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VOLUME 4 | CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias 49 Dilatação Competência(s): 6 Habilidade(s): 21 Aulas 41 e 42 1. Introdução Com o aumento da agitação dessas moléculas, ocorre o aumento da temperatura do corpo. Em geral, esse pro- cesso provoca um aumento na distância média entre as moléculas, o que faz com que o corpo sofra dilatação, em outras palavras, o corpo tem seu tamanho ampliado. O contrário também ocorre, isto é, com a diminuição da agitação das moléculas, ocorre também uma diminui- ção de temperatura e, consequentemente, a contração do corpo. Essas mudanças que acontecem devida a variação da temperatura de um corpo serão objetos de estudo desta aula. 2. Dilatação linear dos sólidos A dilatação linear ocorre quando há uma variação no comprimento de um corpo em uma única direção/dimen- são. Por exemplo, os trilhos de um trem se expandindo, o aumento do raio de uma esfera e do comprimento de fios metálicos. Na figura a seguir, uma barra inicialmente possui um comprimento L0 e uma temperatura θ0. Após o aumento de temperatura para θ, seu comprimento passa a ser L. Chama-se ΔL a variação de comprimento dessa barra e de Δθ, sua variação de temperatura. Experimentalmente, essas duas grandezas se relacionam pela seguinte expres- são: ∆L = L0 ∙ α ∙ ∆θ Em que: ΔL é a variação do comprimento, α é o coeficiente de dilatação linear, L0 é o comprimento inicial do corpo, Δθ é a variação de temperatura. Nela, temos a introdução de uma constante de proporcio- nalidade chamada de coeficiente de dilatação linear, e seu valor depende exclusivamente do material do corpo analisado. Da equação, conseguimos expressar a unidade de medida desse coeficiente: α = ΔL L0 . 1 Δθ [α] = [ΔL] [L0] . 1 [Δθ] ⇒ [α] = m M . 1 [Δθ] Portanto, a unidade de medida do coeficiente linear é o inverso da unidade de medida de Δθ, ou seja, ̊C-1 ou ̊F-1. Por fim, se na expressão o ΔL for trocado por L-L0, teremos: L = L0 + L0 ∙ α ∙ Δθ L = L0 (1+ α ∙ ∆θ) A tabela a seguir apresenta alguns materiais e seus respectivos coeficiente de dilatação linear α. Material Coeficiente de Dilatação Linear em ̊C-1 Chumbo 27 ∙ 10-6 Alumínio 22 ∙ 10-6 Ouro 15 ∙ 10-6 Concreto 12 ∙ 10-6 Vidro 9 ∙ 10-6 Gráfico da dilatação linear A equação trabalhada anteriormente pode ser repre- sentada graficamente, tendo o comprimento final L em função da temperatura θ, isto é, uma função de L = L(θ). Física 50 Aplicações práticas 1. (Puccamp 2023) Uma barra de ferro de comprimento L0, à temperatura θ0 tem seu comprimento aumentado de L ao sofrer uma variação de temperatura θ sem que ocorra mudança de es- tado. Outra barra de ferro de comprimento 3 L0, à temperatura θ0 ao sofrer uma variação de temperatura 2θ sem que ocorra mudança de estado, tem seu comprimento aumentado de a) L b) 1,5 L c) 2 L d) 3 L e) 6 L Resposta: E A dilatação linear é diretamente proporcional ao comprimento inicial, à diferença de temperatura e ao tipo de material de que é feito. Como as duas barras são do mesmo material, ferro, então a nova dilatação só depende do produto entre o comprimento inicial e a diferença de temperatura. L = L0 ⋅ α ⋅ ΔT Lnovo=3 L0 ⋅ α ⋅ 2ΔT ∴ Lnovo = 6L0 ⋅ α ⋅ ΔT = 6L As lâminas bimetálicas são dispositivos mecânicos compostos por duas camadas de metais com diferentes coeficientes de dilatação térmica. Esses materiais são es- colhidos especificamente por suas propriedades térmicas distintas, que permitem que a lâmina se curve ou deforme quando exposta a variações de temperatura. A dilatação térmica é um fenômeno físico que ocorre em praticamente todos os materiais quando são aqueci- dos. Cada substância tem um coeficiente de dilatação tér- mica único, que representa a taxa na qual ela se expande ou contrai em resposta às mudanças de temperatura. Na situação inicial, temos as lâminas com mesmo ta- manho L0, porém coeficientes lineares diferentes. Após o aquecimento, ocorre a curvatura em ambas. No caso das lâminas bimetálicas, quando expostas ao calor, a camada de metal com maior coeficiente de dilata- ção se expande mais rapidamente do que a camada adja- cente com menor coeficiente. Essa diferença de expansão resulta em uma curvatura ou deformação da lâmina. 3. Dilatação Superficial A dilatação superficial é um fenômeno físico que ocor- re quando um sólido se expande em duas dimensões, ou seja, em sua superfície. Assim como a dilatação linear, a dilatação superficial é uma consequência do aumento da temperatura. A dilatação superficial é caracterizada pelo aumento da área do objeto quando ele é aquecido. A quantidade de dilatação superficial depende do coeficiente de dilatação superficial do material, que é uma propriedade física espe- cífica de cada substância e também costuma ser expresso em unidades de °C-1. A dilatação superficial pode ser calculada utilizando a fórmula: ∆A = A0 ∙ β ∙ ∆θ Em que: ΔA é a variação da área, β é o coeficiente de dilatação superficial, A0 é a área inicial do sólido, Δθ é a variação de temperatura. É importante destacar que a dilatação superficial fun- ciona como se ocorressem suas dilatações lineares, uma em cada dimensão. Por essa razão: β = 2α Fazendo ΔA = A – A0: A = A0 (1+ β ∙ ∆θ) VOLUME 4 | CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias 51 Observação: quando há um orifício em uma superfí- cie de uma certa substância, e esta passa por um processo de expansão, o orifício também aumenta, esse aumento ocorre na mesma proporção que a superfície, por isso po- demos calcular o aumento do orifício calculando como se- ria o aumento de uma superfície da mesma substância de mesmo tamanho desse orifício. Gráfico da dilatação superficial A equação trabalhada anteriormente pode ser repre- sentada graficamente, tendo a área final final A em função da temperatura θ, isto é, uma função de A = A(θ). Um claro exemplo da dilatação superficial é a neces- sidade de juntas de dilatação em estruturas de concreto, pontes, por exemplo, suportando as forças de tensão que se originam da expansão superficial da ponte. Aplicações práticas 1. (Acafe 2022) Em uma forma de esterilização, com dimen- sões de 20 cm × 40 cm, desprezando a altura da borda, feita de um material cujo coeficiente de dilatação linear α = 10 ⋅ 10-6 °C-1 tem a temperatura alterada de 90°C para 10°C respectivamente. Determine a área total final, após a variação de temperatura. a) 798,72 cm2 b) 801,28 cm2 c) 800,72 cm2 d) 799,12 cm2 Resposta: A Expressão para a área final da peça. A = A0 ⋅ (1 + 2α ⋅ ΔT) Substituindo-se os dados fornecidos, finalmente resulta: A = (20 cm ⋅ 40 cm) (1 + 2⋅10⋅10-6 °C-1 ⋅ (10 °C - 90 °C) = = 800 cm2 (1 + 2 ⋅ 10 -5 °C -1 ⋅ (-80 °C) = = 800 cm2 - 1,28 cm2 ∴A=798,72 cm 2 4. Dilatação volumétrica Por fim, quando um corpo dilata em 3 dimensões, te- mos a dilatação volumétricas. Ela será utilizada nos casos em que os corpos estudados sejam, por exemplo, sólidos geométricos ou líquidos (estes apresentam unicamente di- latação volumétrica em todos os casos). Para tal, imagine um corpo cujo volume inicial V0, em uma temperatura θ0, sofra uma alteração de temperatura para θ. Experimentalmente, temos que a variação do vo- lume �v é proporcional ao volume inicial, à variação de temperatura e a um coeficiente que depende do material. A dilatação volumétrica pode ser calculada utilizando a fórmula: ∆V = V0 ∙ 𝛾 ∙ ∆θ Em que: ΔV é a variação do volume, 𝛾 é o coeficiente de dilatação volumétrica, V0 é o volume inicial do sólido, Δθ é a variação de temperatura.