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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS RESENHA: DEVOLUÇÃO DAS INFORMAÇÕES DO PSICODIAGNÓSTICO. Aluno: Lena Sil Brasília – DF O psicodiagnóstico é um processo que envolve uma série de etapas, todas elas muito relevantes, tendo como desfecho a devolução das informações. O momento da devolução é fundamental para o processo psicodiagnóstico, pois deve englobar, de forma sintetizada, todos os momentos vivenciados durante as etapas anteriores, além disso, deve produzir a integração desses momentos, conduzir a um fechamento e abrir portas para novos direcionamentos. Nele, o profissional convidará o avaliando e seus familiares a percorrerem com ele uma trajetória repleta de pontos a serem apreciados. Por fim, juntos chegarão a conclusões sobre o impacto dessas vivências do avaliando e de sua família. Esse momento apontará os caminhos a serem trilhados na busca pelo bem viver, que não se encerrarão com o fim do psicodiagnóstico e deverão ter continuidade de várias formas por novos percursos. A devolução das informações encerra um processo complexo, responsável por ratificar a importância da realização do psicodiagnóstico e por produzir efeitos nos sujeitos que o vivenciaram. Na nova concepção de psicodiagnóstico, o momento da devolução tem um papel essencial, em vez de apenas comunicar ao paciente e aos seus familiares o quadro nosológico e de prescrever sessões terapêuticas, esse momento torna-se decisivo por propiciar um espaço para a construção conjunta entre o profissional, paciente e seus familiares. Após a realização das entrevistas diagnósticas, o profissional estará apto à realização da tarefa de classificação da psicopatologia, mas também poderá diagnosticar as condições do avaliando e ligar esse diagnóstico a uma série de recomendações, que devem ser explicitadas aos pais de forma simples e direta. O profissional deverá integrar os dados captados por meio das observações das manifestações verbais e não verbais, dos silêncios, das omissões, das ausências, das vivências, das transferências, das contratransferências e dos instrumentos utilizados, atribuindo um sentido mais amplo ao pedido manifesto, somando-o ao agora descoberto. Muitas vezes, na queixa inicial, o sintoma é exposto como algo isolado ou estritamente relacionado a algum acontecimento, e o que é solicitado é um plano para a eliminação desse sintoma, com a ideia de que tudo se resolverá na vida do avaliando. Ainda na devolução das informações do psicodiagnóstico, é necessário que o profissional possa nomear e esclarecer ao avaliando e, em caso de criança, adolescente ou adulto dependente, também aos seus responsáveis, o sentido dos sintomas, localizando-os dentro do contexto. Recomenda-se que nesse momento seja realizada uma retomada do percurso da avaliação, relembrando passagens anteriores, como a entrevista inicial, o pedido de ajuda, a produção de material e as comunicações para, enfim, conduzir ao fechamento do processo. A TÉCNICA DA DEVOLUÇÃO DAS INFORMAÇÕES NO PSICODIAGNÓSTICO A devolução das informações caracteriza-se como uma comunicação verbal, discriminada e dosificada, entre o psicólogo e o avaliando, seus pais e outros demandantes sobre os resultados obtidos no psicodiagnóstico. Esse momento deve estar previsto desde o início do psicodiagnóstico, e a sua previsão deve ser inicialmente comunicada ao avaliando e aos seus familiares. O fato de saber que haverá um momento de discussão sobre os achados do processo, pode fazer o avaliando sentir-se comprometido e disposto a não colaborar. Isso se confirma nos casos em que o avaliando tem receio de que os seus segredos sejam desvelados para outros demandantes, como professores, médicos, entre outros, onde ele pode apresentar ansiedade persecutória e resistência ou oposição a abordagem (Ocampo & Arzeno, 1981). Nesses casos, é importante que todas as ansiedades comunicadas, direta ou indiretamente, sejam abordadas pelo profissional assim que forem detectadas, somente dessa forma será possível tranquilizar o avaliando e fazê-lo participar por livre e espontaneamente vontade das atividades propostas. Também é importante informá-lo de que nem todos os aspectos componentes da avaliação serão comunicados a terceiros, e que tudo o que for comunicado será feito em seu benefício e com o seu conhecimento. No momento da devolução dos dados, é importante que, além da realização dos encaminhamentos, sejam enfatizados os riscos advindos do não atendimento a essas orientações ou indicações terapêuticas, principalmente nos casos que envolvem maior gravidade. A devolução do psicodiagnóstico não deve ser exclusividade dos pais ou dos responsáveis, pois a criança, o adolescente e o adulto dependente também têm direito a esse momento de processamento. Mesmo nos casos em que o encaminhamento terapêutico seja direcionado a outros membros da família, o avaliando não deve ser privado do direito à entrevista devolutiva, pois sua problemática foi o motivo central para o processo. É importante observar que a não realização da devolução das informações do psicodiagnóstico pode levar à intensificação das fantasias de doença e de loucura no avaliando e em seus familiares, acarretando, assim, inúmeros prejuízos aos envolvidos. No momento da devolução das informações, cabe ao profissional retomar o diálogo, mostrando os pontos que devem ser abordados. No caso de crianças pequenas, a devolução pode se dar por meio de jogos e nesse caso, também deve ser priorizado o uso de termos comuns à criança, pois mesmo quando a devolução é conduzida de forma adequada, pode mobilizar diversos sentimentos. Muitas vezes, deparar-se com conteúdos relacionados ao baixo desenvolvimento ou à patologia de um filho pode mobilizar sentimentos de ansiedade e culpa nos pais, que reagem por meio de atitudes conflitivas e hostis entre si. Nesses momentos, o profissional deve ajudar os pais a compreenderem que as dificuldades de uma pessoa estão relacionadas a um somatório de experiências e inclusive a algumas características próprias. AS INDICAÇOES TERAPEUTICAS A discussão sobre as indicações terapêuticas decorrentes do psicodiagnóstico é um aspecto importante da devolução de informações. Deve-se atentar para o fato de que prescrever tratamentos de forma não condizente com a realidade e com o desejo dos pais e da criança pode tornar o psicodiagnóstico complexo. Muito além de diagnosticar e apontar a cura, o psicodiagnóstico deve propor alternativas com base na compreensão psicodinâmica, ancorada no entendimento sociofamiliar, cultural e econômico de seus participantes. As indicações terapêuticas devem ser apropriadas às possibilidades do avaliando e de sua família, priorizando-se referenciar locais próximos à sua comunidade e recursos financeiramente acessíveis, atendendo às necessidades observadas. PROGNÓSTICO Nesse momento, o profissional coloca o seu mostra seu conhecimento teórico e de experiência clínica à disposição do avaliando e de sua família, a fim de demonstrar aos envolvidos o risco a que estarão expostos caso algumas medidas terapêuticas não sejam tomadas. Expor os possíveis desdobramentos da condição atual é uma das mais importantes tarefas da devolução de informações do psicodiagnóstico. Considera-se que apresentar um prognóstico em curto e longo prazos, de forma clara, faz parte do dever científico do profissional. Vale ressaltar que, no momento do fechamento do psicodiagnóstico, o avaliando e seus familiares devem ser informados sobre o papel do profissional de guardião dos registros das atividades e do material resultante do psicodiagnóstico. Dessa forma, assegura-se aos interessados o direito à confidencialidade e à disponibilidade, de acordo com normativas éticas elegais.