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APG 01 – Dores tecnológicas 
 
Objetivos 
• Revisar a anatomofisiologia da coluna cervical 
e lombar. 
• Entender as principais causas de dor cervical e 
lombar. (frisando os diagnósticos diferenciais e 
traumas) 
• Conhecer os principais testes clínicos na 
avaliação lombar e cervical. 
• Conhecer os métodos terapêuticos 
farmacológicos e não farmacológicos no 
tratamento das dores cervicais e lombares. 
Coluna cervical e lombar 
O número total de vértebras durante o 
desenvolvimento inicial é de 33. Conforme a 
criança vai crescendo, várias vértebras nas 
regiões sacral e coccígea se fundem. Em 
consequência disso, a coluna vertebral adulta 
normalmente possui 26 vértebras, distribuídas da 
seguinte maneira: 
•7 vértebras cervicais na região do pescoço 
•12 vértebras torácicas posteriores à cavidade 
torácica 
•5 vértebras lombares que sustentam a parte 
inferior da coluna 
•1 sacro que consiste em 5 vértebras sacrais 
fundidas 
•1 cóccix que, em geral, é composto por 4 vértebras 
coccígeas fundidas. 
As vértebras cervicais, torácicas e lombares são 
móveis, mas as sacrais e o coccígeas, não. 
Os corpos das vértebras cervicais (C I a C VII) são 
menores que os das outras vértebras, exceto 
aquelas que formam o cóccix. Todas as vértebras 
cervicais apresentam três forames: um forame 
vertebral e dois forames transversos. Os 
forames vertebrais das vértebras cervicais são 
os mais largos da coluna espinal porque alojam 
a intumescência cervical da medula espinal. 
Cada processo transverso cervical contém um 
forame transversário, através do qual passam a 
artéria vertebral e sua veia acompanhante, além 
de fibras nervosas. 
 
 
As duas primeiras vértebras cervicais são 
consideravelmente diferentes das outras. O atlas 
(C I), uma referência à figura mitológica de Atlas, 
que sustentava o mundo nos ombros, é a primeira 
vértebra cervical abaixo do crânio. O atlas é um 
anel ósseo com arco anterior e arco posterior e 
grandes massas laterais. Não apresenta corpo 
nem processo espinhoso. As superfícies 
superiores das massas laterais, chamadas faces 
articulares superiores, são côncavas e se 
articulam com os côndilos occipitais do occipital 
para formar o par de articulações 
atlantoccipitais. Essas articulações possibilitam o 
movimento de anuência. As superfícies inferiores 
das massas laterais, as faces articulares inferiores, 
se articulam com a segunda vértebra cervical. Os 
processos transversos e os forames transversos do 
atlas são bastante grandes. 
A segunda vértebra cervical (C II), o áxis, apresenta 
corpo vertebral. Um processo chamado dente ou 
processo odontoide se projeta superiormente 
pela porção anterior do forame vertebral do 
atlas. O dente serve de eixo em torno do qual a 
cabeça faz rotação. Esse arranjo possibilita o 
movimento lateral da cabeça, como quando se quer 
fazer o sinal de “não”. A articulação formada entre 
o arco anterior do atlas e o dente do áxis, e entre 
suas faces articulares, é chamada de articulação 
atlantoaxial. 
 
 
As vértebras torácicas são consideravelmente 
maiores e mais fortes que as vértebras cervicais. 
Além disso, os processos espinhosos de T I a T X 
são longos, achatados lateralmente e direcionados 
para baixo. 
As vértebras lombares (L I a LV) são os maiores 
e mais resistentes ossos não fundidos da coluna 
vertebral, porque a quantidade de peso corporal 
sustentada pelas vértebras aumenta em direção 
à extremidade inferior da coluna vertebral. Suas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
várias projeções são curtas e espessas. Os 
processos articulares superiores se dirigem medial 
e não superiormente e os processos articulares 
inferiores se direcionam lateral e não 
inferiormente. Os processos espinhosos têm 
forma quadrilátera, são espessos e largos e se 
projetam quase em linha reta posteriormente. 
Os processos espinhosos são bem adaptados para a 
fixação dos grandes músculos vertebrais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ligamentos da coluna 
A coluna vertebral não se autossustenta e é mantida 
em posição por um elaborado sistema de suportes, 
propiciado por diversos ligamentos do dorso e 
músculos do tronco. Os principais ligamentos de 
suporte são os ligamentos longitudinais 
anteriores e posteriores que correm ao longo das 
superfícies anterior e posterior dos corpos das 
vértebras, desde o pescoço até o sacro. O 
ligamento longitudinal anterior é amplo e fixa-
se bem tanto às vértebras ósseas como aos discos 
intervertebrais. No decorrer de sua função de 
apoio, esse ligamento anterior espesso impede a 
hiperextensão do tronco (flexão muito longa para 
trás). O ligamento longitudinal posterior, que é 
estreito e relativamente fraco, fixa-se apenas aos 
discos intervertebrais. Esse ligamento ajuda a 
evitar a hiperflexão (flexão muito longa da coluna 
vertebral para a frente). 
Músculos do dorso 
Os músculos do dorso são anatomicamente 
divididos em uma camada superficial (extrínsecos) 
e uma camada profunda (intrínsecos). 
Os músculos extrínsecos do dorso estão localizados 
nas costas, mas agem produzindo movimentos nos 
ombros e ajudando na respiração. 
 
Os músculos intrínsecos do dorso são encontrados 
mais profundamente em relação aos extrínsecos, 
separados deles pela fáscia toracolombar. Eles 
agem exclusivamente nas articulações da coluna 
vertebral. 
 
Raízes nervosas 
As raízes nervosas espinhais dorsal e ventral são 
formadas a partir de radículas que emergem da 
medula espinhal. As raízes dorsais fornecem 
informações sensoriais aferentes, e as raízes 
ventrais contêm fibras eferentes que atendem à 
função motora. 
Os gânglios da raiz dorsal estão localizados nas 
raízes nervosas dorsais, geralmente no forame 
intervertebral, fora da camada dural espinhal. 
Contêm os corpos celulares das fibras nervosas 
sensoriais que se estendem distalmente no braço. 
Há uma tendência de os gânglios da raiz dorsal na 
coluna cervical superior (isto é, C4 e C5) estarem 
localizados mais próximos da medula espinhal do 
que na coluna cervical inferior (isto é, C7 e C8); no 
entanto, também há variação individual. As raízes 
dorsal e ventral se fundem para formar o nervo 
espinhal no forame intervertebral. Os ramos dorsais 
viajam posteriormente em torno das articulações 
interpedunculares e se dividem em ramos motores 
laterais e sensoriais mediais que suprem os 
músculos e a pele da nuca. O ramo dorsal de C1 
inerva os músculos profundos do pescoço e não tem 
uma distribuição sensorial. O ramo dorsal de C2 
viaja superiormente para formar o nervo occipital 
maior. Os ramos ventrais continuam lateralmente 
ao longo dos processos transversos, passando 
imediatamente atrás das artérias vertebrais e entre 
os músculos escalenos. Os ramos ventrais 
originários dos nervos espinhais C1 a C4 formam o 
plexo cervical. As raízes nervosas cervicais saem 
pelo forame intervertebral acima do corpo vertebral 
correspondente. Por exemplo, a raiz nervosa C7 sai 
pelo forame intervertebral C6 e C7. 
Dermátomo 
As células de um somito, que surgem no período 
embrionário, se diferenciam em três regiões: (1) 
um miótomo, que forma os músculos esqueléticos 
da cabeça, pescoço e membros; (2) um 
dermátomo, que forma os tecidos conjuntivos, 
incluindo a derme da pele e (3) um esclerótomo, 
que dá origem às vértebras. Dermátomo é uma 
área da pele em que todos os nervos sensoriais 
vêm de uma única raiz nervosa. Os nervos 
sensoriais transportam informações sobre 
sensações como tato, dor, temperatura e vibração 
desde a pele até a medula espinhal. 
Resumindo, os miótomos são responsáveis pelo 
movimento de flexão, extensão, adução e abdução, 
dos grupos musculares, de acordo com a sua 
localização, enquanto que os dermátomos estão 
relacionados com alterações da sensibilidade. 
 
 
Causas das dores cervicais e lombares 
• CERVICALGIA E LOMBALGIA: A 
cervicalgia e a lombalgia podemser 
classificadas quanto à sua duração em aguda 
(menos de 1 mês e que na maioria das vezes é 
autolimitada e se resolve mesmo sem 
tratamento). Crônica (3 meses), que 
normalmente necessitam de abordagem 
especializada; e subaguda (entre 1 mês e 3 
meses de evolução). A maioria dos pacientes 
apresenta a causa musculoesquelética para o 
aparecimento dos sintomas, como uma 
contratura muscular e alteração de ligamento. 
Região cervical: A coluna cervical é composta por 
7 vértebras, separadas entre si por discos 
intervertebrais, que garantem suporte e 
mobilidade. Os locais mais comuns que 
apresentam alterações degenerativas estão entre 
C4 e C7, por onde passam as raízes nervosas C5, 
C6 e C7 pelo forame intervertebral. A coluna 
cervical possui uma lordose superficial, que pode 
ser diminuída (ou até revertida) em pacientes com 
alterações degenerativas. 
Entre C3 e C7 há articulações não vertebrais, 
localizadas na borda posterolateral do disco 
intervertebral e na porção anteromedial do forame 
intervertebral. Essas articulações podem sofrer 
hipertrofia e em associação com a degeneração do 
disco, resulta no estreitamento do forame, causa 
comum de radiculopatia cervical. O músculo 
cervical e trapézio têm a função de apoiar e 
fornecer movimento e alinhamento da cabeça e 
pescoço, além de proteger a medula espinhal e os 
nervos espinhais do estresse mecânico. Existem 8 
nervos espinhais, cada um composto por uma raiz 
ventral e outra dorsal; a raiz ventral contém fibras 
eferentes dos neurônios motores no corno ventral 
da medula; já a raiz dorsal contém fibras aferentes 
sensoriais primárias das células no gânglio da raiz 
dorsal. Após a junção das raízes, o nervo espinhal 
se divide em 2 ramos: ramo dorsal, que inerva 
músculos, pele e articulações do pescoço posterior; 
e o ramo ventral, que inerva os músculos pré-
vertebrais e paravertebrais e forma o plexo 
braquial. 
Região lombar: Possui articulações que 
concentram as forças dos impactos traumáticos. 
Possui uma ligeira curvatura, formando a lordose 
lombar. A medula espinhal termina no cone 
medular dentro do canal espinhal lombar, ao nível 
de T12 e L2. Todas as raízes dos nervos espinhais 
lombares e sacrais são constituídas no nível 
vertebral T10 a L1; essas raízes então percorrem o 
canal intraespinhal, formando a cauda equina, até 
que saiam por seus respectivos forames neurais. 
 Fatores de risco 
A lombalgia apresenta alguns fatores de risco, 
como tabagismo, obesidade, idade avançada, sexo 
feminino, trabalho físico extenuante, trabalho 
sedentário, além de fatores psicológicos como 
desordem de somatização, ansiedade e depressão. 
A possibilidade de diagnósticos diferenciais de 
cervicalgia e lombalgia em adultos é ampla, porém 
a maioria dos casos é secundário a problemas 
musculoesqueléticos, como tensão muscular, 
espondilose e dor discogênica. 
 Causas Principais 
Causas musculoesqueléticas 
• Tensão muscular: apresenta-se com dor e/ou 
rigidez no movimento; pode não ter um fator 
precipitante claro, mas muitas vezes está 
relacionada à postura e posição do sono; ao exame 
físico, apresenta desconforto à palpação dos 
músculos do pescoço e trapézio. Pode persistir até 
6 semanas e seu diagnóstico é clínico, sendo a 
imagem desnecessária. 
• Espondilose vertebral: corresponde a alterações 
degenerativas da coluna, com aparecimento de 
osteófitos (“bico de papagaio”) ao longo dos corpos 
vertebrais, que podem comprimir ou não estruturas 
nervosas (ou seja, podem levar à radiculopatia); 
porém, normalmente as alterações degenerativas 
são achadas em pacientes assintomáticos. 
• Lesões cervicais: ocorrem mais frequentemente 
após colisões de veículos; apresentam dor e/ou 
rigidez no movimento do pescoço após lesão 
abrupta do tipo extensão-flexão; pode estar 
associada a outros sintomas como cefaleia, dor no 
ombro, tonturas, parestesias e fadiga; ao exame 
físico, apresenta diminuição da amplitude de 
movimento associada ao espasmo do pescoço; seu 
diagnóstico é clínico e a maior parte apresenta dor 
persistente e de baixa intensidade, não necessitando 
de imagens. 
• Discopatia degenerativa: proeminência do disco 
intervertebral, podendo comprimir o canal 
medular, mas está presente em muitos indivíduos 
assintomáticos; apresenta dor e/ou rigidez no 
movimento e é exacerbada por posições contínuas 
como dirigir, ler e sentar; sintomas radiculares 
podem estar presentes; apresenta dor e redução de 
amplitude ao movimento; o diagnóstico é clínico, 
mas pode ter suporte da RM mostrando hipo-
hidratação do disco e fissura do ângulo fibroso, por 
exemplo. 
• Síndrome de dor miofascial: quadro muscular 
peculiar, com dor profunda associada à queimação, 
geralmente localizada (um lado do pescoço); 
apresenta sensibilidade à pressão e podem haver 
cordões de tensão (espessamentos musculares), 
com pontos gatilhos (trigger points). 
Radiculopatia/ mielopatia 
• Radiculopatia: consiste na disfunção da raiz do 
nervo espinhal, na maioria das vezes (70-90%) 
causadas por alterações degenerativas da coluna, 
como a estenose do forame cervical e hérnia de 
disco; apresenta dor, dormência e/ou formigamento 
com uma distribuição dermatomal e/ou fraqueza no 
membro superior ou inferior (se cervical ou lombar, 
respectivamente); consiste em uma dor irradiada – 
quando no membro inferior, chamada de dor 
“ciática”; ao exame físico, encontra-se 
sensibilidade alterada, reflexos motores diminuídos 
e/ou força reduzida no membro; a ressonância 
magnética da coluna vertebral (ou mielograma pela 
TC) demonstra a compressão da raiz nervosa, 
porém o diagnóstico pode ser feito clinicamente. 
As radiografias simples da coluna cervical e lombar 
raramente têm valor diagnóstico no cenário da 
radiculopatias não traumáticas. Isso porque os 
sintomas radiculares geralmente se devem ao 
impacto de partes moles em uma raiz nervosa, e o 
tecido mole não é bem visualizado pela radiografia. 
• Mielopatia espondilótica: disfunção medular 
causada por alterações degenerativas que estreitam 
o canal espinhal, mas pode ter origem um massas 
tumorais ou abscessos; os pacientes podem 
apresentar fraqueza nos membros inferiores, 
dificuldades na marcha ou coordenação e disfunção 
intestinal ou da bexiga; ao exame físico, podem 
estar presentes sinais neurológicos forais em 
membros superior e/ou inferior; o diagnóstico deve 
ser confirmado com a ressonância magnética 
evidenciando estreitamento do canal medular 
cervical e anormalidade do sinal. 
Causas não espinhais 
• Doença arterial coronariana: precordialgia com 
irradiação no pescoço, com piora aos esforços; 
apresenta exame físico do pescoço sem alterações. 
• Infecção (osteomielite, abscesso faríngeo, 
meningite): devem ser suspeitados se o paciente 
apresentar clínica de infecção, associada a 
alterações laboratoriais como leucocitose e 
elevação dos marcadores inflamatórios; nesses 
casos, se meningite for considerada uma suspeita, 
realizar a punção lombar para estudo do LCR; 
apresenta-se com associação de febre e outros 
sinais que variam conforme a natureza da infecção. 
As causas infecciosas são pouco frequentes. A dor 
lombar pode estar relacionada a diferentes agentes 
etiológicos, como staphylococcus aureus. A 
suspeita deve ser aventada sempre que houver dor 
persistente, presente no repouso e piorando aos 
movimentos, associada ou não à febre. No geral, a 
infecção da vértebra ocorre por disseminação 
hematogênica de outro foco, geralmente 
geniturinário, cutâneo ou respiratório. Outras 
etiologias possíveis são a brucelose, sendo 
extremamente rara, observada em trabalhadores 
que manipulam carnes e a tuberculose, cursando 
com o chamado Mal de Pott. 
• Malignidade (doença metastática da coluna 
cervical): perda ponderal, história prévia de câncer; 
ao exame físico, sensibilidade localizada à 
palpação dacoluna. 
• Cefaleia tensional: cefaleia associada à dor 
cervical, sem outros sintomas neurológicos; ao 
exame, apresenta sensibilidade à palpação do couro 
cabeludo e/ ou pescoço. 
• Polimialgia reumática: dor e rigidez matinal nos 
ombros, quadril, pescoço e tronco; ao exame, 
diminuição da amplitude de movimentos, com 
força muscular normal. 
• Fibromialgia: dor musculoesquelética difusa, 
associada à fadiga; apresenta múltiplos pontos 
sensíveis em tecidos moles, sem evidência de 
inflamação articular ou muscular. 
• Condições vasculares (dissecção de artéria 
vertebral, carótida ou aorta): sintomas de isquemia 
cerebral, como déficits motores e/ou sensoriais 
agudos. 
• Etiologias viscerais: no caso da lombalgia, 
alguns diagnósticos diferenciais devem ser 
considerados, como pancreatite, nefrolitíase, 
pielonefrite, aneurisma da aorta abdominal ou 
herpes-zóster, porém nesses casos os pacientes 
apresentam outros sintomas associados. 
• Metabólicas: Dentre as causas metabólicas, as 
mais frequentes são: osteoporose, osteomalácia e 
hiperparatireoidismo. Além disso, a presença de 
calcificações discais nos exames de imagem 
precisa servir de alerta, pois pode estar relacionada 
à presença de doenças metabólicas subjacentes, 
como: doença por depósito de pirofosfato de cálcio, 
ocronose e hemocromatose. 
• Trauma: Colisões de automóveis são 
responsáveis pela grande maioria das lesões de 
partes moles na coluna cervical, sendo que o 
trauma “em chicote” compreende 50% das lesões, 
podendo estar associado à lesão medular ou de raiz 
nervosa. Estudos experimentais demonstram que 
durante esse tipo de trauma ocorrem movimentos 
de hiperextensão e flexão extremamente rápidos, 
não permitindo que os reflexos musculares normais 
de proteção possam ser desencadeados. Embora 
haja evidência de que em grande parte das lesões, 
no trauma “em chicote”, ocorra um mecanismo de 
hiperextensão, existe significativo mecanismo de 
flexão envolvido nesse trauma, o qual pode 
contribuir para a instabilidade. Durante o 
mecanismo de flexão do trauma “em chicote”, as 
estruturas posteriores são submetidas a forças de 
tensão e as estruturas anteriores, a forças de 
compressão. Essas forças geralmente são 
suficientes para provocar fratura, ruptura 
ligamentar e distal em uma unidade funcional 
vertebral, condição também descrita como 
instabilidade cervical e que pode produzir 
alterações nas relações anatômicas normais entre as 
estruturas ósseas da coluna cervical. 
Exame Clínico e diagnóstico 
A avaliação do paciente com cervicalgia inicia-se 
na exclusão de condições graves, que podem exigir 
intervenção. Dessa forma, deve-se pesquisar os 
sinais de alerta, que guiarão a avaliação 
diagnóstica. São sinais de alerta em paciente com 
cervicalgia: trauma cervical grave recente 
(possibilidade de fratura); sinais ou sintomas 
neurológicos que sugerem origem medular 
(fraqueza, dificuldade de marcha, disfunção 
intestinal ou de bexiga); sinais neurológicos focais; 
parestesia tipo choque; febre ou calafrios; história 
de uso de drogas injetáveis; imunossupressão; uso 
crônico de glicocorticoide (atentar para 
possibilidade de fraturas vertebrais, principalmente 
em idosos); sinal de Lhermitte (sensação de choque 
na coluna ao fletir o pescoço); perda de peso 
inexplicável; história de câncer; dor em pescoço 
anterior (sugestivo de causa não espinhal); e dor 
que se prolonga por mais de 6 semanas. Paciente 
com sinais de alerta geralmente necessitam de 
avaliação urgente, com exames de imagem e/ou 
testes com base na suspeita clínica (como exames 
laboratoriais, culturas e eletrocardiograma). Em 
pacientes sem sinais de alerta, a avaliação deve 
incluir a história detalhada, exame físico, avaliação 
neurológica e a avaliação de sinais ou sintomas 
radiculares (utilizando manobras). 
A história deve incluir as características da dor, 
como início, duração, irradiação, fatores de 
melhora ou piora, sintomas associados, além do 
grau de limitação da atividade por conta da dor. O 
exame físico deve incluir observação do 
movimento, verificando a amplitude da 
movimentação para flexão, extensão e 
lateralização; inspeção da postura; palpação dos 
músculos trapézio e paravertebrais para determinar 
o grau de sensibilidade e espasmo. 
Exame físico cervical: 
Inspeção (avaliar a presença de curvaturas 
anormais, como sifose ou escoliose, acentuação ou 
perda da lordose fisiológica com a retificação da 
coluna cervical ou lombar e avalia também a 
presença de tumorações, edema e atrofias). 
Palpação (Exame da protuberância occipital, 
processo mastóideo, processos espinhosos e 
processos articulares das vértebras, a apófise 
posterior da vértebra C7 serve de referência) 
Movimentos da coluna cervical (Avalia a flexão, 
extensão, rotação lateral, inclinação lateral). 
Reflexos 
▪ Bicipital: integridade de C5 
▪ Braquirradial: integridade de C6 
▪ Tricipital: integridade de C7 
 
 
 
 
 
 
 
Testes específicos: 
1. Teste de compressão cervical: o examinador 
deve se posicionar atrás do paciente sentado, 
entrelaçar os dedos e comprimir com força 
axial o topo da cabeça do paciente. O teste serve 
para auxiliar o diagnóstico de compressão da 
raiz nervosa em nível cervical. 
2. Teste de Spurling: o examinador exerce uma 
compressão vertical sobre a cabeça do paciente, 
que permanece sentado com a cabeça inclinada 
para o lado afetado. Exacerbação dos sintomas 
com dor irradiada para o membro superior 
sugere compressão das raízes nervosas 
cervicais. 
3. Teste da distração da coluna cervical (pescoço): 
Realizado com o paciente sentado. É necessário 
se posicionar atrás do paciente, colocando as 
mãos perto do ângulo da mandíbula e os 
polegares o mais próximo possível ao mento, e 
realizar tração na cabeça. (É positivo se há 
alívio de sintomas e serve para avaliar se a 
radiculopatia cervical contribui para os 
sintomas apresentados pelo paciente) 
4. Manobra de Valsalva: Solicita-se que o paciente 
coloque o dorso da mão na boca e assopre, a fim 
de aumentar a pressão intratorácica. Se dor no 
membro superior, pode ser condizente com 
patologias compressivas, como hérnia discal ou 
tumorações. (porém é inespecífica) 
Exame físico lombar 
Inspeção (Avalia-se a marcha, postura, presença de 
curvaturas anormais, acentuação da lordose ou 
perda da lordose fisiológica, com a retificação da 
coluna cervical ou lombar. Avalia também a 
presença de tumorações, edema e atrofias) 
Palpação (Palpa-se os músculos, os processos 
espinhosos e os espaços intervertebrais) 
Movimentos da coluna cervical (Avalia a flexão, 
extensão, rotação direita e esquerda e lateralidade). 
 
 
Reflexos 
▪ Patelar: integridade de L4 
▪ Aquileu: integridade de S1 
 
Testes específicos 
▪ Sinal de Lasegue: Elevação do membro inferior 
estendido sobre a bacia, manobra que acarreta 
estiramento do nervo ciático. Se houver 
compressão, ocorre dor no trajeto do referido nervo 
em até 60°. 
▪ Sinal de Bragard: dorsiflexão do pé quando o 
membro estiver elevado, provocando exacerbação 
da dor. 
▪ Teste de Fabere: o paciente, em decúbito dorsal, 
realiza abdução do quadril, flexão e rotação externa 
com o tornozelo sobre o joelho oposto. O 
examinador, com uma das mãos localizada sobre o 
joelho e a outra sobre a crista ilíaca contralateral, 
exerce pressão contra a mesa. Dor referida na 
região sacroilíaca posterior indica patologia dessa 
articulação. Dor referida na região inguinal 
ipsilateral pode ser consequência de doença no 
quadril. 
▪ Teste de Schober: O paciente permanece em 
posição ortostática e a sua coluna é marcada com 
uma caneta, tendo como ponto de referência a 
espinha ilíaca posterossuperior. Um segundo ponto 
é mensurado 10 cm acima. Solicitase que o 
paciente flexione o tronco na tentativa de tocar o 
chão. Nessa posição é mensurada a distânciaentre 
os pontos marcados. A medida na pele deve 
aumentar cerca de 5 cm. O teste é positivo se 
mobilidade menor que 5 cm. 
Tipos de dor: 
■ O principal ritmo na dor cervical é o ritmo 
mecânico: dor que piora com o movimento (e ao 
longo do dia) ou com posturas prolongadamente 
mantidas e melhora com o repouso. 
■ A identificação de um ritmo não mecânico 
levanta a suspeita de causas inflamatórias e 
infecciosas. 
■ Dor discal – é tipicamente uma dor lombar baixa 
que se exacerba com a posição ereta mantida e, 
principalmente, sentada, podendo piorar com a 
flexão (Dor axial), acometendo pacientes mais 
jovens, entre a terceira e quinta décadas de vida; 
■ Dor facetaria – costuma apresentar piora com 
movimentos de extensão. Normalmente, acomete 
pacientes com idades mais avançadas, da sexta 
década em diante. 
■ Dores relacionadas com neoplasias – as dores 
noturnas ou que não melhoram com repouso devem 
alertar para neoplasias. 
Quando os exames de imagem devem ser 
solicitados? Nos casos de doentes com lesão 
neurológica; diante suspeita clínica de uma 
lombalgia específica; sintomatologia arrastada e 
nos casos de tratamento ineficaz. Nesses casos 
solicita uma Tomografia ou Ressonância 
Magnética, porém são exames bastante 
inespecíficos) 
Métodos terapêuticos 
• Não Farmacológicos: 
A terapia não farmacológica é baseada em 
mudanças comportamentais, como perda de peso, 
prática de exercício físico, fisioterapia e medidas 
terapêuticas como: terapia cognitivo-
comportamental, acupuntura e outas. Como dito 
anteriormente, o repouso deve ser 
desencorajado, e os pacientes devem 
ser orientados a manter suas atividades 
rotineiras, o que leva a recuperação 
mais rápida e menor incapacidade a 
longo prazo. 
 
 
 
 
 
• Farmacológicos: 
Cerca de 90% das lombalgias melhoram 
espontaneamente, sem qualquer intervenção, em 
um período de 30 dias. No entanto, é comum a 
prescrição de medicamentos, como os anti-
inflamatórios não-esteroidais. O tratamento 
sintomático deve seguir a escala de dor, de maneira 
escalonada, assim, é muito importante ponderar os 
possíveis efeitos colaterais, fazendo uma análise do 
risco-benefício. Ademais, o tratamento deve ser 
dirigido à etiologia. Logo, causas infecciosas 
devem ser tratadas com uso de antibióticos; as 
inflamatórias, com corticoides; e as sistêmicas 
serão tratadas segundo suas recomendações. Ainda, 
é digno de nota que os antidepressivos - geralmente 
os tricíclicos - estão entre as medicações mais 
utilizadas no tratamento da lombalgia crônica 
inespecífica, associada ou não à depressão. 
⇨ Anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) 
atuam inibindo a síntese de prostaglandinas, sendo 
que essas moléculas atuam na resposta 
inflamatória, aumentando a permeabilidade capilar, 
atraem macrófagos e sensibilizam terminações 
nervosas, provocando dor no local. Com isso, os 
AINES atuam diretamente gerando um efeito anti-
inflamatório, analgésico e antipiréticos. 
⇨ Anti-inflamatórios esteroidais (AIES): Os 
glicocorticoides atuam na inibição das COXs, 
fazendo com que os genes de transcrição destas 
enzimas não sejam expressos, suprimindo assim a 
produção de prostaglandinas, por exemplo, e isso 
acontece através de ligações intracelulares.

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