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05/02/2024, 09:43 lddkls212_u1s1_fun_mov_bas
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FUNDAMENTOS DOS MOVIMENTOS BÁSICOS
Anderson Nascimento Guimarães
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
Walquiria Batista de Andrade
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CONHECENDO A DISCIPLINA
A disciplina Fundamentos dos Movimentos Básicos contribuirá para que você,
futuro pro�ssional/professor, expanda a sensibilidade quanto à percepção da
importante tarefa de contextualizar e aplicar os conteúdos da Educação Física, por
meio de movimentos básicos fundamentais para além do fazer prático. Mediante o
reconhecimento dos princípios cientí�cos e teóricos que se modi�cam com o
tempo, as práticas corporais, por exemplo, promovem a vivência das danças, jogos,
lutas, esportes e ginástica em um contexto lúdico, educativo e recreativo, que
aproximam o estudo da corporeidade e da motricidade com a Educação Física.
Com este material didático você adquirirá conhecimentos no âmbito teórico e
prático que serão relacionados facilmente à realidade do campo de atuação
pro�ssional, assim, identi�cará rapidamente a maestria da Educação Física em
oportunizar o aprendizado através do movimento em diferentes contextos. Já se
sabe que o processo de evolução do ser humano se dá pelo processo do
autoconhecimento e pelo reconhecimento do indivíduo em sua totalidade, ou seja,
o ser biológico, social e psicológico. Para facilitar esse entendimento, você verá as
características da corporeidade e da motricidade humana e a relação entre elas.
Logo em seguida, você estará pronto para conhecer os movimentos fundamentais
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05/02/2024, 09:43 lddkls212_u1s1_fun_mov_bas
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do ser humano e suas in�uências antropológicas e �losó�cas que apresentam
diversas �nalidades, entre elas a transformação de movimentos básicos para
movimentos esportivos, como aqueles especí�cos do atletismo e da ginástica. 
Para tanto, na Unidade 1 - Corporeidade e motricidade humana - serão
apresentados conteúdos que farão você adquirir conhecimento sobre a
corporeidade, o corpo e suas diferentes concepções ao longo da história, assim
como suas relações pessoais, com o outro e com o ambiente. Além disso,
conhecerá também os diferentes planos e eixos anatômicos, as questões
relacionadas a alinhamento postural, repouso e respiração, as posições de início
de um movimento e sua �nalização, conhecimento que o capacitará a alcançar
êxito em suas futuras práticas pro�ssionais. Na Unidade 2 – Movimentos básicos
do ser humano – você terá a oportunidade de vivenciar na prática as aulas que o
auxiliarão no entendimento e organização dos movimentos estabilizadores,
locomotores, manipulativos e a combinação deles, bem como os tipos e padrões
de movimentos. Também receberá um aporte teórico importante para
compreender as bases antropológicas e �losó�cas do movimento humano e as
�nalidades do movimento no contexto do aprendizado, da promoção da saúde, do
lazer e do esporte. Já na Unidade 3 – Movimentos básicos do atletismo –, as aulas
práticas contemplarão atividades aplicadas às provas especí�cas do atletismo,
como caminhar, correr, saltar, lançar e arremessar, entre outras habilidades da
modalidade, serão complementados pela construção de um conhecimento
baseado na técnica de execução, nas fases de desenvolvimento das habilidades e
nas etapas necessárias para seu entendimento geral. Por �m, na Unidade 4 –
Movimentos básicos ginásticos -, serão contempladas as características dos
movimentos da Ginástica Acrobática, Ginástica Artística e Ginástica Rítmica. Você
sabe a diferença entre essas três modalidades? Veremos na prática a
aprendizagem dos fundamentos básicos de equilíbrio, rolamento, giro e saltos,
como também as habilidades manipulativas dos aparelhos corda, arco, bola,
maças e �ta.
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Tenho certeza que os conteúdos a serem abordados neste material enriquecerão o
seu processo de formação acadêmica e o incentivarão a buscar ainda mais
conhecimento para se destacar no mercado de trabalho que tão cuidadosamente
você escolheu. Meu convite é que você tenha um sonho que o transforme em
objeto, assimilando que, para o tornar real, há que movimentar-se passo a passo,
via corpo e/ou corporeidade.
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NÃO PODE FALTAR
O CORPO
Walquiria Batista de Andrade
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CONVITE AO ESTUDO
Podemos perceber em nosso entorno o quanto questões voltadas ao corpo físico
têm se evidenciado evidente e, diria, gerado um aspecto apelativo. Com certeza,
você já assistiu anúncios ou propagandas apelativas voltadas para a aparência do
corpo, que são divulgadas em diferentes meios de comunicação digitais e
impressos. Já percebeu o quanto é enfatizado o cuidado com a saúde e a beleza,
sensualidade e padrões esteticamente estabelecidos, que despertam nas pessoas
Fonte: Shutterstock.
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o consumismo voltado aos cosméticos e cirurgias plásticas? A velocidade com que
se propaga esse tipo de publicidade in�uencia e promove mudanças de
comportamento que trazem à tona uma nova realidade e um life style talvez nunca
imaginado. Por isso, a percepção de corpo construída pelo meio e a vivência de
cada indivíduo precisa ser conhecida, contextualizada e, acima de tudo, respeitada.
Você já parou para pensar alguma vez sobre qual é a sua relação com o seu
próprio corpo e sob qual ponto de vista a imagem que tem do seu corpo foi
construída ao longo de suas vivências corporais? As práticas corporais como
conteúdos e estratégias da Educação Física poderão retratar muito bem a condição
da educação “do” movimento e “pelo” movimento, solidi�cando um conhecimento
que você terá que se apropriar para atuar pro�ssionalmente. 
Partindo do pressuposto que somos seres corporais, podemos descrever a
corporeidade como a manifestação do “eu”, ou seja, sobre quem somos, como
interagimos com o meio, como desenvolvemos a consciência corporal própria e a
do outro e como sobrevivemos no mundo. Nessa base epistemológica apropriada
pela Educação Física é fundamental que você estude sobre as características da
Corporeidade e da Motricidade Humana, para que, no aprendizado teórico e
prático, você alcance a maestria de captar múltiplas possibilidades para as funções
do corpo humano, destacando linguagens corporais distintas para a compreensão
e organização do movimento humano que evolui ao longo do tempo.
Na Seção 1 desta unidade vamos dialogar sobre a corporeidade e suas dimensões,
o processo histórico que esclarece os mais diferentes olhares sobre o corpo ao
longo de uma linha do tempo cronológica, para melhor compreensão das relações
estabelecidas do corpo consigo mesmo, com o outro e com o ambiente. A partir
desses saberes, na Seção 2, veremos aspectos corporais voltados aos planos e
eixos anatômicos que nortearão nosso entendimento sobremovimento corporal,
respiração, repouso, posição inicial e �nal de um conjunto de ações mobilizadas
para diferentes �nalidades. Na Seção 3, contextualizaremos a Motricidade Humana
a �m de trazer à consciência re�exões que emergem da Educação Física em seus
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mais diferentes objetos de conhecimento, esclarecendo aspectos sobre os
movimentos anatômicos, a educação “do” e “pelo” movimento, cadeias musculares
e as desordens do movimento.
PRATICAR PARA APRENDER
Olá, aluno!
Seja bem-vindo à disciplina Fundamentos dos Movimentos Básicos que incorpora
conteúdos fundamentais para o embasamento de suas futuras práticas
pro�ssionais. Considerando a atual dinamicidade e evolução do conhecimento, os
desa�os de ensino e aprendizagem do século XXI são contínuos, especialmente
para a Educação Física. Desde o reconhecimento da Educação Física, em tempos
históricos distintos, há questões problematizadoras sobre os estudos do corpo e
da corporeidade. Nesse sentido, nosso maior desa�o é que se mantenha
atualizado e que utilize os conhecimentos aqui propagados como norteadores
para novas buscas e descobertas. Há um processo inserido na formação de
pessoas que busca uma dimensão educativa que contemple um ser crítico,
autônomo, liberto, consciente, emancipado, um ser sujeito e não um ser-objeto.
Seguindo essa linha, elencamos conteúdos que trarão re�exões sobre o estudo da
corporeidade, do corpo e das relações que se estabeleceram do indivíduo consigo
mesmo, com os pares, com os demais indivíduos e com o ambiente até os dias
atuais. Embora o pensar sobre o corpo apenas em uma perspectiva biológica e
�siológica seja sempre uma tendência, busca-se incentivar a criação de estratégias
que permitam promover a criação de um ambiente no qual seja possível
proporcionar vivências corporais que abranjam uma visão de totalidade em
relação ao indivíduo, experenciando o mundo a partir de um corpo em sua
plenitude, ou seja, considerando um ser que que sente, emociona-se, escolhe,
pensa, narra, deseja, entre outros atributos humanos. 
Tente pensar que você já se formou em Educação Física e que, em um dos seus
estágios obrigatórios, você se destacou chamando a atenção de um dos gestores
da Fundação de Esportes da sua região. Você conquistou o público infanto-juvenil
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com o qual esteve em contato durante o período de estágio presencial e
abrilhantou sua participação com atividades criativas e inovadoras. Agora, o gestor,
sabendo de sua dedicação e responsabilidade com sua área de formação,
convidou-o para dar aulas no período da manhã para os alunos do mesmo projeto
social em que você estagiou: “Projeto Movimentar-se”. Esse projeto atende crianças
de 6 a 17 anos, e você atenderá especi�camente a faixa etária entre 14 e 15 anos.
Diante dessa grande conquista, idealizada durante seu período na Universidade,
você aceitou o regime contratual e, agora, o professor de Educação Física é você.
Sob orientação dos gestores do “Projeto Movimentar-se” você é instruído a abordar
assuntos que despertem interesse dos adolescentes, visto que esta é uma fase da
vida marcada por uma série de questionamentos que envolvem o indivíduo:
questões corporais, de identidade, corporeidade e de (re) descoberta, já que entre
14 e 15 anos já não se é mais criança, e ainda não se é um adulto. Reconhecendo a
relevância das temáticas propostas, por onde você começaria? Como você
estruturaria um plano de aula que atendesse à demanda sugerida pelos gestores? 
Busque o conhecimento e referências que abranjam a sua área de atuação para
estar bem preparado para atuar pro�ssionalmente no futuro. Supere-se na busca
e se surpreenda com os resultados. Bons estudos. 
CONCEITO-CHAVE
O CORPO
Pesquisas que envolvem o corpo humano não são realizadas somente pela
Educação Física. Outras áreas, como Biologia, Psicopedagogia, Fisiologia, Medicina,
entre tantas outras, enfocam suas investigações sobre o corpo humano, suas
condutas, papel na sociedade, saúde doenças, etc. Essa divisão de áreas permite
que o corpo humano seja dividido em partes, ou seja, corpo e mente, dicotomia
que já foi contextualizada desde a Antiguidade Ocidental. Será que essa dicotomia
está presente em nosso comportamento ainda nos dias de hoje? O modo de
enfrentar e tratar a corporeidade, contudo, é produto de um constructo social que
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passou e passa por um processo de historicidade em que o meio compartilha e
transforma o corpo e sua linguagem. Contudo, um corpo dicotômico não se
apresenta por inteiro ou em sua totalidade, antes fragmenta-o em corpo e mente.
Enxergá-lo e tratá-lo em sua inteireza é um dos desa�os que a Educação Física o
convida a enfrentar.
A CORPOREIDADE
A maneira com que um ser humano compreende e lida com o seu corpo são
retratadas durante toda a vida. Um indivíduo poderá apresentar diferentes formas
de se comportar a depender do ambiente, grau de escolaridade, condições
econômicas, etc.
Sob o olhar da Educação Física a problemática que envolve os assuntos que tratam
do corpo e da corporeidade é retratada em variados pontos de vista, em diferentes
épocas históricas, portanto conhecer os antigos panoramas, desde os primórdios
dos tempos até a atualidade, permitirá percepções distintas como a de ainda
usarmos nosso corpo de forma arbitrária e irre�etida. A tomada de consciência de
si mesmo por meio do corpo e sua existência pode promover melhor
conhecimento de si mesmo e do outro e a dinamicidade contribui para a evolução
do ser que ainda utiliza o corpo manipulado, adestrado e disciplinado para uma
Educação Física humanista que promova experiências corporais que contemplem
diferentes sentidos e signi�cados, contribuindo para uma sociedade pensante, que
re�ita e aja contra coerções sociais a partir de sua corporeidade.
Já parou para pensar que uma criança, a partir de seu nascimento, passa a
construir o entendimento de si mesma por meio do conhecimento que ela tem do
próprio corpo? A descoberta das mãos, pés, demais partes do corpo e toda
subjetividade que a envolve, como a anatomia, contexto social, ambiente, laços de
afetividade e aspectos culturais, leva-nos a fazer uma re�exão sobre a unidade
corporal do ser humano.
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Nóbrega (2010, p. 66-67) a�rma que o entendimento sobre o corpo não pode ser
minimizado aos aspectos físicos e sua organização biológica, �siológica e
neurológica apenas, pois transcende essas características para o símbolo e o que
ele representa na sociedade. Cli�ord James Geertz, antropólogo e professor
emérito da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, cita,
em sua obra A interpretação de culturas (2011), que o ser humano é um animal
amarrado a teias de signi�cado, tecidas por ele mesmo, e que a cultura e sua
análise é uma delas. 
Estas citações rea�rmam a nossa ideia central de que a corporeidade transcende o
corpo físico tão só para a relação entre as experiências vividas no âmbito cultural,
social, estético e afetivo.Bondía (2002, p. 21) destaca que, para que exista a
experiência vivida, o indivíduo deve se colocar receptivo a possibilidades de que
algo o toque, pois mesmo que dois indivíduos vivenciem o mesmo acontecimento,
de fato, não experenciam as mesmas coisas, já que a experiência é angariada pelo
que transcorre a cada um, e não de fato pelo episódio advindo.
Dessarte, é possível compreender que uma Educação Física que promove a
corporeidade para além do físico somente, supera uma contemporaneidade que
direta ou indiretamente reprime os indivíduos em seus desejos e necessidades e
promove em seu caráter educativo a qualidade de vida voltada à saúde, também
voltada a aspectos indissociáveis à formação de uma identidade individualizada e
genuína.
A superação do corpo-objeto para o corpo-sujeito é uma das vertentes de que a
Educação Física se apropria e se explica, porque utiliza dessa transcendência para
despertar no educando uma consciência corpórea que lhe permita notar-se no
hemisfério que habita. Esse movimento permite ao ser humano interferir
criticamente no processo de construção de sociedade e, consequentemente, em
seu bem-estar.
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A partir dessa contextualização geral, decidimos por apresentar as diferentes
concepções de corpo em tempos históricos organizados cronologicamente, no
sentido de enriquecer essa vertente tão importante para a Educação Física: o
estudo do corpo e a corporeidade.
A concepção de corpo passou um processo evolutivo desde os primórdios dos
tempos, e se caracterizou da seguinte maneira: a) Corpo instrumento da alma
(dualidade instrumental); b) Dualismo Cartesiano (corpo dilacerado e dividido); c)
Totalidade humana (unidade e globalidade). Veja, na sequência, a concepção de
corpo em diferentes épocas históricas.
O CORPO SOB DIVERSOS PONTOS DE VISTA
O corpo pré-histórico exercia atividades naturais voltadas à sobrevivência: caçar,
atacar, nadar, saltar, andar, correr, etc. Nesse período, o homem primitivo gozava
de sua existência plena e natural unido ao seu povo, à sua terra e a tudo o que
envolvia a sua realidade, portanto a concepção de corpo, nesse período, é
considerada na totalidade, ou seja, a alma, a mente e o inteligível está em pleno
consonância com o corpo. Você sabia que a Motricidade Humana da Pré-História
apresenta 5 características que estão entre si conectadas? São elas: 
•  Atividades naturais, caracterizada pela busca de alimento e/ou defesa contra
outros animais. 
•  Atividades guerreiras, marcada pela sensibilidade em detectar a presença ou
aproximação dos inimigos. 
•  Atividades de práticas utilitárias, manifestadas pela construção de instrumentos
como lanças, �echas, roupas, entre outros. 
•  Atividades religiosas, nas quais a dança, por exemplo, fazia parte de atos festivos
e/ou culto aos mortos.
•  Práticas motoras, movidas por jogos e expressões recreativas.
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Na Antiguidade Ocidental considerava-se a separação entre corpo e alma cultivada
pelos gregos, dicotomia que marcou o pensamento ocidental. Para Arístocles, mais
conhecido como Platão, um dos pensadores gregos mais in�uentes da história, o
corpo era como uma prisão ou um tipo de moradia para a alma (PLATÃO, 1990). O
corpo sensível perturba a alma racional que busca a verdade, no sentido de que o
corpo só reproduz a cópia das ideias. Por este motivo, rea�rmava-se a noção de
dualidade instrumental. Essa dicotomia permaneceu na Idade Média até o
Renascimento. Aqui é importante considerar que a Ginástica sistematizou as
primícias teóricas dando origem à Educação Física. Os exercícios físicos e
atividades corporais manifestados pelas corridas, arremessos, lutas, natação,
lançamentos e outros eram denominados ginástica, e tinham o objetivo de educar
de forma integral a sociedade grega. Nesse marcante período histórico temos uma
citação conhecida da obra A República, de Platão: “Para o corpo temos a ginástica e
para a alma a música”. Um retrato da dicotomia, não é mesmo?
Durante a Idade Medieval, há a presença da espiritualidade herdada do
Cristianismo: a supervalorização da alma como espírito e o corpo como seu
hóspede e servo reforçando a divisão do ser humano. Aurélio Agostinho de
Hipona, conhecido como Santo Agostinho, teólogo e �lósofo, relata que a alma tem
funções superiores sobre o corpo e o conhecimento é adquirido pela razão e
iluminado pelo divino: Deus. De corpo, morada da alma, a concepção de corpo
passa a ser carne, templo do Espírito.
Desde a Antiguidade Clássica até o Renascimento, há a presença do dualismo
instrumental, havendo, então, um elo entre corpo e alma. A noção de corpo da
Grécia Antiga foi recuperada, bem como a Motricidade Humana, expressa em
práticas militares, danças e brincadeiras populares e a Ginástica Acrobática, que
será contextualizada na Unidade 4 deste livro didático. Essas atividades educativas
foram indicadas por cientistas, pedagogos e demais educadores, ganhando
destaque marcante para a época.
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Na Idade Moderna, o homem é visto mais do que nunca sob a ótica da divisão.
René Descartes, �lósofo e matemático francês, não aceitava os conhecimentos
clássicos ou tradicionais, mas buscava uma verdade que não podia ser contestada.
Ele, porém, colocava tudo a prova. É dele a frase: “Penso, logo existo”. Vejam como
essa forma de pensar reduz o homem a uma realidade pensante, chegando a
negar a existência corporal do indivíduo. Para ele não havia união entre corpo e
alma, somente o espírito. A alma não ocupa lugar no espaço, portanto é indivisível.
Já o corpo ocupa lugar no espaço e, por esse motivo, pode ser decomposto em
diferentes partes. Essa separação fez com que o corpo fosse considerado sob um
prismas diferentes, ignorando, assim, a globalidade do homem. Sabe-se que a
Educação Física nasceu na Modernidade e que foi legitimada pela sistematização
de um conhecimento que fundamenta conceitos e princípios, do saber teórico ao
fazer-prático.
Na Contemporaneidade destacamos o �lósofo, também francês, Maurice Merleau-
Ponty (1908-1961) que pensava diferente de Descartes. Merleau-Ponty defendeu
que o corpo do homem não é simplesmente corpo, mas corpo humano que é
capaz de interagir com uma dimensão mental por meio de expressões já
conhecidas: sentir, pensar e agir, e nada é dissociado. Aqui é concebido o que é
vivido com ênfase na corporeidade e na complexidade do ser e da cultura,
consolidando, então, a união entre corpo, mente, sensível, inteligível, essência e
existência.
Agora que conhece diferentes pontos de vista sobre a concepção de corpo em uma
linha do tempo histórica, é muito importante que você as relacione com as
dimensões da corporeidade da atualidade.
RELAÇÕES DO CORPO CONSIGO MESMO
Como contextualizado no início desta unidade de estudo, podemos atualmente
fazer uma associação do corpo à ideia do consumo. É inegável que um corpo
supervalorizado oportuniza ações capitalistas voltadas ao comércio, como, por
exemplo, o excessivo uso de suplementos, muitas vezes não prescritos por
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pro�ssionais capacitados, desenfreando o consumo de bens e serviços para
manter um corpo supostamente forte e musculoso. Vende-se a ilusão de que, para
ser próspero, feliz e popular, há um caminho que é o da conquista da beleza
exterior, estética, um corpo esculpido em músculos bem aparentes. A mídia, de
modo geral, convence de que quanto mais jovem e belo é o corpo, mais alto é seu
valor.
Não são mulheres e homens “perfeitos”, com curvas corporais bem delineadas e
porte atlético, que em outdoors, �yers, vídeos comerciais e institucionais, entre
outros, vendem carros, eletrodomésticos, vestuários e tantos outros bens de
consumo? Sustenta-se, desta forma, a veneração por um corpo jovem e perfeito e
a negação de um processo comum a todos: o envelhecimento. Seria por essa
realidade estampada diante de nossos olhos que os indivíduos, desde as crianças
até os idosos, não aceitam sua própria imagem? As pessoas que não aceitam a
própria imagem não se adequaram a padrões pré-estabelecidos pelo capitalismo?
Há que se considerar que estamos inseridos em um contexto social em que a
aparência é culturalmente valorizada e há in�nitos recursos para transformar esse
corpo no “ideal”. Como essa realidade poderia ser contextualizada pelo Professor
de Educação Física em seus mais diferentes ambientes de trabalho?
De uma sociedade para outra, assim como de uma época para outra, a construção
da imagem corporal é variável. Gonçalves (1994) relata que o homem pensa, age,
sente e se expressa de acordo com convenções preestabelecidas que são impostas
e que instigam as pessoas a se comportarem e buscarem os estereótipos
padronizados, legitimando, portanto, uma visão de mundo em grupo. Sob esse
ponto de vista, podemos inferir que o homem não vive seu corpo à sua maneira ou
vontade, pois depende de uma subjetiva aprovação social de suas tomadas de
decisão e conduta, ou seja, o corpo deve se comportar conforme as regras da
sociedade à qual pertence. Na Era Medieval, a mulher bonita, por exemplo,
apresentava formas arredondadas e volumosas que inspiravam pintores e artistas;
no século XX, por exemplo, o ideal é marcado pelo corpo “malhado” e ser saudável
é sinônimo de estar dentro de padrões esteticamente estabelecidos pela mídia. A
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propósito, Arnold Schwarzenegger é lembrado por seu físico desde a década de
1970, não é mesmo? A imagem corporal, nesse contexto, não surge das
experiências vividas, mas de um corpo pré-determinado por modelos impostos e
pelos valores culturalmente construídos. Ainda na década de 1980, a obsessão por
corpos delineados por músculos bem aparentes promoveu o crescimento de
academias, clínicas de estética e beleza, procedimentos de lipoaspiração, spas e
cirurgias. Assim, con�gurou-se uma época em que o corpo musculoso é sinônimo
de vigor e sucesso.
RELAÇÕES DO CORPO COM O AMBIENTE E COM O OUTRO
Em 2016, Ano Olímpico, o Brasil sediou as Olimpíadas no Rio de Janeiro e, nesse
mesmo período, pesquisas sobre a beleza estética elencaram os atletas mais
bonitos, de ambos os sexos. Corpos vitrines para empresas de diferentes
segmentos divulgaram suas marcas. Quem vivenciou esse período histórico pode
re�etir sobre como os Jogos Olímpicos, além, claro, de sua genuína beleza e
propósito, também se contaminam por interesses puramente comerciais. Ainda
nesse contexto olímpico, em que o objetivo do atleta é quebrar alguma marca
considerada instransponível, há, desde o século XIX, o uso do doping, ou
substâncias ilegais ingeridas para postergar fadiga, classi�cados em analgésicos,
diuréticos, esteroides anabolizantes e hormônios peptídicos. Considerando que
um atleta ganha dinheiro enquanto está vencendo, isso se torna um requisito
obrigatório, pois em competições o�ciais o importante é vencer. Esse paradigma
levantou questões dualísticas, como, por exemplo, corpo exaltado (vitorioso),
corpo humilhado (perdedor). No cenário olímpico, é importante a consciência de
que, para estar na arena esportiva, o corpo é submetido a treinamentos exaustivos
e dietas restritivas, ou seja, o corpo é submisso ao esgotamento (SANTIN, 1994). 
Medina (2014, p. 152) relata que não é fácil formar cidadãos quando o sistema
pede robôs. Tão pouco é fácil desenvolver atletas-cidadãos, críticos e conscientes
em um sistema que apela para máquinas submissas e descartáveis, quando
deixam de apresentar um resultado anteriormente delineado. Se um professor ou
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pro�ssional de Educação Física organizasse uma olimpíada recreativa para
promover o pensamento, não de vencer o outro, mas de vencer a si mesmo em
suas di�culdades e limitações, você acha que essa intervenção mudaria a
percepção dos alunos em relação à competitividade?
Atualmente, os pro�ssionais da saúde carregam consigo preocupações sobre um
ideal de beleza que se estabeleceu na década 1990: a magreza. A indústria
estimula, forti�ca e estandardiza um corpo ideal em detrimento do corpo real, ou
seja, perfeito e magro, aumentando a repercussão de cobrança e insatisfação de
quem está fora desse estereótipo. Nesse período o número de casos de anorexia e
bulimia tiveram um aumento signi�cativo. A anorexia está relacionada a um desejo
obsessivo de emagrecimento e também com a distorção da própria imagem, e a
bulimia relaciona-se a uma compulsão por comer e seguidamente provocar
vômito. Assim, o corpo alienado e escravizado pela indústria cultural molda e
estimula práticas de modo a fazê-lo esquecer das próprias vontades e desejos.
Lembramos, assim, que não só o corpo, mas o comportamento dos indivíduos vem
sendo “doutrinado” a ponto de perder a própria identidade, pois essas
circunstâncias reprimem emoções e legitimam, portanto, uma imposição local.
Considerando o contexto histórico da Educação Física de caráter higienista e militar
de antigamente, os corpos eram classi�cados de acordo com aptidões e
capacidade para a prática de exercícios especí�cos. O entendimento do que é a
corporeidade foi minimizado ao físico tão somente, e se encontra, por vezes,
atrelado a padrões que precisam ser discutidos e desmiti�cados. Para além do
corpo físico, a Educação Física caminha para a direção corpo-sujeito. Há muito
tempo, o esporte, por exemplo, perdeu seu caráter lúdico, a ideia de brincar,
confraternizar, comunicar por meio do cumprimento de regras, livre de ameaças.
O esporte competitivo perdeu sua ludicidade e foi transformado em movimento
com regras rígidas nos quais prevalece a disciplina e a instrumentalização do corpo
que será preparado para trazer a vitória e manter seus patrocinadores. Para Santin
(1992), a Educação Física e o Esporte não permitem ao corpo vivenciar suas ações e
mobilidade, uma vez que a ele são impostas regras. Nesse sentido, é primordial
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re�etir sobre os rumos desses saberes de forma que um auxilie o outro. Em
detrimento à competição opressora, precisamos enfatizar a conquista de desa�os,
a superação não do outro, mas de si mesmo, especialmente na Educação Básica
onde a Educação Física está presente. Werneck (1995) cita que os jogadores
precisam se reconhecer como parceiros e não adversários, para que outras formas
de vivenciar o esporte ultrapasse os limites do “esporte de alto nível” gerandoregras em um contexto coletivo, no cultivo da assimilação dos signi�cados sociais,
culturais, históricos, políticos, experimentados e gestualizados por meio do corpo.
O Professor ou Pro�ssional da Educação Física terá de construir juntamente com
os seus alunos um ambiente democrático que promova a vivência de experiências
corporais, dando sentido e signi�cado para o movimento experienciado, e deverá
atuar de forma humanística, para que todos os alunos, de algum forma, sejam
capazes de experienciar e sentir prazer na atividade, ainda que dentro de suas
possibilidades e limitações em detrimento da exigência da vitória a qualquer preço
ou custo. Nessa perspectiva, a atuação da Educação Física volta-se para o
aprendizado em um ambiente de alegria, bem-estar e emoção, com espaços
garantidos para cooperação e companheirismo.
Atualmente, a Educação Física vem criando condições favoráveis para uma re�exão
contemporânea e mais corajosa, no sentido de olhar para o indivíduo como ser
uno, inteiro e global, permitindo fundamentalmente que o indivíduo se conheça,
não somente do ponto de vista do corpo, mas também em suas potencialidades,
capacidades e também suas imperfeições.
Freire (1994, p. 40) relata que a área pedagógica que carrega consigo o dever de
proporcionar educação às pessoas para se saberem corpo, se notarem corpo, é a
Educação Física. O mesmo autor, Patrono da Educação Brasileira, relata que os
pro�ssionais dessa área deverão direcionar suas ações para que os indivíduos
reparem e, sobretudo, descubram sua corporeidade.
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Despertar para os horizontes de uma Educação Física que proporciona a vivência e
não o uso do corpo - essa nova perspectiva da área trará ensinamentos sobre o
aprender a se perceber, com consciência, possibilidades e descobertas. É um
convite para abandonar o corpo anatômico e priorizar o saber sobre si próprio,
único e indivisível. Nos conhecemos pelos números que contabilizam o nosso peso
e pelas medidas de nossas circunferências, quase nunca pela delicadeza sensível
do nosso corpo, que pensa, que sente, até porque esses atributos não são
mensuráveis. O aprendizado de ouvir o corpo precisa ser incentivado como mais
uma tarefa para a Educação Física que promoverá novas formas de viver. Isso só
será possível quando formos capazes de viver a nossa sensibilidade e, en�m, a do
outro. Somos um corpo e temos que despertar a nossa sociedade para um
reencontro do indivíduo com ele próprio e também com os demais.
A Educação Física deve ser integrada ao ato educativo voltado para a formação do
cidadão em dimensão pessoal e social, relacionando-se ao movimento do ser
humano, portanto, com sua corporeidade. Não devemos negar todo o seu
contexto histórico, mas re�etir sobre qual Educação Física estamos desenhando
para o futuro. A Educação Física, dentro e fora da escola, deverá se comprometer
de forma ímpar com os seus objetos de conhecimento, transmitindo-os nas
diferentes modalidades do ensino e demais campo de atuação, no sentido de
promover a liberdade na elaboração de trabalhos que se relacionem com as
vivências corporais. Os movimentos experimentados contribuirão na construção e
formação de novos princípios dos quais todos se bene�ciarão pela sua prática. De
acordo com Santin (1992), a efetivação dessa mudança será possível se pararmos
para re�etir em 4 aspectos: 1) olhar o ser humano reconhecendo-o como
exclusivo, para além do ser pensante; 2) considerar o indivíduo que se move e que
suas ações corpóreas vão além de uma atividade puramente anatômica,
cinesiológica, possibilitando a prática das atividades a todos de forma a adequá-los
ao seu biótipo, capacidades e inclusive, apropriar-se de programas de atividades
físicas que promovam a neutralização dos efeitos negativos promovidos pelo
trabalho; 3) saber que o indivíduo é um ser que brinca e carrega consigo a
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dimensão humana da ludicidade; 4) respeitar o indivíduo como um ser que sente, e
aqui registra-se a urgência de se considerar a sensibilidade do ser humano. Assim,
voltemos nosso olhar para o corpo-sujeito e não mais o corpo-objeto, e que a
Educação Física seja área precursora dessas in�nitas possibilidades que estão
intimamente ligadas ao ser humano.
REFLITA
Após se deparar com as diferentes concepções de corpo e as dimensões da
corporeidade, você consegue identi�car e apontar características da
Educação Física que você vivenciou na Educação Básica? Você alteraria
alguma coisa nas aulas de Educação Física das quais participou?
EXEMPLIFICANDO
Em uma aula de Educação Física procure adaptar as atividades propostas
para atender a todos os alunos de forma que tenham as mesmas
oportunidades de vivência, não praticando a política dos mais habilidosos.
Da mesma forma, tenha olhos primeiro para o ser que se movimenta e
aprende, não apenas o movimento.
Destacamos que a Educação Física é uma área de conhecimento que deve
privilegiar a re�exão sobre a formação de cidadãos, desmiti�cando estereótipos,
valores e atitudes, buscando, portanto, humanizar cada vez mais suas práticas a
partir de sua realidade e experiências.
FAÇA VALER A PENA
Questão 1
Como produtos da gestualidade, as danças, jogos, lutas, esportes e ginásticas são
conceituados como um conjunto de práticas que promovem a vivência de
habilidades especí�cas às habilidades especializadas, assim como o contato com
bagagens culturais das mais variadas etnias.
Sobre as danças, jogos, lutas, esportes e ginástica é correto a�rmar que:
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a.  São práticas corporais.
b.  São imagens corporais.
c.  São corpos fragmentados da Idade Média
d.  São atividades recreativas com �ns competitivos.
e.  São projetos sociais.
Questão 2
Em determinada época da história, a concepção de ser humano era de unidade,
globalidade, totalidade, ou seja, a alma, mente, inteligível estava em plena
harmonia e equilíbrio com o corpo e com o sensível. As atividades desse tempo
foram caracterizadas em atividades naturais, guerreiras, práticas utilitárias, rituais
religiosos e práticas motoras.
Identi�que o tempo histórico contextualizado e marque a alternativa correta:
a.  Idade Moderna.
b.  Primórdios dos Tempos.
c.  Renascimento.
d.  Idade Média.
e.  Antiguidade Ocidental 
Questão 3
A Educação Física deve ser integrada ao ato educativo voltado para a formação do
cidadão em dimensão pessoal e social que se relaciona com a corporeidade e o
movimento do ser humano. Santin (1992) incentiva a efetivação de novas
perspectivas para a Educação Física, considerando algumas premissas que
quebram paradigmas construídos e arrastados ao longo da história.
Dentro desse contexto, analise as a�rmações a seguir.
I. Olhar o indivíduo como um ser único e não apenas como um ser racional. 
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REFERÊNCIAS
BONDÍA, J. L. Notas sobre experiências e ao saber da experiência. Revista
Brasileira de Educação, n. 19, p. 20-28, 2002.
FREIRE, I. M.; DANTAS, M. H. Educação e corporeidade: um novo olhar sobreo
corpo. Holos, v. 4, p. 148-157, 2012. Disponível em: https://bit.ly/3fblAOT. Acesso
em: 27 abr. 2021.
FREIRE, J. B. Dimensões do corpo e da alma. DANTAS, E. H. M. Pensando o corpo e
o movimento. Rio de Janeiro: Shape, 1994. p. 31-45.
GEERTZ, C. J. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2011.
GONÇALVES, M. A. S. Sentir, pensar e agir: corporeidade e educação. Campinas:
Papirus, 1994.
MAREGA, M.; CARVALHO, J. A. M. Manual de atividades físicas para prevenção
de doenças. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 2012.
II. Considerar a prática das atividades a todos de forma a adequá-los ao seu biótipo
e limitações. III. Saber que o indivíduo é um ser que brinca e carrega consigo
ludicidade. 
IV. Deixar de lado o corpo-objeto e olhar para o corpo-sujeito.
É correto o que se a�rma em:
a.  I, apenas.
b.  II, apenas.
c.  I e III, apenas.
d.  II e IV, apenas. 
e.  I, II, III e IV. 
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MEDINA, J. P. S. Re�exões sobre a fragmentação do saber esportivo. MOREIRA, W.
W. Educação física & esportes: perspectivas para o século XXI. Campinas: Papirus,
2014. 
NÓBREGA, T. P. Uma fenomenologia do corpo. São Paulo: Livraria da Física, 2010.
PESSANHA, J. A. M. Platão: Vida e obra. 
PLATÃO. Platão: diálogos. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
SANTIN, S. Perspectivas na visão da corporeidade. Educação física & esportes:
perspectivas para o século XXI. Campinas: Papirus, 1992.
WERNECK, C. L. G. O uso do corpo pelo jogo de poder na Educação Física. Belo
Horizonte: Escola de Educação Física da UFMG, 1995.
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
O CORPO
Walquiria Batista de Andrade
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CONCEITO-CHAVE
Agora, como professor de Educação Física do “Projeto Movimentar-se” você deverá
re�etir sobre o que os alunos poderão aprender diante das temáticas
anteriormente propostas pelos seus gestores e poderá elencar, para este primeiro
encontro com os seus alunos, a corporeidade. A partir da escolha deste objeto de
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conhecimento você deverá organizar uma roda de conversa para identi�car e
dialogar juntamente com os adolescentes os diferentes conceitos que o mundo em
sua dinamicidade atribuiu ao corpo humano, desa�ando-os a re�etir sobre a forte
in�uência dos diversos meios de comunicação e como ela promove impacto em
nosso comportamento diante da vida, do próprio corpo, na relação consigo
mesmo, com o outro e com o meio. Nessa dinâmica, você incentiva os seus alunos
a construírem o pensamento crítico e re�exivo sobre si mesmos, de forma a serem
o agente principal na construção de suas crenças, ideias e atitudes. Durante esse
momento dialogado você levanta o seguinte questionamento: você é um corpo ou
tem um corpo? Você poderá pedir para que seus alunos registrem suas respostas,
justi�cando-as, e que, depois, organizem-se em pequenos grupos para
conversarem sobre suas constatações e o que as justi�cam. Após realizarem o
debate, você, professor, permite que os alunos se dividam em dois grupos para
jogar basquete, atividade anteriormente solicitada pelos próprios alunos. Após
estabelecer o tempo do jogo e algumas regras pontuais, você os incentiva a driblar,
lançar, encestar a bola e também a passar a bola para diferentes companheiros de
equipe, a respeitar todos os colegas, inclusive os que, naquele momento, não
fazem parte do mesmo time, além de notar que todos, em momentos distintos,
elaboram estratégias para melhorar o passe de bola, para melhor se movimentar
em quadra, entre tantos outros aspectos que envolvem um jogo, vezes
comemorando, vezes notando suas próprias limitações, ora se superando, ora se
frustrando. Ao �nal da partida, você os reúne novamente e contextualiza a
corporeidade no sentido que há acreditem acreditar que o corpo é como um
compartimento utilizado para armazenar a mente, que promove pensamentos e
sentimentos, como se mente e corpo fossem coisas distintas e separadas e que,
por outro lado, há quem pense que é o próprio corpo e que tem a compreensão de
que as ideias são criações corpóreas próprias, pois nascem no cérebro via sistema
neural e que permitem, portanto, a realização de atividades corporais, entre elas a
ação de jogar, mas também a de pensar. 
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Esclareça que, sob a perspectiva da Educação Física, somos um corpo que
transcende o físico, corpo que sente e que se movimenta em torno da necessidade
e do querer e que, para além dos apelos midiáticos, é preciso cuidar do corpo que
você é, com amor para que haja um desenvolvimento sadio e feliz. 
AVANÇANDO NA PRÁTICA
PALESTRANDO
Dois anos depois de sua contratação, os gestores do “Projeto Movimentar-se”
seguem encantados com o trabalho que você realiza com muita responsabilidade e
dedicação, não exclusivamente pelos conteúdos abordados com os alunos, mas
pelo carisma e empatia com que trata os seus colegas de trabalho e, em especial,
aos alunos, sejam eles da sua turma ou não. Contudo, o professor Eugênio,
coordenador de eventos do projeto, compartilha em uma das reuniões de
alinhamento com todos os participantes envolvidos, exceto os alunos, que um
número signi�cativo de pais e mães têm requisitado orientações sobre como
melhor lidar com seus �lhos adolescentes, em sua maioria insatisfeitos com o
próprio corpo, que permanecem mais tempo sentados interagindo em redes
sociais do que fazendo atividades ou exercícios físicos. Além disso, alguns pais
estão preocupados com o comportamento alimentar de seus �lhos que varia
assustadoramente de consumo excessivo de fast food e energéticos para dias sem
alimentos. O “Projeto Movimentar-se” é composto por pro�ssionais da área da
Nutrição, Pedagogia, Assistência Social, Fisioterapia e Educação Física. Você gosta
de falar em público, é assertivo e já tem a admiração dos pais pelo trabalho que
desenvolve e, por esses atributos, todos os colegas em consenso o elegeram para
essa tarefa desa�adora. Você tomaria iniciativa de palestrar para os pais, não fosse
o incentivo dos colegas de trabalho? Já falou em público alguma vez? Como foi essa
experiência?
RESOLUÇÃO
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Você deverá procurar referências baseadas em pesquisas cientí�cas, para
poder falar com propriedade sobre a relevância em ser �sicamente ativo e o
quanto isso impacta na imagem corporal que se tem e que se constrói.
Também deverá se reunir com os demais pro�ssionais do “Projeto
Movimentar-se” para ouvir sugestões, orientações e dicas sobre os temas que
deverão ser abordados em sua palestra. Complementando essa ação, você
poderá propor aos gestores que, além das práticas corporais já ofertadas duas
vezes na semana pelo projeto, possam veri�car a possibilidade de, em horáriosalternativos, oferecer o�cinas de gastronomia, reabilitação, reforço escola, e
práticas corporais ainda não contempladas pelo projeto, como esportes de
aventura, esgrima, atletismo, ginástica acrobática, entre outras opções que
despertem o interesse dos adolescentes. Palestre aos colegas de trabalho do
projeto antes de palestrar para os pais, pois assim você estará mais seguro e
preparado para transmitir sua mensagem.
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NÃO PODE FALTAR
POSTURA E POSIÇÃO
Walquiria Batista de Andrade
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PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, seja bem-vindo, à Seção 2 - Postura e posição. Esperamos que nesta
etapa de estudo você continue adquirindo conhecimentos importantes sobre os
aspectos que envolvem o movimento humano. Movimentar-se em diferentes
planos, sentidos e direções com a consciência da corporeidade contribuirá para
que você entenda a tridimensionalidade do corpo humano.
Fonte: Shutterstock.
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Nesse contexto, convido-o a prestar atenção, a partir de agora, nos movimentos
que você faz no dia a dia com objetivo de compreender suas etapas de realização,
desde os mais simples até os mais complexos. Quem nunca viu um movimento
desportivo na quadra ou na televisão e �cou pensando: como o atleta conseguiu
fazer esse movimento? Comece a se familiarizar com os movimentos a partir da
atenção que você desprenderá para analisar e tentar compreender cada
movimento, pois essa simples atividade melhorará tanto a sua percepção corporal
como a percepção de movimentos que compõem diferentes modalidades
esportivas, atividades físicas e uma variedade de exercícios físicos.
Conhecer e, acima de tudo, compreender sobre o conjunto organizacional do
movimento humano é um convite para re�etir sobre os planos e eixos cardinais,
sobre a postura corporal, a respiração e muitos outros aspectos que contribuem
de forma signi�cativa para o professor e/ou pro�ssional de Educação Física
melhorar a técnica e a qualidade dos movimentos em diferentes contextos.
Quanto mais conhecimento a respeito dos fatores que envolvem o corpo humano
você tiver, melhor compreenderá as ações musculares que compõem os
movimentos, melhor explicará o porquê da ação e, principalmente, saberá sobre
como realizar de forma correta um exercício para que não haja prejuízo motor,
lesões musculares ou articulares, promovendo melhor e�cácia nos resultados
propostos. 
O “Projeto Movimentar-se” continua crescendo na região onde você trabalha e,
cada vez mais, crianças participam das atividades corporais promovidas pelos seus
agentes e professores. Porém agora, no terceiro ano como professor do projeto,
você assumiu uma turma de alunos com idade entre 6 e 7 anos, que nunca haviam
antes participado do projeto. Em um dos primeiros encontros, você decide
promover uma aula repleta de jogos e brincadeiras para que as crianças interajam
entre si e para que a ludicidade seja, para as crianças, um fator motivacional de
participação. Entre os jogos e brincadeiras que você propõe estão as mais
populares: pular amarelinha, pular corda e cabo de guerra. Durante as atividades,
você percebe que as crianças não sabem pular corda, têm di�culdade para pular
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em um pé só, di�culdade em jogar a pedrinha na amarelinha e caem muito
facilmente durante o cabo de guerra, demonstrando a necessidade de vivenciarem
movimentos básicos para aumentar o repertório de movimentos corporais.
Considerando todo este contexto, de que forma você utilizaria os conhecimentos
abordados nesta seção para enriquecer o aprendizado da sua turma? Sobre a
questão postural, você falaria diretamente com os pais ou com as crianças, mesmo
elas tendo apenas 6 e 7 anos de idade? Quais tipos de atividade você organizaria
como estratégia para enriquecer o repertório de movimentos corporais dos seus
alunos? Você conversaria com o seu gestor antes de montar qualquer estratégia? 
Sua motivação leva ao aprendizado. Bons estudos. 
CONCEITO-CHAVE
A área que estuda os movimentos do corpo humano é denominada Cinesiologia.
Você já tinha ouvido falar desse termo? Os conhecimentos fundamentados na
Cinesiologia são essenciais para a Educação Física porque ela explica, na teoria e
na prática, como as ações musculares são organizadas e sistematizadas em nosso
corpo. Além de estudar o movimento humano, conheceremos alguns conceitos
que embasarão a nossa prática para promover ações anatômicas, funcionais e
musculares da maneira correta. Nesse contexto, o pro�ssional ou o professor de
Educação Física poderá orientar e corrigir os seus alunos com o objetivo de
melhorar a qualidade do movimento, otimizar resultados e prevenir dores e lesões.
Para tanto, é necessariamente importante estudar sobre os planos e eixos
anatômicos que compõem a estrutura corporal humana, assim como as questões
voltadas para o alinhamento postural, repouso, respiração, posição inicial e �nal
do movimento.
PLANOS E EIXOS ANATÔMICOS
Partimos da construção do conceito de simetria para que você compreenda
melhor os planos anatômicos do corpo humano. Quando dividimos um elemento
em duas partes e essas partes são iguais dizemos que há simetria. Se você olhar
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para a �gura do corpo humano em sua posição anatômica, isto é, em pé e com o
rosto voltado, membros superiores, membros inferiores, palmas das mãos e pés
voltados para frente, perceberá que há uma simetria bilateral a partir de um plano
vertical “S” imaginário posicionado bem ao centro do corpo humano. Considerando
esse eixo vertical, o corpo humano estará dividido em lado direito e lado esquerdo
e a este plano simétrico anatômico seccional chamamos de Plano Sagital. Porém,
podemos ainda dividir o corpo traçando um plano imaginário “F”, de forma a dividir
o corpo humano em parte da frente e parte de trás, ou seja, parte anterior e parte
posterior, respectivamente. A essa secção denominamos Plano Frontal ou
Coronal. Ainda podemos imaginar que podemos seccionar o corpo em parte de
cima e parte de baixo, ou seja, parte superior e parte inferior. Se traçarmos um
plano imaginário “T” na altura do Centro de Gravidade do corpo humano em
posição anatômica conseguiremos, então, visualizar o Plano Transverso (DOBLER,
2003).
A Figura 1.1 e a Figura 1.2, a seguir, poderão auxiliar no entendimento da posição e
dos planos anatômicos, respectivamente.
Figura 1.1 | Posição anatômica do corpo humano
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Fonte: Shutterstock.
Figura 1.2 | Planos anatômicos do corpo humano
Fonte: Shutterstock.
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O plano sagital, frontal e transversal possui eixos perpendiculares que atravessam
o corpo em posição anatômica; você perceberá que a partir dos Planos e Eixos
Anatômicos relacionados será possível compreender melhor a localização exata do
eixo de cada movimento, e esse entendimento irá bene�ciá-lo para realizar, por
exemplo, a identi�cação das articulações recrutadas e dos músculos envolvidos em
cada ação motora, a percepção relacionada às forças que agem sobre as
articulações e as trocas de funções por grupo muscular envolvido no movimento.
Veja nas Figuras 1.3, 1.4 e 1.5 sobre os Planos e seus respectivos Eixos Anatômicos:
Figura 1.3 | Plano sagital e seu eixo perpendicular transverso látero-lateral
Fonte: Shutterstock.
Figura 1.4 | Plano frontal e seu eixo perpendicular anteroposterior
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Fonte: Shutterstock.
Figura 1.5 | Plano transverso e seu eixo perpendicular longitudinal
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Fonte: Shutterstock.
Sabemos que os movimentos que podem ser realizados pelo corpo humano
oferecem in�nitas possibilidades. Para aprender a nomeá-los listamos no Quadro
1.1 os termos técnicos que consideramos mais utilizados na análise de um
movimento. Após se apropriar destes termos, você é convidado para descrever e
classi�car alguns movimentos em seus planos e eixos anatômicos
correspondentes. Você aceita esse desa�o?
Quadro 1.1 | Expressões e Descrições Anatômicas
Decúbito dorsal Corpo deitado com o ventre voltado para cima.
Decúbito Ventral Corpo deitado com o ventre voltado para baixo.
Decúbito Lateral Corpo deitado lateralmente, ou seja, de lado.
Anterior / Frontal À frente do corpo em posição anatômica.
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Posterior / Dorsal Atrás do corpo em posição anatômica.
Superior / Cranial Acima do corpo em posição anatômica.
Inferior / Caudal Abaixo do corpo em posição anatômica.
Medial Próximo ao plano sagital.
Lateral Próximo ao plano sagital mediano.
Mediano Sobre o eixo sagital mediano.
Intermédio Entre o medial e o lateral.
Médio Entre o anterior e o posterior.
Proximal Próximo ao tronco.
Distal Longe do tronco.
Fonte: elaborado pelo autor.
As expressões e descrições anatômicas do corpo humano, estático ou não, são
fundamentais para a compreensão sobre como um movimento é realizado, e
pensá-lo dessa maneira permitirá que você, pro�ssional, descubra formas mais
efetivas para ensinar, corrigir e otimizar os movimentos dos seus alunos. Para além
do movimento, seja no esporte, nas atividades diárias, durante um exercício físico
ou nas aulas de Educação Física, é essencial que a saúde seja promovida com
qualidade e responsabilidade. Veja no Quadro 1.2 as descrições anatômicas de
alguns movimentos articulares que podem ser realizados pelo corpo humano.
Quadro 1.2 – Articulações e Descrições Anatômicas
Flexão Quando há diminuição angular da articulação em movimento.
Extensão Quando há aumento angular da articulação em movimento.
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Abdução Quando há afastamento em relação à linha medial em
movimento.
Adução Quando há aproximação em relação à linha medial em
movimento.
Circundução Quando há movimento em forma de círculos de qualquer
membro.
Rotação Quando há movimento de rotação em torno do eixo longitudinal.
Fonte: elaborado pelo autor.
Você já havia se deparado com essas expressões dos Quadros 1.1 e 1.2? Todas as
pro�ssões utilizam termos técnicos para se comunicar com os colegas e até
mesmo para orientar seus clientes ou alunos. Agora que você escolheu sua área de
atuação pro�ssional, é muito importante que se familiarize com o vocabulário
especí�co da Educação Física.
Consegue perceber que, alicerçado nesse embasamento cinesiológico, o
pro�ssional ou professor de Educação Física terá melhores condições de aliar esse
conhecimento teórico à prática quando necessário for, por exemplo, identi�car os
músculos e suas funções envolvidas nas contrações musculares e as articulações
envolvidas em um movimento qualquer? Pegue uma bola imaginária de voleibol e
simule o movimento de um saque a partir da linha de fundo da quadra de jogo.
Pense que a posição de saque organiza-se desde a posição dos pés, joelho, tronco,
braços, cabeça, ou seja, temos uma posição inicial ao se preparar para o saque e
uma posição �nal após sua realização. Em que eixo e plano a bola é golpeada?
Quais os músculos e articulações envolvidos no momento do movimento? O
movimento completo de realizar o fundamento saque no vôlei envolve mais de um
plano e/ou eixo seccional anatômico? Para responder a essas perguntas você terá
que conhecer, analisar e aplicar os princípios da Cinesiologia Básica e da
Biomecânica. Também é importante considerar fatores como as causas e efeitos
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do movimento em análise, pois esse conhecimento auxiliará o pro�ssional ou
professor de Educação Física a determinar um linear tolerável entre um estímulo
externo e a capacidade de cada indivíduo (HIGINO, 2002). 
Espelhando esse cenário para aspectos voltados à saúde das pessoas, nota-se a
relevância indiscutível desse conhecimento para melhorar os componentes da
aptidão física das pessoas, por meio de programas de exercício físico, atividade
física, orientações e outras intervenções, para manter ou promover melhor
qualidade de vida.
Para re�etir sobre os questionamentos propostos, sugerimos que você analise as
informações do Quadro 1.3.
Quadro 1.3 | Eixos, planos e sentido do movimento
Eixos Planos Movimento
articular
Sentido do movimento
Látero-lateral Sagital Flexão e
extensão
Para frente e para trás:
caminhar, rolamentos, etc.
Anteroposterior Frontal Abdução e
adução
Para um lado e para outro:
reversão lateral, �exão lateral,
etc.
Longitudinal Transversal Rotação Ao redor do próprio eixo:
rotação da coluna, giro da
bailarina ou ginasta, etc.
Fonte: elaborado pelo autor.
Agora que você já se deparou com os Planos e Eixos Anatômicos do corpo
humano, vamos avançar nesse conteúdo para que você entenda a relevância desse
assunto para outros aspectos do corpo humano, como o alinhamento postural, o
repouso e a respiração.
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ALINHAMENTO POSTURAL
O processo de evolução da espécie humana leva-nos a re�etir sobre como nossos
ancestrais se movimentavam e como nós nos movimentamos nos dias de hoje. A
locomoção, por exemplo, certamente passou por transformações do andar em
quatro apoios (quadrúpede) para 2 apoios (bípede). Pensando dessa forma, logo
relacionamos esse contexto histórico com questões posturais do corpo humano e,
consequentemente,com as características da coluna vertebral, da estabilidade e
do centro de gravidade.
É importante destacar que, para que haja postura, é necessário que haja equilíbrio.
Esses dois fatores estão diretamente relacionados ao bem-estar geral e à
qualidade de vida dos indivíduos. O professor ou pro�ssional da Educação Física
deverá se manter sempre atualizado com sua área de conhecimento,
especialmente sobre o funcionamento do corpo humano. Essa pro�ciência lhe
permitirá identi�car as limitações corporais na prática de uma atividade ou
exercício físico e poderá, en�m, ofertar serviços em avaliação física e diferentes
intervenções em saúde.
A postura corporal é conceituada por Lehmkuhl (1989) como uma forma de os
indivíduos conseguirem sustentar a estrutura corporal. Para manter a postura
saudável do corpo é fundamental que estejam envolvidas questões que se
relacionam com o controle postural e sua estabilidade, assim como compreender a
interação entre o sistema musculoesquelético e o sistema neural, pois é por meio
desse entendimento que o Professor de Educação Física estará apto para criar
diferentes estratégias para promover, desenvolver e contribuir para a manutenção
das posições do corpo humano que são mais e�cazes, minimizado, portanto,
possíveis desgastes nos aspectos da locomoção.
O alinhamento corporal, ainda que consideremos o princípio da individualidade
biológica, contribuirá para o corpo extrair o máximo de e�cácia nos âmbitos da
�siologia e da biomecânica, evitando prejuízos causados por stress e esforço, que
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resultam em desvios posturais sérios, como a hiperlordose, hipercifose, escoliose,
etc.
A hiperlordose é caracterizada pela curvatura acentuada entre as vértebras da
cervical e da lombar. Já na hipercifose esse aumento na curvatura manifesta-se nas
vértebras da dorsal, e por esse motivo as vértebras torácicas se sobressaem nas
proximidades do ombro. A escoliose é caracterizada pela rotação das vértebras e
pode se apresentar em forma de “C” quando o desvio é centralizado na região das
vértebras torácicas ou lombares, por exemplo, ou em forma de “S” quando há ao
menos duas curvaturas como, por exemplo, uma curvatura à direita na região
torácica, e outra à esquerda na região lombar. Veja na Figura 1.6 a comparação do
posicionamento correto da coluna vertebral com os desvios posturais comuns.
Figura 1.6 – Desvios posturais
Fonte: Shutterstock.
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Para o corpo se manter em equilíbrio o centro de gravidade do indivíduo em
posição ortostática (posição anatômica) deverá estar sobre o centro de certas
articulações, considerando os diferentes planos e eixos anatômicos do corpo.
O centro de gravidade é determinado pelo centro da massa que se relaciona com a
força gravitacional do planeta Terra. Em um corpo em que a simetria e distribuição
de massa são perfeitos, localizamos o centro de gravidade exatamente no seu
centro. O corpo humano apresenta simetria bilateral sob o ponto de vista do plano
sagital, portanto, o centro de gravidade corporal está localizado próximo à região
umbilical; contudo, o centro de gravidade pode ser alterado porque dependerá do
movimento e das posições em que se encontra a estrutura corporal.
Promover estratégias para avaliar o alinhamento corporal dos seus alunos
auxiliará na melhora da postura corporal que estará associada à prática de
exercícios de alongamento, força e à prática de esportes que dão ênfase à
bilateralidade.
Você sabia que manter o corpo por muito tempo em uma postura inadequada
poderá provocar uma sobrecarga mecânica? Um exemplo disso está relacionado
com as longas horas que passamos no celular, com a cabeça inclinada para baixo,
sobrecarregando a coluna.
As regiões da coluna vertebral estão organizadas da seguinte forma: região
cervical, composta por 7 vértebras; região torácica, composta por 12 vértebras;
região lombar, composta por 5 vértebras; região sacral, composta por 5 vértebras
que estão acopladas no sacro; região do cóccix, composta por 3 ou 4 vértebras que
se acoplam no osso cóccix. Para além das vértebras, a coluna vertebral também
possui músculos, discos invertebrais e ligamentos. Os discos invertebrais somam o
total de 23 e estão presentes da segunda vértebra até a primeira vértebra do
sacro. Eles são primordiais para a manutenção e alinhamento postural, pois sua
função é amortecer e sustentar o peso. Veja a Figura 1.7 para melhor compreensão
da organização da coluna vertebral.
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Figura 1.7 – Coluna vertebral
Fonte: Shutterstock.
A respiração é uma necessidade �siológica baseada na troca de gases entre o
organismo e o ambiente. Para o corpo humano a respiração consiste na captação
de oxigênio e exteriorização do Gás Carbônico (CO ). O principal músculo envolvido
na respiração humana é o diafragma. O diafragma é um músculo estriado
composto pela superfície torácica e pela superfície abdominal.
No contexto da Educação Física e do estudo do movimento humano precisamos
entender quais são os processos respiratórios que merecem especial atenção.
Para toda atividade ou exercício físico há interação do sistema circulatório que é
composto pelo coração, vasos sanguíneos, sangue, linfa e vasos linfáticos, e o
sistema respiratório, que é composto pelos pulmões, fossas nasais, boca, faringe,
laringe, traqueia e brônquios, e os alvéolos pulmonares, com a função de distribuir
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todo o sangue pelo organismo e garantir as trocas de gases, respectivamente. Essa
participação dinâmica entre os dois sistemas viabiliza intervenções em saúde,
como a de estabelecer, por exemplo, o esforço durante uma atividade. O consumo
de Oxigênio (O2) assim como os processos ventilatórios envolvidos em uma
cadeira respiratória, contribuem durante a realização de uma atividade ou
exercício físico para elevar os graus de intensidade. É interessante destacar que o
consumo de oxigênio requerido pelos músculos durante uma atividade ou
exercício físico são diferentes do consumo de um corpo em repouso. Em repouso
estima-se um consumo de 38% de O2, enquanto em uma atividade que requer um
esforço máximo estima-se um consumo de 95%. Compreendendo essa diferença,
podemos re�etir sobre o quanto o nosso corpo se adapta a diferentes
intensidades de tarefas buscando continuamente o que chamamos homeostase.
A ventilação é responsável pela renovação do ar nos pulmões, que se dá no
momento da inspiração, quando o ar entra nos pulmões, e na expiração,
caracterizada pela saída do ar do sistema pulmonar. A literatura cientí�ca aponta
que, quando estamos em repouso, inspiramos aproximadamente 10 litros de ar; já
em movimento, esse número pode ser até 25 vezes maior.
Destacamos, portanto, que, durante a prática de uma modalidade esportiva ou
qualquer outro exercício que exige certo esforço físico, deve-se dar importância à
respiração correta. Você já percebeu o quanto a frequência cardíaca aumenta
quando você, por algum motivo, tem que correr, seja apostando corridaem uma
aula de Educação Física, seja em uma emergência? Alguns autores defendem que a
respiração durante uma corrida deve ser mantida no ritmo de dois tempos por
dois. O que isso signi�ca? Que é necessário inspirar por dois tempos e expirar por
outros dois tempos. Além disso, você já estudou sobre a importância da postura e
do alinhamento corporal, não é mesmo? Assim, durante uma corrida, a coluna
deve estar ereta para que haja equilíbrio entre os músculos, especialmente os do
sistema circulatório, para que os pulmões possam inspirar a maior quantidade de
O2 possível. Para todas as modalidades de exercício físico é importante considerar
a forma correta de respirar, pois uma musculatura que recebe maior quantidade
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de oxigênio não se fatigará tão facilmente. Acontece que há uma variedade quase
que in�nita de modalidades esportivas e exercícios físicos para que se estabeleça
um linear respiratório para cada uma delas. Vamos focar nossa atenção nas
referências de base. 
Em um exercício, quando o pulmão demonstra espaço para expandir, devemos
inspirar o ar e, quando este espaço diminui, devemos expirar. Seguindo essa
lógica, como você orientaria a respiração em um exercício abdominal ou de
agachamento? 
Perceba que, durante o exercício abdominal, o ar deve ser expelido quando o
tronco estiver próximo às pernas, enquanto a inspiração deve ser realizada
quando se está retornando à posição de início. Já em um exercício de
agachamento, o ar deve ser inspirado na fase excêntrica, ou seja, durante a
descida, portanto, expirado na fase concêntrica, durante a subida (SANTOS, 2018,
p.11).
As técnicas de respiração durante as aulas de Educação Física e diferentes
modalidades esportivas e exercícios físicos são fundamentais para manter a
oxigenação nos músculos recrutados durante a prática. Uma respiração ritmada
auxilia na performance, além de favorecer a distribuição de nutrientes para as
células musculares e suas auxiliares durante o esforço físico.
REPOUSO E RESPIRAÇÃO
Agora que você já teve contato com informações importantes sobre o movimento
humano e compreendeu os planos e eixos anatômicos, os aspectos do
alinhamento postural, do repouso e da respiração, vamos complementar esse
conteúdo expondo fatores relevantes ao ensinar um movimento, seja ele
desportivo, funcional ou outro.
A elaboração de exercícios e a execução de cada movimento técnico proposto pelo
professor ou pro�ssional de Educação física deve considerar que o homem,
diferente da maioria dos animais, precisa desenvolver habilidades para aprender a
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se locomover, movimentar-se e viver. Nesse sentido, há que se promover
ambientes propícios para que o indivíduo aprimore questões voltadas à
consciência corporal, que é desenvolvida por meio da motricidade humana. A
presença da consciência corporal auxilia signi�cativamente na realização de
exercícios com técnicas e posições corretas. Embora as danças, jogos, lutas,
esportes e ginásticas sejam exploradas em um universo lúdico, recreativo e
educativo, essas práticas corporais são excelentes estratégias para ensinar
movimentos especí�cos, com técnica e precisão.
Se olharmos para os movimentos realizados em diferentes modalidades de
ginástica, por exemplo, vamos perceber com mais facilidade que eles são
organizados de acordo com peculiaridades biomecânicas e pedagógicas, e que, por
esse motivo, são particionados em posição inicial, desenvolvimento e posição �nal.
Os exercícios resistidos (os que são realizados com os aparelhos de uma academia
de musculação) também seguem esses princípios. Se observarmos diferentes
fundamentos de modalidades esportivas encontraremos essas mesmas
características, por exemplo, no saque no voleibol que, com posicionamento de
pés, tronco, braços e cabeça corretamente alinhados, facilitará o êxito na
execução, pois todo movimento especí�co segue uma organização pedagógica já
estudada ou que o próprio pro�ssional da Educação Física poderá desenvolver.
A posição inicial é a posição de início de um movimento/exercício, que contribui na
organização estrutural do corpo, auxilia no aprimoramento da técnica e promove
melhor compreensão da trajetória do movimento.
O desenvolvimento é a própria execução do exercício ou do movimento proposto.
A posição �nal é a posição de término de um movimento/exercício e, muitas vezes,
ela se assemelha ou até mesmo é igual à posição de início.
É importante que os movimentos sejam ensinados sempre do mais simples para o
mais complexo, e o professor deverá �car atento à compreensão e entendimento
do aluno em relação ao movimento que ele precisará executar.
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ASSIMILE
Estudando os músculos que são atuantes na coluna vertebral, você
perceberá que há os �exores e os extensores, esse último em maior
quantidade. Essa organização anatômica-muscular nos ajuda a entender o
quão mais fácil é fazer a �exão da coluna, pois nesse movimento contamos
com a força da gravidade que atua para baixo, facilitando a extensão,
enquanto, para fazer a extensão da coluna, embora contemos com um
número maior de músculos, é necessário superar a força da gravidade.
REFLITA
Suponhamos que você esteja assistindo pela internet ou televisão uma
série de Ginástica Rítmica, aquela em que as ginastas usam diferentes
aparelhos - corda, bola, arco, maças ou �ta. Lembrou? Ao assistir, você �ca
encantado com as possibilidades de movimentos que nunca teria
imaginado se não tivesse visto. Nesse contexto, você conseguiria identi�car
qual plano anatômico e seu eixo correspondente é utilizado quando vê que
a ginasta lança a bola, executa 3 rolamentos para frente e, em seguida,
recupera a bola com os pés? Lembre-se que todo movimento é realizado
em torno de um eixo e que cada eixo está localizado perpendicularmente
ao seu plano correspondente. E se, ao invés de rolamento para frente, a
ginasta tivesse realizado uma reversão lateral, popularmente conhecida
como “estrelinha”, o plano e eixo correspondente seriam outros? É possível
que em um mesmo movimento seja utilizado mais de um plano anatômico
e mais de um eixo correspondente? Para responder a essas perguntas,
acesse o vídeo explicativo Análise de Movimentos Articulares 1, disponível
no canal do Youtube.:
EXEMPLIFICANDO
Em uma aula de Educação Física, procure observar a postura corporal dos
seus alunos, procurando conscientizá-los sobre a importância em manter
um alinhamento corporal ideal para usufruir de boa qualidade de vida por
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meio de práticas corporais. Em uma escola, por exemplo, converse com
outros professores para que �quem atentos à forma com que os alunos
estão sentados na cadeira, pois é em uma sala de aula fechada que os
alunos passam a maior parte do tempo. Se estiver em uma aula remota,
pergunte aos alunos sobre qual postura estão posicionados, criando
oportunidades para orientá-los em relação a esses aspectos do corpo
humano.
Enfatizamos a importância dos conhecimentos aqui explorados paraque o
professor e o pro�ssional de Educação Física possam promover aos seus alunos as
mais ricas experiências de movimento, seja por meio de atividade física, exercício
físico, práticas corporais ou modalidades esportivas. Que todas as propostas de
ensino e aprendizagem sejam fundamentadas em conhecimentos já estudados e
publicados na literatura cientí�ca, trazendo ao cotidiano pro�ssional intervenções
nas quais estejam presentes a responsabilidade, o bom uso dos termos técnicos, o
incentivo na superação das próprias limitações e, acima de tudo, a ética.
FAÇA VALER A PENA
Questão 1
Considerando que o corpo humano em sua posição anatômica pode ser
compreendido por meio de planos e eixos anatômicos, analise as a�rmações a
seguir.
I. Auxiliadores da localização de cada estrutura corporal e da direção dos
movimentos corporais, todo plano anatômico, seja ele sagital, frontal ou
transversal, possui um eixo perpendicular, a saber: eixo látero-lateral,
anteroposterior e longitudinal, respectivamente.
II. Os planos anatômicos auxiliam na compreensão da localização de cada eixo
anatômico, e esse entendimento ajuda o pro�ssional a identi�car as articulações
recrutadas e os músculos envolvidos em cada ação motora.
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III. Sagital é o nome do plano anatômico que possui o eixo Látero-Lateral como seu
perpendicular. Nesse plano é possível imprimir movimentos articulares de �exão e
extensão, assim como movimentos de caminhar para frente e para trás.
Está correto o que se a�rma em:
a.  I, apenas.
b.  II, apenas. 
c.  I e III, apenas.
d.  II e III, apenas.
e.  I, II, III.
Questão 2
O alinhamento corporal e questões relacionadas à postura contribuem em muito
para que o corpo possa conferir o máximo de e�cácia nos âmbitos da �siologia e
da biomecânica, evitando prejuízos causados por estresse e esforços que resultam
em desvios posturais sérios, como a hiperlordose, hipercifose, escoliose, etc.
Sobre a hiperlordose, assinale a alternativa que corresponde à resposta correta.
a.  A hiperlordose é caracterizada pela curvatura acentuada entre as vértebras da cervical e da lombar.
b. A hiperlordose apresenta aumento na curvatura da coluna e se manifesta nas vértebras da dorsal.
c.  A hiperlordose é manifestada nas vértebras torácicas que se sobressaem nas proximidades do ombro.
d.  A hiperlordose é caracterizada pela rotação das vértebras e pode se apresentar na forma de “C” quando o
desvio é centralizado na região das vértebras torácicas.
e.  A hiperlordose é caracterizada pela rotação das vértebras em “S” quando há ao menos duas curvaturas:
uma à direita na região torácica e outra à esquerda na região lombar. 
Questão 3
Os movimentos corporais realizados em diferentes modalidades de ginástica são,
em geral, organizados de acordo com suas peculiaridades biomecânicas e
pedagógicas; por esse motivo, são particionados em posição inicial,
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REFERÊNCIAS
ANÁLISE de Movimentos Articulares [S. l.; v. 1], 2016. Vídeo 24 min. Publicado pela
canal: Movimento Humano. Disponível em: https://youtu.be/4DITxRK7czs. Acesso
em: 28 abr. 2021.
DOBLER, G. Cinesiologia. São Paulo: Manole, 2003.
HIGINO, N. Apostila de sala. in: Planos e Eixos dos Movimentos Corporais.
UNAMA, 2002.
LEHMKUHL, L. D.; SMITH, L. K. Cinesiologia clínica de Brunnstrom. São Paulo:
Manole, 1989. 
desenvolvimento e posição �nal. Nesse contexto, analise as a�rmações a seguir.
I. A posição inicial de um movimento é a posição de início que contribui para a
organização estrutural do corpo, auxiliando-o no aprimoramento da técnica e
promovendo uma melhor compreensão da trajetória do movimento.
II. O desenvolvimento de um movimento é a própria execução do exercício ou o
movimento proposto no processo pedagógico.
III. A posição �nal do movimento é a posição de término de um
movimento/exercício e, muitas vezes, assemelha-se ou é igual à posição de início.
Está correto o que se a�rma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. I e III, apenas.
d. II e III, apenas.
e.  I, II e III. 
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SANTOS, E. D. Manual do Movimento Agachamento. 63 páginas. Relatório
Técnico. Mestrado Pro�ssional em Exercício Físico na Promoção da Saúde. Centro
de Pesquisa em Ciências da Saúde. Universidade Norte do Paraná, Londrina. 2018.
TEIXEIRA, L. R.; VANÍCOLA, M. C. A postura corporal nos programas de educação
física. Revista da Escola Superior de Educação Física de Pernambuco, v. 1, n. 1,
p. 7-14, 2001.
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
POSTURA E POSIÇÃO
Walquiria Batista de Andrade
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SEM MEDO DE ERRAR
Para a faixa etária entre 6 e 7 anos, você reconhece a importância em promover
atividades que vão oportunizar às crianças conhecer melhor o seu corpo,
principalmente em relação às possibilidades de movimentos que abarcam as
habilidades básicas de locomoção, estabilização e manipulação. A partir do
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entendimento de que o corpo possui diferentes planos e eixos anatômicos você
deverá organizar movimentos que contemplem a maior variedade possível de
movimentos que considerem a tridimensionalidade do corpo humano. Uma
sugestão de estratégia seria promover circuitos motores desa�antes nos quais as
crianças pudessem passar repetidamente por eles, mas de forma divertida e
motivante. Para planejar os desa�os do circuito, você deverá aplicar o
conhecimento baseado na cinesiologia a respeito dos eixos e planos anatômicos,
assim como os conhecimentos sobre o repouso, a respiração e a posição inicial e
�nal dos movimentos. 
A partir desses entendimentos você poderá propor diferentes formas de caminhar;
durante o percurso, mostre como andar de frente, para trás, de lado, do outro
lado, engatinhando, agachado (Plano Sagital), lembrando que todo movimento se
dá em torno de um eixo anatômico, nesse caso, o eixo látero-lateral. Querendo
contemplar todos os planos, você também pode incluir no trajeto do circuito
movimentos de um lado para o outro, saltando com os dois pés, um pé só,
também simulando o andar dentro de um barco alternando lateralmente pé
direito e esquerdo, assim como os giros, imitando bailarinas ou ginastas,
estabelecendo padrões de posição inicial e �nal para alguns dos movimentos.
Percebe o quanto o conhecimento sobre eixos e planos contribui para enriquecer
os movimentos em um trajeto motor? Após cada trajetória realizada “com
sucesso”, você poderá conversar com os seus alunos pedindo para que percebam
a alteração na respiração, promovendo momentos de pausa ao retornar para o
início do trajeto.
AVANÇANDO NA PRÁTICA
A BOA POSTURA
Ao praticar as atividades corporais no “Projeto Movimentar-se”, as criançastêm um
intervalo de 15 min para tomar lanche no refeitório. Ao acompanhar a sua turma
durante o intervalo, você percebe que os seus alunos sentam-se no banco do
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refeitório e se debruçam na mesa, de forma que o cotovelo �ca apoiado na mesa e
a cabeça descansa sobre a palma da mão na maior parte do tempo, �cando a
coluna vertebral curvada. Você compartilha o comportamento dos seus alunos
com os demais professores e percebe que isso ocorre não somente na sua turma,
mas o problema é geral. E agora? Você sabe que as questões posturais são
extremamente importantes para a qualidade de vida de um ser humano e que elas
interferem no crescimento, desenvolvimento e qualidade do movimento, seja ele
para as atividades da vida diária, seja em modalidades esportivas. Quais ações
você proporia para minimizar as questões posturais dos alunos do “Projeto
Movimentar-se”? Faria algo somente pela sua turma, a�nal, somente ela está sob
sua responsabilidade?
RESOLUÇÃO
Em conjunto com os outros professores você procura o coordenador do
“Projeto Movimentar-se” e apresenta a questão postural como algo essencial
na vida do ser humano, enfatizando que essas questões não podem
simplesmente passar em branco visto que são pro�ssionais da saúde e os
olhares precisam estar atentos para além das práticas corporais. Nesse
contexto, o coordenador incentiva a conscientização por meio de práticas que
envolvam os alunos e seus pais. Assim, você e os demais professores
organizam uma palestra em forma teatral que aborde questões posturais para
diferentes faixas etárias. No teatro haverá um personagens com hiperlordose,
hipercifose e escoliose, além dos personagens que trarão informações sobre
como manter a boa postura e o alinhamento corporal ideal ao longo da vida.
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NÃO PODE FALTAR
MOTRICIDADE HUMANA
Walquiria Batista de Andrade
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PRATICAR PARA APRENDER
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Caro aluno, seja bem-vindo à Seção 3 – Motricidade Humana. Nesta seção
exploraremos conteúdos que fundamentarão o seu processo de aprendizagem e a
apropriação do conhecimento em relação aos movimentos anatômicos, educação
“do” e “pelo” movimento, as cadeias musculares e desordens do movimento.
Quanto mais você ampliar o seu conhecimento com os mais variados assuntos que
englobam a Educação Física, mais preparado você estará para atuar
pro�ssionalmente no futuro. Saber interpretar e descrever um movimento,
compreendendo plano, eixo e cadeias musculares envolvidas, bem como, saber
nomeá-los corretamente, vai permitir que seus alunos percebam o quanto você
está preparado para os atender e o quanto seus conhecimentos poderão propiciar
a aprendizagem de um movimento, tanto quanto executá-lo com qualidade. Além
disso, estará preparado para olhar não apenas o movimento, mas o indivíduo que
se movimenta, o contexto em que está inserido, propiciando às pessoas uma
educação não limitada “do” ou “pelo” movimento, mas, de fato, uma educação de
corpo inteiro, que seja democrática e que preze pelos princípios da igualdade,
equidade e diversidade. 
Você já parou para pensar nos aspectos Biomecânicos, Cinesiológicos e Físicos que
envolvem a simples ação de caminhar? Nesta seção você poderá compreender o
quão importante é conhecer os aspectos envolvidos no movimento humano, o que
certamente contribuirá para que você, futuro professor e/ou pro�ssional, atue com
segurança e sabedoria no campo de trabalho.
O “Projeto Movimentar-se”, vinculado à Fundação de Esportes da sua cidade, além
de promover diferentes práticas corporais para crianças e adolescentes entre 6 e
17 anos, implantou uma frente de ações para melhorar a qualidade de vida da
população mais idosa, já que esse público tem crescido cada vez mais ano a ano.
Para tanto, os gestores do projeto convocaram seus Professores de Educação
Física para convidar o público acima de 60 anos para se engajar no projeto e, mais
do que isso, solicitar propostas de atividades para promover saúde durante o
processo de envelhecimento das pessoas. Agora, você é o professor mais
experiente do “Projeto Movimentar-se” e, por esse motivo, os gestores solicitaram
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que você trouxesse sugestões de propostas de atividades e exercícios físicos para a
população idosa na próxima reunião. Diante dos conhecimentos construídos nesta
unidade, quais atividades você recomendaria e como seriam norteadas as suas
ações pro�ssionais no “Projeto Movimentar-se” frente a essa novidade? 
Espero que todo conteúdo seja explorado com motivação e que, acima de tudo,
faça sentido em sua trajetória acadêmica. Lembre-se que os mais diferentes
assuntos a serem abordados durante a sua formação deverão ser associados e
relacionados em todo o tempo, com a teoria e o saber fazer na prática.
Bons estudos! 
TÍTULO PADRÃO
MOVIMENTOS ANATÔMICOS
O movimento está entre as mais variadas funções que o corpo humano precisa
realizar simultaneamente para que haja a manutenção da vida. Compreendendo
que o funcionamento do nosso corpo, em toda sua estrutura física e biológica, não
é algo assim tão simples, optamos por apresentá-lo pedagogicamente, dividido em
partes, para aproximar você do conhecimento. Basicamente podemos dividir a
estrutura física em 3 segmentos: 1) cabeça e pescoço; 2) tronco, subdividido em
tórax e abdômen; 3) membros, subdivididos em superiores (braços, antebraços e
mãos) e inferiores (coxas, pernas e pés). Essa divisão limita-se às regiões corporais,
porém há outras divisões que podem ser estudadas e embasadas nas diferentes
funções e principais órgãos do corpo humano, como o sistema
musculoesquelético, cardiorrespiratório, geniturinário e circulatório. Eleger qual
sistema é o mais importante é uma tarefa complexa, porque o funcionamento e a
interação entre eles são cruciais para manter bons índices de saúde e qualidade de
vida. 
Nesta seção vamos explorar os movimentos anatômicos por meio do sistema
musculoesquelético (sistema muscular + sistema esquelético) que basicamente
compõe o aparelho locomotor que interage com o sistema nervoso. O sistema
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esquelético é formado por ossos e articulações e sua principal função é a de
proteger órgãos vitais, sustentar a estrutura muscular, além de armazenar Cálcio e
Potássio e atuar na produção de células plasmáticas. Já o sistema muscular é
composto pelos músculos do corpo humano responsáveis pelos movimentos. O
sistema nervoso é composto pelo encéfalo, medula espinhal e nervos, e tem como
principal tarefa controlar todas as funções do corpo humano. Já estudamos
anteriormente a posição anatômica de referência sobre os planos e eixos
anatômicos na Seção 2 desta unidade,portanto, agora vamos compreender como
o posicionamento de cada região corporal pode ser comparado entre si, utilizando
termos especi�camente técnicos de posicionamento e direção, relacionados a
seguir:
•  Proximal e distal: utilizados para descrever segmentos que estão perto ou longe
do tronco, respectivamente. 
•  Medial e lateral: descrevem os segmentos corporais em relação a sua
lateralidade e proximidade, ou não, com o plano mediano, respectivamente. 
•  Intermédio: partes do corpo que se encontram entre a região medial e lateral. 
•  Bilateral: termo relacionado a órgãos, regiões ou segmentos corporais que estão
presentes em ambos os lados do corpo. 
•  Unilateral: termo relacionado a órgãos, regiões ou segmentos corporais que
estão presentes em apenas um lado do corpo. 
•  Contralateral: descreve estruturas que se encontram do lado oposto, como, por
exemplo, a mão direita e mão esquerda. 
•  Anterior ou ventral e posterior ou dorsal: descrevem segmentos à frente ou atrás
em relação ao plano frontal, respectivamente. 
•  Superior ou cranial: descreve se o segmento corporal está acima do centro do
corpo. 
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•  Inferior ou caudal: descreve se o segmento corporal está abaixo do centro do
corpo. 
•  Mediano: descreve segmentos que estão localizados no plano medial. 
•  Médio: seguimentos que estão localizados entre a região superior e inferior ou
entre a região proximal ou distal, como, por exemplo, as falanges proximal, medial
e distal que formam os dedos da mão.
A Figura 1.8 ilustra bem as posições e direções anatômicas até então mencionadas.
Figura 1.8 | Termos anatômicos
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Fonte: adaptado de Sarro (2010, p. 22).
Os movimentos anatômicos devem ser descritos corretamente utilizando termos
técnicos adequados para cada tipo de movimento. Nesse sentido, os movimentos
de �exão, extensão, abdução, adução, de rotação medial, lateral poderão ser mais
bem compreendidos a partir da descrição e �guras apresentadas a seguir:
•  Flexão: o movimento de �exão é realizado toda vez que a angulação entre os
segmentos é diminuída. O eixo no qual é realizado esse tipo de movimento é o
transversal que é perpendicular ao plano sagital.
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•  Extensão: o movimento de extensão é realizado toda vez que há distanciamento
entre os segmentos ou, ainda, o oposto do movimento de �exão. Também é
realizado em torno do eixo transversal. É importante que você saiba que os
segmentos do tronco, joelhos, dedos, punhos, cotovelos, ombros e quadril
realizam tanto movimentos de �exão como de extensão.
•  Abdução: o movimento de abdução é realizado quando há distanciamento do
segmento em relação ao plano mediano (veja Figura 1.9).
•  Adução: o movimento de adução é realizado quando há aproximação do
segmento em relação ao plano mediano, ou seja, é o movimento oposto à
abdução. Os segmentos do ombro, dedos e quadril realizam tanto movimentos de
adução como de abdução.
•  Medial: este movimento também é conhecido como rotação interna, já que o
movimento de rotação é realizado no plano transversal, ou seja, no eixo
longitudinal.
•  Rotação lateral: este movimento também é conhecido como rotação externa, já
que a rotação é realizada no sentido oposto da rotação medial. Ombros e quadril
realizam movimentos de rotação tanto medial quanto lateral.
As Figuras 1.9 e 1.10, a seguir apresentadas, vão esclarecer os movimentos acima
contextualizados.
Figura 1.9 | Movimentos de �exão e extensão
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Fonte: Sarro (2010, p. 23).
Figura 1.10 | Movimentos de adução e abdução
Fonte: Sarro (2010, p. 25).
ASSIMILE
Movimento é a capacidade de mover um segmento corporal de um ponto
para o outro. Tal movimento é sempre executado em torno de um eixo em
determinada direção. Quando o movimento envolve estruturas ósseas e
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musculares que se movem ao redor de sistemas articulares �xados em
relação aos eixos látero-lateral, anteroposterior e longitudinal, chamamos
de movimentos anatômicos.
Os movimentos também podem ser classi�cados em lineares e angulares, e esses
termos são mais utilizados na análise do corpo humano ou na análise de um
objeto manipulado pelo indivíduo. O movimento linear é realizado quando há
deslocamento traduzido em uma trajetória, seja ela retilínea ou curva, e pode ser
medido em unidades de medida, como metros e centímetros. Já o movimento
angular tem como referência o eixo corporal no qual o movimento de rotação será
realizado e pode ser mensurado em graus.
O próprio caminhar é composto por movimentos lineares e angulares porque, em
sua análise, vamos nos deparar com a rotação de segmentos ao redor das regiões
articulares do tornozelo, ombro e quadril, que ocorrem no plano sagital em seu
eixo perpendicular látero-lateral e, ao mesmo tempo, movimentos que
contemplam o distanciamento e/ou afastamento da linha média corporal no eixo
anteroposterior e, ainda, uma rotação medial da perna no eixo longitudinal.
EDUCAÇÃO “DO” E “PELO” MOVIMENTO
Freire (1991), em sua obra Educação de corpo inteiro – Teoria e prática da
Educação Física, levantou a seguinte questão: Educação do movimento ou
Educação pelo Movimento? O movimento como instrumento aplicável e favorável
para o ensino de outros saberes que não o motor estaria relacionado com “educar
pelo movimento”? O ensino de movimentos, nos mais diferentes contextos e
práticas corporais, poderia ser nomeado “educação do movimento”? Eis as
questões tão presentes na Educação Física que certamente não seriam
respondidas tão facilmente em poucas ou muitas linhas, tampouco neste
momento de aprendizagem. Esse contexto tem o objetivo de fazer com que você
re�ita o quão a Educação Física é importante dentro da escola como componente
curricular e o quanto ela é importante fora da escola nas dimensões recreativas,
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do alto rendimento e da saúde. Estudamos na Seção 1 desta unidade aspectos
relacionados à corporeidade humana e, sob essa ótica, devemos ser capazes de
re�etir sobre a incrível e in�nita capacidade que o corpo tem para se educar.
Moreira (1998) menciona a corporeidade como meio de se fazer saber a existência
e as interações do ser com o mundo, consigo próprio e com os outros, ou seja,
uma concretização do pensar, ou melhor, o ser pensante corpori�cado. Pensando
em educação “do” e “pelo” movimento, é importante que o pro�ssional e/ou
professor de Educação Física considere, ao mencionar corpo como objeto de
conhecimento, o avaliar e o defrontar-se com as maisvariadas dimensões do
corpo, a saber: o corpo �siológico, mas também o biológico; o histórico, mas
também o estético; o religioso, mas também o social, etc. Além do mais, não se
pode negar a existência da inteligência corporal e a inteligência corporal
cinestésica, citada por Gardner (2000), como uma das habilidades em que os
indivíduos encontram muita di�culdade para compreender como, de fato, uma
inteligência. A Cinestesia é o meio pelo qual o corpo se faz perceber pelas ações
musculares que chamamos movimento, pelo próprio peso, pela disposição dos
membros e sua organização estrutural. Nesse sentido, para Gardner (2000), a
inteligência cinestésica está relacionada à capacidade de utilizar o corpo por inteiro
ou parte dele para enfrentar e solucionar problemas, assim como promover o
autocontrole corporal em relação à destreza na habilidade manipulativa de
diferentes objetos. Segundo o autor supramencionado, dançarinos, atletas,
malabaristas, entre outros, possuem inteligência corporal cinestésica bem
desenvolvida.
Freire (1991) cita que a Educação Corporal é, sem dúvida, um dos objetivos a
serem atingidos pela Educação física. A educação do movimento acontece quando
não se pode negar que um indivíduo pode executar movimentos com mais
habilidade, destreza e coordenação, seja por uma necessidade do meio ou por
uma educação sistematizada pela Educação Física na escola. Não obstante, citar a
educação pelo movimento também não seria um equívoco, considerando que não
há meios para se realizar movimentos coordenados e mais bem elaborados, se
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não pelos movimentos já vivenciados e compreendidos. Ainda assim, embora a
educação para o movimento estivesse presente por longos períodos na Educação
Física, Freire (1991) cita que, em seu entendimento, a educação não é “do” nem
“pelo” movimento, antes, a educação é de corpo inteiro.
É importante que a Educação Física, como área de conhecimento que é, por meio
dos seus protagonistas, promova uma educação corporal não voltada somente
para melhorar a qualidade dos movimentos, mas que transcenda para uma
educação acima de tudo humanista, que abarque em suas ações os princípios da
igualdade, equidade e a diversidade.
CADEIAS MUSCULARES
As cadeias musculares são extremamente importantes para manter uma pessoa
em postura de equilíbrio. Trata-se de uma intervenção em saúde que previne e/ou
corrige a postura e sua conscientização para o emprego harmônico do corpo com
o objetivo de manter seu bom funcionamento mecânico (DENYS-STRUYF, 1995). É
uma organização muscular fundamental para a manutenção do equilíbrio corporal
que leva em conta toda a estrutura muscular em sua integralidade.
Segundo Souchard (1986), o corpo humano apresenta 5 cadeias musculares e cada
uma delas apresenta um agrupamento muscular especí�co. 
•  Cadeia respiratória: composta por músculos, como o peitoral menor, o
diafragma, músculos intercostais e os escalenos.
•  Cadeia posterior: composta pelos músculos do glúteo máximo, músculos
plantares, espinhais, poplíteo e tríceps sural.
•  Cadeia ântero-medial do quadril: composta pelos músculos adutores, como o
pectíneo, adutor curto e longo, grácil, porção anterior do adutor maior e iliposas.
•  Cadeia anterior do braço: composta pelos músculos suspensores do braço,
antebraço, mãos e dedos, deltoide médio, coracobraquial, trapézio superior,
bíceps, braquiorradial, pronador redondo, músculos palmares, �exores dos dedos,
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da região tenar e hipoternar.
•  Cadeia ântero-medial do ombro: composta pelos músculos subescapular,
peitoral maior e coracobraquial, prolongando-se pela cadeia anterior do braço.
O pro�ssional e/ou o professor de Educação Física que conhece a estruturação dos
grupos musculares por cadeias e a interação entre eles terá melhores condições
de realizar avaliações posturais identi�cando em seus alunos alterações que, por
vezes, são oriundas de músculos ou grupos musculares encurtados.
Para amenizar o encurtamento dos músculos deve-se indicar exercícios de
alongamento, pois essa categoria de atividade faz com que as �bras musculares
afastem-se umas das outras, promovendo adaptações e otimizando propriedades
elásticas que resultarão movimentos com maior amplitude.
EXEMPLIFICANDO
Você sabia que, em uma abordagem pro�ssional mais conservadora, se um
indivíduo apresentasse, por exemplo, um desconforto no tornozelo devido
a um estiramento ou entorse, seu tratamento consistiria em exercícios que
recrutassem somente os músculos e articulações dessa região especí�ca?
Sob o ponto de vista das cadeias musculares, o primeiro passo a ser dado
pelo pro�ssional seria investigar as causas desse entorse ou qualquer outra
lesão, identi�car o grupo muscular envolvido na região e sua interação com
as demais regiões do corpo para que os sintomas relatados pelo indivíduo
permitam chegar à causa da lesão e, por �m, a seu tratamento. Muitos
entorses são provenientes de lesão no ombro, má postura ou
inconsistência na região lombar.
Exercícios compensatórios que recrutam diferentes cadeias musculares podem
atuar como tratamentos não farmacológicos para compensar esforços repetitivos
de trabalhadores em suas mais diversas funções, assim como em atletas
submetidos a treinamentos por vezes repetitivos e extenuantes. Esse tipo de
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exercício tem como foco principal melhorar a saúde e promover compensação
sobre efeitos negativos que um movimento pode promover, a saber a fadiga
generalizada. Desse modo, exercícios compensatórios caracterizados como lentos
e estruturados são aplicados na prevenção de lesões e também alterações
posturais (CORTZ; LOURENÇO, 2019).
DESORDENS DO MOVIMENTO
Uma postura corporal desajustada poderá promover a curto, médio ou longo
prazo, incômodos musculares, bem como uma compensação natural do corpo
humano sobre outras cadeias musculares, colocando em risco a integridade
postural de um indivíduo, causando desordem do movimento, lesões e dores. Uma
das causas relacionadas às desordens do movimento e desalinhamento postural
são as ocasiões laborais que, por vezes, não apresentam adaptações
individualizadas para cada pessoa em seu posto de trabalho.
REFLITA
Por que metade da população planetária reclama de dor nas costas? Como
a má postura e a própria estrutura corporal de uma pessoa pode
comprometer o equilíbrio e a boa postura do corpo humano? Você sabia
que a posição sentada é uma das posições mais exigidas nas mais variadas
atividades laborais no Brasil?
São 5 as condições básicas que, se não executadas, poderão contribuir para a
maior incidência de desordens do movimento e desalinhamento postural: 1) as
cadeias musculares deverão ser su�cientemente fortes para realizar atividades da
vida diária e/ou tarefas laborais; 2) os grupos musculares deverão desfrutar de
relaxamento a contento para cumprimento do seu papel com o mínimo esforço; 3)
a �exibilidade de diferentes segmentos corporais deverá ser su�ciente para
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deve estar bem presente; 5) durante todo o tempo o indivíduo deverá prezar pela
boa postura.
De acordo com a classi�cação das cadeias musculares, você poderá veri�car como
cada grupo se comporta em relação à desordem dos movimentos:
•  Cadeia respiratória: ombros e cabeças salientes, ou seja, com protusão e
acentuamento da lordose, etc.
•  Cadeia posterior: protusão da cabeça, joelho varo ou valgo, instabilidades das
vértebras e sua curvatura, etc.
•  Cadeia ântero-medial do quadril: acentuamento da lordose, joelhos valgos, etc.
•  Cadeia anterior do braço: elevação de ombros, pronação de antebraço, �exão de
punhos e cotovelo �etidos, etc.
•  Cadeia ântero-medial do ombro: adução e rotação medial de ombros, etc.
É importante destacar que muitos exercícios podem ser realizados tanto no
sentido de promover a boa postura como no sentido de manter o bom
alinhamento postural. O pro�ssional e/ou professor de Educação Física deverá
estar atento para conduzir ações voltadas a esse contexto e ao da reeducação de
posturas para que o indivíduo que necessita de intervenção possa realizar
exercícios de autocorreção que, de preferência, possam ser realizados inclusive no
ambiente doméstico, sem que seja necessária a presença do pro�ssional
(MARANHÃO; MARTINS; GÓES, 2013).
FAÇA VALER A PENA
Questão 1
Movimento é a capacidade de mover um segmento corporal de um ponto para o
outro. Todo movimento é executado em torno de um eixo e em determinada
direção. Quando o movimento envolve estruturas ósseas e musculares que se
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movem ao redor de sistemas articulares �xados em relação aos eixos látero-
lateral, anteroposterior e longitudinal, chamamos de movimentos anatômicos.
Nesse contexto analise as a�rmações a seguir:
I. Um movimento de �exão é realizado quando há diminuição do ângulo entre os
segmentos corporais no plano sagital.
II. Um movimento de extensão é realizado quando há afastamento entre os
segmentos corporais no eixo transversal.
III. Um movimento de rotação medial é realizado por meio da rotação interna de
segmentos corporais no eixo longitudinal.
Está correto o que se a�rma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. I e III apenas.
d. I e II apenas.
e. I, II e III. 
Questão 2
As cadeias musculares são organizadas em 5 categorias e são extremamente
importantes para manter uma pessoa em sua postura de equilíbrio. Trata-se
também de uma intervenção em saúde que previne e/ou corrige a postura e sua
conscientização para o emprego harmônico do corpo com o objetivo de manter
seu bom funcionamento mecânico.
Assinale a alternativa que apresente corretamente as 5 categorias das cadeias
musculares.
a.  Cadeia respiratória, posterior, ântero-medial do quadril, anterior do braço e ântero-medial do ombro.
b. Sistema digestivo, cardiovascular, urinário, endócrino e respiratório.
c. Cadeias abertas, fechadas, intermédias, lateral e contralateral.
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REFERÊNCIAS
CORTZ, R. V.; LOURENÇO, M. R. A. Exercícios compensatórios na ginástica
rítmica: Possibilidades de reduções de lesões. 1. ed. Várzea Paulista: Fontoura,
2019.
DENYS-STRUYF, G. Cadeias musculares e articulares: o método G.D.S. São Paulo:
Summus, 1995.
FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física. São
Paulo: Scipione, 1991.
GARDNER, H. E. Intelligence reframed: Multiple intelligences for the 21st century.
Hachette, UK, 2000.
d. Cadeia respiratória, posterior, ântero-medial do quadril, sistema circulatório e endócrino.
e. Cadeia anterior, posterior, proximal, distal e intermédio. 
Questão 3
O encurtamento muscular pode ser oriundo de diversos fatores, como, por
exemplo, o sedentarismo, fatores genéticos, permanecer por muito tempo na
mesma posição e, em atletas, nos mais diferentes tipos de exercícios. O
encurtamento muscular pode provocar lesões, desordem de movimento e dor,
entre outros sintomas.
Assinale a alternativa que apresente o exercício físico que poderá minimizar
aspectos do encurtamento muscular.
a.  Exercício de sobrecarga.
b.  Exercício aeróbio de longa duração.
c.  Exercícios de alongamento que promovem a �exibilidade.
d.  Exercícios de potência.
e.  Exercícios de dança e ritmo. 
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JARMEY, Chris. Músculos: uma abordagem concisa. Tradução Arthur Georg
Schmidt, Fábio César Prosdócimi. Barueri, SP: Manole, 2008. p. 14 a 16. Disponível
em: https://bit.ly/33oKOnj. Acesso em: 5 maio 2021.
MARANHÃO-FILHO, P.; MARTINS, M.; GÓES, C. Desordens do movimento: 40
aspectos e muitas dicas – Neurossemiologia. Revista Brasileira de Neurologia, v.
49, n. 1, p. 3-12, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3usgfsy. Acesso em: 29 abr.
2021.
MOREIRA, W. W. Corporeidade e a busca de novas palavras para o saber: uma das
tarefas da educação motora. In: Anais... I Congresso Latino-Americano e II
Congresso Brasileiro de Educação Motora, UNICAMP, Foz do Iguaçu/PR. 1998.
QUESTIONÁRIO de Prontidão para Atividade Física (PAR-Q). Disponível em:
https://bit.ly/3uprwtX. Acesso em: 29 abr. 2021.
SARRO, K. J. Corpo, movimento e conhecimentos anatômicos & cinesiológicos.
Vitória, ES: Universidade Federal do Espírito Santo, Núcleo de Educação Aberta e à
Distância, 2010. Disponível em: https://bit.ly/3vK8izk. Acesso em: 29 abr. 2021.
SOUCHARD, P. E. Reeducação Postural Global: método do campo fechado. São
Paulo: Ícone, 1986.
VIEIRA, Adriane. O método de cadeias musculares e articulares de GDS: uma
abordagem somática. Movimento (ESEFID/UFRGS), v. 4, n. 8, p. 41-49, 1998.
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
MOTRICIDADE HUMANA
Walquiria Batista de Andrade
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SEM MEDO DE ERRAR
Sabendo que você é o professor mais experiente do “Projeto Movimentar-se” e que
você �cou responsável por sugerir atividades para a nova frente de atendimento
do projeto, que atenderá pessoas a partir de 60 anos de idade, você sugere aos
gestores que, antes de iniciar o atendimento aos idosos, é necessário discutir
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sobre algumas questões fundamentais quanto a essa população especí�ca. Não
seria prudente submeter idosos a um programa de atividades e exercícios físicos
sem antes conhecer suas reais condições de saúde. Desse modo, você sugere que
os idosos alunos do “Projeto Movimentar-se” devem antes preencher uma
anamnese com o objetivo de coletar alguns dados essenciais da saúde do idoso.
Quais perguntas você entende como fundamentais para essa anamnese?
Juntamente com a anamnese, você recomenda que seja aplicado o Questionário de
Prontidão paraAtividade Física - Par-Q, que é um instrumento para ser aplicado
antes de um indivíduo iniciar a prática de atividades físicas com frequência. O Par-
Q identi�ca possibilidades de limitações e restrições na saúde da pessoa que quer
iniciar um programa de atividade física e exercício regular. Você pode acessar o
Questionário PAR-Q e instruções de sua aplicação pela internet. 
Outra questão muito importante que você deve frisar aos gestores do “Projeto
Movimentar-se” é identi�car o motivo pelo qual os idosos se matricularam no
projeto, por meio de uma reunião com eles. A partir daí é possível, de forma muito
prudente, elaborar um Programa Geral de Treinamento (PGT) para melhorar a
capacidade de força e �exibilidade dos idosos para que se mantenham ativos
�sicamente e mantenham a sua independência e autonomia por longo tempo. Nas
ações práticas com idosos você aplicará seus conhecimentos relacionados aos
movimentos anatômicos do corpo humano, permitindo que os idosos elegíveis
para o treinamento frequentem o “Projeto Movimentar-se”. Será priorizado,
portanto, o fortalecimento de grandes grupos musculares por meio de
movimentos anatômicos de �exão, extensão, abdução, adução, rotação medial e
rotação lateral, entre outros. Porém, antes disso, é preciso saber quantas vezes
por semana e o tempo de duração de cada aula que será ofertada pelo projeto
para uma melhor estruturação das ações de trabalho. O que você sugeriria em
termos de frequência e duração das aulas? Após consultar um professor
experiente em Treinamento Resistido, que o auxiliou na elaboração de exercícios
para os grandes grupos musculares para idosos, você, professor do “Projeto
Movimentar-se” notou que alguns idosos não conseguem amarrar o próprio
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cadarço, possuem alteração na marcha e se desequilibram facilmente devido ao
desalinhamento postural que provoca desordens de movimentos. Nesse contexto,
o idoso deverá fazer uma avaliação postural para que, a partir de então, sejam
elaboradas propostas de exercícios de força com exercícios compensatórios e de
alongamento que contemplem as diferentes cadeias musculares. É muito
importante que, depois de um certo período em treinamento (3 ou 6 meses), o
idoso seja reavaliado para que sejam mensurados seus ganhos e para que sejam
identi�cados aspectos corporais que podem ser melhorados com as atividades do
“Projeto Movimentar-se”.
AVANÇANDO NA PRÁTICA
PALESTRANDO
Os gestores do “Projeto Movimentar-se” gostaram muito de suas sugestões e
indicação de intervenções em saúde para os idosos e, inclusive, o elogiaram pela
responsabilidade e seriedade com a sua pro�ssão. Dentro desse cenário, você é
convidado para palestrar a outros professores e/ou pro�ssionais da Educação
Física sobre a importância da boa postura ao longo da vida do ser humano e como
a Educação Física pode colaborar para a manutenção de uma postura adequada
para as mais diferentes atividades do cotidiano, do trabalho e do treinamento por
meio de exercícios de alongamento e exercícios compensatórios. Que pontos você
apresentaria aos seus colegas de pro�ssão?
RESOLUÇÃO
Você deverá se preparar para essa palestra estudando sobre o tema “A
importância da boa postura corporal”. Uma das coisas importantes a se fazer é
buscar na literatura diferentes conceitos de postura corporal e apresentá-los
em sua palestra. A apresentação do conceito de um tema sempre será um
bom ponto de partida em uma palestra. Ressalte que a postura corporal é um
tema crucial em saúde e que a sua não manutenção poderá promover, ao
longo do tempo, problemas de equilíbrio, quedas, lesões, dores, desordens do
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movimento, etc. Destaque também que a hereditariedade é um dos fatores
que podem interferir na postura do indivíduo, bem como aspectos demenciais
irreversíveis e o sedentarismo. Ressalte a importância do professor e/ou
pro�ssional da Educação Física agir no sentido de conscientizar seus alunos em
relação à percepção da postura em diferentes momentos do dia, seja em
atividades do cotidiano, no trabalho ou no treinamento, se for o caso, e
incentive a prática de exercícios físicos orientada por um pro�ssional da área.
Como você irá palestrar para pessoas que já atuam na área da Educação Física,
busque informações novas que poderão enriquecer o conhecimento de seu
público. Aborde as questões sobre as cadeias musculares e a importância em
considerar sua integralidade na elaboração de uma proposta de exercício
dentro ou fora da escola. Faça a apresentação para os integrantes do “Projeto
Movimentar-se” e, após esse treinamento, peça ao gestor do projeto que
marque a palestra, pois você estará pronto. Boa apresentação!
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NÃO PODE FALTAR
 MOVIMENTOS FUNDAMENTAIS
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
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CONVITE AO ESTUDO
Caro aluno, seja bem-vindo à Unidade 2 do livro de Fundamentos Básicos do
Movimento Humano! Nesta unidade, abordaremos os aspectos relacionados aos
movimentos fundamentais, bases antropológicas e �losó�cas do movimento
humano e as �nalidades do movimento. Trabalhar com o movimento humano está
na base da ação do pro�ssional de Educação Física. Conhecer o movimento e suas
características está relacionado às habilidades de um bom pro�ssional no processo
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de análise, ensino e correção das ações motoras. Assim, nas seções desta unidade
você compreenderá como os movimentos básicos dão suporte às diferentes áreas
da Educação Física.
Na primeira seção, você verá como desenvolvemos movimentos básicos, como os
de estabilização, locomoção e manipulação, pela perspectiva da fase motora
fundamental, relacionada à área de desenvolvimento motor. Além disso, os
diferentes tipos de movimentos e como de�nir um padrão de movimento serão
tópicos desta seção, que será �nalizada com a compreensão da combinação de
diferentes ações motoras.
A segunda seção auxiliará no entendimento de como o movimento humano é
compreendido de acordo com bases antropológicas e �losó�cas. Conhecimentos
relacionados ao dualismo entre mente e corpo e teorias do movimento serão
abordadas para que você, como futuro pro�ssional, tenha compreensão sobre a
natureza do movimento humano.
Por conseguinte, na terceira seção desta unidade, conteúdos relacionados às
diferentes �nalidades do movimento serão apresentados. Diferentes contextos,
como a promoção da saúde, o lazer e o esporte, serão apresentados para que você
saiba como o processo de ensino-aprendizagem pode ser dependente do contexto
em que a prática é realizada. 
PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, seja bem-vindo à Unidade 2 da disciplina de Fundamentos dos
Movimentos Básicos. Nesta unidade, consideraremos o movimento como foco
principal. Ao analisarmos a nossa pro�ssão, podemos perceber que o
entendimento sobre o movimento é essencial para o desenvolvimento de um bom
pro�ssional. Seja no contexto escolar ou em academias e clubes,o pro�ssional de
Educação Física realiza intervenções no movimento humano. Para isso, conhecer
aspectos inerentes à ação motora dará maior base de conteúdo a ser utilizado no
momento da realização de uma intervenção.
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Um exemplo de grande aplicação do conteúdo a seguir refere-se aos diferentes
estágios de movimento que as pessoas podem apresentar. Ao trabalhar com
grandes ou pequenos grupos de indivíduos, você perceberá que, para algumas
habilidades, certas pessoas podem apresentar maior pro�ciência em relação às
outras. Por que isso acontece? O que você pode fazer para mudar essa situação?
Como não “pular etapas” no processo de ensino de movimentos mais complexos?
Essas são algumas perguntas a serem respondidas durante o desenvolvimento dos
conteúdos desta seção. 
Cássio é um pro�ssional de Educação Física de grande destaque no âmbito
cientí�co, com publicações de livros e artigos, e no âmbito prático, uma vez que é
constantemente procurado por empresas e pessoas físicas de todas as partes do
país para prestar serviços relacionados ao exercício físico (prescrição, intervenção
e promoção da saúde). A Universidade em que Cássio é formado está iniciando um
novo semestre letivo no curso de Educação Física e realiza ações para maior
engajamento dos alunos no curso. Uma das atividades escolhidas é a realização de
uma aula magna (inaugural) para todas as turmas do curso, a ser realizada no
maior auditório da instituição de ensino. Pensando em um nome de impacto para
a aula, o coordenador do curso lembra-se de Cássio e convida o pro�ssional para
ministrar essa aula magna. O tema sugerido para a exposição é o “movimento
humano”. Por sua vez, Cássio, muito feliz com o convite, aceita e já começa a
separar materiais para abordar durante o evento. Com grande domínio no assunto
e muitos materiais à disposição, Cássio precisa organizar os principais conceitos
relacionados ao movimento humano como conteúdo da palestra. Vamos ajudar
Cássio?
Ao ser convidado para ministrar uma aula magna na universidade em que se
formou, Cássio começa a preparar os conteúdos que serão abordados. Pensando
em chamar a atenção dos alunos logo no início da aula, o pro�ssional de�ne iniciar
a palestra falando sobre temas que podem ser de grande aplicação prática, como
os movimentos básicos e especí�cos, e as diferentes classi�cações de movimento.
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Assim, em cada conceito, o palestrante apresentaria um exemplo que pode ser
utilizado na prática. Dessa forma, como podemos caracterizar os movimentos
básicos e especí�cos? Quais os tipos de movimentos existentes? 
Caro aluno, o conteúdo desta seção é essencial para sua formação acadêmica.
Compreender o movimento e saber identi�car suas características é base para a
atuação de um bom pro�ssional. Portanto, leia o material com atenção e siga em
frente nos estudos. Bons estudos! 
CONCEITO-CHAVE
O movimento pode ser considerado como a base de ação do pro�ssional de
Educação Física. Por meio dele, nós ensinamos, analisamos e corrigimos ações em
relação a um objetivo especí�co. Por isso, conhecer os aspectos inerentes ao
movimento humano é importante para você, como futuro pro�ssional, embasar
sua intervenção.
MOVIMENTOS BÁSICOS
Um dos conteúdos-chave para a compreensão são os movimentos fundamentais.
Na perspectiva do desenvolvimento motor, área da Educação Física componente
do comportamento motor, os movimentos básicos ocorrem no período da fase do
movimento fundamental e estão presentes em crianças de 2 a 7 anos. Essa fase
apresenta 3 estágios, a saber: estágio inicial, estágio elementar emergente e
estado de pro�ciência. Na �gura a seguir, você compreenderá como a fase de
movimento fundamental está representada entre as fases e estágios do
desenvolvimento motor.
Figura 2.1 | Fases e estágios do desenvolvimento motor
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Fonte: Gallahue, Ozmun e Goodway (2013).
Na fase do movimento fundamental, as crianças exploram e experimentam
diferentes possibilidades de ações, partindo de movimentos básicos de
estabilização, locomoção e manipulação de forma isolada para, posteriormente,
realizar a combinação de diferentes movimentos. Aqui, já vemos uma grande
importância do pro�ssional de Educação Física, que poderá fornecer experiências
adicionais que facilitarão todo este processo. Essa importância ainda pode ser
reforçada pelo argumento de que o desenvolvimento dos movimentos
fundamentais não ocorre apenas devido à maturação da criança (características do
indivíduo), mas da demanda do ambiente e da tarefa (GALLAHUE; OZMUN;
GOODWAY, 2013). Assim, a prática, o incentivo e a forma de instruir serão
preponderantes nesse período. 
Outro aspecto a ser levado em consideração sobre a importância dessa fase é que
os movimentos básicos devem ser bem desenvolvidos para permitir a melhor
capacidade de combinação com movimentos mais especializados. Em gestos
esportivos, por exemplo, temos a junção de diferentes movimentos básicos, como
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na bandeja do basquetebol e salto em distância no atletismo. Em caso de um
desenvolvimento não adequado, a combinação de movimentos será prejudicada e
erros de técnica de movimento serão facilmente observados (SEEFELDT, 1980). No
entanto, vale ressaltar que, nessa fase, o foco não é o alcance de níveis elevados de
desempenho, e sim o desenvolvimento da competência motora básica.
A�nal, antes de apresentar os diferentes estágios desta fase de movimento, quais
exemplos temos de ações motoras? São exemplos de atividades correr e saltar
(movimentos de locomoção), equilibrar-se em um pé (movimento de estabilização)
e arremessar e pegar objetos (movimentos de manipulação). Se você relembrar
sua infância e as brincadeiras que realizava, sem dúvida encontrará mais
exemplos!
REFLITA
Em diversos casos, a aula de Educação Física escolar é a primeira
experiência para desenvolvimento de diferentes experiências de
movimento que podem ser vivenciadas pela criança. Pensando nisso, como
você vê a importância do pro�ssional de Educação Física em conhecer a
composição da fase motora fundamental?
Para avaliar os movimentos fundamentais, podemos dividir a técnica apresentada
em diferentes estágios. Seguindo a ampulheta apresentada na Figura 2.1, temos 3
estágios: inicial, elementar emergente e pro�ciente:
Estágio inicial: conhecido por abranger as primeiras tentativas de realização
do movimento. Nesse estágio o movimento é apresentado com falta de ritmo,
má coordenação e di�culdade de integração espaço-temporal. Em alguns
casos, a ação pode ser realizada com gestos corporais excessivos ou até com
uma sequência inapropriada (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013).
Estágio elementar emergente: nesse estágio, a criança possui mais controle
do movimento e apresenta maior ritmo. A integração espaço-temporal também
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apresenta melhora, no entanto, gestos corporais exagerados ou rígidos
(limitados) ainda estão presentes. Além disso, em certos casos, crianças e até
adultos podem não sair desse estágio em determinada habilidade motora
fundamental (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Portanto, faz-se
necessária a observação do pro�ssional de Educação Física durante as
atividades práticas para identi�car possíveis erros técnicos condizentes com
esse estágio de desenvolvimento.
Estágio pro�ciente: o movimento, nesse estágio, é realizado com maior
coordenação e ritmo. De acordo com Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), as
crianças devem estar nesse estágio para as habilidades motoras fundamentais
entre 5 e 6 anos. O desenvolvimento dos movimentos para o estágio
pro�ciente depende da interação entre aspectos do indivíduo, de um ambiente
favorável e instruções para uma prática e�ciente. Mais uma vez, ressalta-se a
importância do pro�ssional de Educação Física, o qual deve fornecer uma
prática diversi�cada baseada em uma sequência de etapas que não devem ser
“puladas”.
MOVIMENTOS ESPECÍFICOS
Seguindo a mesma linha apresentada na fase anterior, as ações motoras
especí�cas podem ser relacionadas à fase de movimento especializado, sob a
perspectiva do desenvolvimento motor. Nessa fase, as habilidades motoras
fundamentais (estabilizadoras, locomotoras e manipulativas) são re�nadas e
combinadas para realização de movimentos em situações mais desa�adoras
(MARQUES et al., 2013).
EXEMPLIFICANDO 
Um exemplo de combinação de movimentos básicos para uma ação
especí�ca e desa�adora é a junção do correr e do saltar para a realização
do salto em distância e o salto triplo na modalidade de atletismo.
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A fase de movimento especializado é dividida em 3 estágios:
Estágio de transição: nesse estágio a criança começa a combinar habilidades
de movimentos fundamentais para a aplicação em diferentes contextos, como
no âmbito esportivo. A maior característica desse estágio é a realização de
movimentos com maior controle e precisão em jogos e brincadeiras. O
pro�ssional de Educação Física, ao identi�car alunos que apresentam
movimentos nesse estágio, deve encorajar a prática para re�namento da ação
motora, além de evitar a especialização em determinadas atividades.
Estágio de aplicação: o jovem, 11 a 13 anos, tem nesse estágio uma maior
capacidade de tomada de decisão baseada nas próprias características e em
fatores ambientais e da tarefa. O indivíduo, em suas decisões, considera as
oportunidades e limitações em determinadas tarefas. De acordo com Gallahue,
Ozmun e Goodway (2013) é nesse estágio que as habilidades mais complexas
devem ser re�nadas e usadas em situações mais desa�adoras, como atividades
de direção e esportes especí�cos.
Estágio de utilização ao longo da vida: iniciado aproximadamente aos 14
anos, esse estágio perdura por toda a vida adulta. As habilidades desenvolvidas
nos estágios anteriores aqui são re�nadas e aplicadas nos diferentes contextos
em que a pessoa vive (exemplo: cotidiano, lazer, esporte). Fatores como o
desempenho e a oportunidade para a prática podem in�uenciar a continuidade
da realização de habilidades motoras especí�cas em determinadas situações.
Exemplo: um garoto de 16 anos possui consciência de seu nível de pro�ciência
no basquetebol e decide tentar uma carreira esportiva.
Um tópico crescente em Educação Física é a inserção de crianças em atividades
esportivas competitivas. Dentre as diversas recomendações existentes, no campo
do comportamento motor pode ser encontrada uma associação entre a fase de
movimento, fundamental ou especializado, seus diferentes estágios e a
participação em atividades competitivas, como apresentado a seguir:
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Quadro 2.1 | Percentual de prática recomendada, em cada estágio, por proporção de competição
Fase/estágio de
desenvolvimento
Treinamento recomendado para a proporção
de competição
Fase de movimento
fundamental
•  Estágio inicial
•  Estágio elementar
•  Estágio maduro
100% / 0%
90% / 10%
80% / 20%
Fase de movimento
especializado
•  Estágio de transição
•  Estágio de aplicação
•  De aplicação ao longo da
vida
70% / 30%
60% / 40%
40% / 60%
Fonte: adaptado de Gallahue (2005).
FORMAS DE MOVIMENTO
O movimento pode ser classi�cado de diferentes formas de acordo com a área de
conhecimento utilizada. Na área do comportamento motor, fatores como a
organização muscular, aspectos temporais, ambientais e funcionais são
frequentemente utilizados para descrever as características e as demandas das
ações motoras. A seguir, são apresentadas diferentes formas de classi�cação.
Classi�cação relacionada aos aspectos musculares e amplitude de
movimento
Movimento motor amplo: uso de grandes grupos musculares para realizar
uma tarefa. Exemplo: correr, saltar, nadar, arremessar.
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Movimento motor �no: utilização de pequenas estruturas musculares
para realizar um movimento com precisão. Exemplo: escrever, digitar,
pintar.
Classi�cação relacionada aos aspectos temporais do movimento
Esta classi�cação também está relacionada à organização da tarefa (SCHMIDT;
WRISBERG, 2010).
Habilidades motoras discretas: apresentam início e �m bem de�nidos.
Normalmente, é breve. Exemplo: chutar, arremessar, pegar.
Habilidades motoras seriadas: seriação de habilidades motoras discretas,
ou seja, duas ou mais habilidades discretas são organizadas, conectadas em
sequência, sendo, a ordem das ações importantes para o desempenho na
tarefa. Exemplo: série de exercícios na ginástica, fazer dribles no
basquetebol.
Habilidades motoras contínuas: movimentos que não apresentam início e
�m identi�cáveis, realizados de forma contínua e repetitiva. Exemplo:
pedalar, correr, remar.
ASSIMILE
Quadro 2.2 | Aspectos temporais do movimento
Habilidade
discreta
Habilidade seriada Habilidade contínua
Início e �m
de�nidos
Conexão e organização
de habilidades motoras
discretas
Início e �m não
detectáveis
Fonte: elaborado pelo autor.
Classi�cação relacionada às demandas ambientais
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Esta classi�cação refere-se ao contexto em que o movimento ocorre, sendo:
 Habilidades motoras abertas: caracterizadas por ocorrerem em um
ambiente imprevisível e mutável. Os praticantes, por muitas vezes,
necessitam adaptar os movimentos de acordo com a dinamicidade do
ambiente. Exemplo: jogar futebol, praticar judô.
Habilidades motoras fechadas: habilidades que são realizadas em
ambientes previsíveis e não mutáveis. O praticante consegue planejar seu
movimento com antecedência. Exemplo: uma série na ginástica e digitar. 
No ensino e correção de movimentos, o pro�ssional de Educação Física precisa se
atentar às características do ambiente em que a prática ocorre e como o praticante
realiza a ação motora em diferentes contextos.
Classi�cação relacionada aos aspectos funcionais do movimento
Tarefas de estabilidade: tarefas que apresentam como foco o ganho ou
manutenção do equilíbrio estático ou dinâmico.Exemplos: equilibrar-se em
um pé, sentar, levantar.
Tarefas de locomoção: tarefas que objetivam o deslocamento do corpo de
um ponto ao outro do espaço. Exemplo: andar, correr, saltar.
Tarefas de manipulação: movimentos que objetivam transmitir ou receber
a força de um objeto. Exemplos: arremessar, pegar, escrever.
REFLITA
O movimento de pular corda realizado por uma criança de 10 anos pode
ser classi�cado de que forma, levando em consideração os diferentes tipos
e aspectos associados ao movimento?
PADRÕES DE MOVIMENTO
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De acordo com Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), o padrão de movimento pode
ser considerado como séries organizadas de movimentos relacionados. É
importante salientar que, por essa perspectiva, o padrão de movimento representa
o desempenho de um movimento isolado, o qual apresenta restrições para ser
classi�cado como um padrão de movimento fundamental. Por exemplo, mover
determinados segmentos ou articulações não constitui um padrão de movimento
fundamental no arremessar, no saltar ou no correr, no entanto, representa uma
série organizada de movimentos.
Outro conceito conhecido em relação a esse tema é o padrão de movimento
fundamental. Esse tipo de padrão refere-se ao desempenho observado de
movimentos básicos (estabilizadores, locomotores e manipulativos). De acordo
com Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), esses padrões envolvem a combinação
de padrões de movimento de dois ou mais segmentos corporais. Exemplo: correr e
saltar, bater e arremessar.
COMBINAÇÃO DE MOVIMENTOS
No aprendizado de movimentos básicos, um fator inerente ao processo é referente
ao aumento de complexidade (TANI; BASSO; CORRÊA, 2012). Ao apresentar um
controle de movimento mais estável nos movimentos básicos, como correr, saltar
e arremessar, ocorre uma interação entre esses exemplos de movimento para
formação de ações motoras mais complexas. Exemplo: uma criança aprende a
correr, sendo que também está aprendendo a arremessar uma bola de basquete,
no entanto, sem corrida. Ao apresentar maior controle e ritmo nesses movimentos
básicos, agora, essa criança deverá unir esses dois elementos (correr +
arremessar). Essa maior complexidade de movimento só é possível por causa da
combinação de ações motoras fundamentais. Para que a melhor combinação
ocorra, dois aspectos são importantes: a �exibilidade e a riqueza de repertório.
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A �exibilidade dos componentes da combinação refere-se à diversi�cação da
habilidade básica, ou seja, são realizados alguns “ajustes” em cada componente
para que a combinação entre eles ocorra. De acordo com Tani, Basso e Côrrea
(2012), esses ajustes podem gerar um ganho, considerando o desenvolvimento
hierárquico de habilidades. O segundo aspecto refere-se à riqueza do repertório
motor. Para isso, temos que considerar a fase de transição, associada à aquisição,
estabilização e diversi�cação de habilidades básicas para a aprendizagem de
habilidades motoras especí�cas. Aqui, é necessário mais uma vez abordarmos a
importância do pro�ssional de Educação Física, uma vez que, em nossa pro�ssão,
durante o ensino de movimentos, precisamos considerar que entre a realização de
movimentos básicos e movimentos especí�cos os praticantes passam por essa
fase de transição, ou seja, o pro�ssional não deve “forçar saltos” durante o
processo. Caso contrário, a combinação de movimentos para utilização nos mais
diferentes contextos será prejudicada.
FAÇA A VALER A PENA
Questão 1
A fase de movimento fundamental é caracterizada pela aquisição e
desenvolvimento dos movimentos básicos, conhecidos como: estabilizadores,
locomotores e manipulativos. Para que o desenvolvimento correto dessas
habilidades ocorra é necessário conhecer e diferenciar os 3 estágios presentes
nessa fase. Um exemplo é o estágio relacionado à prática controlada e com ritmo,
além de boa integração espaço-temporal, apesar da existência de gestos corporais
exagerados e rígidos. Algumas crianças, e até adultos, podem ter di�culdades para
sair desse estágio.
Qual estágio apresenta as características apontadas no texto-base?
a. Estágio inicial.
b. Estágio pro�ciente.
c. Estágio de transição.
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d. Estágio elementar emergente.
e. Estágio de aplicação.  
Questão 2
O movimento pode ser classi�cado de diferentes formas, de acordo com os
aspectos musculares, temporais, ambientais e funcionais. Sabendo disso,
considere o exemplo a seguir:
Paula está aprendendo a nadar sem auxílio. Após algumas tentativas, ela consegue
percorrer toda a piscina de 20 metros de comprimento.
Considerando os aspectos musculares e temporais, como esse movimento pode
ser classi�cado?
a. Amplo e discreto.
b. Fino e contínuo.
c. Amplo e contínuo.
d. Amplo e seriado.
e. Fino e discreto.  
Questão 3
A combinação de movimentos, em muitos casos, consiste na junção de
movimentos básicos para formar uma habilidade mais complexa. Sabendo disso,
considere que uma garota de 11 anos está aprendendo a realizar o arremesso no
handebol. Ao perceber o movimento, você observa que a garota apresenta
di�culdade em realizar o salto seguido do arremesso.
Considerando os aspectos que in�uenciam a combinação de movimentos, onde
pode estar o problema? Assinale a alternativa correta.
a. O problema está no estágio inicial da fase motora fundamental.
b. O problema está na �exibilidade dos componentes dos movimentos básicos.
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BACIL, E. D. A; MAZZARDO, O; SILVA, M. P da. Crescimento e desenvolvimento
motor. 2. ed. InterSaberes, 2020. Biblioteca Virtual. Disponível em:
https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/178221. Acesso em: 16 mai.
2021.
GALLAHUE, D.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o
Desenvolvimento Motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2013.
GALLAHUE, D. Conceitos para maximizar o desenvolvimento da habilidade de
movimento especializado. Journal of Physical Education, v. 16, n. 2, 2005.
MARQUES, T. S. et al. Desenvolvimento motor: padrões motores fundamentais de
movimento em crianças de 4 e 5 anos de idade. Revista Digital EFDeportes, v. 18,
p. 186, 2013.SCHMIDT, R. A.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance
motora. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
SCHMIDT, R. A.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora:
iniciando. In:______. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da
aprendizagem baseada na situação. Porto Alegre: Artmed, 2010. parte 1, cap. 1, p.
23-45.
SEEFELDT, V. Developmental motor patterns: implications for elementary school
physical education. In: NADEAU, C. H. et al. Psychology of motor behavior and
sport. Champaign: Human Kinetics, 1980.
TANI, G.; BASSO, L.; CORRÊA, U. C. O ensino do esporte para crianças e jovens:
considerações sobre uma fase do processo de desenvolvimento motor esquecida.
Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 26, n. 2, p. 339-350, 2012.
REFERÊNCIAS
c. O problema está na falta de riqueza de repertório motor.
d. O problema está na fasemotora re�exa.
e. O problema está na fase motora rudimentar. 
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
MOVIMENTOS FUNDAMENTAIS
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
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SEM MEDO DE ERRAR
Cássio pretende caracterizar os movimentos básicos e especí�cos e explicar os
diferentes tipos de movimento no início de sua aula magna. Os movimentos
básicos apresentam relação com a Fase do movimento fundamental. Nessa fase,
são desenvolvidos os movimentos de estabilização, locomoção e manipulação. É
uma fase em que a criança gosta de explorar e experimentar diferentes
Fonte: Shutterstock.
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possibilidades de ações motoras, passando por três estágios (inicial, elementar e
pro�ciente), até conseguir realizar a combinação de diferentes movimentos para
habilidades mais complexas. 
Os movimentos especí�cos estão relacionados à fase de movimento especializado
e são caracterizados pela combinação de diferentes movimentos e re�namento
dos movimentos básicos, para a utilização por toda a vida e em diferentes
contextos. Também apresenta 3 estágios (transição, aplicação e utilização ao longo
da vida), os quais devem ser observados pelo pro�ssional de Educação Física para
que evite “pular etapas” de desenvolvimento do praticante. 
Sobre a classi�cação do movimento, podemos considerar diferentes fatores, como
os aspectos musculares, temporais, ambientais e funcionais. Assim, são
apresentados os diferentes tipos de movimentos de acordo com suas referentes
classi�cações:
Classi�cação relacionada aos aspectos musculares e amplitude de movimento:
movimento motor amplo e movimento motor �no.
Classi�cação relacionada aos aspectos temporais do movimento: habilidades
motoras discretas, seriadas e contínuas.
Classi�cação relacionada às demandas ambientais: habilidades motoras
abertas e fechadas.
Classi�cação relacionada aos aspectos funcionais do movimento: tarefas de
estabilidade, locomoção e manipulação.
AVANÇANDO NA PRÁTICA
COMBINAÇÃO DE MOVIMENTOS
Maurício realiza estágio em um clube esportivo de sua cidade. Próximo à
�nalização de seu curso, o rapaz conseguiu o estágio na comissão técnica de uma
escolinha de basquete do clube para crianças de 11 a 13 anos. Sua principal função
é auxiliar na instrução dos movimentos característicos da modalidade para os
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praticantes. Em uma aula, o pro�ssional de Educação Física responsável pela
escolinha resolve desenvolver a prática da bandeja como fundamento para os
garotos. Maurício, ao perceber as tentativas de realização da bandeja, observa que
alguns meninos conseguem realizar o movimento, com clara combinação entre
corrida, salto e arremesso. Em contrapartida, outros apresentam evidente
di�culdade em combinar os movimentos de corrida e salto. Ao pensar no
problema, o estagiário lembra das aulas da universidade e acredita que os
fundamentos básicos de correr e saltar podem não estar bem desenvolvidos para
que os alunos possam ser componentes nessa combinação. Como você pode
ajudar Maurício a resolver esse problema? 
RESOLUÇÃO
Na situação apresentada, é perceptível que os alunos da escolinha encontram-
se em diferentes estágios da fase motora especializada. Enquanto os alunos
que conseguem realizar o movimento corretamente possuem boa combinação
dos movimentos básicos (correr, saltar e arremessar), os demais podem não
ter passado corretamente pelo estágio de transição dessa fase. Assim, os
movimentos básicos não apresentam diversi�cação su�ciente para adaptação
a outros componentes, gerando uma combinação de movimento. Para resolver
esse problema, Maurício deve conversar com o professor responsável pela
prática e sugerir que sejam realizadas mais práticas, de preferência
diversi�cadas, com o foco em conseguir a estabilização e diversi�cação dos
movimentos básicos. Caso ocorra uma “queima de etapas”, a realização de
movimentos de maior complexidade (combinação) será vista com di�culdade
pelos garotos, levando-os ao desânimo e até mesmo ao abandono da prática
na escolinha. 
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NÃO PODE FALTAR
BASES ANTROPOLÓGICAS E FILOSÓFICAS DO MOVIMENTO
HUMANO
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
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PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, seja bem-vindo à segunda seção da Unidade 2 do livro didático de
Fundamentos dos Movimentos Básicos. Nesta seção, abordaremos como o
movimento é compreendido de acordo com diferentes perspectivas, como a visão
fenomenológica e visão antropológica. É importante salientar que a interpretação
do movimento passou por diferentes signi�cações no decorrer do tempo. Assim, é
importante entender como o movimento é caracterizado. 
Fonte: Shutterstock.
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Um aspecto a se considerar é o grande apelo à técnica de movimento dada na
Educação Física. No entanto, essa é a única forma de compreender o movimento?
Ou podemos entender a ação motora como uma expressão, uma forma de
linguagem? Nesta seção, esse assunto será abordado, destacando diferentes
perspectivas que serão acrescentadas aos seus conhecimentos. 
Após apresentar conteúdos mais voltados à prática, Cássio pretende explicar os
aspectos relacionados à natureza do movimento. Para isso, recorre a temas
relacionados a antropologia e �loso�a do movimento humano. Um aspecto que
Cássio acredita que manterá a atenção dos alunos após o início da aula é o
dualismo mente-corpo. Como Cássio poderá explicar esse tema? Além disso, como
poderá dar bons exemplos da importância desse tema para a formação dos
acadêmicos durante o curso? 
Como já abordado neste livro didático, o conteúdo a seguir é essencial para sua
formação acadêmica. Vamos aprender sobre as diferentes teorias relacionadas ao
movimento? Bons estudos! 
CONCEITO-CHAVE
A compreensão dos aspectos �losó�cos relacionados ao movimento humano
passa pelo entendimento dos pensamentos de René Descartes (1596-1650).
Descartes é um in�uente �lósofo francês que contribuiu enormemente para a
�loso�a moderna, corroborando de forma signi�cativa na busca de uma visão mais
cientí�ca do mundo. Devido à falta de provas no pensamento medieval, Descartes
a�rmava que era impossível encontrar o que era certo, o que era verdadeiro. Desta
forma, o �lósofo propôs que se questionassem todas as “verdades” conhecidas
sobre o mundo e sobre nós mesmos. Para superar o ceticismo, eranecessário
encontrar um “ponto de partida” para todo o conhecimento (ROSA, 2020). A única
ideia que resistiu às dúvidas implantadas foi a já conhecida expressão “Penso, logo
existo”, uma vez que, para duvidar de algo, necessitamos pensar. Assim, caro
aluno, a seguir, compreenderemos o dualismo mente-corpo sob a visão cartesiana.
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DUALISMO MENTE-CORPO
O Dualismo é uma expressão originalmente não utilizada por René Descartes, mas
por estudiosos da �loso�a. De maneira geral, o dualismo mente-corpo está
relacionado ao entendimento de que corpo e mente são substâncias distintas,
independentes, e que apresentam diferentes realidades (LEVY, 2010). Apesar disso,
não seria correto dizer que, por essa linha de pensamento, mente e corpo não
interagem. Pelo contrário, essa interação pode ocorrer por meio de troca de
informações entre os dois ou de maneira unidirecional, de forma que o corpo
poderia in�uir sobre a mente, mas a mente não seria capaz de mudar o corpo
(NEGRÃO, 2017).
A visão dualista defende que a mente não é apenas diferente do corpo em sua
compreensão física, mas que a “vida mental” ocorre em uma área completamente
diferente da “vida corpórea”. Matthews (2007) apresenta uma série de
pensamentos que não dependeriam do corpo:
Consciência da própria existência.
Conexão de ideias a crenças.
Capacidade de lembrar de ideias passadas.
Ordenar intenções.
Ter consciência de situações agradáveis e desagradáveis.
De acordo com o dualismo cartesiano, o corpo é caracterizado em aspectos de
ocupação de espaço. Como a compreensão do corpo é diferente da mente, a
existência do corpo não envolveria qualquer aspecto mental relacionado ao
pensamento ou consciência. Portanto, o entendimento de corpo para Descartes é
que essa estrutura seria uma máquina, um sistema mecânico. Negrão (2017) traz
algumas conclusões que podem ser geradas de acordo com o pensamento
dualista:
Qualquer substância com propriedades mentais carece de propriedades
materiais e vice-versa.
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Propriedades materiais e propriedades mentais são propriedades diferentes.
Mente e corpo são substâncias numericamente distintas.
ASSIMILE
No dualismo mente-corpo é entendido que mente e corpo apresentam
características distintas, são independentes e possuem diferentes
realidades.
REFLITA
Como podemos interpretar a relação entre dualismo mente-corpo e a
realização de movimentos na Educação Física? Se a mente carrega a
intenção de realização de ações e o corpo é compreendido como “algo que
efetua”, como as interações podem ocorrer?
TEORIA DO “SE-MOVIMENTAR” HUMANO (TSMH)
Essa teoria tem como precursores os pesquisadores holandeses Carl Gorddijn, Jan
Tamboer e o alemão Andreas Trebels. No Brasil, essa teoria apresentou grandes
avanços com Elenor Kunz, apresentando o movimento humano como expressão
própria do indivíduo, ao invés de uma parte predeterminada por sistemas
mecânicos, afastando a relação sujeito-movimento. Nessa perspectiva, o humano e
o mundo participam da constituição do movimento, não sendo isolados (BETTI et
al., 2014). 
De acordo com Trebels (2006), o “se-movimentar” refere-se de forma intencional
com o mundo e com base na racionalidade do indivíduo. A referida
intencionalidade não trata apenas da atenção direta que o ser humano dá ao
objeto, mas da pré-consciência e pré-racionalidade para todas as coisas do mundo.
Aqui, podemos perceber a importância que o autor dá à individualidade,
considerada fator fundamental. Assim, podemos observar diferentes respostas
motoras, de acordo com a signi�cação que é dada pelos alunos.
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A compreensão do “se-movimentar” passa pela qualidade do movimento, a qual
está relacionada às vivências, às emoções e à sensibilidade das ações
experimentadas (ARAÚJO et al., 2010). Assim, caro aluno, podemos encontrar na
TSMH uma outra forma de compreender o movimento e observá-lo, não apenas
sob uma visão tecnicista, na qual o sucesso na ação motora dependeria de forma
predominante de seus aspectos biomecânicos. Pelo contrário, movimento e
percepção seriam elementos que apresentariam efeitos mútuos.
No ensino de movimentos às crianças, por exemplo, segundo essa teoria, é
necessário compreender que a criança possui seu mundo, e que este mundo é
diferente do mundo adulto. Nesse entendimento, a criança se desenvolve como
um ser livre, com possibilidade de se expressar à sua maneira, de forma criativa e
artística. Por conseguinte, é necessário que o pro�ssional de Educação Física dê
espaço para que a criança consiga “brincar” enquanto se movimenta, exercendo
sua liberdade e criatividade (SURDI; PEREIRA de MELO; KUNZ, 2016). 
Por meio do movimento, são considerados, na TSMH, três modos de diálogo, a
saber:
Forma direta: o sentido de unidade é compreendido no próprio movimento.
Apresenta um contexto intuitivo. Por exemplo: entregar a uma criança várias
bolas e, por meio de sua vivência atual no movimento, ela compreender que
não será possível empilhar as bolas. É uma forma de diálogo representada pela
espontaneidade.
Forma aprendida: Araújo (2010) traz que é como uma tensão entre o físico
como o objeto e o corpo como sujeito. Conhecida também como “aprendizado
por imitação”, esse tipo de diálogo está relacionado ao encontro de uma
solução para o problema de movimento. A intencionalidade do movimento
forma-se com base em uma ideia ou imagem do movimento. Dessa forma, essa
imagem serviria como um “referencial” para a recriação do movimento.
Forma criativa ou inventiva: relacionada à experiência de unidade por meio
da interação entre sujeito e mundo. De acordo com Araújo (2010, p. 9): “A
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aprendizagem acontece na medida em que nos tornamos capazes de criar e
recriar nossos próprios sentidos com base numa concepção aberta de
movimento”.
Na perspectiva da TSMH, é por meio do diálogo com o mundo que as
aprendizagens ocorrem. Partindo desse ponto de vista, podemos notar que,
muitas vezes, o caráter tecnicista enraizado na Educação Física pode limitar
possíveis experiências aos praticantes, as quais são de fundamental importância
para a compreensão do movimento realizado. Portanto, cabe ao pro�ssional de
Educação Física levar em consideração outros fatores, além dos aspectos
mecânicos do movimento durante o processo de ensino-aprendizagem,
permitindo aos sujeitos praticantes que experimentem uma experiência plena.
Durante as aulas de Educação Física escolar, por exemplo, ocorre uma alta
demanda de movimentos esportivos como conteúdo, os quais, em sua maioria,
fornecem movimentos especí�cos. Levando em consideração a TSMH, a ênfase em
conteúdos esportivos dentro da Educação Física escolar é prejudicial, pois esses
movimentos regidos por regras pré-determinadas de cada modalidade simpli�cam
o movimento humano em poucos níveis. Em contrapartida, o mundo do
movimento humano é conhecido por ser complexo e apresentar diversos níveis, ou
seja, não é o ideal que dentro da perspectiva do TSMH as modalidadesesportivas
sejam os principais conteúdos como vivência de movimento dentro da Educação
Física escolar.
EXEMPLIFICANDO 
As aulas de Educação Física devem ser representadas como um campo de
interação entre professor e aluno. A compreensão do movimentar-se
transcende a ideia do seguimento de regras impostas nas modalidades
esportivas, mas se coloca como fonte de diálogo entre o homem e o
mundo.
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OUTRAS CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA AO MOVIMENTO
HUMANO
A fenomenologia tem como princípio fundamental o “retorno às coisas próprias”
(SURDI; KUNZ, 2010). A fenomenologia do movimento humano compreende o
movimento como forma de diálogo entre o homem e o mundo, ou seja, o
movimento possui um signi�cado e uma intenção (SURDI, 2019). Além disso,
podemos considerar que essa visão busca ampliar a compreensão do movimento
para além do contexto empírico e analítico. A preocupação aqui é com o ser
humano, ao invés das técnicas apresentadas durante a realização da ação motora.
Na fenomenologia, o corpo não é uma estrutura inerte e sem signi�cado, muito
menos um obstáculo a ser transposto, mas é parte integrante do ser humano.
Temos aqui uma contrariedade em relação à visão dualista, que considera o corpo
uma máquina. Na fenomenologia, o movimento não é um ato que depende de
uma máquina, mas de um gesto expressivo de um sujeito que busca se comunicar
com o mundo (SURDI, 2008).
De acordo com Kunz (2000), a percepção, a sensibilidade e a intuição humana,
dentro da perspectiva fenomenológica, são fatores importantes para a
compreensão do movimento humano, principalmente em relação à qualidade de
movimento apresentada. Sobre esses fatores, veja a seguir:
Sensibilidade: lida com os objetos, consigo mesmo e os outros.
Intuição: permite ao ser humano sentir de forma antecipada os resultados
esportivos.
Percepção: entendimento do homem em relação ao seu contexto e ao seu
mundo vivido
De acordo com Surdi (2008), o movimento esportivo é caracterizado por aspectos
técnicos e cientí�cos. Veja os ajustes de desempenho e técnica de movimento
realizados no esporte! São feitos com base em análises de dados, observações e
estudos cientí�cos que referenciam tais mudanças. No entanto, caro aluno, essa
visão dentro da Educação Física pode prejudicar a relação homem-mundo e o
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prazer em se movimentar. Ao ensinarmos movimentos às crianças, se nos
atentarmos de forma enfática aos aspectos técnicos, a signi�cação do movimento
por parte dos praticantes �ca em segundo plano. Assim, devemos nos preocupar
com a intenção das ações e como elas apresentam consequências educacionais
para quem as pratica.
REFLITA
Como o pro�ssional de Educação Física pode ensinar o movimento partindo
da perspectiva fenomenológica? Qual signi�cado podemos fornecer às
ações motoras?
De acordo com Hildebrandt (2001), são conhecidos quatro princípios de ensino que
facilitam a compreensão do movimento como um elemento pedagógico. Os
princípios serão apresentados a seguir:
Autonomia: associada à possibilidade de con�guração do movimento livre de
normas predeterminadas. O aluno deve ter liberdade de exploração dentro do
processo de ensino e aprendizagem.
Totalidade: devemos fornecer aos alunos o movimento em sua totalidade
desde o início.
Uso de metáforas: devemos tomar cuidado com as informações verbais
realizadas como instrução. Durante o desenvolvimento da coordenação motora
�na algumas instruções verbais não são e�cazes.
Centralização de percepção: A centralização deve ocorrer em relação à coisa,
ao invés do corpo. O processo de aprendizagem motora ocorre de forma
subjetiva, humana e aberta, de acordo com as experiências individuais.
EXEMPLIFICANDO 
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O pro�ssional de Educação Física deve se atentar às experiências
vivenciadas pelo praticante em detrimento da pura observação técnica. Ao
nos atentarmos somente à parte técnica do movimento, desprezamos a
subjetividade do praticante.
Por conseguinte, Surdi (2008) aponta que a análise biomecânica que veri�ca
padrões de movimento com o objetivo de melhorar o gesto técnico não leva em
consideração fatores importantes para o movimento, como as características
individuais e a capacidade de exploração do movimento por meio das vivências.
Assim, é necessário que o pro�ssional de Educação Física procure resgatar o
sentido do movimento, sempre levando em consideração aquela pessoa que o
pratica.
INFLUÊNCIAS DA ANTROPOLOGIA SOCIAL NO MOVIMENTO HUMANO
Na Educação Física há grande apelo estético ao corpo e atenção aos seus aspectos
biológicos. No entanto, levando em consideração as características da antropologia
social, atribui-se a importância do entendimento entre corpo e cultura. De acordo
com Daolio (1995), não é certo imaginar o ser humano como algo que não seja
fruto da cultura. Nesse sentido, o homem só se desenvolve por causa de um
processo cultural de apropriação de comportamentos e atitudes, não sendo
possível desvincular um do outro. Para Geertz (1989 apud DUARTE, 2010), o
homem é naturalmente um ser cultural.
Daolio (1995) a�rma que o corpo é uma síntese da cultura, uma vez que expressa
elementos especí�cos da sociedade da qual faz parte. Assim, o homem se apropria
de valores, normas e costumes, adicionando novas expressões. Ações como os
esportes que praticamos em determinado local ou período, as brincadeiras, os
tipos de movimentos, são in�uenciadas pela cultura. Um exemplo são os jogos
com bola, os quais apresentam grande engajamento por parte de alunos e alunas.
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Esse engajamento, pela perspectiva da relação cultura-movimento, seria resultado
de uma apropriação cultural que pode in�uenciar os conteúdos ministrados aos
praticantes do movimento. 
De acordo com Duarte (2010), a antropologia auxilia a análise do corpo ao
desvendar signi�cados em uma cultura, ao invés de quanti�car seus aspectos
�siológicos. Por conseguinte, é importante salientar como Geertz compreende a
cultura:
Dessa forma, o pro�ssional de Educação Física não pode isolar o movimento como
resultado de uma ação do corpo sob sua perspectiva biológica, mas como
resultado de um conjunto de signi�cados incorporados ao longo do tempo.
Dessa forma, o pro�ssional de Educação Física não pode isolar o movimento como resultado de uma ação do
corpo sob sua perspectiva biológica, mas como resultado de um conjunto de signi�cados incorporados ao longo
do tempo.“
FAÇA A VALER A PENA
Questão 1
Com o intuito de implementar uma visão mais cientí�ca do mundo, contrapondo-
se ao pensamento medieval, René Descartes, famoso �lósofo francês, apresentou
o que muitos consideram o “Dualismo corpo-mente”, também conhecido como
Dualismo cartesiano. Sobre as principais conclusões desse princípio, é correto
a�rmar:
I. Uma substância com propriedades mentais necessita de propriedades
materiais.
II. Propriedades materiais e mentais apresentam as mesmas características.
III. Mente e corpo formam a mesma unidade.
É correto o que se a�rma em:a. I, apenas.
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b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. I e II, apenas.
e.  II e III, apenas.  
Questão 2
A Teoria do Se-Movimentar está relacionada à qualidade do movimento, às
vivências, emoções e sensibilidade das ações experimentadas pelo praticante, ao
invés da compreensão do movimento como algo apenas voltado aos sistemas
mecânicos. Sobre os diferentes tipos de diálogo existentes nessa teoria, é correto
a�rmar:
I. A forma direta está relacionada à compreensão do sentido de unidade no
próprio movimento e apresenta um contexto intuitivo.
II. A forma aprendida está relacionada à compreensão do sentido de unidade no
próprio movimento e apresenta um contexto intuitivo.
III. A forma criativa está relacionada à experiência de unidade por meio da
interação entre sujeito e mundo.
É correto o que se a�rma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. I e III, apenas.
e. II e III, apenas.  
Questão 3
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A fenomenologia compreende que o corpo é parte integrante do ser humano. O
movimento realizado pelo corpo é compreendido como um gesto expressivo de
um sujeito que busca se comunicar com o mundo. Fatores como a sensibilidade,
intuição e percepção são fatores presentes na perspectiva fenomenológica para
compreensão do movimento humano. Assim, pensando na atuação do pro�ssional
de Educação Física em escolinha de futsal, selecione a alternativa que apresenta a
atitude correta, de acordo com a visão fenomenológica.
Considerando a perspectiva fenomenológica, selecione a alternativa correta.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, L. C. G. et al. Ontologia do movimento humano: teoria do “se-movimentar”
humano. Pensar a Prática, v. 13, n. 3, 2010. Disponível em:
https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/9782/8388. Acesso em: 19 mai.2021.
BETTI, M. et al. Fundamentos �losó�cos e antropológicos da Teoria do Se-
movimentar e a formação de sujeitos emancipados, autônomos e críticos: o
exemplo do currículo de Educação Física do Estado de São Paulo. Revista
Movimento, v. 20, n. 4, 2014.
DAOLIO, J. Os signi�cados do corpo na cultura e as implicações para a Educação
Física. Revista Movimento, v. 2, n. 2, 1995. Disponível
em: https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/2184. Acesso em: 4 maio 2021.
a.  Dar ênfase à técnica de movimento.
b.  Preocupar-se de forma excessiva com as regras do jogo.
c.  Utilizar os princípios da autonomia, totalidade, uso de metáforas e centralização de percepção no
momento do ensino.
d.  Compreender o corpo como uma máquina.
e.  Compreender mente e corpo como substâncias distintas.  
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DUARTE, L. R. Educação Física como Linguagem. Motriz, v. 16, n. 2, 2010.
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HILDEBRANDT, R. Textos pedagógicos sobre o ensino da educação física. Ijuí
(RS): Editora Unijuí, 2001.
KUNZ, E. Esporte: uma abordagem com a fenomenologia. Revista Movimento, v. 6,
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LEVY, L. O dualismo cartesiano. Lições de história da �loso�a. Org. Altmann S. &
Wolf, E. Porto Alegre: Secretaria de Estado da Cultura, 2010.
MATTHEWS, E. Mente: conceitos-chave em �loso�a. Porto Alegre: Artmed, 2007.
NEGRÃO, M. M. A mente consciente: fundamentos �losó�cos e neurobiológicos.
Curitiba: Intersaberes, 2017.
ROSA, M. B. Tópicos especiais e �loso�a moderna. Curitiba: Contentus, 2020.
SURDI, A. C. A Educação Física e o movimento humano signi�cativo: uma
possibilidade fenomenológica. 2. ed. Curitiba: Appris, 2019.
SURDI, A. C.; PEREIRA de MELO, J.; KUNZ, E. O brincar e o se-movimentar nas aulas
de Educação Física Infantil: realidades e possibilidades. Revista Movimento, v. 22,
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SURDI, A. C.; KUNZ, E. Fenomenologia, movimento humano e a educação física.
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SURDI, A. C. A fenomenologia como fundamentação para o movimento
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TREBELS, A. A concepção dialógica do movimento humano: Uma teoria do se-
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
BASES ANTROPOLÓGICAS E FILOSÓFICAS DO MOVIMENTO
HUMANO
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
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SEM MEDO DE ERRAR
Cássio quer explicar a visão dualista mente-corpo para os alunos durante a aula
magna. A dúvida do palestrante era como abordar esse tema, relacionando-o com
a Educação Física. O dualismo existente entre mente e corpo foi levantado por
Fonte: Shutterstock.
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René Descartes (1596-1650), um in�uente �lósofo francês. Descartes propôs uma
visão mais cientí�ca do mundo na época, ao a�rmar que deveríamos questionar
todas as verdades conhecidas sobre o mundo e sobre nós. 
O pensamento dualista defende que corpo e mente são substâncias distintas,
independentes, e que apresentam diferentes realidades. A mente estaria associada
à consciência da própria existência, ideias, crenças, capacidade de memória,
ordenações de intenções e consciência de situações, enquanto o corpo seria
caracterizado em aspectos de ocupação de espaço, sem estar relacionado à mente,
ou seja, era considerado como uma máquina, um sistema mecânico.
AVANÇANDO NA PRÁTICA
MOVIMENTO E SIGNIFICADO
Luísa é professora em uma escolinha de handebol para meninos e meninas de 10
anos de idade. Em suas aulas, Luísa reforça a importância da técnica de
movimento e, em muitos casos, age com rigidez quando erros nos fundamentos da
modalidade ocorrem. Com o tempo, a pro�ssional percebe certa evasão dos
alunos e alunas. Preocupada, comenta com uma amiga, também pro�ssional da
área, sobre o ocorrido. A amiga explica para Luísa que muitas crianças encaram o
movimento como forma de se expressar no mundo e o apelo obsessivo pela
técnica de movimento realizada pode afastá-los da prática. Como podemos
explicar para Luísa esse contexto?
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RESOLUÇÃO
De acordo com as contribuições da fenomenologia no movimento humano, o
próprio movimento é considerado um gesto expressivo de um sujeito que
busca se comunicar com o mundo. Dessa forma, ao dar ênfase a técnicas
presentes nos gestos esportivos, a pro�ssional despreza a signi�cação do
movimento para as crianças que praticam a habilidade e suas respectivas
intenções. Nesse caso, é importante que haja um equilíbrio e as crianças
tenham momentos para se movimentar de forma livre e com autonomia.
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NÃO PODE FALTAR
FINALIDADES DO MOVIMENTO
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
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PRATICAR PARA APRENDER 
Caro aluno, seja bem-vindo à terceira seção da Unidade 2 do livro didático de
Fundamentos dos Movimentos Básicos. Nesta seção, abordaremos como os
movimentos fundamentais podem ser aplicados e desenvolvidos em diferentes
contextos, como aprendizado, promoção da saúde, lazer e esporte. Além disto,
serão considerados aspectos a que o pro�ssional de Educação Física deve se
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atentar para o processo de ensino-aprendizado. A�nal, como essa aprendizagem
pode ser realizada? A forma de ensinar o movimento pode depender do contexto
em que ele é realizado?
Os conteúdos abordados nesta seção permearão não apenas esta disciplina, mas
toda sua vivência pro�ssional, uma vez que temos na Educação Física um grande
foco em ensino e aprendizagem de movimento. Portanto, esta seção agregará nas
diferentes possibilidades de compreensão e aplicação dos movimentos
fundamentais. 
Para a terceira e última parte da aula magna, Cássio pretende apresentar um
conteúdo bem aplicável no contexto do pro�ssional de Educação Física. 
Assim, ele decide abordar a importância dos movimentos básicos (estabilizadores,
locomotores e manipulativos) em diferentes contextos. 
Como esses movimentos são importantes para a promoção da saúde? E para o
Esporte? 
Quais os cuidados que o pro�ssional de Educação Física deve ter ao considerar
diferentes contextos de prática?
Ajude Cássio a responder suas dúvidas. 
Como já abordado neste livro didático, o conteúdo a seguir é essencial para sua
formação acadêmica. Bons estudos!
CONCEITO-CHAVE
Como já visto nesta unidade, os movimentos fundamentais são desenvolvidos na
fase de movimento fundamental, pela perspectiva do desenvolvimento motor.
Nela são aprendidos e desenvolvidos os movimentos de locomoção, estabilização e
manipulação. A aprendizagem correta nessa fase é essencial para a realização de
movimentos mais complexos no futuro e sua adaptação em diferentes contextos.
A seguir, serão apresentadas diferentes especi�cidades nas quais os movimentos
fundamentais podem servir como suporte.
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MOVIMENTOS BÁSICOS COMO SUPORTE AO APRENDIZADO
Os movimentos básicos, provenientes da fase motora fundamental, consistem em
blocos básicos para um movimento e�ciente e efetivo, oferecendo às crianças
modos de explorar os seus ambientes e adquirir conhecimentos sobre o mundo
(GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Assim, a forma como ensinamos esses
movimentos é importante para que os praticantes possam desenvolver uma
aprendizagem signi�cativa. De acordo com Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), a
competência motora no início da infância é importante para o engajamento na
atividade física e para a formação de percepções positivas da competência motora
ao longo da infância e da adolescência.
Uma das formas de auxiliar nesse processo é compreendendo as sequências de
desenvolvimento. Essa abordagem está relacionada à qualidade do movimento, ao
invés da quantidade, que é um fator preponderante no momento do aprendizado.
Por exemplo, ao ensinarmos um menino a lançar uma bola, nos preocupamos, em
primeiro lugar, com a técnica de movimento apresentada, ao invés de enfatizar a
distância que a bola atingiu após o lançamento. 
São consideradas duas formas de sequências de desenvolvimento: sequências de
corpo inteiro e sequência dos componentes. Nas sequências de corpo inteiro,
como o próprio nome diz, temos a descrição do movimento considerando todo o
corpo, enquanto na sequência dos componentes temos a identi�cação por
segmento corporal, como braços, tronco, coxas e pernas. Em ambas temos
descrições ordenadas de padrões de movimento imperfeitos e inconsistentes até a
produção de padrões e�cientes e pro�cientes. 
ASSIMILE
Uma importante característica da sequência de desenvolvimento é a
progressão, ou seja, não são consideradas regressões de estágios nem a
famosa situação de “pulo de etapas”.
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Considerando que realizamos os movimentos em diferentes contextos, há um tipo
melhor de abordagem? Sobre esse questionamento, em situações práticas de
ensino, como as orientações dadas durante as aulas de Educação Física Escolar, a
abordagem de corpo inteiro pode apresentar mais vantagens. Em contrapartida,
em situações de movimento em esportes de alto rendimento, devido à
necessidade de se atentar aos mínimos detalhes para o melhor desempenho, a
abordagem dos componentes pode apresentar maiores informações.
De acordo com Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), os estágios das abordagens de
corpo inteiro e de segmentos envolvem os seguintes princípio:
Todas as crianças passam pelos mesmos estágios na mesma ordem.
Cada estágio apresenta diferentes aspectos qualitativos do movimento em
relação ao estágio anterior.
A ordem dos estágios não muda. Não é possível pular estágios.
Existe uma integração hierárquica.
Em um mesmo estágio, comportamentos se misturam e se combinam a
comportamentos anteriores.
O desequilíbrio entre o indivíduo e o ambiente estimula a emergência de um
novo estágio.
Apesar da apresentação desses princípios, são identi�cadas críticas importantes, a
saber:
A abordagem linear não considera regressões em desempenho provenientes
de mudanças da tarefa, como chutar uma bola em um alvo menor.
Os princípios não levam em consideração o reordenamento da sequência de
desenvolvimento nas habilidades
Falta explicação sobre o que determina a mudança de padrão de movimento.
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É necessário, portanto, compreender que o movimento pode ser explicado por
outras teorias, como, por exemplo, a Teoria dos Sistemas Dinâmicos. No entanto,
ressalta-se que todas as teorias apresentam virtudes e críticas a respeito de suas
características.
REFLITA
Como o pro�ssional de Educação Física pode compreender a sequência de
desenvolvimento? Por que esse entendimento é importante para a
realização e aplicação dos movimentos fundamentais?
MOVIMENTOS BÁSICOS COMO SUPORTE À PROMOÇÃO DA SAÚDE
Os movimentos fundamentais são utilizados em diferentes contextos por toda a
vida. Opro�ssional de Educação Física, considerado como um pro�ssional da
saúde, pode atuar com o objetivo de promover a saúde e prevenir doenças por
meio da prática de atividade física e exercício físico. Uma das atividades mais
realizadas atualmente como forma de promover a saúde é a corrida, conhecida
como um movimento fundamental de locomoção. Muitas vezes, a corrida é
considerada uma extensão natural da marcha (PAYNE; ISAACS, 2011). A corrida é
caracterizada por uma fase de apoio alternada com uma fase de voo. Em crianças,
o padrão de corrida é mais estável a partir do aumento de força nos membros
inferiores e equilíbrio.
O correr pode ser dividido em três partes: fase de apoio, fase de voo e fase de
recuperação. 
Fase de suporte: nessa fase, a perna absorve o impacto do contato do pé com
o solo, equilibrando o corpo e mantendo-o em movimento para frente
enquanto ocorre a aceleração do centro de massa.
Fase de voo: momento em que não ocorre contato com o solo, ou seja,
nenhum dos pés toca o chão.
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Fase de recuperação: após o corpo ser “empurrado” para frente, devido ao
rápido movimento de extensão dos membros inferiores da perna de apoio,
esta perna entra em “recuperação”. Ao ser projetada para trás, a perna deve
ser trazida para frente de forma rápida para que um novo ciclo de passo
ocorra.
Outro ponto a ser destacado no correr é o movimento dos braços. Os membros
superiores auxiliam no equilíbrio durante a corrida e apresentam ações alternadas
com as pernas, ou seja, quando a perna esquerda está à frente, é o braço direito
que acompanha e vice-versa. O movimento dos braços é anteroposterior, com os
cotovelos �exionados em aproximadamente 90°. Durante a corrida, os braços NÃO
devem cruzar a linha mediana do corpo.
O ensino dos movimentos corretos na corrida é essencial para as pessoas
continuarem na prática e evitarem possíveis lesões devido à errada execução de
movimentos. Dessa forma, o conhecimento da sequência de desenvolvimento do
correr por parte do pro�ssional de Educação Física é importante para auxiliar em
possíveis orientações. Veja a seguir o desenvolvimento do correr, de acordo com
Payne e Isaacs (2011).
Figura 2.2 | Sequência de desenvolvimento no correr em diferentes estágios
Fonte: adaptada de Payne e Isaacs (2011).
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Estágio A: braços estendidos ao lado do corpo na altura dos ombros. Os
passos são curtos e o contato com a superfície é realizado com o pé inteiro.
Pouca �exão de joelho é notada e os pés �cam sempre próximos ao solo.
Estágio B: os braços se apresentam na altura da cintura. Os passos agora são
mais longos, mas o contato com a superfície ainda ocorre com o pé inteiro.
Maior �exão de joelho é notada, principalmente na perna de balanço. Nesse
estágio, as pernas realizam maior movimento anteroposterior.
Estágio C: os braços agora são transportados abaixo do nível da cintura e
realizam ação alternada às pernas. O contato do pé ocorre inicialmente com o
calcanhar e termina com o dedo do pé. Nesse estágio é apresentado um maior
comprimento de passo e a �exão do joelho na perna de balanço se aproxima
de 90°.
Estágio D: o contato do pé ocorre inicialmente com o calcanhar até o dedo do
pé em velocidades lentas e/ou moderadas, no entanto, em velocidades rápidas,
o contato com o solo ocorre no arco próximo aos metatarsos. Os braços
assumem posição alternada e oposta em relação às pernas. Ocorre ligeira
�exão de joelho durante a fase de suporte e uma maior �exão dessa
articulação na perna de balanço durante a fase de recuperação.
EXEMPLIFICANDO
Um erro comum de praticantes de atividade física e até de alguns
pro�ssionais de Educação Física é achar que durante a corrida o contato
inicial do pé com o solo sempre ocorre com o calcanhar. Como abordado
nesta seção, o contato inicial apresenta relação com a velocidade que é
imposta no movimento, sendo que a técnica equivocada pode levar ao
aparecimento e desenvolvimento de lesões.
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MOVIMENTOS BÁSICOS COMO SUPORTE AO LAZER
Movimentos como correr, saltar e pular também são utilizados no lazer. O
pro�ssional de Educação Física deve encorajar a prática de atividade física,
principalmente em crianças e adolescentes com tendência a gastar mais tempo em
equipamentos eletrônicos, como videogames e celulares, ao invés de praticar
atividades e/ou exercícios físicos no tempo livre. Nesse sentido, Mathias et al.
(2012), ao analisarem hábitos de atividade física e lazer de adolescentes,
veri�caram que mais da metade das atividades reportadas no momento do lazer
apresentam caráter sedentário. Nesse estudo, dentre os jovens que optaram por
um lazer ativo, os meninos relataram maior preferência pela prática de esportes
coletivos, como o futebol, e as meninas, pela caminhada. Ainda nesse estudo, as
atividades provenientes do lazer ativo apresentam como movimentos
característicos as ações motoras fundamentais, como as de locomoção e
manipulação.
REFLITA
Veja as dicas do Ministério da Saúde sobre como unir o lazer e a prática de
atividade física em crianças no período de férias. Acesse no portal o texto
EU QUERO Me exercitar.
BRASIL. Saúde Brasil. Portal do Governo Brasileiro. EU QUERO me exercitar.
27 dez. 2019. 
A utilização de movimentos fundamentais no lazer não é exclusividade de crianças
e adolescentes. No estudo de Krug et al. (2011), idosos realizaram caminhada
como atividade física no lazer, motivados por indicação médica, benefícios à saúde,
gosto pela prática e indicação do pro�ssional de Educação Física. Os autores ainda
a�rmam que a caminhada no momento do lazer traz benefícios à capacidade
funcional, estado psicológico e social dos idosos.
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A prática de atividades esportivas que “carregam” movimentos fundamentais, na
adolescência, pode contribuir para a prática de atividade física no lazer na vida
adulta. Alves et al. (2005) veri�caram que adultos que praticaram modalidades
esportivas quando adolescentes apresentaram maior prática de atividade física no
lazer em comparação aos adultos que não praticaram esportes na referida idade.
Assim, destaca-se a importância da atuação do pro�ssional de Educação Física em
todas as fases da vida, uma vez que os movimentos fundamentais são utilizados
em diferentes grupos populacionais etários.
MOVIMENTOS BÁSICOS COMO SUPORTE AO ESPORTE
A combinação de movimentos para realização de ações motoras mais complexas
serve como base para o aprendizado de diversas habilidades nas modalidades
esportivas. De acordo com Gallahue (2005), o esporte auxilia os praticantes nos
estágios de transição e de aplicação a melhorar suas habilidades e alcançar uma
atividade física plena em situações competitivas. Vale salientar, no entanto, que a
prática esportiva não é a única forma de se objetivar o desenvolvimento de
habilidades, conforme já mostrado nos tópicos anteriores. No quadro a seguir, é
mostrado um exemplo de como os movimentos fundamentais estão relacionados
às habilidades do movimentoespecializado em uma modalidade esportiva como o
basquetebol.
Quadro 2.3 | Exemplo de atividades
Movimento fundamental Habilidades do movimento especializado
Corrida Corrida em diferentes direções enquanto dribla.
Corrida em diferentes direções sem a bola.
Corrida lateral Defender-se enquanto dribla.
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Salto Rebote.
Recepção de bola alta.
Fonte: elaborado pelo autor.
Quando pensamos no ensino de novas habilidades em adultos, é importante que o
pro�ssional se atente a algumas recomendações (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY,
2013):
Fornecer maior quantidade de aprendizado ativo ao invés de passivo.
Desenvolver procedimentos e não apenas conceitos.
Fornecer oportunidades para modelagem do comportamento necessário.
Treinar em pequenos grupos.
Fornecer apoio ambiental.
Para �nalizarmos, é importante que você lembre que o pro�ssional de Educação
Física deve conhecer o praticante que se propõe ao aprendizado. Precisamos levar
em consideração o contexto do indivíduo, as demandas da tarefa a ser aprendida e
as características do ambiente em que aquela habilidade será desenvolvida. Por
conseguinte, observe que:
As pessoas aprendem em diferentes ritmos.
Cada pessoa apresenta suas próprias potencialidades e limitações.
Antes de realizar as habilidades motoras especializadas, é necessário dominar
os movimentos fundamentais.
Cada aprendiz reage de uma forma às instruções fornecidas.
FAÇA A VALER A PENA
Questão 1
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Os movimentos fundamentais são desenvolvidos na infância e são utilizados por
toda a vida. Para uma aprendizagem mais signi�cativa, a forma como o pro�ssional
de Educação Física ensina tais movimentos é relevante. Sabendo disso, leia
atentamente as a�rmativas a seguir:
I. Na aprendizagem de movimento por sequência de corpo inteiro temos a
de�nição e caracterização do movimento por segmento corporal.
II. Na aprendizagem de movimento por sequência dos componentes temos a
de�nição e caracterização do movimento considerando o corpo em sua
totalidade.
III. Durante a prática de Educação Física no contexto escolar, o uso da sequência
de corpo inteiro apresenta mais vantagens.
Com base nas a�rmativas apresentadas, é correto o que se a�rma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. I e III, apenas.
e. II e III, apenas.  
Questão 2
As abordagens de sequência de desenvolvimento por corpo inteiro e por
segmentos podem potencializar o aprendizado praticante, permitindo que a
realização do movimento seja realizada da melhor maneira possível. No entanto,
ao pensarmos nessas sequências, existem princípios que devem ser levados em
consideração. Nesse contexto, considere (V) para verdadeiro e (F) para falso sobre
as a�rmativas que seguem.
(  ) Todas as crianças passam pelos mesmos estágios na mesma ordem.
(  ) Os estágios apresentam os mesmos aspectos qualitativos de movimento.
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(  ) O equilíbrio entre o indivíduo e o ambiente estimula a emergência de um novo
estágio.
(  ) Existe uma integração hierárquica.
Selecione a alternativa que apresenta a sequência correta:
a. F - V - V - V.
b. V - F - F - V.
c. V - V - V - F.
d. F - F - V - V.
e. V - F - V - V. 
Questão 3
A corrida é um movimento fundamental de locomoção, sendo considerada uma
extensão natural da marcha. Formada por uma fase de apoio alternada com uma
fase de voo, o correr é desenvolvido desde a infância. Sobre as características
desse movimento, é correto a�rmar:
I. O contato inicial do pé com o solo sempre ocorrerá com o calcanhar.
II. Em maiores velocidades, o contato do pé com o solo ocorre no arco próximo
aos metatarsos.
III. A realização de passos curtos durante a corrida é característica das primeiras
tentativas do correr, no início da infância.
É correto o que se a�rma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. I e II, apenas.
e. II e III, apenas.  
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REFERÊNCIAS
ALVES, J. G. B. et al. Prática de esportes durante a adolescência e atividade física de
lazer na vida adulta. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 11, n. 5, p. 291-
294, 2005.
BRASIL. Saúde Brasil. Portal do Governo Brasileiro. EU QUERO me exercitar. 27 dez.
2019. Disponível em: https://bit.ly/2QO3wlF. Acesso em: 11 out. 2020.
GALLAHUE, D.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o
Desenvolvimento Motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2013.
GALLAHUE, D. Conceitos para maximizar o desenvolvimento da habilidade de
movimento especializado. Journal of Physical Education, v. 16, n. 2, 2005.
KRUG, R. R. et al. Contribuições da caminhada como atividade física de lazer para
idosos. Licere (Online), 2011. Disponível em: https://bit.ly/3bQFKg2. Acesso em: 19
maio 2021.
MATHIAS, T. S. et al. Hábitos de atividade física e lazer de adolescentes. Pensar a
prática, v. 15, n. 3, p. 637-651, 2012. Disponível em: https://bit.ly/3i39pGX. Acesso
em: 11 out. 2020.
PAYNE, V. G.; ISAACS, L. D. Human motor development: a lifespan approach. 8.
ed. New York: McGraw Hill, 2011.
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
FINALIDADES DO MOVIMENTO
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
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SEM MEDO DE ERRAR
Cássio pretende apresentar um conteúdo de natureza prática para o �nal da aula
magna. Assim, o pro�ssional decide abordar a importância dos movimentos
básicos em diferentes contextos, como a promoção da saúde e do esporte.
Levando em consideração a promoção da saúde, as atividades relacionadas à
Fonte: Shutterstock.
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locomoção (movimento fundamental) apresentam destaque, como o correr. No
caso dessa atividade, é importante que o pro�ssional de Educação Física se atente
para os diferentes estágios de aprendizagem que podem ser vistos entre os
praticantes.
No contexto do esporte, os movimentos fundamentais são combinados para
realização de movimentos esportivos mais complexos. Nessa área, o pro�ssional
deve se atentar aos diferentes níveis de aprendizagem que os praticantes podem
apresentar em cada habilidade especí�ca e se os indivíduos apresentam
consistência su�ciente para combinar movimentos (por exemplo: incapacidade de
combinar corrida e salto por di�culdade com aspectos técnicos do correr). 
Sobre as características que os pro�ssionais de Educação Física devem considerar:
As pessoas aprendem em diferentes ritmos.
Cada pessoa apresenta suas próprias potencialidadese limitações.
Antes de realizar as habilidades motoras especializadas, é necessário dominar
os movimentos fundamentais.
Cada aprendiz reage de forma diferente às instruções fornecidas.
AVANÇANDO NA PRÁTICA
MOVIMENTO E APRENDIZADO
Roberta é professora de Educação Física dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Em suas primeiras aulas, a pro�ssional observa que determinados alunos
apresentam di�culdades em movimentos fundamentais, como agarrar e
arremessar uma bola. Com base nas diferentes possibilidades de sequência de
desenvolvimento, como Roberta pode observar melhor as ações motoras para
assim realizar a melhor correção e fornecer de forma mais ativa no processo de
ensino-aprendizagem?
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Roberta pode considerar duas abordagens de sequências de desenvolvimento,
a saber: sequência de corpo inteiro e sequência dos componentes. Essas
abordagens estão relacionadas às qualidades do movimento, ou seja, a
preocupação estará sobre a técnica de movimento apresentada. Na
abordagem de sequência de corpo inteiro, a descrição do movimento
considera todo o corpo (em sua totalidade), enquanto, na sequência dos
componentes, temos a identi�cação por segmento corporal, como braços e
pernas. Por conseguinte, considerando que Roberta atua no contexto escolar,
a abordagem de corpo inteiro pode apresentar mais possibilidades,
principalmente por não necessitar de grande detalhamento de informações, o
que pode confundir os praticantes.
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NÃO PODE FALTAR
CAMINHAR E CORRER
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CONVITE AO ESTUDO 
Caro aluno, seja bem-vindo à terceira unidade do livro didático de Fundamentos
dos Movimentos Básicos. Nesta unidade abordaremos uma modalidade esportiva
importante para o desenvolvimento dos movimentos fundamentais e
especializados, o atletismo. Essa modalidade esportiva é uma das mais antigas da
humanidade e apresenta grande tradição nos principais eventos esportivos, como
nos Jogos Olímpicos. Nesta unidade você poderá compreender quais as
habilidades motoras presentes nesse esporte.
Na primeira seção, você verá como o atletismo pode ser considerado esporte-base
e sua importância no desenvolvimento dos movimentos fundamentais, como o
correr. Serão apresentados os movimentos técnicos da corrida e atividades que
Fonte: Shutterstock.
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podem ser realizadas para potencializar o aprendizado dessa habilidade, como os
exercícios educativos de corrida. 
Na segunda seção, os movimentos fundamentais e sua consequente
especialização continuarão em pauta, desta vez com o saltar. Você conhecerá quais
provas fazem parte dos saltos horizontais e quais são classi�cadas como saltos
verticais. Além disso, serão apresentados materiais alternativos para o ensino e
desenvolvimento dessas provas. 
Por conseguinte, na terceira seção, serão apresentadas as habilidades de
arremessar e lançar como base de movimento para as provas de arremesso do
peso e lançamento de dardo, disco e martelo. Neste conteúdo, a adaptação dos
implementos também será explorada. Vamos lá!
PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, seja bem-vindo à primeira seção da Unidade 3 do livro didático. Nesta
seção será abordado o caminhar e o correr na perspectiva de uma modalidade
esportiva tradicional e considerada como base para os demais esportes que
conhecemos: o atletismo. Essa modalidade apresenta diversas ferramentas para o
processo de ensino-aprendizagem dos movimentos fundamentais e sua posterior
combinação para os movimentos especializados. 
Por meio do atletismo ocorre o desenvolvimento de habilidades como correr,
marchar, saltar, lançar e arremessar. Em muitos casos, há uma associação errada
entre esse esporte e aspectos relacionados ao treinamento, ou seja, muitas
pessoas acreditam que o atletismo só apresenta relação com atletas de alto
rendimento e que está constantemente atrelado à competição. No entanto, nesta
seção, você verá que o atletismo pode ser base para a aprendizagem de
movimentos que serão utilizados futuramente em outros contextos, e em outras
situações esportivas. Por conseguinte, você será apresentado à técnica do correr e
do marchar, além do detalhamento de exercícios educativos que podem
potencializar o processo de ensino.
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Você concordou em auxiliar os organizadores de um evento de atletismo. Como
você conhece mais sobre essa modalidade em comparação aos demais
pro�ssionais da prefeitura, você resolve chamar algumas pessoas de seu círculo
social e pro�ssional para o auxiliar no desenvolvimento do evento. Com o intuito
de organizar tudo, você explica como o evento será realizado e as provas que
ocorrerão. Percebendo que alguns integrantes da organização (sta�) apresentam
dúvidas sobre as habilidades motoras, você começa a explicar como as corridas
são desenvolvidas. Dessa forma, como a corrida no atletismo é realizada? E a
marcha atlética?
Que tal conhecermos mais sobre o atletismo, o correr e o marchar? Bons estudos!
CONCEITO-CHAVE
MOVIMENTOS NATURAIS DO SER HUMANO – O ATLETISMO COMO
ESPORTE-BASE
Na Antiguidade, para sobreviver, o ser humano tinha que caçar para se alimentar.
A caçada era uma atividade que forçava o indivíduo a correr atrás de animais,
saltar obstáculos, lançar e arremessar objetos em direção de sua caça. Além disso,
devido às constantes mudanças climáticas, longas distâncias eram percorridas
para sobreviver a climas diversos, como excesso de calor, ventos ou frio. Podemos
considerar que os movimentos básicos de locomoção e manipulação eram
realizados para tais atividades. Esses movimentos básicos também são
encontrados na modalidade esportiva de atletismo, a qual Mariano (2012)
considera como um conjunto de provas individuais ou coletivas que se baseiam em
quatro habilidades: marcha, corrida, saltos e arremessos de objetos especí�cos,
bem como provas combinadas. 
O atletismo teve sua primeira aparição como modalidade esportiva por volta de
1.225 a.C., na Grécia, em uma competição que reuniu poucas provas, como
corridas, salto em distância, lançamento de dardo e lançamento de disco. Em 776
a.C., a modalidade ganhou mais destaque com a criação dos Jogos Olímpicos
Antigos, os quais tinham como principal objetivo a exibição da força e habilidades
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físicas em homenagem a Zeus. No entanto, em Roma (393 d.C.), as competições
esportivas foram proibidas pelo imperador romano Teodósio por considerá-las
práticas pagãs. No século XVIII, a modalidade novamente ganhou força no Reino
Unido, com a realização de pequenas competições. Por conseguinte, em 1896,
ocorreu a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, que perdura até os
dias atuais.Por reunir em sua atividade movimentos fundamentais do ser humano, como
correr, saltar, lançar e arremessar, o atletismo é considerado um esporte-base.
Nesse esporte, os praticantes podem vivenciar diferentes movimentos que
poderão ser transferidos para outras modalidades esportivas. Por exemplo: o salto
vertical para realizar uma cortada no voleibol, a corrida para marcar um adversário
no futebol, entre outros. 
Com base no que foi apresentado sobre o atletismo, é fundamental seu
desenvolvimento na Educação Física realizada no contexto escolar. Apesar disso,
mesmo sendo considerada uma modalidade de fácil acesso em relação ao espaço
e materiais (principalmente devido à sua grande capacidade de adaptação), essa
modalidade esportiva nem sempre aparece como conteúdo a ser desenvolvido nas
escolas, sendo preterida por modalidades esportivas que apresentem o objeto
“bola” como elemento: futsal, voleibol, basquetebol e handebol. Nesse contexto, é
necessária a formação e orientação do pro�ssional de Educação Física para que
atividades que envolvam o atletismo sejam desenvolvidas nas escolas. Veja no
�uxograma a seguir algumas características da modalidade.
Figura 3.1 | Fluxograma de características do atletismo
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Fonte: adaptado de Matthiesen (2017).
ASSIMILE 
Por apresentar movimentos fundamentais em sua prática, como correr,
saltar, lançar e arremessar, o atletismo é considerado um esporte-base
essencial para o desenvolvimento das habilidades motoras básicas e
especí�cas, além de compor ações presentes em outros esportes.
Caro aluno, uma pergunta importante a ser considerada é: como despertar o
interesse de crianças e adolescentes para o atletismo? Como desenvolver os
conteúdos dessa modalidade enfatizando processos de treinamento e de vivências
de diferentes habilidades motoras? Pensando nessas questões, a World Athletics
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(Órgão internacional regulador da modalidade) elaborou um programa que
envolve atividades de atletismo para crianças, o miniatletismo. Esse projeto busca
permear os seguintes requisitos:
Oferecer às crianças um atletismo atraente.
Oferecer às crianças um atletismo acessível.
Oferecer às crianças um atletismo instrutivo.
O princípio básico do miniatletismo é o trabalho em equipe, ou seja, todos os
participantes são importantes para o desenvolvimento das atividades. Seus
objetivos centrais são:
Tornar o atletismo a modalidade esportiva individual mais praticada nas
escolas em todo o mundo.
Dar oportunidade a crianças, federadas ou não, de praticarem o esporte e se
prepararem para o futuro de modo mais e�ciente.
As práticas realizadas no Miniatletismo buscam desenvolver a promoção da saúde,
a interação social (atividades realizadas em equipes) e o caráter de aventura, uma
vez que são atividades desa�adoras para as crianças. Nesse programa, são
realizadas atividades que envolvem as corridas rasas de velocidade, corridas com
obstáculos adaptados, corridas de resistência, saltos, lançamentos e arremessos,
sendo que os materiais para a prática são alternativos, como cones, bambolês,
trenas, bolas e giz. De acordo com a Confederação Brasileira de Atletismo (2011), o
Miniatletismo ocorre nas seguintes faixas etárias:
Grupo I: 7 e 8 anos de idade.
Grupo II: 9 e 10 anos de idade.
Grupo III: 11 e 12 anos de idade.
Quadro 1.1 | Atividades realizadas no Miniatletismo
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GRUPOS I II III
IDADE   7-8
anos
9-10
anos
11-12
anos
Provas de corridas / velocidade
Velocidade/barreiras: corrida em slalom X X
Formula em curva: corrida de velocidade e
barreiras
X
Fórmula em curva: revezamento em
velocidade
X
Velocidade slalom X X
Barreiras X
Fórmula Um (velocidade - barreiras e corridas
slalom)
X X
Corrida de resistência de 8 minutos X X
Corrida de resistência progressiva X X
Corrida de resistência de 100m   X
Provas de saltos
Salto em distância com vara X X
Salto em distância com vara em um buraco de
areia 
X
Salto com corda X
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GRUPOS I II III
Salto triplo com corrida curta X
Salto agachado para frente X X
Salto cruzado X X X
Salto em distância com corrida curta   X
Corrida em escada X X
Salto triplo dentro de área limitada X X X
Salto em distância exato X X
Provas de lançamentos e arremessos
Tiro ao alvo X X
Lançamento de dardo para adolescentes X
Lançamento de dardo para crianças X X X
Lançamento ajoelhado X X X
Lançamento do disco para adolescentes X
Lançamento para trás sobre a cabeça X X
Lançamento rotacional   X X
Total de provas recomendado 11 16 19
Fonte: adaptado de Gozzolli et al. (2014).
EXEMPLIFICANDO
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No miniatletismo são utilizados materiais alternativos nas atividades
realizadas. Por exemplo, nas atividades de revezamento são utilizados
cronômetros, bandeirolas e cones.
REFLITA 
Como o pro�ssional de Educação Física pode desenvolver as atividades
relacionadas ao miniatletismo para crianças de diferentes faixas etárias?
MOVIMENTOS DA CORRIDA
A corrida é considerada uma habilidade básica no atletismo. É uma ação utilizada
para provas de corridas em velocidade, meio-fundo, fundo, saltos horizontais,
saltos verticais e no Lançamento do Dardo. Além disso, sob a perspectiva do
desenvolvimento motor, o correr é um movimento fundamental de locomoção,
portanto, compreender os fundamentos da corrida é fundamental.
A velocidade da corrida está relacionada ao comprimento e frequência do passo.
Essas variáveis são dependentes das características físicas dos atletas, além de
variáveis biomecânicas especí�cas. Cada passo de corrida possui uma fase de
apoio e uma fase de voo, sendo que, para a fase de apoio, temos um momento de
apoio anterior e de impulso, enquanto para a perna livre temos um momento de
balanço anterior e de recuperação.
Figura 3.2 | Movimentos da corrida
Fonte: adaptado de Muller e Ritzdorf (2009).
FASE DE APOIO
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Caracterizado por uma desaceleração no momento que o pé toca o solo (apoio
anterior) e posterior aceleração (impulso). O contato do pé com o solo ocorre com
os metatarsos. Há uma pequena �exão do joelho no momento do apoio,
amortecendo o contato. Para a fase de impulso, as articulações do quadril, joelho e
tornozelo estendem-se de forma rápida para gerar maior aceleração no
movimento.
Figura 3.3 | Fase de apoio
Fonte: adaptado de Muller e Ritzdorf (2009).
FASE DE VOO
Na fase de voo, o joelho da perna de balanço se move para frente e para cima,
aumentando o comprimento da passada. É uma fase que apresentao objetivo de
maximizar o impulso.
Figura 3.4 | Fase de voo
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Legenda: 1: joelho da perna de balanço se move para frente e para cima; 2: joelho da perna de apoio se
�exiona na fase de recuperação; 3: a perna de apoio minimiza a ação de frenagem no contato com o
solo.
Fonte: adaptado de Muller e Ritzdorf (2009).
PROVAS DE CORRIDAS NO ATLETISMO
Considerando as provas o�ciais do atletismo na categoria adulta, disputadas na
pista de atletismo, temos as seguintes provas de corrida:
Corridas rasas: 100 metros, 200 metros, 400 metros, 800 metros, 1.500 metros,
5.000 metros, 10.000 metros.
Corridas com barreiras: 100 metros com barreiras (para as mulheres), 110
metros com barreiras (para os homens), 400 metros com barreiras (homens e
mulheres).
Corrida com obstáculos: 3.000 metros com obstáculos.
Revezamentos: 4x100 metros e 4x400 metros.
EXERCÍCIOS EDUCATIVOS DE CORRIDA
Para o desenvolvimento do correr, podem ser realizados exercícios educativos, os
quais auxiliarão na técnica de corrida. Esses exercícios podem estar presentes
como conteúdo principal das práticas ou como forma de aquecimento,
contribuindo como parte da preparação física e motora para a atividade principal.
A seguir, serão descritos alguns exercícios educativos.
Dribbling: atividade que objetiva a frequência de movimentos alternados do pé
(antepé para mediopé), com pequena �exão dos joelhos. O deslocamento ocorre
de forma curta e para a frente, com os braços realizando movimento
anteroposterior (como na corrida).
Skipping: nessa atividade o praticante realiza a �exão alternada dos joelhos
elevando-os na altura do quadril. O tronco deve se manter ereto, enquanto os
braços realizam o movimento anteroposterior, como na corrida.
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Soldadinho: exercício que preza pela frequência na elevação das pontas dos pés
de forma alternada (movimento de dorsi�exão do tornozelo). O praticante deve
fazer esse deslocamento para frente com os joelhos estendidos e o tronco ereto.
Os braços realizam o movimento natural da corrida (sentido anteroposterior).
Hopserlauf: também conhecido como “passeio no bosque”. Ocorre um
deslocamento com pequenos saltos (saltitamento duplo na perna de impulsão)
com movimento alternado de membros inferiores e superiores. A postura deve
estar ereta e o movimento dos braços deve ser alternado com o movimento dos
membros inferiores (como na corrida).
MARCHA ATLÉTICA
No atletismo, o ato de marchar é representado pela prova de marcha atlética. Na
categoria adulta, essa prova pode ser percorrida em 20.000 metros e 50.000
metros. O ato de marchar nessa prova envolve uma progressão de passos em que
o indivíduo sempre deverá manter um pé em contato com o solo. Ainda, o pé que
avança deverá tocar o solo antes que o pé de apoio deixe o terreno. No momento
do contato do pé com o solo, a articulação do joelho deve se manter estendida. 
Cada passo da marcha compreende uma fase de apoio simples e uma fase de
apoio duplo. A fase de apoio simples é caracterizada por gerar aceleração e inclui
a preparação do avanço da perna que não toca o solo (perna livre). A fase de apoio
duplo ocorre com o objetivo de manter o contato com o solo a todo instante, ou
seja, diferentemente do que acontece na corrida, a marcha atlética não apresenta
fase de voo. É importante salientar que, em eventos competitivos, a existência de
fase de voo durante o marchar ou a �exão do joelho no momento em que o pé
toca o solo são passíveis de punição e podem acarretar até na desclassi�cação do
atleta na prova.
Figura 3.5 | Sequência da marcha atlética
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Fonte: adaptado de Muller e Ritzdorf (2009).
O ensino da marcha atlética pode envolver algumas atividades para facilitar a
aprendizagem. A seguir, serão apresentadas duas delas:
Andar sobre uma linha: os praticantes deverão andar sobre uma linha
demarcada no chão. O objetivo é apresentar aos praticantes a posição correta para
realizar a marcha, levando em consideração as fases de apoio simples e apoio
duplo, além da posição da articulação do joelho ao tocar o pé no solo.
Pega-pega marchando: utilizada principalmente no contexto escolar. Ao
comando, os alunos dispostos em uma quadra deverão se deslocar marchando até
uma das extremidades da quadra, enquanto o “pegador” tentará alcançá-los por
meio da marcha atlética. 
FAÇA A VALER A PENA
Questão 1
Educativo de corrida que objetiva a frequência de movimentos alternados do pé,
do antepé para o mediopé, com pequena �exão dos joelhos. O deslocamento
nesse exercício ocorre de forma curta e para a frente. Os braços realizam um
movimento anteroposterior, característico dos movimentos de corrida.
Qual educativo de corrida apresenta essas características? Selecione a alternativa
correta.
a.  Dribbling.
b.  Skipping.
c.  Soldadinho.
d.  Hopserlauf.
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e.  Revezamento 4x100 metros rasos.  
Questão 2
O atletismo é conhecido por abranger provas que envolvem corridas, saltos,
arremessos, lançamentos e marcha atlética. As corridas podem ser classi�cadas de
diferentes formas, sendo uma delas a presença ou não de obstáculos e/ou
barreiras durante o percurso. Dessa forma, considerando a categoria adulta, são
distâncias disputadas apenas em corridas rasas:
I. 100 metros.
II. 200 metros.
III. 400 metros.
IV. 800 metros.
É correto o que se a�rma em:
a. I e II, apenas.
b. I e IV, apenas.
c. II e IV, apenas.
d. II e III, apenas.
e. III e IV, apenas.  
Questão 3
O miniatletismo é um programa desenvolvido pela World Athletics com o intuito de
oferecer às crianças um atletismo atraente, acessível e instrutivo. Considerando
que o princípio básico desse programa é o trabalho em equipe, podemos a�rmar:
I. Nesse programa há grande ênfase no desempenho atlético dos participantes,
visando futuras competições.
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REFERÊNCIAS
GOZZOLLI, C; LOCATELLI, H.; MASSIN, D; WANGEMANN B. Guia Prático de
Atletismo para Crianças. Miniatletismo: iniciação ao esporte. Online. 2. ed. 2014.
Disponível em: https://bit.ly/3f94elr. Acesso em: 7 maio 2021.
MARIANO, C. Educação Física: o atletismo no currículo escolar. Rio de Janeiro:
Editora Wak, 2012.
MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2017.
MÜLLER, H.; RITZDORF, W. ¡Correr!¡ Saltar!¡ Lanzar! Guía o�cial IAAF para la
enseñanza del atletismo. 2009. Disponível em: https://bit.ly/3uFqg60. Acesso em:
7 maio 2021.
II. O miniatletismo objetiva dar oportunidade às crianças, federadas ou não, de
praticar o esporte e se prepararem para o futuro de modo mais e�ciente.
III. O miniatletismo objetiva dar oportunidade às crianças, federadas ou não, de
praticar o esporte e se prepararem para o futuro de modo mais e�ciente.
É correto o que sea�rma em:
a.  I, apenas.
b.  II, apenas. 
c.  III, apenas.
d. I e III, apenas.
e. II e III, apenas.  
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http://www.cbat.org.br/mini_atletismo/Mini_Atletismo_Guia_Pratico.pdf
http://atletismomdp.com.ar/wp-content/uploads/2017/02/libro-iaaf-correr-saltar-y-lanzar.pdf
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
CAMINHAR E CORRER
Túlio Bernardo Macedo Alfano Moura
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SEM MEDO DE ERRAR
O correr é um movimento fundamental de locomoção. A velocidade da corrida está
atrelada ao comprimento e frequência do passo. Do ponto de vista biomecânico, a
corrida apresenta uma fase de apoio e uma fase de voo, sendo:
Fase de apoio: apresenta pequena desaceleração no momento do contato do
pé com o solo, seguido de uma fase de impulso em que as articulações do
quadril, joelho e tornozelo se estendem de forma rápida para gerar maior
aceleração no movimento.
Fonte: Shutterstock.
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Fase de voo: fase que tem como objetivo maximizar o impulso.
A marcha atlética envolve uma progressão de passos em que o indivíduo deverá
manter um pé em contato com o solo. Quando o pé tocar o solo, a articulação do
joelho deve se manter estendida. A marcha possui uma fase de apoio simples, que
gera uma aceleração no movimento, e uma fase de apoio duplo, que apresenta o
objetivo de o praticante manter o contato do pé com o solo a todo instante.
AVANÇANDO NA PRÁTICA
EXERCÍCIOS EDUCATIVOS
Vitor é um professor da modalidade de atletismo em um clube esportivo de seu
município. O rapaz apresenta experiência na área e ministra atividades para
crianças e adolescentes, três vezes por semana. No início de uma determinada
semana, o pro�ssional recebeu 3 novos alunos, os quais não apresentaram
experiência prévia na modalidade e demonstraram um pouco de di�culdade na
realização dos movimentos de corrida. Pensando nisso, Vitor decidiu incrementar
na rotina de aquecimento dos novos alunos alguns exercícios educativos de
corrida. Quais exercícios podem ser realizados?
RESOLUÇÃO
Exercícios como o dribbling, skipping, soldadinho e hopserlauf são exemplos
que podem ser utilizados no desenvolvimento do correr. Os exercícios
educativos auxiliam no desenvolvimento da técnica de corrida, podendo estar
presentes como conteúdo principal das práticas ou como forma de
aquecimento. Esses exercícios, além de contribuírem com a preparação física,
auxiliam na coordenação motora e são recomendados para todas as idades.
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NÃO PODE FALTAR
 SALTAR
Anderson Nascimento Guimarães
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PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, seja bem-vindo à segunda seção da Unidade 3 do livro didático de
Fundamentos dos Movimentos Básicos. Nesta seção você conhecerá a habilidade
de saltar e sua relação com as provas do atletismo. Nessa modalidade temos duas
classi�cações que permeiam o saltar: os saltos verticais (salto em altura e salto
com vara) e os saltos horizontais (salto em distância e salto triplo). Por meio desta
Fonte: Shutterstock.
Deseja ouvir este material?
Áudio disponível no material digital.
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seção, você saberá como as provas ocorrem, aprenderá as técnicas de movimento
e como o pro�ssional de Educação Física pode realizar a aprendizagem inicial,
considerando espaços e materiais alternativos.
Após explicar como funciona o correr no atletismo, você se preocupa com a
explicação das provas de salto. Para a explicação, você separa sua equipe de
organizadores em dois grupos. O primeiro grupo �cará responsável pelas provas
de saltos horizontais, enquanto o segundo �cará a cargo das provas de saltos
verticais. Quais provas compõem os saltos horizontais no Atletismo? E quais provas
compõem os saltos verticais? Por �m, quais materiais podem ser adaptados para a
realização das provas de salto com vara e salto em altura?
Você pode aprender muito nesta seção. Bons estudos! 
CONCEITO-CHAVE
SALTAR E SALTITAR
Pela perspectiva do desenvolvimento motor, o saltar pode ser caracterizado como
um movimento fundamental que ocorre quando o corpo é projetado no ar pela
força gerada em uma ou ambas as pernas e o corpo pousa sobre um ou ambos os
pés (PAYNE; ISAACS, 2007). Gallahue (2013) destaca o saltar como uma habilidade
de projeção do corpo que envolve decolagem e aterrissagem sobre os dois pés.
Fatores como a força muscular, coordenação e equilíbrio in�uenciam o
desenvolvimento desta habilidade. Ao pensarmos nos diferentes tipos de saltos,
dois são mais conhecidos: o salto horizontal e o salto vertical.
No atletismo existem 4 provas de saltos, sendo duas horizontais e duas verticais.
Veja a seguir:
Saltos horizontais: salto em distância e salto triplo.
Saltos verticais: salto em altura e salto com vara.
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Essas provas são realizadas por homens e mulheres e podem permear o
aprendizado de crianças e adolescentes no desenvolvimento do saltar no contexto
escolar e/ou de prática da atividade física.
FASES DO SALTO EM DISTÂNCIA E SALTO TRIPLO
SALTO EM DISTÂNCIA
O salto em distância é uma prova de salto horizontal que consiste em uma
sucessão de movimentos e�cazes, ou seja, cada fase técnica é importante para que
o praticante consiga saltar o mais longe possível. Essa prova no atletismo possui 4
fases, a saber: corrida de aproximação, impulso, fase de voo e aterrissagem. As
fases ocorrem nessa sequência e possuem interdependência. Por exemplo: se o
indivíduo realiza uma corrida de aproximação ruim, as demais fases serão
afetadas.
A corrida de aproximação para o salto em distância é diferente da corrida que
vemos em provas de velocidades, como os 100 metros e os 200 metros rasos. Para
o salto, o praticante realizará uma corrida ritmada e progressiva, com variação de
amplitude e frequência dos passos até a tábua de impulsão. Assim, o indivíduo
deverá alcançar uma velocidade “ótima” para saltar, ou seja, uma velocidade que
permita uma subsequente aplicação de força sobre a tábua de impulsão para o
salto. Na aprendizagem dessa prova, o pro�ssional de Educação Física deve,
inicialmente, adotar uma pequena distância a ser percorrida na corrida de
aproximação. Com o desenvolvimento das atividades e da habilidade do saltar,
podem ser acrescidas maiores distâncias para essa fase.
EXEMPLIFICANDO 
O pro�ssional de Educação Física deve permitir que, durante a
aprendizagem inicial, os praticantes explorem as diferentes possibilidades
do saltar, ou seja, realizar saltos parados, saltos com pequena corrida de
aproximação e atividades que desenvolvam a lateralidade.
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Logo após a corrida de aproximação, temos a fase de impulso. Essa fase no salto
em distância é realizada com um pé. Considerando a realização dessa prova em
competições o�ciais, é recomendado que o indivíduo realize o salto da tábua de
impulsão. Enquanto um pé realiza o contato com a tábua, a “perna livre”
(contralateral) será lançada para cima e para frente, com �exão dos joelhos e
auxílio dos braços. 
Após o contato da tábua, temos o início da fase de voo. Essa fase é dependente
das etapas anteriores (corrida de aproximação e impulso). Três técnicas são mais
utilizadas durante essa fase: técnica grupada, técnica de arco e passada no ar. Veja
a seguir:
Estilo grupado: aproximação das mãos com os pés durante a fase de voo com o
intuito de percorrer a maior distância possível.
Figura 3.6 | Estilo grupado
Fonte: Shutterstock.
Estilo em “arco”: ocorre com a �exão das pernas e dos braços no sentido
posterior, sendo lançados para frente, em seguida, gerando um movimento de
arco no corpo.
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Figura 3.7 | Estilo em arco
Fonte: Shutterstock.
Estilo “passada no ar”: técnica considerada mais complexa, realizada
principalmente por atletas. Alterna movimentos de braços e pernas a
aterrissagem (queda).
Figura 3.8 | Estilo “passada no ar”
Fonte: Shutterstock.
A aterrissagem é a última fase do salto em distância. O praticante deve tocar a
areia primeiro com os pés, os quais devem tracionar o corpo para frente nessa
superfície (conforme Figura 3.8). É importante salientar que alguns lugares para a
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prática do atletismo não contarão com caixas de areia, como, por exemplo,
algumas quadras poliesportivas. Nesse caso, o pro�ssional de Educação Física
pode adaptar a aterrissagem com colchonetes. Além disso, tanto a atividade como
o espaço para a prática devem ser seguros para a prática.
SALTO TRIPLO
Outra prova componente dos saltos horizontais no atletismo, o salto triplo,
apresenta grande tradição olímpica no país. Foi nessa prova que Adhemar Ferreira
da Silva foi bicampeão olímpico (1952 e 1956), Nelson Prudêncio foi medalha de
prata, em 1972, e João Carlos de Oliveira foi bronze, em 1976 e 1980. Essa prova é
considerada mais complexa quando comparada ao salto em distância,
principalmente devido aos três saltos a serem realizados. São consideradas como
fases de movimento: corrida de aproximação, saltos (hop, step e jump) e
aterrissagem.
A corrida de aproximação no salto triplo é realizada de forma progressiva, como a
executada no salto em distância, ou seja, o praticante alcançará uma velocidade
“ótima” para realizar os 3 saltos subsequentes. Os dois primeiros saltos são
realizados com o mesmo pé e o último com o pé contralateral. Dessa forma,
existem apenas duas formas de realização dessa prova: direita, direita e esquerda
ou esquerda, esquerda e direita. Devido à repetição de perna nos dois primeiros
saltos, uma grande carga mecânica incide sobre a estrutura dos praticantes,
exigindo adaptações e prática para evitar lesões e traumas. Considerando o
processo de aprendizagem dessa prova, o pro�ssional de Educação Física deve
prezar inicialmente pelas diferentes formas de saltar, pequenas distâncias e
adaptação das di�culdades da tarefa de maneira progressiva. Cada salto do triplo é
conhecido como: primeiro salto (hop), segundo salto (step) e terceiro salto (jump).
Desses três saltos, o step é o que apresenta a menor extensão devido às cargas
mecânicas que acometem o praticante. 
Figura 3.9 | Salto triplo
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Fonte: Shutterstock.
A aterrissagem no salto triplo ocorre na caixa de areia, com técnica parecida ao
salto em distância (os pés tocam primeiro e tracionam o corpo para frente).
Novamente, é importante a�rmar que o pro�ssional de Educação Física pode
adaptar o local para queda, caso o espaço para a prática não disponha de uma
caixa de areia.
TÉCNICAS DO SALTO EM ALTURA
Componente da prova dos saltos verticais no atletismo, o salto em altura
apresenta materiais especí�cos para sua execução, como postes, sarrafo e colchão
adequado para a prática. Essa prova consiste na realização de uma impulsão com
um pé para transpor o sarrafo, o qual está em uma determinada altura. A seguir,
você conhecerá as técnicas de movimento para transposição do sarrafo.
ESTILO TESOURA
É o estilo mais recomendado para a aprendizagem inicial e utilizado por atletas de
alto rendimento no processo de aquecimento e exercícios técnicos em
treinamentos e competições. Nessa técnica, a corrida de aproximação é
progressiva e ocorre em um ângulo de aproximadamente 45° em relação ao
sarrafo. O salto estilo tesoura é feito com a perna externa ao sarrafo enquanto a
perna mais próxima é elevada rapidamente e em altura su�ciente para garantir a
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transposição sem tocar no sarrafo. Diferentemente das demais técnicas, a queda
do estilo tesoura pode ser realizada em pé, possibilitando a realização da atividade
em locais que não dispõem de colchões adequados para a prática. 
Figura 3.10 | Estilo tesoura
Fonte: adaptado de Matthiesen (2017).
ESTILO ROLAMENTO VENTRAL
Conhecido popularmente como “rolamento californiano”, essa técnica é
subsequente ao estilo tesoura e foi adotada com o objetivo de alcançar maiores
alturas durante o salto. A corrida de aproximação é parecida, comparada ao estilo
tesoura, no entanto, o salto ocorrerá com a perna mais próxima do sarrafo. Após a
impulsão, a perna externa ao sarrafo será lançada para cima, junto aos braços,
sempre em decúbito ventral. A seguir, a perna de impulsão realiza a mesma ação,
enquanto o indivíduo realiza um giro no eixo longitudinal.
Nesse estilo técnico, para a queda, é necessária a presença de um colchão ou
superfície segura e macia que amorteça a queda, uma vez que ocorre em decúbito
ventral ou dorsal.
Figura 3.11 | Estilo rolamento ventral
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Fonte: adaptado de Matthiesen (2017).
ASSIMILE 
Para a aprendizagem inicial do salto em altura é recomendado que o
pro�ssional de Educação Física inicie a prática pelo estilo tesoura. Essa
técnica é conhecida por ser de simples execução e por ser de fácil
adaptação de acordo com o local destinado para a prática.
ESTILO FOSBURY FLOP
Esse estilo foi apresentado por Richard Douglas Fosbury, nos Jogos Olímpicos de
1968 (México). Para a corrida de aproximação, apesar de progressiva, é necessária
maior velocidade nos passos �nais de corrida em comparação aos demais estilos.
A impulsão é realizada com a perna externa ao sarrafo e, após o impulso, o
saltador realizará um pequeno movimento com o tronco, �cando em decúbito
dorsal. Após realizar esse movimento, a transposição será completada. Veja a
seguir
Figura 3.12 | Fosbury �op
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Fonte: Shutterstock.
Na queda, esse estilo também necessita de um colchão adequado para a prática.
Essa técnica é a mais complexa em comparação às demais. Portanto, o pro�ssional
de Educação Física deve desenvolver atividades de di�culdades progressivas para a
prova do salto em altura. Outro fator a ser considerado é a segurança, por
exemplo: o sarrafo não pode oferecer riscos aos praticantes (cordas elásticas são
uma alternativa). Respeite os diferentes níveis de habilidade dos alunos.
ETAPAS DO SALTO COM VARA
Nessa outra prova de salto vertical, o objetivo é atingir a maior altura possível com
o auxílio de uma vara como implemento. Em competições, são utilizados postes,
sarrafo e colchão apropriado para a atividade. A vara atualmente é feita de �bra de
carbono, mas já foi construída por meio de bambu, alumínio e aço. É interessante
salientar que a vara de bambu ainda é muito utilizada para a aprendizagem inicial
por ser um material menos �exível, dando maior controle ao praticante. São
conhecidas as seguintes fases para o salto com vara: empunhadura, corrida de
aproximação e preparação para o encaixe, salto e queda. 
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A empunhadura é feita com a vara na posição horizontal. A palma da mão deve
estar para cima, a partir de uma �exão de cotovelo em aproximadamente 90°. A
outra mão estará posicionada à frente (palma para baixo) com �exão de cotovelo.
A corrida de aproximação ocorre de forma progressiva, sendo desenvolvida uma
velocidade “ótima”. A vara, posicionada ao lado contrário da perna de impulsão
deve estar com a ponta para cima no início do deslocamento. Ao avançar, a ponta
da vara abaixa progressivamente com o objetivo de garantir o encaixe para o
salto. 
No salto (impulsão) o praticante realizará essa ação com a perna correspondente à
mão “da frente” na vara, enquanto a perna contralateral realizará uma �exão de
quadril e joelho. Em seguida, o indivíduo realizará a inversão do corpo, para a
verticalização invertida, seguida de um giro de aproximadamente 180° para
transpor o sarrafo. Por conseguinte, na queda, é necessário um colchão
apropriado, principalmente devido às maiores alturas que podem ser alcançadas.
No entanto, para a aprendizagem inicial, podemos realizar atividades que
enfatizem o deslocamento horizontal e baixas alturas, além de adaptar o colchão
com colchonetes ou materiais que amorteçam a queda e garantam a segurança
dos praticantes.
REFLITA 
Como o pro�ssional de Educação Física pode adaptar as atividades e
espaços para a prática do salto com vara? Em uma quadra poliesportiva, é
possível desenvolver atividades dessa prova, considerando crianças e
adolescentes como público-alvo?
Figura 3.13 | Salto com vara
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Fonte: Shutterstock.
FAÇA A VALER A PENA
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Questão 1
Complete as lacunas da sentença a seguir:
O estilo _______ é um método de transposição do sarrafo no salto em altura, criado
por Dick Fosbury, saltador americano. O salto é realizado com a perna externa ao
sarrafo e ocorre um _________ no momento da _________. Esse estilo é atualmente
adotado pelos saltadores no mundo inteiro em competições.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas. 
a. tesoura; giro; queda.
b. rolamento ventral; rolamento; queda.
c. fosbury �op; giro; elevação.
d. fosbury jump; rolamento; elevação.
e. o’brien; giro; queda
Questão 2
O salto em distância é considerado uma prova de saltos horizontais no atletismo.
Com o intuito de alcançar a maior distância possível em um salto, essa prova é de
fácil aprendizado dentro do contexto escolar. O salto pode ser dividido em quatro
fases com uma sequência determinada.
Considerando a sequência correta de movimentos relacionados ao salto em
distância, assinale a alternativa correta.
a. Impulsão, fase de voo, aterrissagem e corrida de aproximação.
b. Impulsão, corrida de aproximação, fase de voo e aterrissagem.
c. Corrida de aproximação, impulsão, aterrissagem e fase de voo.
Corrida de aproximação, impulsão, fase de voo e aterrissagem.
Fase de voo, impulsão, corrida de aproximação e aterrissagem.  
Questão 3
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REFERÊNCIAS
CBAT. Confederação Brasileira de Atletismo. Regras de competição e regras
técnicas. Versão o�cial para o Brasil, 2020. Disponível em: https://bit.ly/3uGTVvs.
Acesso em: 8 maio 2021.
GALLAHUE, D.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o
Desenvolvimento Motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2013.
MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de janeiro: Guanabara
Koogan, 2017.
PAYNE, V. G; ISAACS, L. D. Desenvolvimento motor humano: uma abordagem
vitalícia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
O salto triplo é considerado uma das mais complexas provas na modalidade, uma
vez que exige mais de um salto a ser realizado e acarreta uma grande carga
mecânica ao indivíduo.
Sobre a sequência de movimento (ordem dos saltos), assinale a alternativa correta.
a.  Os três saltos são realizados com o mesmo pé.
b.  Os dois primeiros saltos são realizados com o mesmo pé, enquanto o último é realizado com o pé
contralateral.
c.  O primeiro salto é realizado com um pé, enquanto os outros dois são realizados com o pé contralateral.
d.  O primeiro salto é realizado com um pé, o segundo com o pé contralateral e o terceiro com o mesmo pé
utilizado no primeiro salto.
e.  Os dois primeiros saltos são realizados com o mesmo pé, enquanto o último é realizado com os dois pés
juntos.  
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http://www.cbat.org.br/repositorio/cbat/documentos_oficiais/regras/regrasdecompeticaoeregrastecnicas_edicao2020.pdf
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
 SALTAR
Anderson Nascimento Guimarães
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SEM MEDO DE ERRAR
Os saltos horizontais no atletismo são: salto em distância e salto triplo. Para os
saltos verticais, temos as provas de salto em altura e salto com vara. Para a
aprendizagem inicial do atletismo e aplicação da modalidade em diferentes
contextos de prática, materiais alternativos podem ser utilizados. Dessa forma,
Fonte: Shutterstock.
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Áudio disponível no material digital.
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materiais como cabos de vassoura, colchonetes, cones, bambolês, cordas elásticas
e pequenas marcações no chão, com giz, podem auxiliar na realizaçãodessas
provas, principalmente considerando crianças e adolescentes como público-alvo.
AVANÇANDO NA PRÁTICA
ESTILO TESOURA
Renato é um jovem que deseja começar a prática de atletismo em um clube de seu
município. Ao chegar na pista, o garoto é testado em diferentes provas (corridas,
saltos, arremesso e lançamentos). Após a prática da prova de salto em altura, o
técnico da equipe a�rma que Renato demonstra habilidade para a prova e que
poderá praticá-la em conjunto com outras provas. No primeiro treino mais
especí�co desse salto vertical, é solicitado que Renato primeiramente realize o
salto no estilo tesoura. Sabendo que pode alcançar maiores alturas com outro
estilo técnico, Renato pergunta ao pro�ssional o motivo de começar a prática pelo
estilo tesoura. Como você pode responder a Renato?
RESOLUÇÃO
O salto em altura apresenta três estilos técnicos, a saber: estilo tesoura, estilo
de rolamento ventral e estilo fosbury �op. O estilo tesoura é o mais
recomendado para a aprendizagem inicial, por envolver movimentos mais
simples a serem realizados e por ser considerado um exercício técnico
importante desenvolvido em treinamentos e competições. Pensando na
progressão da aprendizagem de movimentos nessa prova, é importante que o
estilo tesoura seja praticado e que o nível de di�culdade das atividades
técnicas seja desenvolvido de forma progressiva.
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NÃO PODE FALTAR
 LANÇAR E ARREMESSAR
Anderson Nascimento Guimarães
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PRATICAR PARA APRENDER 
Caro aluno, seja bem-vindo à terceira seção da Unidade 3 do livro didático de
Fundamentos dos Movimentos Básicos. Nesta seção conheceremos sobre as
habilidades motoras arremessar e lançar. Compreenderemos a importância em
estimular a vivência dessas habilidades motoras durante a infância e veremos
algumas provas do Atletismo que podem ser utilizadas como estratégia para o
pro�ssional de Educação Física promover o desenvolvimento motor e/ou a
melhoria de desempenho esportivo de crianças, jovens e adultos. Você conhece a
diferença entre arremessar e lançar no atletismo? Sabe quais são as fases do
arremessar e do lançar? Quantas e quais são as características dos estilos de
arremesso de peso no atletismo? Sobre o lançamento de dardo, conseguiria citar
Fonte: Shutterstock.
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os tipos de empunhaduras e as características dos movimentos da técnica
realizada nessa prova. Se a resposta foi não, para a maioria dessas perguntas,
�que tranquilo, pois, nesta seção, descobriremos as respostas para todas elas.
Dando continuidade às explicações aos integrantes da equipe organizadora do
evento de atletismo, você aborda as provas de arremesso de peso dessa
modalidade. Durante a sua conversa com o pessoal da equipe, algumas pessoas
levantaram vários questionamentos sobre essas provas, como: quantos dardos são
necessários para realizar essas provas de arremesso? Quais os estilos de
arremesso mais apropriados para pessoas em fases iniciais de aprendizagem? O
que devemos conhecer sobre arremessos para dar dicas importantes aos
iniciantes?
Vamos lá! Mantenha o foco, a concentração e aproveite cada momento desse
estudo. 
CONCEITO-CHAVE
DIFERENÇA ENTRE ARREMESSOS E LANÇAMENTOS
O lançar e o arremessar são habilidades motoras fundamentais (GALLAHUE;
OZMUN; GOODWAY, 2013), uma vez que são realizadas pelo ser humano ao longo
de toda a sua vida e possuem movimentos básicos para a execução de habilidades
motoras especializadas, como as habilidades esportivas (por exemplo, atletismo).
Quando observamos uma criança, um jovem, um adulto ou um idoso
arremessando ou lançando algum objeto, logo percebemos que essas habilidades
motoras exigem capacidades, como força, velocidade e, principalmente,
coordenação motora. Os músculos contraem-se para gerar força e movimentar as
articulações envolvidas na realização do arremesso e do lançamento. A
coordenação entre músculos e articulações proporciona uma transferência de
energia ao longo do braço, gerando a velocidade de movimento necessária para
que o objeto acerte o alvo ou chegue até o local desejado. 
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Se observarmos as provas de lançamento do atletismo, vamos perceber que, além
da força, da velocidade e da coordenação motora, a �exibilidade é outra
capacidade importante para o alcance de um bom desempenho nessas provas
(ROJA, 2017). As provas do atletismo que demandam o uso das habilidades
motoras fundamentais, lançamento e arremesso, são: lançamento de disco,
lançamento de martelo, lançamento de dardo e arremesso de peso (MATTHIESEN,
2017). Essas provas são realizadas por homens e mulheres e a prática de seus
movimentos, como conteúdo educacional ou como atividade física, é uma ótima
estratégia para enriquecer o acervo motor das crianças. 
Observe que temos três provas de lançamento e, apenas, uma de arremesso. Você
já se perguntou por que a prova de arremesso de peso não é, também, chamada
prova de lançamento? Por que todas as provas de lançamento não são chamadas
provas de arremesso? Por que há essa diferença de nomes entre as provas?
Apesar dessas provas possuírem o mesmo objetivo (fazer que o implemento se
afaste o máximo possível), a diferença está na técnica realizada para alcançar o
objetivo. Por exemplo, na prova de arremesso de peso a técnica é efetuada
empurrando o implemento que está colado ao corpo, enquanto na prova de
lançamento de dardo os movimentos são executados com o implemento longe do
corpo, a todo momento, soltando-o no ar, o mais longe possível.
Figura 3.14 | Posição do implemento em relação ao corpo durante o arremesso e o lançamento
Fonte: adaptado de Matthiesen (2017).
REFLITA 
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As habilidades motoras fundamentais são a base para o aprendizado das
técnicas de lançamento e de arremesso do atletismo. Para facilitar o
processo de ensino-aprendizagem dessas técnicas, é importante que o
aprendiz tenha recebido uma boa base com as habilidades motoras
fundamentais. Com isso em mente, re�ita: quem é o pro�ssional
responsável por estimular a construção dessa base motora? Qual é a fase
da vida em que essas habilidades motoras devem ser mais estimuladas? A
estimulação deve ser realizada mais especi�camente com as técnicas das
provas do atletismo ou em situações diversi�cadas?
FASES DOS LANÇAMENTOS E ARREMESSOS
Apesar das diferenças nos implementos e nas técnicas de execução dos
movimentos utilizados em cada uma das provas de arremesso e de lançamento no
atletismo, as principais fases dos movimentos que compõem essas habilidades
motoras são bem semelhantes. Tanto no arremesso de peso quanto nos
lançamentos de disco, de martelo e de dardo, os movimentos de execução da
técnica podem ser divididos em quatro fases. Vejamos, agora, as características de
cada fase.
A fase de preparação é caracterizada pelo posicionamento inicial do atleta, pela
empunhadura do implemento (maneira de segurar o objeto) e pelas
movimentações do implementoque o atleta realiza antes de iniciar o
deslocamento de seu próprio corpo. As movimentações de implementos são os
balanceios (movimentos levando o implemento para ambos os lados) no
lançamento de disco, e os molinetes (giro do implemento passando à frente e atrás
do corpo) no lançamento de martelo. Em seguida, inicia-se a fase de
deslocamento. Essa fase é caracterizada pela mudança de posicionamento dos
pés, em direção ao setor de queda dos implementos, e pela produção e
transferência de energia do corpo em movimento para o implemento que será
lançado.
EXEMPLIFICANDO 
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Um exemplo dessa transferência de energia é quando alguém está em um
carro em movimento e o freio é acionado bruscamente, fazendo o carro
parar. Mesmo que o carro pare, a pessoa continua indo para frente, devido
à energia do carro ter sido transferida para a pessoa.
Dando continuidade às fases dos movimentos, a próxima é a fase de arremesso
ou de lançamento, propriamente dita. O que caracteriza essa fase são os
movimentos que antecedem a ação de empurrar (no arremesso) ou de soltar o
implemento. Por �m, a última, mas não menos importante, é a fase de
�nalização. Nessa fase, o corpo do atleta possui muita velocidade proporcionada
pela energia produzida e transferida ao longo do movimento, o que pode levar o
atleta a cometer algo que não é permitido, como sair da área de arremesso ou
lançamento. Essa fase é caracterizada por movimentos que impeçam essa saída,
como a troca de pés para �nalizar a técnica e controlar o restabelecimento do
equilíbrio corporal.
  Já se perguntou por que dividir os movimentos de uma habilidade motora em
fases? A resposta a essa pergunta está relacionada às escolhas e planejamentos de
estratégias de ensino e treinamento da habilidade motora. A divisão em fases
permite-nos analisar e compreender em detalhes os diferentes movimentos
realizados por cada parte do nosso corpo (por exemplo, cabeça, tronco, braços,
mãos, pernas e pés) e compreender como essas partes se coordenam ao longo da
execução da habilidade motora. Conhecer as fases e os detalhes da execução dos
movimentos facilita para que o pro�ssional de Educação identi�que os erros
cometidos pelo executante e facilita o planejamento das estratégias de correção
desses erros. Por exemplo, identi�cando que o aluno está errando alguns
movimentos da fase de deslocamento no lançamento de discos, o pro�ssional
pode planejar atividades com, apenas, os movimentos realizados nessa fase,
direcionando, assim, o foco de atenção do aluno para os movimentos que ele
precisa se preocupar e melhorar. 
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Figura 3.15 | As quatro fases no lançamento de disco
Fonte: adaptado de Muller e Ritzdorf (2009).
ASSIMILE 
As principais fases das técnicas de arremesso e de lançamento do atletismo
são semelhantes entre si e divididas em fase de preparação, fase de
deslocamento, fase de lançamento e fase de �nalização. Todavia, isso
não quer dizer que as técnicas de arremesso e de lançamento do Atletismo
sejam, também, semelhantes. Pelo contrário, essas técnicas são bem
diferentes, pois possuem diferentes movimentos realizados dentro de cada
uma dessas fases.
ESTILOS DO ARREMESSO DE PESO
O início da história dessa prova do atletismo se deu em território britânico. Os
primeiros relatos são de um jogo do povo Celta, no qual pedras eram
arremessadas para longe. As características que veri�camos nas provas de hoje em
dia, como o peso de 7,256 kg do implemento para a categoria masculina, é
equivalente ao que pesavam as munições dos canhões britânicos (16 libras)
utilizados no século XIX (CBAT, 2021). Por muito tempo foi considerado que a força
era determinante para alcançar a vitória nessa prova. Com a crescente busca por
melhorias de desempenho e por melhores marcas, nas últimas décadas, percebeu-
se que essa é uma prova muito técnica e que os movimentos devem ser
exaustivamente praticados e muito bem coordenados (ROJAS, 2017). Ao empunhar
o implemento, o arremessador deve posicionar sua mão embaixo do peso, segurá-
lo com os dedos, sem encostar a palma da mão, e apoiá-lo entre a mandíbula e o
pescoço. Vale salientar que essa empunhadura é a mesma utilizada em todos os
estilos de arremesso de peso do Atletismo. Partindo dessa posição, o
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arremessador deve apenas empurrar o peso, caracterizando o movimento do
arremesso. Vejamos, a seguir, os detalhes dos principais estilos de arremesso de
peso.
ESTILO LATERAL SEM DESLOCAMENTO
Esse estilo é o mais básico e fácil dentre os demais estilos de arremesso. Por isso,
ele é uma ótima opção para iniciar a aprendizagem das técnicas do arremesso.
Para a sua realização, o arremessador posiciona-se na metade anterior do círculo
(área de arremesso), de lado para o local onde o peso será arremessado,
�exionando o joelho e colocando o peso do corpo sobre a perna que está mais
distante da borda anterior do círculo de arremesso, e executa a empunhadura do
implemento. Em seguida, inicia-se a transferência de peso corporal entre as
pernas, o movimento de rotação do tronco, a extensão do cotovelo para empurrar
o peso. Conforme o aluno vai avançando em seu aprendizado, o movimento de
�nalização do arremesso, com a troca de pés para controlar o equilíbrio corporal e
evitar ultrapassar a área de arremesso, pode ser gradativamente incluído. Um
aspecto interessante nesse e nos demais estilos de arremessos é que, após
�nalizar o arremesso, o arremessador deve entrar e sair da área de arremesso
pela parte posterior. Essa é uma regra muito importante das provas de arremesso
e lançamento no atletismo.
Figura 3.16 | Arremesso de peso estilo lateral sem deslocamento
Fonte: adaptado de Rojas (2017).
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ESTILO LATERAL COM DESLOCAMENTO
Esse estilo de arremesso pode ser considerado uma progressão pedagógica do
arremesso lateral sem deslocamento, uma vez que há poucas diferenças entre os
dois estilos. A primeira diferença é o local de posicionamento na área de
arremesso. Nesse estilo de arremesso, o arremessador posiciona-se na metade
posterior do círculo de arremesso. A posição inicial de lado e a empunhadura do
implemento são as mesmas utilizadas no arremesso sem deslocamento. A
segunda diferença é a maior �exão do joelho da perna que está próxima à borda
posterior do círculo de arremesso, colocando todo o peso do corpo sobre essa
perna. Em seguida, ocorre a terceira diferença entre os estilos de salto. Nesse
instante, é iniciado o movimento de deslocamento dos pés, no qual ocorre um
“deslizamento” rasteiro do pé, puxando o outro pé para frente. Os movimentos de
transferência de peso corporal, extensão de cotovelo para o arremesso e
�nalização da técnica são os mesmos abordados no estilo lateral sem
deslocamento.
Figura 3.17 | Arremesso de peso estilo lateral com deslocamento
Fonte: adaptado de Matthiesen (2017).
ESTILO O’BRIEN
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William Parry O’Brien foi um atleta que revolucionou a técnica de arremesso de
peso, em 1950, e que se manteve como recordista mundial entre os anos de 1953
e 1959. O estilo O’Brien não é tão utilizado nas fases iniciais do aprendizado do
arremesso de peso, pois possui movimentos complexos, que exigem boa
coordenação motora do arremessador na execução dos movimentos exigidos nos
estilos de arremesso lateral, sem e com deslocamento. 
No estilo O’Brien o arremessador posiciona-se próximo à borda posterior do
círculo de arremesso e de costas para o local onde o peso será arremessado. A
perna direita (para arremessadores destros) �ca estendida, com o pé totalmente
apoiado no chão, e a esquerda �ca semi�exionada com a ponta do pé no chão. A
mão esquerda �ca elevada acima da cabeça e a direita executa a empunhadura do
implemento. Em seguida, é realizada a �exão do tronco para frente, elevação da
perna esquerda e �exão dos dois joelhos, caracterizando a fase de preparação. Na
fase de deslocamento, os joelhos são estendidos para impulsionar o corpo, o pé
direito “desliza” próximo ao chão e o esquerdo é impulsionado no ar. A fase de
arremesso se inicia com o pé esquerdo tocando o chão. Os movimentos das fases
de arremesso e de �nalização são semelhantes aos estilos lateral sem e com
deslocamento.
Figura 3.18 | Arremesso de peso estilo O’Brien
Fonte: adaptado de Matthiesen (2017).
ESTILO ROTACIONAL (OU COM GIROS)
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Em 1972, o atleta soviético Aleksandr Baryshnikov apresentou ao mundo um novo
estilo de arremesso que utilizava giros, com movimentos muito parecidos aos da
técnica utilizada no lançamento de disco. A partir de então, os estilos O’Brien e
rotacional passaram a ser os mais utilizados pelos atletas de elite do atletismo.
Devido à sua complexidade de movimentos e grande exigência de coordenação, o
estilo rotacional não é utilizado nas fases iniciais do aprendizado do arremesso. 
A posição inicial do arremesso é de costas para o local de arremesso e próximo à
borda posterior do círculo de lançamento. Os pés �cam afastados lateralmente,
um ao lado do outro, os joelhos semi�exionados, uma das mãos �ca na altura do
peito e a outra impunha o implemento. Antes de iniciar, o arremessador executa
um balanceio, rotacionando o tronco de um lado para o outro sem tirar os pés do
lugar. Para os destros, a perna esquerda será o suporte para o peso corporal e o
eixo de rotação para o primeiro giro. Na sequência do balanceio, o tronco
rotaciona dando início ao giro, o pé direito ultrapassa o pé esquerdo e toca o chão.
O movimento de giro continua, agora, com o pé esquerdo ultrapassando o direito
e tocando o chão próximo à borda anterior do círculo de lançamento. Em seguida,
os movimentos de arremesso do peso e �nalização da técnica são os mesmos dos
estilos de arremesso que aprendemos até aqui. 
Figura 3.19 | Arremesso de peso estilo rotacional
Fonte: adaptado de Matthiesen (2017).
EMPUNHADURAS DO LANÇAMENTO DE DARDO
As evidências do lançamento de dardo são muito antigas. Se você parar e pensar,
certamente já viu uma imagem de um caçador primata acertando a caça com sua
lança ou, ainda, um vídeo de guerras antigas em que os guerreiros atiram lanças
para acertar os inimigos. O lançamento de dardo fazia parte das provas de
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pentatlo do atletismo, e só veio a fazer parte dos Jogos Olímpicos Modernos em
1908 (CBAT, 2021). Dentre as provas de lançamento do atletismo, essa é a única a
ser realizada em um corredor de 30 m de comprimento. O dardo é composto por
três partes: a cabeça ou ponta, o corpo e a empunhadura de corda, localizada no
centro de gravidade do dardo. Diferentemente do arremesso de peso, o
lançamento de dardo possui três estilos de empunhaduras com pequenas
diferenças, a saber:
Estilo “garfo” – a empunhadura de corda do dardo é colocada na palma da
mão, o dardo é seguro com os dedos polegar, mínimo e anelar, e apoiado entre
os dedos indicador e médio.
Estilo “�nlandesa” – essa empunhadura é semelhante ao estilo “garfo”. A
exceção é que o dardo é seguro por quatro dedos e apoiado, apenas, no dedo
indicador.
Estilo “americana” – nesse estilo de empunhadura o dardo é colocado na
palma da mão e seguro com a utilização de todos os dedos.
Figura 3.20 | Estilos de empunhadura do lançamento de dardo
Fonte: adaptado de Rojas (2017).
Quanto à técnica de execução, o lançador posiciona-se de frente para o local onde
o dardo será lançado, empunha o implemento com o estilo de sua preferência,
mantendo o dardo acima do ombro e na horizontal. Em seguida, inicia uma corrida
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de aproximação, modi�ca-a para uma corrida com passadas cruzadas (chamada
ritmo de 5 passos), estendendo o cotovelo e trazendo o dardo para trás (formação
do arco de lançamento). Ao terminar a última passada e apoiar o pé no chão, é
iniciado o movimento de lançamento, rotacionando o tronco, �exionando o
cotovelo para trazer o dardo a frente e estendendo o cotovelo para soltar o dardo
no ar. A �nalização da técnica é executada com a troca de pés para controlar o
corpo e evitar ultrapassar a borda limite colocada no �nal do corredor.
Figura 3.21 | Estilos de empunhadura do lançamento de dardo
Fonte: adaptado de Muller e Ritzdorf (2009).
Para promover um bom ensino de qualquer habilidade motora, é importante que
o pro�ssional de Educação física compreenda as diferentes fases de execução de
cada habilidade e os detalhes mais importantes da sua execução. Assim, poderá
planejar diferentes estratégias de ensino que respeitem as potencialidades e
atendam às necessidades de cada público com o qual trabalhará.
FAÇA A VALER A PENA
Questão 1
No atletismo temos as provas de arremesso e lançamento, que exigem
capacidades motoras, como força, velocidade, �exibilidade e, principalmente,
coordenação motora. Essas provas possuem diferenças que caracterizam suas
ações e nomenclatura. 
Sobre essas diferenças, complete as lacunas da sentença a seguir:
“Nas provas do atletismo, o ____________ é caracterizado pela ação de ____________ no
ar o implemento que se movia, a todo instante, ____________ ao corpo do atleta. 
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Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a. lançar; empurrar; próximo.
b. arremessar; soltar; distante.
c. lançar; soltar; próximo.
d. arremessar; empurrar; próximo.
e. lançar; empurrar; distante. 
Questão 2
Diferente da prova de arremesso de peso, a prova de lançamento de dardo possui
mais de um estilo de empunhadura que pode ser utilizado durante a competição.
Dentre esses estilos de empunhadura, um é caracterizado pela colocação do dardo
na palma da mão, por ser seguro por quatro dedos e pelo apoio do dardo com o
dedo indicador.
Pensando em ensinar o lançamento de dardo e iniciar pela empunhadura, assinale
a alternativa que apresenta o nome do estilo de empunhadura caracterizado no
texto. 
a.  Estilo “garfo”. 
b.  Estilo “anzol”. 
c.  Estilo “�nlandesa”. 
d.  Estilo “europeia”.
e.  Estilo“americana”. 
Questão 3
Para ensinar as habilidades de arremesso e lançamento, seja no contexto escolar
ou de prática de atividade física e esportiva, o pro�ssional de Educação Física
precisa conhecer em detalhes as fases de execução dessas habilidades motoras. 
Sobre essas fases, analise as sentenças a seguir:
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REFERÊNCIAS
CBAT. Confederação Brasileira de Atletismo. Histórico das Provas – Masculino.
Disponível em: https://bit.ly/3fqzyMX. Acesso em: 18 fev. 2021.
GALLAHUE, D.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o
Desenvolvimento Motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2013.
MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de janeiro: Guanabara
Koogan, 2017. Disponível em: Minha Biblioteca https://bit.ly/2Q8brty. Acesso em: 1
jan. 2021. 
MÜLLER, H.; RITZDORF, W. ¡Correr! ¡ Saltar! ¡Lanzar! Guía o�cial IAAF para la
enseñanza del atletismo. 2009.
I. As técnicas de arremesso e lançamento no atletismo possuem três principais
fases, que são semelhantes entre si.
II. A fase de preparação do arremesso e do lançamento é caracterizada pela
empunhadura, posicionamento do atleta e pelos movimentos, como o
balanceio.
III. A fase de �nalização dessas habilidades motoras é caracterizada pela técnica
de troca dos pés.
É correto o que se a�rma em:
a.  I, apenas. 
b.  I e II, apenas. 
c.  I e III, apenas.
d.  II e III, apenas. 
e.  I, II, III. 
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http://www.cbat.org.br/provas/historico_masculino.asp
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527731065/cfi/6/2!/4/2/2@0:0
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ROJAS, P. N. C. Aspectos pedagógicos do atletismo. Curitiba: InterSaberes, 2017.
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
LANÇAR E ARREMESSAR
Anderson Nascimento Guimarães
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SEM MEDO DE ERRAR
Para responder aos questionamentos que o pessoal de sua equipe organizadora
do evento levantou, você começa explicando que nenhum dardo será necessário
para a realização da prova de arremesso e explica que o dardo é lançado, não
arremessado. Lembra aos membros da equipe que, na prova de arremesso, é
utilizado o peso como implemento e não o dardo. Acrescenta que o peso é
arremessado, uma vez que é empurrado de junto ao corpo para longe, e que o
dardo é lançado, pois o movimento é realizado com ele longe do corpo a todo
instante, até o momento de soltá-lo no ar. Sobre a dúvida de que estilos são ideais
para iniciantes, você explica que o estilo mais básico e fácil para iniciantes é o
arremesso lateral sem deslocamento. Isso se deve ao fato desse estilo exigir,
Fonte: Shutterstock.
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basicamente, a técnica de empunhadura do peso e os movimentos de lançamento
em si. Acrescenta, ainda, que o estilo de arremesso lateral com deslocamento
também pode ser utilizado como uma progressão pedagógica para os iniciantes,
mas que o deslocamento dessa técnica exige maior controle e coordenação do
arremessador. Por �m, explica que, para dar dicas importantes aos iniciantes, é
necessário conhecer os detalhes de cada fase de execução dos movimentos das
técnicas de arremesso. Assim, é possível direcionar o foco de atenção do iniciante
para os aspectos mais relevantes para a correção de seus erros. 
AVANÇANDO NA PRÁTICA
EMPUNHADURAS DO LANÇAMENTO DE DARDO
Manuela é uma pro�ssional de Educação Física que passou em um concurso para
dar aulas na Educação Básica. Sabendo que o atletismo é um esporte de base, pois
envolve habilidades motoras fundamentais utilizadas em outras diversas
modalidades esportivas, atividades laborais e do dia a dia, Manuela planeja suas
aulas de atletismo para o bimestre. Apesar desse entendimento, Manuela não se
lembra de detalhes mais especí�cos da modalidade e faz alguns estudos sobre as
características da prova do lançamento de dardo. Mesmo com as leituras feitas, ela
não consegue compreender as diferenças entre os estilos de empunhadura dessa
prova do atletismo. Você deve ajudá-la Você se lembra quais são os estilos de
empunhadura e a diferença entre cada um deles?
RESOLUÇÃO
Os estilos de empunhadura que podem ser utilizados nas provas de
lançamento de dardo do Atletismo são, a empunhadura estilo “garfo”, a
empunhadura estilo “Finlandesa” e a empunhadura estilo “Americana”. A
diferença entre estes estilos de empunhadura está no apoio e na quantidade
de dedos que seguram o dardo. Na empunhadura estilo “garfo”, o dardo é
colocado na palma da mão, seguro por três dedos (polegar, mindinho e anelar)
e apoiado entre dois dedos (indicador e médio). Na empunhadura estilo
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“Finlandesa”, o dardo é seguro com quatro dedos e apoiado, apenas, no dedo
indicador. Já na empunhadura “Americana”, o dardo é colocado na palma da
mão e seguro com os cinco dedos. É importante lembrar que, durante a prova
de lançamento de dardo, qualquer dos três estilos pode ser escolhido pelo
lançador.
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NÃO PODE FALTAR
MOVIMENTOS DA GINÁSTICA ACROBÁTICA
Walquiria Batista de Andrade
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Seja bem-vindo à Unidade 4 Movimentos básicos ginásticos, na qual serão
contextualizados os movimentos na ginástica acrobática, na ginástica artística e na
ginástica rítmica. Cada modalidade de ginástica apresenta características
peculiares em sua organização, regras, fundamentos e categorias, e, agora, chegou
a hora de você ter contato com esse conhecimento que enriquecerá sobremaneira
a sua formação pro�ssional. No município onde você reside, há escolinhas de
iniciação esportiva? Quais modalidades esportivas são ofertadas? E na escola onde
você concluiu o ensino básico, quais práticas corporais você vivenciou nas aulas de
Educação Física? Se para nenhuma dessas questões a resposta foi ginástica, você
terá, por meio deste material, a oportunidade de conhecer diferentes
modalidades. E mesmo que tenha vivenciado anteriormente alguma ginástica,
agora, com as lentes de um professor em formação, poderá compreender o quão
importante é essa área de conhecimento para sua atuação pro�ssional.
Para o ensino de diferentes modalidades de ginástica, é necessário que oprofessor
e/ou pro�ssional de Educação Física compreenda os processos de transformação
de movimentos básicos para os especí�cos e que, acima de tudo, respeite o limite
do aluno, promovendo, se possível a evolução gradual de cada movimento
característico da ginástica. Para tanto, é fundamental conhecer o processo de
desenvolvimento, da infância à vida adulta.
Na Seção 1, você conhecerá as características gerais da ginástica acrobática, os
exercícios que são realizados em uma coreogra�a e as capacidades físicas que
cada componente de uma equipe precisará desenvolver para bem desempenhar
sua função. Já na Seção 2, serão abordados as características da ginástica artística
masculina e feminina e seus fundamentos e aparelhos e, na Seção 3, você terá a
oportunidade de conhecer melhor a ginástica rítmica e, entre tantas
especi�cações, as habilidades manipulativas dos aparelhos corda, arco, bola,
maças e �ta.
Bons estudos e ótimo aprendizado!
PRATICAR PARA APRENDER
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Aprender sobre os movimentos básicos ginásticos certamente fará diferença em
sua vida como professor e/ou pro�ssional da Educação Física. As modalidades de
ginásticas precisam ser oferecidas nas escolas e fora delas, pois seus benefícios
nos aspectos motores e de saúde são comprovados cienti�camente.
Você sabia que há inúmeros estudos cientí�cos comprovando a e�cácia de
diferentes modalidades de ginástica para o desenvolvimento infantil? As ginásticas
permitem à criança conhecer seu próprio corpo, seus limites e potencialidades, por
meio de movimentos que contemplam as habilidades básicas de locomoção,
manipulação e estabilização, com progressão e evolução para as habilidades
especializadas. E esse aporte motor enriquece, sobremaneira, o crescimento, os
aspectos cognitivos, psicomotores, afetivos e de saúde.
Atualmente, a tecnologia tem tomado cada vez mais o tempo das crianças e
adolescentes em idades escolares. Com a chegada do novo Coronavírus e,
consequentemente, o estabelecimento da pandemia mundial proveniente da
Covid-19, o comportamento passivo diante das telas aumentou consideravelmente
no ano de 2020. Nesse sentido, promover a prática de modalidades esportivas,
como as ginásticas, respeitando as medidas sanitárias de segurança sugeridas pela
Organização Mundial da Saúde, poderá trazer motivação para o menino e para a
menina experimentarem práticas corporais não tão populares, como é o caso da
ginástica acrobática, da ginástica artística e da ginástica rítmica.
Embora os atletas das modalidades de ginásticas que são competitivas iniciaram a
formação esportiva por volta dos 5 ou 6 anos de idade, se não antes, a idade não
pode ser um fator limitante para aprender diferentes modalidades de ginástica em
outras dimensões, como por exemplo, a educativa, recreativa, e especialmente a
dimensão da saúde.
Contudo, as práticas voltadas às diferentes modalidades de ginástica só serão
possíveis se, cada vez mais, pro�ssionais da Educação Física se encorajarem a
promover ações que oportunizem a experimentação como dimensão do
conhecimento para as ginásticas.
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Com o objetivo de aumentar o repertório de modalidades esportivas oferecidas
pelo município onde você reside, o professor e pro�ssional de Educação Física,
Leonardo Andrade, já conhecido na região por sua excelente atuação pro�ssional
em projetos desportivos, inaugura sua primeira escola de iniciação esportiva
“Talentos são ouro” que oportunizará às crianças e adolescentes a vivência da
ginástica acrobática. Acontece que Leonardo, embora acumule experiências
valorosas na modalidade, não conseguirá atender ao público sozinho e pede ao
seu ex-professor da Universidade para indicar um bom aluno para estagiar ao seu
lado. Sim, você foi o escolhido! Sua dedicação aos estudos é notável, portanto a
oportunidade é sua. Já em contato com o Prof. Leonardo, você pontua, em relação
ao seu interesse e disponibilidade, que estará na Escola de Iniciação Esportiva
“Talentos são Ouro” 3 vezes na semana, durante 1 hora e meia. Diante disso, você
�ca re�etindo sobre qual seria a melhor forma de apresentar a modalidade às
crianças, quais movimentos iniciais poderiam ser propostos e como você poderia
auxiliar o Prof. Leonardo prestando um serviço de qualidade para a escola e,
principalmente, às crianças. E então? Como você se organizaria?.
Certamente a sua formação pro�ssional o motivará a criar estratégias inovadoras
em sua área de atuação e, seguramente, as diferentes modalidades de ginástica
criarão excelentes oportunidades de ensino e aprendizagem para a formação
integral das pessoas.
CONCEITO-CHAVE
A ginástica acrobática (GACRO) é uma prática corporal muito antiga. A literatura
acadêmica mostra que, desde os primórdios dos tempos, aproximadamente 2300
a.C, na região do Egito, já era possível encontrar, por exemplo, pinturas em ânforas
que exibiam acrobacias de forma muito clara de se interpretar (GALLARDO;
AZEVEDO, 2007). Contudo, como modalidade esportiva, a GACRO não é tão antiga
como parece. Originada do circo, os movimentos acrobáticos que caracterizam a
modalidade começaram a ganhar destaque por volta do ano 1920 e, em 1974, a
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GACRO realizou um campeonato em nível mundial que foi dirigido pela Federação
Internacional de Ginástica (FIG), que atualmente a reconhece como uma
modalidade de ginástica de competição.
Os movimentos básicos da GACRO merecem uma atenção especial por parte do
professor e/ou pro�ssional da Educação Física porque são movimentos que exigem
técnica em sua execução e preparam o aluno para movimentos mais complexos no
futuro, como os elementos pré-acrobáticos e acrobáticos. Outra coisa importante a
destacar é que alguns movimentos de base dessa modalidade, muitas vezes, são
elementos comuns de outras ginásticas. Considere que os movimentos corporais
executados em uma apresentação de ginástica são oriundos dos movimentos
naturais do ser humano. A evolução das mais diferentes formas de se movimentar
foi cada vez mais aprimorada e direcionada para diferentes modalidades
esportivas. Nesse sentido, podemos classi�car os movimentos em: a) movimentos
naturais: relacionados à sobrevivência como o de correr de um predador; b)
movimentos construídos: de diferentes exercícios físicos, como, por exemplo, a
marcha atlética; c) movimentos culturais: movimentos determinados de forma
cultural e com interferência do ambiente em que se vive.
Veja a seguir um exemplo de estruturação dos movimentos da ginástica. 
Figura 4.1 | Estrutura de movimentos na ginástica
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Fonte: adaptado de Souza (1997, p. 28).
Os elementos corporais podem ser combinados com os demais elementos
estruturais da ginástica, ou seja, podem ser explorados com ou sem a habilidade
de locomoção e/ou serem combinados com exercícios acrobáticos e/ou manejo de
aparelhos. Na ginástica acrobática, por exemplo, o ginasta salta realizando
rotações no ar aterrissando sobre o apoio dos parceiros de equipe ou mesmo nosolo. 
Vale a pena destacar que, antes de realizar qualquer movimento estrutural da
ginástica, o professor e/ou pro�ssional de Educação Física deverá promover
exercícios de aquecimento, alongamento e exercícios de condicionamento físico,
respeitando sempre as habilidades, a fase de desenvolvimento, aspectos
morfológicos, �siológicos, potencialidades e, principalmente, as limitações de cada
um, fazendo as adaptações necessárias para que os alunos, de forma democrática,
por meios dos princípios da igualdade, equidade e diversidade possam vivenciar os
exercícios sugeridos em uma aula de ginástica.
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Figura 4.2 | Vela
Fonte: Freepik.
Veja a seguir o exemplo de um elemento
corporal de equilíbrio que pode ser realizado
pela base em um movimento estático da
GACRO. A vela consiste em uma posição de
equilíbrio estático, na qual os ombros são
apoio para todo o restante do corpo. 
Nas primeiras tentativas, o aluno poderá
auxiliar a sustentação do corpo com as mãos
nas costas e, ao longo de sua evolução,
estendê-los ao chão.
Para realizar esse equilíbrio é importante que a
posição inicial seja sentada com as pernas
unidas e estendidas sobre o solo. Em seguida,
lentamente aproximar as costas ao solo, como
se fosse �car em decúbito dorsal. Assim, aluno
e/ou aspirante a ginasta deverá projetar o quadril, pernas e a ponta dos pés para
cima, mantendo, ao mesmo tempo, as pernas estendidas e unidas. Ao término,
voltar à posição inicial do movimento. Durante a execução, recomenda-se contrair
o quadril e concentrar a atenção em controlar o corpo para �xar a �gura de uma
vela, muitas vezes utilizada por um ginasta que sustentará sobre o seu corpo os
demais elementos da equipe, denominados: base, intermediário e volante, que
serão contextualizados ainda nesta seção.
PESQUISE MAIS
Você poderá ver mais exemplos de execução de elementos corporais
isolados e combinados, no livro Pedagogia da ginástica rítmica: teoria e
prática, a partir da página 118 até 125.
ALONSO, H. Pedagogia da ginástica rítmica: teoria e prática. São Paulo:
Phorte, 2011.
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A ginástica acrobática atualmente não é um esporte olímpico, mas é uma
modalidade competitiva que requer destreza, força, graça, �exibilidade,
musicalidade e companheirismo, pois é possível competir em pares, trios ou,
ainda, formando quartetos. A característica mais marcante da GACRO certamente
são as pirâmides humanas formadas mediante muita concentração dos
envolvidos.
ASSIMILE
A ginástica acrobática pode ser considerada uma série de movimentos
realizados em grupos e com ausência de qualquer aparelho. A GRACO exige
percepção e controle corporal fundamentais para execução de movimentos
de equilíbrio estático, dinâmico e combinado, bem como força e
�exibilidade (ALMEIDA, 1994).
No ambiente escolar ou fora dele, é muito comum que as crianças, quando estão
aprendendo qualquer modalidade de ginástica, queiram fazer pirâmides. Nesse
contexto, é muito importante que o professor e/ou pro�ssional de Educação Física
conheça os fundamentos e movimentos básicos da GAC para ensinar aos seus
alunos com segurança e responsabilidade, fazendo as adaptações necessárias para
que seja possível vivenciar a modalidade.
Figura 4.3 | Formação de pirâmides
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Fonte: Pinterest.
As coreogra�as da ginástica acrobática devem ser sincronizadas com a música
escolhida pelos atletas e/ou treinador e elas podem ser classi�cas em séries
estáticas ou dinâmicas, e devem apresentar elementos especí�cos da modalidade
como:
•  Elementos individuais
Compõe movimentos que devem ser realizados individualmente durante a
apresentação da GACRO, como, por exemplo, o Tumbling (movimentos acrobáticos
realizados sequencialmente e de forma ininterrupta); movimentos de �exibilidade;
elementos de equilíbrio; elementos coreográ�cos que, de certa forma, estejam
coerentemente relacionados com a ideia guia e o caráter musical.
•  Elementos estáticos
É uma coreogra�a que enfatiza as pirâmides que precisam ser �xadas em sua
�gura e forma por, aproximadamente, 2 a 4 segundos, por isso é classi�cada como
elemento estático. Exige muito equilíbrio, força, �exibilidade e agilidade.
•  Elementos dinâmicos
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A própria nomenclatura emite a ideia de que os exercícios dessa coreogra�a
precisam apresentar dinamicidade, ou seja, serão compostos por voos,
lançamento e recepção do volante, que podem ser de ginasta para ginasta, do solo
para o ginasta, do ginasta para o solo, entre outras combinações.
•  Elementos combinados
Coreogra�a que combina os elementos supramencionados, ou seja, em uma
mesma coreogra�a estarão presentes exercícios realizados de forma individual,
com formação de pirâmides e com elementos dinâmicos, como os voos.
REFLITA
Como você explicaria aos seus alunos as características que diferem a
ginástica acrobática das demais modalidades de ginástica? No artigo
Redescobrindo a ginástica acrobática, você poderá encontrar 20 vantagens
da GACRO em relação às outras ginásticas.
MERIDA, F.; NISTA-PICCOLO, V. L.; MERIDA, M. Redescobrindo a ginástica
acrobática. Movimento (ESEFID/UFRGS), v. 14, n. 2, p. 155-180, 2008.
Em uma competição de ginástica acrobática a área dos atletas é delimitada em
12m x 12m, mas, mesmo não tendo esse espaço disponível, o professor e/ou
pro�ssional de Educação Física deverá adaptar as características da GACRO de
acordo com a sua realidade de trabalho para que seus alunos possam vivenciar a
modalidade. 
As competições da GACRO são disputadas nas seguintes categorias: 
•  Dupla masculina: a base e volante são homens.
•  Dupla feminina: a base e volante são mulheres.
•  Duplas mistas: a base é o homem e o volante, a mulher.
•  Trio feminino: a base, intermediário e volante são mulheres.
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•  Quarteto masculino: todos os componentes da equipe são homens.
EXEMPLIFICANDO
Você poderá assistir a uma apresentação de ginástica acrobática com
elementos dinâmicos em Trio Feminino, no Torneio José António Marques
de Ginástica Acrobática, em Portugal, 2014. Disponível no canal do Youtube.
Durante a coreogra�a da GACRO, os ginastas vão exercendo funções nas quais são
previamente treinados, respeitando, portanto, sua estatura, peso e as capacidades
físicas especí�cas que são treinadas e potencializadas em cada um. 
Na ginástica acrobática cada indivíduo que compõe o par ou grupo possui uma
função e precisa desempenhar papéis diferentes, entre eles, a base, o
intermediário e o volante. Veja a seguir a característica de cada função:
BASE
É aquele atleta que sustenta o restante dos membros de sua equipe na formação
de uma �gura, como, por exemplo, as pirâmides. Para tanto, a base deverá ser o
indivíduo que apresenta característicasde acordo com suas funções, tais como
possuir membros superiores e inferiores curtos, pois várias �guras formadas em
um exercício de equilíbrio são realizadas com os membros esticados. Geralmente,
a base é o componente mais alto da equipe, o mais forte e, comumente, s mais
experiente na modalidade.
A base poderá se apresentar nas posições em pé, em quatro apoios, de joelhos,
em decúbito dorsal, como mostra a Figura 4.4, entre outras formas de
posicionamento.
Figura 4.4 | Base
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Fonte: Pixabay.
INTERMEDIÁRIO
É o membro da equipe que apresenta versatilidade porque poderá alternar sua
função com a base e também com o volante. Sustenta a equipe e é sustentado por
ela. Nas diferentes categorias de competição, o intermediário está presente nos
trios e quartetos e precisa apresentar características de �exibilidade e força. Na
Figura 4.5, o intermediário é a ginasta que está entre a base e volante.
VOLANTE
É o indivíduo que realiza as acrobacias tendo a base e o intermediário como apoio
e sustentação. É o atleta que deve apresentar muita técnica de execução para que
os demais componentes do grupo não se cansem rapidamente. Entre as
características que se pode destacar no volante está a coragem de realizar
equilíbrios, voos e piruetas sem nenhuma proteção que não seja o próprio grupo.
O volante exerce, acima de tudo, uma atitude de con�ança em sua equipe. Possuir
baixa estatura, ser leve, ter muita �exibilidade, agilidade e coragem são
características essenciais. Na Figura 4.6 o volante, também conhecido como atleta
Top, é a ginasta que está no topo.
Figura 4.5 | Intermediário
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Fonte: Pinterest.
Figura 4.6 | Volante
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A ginástica acrobática depende de pro�ssionais de Educação Física para que suas
práticas sejam disseminadas. Há um grande espaço de trabalho nessa modalidade
de ginástica, e quanto mais professores ensinarem a GACRO, mais pro�ssionais
com experiência na área haverá, permitindo, portanto, que mais materiais
didáticos sejam produzidos. Essa dinâmica enriquecerá a prática pedagógica do
professor e, certamente, a aprendizagem e a formação do aluno também.
FAÇA VALER A PENA
Fonte: Pinterest.
Questão 1
A ginástica acrobática é uma modalidade de competição que se diferencia da
ginástica artística e da ginástica rítmica por não ser um esporte olímpico e pela
presença de elementos, como os acrobáticos, aéreos e as pirâmides. No entanto,
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muito dos movimentos básicos, que antecedem os movimentos mais técnicos e
complexos da modalidade são comuns às demais modalidades de ginástica. 
Assinale a alternativa que apresenta elementos corporais, exercícios pré-
acrobáticos e de condicionamento físico, nessa ordem, que são comuns entre as
diferentes modalidades de ginástica.
a.  Saltos, rolamento para frente e exercícios para otimizar a força.
b.  Equilíbrios, poses e reversão lateral.
c.  Saltos, giros e equilíbrio.
d. Exercícios de força, resistência e �exibilidade.
e. Manejo de aparelhos, movimentos nos aparelhos e movimentos livres. 
Questão 2
As coreogra�as da ginástica acrobática (GACRO) devem ser sincronizadas com a
música escolhida pelos atletas e/ou treinador e elas podem ser classi�cas em
séries estáticas ou dinâmicas e devem apresentar elementos especí�cos da
modalidade, como formação de pirâmides, voos e aterrissagens de ginastas. Nesse
contexto, analise as a�rmações a seguir:
I. Os elementos estáticos da GACRO referem-se às pirâmides que devem ser
�xadas em sua forma e �gura por, aproximadamente, 2 a 4 segundos.
II. Os elementos dinâmicos da GACRO referem-se aos voos, lançamento e recepção
do ginasta de base em um grupo dessa modalidade.
III. Os elementos combinados da GACRO referem-se à combinação de elementos
dinâmicos e estáticos em uma coreogra�a.
Está correto o que se a�rma em:
a.  I, apenas.
b.  II, apenas.
c.  III, apenas.
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REFERÊNCIAS
ALMEIDA, A. Ginástica Acrobática: iniciação na escola e no clube. Revista
Horizonte, v. XI, n. 62, Dossier, 1994.
ALONSO, H. Pedagogia da ginástica rítmica: teoria e prática. São Paulo: Phorte,
2011.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE GINÁSTICA. World age group competition rule:
acrobatic gymnastic. Paris: FIG, 2020. Disponível em: https://bit.ly/3uKGR7x. Acesso
em: 30 nov. 2020.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE GINÁSTICA. Código de pontuação da Ginástica
Acrobática, 2017-2020. Disponível em: https://bit.ly/3vMB9Ds. Acesso em: 28 nov.
2020.
d.  I e III, apenas.
e.  I, II e III. 
Questão 3
O ginasta que sustenta o restante dos membros de sua equipe na formação de
uma pirâmide na ginástica acrobática precisa trazer consigo características físicas
de acordo com suas funções em uma coreogra�a. Possuir membros superiores e
inferiores curtos, possuir alta estatura e ser forte são algumas dessas
características.
Assinale a alternativa que corresponde ao ginasta mencionado.
a. Atleta de base.
b. Atleta intermédio.
c. Atleta top.
d. Atleta volante.
e. Capitão do grupo.
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GALLARDO, J. S. P.; AZEVEDO, L. H. R. Fundamentos básicos da ginástica
acrobática. Campinas/SP: Autores Associados, 2007.
Ginástica Acrobática TJAM 2014 WG Senior Dynamic ACM. Torneio José António
Marques de Ginástica Acrobática 2014. PORTUGAL - Tavira, 1 de Fevereiro de 2014.
Disponível em: https://bit.ly/3i8OiD3. Acesso em: 12 maio 2021.
MERIDA, F.; NISTA-PICCOLO, V. L.; MERIDA, M. Redescobrindo a ginástica
acrobática. Movimento (ESEFID/UFRGS), v. 14, n. 2, p. 155-180, 2008. Disponível
em: https://bit.ly/2TsYgEQ. Acesso em: 12 maio 2021.
SOUZA, E. P. M. . Ginástica geral: uma área do conhecimento da educação física.
Tese de Doutorado apresentada à Faculdade de Educação Física da Universidade
Estadual de Campinas, SP. 1997. 163 p.
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
MOVIMENTOS DA GINÁSTICA ACROBÁTICA
Walquiria Batista de Andrade
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SEM MEDO DE ERRAR
Agora que você é o novo estagiário da Escola de Iniciação Esportiva “Talentos são
ouro”, além das aulas práticas da Universidade onde estuda, conseguirá aplicar o
que tem aprendido sobre os movimentos básicos ginásticos. Desse modo, você
retomou a leitura dosmateriais disponibilizados no livro didático e também os
Fonte: Shutterstock.
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materiais complementares indicados pelo seu professor, e notou o quão
importante é conhecer com solidez a modalidade esportiva na qual atuará para
que você possa propiciar às crianças as mais ricas experiências com a ginástica
acrobática (GACRO). Lembrando de tudo que tem aprendido, você sugere ao
professor Leonardo que seja realizado um período de aquecimento corporal antes
de iniciar as atividades com os movimentos de base da GACRO, pois aprendeu que,
antes de qualquer atividade física, deve haver uma preparação tanto �siológica
como psicológica. Assim, você conversa com os alunos e alunas sobre a
importância do aquecimento para as aulas de GACRO e ensina que o aquecimento
pode ser considerado um estágio transitório entre o repouso e o movimento, que
o seu objetivo é o de provocar a elevação da temperatura da estrutura corporal e,
consequentemente, promover distribuição do �uxo sanguíneo por todo corpo.
Além do mais, o alongamento realizado durante o aquecimento amplia o
desenvolvimento da consciência corporal, reduz o risco de lesão muscular e pode
promover a melhora ou a manutenção da �exibilidade. Conhecendo os elementos
estruturais da ginástica, quais exercícios de aquecimento você faria com seus
alunos? Por quanto tempo realizaria cada exercício? Lembre-se que você, nesse
momento, é o responsável por encantar as crianças, promovendo ações que vão
levá-las ao bem estar ao fazer ginástica e, nesse contexto, você já parou pra pensar
que o momento de aquecimento pode ser combinado com atividades que trazem
consigo aspectos de ludicidade e descontração? Pense nisso. Cuidadosamente,
você promove, então, alongamento de membros superiores, tronco, membros
inferiores, envolvendo as articulações e os grandes grupos musculares,
permanecendo em cada posição por, pelo menos, 15 segundos, com perspectiva
de aumentar o tempo de acordo com a experiência de cada aluno na atividade. Em
seguida, o prof. Leonardo realiza atividades que contemplam as habilidades
básicas e que se somam à aprendizagem dos elementos corporais da ginástica.
Para conhecer melhor o seu público, enquanto o Prof. Leonardo oportuniza às
crianças diferentes formas de se locomover (andar, correr, saltar, etc.), você analisa
os movimentos básicos por ele elaborados e já contempla a evolução desses
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movimentos combinando-os com exercícios acrobáticos e condicionamento físico
para o futuro. Motivado, você se propõe a estudar ainda mais os movimentos da
ginástica acrobática para que os alunos da “Talentos são ouro” possam desfrutar
do melhor dessa modalidade. Ao término da aula, um grupo de crianças o procura
e pergunta: professor, quando poderemos fazer pirâmides? O que você
responderia a elas?
AVANÇANDO NA PRÁTICA
DIALOGANDO
Os pais dos alunos matriculados na Escola de Iniciação Esportiva “Talentos são
ouro” estão intrigados porque crianças de diferentes idades frequentam o mesmo
horário e turma nas aulas de ginástica acrobática (GACRO) e lhe perguntam o
motivo pelo qual esse fato está acontecendo. Como você lidaria com essa situação?
Você �caria receoso em conversar com os pais sobre essa questão? Quais
conhecimentos sobre a modalidade poderiam embasar as práticas realizadas com
diferentes faixas etárias na GACRO?
RESOLUÇÃO
Con�ante no excelente trabalho que você vem desenvolvendo em seu período
de estágio na Escola de Iniciação Esportiva “Talentos são ouro”, o prof.
Leonardo lhe concede autonomia para conversar com os pais. Estudioso que é
sobre a ginástica acrobática, você informa aos pais, por meio de um diálogo
simpático e agradável, que a disparidade de idade é uma das peculiaridades da
GACRO, visto que a categoria de iniciantes nessa modalidade está entre 9 e 14
anos, e que as categorias de grupo, sejam pares, trios ou quartetos, variam
entre 11 e 16 anos, 12 a 18 anos e 13 a 19 anos, respectivamente. Você
compreende a preocupação dos pais e responsáveis e informa que, embora
exista essa diferença etária, os professores de forma alguma deixam de
respeitar a individualidade biológica, a fase de desenvolvimento motor, a
maturação, aspectos morfológicos, psicológicos e de saúde de cada criança e
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adolescente. Lembra ainda que, em uma composição coreográ�ca da GACRO,
os ginastas exercem diferentes funções (base, intermediário e volante) e que
esses diferentes papéis são treinados de acordo com a característica
antropométrica e condicionamento físico de cada ginasta, entre outros
aspectos.
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NÃO PODE FALTAR
MOVIMENTOS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA
Walquiria Batista de Andrade
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PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, bem-vindo a esta seção de estudos contextualizados sobre os
movimentos básicos que auxiliam na caracterização da ginástica artística, uma das
modalidades de ginástica mais conhecidas no mundo esportivo pela utilização de
aparelhos de grande porte, e que é reconhecida pela Federação Internacional de
Ginástica como uma modalidade esportiva de competição olímpica. Quem, ao
assistir uma competição de ginástica artística, já se fez a seguinte pergunta: como é
Fonte: Shutterstock.
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possível fazer esse salto? Quantos anos de preparação foi investido para o atleta
chegar a competir? Quais os recursos utilizados para aprender ou ensinar a
ginástica artística no Brasil? As re�exões acerca das diferentes modalidades, entre
elas as ginásticas, devem sempre estar presentes na formação de um professor.
É fundamental que o futuro professor e/ou pro�ssional de Educação Física saiba
diferenciar cada modalidade de ginástica e suas peculiaridades para possibilitar
vivências diferenciadas aos seus alunos, e também é importante lembrar que,
embora a ginástica artística seja conhecida por suas competições de alto nível, o
professor poderá criar estratégias de ensino e aprendizagem para que seus alunos
conheçam e experimentem diferentes manifestações de ginástica, além conhecer
suas próprias limitações e/ou potencialidades.
A literatura cientí�ca já abarca estudos que apontam a ginástica artística como
uma prática muito relevante para o desenvolvimento de crianças, desde a idade
pré-escolar. A necessidade do movimento se dá desde o nascimento e os estímulos
motores in�uenciam signi�cativamente na aquisição de habilidades motoras
básicas. Os processos de aprendizagem da ginástica artística em muito
oportunizam atividades que enfatizam a coordenação motora, �exibilidade,
equilíbrio, força, agilidade, entre outras capacidades que proporcionam a vivência
de movimentosnão tão comuns, como os rolamentos, apoios invertidos, giros,
saltos e muito mais. Vale lembrar que as ações motoras humanas se entrelaçam
com aspectos sociais, educacionais e biológicos, entre outros, e a ginástica
artística, enriquecida de gestos motores, certamente alavanca a educação e a
formação integral de pessoas.
Imagine que, durante os anos de graduação em Educação Física, você realizou um
curso de arbitragem em ginástica artística (GA) que foi organizado pela Federação
de Ginástica do seu estado. A partir de então, a sua identi�cação com a
modalidade se con�rmou a cada oportunidade de trabalho. Após a sua formatura,
você continuou sendo convocado para arbitrar e, durante um campeonato
regional, no qual você fez parte da banca de arbitragem, um de seus colegas da
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comunidade ginástica, ao saber que você já tinha se formado e conhecendo sua
dedicação e compromisso com a GA, informou-lhe sobre uma vaga de professor
em uma escola de iniciação esportiva. Você �ca feliz com a possível oportunidade,
apesar de as experiências adquiridas com a GA terem se realizado apenas no
estágio da Universidade e na banca de arbitragem. Você se candidata à vaga e é
convocado para entrevista. Como você se prepararia para esse momento
importante da sua carreira pro�ssional? Você já passou por entrevistas
direcionadas à sua área de atuação? Como se saiu? Você compartilharia com a
turma suas experiências no sentido de enriquecer esse processo rico de
aprendizado?
Depois das apresentações formais, o professor Augusto, proprietário da Escola de
Iniciação Esportiva “GymArts”, valoriza as experiências que você já tem com a
arbitragem e os estágios e lhe pede para, de acordo com o seu conhecimento,
idealizar um planejamento de aula para a GA. Está preparado? Por onde você
começaria e o que você priorizaria em seu planejamento para chamar a atenção e
surpreender o proprietário da escola? Busque todos os conhecimentos construídos
nesta seção e relacione com tudo o que você aprendeu para fazer um bom
trabalho e garantir a sua vaga na “GymArts”.
Sua motivação é essencial para o aprendizado! Dedique-se a mais esse conteúdo
tão importante para o seu processo de formação pro�ssional.
CONCEITO-CHAVE
A ginástica artística (GA) é um esporte olímpico desde a primeira edição dos jogos,
em Atenas, em 1896. Caracterizada por ser uma ginástica de caráter individual
dividido em categoria masculina e feminina, essa modalidade de ginástica possui
natureza técnica e expressiva, que se integram por meio dos movimentos
realizados com precisão em diferentes aparelhos, bem como a dança e a
expressividade, manifestadas em uma apresentação feminina de solo. 
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Embora a ginástica artística (GA) tenha chegado ao Brasil por volta de 1824, foi em
1951 que a modalidade se tornou o�cial no Brasil, mesma data em que foi
realizado o 1º Campeonato Brasileiro de Ginástica. No entanto, a GA, assim como
qualquer outra modalidade, tornou-se mais conhecida quando o país obteve
títulos internacionais marcantes. 
A ginasta Daniele Hypólito foi medalha de prata na prova de solo, em 2001, no
campeonato mundial da Bélgica, e, a partir daí, outras conquistas foram sendo
consolidadas, como, por exemplo, o “duplo twist carpado” da atleta Daiane dos
Santos, que �cou popularmente conhecido a partir de 2003, no Campeonato
Mundial de Anaheim, nos Estados Unidos (NUNOMURA; TSUKAMOTO, 2009).
O processo para se tornar um atleta de alto nível geralmente compreende um
período de 8 a 12 anos de preparação, porém, nesse momento de aprendizagem, é
importante desenvolver atividades não apenas para os alunos mais habilidosos,
mas para todos. 
Pensando nisso, serão compartilhados nesta seção elementos primordiais para
que as aulas que você ministrará sejam um ambiente propício de
desenvolvimento, pautado no respeito à individualidade e ao ritmo de cada aluno. 
Quando se inicia um trabalho com GA e crianças, todo objetivo deverá ser
direcionado para o desenvolvimento das habilidades básicas e das capacidades
físicas, em especial a força e a �exibilidade. A partir dessa premissa, o
desenvolvimento de habilidades motoras se dará, de certo modo, de forma mais
natural. Para tanto, recomenda-se que sejam explorados movimentos que se
relacionam a atividades da vida diária, como correr, andar, saltar e escalar.
REFLITA
A compreensão dos exercícios característicos da ginástica artística depende
da familiarização com termos especí�cos da modalidade, bem como ocorre
em outros esportes. Procure pesquisar sobre a nomenclatura da GA, como,
por exemplo, como é a posição estendida, carpada, grupada, afastada,
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entre outras. Os materiais utilizados no processo de aprendizagem também
possuem características e nomes peculiares. Você saberia descrever como é
e para que servem o espaldar e um banco sueco?
É possível brincar de atividades que explorem a quadrupedia para fortalecimento
da musculatura de apoio do tronco e dos braços. Pensando bem, atualmente as
crianças quase não utilizam as cadeias musculares relacionadas ao tronco e braços
em suas brincadeiras, ainda mais se considerarmos o ano de 2020, quando a
pandemia mundial do coronavírus exigiu mais tempo de tela por conta do
fechamento das escolas, academias, clubes e escolinhas esportivas.
Na literatura acadêmica e cientí�ca, é possível encontrar diferentes
sistematizações dos fundamentos e elementos da GA que facilitam o
entendimento e a compreensão do pro�ssional que pretende atuar nessa área.
Nesse sentido, compreende-se que a GA apresenta 6 fundamentos básicos:
aterrissagens, posições estáticas, deslocamentos, rotações, saltos e balanços. Veja
a seguir um exemplo de organização dos movimentos da GA. 
  Quadro 4.1 | Fundamentos da ginástica artística
FUNDAMENTOS TOPOS PRINCÍPIO MECÂNICO
Aterrissagens Sobre os pés;
mãos, com
torração; sobre as
costas.
Utilizar mais tempo e mais segmentos
corporais para absorver qualquer
aterrissagem.
Deslocamentos Sobre os pés; em
apoio; em
suspensão.
Aplicação de força interna (contração
muscular) para mover o Centro de
Gravidade (CG).
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FUNDAMENTOS TOPOS PRINCÍPIO MECÂNICO
Posições
estáticas
Apoios;
suspensões;
equilíbrios.
Relação entre o CG e a base de apoio.
Quanto mais próximo o CG da base de
apoio, maior a estabilidade. A CG deve
estar dentro da base de apoio. Quanto
maior a base de apoio, maior a
estabilidade. Para o corpo segmentado,
a estabilidade será maior quando o CG
de cada segmento estiver alinhado
verticalmente sobre o CG do segmento
imediatamente abaixo.
Rotações No eixo
longitudinal; no
eixo transversal; no
eixo
anteroposterior.
Para iniciar a rotação, aplicar força que
não passe pelo CG. Quanto mais longe
do centro de gravidade a força for
aplicada, maior efeito da rotação.
Saltos Com as duas
pernas; com uma
perna; com as
mãos.
Aplicação de força interna ou externa
para produzir o deslocamento rápido
do CG. Essa força deverá serde
magnitude su�ciente na direção
desejada e aplicada ao corpo rígido.
Balanços Da suspensão; do
apoio.
Na fase ascendente, o momento será
diminuído. Na fase descendente, o
momento será aumentado. A retomada
das mãos deverá ser realizada no topo
ou “ponto morto”. A tomada na barra
deverá ser em forma de gancho.
Fonte: adaptado de Russel e Kinsman (1986).
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Os fundamentos da GA devem ser experienciados sempre dos movimentos mais
simples para os mais difíceis, pois, desse modo, o professor facilita o processo de
aprendizagem dos alunos e ainda terá condições de acompanhar o processo e
evolução com segurança.
A seguir, serão contextualizados alguns fundamentos para aproximar a teoria da
prática e facilitar o entendimento do futuro professor e/ou pro�ssional de
Educação Física.
Os fundamentos de rotação, como podem ser veri�cados no Quadro 4.1,
apresentam variações de acordo com o eixo corporal. Os rolamentos para frente e
para trás, por exemplo, são realizados no plano sagital em seu eixo perpendicular
látero-lateral; já as rotações, como a reversão para frente e pra trás ou mesmo a
reversão lateral conhecida como roda ou estrela, são realizadas no plano frontal
no eixo anteroposterior, e as rotações no eixo longitudinal são aqueles em que os
ginastas giram em torno do próprio eixo. 
Os rolamentos são muito importantes para o desenvolvimento motor na infância e,
por serem fáceis de compreender e executar, são um dos primeiros movimentos
ensinados na GA. Brochado e Brochado (2016) indicam que a melhor forma de
aprender esse fundamento é partir de um plano levemente inclinado, já que
quanto mais inclinado maior será a velocidade do rolamento. Para executar esse
fundamento a criança deverá partir, primeiramente, da posição sentada, grupada,
com os joelhos seguros pelas mãos e, em seguida, simular o movimento de uma
gangorra (para frente e para trás), por várias vezes. Depois que esse aprendizado
estiver bem consolidado e familiarizado, propõe-se a execução do rolamento para
frente. Como você faria para ensinar um rolamento para frente? Onde buscaria
recursos para o auxiliar no trabalho com a GA? Para realizar um rolamento para
frente é necessário, na posição em pé, apoiar as mãos no chão, encostar o queixo
bem próximo ao peito e, de forma alguma, encostar a parte superior da cabeça no
chão, e sim a nuca. Desse modo, com a coluna bem arredondada e �exionada,
rolar para a frente.
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Figura 4.7 | Rolamento para frente
Fonte: Brochado e Brochado (2016).
Percebe-se pela �gura que há um plano levemente inclinado, colaborando e
facilitando a execução do rolamento. Para tanto, pode ser utilizado o plinto, o
banco sueco, colchões, entre outros.
Como você proporia a evolução do rolamento para frente após consolidado o
aprendizado do seu aluno? É importante destacar que não há apenas uma forma
de ensinar os variados fundamentos da ginástica e que, conforme o professor vai
adquirindo suas próprias experiências, poderá, inclusive, desenvolver técnicas que,
na prática, já conhece a e�ciência.
A evolução desse movimento pode se dar com o tempo de cada aluno, e as
variações certamente vão enriquecer o aprendizado para combinar, por exemplo,
elementos de equilíbrio. O que aconteceria se fosse proposto ao aluno levantar-se
logo após o rolamento para frente? Será que precisaria do seu auxílio? Apoiaria as
mãos no chão? Auxilie sempre que sentir a necessidade do aluno e o incentive a se
levantar sem o apoio das mãos, estendendo-as para um companheiro à frente.
ASSIMILE
Para aprender sobre o processo pedagógico de exercícios da ginástica
artística no solo, como a variação de rolamentos, parada de mãos, roda,
rodante, entre tantos outros, sugere-se que seja feita a leitura das páginas
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29 a 60 do livro Fundamentos de ginástica artística e de trampolins, dos
autores Fernando Augusto Brochado e Monica Maria Viviani Brochado
(2016).
BROCHADO, F. A.; BROCHADO, M. M. V. Fundamentos de ginástica
artística e de trampolins. São Paulo: Grupo Gen-Guanabara Koogan, 2016.
Coleção Educação Física no Ensino Superior.
O processo de aprendizagem dos saltos é muito semelhante para ambas as
categorias da GA. A mesa de salto, que é um aparelho comum às provas femininas
e masculinas, é facilmente adaptada com plintos, já que um marceneiro
certamente acharia facilidade em fabricá-lo. Ao ensinar diferentes formas de saltar,
o professor e/ou pro�ssional de Educação Física deverá estar atento às
aterrissagens, pois devem ser devidamente amortecidas, utilizando, por exemplo,
a �exão de joelhos, quadril e tornozelos. O não amortecimento adequado das
aterrissagens pode acarretar lesões sérias que podem surgir agudamente ou ao
longo do tempo (DIECKERT, 1984).
A impulsão para as provas de salto é realizada sobre plataformas especí�cas que
promovem dinamicidade e velocidade na impulsão. Há exercícios especí�cos para
o aprendizado desse elemento que, com o tempo, muito contribui para a e�ciência
na GA.
São muitos os desa�os que ensinar e aprender a GA promovem em seu ambiente
esportivo ou escolar. A coordenação motora, o equilíbrio, a coragem, entre tantas
outras características, combinam-se durante a fase de aprendizagem para que as
capacidades coordenativas, essenciais na GA, sejam contempladas.
VOCÊ SABIA? 
A ginástica artística é uma modalidade muito conhecida e é fundamental
que o professor e/ou pro�ssional da Educação Física conheça suas
diferentes manifestações. A ginástica educacional, por exemplo, está
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voltada para todo o processo de aprendizagem da GA, enquanto a ginástica
olímpica está voltada para o resultado �nal. Para saber mais, sugere-se a
leitura do artigo Ginástica Educacional e Ginástica Olímpica, de Myrian
Nunomura (1998).
Para qualquer prática de atividade física ou exercício é necessário considerar
fatores importantes para a segurança dos alunos e do professor. Acidentes podem
ocorrer em qualquer contexto, até mesmo nas atividades do cotidiano. Nesse
sentido, direciona-se a atenção sempre para a prevenção, antecipando, de certa
forma, riscos e comportamentos para evitar qualquer imbróglio.
Certi�que-se de que o ambiente seja arejado, limpo, e qual é o tipo de piso.
Higienize e cuide rotineiramente dos aparelhos, sejam eles alternativos, de grande
porte ou não, e que sejam adequados para a faixa etária na qual se escolheu
trabalhar. Aconselhe os alunos quanto à roupa que vestirão para a prática e
também sobre acessórios, como brinco, anel, relógio. Qualquer objeto que possa
di�cultar ou oferecer algum risco de enroscar, quebrar, amassar, não deve ser
usado. Alerte os alunos para que sejam evitadas ao máximo as colisões
involuntárias no local onde se pratica GA. Familiarize seus alunos com o ambiente
de treinamento, pois os colchonetes, mini trampolins, banco sueco, cadeiras,
plintos e demais materiais, sejam eles alternativos ou não, ocupam espaço e, se
não bem organizados, podem oferecer possibilidadesde acidente.
APARELHOS
Os aparelhos da ginástica artística são robustos e de grande porte, cada um deles
possui determinadas especi�cações que se diferem entre as categorias masculina
e feminina. Os aparelhos são utilizados para treinamento de alto rendimento, mas,
em se tratando de ampliar as oportunidades da prática, o aprendizado pode
ocorrer não apenas em escolinhas de iniciação esportiva, mas também nas escolas
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de educação básica, academias, clubes e associações. Nesse contexto, os
aparelhos da ginástica artística devem ser substituídos e adaptados para a
realidade do professor e do aluno.
OS APARELHOS PARA A CATEGORIA MASCULINA SÃO:
CAVALO COM ALÇAS
O cavalo com alças é um aparelho que apresenta 1,60m de comprimento e sua
largura varia entre 35 e 37cm. Assim como a trave de equilíbrio (aparelho
especí�co da categoria feminina), o cavalo com alças é revestido de couro e sua
altura é de 1,10m. Apresenta duas alças de madeira com distância entre 40 e 45cm
uma da outra. Nesse aparelho os movimentos apresentados são os de
deslocamento, rotações, balanços e aterrissagem. É um dos aparelhos que mais
exige força dos membros superiores em homens.
Figura 4.8 | Cavalo com alças
Fonte: Shutterstock.
BARRA FIXA
A barra �xa é um aparelho de aço polido que possui 2,40m de comprimento e
2,5m de altura em relação ao solo. Essa altura permite que o ginasta execute
movimentos de rotação com o corpo totalmente estendido. Deslocamentos, saltos,
balanços e rotações deverão ser realizados sem pausa pelo ginasta.
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Figura 4.9 | Barra �xa
Fonte: Shutterstock.
BARRAS PARALELAS SIMÉTRICAS.
As barras paralelas são compostas por duas barras de madeira ou �bra. Elas
possuem 3,5m de comprimento e a distância que separa uma da outra é de 42cm
a 45cm. As barras �cam a 1,95m do chão, porque essa altura vai permitir que o
ginasta execute movimentos com apoio das mãos e dos braços. Nesse aparelho o
atleta vai realizar posições estáticas, deslocamentos, rotações, saltos e
aterrissagem.
Figura 4.10 | Barras paralelas simétricas
Fonte: Shutterstock.
ARGOLAS
Um dos aparelhos mais difíceis da categoria masculina. As argolas são feitas de
madeira ou �bra e possuem 18cm de diâmetro. Elas �cam suspensas por correias
�xadas a 5,5m do solo. As argolas �cam a 2,5m do solo e possuem 50cm de
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distância uma da outra. Os movimentos requisitados nessa prova são rotação,
balanços, posições estáticas e aterrissagem.
Figura 4.11 | Argola
Fonte: Shutterstock.
OS APARELHOS PARA A CATEGORIA FEMININA SÃO:
BARRAS PARALELAS ASSIMÉTRICAS
Nas barras assimétricas, os movimentos realizados compõem saltos, rotações,
deslocamentos entre uma barra e outra e aterrissagens ao deixar o aparelho ao
�nal da série. Obrigatoriamente, as duas barras precisam ser exploradas pelas
ginastas. A distância entre a barra mais baixa e a mais alta é de 1m. A altura da
barra mais alta é de 2,5m e, da mais baixa, 1,7m. Mas essas dimensões podem ser
ajustadas considerando a altura da atleta.
Figura 4.12 | Barras assimétricas
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Fonte: Shutterstock.
TRAVE DE EQUILÍBRIO
A trave de equilíbrio é uma aparelho especi�camente feminino na ginástica
artística. Com altura de 1,20m do solo, ela é feita de madeira e recoberta por
espuma. Seu revestimento é em couro e é sobre esse aparelho que as ginastas são
avaliadas em suas habilidades de equilíbrio.
Quais movimentos são realizados na trave de equilíbrio? Primeiramente, é
importante destacar que a ginasta precisa percorrer toda extensão da trave, que
tem 5m de comprimento e 10cm de largura. Há um tempo mínimo de 70s e
máximo de 90s para realizar a coreogra�a, que aqui chamaremos de série, que
deverá ser realizada em uma composição de acrobacias, aterrissagens, posições
estáticas, giros, balanços, deslocamentos variados, além da entrada e saída da
trave de equilíbrio.
Figura 4.13 | Trave de equilíbrio
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Fonte: Shutterstock.
COMUNS ÀS DUAS CATEGORIAS (MASCULINO E FEMININO):
MESA DE SALTO
Esse aparelho é comum nas duas categorias de ginástica artística e, para realizar o
salto sobre a mesa, os ginastas devem correr e saltar sobre um trampolim. Assim,
a entrada sobre a mesa é realizada utilizando-se as mãos para saltar.
APRESENTAÇÕES SOLO
Uma das características que diferem o solo masculino do solo feminino é a
presença da música. Na série de exercícios feminino, há elementos coreografados
em sincronia com o ritmo e sintonia com o caráter musical, nuances e passos
rítmicos; já no solo masculino, os elementos são mais voltados à força,
movimentos estáticos, rotações, saltos, deslocamentos e aterrissagens.
EXEMPLIFICANDO
Para além dos fundamentos da ginástica artística, há os elementos
corporais essenciais nas apresentações solo, como os passos de dança, pré-
acrobáticos, acrobáticos e os não acrobáticos.
A ginástica artística permite, por meio da experiência, que haja um aprendizado
contínuo. O pro�ssional e/ou professor de Educação Física deverá promover
oportunidades de vivências motoras, bene�ciando o desenvolvimento de seus
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alunos. Como práticas corporais, a ginástica e o esporte traduzem às crianças o
conhecer-se por meio do próprio corpo, convivendo e aprendendo sobre aspectos
voltados à diversidade, igualdade e equidade. Experimentar as mais in�nitas
possibilidades de movimento, posições e formas integram a relação consigo, com o
meio e com os outros. Em contrapartida, o não acesso às práticas corporais
poderá, na juventude, comprometer e di�cultar todo entendimento cultural vertido
por meio das danças, jogos, ginástica, etc.
Sejam as práticas corporais individuais ou coletivas, ambas precisam ser
oportunizadas por diferentes estratégias metodológicas. Os jogos, as brincadeiras
e a ludicidade poderão bene�ciar a ginástica artística tornando-a ainda mais
completa, porque esses fatores abrem caminhos para a assimilação e mantêm a
motivação por mais tempo.
FAÇA VALER A PENA
Questão 1
A ginástica artística (GA) é uma modalidade esportiva que requer força,
�exibilidade, treinamento e aprendizado contínuo e, claro, coragem. Caracterizada
pelos aparelhos de grande porte, a GA, tanto na categoria masculina quanto na
feminina, possui provas especí�cas para competição.
Assinale a alternativa que descreve corretamente os aparelhos da ginástica
artística que são exclusivamente da categoria FEMININA.
a.  Barras paralelas assimétricas, trave de equilíbrio e solo com acompanhamento musical.b.  Cavalo com alças, trave de equilíbrio e solo sem acompanhamento musical.
c.  Barras paralelas simétricas, argolas e mesa de salto.
d.  Barra �xa, barras paralelas assimétricas e mesa de salto.
e.  Solo com acompanhamento musical, trave de equilíbrio e barra �xa. 
Questão 2
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Como qualquer outra modalidade esportiva, a ginástica artística possui
fundamentos característicos. Um deles se refere à variação de apoios, sejam em
suspensão ou em equilíbrios. Seu princípio mecânico é de que quanto maior for a
base de apoio, maior será a estabilidade.
Assinale a alternativa que descreve corretamente o fundamento da GA que foi
contextualizado no enunciado.
a. Balanços.
b. Rotações.
c. Posições estáticas.
d. Saltos.
e. Aterrissagens.
Questão 3
A ginástica artística é uma modalidade de ginástica rica em possibilidades de
movimentos corporais que em muito contribuem para o desenvolvimento das
crianças em idade escolar. Entre suas peculiaridades, destaca-se a utilização de
aparelhos de grande porte e as acrobacias executadas, tanto em provas femininas
como masculinas.
Considerando as informações apresentadas, analise as a�rmações a seguir:
I. A ginástica artística é uma modalidade olímpica que ganhou popularidade no
Brasil após o desempenho dos atletas de alto rendimento.
II. A ginástica artística possibilita que, tanto na categoria feminina como na
masculina, seja realizada uma apresentação solo com música para as mulheres e
sem música para os homens.
III. Entre as capacidades físicas que a ginástica artística requer para cumprir com
qualidade os fundamentos da modalidade estão a força e a �exibilidade.
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REFERÊNCIAS
BASE Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. Governo Federal.
Disponível em: https://bit.ly/3fGJmn4. Acesso em: 12 maio 2021.
BROCHADO, F. A.; BROCHADO, M. M. V. Fundamentos de ginástica artística e de
trampolins. São Paulo: Grupo Gen-Guanabara Koogan, 2016. Coleção Educação
Física no Ensino Superior.
DIECKERT, J.; KOCH, K. Ginástica Olímpica: exercícios progressivos e metódicos
. : Ao Livro Técnico S/A, 1984.
NUNOMURA, M.; TSUKAMOTO, M. Fundamentos da Ginástica Artística. In:
NUNOMURA, M e NISTA-PICOLLO, VL. (Org). Compreendendo a Ginástica Artística.
São Paulo: Phorte, 2005, p.37-58.
RUSSEL, K; KINSMAN, T. Coaching Certi�cation Manual: Level 1 Introductory
Gymnastics. Ontario: Gymnastics Canada Gymnastique Canada, 1986. 
SCHIAVON, L.; PICCOLO, V. N. A ginástica vai à escola. Movimento
(ESEFID/UFRGS), v. 13, n. 3, p. 131-150, 2007. Disponível em:
Link: https://bit.ly/3ibp46U. Acesso em: 12 maio 2021.
IV. Os exercícios corporais que antecedem e preparam o indivíduo para
movimentos mais complexos devem seguir um processo de evolução, do mais
simples para o mais complexo.
Considerando o contexto apresentado, é correto o que se a�rma em:
a. II, III e IV, apenas.
b. I, III e IV, apenas.
c. I, II e III, apenas.
d. I, II e IV, apenas.
e. I, II, III e IV. 
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
MOVIMENTOS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA
Walquiria Batista de Andrade
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SEM MEDO DE ERRAR
É importante lembrar que um planejamento de aula não deve ser “engessado” e
que não há uma única maneira de realizá-lo. A solicitação do professor Augusto,
proprietário da Escola de Iniciação Esportiva “GymArts”, que atende crianças de 8 a
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12 anos, foi realizada com o objetivo de analisar a sua capacidade de organizar
estratégias para estimular os alunos a, primeiramente, gostarem da ginástica,
superarem os próprios limites e se manterem motivados para não descontinuarem
o processo de aprendizagem na ginástica artística, de modo que ela seja acessível a
todos. Assim, você registra em sua proposta de planejamento de aula que, no
primeiro momento do treino, seja realizado aquecimento dos grandes grupos
musculares para ativar a circulação e preparar o corpo para as atividades que
serão solicitadas. Então, você se lembra de uma das aulas práticas de GA que teve
na Universidade e a descreve em seu planejamento, anotando que o aquecimento
deve ser realizado antes de qualquer prática esportiva, independentemente da
idade e habilidade dos alunos. Regista que os exercícios que enfocam a
quadrupedia são muito interessantes para a compreensão da maioria dos
movimentos requeridos na GA, e que, portanto, você relacionará atividades de
deslocamento e de apoio com auxílio das crianças, de forma que elas escolherão
que tipo de animal representarão para se deslocar no espaço previamente
delimitado por você. Nessa parte do planejamento, você insere também a
brincadeira de perseguição, cujo pique do pega-pega é �car em suspensão,
utilizando os recursos disponíveis no local.
Para o segundo momento da aula, você registra no planejamento exercícios de
alongamento para otimizar e promover ganhos de �exibilidade, já que essa é uma
capacidade física fundamental para aprender os fundamentos da GA. Sugere
também que nesse momento da aula, podem ser incluídos exercícios que
otimizem a força, porém com intensidade mais leve.
No terceiro momento da aula, o seu planejamento prioriza o treinamento técnico
especí�co da GA. Os fundamentos ginásticos e as possíveis combinações serão
explorados por meio dos aparelhos que auxiliam no aprendizado, como, por
exemplo, a utilização do banco sueco, plinto, trampolim e/ou aparelhos auxiliares.
Destaca que, nesse momento do treino, uma das atividades propostas é de
organizar um circuito de obstáculos para que os alunos explorem movimentos em
planos, trajetórias e direções variadas
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No sentido de deixar o seu planejamento bem amplo e �exível, você ainda
descreve um quarto momento de treino em seu planejamento para destacar a
importância do treinamento de força para a ginástica artística, e que as exigências
e necessidades corporais de cada aluno deverão ser consideradas, respeitando
especialmente a faixa etária. Explica que exercícios que utilizam o peso do próprio
corpo, ou até mesmo a musculação, podem ser bem-vindos já que o uso de
eletrônicos está cada vez mais evidente e mais frequente entre a infância e a
juventude, e enfatiza que os exercícios de força podem auxiliar, inclusive, para a
promoção e manutenção de uma boa postura.
E então? Será que você conseguiu surpreender o professor Augusto e conquistou a
vaga para trabalhar na “GymArts”? 
AVANÇANDO NA PRÁTICA
QUE APARELHO É ESTE?
As crianças da Escola de Iniciação Esportiva “GymArts” iniciaram a prática da
modalidade de ginástica artística recentemente e, agora que você é um dos
professores de Educação Física o�cial da escola,percebeu que, ao se referir aos
aparelhos auxiliares e/ou alternativos da GA, as crianças �cam meio perdidas, ou
seja, não se familiarizam e ainda não relacionam nome ao aparelho correto. Nesse
contexto, você aponta a necessidade de criar estratégias para que os alunos
aprendam o quanto antes os termos técnicos utilizados na GA. E então? Qual
estratégia você indicaria? Você acha mesmo que aprender a identi�car os
aparelhos da GA é importante para o envolvimento do indivíduo com a
modalidade?
RESOLUÇÃO
Dedicado que é, você poderá pedir para que as crianças escolham, incialmente,
3 aparelhos auxiliares e/ou alternativos para que você os descreva. Os
aparelhos escolhidos foram: 1) minitrampolim: bem parecido com uma cama
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elástica pequena; 2) plinto: que é parecido com uma caixa de madeira de base
quadrangular; 3) banco sueco: muito conhecido também em outras
modalidades de ginástica, de cabeça para baixo imita uma pequena trave de
equilíbrio. Após a descrição de cada um dos aparelhos auxiliares, você propõe
uma atividade lúdica, o “Pega-Pega GA”, no qual, durante a brincadeira, você é
o responsável por validar, entre os 3 aparelhos descritos, qual é o “pique”
válido durante a atividade. Você poderá anunciar ou mudar o “pique” durante a
atividade, chamando-os pelo nome correto. Para evoluir em complexidade, o
professor poderá incluir mais aparelhos e criar novas estratégias.
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NÃO PODE FALTAR
MOVIMENTOS BÁSICOS GINÁSTICOS
Walquiria Batista de Andrade
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PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, seja bem-vindo à Seção 3 da disciplina Fundamentos dos Movimentos
Básicos. Nesta etapa de aprendizagem você aprenderá sobre a ginástica rítmica
(GR), suas características e elementos especí�cos da modalidade, que a
diferenciam das demais ginásticas. Certamente você já se deparou com crianças
brincando em parques e escolas e, possivelmente, vai lembrar que as crianças, ao
brincarem, pulam corda, brincam de bola, brincam com o bambolê e que,
dependendo da brincadeira, saltam, giram e �cam se equilibrando de diferentes
formas. Pois bem, são desses movimentos naturais que os fundamentos da GR e o
manejo dos aparelhos corda, arco, bola, maças e �ta foram sendo construídos,
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experenciados e regulamentados como obrigatórios em uma composição
coreográ�ca. Você já assistiu uma apresentação e/ou competição de ginástica
rítmica? Se já, certamente deve ter sido surpreendido com a maestria das atletas
em combinar o manejo de aparelhos com elementos corporais, principalmente
naqueles em que a �exibilidade é evidente. Você sabia que, no Brasil, a Ginástica
rítmica é uma modalidade praticada somente por mulheres? Você conhece outra
modalidade esportiva que apresenta essa mesma característica? Estando essa
exclusividade de gênero em discussão, já se sabe que, em outros países, como, por
exemplo, o Japão, já há meninos praticando a GR.O que pensa a esse respeito?
É importante que você se aproprie dos conhecimentos que serão construídos a
partir da ginástica rítmica porque, por meio dessa prática, há muito
desenvolvimento. Aspectos motores, cognitivos, sociais, biológicos, estéticos, entre
outros, aprimoram sobremaneira o entendimento de corpo, que promove, por
consequência, a compreensão de si próprio. Portanto, a GR poderá ser conteúdo e
instrumento didático valioso para os professores e/ou pro�ssionais de Educação
Física que atuam na escola e fora dela.
Agora que você vai conhecer melhor a ginástica rítmica, compreenderá como é
importante que, cada vez mais, professores e/ou pro�ssionais da Educação Física
aprendam e invistam nessa modalidade.
Imagine que você está estagiando em um projeto social na região onde mora e que
uma das modalidades esportivas oferecidas aos alunos é a ginástica rítmica (GR).
Você já está há 30 dias cumprindo a carga horária de estágio nesse projeto com a
GR e está gostando muito da experiência. Você se identi�ca com a modalidade e
segue aprimorando seus conhecimentos para colaborar com o projeto da melhor
forma possível. Aconteceu que, em um dos dias em que você foi cumprir mais um
dia de estágio obrigatório, o professor responsável pela modalidade faltou por
motivos de saúde. Somente o coordenador do projeto, também professor de
Educação Física, estava presente. Con�ando no seu trabalho, dedicação e
responsabilidade, o coordenador pede para que você realize atividades da
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ginástica rítmica com o aparelho arco, aparelho que o projeto social acabou de
adquirir. Essa situação foi inusitada para você? Quais atividades você proporia para
as crianças? Você se lembra quais movimentos podem ser explorados com o arco e
que você pode propor aos alunos?
Quanto mais você estuda, mais você aprende. Mantenha sua motivação! 
CONCEITO-CHAVE
A ginástica rítmica (GR) é uma modalidade esportiva que possibilita uma in�nita
gama de movimentos corporais realizados juntamente com manejo de aparelhos
especí�cos e sincronizados ao ritmo musical. Pode ser praticada, tanto
individualmente como em conjunto. O surgimento da GR está enraizado na
ginástica moderna, que nasceu no século XIX, in�uenciada por muitos estudiosos
de diferentes áreas de formação, entre elas a Educação Física (ANDRADE; AGUIAR,
2019).
O contexto histórico da ginástica rítmica é marcado desde 1952, quando foi criada
a Liga Internacional de Ginástica Moderna, solidi�cando a modalidade como uma
prática feminina e surge com o objetivo de se fazer conhecida por meio de
apresentações e competições.
Como uma modalidade olímpica bem estruturada, a ginástica rítmica possui um
Código de Pontuação no qual todas as especi�cações, exigências e regras são
atualizadas, de 4 em 4 anos.
ASSIMILE
No Código de Pontuação da Ginástica Rítmica você encontrará as exigências
da modalidade e o sistema de avaliação que é usado pela Federação
Internacional de Ginástica (FIG - FEDERATION Internationale de
Gymnastique). No site da FIG, você tem acesso ao código em diferentes
idiomas.
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A área de competição da GR é de 13m x 13m e as apresentações têm a duração
mínima de 1’15’’ a 1’30’’ para as apresentações individuais (Figura 4.14) e, mínima
de 2’15’’ a 2’30” para as apresentações em conjunto (Figura 4.15), em grupos de 5
atletas. 
As séries de ginástica rítmica sempre iniciam e �nalizam com uma pose que seja
coerente com a composição coreográ�ca, além disso, se ao término da música a
ginasta ainda continuar em movimento, certamente será despontuada pela
arbitragem.
Você sabia que, antigamente, as ginastas apresentavam as suas séries com o
acompanhamento musical exclusivo do piano e do pianista? Hoje, jásão
permitidas músicas com outros instrumentos e até com vozes, o que antes
também não era permitido.
Ter o mínimo de conhecimento musical poderá auxiliar o professor e/ou
pro�ssional de Educação Física na composição coreográ�ca na ginástica rítmica
que, de acordo com o ritmo da música, posicionará os elementos corporais, o
manejo de aparelhos sincronizando as nuances, acentos e encadeamento de uma
frase musical. Nesse sentido, as atividades que envolvem ritmo precisam ser
promovidas nas aulas de ginástica rítmica.
Figura 4.14 | Ginástica rítmica individual
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EXEMPLIFICANDO
Em uma série de ginástica rítmica de conjunto, a sincronia, as trocas de
aparelhos, os movimentos em que uma atleta precisa da colaboração da
outra são muito valorizados artisticamente pelo júri da modalidade. Na
apresentação individual, a expressão corporal e os fundamentos da GR
bem executados com variações de deslocamento e manejo valorizam a
apresentação. Em ambas, os passos de dança são obrigatórios e devem
durar, pelo menos, 8 segundos.
Fonte: Shutterstock.
Figura 4.15 | Ginástica rítmica de conjunto
Fonte: Shutterstock.
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Os fundamentos da GR são os saltos, equilíbrios e as rotações, mas, ao assistir
uma série da modalidade, você poderá notar que, além desses fundamentos, as
ginastas apresentam elementos pré-acrobáticos e passos de dança, que também
são elementos obrigatórios, e que devem imprimir com graça e beleza o caráter
musical escolhido.
Os pré-acrobáticos são movimentos realizados com inversão do centro de
gravidade ocorrendo alternância de apoios; não podem ter fase de voo, como, por
exemplo, os rolamentos para frente e para trás, a reversão para trás, frente ou,
ainda, a reversão lateral (estrelinha) e suas variações.
Você já percebeu que a ginástica rítmica é composta pela tríade: movimento,
aparelhos e acompanhamento musical certo? E é importante pensar que esses
elementos permitem in�nitas possibilidades na hora de criar uma composição
coreográ�ca, bem como contribuem para que a modalidade seja abordada como
prática corporal recheada de ludicidade, para além dos centros de treinamento.
Vamos conhecer, então, os 5 aparelhos especí�cos da ginástica rítmica?
Os aparelhos corda, arco, bola, maças e �ta possuem grupos técnicos
fundamentais e não fundamentais. Os grupos técnicos fundamentais são aqueles
movimentos que obrigatoriamente estão presentes em uma série de ginástica, e os
não fundamentais são facultativos.
Veja, a seguir, a característica de cada aparelho da GR:.
CORDA
O aparelho corda deverá ser proporcional ao tamanho da ginasta e, para
identi�car o seu tamanho ideal, deve-se pisar ao meio de seu comprimento. Se as
extremidades da corda alcançarem a altura dos ombros, o tamanho estará
adequado. A corda usada na Ginástica Rítmica não possui empunhadura de
madeira, em vez disso, cada uma das extremidades apresenta um nó. Mas você
deve estar se perguntando: quais movimentos podem ser realizados com a corda,
além de apenas pular? Os movimentos podem ser os mais criativos possíveis, entre
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eles, destacam-se as rotações de suas extremidades, os lançamentos, balanceios,
circunduções, recuperações, movimentos em oito, espirais (Figura 4.16), escapadas
(Figura 4.17), e muito mais. Veja a seguir exemplo de movimento em espiral e
escapadas com a corda, respectivamente:
Figura 4.16 | Espirais com a corda
Fonte: Shutterstock.
Você sabia que, geralmente, o processo de ensino e aprendizagem na ginástica
rítmica inicia-se com o aparelho corda? Bernardi e Lourenço (2014) relatam que as
crianças que aprendem inicialmente o manejo da corda e suas variações
transferem com facilidade a aprendizagem para os demais aparelhos.
Figura 4.17 | Escapadas
Fonte: Shutterstock.
ARCO
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O arco é um aparelho muito parecido com o bambolê, brinquedo popular entre as
crianças. Inclusive, pode ser um material alternativo, caso não se tenha a
disponibilidade do arco, que é confeccionado de material sintético e possibilita
movimentos, como balanceios, circunduções, movimento em oito, rolamento
sobre o corpo, rolamento sobre o solo (Figura 4.18), rotações, lançamentos e
recuperações, quicadas (Figura 4.19), passagem através do arco, rotações em torno
do próprio eixo, entre outros. 
Veja, a seguir, exemplos de movimentos de quicadas e rolamento com arco,
respectivamente.
Figura 4.18 | Quicada com arco
Fonte: Shutterstock.
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Importante destacar que, durante o processo de aprendizagem de manejo dos
aparelhos na ginástica rítmica, o professor e/ou pro�ssional da Educação Física vai
promovendo de forma gradual a combinação de manejo com os fundamentos da
modalidade. Ou seja, ao invés de introduzir equilíbrio, salto ou giro isolados, de
modo gradual, combina, por exemplo, equilíbrio com manejo de arco, salto
passando por dentro do arco, giros do corpo com rotações da corda.
Figura 4.19 | Rolamento do arco sobre o solo
Fonte: Shutterstock.
BOLA
A bola é um brinquedo muito comum entre as crianças, e na ginástica rítmica ela
ganha um destaque especial. Para a GR, elas são confeccionadas com material
sintético ou plástico �exível, e com peso de 400g, no mínimo, e diâmetro entre 18 e
20cm. Os movimentos mais explorados com a bola na ginástica rítmica são:
impulsos, balanceios, circundução, movimentos em oito, movimentos de inversão
da bola, rotações de mão ao redor da bola, lançamentos e recuperações,
recuperação com uma mão, quicadas, rolamento da bola sobre o corpo e sobre o
solo, pequenos rolamentos, rolamento do corpo por cima da bola (Figura 4.20),
transmissão do aparelho, equilíbrio instável, entre outros.
Veja, a seguir, exemplo de rolamento do corpo sobre a bola.
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  Figura 4.20 | Rolamento do corpo sobre a bola
Fonte: Shutterstock.
MAÇAS
As maças são muito parecidas com as claves utilizadas nos malabares circenses. É
um aparelho com altíssimo nível de exigência de ambidestralidade, pois é
composta por 2 maças que devem ser manejadas por ambas as mãos, a maior
parte do tempo da série. Os movimentos mais explorados com as maças são:
pequenos círculos, molinetes, lançamentos com ou sem rotação das maças
durante o voo, movimentos assimétricos, batidas rítmicas, equilíbrio instável
(Figura 4.21), entre outros.
Figura 4.21 | Maças em equilíbrio instável
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Fonte: Shutterstock.
FITA
O aparelho �ta, sem dúvida, é um dos aparelhos que mais chamam atenção na
modalidade. É feita de material acetinado de 6 metros e a�xada em uma haste,
que chamamos de estilete. Visualmente, é o mais espetacular pela sua �uidez e
possibilidades de formar desenhos e �guras no espaço. Os movimentos mais
explorados com as �tas são: serpentinas (Figura 4.22).
Figura 4.22 | Movimento de serpentina na �ta, combinado com equilíbrio da ginasta
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Fonte: Shutterstock.
Para crianças em iniciação esportiva e/ou aulas de ginástica rítmica fora do
contexto competitivo, recomenda-se que a �ta seja de aproximadamente 4 metros
de comprimento e 4cm de largura. É importante fazer as adaptações necessárias
para que as crianças tenham facilidade no manuseio da �ta, lembrando sempre
que o aparelho deverá estar em constante movimento e jamais estática no solo ou
presa ao corpo da atleta e/ou aluno.
MÃOS LIVRES  
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As séries de mãos livres podem ser realizadas na modalidade individual ou em
conjunto. Às mãos livres a série será composta de saltos, equilíbrios, rotações,
passos de dança, elementos pré-acrobáticos, ondas corporais, sincronizados com a
música, que poderá ou não ter vocal.
REFLITA
Conhecendo as características da ginástica rítmica, você poderá adaptar a
prática à realidade de seu campo de atuação e utilizá-la como conteúdo em
suas aulas ou como meio de enriquecer o desenvolvimento das crianças.
Nem sempre os aparelhos, corda, arco, bola, maças e �ta são fáceis de
encontrar em lojas esportivas. Nesse sentido, quais materiais você utilizaria
para substituí-los?
Após ter estudado os conteúdos desta unidade, você conseguirá, com mais
facilidade, reconhecer a importância das diferentes modalidades de ginástica para
o desenvolvimento integral da criança. Embora o conteúdo seja amplo, foi possível
contextualizar as características e peculiaridades fundamentais das ginásticas, de
forma a abrir novos caminhos de ensino e aprendizagem.
FAÇA VALER A PENA
Questão 1
A ginástica rítmica é uma modalidade esportiva que apresenta características
peculiares, como os fundamentos de giros, saltos e equilíbrios combinados com
passos de dança, com a música, com elementos pré-acrobáticos e o manejo de
aparelhos especí�cos.
Assinale a alternativa que apresente corretamente os aparelhos da ginástica
rítmica.
a.  Corda, arco, bola, maças e �ta.
b.  Barras �xas, mesa de salto e trave de equilíbrio.
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c.  Argolas, solo e barras paralelas assimétricas.
d.  Corda, elástico, bola, e solo com acompanhamento musical.
e.  Mãos livres, maças, �ta e bambolê. 
Questão 2
A ginástica rítmica pode e deve ser praticada para além do alto rendimento. A
modalidade deve ser explorada em todas as suas peculiaridades para enriquecer o
desenvolvimento integral da criança, seja a prática da GR dentro ou fora da escola.
Assinale a alternativa que descreve corretamente uma das características da GR.
a. A ginástica rítmica de conjunto tem o tempo máximo de 2’70’’ para apresentação da série.
b. A área de competição da ginástica rítmica é delimitada em 13m x 13m e, em uma apresentação a(s)
ginasta(s), precisam percorrer todos os espaços do tapete.
c.  A ginástica rítmica individual e de conjunto são idênticas em suas exigências coreográ�cas e artísticas.
d. A ginástica rítmica é uma modalidade olímpica e as competições, no Brasil, dividem-se entre as categorias
masculina e feminina ou em individual ou conjunto.
e.  Não se pode ofertar a prática da ginástica rítmica em um contexto que não seja o de alto rendimento, do
contrário, descaracterizaria a modalidade.
Questão 3
A ginástica rítmica popular é uma classi�cação da modalidade que repensa a
aplicação da GR em diferentes ambientes e para diversas faixas etárias, como um
campo de ação e vivência social para ambos os sexos e que contempla princípios
para sua manifestação.
Considerando as informações apresentadas, analise as a�rmativas a seguir:
I. As brincadeiras populares e a cultura corporal do movimento são recursos
indissociáveis para criação, variação e ampliação do aporte motor enfatizada pela
ginástica rítmica popular.
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REFERÊNCIAS
ANDRADE, W. B. de; AGUIAR, A. F. Ginástica Rítmica para a promoção da saúde
do idoso. Curitiba: CRV, 2019.
BERNARDI, L.; OLIVEIRA, M. Ginástica rítmica: ensinando corda, arco e bola. São
Paulo: Fontoura, 2014.
CAÇOLA, P. A iniciação esportiva na ginástica rítmica. Revista Brasileira de
Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, v. 2, n. 1, p. 9-15, 2007. Disponível em:
https://bit.ly/3wJynz4. Acesso em: 13 maio 2021.
FEDERATION Internationale de Gymnastique. Online. Disponível
em: https://bit.ly/3uLle6Y. Acesso em: 12 maio 2021.
II. Criar, modi�car e substituir objetos no sentido de promover novas
oportunidades de manipulação e manejo alargam as possibilidades da ginástica
rítmica popular.
III. Explorar as habilidades básicas de movimento recriando possibilidades de se
locomover mudando a base de apoio, o sentido, a direção, caracterizam a ginástica
rítmica popular.
IV. A inclusão está para a democratização do esporte, assim como a ginástica
rítmica popular está para as crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Considerando o contexto apresentado, é correto o que se a�rma em:
a. II, III e IV, apenas.
b. I, III, IV, apenas.
c. I, II e III, apenas.
d. I, II e IV, apenas.
e. I, II, III e IV.
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GAIO, R. Ginástica Rítmica Popular - uma proposta educacional. Ed. Física,
Esporte, Saúde. São Paulo: Fontoura, 2007.
GRECO, P. J.; BENDA, R. N. Iniciação esportiva universal: da aprendizagem
motora ao treinamento técnico. Belo horizonte: UFMG, v. 1, p. 230, 1998.
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FOCO NO MERCADO DE TRABALHO
MOVIMENTOS BÁSICOS GINÁSTICOS
Walquiria Batista de Andrade
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SEM MEDO DE ERRAR
Muito motivado em dar aula de ginástica rítmica, você envolve os alunos
primeiramente em uma roda de conversa para explicar o motivo pelo qual você
assumirá a turma nesse dia. Aborda também uma conversa sobre o aparelho arco
e as possibilidades de movimentos que serão realizadas na aula. Em seguida, você
promove um momento de aquecimento global para que todas as crianças estejam
Fonte: Shutterstock.
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previamente preparadas para vivenciar diferentes movimentos corporais e manejo
do aparelho arco. Já conhecendo o espaço, as crianças e o tempo da aula, você
propõe 3 atividades com o arco. 
Atividade 1 - Rolamento do arco no solo. Nessa atividade você solicita que as
crianças se espalhem pela área da aula e rolem o arco pelo solo de modo a se
familiarizarem com o aparelho. O movimento de rolar o arco pode ser realizado
em diferentes direções e sentidos. Durante essa atividade, você lembra o quão
importante é a música para aprendizagem da GR e combina com as crianças que
elas manterão a mesma atividade, porém vão tentar dançar, acompanhando o
arco rolando pelo solo e, assim que a música parar, deverá trocar de arco com o
amigo, mas com o arco ainda rolando pelo solo.
Atividade 2 – Quicadas. Para oportunizar a vivência do manejo do arco sem mãos
você estimula as crianças a explorarem diferentes partes do corpo para quicar o
arco. Antes de dar exemplo, você pede que as crianças imaginem como poderão
realizar o manejo e permite que elas criem por si próprias os movimentos. O arco
poderá quicar sobre os pés, sobre o joelho, imitando um saltito de galope, pelas
mãos, etc.
Atividade 3 – Por dentro do arco. Agora é hora do desa�o. Você motiva as
crianças a descobrirem diferentes formas de passar por dentro do arco e, depois,
propõe que, em duplas, um de frente para o outro, com apenas um arco, em uma
distância de aproximadamente 2m, o primeiro rola o arco pelo solo para que o
segundo tente passar por dentro e vice versa.
Ao �nal das atividades, você os incentiva a criar sua própria série de ginástica
rítmica, na qual estejam presentes as 3 atividades propostas, além de passos de
dança e outros movimentos que queiram explorar.
Após as atividades, você incentiva as crianças ao relaxamento, fazendo atividades
de alongamento para voltarem à calma. 
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Sob supervisão do coordenador do projeto social, você proporcionou atividades
muito importantes às crianças que, com facilidade, familiarizam-se com o arco. 
AVANÇANDO NA PRÁTICA
APARELHOS ALTERNATIVOS
O projeto social em que você está cumprindo o estágio na modalidade de ginástica
rítmica não conseguiu fazer aquisição de novos aparelhos da GR, mas você vê a
necessidade de criar estratégias para que as crianças vivenciem movimentos
diferentes daqueles já vivenciados com o arco. Como você resolveria essa questão?
Você sabe que, além do arco, pode criar aparelhos alternativos que substituam a
corda, o arco, a bola, as maças e a �ta e, diante disso, começa a re�etir sobre qual
seria a melhor alternativa. O professor do projeto social que acompanha o seu
estágio pede seu auxílio no sentido de criar aparelhos para as crianças. Como você
resolverá essa situação?
RESOLUÇÃO
Você dialoga com o professor do projeto social que o acompanha sobre a
criação de novos aparelhos para as crianças e a�rma que é uma ótima
estratégia para ampliar a experiência dos alunos, pois cada objeto poderá
apresentar inúmeras possibilidades de manejo. Depois de explorar os
movimentos possíveis, as crianças poderão uni-los aos fundamentos da GR, à
dança e ao acompanhamento musical escolhido. Quando as crianças criam
suas composições coreográ�cas, elas se tornam protagonistas do processo de
aprendizado, para além da repetição de exercícios. Veja a seguir algumas
propostas de materiais alternativos que podem ser explorados pelas crianças:
Quadro 4.2 | Aparelhos alternativas e estratégias de movimentos
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Aparelhos
alternativos Confecção Dicas de movimentos
Bexiga Balões de festa de aniversário. - Manejar o balão com
diferentes partes do
corpo.
- Lançar o balão, fazer
um rolamento para
frente e recuperá-la.
Lenços Qualquer lenço de tecido leve,
de preferência dois, imitando
as maças.
- Lançar os lenços com as
mãos e recuperar com
alguma parte do corpo.
- Equilibrar os lenços
sobre diferentes parte do
corpo.
Corda de
retalhos
Juntar pedaços de retalhos e
emendar um ao outro, até que
seja possível pular como se
fosse uma corda.
- Pular “corda”.
- Simular movimentos de
escapadas, espirais, em
oito. 
- Permitir que as crianças
criem movimentos
próprios.
Fonte: adaptado de Gaio (2007, p. 128-130).
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Também é importante que as crianças criem seus próprios materiais com
objetos recicláveis que podem ser trazidos pelos próprios alunos. Será
motivador para elas, tenha certeza!
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