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Fisioterapia Aplicada à Geriatria e Gerontologia

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AN02FREV001/REV 4.0 
 1 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 3 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
MÓDULO I 
INTRODUÇÃO 
1 HISTÓRICO 
2 GERONTOLOGIA COMO DISCIPLINA E CIÊNCIA DO ENVELHECIMENTO 
3 DIVISÕES DA CIÊNCIA DO ENVELHECIMENTO 
4 DEFINIÇÃO DE ENVELHECIMENTO 
5 TEORIAS BIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO 
5.1 TEORIAS ESTOCÁSTICAS 
5.2 TEORIAS DE USO E DESGASTE 
5.3 PROTEÍNAS ALTERADAS 
5.4 MUTAÇÕES SOMÁTICAS 
5.5 ERRO CATASTRÓFICO 
5.6 DESDIFERENCIAÇÃO 
5.7 DANOS OXIDATIVOS E RADICAIS LIVRES 
5.8 MUDANÇAS PÓS-TRADUÇÃO EM PROTEÍNAS 
5.9 TEORIAS METABÓLICAS 
5.10 TEORIAS GENÉTICAS 
5.11 OUTRAS TEORIAS 
6 PREVENÇÃO: GERIATRIA PREVENTIVA 
6.1 PRIMÁRIA 
6.2 SECUNDÁRIA 
6.3 TERCIÁRIA 
6.4 PLANEJAMENTO E ADAPTAÇÃO DE AMBIENTES PARA IDOSOS 
6.5 IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO 
 
 
MÓDULO II 
7 EPIDEMIOLOGIA 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 4 
7.1 EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA 
7.2 CAUSAS DO ENVELHECIMENTO 
7.3 OS EFEITOS DA EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA 
7.4 A EXPECTATIVA DE VIDA AO NASCER 
7.5 TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA 
7.6 QUALIDADE DE VIDA 
7.6.1 Instrumentos de Avaliação de Qualidade de Vida na Velhice 
7.7 AVALIAÇÃO DO IDOSO 
7.7.1 Anamnese 
7.7.2 Exame Físico 
 
 
MÓDULO III 
8 FISIOPATOLOGIA DO ENVELHECIMENTO 
8.1 SISTEMA NERVOSO 
8.2 SISTEMA CARDIOVASCULAR 
8.2.1 Alterações Morfológicas 
8.2.1.1 Pericárdio 
8.2.1.2 Endocárdio 
8.2.1.3 Miocárdio 
8.2.2 Alterações das Valvas 
8.2.3 Alterações do Sistema de Condução ou Específico 
8.2.4 Alterações da Aorta 
8.2.5 Alterações das Artérias Coronárias 
8.3 SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
8.4 SISTEMA RESPIRATÓRIO 
8.4.1 Alterações Estruturais do Sistema Respiratório 
8.4.1.1 Pulmão 
8.4.1.2 Parede torácica 
8.4.1.3 Músculos respiratórios 
8.4.1.4 Alterações da função pulmonar 
8.5 SISTEMA DIGESTÓRIO 
8.6 SISTEMA ENDÓCRINO 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 5 
8.7 SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO 
8.8 SISTEMA URINÁRIO 
8.8.1 Envelhecimento da Bexiga 
8.9 ENVELHECIMENTO CUTÂNEO 
 
 
MÓDULO IV 
9 PATOLOGIAS E TRATAMENTO FISIOTERÁPICO 
9.1 IDOSOS PORTADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS 
9.1.1 Osteoartrose 
9.1.2 Tratamento Fisioterápico 
9.2 OSTEOPOROSE 
9.2.1 Sintomas 
9.2.2 Tratamento Fisioterápico 
9.3 SARCOPENIA 
9.3.1 Tratamento Fisioterápico 
9.4 DISFUNÇÕES NEUROLÓGICAS 
9.4.1 Demências 
9.4.1.1 Tratamento fisioterápico 
9.4.2 Doença de Alzheimer 
9.4.3 Delirium 
9.4.4 Depressão no Idoso 
9.4.5 Acidente Vascular Encefálico (AVE) 
9.4.6 Doença de Parkinson (DP) 
9.4.6.1 Tratamento fisioterápico 
9.5 DISFUNÇÕES CARDIOCIRCULATÓRIAS 
9.5.1 Principais Doenças da Artéria Coronária 
9.5.2 Infarto Agudo do Miocárdio 
9.5.3 Hipertensão 
9.5.4 Programa de Exercícios 
9.6 DISFUNÇÕES RESPIRATÓRIAS 
9.6.1 Doenças Pulmonares que mais Acometem o Idoso 
9.6.1.1 Infecções 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 6 
9.6.1.2 DPOC 
9.6.2 Tratamento Ambulatorial e Reabilitação Pulmonar 
9.7 DISFUNÇÕES URINÁRIAS E SEXUAIS 
9.7.1 Técnicas Fisioterapêuticas para Revitalização Geriátrica 
GLOSSÁRIO 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 7 
 
MÓDULO I 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
O processo de envelhecimento e sua consequência natural, a velhice, é uma 
das preocupações da humanidade desde o início da civilização. A história demonstra 
que as ideias sobre a velhice são tão antigas quanto à origem da humanidade. 
Feitas essas ressalvas, é preciso deixar claro que realmente o século XX marcou 
grandes avanços na ciência do envelhecimento, graças aos conhecimentos 
adquiridos por meio dos estudos que se desenvolveram desde que os pioneiros 
Metchhnickoff e Nascher, em 1903 e 1909, respectivamente, estabeleceram os 
fundamentos da gerontologia e geriatria. 
 
 
1 HISTÓRICO 
 
O século XX marcou a importância do estudo da velhice, fruto, de um lado, 
da natural tendência de crescimento do interesse em pesquisar o processo de 
envelhecimento, que já se anunciava nos séculos anteriores. Por outro lado, o 
aumento do número de pessoas idosas de todo o mundo exerceu pressão passiva 
sobre os desenvolvimentos desse campo. (NETTO, 1996). 
Foi no início desse século, mais precisamente em 1903, que Elie 
Metchnikoff, sucessor de Pasteur, defendeu a ideia da criação de uma nova 
especialidade, a gerontologia, denominação obtida a partir das expressões gero 
(velhice) e logia (estudo). Esse autor previa que esta área de estudo seria um dos 
ramos mais importantes da ciência, em virtude das modificações que ocorrem no 
curso do último período da vida humana. 
Em vez de aceitar a inevitabilidade da decadência e da degeneração do ser 
humano com o avançar dos anos, Metchnikoff pensava que algum dia uma velhice 
fisiológica normal poderia ser alcançada pelos homens. Em 1909, a especialidade 
passou a ser denominada geriatria, ou o estudo clínico da velhice, como propôs 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 8 
Ignatz L. Nascher, médico vienense radicado nos EUA. Esse estudioso, que 
estimulou pesquisas sociais e biológicas dentro do envelhecimento e que, por esse 
motivo, foi considerado pai da geriatria, fundou a sociedade de geriatria de Nova 
Iorque em 1912. 
Desde essa época, até 1930, a gerontologia ficou praticamente restrita aos 
aspectos biológicos do envelhecimento e da velhice. Em 1930, Warren delineou os 
primórdios da avaliação multidimensional e a importância da interdisciplinaridade. 
Entre 1969 e 1979, a pesquisa na área aumentou 270%. Entre 1980 e 1990, 
abriram-se novas áreas de interesse geradas pelas necessidades sociais 
associadas ao envelhecimento populacional e à longevidade, como, por exemplo, o 
apoio a familiares que cuidam de idosos dependentes, os custos dos sistemas de 
saúde e previdenciário, a necessidade de formação dos recursos humanos, a 
necessidade de ofertas educacionais e ocupacionais para idosos e pessoas de 
meia-idade. (NÉRI, 2001). 
Existem razões para a lentidão do processo, principalmente com relação a 
pesquisas na área. E nos países em desenvolvimento a política que domina a 
sociedade industrializada e urbanizada sempre teve mais interesse na assistência 
materno-infantil e dirigida aos jovens. Além disso, os idosos constituem um grupo 
bastante frágil e sem representatividade política. Hoje, cresce o número de 
gerontologistas, mesmo porque a população idosa está crescendo 
proporcionalmente. (PAPALEO NETTO e PONTE, 1996). 
No Brasil, o impacto social é com alguma frequência mais importante que o 
biológico. Paralelamente às mudanças demográficas que estão ocorrendo, cresce 
também a necessidade de profundas modificações socioeconômicas do país do 
Terceiro Mundo, que, além de ser política e economicamente dependente de outras 
nações, possui uma estrutura socioeconômica antiga, que privilegia alguns em 
detrimento da maioria. 
O quadro atual, de crescimento da população idosa acompanhado de falta 
de disponibilidade de riqueza, ou, o que é mais comum, de sua perversa distribuição 
de renda, contrasta, por exemplo, com o que existe na Inglaterra, onde o 
envelhecimento da população já se evidenciava após o início da Revolução 
Industrial, quando o estado e a sociedade puderam dispor de recursos para suprir a 
demanda que a população idosa exigia.AN02FREV001/REV 4.0 
 9 
À precária condição socioeconômica associam-se múltiplas afecções 
concomitantes, perdas não raras da autonomia e independência e dificuldade de 
adaptação do idoso a exigências do mundo moderno que, em conjunto, levam o 
velho ao isolamento social. A sociedade moderna encontra-se hoje diante de uma 
situação contraditória. De um lado, defronta-se com o crescimento acelerado da 
população de idosos, e de outro, omite-se perante a velhice ou adota atitudes 
preconceituosas contra a pessoa idosa, retardando a implementação de ações que 
buscam minorar o pesado fardo dos que ingressaram na terceira idade. 
A Revolução Industrial mudou o conceito de valorização intelectual que o 
idoso tinha antigamente, ou seja, passou a ser rejeitado pela incapacidade. Outro 
aspecto que constitui a história da velhice no Brasil foi o rápido processo migratório 
e de urbanização. Hoje, três quartos da população brasileira vivem em áreas 
urbanas, o que acarreta problemas sociais ainda mais graves para os idosos e para 
toda população. 
Outro aspecto que tem sido motivo de interesse é o estudo da velhice 
relacionado ao sexo. Segundo o mesmo autor, o aspecto econômico tem levado a 
uma crescente participação da mulher na força de trabalho, a fim de contribuir 
financeiramente no orçamento doméstico, ocasionando a ausência, na família, de 
alguém que cuide do idoso em caso de doença e ou incapacidade física. Por outro 
lado, em razão da maior duração de vida da mulher em relação ao homem, ela está 
exposta por períodos mais longos a doenças crônicas degenerativas, à viuvez e à 
solidão. 
Acrescenta-se que as mulheres idosas têm tido, em nossa experiência, uma 
participação qualitativa e quantitativamente maior nas atividades relacionadas a 
políticas de saúde ao idoso, como fóruns de gerontologia, conselhos municipais e 
estaduais de idosos, e também nos cursos e universidade da terceira idade. 
Em 1961, foi fundada a Sociedade Brasileira de Geriatria, que teve como 
primeiro presidente Roberto Segadas. O processo interdisciplinar acentuou-se 
nitidamente na década de 90, principalmente na Região Sudeste em cursos de pós-
graduação. 
 
 
 
 
 
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 10 
 
 
FIGURA 1 – NÚMERO DE TRABALHOS NA ÁRE DE CIÊNCIAS DO 
ENVELHECIMENTO APRESENTADOS EM CONGRESSOS NO BRASIL E NO 
EXTERIOR 
 
FONTE: FREITAS et al., 2006. 
 
 
Para finalizar esse resumo histórico, é importante ressaltar que as 
ciências do envelhecimento, apesar da sua curta existência, ou seja, menos de 
um século, têm hoje produção científica invejável. 
 
 
2 GERONTOLOGIA COMO DISCIPLINA E CIÊNCIA DO ENVELHECIMENTO 
 
Antes de definir o campo de atuação da gerontologia, devemos 
relembrar o significado do termo disciplina e se a mesma pode ser considerada 
como tal. O Dicionário Aurélio define disciplina como: “qualquer ramo do 
conhecimento artístico, científico, histórico, etc.; matéria de ensino; conjunto de 
conhecimentos que se processam em cada cadeira de um estabelecimento de 
ensino”. 
Apesar de os significados serem por si mesmos bastante expressivos, 
justificando-se a inclusão da gerontologia nos currículos acadêmicos, o assunto 
é motivo de questionamentos. Ou seja, não há necessidade de se criar uma 
nova área de investimento, pelo fato de o assunto ser ministrado em outras 
disciplinas. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 11 
A própria definição da especialidade finaliza os questionamentos. Assim, 
gerontologia define-se como disciplina científica multi e interdisciplinar, cujas 
finalidades são o estudo das pessoas idosas, as características da velhice 
enquanto fase final do ciclo de vida, o processo de envelhecimento e seus 
determinantes biopsicossociais. 
 
 
3 DIVISÕES DA CIÊNCIA DO ENVELHECIMENTO 
 
 
- Gerontologia Social: que se detêm aos aspectos orgânicos 
antropológicos psicológicos, legais, sociais, ambientais, econômicos, éticos e 
políticos de saúde. 
- Geriatria: a geriatria tem sob seus domínios os aspectos curativos e 
preventivos da atenção à saúde e, para realizar este mister, tem uma relação 
estreita com disciplinas da área médica, como neurologia, cardiologia, 
psiquiatria, pneumologia, entre outras, que deram origem à criação de 
subespecialidades, como a neurogeriatria, a psicogeriatria, a cardiogeriatria e a 
neuropsicogeriatria, entre outras. Além disso, mantém íntima conexão com 
disciplinas não pertencentes ao currículo médico, embora profundamente 
relacionadas, como nutrição e enfermagem. 
- Fisioterapia: terapia ocupacional, fonoaudiologia, odontologia e 
assistência ocupacional. 
- Gerontologia biomédica: tem como eixo principal o estudo do 
envelhecimento, do ponto de vista molecular e celular, enveredando pelos 
caminhos de estudos populacionais e de prevenção de doenças associadas; ou 
seja, sobre uma base genética atuariam fatores extrínsecos (ambiente e estilo 
de vida) e intrínsecos como as alterações celulares e moleculares, que 
acarretaria a diminuição da capacidade de manutenção do equilíbrio de 
homeostase e predispõe a doenças. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 12 
 
 
4 DEFINIÇÃO DE ENVELHECIMENTO 
 
 
O envelhecimento pode ser definido como: 
 
Processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações 
morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam a 
perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, 
ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos 
patológicos que terminam por levá-lo à morte. (PAPALÉO NETTO, 
1996, p3). 
 
A distinção entre senescência ou senectude, que resulta do somatório 
de alterações orgânicas, funcionais e psicológicas próprias do envelhecimento 
normal, e a senilidade, que é caracterizada por modificações determinadas por 
afecções que frequentemente acometem a pessoa idosa, é, por vezes, 
extremamente difícil. O exato limite entre estes dois estados não é preciso e 
caracteristicamente apresenta zonas de transição frequentes, o que dificulta 
discriminar cada um deles. 
Autonomia define-se como a capacidade de decisão, de comando; e 
independência como a capacidade de realizar algo com seus próprios meios. 
Por exemplo: uma senhora com fratura de fêmur, que, estando acamada, e 
dependente, ainda assim pode exercer sua autonomia. O que se procura é a 
manutenção da autonomia e o máximo de independência possível. 
 
 
5 TEORIAS BIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO 
 
Durante séculos, o estudo da longevidade e do envelhecimento foi 
relegado a um papel acessório nas diferentes disciplinas da biologia. No século 
XX, esse papel iria mudar, principalmente porque nunca, em toda a história da 
humanidade, populações apresentaram expectativas de vida tão altas, fruto 
principalmente, da implantação de políticas de saúde pública e medicina 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 13 
preventiva, tais como vacinação de diversas moléstias infectocontagiosas e 
planejamento e controle sanitário. 
Esses foram os principais fatores que impulsionaram o desenvolvimento 
da assim chamada biologia do envelhecimento. Essa abordagem deu-se 
primeiramente sob o ponto de vista fisiológico, e mais tarde bioquímico. Ou 
seja, com o avanço do conhecimento genético, cresceu também a busca por 
padrões de hereditariedade da longevidade. 
O envelhecimento não é somente a soma de patologias juntas e de 
danos induzidos por doenças. Inversamente, nem todas as alterações na 
estrutura e função dependentes da idade podem ser consideradas como 
mudanças fundamentais ligadas à idade por si só. Em um esforço para 
incorporar esse rigor dentro de uma definição, foi proposto que as mudanças 
fundamentais relacionadas com a idade devem obedecer a essas condições: 
 
 Devem ser deletérias, ou seja, devem diminuir a funcionalidade. 
 Devem ser progressivas, isto é, devem concretizar-se gradualmente. 
 Devem ser intrínsecas, isto é, não devem resultar de um 
componente ambiental modificável.Cabe ressaltar, aqui, que o 
ambiente tem forte influência sobre o aparecimento e velocidade 
dessas mudanças, apesar de não ser a causa. 
 Devem ser universais: todos os membros de uma espécie devem 
mostrar tais alterações graduais com o avanço da idade. 
 
 
5.1 TEORIAS ESTOCÁSTICAS 
 
Parece improvável que um processo tão ordenado como o 
envelhecimento se deva a fatores aleatórios ou estocásticos. Contudo, essa 
ideia é a base das teorias que postulam ser a deterioração associada à idade 
avançada em razão da acumulação de danos moleculares que ocorrem ao 
acaso. Tais macromoléculas defeituosas poderiam se acumular por meio de 
diferentes mecanismos: falha em reparar danos ou erros causados 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 14 
aleatoriamente na síntese de macromoléculas. Em ambos os casos, haveria 
perda de função e de informações vitais para as células. 
A quantidade dessas macromoléculas incorretas alcançaria um nível em 
que algumas ou todas as células de um ser vivo estariam tão deficientes, 
metabolicamente, a ponto de causarem a morte do próprio organismo. Porém, é 
necessário estabelecer quais células, tecidos ou organismos possuiriam tipos 
específicos de moléculas que são particularmente sensíveis a certos tipos de 
dano; e é necessário assumir que espécies de vida longa são mais capazes de 
tolerar tais danos, que espécies de vida curta. 
 
 
5.2 TEORIAS DE USO E DESGASTE 
 
 
As teorias classificadas como “uso e desgaste” são, provavelmente, as 
mais antigas precursoras do conceito de falha de reparo. O acúmulo de 
agressões ambientais no dia a dia levaria ao decréscimo gradual da eficiência 
do organismo e, por fim, à morte. Todos os organismos são constantemente 
expostos a infecções, ferimentos e agressões que causam danos leves às 
células, aos tecidos e aos órgãos. 
Uma fratura pode sarar, mas o osso não voltará a ser tão resistente 
quanto antes de o ferimento ocorrer. Atualmente, motivos lógicos contribuem 
para o descrédito dessas teorias. Primeiro animais criados em ambientes livres 
de patógenos ou de ferimentos não apenas envelhecem como também não 
apresentam qualquer aumento em sua longevidade máxima; muitos danos 
menores postulados pela teoria do uso e desgaste são mudanças dependentes 
do tempo, que provocam aumento na probabilidade de morte, mas não servem 
como mecanismos causais para o processo de envelhecimento. 
Por exemplo, a perda de dentes em elefantes pode levar à morte por 
inanição, sem que estes apresentem, contudo, mudanças significativas em 
estrutura e função de outros órgãos e tecidos no mesmo período. Os avanços 
atuais em biologias celulares e moleculares reformularam o conceito de “uso e 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 15 
desgaste”, mostrando que ele não constitui uma teoria, mas sim o componente 
de outra. 
 
5.3 PROTEÍNAS ALTERADAS 
 
 
Essa teoria esclarece que mudanças que ocorrem em moléculas 
proteicas após a tradução, e que são dependentes do tempo, provocariam 
mudanças conformacionais e alterariam a atividade enzimática, comprometendo 
a eficiência da célula. Possivelmente, as enzimas que foram mudadas são 
moléculas de longa vida, isto é, com baixa taxa de turnover, e situam na célula 
por um tempo longo o bastante para sofrerem uma desnaturação sutil no 
ambiente citoplasmático. Estima-se que entre 30 e 50% do total de proteína em 
um animal idoso pode ser composto de proteína oxidada. 
 
 
5.4 MUTAÇÕES SOMÁTICAS 
 
O acúmulo de mutações somáticas no decorrer da vida alteraria a 
informação genética e reduziria a eficiência da célula até um nível incompatível 
com a vida. A literatura mostra um aumento de certas anormalidades 
cromossômicas em células somáticas ao longo da vida, principalmente em 
resposta à radiação ou a mutagênicos, mas não há evidências de que tais 
alterações tenham efeitos funcionais. Ao se considerar o envelhecimento como 
um todo, há pouco suporte experimental para a teoria da mutação somática. 
 
 
5.5 ERRO CATASTRÓFICO 
 
Processos incorretos de transcrição e/ou de tradução dos ácidos 
nucleicos reduziriam a eficiência celular a um nível incompatível com a vida. 
Mesmo que o genoma não contenha mutação somática ou dano no DNA, erros 
poderiam acontecer durante o processo de tradução. Um erro catastrófico 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 16 
deveria acontecer quando a frequência de erros alcançasse um valor em que um 
ou mais processos vitais para a célula assumissem uma ineficiência letal. Se 
morrerem células em número suficiente para causar esse efeito, o resultado 
seria o decréscimo na capacidade funcional que formaliza o envelhecimento. 
 
 
5.6 DESDIFERENCIAÇÃO 
 
 
Essa abordagem sugere que o envelhecimento normal de um organismo 
resultaria do fato de as células que o compõem se desviarem de seu estado 
apropriado de diferenciação. A teoria da desdiferenciação supõe que mudanças 
estocásticas que ocorrem no aparato de regulação gênica resultariam em 
mudanças na expressão gênica. 
Dados experimentais obtidos com células cultivadas indicam que os 
mecanismos de controle genético não parecem relaxar com a idade. A despeito 
da ausência de comprovação experimental, essa hipótese ainda permanece sob 
investigação, em razão da possibilidade de testes em nível molecular. 
 
 
5.7 DANOS OXIDATIVOS E RADICAIS LIVRES 
 
 
A teoria do dano oxidativo postula que todas as deficiências fisiológicas 
características de mudanças realmente relacionadas com a idade, ou a maioria 
delas, podem ser atribuídas aos danos intracelulares produzidos pelos radicais 
livres. Apesar de plausível, esse conceito não pode ser claramente provado ou 
negado por um único experimento. Diversos tipos de evidências têm sido 
buscados para testar essa teoria, mas ainda existem muitas controvérsias. 
Apesar disso, a composição entre oxidação, substâncias antioxidantes e 
envelhecimento, mesmo sem comprovação definitiva, têm servido de suporte 
para justificar o uso de suplementações e a prática de terapias supostamente 
“antienvelhecimento”. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 17 
Lipofuscina é o acúmulo de detritos em sua forma mais simples. A teoria 
dos detritos propõe que o envelhecimento da célula é causado pelo acúmulo 
intracelular de produtos do metabolismo que não podem ser destruídos, exceto 
pelo processo de divisão celular. Acredita-se que Iipofuscinas geralmente 
surgem como resultado de auto-oxidação, induzida por radicais livres em 
componentes celulares, principalmente estruturas de membrana que contenham 
lipídios insaturados. 
Entretanto, nenhuma evidência sugere que a Iipofuscina em si seja 
danosa. Mas produtos de metabolismo podem provocar substâncias que podem 
ser danosas, prejudicando pelo espaço tomado, a função da célula. 
 
 
5.8 MUDANÇAS PÓS-TRADUÇÃO EM PROTEÍNAS 
 
 
Modificações dependentes de processos químicos do tempo, ocorrendo 
em macromoléculas importantes (como o colágeno e a elastina) 
comprometeriam as funções dos tecidos e diminuiriam a eficiência celular, 
culminando na morte. Já que um terço do conteúdo total de proteínas de um 
mamífero é composto por colágeno, as mudanças nessa molécula, à medida 
que o indivíduo envelhece, têm repercussões importantes em praticamente 
todos os aspectos morfológicos e fisiológicos do organismo. 
 
 
5.9 TEORIAS METABÓLICAS 
 
 
Sabe-se, de longo tempo, que animais maiores apresentam longevidade 
maior do que a de seus parentes taxonômicos de tamanho menor, e que sua taxa 
metabólica seria inversamente proporcional ao peso do seu corpo. A ligação entre 
esses dois fatos leva à ideia de que a longevidade e o metabolismo estariam juntos 
em uma relação causal. Em alguns organismos, mudanças da taxa metabólica 
induzidas por temperatura e/ou dieta produziriam alterações correspondentes na 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 18 
longevidade. Além disso, há dados fortes mostrando que a taxa metabólica tende a 
diminuir coma idade avançada. 
Essas e outras observações iguais levaram à hipótese segundo a qual a 
longevidade pode ser mais bem entendida como função do declínio metabólico. 
(PACHECO et al., 2009). 
 
 
5.10 TEORIAS GENÉTICAS 
 
As teorias desse grupo sugerem que mudanças na expressão gênica 
causariam modificações senescentes nas células. As mudanças poderiam ser gerais 
ou específicas, podendo atuar em nível intra ou extracelular. A interpretação mais 
realista desse cenário seria a de que, dentro do contexto de um dado genótipo com 
uma longevidade particular, alterações na atividade desses poucos genes seriam o 
suficiente para deslocar o equilíbrio das funções genômicas para uma longevidade. 
Contudo, a avaliação experimental é lenta em razão do imenso número de variáveis 
e da limitação das técnicas de exploração disponíveis. 
 
 
5.11 OUTRAS TEORIAS 
 
 
Apoptose (morte celular induzida por sinais extracelulares), fagocitose 
(destruição de células por outras), neuroendócrinas (falência progressiva de células 
que levaria ao colapso da homeostasia corporal, à senescência e à morte), 
imunológicas (reduções qualitativas e quantitativas na resposta imune seria direta ou 
indiretamente em razão da involução inicial e ao envelhecimento do timo), também 
são teorias que poderiam explicar o início do envelhecimento, mas sempre 
apresentam restrições em alguma parte do estudo. 
 
 
 
 
 
 
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 19 
6 PREVENÇÃO: GERIATRIA PREVENTIVA 
 
6.1 PRIMÁRIA 
 
Dentro da geriatria preventiva primária, encontram-se todas as ações 
voltadas a diminuir ou retardar o aparecimento de disfunções e morbidades crônico-
degenerativas associadas à idade. A questão associada seria quando, então, 
começa a geriatria preventiva? Desde a infância seria a resposta mais correta. Ela 
engloba o controle e adequação de variáveis relacionadas ao estilo de vida do 
indivíduo e da população. 
Consta de nutrição saudável, atividade física, evitar a obesidade, afastar o 
estresse e evitar o cigarro. O tempo de repouso também é fundamental, ou seja, 
dormir de sete a oito horas por dia e fazer trinta minutos de “sesta”. 
 
 
6.2 SECUNDÁRIA 
 
A ação principal para fazermos geriatria preventiva secundária é o 
estabelecimento de revisões periódicas que contribuem para a detecção precoce de 
doenças crônico-degenerativas. Esses programas são de mais baixo custo quando 
comparados com o custo de tratamento daquele em que a doença já se instalou. 
Estima-se ser em torno de 10%. 
 
6.3 TERCIÁRIA 
 
Na parcela da população afetada por doenças crônico-degenerativas e/ou 
disfunções associadas também há necessidade de fazermos geriatria preventiva. 
Deste modo, para indivíduos afetados por doenças como neoplasias ou 
coronariopatias, o médico e o sistema de saúde precisam adotar programas de 
reeducação de estilo de vida e de prevenção que garantam a estabilização da saúde 
do paciente. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 20 
 
 
6.4 PLANEJAMENTO E ADAPTAÇÃO DE AMBIENTES PARA IDOSOS 
 
Com o envelhecimento crescente da população, torna-se cada vez mais 
urgente o planejamento e a adequação dos ambientes para pessoas idosas. As 
pessoas que envelhecem fazem parte de uma minoria, mas também devem ser 
atendidos em suas necessidades de conforto, segurança e atividade. Os idosos 
exprimem o desejo de viver em ambientes seguros, nos quais possam exercer 
controle personificado. 
Querem que esses locais propiciem autonomia, mas com certo grau de 
cuidado e de especificidade, o que traz a necessidade de adaptação dos espaços a 
capacidades físicas e sensoriais diminuídas. Espaços planejados para receber 
idosos portadores de incapacidades físicas, psicocognitivas e sensoriais determinam 
o aumento da independência funcional, diminuição de estados de apatia, restrição 
no número de queixas de saúde. 
 
 
6.5 IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO 
 
Segundo Williamson (2008), existem quatro aspectos importantes na 
prevenção primária: 
 
 A imunização e alguns tipos de vacinas para o idoso, para evitar 
determinadas doenças como a gripe em epidemias, em grupos confinados a 
instituições, etc. 
 A manutenção e promoção de saúde na velhice. Cuidados básicos contra 
a obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, prevenção das doenças do 
trabalho e acidentes caseiros, etc. 
 Esclarecimento de fatores de risco precursores de doenças, 
principalmente em indivíduos assintomáticos, para as doenças familiares, bem como 
estar atento para as possíveis características do idoso para as múltiplas patologias. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 21 
 Esclarecimento da hipertensão arterial na velhice. A prevenção 
secundária inclui o diagnóstico precoce das condições reversíveis, ou em estágios 
iniciais, ou nos pacientes mais jovens. A manifestação de sintomas é, muitas vezes, 
inespecífica e atípica. Assim, no idoso, quedas, estados confusionais, 
incontinências, entre outros, devem ser avaliados em profundidade. Ainda segundo 
Williamson é muito importante o treinamento dos médicos e profissionais de saúde, 
para saberem separar os acontecimentos decorrentes de doenças, daqueles 
oriundos do processo do envelhecimento propriamente dito. 
E a prevenção terciária implica a detecção das doenças crônicas e 
incapacitantes estabelecidas no idoso. Oferecendo a chance de tratamento mais 
precoce e mais efetivo possível. Determinados eventos são comuns na velhice. 
Besdine (2008) relacionou por ordem de importância, os seguintes 
acontecimentos: 
 
- Quedas; 
- Fraturas de quadril; 
- Incontinência urinária; 
- Incontinência fecal; 
- Escaras de decúbito; 
- Diminuição das acuidades visual e auditiva; 
- Acidentes vasculares cerebrais; 
- Síndrome da demência; 
- Parkinsonismo; 
- Hidrocefalia de pressão normal; 
- Polimialgia reumática/artrite células de gigantes (art. temporal); 
- Osteoporose; 
- Osteoartrite; 
- Doença de Paget; 
- Síndrome do túnel do carpo; 
- Estenose do canal medular; 
- Coma diabético hiperosmolar não etótico; 
- Secreção inadequada de hormônio antidiurético; 
- Hipotermia acidental; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 22 
- Leucemia linfática crônica; 
- Carcinoma de células basais; 
- Linfo adenopatia imunoblástica; 
- Tumores sólidos; 
- Tuberculose; 
- Herpes zoster; 
- Arteriosclerose; 
- Amiloidose; 
- Angiodisplasia de cólon; 
- Hipertensão sistólica; 
- Hipotensão postural. 
 
Doenças cujo principal fator de risco continua sendo a própria idade tende a 
assumir dimensões epidêmicas com o envelhecimento populacional. Um exemplo 
ilustrativo é a Doença de Alzheimer (DA). Pode-se dizer que a prevalência de 
demência quase dobra a cada cinco anos após os 65 anos, e quase 50% dos casos 
de demências são de Alzheimer. Por ser uma doença evolutiva, extremamente 
incapacitante e sem medidas terapêuticas eficazes, ainda que paliativas, pode ser 
considerada um dos grandes problemas de saúde pública no mundo. 
Existem evidências de que o grau de desenvolvimento intelectual possa ser 
um fator de risco para perdas cognitivas. Em um país com uma enorme massa de 
analfabetos, a preocupação é muito grande, prevendo-se o boom que está por vir. 
Na verdade, o que está em jogo na velhice é sua autonomia. Qualquer pessoa que 
chegue aos oitenta anos capaz de gerar sua própria vida e determinar quando, onde 
e como se darão suas atividades de lazer, convívio social e trabalho (produção em 
qualquer nível), certamente pode ser considerada saudável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 23 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO I 
 
 
 
 
 
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 25 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 26CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 27 
 
 
MÓDULO II 
 
 
7 EPIDEMIOLOGIA 
 
 
“Todas as coisas têm o seu tempo e todas elas passam debaixo do céu 
segundo o tempo que a cada um foi prescrito. Há tempo de nascer e há tempo de 
morrer”. (ECLESIASTES, cap. III, v. 1 e 2). 
 
 
7.1 EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA 
 
 
Os seres vivos são regidos por um determinismo biológico: todos nascem, 
crescem, amadurecem, envelhecem, declinam e morrem. O tempo e a forma que se 
processam essas fases dependem de cada indivíduo, da programação genética de 
sua espécie e de fatores ambientais (habitat, modus vivendi e de agressões que 
tenha sofrido no decorrer de sua existência). O que tem aumentado 
significativamente é a esperança de vida ao nascer, que hoje, em alguns países, já 
está na nona década de vida. 
Atualmente, vive-se mais, ocorrendo menos óbitos em grupos etários mais 
baixos e após os 60 anos. Consequentemente, ao se analisar o crescimento 
demográfico por grupos etários, o grupo que apresenta, proporcionalmente, maior 
crescimento, é o de 60 anos ou mais. A cada década acima, o crescimento tem-se 
mostrado maior. 
Deve-se destacar a importância crescente que vem sendo dada à “quarta 
idade”, ou a dos “velhos muito velhos”, que é uma parcela muito significativa da 
população idosa nos países desenvolvidos, formada por indivíduos de 80 anos ou 
mais. Esse aumento do número de anos de vida do homem, entretanto, nem sempre 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 28 
está acompanhado pela melhoria ou manutenção da sua qualidade. É aqui que se 
encontra um dos grandes desafios da Gerontologia. 
 
 
7.2 CAUSAS DO ENVELHECIMENTO 
 
 
Para Thomas (2008), a causa do envelhecimento demográfico da população 
é complexa, ressaltando alguns fatores: 
 Qualquer declínio significativo e constante na fertilidade produz o 
envelhecimento da população; 
 Redução da taxa de mortalidade na segunda metade da vida; 
 A migração dos jovens pode resultar em um envelhecimento ainda maior 
de populações de determinadas regiões. A transição de uma população jovem para 
uma envelhecida deu-se originariamente na Europa, onde a fecundidade declinou 
marcadamente, muito antes de qualquer método anticoncepcional científico estar 
disponível. Fruto do desenvolvimento social gerado pela Revolução Industrial houve 
uma queda gradual na mortalidade, que, em longo prazo, levou a uma queda na 
fecundidade, e, consequentemente ao envelhecimento da população. 
Atualmente, países como a Alemanha, por exemplo, têm taxas de 
fecundidade abaixo do limite de reposição, ou seja, menos de dois filhos em média 
por casal, uma situação em que as mortes passam a exceder os nascimentos e a 
população começa a diminuir. Em geral, os países da Europa iniciam o século em 
curso com mais de um quarto da população na faixa dos 65 anos ou mais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 29 
FIGURA 3 – ESTRUTURA ETÁRIA DA POPULAÇÃO TOTAL POR FAIXA ETÁRIA 
E SEXO 
 
FONTE: Guccione, 2002. 
 
 
7.3 OS EFEITOS DA EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA 
 
 
Na América Latina, o processo vem sendo desenvolvido de uma maneira 
mais drástica, pois não é resultado de desenvolvimento social e sim de um processo 
maciço de urbanização desordenado. Alteram-se, com isso, as estruturas de 
trabalho da família, com a mulher sendo progressivamente incorporada à força de 
trabalho e sendo obrigada a delegar funções de cuidados da casa a familiares, sem 
que haja uma estrutura de apoio. 
Na verdade, a expectativa aumentou mais por causa de redução das 
doenças infecciosas, mas as condições de alimentação e estruturas fazem com que 
o latino tenha que cuidar das doenças que passam a ser degenerativas. Se a 
população mundial vem crescendo, também vem envelhecendo progressivamente. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 30 
Assim, em apenas 60 anos, a população mundial crescera duas vezes e meia, 
enquanto a população acima de 65 anos quatro vezes e a com mais de 80 anos 
crescera um pouco mais de cinco vezes. Em 1950, o Brasil ocupava o 16º lugar 
entre os países de maior população geriátrica, devendo ser o sexto em 2025. 
 
 
7.4 A EXPECTATIVA DE VIDA AO NASCER 
 
 
No Brasil, mostra-se um significativo aumento nos anos de vida. O que era 
em torno de 33,7 anos em 1900, passou para 50,99 em 1950/55 e deverá ser de 
72,08 em 2020/25. Estudos demonstram que as mulheres vivem mais que os 
homens. Em 1950/55 viviam 3,43 anos mais que os homens, em 1990/95 viviam 
5,56 anos mais e em 2020/25 viverão 6,21 anos mais. Entretanto, essas 
expectativas são avaliações e projeções em um determinado período e contexto, 
pois se considerarmos as pessoas que nasceram no início do século e sobrevivem 
até hoje, seguramente já viveram muito mais que os anos previstos na época de seu 
nascimento. 
Contudo, o número de pessoas idosas inválidas nos países em 
desenvolvimento é maior que o número dos países desenvolvidos, em consequência 
da má nutrição, más condutas assistenciais, más condições de trabalho e de 
doenças no decorrer da vida. (CANÇADO, 1994). 
Portanto, a invalidez na velhice tem como substrato importante os efeitos 
cumulativos dos acidentes, das doenças crônico-degenerativas, das doenças 
agudas e das carências. Assim, uma atuação preventiva na área de saúde reduziria 
as consequências desastrosas de diversas doenças desde a morbidade até a 
mortalidade, diminuindo o número de incapacitações e invalidez e contribuindo para 
a melhoria do padrão de qualidade de vida do indivíduo em geral. 
São números impressionantes que mostram a necessidade urgente de um 
planejamento de assistência à população idosa, sem entrar no aspecto do 
planejamento familiar, melhor distribuição de rendas e outros. O baixo nível de vida, 
o desemprego, o analfabetismo, os salários e as aposentadorias defasados e 
insuficientes para manter um nível de vida digno vêm corroendo mais ainda o padrão 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 31 
de vida do brasileiro. Tanto a Previdência quanto o Sistema de Saúde no Brasil 
estão falidos. Se hoje temos apenas um contribuinte (30.649.419, dos quais três 
porcento com 60 anos ou mais) para cada não contribuinte (29.967.836, dos quais 
sete porcento são de 60 anos ou mais) a tendência é a situação se agravar. 
No período de 1950 a 1980, houve, também, um significativo decréscimo no 
percentual de pessoas idosas economicamente ativas em relação ao total da 
população, especialmente entre a população masculina. Em 1998, houve uma 
melhora na condição dos rendimentos do idoso, desde os últimos 10 anos. 
(CAMARANO e EL GHAOURI, 1999). Essa melhoria foi resultado da 
Universalização da Previdência Social, da ampliação da cobertura rural e da 
legislação da assistência social estabelecidas pela Constituição de 1988, que 
garante aos idosos carentes maiores de 70 anos um salário mínimo mensal. 
Com isso, os idosos passaram a ser chefes de família, reduzindo o risco de 
proceder a demências (às vezes, eles abrigam filhos separados, desempregados e 
com gravidez precoce). Na sucessão de fatos, qualquer mudança previdenciária vai 
surtir efeito numa parcela importante de famílias brasileiras. 
 
 
7.5 TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA 
 
 
Assim, esse século se caracterizou por uma queda significativa nas taxas de 
mortalidade em todo o mundo. Nos países desenvolvidos, essa diminuição é 
consequência principalmente das melhorias nas condições básicas de vida, como 
higiene, saneamento, urbanização adequada,vacinas, nutrição, melhoria das 
condições no trabalho, moradia, etc. 
A descoberta da cura de doenças agudas e infecciosas, na metade do 
século, teve pequena importância no aspecto geral do processo, pois uma queda 
drástica já vinha acontecendo há vários anos. Segundo Soldo e Manton (2000), 
depois de diminuído o risco de morte por doenças agudas e infecciosas nos Estados 
Unidos, a expectativa de vida naquele país passou por um período de estabilidade. 
A partir da década de 70, novamente se notou um significativo aumento da 
expectativa de vida em virtude, principalmente, da diminuição dos riscos de morte 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 32 
por doenças crônicas. É comprovado que três quartos de todos os idosos morrem 
em razão de três tipos de doenças crônicas: cardiovasculares, cerebrovasculares e 
neoplasias. 
A doença cardiovascular é responsável pela morte de 50% de todos os 
indivíduos com mais de 65 anos. Merece destaque o significativo aumento de vida 
para ambos os sexos, tanto em pacientes que sofrem de doença cardíaca quanto de 
câncer, pelo adiamento do impacto mortal da doença crônica. 
No Brasil, está acontecendo uma mudança nas causas de mortalidade, se 
considerarmos as principais causas de morte nas capitais brasileiras entre 1930 e 
1980. Em 1930, as causas principais de morte eram as doenças infecciosas, 
parasitárias, cardiovasculares, respiratórias, as causas de origem perinatal, as 
neoplasias e as causas externas. 
Em 1980, passam a ser as cardiovasculares, as infecciosas e parasitárias, 
as neoplasias, as respiratórias, as causas externas e as causas de origem perinatal, 
respectivamente, na ordem de montante. Já nos países desenvolvidos, em geral, as 
principais causas de morte são as doenças cardiovasculares (coração e 
cerebrovascular), as neoplasias e as causas externas. 
Proporcionalmente, merece destaque o fato de que após os 80 anos as 
neoplasias cedem lugar às doenças do aparelho respiratório, provocadas por 
broncopneumonias, pneumonias, enfisema pulmonar, outras obstruções crônicas 
causadas pelo tipo de vida e condições ambientais em que viveu o indivíduo e pela 
diminuição progressiva de sua defesa imunológica. 
Para os idosos, entre as causas externas, nota-se a importância crescente 
das fraturas. Muitos fatores de risco agem ocasionando as fraturas, como as 
doenças: osteoporose, AVC, hipotensão e instabilidade postural, diminuição de 
acuidade visual e auditiva. As fraturas podem também ser causadas pelas condições 
inadequadas nas cidades: veículos com degraus altos ou estacionados 
erroneamente, atropelamentos, assaltos e agressões, calçadas esburacadas e 
escorregadias, etc. 
Outra causa externa importante para fraturas são as condições inadequadas 
dos domicílios: assoalhos encerados, tapetes, sapatos, degraus, banheiros, etc. 
Para se ter uma noção do custo de assistência correta à população idosa, tem-se 
que recorrer a dados estrangeiros, uma vez que no Brasil quase nada se faz por 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 33 
essa faixa etária da população, dadas as prioridades de um país em 
desenvolvimento, com graves problemas na área da infância, adolescência, etc. 
Nos Estados Unidos, por exemplo, embora os idosos representem 11% da 
população, ocupam 33% dos leitos hospitalares destinados a agudos, compram 25% 
de todas as prescrições medicamentosas e consomem 30% do orçamento de saúde 
(de um fabuloso montante de mais de 300 bilhões de dólares). 
Ainda nos Estados Unidos, entre os cidadãos com mais de 65 anos, cerca 
de um quarto está sujeito a passar algum tempo de suas vidas em algum tipo de 
instituição social antes de morrer. E dos que ultrapassarem os 80 anos, a metade 
morrerá num asilo, cujo número de leitos já ultrapassa os leitos de casos agudos 
existentes. 
Neste mesmo país, 25% dos idosos que vivem em comunidade não têm 
parentes vivos, ficando sós. O organismo, além de ser consequência da sua 
programação genética, sofre, também, as sequelas dos impactos, hábitos e do meio 
ambiente a que foi submetido. 
 
 
7.6 QUALIDADE DE VIDA 
 
 
A longevidade cada vez maior do ser humano acarreta uma situação 
ambígua, o desejo de viver cada vez mais e, ao mesmo tempo, o temor de viver em 
meio a incapacidades e dependência. 
Wood-Dauphinee (1999) relata que o termo qualidade de vida foi 
mencionado pela primeira vez em 1920, por Pigou, em um livro sobre economia e 
bem-estar material. Com a evolução, parecia necessário avaliar a qualidade de vida 
percebida pelas pessoas e o quanto estavam satisfeitas ou insatisfeitas com a 
situação e qualidade de suas vidas. 
O conceito estendeu-se para os campos das artes, do lazer, do emprego, 
dos transportes, da moradia, da conservação e da preservação do meio ambiente e 
da educação. Além disso, determinantes históricos e culturais definem a relatividade 
da noção desta qualidade de vida. Os padrões e concepções de bem-estar são 
estratificados, pois em sociedades em que as desigualdades são muito importantes, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 34 
a qualidade de vida está relacionada ao bem-estar dos estratos superiores e a 
passagem de um estrato a outro. 
O grupo de especialistas em qualidade de vida da Organização Mundial da 
Saúde (OMS) que elaborou um instrumento genérico de avaliação de qualidade de 
vida, usando um enfoque transcultural (The WHOQOL Group, 1995), considera que, 
embora não haja definição consensual de qualidade de vida, há concordância 
considerável entre os pesquisadores acerca de algumas características do 
construto. 
A definição de qualidade de vida apresentada pelo The WHOQOL é a 
seguinte: “Qualidade de vida é a percepção do indivíduo acerca de sua posição na 
vida, de acordo com o contexto cultural e sistema de valor com os quais convive e 
em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. 
Segundo Nery (2001), com relação à qualidade de vida na idade mais 
avançada, na velhice, pode ser designada como a avaliação multidimensional 
referenciada a critérios socionormativos e intrapessoais, a respeito das relações 
atuais, passadas e prospectivas entre o indivíduo idoso e o seu ambiente. 
Estereótipos em relação à velhice comprometem a possibilidade de uma 
qualidade de vida melhor. Em nosso meio, a velhice é comumente associada a 
perdas, incapacidade, dependência, impotência, decrepitude, doença, desajuste 
social, baixos rendimentos, solidão, viuvez, cidadania de segunda classe, e assim 
por diante. 
O idoso é chato, rabugento, implicante, triste, demente e oneroso. 
Generalizam-se as características de algumas pessoas idosas para todo o universo. 
Essa visão estereotipada, junto à dificuldade de distinguir entre envelhecimento 
normal e patológico, senescência e senilidade, leva à negação daquilo que ocorre, 
ou à negligência de suas necessidades, vontades. Talvez por esses motivos, os 
idosos tendem a ignorar sintomas como a tristeza, a dor ou o cansaço. 
Profissionais tentam explicar os sintomas ou as queixas trazidos pelos 
idosos como fazendo parte do processo natural do envelhecimento, o que se traduz 
em omissão e em negligência, impedindo o tratamento e a reabilitação. (ORY & 
COX, 1994). Em razão disso, muitas idosas não se queixam de incontinência 
urinária por vergonha ou por acharem normal. Algumas se acostumam, apesar de 
ser uma causa de isolamento social e secundariamente de depressão. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 35 
7.6.1 Instrumentos de Avaliação de Qualidade de Vida na Velhice 
 
 
Existem relativamente poucos instrumentos específicos de avaliação da 
qualidade de vida de pessoas idosas. Entre eles podem ser citados os seguintes: 
 Life Satisfection Index - LSI (NEUGARTEN, HAVIGHURST, 1960). 
 KATZEL at al., 1963. 
 Multilevel Assessment Instrument - MAI (LAWTON et al., 1982). 
 Philadelphia geriatric Center Morale Scale - Morale ScaIe (LAWTON e 
BRODY, 1969). 
 OARS Multidimensional Functional Assesment Questionnaire– OMFAQ 
(Older Americans Resourses and Services of Duke University) 
(FILLEMBAUM e SMYER, 1981). 
 Memorial University of Newfoundland Scale of Happiness – MUNSH 
(Multilevel Assesment Instrument, KOZMA e STONES, 1980). 
 Geriatric Quality of Life Quetionaire, desenhado para o idoso fragilizado 
(GUYATT et al., 1993). 
 
 
7.7 AVALIAÇÃO DO IDOSO 
 
7.7.1 Anamnese 
 
A abordagem da história clínica e do exame físico precisa ser modificada na 
avaliação de pacientes idosos e fragilizada. Normalmente, grande parte deles 
apresenta problemas múltiplos de saúde, o que requer uma equipe para avaliação 
completa. Para os pacientes que apresentam necessidades médicas, fisioterápicas, 
psicológicas e sociais complexas, as equipes são mais eficientes para avaliar o 
quadro e estabelecer um plano de tratamento que profissionais atuando de modo 
isolado. 
Estabelecer objetivos comuns e cotejar funções e responsabilidades são a 
melhor maneira de se obter os resultados esperados para um trabalho em equipe 
com profissionais de diversas áreas do conhecimento fisioterápico e de outras áreas 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 36 
afins. O processo de tomada de decisões clínicas envolvendo idosos deve 
apresentar como objetivo principal a melhoria na sua qualidade de vida. 
O fisioterapeuta deve realizar a anamnese com o paciente e com o 
acompanhante separadamente. O exame físico deve ser realizado em horários 
diferentes, principalmente em virtude da fadiga que o paciente pode sentir, não se 
descartando também a necessidade de mais de uma sessão para o exame físico. 
Deficiências sensoriais (alterações auditivas ou visuais) são muito comuns 
em idosos e podem interferir no processo de avaliação. Além disso, os idosos 
podem não relatar sintomas durante a anamnese (crises dispneicas, perda de visão 
ou audição, problemas com a memória, incontinência urinária, tonturas, quedas, 
etc.), os quais são considerados normais por esses pacientes. 
Nesse aspecto, é importante lembrar que nenhum sintoma deve ser 
considerado normal para o paciente idoso. Em virtude da disfunção cognitiva, os 
idosos podem apresentar dificuldades para lembrar-se de todas as doenças 
passadas, as hospitalizações, as cirurgias e o uso de medicamentos, sendo que 
esses dados devem ser obtidos pelo fisioterapeuta por meio de outras fontes 
alternativas (membros da família, enfermeira domiciliar, registros médicos). 
Entretanto, a queixa principal do paciente pode diferir muito do ponto de vista da 
família em relação ao foco principal do problema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 37 
 
FIGURA 4 – REVISÃO DE REGIÕES E SISTEMAS CORPÓREOS 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
A compreensão da avaliação do status funcional em geriatria deve pautar-se 
na revisão da maior parte das habilidades funcionais, aqui divididas em duas 
categorias: as atividades de vida diária (AVDs) e as atividades instrumentais de vida 
diária (AIVDs). O conceito de atividades de vida diária é talvez um dos únicos 
conceitos em que há consenso geral. Existem muitas revisões sobre o conceito de 
AVDs e suas medidas, mas o mecanismo de medida das AVDs melhor padronizado 
e mais utilizado mundialmente é o Barthel ADL Index. 
Como a avaliação e o tratamento de pacientes idosos não deve apenas 
concentrar-se nas atividades de vida diária, é importante considerar outros aspectos 
das deficiências, como a comunicação, a interação social, as atividades domésticas, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 38 
o trabalho, o lazer e as atividades cotidianas. 
Esses outros mecanismos de avaliação podem ser chamados de atividades 
instrumentais de vida diária (AIVDs) ou de extensão das atividades de vida diária 
(EAVDs). Um instrumento eficiente e confiável para avaliar as AIVDs é a escala de 
Lawton para AIVDs. 
 
 
FIGURA 5 – ÍNDICE DE BARTHEL PARA AVDS 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 39 
FIGURA 6 – ÍNDICE DE BARTHEL E ESCALA DE LAWTON 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 40 
FIGURA 7 – FORMULÁRIO DO ESTADO MINIMENTAL ADOTADO 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
A história familiar dever ser focalizada para doenças típicas de idosos com 
padrões hereditários (doença de Alzheimer, câncer, diabetes). A idade de início 
dessas doenças nos familiares deve ser anotada. Inicialmente a história social do 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 41 
paciente inclui a avaliação do padrão da habitação deste indivíduo. Devemos 
observar o número de quartos, presença ou não de água encanada, esgoto, casa 
térrea ou sobrado, presença ou não de escadas, elevadores, aquecedores, ar-
condicionado, etc. 
A ergonomia da casa deve ser analisada, principalmente em relação aos 
objetos que podem provocar quedas. Problemas com a arquitetura e as condições 
ergonômicas da casa devem ser identificados para que alterações sejam sugeridas 
como parte do protocolo de tratamento. 
A descrição de um dia normal, incluindo atividades como leitura, trabalho, 
exercícios, televisão, interação com outras pessoas, proporciona valiosas 
informações. O paciente deve ser questionado sobre a frequência e a natureza de 
seus contatos sociais (amigos, grupos da terceira idade), visita de familiares, 
participação religiosa ou espiritual. O grau de independência do paciente em realizar 
essas atividades deve ser checado. 
O tipo de relacionamento conjugal (solteiro, casado, divorciado, amasiado) 
também deve ser observado. Nesse aspecto do comportamento social, o padrão 
sexual do paciente deve ser questionado com bastante tato e sensibilidade, mas as 
informações que podem ser obtidas podem auxiliar na observação do 
comportamento psicológico (grau de satisfação pessoal, por exemplo) e avaliação 
de possíveis doenças sexualmente transmissíveis. 
É necessária a avaliação da dor em idosos que relatam dor frequentemente, 
pois apresentam múltiplos problemas de saúde e fontes potenciais de dores 
variadas, tornando o diagnóstico e o tratamento da dor mais dificultoso. A 
comunicação da dor pelo idoso aos familiares e aos profissionais que o assistem 
pode estar prejudicada por disfunções cognitivas. Dor envolve consciência, 
abstração seletiva, interpretação e aprendizado. É um processo perceptual que 
integra a modulação de um grande número de fenômenos. 
 
 
7.7.2 Exame Físico 
 
Todas as informações obtidas no exame físico devem ser direcionadas para 
definir o perfil funcional da intervenção geriátrica, ou seja, o exame físico com 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 42 
pacientes idosos deve ser direcionado para se descobrir potencialidades que 
permitam colaborar para melhorar o grau de morbidade e independência dos 
mesmos. Portanto, o exame, tanto no nível dos impedimentos físicos (exame da 
força muscular) como no nível funcional (deambulação) é o aspecto mais importante 
no processo de tomada de decisão clínica em fisioterapia geriátrica. 
 
 Exame do Sistema Musculoesquelético 
 
O exame físico em geriatria tem como objetivo principal detalhar achados 
que possibilitem um mapeamento dos sistemas musculoesquelético e neurológico 
periférico. Deve-se detalhar na busca de informações clínicas objetivas que 
possibilitem identificar impedimentos físicos (primários ou secundários) que estejam 
envolvidos no processo de formação do distúrbio funcional. 
 
 Sinais Vitais 
 
Como medida obrigatória para a avaliação de pacientes idosos, deve-se 
verificar a frequência cardíaca, a pressão sanguínea, a frequência respiratória e a 
temperatura. A frequência cardíaca (FC) e a pressão arterial (PA) devem ser 
verificadas em ambos os braços. Como vários fatores podem interferir na pressão 
arterial, diversas verificações devem ser realizadas na condição de repouso. 
A pressão arterial pode estar superestimada em pacientes idosos 
principalmente pela rigidez arterial muito comum nesse tipo de paciente. Essa 
condição de pseudo-hipertensãoarterial deve ser checada quando o paciente 
apresentar tanto a pressão sistólica como a diastólica elevada. Hipotensão 
ortostática pode ser muito comum entre pacientes idosos que não são hipertensivos. 
Todos os pacientes devem ser checados nesse tipo de comportamento da pressão 
arterial. 
Após a PA ser verificada com o paciente em supino, o paciente deve ser 
observado por aproximadamente três minutos em posição ortostática; o resultado é 
positivo quando a PA sistólica tem uma queda igual ou maior que 20 mmHg. A 
frequência respiratória normal para pacientes idosos deve estar entre 16 e 25 
respirações por minuto. Uma frequência maior que 25 respirações por minuto pode 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 43 
ser um sinal de infecção do trato respiratório inferior, insuficiência cardíaca 
congestiva ou algum distúrbio que será seguido por outros sinais e sintomas. 
 
 Estado Mental 
 
A avaliação do estado mental torna-se importante para o avaliador 
determinar a confiabilidade das informações obtidas, mesmo as relativas aos 
exames objetivos. Deve-se, portanto, avaliar a orientação temporal, espacial e 
pessoal do paciente. Observação: verificar tabela Minimental citada acima. 
 
 Inspeção 
 
Constituem-se aspectos relevantes na inspeção do paciente idoso: avaliação 
postural normal (triplanar); observação de possíveis posturas antálgicas; observação 
da face; medidas de circunferências (membros superiores e inferiores, pescoço, 
ombros, quadris, etc.); observação de edemas de tecidos moles; efusões articulares; 
estado da pele; estado das unhas e espasmos musculares. 
 
 Palpação 
 
Deve ser realizada de forma sutil e precisa, para que não se mascare ou se 
reproduza um sintoma já preestabelecido. A palpação tem por objetivo: 
 Avaliar a sensibilidade, a flexibilidade e a densidade do tecido mole; 
 Determinar a localização exata do sintoma doloroso; 
 Determinar áreas de espasmos musculares adjacentes ao processo 
doloroso que possam contribuir para a manutenção do mesmo; 
 Encontrar pontos de edema ou efusão articular; 
 Verificar a temperatura da pele na região afetada (sempre com o dorso 
da mão). 
 
 Amplitude de Movimento 
 
A amplitude de movimento (ADM) ativa e passiva deve ser avaliada para se 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 44 
observar a contribuição da articulação no impedimento primário ou secundário do 
movimento. A unidade funcional do sistema musculoesquelético é a articulação e 
suas estruturas associadas, membrana sinovial e cápsula, ligamentos e músculos 
que cruzam a articulação. Por isso, a ADM tem um papel fundamental na 
compreensão dos problemas relacionados com o sistema musculoesquelético. 
 
Além de se quantificar a ADM, deve-se observar: 
 Presença de padrões capsulares versus não capsulares de restrição 
dos movimentos; 
 Sensação terminal e resposta à dor durante a ADM passiva ao aplicar 
superpressão; 
 Movimentos articulares acessórios, sua sensação terminal e a resposta 
à dor. 
 
 Força Muscular 
 
A avaliação da força muscular, por meio dos testes manuais, é um 
instrumento importante do diagnóstico, do prognóstico e do tratamento dos 
distúrbios do sistema musculoesquelético, contribuindo decisivamente para a 
seleção dos testes funcionais. Existem vários sistemas de graduação dos testes de 
força muscular disponíveis na literatura especializada. 
Adotaremos o sistema proposto por Stolove Hays (2000), que se baseia na 
habilidade do músculo de mover, contra a força da gravidade, a parte onde ele está 
ligado: 
 
 Grau 5: Força normal. O músculo move a articulação que ele cruza na 
amplitude total do movimento contra a gravidade e contra a “resistência 
completa” aplicada pelo examinador. 
 Grau 4: Força boa. O músculo move a articulação que ele cruza na 
amplitude total de movimento contra a gravidade apenas com 
“resistência moderada” aplicada pelo examinador. 
 Grau 3: Força regular. O músculo move a articulação que ele cruza na 
amplitude total do movimento apenas contra a gravidade. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 45 
 Grau 2: Força mínima. O músculo move a articulação que ele cruza na 
amplitude total do movimento se o membro estiver posicionado de modo 
que a força da gravidade não esteja resistindo ao movimento. 
 Grau 1: Traço de força. A contração muscular pode ser vista ou palpada, 
mas a força é insuficiente para produzir movimento mesmo com a 
eliminação da gravidade. 
 Grau 0: Força zero. Paralisia completa. Sem contração visível ou 
palpável. 
 
 Exame do Sistema Neurológico 
 
O exame neurológico de um paciente idoso, similar a qualquer exame de um 
adulto, avalia os nervos cranianos, os nervos periféricos, a função motora, a função 
sensorial e o status mental. 
Nervos cranianos: a avaliação pode ser complexa. Os idosos normalmente 
apresentam pupilas diminuídas; o reflexo das pupilas à ação da luz pode estar mais 
lento e a resposta mitótica pupilar para a visão próxima pode estar diminuída. Os 
desvios do olhar para cima, a uma distância pequena, e para baixo podem estar 
levemente limitados. 
O movimento dos olhos, quando seguem o dedo do fisioterapeuta durante a 
avaliação do campo visual, pode apresentar-se irregular e com solavancos. Os 
idosos apresentam frequentemente uma diminuição no olfato, principalmente pelos 
inúmeros casos de infecção respiratória que ocorrem nesse período. O paladar 
também pode estar alterado devido à diminuição do olfato, ou também pelo uso 
constante de medicamentos, alguns dos quais diminuem a salivação. A audição 
pode estar diminuída pelas dificuldades normais com os órgãos finais. 
Função motora: a avaliação inclui a força, a coordenação, o andar e os 
reflexos. Os idosos normalmente podem parecer fracos durante os testes de rotina, 
por isso, durante o exame físico, o fisioterapeuta pode facilmente sobrepor uma 
força para a contração sustentada das extremidades. Tanto o tônus muscular, 
mensurado por meio dos reflexos tendinosos profundos, como o volume de massa 
muscular podem estar diminuídos, o que é comum, mas não quando acompanha 
uma perda significativa da função motora. Com a idade, o tempo de reação motora 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 46 
aumenta, particularmente em virtude da condução mais lenta nos nervos periféricos. 
A coordenação motora também diminui em razão de mecanismos centrais, mas, 
normalmente, essa diminuição ocorre subitamente e não causa deficiência. Também 
com a idade, os reflexos posturais podem estar prejudicados, tornando-se uma das 
causas das quedas. 
Função sensorial: as formas básicas de sensação avaliadas rotineiramente 
em pacientes idosos são sensação tátil superficial (toque leve), dor superficial, 
temperatura e vibração. Essas sensações normalmente estão comprometidas nos 
idosos, podendo prejudicar a função motora. 
Apresentamos a seguir testes válidos e confiáveis para a aplicação clínica 
em consultórios, ambulatórios, centros de reabilitação e hospitais, que podem 
direcionar o processo de avaliação física do paciente idoso, tornando, dessa forma, 
mais exato e confiável todo o processo de tomada de decisões clínicas envolvendo o 
idoso. 
As dimensões avaliadas são as funções motoras fina e grossa do membro 
superior, o equilíbrio, a mobilidade, a coordenação e a resistência. As AVDs 
específicas incluem: comer, transferir-se e vestir-se. Em adição, os testes também 
mensuram as capacidades necessárias para outras AIVDs que são difíceis de 
avaliar nos consultórios; por exemplo, a força muscular do membro superior é 
necessária para avaliar a performance do ato de lavar roupa; subir escadas é 
essencial para o uso do transporte público. 
 
 Teste de equilíbrio de Berg - BBT (BERG et aI., 1989) 
 
Foi desenvolvido para ser uma medida de avaliação do equilíbrio destinada 
aos pacientes idosos com o objetivo de ser aplicada de forma segura, simples e, 
principalmente, replicável. Constitui-se em 14 tarefasrelacionadas com as atividades 
básicas e instrumentais de vida diária que necessitam de equilíbrio para serem 
realizadas: transferir-se, sentar-se, levantar-se, manter-se em pé, inclinar-se para 
frente, girar 360 graus, sustentar-se em apenas uma perna, caminhar passo a 
passo. 
As tarefas são pontuadas numa escala de cinco pontos (O a 4), 
considerando 4 como “performance normal” e O como “tarefa não realizada”; a 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 47 
pontuação total varia de O (equilíbrio prejudicado severamente) a 56 (excelente 
equilíbrio). Os idosos institucionalizados e os idosos que vivem em comunidades são 
o público-alvo desse teste. O teste é utilizado para monitorar o status funcional 
referente ao equilíbrio, para avaliar o curso da doença e a resposta ao tratamento, e 
para predizer o risco de quedas e a expectativa de vida (ou a probabilidade de 
morte). 
 
 Teste cronometrado de levantar-se e ir - TUG 
 
Mensura o tempo que o indivíduo consome para levantar-se de uma cadeira 
com braços, caminhar três metros, virar-se de frente para a cadeira (giro de 180 
graus), voltar para a cadeira e sentar-se novamente. A mensuração do teste ocorre 
em razão do tempo percorrido (normalmente em segundos) para completar a tarefa. 
Esse teste é aplicado em idosos institucionalizados e idosos que vivem em 
comunidades, tendo como finalidade monitorar a habilidade de mobilidade funcional 
de idosos, avaliar o nível de equilíbrio e predizer o risco de quedas. 
 
 Teste de caminhada de seis minutos - 6MW 
 
É uma modificação do teste originalmente desenvolvido por Cooper, um 
teste de campo para determinar o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx). É um 
teste submáximo de medida da capacidade aeróbia. De fácil administração, o teste 
consiste em mensurar a distância máxima percorrida pelo indivíduo em seis minutos. 
Deve ser aplicado em idosos institucionalizados e idosos que vivem em 
comunidades, saudáveis ou portadores de distúrbios cardiovasculares e 
respiratórios. O teste tem como objetivo avaliar e monitorar o nível de resistência 
aeróbia de idosos saudáveis e predizer o grau de morbidade e mortalidade de 
pacientes que apresentam distúrbios cardiovasculares e respiratórios (como as 
disfunções ventriculares, as insuficiências cardíacas avançadas e as doenças 
pulmonares obstrutivas crônicas). 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO II 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 49 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 50 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO III 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 51 
 
MÓDULO III 
 
 
8 FISIOPATOLOGIA DO ENVELHECIMENTO 
 
 
8.1 SISTEMA NERVOSO 
 
 
FIGURA 8 - 
 
FONTE: Disponível em: <http://bluesnake49.blogspot.com.br/2011/02/o-que-e-perfeicao.html> 
Acesso em: 18 Maio. 2012. 
 
 
 
O processo de envelhecimento na vida dos indivíduos permanece, ainda, 
como um dos pontos mais complexos, obscuros e críticos para a ciência, apesar dos 
grandes esforços que vêm sendo feitos, especialmente desde a segunda metade do 
século XX. Sendo esse processo inevitável e silencioso no início, mas progressivo e 
inexorável, não se descobriu, até o presente momento, como ele se desenvolve e 
evolui nos diferentes órgãos, tecidos e células do organismo como um todo, 
especialmente, quais os mecanismos que o desencadeiam ou o que possam 
retardar, já que o processo não se faz de uma maneira uniforme. 
Existem evidências de que o processo do envelhecimento seja, em sua 
essência, de natureza multifatorial, dependente da programação genética e das 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 52 
alterações que vão ocorrendo em nível celular e molecular, que resultarão em sua 
aceleração ou desaceleração, com redução de massa celular ativa, diminuição da 
capacidade funcional das áreas afetadas e sobrecarga, em menor ou maior grau, 
dos mecanismos de controle homeostático. (FREITAS et al., 2006). 
Como é um fenômeno biológico normal na vida de todos os seres vivos, não 
deve ser considerado como doença. Apesar de as doenças crônico-degenerativas, 
que podem acometer os indivíduos ao longo de suas vidas, estarem paralelamente 
associadas ao processo do envelhecimento, não seguem a mesma linha de 
inexorabilidade. Do envelhecimento ninguém escapa até o presente momento, mas 
isso não significa que todo idoso venha a ter uma ou várias doenças crônico-
degenerativas. 
O sistema nervoso central (SNC) é o sistema biológico mais comprometido 
com o processo do envelhecimento, pois é o responsável pela vida de relação 
(sensações, movimentos, funções psíquicas, entre outros) e pela vida vegetativa 
(funções biológicas internas). Sua perda é fundamental para o desequilíbrio da 
senescência. 
O comprometimento do SNC é preocupante pelo fato de não dispor de 
capacidade reparadora. São unidades morfofuncionais pós-mitóticas, sem 
possibilidade reprodutora, ficando sujeitas ao processo do envelhecimento por meio 
de fatores intrínsecos (genético, sexo, circulatório, metabólico, radicais livres, etc.) e 
extrínsecos (ambiente, sedentarismo, tabagismo, drogas, radiações, etc.), que não 
deixam de exercer uma ação deletéria com o decorrer do tempo. 
Sintomas psicológicos podem também ser reações de uma perturbação 
física. Deve-se ter em mente que, com o envelhecimento populacional, a prevalência 
de inúmeras doenças crônicas aumentará com a idade; e, também, que o idoso 
poderia ser, muitas vezes, portador de várias dessas doenças crônicas (diabetes, 
artrite reumatoide, câncer, doenças cárdio e cerebrovasculares, pneumopatias, entre 
outras). 
Assim, ele estará mais susceptível a perturbações mentais, por apresentar 
mais sintomas depressivos, mais ansiedade, menor autoestima e menor capacidade 
de controle emocional. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 53 
 
FIGURA 9 – CÉREBRO HUMANO 
 
FONTE: Disponível em: <www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/filo-corda> 
Acesso em: 27 out. 2009. 
 
 
Nos últimos 100 anos tem havido um aumento da altura média da população 
e, consequentemente, do peso médio do cérebro (efeito secular), de acordo com 
dados de populações de diferentes épocas. Por outro lado, se analisarmos o 
cérebro, ao longo da vida dos indivíduos, a estimativa do volume cranioencefálico 
nos mostra uma diferença de volume, com o envelhecimento. O peso do cérebro é 
constituído por células gliais (astrócitos, oligodendroglia e epêndima), mielina, vasos 
sanguíneos e um número astronômico de neurônios, estimado cautelosamente em 
20 bilhões. 
O cérebro pesa 1,350 kg, atingido na metade da segunda década de vida. A 
partir dessa etapa, inicia-se um declínio ponderal discreto e lentamente progressivo, 
em torno de 1,4 a 1,7% por década. Nas mulheres, o declínio é mais precoce que 
nos homens. Acima dessa idade, o peso do cérebro diminui em relação ao peso 
corporal. Por outro lado, o volume cerebral, quando comparado com a caixa 
craniana, permanece constante até a meia-idade (60 anos), em torno de 93%. 
Nessa época ocorre um decréscimo discreto, que se acentua entre as décadas de 
70 e 90 anos, quando pode chegar a 80%. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 54 
Na fase terminal da vida pode haver congestão e edema cerebral, e, 
também, a fixaçãoem formol pode aumentar o peso em torno de 10%. Alterações 
morfológicas da substância branca e corpo caloso resultam em perda de grandes e 
pequenos neurônios e/ou retração dos grandes neurônios corticais que são 
observados a partir dos 65 anos. 
O RNA citoplasmático reduz regularmente com a idade, nos neurônios do 
córtex frontal, giro hipocampal, células piramidais do hipocampo e células de 
Purkinje do cerebelo, entre outros; associado à redução da substância de NISSL e 
mais o acúmulo de lipofucsina, resulta em atrofia neuronal simples ou pigmentar, 
observada em maior grau no córtex cerebral, principalmente nas células piramidais. 
Os eventos do desenvolvimento embrionário são acompanhados por morte 
programada de células neuronais e refletem a transitoriedade premeditada de 
unidades biológicas dentro do organismo. Portanto, neurônios defeituosos e 
supérfluos são perdidos mesmo durante esse intervalo inicial de vida. Esse conceito 
tem validade, pois os neurônios não podem reproduzir-se; células oligodendrogliais 
não podem remielinizar-se, e os vasos sanguíneos cerebrais têm capacidade 
limitada para reparação estrutural. 
Sabe-se que o SNC humano tem um processo de reparação denominado 
plasticidade, que sugere que os neurônios maduros têm uma capacidade de 
desenvolver-se e formar novas sinapses. Daí a formação de novos circuitos 
sinápticos, significando a capacidade de aprender e adquirir novos conhecimentos, 
de lembrar novos fatos e a flexibilidade de desenvolver novas habilidades. 
A demência pode ocorrer em pacientes que apresentem espaços 
ventriculares normais para sua idade. Outras mudanças que ocorrem no cérebro 
incluem: depósito de lipofucsina nas células nervosas, depósito amiloide nos vasos 
sanguíneos e células, aparecimento de placas senis e, menos frequentemente, 
emaranhados neurofibrilares. Embora as placas e emaranhados sejam 
característicos de doença de Alzheimer (DA), eles podem aparecer em cérebros de 
idosos em evidência de demência. 
Mudanças nos sistemas de neurotransmissores, particularmente os 
dopaminérgicos, ocorrem com a idade. Por exemplo, níveis de acetilcolina, 
receptores colinérgicos, ácido gama-aminobutírico, serotonina e catecolaminas são 
baixos. Embora o significado dessa diminuição não esteja completamente entendido, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 55 
existe uma correlação com mudanças funcionais, como por exemplo, baixa de colina 
acetiltransferase na doença de Alzheimer, e de dopamina em doença de Parkinson. 
Por outro lado, ocorre um aumento de atividade de outras enzimas, como a 
monoaminoxidase. 
No envelhecimento normal cerebral a redução moderada da atividade 
colinérgica resulta em uma redução discreta da atenção e da capacidade de 
aprendizado. Mudanças cognitivas no envelhecimento e queixas de declínio de 
memória são sintomas muito frequentes no relato de pessoas entre os 60 e 70 anos 
e, às vezes, mesmo em indivíduos mais jovens. 
Segundo o senso comum, o esquecimento é uma característica da velhice, 
sendo parte inexorável e inevitável do processo de envelhecimento. Embora exista 
um fundo de verdade nessas crenças, nem todo esquecimento é normal ou 
inevitável nos idosos, principalmente naqueles de boa saúde física e mental. 
A síndrome do declínio mental relacionado com a idade indica que pacientes 
podem sofrer distúrbios subjetivos e objetivos, manifestados mais tipicamente por: 
 
 Disfunção intelectual ou cognitiva: ausências, distúrbios de memória e, 
na evolução, alteração na orientação temporoespacial e dificuldade de 
linguagem; 
 Alteração de humor e sensação de bem-estar, falta de interesse, 
grosseria no tratamento, ansiedade, labilidade de humor e tendência a 
depressão; 
 Comportamento: apatia, irritabilidade e agressividade. 
 
A característica clínica essencial da doença degenerativa primária é a 
deterioração intelectual progressiva, lenta e gradual, que evolui tipicamente por meio 
dos seguintes estágios: 
 
 Dano de memória e distúrbios de orientação; 
 Distúrbios da fala (afasia), da capacidade de reconhecer objetos 
(agnosia) e incapacidade de executar movimentos dirigidos, gestos ou 
manipular objetos (apraxia) nos anos subsequentes; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 56 
 Incontinências e imobilidade total (em caso de acamamento) na sua 
fase terminal. 
 
Dentre as situações, devem-se observar aquelas que são reversíveis como: 
depressão, hipo ou hipertireoidismo, e outros quadros endócrinos; má nutrição e 
deficiências vitamínicas, anemia, desidratação e distúrbios eletrolíticos, medicações 
infecções, embolias, insuficiências metabólicas, mas que podem provocar quadros 
confusionais agudos (delirium), que podem ser confundidos com demência. Mesmo 
que o paciente saia do estado de confusão, pode ficar algum dano cerebral que 
deve ser avaliado se é reversível ou não. 
 
 
8.2 SISTEMA CARDIOVASCULAR 
 
 
FIGURA 10 – CORAÇÃO HUMANO 
 
 
 
 
Fonte: Disponível em: < http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/Circulacao.php> 
Acesso: 18 de Maio 2012. 
 
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/Circulacao.php
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 57 
Após o desenvolvimento neonatal, o número de células miocárdicas não 
aumenta. Estudos realizados demonstraram que há modificações bioquímicas e 
anatômicas que acompanham o envelhecimento, mas é importante avaliar a 
importância fisiológica desses dados, pois nem sempre uma alteração bioquímica 
pode estar relacionada com a idade, levando a uma reação global. Portanto, as 
alterações na função cardiovascular que acompanham o envelhecimento podem ser 
decorrentes de alterações de padrões de doença, variáveis do estilo de vida ou 
resultantes simplesmente do próprio envelhecimento, sendo este o fator de maior 
dificuldade de definição. 
O sistema cardiovascular sofre significativa redução de sua capacidade 
funcional com o envelhecimento. Em repouso, contudo, o idoso não apresenta 
redução importante do débito cardíaco, mas em situações de maior demanda, tanto 
fisiológicas (esforço físico) como patológicas (doença arterial coronariana), os 
mecanismos para a sua manutenção não podem falhar, resultando em processos 
isquêmicos. 
Com o avanço da idade, o coração e os vasos sanguíneos apresentam 
alterações morfológicas e teciduais, mesmo na ausência de qualquer doença, sendo 
que, ao conjunto dessas alterações, convencionou-se o nome de “coração senil” ou 
presbicardia. 
 
 
8.2.1 Alterações Morfológicas 
 
 
Em razão da elevada incidência de doenças cardíacas e vasculares no 
idoso, há uma dificuldade de reconhecimento das alterações decorrentes 
especificamente do processo de envelhecimento. 
 
 
8.2.1.1 Pericárdio 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 58 
Na maioria das vezes, as alterações do pericárdio são discretas, em geral 
decorrentes do desgaste progressivo, sob forma de espessamento difuso, 
particularmente nas cavidades esquerdas do coração, sendo comum o aparecimento 
do aumento da taxa de gordura epicárdica, não havendo alterações degenerativas 
ligadas diretamente à idade. 
 
 
8.2.1.2 Endocárdio 
 
 
As alterações encontradas no endocárdio são o espessamento e a 
opacidade, em especial no coração esquerdo, com proliferação das fibras colágenas 
e elásticas, fragmentação e desorganização destas com perda da disposição 
uniforme habitual, em virtude do resultado de hiperplasia irritativa resultante da longa 
turbulência sanguínea. 
 
 
8.2.1.3 Miocárdio 
 
 
As alterações do miocárdio são as mais expressivas, embora em 
determinadas necrópsias, mesmo de indivíduos idosos, não se destacam por sua 
intensidade. No miocárdio há acúmulo de gordura principalmente nos átrios e no 
septo interventricular, mas pode também ocupar as paredes dos ventrículos. Na 
maioria dos casos não apresenta expressão clínica, sendo que em algumas 
situações parece favorecer o aparecimento de arritmias atriais. 
Observa-se tambémmoderada degeneração muscular com substituição das 
células miocárdicas por tecido fibroso, sem correlação com lesões de artérias 
coronárias. Portanto, estas alterações podem ser indistinguíveis das resultantes de 
isquemia crônica. 
O aumento da resistência vascular periférica pode ocasionar uma moderada 
hipertrofia miocárdica concêntrica principalmente da câmara ventricular esquerda. A 
presença de depósitos amiloides está relacionada frequentemente com a maior 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 59 
incidência de insuficiência cardíaca independente da presença ou não de outra 
causa. O depósito amiloide pode ocupar áreas do nódulo sinoatrial e/ou do nódulo 
de Tawara, podendo acarretar complicações de natureza funcional, como arritmias 
atriais, disfunção atrial e até bloqueio atrioventricular. 
 
 
 
FIGURA 11 – CORTE LONGITUDINAL DO CORAÇÃO 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
8.2.2 Alterações das Valvas 
 
 
O tecido valvar, composto predominantemente por colágeno, está sujeito a 
grandes pressões. Com o envelhecimento, observa-se degeneração e 
espessamento dessas estruturas, sendo que, histologicamente, as valvas de quase 
todos os indivíduos idosos apresentam algum grau dessas alterações, mas somente 
uma pequena proporção irá desenvolver anormalidades em grau suficiente para 
desencadear manifestações clínicas. Dentre os processos de degeneração, está a 
calcificação das valvas, mas também com pouca complicação e sintomatologia. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 60 
8.2.3 Alterações do Sistema de Condução ou Específico 
 
 
Processos degenerativos e/ou depósitos de substâncias podem ocorrer 
desde o nódulo sinusal aos ramos do feixe de His. O envelhecimento se acompanha 
de uma acentuada redução das células do nó sinusal, podendo comprometer o nó 
atrioventricular e o feixe de His. A infiltração gordurosa separando o nó sinusal da 
musculatura subjacente contribui para o aparecimento de arritmia sinusal, sendo a 
mais frequente nesta faixa etária a fibrilação atrial. Essas alterações se instalam de 
forma lenta e gradual após os 60 anos e não estão, geralmente, relacionadas à 
doença coronariana, sendo que os distúrbios do ritmo relacionados a esse processo 
variam de arritmias benignas até bloqueios de ramos que evoluem para bloqueios 
atrioventriculares, podendo levar até a crise de Stokes-Adams. 
A crise de Stokes-Adams é um modelo exemplar de síncope por diminuição 
do débito cardíaco. A hipóxia cerebral depende de uma queda do fluxo sanguíneo 
encefálico, apresentando a estes doentes uma alteração da condução 
atrioventricular com pulso lento permanente. O quadro clínico pode se exteriorizar 
apenas por tontura transitória, por síncope e, nos acessos mais prolongados, por 
crise convulsiva. 
 
 
8.2.4 Alterações da Aorta 
 
 
A modificação principal que ocorre, sem considerar a arteriosclerose, seria a 
alteração na textura do tecido elástico e aumento do colágeno. Os processos 
ocorrem na camada média, sob a forma de atrofia, de descontinuidade e de 
desorganização das fibras elásticas, aumento de libras colágenas e eventual 
deposição de cálcio. A formação de fibras colágenas não distensíveis predomina 
sobre as responsáveis pela elasticidade intrínseca que caracteriza a aorta jovem, 
resultando, portanto, em redução da elasticidade, maior rigidez da parede e aumento 
do calibre. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 61 
Normalmente, as implicações clínicas das modificações da parede e do 
diâmetro da aorta são pouco acentuadas e observa-se, ocasionalmente, aumento da 
pressão sistólica e da pressão de pulso, com moderadas repercussões sobre o 
trabalho cardíaco. 
 
 
 
 
8.2.5 Alterações das Artérias Coronárias 
 
 
As alterações das artérias coronárias não são, em geral, expressivas quando 
não é considerada a arteriosclerose vascular podendo ser encontradas, como 
condição habitual de envelhecimento, perdas de tecido elástico e aumento do 
colágeno acumulando-se em trechos proximais das artérias. Eventualmente, ocorre 
depósito de lípides com espessamento da túnica média. É comum a presença de 
vasos epicárdicos tortuosos, ocorrendo mesmo quando não há diminuição dos 
ventrículos. No coração a coronária esquerda altera-se antes da direita. 
Estas alterações são diferentes da arteriosclerose; outra situação discutida 
seria a de artérias coronárias dilatadas, que não encontrou apoio em verificações de 
necropsia antigas. Outra alteração significativa é a calcificação das artérias 
coronárias epicárdicas, observada com frequência em indivíduos muito idosos, muito 
comum nesta população, podendo atingir o tronco coronário e as três grandes 
artérias, ocupando geralmente o terço proximal desses vasos. Em alguns casos, 
podemos ter a amiloidose das artérias coronárias. 
 
 
8.3 SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
 
 
Há uma grande influência do sistema nervoso autônomo sobre o 
desempenho cardiovascular. As consequências funcionais da diminuição da 
influência simpática sobre o coração e vasos do idoso são observadas 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 62 
principalmente durante o exercício; portanto, à medida que o idoso envelhece o 
aumento do débito cardíaco durante o esforço se obtém com o maior uso da lei de 
Frank-Starling, com dilatação cardíaca, aumentando o volume sistólico para 
compensar a resposta atenuada da frequência cardíaca. 
O envelhecimento determina modificações estruturais que levam à 
diminuição da reserva funcional, limitando a performance durante a atividade física, 
bem como reduzindo a capacidade de tolerância em várias situações de grande 
demanda, principalmente nas doenças cardiovasculares. O débito cardíaco pode 
diminuir em repouso, principalmente durante o esforço, tendo uma influência 
importante do envelhecimento por meio de várias determinantes: 
 Diminuição da resposta de elevação de frequência cardíaca ao esforço ou 
outro estímulo. 
 Com o envelhecimento, temos diminuição da complacência do ventrículo 
esquerdo, mesmo na ausência de hipertrofia miocárdica, com retardo no 
relaxamento do ventrículo, com elevação da pressão diastólica desta cavidade, 
levando à disfunção diastólica no idoso, muito comum, e que se deve principalmente 
pela dependência da contração atrial para manter o enchimento ventricular e o 
débito cardíaco. 
 Ocorre diminuição da complacência arterial, com aumento da resistência 
periférica e consequente aumento da pressão sistólica, com aumento da pós-carga 
dificultando a ejeção ventricular em razão das alterações estruturais na vasculatura. 
 Diminuição da resposta cronotrópica e inotrópica às catecolaminas, 
mesmo com a função contrátil do ventrículo esquerdo preservada. 
 Diminuição do consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.) pela redução da 
massa ventricular encontrada no envelhecimento. 
 Diminuição da resposta vascular ao reflexo barorreceptor, com maior 
suscetibilidade do idoso à hipotensão. 
 Presença de diminuição da atividade da renina plasmática, sendo que nos 
hipertensos poderemos encontrar níveis de aldosterona plasmática normais, com 
diminuição da resposta ao peptídeo natriurético atrial, embora a sua concentração 
plasmática esteja aumentada. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 63 
 No idoso, teremos maior prevalência de hipertensão sistólica isolada, 
mais frequente do que a sistodiastólica acima dos setenta anos, estando associada 
a um maior risco de doenças cárdio e cerebrovasculares. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 64 
8.4 SISTEMA RESPIRATÓRIO 
 
 
FIGURA 12 
 
FONTE: Disponível em: < http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/funcionamento-sistema-
respiratorio-552993.shtml> 
Acesso em : 18 Maio de 2012. 
 
 
O aparelho respiratório pode sofrer alterações anatômicas e funcionais, que 
variam de amplitude, porém são inerentes ao processo normal e natural do 
envelhecimento, não devendo ser avaliadas como fator isolado. Vários fatores 
podem afetar a função pulmonar,sendo, frequentemente, agravantes do processo 
de envelhecimento, tais como o tabagismo, poluição ambiental, exposição 
profissional, doenças pregressas pulmonares ou não, diferenças socioeconômicas, 
constitucionais e raciais. 
A frequente associação com outras enfermidades, principalmente as de 
caráter crônico-degenerativas, faz com que os idosos apresentem maior 
comprometimento da função pulmonar. A redução dos parâmetros funcionais do 
idoso sadio, de acordo com vários autores, é da grandeza de aproximadamente 
20%. (CASSOL, 2004). 
 
 
 
http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/funcionamento-sistema-respiratorio-552993.shtml%3e%20%20Acesso
http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/funcionamento-sistema-respiratorio-552993.shtml%3e%20%20Acesso
http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/funcionamento-sistema-respiratorio-552993.shtml%3e%20%20Acesso
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 65 
 
 
 
8.4.1 Alterações Estruturais do Sistema Respiratório 
 
 
Entre as principais alterações fisiológicas do aparelho respiratório destacam-
se: 
 Perda das propriedades de retração elástica do pulmão; 
 Enrijecimento da parede torácica; 
 Diminuição da potência motora e muscular. 
 
Para Freitas et al. (2002), alterações da elasticidade, da complacência e dos 
volumes pulmonares, decorrentes das mudanças do tecido conectivo pulmonar, da 
redução de massa muscular e da acentuação da cifose fisiológica, são descritas 
como fatores limitantes na terceira idade. Esses fatores podem frequentemente 
comprometer a reserva funcional dos idosos, tornando-os sintomáticos. As 
propriedades mecânicas do pulmão do idoso estão fisiologicamente alteradas 
quando comparadas com as do adulto jovem. 
 
 
FIGURA 13 – CURVA DE COMPLACÊNCIA DO PULMÃO 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 66 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
8.4.1.1 Pulmão 
 
 
A maior alteração encontrada no pulmão senil é a diminuição do tamanho da 
via aérea, principalmente associada às alterações do tecido conectivo de suporte. O 
estreitamento de bronquíolos, o aumento dos ductos alveolares e o achatamento 
dos sacos alveolares são resultantes das alterações nas concentrações de elastina 
e colágeno observadas no envelhecimento. 
No interstício pulmonar, as fibras elásticas, o colágeno e a musculatura lisa 
desempenham importante papel na tensão elástica pulmonar, podendo também 
sofrer influências do volume sanguíneo pulmonar e do muco brônquico. No pulmão 
senil, o aumento do volume de ar nos ácinos decorre do aumento do volume de ar 
nos ductos alveolares, levando ao que chamamos de ductectasias, sendo 
considerada uma alteração fisiológica, não constituindo enfisema pulmonar 
propriamente dito. 
A redução do número e da atividade das células mucociliares, do epitélio de 
revestimento brônquico leva a maior dificuldade do clareamento das vias aéreas, 
predispondo a maior incidência de infecção nesse grupo. As alterações anatômicas, 
em combinação com a reorientação das fibras elásticas, podem ocasionar as 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 67 
seguintes alterações fisiológicas na senescência: redução da elasticidade pulmonar, 
aumento da complacência pulmonar, redução da capacidade de difusão de oxigênio, 
fechamento prematuro de vias aéreas, fechamento de pequenas vias aéreas, 
redução dos fluxos expiratórios. 
 
 
 
FIGURA 14 – ALTERAÇÕES DAS VIAS AÉREAS INFERIORES 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
8.4.1.2 Parede torácica 
 
 
O enrijecimento do gradeado costal é a principal alteração fisiológica do 
envelhecimento associado à parede torácica, podendo ser atribuído ao processo de 
osteoporose e osteoartrose senil, caracterizado por descalcificação das costelas e 
vértebras, calcificação das cartilagens condroesternais e alterações nas articulações 
costovertebrais. A complacência total do aparelho respiratório no idoso está reduzida 
à custa, principalmente, do enrijecimento da parede torácica em contraposição aos 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 68 
efeitos da redução da elasticidade pulmonar, ocasionando mudanças no formato do 
pulmão e na dinâmica respiratória. 
 
 
8.4.1.3 Músculos respiratórios 
 
 
No envelhecimento fisiológico ocorre substituição de tecido muscular por 
tecido gorduroso, o que, associado aos elevados índices de inatividade e até 
imobilismo, compete para a redução da massa e da potência da musculatura 
esquelética, acarretando menor capacidade de sustentar o trabalho muscular 
(endurance). A redução da massa e da potência muscular é certamente fator de 
grande importância para o declínio da função pulmonar e que pode ser modificado 
por meio de programas de atividade física, fisioterapia motora e respiratória e 
suplementação nutricional. 
 
 
8.4.1.4 Alterações da função pulmonar 
 
 
As alterações no tamanho da via aérea e da superfície alveolar contribuem 
para a redução do volume pulmonar útil para as trocas gasosas e para o aumento do 
espaço morto. As vias aéreas servem como conduto para gases inspirados e 
expirados (zona de condução), e, com o envelhecimento, tornam-se maiores, 
comprometendo a eficiência das trocas gasosas. O volume de ar inspirado contido 
no espaço morto aumenta de 1/3 para 1/2 do volume corrente em idosos. 
A redução da complacência torácica, o aumento da complacência pulmonar 
e a redução da força dos músculos respiratórios promovem a redução da 
capacidade vital (CV). A capacidade residual funcional (CRF), que corresponde ao 
volume de gás nos pulmões no final da expiração, e o volume residual (VR), que 
corresponde ao volume de gás nos pulmões após expiração forçada, aumentam 
com a idade, enquanto a capacidade pulmonar total (CPT) e o volume corrente (VC) 
pouco se alteram. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 69 
A capacidade vital forçada (CVF) e o volume expiratório forçado no primeiro 
segundo (VEFl) reduzem com a idade, assim como a relação VEFI/CVF (índice de 
Tiffeneau). Tais alterações podem ser atribuídas à redução da pressão de 
recolhimento e consequente fechamento das vias aéreas em grandes volumes 
pulmonares. As desordens respiratórias do sono, a obstrução e apneias são, 
reconhecidamente, distúrbios comuns em idosos, os quais apresentam uma redução 
da qualidade e na estrutura do sono. 
 
 
8.5 SISTEMA DIGESTÓRIO 
 
 
FIGURA 15 
 
FONTE: Disponivel em http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm Acesso em: 
18 de Maio 2012. 
 
 
Para Ribeiro e Marin (2009), com o envelhecimento, o aparelho digestório 
apresenta alterações estruturais, de motilidade e da função secretória que variam 
em intensidade e natureza em cada segmento do mesmo. As consequências 
clínicas dessas alterações são, na maioria dos casos, pouco perceptíveis, mas, em 
seu conjunto, adquirem importância para a compreensão e o manuseio de sintomas 
e para a previsão de alterações na farmacocinética de diversas medicações. 
http://www.auladeanatomia.com/digestorio/sistemadigestorio.htm
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 70 
Com o envelhecimento, a musculatura lisa do esôfago pouco se altera, 
porém ocorre importante e progressiva redução de sua inervação intrínseca. De 
maneira geral, reconhece-se diminuição da pressão de repouso e alterações da 
sincronia e magnitude do relaxamento do esfíncter superior do esôfago (que pode 
causar disfagia alta), aumento da incidência de contrações não peristálticas 
(síncronas e falhas) e manutenção da pressão de repouso do esfíncter inferior do 
esôfago. 
Mesmo em pessoas assintomáticas, implicações clínicas importantes, como 
a necessidade de se administrarem medicamentos, por via oral, na posição 
ortostática, acompanhados de razoável quantidade de líquido. Outra importante 
implicação consiste no fato de que materiais ácidos refluídos do estômago 
permanecem por mais tempo em contato com a mucosa esofágica, com maior 
potencial de lesão. 
A secreção de pepsina quer basal, quer estimulada, também se mostra 
reduzida como envelhecimento. Também tem sido demonstrada redução 
significativa da presença de prostaglandinas na mucosa gástrica, o que aumentaria 
sua susceptibilidade a fatores lesivos. 
O pâncreas sofre importantes alterações estruturais com o envelhecimento. 
O seu peso se reduz de uma média de 60 + ou - 20 gramas menos de 40 gramas na 
nona década de vida. Porém, a reserva funcional pancreática é elevada. Os estudos 
acerca dos efeitos do envelhecimento sobre as alterações estruturais do cólon são, 
da mesma forma que em relação ao delgado, escassos e controversos. 
Três fatos evidentemente idade-relacionados ocorrem, no que se refere ao 
cólon: 
 
- Aumento da prevalência de constipação; 
- Aumento da incidência de neoplasias; 
- Aumento da prevalência de doença diverticular. 
 
Alguns dados explicam parcialmente essas alterações e eles serão aqui 
discutidos. A ocorrência mais frequente de constipação entre os idosos pode ser 
explicada por uma série de fatores extrínsecos ao cólon, como o sedentarismo, a 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 71 
redução na ingestão de fibras e líquidos e alterações hormonais. O tempo de trânsito 
colônico se mostrou aumentado em diversos estudos, mas inalterado em outros. 
Uma possível causa para distúrbios do trânsito seria a redução dos 
neurônios do plexo mioentérico associada ao envelhecimento. No entanto, pouco se 
conhece sobre a regulação do trânsito colônico em idosos e eventuais modificações 
desta em relação a faixas etárias mais jovens. A prevalência de incontinência fecal 
aumenta claramente com o envelhecimento, com consequências pessoais e sociais 
importantes. Diversos mecanismos extrínsecos contribuem para a ocorrência de 
incontinência, como déficit cognitivo, impactação fecal, acidentes vasculares 
cerebrais, neuropatia diabética. 
 
 
8.6 SISTEMA ENDÓCRINO 
 
 
FIGURA 16 
 
 
FONTE: Disponivel em : < http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemaendocrino.php> 
Acesso em : 18 de Maio de 2012. 
 
 
Alterações no sistema endócrino (e imune) associadas à idade levariam à 
deterioração do organismo e ao processo do envelhecimento. A teoria 
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/sistemaendocrino.php
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 72 
neuroendócrina sugere a presença de um marca-passo central que levaria à falência 
do sistema endócrino. Essa teoria se baseia no fato de que muitos indivíduos jovens 
com doenças endócrinas (osteoporose, diminuição da secreção de hormônio de 
crescimento, hipogonadismo) apresentam alterações morfológicas, funcionais e 
bioquímicas (diminuição da massa óssea, diminuição da massa muscular, 
hipertensão arterial) que são encontradas em indivíduos idosos “sem doenças”. 
As secreções hormonais obedecem a um ritmo de 24 horas (maiores ou 
menores) e são influenciadas por fatores endógenos e exógenos. Vários estudos 
demonstram relação entre o ritmo de sono e o ritmo de secreção hormonal (por 
exemplo, secreção de hormônio de crescimento). No exemplo citado, deveríamos 
elucidar totalmente se a insônia do indivíduo idoso pode contribuir para a diminuição 
de secreção de hormônio do crescimento (GH) nesse grupo etário. 
A menopausa é definida como a falência total da função ovariana (produção 
de esteroides e ausência de ovulação), resultando em amenorreia permanente. Uma 
ausência de menstruação por um período de doze meses confirma o diagnóstico em 
mulheres idosas. Portanto, a menopausa é um diagnóstico retrospectivo. 
O climatério é uma terminologia usada para caracterizar as alterações 
fisiológicas e os sintomas que decorrem da transição do período reprodutivo para o 
não reprodutivo da mulher. Outra situação que apresenta relação com a deprivação 
hormonal é a osteoporose, que tem uma correlação fisiopatológica, preventiva e 
terapêutica com os níveis estrogênicos. 
A real incidência de sintomas precoces é muito discutida na literatura e sua 
prevalência em relação a diferentes faixas etárias promove controvérsias. 
Analisando uma população com idades entre 46 a 62 anos, observou-se que os 
sintomas vasomotores foram relatados em 57%, depressão/irritabilidade em 57,1%, 
distúrbios do sono em 52%, sintomas osteomusculares em 57%, perda de libido em 
57% e secura vaginal em 21%. 
Como observado anteriormente, a relação entre esses sintomas e o estado 
de hipoestrogenismo possibilita, nos casos em que não existam contraindicações e 
haja desejo do paciente, que se inicie a terapia de reposição hormonal. A terapia 
hormonal apresenta, de acordo com resultados, 90% de resposta positiva. 
Como no sexo feminino, o homem apresenta, com o envelhecimento, 
alterações hormonais. A suspeita clínica de hipogonadismo deve ser feita quando o 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 73 
indivíduo se apresenta com queixas de alteração de libido, vigor, potência sexual, 
fraqueza muscular e diminuição de massa muscular. Ocasionalmente, no idoso 
podem também vir ondas de calor. A questão é, então, a formulação, a dosagem e a 
monitoração da reposição com testosterona. 
Os resultados de reposição de testosterona em indivíduos idosos são muito 
conflitantes e não existem, no momento, trabalhos publicados referindo-se ao efeito 
em idosos com doenças crônicas. O número de pacientes é pequeno e a terapia é 
curta. Sabe-se que a terapêutica com testosterona tem que ser usada com cautela. 
 
 
 
 
8.7 SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO 
 
 
FIGURA 17 
 
FONTE: Arquivo Pessoal, ano. 
 
 
Segundo Edison Rossi (2008), a atrofia óssea com o envelhecimento não se 
faz de forma homogênea, pois, antes dos 50 anos, perde-se, sobretudo, osso 
trabecular e, após essa idade, principalmente osso cortical. 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 74 
 
FIGURA 18 
 
 
FONTE: Adaptado de Rebelatto, 2007. 
 
 
O envelhecimento cartilaginoso traz consigo um menor poder de agregação 
dos proteoglicanos (complexos de proteínas-mucopolissacarídeos) aliados a uma 
menor resistência mecânica da cartilagem; o colágeno adquire menor hidratação, 
maior resistência à colagenase e maior afinidade pelo cálcio. 
 
 
FIGURA 19 – ETAPAS DA LESÃO DEGENERATIVA DA CARTILAGEM 
ARTICULAR NA OSTEOARTROSE 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 75 
 
FONTE: Adaptado de Rebelatto, 2007. 
 
 
Nos discos intervertebrais, a degeneração aumenta com o envelhecimento. 
A degeneração discal compreende rupturas estruturais grosseiras e alterações na 
composição da matriz; estudos recentes indicam que sobrecargas mecânicas 
moderadas e repetidas, sobretudo nos discos de indivíduos dos 50 aos 70 anos, 
podem ser a causa inicial do processo. Sabe-se que os condrócitos de idosos têm 
menor capacidade de proliferação e capacidade reduzida de formar tecido novo, o 
que explica, em parte, a associação entre idade e osteoartrite. 
Com o envelhecimento, há uma diminuição lenta e progressiva da massa 
muscular, sendo o tecido nobre paulatinamente substituído por colágeno e gordura. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 76 
O número de fibras musculares no velho é aproximadamente 20% menor que no 
adulto, sendo o declínio mais acentuado em fibras do tipo II. 
A sarcopenia contribui para outras alterações idade-associadas, como, por 
exemplo, menor densidade óssea, menor sensibilidade à insulina e menor 
capacidade aeróbica. Uma diminuída massa magra idade-dependente resulta, 
sobretudo da sarcopenia, o que traz consigo menor taxa de metabolismo basal, 
menor força muscular e menores níveis de atividades físicas diárias. 
Com o envelhecimento, diminui a velocidade de condução. Há um aumento 
no balanço postural, diminuição dos reflexos ortostáticos e um aumento do tempo de 
reação. O centro de gravidade das pessoas idosas muda para trás do quadril. 
Aumenta o número de fibras nervosas periféricas, que mostram alterações 
morfológicas (degeneração axonal; desmielinização segmentar). 
O maior estudo sobre dor já conduzido revelou uma redução da dor 
relacionada à idade em todas asIocalizações anatômicas, exceto nas articulações. 
A osteoartrite é, sem dúvida, o distúrbio doloroso mais comum no idoso. A dor 
neuropática, principalmente, a neuralgia do trigêmeo e a pós-herpética ocorrem com 
frequência, enquanto síndromes dolorosas crônicas não malignas comuns aparecem 
com mais frequência do que no adulto. 
 
 
FIGURA 20 – DIFERENÇAS ENTRE ADULTO E IDOSO 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 77 
FONTE: Adaptado de Rebelatto, 2007. 
 
 
8.8 SISTEMA URINÁRIO 
 
 
FIGURA 21 
 
 
FONTE: Disponivel em :< http://educacao.uol.com.br/ciencias/sistema-excretor-rins-filtram-impurezas-
e-as-eliminam-na-urina.jhtm> Acesso em: 18 de Maio de 2012. 
 
 
A partir da quarta década inicia-se o processo de envelhecimento renal, com 
diminuição do seu peso, que pode atingir cerca de 180 gramas, reduzindo a área de 
filtração glomerular e, consequentemente, das suas funções fisiológicas. Por ser 
intensamente vascularizado, o rim recebe aproximadamente 25% do débito cardíaco 
por minuto, que circula principalmente pelo córtex, para o processo de filtração 
glomerular, que é o ponto de partida da ação fisiológica renal, promovendo 
depuração sanguínea de substâncias originárias do metabolismo e manutenção da 
homeostase. 
A partir dos 40 anos todos os vasos renais sofrem progressiva esclerose, 
levando à diminuição da sua luz, com consequentes modificações no fluxo laminar 
do sangue, o que facilita a deposição lipídica na parede vascular, propiciando a 
http://educacao.uol.com.br/ciencias/sistema-excretor-rins-filtram-impurezas-e-as-eliminam-na-urina.jhtm
http://educacao.uol.com.br/ciencias/sistema-excretor-rins-filtram-impurezas-e-as-eliminam-na-urina.jhtm
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 78 
substituição e células musculares por depósitos de colágeno, o que leva à 
diminuição da sua elasticidade. 
O número de glomérulos mantém-se constante até a quarta década, quando 
se inicia o processo de envelhecimento renal, havendo uma progressiva redução 
dessas estruturas, atingindo na sétima década cerca de um terço do número de 
glomérulos iniciais. A principal consequência dessas alterações é a diminuição da 
área de filtração e da permeabilidade glomerulares, proporcionando, dessa forma, a 
diminuição do ritmo de filtração. 
Em decorrência das modificações estruturais observadas com o 
envelhecimento renal, teremos algumas modificações funcionais, as quais podem 
ser atribuídas ao denominado envelhecimento bem-sucedido, já que, apesar dessas 
perdas, são preservadas as funções de equilíbrio do meio interno, que é mantido 
dentro dos níveis de normalidade fisiológica, bem como as excretoras e endócrinas 
do rim. 
Desse equilíbrio resulta a preservação do metabolismo celular. Como citado 
anteriormente, as modificações funcionais são diretamente proporcionais à redução 
das medidas renais. No entanto, trabalhos longitudinais, como o estudo de Bronx, 
revelaram que essas perdas do envelhecimento não são homogêneas, classificando 
os idosos em três categorias: redução da filtração glomerular acentuada, 
intermediária e sem comprometimento. 
 
 
8.8.1 Envelhecimento da Bexiga 
 
 
 Aspectos do envelhecimento diferenciado entre os sexos: 
A origem embriológica comum da bexiga, uretra, ureter e trato genital 
respondem, na mulher, ao estímulo estrogênico, cujo declínio de produção com que 
acompanha o climatério pode trazer consequências na sua fisiologia, participando 
como facilitador do aparecimento, por exemplo, de infecções urinárias. 
Nos homens, associados aos processos degenerativos próprios, a bexiga 
está vulnerável, principalmente, ao aumento prostático e consequente acentuação 
do prejuízo aos processos primários do seu envelhecimento. 
 
 
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 79 
 
 
8.9 ENVELHECIMENTO CUTÂNEO 
 
 
FIGURA 22 
 
FONTE: Cobbis,. 
 
 
As alterações macroscópicas são: a pele torna-se lisa, fina, com a aparência 
de um papel, há palidez, diminuição da extensibilidade e elasticidade. O panículo 
adiposo pode estar reduzido em certas regiões: face, nádegas, mãos e pés. Os 
pelos são mais finos, rarefeitos, quebradiços e menos numerosos na cabeça, axila, 
púbis e membros, principalmente, nas pernas. 
Os cabelos brancos são explicados pela diminuição progressiva dos 
melanócitos dos folículos pilosos. As unhas se tornam mais frágeis, quebradiças, 
finas ou espessadas, com diminuição do brilho tornam-se opacas e apresentam 
estriações longitudinais, chegando, às vezes, a fissurar. A densidade do colágeno 
diminui significativamente. As fibras elásticas praticamente desaparecem a partir dos 
30 anos de idade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 80 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO III 
IA E GERONTOLOGIA 
FISIOTERAPIA APLGERONTO 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 79 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
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 80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
FISIOTERAPIA APLICADA À 
GERIATRIA E GERONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
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 81 
 
MÓDULO IV 
 
 
9 PATOLOGIAS E TRATAMENTO FISIOTERÁPICO 
 
 
9.1 IDOSOS PORTADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS 
 
 
FIGURA 23 
 
FONTE: Cobbis, ano. 
 
A artrite reumatoide e a osteoartrose estão entre as doenças reumáticas 
articulares mais prevalentes na população que sofre de acometimentos crônicos, 
sendo comum em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, e em 
desenvolvimento, como o Brasil. De forma geral, as patologias reumáticas 
(musculares e ósseas) nos idosos acarretam comprometimento da função, 
diminuição do nível de dependência do paciente, diminuição da destreza para os 
movimentos, prejuízos na marcha e quedas recorrentes. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 82 
9.1.1 Osteoartrose 
 
FIGURA 24 
 
FONTE: Cobbis, ano. 
 
 
A osteoartrose (OA) pode ser definida como o quadro clínico articular 
consequente às alterações bioquímicas, moleculares e histológicas que ocorrem na 
cartilagem articular e no osso subcondral quando, por diversos fatores, há uma falha 
dos condrócitos em sintetizar qualitativa ou quantitativamente a matriz extracelular. 
Em estágio inicial, trata-se de uma degeneração não inflamatória e sua 
evolução leva à formação de osso subcondral novo na superfície articular e nas 
margens articulares. O desenvolvimento da degeneração articular primária é 
fortemente relacionado com o envelhecimento. 
As articulações mais acometidas são as relacionadas com o suporte do peso 
corporal, como o joelho, a articulação intervertebral, o disco e a articulação 
coxofemoral, e as pequenas interfalangianas proximal e distal no membro superior. 
De forma geral, após os 30 e 35 anos, 50% das pessoas apresentarão alterações 
articulares degenerativas que predispõem à OA e, após a quinta década, 
praticamente essas mudanças estarão presentes em toda a população, sendo que 
as mulheres apresentam esses sinais mais precocemente que os homens. 
Giorgi (2001) afirma que a prevalência aumenta com a idade: é pouco 
notada antes dos 40 anos, mais frequente após os 70 e aos 75 anos ou mais, 
aproximadamente 85% dos indivíduos têm evidência da enfermidade. A perda da 
cartilagem determina modificações secundárias também nos ligamentos, nas 
cápsulas e nos músculos responsáveis pelos movimentos da articulação acometida. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 83 
Com a progressãode o processo inflamatório articular, os ligamentos e a cápsula 
tornam-se contraturados, e os músculos tornam-se fracos pelos repetidos períodos 
de desuso, contribuindo para rigidez e enfraquecimento associado à osteoartrose. 
Na fase inicial da doença, os pacientes experimentam dor articular localizada 
que piora com a atividade e diminui com o repouso, enquanto na fase avançada, 
nem mesmo o repouso é capaz de aliviar os sintomas dolorosos. O diagnóstico da 
OA deve ser acompanhado da história do paciente, relatado de sintomas, sinais 
clínicos, exames laboratoriais e achados radiológicos. 
 
 
9.1.2 Tratamento Fisioterápico 
 
 
Uma vez que a OA é uma doença com características fisiopatológicas 
irreversíveis, especialmente em estágios avançados, e com progresso incapacitante, 
a fisioterapia é sempre uma medida conservadora no acompanhamento dos 
pacientes com essa doença. De forma geral, os objetivos do tratamento fisioterápico 
na OA são direcionados para: 
 
 Redução ou alívio da dor e rigidez articulares; 
 Redução da sensação parestésica; 
 Aumento da funcionalidade; 
 Manutenção e aumento da força muscular; 
 Aumento da estabilidade articular; 
 Proteção articular; 
 Aumento da propriocepção e sensação cinestésica. 
 
O fisioterapeuta deve orientar o paciente sobre: 
 O controle do peso corporal e sua implicação na progressão das lesões 
articulares; 
 Mostrar as vantagens da prática de atividade física orientada; 
 Recomendar e treinar o uso de órteses para reduzir a descarga de peso; 
 Promover a melhora do alinhamento articular; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 84 
 Reduzir as instabilidades articulares do paciente. 
 
Além do potencial de recuperação da cartilagem articular, como discutido no 
início deste capítulo, os exercícios exercem papel importante na recuperação de 
hipotonia ou atrofia muscular. Estudos de revisão mostram efeitos benéficos da 
cinesioterapia na reabilitação da atrofia muscular de pacientes com artrose de joelho 
e quadril. 
Um programa típico para combater a atrofia muscular, causada 
indiretamente pela artrose do joelho, por exemplo, envolveria inicialmente exercícios 
isométricos para a musculatura da coxa, como as séries de levantamento da perna 
estendida (straigth leg raise - SLR), seguidos por isotônicos conforme a evolução 
dos sinais inflamatórios, se presentes, e os sintomas. 
Alongamentos de quadríceps e de isquiotibiais, frequentemente encurtados 
em paciente com histórias de longa duração, são fundamentais para o 
funcionamento normal da articulação do joelho. Na reabilitação de pacientes 
portadores das patologias reumáticas do tecido muscular, em que a queixa principal 
é a dor muscular ou a poliartralgia, a TENS (Transcutaneous Electrical Neurologic 
Stimulation) é conhecida por promover alívio de dor nas atividades funcionais. 
 
 
FIGURA 25 
 
FONTE: Disponível em: <www.usp.br>. Acesso em: dia/mês/ano. 
 
 
Diferentes tipos de inserções de eletrodo podem ser utilizados dependendo 
da região dolorosa. No caso das dores musculares mais abrangentes, como aquela 
destinada ao alívio da dor na musculatura proximal das cinturas escapular e pélvica 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 85 
causadas pela polimiosite, às inserções sobre o ponto doloroso ou com eletrodos 
cruzados são as mais indicadas. 
 
 
9.2 OSTEOPOROSE 
 
FIGURA 26 
 
 
FONTE: Clinicaq, ano. 
 
 
Estima-se que em cerca de um terço de todas as mulheres na pós-
menopausa, a diminuição da massa óssea atinja rapidamente os níveis do limiar de 
fratura. É notado que, em razão de sua natureza insidiosa, da falta de sintomas 
clínicos antes de ocorrer fraturas e da ausência de marcadores clínicos e 
laboratoriais específicos, o diagnóstico dessa doença é realmente impossível sem o 
auxílio das técnicas desenvolvidas nas últimas duas décadas. O desafio é, portanto, 
identificar precocemente as mulheres pertencentes a esse grupo de alto risco. 
A prevenção é a melhor forma de se evitar a instalação e as complicações 
da osteoporose, e inclui: 
 
 A identificação de fatores de risco que levam ao desenvolvimento dessa 
doença; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 86 
 O diagnóstico precoce do enfraquecimento dos ossos, medindo-se a 
densidade óssea. 
 
A densitometria óssea revolucionou, nos últimos 20 anos, a investigação 
diagnóstica da massa óssea. Trata-se de um método sensível e preciso. O baixo 
erro de precisão aliado à alta sensibilidade faz com que a densitometria seja útil 
tanto no diagnóstico como no acompanhamento da evolução do paciente com 
osteoporose. O osso trabecular é o tipo mais vulnerável à osteoporose. 
As mulheres têm um risco quatro vezes maior de desenvolver osteoporose 
que os homens, basicamente em função da diminuição de hormônios sexuais 
femininos após a menopausa. 
 
 
9.2.1 Sintomas 
 
A osteoporose é uma doença silenciosa e progressiva, tendo como primeiro 
sinal, em geral, a ocorrência de fraturas, quando a doença já está instalada. As 
primeiras fraturas ocorrem de modo espontâneo nas vértebras, sem necessidade de 
uma ação traumática. 
O peso do tronco é suficiente para que os corpos vertebrais “desabem” 
progressivamente, resultando em deformidade dos mesmos, o que vai conferir à 
coluna vertebral a curvatura característica que tantas pessoas idosas apresentam. A 
estatura dessas pessoas vai sendo reduzida, podendo chegar a dez ou mais 
centímetros de perda. 
As fraturas mais comuns ocorrem no fêmur, no punho e no úmero (ossos 
com grande porcentagem de osso esponjoso). As dores, principalmente as na 
coluna, surgem depois da ocorrência das fraturas vertebrais, causando pinçamento 
dos nervos e acarretando dores no peito, nos braços e nas pernas. 
Algumas medidas práticas podem ser tomadas, tais como: 
 Retirar tapetes soltos da casa; 
 Usar corrimão ao subir ou descer escadas; 
 Manter claridade no trajeto do quarto para o banheiro; 
 Habituar-se a manter um copo d'água na mesa de cabeceira; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 87 
 Usar tapete antiderrapante no banheiro; 
 Usar sapato de salto baixo; 
 Evitar curvar-se ou carregar peso. 
 
Muito do que se atribui ao envelhecimento natural ou às suas patologias 
pode ser dependente, em essência, da imobilidade a que o próprio ser humano se 
condenou durante esse longo e importante período de vida. 
 
 
9.2.2 Tratamento Fisioterápico 
 
 
O exercício apresenta papel fundamental na manutenção e na possibilidade 
de aumentar o pico de massa óssea e, teoricamente, deve ser iniciado 
precocemente na vida de um indivíduo a fim de minimizar as chances de 
aparecimento da osteoporose. 
O nível de exercício deve ser mantido já que os benefícios são perdidos com 
a descontinuidade do programa. Para minimizar os riscos do desenvolvimento de 
lesões musculoesqueléticas por traumas repetitivos, a educação objetivando o uso 
apropriado do equipamento de exercício e a observação dos sinais de alerta às 
lesões por over use são essenciais. Exercitar seus pacientes excessivamente tem 
efeito deletério. 
O prazer de fazer alguma atividade é fundamental, em especial nos 
pacientes idosos. Uma vez escolhida, verifique se há necessidade de supervisão 
prévia e durante a realização da atividade. 
Alguns cuidados adicionais, porém, podem e devem ser levados em conta 
independente das situações: 
 Os calçados devem ser macios, leves e com sola antiderrapante. Uma 
queda pode trazer sérias consequências. Incentive seu paciente a não se acanhar 
em usar tênis, mesmo que ele nunca tenha usado antes. 
 Roupas leves e que permitem boa ventilação são próprias para o clima 
quente. No frio, recomende abrigos confortáveis, que não limitem os movimentos. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 88 
 O piso deve ser regular e um pouco áspero para evitar tropeços ou 
escorregões. Quando for incluído exercício de solo, utilize toalha ou colchonete. 
 A iluminação deve ser suficientepara o paciente perceber o piso, o 
instrutor e os companheiros. 
 A ventilação deve ser adequada para manter o ambiente agradável. Evite 
o contraste abrupto de temperaturas. 
 A descontração é fundamental para que todos os movimentos possam ser 
realizados no limite das possibilidades físicas do seu paciente, sem que haja uma 
censura. O movimento pode e deve ser utilizado não apenas para a locomoção, mas 
também como forma de prazer. 
 
O terapeuta deve ter um papel na prevenção de complicações mais sérias 
associadas à osteoporose, em geral, as fraturas. O programa de reabilitação 
destinado a aumentar a flexibilidade, o equilíbrio e o fortalecimento deve ajudar a 
prevenir quedas. 
Escolher a órtese mais adequada para o auxílio da marcha ensinando seu 
paciente a usá-Ia e também os cuidados apropriados para evitar lesões é papel do 
fisioterapeuta. Educar o paciente e a família com respeito aos riscos ambulatoriais e 
domiciliares, tais como escadas sem corrimão e sapatos de salto, também é muito 
importante. 
As intervenções medicamentosas para prevenção ou tratamento da 
osteoporose também têm implicações para o terapeuta. Por exemplo, a 
administração de estrógenos está associada ao aparecimento de êmbolos 
sanguíneos, acidente vascular cerebral, aumento da pressão arterial, súbitas 
alterações de coordenação, visão, respiração, entre outros. Entretanto, a terapia de 
reposição hormonal pode ser importante para o tratamento da perda da massa 
óssea. 
O objetivo da fisioterapia na osteoporose não é favorecer a aquisição de 
massa óssea e sim promover: 
• Melhora da força muscular; 
• Equilíbrio; 
• Condicionamento físico; 
• Coordenação; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 89 
• Amplitude de movimento; 
• Diminuição da dor. 
 
Devemos salientar sempre a prevenção de quedas e consequentemente o 
risco de fraturas. 
Os exercícios que podem ser realizados por indivíduos osteoporóticos são: 
• Caminhadas por 50 minutos, cinco vezes na semana; 
• Atividades para equilíbrio e coordenação; 
• Exercícios que envolvam situação de peso; 
• Atividades que envolvam a extensão da coluna. 
 
Alguns exercícios devem ser evitados como: 
• Aeróbica de alto impacto; 
• Corrida; 
• Salto. 
 
Esses exercícios devem ser evitados por aumentarem o risco de fraturas 
vertebrais por causa da fragilidade das vértebras e flexão da coluna. Ao realizar esta 
atividade, o paciente com osteoporose pode aumentar as forças de compressão na 
coluna e aumentar o risco de colapsos vertebrais. 
Devem ser evitadas as atividades que envolvam risco de quedas como: step, 
caminhada em terrenos irregulares, etc. Movimentos resistidos de fechamento e 
abertura de quadril também devem ser evitados, pois aumentam a chance de 
fraturas proximais do fêmur. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 90 
9.3 SARCOPENIA 
 
 
FIGURA 27 
 
 
FONTE: Adam, ano. 
 
 
A sarcopenia nos idosos está associada a mudanças intrínsecas do tecido 
muscular caracterizadas por perda da massa muscular, da força e da qualidade de 
contração em esforço máximo. Essas alterações são causadas pela perda das 
proteínas musculares, pelas mudanças na proporção de tipos de fibras musculares, 
pela inervação, pela resistência à fadiga e pelo metabolismo para obtenção de 
energia. 
Com a diminuição da força e da potência muscular, declina também a 
habilidade de desenvolvimento de toques rápidos nas articulações, necessária para 
atividades rápidas que necessitam de força moderada, tais como recuperar o 
equilíbrio. As fraturas são também causas de piora no quadro de imobilização dos 
idosos. Próteses, principalmente de quadril por fratura fisiológica por osteoporose, 
são muito representativas nos idosos. 
Os exercícios preventivos deverão privilegiar os locais de maior risco de 
fraturas, tais como o quadril, a coluna e os punhos. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 91 
 
9.3.1 Tratamento Fisioterápico 
 
 
Ao programar o atendimento dos pacientes, é necessário avaliar se são 
portadores de osteoporose leve, moderada ou grave, se têm dores ou se 
apresentam fraturas. Pacientes portadores de osteopenia, constatada pelo exame 
de densitometria óssea, devem ser encorajados à prática de exercícios livres, 
musculação, modalidades esportivas, dança e exercícios posturais. 
A hidroterapia é uma alternativa válida para os idosos portadores de 
osteoporose, especialmente quando associada à osteoartrite. Exercícios de 
fortalecimento da musculatura extensora da coluna devem ser incentivados, assim 
como o alongamento dos músculos peitorais e os exercícios abdominais são 
importantes para a prevenção das deformidades. A postura defeituosa pode causar 
dor. 
Como a dor crônica desencadeia posturas antiálgicas, estabelece-se um 
círculo vicioso que deve ser avaliado e abordado adequadamente pelos 
fisioterapeutas. Pacientes com osteoporose moderada e grave devem ser atendidos 
individualmente, observando-se a presença de dores, fraturas instáveis e outras 
complicações. 
A fisioterapia dispõe de recursos eletroterápicos para o tratamento de 
processos dolorosos, tais como a eletroestimulação transcutânea (TENS), que 
podem proporcionar grande alívio nesses ou em outros casos. Para todos os 
pacientes portadores de osteoporose, a orientação e educação são fatores 
importantes da conduta fisioterapêutica. 
Evitar posturas em flexão; manter a coluna alinhada quando sentado, 
deitado e de pé; pegar objetos no chão, com os quadris e os joelhos flexionados; e 
evitar exercícios em posturas de flexão são providências úteis, que devem ser 
aconselhadas a portadores de osteoporose. 
Como demonstrado pela literatura, a não observância dessas orientações 
aumenta a incidência de fraturas vertebrais em pacientes portadores de 
osteoporose. A fratura do colo do fêmur é uma das complicações mais comuns da 
osteoporose. Nesses casos, o procedimento cirúrgico consiste em osteossínteses e 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 92 
artroplastias parciais e totais, utilizadas em casos de fraturas muito instáveis ou em 
pacientes que já apresentam processos degenerativos da articulação do quadril. 
A abordagem da fisioterapia irá depender do tipo de fratura, do tratamento 
cirúrgico realizado e das características individuais do idoso que será submetido ao 
tratamento. Porém, alguns procedimentos são comuns e de grande importância na 
prevenção das complicações no pós-operatório imediato. A manutenção de uma boa 
ventilação pulmonar e a cinesioterapia de bombeamento vascular para a prevenção 
de tromboembolismos são condutas prioritárias com o idoso acamado. 
Na fase em que o paciente se encontra no leito, o incentivo às mudanças de 
decúbito e a proteção das áreas com proeminências ósseas (escápulas, trocânteres, 
calcâneos e região sacral) e de pouco tecido muscular são importantes para a 
prevenção de úlceras de pressão. 
Orientações devem ser feitas quanto ao posicionamento adequado do 
membro operado e às mudanças de decúbito e transferências do paciente para as 
cadeiras. A manutenção de um alinhamento articular contribuirá para o sucesso do 
procedimento cirúrgico e para prevenir deformidades futuras. Um trabalho 
cinesioterápico isométrico objetivando a manutenção do trofismo e da força 
muscular dos extensores e abdutores, bem como o fortalecimento geral da 
musculatura, permitirá uso de auxílios para a marcha e deambulação o mais rápido 
possível. 
Assentar o paciente o mais precocemente, em cadeiras com alturas 
adequadas, orientar o mesmo para a utilização de adaptadores mais altos em 
assentos sanitários e a realização de atividades funcionais de maneira adequada 
são condutas simples, mas de grande importância para a prevenção de 
complicações. 
O treino de marcha deverá ser feito dentro da individualidade do paciente. 
Na medida do necessário, devem ser usadas desde barras paralelas até a bengala 
convencional, passando por andadorese bengalas canadenses. É importante 
lembrar que o fortalecimento muscular geral e o treino respiratório e cardiovascular 
prévios contribuirão para uma marcha mais adequada, sem alterações do 
movimento ou desvios posturais compensatórios, ajudando, dessa maneira, a 
recuperar o desempenho funcional do paciente, similar àquele anterior à fratura. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 93 
A função do membro deverá ser preservada, mesmo nos casos em que não 
exista a possibilidade de deambulação. É frequente a instalação de um quadro de 
imobilidade e medo na impossibilidade da deambulação precoce, ocasionando um 
decréscimo no desempenho funcional, que pode conduzir a complicações e à 
dependência. 
Nesses casos, um círculo vicioso é instalado, denominado síndrome de 
imobilidade (imobilidade - declínio funcional geral, com descondicionamento, 
complicações cardiorrespiratórias, enfraquecimento muscular e prejuízo da 
coordenação motora e do equilíbrio - imobilidade). 
A síndrome de imobilidade é, então, definida como o desequilíbrio da relação 
normal entre o repouso e a atividade física, ocorrendo por um tempo prolongado, 
causando alterações fisiológicas e bioquímicas em praticamente todos os órgãos. 
Suas consequências podem levar a uma incapacidade maior do que a causada pela 
enfermidade inicial e seus comprometimentos irão depender da gravidade da 
doença, da duração do repouso no leito, da idade do paciente e da sua prévia 
capacidade física e funcional. 
Diversos problemas, doenças e complicações podem levar o idoso ao leito. 
Devemos pesquisar aquelas que são mais comuns e passíveis de intervenção 
terapêutica. Os déficits sensoriais, como: o prejuízo da visão; o medo de quedas; a 
inadequação ambiental; a falta de motivação; a superproteção familiar ou dos 
cuidadores; e, ainda, os quadros psiquiátricos, como depressão, ansiedade e 
angústia, são fatores que podem contribuir para o desenvolvimento dessa síndrome. 
O repouso no leito é uma indicação clínica de grande valia e deve ser 
utilizado em casos agudos de infecções, em períodos pós-operatórios e para o 
restabelecimento de quadros traumáticos e inflamatórios. Entretanto, essa indicação 
deve ser bem criteriosa, para que os efeitos negativos de uma imobilização 
prolongada não se sobreponham aos seus benefícios. 
A intervenção precoce da fisioterapia irá evitar a instalação desse círculo 
vicioso e de suas comorbidades. Melhor para a saúde e bem-estar do idoso é a 
prevenção, tanto a que ajuda a impedir doenças, fraturas, quedas, imobilidade e 
incapacidade, quanto a que diminui a chance de sua ocorrência durante um eventual 
tratamento. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 94 
9.4 DISFUNÇÕES NEUROLÓGICAS 
 
 
Autores como Jackson (2000) consideram que as demências constituirão um 
problema de saúde pública crescente nos próximos 30 anos. Essa estatística 
relaciona-se com o aumento da expectativa de vida, presumindo-se que não haja 
cura ou meios de prevenir suas causas comuns. Assim, as alterações 
comportamentais e mentais tornam-se frequentes no idoso. 
 
 
9.4.1 Demências 
 
 
Como algumas doenças, as demências avançam lentamente, a sua 
detecção precoce é difícil porque a pessoa mantém as habilidades sociais e a 
capacidade de compensar quaisquer déficits. Nos Estados Unidos, apenas se 
estima a prevalência da demência por causa da falta de uma base de dados sólida e 
dos problemas com o diagnóstico correto. 
Fundamentando-se em estudos europeus, a prevalência da demência é de 
10 a 20% entre os idosos, dependendo da amostra e dos critérios de definição da 
demência que foram utilizados. Embora os dados publicados para os Estados 
Unidos sejam mínimos, estima-se que aproximadamente 15% da população acima 
de 65 anos de idade apresentem comprometimento cognitivo. O risco de 
deterioração aumenta com o avançar da idade, variando de três porcento para 
aqueles entre 65 e 74 anos de idade; 18,7% para aqueles entre 75 e 84 anos de 
idade e mais de 47% para aqueles com 85 anos de idade ou mais. 
Estima-se que a prevalência nos residentes em casas geriátricas com mais 
de 65 anos de idade é tão elevada quanto 50%. Dos idosos com um transtorno 
mental orgânico, calcula-se que de 10 a 20% apresentam condições reversíveis ou 
parcialmente reversíveis. 
Descreve-se a demência como um grupo de transtornos caracterizados pelo 
desenvolvimento de múltiplos déficits cognitivos. Os fatores contribuintes podem ser 
os efeitos psicológicos de uma condição clínica ou os efeitos de uma substância. O 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 95 
aspecto essencial da demência é o comprometimento da memória de curto e longo 
prazo, associado a uma diminuição no raciocínio abstrato, julgamento e outros 
distúrbios da função cortical superior. 
Esses fatores devem ser suficientemente graves para interferir de modo 
significativo no trabalho, nas atividades sociais ou no relacionamento com os outros. 
A memória é o aspecto mais clássico, com a retenção da capacidade de 
empreender novas tarefas, mostrando maior declínio que a lembrança de temas 
remotos. 
À medida que o caso progride, pode ser afetada a memória recente e 
remota, com a pessoa alcançando o estágio em que o reconhecimento de pessoas 
familiares se torna comprometido. A desorientação pode passar despercebida no 
início, porque o indivíduo tentará compensar a perda. O raciocínio desorganizado 
torna-se aparente com a incapacidade da pessoa de seguir as orientações ou de 
tolerar as alterações na rotina. 
 
 
9.4.1.1 Tratamento fisioterápico 
 
 
Apesar de ser uma doença progressiva, a fisioterapia objetiva retardar o seu 
curso, preservando, ao máximo possível, as funções motoras. É importante orientar 
a família para que a estimulação das capacidades cognitivas remanescentes 
preserve as funções intelectuais pelo maior tempo possível. 
Usar sinais para a identificação de quartos e banheiros; fornecer orientação 
temporal, por meio de relógios e calendários visíveis; fornecer orientação espacial, 
mantendo uma lâmpada acesa durante a noite, não alterando a disposição dos 
móveis da casa, nem mexendo na rotina do paciente. 
Essas providências ajudam a controlar a ansiedade e a compensar os 
déficits cognitivos. A avaliação fisioterapêutica dependerá do comprometimento do 
paciente. Nas fases iniciais poderão ser avaliados todos os itens, tais como a 
amplitude articular, a força muscular, alterações posturais e capacidade respiratória. 
Entretanto, os itens relacionados à psicomotricidade deverão ser observados com 
maior cautela e prudência. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 96 
Coordenação, equilíbrio, lateralidade, marcha, autopercepção, imagem 
corporal e funções da vida diária devem ser valorizados. Nas fases mais tardias, em 
que o comprometimento é maior, às vezes, só é possível avaliar a mobilidade por 
meio de movimentos passivos; a avaliação pulmonar torna-se mais crítica, assim 
como histórico do paciente junto à família. 
Em qualquer fase, obter informações sobre a vida pregressa, como 
passatempos, onde nasceram, se têm filhos e netos, com o que trabalham e qual a 
formação escolar, é útil para estabelecer vínculo com o paciente e com sua família. 
O tratamento fisioterápico dependerá das necessidades do paciente, mas a 
criatividade do fisioterapeuta na escolha das atividades é muito importante. A 
cinesioterapia pode ser utilizada para manter ou melhorar a amplitude e a força 
muscular. Nas fases iniciais, um programa de alongamento, exercícios com carga e 
exercícios aeróbicos são necessários para prevenção de problemas 
osteomusculares e cardiovasculares. 
Um programa com exercícios respiratórios também é necessário para a 
manutenção da capacidade pulmonar. A psicomotricidade deverá ser estimulada 
com maior ênfase à lateralidade, à autoimagem, à percepção corporal, à 
coordenação e ao equilíbrio. 
Os recursos da massoterapia e da ginástica holística, com uso debolas, 
bastões e escovas, podem contribuir positivamente. Jogos e músicas são excelentes 
recursos que estimulam a concentração, os movimentos e os reflexos. Os recursos 
lúdicos facilitam a participação do paciente, mas o fisioterapeuta deverá posicionar-
se na sua frente, usar comando de voz, orientar todas as fases dos movimentos e, 
se necessário, executar junto com ele. 
A orientação quanto ao tempo e espaço e a estimulação da memória e do 
raciocínio complementam a terapia. Pode-se, por exemplo, nomear os exercícios 
para tentar pedi-los pelo nome ao paciente. Alterações de humor e agressividade 
podem ser sinais de fadiga ou dor. 
O profissional deverá estar atento e sensível para captar as alterações que o 
paciente possa apresentar durante a terapia. Nas fases iniciais, trabalhar com 
grupos pode ser uma alternativa interessante para o trabalho fisioterápico, uma vez 
que o contato com outras pessoas pode estimular a participação do paciente. Com a 
evolução da doença, no entanto, pode ser necessário um tratamento individualizado, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 97 
e, algumas vezes, o atendimento domiciliar pode ser a única alternativa em razão 
das limitações. 
 
 
9.4.2 Doença de Alzheimer 
 
 
A DA contribui com 60% dos casos de demência. Os episódios geralmente 
são herdados e caracterizados pelo início precoce, com sintomas iniciando em torno 
de 50 anos de idade. A complementação do diagnóstico só se fará mediante 
autópsia após a morte. Nos estágios finais apresentam apatia, dificuldade de 
linguagem, depressão e completa falta de conhecimento dos familiares. 
 
 
FIGURA 28 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 
 
 
 
9.4.3 Delirium 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 98 
A palavra “delirium” deriva do latim delirare, que literalmente significa “fora 
dos trilhos”; em sentido figurado, quer designar “estar perturbado, desorientado”. É 
uma manifestação neuropsiquiátrica de doença orgânica, que acomete 
principalmente pacientes idosos, especialmente hospitalizados. 
É definido como uma “Síndrome cerebral orgânica sem etiologia específica”, 
caracterizada pela presença simultânea de perturbações da consciência e atenção, 
da percepção, do pensamento, da memória, do comportamento psicomotor, das 
emoções e do ritmo sono-vigília. A duração é variável e a gravidade varia de formas 
leves a muito graves. 
Qualquer condição que comprometa a função cerebral pode causar delirium. 
Entre as causas clínicas em idosos destacam-se os processos infecciosos, 
particularmente pneumonia e infecção do trato urinário, afecções cardiovasculares, 
cerebrovasculares, pulmonares que causam hipóxia, e distúrbios metabólicos. 
Vários grupos de fármacos também podem contribuir para o delirium, 
condições cirúrgicas também podem ser fatores etiológicos, bem como fatores 
psicossociais como estresse psicológico de hospitalização e ambiente não familiar. 
O principal diagnóstico diferencial é com a demência. A história é fundamental, pois 
informações sobre início agudo e curso flutuante dos sintomas. 
A depressão pode lembrar mais sintomas de delirium hipoativo, com 
comportamento apático, linguagem lentificada e distúrbios do sono, mas de maneira 
gradual (depressão). O tratamento envolve a correção da sua causa. 
 
TABELA 1 – CARACTERÍSTICAS DA DEPRESSÃO E DEMÊNCIA 
CARACTERÍSTICAS Depressão Demência 
PROGRESSÃO Rápida Lenta 
ATENDIMENTO MÉDICO Mais precoce Mas tarde 
VALOR QUEIXA Detalhada Ausente 
O QUE É VALORIZADO Fracassos Sucessos 
ESFORÇO E DISPOSIÇÃO Pouco Mantido 
SOCIABILIDADE Perdida Mantida 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 99 
PIORA MANHÃ TARDE 
INÍCIO PRECISO INDETERMINADO 
FONTE: Guccione, 2002. 
 
 
 
9.4.4 Depressão no Idoso 
 
 
Situações psicossociais tradicionalmente ligadas ao envelhecimento, como 
pobreza, viuvez, institucionalização e solidão, são relatadas como fatores de risco 
para o desenvolvimento de sintomas depressivos. No seu processo de 
envelhecimento, os indivíduos se defrontam com fortes mudanças no seu papel 
social, destacando-se, entre essas, a ocasionada pela aposentadoria. 
Tem-se observado que a maioria das pessoas aposenta-se sem preparar-se 
devidamente, sem um projeto definido, o que, frequentemente Ieva à diminuição da 
autoestima, do ritmo das atividades e do interesse pelo cotidiano. As perdas, 
especialmente a morte do cônjuge, de filhos ou de amigos próximos, muitas vezes, 
atuam como fatores desencadeantes de sintomas e transtornos depressivos ou de 
ansiedade. 
 
 
9.4.5 Acidente Vascular Encefálico (AVE) 
 
 
FIGURA 29 
 
FONTE: Gettyimagem. Disponível em: <www.gettyimages.pt/Brasil>. Acesso em: 06/10/2011. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 100 
Pode ser definido como qualquer alteração na qual uma área cerebral é, 
transitória ou definitivamente, afetada por isquemias ou sangramentos decorrentes 
de processos patológicos nos vasos cerebrais. Inicialmente os déficits neurológicos 
observados refletem a lesão decorrente da extensão do núcleo (região de necrose 
neuronal) e da zona de penumbra (região peri-infarto), caracterizada por neurônios 
em mínima atividade. 
9.4.6 Doença de Parkinson (DP) 
 
 
FIGURA 30 
 
FONTE: Arquivo Pessoal, ano. 
 
 
Está compreendida dentro da síndrome parkinsoniana, que pode apresentar 
diversas etiologias; porém a prevalência da doença de Parkinson, de origem 
idiopática, aumenta em cerca de 10 vezes na população acima de 60 anos. Essa 
doença caracteriza-se pela destruição de neurônios dopaminérgicos localizados na 
substância negra, provocando um quadro clínico constituído por acinesia, rigidez, 
tremor e instabilidade postural. 
O diagnóstico médico é determinado clinicamente por meio de exames de 
neuroimagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 101 
 
9.4.6.1 Tratamento fisioterápico 
 
 
Especificamente em relação à população idosa que apresenta sinais 
neurológicos decorrentes da presença ou não de doenças, o fisioterapeuta deve 
rever vantagens e desvantagens de cada intervenção. Enquanto a qualidade do 
movimento é importante para adequada funcionalidade, pode-se reconhecer que a 
restauração do movimento normal torna-se um objetivo inatingível. 
Deve haver um equilíbrio entre reeducação de padrões normais de 
movimento e aceitação da compensação desejada e necessária. É importante 
ressaltar que a intervenção fisioterápica no idoso tem como principal objetivo 
restaurar ou manter a funcionalidade. Assim, a avaliação descrita anteriormente 
torna-se um instrumento extremamente útil para o rastreamento dos fatores de risco, 
considerando que a maioria das informações pode ser obtida por anamnese ou 
observação do ambiente em que esse indivíduo permanece com maior frequência. 
Nesse sentido, tal instrumento será útil para fornecer um conjunto de 
orientações domiciliares e de atividades de vida diária. Porém, para a maioria dos 
indivíduos nessa faixa etária é necessário avaliar os fatores intrínsecos (inerentes ao 
organismo), especificamente os sistemas que atuam sobre o controle postural, 
possibilitando identificar quais os impedimentos para posteriormente intervir. 
Entender os fatores cognitivos é uma etapa importante no processo de 
avaliação, uma vez que déficits de alerta, atenção, memória ou julgamento podem 
afetar o desempenho do paciente durante a avaliação. A maioria dos aspectos da 
função cognitiva é avaliada subjetivamente com base em observações. 
Mesmo idosos sem doenças instaladas podem apresentar deficit de 
memória ou compreensão, requerendo do fisioterapeuta adoção de algumas 
estratégias como dar ordens simples certificando-se de que o paciente entendeu o 
objetivo da tarefa, aumentar a motivação incentivando de modo verbal o 
desempenho da tarefa, bem como organizar as tarefas em uma sequência crescente 
de dificuldade para melhorar o desempenhar e manter um nível adequado de alerta 
para o desenvolvimento do aprendizado,ou seja, diminuir estímulos externos para 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 102 
pacientes agitados e aumentar a qualidade de estímulos para pacientes 
depressivos. 
A instabilidade pode resultar de alteração no sistema neuromuscular por 
incapacidade de gerar e coordenar adequadamente as forças necessárias para 
mover o centro de gravidade. Dessa forma, quedas de força decorrentes das 
alterações no recrutamento e do tempo de ativação das unidades motoras, além de 
alterações sensoriais e perceptuais, podem interferir no desempenho do controle 
postural e da tarefa decorrente de problemas relacionados com a execução e o 
planejamento motor. 
Apesar de a instabilidade estar diretamente relacionada com a perda de 
equilíbrio em idosos associado à diminuição da função nos sistemas 
musculoesquelético e neuromuscular, essa diminuição da função do controle 
postural (equilíbrio) pode ser revertida por meio de treinamento. Esse treinamento 
pode incluir exercícios aeróbios, de força muscular ou equilíbrio. 
Alguns estudos demonstram que a melhora do equilíbrio, ou seja, do 
controle postural, ocorre de forma mais significativa quando o treinamento enfatiza a 
utilização de diferentes aferências sensoriais, integrando essas aferências sob 
condições de redução ou alteração desses estímulos sensoriais. 
Assim, pode ser realizado tal treinamento instruindo o paciente a 
permanecer em pé sobre superfícies instáveis, por exemplo, pranchas de equilíbrio 
ou espumas de diferentes densidades associadas à restrição visual ou alteração 
visual (fechamento dos olhos ou utilização de lentes para alterar a informação visual, 
respectivamente). 
O treinamento do controle postural baseado em estímulo sensorial provoca 
melhor reeducação do equilíbrio por execução que estiver inadequada, decorrente 
de alteração da amplitude de movimento ou déficit de força, tal melhora não será 
observada, sendo necessário realizar exercícios para alongamento e fortalecimento 
muscular anteriormente ao treino de equilíbrio. 
Outro distúrbio que afeta o controle da postura e a coordenação dos 
movimentos de múltiplas articulações é a ataxia, termo geral para decomposição de 
movimentos, podendo ser decorrente de déficits nos sistemas sensorial, vestibular e 
cerebelar. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 103 
A ataxia é essencialmente um distúrbio decorrente da incapacidade do 
paciente em processar o estímulo sensorial, dessa forma o movimento será 
realizado a partir de estratégias compensatórias para manter a estabilidade e a 
orientação do corpo no espaço. 
Na maioria dos casos, o tratamento da ataxia tem como objetivo melhorar a 
função do sistema sensorial parcialmente afetado sem sobrecarga dos sistemas 
restantes. Essa abordagem considera que a repetição adequada dos estímulos e, 
consequentemente, da resposta motora gera aprendizado motor, mesmo em longo 
prazo, com a vantagem de treinar o sistema deficitário e não sobrecarregar os outros 
sistemas como o visual e o somato sensorial. Como nos casos de aplicação de 
pesos para aumentar a resistência ao movimento e, assim, transmitir mais estímulos 
sensoriais. 
 
 
FIGURA 31 - PACIENTE EM TREINAMENTO DE EQUILÍBRIO DE TRONCO 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 32 - TREINO DE MARCHA 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 104 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
O treino de marcha vai depender de cada patologia e de cada caso. Dentro 
dos tratamentos foram colocados alguns aspectos que devem ser observados. 
 
9.5 DISFUNÇÕES CARDIOCIRCULATÓRIAS 
 
 
FIGURA 33 
 
Fonte: Getty Images. Disponível em: <www.gettyimages.pt/Brasil>. Acesso em: dia/mês/ano. 
 
 
Atualmente a doença da artéria coronária ou coronariopatias em idosos, é 
considerada um problema de saúde pública, pois vem atingindo proporções 
epidêmicas principalmente nos países industrializados. Nos Estados Unidos, as 
coronariopatias são as principais causas de morte, de incapacidade funcional e de 
perda de poder econômico. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 105 
 
 
9.5.1 Principais Doenças da Artéria Coronária 
 
 
A angina de peito ou angina pectoris é caracterizada por dor ou desconforto 
paroxístico no tórax, tem curta duração e é aliviada pelo repouso. A angina surge 
quando as necessidades metabólicas do miocárdio excedem a oferta de sangue 
oxigenado que flui pelas artérias coronárias. Isso ocorre em razão da obstrução do 
fluxo sanguíneo por placas de ateroma ou por vasoespasmo. 
 
 
 
 
9.5.2 Infarto Agudo do Miocárdio 
 
 
É uma necrose do músculo miocárdio decorrente de um comprometimento 
da irrigação sanguínea causada pela oclusão da artéria coronária que irriga a área 
afetada; a oclusão ocorre normalmente em virtude da presença de placas 
ateroscleróticas e quantidades variadas de trombose superpostas. 
Quatro quintos dos infartos ocorrem em indivíduos com idade por volta dos 
65 anos, porém, isso não descarta a possibilidade de ocorrência em indivíduos de 
meia-idade e idosos mais avançados. O paciente idoso deve ser avaliado de forma 
minuciosa, principalmente quando apresenta outras doenças que fazem parte dos 
fatores de risco para a doença coronariana. 
As próprias mudanças fisiológicas e morfológicas que ocorrem naturalmente 
com o processo de envelhecimento predispõem essa população às instabilidades 
cardiovasculares. Ocorre também em razão da existência de grande número de 
alterações cardiovasculares associadas a um histórico de vida, tais como: 
sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo, além da hipertensão arterial, 
diabetes, entre outras doenças que contribuem para maior incidência de IAM à 
medida que o adulto envelhece. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 106 
Na internação do paciente com IAM o papel do fisioterapeuta é fundamental, 
principalmente quando se trata de idosos que, em geral, evoluem com complicações 
pulmonares e vasculares periféricas relacionadas com o imobilismo, pois esse 
paciente permanecerá em repouso no leito por um período de 24 a 48 horas. Nesse 
momento, o fisioterapeuta deve saber avaliar muito bem o paciente e, embora nas 
primeiras horas pós-infarto não é aconselhado o submeter ao esforço físico, pode-se 
solicitar respirações profundas, tosse e acompanhar de perto a evolução desse 
paciente para evitar as complicações decorrentes do período do imobilismo. 
Após as primeiras 24 a 48 horas de permanência no leito hospitalar, os 
pacientes com IAM não complicados já poderão ser mobilizados, evitando assim os 
efeitos indesejáveis do imobilismo. Essa mobilização deverá ser feita de forma 
gradual, evitando exercícios isométricos para não aumentar a sobrecarga cardíaca. 
No primeiro dia após o período de repouso citado (24 a 48 horas), o paciente 
deverá ser incentivado a sentar-se com as pernas para fora do leito. Esse 
procedimento deverá ser realizado vagarosamente, pois poderá ocorrer episódio de 
hipotensão postural pela mudança do decúbito. Quando o paciente estiver habituado 
com a posição será possível levá-Io para a poltrona ao lado do leito, onde deverá 
permanecer por um período curto, aproximadamente o tempo de arrumação do 
quarto. 
No segundo dia, o paciente poderá estar utilizando a pia e permanecer 
sentado fora do leito por um período maior, desde que não apresente nenhum 
episódio de dor ou sintomas de IAM. No terceiro dia, poderá sair da cama e 
permanecer na poltrona durante dois períodos, sendo um pela manhã e outro à 
tarde. No quarto dia iniciaremos a deambulação pelo quarto que será estendida ao 
corredor nos dias que se seguirão caso o paciente se mantenha estável. 
 
 
 
 
 
 
 
9.5.3 Hipertensão 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 107 
 
 
A hipertensão arterial é um dos principais fatores associados ao 
desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como aterosclerose coronariana e a 
insuficiência cardíaca, bem como de outras doenças como insuficiência renal e 
derrames cerebrais. Apesar de tantosmalefícios, a hipertensão arterial é ainda muito 
negligenciada por alguns pacientes. 
Vários fatores têm contribuído para esse descaso, por exemplo, o fato de a 
hipertensão quase sempre não apresentar qualquer sintoma, o que muitas vezes 
dificulta o diagnóstico e a adesão ao tratamento. A hipertensão arterial é a doença 
crônica degenerativa mais comum em nosso meio, estimando-se que sua 
prevalência na população adulta acima de 50 anos seja de 15%. 
Essa doença constitui um importante fator de risco coronário, estando 
relacionada com 40% dos óbitos por doenças cardiovasculares e com o aumento do 
risco de complicações, tais como acidente vascular cerebral (derrame), infarto do 
miocárdio e insuficiência cardíaca. Os dados epidemiológicos mostram aumento da 
incidência com o envelhecimento, sendo que entre os pacientes com idade superior 
a 75 anos mais da metade são hipertensos. 
O exercício físico, com duração mínima de 30 minutos por dia e intensidade 
adequada, auxilia substancialmente a reduzir a pressão arterial, além de promover o 
bem-estar daqueles que o realizam. 
É importante considerar os seguintes aspectos para a reabilitação cardíaca 
em idosos: 
 
• Ambiente e exercícios apropriados: a idade mais avançada, em geral, 
compromete o estilo de vida, já que o surgimento de artrite diminui a flexibilidade. 
Nesse caso, a atividade física cuidadosa pode ser benéfica, utilizando-se local de 
treinamento amplo, de preferência no mesmo plano e em superfície lisa. 
• Exercício e medicação: no indivíduo mais idoso, vale à pena salientar que 
a relação fisiológica e farmacológica é processada, às vezes, com diferentes 
peculiaridades na absorção, no metabolismo, na distribuição. Portanto, diante 
desses tipos de respostas do idoso recomendam-se cuidados especiais com a 
hipotensão arterial sistêmica, a arritmia em indivíduos que usam hipotensores e 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 108 
diuréticos, os fármacos atuantes na função cognitiva (hipnótico, alfa agonista central 
e beta adrenérgico), os quais podem, eventualmente, precipitar isquemia cerebral. 
 
 
9.5.4 Programa de Exercícios 
 
O programa de exercícios físicos tem o objetivo de levar o paciente a 
alcançar um condicionamento físico satisfatório, melhorar a eficiência dos 
batimentos cardíacos, proporcionar a vascularização colateral, além de fazer com 
que o paciente incorpore a atividade física nas suas atividades diárias. 
A cada sessão o paciente deverá iniciar suas atividades com exercícios 
leves de aquecimento, fazendo caminhadas, exercícios de membros superiores e 
inferiores, preparando-se para o período de atividade mais intensa em esteira ou em 
bicicleta ergométrica. 
A prescrição de protocolos individuais em rotina clínica deverá incluir um 
conjunto de dados para compor a linha de base, instruções para um aquecimento 
apropriado, descrições de exercícios de força e resistência para os membros e o 
tronco, e descrições de alongamentos e exercícios respiratórios para compor o 
desaquecimento. 
A fase pós-alta consiste na fase subaguda ou pós-hospitalar, com duração 
mínima de seis a oito semanas e máxima de 17 semanas. Tem como objetivos 
aumentar a capacidade aos esforços, trabalhar musculatura respiratória, assegurar 
continuidade ao programa, avaliar as cargas de trabalho leves a moderadas, 
informar sobre a monitorização, criar hábitos saudáveis no indivíduo e educar o 
paciente quanto ao controle dos fatores de risco. 
Mostram-se ainda outros objetivos com a RCV (reeducação cardiovascular), 
como: em longo prazo, estabilizar ou reverter o processo aterosclerótico; diminuir a 
morbimortalidade cardiovascular, melhorando a sintomatologia de angina de peito e 
as manifestações de disfunção ventricular esquerda; estimular a readaptação social, 
diminuindo ou eliminando a ansiedade e a depressão que podem acompanhar os 
idosos após um evento coronário; educar o paciente sobre sua doença, revelando as 
possíveis intercorrências e demonstrando-lhe a possibilidade da interferência 
favorável dessas medidas preventivas na sua evolução. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 109 
 
 
FIGURA 34 – TESTE ERGOMÉTRICO 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
9.6 DISFUNÇÕES RESPIRATÓRIAS 
 
 
O idoso é mais propenso a apresentar problemas respiratórios e a 
desenvolver quadros de insuficiência respiratória, podendo manifestar atelectasias, 
reter secreções e sofrer infecções respiratórias. Os sintomas respiratórios agudos 
estão entre as razões mais comuns de enfermidades respiratórias nos idosos e 
acabam por necessitar de atenção médica e fisioterápica. 
Além das manifestações clínicas das doenças respiratórias crônicas 
desempenharem um importante papel na função respiratória reduzida, 
hospitalizações agudas e taxa de mortalidade alta são observadas em indivíduos 
mais velhos. 
 
 
9.6.1 Doenças Pulmonares que mais Acometem o Idoso 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 110 
 
FIGURA 35 
 
FONTE: Cobbis, ano. 
 
 
9.6.1.1 Infecções 
 
 
As infecções têm valor importante no idoso, particularmente aqueles que são 
inválidos e institucionalizados. Muitas acontecem com mais frequência na idade 
avançada e determinam morbidez e taxas de mortalidade maiores no idoso que no 
jovem. Considerando que muitas dessas enfermidades são evitáveis ou curáveis, é 
importante uma boa compreensão do diagnóstico, do tratamento e da prevenção de 
infecções associadas ao processo de envelhecimento. 
Cerca de 40% das camas de hospital são ocupadas por pacientes geriátricos 
e cinco porcento dos pacientes com idade avançada residem em instituições de 
cuidado em longo prazo. Fatores como, baixa reserva fisiológica, presença de 
doenças crônicas subjacentes, demora no diagnóstico em razão de apresentações 
clínicas atípicas levam ao atraso no tratamento terapêutico, taxas mais altas de 
antibiótico adverso e outras interações de droga, e complicações resultantes de 
procedimento diagnóstico invasivo, acrescentando um quadro de morbidez e 
mortalidade nas doenças infecciosas no idoso. 
Apesar das técnicas sofisticadas de diagnóstico e das novas terapias, as 
infecções respiratórias continuam sendo preocupantes enfermidades entre os 
idosos. A pneumonia prossegue sendo o inimigo especial da velhice. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 111 
A infecção por vírus da gripe é talvez o exemplo mais dramático da 
importância da infecção respiratória nesses grupos de idosos. Apesar da importância 
clínica da infecção da gripe no meio de pessoas idosas e da disponibilidade de 
métodos de imunização segura e barata, a administração anual de vacina no meio 
de pessoas com mais de 65 anos na maioria das comunidades ainda é pequena. 
Sabe-se que a imunização da gripe reduz as taxas de hospitalização em 
50% e as de mortalidade em 40 a 55%. A imunização anual de pessoas acima de 65 
anos talvez seja a prática de menor custo que os médicos podem proporcionar como 
cuidados primários para pacientes idosos. 
 
 
9.6.1.2 DPOC 
 
 
A DPOC é uma doença que causa grande impacto social, pois é 
incapacitante, necessita de alto investimento para que seja mantido o tratamento do 
paciente e leva à morte prematura de indivíduos que poderiam estar em plena 
atividade produtiva. A mortalidade por DPOC abaixo de 45 anos é baixa, 
aumentando com a idade. Os fatores de risco para o aparecimento e 
desenvolvimento da DPOC são: os ambientes que propiciam a inalação da fumaça 
do cigarro, da poeira e de substâncias químicas; a desnutrição; as infecções 
constantes na infância, entre outros. 
O estudo da oxigenação arterial é um dado importante e pode ser feito de 
forma não invasiva com o uso do oxímetro de dedo. Nele se analisa a saturação 
arterial da hemoglobina (SP02). É um exame prático, rápido, não expõe o paciente a 
riscos e é barato. 
A gasometria feita com o sangue arterial é um processo invasivo e doloroso 
para o paciente, por isso deverá ser colhida quandoa SP02 estiver abaixo de 88% 
ou a doença estiver em grau moderado para grave, nesses casos, com a finalidade 
de analisar o nível do gás carbônico e o grau de hipoxemia, para saber se o paciente 
tem ou não indicação de uso de oxigenoterapia. 
 
 
 
 
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 112 
9.6.2 Tratamento Ambulatorial e Reabilitação Pulmonar 
 
 
O uso das técnicas fisioterápicas terá o objetivo de promover a eliminação 
de secreção com o auxílio das manobras de higiene brônquicas, a reexpansão 
pulmonar, a reeducação respiratória e as atividades da vida diária. Além disso, 
devem ser realizados exercícios de fortalecimento muscular, alongamento e 
condicionamento físico, objetivando o aumento da mobilidade torácica e corporal, 
bem como maior eficiência do ato respiratório e da funcionalidade global. 
Dessa forma, o fisioterapeuta respiratório deve atuar na prevenção de 
recidivas do aparecimento de quadros infecciosos pulmonares nos pacientes 
crônicos, além de desempenhar função curativa, nos casos agudos, e educacional 
para todos os pacientes, familiares ou cuidadores. 
Para que haja sucesso no emprego da fisioterapia respiratória é necessário 
que o fisioterapeuta tenha conhecimento da fisiologia e da anatomia humana, da 
biomecânica da respiração, bem como dos mecanismos e dos agentes causadores 
das doenças pulmonares. 
Segundo a American Heart Association (AHA), para que haja sucesso no 
tratamento é importante que o paciente realize exercícios aeróbios, pelo menos três 
vezes por semana, com duração mínima de 20 a 30 minutos. Já o American College 
of Sports Medicine (ACSM) preconiza que a frequência utilizada deve ser de três a 
cinco dias por semana, com duração de 20 a 60 minutos por sessão, dependendo 
da intensidade. 
De qualquer forma, o importante é que o exercício seja capaz de promover 
algumas alterações, tais como: aumento da capilarização muscular, aumento das 
mitocôndrias e do metabolismo oxidativo, que levarão o paciente a melhorar o 
condicionamento físico. 
A dispneia nos pacientes com DPOC ocorre pelo desequilíbrio entre a 
necessidade ventilatória aumentada e a limitação da capacidade pulmonar. O 
aumento da necessidade ventilatória ocorre porque esses pacientes apresentam 
alteração da relação ventilação/perfusão, aumento na relação espaço morto/volume 
corrente, ocorrência de hipoxemia arterial e aumento do comando neural. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 113 
Por outro lado, a diminuição da capacidade pulmonar ocorre pela fadiga 
muscular respiratória, secundária ao aumento do trabalho ventilatório pela obstrução 
brônquica e pela desvantagem mecânica causada pela insuflação pulmonar, com 
inadequação da curva tensão versus comprimento. 
É importante avaliar inicialmente o estado físico respiratório do paciente, 
para estudo comparativo. A espirometria estará medindo os volumes e as 
capacidades pulmonares, além de fornecer dados como o volume expiratório 
forçado no primeiro segundo (VEF1) e a relação entre capacidade vital forçada e 
volume expiratório forçado no primeiro segundo (CVF/VEF1), que provê o grau de 
obstrução e a gravidade do estado do paciente. 
Para potencializar a ação e os resultados dessas técnicas, alguns recursos 
são bastante utilizados, os quais estão descritos a seguir: 
 
 Inaloterapia ou Aerossolterapia: tem a finalidade de umedecer a 
secreção brônquica, que pode encontrar-se muito espessa e aderida à parede do 
brônquio, dificultando sua eliminação. O uso da inaloterapia na forma de 
nebulização, usando NaCl a 0,9%, é feito antes ou durante a terapia dependendo da 
avaliação das condições do paciente, com o objetivo de aumentar o volume da 
secreção expectorada. Em alguns casos é possível associar a inaloterapia ao uso de 
broncodilatadores e às terapias de higiene brônquicas, aumentando a eficiência do 
medicamento e da própria higiene brônquica. 
 
 
FIGURA 36 - PACIENTE REALIZANDO INALOTERAPIA 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 114 
 
 
 Flutter: esse equipamento combina as técnicas de pressão positiva 
expiratória com oscilações de alta frequência na abertura da via aérea, com o 
objetivo de prevenir e tratar o colapso pulmonar por rolhas mucosas, além de 
aumentar a eliminação de secreções pulmonares. O flutter é um aparelho parecido 
com um cachimbo de haste curta e bocal. Na parte distal encontra-se um recipiente, 
em seu interior existe uma peça em forma de funil sobre a qual repousa uma bola 
pequena de aço estéril de alta densidade e o recipiente é envolvido por uma 
cobertura plástica perfurada. O paciente deverá colocá-lo entre os lábios e realizar 
expiração bucal. 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 37 - PACIENTE UTILIZANDO O APARELHO FLUTTER 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 Exercício respiratório com inspiração fracionada: a inspiração deverá 
ser nasal, suave, porém pequena e interrompida por períodos de apneia pós-
inspiratória e programada em até seis tempos. As várias inspirações deverão ser 
realizadas dentro de um mesmo ciclo respiratório e a expiração deve ser pela boca. 
 
 
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 115 
Deve atingir níveis próximos ao volume de reserva expiratória. Essa técnica poderá 
melhorar a complacência pulmonar. (VELLOSO, 2008). 
 
Alguns equipamentos podem ser utilizados para auxiliar na terapia de 
reexpansão pulmonar, entre esses merecem destaque os que estão descritos a 
seguir: 
 
 Inspirômetro de incentivo: é um equipamento utilizado há muitos anos 
como terapia respiratória profilática segura e bem aceita pelo paciente. O principal 
objetivo desse aparelho é incentivar uma inspiração profunda. Existem muitos 
aparelhos que proporcionam o incentivo de respirações profundas, entre eles 
encontram-se os incentivadores a volume e a fluxo, sendo os inspirômetros a fluxo 
os mais utilizados por causa do custo. Esse recurso terapêutico é indicado para 
pacientes com bom nível de consciência, que tenham condições de entender o uso 
do equipamento e que também colaborem com a execução do tratamento, pois eles 
deverão utilizá-Io mesmo quando o fisioterapeuta não estiver presente. 
 
 
FIGURA 38 - PACIENTE REALIZANDO TREINAMENTO DOS MEMBROS 
INFERIORES NA ESTEIRA ROLANTE MONITORADO COM OXÍMETRO DE 
PULSO 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 
 
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 116 
9.7 DISFUNÇÕES URINÁRIAS E SEXUAIS 
 
 
FIGURA 39 – SISTEMA URINÁRIO 
 
FONTE: Cobbis, ano. 
 
 
Segundo Reis (2003), a incontinência urinária tem prevalência no idoso de 8 
a 34% segundo o critério ou método de avaliação. As causas mais importantes são: 
alterações dos tecidos da senilidade que acometem o trato urinário inferior e o 
assoalho pélvico, do sistema nervoso central e periférico, alterações hormonais 
como a menopausa, poliúria noturna, alterações psicológicas, hiperplasia prostática, 
doenças concomitantes, como câncer, e efeitos colaterais de medicamentos. A 
incontinência pode ser transitória ou permanente. 
Além da anamnese cuidadosa para caracterizar as perdas urinárias, a busca 
de causas associadas ou concomitantes e o diário miccional, indica-se com 
frequência os exames especializados como a urodinâmica. 
 
 
TABELA 2 – INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO IDOSO 
 
 
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 117 
 
FONTE: Acta Cir. Bras., ano. 
 
 
Incontinência fecal é a perda involuntária de fezes ou gases via anal. É um 
problema de saúde que atinge aproximadamente 11% da população mundial acima 
dos 45 anos. No Brasil, 50,9% da população referem alguma disfunção sexual. Tem 
origem orgânica, psíquica e sociocultural. A fisioterapia irá atuar apenas nas 
disfunções de origem orgânica. 
A fisioterapia, nesses casos, utiliza técnicas preventivas (estimulação 
elétrica, biofeedback, cinesioterapia), de conscientização corporal, treinamento 
vesical e esfincteriano e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico 
(períneo). 
9.7.1 Técnicas Fisioterapêuticas para RevitalizaçãoGeriátrica 
 
 
É uma atividade realizada em grupos de até 20 pessoas, mas, em geral, 
dependerá do tamanho do local onde será desenvolvida. Normalmente, deve-se 
utilizar uma sala arejada e clara, com piso antiderrapante, com, no mínimo, 50 m2 de 
superfície e temperatura ambiente entre 18 e 20°. 
Cada sessão deve durar entre 50 e 55 minutos e devem ser realizadas pelo 
menos duas vezes por semana, sendo a quantidade ideal e aconselhável três vezes 
por semana. No início de cada sessão deverá ser verificada a presença dos inscritos 
 
 
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 118 
e aprovados e ser feita uma rápida inspeção da indumentária: roupa cômoda, larga, 
de tecido leve (algodão ou similar) e calçado esportivo (tênis) com sola 
antiderrapante. 
A sessão começa com um período curto (cinco a sete minutos) de 
aquecimento e alongamento dos principais grupos musculares. Em seguida, são 
trabalhados componentes de mobilidade e força, dedicando-se em todas as sessões 
aos distintos segmentos corporais e combinando exercícios de força e mobilidade, 
com duração aproximada de 15 minutos. 
Posteriormente, inicia-se uma marcha lenta que, pouco a pouco, converte 
em corrida (se os participantes estiveram aptos a correr; nos casos de 
impossibilidade, realiza-se a marcha com realização de gestos exagerados), 
finalizando com retorno gradual à marcha lenta. Esse período dura, 
aproximadamente, três minutos, com a corrida tendo duração de menos de um 
minuto. 
Nesse momento da sessão, descansa-se, procedendo à hidratação com um 
copo de água ou qualquer suco com componentes antioxidantes. Os 15 ou 20 
minutos seguintes devem ser dedicados a exercícios de coordenação, agilidade e 
equilíbrio, utilizando-se materiais como bolas, pequenos alteres, massas, entre 
outros, combinados com jogos ou brincadeiras cooperativas. 
A sessão é finalizada com exercícios respiratórios e de relaxamento. É 
conveniente, em algumas sessões, controlar a frequência cardíaca para que todos 
os exercícios sejam realizados em um patamar de 70 a 80% da frequência cardíaca 
aeróbia máxima para a idade. Também é importante lembrar que exercícios em 
decúbito supino que demandem carga sobre a zona dorsal e movimentos 
exagerados de tronco ou pescoço estão contraindicados. 
À medida que ocorreram aumento da força muscular manual e manutenção 
de graus aceitáveis de flexibilidade corporal e de consumo máximo de oxigênio, é 
possível pressupor que tais aspectos também determinaram maior facilidade para a 
realização de atividades de vida diária (AVDs) e atividades instrumentais de vida 
diária (AIVDs). Em síntese, os graus de independência funcional tendem a ser 
maiores e, por decorrência, incrementam-se a satisfação geral e a qualidade de 
vida. 
 
 
 
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FIGURA 40 – EXERCÍCIOS INDICADOS A PESSOAS IDOSAS 
 
FONTE: Rebelatto, 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO IV 
 
 
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 120 
GLOSSÁRIO 
 
 
Ácido gama-aminobutírico: é o principal neurotransmissor inibidor no sistema 
nervoso central dos mamíferos. 
Catecolaminas: são compostos químicos derivados do aminoácido tirosina. 
Colina acetiltransferase: é uma enzima liberada pelos neurônios da placa motora. 
Deletérias: prejudiciais. 
Demográficas: referente a populações. 
Efusão: derramar ou entornar. 
Estereótipos: é a imagem preconcebida de determinada pessoa. 
Estocástica: está relacionado com o acaso. 
Expectativa de vida: é a média de anos que um indivíduo pode ainda viver. 
Gerontologia: ciência que estuda o envelhecimento. 
Homeostase: autorregulação. 
Inexorabilidade: austeridade, crueldade. 
Lipofucsina: é um pigmento tido como resto de membrana mitocondrial, que sofreu 
ação de radicais livres. É um material insolúvel que é fagocitado e se acumula nas 
células. 
Modus vivendi: modo de viver. 
Monoaminoxidase: presente em animais cuja ação é degradar. 
Morbidades: taxa de portadores de determinada doença. 
Mucopolissacarídeos: são compostos hidratados que fazem gel. 
Paroxístico: ataque repentino. 
Psicocognitivas: é a capacidade psicológica que temos de adaptação a diferentes 
situações. 
Senectude: velhice. 
Senescência: envelhecimento. 
Turnover: começar vida nova. 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
FREITAS, E. V.; PY, L.; CANÇADO, F. A. X.; DOLL, J.; GORZONI, M. L. Tratado de 
geriatria e gerontologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2006. 
 
 
GUCCIONE, A. A. Fisioterapia geriátrica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara- 
Koogan, 2002. 
 
 
PAPALEO NETTO, M. Tratado de Gerontologia. 2. ed. rev. ampl. São Paulo: 
Ateneu, 2002. 
 
 
REBELATTO, J. R. Fisioterapia Geriátrica: a prática de assistência ao idoso. 2. ed. 
rev. ampl. Barueri, SP: Manole, 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO CURSO! 
TRIA E GERONTOLOGIA

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