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Capítulo 16422 6. Ondas periódicas bidimensionais e tridimensionais Já analisamos com algum detalhe as ondas que se propagam em uma única dimen- são, como, por exemplo, as ondas longitudinais e as transversais em uma mola. Vamos agora analisar situações em que as ondas se propagam em duas dimensões (plano), como as ondas na superfície da água, e em três dimensões (espaço), como o som. Para esses casos, se a onda for periódica, pode-se também considerar o comprimento de onda (λ) como a distância percorrida pela onda durante um intervalo de tempo de um período (T), isto é, sendo v a velocidade de propagação da onda, continuam válidas as equações: v = λ T ou v = λ · f em alguns casos é possível visualizar o comprimento de onda. Por exemplo, no caso de ondas periódicas produzidas na superfície da água, o comprimento de onda é a dis- tância entre duas cristas consecutivas (ou entre dois vales consecutivos). Superfície e linha de onda Voltemos ao exemplo de ondas produzidas na superfície da água. supondo que a perturbação seja originada por uma haste fina que penetra e sai da água num determi- nado ponto C, perpendicularmente à superfície, perceberemos cristas e vales circulares, de centro C e que se afastam de C (fig. 28). Vamos representar as cristas por circunferências de centro C (fig. 29). se a perturba- ção for periódica, a distância entre cristas consecutivas será igual ao comprimento de onda λ. As circunferências da figura 29 são chamadas de linhas de onda, e dizemos que a onda é circular. A lA M y /O T H e r i M A G e s Figura 28. Ondas circulares na superfície da água. v v v λ λ λv v v v v P C Figura 29. Representação esquemática das ondas circulares. Na realidade, as linhas de onda não têm de representar, obrigatoriamente, as cris- tas. elas podem representar vales ou outra configuração qualquer. O importante é que todos os pontos de uma linha de onda oscilem juntos, isto é, oscilem em fase. Por exemplo, no caso do ponto P da figura 29, no instante representado ele está em uma crista, mas, logo depois, começará a descer. Porém, uma circunferência que passe por P continua a ser chamada de linha de onda, qualquer que seja a elongação de P. Façamos agora outro experimento sobre a superfície da água. em vez de usarmos uma haste fina que penetra na água perpendicularmente à superfície, tomemos uma z A P T Ondas 423 placa fina e comprida que atinja periodicamente a superfície da água ao longo de uma reta s contida na superfície, como ilustra a figura 30. Perceberemos que, nesse caso, as cristas e os vales serão retilíneos. Portanto, as linhas de onda também serão retilíneas (fig. 31), e a onda é denominada onda reta. λ v vS λ λ λ Figura 30. Figura 31. v S v λ λ λ λ Figura 32. êmbolo C P superfícies de onda λ λ λ λ λ λ λ Figura 33. Representação de onda esférica. λ Fonte F superfícies de onda Figura 34. Representação de onda esférica. Voltemos a um exemplo discutido anteriormente: o das ondas longitudinais produ- zidas num gás contido em um tubo (fig. 16). Na figura 32, se tomarmos, por exemplo, um ponto P e todos os seus vizinhos que têm a mesma elongação, obteremos o círculo C assinalado. Portanto, nesse caso, em vez de linhas de onda teremos superfícies de onda planas e, por esse motivo, essa onda é chamada de onda plana. Imaginemos agora uma fonte sonora F muito pequena (puntiforme), produzindo on- das que se propagam de modo uniforme em todas as direções. Nesse caso, as compres- sões e rarefações serão cascas esféricas (fig. 33), e as superfícies de onda serão superfícies esféricas de centro F, como ilustra a figura 34, na qual desenhamos apenas as metades das superfícies esféricas (hemisférios). Essa onda é denominada onda esfŽrica. z a P t z a P t Lu Iz a u g u s t o R Ib E IR o Capítulo 16424 À superfície de onda (ou linha de onda) que separa a região já atingida pela onda da região aonde a onda ainda não chegou daremos o nome de frente de onda. Porém, alguns autores usam o nome frente de onda como sinônimo de superfície de onda. Raio de onda Do mesmo modo que fizemos com a luz (ver estudo da óptica geométrica no capí- tulo 8), para representar a direção e o sentido de propagação de uma onda, usam-se linhas orientadas chamadas de raios de onda. se o meio em que a onda se propaga for homogêneo e isótropo, os raios de onda serão retilíneos e perpendiculares às super- fícies (ou linhas) de onda (fig. 35). linha de onda raio de onda (a) Onda circular. linha de onda raio de onda raio raio F (b) Onda reta. (c) Onda plana. (d) Onda esférica. um meio é homogêneo quando todas as suas partes têm as mesmas propriedades. um meio é chamado de isótropo quando qualquer proprie- dade referente a ele não depende da direção. um meio não isótropo é tam- bém chamado de anisótropo. Quando um meio é isótropo, mas não homogêneo, os raios podem ser curvos (fig. 36). Vimos isso acontecer no estudo da refração atmosférica (capítulo 11 deste volume). Porém, neste caso, os raios continuam perpen- diculares às superfícies (ou linhas) de onda, em cada ponto. Há alguns cristais que são anisótropos, isto é, a velocidade de propaga- ção do som não é a mesma em todas as direções. Nesses casos, o raio de onda pode não ser perpendicular à superfície (ou linha) de onda (fig. 37). Daqui em diante, a não ser que se mencione o contrário, suporemos que os meios são homogêneos e isótropos. Amplitude de uma onda não reta e não plana No caso de uma onda que se propaga em uma corda, vimos que, des- prezando-se os atritos internos, a amplitude da onda se mantém constante. O mesmo ocorre para ondas retas e planas que se propagam numa única direção. Porém, no caso de ondas que se propagam em várias direções, a amplitude diminui à medida que a onda se afasta da fonte. Figura 35. Representação dos raios de onda para os diferentes tipos de onda. raio linha de onda raio linha de onda α ≠ 90° β ≠ 90° α β Figura 36. Figura 37. Tomemos, por exemplo, o caso das ondas circulares produzidas na superfície da água. À medida que a onda se afasta da fonte, as linhas de onda têm perímetros cada vez maiores. isso significa que a energia da onda se distribui por um número de partí- culas cada vez maior, isto é, as partículas que estão mais distantes da fonte têm menos il u sT r A ç õ es : zA PT