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PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE LUXAÇÕES PRO LEIGO: Pensa-se que é um problema menor, sem grandes repercussões DEFINIÇÃO: Todo deslocamento total ou parcial das superfícies ósseas de uma articulação PARCIAL: Subluxação CONCEITO: Deslocamento da cabeça do úmero para fora da cavidade glenoumeral, gerando uma proeminência do acrômio SINAL DA DRAGONA: Quebra do contorno arredondado do deltoide CLASSIFICAÇÃO CRONOLÓGICA: CONGÊNITA: Através de uma displasia muscular ou óssea AGUDA RECORRENTE: Acontece > 1x HABITUAL: Acontece pela terceira vez ou mais (ex: idoso) - ext + abd + rot ext INVETERADA: Aconteceu há muito tempo, sem diagnóstico ou tratamento prévio (ex: paciente psiquiátrico não reclama da dor) CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A DIREÇÃO: Considerando a relação da cabeça distal com a cabeça proximal do úmero (acrômio ou glenoide da escapula) ANTERIOR: Cabeça do úmero à frente da glenoide POSTERIOR: Cabeça do úmero atrás da glenoide (pode passar desapercebida na incidência AP pelo corpo da escapula, sendo mais bem vista em incidência axilar) SUPERIOR: Cabeça do úmero acima da glenoide, tem que haver lesão do complexo ligamentar acrômio- clavicular ou fratura do acrômio/clavícula (extremidade distal) associado INFERIOR: Cabeça do úmero abaixo da glenoide INTRATORÁCICA: Cabeça do úmero se projeta para dentro do toráx, entrando no espaço intercostal, podendo ter fratura ou lesão de perfuração de pulmão associados CARACTERÍSTICAS: LUXAÇÃO CONGENITA: Luxação anterior que ocorre por alteração anatômica (fossa glenoidea hipoplásica ou alguma alteração na musculatura) LUXAÇÃO ANTERIOR: É a mais comum de todas na prática ortopédica LUXAÇÃO POSTERIOR: Muito sujeita à negligência do seu reconhecimento Limita a abdução e rotação externa do ombro LUXAÇÃO INTRATORÁCICA: Baixa frequência COMPLICAÇÕES: LESÃO DE HILL-SACHS: - na luxação anterior Quando o ombro luxa a glenoide, onde a ponta da glenoide faz uma depressão triangular no aspecto posterior da cabeça do úmero - lesão definitiva! É uma fratura compressiva da porção posterolateral do úmero proximal, causando instabilidade articular e cria uma estrutura em formato triangular posterior devido à região pontuda da parte anterior da glenoide na cabeça do úmero. PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE LUXAÇÕES MANOBRA DE STIMSON: Em decúbito ventral e com o braço em abdução para fora da cama e aplica-se um peso para baixo para cansar a musculatura, de modo que ao relaxar o paciente tem a cabeça do úmero voltando para a cavidade glenoide LUXAÇÃO ANTERIOR ATÉ 10% DO PESO CORPORAL LESÃO DE BANKART: Em pacientes que fazem luxação anterior da articulação escápulo-umeral. Consiste no "arrancamento" do rebordo cartilaginoso (labrum) da superfície da glenoide Rotura da inserção anterior da capsula articular e do labrum O QUE É O LABRUM? É o lábio glenoidal, ou seja, uma estrutura fibrocartilaginosa que forma uma orla/um conturno que se prende ao contorno da glenoide O QUE OCORRE QUANDO É ROMPIDO? Vem com fragmentos osteocartilaginosos da parte anterior da glenoide É importante diagnosticar isso, para diminuir a reincidência da luxação, pois quando o labrum é lesado, há uma maior instabilidade na articulação. REDUÇÃO DA LUXAÇÃO POR FORMA INCRUENTA: Ato de reestabelecer a situação normal do osso (em comprimento, rotação e relação congruente dos ossos luxados) MANOBRA DE HIPÓCRATES: Preferida do prof Paciente em decúbito dorsal > tração suave do membro (45 graus entre o braço e o corpo > movimento de prono-supinação até o membro encontrar a cavidade) e contra-tração da axila com o pé PARA LUXAÇÃO ANTERIOR MANOBRA DE KOCHER Variação da de Hipócrates, braço aduzido ao corpo com tração inferior do membro com o cotovelo em flexão de 90 graus. PASSO A PASSO: Adução do braço + flexão do cotovelo > força aplicada de cima para baixo no braço > rotação externa como alavanca do antebraço sobre o braço PODE SER SENTADO OU DEIXADO PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE LUXAÇÕES LUXAÇÃO ESCAPULO-UMERAL HABITUAL: TESTE DA APREENSÃO: Abertura do braço (ABDUÇÃO) em 90º + flexão > rotação externa > deslocamento sobressaltado da cabeça no úmero > subluxação que causa uma apreensão no paciente CONCEITO: Ocorre quando o paciente cai de ponta cabeça e de cima para baixo na cabeça do ombro (em atletas de vôlei, basquete ou futebol) SINAL DA TECLA DE PIANO: Protuberância da extremidade distal da clavícula, em que ao apertar de cima para baixo desaparece TRATAMENTO CIRURGICO PARA EVITAR RECIDIVAS: CIRURGIA DE BANKART [PADRÃO-OURO]: Cirurgia para reinserção do labrum anterior da glenoide (reparar a lesão de bankart), com ancoras/parafusos que são introduzidas e realizada a sutura CAPSULOPLASTIA DE NEER: Cirurgia com sutura em jaquetão, ou seja, um corte longitudinal na capsula > suturada em jaquetão CIRURGIA DE EDEN-HYBBINETTE: Aumentar a área da glenoide para dificultar a luxação, através da colocação de um enxerto ósseo CIRURGIA DE BRISTOW-LETARJET (MAIS USADO): Desinserção da porção curta do bíceps no processo coracoide (osteotomia) e re-implantado no bordo anterior da glenoide (com dois parafusos bicorticoais) ficando como um anteparo ósseo e um anteparo muscular COMPLICAÇÃO: Dificuldade de rotação externa de ombro DIAGNÓSTICO: Clínico e radiológico com incidências em AP, perfil de escápula e axilar CLASSIFICAÇÃO DE ROCKWOOD: ATÉ O GRAU III NÃO HÁ UM DISTANCIAMENTO MUITO GRANDE DA PONTA DA CLAVICULA COM O ACROMIO [LESÕES DE ESTIRAMENTO] TIPO IV: Clavicula debaixo do bíceps TRATAMENTO: Não adianta fazer sutura de ligamento GRAU I E II (ALGUNS GRAU III): Órtese de imobilização (tratamento conservador) GRAU IV EM DIANTE: Passagem de fios de Kirschener para recuperar os ligamentos acromioclavicular e coraclavicular > depois retira o fio após cicatrizar OUTROS: Placa em L com anteparo abaixo do acrômio, podendo causar complicações como gerar síndromes dolorosas do ombro Parafuso que atravessa a clavicular e vai até o processo coracóide PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE LUXAÇÕES ARTICULAÇÕES DO COTOVELO: Úmero com a ulna | Radio com a ulna | Úmero com o radio NORMAL VS LUXAÇÃO COMUM OU EXPOSTA (EX: cotovelo fora do carro) LUXAÇÃO EM CRIANÇAS OU PRONAÇÃO DOLOROSA DO ANTEBRAÇO: - não é vista na radiografia Subluxação da cabeça do rádio (deslocando parcialmente – interposição do ligamento anular) após um puxão repentino sobre o braço pronado (por isso o nome) POR QUE EM CRIANÇAS? Por que o formato da cabeça do rádio não tem o formato de taça que tem nos adultos, gerando essa interposição (coloca-se por cima) do ligamento anular [DIFERENÇA ABAIXO DA ANATOMIA NORMAL DA CRIANÇA A ESQUERDA E DO ADULTO A DIREITA] TRATAMENTO COM REDUÇÃO: Cotovelo em 90º > polegar em cima da região onde é a cabeça do rádio > movimento de supinação do antebraço (palma da mão para cima) > flexão do cotovelo > escuta-se um clique que indica a entrada da cabeça do rádio na articulação vencendo o bloqueio do ligamento anular FRATURA DE MONTEGGIA: Fratura da ulna com luxação da cabeça do rádio OBS: acho que na imagem abaixo a fratura ta na diáfise ulnar LUXAÇÃO DO SEMILUNAR DISSOCIAÇÃO ESCAFO-SEMILUNAR: Na primeira imagem está mostrando a relação entre esses dois ossos e na outra imagem a dissociação/abertura pela lesão ligamentar LUXAÇÃO INTERFALANGEANA: Acomete principalmente a interfalangeana proximal, com desvio posterior da articulação (na segunda imagem) ou lateral (na primeira imagem) PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE LUXAÇÕES ARTICULAÇÃO COXO-FEMORAL NORMAL: Tem um acetábulo e uma musculatura grande, logo a força para luxação precisa ser por um trauma de grande energia (como colisão, queda de moto, queda de grande altura QUEBRA DA LINHA DE SHENTON: Linha imaginária que tangencia o bordo interno do colo do fêmur e se prolonga para o bordo inferior do ramo isquiopubiano superior, sendo perdida quando ocorre a luxação TIPOS: ANTERIOR: Paciente em abdução com rotação externa do quadril na hora da colisão. Ocorre que a cabeça do fêmur luxa para frente do acetábulo QUADRO CLÍNICO: Encurtamento do membro com flexão doquadril e joelho + abdução e rotação externa do membro POSTERIOR: Paciente em adução com rotação interna do quadril QUADRO CLÍNICO: Encurtamento do membro com flexão do quadril e joelho + adução e rotação interna do membro inferior REDUÇÃO INCRUENTA COM TRAÇÃO E MANIPULAÇÃO: Faz-se manobras contrárias à deformidade, dependendo de onde é a luxação. Mas precisa de uma anestesia como uma raqui MANOBRA DE ALLIS: Empurra o quadril para a região posterior MANOBRA DE STINSON: Tracionamento de cima para baixo e, com o joelho fletido, são feitas as alavancas de rotação interna ou externa SITUAÇÕES ESPECIAIS/COMPLICAÇÃO: ASSOCIAÇÃO DO COM OUTRAS FRATURAS: Do rebordo anterior ou posterior do acetábulo, dificultando a manutenção da redução da luxação, de maneira que é preciso fixar a fratura anteriormente NECROSE AVASCULAR DA CABEÇA FEMORAL: Perde- se a esfericidade da cabeça do fêmur, a partir da ruptura de ramos de artérias do obturador e circunflexa anterior PODENDO EVOLUIR COM NECESSIDADE DE ARTROPLASTIA TOTAL DO QUADRIL PODE GERAR OSTEOARTRITE SECUNDÁRIA OU PÓS- TRAUMÁTICA: Tanto por essa necrose como por fragmentos osteocondrais interpostos PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE LUXAÇÕES LUXAÇÃO LATERAL DO JOELHO (CONSIDERANDO A RELAÇÃO DO SEGMENTO DISTAL QUE É A TIBIA COM O PROXIMAL QUE É O FEMUR): LUXAÇÃO ANTERIOR DO JOELHO (MAIS COMUM) CONSEQUÊNCIA: ALTA INCIDÊNCIA DE LESÃO VASCULAR E NERVOSA: Lesão da artéria poplítea gerando isquemia ou lesão do nervo fibular comum causando síndrome do pé caído RECONHECE-SE EM INCIDÊNCIA DE SOL NASCENTE/AXIAL O QUE ACONTECE? O aspecto triangular da patela deslocado FATOR DE RISCO: GENOVALGO: Por criar um vetor de forças divergentes em decorrência do aumento do ângulo que é formado pelo traçado da linha longitudinal do fêmur com a linha da tíbia INDICE DE INSALL-SALVATI: Índice importante que analisa a relação do polo superior com o polo inferior que tem que coincidir com a relação do polo inferior da patela com a tuberosidade anterior da tíbia. Quando há um aumento da distância desse ligamento patelar, indica-se que a patela é alta e, portanto, não ocupa a fossa com o sulco intercondiliano e favorece a luxação ÂNGULO DE MERCHANT (N): Se for muito raso, pode favorecer a luxação. Ocorre por causa de uma displasia da tróclea gerando um desequilíbrio do vetor de força do mecanismo extensor com o encaixe da patela no côndilo femoral ESSE É UM MOVIMENTO DE TRANSLAÇÃO OUTRO MOVIMENTO DE TRANSLAÇÃO É O DO LIGAMENTO PATELOFEMORAL MEDIAL: Como está na segunda imagem abaixo TESTE DE APREENSÃO (MEDO EM RELAÇÃO À SUBLUXAÇÃO): Força de deslocamento lateral da patela e ocorre incômodo pela iminência da luxação visível, de modo que nos indique como está a estabilidade desse ligamento patelofemoral medial que sofreu translação PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO DE LUXAÇÕES TRATAMENTO: REABILITAÇÃO: Para manter o equilíbrio de forças do mecanismo extensor RECONSTRUÇÃO DO LIGAMENTO PATELOFEMORAL MEDIAL (QUANDO NECESSÁRIO): Retira-se parte medial das fibras do ligamento do tendão do quadríceps e do ligamento patelar que serão inseridas em um orifício criado no bordo interno do côndilo femoral medial OSTEOTOMIA PARA MEDIALIZAÇÃO DA TUBEROSIDADE ANTERIOR DA TIBIA: Principalmente em geno valgo para dificultar o caminho da luxação lateral da patela TROCLEOPLASTIA: Quando ocorre displasia associada. Faz-se desenhando o sulco intercondiliano LUXAÇÃO METATARSO FALANGEANA DO HALUX COM FRATURA DO COLO DO SEGUNDO AO QUINTO METATARSIANO LUXAÇÃO DA ARTICULAÇÃO DE LISFRANC (LINHA ARTICULAR QUE SEPARA OS TARSOS DOS METATARSOS): ONDE FICA: Entre os metatarsos e os ossos do tarso, podendo ser: HOMOLATERAL (em uma mesma direção) OU TOTAL (todos os cinco metatarsos) OU ISOLADA/PARCIAL (luxação de 01 ou mais em direção contrária aos outros OU DIVERGENTE: Luxação medial do primeiro metartarso e outros para lateral (ou seja, para lados contrários) LUXAÇÃO EM BATENTE: Indicando que acabou de acontecer e ainda não se tem um edema intenso CLÍNICA: DOR EM MÉDIO PÉ, COM DIFICULDADE DE SUPORTAR CARGA EDEMA NO DORSO DEFORMIDADES PRESENTES OU NÃO, PODENDO TER REDUÇÃO ESPONTÂNEA AO MEXER O PÉ OU TORNOZELO NORMAL VS LUXAÇÃO TIBIO-TARSICA: Principalmente por queda da própria altura Pode ter necrose asséptica do tálus QUANDO VAI FAZER A RADIOGRAFIA EQUIMOSE TARDIA NA PLANTA DO PÉ POSSIVEL COMPROMETIMENTO NEURO VASCULAR ATENTAR PARA POSSIVEL DESENVOLVIMENTO DE SÍNDROME COMPARTIMENTAL RISCO DE LESÃO MEDULAR: Se for em nível cervical pode ter morte iminente (quebrando o pescoço à nível da 1ª ou 2ª vertebra) ou mais abaixo causar tetraplegia