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Daniela Junqueira Gomes Teixeira (infecções ginecológicas) VULVOVAGINITES BARTOLINITE VAGINOSE BACTERIANA (VB) CANDIDÍASE TRICOMANÍASE Infecção da glândula de Bartholin e de seu ducto, que pode evoluir para formação de abscesso. Glândulas de Bartholin: localizadas na vulva, uma de cada lado, e sua principal função é secretar muco para fornecer lubrificação vaginal e vulvar. FISIOPATOLOGIA Ag. Etiológico: Chlamydiatrachomatis, Neisseriagonorrhoeae, Escherichia coli e bactérias presentes na microbiota vaginal. QUADRO CLÍNICO Indolor e assintomático Infecção associada: massa com superfície eritematosa, consistência lenhosa, com temperatura local elevada e muita dor ao toque, dispareunia e febre. DIAGNÓSTICO Clínico Esfregaço em lâmina Cultura bacteriana TRATAMENTO Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 d ou Ofloxacina 400mg VO 12/12h por 14 d ou Levofloxacina 500mg VO 12/12h por 14 d Metronidazol 400mg VO 12/12h por 14 d Cistos assintomáticos não requerem tratamento. Abscesso: drenagem → incisão feita na face interna do pequeno lábio, em forma de X e deverá promover a marsupialização da glândula. Massa grande? colocação de um cateter Word → alívio imediato da dor ocorre na drenagem de pus. Abscesso se rompe e drena espontaneamente → analgésicos ou imersão da área genital com compressas quentes ou com banhos de assento. NÃO É IST Mudança da flora vaginal + produção de aminas voláteis → ↓lactobacilos + ↑anaeróbios → ↑pH vaginal > 4,5 FISIOPATOLOGIA Ag. Etiológico: Gardnerella vaginalis ↓lactobacilos ↓peróxido de hidrogênio ↑anaeróbios ↑pH vaginal > 4,5 ↑aminas voláteis QUADRO CLÍNICO 50% ASSINTOMÁTICOS (não tem inflamação) Corrimento vaginal BRANCO, FINO, HOMOGÊNEO Corrimento com ODOR DE PEIXE → aminas voláteis (putrecina, cauderina, trimetilamina, dimetilanamina) Sintomas mais evidentes após coito ou menstruação VB isolada não causa disúria, dispareunia, prurido ou inflamação) DIAGNÓSTICO Critérios de Amsel → 3 dos 4 fecha diagnóstico Corrimento branco, acinzentado, fluido e homogêneo pH > 4,5 Teste das aminas + Whiff test Presença de CLUE CELLS TRATAMENTO Antibiótico para anaeróbios Metronidazol via vaginal (5 noites) ou oral (500 mg 12/12h por 7d) 2ª opção: clindamicina Parceiros não precisam de tratamento Mesmo tratamento na gravidez Não misturar com álcool (efeito dissulfiram-like) NÃO É IST Infecção da vulva e da vagina pela Cândida (fungo comensal) FISIOPATOLOGIA Ag. Etiológico: Candida albicans (90% dos casos), Candida glabatra, Candida tropicalis, Candida Krusi FATORES DE RISCO DM descompensada Uso de atb Imunossupressão Aumento do nível de estrogênio (uso de pílulas combinas) Gestação Aumento da umidade local Estresse QUADRO CLÍNICO Inflamação: prurido vulvar + queimação (irritação vulvar) Corrimento BRANCO ESPESSO (LEITE COALHADO) Disúria Dispareunia de penetração EXAME FÍSICO Vulva: hiperemia + queimação (irritação vulvar) Especular: corrimento branco (leite coalhado) espesso com grumos DIAGNÓSTICO Sintomas + ex. físico + microscopia Microscopia: PSEUDOHIFAS/HIFAS E ESPOROS pH < 4,5 Cultura: casos recorrentes TRATAMENTO 1ª opção: cremes vaginais com Miconazol (7 noites) ou Nistatina (14 noites) 2ª opção: fluconazol 150 mg VO, dose única Parceiros não precisam de tratamento Gestantes: cremes vaginais com azólicos (ex: miconazol) ou nistatina. PROIBIDO USAR FLUCONAZOL Fluconazol faz interação com ACO (Itraconazol pode ser utilizado) É UMA IST Infecta célula da vagina, colo do útero e uretra → inflamação FISIOPATOLOGIA Ag. Etiológico: protozoário flagelado Trichomonas vaginalis FATORES DE RISCO Atividade sexual desprotegida QUADRO CLÍNICO 50% assintomático Corrimento AMARELO ESVERDEADO ODOR FÉTIDO Queimação vulvovaginal Queixas urinárias Dispareunia, sinusorragia EXAME FÍSICO Corrimento amarelo-esverdeado com odor COLO EM MORANGO DIAGNÓSTICO Sintomas + ex. físico + pH + microscopia Teste das aminas + pH >4,5 Microscopia: protozoários flagelados TRATAMENTO Metronidazol via oral 2g, dose única ou 500 mg 12/12h por 2d Parceiros precisam de tratamento Mesmo tratamento na gravidez Não misturar com álcool (efeito dissulfiram-like) Daniela Junqueira Gomes Teixeira CERVICITE DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA Inflamação do colo uterino, a qual afeta principalmente as cél. Epiteliais colunares das glândulas endocervicais → também pode afetar o epitélio escamoso da ectocérvix FISIOPATOLOGIA Ag. Etiológico: Chlamydia trachomatis, Neisseira gonorrhoeae (Trichomonas também pode causar) QUADRO CLÍNICO Inespecíficos Leucorreia PURULENTA OU MUCOPURULENTA (AMARELADA) Sangramento intermenstrual ou pós-coital Queixas urinária (disuria, polaciúria) Dispareunia Irritação vulvovaginal EXAME FÍSICO Corrimento purulento ou mucopurulento na ectocérvice ou exsudação do canal endocervical Hemorragia ao tocar o cérvix com algodão (FRIABILIDADE) Edema na zonal ectópica DIAGNÓSTICO Teste para clamídia e gonorreia Exame bimanual para excluir DIP TRATAMENTO Gonorreia: ceftriaxona 250 mg IM + azitromicina 1g VO dose única (independente do teste de clamídia) Clamídia: azitromicina 1g VO, dose única ou doxiciclina 100 mg VO 2 vezes por 7 dias Parceiros devem ser tratados Mesmo tratamento para gravidas (evitar doxiciclina) Infecção do trato genital superior feminino Envolve útero + tubas + ovários + peritônio pélvico + órgãos abdominais FISIOPATOLOGIA Polimicrobiana: gram +, gram -, anaeróbios → Neisseira gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis FATORES DE RISCO Atividade sexual desprotegida; Adolescentes; ISTs prévias; Baixo nível socioeconômicos; Múltiplos parceiros sexuais QUADRO CLÍNICO Endometrite, miometrite, salpingite, ooforite, abcesso tubo-ovariano e peritonite pélvica Dor pélvica aguda Corrimento PURULENTO Dispareunia de profundidade Sangramento uterino Febre Alguns pacientes: sintomas sutis ou não específicos ou são até mesmo assintomáticas DIAGNÓSTICO Não há nenhum teste definitivo e conclusivo para o diagnóstico da DIP USG: tuba dilatada e com conteúdo líquido em seu interior Hiperemia e edema de tuba uterina; fímbrias distorcidas Hemograma completo, hemocultura, VHS e proteína C reativa, exame bacterioscópixo para vaginose bacteriana, pesquisa de gonococo e clamídia endocervicais, exame qualitativo de urina e urocultura, BHCG USG pélvica transvaginal, TC ou RM Biópsia de endométrio Sorologias para Sifilis, HIV, hepatite B e C. Outras ISTs podem pesquisadas (não necessariamente em OS) 3 critérios maiores + 1 critério menor ou 1 critério elaborado Critérios maiores Dor no hipogástrio Dor à palpação dos anexos Dor à mobilização de colo uterino Critérios menores Temperatura axilar > 37,5ºC ou > 38,3º C Conteúdo vaginal ou secreção endocervical anormal Massa pélvica Mais de 5 leucócitos por campo de imersão em material de endocérvice Leucocitose em sangue periférico Proteína C reativa ou VHS elevada Comprovação laboratorial de infecção cervical por gonococo, clamídia ou micoplasmas Critérios elaborados Evidência histopatológica de endometrite Presença de abscesso tubo-ovariano ou de fundo de saco de Douglas em estudo de imagem Laparoscopia com evidência de DIP TRATAMENTO Iniciar antibioticoterapia o mais rápido possível ATB de amplo espectro que seja efetivo conta gonococo e a clamídia Ambulatorial ou hospitalar? Critérios de hospitalização Abscesso tubo-ovariano Gestação Estado geral grave, com náuseas, vômitos e febre Intolerância de medicação VO em casa Ausência de após 72h do início do ATB oral Dificuldade em exclusão de emergência cirúrgica Ambulatorial Pacientes reavaliadas em 72h Abstinência sexual até o fim do tratamento Colher sorologias para ISTs (com consentimento) Enfatizar o uso de métodos contraceptivos de barreira Parceiros sexuais dos íntimos 60 dias deve ser avaliados e preferencialmentetratados para Chlamydia e Gonococo, sendo sintomáticos ou não → Ceftriaxone IM + Azitromicina VO Coisa Do Mal Ceftriaxone IM dose única Doxiciclina VO 14 dias Metronidazol VO 14 dias Quando operar/drenar? Via laparoscopia ou laparotomia ou com punção guiada por USG ou TC Abscesso pélvico sem melhora com ATB Suspeita de rotura de abscesso tubo-ovariano Presença de massa pélvica (abscesso) que aumenta, apesar do tto clínico COMPLICAÇÕES Abscesso tubo-ovariano Síndrome Fitz-Hugh-Curtis (fase aguda e crônica) Gestação ectópica Infertilidade Dor crônica pélvica Daniela Junqueira Gomes Teixeira SIFILIS PRIMÁRIA HERPES GENITAL HPV FISIOPATOLOGIA Ag. Etiológico: Treponema pallidum (bactéria gram negativa, espiroqueta) Contato sexual: penetra na pele ou mucosa QUADRO CLÍNICO Cancro duro: úlcera única, bordas bem delimitadas, base endurecida, indolor, fundo limpo, rosa-avermelhada Rico em treponemas Duração: 2 a 6 semanas Desaparece espontaneamente Fator de risco/porta de entrada pra HIV Linfadenopatia: regional, unilateral, múltipla, indolor, não supurativa/sem flogismo DIAGNÓSTICO Microscopia de campo escuro: pesquisa direta do treponema Teste não treponêmico VDRL Positivo: 2 a 3 semanas após cancro Sensível + não específico Teste treponêmico FTA-Abs Positivo: 1 a 2 semanas após infecção Sensível + específico Uma vez positivo, sempre positivo TRATAMENTO Penicilina benzatina 2.400.000 UI IM Alternativas: ceftriaxone IM, doxiciclina VO Parceiros sexuais devem ser avaliados e tratados IST ulcerativa mais comum FISIOPATOLOGIA Ag. Etiológico: Herpes simplex virus (tipo 1: oral; tipo 2: genital) Contato sexual QUADRO CLÍNICO Primeira infecção Incubação: 6 dias Mais severa Sintomas gerais: febre, mialgia, mal estar Vesículas agrupadas sobre base eritematosa, úlceras arredondas, bordas lisas e dolorosas Colo do útero pode ser acometido: corrimento e sangramento Linfadenopatia: 50% dos casos, inguinal, bilateral, dolorosa DIAGNÓSTICO Clínico Esfregaço de Tzanck Sorologias Cultura TRATAMENTO 1º episódio Aciclovir 400 mg 8/8h por 7d Recidiva Aciclovir 400 mg 8/8h por 5d Ideal: iniciar no pródromo Mais de 6ep/ano Aciclovir 400 mg 8/8h por 5 meses Imunossuprimidos + lesões extensas Aciclovir endovenoso Gestação Aciclovir VO Todos os trimestres Etiologia mais comum do câncer de colo de útero ↑ prevalência ↑ clareamento viral Transmissão sexual + 100 subtipos: oncogênicos: 16, 18, 31, 33 e 35 + não-oncogênicos: 6 e 11 (verrugas/condiloma acuminado) QUADRO CLÍNICO Latente Sem sinais e sintomas Congênito Verrugas nos primeiros 3 anos Latente Lesões verrucosas Geralmente agrupadas Geralmente assintomáticas Condiloma acuminado Neoplásica Diferentes graus Podem gerar carcinoma Maioria assintomática até a fase mais avançada DIAGNÓSTICO Citopatologia oncótica Prevenção secundária Amostra ectocervical e endocervical Importância: lesões precursoras pré-malignas (assintomáticas e curáveis) e progressão para o câncer (8 a 10 anos) Quem deve fazer? Mulheres que já tiveram relação sexual Idade: 25 aos 64 anos Trienal Após 2 exames normais anuais consecutivos Antes do 25: ↓incidência, lesões de baixo grau: regressão, ↑sobretratamento, ↑morbidade TRATAMENTO Vacina Tetravalente: 16, 18, 6 e 11 Verrugas Ácido tricloroacético (ATA) a 80%a 90% em solução alcoólica Podofilotoxina em creme a 0,15% por 3 dias, 2x/d Podofilina 10% a 25% em solução alcoólica ou tintura de Benjoim Imiquimode