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CARD - INFECÇÕES GENITAIS - ESTAÇÃO GO - DR ROBERT PEDROSA

Material sobre infecções ginecológicas: bartolinite, vaginose bacteriana, candidíase, tricomoníase e cervicite. Apresenta fisiopatologia e agentes etiológicos, quadro clínico, exames diagnósticos e opções terapêuticas com doses e condutas específicas (incl. manejo de abscessos, gravidez e parceiros).

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Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
 (infecções ginecológicas) 
VULVOVAGINITES BARTOLINITE 
VAGINOSE BACTERIANA (VB) CANDIDÍASE TRICOMANÍASE Infecção da glândula de Bartholin e de seu ducto, que 
pode evoluir para formação de abscesso. 
Glândulas de Bartholin: localizadas na vulva, uma de 
cada lado, e sua principal função é secretar muco para 
fornecer lubrificação vaginal e vulvar. 
FISIOPATOLOGIA 
Ag. Etiológico: Chlamydiatrachomatis, 
Neisseriagonorrhoeae, Escherichia coli e bactérias 
presentes na microbiota vaginal. 
QUADRO CLÍNICO 
Indolor e assintomático 
Infecção associada: massa com superfície eritematosa, 
consistência lenhosa, com temperatura local elevada e 
muita dor ao toque, dispareunia e febre. 
DIAGNÓSTICO 
Clínico 
Esfregaço em lâmina 
Cultura bacteriana 
TRATAMENTO 
Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 d ou 
Ofloxacina 400mg VO 12/12h por 14 d ou 
Levofloxacina 500mg VO 12/12h por 14 d 
Metronidazol 400mg VO 12/12h por 14 d 
Cistos assintomáticos não requerem tratamento. 
Abscesso: drenagem → incisão feita na face interna do 
pequeno lábio, em forma de X e deverá promover a 
marsupialização da glândula. Massa grande? colocação 
de um cateter Word → alívio imediato da dor ocorre na 
drenagem de pus. 
Abscesso se rompe e drena espontaneamente → 
analgésicos ou imersão da área genital com compressas 
quentes ou com banhos de assento. 
NÃO É IST 
Mudança da flora vaginal + produção 
de aminas voláteis → ↓lactobacilos + 
↑anaeróbios → ↑pH vaginal > 4,5 
FISIOPATOLOGIA 
Ag. Etiológico: Gardnerella vaginalis 
↓lactobacilos 
↓peróxido de hidrogênio 
↑anaeróbios 
↑pH vaginal > 4,5 
↑aminas voláteis 
QUADRO CLÍNICO 
50% ASSINTOMÁTICOS (não tem 
inflamação) 
Corrimento vaginal BRANCO, FINO, 
HOMOGÊNEO 
Corrimento com ODOR DE PEIXE → 
aminas voláteis (putrecina, cauderina, 
trimetilamina, dimetilanamina) 
Sintomas mais evidentes após coito 
ou menstruação 
VB isolada não causa disúria, 
dispareunia, prurido ou inflamação) 
DIAGNÓSTICO 
Critérios de Amsel → 3 dos 4 fecha 
diagnóstico 
Corrimento branco, acinzentado, 
fluido e homogêneo 
pH > 4,5 
Teste das aminas + Whiff test 
Presença de CLUE CELLS 
TRATAMENTO 
Antibiótico para anaeróbios 
Metronidazol via vaginal (5 noites) ou 
oral (500 mg 12/12h por 7d) 
2ª opção: clindamicina 
Parceiros não precisam de 
tratamento 
Mesmo tratamento na gravidez 
Não misturar com álcool (efeito 
dissulfiram-like) 
 
NÃO É IST 
Infecção da vulva e da vagina pela Cândida (fungo 
comensal) 
FISIOPATOLOGIA 
Ag. Etiológico: Candida albicans (90% dos casos), 
Candida glabatra, Candida tropicalis, Candida Krusi 
FATORES DE RISCO 
DM descompensada 
Uso de atb 
Imunossupressão 
Aumento do nível de estrogênio (uso de pílulas 
combinas) 
Gestação 
Aumento da umidade local 
Estresse 
QUADRO CLÍNICO 
Inflamação: prurido vulvar + queimação (irritação 
vulvar) 
Corrimento BRANCO ESPESSO (LEITE COALHADO) 
Disúria 
Dispareunia de penetração 
EXAME FÍSICO 
Vulva: hiperemia + queimação (irritação vulvar) 
Especular: corrimento branco (leite coalhado) espesso 
com grumos 
DIAGNÓSTICO 
Sintomas + ex. físico + microscopia 
Microscopia: PSEUDOHIFAS/HIFAS E ESPOROS 
pH < 4,5 
Cultura: casos recorrentes 
TRATAMENTO 
1ª opção: cremes vaginais com Miconazol (7 noites) ou 
Nistatina (14 noites) 
2ª opção: fluconazol 150 mg VO, dose única 
Parceiros não precisam de tratamento 
Gestantes: cremes vaginais com azólicos (ex: 
miconazol) ou nistatina. PROIBIDO USAR FLUCONAZOL 
Fluconazol faz interação com ACO (Itraconazol pode ser 
utilizado) 
É UMA IST 
Infecta célula da vagina, colo do útero e uretra → 
inflamação 
FISIOPATOLOGIA 
Ag. Etiológico: protozoário flagelado Trichomonas 
vaginalis 
FATORES DE RISCO 
Atividade sexual desprotegida 
QUADRO CLÍNICO 
50% assintomático 
Corrimento AMARELO ESVERDEADO 
ODOR FÉTIDO 
Queimação vulvovaginal 
Queixas urinárias 
Dispareunia, sinusorragia 
EXAME FÍSICO 
Corrimento amarelo-esverdeado com odor 
COLO EM MORANGO 
DIAGNÓSTICO 
Sintomas + ex. físico + pH + microscopia 
Teste das aminas + pH >4,5 
Microscopia: protozoários flagelados 
TRATAMENTO 
Metronidazol via oral 2g, dose única ou 500 mg 
12/12h por 2d 
Parceiros precisam de tratamento 
Mesmo tratamento na gravidez 
Não misturar com álcool (efeito dissulfiram-like) 
 
 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
 
 
CERVICITE DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA 
Inflamação do colo uterino, a qual 
afeta principalmente as cél. 
Epiteliais colunares das glândulas 
endocervicais → também pode 
afetar o epitélio escamoso da 
ectocérvix 
FISIOPATOLOGIA 
Ag. Etiológico: Chlamydia 
trachomatis, Neisseira 
gonorrhoeae (Trichomonas 
também pode causar) 
QUADRO CLÍNICO 
Inespecíficos 
Leucorreia PURULENTA OU 
MUCOPURULENTA (AMARELADA) 
Sangramento intermenstrual ou 
pós-coital 
Queixas urinária (disuria, 
polaciúria) 
Dispareunia 
Irritação vulvovaginal 
EXAME FÍSICO 
Corrimento purulento ou 
mucopurulento na ectocérvice ou 
exsudação do canal endocervical 
Hemorragia ao tocar o cérvix com 
algodão (FRIABILIDADE) 
Edema na zonal ectópica 
DIAGNÓSTICO 
Teste para clamídia e gonorreia 
Exame bimanual para excluir DIP 
TRATAMENTO 
Gonorreia: ceftriaxona 250 mg IM 
+ azitromicina 1g VO dose única 
(independente do teste de 
clamídia) 
Clamídia: azitromicina 1g VO, 
dose única ou doxiciclina 100 mg 
VO 2 vezes por 7 dias 
Parceiros devem ser tratados 
Mesmo tratamento para gravidas 
(evitar doxiciclina) 
Infecção do trato genital superior feminino 
Envolve útero + tubas + ovários + peritônio pélvico + órgãos abdominais 
FISIOPATOLOGIA 
Polimicrobiana: gram +, gram -, anaeróbios → Neisseira gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis 
FATORES DE RISCO 
Atividade sexual desprotegida; Adolescentes; ISTs prévias; Baixo nível socioeconômicos; Múltiplos 
parceiros sexuais 
QUADRO CLÍNICO 
Endometrite, miometrite, salpingite, ooforite, abcesso tubo-ovariano e peritonite pélvica 
Dor pélvica aguda 
Corrimento PURULENTO 
Dispareunia de profundidade 
Sangramento uterino 
Febre 
Alguns pacientes: sintomas sutis ou não específicos ou são até mesmo assintomáticas 
DIAGNÓSTICO 
Não há nenhum teste definitivo e conclusivo para o diagnóstico da DIP 
USG: tuba dilatada e com conteúdo líquido em seu interior 
Hiperemia e edema de tuba uterina; fímbrias distorcidas 
Hemograma completo, hemocultura, VHS e proteína C reativa, exame bacterioscópixo para 
vaginose bacteriana, pesquisa de gonococo e clamídia endocervicais, exame qualitativo de urina e 
urocultura, BHCG 
USG pélvica transvaginal, TC ou RM 
Biópsia de endométrio 
Sorologias para Sifilis, HIV, hepatite B e C. Outras ISTs podem pesquisadas (não necessariamente 
em OS) 
3 critérios maiores + 1 critério menor ou 1 critério elaborado 
Critérios maiores 
Dor no hipogástrio 
Dor à palpação dos anexos 
Dor à mobilização de colo uterino 
Critérios menores 
Temperatura axilar > 37,5ºC ou > 38,3º C 
Conteúdo vaginal ou secreção endocervical anormal 
Massa pélvica 
Mais de 5 leucócitos por campo de imersão em material de endocérvice 
Leucocitose em sangue periférico 
Proteína C reativa ou VHS elevada 
Comprovação laboratorial de infecção cervical por gonococo, clamídia ou micoplasmas 
Critérios elaborados 
Evidência histopatológica de endometrite 
Presença de abscesso tubo-ovariano ou de fundo de saco de Douglas em estudo de imagem 
Laparoscopia com evidência de DIP 
 
TRATAMENTO 
Iniciar antibioticoterapia o mais rápido possível 
ATB de amplo espectro que seja efetivo conta gonococo e a clamídia 
Ambulatorial ou hospitalar? 
Critérios de hospitalização 
Abscesso tubo-ovariano 
Gestação 
Estado geral grave, com náuseas, vômitos e febre 
Intolerância de medicação VO em casa 
Ausência de após 72h do início do ATB oral 
Dificuldade em exclusão de emergência cirúrgica 
Ambulatorial 
Pacientes reavaliadas em 72h 
Abstinência sexual até o fim do tratamento 
Colher sorologias para ISTs (com consentimento) 
Enfatizar o uso de métodos contraceptivos de barreira 
Parceiros sexuais dos íntimos 60 dias deve ser avaliados e 
preferencialmentetratados para Chlamydia e Gonococo, sendo 
sintomáticos ou não → Ceftriaxone IM + Azitromicina VO 
Coisa Do Mal 
Ceftriaxone IM dose única 
Doxiciclina VO 14 dias 
Metronidazol VO 14 dias 
Quando operar/drenar? 
Via laparoscopia ou laparotomia ou com punção guiada por USG ou TC 
Abscesso pélvico sem melhora com ATB 
Suspeita de rotura de abscesso tubo-ovariano 
Presença de massa pélvica (abscesso) que aumenta, apesar do tto clínico 
COMPLICAÇÕES 
Abscesso tubo-ovariano 
Síndrome Fitz-Hugh-Curtis (fase aguda e crônica) 
Gestação ectópica 
Infertilidade 
Dor crônica pélvica 
 
 
 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
 
SIFILIS PRIMÁRIA HERPES GENITAL HPV 
FISIOPATOLOGIA 
Ag. Etiológico: Treponema pallidum (bactéria gram negativa, espiroqueta) 
Contato sexual: penetra na pele ou mucosa 
QUADRO CLÍNICO 
Cancro duro: úlcera única, bordas bem delimitadas, base endurecida, indolor, fundo 
limpo, rosa-avermelhada 
Rico em treponemas 
Duração: 2 a 6 semanas 
Desaparece espontaneamente 
Fator de risco/porta de entrada pra HIV 
Linfadenopatia: regional, unilateral, múltipla, indolor, não supurativa/sem flogismo 
DIAGNÓSTICO 
Microscopia de campo escuro: pesquisa direta do treponema 
Teste não treponêmico 
VDRL 
Positivo: 2 a 3 semanas após cancro 
Sensível + não específico 
Teste treponêmico 
FTA-Abs 
Positivo: 1 a 2 semanas após infecção 
Sensível + específico 
Uma vez positivo, sempre positivo 
TRATAMENTO 
Penicilina benzatina 2.400.000 UI IM 
Alternativas: ceftriaxone IM, doxiciclina VO 
Parceiros sexuais devem ser avaliados e tratados 
 
IST ulcerativa mais comum 
FISIOPATOLOGIA 
Ag. Etiológico: Herpes simplex virus 
(tipo 1: oral; tipo 2: genital) 
Contato sexual 
QUADRO CLÍNICO 
Primeira infecção 
Incubação: 6 dias 
Mais severa 
Sintomas gerais: febre, mialgia, mal 
estar 
Vesículas agrupadas sobre base 
eritematosa, úlceras arredondas, 
bordas lisas e dolorosas 
Colo do útero pode ser acometido: 
corrimento e sangramento 
Linfadenopatia: 50% dos casos, 
inguinal, bilateral, dolorosa 
DIAGNÓSTICO 
Clínico 
Esfregaço de Tzanck 
Sorologias 
Cultura 
TRATAMENTO 
1º episódio 
Aciclovir 400 mg 8/8h por 7d 
Recidiva 
Aciclovir 400 mg 8/8h por 5d 
Ideal: iniciar no pródromo 
Mais de 6ep/ano 
Aciclovir 400 mg 8/8h por 5 meses 
Imunossuprimidos + lesões extensas 
Aciclovir endovenoso 
Gestação 
Aciclovir VO 
Todos os trimestres 
 
 
 
Etiologia mais comum do câncer de colo de útero 
↑ prevalência ↑ clareamento viral 
Transmissão sexual 
+ 100 subtipos: oncogênicos: 16, 18, 31, 33 e 35 + não-oncogênicos: 6 e 11 
(verrugas/condiloma acuminado) 
QUADRO CLÍNICO 
Latente 
Sem sinais e sintomas 
Congênito 
Verrugas nos primeiros 3 anos 
Latente 
Lesões verrucosas 
Geralmente agrupadas 
Geralmente assintomáticas 
Condiloma acuminado 
Neoplásica 
Diferentes graus 
Podem gerar carcinoma 
Maioria assintomática até a fase mais avançada 
DIAGNÓSTICO 
Citopatologia oncótica 
Prevenção secundária 
Amostra ectocervical e endocervical 
Importância: lesões precursoras pré-malignas (assintomáticas e curáveis) e 
progressão para o câncer (8 a 10 anos) 
Quem deve fazer? 
Mulheres que já tiveram relação sexual 
Idade: 25 aos 64 anos 
Trienal 
Após 2 exames normais anuais consecutivos 
Antes do 25: ↓incidência, lesões de baixo grau: regressão, ↑sobretratamento, 
↑morbidade 
TRATAMENTO 
Vacina 
Tetravalente: 16, 18, 6 e 11 
Verrugas 
Ácido tricloroacético (ATA) a 80%a 90% em solução alcoólica 
Podofilotoxina em creme a 0,15% por 3 dias, 2x/d 
Podofilina 10% a 25% em solução alcoólica ou tintura de Benjoim 
Imiquimode