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Provas no Processo do Trabalho

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19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 1/43
Provas
Prof. Marcos Dias de Castro
Descrição
Estudo do instituto das provas no Direito Processual do Trabalho.
Propósito
Conhecer e dominar todos os aspectos que envolvem a prova no Direito Processual do Trabalho é aspecto
essencial para o desenvolvimento de todos os profissionais que atuam na Justiça do Trabalho. É preciso
que os operadores do Direito conheçam as questões técnicas que envolvem este instituto crucial para um
bom desempenho profissional e vitória nas lides trabalhistas.
Preparação
Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos uma versão atualizada do Código de Processo Civil (CPC) e da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 2/43
Objetivos
Módulo 1
Objeto e ônus da prova
Reconhecer o objeto e o ônus da prova nas demandas trabalhistas.
Módulo 2
Produção antecipada de prova
Analisar o procedimento da produção antecipada de provas e sua aplicabilidade na Justiça do Trabalho.
Módulo 3
Meios de prova
Identificar as principais questões sobre os meios de prova no Direito Processual do Trabalho.
Introdução

19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 3/43
Saber o que é necessário provar e quem tem o ônus de provar são circunstâncias que não podem ser
desprezadas quem milita na Justiça do Trabalho. Como compreender o disposto no artigo 818 da CLT? Em
que casos já se aplicava a possibilidade de inversão do ônus da prova, antes da Lei nº 13.467 de 2017?
Serão questões abordadas neste conteúdo.
O instituto da produção antecipada de provas também merece atenção especial, já que, malgrado sua
previsão estar inserida no Código de Processo Civil, sua aplicabilidade na seara trabalhista é inquestionável.
Serão abordados, ainda, meios de prova aplicáveis à Justiça do Trabalho, em especial o depoimento das
partes, as provas documental, testemunhal e pericial, além da inspeção judicial.
Todos os temas são essenciais para um trabalho de excelência na área trabalhista. Vamos saber mais sobre
eles?
1 - Objeto e ônus da prova
Ao �m deste módulo, você será capaz de reconhecer o objeto da prova e o ônus da prova nas
demandas trabalhistas.
19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 4/43
Conceito de prova
A palavra prova é originária do latim probatio, que emana do verbo probare, significando examinar, persuadir
e demonstrar. De nada adianta à parte ser efetivamente detentora do direito material se não conseguir
demonstrá-lo em juízo, persuadindo o magistrado quanto à sua existência.
Pode-se conceituar a prova como todos os meios considerados idôneos pela lei para demonstrar a
existência ou não de um fato jurídico. Ou, de uma forma mais genérica, pode-se conceituar a prova como o
conjunto de informações que o magistrado tem para resolver o conflito de interesses que lhe é submetido.
Há, pois, uma concepção nos sentidos:
Objetivo
Da prova relacionada à atividade de provar ou aos meios com que tal atividade se desenvolve.
Subjetivo
Diz respeito ao resultado que tal atividade produz no espírito do juiz, que então, reputa comprovada ou não,
determinada alegação da parte.
Torna-se importante frisar que a finalidade da prova é, num primeiro plano, a formação da convicção do
órgão julgador. Trata-se de questão intuitiva de que o primeiro e fundamental destinatário da prova é o
julgador, conforme dispõe o artigo 369 do CPC, que destaca a prova como meio que se destina a influir
eficazmente na convicção do juiz.
Ressalte-se, contudo, que a concepção moderna de processo, mormente diante do disposto no artigo 6º do
CPC, sustenta que todos os sujeitos processuais, parciais ou imparciais, são destinatários da prova. De
forma mediata ou indireta, pode-se firmar que todos aqueles que possam basear seu comportamento em
sociedade com base no que será decidido, também são destinatários da prova. Ainda mais no atual sistema
de precedentes trazido a lume pelo CPC de 2015, em que os resultados vinculam judicial e
extrajudicialmente não apenas os que participam do processo.
Objeto da prova
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Prova-se o que é necessário provar segundo o princípio da necessidade da prova. Alegações das partes em
juízos não são suficientes, como regra, para demonstrar a verdade ou não de determinado fato. É necessário
que a parte faça a prova de suas alegações em juízo, pois fatos não provados são tidos por inexistentes no
processo.
Contudo, torna-se necessário observar que nem todos os fatos devem ser comprovados, somente aqueles
que se relacionam com a lide, ou ainda, que sejam relevantes para a solução da demanda. Em síntese, os
fatos que merecem comprovação são aqueles:
Pertinentes à causa
Relacionam-se diretamente com a litiscontestação.
Controversos
São objeto de resistência pela outra parte quanto à sua efetiva existência.
Inverossímeis
Sua existência escapa ao juízo comum do “homem médio”.
Contudo, alguns casos merecem análise mais detalhada.
Fatos que independem de prova
É o CPC que, no artigo 374, elenca os fatos que não dependem de prova. Citamos os fatos notórios, os fatos
afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária (fatos confessados), os fatos admitidos no
processo (fatos incontroversos) e os fatos que têm em seu favor uma presunção legal de existência ou
veracidade (fatos presumidos).
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Quanto aos fatos notórios, são aqueles inerentes à cultura mediana em determinada sociedade,
considerando o momento de resolução do conflito.
Exemplo
A morte de um pai, empregado de uma empresa, decorrente de acidente de trabalho por culpa do
empregador. É evidente que o filho ao ajuizar a demanda não precisa comprovar o dano moral, neste caso,
in re ipsa. Outro caso é o uso indevido da imagem do trabalhador, sem sua autorização expressa.
No que diz respeito aos fatos que são objeto de confissão, cabe duas ressalvas. Os casos de confissão
ficta, de natureza relativa, admitem prova em contrário. É o que ocorre no caso do preposto que revela
desconhecimento dos fatos da lide, nos termos do §1º do artigo 843 da CLT ou o caso previsto na Súmula
74, item I e III do TST (referente à confissão por ausência à audiência de instrução, apesar da intimação).
Por igual, mesmo uma confissão real, de natureza absoluta, quando presente conluio entre as partes, o
magistrado pode valer-se de seu poder-dever de buscar a verdade real.
Essa última ressalva também cabe no que diz respeito aos fatos incontroversos,
bem como àqueles que estão cobertos por alguma presunção, tanto a relativa (juris
tantum) quanto a absoluta (jure et de jure).
Mais uma vez, presunções relativas, tanto legais quanto jurisprudenciais (como aquelas previstas nas
Súmulas 12, 16, 43, 212 e 443 do TST), também admitem prova em sentido contrário, sendo certo que o
inciso IV do artigo 374 do CPC diz respeito às presunções legais absolutas.
Por fim, uma palavra sobre as “máximas de experiência”, instituto de uso comum por magistrados
trabalhistas na resolução das demandas que lhes são submetidos. Estamos falando de conhecimentos
adquiridos pelo juiz, tanto por sua cultura pessoal quanto pelo exercício funcional, que o faz presumir a
existência de determinadas situações ou coisas.
Exemplo
Vamos pensar no labor extraordinário no ramo do comércio na época das festas de fim de ano: é comum
que vendedores trabalhem mais, visando à época propícia para maiores ganhos. O juiz pode presumir a
existência de fatos que as regras de experiência comum ou técnica, derivadas de seu exercício funcional ou
da observação do cotidiano da vida, lhe pareçam razoáveis. Há autorização no artigo 375 do CPC e no artigo
852-Dda CLT.
Contudo, tem-se presunção relativa, que admite prova em sentido contrário, não se enquadrando
especificamente nas regras do artigo 374 do CPC.
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Prova do Direito e instrumentos normativos
Sendo o Direito material e Processual do Trabalho ramos jurídicos que cabem à União Federal legislar, nos
termos do artigo 22, inciso I da Constituição, será bastante incomum a necessidade de prova de Direito
estadual ou municipal. Em regra, o juiz não necessita da comprovação, já que iura novit curia, sendo
obrigação do magistrado o conhecimento das regras jurídicas que lhe cabe aplicar aos casos concretos.
Contudo, a regra prevista no artigo 376 do CPC, permite ao juiz determinar a comprovação dos costumes
específicos de determinadas categorias profissionais ou econômicas, bem como direito municipal ou
estadual que eventualmente se apliquem à relação de direito material que é objeto de discussão judicial.
No que tange ao Direito estrangeiro, a mesma regra se impõe. É que dada a competência internacional da
Justiça do Trabalho fixada no §2º do artigo 651 da CLT, o juiz do trabalho pode se deparar com relação de
emprego com atividades no exterior, submetida à legislação de direito material alienígena (caso mais
favorável, nos termos da Lei nº 7.064/82). Também neste caso, caberá ao magistrado determinar ou não, a
comprovação da legislação suscitada pelas partes, também nos termos do artigo 376 do CPC.
Resta-nos a questão das normas coletivas ou instrumentos normativos.
O juiz tem a obrigação de conhecer os acordos coletivos e convenções coletivas
que se aplicam à relação jurídica de direito material existente entre as partes?
Neste aspecto, três posições se formaram. Vamos conferir!
Com base no princípio da conexão que informa o processo eletrônico e no princípio da
cooperação (artigo 6º do CPC), defende-se que cabe ao juiz buscar o instrumento normativo
respectivo, acessando, para tanto, o sistema “mediador” mantido pelo Ministério do Trabalho
e Emprego em seu sítio na rede mundial de computadores, onde se encontram registrados
todos os instrumentos normativos em todas as bases territoriais do Brasil. Não haveria
l d l t l l ã d d h i t d l ti t
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Ônus da prova na Justiça do Trabalho
Ônus da prova e teorias relacionadas
Confira agora o ônus da prova no Processo do Trabalho e as teorias que o explicam.
qualquer desculpa para eventual alegação de desconhecimento da norma coletiva por parte
do Judiciário.
Defende-se que, para instrumentos normativos, não se aplica o princípio do jura novit curia,
havendo a necessidade de comprovação do conteúdo e da vigência da norma coletiva,
aplicando-se, por analogia, o artigo 376 do CPC. Caberia ao magistrado conceder prazo para
tal comprovação e, caso houvesse inércia da parte, o pedido fundamentado no acordo ou na
convenção coletiva seria julgado improcedente.
Muito similar à segunda corrente detalhada, difere, apenas, na consequência, já que a inércia
da parte implicaria a extinção sem resolução do mérito em razão da ausência de juntada de
documento indispensável para a resolução da lide, com base no disposto na Súmula 263 do
c. TST. Seria solução benéfica para as partes, pois não se submeteria ao manto da coisa
julgada material.

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Do ponto de vista etimológico, ônus quer dizer carga, fardo, gravame. Em verdade, porque o juiz está
obrigado a julgar, não lhe é possível abdicar deste dever sobre a alegação de que prova nada lhe diz. Numa
primeira aproximação técnica, pode-se dizer que as regras de ônus da prova servem ao auxílio do
magistrado em seu poder-dever de julgar, já que à míngua de provas que lhe convençam o espírito quanto às
alegações da parte, pode julgar contra a parte que detinha o ônus da prova.
O ônus da prova é o encargo (ou dever processual) que incumbe às partes, que descumprido, gera para a
parte recalcitrante uma situação jurídica de desvantagem. Há quem divida o instituto em:
Ônus da prova objetivo
Refere-se às regras de julgamento dirigidas ao julgador, a fim de orientá-lo na decisão na situação de
“insuficiência” ou “inexistência” de provas.
Ônus da prova subjetivo
Refere-se às regras dirigidas às partes, que disciplinam quais fatos e em que circunstâncias lhes incumbem
o encargo probatório.
Existem várias maneiras de se distribuir esse encargo entre as partes, sendo que o Direito Processual
brasileiro disciplina, basicamente, três formas:
Regra geral
Trata-se da distribuição estática ou legal, na qual a própria lei distribui o ônus probatório
seguindo critérios pré-determinados.
Regra de distribuição dinâmica ou �exível
Trata-se da distribuição do ônus feita pelo juiz, sendo realizada de forma dinâmica, à luz do
caso concreto que lhe é submetido.
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O Direito Processual do Trabalho, contudo, admite apenas as duas primeiras formas de distribuição do ônus
da prova. É que as regras processuais trabalhistas se revestem de uma imperatividade específica, em razão
do princípio da proteção. Nesse sentido, a Instrução Normativa 39 de 2016 do TST, no artigo 3º, inciso VII,
afastou a aplicação da distribuição do ônus da prova por convenção das partes.
Teoria estática do ônus da prova
A regra geral no Direito Processual do Trabalho é prevista no artigo 818, incisos I e II da CLT, que repete o
disposto no artigo 373, incisos I e II do CPC, apenas com a substituição dos termos “autor” e “réu” por
“reclamante” e “reclamado”.
Por fato constitutivo, temos o fato gerador do direito afirmado pelo reclamante em juízo.
Em outras palavras, é dever do reclamante comprovar o fato que determinou o nascimento de seu direito.
Assim, cabe ao trabalhador reclamante comprovar o ato ilícito do empregador que lhe gerou danos
materiais ou morais, ou ainda, comprovar o vício de manifestação de vontade para anular um pedido de
demissão. Tudo com base no artigo 818, inciso I da CLT.
Contudo, o reclamado pode deduzir fatos impeditivos ao direito do autor, vale dizer, fatos cuja existência
obsta a produção de efeitos ao fato constitutivo, pois impede o nascimento do direito. Os fatos impeditivos
são sempre “conaturais” ao fato gerador (constitutivo), e invalida seus efeitos no nascedouro do direito.
Regra de distribuição convencional
Trata-se de quando as partes, através de negócio jurídico processual típico, ajustam de quem
será o encargo probatório (artigo 373, §3º do CPC).
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Como exemplo, podemos citar os casos em que o reclamado invoca uma das hipóteses dos incisos I e II do
artigo 62 da CLT, devendo comprovar a condição de “externo” do trabalhador ou de exercente de “cargo de
gestão”.
Já os fatos modificativos são aqueles que enxertam modificação nos fatos suscitados pelo autor que lhe
alteram a natureza ou configuração. Os fatos constitutivos ocorrem, mas não geram o direito na forma em
que narrada pelo reclamante.
Exemplo
Imagine um caso de acidente de trabalho, que não é negado, mas o reclamado invoca culpa exclusiva da
vítima. Nesse cenário, será do empregador o ônus de comprovar o fato modificativo.
Por fim, os fatos extintivos são aqueles que retiram a eficácia dos fatos constitutivos. Estes ocorrem, mas
têm os seus efeitos retirados pelo fato extintivo, que os tornam inexigíveis. Como exemplo, podemos citar
as alegações de pagamento (quitação) ou compensação das horas extras eventualmente laboradas. Será
do reclamado o ônus de comprovar tais fatos extintivos.
A jurisprudência elenca vários casos de aplicação da distribuição estática do ônus da prova. O caso da
prova na equiparação salarial,conforme Súmula 6, item VI do TST é paradigmático, eis que deixa evidente
que os fatos constitutivos do direito do autor, identidade de funções e labor para o mesmo empregador,
incumbe ao trabalhador. Todos os demais requisitos do artigo 461 da CLT, por enquadrarem-se no inciso II
do artigo 818 da CLT, devem ser demonstrados pelo reclamado, caso sejam invocados em sua peça de
defesa.
Exemplos paradigmáticos de aplicação da teoria estática encontram-se expressos nas Súmulas 460 e 461
do TST. Ela deixa claro que, quando uma empresa reclamada nega a inexistência de diferenças de FGTS,
está, em última análise, alegando fato extintivo do direito do autor, qual seja, o efetivo recolhimento de todos
os depósitos. A primeira, por sua vez, demonstra que, quando a empresa nega o direito ao vale transporte,
atrai para si o ônus da prova, pois, em verdade, está alegando fato impeditivo, qual seja, a ausência dos
requisitos indispensáveis para a concessão do benefício.
Por fim, importa mencionar que tem se admitido, na jurisprudência, situações atípicas que não redundam
em inversão do ônus da prova.
Teoria dinâmica do ônus da prova
A teoria dinâmica permite ao magistrado, de acordo com o caso concreto, distribuir o ônus da prova de
forma diversa daquela prevista como regra geral (teoria estática), em razão de expressa determinação legal
(inversão ope legis ou legal) ou em razão de circunstâncias do caso concreto (inversão ope judicis ou
judicial).
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Há vários casos de inversão legal do ônus da prova como os casos do artigo 14, §3º, inciso I do CPC e do
artigo 38 do CDC. Contudo, na seara trabalhista, os casos mais proeminentes são os de inversão judicial,
mormente aqueles baseados em presunções, princípios ou na exigência de prova pré-constituída. Fato é que
a previsão para a aplicação da teoria dinâmica encontra-se no artigo 818, §1º da CLT.
Especificamente, a inversão judicial submete-se a certos pressupostos que podemos sintetizar da seguinte
forma:
É notório que a decisão interlocutória que inverte o ônus da prova, embora desafie agravo de instrumento no
Direito Processual Civil (conforme artigo 1015, XI do CPC e acórdão do STJ no REsp 1.802.025-RJ), não há
recurso cabível na seara trabalhista, em razão do princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias.
A inversão judicial do ônus da prova já era prática comum na Justiça do Trabalho, com a chancela inclusive
do TST através de súmulas específicas.
Vejamos alguns casos específicos:
O caso previsto na Súmula 212 do TST implica clara inversão do ônus da prova, em razão de uma presunção
decorrente do princípio da continuidade da relação de emprego. Assim, ao empregador incumbe o ônus de
A presença de um dos pressupostos materiais, quais sejam, a impossibilidade ou excessiva
dificuldade para uma das partes em cumprir o encargo probatório, segundo a teoria estática,
ou ainda, a maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário pela outra parte.
A presença dos pressupostos formais, quais sejam, decisão interlocutória motivada e que
seja proferida antes da abertura da instrução (para propiciar, inclusive, o adiamento da
audiência), nos termos do §2º do artigo 818 da CLT.
A ausência do pressuposto negativo, ou seja, que a inversão não gere situação em que a
desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil (prova
diabólica, nos termos do §3º do artigo 818 da CLT).
19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 13/43
provar o término do contrato de trabalho quando negados a prestação de serviços e o despedimento do
trabalhador.
Outro caso digno de nota é o da Súmula 443 do TST que, claramente, inverte o ônus da prova quando o
trabalhador dispensado for portador de doença grave que suscite estigma ou preconceito (como a AIDS).
Nesses casos, já há uma presunção de dispensa discriminatória, incumbindo ao empregador o ônus de
comprovar que a dispensa desse trabalhador não ocorreu.
Por fim, citamos os casos previstos na Súmula 338 do TST. No item I, temos o caso do empregador que, nos
termos do §2º do artigo 74 da CLT, é obrigado a manter registro de jornada de trabalho de seus
empregados. A omissão do empregador gera presunção de veracidade da jornada de trabalho alegada pelo
trabalhador, que pode ser elidida por prova em contrário, que deverá ser produzida pelo reclamado. Típico
caso de inversão do ônus probatório, já que, inicialmente, a prova seria do empregado por se tratar de fato
constitutivo de seu direito.
O item III da Súmula 338 do TST também gera inversão do ônus da prova, pois parte da premissa de que
controles de jornada com horários invariáveis são imprestáveis como meio de prova. Logo, passa a ser do
empregador o ônus de demonstrar a inexistência de horas extras também nesses casos.
19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 14/43
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em ação trabalhista, João requereu a condenação da Empresa DADOS ELETRÔNICOS S/A pelo não
recolhimento do FGTS. O autor não juntou os extratos do FGTS. A reclamada negou os fatos narrados
na inicial e afirmou que todos os depósitos foram recolhidos durante a contratualidade. Nenhum
documento foi juntado. Diante de tais fatos, assinale a alternativa correta.
A
O pedido deve ser julgado improcedente, pois era ônus do autor demonstrar a
insuficiência de depósitos.
19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 15/43
Parabéns! A alternativa B está correta.
Se houve alegação de correto recolhimento, a parte ré atraiu para si o ônus da prova (fato extintivo do
direito do autor), conforme a Súmula 461 do TST.
Questão 2
Em audiência trabalhista, o juiz recebeu a defesa da Empresa XYZ S/A e diante das circunstâncias do
caso concreto, proferiu decisão de inversão do ônus da prova em desfavor da reclamada. Como a
empresa não tinha testemunhas, por entender que o ônus caberia ao trabalhador, o juiz adiou a
audiência para 30 dias depois. Qual o recurso cabível em face dessa decisão?
B O pedido deve ser julgado procedente, pois era ônus do réu comprovar o recolhimento
dos depósitos.
C
O juiz deve extinguir o feito sem resolução do mérito, já que o autor não juntou
documento obrigatório (extratos do FGTS).
D O pedido deve ser julgado improcedente, por falta de provas.
E O juiz deve conceder prazo às partes para que comprovem suas alegações.
A Recurso ordinário, nos termos do artigo 895, I da CLT.
B Agravo de instrumento, nos termos do artigo 1015, XI do CPC.
C Agravo de petição, nos termos do artigo 897, “a” da CLT.
D Recurso de revista, nos termos do artigo 896, “a” da CLT.
19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 16/43
Parabéns! A alternativa E está correta.
A decisão que inverte o ônus da prova tem natureza de decisão interlocutória. Então, não há nenhum
recurso cabível conforme o disposto no §1º do artigo 893 da CLT.
2 - Produção antecipada de prova
Ao �m deste módulo, você será capaz de analisar o procedimento da produção antecipada de
provas e sua aplicabilidade na Justiça do Trabalho.
Conceito e natureza jurídica
A produção antecipada de prova é regulamentada nos artigos 381 a 383 do Código de Processo Civil. Ainda
que a CLT seja silente a respeito, não há qualquer dúvida de que tal instituto é aplicável na seara trabalhista,
E Nenhum recurso, em razão do disposto no artigo 893, §1º da CLT.
19/08/2023, 15:51 Provas
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 17/43
em razão da omissão na legislação obreira e também da compatibilidade do instituto com as regras
processuais laborais, nos termos do artigo 769 da CLT.
Anteriormente tratada como ação cautelar, o CPC de 2015 passou a reconhecerum direito autônomo à
produção da prova, totalmente independente dos fatos correlacionados às questões de direito material cuja
existência a prova pretende demonstrar (YARSHELL, 2016, p. 1150).
Comentário
Fato é que o próprio artigo 381 do CPC deixa cristalina a circunstância de que a prova produzida no PAP
(como passaremos a denominar o instituto), não se vincula, sine qua non, a um futuro processo ou a uma
“ação principal”, já que é possível celebrar acordo extrajudicial (inciso II do artigo 381 do CPC) ou mesmo
não ingressar com a demanda, a partir da percepção da parte de que não é titular de qualquer direito
material (inciso III do artigo 381 do CPC).
Evidentemente, malgrado o mencionado anteriormente, o PAP pode assumir a condição de “ação
preparatória”, na medida em que evita o risco de se perder a oportunidade de produção efetiva da prova.
Podemos citar como exemplos trabalhistas os seguintes:
A oitiva de uma testemunha gravemente enferma, mas que tenha participado do evento que ocasionou um
acidente de trabalho com o trabalhador.
O iminente fechamento do estabelecimento empresarial, razão pela qual se faz realizar perícia (OJ 275 da
SDI-1 do TST).
A produção de prova documental que se encontra em poder do empregador para que se possa verificar a
viabilidade da demanda e/ou liquidar os pedidos.
Por fim, quanto à natureza jurídica, há certa controvérsia na doutrina. Didier Jr. et al. (2016, p. 142), por
exemplo, defende tratar-se de jurisdição voluntária, negando ao PAP o caráter cautelar. Outra corrente,
citando Yarshell (2016, p. 1165), defende o caráter tipicamente jurisdicional, não se tratando de simples
procedimento de jurisdição voluntária.
Em verdade, o instituto possui claro caráter de jurisdição voluntária, já que o Poder Judiciário age de forma
imparcial, velando pela tutela dos interesses das partes, mas não emite juízo de valor sobre a prova obtida.
No seu procedimento, como termos oportunidade de descrever, não se admite defesa, interposição de
recursos (como regra geral), razão pela qual a decisão final não resulta de atividade cognitiva exauriente
nem se reveste de coisa julgada material.
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Interesse de agir
É lição conhecida que o interesse de agir se configura por:
Necessidade
O meio escolhido é imprescindível para satisfazer a sua pretensão.
Utilidade
O meio escolhido possui aptidão para produzir os efeitos desejados.
Nesse passo, cumpre-nos descrever quando se consubstancia o interesse de agir para que as partes
possam se valer do instrumento em estudo.
Em geral, não há necessidade de que se indique o pedido a ser formulado em ação futura, pois, como já dito,
a produção antecipada de prova não está vinculada a um processo principal, que pode não vir a existir.
Contudo, em algumas circunstâncias, ainda mais na seara trabalhista, a indicação do direito material pode
ser necessária para deflagar a utilidade da ação de produção de provas.
Exemplo
Se o trabalhador deseja averiguar a correção do pagamento das horas extras que foram laboradas e
registradas nos controles de jornada, deve postular, além da exibição dos controles de ponto, também dos
recibos salariais, pois só assim conseguir aferir a regularidade do pagamento. Caso postulasse a oitiva de
uma testemunha, o interesse utilidade no procedimento não estaria presente, dado o direito material
invocado pela parte.
Portanto, já na petição inicial da produção antecipada de provas, torna-se necessário identificar o interesse-
necessidade e o interesse-utilidade do procedimento, sob pena de indeferimento liminar.

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Cabimento para prova documental
Questão controvertida diz respeito ao cabimento da ação de produção antecipada de provas para obter
prova documental. Theodoro Jr. (2015, p. 917) e Didier Jr. (2016, p. 235) excluem a prova documental
daquelas que podem ser objeto do PAP, porque já existe o procedimento de exibição de documentos, que
pode acontecer, inclusive, no curso da ação principal já ajuizada (artigo 396 a 404 do CPC).
Contudo, não nos parece ser a melhor posição. O incidente de exibição de documentos ainda persiste, mas
tem natureza exclusivamente incidental. Todavia, parece-nos que nada há na regulamentação legal da
produção antecipada de provas que exclua a prova documental, não cabendo intepretação restritiva do
disposto nos artigos 381 a 383 do CPC. Até porque o uso do PAP pode ser necessário para verificar a
viabilidade ou não da ação judicial de natureza contenciosa, sendo a prova documental, como as demais,
importante na formação da convicção das partes neste aspecto específico.
Atenção!
Na produção antecipada de provas, o juiz não emite juízo de valor sobre as provas produzidas e não profere
decisão que seja de observância obrigatória para qualquer juiz em processo futuro, razão pela qual as
consequências previstas no incidente de exibição de documentos não se aplicam ao instituto em exame.
Procedimento
Procedimento da produção antecipada de provas
Confira agora o procedimento da produção antecipada de provas no Processo do Trabalho.

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Competência
Não há qualquer dúvida quanto à aplicação do instituto à Justiça do Trabalho. Contudo, a competência da
Justiça do Trabalho ocorrerá quando os fatos subjacentes à relação de direito material existente entre as
partes se inserirem em um dos incisos do artigo 114 da Constituição. Em apertada síntese, os fatos
precisam ser oriundos ou decorrentes de uma relação de trabalho.
Outro ponto importante diz respeito à competência territorial. Aqui, há tensão entre o disposto no §2º do
artigo 381 do CPC (que prevê a competência do juízo onde a prova deva ser produzida ou no domicílio do
réu) e o critério clássico do artigo 651 da CLT (lugar da prestação de serviços). Há claramente a previsão de
competência concorrente, muito criticada pela doutrina, já que a opção pelo foro domicílio do réu poderá
levar à necessidade de uma carta precatória (se o local da prova for diverso). Em verdade, a regra da
competência concorrente prevista no §2º do artigo 381 do CPC deve se adequar à regra de competência
territorial trabalhista.
Assim, a parte interessada em ajuizar a produção antecipada de provas deve compatibilizar as duas regras:
Por fim, resta observar que o ajuizamento do PAP não previne a competência do juízo para ação principal
que vier a ser proposta, nos termos do §3º do artigo 381 do CPC. Assim, a reclamação trabalhista que vier a
Se o foro do domicílio do réu for o local da prestação de serviços, deve-se optar por tal foro.
Se o local da prova for o lugar do labor do trabalhador, este deve ser o foro eleito, mormente
se o foro do domicílio do réu for diverso.
Isso porque as regras de competência territorial trabalhista têm claro aspecto protetivo e não
podem ser afastadas ab initio, salvo nos casos de prorrogação da competência.
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ser ajuizada deverá se submeter à livre distribuição, sem prevenção do juízo onde o PAP tramitou
anteriormente.
Fase postulatória
A produção antecipada de provas possui especificidades em seu procedimento muito marcantes. Não há
defesa, nem recursos, salvo, nesse último caso, em se tratando de decisão que indeferir totalmente a prova
requerida nos termos do §4º do artigo 382 do CPC. Em verdade, não há necessidade da realização de
audiência para recebimento de defesa (como acontece nos processos trabalhistas em geral), a não ser que
o tipo de prova, cuja produção se deseja, o exija, como nos casos de prova testemunhal ou depoimento de
uma parte).
De toda sorte, citados os interessados, inicia-se o procedimento da produção da prova, de acordo como
meio de prova requerido pelo autor. Assim, a prova pericial seguirá o procedimento próprio desse meio de
prova, assim como a prova testemunhal ou documental.
Note-se que é possível às partes cumular a produção de mais de um meio de prova no mesmo
procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, nos termos do §4º do artigo 382 da CLT. A única
ressalva é se a produção conjunta acarretar excessiva demora, caso em que o magistrado poderia indeferir
a produção de um dos meios requeridos e determinar a produção do outro meio mais ágil.
No caso específico do Direito Processual do Trabalho, entende-se que tal cumulação pode acontecer pela
causa de pedir remota, vale dizer, por fatos decorrentes ou oriundos de uma mesma relação de emprego.
Assim, seria possível a produção antecipada de uma prova testemunhal para comprovação de horas extras
ou salário “por fora”, assim como a produção de prova pericial, tanto para o adicional de insalubridade
quanto de periculosidade, desde que todos esses fatos estejam inseridos no bojo de uma mesma relação
de emprego.
Ainda que o juiz não se pronuncie sobre a prova em si e não exista defesa em
sentido técnico, existem questões de ordem pública que podem ser objeto de
contraditório.
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Por exemplo, questões como a competência do juízo, a falta de interesse de agir e a inadmissibilidade da
prova são matérias que o juiz poderia conhecer de ofício, sendo possível também às partes invocá-las no
bojo do próprio procedimento.
Quanto ao recurso, como já dito, só cabe em caso de indeferimento total da prova, conforme parágrafo 3º
do artigo 382 do CPC. Todavia, se a produção da prova acarretar violação a direito líquido e certo da parte,
admite-se o manejo do mandado de segurança.
Exemplo
Imagine um caso em que se viole a intimidade da parte, como na prova de “geolocalização” do trabalhador,
através da requisição junto à operadora telefônica dos locais onde ele se encontrava, em horários que nada
condizem com o horário de trabalho pactuado entre as partes. O mandado de segurança, previsto na Lei nº
12.016, de 2019, pode ser utilizado em casos como o presente, mormente à míngua de recurso próprio para
atacar as decisões interlocutórias proferidas no PAP.
Coisa julgada e consequências para ação principal
Sendo procedimento de jurisdição voluntária, a produção antecipada de provas não admite contraditório
quanto ao direito material decorrente dos fatos investigados.
Desse modo, as decisões proferidas no PAP não fazem coisa julgada. Confira!

Nada impede que o juiz da ação principal futura produza prova indeferida pelo juízo primeiro.

Nada impede que o juiz da ação principal futura entenda que a prova produzida é insuficiente para formar o
seu convencimento.
Embora alguns autores defendam que a ação de produção antecipada de provas tem aptidão para coisa
julgada, no que diz respeito à existência ou não do direito autônomo à prova, é dominante a visão que nem
mesmo este direito à prova se reveste da imutabilidade de coisa julgada material. Isso porque este último
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instituto necessita de cognição exauriente, sob o pleno exercício de faculdades processuais das partes, em
procedimento que assegure livre e amplo acesso ao contraditório. Não é o caso do PAP.
O corolário lógico é que nada impede o ajuizamento de outra ação antecipada de provas mesmo diante de
um indeferimento anterior, ou ainda, nada impede que na ação principal se produza a prova indeferida na
jurisdição voluntária. Se houve coisa julgada material sobre o direito autônomo à prova, não seria possível
rediscutir a admissibilidade da prova na ação principal, o que se afigura como lesão inequívoca ao acesso à
justiça.
Sendo produzida a prova no procedimento em exame, não cabe novo pedido de produção
da prova.
Não se trata de coisa julgada material, mas de falta de interesse de agir, já que é desnecessária e inútil a
medida, por já produzida integralmente a prova produzida no PAP anterior. Cabe ressalvar, contudo, que
nada impede na ação futura a realização de nova prova, já sob o contraditório e cognição exauriente.
Resta a questão da interrupção ou não da prescrição. De fato, a jurisprudência trabalhista dominante, com
fulcro no artigo 202, inciso I do Código Civil e na Súmula 268 do TST, se posiciona no sentido de que a
prescrição só é interrompida por uma ação anterior se houver formulação de pedidos idênticos.
Parte da doutrina, nesse passo, entende que como não há possibilidade de formular o pedido
correspondente ao direito material (se faz a perícia, mas não se pode postular o adicional de insalubridade,
por exemplo), não se pode concluir pela interrupção da prescrição. Ainda que no PAP haja um delineamento
do direito material a ser perseguido, isso acontece apenas para que se avalie a pertinência da prova a ser
produzida. Este é o entendimento tradicional, prevalecente, pela não interrupção da prescrição.
Contudo, tal posição merece ser revisitada. Mesmo o Superior Tribunal de Justiça (STJ) se posicionava no
sentido de que a ação cautelar preparatória de produção antecipada de provas interrompia a prescrição,
ainda que sob a égide do CPC de 1973. Havia coerência neste posicionamento, pois o credor não está
inerte, muito em contrário, utiliza o procedimento para melhor solucionar o conflito que tem uma dimensão
metajurídica.
Relembrando
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A produção antecipada de prova pode, inclusive, levar a uma solução convencionada entre as partes,
inclusive extrajudicialmente.
Em nosso sentir, o inciso V do artigo 202 do Código Civil fornece sentido a esse posicionamento. Afinal de
contas, há ato judicial que já pode constituir em mora o devedor, mormente quando a prova confirma os
fatos que embasam a pretensão de direito material ser exercida. Há, pois, clara interrupção da prescrição
em nosso sentir. Já há decisões do STJ neste particular, sob a égide do CPC de 2015, como o Resp nº
1.1347.423-SP da relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão (julgado em 20/03/2017).
Por fim, ressaltamos que uma forma de interromper a prescrição que passa ao largo da controvérsia acima
exposta, que é a cumulação do pedido de produção antecipada de provas junto com o protesto interruptivo
da prescrição. Com essa medida, a interrupção da prescrição seria inquestionável.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Antônio ajuizou ação de produção antecipada de provas em face da EMPRESA RTP
EMPREENDIMENTOS S/A, realizando perícia perante o Juízo da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.
Após o fim do laudo pericial, o juiz arquivou o processo. Antônio, então, ajuizou reclamação trabalhista
requerendo o adicional de insalubridade constatado na perícia e distribuiu a demanda à 18ª Vara do
Trabalho do Rio de Janeiro. Acerca da conduta de Antônio, aponte a alternativa correta.
A
Antônio agiu acertadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior previne a competência
do juízo.
B
Antônio agiu acertadamente, pois a prova pericial foi realizada por perito de confiança
do juiz da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, sendo o magistrado vinculado para
resolver o caso.
C
Antônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior não previne a
competência do juízo, devendo o feito ir à livre distribuição.
D
Antônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior não previne a
competência do juízo, devendo o feito ser distribuído à vara subsequente, qual seja, a
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Parabéns! A alternativa C está correta.
O ajuizamento deação de produção antecipada de provas não previne a competência do juízo, pois é
um procedimento cautelar de jurisdição voluntária, nos termos do §3º do artigo 381 do CPC.
Questão 2
Em procedimento de produção antecipada de provas, Mário requereu a produção de prova pericial para
demonstrar a existência de trabalho em condições insalubres. O juiz do Trabalho da 205ª Vara do
Trabalho de Belo Horizonte indeferiu a prova sob a alegação de que não era pertinente e que deveria ser
realizada no bojo de uma reclamação trabalhista, extinguindo o processo sem resolução do mérito.
Como advogado de Mário, qual seria a medida a ser tomada?
19ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.
E
Antônio agiu acertadamente, pois se trata de demandas conexas que devem ser
resolvidas pelo mesmo juízo.
A Nenhuma medida é cabível, pois a decisão não forma coisa julgada material.
B Impetrar mandado de segurança, pois foi violado direito líquido e certo de Mário.
C
Ingressar com recurso ordinário, pois é o único caso de cabimento de recursos no
procedimento de produção antecipada de provas.
D Ingressar com pedido de reconsideração, pois é arbitrária a decisão do magistrado.
E
Nenhuma medida é cabível, pois a decisão em produção antecipada de provas não
admite recurso em qualquer hipótese.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
O indeferimento integral da prova autoriza a interposição de recurso imediato, no caso o recurso
ordinário, por se tratar de Direito Processual do Trabalho, nos termos do §3º do artigo 382 do CPC.
3 - Meios de prova
Ao �m deste módulo, você será capaz de identi�car as principais questões sobre os meios de
prova no Direito Processual do Trabalho.
Depoimento das partes
Depoimento pessoal e prova testemunhal

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Confira agora as principais regras sobre o depoimento pessoal e a prova testemunhal no Processo do
Trabalho.
A análise dos meios de prova mais utilizados na seara laboral torna-se imprescindível no que diz respeito ao
exercício da jurisdição trabalhista. Em verdade, a opção do legislador processual civil foi a previsão genérica
no artigo 369 do CPC do direito ao uso de todos os meios legais, bem como moralmente legítimos, para
comprovação da verdade dos fatos mencionados no pedido ou na defesa. Em outras palavras:
A previsão no CPC não é exaustiva, sendo permitido às partes e aos magistrados o
manejo de meios de prova não previstos na legislação processual, desde que
moralmente legítimos.
Analisaremos, então, os principais meios de prova na Justiça do Trabalho. Vejamos!
O depoimento das partes (que em nosso sentir não é tecnicamente meio de prova,
mas um meio para obter a con�ssão, real ou presumida)
A prova testemunhal (de importância ímpar para as lides trabalhistas)
A prova documental
A prova pericial
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Depoimento das partes
O depoimento pessoal é o testemunho prestado por uma das partes em juízo. Embora elencado como um
dos meios de prova, o depoimento das partes é meio de confissão, e não meio de prova. Isso porque a parte
não tem como fazer prova em seu favor através de seu depoimento. É previsto nos artigos 139, inciso VIII e
385 do CPC, bem como nos artigos 820 e 848 da CLT.
Atenção!
Não se pode confundir o depoimento das partes com o interrogatório. Este é determinado de ofício pelo juiz;
pode ser determinado em qualquer estado do processo e pode ser único ou se repetir mais vezes. Já o
depoimento das partes pode ser requerido pela parte adversa; deve ser colhido na audiência de instrução e
julgamento e, em regra, só pode ser realizado uma vez.
Torna-se importante salientar que alguns autores trabalhistas chegaram a negar a existência do depoimento
das partes, diante do disposto no artigo 848 da CLT, afirmando a existência apenas do interrogatório,
segundo Rodrigues Pinto (1991).
Contudo, basta analisar o artigo 820, da CLT para verificar o equívoco desse posicionamento. Ademais, os
princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório propiciam a ideia de que as partes também
podem requerer o depoimento uma da outra, além do fato de que a Súmula 74, I do c. TST admite a
confissão ficta em caso de não comparecimento da parte intimada em audiência. Tudo isso demonstra a
efetiva existência do depoimento pessoal, formal e solene. No entanto, ainda que se admita a possibilidade
de requerimento do depoimento pessoal, o juiz pode indeferi-lo, desde que fundamente sua decisão, sem
que isso configure cerceamento do direito de defesa.
Para casos em que a matéria discutida nos autos seja exclusivamente de direito ou ainda, já havendo
confissão real por uma das partes (conforme artigo 374, II do CPC), o depoimento das partes torna-se
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desnecessário, havendo autorização para que o magistrado o indefira, sem a configuração de cerceamento
de defesa.
De toda sorte, o objetivo primordial do depoimento pessoal é a confissão. A confissão real, em primeiro
plano, mas também a confissão ficta, que gera presunção relativa. Nesse último aspecto, haverá confissão
ficta em três situações:
Cumpre lembrar que não haverá confissão nos casos do artigo 388 do CPC e quando a falta de resposta às
indagações for imperativo para preservar o direito de não produzir prova contra si (artigo 379, caput do
CPC).
Resta, por fim, observar que, salvo na hipótese de confissão real, nada impede que o magistrado persista na
produção de prova, pois a vedação de produção de prova posterior somente se aplica à parte confessa, não
afetando o exercício, pelo juiz, do poder-dever de conduzir o processo (Súmula 74, item III do TST).
Hipótese em que autor e/ou réu que faltam à audiência em que deveria haver depoimento
pessoal (caso da Súmula 74, I do TST).
Caso em que a parte se recusa a responder às perguntas formuladas pelo juiz (artigo 385,
§1º do CPC).
Na hipótese em que o preposto revela desconhecimento dos fatos em contrariedade à
obrigação prevista no §1º do artigo 843 da CLT, circunstância específica do Direito Processual
do Trabalho, já que a lei não permite a ignorância do representante da empresa quanto a fatos
relevantes e pertinentes para a solução da lide.
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Prova testemunhal
Há consenso geral que este é o meio de prova mais inseguro. Na verdade, sua depreciação tem razões
históricas. Salienta Rodrigues Pinto que, no tempo de hierarquização das provas, com base em seu valor
intrínseco, “o testemunho era colocado no mais baixo nível, a ponto de merecer a alcunha depreciativa de
prostituta das provas, contrapondo-se à confissão em seu trono de rainhas das provas” (1991, p. 206).
De toda sorte, a testemunha é a pessoa física que tem conhecimento de fatos da lide (que pode ser direto,
como no caso da testemunha visual ou presencial, ou ainda, indireto), que é estranha à relação jurídica e que
possui habilitação para depor (não possuindo nenhuma incapacidade, ou caso de impedimento ou
suspeição).
Classi�cação da prova testemunhal
A prova testemunhal, segundo a classificação mais prestigiada, divide-se em:
Testemunhas numerárias
Aquelas que são chamadas a depor por indicação das partes, mas dentro de limite numérico estabelecido
em cada sistema processual.
Testemunhas referidas
Aquelas que vêm ao processo por determinação direta do juiz, nos termos do artigo 461, inciso I do CPC.
Testemunhas instrumentárias
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Aquelas que comparecem para atestar verdade de fato ou ato registrado em documento público ou
particular.
Note-se que os limitespara as testemunhas numerárias previstas na CLT dependem do rito ao qual se
submete a demanda. Assim, nos termos do artigo 821 da CLT e do §2º do artigo 852-H da CLT, no rito
ordinário, cada parte pode indicar até três testemunhas, no rito sumaríssimo, até duas testemunhas, e no
inquérito para apuração de falta grave, até seis testemunhas.
Contudo, tal limite goza de certa flexibilidade.
Exemplo
No caso de litisconsórcio passivo, o limite de indicação de testemunhas deve levar em conta a situação
individual de cada reclamado, pois, a pluralidade das partes depende da vontade do reclamante (no caso do
litisconsórcio facultativo) ou de determinação da lei ou da natureza da relação jurídica de direito material
(no caso do litisconsórcio necessário).
É de se notar que o limite fixado para as testemunhas numerárias também não se aplica ao juiz. Nos termos
do artigo 765 da CLT, o magistrado tem a prerrogativa de determinar toda e qualquer diligência que entender
necessária à resolução da lide, como diretor do processo. Nada impede que, na busca da verdade real, o juiz
ultrapasse os limites impostos em lei para indicação das testemunhas.
Por fim, quando houver cumulação objetiva (de pedidos e causas de pedir) ou quando existir a necessidade
de superar o limite legal sob pena de violar o princípio constitucional de acesso à justiça. Assim, um
empregado que, nos últimos cinco anos imprescritos, tenha laborado em cinco estabelecimentos diferentes
(cinco agências bancárias, por exemplo) e postule horas extras por todo o lapso temporal, precisará, no
mínimo, de uma testemunha para cada local onde prestou serviços, a fim de comprovar o labor
extraordinário.
Inadmissibilidade e limitações da prova testemunhal
A princípio, é amplo o cabimento da prova testemunhal no Direito Processual do Trabalho, mormente em
razão do princípio da primazia da realidade. Contudo, há casos excepcionais em que se admite certa
restrição à oitiva de testemunhas.
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Uma primeira hipótese ocorre quando houver expressa vedação legal, como no caso do artigo 443 do CPC.
É difícil pensar numa hipótese trabalhista em que fatos só possam ser provados por documento ou por
exame pericial, mas, em geral, casos de insalubridade e periculosidade que exigem a perícia (conforme §2º
do artigo 195 do CPC), dispensam a prova testemunhal.
As outras hipóteses são os casos de incapacidade, impedimento e suspeição. Em verdade, o único
dispositivo da CLT neste particular é o artigo 829 da CLT, que prevê a impossibilidade de oitiva de
“testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes”, caso
em que “não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação”. Malgrado a
expressa previsão legal da CLT, a doutrina dominante entende pela aplicação subsidiária do disposto no
CPC, citando como exemplo Schiavi (2022, p. 503).
Não há dúvida, pois, quanto à aplicabilidade dos casos do artigo 447, §1º, §2º e §3º do CPC, que devem ser
sopesados no caso concreto pelo juiz.
O caso mais controvertido quanto à suspeição das testemunhas diz respeito aos casos em que o
trabalhador possui ação na Justiça em face do empregador e convocado para depor. Em regra, a Súmula
357 do TST destaca que inexiste impedimento no fato de a testemunha ter ajuizado demanda contra o réu.
A suspeição em casos como este deve ser “objetivada” ao máximo, buscando algum tipo de critério objetivo
que demonstre a promiscuidade ou vício no depoimento que lhe retire a parcialidade. A questão ainda é
muito polêmica nos tribunais trabalhistas, sendo certo, porém, que o simples fato da testemunha possuir
ação em face do réu, não a torna suspeita.
Assim, todos os casos de impedimento, suspeição e incapacidade das
testemunhas podem ser suscitados pelas partes e o meio próprio é o incidente
conhecido como “contradita”.
Ressalte-se que a regra do artigo 457, caput do CPC, quanto ao momento para a parte suscitar o incidente
da contradita, deve ser flexibilizada. No Direito Processual do Trabalho, o rol de testemunhas para intimação
não é a regra geral, conforme artigos 825 e 845 da CLT, sendo comum testemunhas comparecerem
independentemente de intimação. Por isso, a possibilidade de contradita superveniente não deve ser
desconsiderada, já que, em regra, as partes só “conhecem” as testemunhas em audiência, conforme já
sublinhado acima.
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Prova documental
Prova documental é a que se produz pela apresentação de documentos representativos dos fatos alegados.
É o veículo por meio da qual o documento (gente da prova) é levado ao processo para análise judicial.
A CLT faz referência a este tipo de prova de forma não sistemática, podendo citar os artigos 777, 780, 787 e
830, como aqueles mais importantes no que tange à prova documental.
Note-se que os documentos podem ser declarados autênticos pelo próprio advogado da parte, na forma da
redação dada ao artigo 830, da CLT pela Lei 11.925 de 2009, não havendo mais necessidade de juntada de
cópias autenticadas.
No que tange à oportunidade para oferecimento de documentos, uma primeira corrente defende que os
documentos que estiverem em posse do autor e do réu devem acompanhar não apenas a petição inicial
(artigo 787 da CLT), mas também a contestação (artigo 434 do CPC), ante o caráter de bilateralidade da
ação e da defesa, o que impõe o tratamento igualitário entre as partes.
A inobservância de tal regra geraria, segundo esta posição, a preclusão e a desconsideração do documento
juntado posteriormente.
Outra visão, no entanto, entende que a preclusão é instituto processual que diz respeito aos atos das partes,
mas não se aplicaria ao magistrado. O juiz poderia determinar a juntada de documentos mesmo após os
momentos previstos em lei, enquanto não encerrada a instrução. Esta posição se fundamenta no artigo 765
da CLT.
Contudo, há ainda uma terceira posição que considera as peculiaridades das demandas trabalhistas e ainda,
o disposto nos artigos 845 e 852-H, §1º da CLT, entendendo que enquanto não houve o encerramento da
instrução, haveria a possibilidade da juntada de documentos, observados dois parâmetros: a) não haja má-
fé (com a juntada proposital de prova “surpresa”); b) não haja prejuízo ao regular cumprimento do
contraditório.
Essa última tem sido a posição do TST, valendo citar os acórdãos proferidos no E-RR - 2416-
68.2012.5.18.0009 (Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, Subseção I Especializada em
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Dissídios Individuais, DEJT 11/04/2017), ARR - 11-50.2013.5.24.0076 ( Relator Ministro Breno Medeiros, 5ª
Turma, DEJT 04/10/2019), RR-5036-55.2015.5.10.0014 (Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, 5ª
Turma, DEJT 06/09/2018) e RR - 10749-58.2014.5.15.0094 (Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4ª
Turma, DEJT 09/06/2017).
Como interpretar o artigo 787 da CLT e o artigo 434 do CPC?
A jurisprudência do STJ é sábia neste ponto, e tem entendido que apenas os documentos indispensáveis
(fundamentais) e substanciais devem ser juntados com a inicial/defesa. Como provas substanciais, temos
os documentos que a lei expressamente exigir para que a demanda seja proposta e como provas
fundamentais temos os documentos que se tornam indispensáveis porque o autor a eles se referiu na
petição inicial, como fundamento do seu pedido.
É claro que tudo quanto ao aqui exposto tem como exceção as hipóteses previstas nos artigos:
435 do CPC
Documentos novos.
1.014 do CPC e Súmula 8 do TST
Força maior ou justo impedimento.
438 do CPC
Documento em posse de repartição pública.
396 do CPC
Documento em posse da parte adversária ou de terceiro particular.
Prova pericial
Consiste a perícia em meio de prova através do qual se buscaa constatação, prova ou demonstração,
científica ou técnica, da veracidade de situações, fatos ou coisas. É meio de prova que é determinado
quando o juiz não tem conhecimento suficiente sobre o assunto que envolve o fato a ser provado.
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No que refere à classificação da prova pericial, no que diz respeito ao tipo de trabalho técnico exigido, com
base no artigo 464 do CPC, temos:
Quanto à oportunidade, a perícia pode ser:
O exame
Consiste na verificação de circunstâncias relativas a pessoas ou coisas.
A vistoria
Diz respeito à constatação da situação de coisa imóvel.
A avaliação
Consiste no trabalho de estabelecimento da relação entre um bem e seu valor monetário.
Judicial
Quando realizada dentro de um processo em curso.
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Por fim, quanto à obrigatoriedade de sua realização, a perícia pode ser classificada em:
Obrigatória
Quando fixada como meio necessário de prova.
Facultativa
Quando a prova depende de requerimento das partes ou de determinação do magistrado.
O caso dos adicionais de insalubridade e periculosidade corresponde à primeira hipótese, já que o artigo
195, §2º da CLT permite a conclusão de que a perícia é obrigatória, em se tratando destes pedidos
específicos; adicional de periculosidade de insalubridade. Todavia não se pode esquecer o previsto na OJ
278 da SDI-1 do c., TST que menciona expressamente que “a realização de perícia é obrigatória para
verificação de insalubridade”, mas que deixa evidente, por outro lado, que “quando não for possível sua
realização, como em caso de fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios de
prova”.
Quanto ao procedimento, a CLT não contém qualquer regra instituindo a produção deste tipo de prova no
Processo do Trabalho. Por isso, o entendimento dominante é que: deve ser aplicado aos casos concretos o
disposto no artigo 464 e seguintes do CPC, porque são compatíveis com o Direito Processual do Trabalho.
Extrajudicial
Quando realizada fora do processo, em geral, por consenso entre os interessados.
Cautelar
Quando realizada em jurisdição voluntária, como no caso da perícia em produção antecipada
de provas.
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Apenas duas regras escapam à previsão legal do CPC, quando se fala em Justiça do Trabalho. Vejamos!
Note-se que o artigo 790-B da CLT não admite qualquer adiantamento de honorários periciais, confrontando-
se com o disposto no artigo 95 do CPC. Tal visão já constava da OJ 98 da SDI-2 do TST, que admitia o uso
de mandado de segurança contra decisão em sentido contrário. Também na Justiça do Trabalho devem ser
observados os limites para honorários periciais fixados pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho.
Por fim, ressalte-se que o Plenário do STF, no julgamento da ADI 5766, julgou inconstitucionais os arts. 790-
B, caput e §4º da CLT, entendendo que o beneficiário da gratuidade de justiça, sucumbente no objeto da
perícia, não deve arcar com os honorários periciais. Nesse sentido, a Súmula 457 do TST estabelece que os
honorários deverão ser suportados pela União Federal, em regra semelhante à disposta no inciso II, §3º do
artigo 95 do CPC.
A primeira é a regra inserida no artigo 852-H, §5º da CLT, que nas causas de rito sumaríssimo,
prevê prazo comum para manifestação sobre o laudo de cinco dias e fixa prazo máximo de 30
dias para solução da prova pericial no §7º do mesmo artigo 852-H da CLT.
A segunda, mais importante, diz respeito ao pagamento dos honorários periciais. Fato é que o
artigo 790-B da CLT fixa que a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da
parte sucumbente no objeto da perícia. Assim, numa demanda trabalhista, caso o autor vença
um dos itens do pedido, mas seja sucumbente na postulação que foi objeto da prova pericial,
é o reclamante quem deverá arcar com os honorários periciais.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em demanda trabalhista submetida ao rito sumaríssimo, Gonzalo postula indenização por danos
morais no valor de R$5 mil (cinco mil reais). Alega ter sofrido várias agressões morais de seu
empregador, e apresenta 4 testemunhas. A parte ré, por sua vez, negou os fatos narrados e indica 3
testemunhas. No caso apontado,
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Parabéns! A alternativa E está correta.
Embora as partes só possam indicar até 2 testemunhas cada, no rito sumaríssimo, para o juiz não
existe este limite. O juiz, como diretor do processo, pode ouvir quantas testemunhas quiser, nos termos
do artigo 765 da CLT.
Questão 2
Em uma reclamação trabalhista, Antônio Pires postulou horas extras e adicional de insalubridade, bem
como gratuidade de justiça. Realizada a perícia exclusivamente para o adicional de insalubridade e
ouvida duas testemunhas, foi proferida sentença, em que o magistrado: a) rejeitou o requerimento de
gratuidade de justiça; b) julgou procedente o pedido de horas extras; c) julgou improcedente o pedido
de adicional de insalubridade. Diante da procedência parcial, o juiz condenou a reclamada a pagar os
honorários periciais, fixados em R$2.000,00 (dois mil reais). Sobre a conduta do magistrado na fixação
da responsabilidade pelo pagamento dos honorários, assinale a alternativa correta.
A o juiz do Trabalho poderá ouvir até 3 testemunhas indicadas por cada parte.
B o juiz do Trabalho poderá ouvir até 2 testemunhas indicadas por cada parte.
C o juiz do Trabalho poderá ouvir até 6 testemunhas indicadas por cada parte.
D o juiz do Trabalho poderá ouvir até 10 testemunhas indicadas por cada parte.
E não há limite de oitiva de testemunhas para o magistrado.
A
Agiu corretamente, pois no caso de sucumbência parcial, deve a reclamada arcar com
os honorários periciais.
B Agiu incorretamente, pois foi o reclamante o sucumbente no objeto da perícia.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
É a parte sucumbente no objeto da perícia que deve arcar com os honorários periciais, sendo que
mesmo vencedor nas horas extras, Antônio foi sucumbente no adicional de insalubridade, objeto único
da prova pericial. Este o teor do artigo 790-B, caput da CLT.
Considerações �nais
Tivemos a oportunidade de estudar aspectos muito importantes da prova do Processo do Trabalho. As
questões que envolvem o ônus da prova, o procedimento de produção antecipada da prova e os meios de
prova são essenciais para todos que militam na seara laboral.
Institutos de vital importância foram objeto de estudo, de modo a propiciar que o conhecimento dos
instrumentos de prova e dos institutos, que informam a fase probatória na Justiça do Trabalho, habilite
todos aqueles que querem atuar na consecução dos direitos fundamentais dos trabalhadores e na
pacificação social dos conflitos entre capital e trabalho.
C
Agiu incorretamente, pois ninguém deveria pagar pelos honorários periciais, e sim, a
União Federal.
D
Agiu corretamente, pois o autor não sucumbiu no objeto da perícia, já que ainda cabe
recurso.
E
Agiu incorretamente, eis que a responsabilidade pelos honorários periciais só pode ser
fixada após o trânsito em julgado da sentença.

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Ouça agora o objeto e o ônus da prova no Processo do Trabalho.
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
Leia o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.347.423-SP (Processo
2012/0208257-5). Relator: MinistroLuis Felipe Salomão. Julgamento em 20 de março de 2017.
Assista ao julgamento da ADI 5766, pelo Plenário do STF em outubro de 2021, sobre regras relacionadas à
Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467 de 2017) no canal do STF no YouTube.
Referências
ALMEIDA, C. L. de. Direito Processual do Trabalho. 7. ed. Salvador: Juspodivm, 2019.
BATALHA, W.de S. C. Tratado de Direito Judiciário do Trabalho. v. I e II. São Paulo: LTr, 1995.
BERNARDES, F. Manual de Processo do Trabalho. 4. ed. Salvador: Juspodivm, 2022.
CAIRO Jr., J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13. ed. Salvador: Juspodivm. 2019.
DIDIER JR., F.; BRAGA, P. S.; OLIVEIRA, R. A. de. Curso de Direito Processual Civil. v. 2. 11. ed. Salvador:
Juspodivm, 2016.
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https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/40927/index.html# 43/43
RODRIGUES PINTO, J. A. Processo Trabalhista de Conhecimento. São Paulo: LTr, 1991.
SCHIAVI, M. Manual de Direito Processual do Trabalho. 18. ed. São Paulo: LTr, 2022.
SILVA, H. B. M. da S. Curso de Direito do Trabalho Aplicado. v. 9. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2016.
THEODORO JÚNIOR, H. Curso de Direito Processual Civil. v. 1. 56. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015.
YARSHELL, F. L. Breves comentários ao novo código de processo civil (Coords. Teresa Arruda Alvim
Wambier [et al.]). 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
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