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LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 4 Funções da linguagem 112
27 FGV Leia o seguinte texto de Ubirajara Inácio de Araújo:
Todo texto é uma sequência de informações: do início 
até o fim, há um percurso acumulativo delas. Às informa-
ções já conhecidas, outras novas vão sendo acrescidas e 
estas, depois de conhecidas, terão a si outras novas acres-
cidas e, assim, sucessivamente. A construção do texto flui 
como um ir-e-vir de informações, uma troca constante 
entre o dado e o novo.
É	correto	afirmar	que,	nesse	texto,	predominam:
A Função referencial e gênero do tipo dissertativo.
b Função fática e gênero de conteúdo didático.
C Função poética e gênero do tipo narrativo.
d Função expressiva e gênero de conteúdo dramá-
tico.
E Função conotativa e gênero de conteúdo lírico.
Textos para a questão 28.
I.  Mais de 800 milhões de pessoas, muitas delas crian-
ças, estão 'desnutridas e privadas da oportunidade 
de viver uma vida plena' em todo o mundo, de-
nunciou a FAO (Fundo das Nações Unidas para a 
Alimentação) em um informe apresentado na sema-
na passada ao Comitê sobre a Segurança Alimentar 
Mundial, em Roma. 
Folha de Londrina, 4 jun. 2001.
II.  O mundo vai terminar o ano mais pobre. Na semana 
que passou, o Fundo Monetário Internacional (FMI), 
que é uma organização financeira com participação 
de praticamente todos os países industrializados, 
anunciou que a economia mundial deverá crescer 
apenas 2,6% em 2001, e não mais os 3,2% proje-
tados em abril. No início do ano, o Fundo previa 
expansão de 4,5% para a economia global este ano. 
Mas, a cada trimestre que passa, os números enco-
lhem e mostram que o planeta está empobrecendo. 
O Brasil não deverá ser exceção. 
Folha de Londrina, 24 set. 2001.
III.  As políticas públicas para combater a fome foram 
tema de um encontro entre representantes de 17 
municípios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, 
na semana passada. O objetivo principal da reunião 
foi estimular a troca de experiências. Segundo Maya 
Takagi, coordenadora técnica do programa Fome 
Zero, desde 1994 o Brasil não tem políticas nacio-
nais de combate à fome e à miséria. 
Folha de Londrina, 10 dez. 2001.
28 UEL Como se sabe, uma das principais características 
da notícia de jornal é tentar criar a impressão de ob-
jetividade e neutralidade. Isso ocorre nos textos por 
meio de:
A apresentação de posicionamentos contraditórios.
b discordância com as informações extraídas de 
outras fontes.
C emprego abusivo de adjetivos.
d apelos constantes à ironia.
E referência a dados estatísticos.
Texto para a questão 29.
Se, pela pronúncia, você está desconfiado de que a 
nossa palavra “xará“ surgiu de alguma expressão indíge-
na, acertou. “Ela tem origem em ‘sa rara’, um derivado de 
‘se rera’, que significa aquele que tem o mesmo nome, 
em tupi“, diz o etimologista Cláudio Moreno. No sul do 
Brasil, usa-se também a palavra “tocaio“ com o mes-
mo significado. Vem do espanhol “tocayo“ que, por sua 
vez, tem origem na frase ritual latina que a noiva dizia 
ao noivo quando a comitiva nupcial vinha buscá-la em 
casa: “Ubi’tu Caius, ibi ego Caia“ (Onde fores chamado 
Caio, ali eu serei Caia). Por transmitir a ideia de que a 
noiva, ao se casar, passava a ter o mesmo nome do noivo, 
a palavra passou a ser usada como sinônimo de xará.
Rodrigo Cavalcante. (Adapt.).
29 Mackenzie Sobre o trecho Se, pela pronúncia, você está 
desconfiado de que a nossa palavra xará surgiu de algu-
ma expressão indígena, acertou, é correto afirmar que:
A corresponde a um trecho de diálogo real trava-
do entre o redator do texto e os especialistas em 
língua portuguesa.
b explora a função referencial da linguagem, que im-
põe certa distância entre o texto e o leitor.
C exemplifica o que chamamos de discurso direto 
livre, já que reproduz uma pergunta do leitor, tal 
como foi elaborada.
d corresponde a um trecho de diálogo entre o reda-
tor do texto e o leitor Cláudio Moreno.
E explora o recurso de simular um diálogo entre o 
redator e o leitor do texto, a fim de motivar a leitura.
PV_2021_LU_ITX_FU_CAP4_LA.INDD / 15-09-2020 (09:16) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL
5
CAPÍTULO Categorias de mundo e temas e figuras
No quadro do pintor surrealista René Magritte, vê-se um homem diante do espelho, 
em uma cena simples, com os elementos presentes bem figurativizados, claros. Contu-
do, há uma quebra de expectativa, pois a imagem do homem no espelho está de costas, 
criando uma incoerência que instiga a fantasia. Seu tema, portanto, é o estranhamento 
ante uma realidade com a qual o observador do quadro não lida no dia a dia. 
No entanto, toda a subversão é construída com categorias bem conhecidas nos 
textos em geral, como espaço e pessoa, e figuras comumente representadas, um ho-
mem e objetos do cotidiano. Toda a diferença obtida da subversão figurativa se obtém, 
assim, da escolha do sujeito da enunciação, ou seja, o autor da obra. E esses elemen-
tos são o objeto de estudo deste capítulo.
FRENTE ÚNICA
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PV_2021_LU_ITX_FU_CAP5_LA.INDD / 15-09-2020 (10:01) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL
114 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO Capítulo 5 Categorias de mundo e temas e figuras 
Introdução
Neste capítulo, daremos continuidade ao estudo dos 
níveis do texto; o nível discursivo é o mais próximo da 
manifestação textual. Nesta etapa, estudaremos as cate-
gorias pessoa-tempo-espaço e o uso de temas e figuras. 
A abordagem das categorias acima citadas possibilitará um 
aprofundamento das estratégias utilizadas pela enunciação. 
Já o estudo dos temas e das figuras permitirá ao aluno iden-
tificar com mais clareza o assunto discutido no texto, o tema.
Categorias pessoa-tempo-espaço 
O sujeito da enunciação, segundo Diana Luz Pessoa 
de Barros, professora livre-docente da Universidade de São 
Paulo, faz uma série de opções para projetar o discurso, 
tendo em vista os efeitos de sentido que deseja produzir. 
Essas opções criam efeitos de proximidade ou distanciamento 
da enunciação e efeitos de realidade.
Objetividade e subjetividade – efeitos 
de aproximação e distanciamento
Linguagem objetiva
Há recursos na língua que permitem criar efeitos de 
objetividade e distanciamento da enunciação, uma espécie 
de neutralidade em relação ao que é dito. Um dos recursos 
utilizados para obter esse efeito é a instalação da tercei-
ra pessoa. Jornais como O Estado de S. Paulo e Folha de 
S.Paulo, por exemplo, dificilmente utilizam a primeira pes-
soa, ou a segunda, em suas manchetes. O distanciamento 
produzido pelo uso da terceira pessoa cria a ilusão de impar-
cialidade, como se a enunciação não tivesse opinião formada 
sobre o assunto (o leitor desses jornais identifica-se com 
esse procedimento linguístico). A ausência de juízo de valor 
explícito e de certas figuras de linguagem ― como a metáfora, 
a ironia, a hipérbole (que costumam estabelecer juízo de 
valor) ― também são marcas de objetividade. 
Ele (enunciado) objetividade
Eu (enunciação)
Linguagem subjetiva
O efeito de subjetividade ocorre no momento em que 
a enunciação projeta a primeira ou a segunda pessoa (além 
de pronomes de terceira, como “você”). Essa estratégia é fre-
quente em revistas especializadas, jornais sensacionalistas e 
textos publicitários. O tom confessional e a conversa direta 
com o leitor são elementos persuasivos. Há subjetividade ain-
da quando a enunciação, por meio de adjetivos, expressões 
adjetivas, verbos, substantivos e advérbios, expressa juízo de 
valor, em linguagem denotativa ou conotativa.
Eu (enunciação)
Eu (enunciado) subjetividade
Compare os textos a seguir:
Assim é demais? Saiba quando o exercício físico em ex-
cesso vira compulsão e prejudica a saúde.
Veja, 6 fev. 2008.
Recessão no Brasil acabou em maio, avaliam Bancos.
Folha de S.Paulo, 28 jul. 2009.
Na manchete da revista Veja, o enunciador estabelece 
diálogo com o leitor por meio do ponto de interrogação e do 
verbo “saber” no imperativo (saiba você); esse procedimento 
cria efeito de aproximaçãoe subjetividade. Além disso, a 
frase “assim é demais” constitui-se em um juízo de valor, 
outra marca de subjetividade. Os dois procedimentos tornam 
a manchete subjetiva, o que é coerente com esse tipo de 
revista. No texto da Folha de S.Paulo, não há a conversa 
com o leitor nem o juízo de valor, o fato é colocado de modo 
objetivo e impessoal.
Efeitos de realidade
Ao projetar as categorias pessoa-tempo-espaço, a 
enunciação procura convencer o destinatário de que aquilo 
que é posto no enunciado é real. Isso ocorre porque as 
três categorias citadas são na realidade as categorias do 
mundo. Veja como Noel Rosa obtém esse efeito de sentido:
Eu vou pra Vila
Quando eu me formei no samba
Recebi uma medalha
Eu vou pra Vila
Pro samba do chapéu de palha.
A polícia em toda a zona
Proibiu a batucada
Eu vou pra Vila
Onde a polícia é camarada.
ROSA, Noel. “Eu Vou Pra Vila”. Intérpretes: Diversos. 
In: Noel pela primeira vez. Velas/Funarte, 2000. v. 1, Faixa 8.
A categoria tempo aparece em: “Quando eu me formei 
no samba...”, e a categoria espaço ocorre nos versos “Eu 
vou pra Vila/ Pro samba do chapéu de Palha”, “A polícia em 
toda a zona”, “Eu vou pra Vila/ Onde a polícia é camarada”. 
A categoria pessoa aparece no pronome pessoal “eu” e 
em formas verbais como “recebi” (eu), “vou” (eu) e “proibiu” 
(ela). Com isso, a enunciação cria uma ilusão de realidade, 
um simulacro da vida, de modo que o enunciatário passa 
a se envolver com aquilo que lê. Outra estratégia da enun-
ciação, para criar o efeito de realidade, consiste no uso 
do discurso direto; neste o narrador dá voz à personagem 
criando um efeito de aproximação:
Banana de louco
No hospício, dois loucos comem banana no pátio.
O primeiro tira a casca da banana com o maior cuidado. 
O segundo come com casca e tudo.
– Ô, cara! – diz o primeiro – Você é louco?
– Vou tirar a casca pra quê? – diz ele, dando mais uma mordida.
– Eu já sei o que tem dentro!
PV_2021_LU_ITX_FU_CAP5_LA.INDD / 15-09-2020 (10:01) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL PV_2021_LU_ITX_FU_CAP5_LA.INDD / 15-09-2020 (10:01) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL
	5 Categorias de mundo e temas e figuras

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