5 dias; → Resolução: 10-15 dias; → Obstrução de pequenas vias aéreas por edema e, principalmente, pela produção muco (provoca sibilância); → Pródromo viral é comum com congestão nasal, coriza, decorrente da colonização da mucosa da nasofaringe pelo VSR; → Quadro clínico: o Febre (presente ou não); o Bom estado geral (sibilante feliz); o Tosse; o Taquidispneia; o Sibilos + aumento do tempo expiratório. → Diagnóstico: o 1º episódio de sibilância do lactente (diagnóstico clínico); o Radiografia de tórax: hiperinsuflação (retificação de arcos costais e das cúpulas diafragmáticas, aumento dos espaços intercostais e hipertransparência pulmonar); ▪ Aumento do nº de EIC: >7 ao raio-x o Hemograma: leucocitose + linfocitose | monocitose (pode haver desvio à esquerda); o Pesquisa viral (VSR, influenza). → Diagnósticos diferenciais: o Asma; o Coqueluche; o Fibrose cística; o Cardiopatias congênitas; o PNM; 78 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Doença do refluxo gastroesofágico; o Aspiração de corpo estranho (sibilo unilateral). → Tratamento: o Suporte! o 3º-4º: piora do quadro; o Quadro autolimitado com resolução espontânea; o Sintomáticos; o Aporte nutricional e hidratação; o Limpeza nasal; o Cabeceira elevada; o Oxigenioterapia (sn); o Considerar internação e suporte ventilatório com precaução de contato; o Beta-2-agonistas inalatórios (Salbutamol – Aerolin © ou Fenoterol – Berotec ©): manter apenas se criança responder ao uso; o Corticoterapia não está recomendada. → Indicação de internação: o Necessidade de O2 (CPAP, BIPAP e cateter de alto fluxo, IOT em casos graves); o Taquipneia >60 irpm; o Risco de aspiração. → Profilaxia: o Palivizumabe; o 1 vez por mês por 5 meses nos meses de maior incidência de bronquiolite; o Indicações: ▪ Prematuros <29 semanas até 1 ano de idade; ▪ Pneumopatas até 2 anos de idade; ▪ Cardiopatas até 2 anos de idade. Pneumonia adquirida na comunidade: → Inflamação do parênquima pulmonar; → Definição de PAC: pneumonia adquirida por criança sem internação nos últimos 30 dias; → Umas das principais causas de internação na população pediátrica; → Etiologia: o Principalmente, viral; o Prevalência de germes <ou=3 meses é diferente; o 4 meses ou +: padrão infeccioso de Pneumococo, S aureus e Haemophilus. Faixa etária Agentes RN-3 dias de vida Estreptococo do grupo B, bacilos gram- negativos ou Listeria monocytogenes 3-28 dias S aureus, S epidermidis e gram-negativos 1-3 meses Vírus, Chlamydia trachomatis, Ureaplasma urealyticum, Streptococcus pneumoniae, S aureus 4 meses – 5 anos Vírus, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae >5 anos Streptococcus pneumoniae, S aureus, Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae → Frequência respiratória por idade: Faixa etária FR limite 0-2 meses Até 60 2-11 meses Até 50 12 meses – 5 anos Até 40 6-8 anos Até 30 >8 anos Até 20 → Fatores de risco: o <9 meses; o Nível socioeconômico baixo; 79 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Desnutrição; o Comorbidades (asma, FC, DRGE); o Poluentes domiciliares; o Desmame precoce; o Baixa cobertura vacinal. → Infecção normalmente ocorre por aspiração de bactérias. Pneumonia viral: → Principalmente por VSR; → Mais prevalente nos meses de inverno; → Mais comum dos 2-3 anos de vida; → Pródromo importante (resfriado importante precedendo a evoluçãopara pneumonia); → Radiografia de tórax: infiltrado difuso sem consolidações; → HMG: leucocitose leve ou ausente; → Tratamento: suporte. Pneumonia bacteriana: → Apesar de menos comum, é mais significativa; → Deve-se investigar causas de pneumonia de repetição; → Agente etiológico mais comum: pneumococo (>5 anos); → Pneumonias atípicas: clamídia e micoplasma; → Quadro clínico: o Tríade: tosse + febre + taquidispneia; o Calafrios; o Dessaturação (sinal de gravidade); o Queda do estado geral; o Estertores | crepitações ao final da fase expiratória; o MV abolido ou reduzido em algumas regiões; o Percussão submaciça (quadros de derrame parapneumônico); o Sopro tubário. → Diagnóstico: o É clínico! o HMG com leucocitose e desvio à esquerda (não é regra); o PCR elevado; o Hemocultura: 10% apenas de amostras positivas (indicada apenas em PNM grave); o Radiografia de tórax: ▪ Infiltrado intersticial; ▪ Consolidação alveolar. ▪ Broncograma aéreo; ▪ Borramento de silhueta cardíaca; ▪ Derrame pleural (comum em pneumococo); ▪ Pneumatocele (comum em S aureus); ▪ Lembrar: raio-x demora a normalizar (refazer nas suspeitas de complicações do quadro). Inserir imagens de pneumonia dos slides; Pneumonia atípica: → Causada por Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae; → Geralmente, tem início insidioso com febre baixa esparsa ou mesmo AFEBRIL; → Quadro clínico: o Tosse prolongada; o Rinorreia; o Febre pode estar presente, mas baixa; o Mal-estar. → Pensar: infecção entre irmãos. Pneumonia afebril do lactente: → Chlamydia trachomatis; → Transmissão vertical; 80 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto → Ocorre principalmente até o 3º mês de vida; → Associação com conjuntivite. Tratamento: → Ambulatorial: o Amoxicilina 50-90 mg/kg/dose 7-10 dias (8/8 horas ou 12/12 horas); o Alternativa: cefuroxima (alérgicos à penicilina) ou amoxicilina-clavulanato (se falha do tratamento previamente). → Reavaliação em 48 a 72 horas (preferencialmente 48 horas); → Hospitalar: o Ampicilina ou penicilina cristalina; o Alternativa se falha: amoxicilina-clavulanato; o Alérgicos à penicilina: ceftriaxone + cobertura de gram-positivos: adicionar ao esquema oxacilina, clindamicina ou vancomicina. → Pneumonia atípica (comumente em >5 anos): macrolídeos (azitromicina ou claritromicina); → RNs: ampicilina ou penicilina + gentamicina ou amicacina (geralmente, diagnóstico de sepse precoce ou tardia). Indicações de internação: → Idade <2 meses; → Taquidispneia (FR>60 irpm) ou sinais de esforço respiratório; → Alteração do nível de consiciência; → Necessidade de O2 ou suporte ventilatório; → Sem melhora ou piora nas últimas 48 horas; → Cianose ou Sato2 <92%; → Recusa alimentar, dificuldade para ingerir líquidos ou vômitos incoercíveis; → Comorbidades; → Complicações; → Sinais de choque. PAC complicada: → Possíveis complicações: o Derrame pleural parapneumônico; o Empiema; o Pneumonia necrosante; o Abscesso pulmonar. → Quando desconfiar? o Sem melhora com tratamento adequado; o Permanece com febre. → Critérios de Light para derrame pleural: Parâmetros Transudato Exsudato Relação proteína do líquido | proteínas séricas <ou= 0,5 >0,5 Relação DHL líquido | DHL sérico <ou= 0,6 >0,6 DHL no líquido >2/3 do limite superior do DHL no soro Não Sim → Sugestivos de exsudato: o Proteínas >3,0; o pH acidificado (<7,2); o critérios de Light positivo. → Empiema: o Presença de pus na cavidade pleural; o Realizar bacterioscopia e cultura. Diferenciação PNM viral x bacteriana: Viral Bacteriana Febre baixa ou afebril Febre alta BEG REG ou MEG Pródromo viral e irmãos resfriados Caso isolado Rx: infiltrado difuso Rx: consolidação 81 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto PCR elevado PCR muito elevado Leucocitose sem desvio ou linfocitose com monocitose Leucocitose com desvio a esquerda. Pode haver linfocitose Pesquisa de vírus positivo HMC positiva e secreção traqueal + Sem complicações Complicações podem estar presentes, especialmente derrame pleural ou pneumatocele Coqueluche: → Transmissibilidade por aerossóis; → Etiologia: Bortedela pertussis; → Existe vacinação: DTP 2m → 4 m → 6 m com reforço aos 15 meses e 4 anos; → Após 3-5 anos da vacinação, anticorpos decaem; → Incubação variada: 3-12 dias; → Fases: o Catarral: ▪ 1-2 semanas; ▪ Resfriado importante; ▪ Pródromo viral; ▪ Sintomas de IVAS; ▪ Piora noturna. o Paroxística: ▪ 2-6 semanas; ▪ Crises de tosse que levam à pletora em <3 meses ou cianose em crianças mais velhas; ▪ Tosse paroxística pior a noite; ▪ Quadros de apneia ou engasgos podem ocorrer. o Convalescença: recuperação do quadro. → Diagnóstico: o Clínico! o Confirmação de Bortedella em secreção nasofaríngea (realizado em poucos lugares no Brasil); o HMG com leucocitose e predomínio linfocítico; o Radiografia de tórax: coração felpudo (infiltrado difuso). → Tratamento: o Macrolídeo; o Isolamento respiratório; o Contatos íntimos: quimioprofilaxia. → Quimioprofilaxia: o Mesmo tratamento; o Indicações: ▪ Contatos íntimos: • <1 ano; • <7 anos sem vacinação; • <4 doses de vacina aos 15 meses. COVID-19 e SIM-p: → Transmissibilidade por gotículas; → Problema na pediatria: síndrome inflamatória multissistêmica na pediatria; SIM-P: → Ocorre desde abril de 2020; → Inicialmente, ocorrendo na Europa e América do Norte; → Crianças hígidas com comorbidades eram mais atingidas; → Evolução semelhante a abertura do quadro de doença de Kawasaki; → Semelhante também à síndrome de ativação macrofágica ou síndrome do choque-tóxico (síndrome da pele escaldada); → Diagnóstico de SIM-P: o Pelo menos 2 órgãos ou sistemas acometidos; o Alterações cardiológicas: ▪ Disfunção miocárdica; ▪ Miocardite; 82 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ▪ Pericardite; ▪ Aneurisma de coronárias; ▪ Hipotensão; ▪ Choque cardiogênico. o Alterações renais: IRA dialítica; o Alterações respiratórias: ▪ Dispneia; ▪ Taquipneia; ▪ Hipóxia. o Alterações hematológicas: ▪ Trombose local ou sistêmica (aumento de D-dímero); ▪ Anemia; ▪ Leucopenia; ▪ Linfopenia; ▪ Plaquetopenia. o Alterações gastrointestinais: ▪ Dor abdominal; ▪ Vômitos e diarreia. o Alterações mucocutâneas: ▪ Edema generalizado; ▪ Fissuras labiais; ▪ Língua em framboesa; ▪ Conjuntivite; ▪ Exantema polimórfico; ▪ Edema de orofaringe. o Alterações neurológicas: ▪ Cefaleia persistente; ▪ Convulsões; ▪ Psicose. o Febre persistente (obrigatoriamente); o Infecção recente por COVID-19 documentada ou presumida. → Laboratorial: o Aumento de marcadores inflamatórios: ▪ PCR; ▪ VHS; ▪ Procalcitonina; ▪ Ferritina. o Aumento de marcadores de coagulação: ▪ TP; ▪ TTPA; ▪ D-Dímero; o Marcadores de lesão miocárdica: ▪ Troponina; ▪ NT-pró-BNP. → Exames de imagem: o ECG; o Ecocardiograma; o Alterações em até 80% dos casos. → Confirmação diagnóstica: → Diagnóstico diferencial: o Sepse subdiagnosticada: ATB empírico; o Kawasaki: ▪ SIM-P em crianças de aproximadamente 5 anos (+++ meninos); ▪ Mais alterações gastrointestinais; ▪ Marcadores inflamatórios e MNM mais elevados. → Tratamento: o ATB se sinais de sepse; Febre elevada persistente 2 ou + sistemas acometidos Provas inflamatórias aumentadas Evidência de COVID-19 83 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o Corticoterapia ou imunoglobulina; o Imunoglobulina: casos moderados a graves;o Corticoterapia: crianças graves ou sem resposta a imunoglobulina; ▪ Metilprednisolona em doses altas. o Anticoagulantes: AAS se sinais de Kawasaki ou plaquetose; o Enoxaparina: ▪ Preenchimento de pelo menos 2 critérios; ▪ Internação em UTI; ▪ Diagnóstico de SIM-P; ▪ Risco para TVP. 84 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Rinite alérgica: F Definição: doença inflamatória da mucosa nasal mediada por IgE; F 20-40% das crianças possuem rinite alérgica; F Fatores de risco: o Antecedente familiar; o IgE elevada (>4%); o Tabagismo domiciliar; o Histórico alérgico. F Descompensação durante resfriados; F Quadro clínico: o Prurido nasal; o Congestão nasal; o Rinorreia; o Espirros em salvas; o Conjuntivite; o Saudação do rinítico (cadada de baixo para cima no nariz); o Facies típica do rinítico: incluir imagem. ▪ Olheiras; ▪ Prega transversal no dorso nasal; ▪ Respiradores bucais; ▪ Lábio inferior evertido e lábio superior invertido. F À rinoscopia: o Mucosa pálida; o Edemaciada. F Sintomas graves: o Despertares noturnos; o Limitações de atividades. F Diagnóstico laboratorial: o Teste cutâneo (forte indicação); o Dosagem de IgE (fraca indicação). F Tratamento: o Controle ambiental; o Anti-histamínicos: ▪ 3-4 semanas; ▪ 1ª geração: Polaramine ou Hidroxizine; ▪ 2ª geração: Loratadina ou Desloratadina. o Corticoide tópico (>4 semanas): ▪ Mometasona (Nasonex) >2 anos; ▪ Fluticasona (Avamys) >4 anos; ▪ Budesonida >6 anos. o Corticoide sistêmico: ▪ Apenas por 5-7 dias; ▪ Se descompensação importante; ▪ Prednisolona. o Descongestionantes nasais por apenas 5 dias (LEMBRANDO: evitar nafazolina – Neosoro © - risco de bradicardia e hipotensão); o Lavagem nasal. Lactente sibilante: F 30-40% das crianças que tiveram bronquiolite apresentam novos quadros de sibilância; F Definição de lactente sibilante: 3 ou + episódios de sibilância em 1 ano até a idade pré-escolar; F Mudança de nomenclatura: o Bronquiolite: sibilância decorrente de secreção apenas; o Sibilância: tendência imunológica à bronconstrição. Sibilância transitória | não-atópica Asma persistente Sibilos durante os 2- 3 primeiros anos apenas Outras atopias Desencadeado principalmente por infecções virais Presença de IgE específica evidenciada pelo teste cutâneo Índice preditivo de Pai e/ou mãe com Preferencial! Menos efeitos colaterais 85 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto asma negativo asma F Tratamento: variado; F Considerar risco de asma no futuro: o 1 critério maior: alta chance de asma futura; o 1 critério menor: alta chance de asma futura. Critérios maiores Critérios menores Um dos pais com asma Diagnóstico médico de rinite alérgica Diagnóstico de dermatite atópica Sibilância não associada a resfriado Eosinofilia >ou= 4% F Asma é diagnóstico a partir de 5- 6 anos de idade; F Até essa idade, as crises de sibilância são chamadas de crise de broncoespasmo vírus-induzido ou lactente sibilante se 3 episódios ou mais em 1 ano; F Tratamento: o Asma: F Doença crônica mais comum na infância; F Causa inflamatória: o Hiperresponsividade de vias aéreas inferiroes com limitação do fluxo respiratório; o Doença pulmonar obstrutiva (ar entra, mas tem dificuldade para sair); o Constrição da via aérea já edemaciada leva ao turbilhonamento do ar e sibilos. F Crise asmática: o Avaliação de gravidade; o Estratificação por escores; o Sinais são semelhantes. F Escore de Wood: o >ou= 5 pontos: crise asmática severa. Parâmetros 0 1 2 PaO2 70-100 em AA <70 em AA <70 com 40% de O2 Cianose Não Em AA Com 40% de O2 MV Normal Reduzido Reduzido ou abolido Uso de musculatura acessória Não Moderadamente Máximo esforce Sibilo expiratório Não Moderado Marcado Nível de consciência Normal Agitada ou rebaixada Comatosa F Tratamento: o Para todos: oxigenioterapia! o Crises leves: ▪ Sequência de beta-2- inalatório; ▪ Boa resposta: alta após 4-6 horas da última inalação com inalações de beta-2 6/6 horas por até 5 dias; ▪ Resposta insuficiente: tratar como crise moderada. o Crises moderadas: ▪ Sequência de beta-2 inalatório + ipratrópio (Atrovent) + corticoide sistêmico; ▪ Boa resposta: alta com beta-2- inalatório por inalação + corticoide oral por até 5 dias; • Pode-se adicionar Atrovent para nebulização em casa. 86 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ▪ Resposta insuficiente: internação e tratar como crise grave. o Crises graves: ▪ Inalação contínua (má resposta); ▪ Sulfato de magnésio EV (boa resposta); ▪ Beta-2-agonista EV em infusão contínua (Salbutamol ou Terbutalina) em leito monitorizado de UTI; ▪ Avaliar necessidade de suporte ventilatório: • Cateter nasal de alto fluxo; • CPAP; • VNI; • IOT + VM. F Sequência de beta-2-curta ação na crise leve: o 3 aplicações sequenciais; o 3 puffs a cada 20 minutos no intervalo de 1 hora (3 em 20 + 3 em 20 + 3 em 20). F Sequência em crise moderada: o 1ª inalação: beta-2 + atrovent; o 2ª e 3ª inalações: apenas beta-2; o A cada 20 minutos; o Aplicar primeira dose de corticoide sistêmico SEMPRE via oral; o Prednisolona. F Apresentações medicamentosas: o Salbutamol (): ▪ Gotas: 1 gota a cada 2-3 kgs (máximo de 20 gotas); ▪ Spray: 1 jato a cada 2 kg (2-4 jatos, usualmente). o Fenoterol (Berotec): ▪ Gotas apenas; ▪ 1 gota a cada 3-5 kg (máximo de 10 gotas). o Brometo de ipratrópio (Atrovent): ▪ Derivado da atropina; ▪ Bloqueador de receptores muscarínicos (LABA); ▪ Promove broncodilatação por redução do tônus colinérgico da musculatura bronquiolar; ▪ Dose: • <5 anos: 10 gotas; • >5 anos: 20 gotas. ▪ Máximo de 40 gotas; ▪ Efeito apenas em associação com beta- 2; ▪ Diminuição da necessidade de internação. o Corticoterapia: ▪ VO sempre; ▪ Prednisolona VO 1 mg/kg/dia (1 ml a cada 3 kg); ▪ Metilprednisolona (EV) 1-2 mg/kg/dose até 4x ao dia; ▪ Hidrocortisona (EV) 10 mg/kg; ▪ Na alta, manter corticoterapia sistêmica por até 5 dias do início da terapia (máximo de 7 dias). F Tratamento ambulatorial: o Objetivos: ▪ Redução do impacto e risco das crises asmáticas; ▪ Medidas não farmacológicas associadas ao 87 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto tratamento farmacológico; ▪ Deve ser revisado continuamente (step down e step up). o Parâmetros avaliados e classificação de controle: ▪ Sintomas diurnos >2x por semana nas últimas 4 semanas? ▪ Despertares noturnos nas últimas 4 semanas? ▪ Limitações de atividades diárias nas últimas 4 semanas? ▪ Uso de medicação de resgate >2 vezes na semana nas últimas 4 semanas? Bem controlada Parcialmente controlada Descontrolada Nenhum ponto 1-2 pontos 3-4 pontos Step down Step up Step up *para crianças <5 anos: já considerar com apenas sintomas diurnos ou medicação de resgate 1x na semana; ** não considerar medicação pré-atividade física. F Medidas não farmacológicas: o Natação: melhor desenvolvimento da árvore brônquica; o Redução de peso; o Retirada de desencadeantes. F Asma controlada: manter medidas; F Asma não controlada ou parcialmente controlada: o SEMPRE checar técnica de inalação ou aerossol; o Confirmar diagnóstico de asma; o Remover fatores de risco e melhorar comorbidades; o Considerar STEP UP; o Encaminhar para especialista (pneumologista). F Tratamento farmacológico: F Técnicas: o <4 anos: aerossol dosimetrado + máscara facial OU nebulização com máscara facial; ▪ Contar 10 segundosa cada puff o 4-6 anos: aerossol dosimetrado com espaçador e bocal; STEP 1 Alívio: SABA Controle: SABA de resgate + CI em dose baixa adjunto STEP 2 Alívio: SABA Controle: corticoide inalatória (CI) em baixa dose STEP 3 Alívio: SABA Controle: CI em baixa dose + LABA STEP 4 Alívio: SABA Controle: CI em moderada dose + LABA STEP 5 Alívio: SABA CI em altas doses + tratamento específico (anti-IgE, anti-IL5/5R ou anti- IL4R) 88 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ▪ Inspirar a medicação e segurar a respiração por 10 segundos. o >6 anos: inaladores de pó OU aerossol dosimetrado com espaçador e bocal. ▪ Inspirar a medicação e segurar a respiração por 10 segundos. F Sempre orientar a enxaguar a boca após o uso da medicação para evitar infecção oportunista com cândida. 89 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: É comum a criança ter apenas o quadro febril como queixa; Definição de FSSL: até 7 dias de febre sem outros sinais ao exame físico ou à anamnese; Definição de origem indeterminada: documentada de mais de 3 semanas com investigação ambulatorial ou mais de 1 semana com investigação hospitalar (internação); Quanto mais nova a criança, mais comum é o quadro de FSSL; 25% das consultas pediátricas no OS envolvem queixas febris; Até 20% dessas podem ser classificadas como FSSL; A maioria apresenta doenças virais autolimitadas; Risco maior é de bacteremia oculta; Diminuição dos casos com as vacinas contra Haemophilus influenzae tipo B e Streptococcus pneumoniae; Bacteremia oculta ou doença bacteriana grave: Crianças <3 meses: risco maior por imaturidade imunológica; Usualmente, por Haemophilus influenzae tipo B (praticamente nulo após introdução de vacinas); Atualmente, o agente predominante é o Streptococcus pneumoniae; Crianças que sofreram procedimentos invasivos também tem maior risco. Pneumonia oculta: Dados de até 15% de PNM em crianças menores que 5 anos, sem sintomas respiratórios, com febre >39ºC e leucocitose >20.000; Chance muito baixa de PNM oculta em pacientes com vacinação completa. Infecção do trato urinário: Principalmente em crianças menores, que têm quadros inespecíficos; Fatores de risco: o Menores de 1 ano de idade; o Febre >39°C; o Meninos não circuncidados. Investigação: Triagem infecciosa: o Toxemia ou mal estado geral; o Doença de base com grau de imunocomprometimento; o Contato com pessoa doente por agente transmissível; o Independente da idade se houver algum desses critérios. Conduta: o Investigação laboratorial e de imagem; o ATB empírico. Investigação laboratorial: o Urina 1; o Urocultura; o Hemograma; o Radiografia de tórax; o PCR ou VHS; o Hemocultura; o Líquor (a depender do quadro). 0 a 28 dias de vida: Investigação: o Investigação completa; 90 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o HMG + PCR + urina 1 + URC + LCR; o Considerar radiografia de tórax se alterações respiratórias (na prática, sempre pede); o Considerar copograma e coprocultura se diarreia. Conduta: o Internação; o ATB empírico: ▪ Cefalosporina de 3ª geração (cefotaxima); ▪ Ampicilina + gentamicina; ▪ Ceftriaxone não é recomendado nessa faixa etária. o Manter ATB até resultado de culturas. 29 a 90 dias de vida: Investigação: o HMG + PCR + HMC + urina 1 + URC; o LCR é recomendado e indicado se for iniciar ATB empírico; o Radiografia de tórax se houver alteração respiratória (na prática, sempre pede); o copograma e coprocultura se diarreia. Conduta: o Tratamento ambulatorial pode ser considerado a depender do estado e quadro da criança; o ATB IM: Ceftriaxone; o Realizar pesquisa viral se disponível. 3 meses a 3 anos: Se febre <39°C: o Acompanhamento ambulatorial; o Não necessita de exames. Se febre >39°C: o Considerar investigação para ITU; o Vacinação completa para pneumococo (3 doses)? Acompanhamento ambulatorial sem exames; o Vacinação incompleta? HMG + PCR. Se leucocitose e/ou PCR elevado prosseguir com investigação e iniciar ATB empírico (Amoxicilina ou Ceftriaxone). 91 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: → Definição de meningite: doença inflamatória das leptomeninges; → Definição de meningoencefalite: doença inflamatória das meninges + do encéfalo; → Maioria dos quadros são virais (meningite asséptica); → Causada em 85-95% dos casos por enterovírus; → O restante tem como etiologia o herpes vírus (mais associado com meningoencefalite) e bacteriana (100% de mortalidade se não tratada). Etiologia: Neonato 1-3 meses 3 meses a 3 anos 3-10 anos >10 anos Streptococcus do grupo B Streptococcus do grupo B Streptococcus pneumoniae Streptococcus pneumoniae Neisseria meningiditis Escherichia coli Streptococcus pneumoniae Neisseria meningiditis Neisseria meningiditis Outros gram- negativos Neisseria meningiditis Haemophilus influenzae Listeria monocytogenes Bacilos gram- negativos Streptococcus do grupo B Streptococcus pneumoniae Bacilos gram- negativos Fisiopatologia: → Fatores de risco: o Doenças de base com imunocomprometimento; o Uso de corticoides ou outros imunossupressores. → Infecção viral: geralmente ocorre em segunda viremia após infecção respiratória ou gastrointestinal prévia; → Infecção bacteriana: ocorre por meio de 3 mecanismos, descritos a seguir. o Colonização de nasofaringe com posterior invasão do SNC; o Invasão do SNC secundariamente a bacteremia decorrente de foco infeccioso localizado; o Inoculação direta do SNC por contiguidade. → LCR é um ambiente estéril e, por isso, propício para replicação bacteriana, que não encontra competitividade para consumo dos extratos existentes; → Patogênese: Clínica: → Febre; → Sinais de irritação meníngea: o Náuseas e vômitos (principalmente em jatos, Inflamação das meninges Lesão da BHE Edema cerebral citogênico Aumento da PIC Isquemia cerebral Lesões citotóxicas Convulsões, coma, surdez, déficits cognitivos e déficits motores 92 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto ou seja, que não são precedidos por náuseas); o Irritabilidade; o Anorexia; o Cefaleia; o Confusão mental e/ou alteração de comportamento (encefalite); o Rigidez de nuca (testado pelo sinal de Kernig e sinal de Brudzinski); o Abaulamento de fontanelas. → Pior prognóstico: o Sinais de HIC (tríade de Cushing, com bradipneia, bradicardia e hipertensão); o Crises convulsivas; o Púrpuras ou petéquias. → Sempre investigar: o Infecções recentes (vias respiratórias); o Uso prévio de ATB; o Contato com casos de meningite; o História vacinal; o TCE recente. Petéquias e púrpuras: meningite meningocócica: → Causada pela Neisseria meningiditis. → Existem 6 sorogrupos + importantes na etiologia da meningite: A – B – C – Y – X – W-135; → Incidência no Brasil: 1,8 casos/100.000 habitantes; → 50% das meningites em <5 anos; → Mortalidade entre 18-20% na meningite e 50% quando há meningococcemia; Doença meningocóccica: → Doença invasiva pela Neisseria meningiditis; → 70% dos casos possuem meningite associada; → Geralmente, início súbito com: o Febre; o Calafrios; o Mal-estar; o Mialgia; o Rash maculopapular, petequial ou purpúrico (presente em >50% dos casos); → Doença fulminante com óbito em poucas horas, independentemente de terapêutica adequada instituída. Diagnóstico: → Anamnese + exame físico compatível + exames laboratoriais; → Examescomplementares: o HMG; o PCR; o HMC; o Glicemia; 93 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto o LCR (celularidade, cultura e bacterioscopia). → TC de crânio é indicada antes da coleta de LCR se: o Suspeita de HIC; o Trauma ou cirurgia recente; o Rebaixamento do nível de consciência; o Crise convulsiva; o Déficit neurológico focal. Análise de líquor: Normal Bacteriana Viral Células/ml <4-6 >1000 <500 Tipo celular Linfócitos Neutrófilos Linfócitos Glicose >40 <40 >40 Relação glicose LCR/sérica >2/3 <2/3 >2/3 Proteínas -- >100 40-100 Lactato -- Alto Normal Método de Gram: → Avalia presença de bactérias antes do resultado da cultura; → Positivo em 90% das meningites pneumocócicas e 80% das meningites meningocócicas. Látex: → Teste antigênico de aglutinação; → Sensibilidade 50-100%; → Útil quando paciente utilizou ATB previamente. Bacterial Meningitis Score: → Muito baixo risco para meningite bacteriana: o Todos os critérios ausentes. → Critérios: o Bacterioscopia positiva; o Neutrófilos no LCR >1000 células/mL; o Proteinorraquia >80 mg/dL; o Neutrófilos em sangue periférico >10.000 células/mL; o Presença de crise convulsiva. → Alto valor preditivo NEGATIVO (se ausentes, excluem meningite). Tratamento: Viral: → Suporte e sintomáticos: → Encefalite herpética: Aciclovir EV 14-21 dias (alta mortalidade se não tratada – 70%). Bacteriana: → Antibioticoterapia parenteral; → ATB com bom nível sérico em SNC; → Deve ultrapassar a BHE; → Ceftriaxone EV por 10 dias; → Corticoterapia: o Dexametasona EV por 4 dias; o Para evitar sequelas neurológicas e auditivas. → Precaução para gotículas por 24 horas após início da antibioterapia. Quimioprofilaxia: → Deve ser administrada em até 48 horas após exposição; → Indicações: Meningite por N. meningiditis ou Meningite por H. influenzae. → Feita com Rifampicina; → Contatos íntimos familiares ou creches: 4 horas por dia por 5-7 dias; → Profissionais de saúde: o Respiração boca-a-boca; o IOT; o Aspiração de secreção traqueal; o Exame de fundo de olho. Se feitos sem máscara cirúrgica 94 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Introdução: • Usualmente acidental e normalmente em pequenas quantidades; • Um tema de emergência pediátrica; • Consequências clínicas ou bioquímicas da exposição aguda a substâncias; • Presentes no ambiente ou isoladas; • Mais frequente entre 1-4 anos; • Mortalidade é baixa (<1%) • Geralmente, suporte já é suficiente. • Para reconhecer o tipo de intoxicação é importante compreender a função do sistema nervoso simpático e do sistema nervoso parassimpático. Principais causas: 1. Medicamentos; 2. Domissanitários; 3. Animais peçonhentos; 4. Produtos químicos industriais. Fatores de risco: • Irmãos; • Fome; • Medicamentos de fácil acesso; • Armazenamento de produtos de limpeza. Suspeitar: • Alteração de status mental; • Convulsão inédita; • Comprometimento cardiorrespiratório; • Acidose metabólica inexplicada; • Quadro clínico complexo; • Idade + fatores de risco Tratamento: • Entrar em contato com o CEATOX em Ribeirão Preto (016 3602- 1190); • Avaliação clínica + estabilização (ABC); • Reconhecer o tipo de toxissíndromes e identificar o agente; • Descontaminação; • Eliminação; • Antídoto. Síndrome anticolinérgica: • Midríase; • Rubor; • Mucosas secas; • Hipertermia; • Taquicardia; • Retenção urinária; • RHA abolidos; • Agitação psicomotora; • Alucinações e delírios. Substâncias causadoras: • Clorpromazina; • Polaramine; • Antidepressivos tricíclicos; • Flor de saia. Síndrome colinérgica: • Miose; • Sudorese; • Bradicardia; • Salivação; • Lacrimejamento; • Poliuria; • Diarreia; • Alterações gastrointestinais; • Êmese. Substâncias causadoras: • Principal: chumbinho (inseticidas organifosforados que são mais graves, pois inbem a colinesterase • irreversivelmente e os carbamatos que são reversíveis). Síndrome simpatomimética ou adrenérgica: • Midríase; • Rubor; • Sudorese; • Taquicardia; • Hipertensão; • Hipertermia; • Agitação psicomotora e paranoia; • Hiperreflexia. Substâncias causadoras: • Cocaina; • Metanfetaminas; • Ritalina e venvanse; 95 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto • Alguns descongestionantes nasais. Síndrome narcótica ou por opioide: • Miose; • Depressão respiratória; • Rebaixamo-nos do NC; • Bradicardia; • Hipotermia; • Hipotensão; • Hiporreflexia. Substâncias causadoras: • Imosec (mais na pediatria); • Opioides em geral; • Heroina. Síndrome depressiva: • Rebaixamento do NC; • Depressão respiratória; • Cianose; • Hiporreflexia; • Hipotensão; • Miose; • Hipotermia; • Bradicardia. Substâncias causadoras: • Fenobarbital; • Benzodiazepínicos; • Álcool. Síndrome extrapiramidal: • Hipertonia; • Espasmos musculares; • Sinal da roda denteada; • Parkinsonismo; • Mimica facial pobre; • Choro monótono. Substâncias causadoras: • Plasil; • Domperidona; • Haldol; • Carbonato de lítio; • Clorpromazina. Paracetamol: • >150 mg/kg (15 gotas/kg) ou >7,5 g (10 cps de 750 mg); • Estágios: • 1: 24 horas do quadro, com anorexia, náuseas, vômitos, mal-estar, palidez, diaforese e exames laboratoriais normais; • 2: 48 horas do quadro, dor no quadrante superior direito, elevação de enzimas hepáticas, bilirrubina e alargamento do TAP, oligúria; • 3: 96 horas do quadro, pico das anormalidades da função hepática e reaparecimento dos sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos e mal- estar). Nesse estágio, ocorre morte ou início da recuperação; • 4: quatro dias a duas semanas, resolução do quadro ou evolução para falência hepática completa. • Antídoto: acetilcisteina – ataque 140 mg/kg + manutenção com 70 mg/kg a cada 4 horas (idealmentefeito em até 10 horas da ingesta); • Carvão ativado: só até 2 horas após a ingesta (pesar risco- benefício). Ibuprofeno: • >400 mg/kg ou >80 gotas/kg; • Clínica após 4-6 horas com resolução em 24 horas; • Sintomas: náuseas, vômitos e dor abdominal são os mais comuns; • Alteração do sensório, acidose metabólica, IRA, depressão respiratória são sintomas mais raros; • Tratamento: suporte (carvão ativado com até 2 horas da ingesta). Nafazolina: • Comum em crian<6 anos; • 1-2 mL já podem provocar clínica; • Sintomas a partir de 1 hora e resolução em 12-24 horas; • Intoxicação mais leve: hipotermia, taquicardia, palidez, sudores, sonolência; • Intoxicação mais grave: hipertensão seguida de hipotensão, bradicardia, depressão respiratória, apneia, hipotonia, depressão neurológica (coma); • Tratamento: sem antídoto, tratar os sintomas; 96 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto • Se houver bradicardia, administrar atropina; • Se houver hipotensão, realizar expansão volêmica. Efedrina ou pseudoefedrina: • Clínica após 2-4 horas com apenas o dobro da dose terapêutica; • Síndrome simpatomimética: midríase, hipertensão e taquicardia; • Sinais de gravidade: alucinações, agitação psicomotora, convulsões, arritmias; • Tratamento de suporte: lavagem gástrica e carvão ativado na primeira hora; • Agitação ou convulsão: BZDs; • Não tem antídoto Monóxido de carbono: • Intoxicação leve: cefaleia e sintomas gripais; • Intoxicação moderada a grave: confusão, irritabilidade, coma, lesões cardíaca, hepática, renal e SNC; • Tratamento: O2 a 100%. Ferro: • Tóxico >20 x a dose terapêutica; • Dor abdominal e diarreia; • Sangramento gastrointestinal (erosão e edema da mucosa): hematemese e melena; • Venodilatação eaumento da permeabilidade capilar levando a hipotensão e choque; • Dano mitocondrial com acúmulo de ácido láctico intracelular e ácido cítrico, levando ao desenvolvimento de acidose metabólica; • Estupor e coma; • Tratamento: lavagem + irrigação gástrica (para doses eventualmente fatais); • Desferroxamina é um quelante do ferro. Reconhecimento do agente: • Via de exposição; • Dose estimada; • Acidental ou intencional; • Acompanhamento da clínica; • Tempo de ingesta. Exames complementares: • Confirmação laboratorial do tóxico (lento e restrito); • Qualitativo: Acetona; Anfetaminas; Anticolinérgicos; Barbitúricos; BZDs; Cafeina; Canabinoides; Salicilatos; Cocaina; Codeina; Etanol; Fenotiazídicos; Heroina; Morfina; Nicotina; Antidepressivos tricíclicos; Betabloqueadores; Cloroquina; Estricnina; Glicois; Herbicidas fenoxiclorados; Isopropanolol; Metanol; Metoclopramida; Paracetamol. • Quantitativo: demoram, são caros e apresentam pouca vantagem Digitálicos; Acetaminofeno; Chumbo; Etanol; Salicilato; Ferro; Fenobarbital; Teofilina. • Glicemia capilar; • ECG; • Função renal, eletrólitos, função hepática e coagulograma. Descontaminação: De acordo com a via de absorção: Cutânea: • Retirar vestes; • Retirar resíduos com escova macia; • Lavar em água corrente por 15- 30 minutos; 97 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto • Usar sabão se substância lipossolúvel; • Alguns agentes podem provocar quadro de queimaduras. Ocular: • Lavagem com água ou SF0,9% por 15-30 minutos; • Medial para lateral (evitar contaminação do outro olho); • Não usar colírio anestésico; • Considerar tampão. Inalatória: • Retirar vítima do local; • Manter em ambiente arejado; • Tratar broncoespasmo ou edema pulmonar. Descontaminação gastrointestinal: • Hoje com indicações mais restritas; • São contraindicados medicamentos emerizantes (como xarope de ipeca); • Irrigação intestinal (reservada para substâncias encapsuladas, metais pesados em grandes quantidades como ferro); • Laxante osmótico 35 ml/kg/horaem crianças: solução de PEG via SNG em infusão contínua. Lavagem gástrica: • Indicada para ingestão de grande quantidade do tóxico, especialmente ferro e lítio; • Preferencialmente até 1 hora da ingestão; • SNG ou SOG do maior calibre possível; • Manter em decúbito lateral esquerdo; • 10 ml/kg até 250 ml em adultos de SF0,9% ou água; • Retirar por sucção ou gravidade; • Repetir várias vezes (8-10 vezes ou até líquido claro; • Não realizar para substâncias corrosivas; • Assegurar via aérea se paciente rebaixado. Carvão ativado: • Geralmente, 1 dose apenas e preferencialmente até 1 hora da ingestão; • 0,5-1 g/kg (adultos = 50 a 100 g); • Diluir cada 1g em 8-10 mL de líquido (água ou suco); • Passar via oral ou por SNG; • Se houver rebaixamento do SNC, garantir via aérea; • Indicado se ingestão de dose potencialmente tóxica ou letal; • Não realizar para metais pesados, pois não se liga, ou após ingestão de cáusticos (prejudica realização de EDA). Eliminação: • Promover excreção mais rápida ou intensa; • Diurese forçada (hiperidratação + furosemida); • Alcalinização da urina: • BicNa EV 1-2 mEq/kg por 3- 4 horas; • Eliminação de tóxicos ácidos (fenobarbital + amitriptilina + salicilato); • pH urinário >7,5 (controlar de 1/1 hora); • Realizar controle eletrolítico (principalmente de potássio). • Métodos dialíticos (indicação de dialise de urgência). Antídotos: • Poucos são seguros e eficazes; • Geralmente, dar após a estabilização do paciente e de preferência nas primeiras horas; • Várias doses podem ser necessarias; • Antídotos: Tóxico Antídoto Acetaminofeno (Paracetamol) N-acetilcisteína Benzodiazepinicos Flumazenil Anfetamina Diazepam Metemoglobinemia Azul de metileno 98 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto Definição de peçonhento: animal venenoso com estrutura anatômica de inoculação; Introdução: • Epidemiologia: maioria dos acidentes ocorrem por picadas de escorpião, mas a maioria dos óbitos é por picada de cobra; • Colocar gráficos; • Segundo o Instituto Butantan, em 2010 ocorreram 2319 atendimentos por acidentes com animais peçonhentos; • A principal população atingida são homens entre 20-39 anos de zonas rurais ou periféricas; Estabelecer nesses casos: • Tempo do acidente; • Medidas adotadas até então (em casa e na atenção primária); • Identificar sinais e sintomas; • Local do acidente; • Descrição do agente. Abordagem inicial: • Retirar adornos; • Retirar roupas; • Lavar abundantemente. Acidente ofídico: • Tipos de serpentes no Brasil: • Botropica; • Crotálica; • Lacbesis. • Lesão local: • Dor e edema; • Bolhas; • Necrose. • Sintomas sistêmicos: • Náuseas e vômitos; • Sudorese; • Diarreia. • Hemorragias locais e sistêmicas (CIVD like); • Miotoxina causa rabdomiólise sistêmica: enzimas musculares elevadas + mioglobina levam à insuficiência renal por NTA; Acidente botrópico: • Edema e equimose; • Sangramento; • Dor; • Necrose; • Edema, eritema, equimose e bolhas; • Hematoma; • Gengivorragia. Acidente crotálico: • Fáscies miastênica; • Ptose; • Mioglobuminúria; • Edema discreto. Exames laboratoriais: • Coagulograma + fibrinogênio: na admissão, após 12 horas e após 24 horas da soroterapia; • HMG: Hb reduz, PLQ reduz, neutrófilos aumentam com desvio à esquerda; • Urina 1: hematúria e proteinúria; • CPK, DHL e TGO elevadas. Tratamento: • ABC + suporte + expansão volêmica; • Hiperidratação + diurético (prevenção IRA); • Alvo: >2 mL/kg/h nana criança; • Soroterapia; • ATB se infecção + profilaxia para tétano; • Desbridamento de tecidos necróticos / fasciotomia na síndrome Compartimental; • Hemocomponentes. Soroterapia: • Não há soro universal; • Até 40% de efeitos adversos; • Diluir de 1:2 até 1:5 em SF0,9% ou SG5%; • Administração lenta >30 minutos; • Se reação alérgica: interromper soro + adrenalina 0,5 mL 1:1.000 SC ou EV (pode fazer uso profilático de 0,25 mL SC) + hidrocortisona 4-8 mL/kg EV (max: 300-500 mg) + difenidramina 1 mg/kg EV (max: 50 mg). Doença do soro: • 5-24 dias após administração; • Quadro: febre, urticária, artralgia e adenomegalia; • Tratamento: Prednisolona oral 1 mg/kg/dia por 5-7 dias. Acidente escorpiônico: • Tityus serralatus; 99 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto • Períodos de chuva: 3 primeiros meses e 4 últimos meses; • Mais na zona urbana; • Locais mais afetados: mãos e pés; • 18% ocorrem entre 0-9 anos; • Maioria dos acidentes são leves a moderados e boa parte recebe tratamento sem soroterapia; • Toxina escorpiônica atua sobre os canais de sódio: despolarização das terminações nervosas sensoriais, motoras e do sistema nervoso autônomo, provocando liberação de adrenalina, noradrenalina e acetilcolina; • Clínica: sintomas colinérgicos e adrenergicos; • Sintomas locais: • Dor forte; • Sudorese; • Eritema; • Edema discreto; • Piloereção. • Sistêmico: • Colinergicos: • Sludge (aumento de secreções e sudorese); • Espasmos, bradicardia, hipotensão, hipotermia e miose. • Adrenergico: • Midríase; • Taquiarritmias; • Hipertensão; • Arritmia + aumento de secreções = edema agudo de pulmão. • Exames: • ECG: bradi ou taqui, extrassístoles, onda T invertida, supra ou infra de ST; • Raio- de tórax: EAP e/ou cardiomegalia; • Ecocardiograma: hipocinesia transitória; • Glicemia: elevada nas primeiras horas; • Hipocalemia; • Hiponatremia; • Leucocitose com neutrofilia; • Aumento de amilase, CPK,CK-MB; • TC: infarto cerebral; • Quanto mais se aproximar de infarto cerebral, maior a gravidade. • Tratamento: • Lidocaína 2% sem vasopressor local + analgésicos; • Suporte hemodinâmico e respiratório; • Cuidado com expansões (EAP); • Corrigir distúrbios; • Soroterapia que pode ser feito sem diluição. Acidentes com aracnídeos: • Venenosas fazem teias irregulares ou não fazem teias, além de possuírem hábitos noturnos; • Phoneutria (armadeira): • Presentes no Sul e Sudeste brasileiro; • Ficam em calçados, roupas, frutas e verduras; • Coloração marrom- acizentada; • São robustas, peludas e agressivas; • Pulam de 20-30 cm sobre a vítima; • Foneutriatoxina: canais de sódio (escorpianismo); • Maioria dos casos são leves, com sintomas locais; • Quadro: • Dor, edema e eritema local; • Sinais de picada. • Loxoceles (aranha marrom): • Presente na região Sul; • Colocação de roupas e calçados é onde ocorrem a maioria dos acidentes; • Veneno com ação citotóxica e hemolítica; • Formação de lesões bolhosas e necróticas; • Clínica: • Forma cutânea: edema local 100 Apostila Pediatria – Meg Moreira – Estácio Ribeirão Preto endurado, dor local, equimose, isquemia, vesículas, bolhas e necrose; • Forma cutânea- hemolítica: hemólise intravascular, CIVD, IRA, exantema e icterícia. • SAAr ou SALox é o soro antiaracnídico, sendo feito: • 5 ampolas na forma cutânea; • 10 ampolas na forma cutâneo-hemolítica; • Prednisolona 1 mg/kg dia por 5-7 dias. Acidente com lagarta: • Apenas do gênero Lonomia; • Presentes na região Sul e Sudeste; • Veneno: ativação fator X e protrombina + ação fibrinolítica; • Provoca distúrbio de coagulação; • Lavar a região com água fria ou corrente + compressa com gelo; • Elevação do membro; • Xilocaína 2% local; • Corticoide tópico; • Anti-histamínico VO; • Soroterapia