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Infectologia – Amanda Longo Louzada 1 INFECÇÃO PELO VÍRUS HIV O VÍRUS: É um retrovírus de RNA fita simples Tipos: HIV-1: mais comum no Brasil e no mundo HIV-2: mais comum na África ESTRUTURAS: Possui como material genético o RNA Dentro do capsídeo viral ele possui enzimas replicativas Possui um envelope externo lipoproteico, que serve justamente para a célula conseguir receber o vírus, permitindo que ao entrar em contato com a membrana celular ele se funda a célula, e seu material genético vai para o meio intracelular PATOGÊNESE: O alvo viral é o linfócito TCD4 A AIDS favorece o aparecimento de infecções e neoplasias oportunistas Quanto maior a carga viral, menor é a contagem de CD4 Ativação imune crônica, leva a aterosclerose acelerada e ao aparecimento de neoplasias, devido a inflamação crônica CICLO VIRAL: O externo da célula é muito parecido com o externo do vírus, isso faz com que o vírus consiga se fundir a célula e jogar seu material genético Quando o vírus entra na célula ele lança uma molécula de RNA no citoplasma da célula, e como a célula não consegue ler RNA, o vírus libera a transcriptase reversa que converte RNA em DNA Para produzir as proteínas é necessário enxertar o DNA viral no DNA celular, e isso é feito pela enzima integrase, fazendo com que as proteínas sejam formadas Para montar a partícula viral e unir as moléculas proteicas, a enzima protease faz o processamento final dessas proteínas, transformando-a em uma partícula viral propriamente dita O HIV ao sair da célula ele leva uma parte da membrana do linfócito TCD4, fazendo com que ele morra HISTÓRIA NATURAL: FASE AGUDA: Quando a pessoa tem o primeiro contato com o vírus, a carga viral aumenta muito, pois não tem uma resposta imune específica ao vírus Ao mesmo tempo a contagem de CD4 para níveis perigosamente baixos (menor que 300) Mononucleose-like: 70% A soroconversão ocorre em média em 30 dias, isso quer dizer que a janela imunológica dos testes que procuram a resposta imune para o vírus também é de 30 dias O diagnóstico para esse período é a carga viral SET-POINT VIRAL: É a carga viral de equilíbrio, ou seja, é carga viral que aparece depois do surgimento da resposta imune (soroconversão) É o grande determinante da doença, quanto maior ele mais rápido é a evolução Controladores de elite: são pessoas que não transmitem o vírus, não adoecem pela doença e mantém carga viral baixa mesmo sem o tratamento Correspondem a 1% da população mundial FASE ASSINTOMÁTICA: O CD4 vai caindo vagarosamente, cerca de 50 células por ano Geralmente é nessa fase que ocorre a maior parte das transmissões, pois ela não sabe que ela tem o vírus O que pode aparecer nessa fase é a linfadenopatia generalizada persistente (2 ou mais cadeias extrainguinais por mais de 3 meses), o HIV continua replicando em linfonodos mesmo que indetectável no sangue Infectologia – Amanda Longo Louzada 2 INFECÇÃO PELO VÍRUS HIV FASE SINTOMÁTICA - AIDS: Essa fase normalmente ocorre com 10 anos de doença O CD4 está menor 200 A pessoa começa a ter infecções de repetição e infecção oportunistas Com cerca de 11 anos e 4 meses a pessoas vem a óbito, caso não tenha tratamento DEFINIÇÃO DE AIDS: Infecção pelo HIV + pelo menos 1 dos critérios: CD4 menor que 200 células\mm3 Candidíase no esôfago ou na via aérea Pneumocistose Histoplasmose disseminada Tuberculose extrapulmonar Citomegalovirose (exceto doença em fígado, baço e linfonodos) Leucoencefalopatia multifocal progressiva CA de colo uterino invasivo Sarcoma de Kaposi Linfoma não-hodgkin Neurotoxoplasmose Doença de Chagas aguda DIAGNÓSTICO: PACIENTES COM 18 MESES OU MENOS: Carga viral (PCR RNA HIV) Precisa de 2 cargas virais para confirmação PACIENTES COM MAIS DE 18 MESES: Resposta imune: teste rápido (TR) ou imunoensiao (IE) Fluxograma de Campanha: Precisa de dois testes rápidos positivos de diferentes fabricantes Fluxograma Tradicional: IE1 + IE2 + carga viral Casos específicos: IE ou TR negativo: amostra não reagente IE ou TR negativo, mas suspeito: deve repetir em 30 dias Testes discordantes: Western Blot ou Imunoblot TRATAMENTO: CONCEITOS GERAIS: TARV não é para emergência médica Exceto para acidente ocupacional ou violência sexual Uso contínuo Esquema composto por no mínimo 3 drogas INDICAÇÃO: Para todos os pacientes com HIV, com objetivo de barrar a cadeia de transmissão do vírus OBJETIVO: Carga viral indetectável ARSENAL TERAPÊUTICO: Inibidores da Transcriptase Reversa: Tenofovir (TDF), usado juntamente com o lamivudina Lamivudina (3TC), usado juntamente com o tenofovir Efavirenz (EVF) Zidovudina (AZT) Inibidores de Integrase: Dolutegravir (DTG) Raltegravir (RAL) Inibidores de Protease: Atazanavir com ritonavir (ATV\r) Lopinavir com ritonavir (LP\r) ESQUEMA: Início de TARV: População em geral (inclui tuberculose e gestante): 3TC + TDF + DTG EFEITOS COLATERAIS: TDF: nefrotoxicidade e perda de massa óssea DTG: cefaleia e insônia EFV: neuropsiquiátricos e rash PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PEP): ACIDENTE: Pode ser feito até 72 horas do acidente, mas idealmente em até 2 horas Material Infectante: sangue, fluído genital e líquidos (serosa e líquor) Infectologia – Amanda Longo Louzada 3 INFECÇÃO PELO VÍRUS HIV Acidentes de risco: percutâneo, mucosos e em pele não íntegra FONTE E EXPOSTO: Teste rápido Exposto já possui HIV ou a fonte possui teste rápido negativo, não necessita de fazer profilaxia Exposto não possui HIV e a fonte possui teste rápido positivo: deve fazer a profilaxia por 28 dias ESQUEMAS: 3TC + TDF + DTG PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO (PREP): INDICAÇÕES: Homens que fazem sexo com homens Transexuais Profissionais do sexo Casais sorodiscordantes ESQUEMA: TDF + FTC (entricitabina) MODO DE USO: Diário e ininterrupto PNEUMOAIDS: PNEUMOCISTOSE PULMONAR (PCP): Agente Etiológico: Pneumocystis jirovecii Pacientes mais acometidos: Paciente que fazia o uso de TARV e parou Paciente com CD4 menor que 200 Paciente com candidíase oral Manifestações Clínicas: Tosse seca Dispneia arrastada Ausculta normal Quadro clínico igual ao da tuberculose Laboratório: Gasometria: hipoxemia e alcalose respiratória LDH > 500 Radiologia: infiltrado intersticial peri-hilar, bilateral, que tende a acometer bases Sem adenopatia hilar ou derrame pleural Diagnóstico: isolamento (escarro, por coloração prata ou PCR) Tratamento: sulfametoxazol + trimetropim por 21 dias Em casos leves pode ser feito por VO e graves deve ser feito por via IV Caso tenha uma PaO2 menor que 70 deve iniciar corticoide Profilaxia: com sulfametoxazol + trimetropim Indicações: CD4 menor que 200 Candidíase oral Febre por mais de 2 semanas TUBERCULOSE: Agente Etiológico: Mycobacterium tuberculosis Pode acometer qualquer paciente com HIV, independente dos níveis de CD4 Radiologia: CD4 maior ou igual a 350: cavitação apical CDA menor que 350: padrão miliar Tratamento: esquema RIPE (rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol) Caso o paciente ainda não tenha iniciado o tratamento para HIV, deve tratar a tuberculose e aguardar duas semanas após o fim do tratamento para iniciar a TARV Caso seja tuberculose no SNC deve esperar 8 semanas para iniciar a TARV Deve sobrar a dose de DTG até 15 dias após o esquema RIPE NEUROAIDS: MENINGITE: Agente Etiológico: Cryptococcus neoformans Clínica: Subaguda Febre Cefaleia Raros sinais meníngeos Paralisia do sexto par Diagnóstico: líquor Aumento da pressão liquórica Aumento da celularidade, com predomínio mononuclear Aumento da proteína Diminuição de glicose Tinta nanquim positivo Cultura para fungo Antígeno criptocócico Tratamento: anfotericina B + flucitosina Em caso de persistência da cafeleia, deve se pensar em aumento da pressão intracraniana, portanto, caso a pressão esteja maior que 25 cmH2O, deve fazer punção de alívio LESÃO FOCAL: 1ª Opção Diagnóstica – Neurotoxoplasmose: Agente Etiológico: Toxoplasma gondii Infectologia – Amanda Longo Louzada 4 INFECÇÃO PELO VÍRUS HIV Clínica: subaguda Febre Sinal focal (hemiparesia) Convulsão Cefaleia Diagnóstico: clínica + imagem Múltiplas lesões hipodensas (gânglios basais) Edema perilesional Realce anelar pelo contraste Tratamento: sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico Profilaxia primária: sulfametoxazol + trimetropim Para pacientes com CD4 menor que 100 + IgG positivo para toxoplasmose 2ª Hipótese Diagnóstica – Linfoma Primário do SNC: Agente Etiológico: Vírus Epstein-Barr Clínica: semelhante a neurotoxoplasmose que não melhora após 14 dias de tratamento Diagnóstico: CD4 menor que 50 PCR positivo para Epstein-Barr no líquor RM com lesão única Biópsia Tratamento: radioterapia paliativa 3ª Hipótese Diagnóstica – Leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP) Agente Etiológico: Pneumocystis jirovecii Clínica: múltiplos AVCs Diagnóstico: hiperintensidade na substância branca em T2 Tratamento: TARV