Prévia do material em texto
APG 01 – Dores tecnológicas Objetivos • Revisar a anatomofisiologia da coluna cervical e lombar. • Entender as principais causas de dor cervical e lombar. (frisando os diagnósticos diferenciais e traumas) • Conhecer os principais testes clínicos na avaliação lombar e cervical. • Conhecer os métodos terapêuticos farmacológicos e não farmacológicos no tratamento das dores cervicais e lombares. Coluna cervical e lombar O número total de vértebras durante o desenvolvimento inicial é de 33. Conforme a criança vai crescendo, várias vértebras nas regiões sacral e coccígea se fundem. Em consequência disso, a coluna vertebral adulta normalmente possui 26 vértebras, distribuídas da seguinte maneira: •7 vértebras cervicais na região do pescoço •12 vértebras torácicas posteriores à cavidade torácica •5 vértebras lombares que sustentam a parte inferior da coluna •1 sacro que consiste em 5 vértebras sacrais fundidas •1 cóccix que, em geral, é composto por 4 vértebras coccígeas fundidas. As vértebras cervicais, torácicas e lombares são móveis, mas as sacrais e o coccígeas, não. Os corpos das vértebras cervicais (C I a C VII) são menores que os das outras vértebras, exceto aquelas que formam o cóccix. Todas as vértebras cervicais apresentam três forames: um forame vertebral e dois forames transversos. Os forames vertebrais das vértebras cervicais são os mais largos da coluna espinal porque alojam a intumescência cervical da medula espinal. Cada processo transverso cervical contém um forame transversário, através do qual passam a artéria vertebral e sua veia acompanhante, além de fibras nervosas. As duas primeiras vértebras cervicais são consideravelmente diferentes das outras. O atlas (C I), uma referência à figura mitológica de Atlas, que sustentava o mundo nos ombros, é a primeira vértebra cervical abaixo do crânio. O atlas é um anel ósseo com arco anterior e arco posterior e grandes massas laterais. Não apresenta corpo nem processo espinhoso. As superfícies superiores das massas laterais, chamadas faces articulares superiores, são côncavas e se articulam com os côndilos occipitais do occipital para formar o par de articulações atlantoccipitais. Essas articulações possibilitam o movimento de anuência. As superfícies inferiores das massas laterais, as faces articulares inferiores, se articulam com a segunda vértebra cervical. Os processos transversos e os forames transversos do atlas são bastante grandes. A segunda vértebra cervical (C II), o áxis, apresenta corpo vertebral. Um processo chamado dente ou processo odontoide se projeta superiormente pela porção anterior do forame vertebral do atlas. O dente serve de eixo em torno do qual a cabeça faz rotação. Esse arranjo possibilita o movimento lateral da cabeça, como quando se quer fazer o sinal de “não”. A articulação formada entre o arco anterior do atlas e o dente do áxis, e entre suas faces articulares, é chamada de articulação atlantoaxial. As vértebras torácicas são consideravelmente maiores e mais fortes que as vértebras cervicais. Além disso, os processos espinhosos de T I a T X são longos, achatados lateralmente e direcionados para baixo. As vértebras lombares (L I a LV) são os maiores e mais resistentes ossos não fundidos da coluna vertebral, porque a quantidade de peso corporal sustentada pelas vértebras aumenta em direção à extremidade inferior da coluna vertebral. Suas várias projeções são curtas e espessas. Os processos articulares superiores se dirigem medial e não superiormente e os processos articulares inferiores se direcionam lateral e não inferiormente. Os processos espinhosos têm forma quadrilátera, são espessos e largos e se projetam quase em linha reta posteriormente. Os processos espinhosos são bem adaptados para a fixação dos grandes músculos vertebrais. Ligamentos da coluna A coluna vertebral não se autossustenta e é mantida em posição por um elaborado sistema de suportes, propiciado por diversos ligamentos do dorso e músculos do tronco. Os principais ligamentos de suporte são os ligamentos longitudinais anteriores e posteriores que correm ao longo das superfícies anterior e posterior dos corpos das vértebras, desde o pescoço até o sacro. O ligamento longitudinal anterior é amplo e fixa- se bem tanto às vértebras ósseas como aos discos intervertebrais. No decorrer de sua função de apoio, esse ligamento anterior espesso impede a hiperextensão do tronco (flexão muito longa para trás). O ligamento longitudinal posterior, que é estreito e relativamente fraco, fixa-se apenas aos discos intervertebrais. Esse ligamento ajuda a evitar a hiperflexão (flexão muito longa da coluna vertebral para a frente). Músculos do dorso Os músculos do dorso são anatomicamente divididos em uma camada superficial (extrínsecos) e uma camada profunda (intrínsecos). Os músculos extrínsecos do dorso estão localizados nas costas, mas agem produzindo movimentos nos ombros e ajudando na respiração. Os músculos intrínsecos do dorso são encontrados mais profundamente em relação aos extrínsecos, separados deles pela fáscia toracolombar. Eles agem exclusivamente nas articulações da coluna vertebral. Raízes nervosas As raízes nervosas espinhais dorsal e ventral são formadas a partir de radículas que emergem da medula espinhal. As raízes dorsais fornecem informações sensoriais aferentes, e as raízes ventrais contêm fibras eferentes que atendem à função motora. Os gânglios da raiz dorsal estão localizados nas raízes nervosas dorsais, geralmente no forame intervertebral, fora da camada dural espinhal. Contêm os corpos celulares das fibras nervosas sensoriais que se estendem distalmente no braço. Há uma tendência de os gânglios da raiz dorsal na coluna cervical superior (isto é, C4 e C5) estarem localizados mais próximos da medula espinhal do que na coluna cervical inferior (isto é, C7 e C8); no entanto, também há variação individual. As raízes dorsal e ventral se fundem para formar o nervo espinhal no forame intervertebral. Os ramos dorsais viajam posteriormente em torno das articulações interpedunculares e se dividem em ramos motores laterais e sensoriais mediais que suprem os músculos e a pele da nuca. O ramo dorsal de C1 inerva os músculos profundos do pescoço e não tem uma distribuição sensorial. O ramo dorsal de C2 viaja superiormente para formar o nervo occipital maior. Os ramos ventrais continuam lateralmente ao longo dos processos transversos, passando imediatamente atrás das artérias vertebrais e entre os músculos escalenos. Os ramos ventrais originários dos nervos espinhais C1 a C4 formam o plexo cervical. As raízes nervosas cervicais saem pelo forame intervertebral acima do corpo vertebral correspondente. Por exemplo, a raiz nervosa C7 sai pelo forame intervertebral C6 e C7. Dermátomo As células de um somito, que surgem no período embrionário, se diferenciam em três regiões: (1) um miótomo, que forma os músculos esqueléticos da cabeça, pescoço e membros; (2) um dermátomo, que forma os tecidos conjuntivos, incluindo a derme da pele e (3) um esclerótomo, que dá origem às vértebras. Dermátomo é uma área da pele em que todos os nervos sensoriais vêm de uma única raiz nervosa. Os nervos sensoriais transportam informações sobre sensações como tato, dor, temperatura e vibração desde a pele até a medula espinhal. Resumindo, os miótomos são responsáveis pelo movimento de flexão, extensão, adução e abdução, dos grupos musculares, de acordo com a sua localização, enquanto que os dermátomos estão relacionados com alterações da sensibilidade. Causas das dores cervicais e lombares • CERVICALGIA E LOMBALGIA: A cervicalgia e a lombalgia podemser classificadas quanto à sua duração em aguda (menos de 1 mês e que na maioria das vezes é autolimitada e se resolve mesmo sem tratamento). Crônica (3 meses), que normalmente necessitam de abordagem especializada; e subaguda (entre 1 mês e 3 meses de evolução). A maioria dos pacientes apresenta a causa musculoesquelética para o aparecimento dos sintomas, como uma contratura muscular e alteração de ligamento. Região cervical: A coluna cervical é composta por 7 vértebras, separadas entre si por discos intervertebrais, que garantem suporte e mobilidade. Os locais mais comuns que apresentam alterações degenerativas estão entre C4 e C7, por onde passam as raízes nervosas C5, C6 e C7 pelo forame intervertebral. A coluna cervical possui uma lordose superficial, que pode ser diminuída (ou até revertida) em pacientes com alterações degenerativas. Entre C3 e C7 há articulações não vertebrais, localizadas na borda posterolateral do disco intervertebral e na porção anteromedial do forame intervertebral. Essas articulações podem sofrer hipertrofia e em associação com a degeneração do disco, resulta no estreitamento do forame, causa comum de radiculopatia cervical. O músculo cervical e trapézio têm a função de apoiar e fornecer movimento e alinhamento da cabeça e pescoço, além de proteger a medula espinhal e os nervos espinhais do estresse mecânico. Existem 8 nervos espinhais, cada um composto por uma raiz ventral e outra dorsal; a raiz ventral contém fibras eferentes dos neurônios motores no corno ventral da medula; já a raiz dorsal contém fibras aferentes sensoriais primárias das células no gânglio da raiz dorsal. Após a junção das raízes, o nervo espinhal se divide em 2 ramos: ramo dorsal, que inerva músculos, pele e articulações do pescoço posterior; e o ramo ventral, que inerva os músculos pré- vertebrais e paravertebrais e forma o plexo braquial. Região lombar: Possui articulações que concentram as forças dos impactos traumáticos. Possui uma ligeira curvatura, formando a lordose lombar. A medula espinhal termina no cone medular dentro do canal espinhal lombar, ao nível de T12 e L2. Todas as raízes dos nervos espinhais lombares e sacrais são constituídas no nível vertebral T10 a L1; essas raízes então percorrem o canal intraespinhal, formando a cauda equina, até que saiam por seus respectivos forames neurais. Fatores de risco A lombalgia apresenta alguns fatores de risco, como tabagismo, obesidade, idade avançada, sexo feminino, trabalho físico extenuante, trabalho sedentário, além de fatores psicológicos como desordem de somatização, ansiedade e depressão. A possibilidade de diagnósticos diferenciais de cervicalgia e lombalgia em adultos é ampla, porém a maioria dos casos é secundário a problemas musculoesqueléticos, como tensão muscular, espondilose e dor discogênica. Causas Principais Causas musculoesqueléticas • Tensão muscular: apresenta-se com dor e/ou rigidez no movimento; pode não ter um fator precipitante claro, mas muitas vezes está relacionada à postura e posição do sono; ao exame físico, apresenta desconforto à palpação dos músculos do pescoço e trapézio. Pode persistir até 6 semanas e seu diagnóstico é clínico, sendo a imagem desnecessária. • Espondilose vertebral: corresponde a alterações degenerativas da coluna, com aparecimento de osteófitos (“bico de papagaio”) ao longo dos corpos vertebrais, que podem comprimir ou não estruturas nervosas (ou seja, podem levar à radiculopatia); porém, normalmente as alterações degenerativas são achadas em pacientes assintomáticos. • Lesões cervicais: ocorrem mais frequentemente após colisões de veículos; apresentam dor e/ou rigidez no movimento do pescoço após lesão abrupta do tipo extensão-flexão; pode estar associada a outros sintomas como cefaleia, dor no ombro, tonturas, parestesias e fadiga; ao exame físico, apresenta diminuição da amplitude de movimento associada ao espasmo do pescoço; seu diagnóstico é clínico e a maior parte apresenta dor persistente e de baixa intensidade, não necessitando de imagens. • Discopatia degenerativa: proeminência do disco intervertebral, podendo comprimir o canal medular, mas está presente em muitos indivíduos assintomáticos; apresenta dor e/ou rigidez no movimento e é exacerbada por posições contínuas como dirigir, ler e sentar; sintomas radiculares podem estar presentes; apresenta dor e redução de amplitude ao movimento; o diagnóstico é clínico, mas pode ter suporte da RM mostrando hipo- hidratação do disco e fissura do ângulo fibroso, por exemplo. • Síndrome de dor miofascial: quadro muscular peculiar, com dor profunda associada à queimação, geralmente localizada (um lado do pescoço); apresenta sensibilidade à pressão e podem haver cordões de tensão (espessamentos musculares), com pontos gatilhos (trigger points). Radiculopatia/ mielopatia • Radiculopatia: consiste na disfunção da raiz do nervo espinhal, na maioria das vezes (70-90%) causadas por alterações degenerativas da coluna, como a estenose do forame cervical e hérnia de disco; apresenta dor, dormência e/ou formigamento com uma distribuição dermatomal e/ou fraqueza no membro superior ou inferior (se cervical ou lombar, respectivamente); consiste em uma dor irradiada – quando no membro inferior, chamada de dor “ciática”; ao exame físico, encontra-se sensibilidade alterada, reflexos motores diminuídos e/ou força reduzida no membro; a ressonância magnética da coluna vertebral (ou mielograma pela TC) demonstra a compressão da raiz nervosa, porém o diagnóstico pode ser feito clinicamente. As radiografias simples da coluna cervical e lombar raramente têm valor diagnóstico no cenário da radiculopatias não traumáticas. Isso porque os sintomas radiculares geralmente se devem ao impacto de partes moles em uma raiz nervosa, e o tecido mole não é bem visualizado pela radiografia. • Mielopatia espondilótica: disfunção medular causada por alterações degenerativas que estreitam o canal espinhal, mas pode ter origem um massas tumorais ou abscessos; os pacientes podem apresentar fraqueza nos membros inferiores, dificuldades na marcha ou coordenação e disfunção intestinal ou da bexiga; ao exame físico, podem estar presentes sinais neurológicos forais em membros superior e/ou inferior; o diagnóstico deve ser confirmado com a ressonância magnética evidenciando estreitamento do canal medular cervical e anormalidade do sinal. Causas não espinhais • Doença arterial coronariana: precordialgia com irradiação no pescoço, com piora aos esforços; apresenta exame físico do pescoço sem alterações. • Infecção (osteomielite, abscesso faríngeo, meningite): devem ser suspeitados se o paciente apresentar clínica de infecção, associada a alterações laboratoriais como leucocitose e elevação dos marcadores inflamatórios; nesses casos, se meningite for considerada uma suspeita, realizar a punção lombar para estudo do LCR; apresenta-se com associação de febre e outros sinais que variam conforme a natureza da infecção. As causas infecciosas são pouco frequentes. A dor lombar pode estar relacionada a diferentes agentes etiológicos, como staphylococcus aureus. A suspeita deve ser aventada sempre que houver dor persistente, presente no repouso e piorando aos movimentos, associada ou não à febre. No geral, a infecção da vértebra ocorre por disseminação hematogênica de outro foco, geralmente geniturinário, cutâneo ou respiratório. Outras etiologias possíveis são a brucelose, sendo extremamente rara, observada em trabalhadores que manipulam carnes e a tuberculose, cursando com o chamado Mal de Pott. • Malignidade (doença metastática da coluna cervical): perda ponderal, história prévia de câncer; ao exame físico, sensibilidade localizada à palpação dacoluna. • Cefaleia tensional: cefaleia associada à dor cervical, sem outros sintomas neurológicos; ao exame, apresenta sensibilidade à palpação do couro cabeludo e/ ou pescoço. • Polimialgia reumática: dor e rigidez matinal nos ombros, quadril, pescoço e tronco; ao exame, diminuição da amplitude de movimentos, com força muscular normal. • Fibromialgia: dor musculoesquelética difusa, associada à fadiga; apresenta múltiplos pontos sensíveis em tecidos moles, sem evidência de inflamação articular ou muscular. • Condições vasculares (dissecção de artéria vertebral, carótida ou aorta): sintomas de isquemia cerebral, como déficits motores e/ou sensoriais agudos. • Etiologias viscerais: no caso da lombalgia, alguns diagnósticos diferenciais devem ser considerados, como pancreatite, nefrolitíase, pielonefrite, aneurisma da aorta abdominal ou herpes-zóster, porém nesses casos os pacientes apresentam outros sintomas associados. • Metabólicas: Dentre as causas metabólicas, as mais frequentes são: osteoporose, osteomalácia e hiperparatireoidismo. Além disso, a presença de calcificações discais nos exames de imagem precisa servir de alerta, pois pode estar relacionada à presença de doenças metabólicas subjacentes, como: doença por depósito de pirofosfato de cálcio, ocronose e hemocromatose. • Trauma: Colisões de automóveis são responsáveis pela grande maioria das lesões de partes moles na coluna cervical, sendo que o trauma “em chicote” compreende 50% das lesões, podendo estar associado à lesão medular ou de raiz nervosa. Estudos experimentais demonstram que durante esse tipo de trauma ocorrem movimentos de hiperextensão e flexão extremamente rápidos, não permitindo que os reflexos musculares normais de proteção possam ser desencadeados. Embora haja evidência de que em grande parte das lesões, no trauma “em chicote”, ocorra um mecanismo de hiperextensão, existe significativo mecanismo de flexão envolvido nesse trauma, o qual pode contribuir para a instabilidade. Durante o mecanismo de flexão do trauma “em chicote”, as estruturas posteriores são submetidas a forças de tensão e as estruturas anteriores, a forças de compressão. Essas forças geralmente são suficientes para provocar fratura, ruptura ligamentar e distal em uma unidade funcional vertebral, condição também descrita como instabilidade cervical e que pode produzir alterações nas relações anatômicas normais entre as estruturas ósseas da coluna cervical. Exame Clínico e diagnóstico A avaliação do paciente com cervicalgia inicia-se na exclusão de condições graves, que podem exigir intervenção. Dessa forma, deve-se pesquisar os sinais de alerta, que guiarão a avaliação diagnóstica. São sinais de alerta em paciente com cervicalgia: trauma cervical grave recente (possibilidade de fratura); sinais ou sintomas neurológicos que sugerem origem medular (fraqueza, dificuldade de marcha, disfunção intestinal ou de bexiga); sinais neurológicos focais; parestesia tipo choque; febre ou calafrios; história de uso de drogas injetáveis; imunossupressão; uso crônico de glicocorticoide (atentar para possibilidade de fraturas vertebrais, principalmente em idosos); sinal de Lhermitte (sensação de choque na coluna ao fletir o pescoço); perda de peso inexplicável; história de câncer; dor em pescoço anterior (sugestivo de causa não espinhal); e dor que se prolonga por mais de 6 semanas. Paciente com sinais de alerta geralmente necessitam de avaliação urgente, com exames de imagem e/ou testes com base na suspeita clínica (como exames laboratoriais, culturas e eletrocardiograma). Em pacientes sem sinais de alerta, a avaliação deve incluir a história detalhada, exame físico, avaliação neurológica e a avaliação de sinais ou sintomas radiculares (utilizando manobras). A história deve incluir as características da dor, como início, duração, irradiação, fatores de melhora ou piora, sintomas associados, além do grau de limitação da atividade por conta da dor. O exame físico deve incluir observação do movimento, verificando a amplitude da movimentação para flexão, extensão e lateralização; inspeção da postura; palpação dos músculos trapézio e paravertebrais para determinar o grau de sensibilidade e espasmo. Exame físico cervical: Inspeção (avaliar a presença de curvaturas anormais, como sifose ou escoliose, acentuação ou perda da lordose fisiológica com a retificação da coluna cervical ou lombar e avalia também a presença de tumorações, edema e atrofias). Palpação (Exame da protuberância occipital, processo mastóideo, processos espinhosos e processos articulares das vértebras, a apófise posterior da vértebra C7 serve de referência) Movimentos da coluna cervical (Avalia a flexão, extensão, rotação lateral, inclinação lateral). Reflexos ▪ Bicipital: integridade de C5 ▪ Braquirradial: integridade de C6 ▪ Tricipital: integridade de C7 Testes específicos: 1. Teste de compressão cervical: o examinador deve se posicionar atrás do paciente sentado, entrelaçar os dedos e comprimir com força axial o topo da cabeça do paciente. O teste serve para auxiliar o diagnóstico de compressão da raiz nervosa em nível cervical. 2. Teste de Spurling: o examinador exerce uma compressão vertical sobre a cabeça do paciente, que permanece sentado com a cabeça inclinada para o lado afetado. Exacerbação dos sintomas com dor irradiada para o membro superior sugere compressão das raízes nervosas cervicais. 3. Teste da distração da coluna cervical (pescoço): Realizado com o paciente sentado. É necessário se posicionar atrás do paciente, colocando as mãos perto do ângulo da mandíbula e os polegares o mais próximo possível ao mento, e realizar tração na cabeça. (É positivo se há alívio de sintomas e serve para avaliar se a radiculopatia cervical contribui para os sintomas apresentados pelo paciente) 4. Manobra de Valsalva: Solicita-se que o paciente coloque o dorso da mão na boca e assopre, a fim de aumentar a pressão intratorácica. Se dor no membro superior, pode ser condizente com patologias compressivas, como hérnia discal ou tumorações. (porém é inespecífica) Exame físico lombar Inspeção (Avalia-se a marcha, postura, presença de curvaturas anormais, acentuação da lordose ou perda da lordose fisiológica, com a retificação da coluna cervical ou lombar. Avalia também a presença de tumorações, edema e atrofias) Palpação (Palpa-se os músculos, os processos espinhosos e os espaços intervertebrais) Movimentos da coluna cervical (Avalia a flexão, extensão, rotação direita e esquerda e lateralidade). Reflexos ▪ Patelar: integridade de L4 ▪ Aquileu: integridade de S1 Testes específicos ▪ Sinal de Lasegue: Elevação do membro inferior estendido sobre a bacia, manobra que acarreta estiramento do nervo ciático. Se houver compressão, ocorre dor no trajeto do referido nervo em até 60°. ▪ Sinal de Bragard: dorsiflexão do pé quando o membro estiver elevado, provocando exacerbação da dor. ▪ Teste de Fabere: o paciente, em decúbito dorsal, realiza abdução do quadril, flexão e rotação externa com o tornozelo sobre o joelho oposto. O examinador, com uma das mãos localizada sobre o joelho e a outra sobre a crista ilíaca contralateral, exerce pressão contra a mesa. Dor referida na região sacroilíaca posterior indica patologia dessa articulação. Dor referida na região inguinal ipsilateral pode ser consequência de doença no quadril. ▪ Teste de Schober: O paciente permanece em posição ortostática e a sua coluna é marcada com uma caneta, tendo como ponto de referência a espinha ilíaca posterossuperior. Um segundo ponto é mensurado 10 cm acima. Solicitase que o paciente flexione o tronco na tentativa de tocar o chão. Nessa posição é mensurada a distânciaentre os pontos marcados. A medida na pele deve aumentar cerca de 5 cm. O teste é positivo se mobilidade menor que 5 cm. Tipos de dor: ■ O principal ritmo na dor cervical é o ritmo mecânico: dor que piora com o movimento (e ao longo do dia) ou com posturas prolongadamente mantidas e melhora com o repouso. ■ A identificação de um ritmo não mecânico levanta a suspeita de causas inflamatórias e infecciosas. ■ Dor discal – é tipicamente uma dor lombar baixa que se exacerba com a posição ereta mantida e, principalmente, sentada, podendo piorar com a flexão (Dor axial), acometendo pacientes mais jovens, entre a terceira e quinta décadas de vida; ■ Dor facetaria – costuma apresentar piora com movimentos de extensão. Normalmente, acomete pacientes com idades mais avançadas, da sexta década em diante. ■ Dores relacionadas com neoplasias – as dores noturnas ou que não melhoram com repouso devem alertar para neoplasias. Quando os exames de imagem devem ser solicitados? Nos casos de doentes com lesão neurológica; diante suspeita clínica de uma lombalgia específica; sintomatologia arrastada e nos casos de tratamento ineficaz. Nesses casos solicita uma Tomografia ou Ressonância Magnética, porém são exames bastante inespecíficos) Métodos terapêuticos • Não Farmacológicos: A terapia não farmacológica é baseada em mudanças comportamentais, como perda de peso, prática de exercício físico, fisioterapia e medidas terapêuticas como: terapia cognitivo- comportamental, acupuntura e outas. Como dito anteriormente, o repouso deve ser desencorajado, e os pacientes devem ser orientados a manter suas atividades rotineiras, o que leva a recuperação mais rápida e menor incapacidade a longo prazo. • Farmacológicos: Cerca de 90% das lombalgias melhoram espontaneamente, sem qualquer intervenção, em um período de 30 dias. No entanto, é comum a prescrição de medicamentos, como os anti- inflamatórios não-esteroidais. O tratamento sintomático deve seguir a escala de dor, de maneira escalonada, assim, é muito importante ponderar os possíveis efeitos colaterais, fazendo uma análise do risco-benefício. Ademais, o tratamento deve ser dirigido à etiologia. Logo, causas infecciosas devem ser tratadas com uso de antibióticos; as inflamatórias, com corticoides; e as sistêmicas serão tratadas segundo suas recomendações. Ainda, é digno de nota que os antidepressivos - geralmente os tricíclicos - estão entre as medicações mais utilizadas no tratamento da lombalgia crônica inespecífica, associada ou não à depressão. ⇨ Anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) atuam inibindo a síntese de prostaglandinas, sendo que essas moléculas atuam na resposta inflamatória, aumentando a permeabilidade capilar, atraem macrófagos e sensibilizam terminações nervosas, provocando dor no local. Com isso, os AINES atuam diretamente gerando um efeito anti- inflamatório, analgésico e antipiréticos. ⇨ Anti-inflamatórios esteroidais (AIES): Os glicocorticoides atuam na inibição das COXs, fazendo com que os genes de transcrição destas enzimas não sejam expressos, suprimindo assim a produção de prostaglandinas, por exemplo, e isso acontece através de ligações intracelulares.