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ASSISTÊNCIA 
FARMACÊUTICA
Liliana Rockenbach
Componente Especializado 
da Assistência Farmacêutica
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer os aspectos conceituais do Componente Especializado.
  Identificar as formas de financiamento.
  Explicar como se dá o acesso aos medicamentos do Componente 
Especializado.
Introdução
A Assistência Farmacêutica (AF) é parte essencial das estratégias do Sis-
tema Único de Saúde (SUS) e funciona a partir de três componentes: 
Básico, Estratégico e Especializado. Principalmente na busca pelo aumento 
do acesso da população aos medicamentos e na promoção do uso 
racional dos mesmos, o Componente Especializado está relacionado à 
integralidade do tratamento. 
Neste capítulo, você vai estudar um dos três componentes da Assis-
tência Farmacêutica no âmbito o SUS, o Especializado, conceituando-o, 
identificando as suas formas de financiamento e reconhecendo como a 
população tem acesso aos medicamentos que o integram.
Aspectos conceituais do Componente 
Especializado
A Assistência Farmacêutica (AF) é um grupo de atividades relacionadas com 
os medicamentos e destinadas a apoiar as ações de saúde demandadas por uma 
comunidade. Envolve o abastecimento de medicamentos em todas e em cada 
uma de suas etapas constitutivas, a conservação e o controle de qualidade, a 
segurança e a efi cácia terapêutica dos medicamentos, o acompanhamento e a 
avaliação da utilização, a obtenção e a difusão de informação sobre medica-
mentos e a educação permanente dos profi ssionais de saúde, do paciente e da 
comunidade para assegurar o uso racional de medicamentos. Essa é defi nição 
dada à Assistência Farmacêutica na Política Nacional de Medicamentos 
(PNM), publicada na Portaria nº. 3.916, de 30 de outubro de 1998 (BRASIL, 
1998). A PNM formalizou a implementação da AF como estratégia do SUS 
e representou um avanço importante para nortear as ações de AF no país. 
Contudo, devido à descentralização do SUS, tornaram-se necessárias novas 
estratégias para articulação e integração dos setores e promoção do aumento 
do acesso da população aos medicamentos (BRASIL, 2018a). Assim, em 6 de 
maio de 2004, a Resolução nº. 338, do Conselho Nacional de Saúde, aprovou 
a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF).
Sempre na busca por melhorar o acesso da população aos medicamentos 
e promover o seu uso racional, atualmente, a Assistência Farmacêutica é 
divida em 3 componentes, que se diferenciam por objetivo de tratamento, 
financiamento, logística e custo: Básico, Estratégico e Especializado. Neste 
capítulo, você se aprofundará no Componente Especializado da Assistência 
Farmacêutica (CEAF).
De acordo com a Portaria nº. 1.554, de 30 de julho de 2013, que “Dispõe 
sobre as regras de financiamento e execução do Componente Especializado 
da Assistência Farmacêutica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)”, o 
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica:
[...] é uma estratégia de acesso a medicamentos no âmbito do SUS, caracteri-
zado pela busca da garantia da integralidade do tratamento medicamentoso, 
em nível ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão definidas em Protoco-
los Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados pelo Ministério da Saúde 
(BRASIL, 2013a, documento on-line).
O CEAF atende, principalmente, a agravos crônicos de tratamento de custos 
mais elevados ou de maior complexidade (BRASIL, 2017). 
Hoje regulamentado pela Portaria nº. 1.554, de 30 de julho de 2013, o CEAF 
foi regulamentado, inicialmente, pela Portaria nº. 2.981, de 26 de novembro 
de 2009, surgindo anos depois da Política Nacional de Medicamentos. A 
construção do CEAF foi uma consequência da revisão do Componente Básico 
da Assistência Farmacêutica e da RENAME. A partir da revisão dessas duas 
ferramentas, foi possível identificar a necessidade e as vantagens de separar 
o elemento básico do atendimento inicial do elemento especializado voltado 
para o tratamento crônico ou de enfermidades mais complexas, garantindo, 
assim, a integralidade do tratamento (BRASIL, 2010; BRASIL, 2018b). 
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica2
Para nortear os cuidados de saúde e garantir o tratamento integral aos pa-
cientes, o CEAF conta com cinco tipos diferentes de documentos norteadores.
De acordo com a CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tec-
nologias no SUS), os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) 
são documentos que estabelecem critérios para o diagnóstico da doença ou 
do agravo à saúde; o tratamento preconizado com os medicamentos e demais 
produtos apropriados, as posologias recomendadas; os mecanismos de controle 
clínico; e o acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos a serem 
seguidos pelos gestores do SUS. Devem ser baseados em evidência científica 
e considerar critérios de eficácia, segurança, efetividade e custo-efetividade 
das tecnologias recomendadas (COMISSÃO..., 2018). 
Dentro das diretrizes terapêuticas, e ao mesmo tempo em adição a elas, 
temos as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT) em Oncologia, 
que seguem os mesmos preceitos das PCDTs, mas voltadas para a oncologia 
e diferenciadas porque não são restritas às tecnologias disponibilizadas pelo 
SUS, mas, sim, ao que pode ser oferecido a esses pacientes, considerando 
o financiamento repassado aos centros de atenção e a autonomia desses na 
escolha da melhor opção para cada situação clínica (COMISSÃO..., 2018).
Conta-se, também, com os protocolos de uso, que são os protocolos nor-
mativos que fornecem os critérios, parâmetros e padrões para a utilização 
de uma tecnologia específica em determinada doença ou condição — um 
exemplo é o protocolo de uso do cardioversor desfibrilador implantável (CO-
MISSÃO..., 2018).
As diretrizes nacionais/brasileiras norteiam as melhores práticas a serem 
seguidas por profissionais de saúde e gestores, tanto do setor público de saúde 
quanto do privado — por exemplo, temos Diretrizes Brasileiras para Atenção 
Integral às Pessoas com Doenças Raras (COMISSÃO..., 2018).
As linhas de cuidados demonstram como deve ser a organização do sistema 
de saúde para garantir um cuidado integrado e continuado de determinada 
enfermidade, de forma a atender às necessidades de saúde do usuário do SUS 
em sua integralidade. É o único dos cinco tipos de documentos norteadores que 
não é aprovado mediante Portarias do Ministério da Saúde, configurando um 
documento oficial que prevê a condução de certo agravo, incluindo estratégias 
de educação em saúde — por exemplo, temos a Linha de Cuidado de Acidente 
Vascular Cerebral (AVC) na Rede de Atenção às Urgências e Emergências.
Portanto, no CEAF, os medicamentos e outras tecnologias em saúde ne-
cessários para garantir a integralidade são definidos nos Protocolos Clínicos 
e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) por meio das diferentes linhas de cuidado. 
3Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
Logo, para atender às linhas de cuidado, é essencial que haja a articulação 
entre as diferentes políticas de saúde, sejam elas no campo da Assistência 
Farmacêutica ou em outras áreas, como os outros serviços ambulatoriais e hos-
pitalares. Consequentemente, é essencial, também, para atendimento integral 
das doenças do CEAF, a interação entre a Relação Nacional de Medicamentos 
Essenciais (RENAME) e a Relação Nacional de Serviços e Ações de Saúde 
(RENASES) (BRASIL, 2018b).
No que diz respeito estritamente ao tratamento medicamentoso no âmbito 
da Assistência Farmacêutica, o Componente Especializado é diretamente 
relacionado com o Componente Básico, já que o tratamento de muitas doenças 
incluídas no CEAF deve ser iniciado na atenção básica. Esse entendimento 
contribui para a garantia da integralidade do tratamento medicamentoso e 
facilita a divisão das responsabilidades entre os entes federados. Contudo, 
justamente por serem articulados, esses componentes não podem ser con-
fundidos ou sobrepostos. Porisso, as revisões do Componente Básico, do 
CEAF e da RENAME foram articuladas para excluir as sobreposições e 
efetivar as incorporações de medicamentos necessários para a integralidade 
do tratamento medicamentoso na forma de linhas de cuidado, definidas nos 
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para as doenças inseridas no 
CEAF (BRASIL, 2010).
A relação de medicamentos correspondente ao CEAF é contemplada nos 
anexos I e III da RENAME— são 90 fármacos e alguns com mais de um tipo 
de forma farmacêutica. O CEAF é dividido em três grupos, como veremos a 
seguir. De acordo com a Portaria GM/MS 1.996, de 11 de setembro de 2013, os 
medicamentos do CEAF “[...] somente serão autorizados para as doenças descritas 
na Classificação Estatística Internacional de Problemas e Doenças Relacionados 
à Saúde - 10ª revisão (CID-10)” (BRASIL, 2013b, documento on-line).
Veja o link a seguir para saber mais informações sobre o Componente Especializado. 
https://goo.gl/Dg2gTX
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica4
Financiamento do Componente Especializado
De acordo com a Portaria GM/MS nº. 1.554, de 30 de julho de 2013, o CEAF é 
composto por três grupos, que se diferenciam em relação ao tipo de fi nancia-
mento e são defi nidos de acordo com os critérios a seguir (BRASIL, 2013a):
  Grupo I — complexidade do tratamento da doença;
  Grupo II — garantia da integralidade do tratamento da doença no 
âmbito da linha de cuidado; e
  Grupo III — manutenção do equilíbrio financeiro entre as esferas de 
gestão do SUS.
Independentemente do grupo, o fornecimento de medicamentos padronizados no 
CEAF deve obedecer aos critérios de diagnóstico, indicação de tratamento, inclusão e 
exclusão de pacientes, esquemas terapêuticos, monitoramento, acompanhamento e 
demais parâmetros contidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), 
estabelecidos pelo Ministério da Saúde, de abrangência nacional (BRASIL, 2018b).
Grupo 1
Conforme cita o artigo 5º da Portaria GM/MS nº. 1.554, de 30 de julho de 
2013, o Grupo 1 é defi nido de acordo com os seguintes critérios específi cos:
  maior complexidade do tratamento da doença;
  refratariedade ou intolerância à primeira e/ou à segunda linha de 
tratamento;
  medicamentos que representam elevado impacto financeiro para o 
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica; e
  medicamentos incluídos em ações de desenvolvimento produtivo no 
complexo industrial da saúde.
5Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
Os medicamentos desse grupo são financiados pelo Ministério da Sáude, 
mas, com relação ao financiamento, esse grupo ainda é subdividido em 1A e 1B:
  Grupo 1A: além do financiamento, o Ministério da Saúde também é 
responsável pela aquisição dos medicamentos desse subgrupo e, então, 
fornece-os para as Secretarias de Saúde dos estados e Distrito Federal, 
sendo delas a responsabilidade pela programação, pelo armazenamento, 
pela distribuição e pela dispensação para tratamento das doenças 
contempladas no âmbito do CEAF; 
  Grupo 1B: o Ministério da Saúde é responsável apenas pelo seu finan-
ciamento, transferindo os recursos financeiros para as Secretarias de 
Saúde dos estados e do Distrito Federal, que os adquirem. É também 
dessas secretarias a responsabilidade pela programação, pelo armazena-
mento, pela distribuição e pela dispensação para tratamento das doenças 
contempladas no âmbito do CEAF (as características desse subgrupo 
tiveram alterações, sendo revogada a definição inicial constante na 
Portaria GM/MS nº. 1.554, de 2013, e substituída pela Portaria GM/
MS nº. 1.996, de 11 de setembro de 2013) (BRASIL, 2013b).
Grupo 2
Conforme o artigo 6º da portaria Portaria GM/MS nº. 1.554, de 2013, este 
grupo se caracteriza pelos seguintes critérios específi cos:
  menor complexidade do tratamento da doença em relação ao Grupo 1; e
  refratariedade ou intolerância à primeira linha de tratamento.
O financiamento dos medicamentos pertencentes ao Grupo 2 é de respon-
sabilidade das Secretarias de Saúde dos estados e do Distrito Federal, que são 
também responsáveis pela aquisição, pela programação, pelo armazenamento, 
pela distribuição e pela dispensação para tratamento das doenças contempla-
das no âmbito do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.
Grupo 3
Conforme o artigo 7º da portaria Portaria GM/MS nº. 1.554, de 2013, este 
grupo inclui “[...] os medicamentos constantes no CEAF e indicados pelos 
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, publicados na versão fi nal pelo 
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica6
Ministério da Saúde como a primeira linha de cuidado para o tratamento das 
doenças contempladas pelo Componente Especializado da AF”(BRASIL, 
2013a, documento on-line).
Os medicamentos do Componente Básico são financiados pelas três esferas, 
União, estados e municípios, mas é responsabilidade das Secretarias de Saúde 
do Distrito Federal e dos municípios realizar sua aquisição, sua programação, 
seu armazenamento, sua distribuição e sua dispensação, conforme estabele-
cido no ato normativo específico que regulamenta o Componente Básico da 
Assistência Farmacêutica.
O Componente Especializado objetiva garantir o tratamento integral do cidadão. 
Para isso, é essencial que as diferentes políticas estejam articuladas, em especial, a 
Assistência Farmacêutica, a RENAME e a RENASES.
Conforme a Portaria nº. 841, de 2 de maio de 2012, que “publica a Relação Nacional 
de Ações e Serviços de Saúde (RENASES) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e 
dá outras providências”, “o financiamento das ações e serviços da Saúde (RENASES) será 
tripartite, conforme pactuação, e a oferta das ações e serviços pelos entes federados 
deverá considerar as especificidades regionais, os padrões de acessibilidade, o refe-
renciamento de usuários entre municípios e regiões, e a escala econômica adequada.
Art. 3º
A RENASES está organizada nos seguintes componentes:
I - ações e serviços da atenção básica (primária);
II - ações e serviços da urgência e emergência;
III - ações e serviços da atenção psicossocial;
IV - ações e serviços da atenção ambulatorial especializada e hospitalar;
V - ações e serviços da vigilância em saúde”.
Conforme citado inicialmente, o financiamento do CEAF procura a ma-
nutenção do equilíbrio financeiro entre as esferas de gestão do SUS. Assim, 
depois de conhecer as características de cada um dos três grupos, podemos 
concluir que a manutenção do equilíbrio financeiro entre as esferas de gestão 
do SUS significa que as três esferas de governo estão envolvidas no finan-
ciamento dos medicamentos pertencentes a esse componente, mas não que 
elas têm participação igualitária: a União, cujos recursos são maiores, arca 
com os maiores custos, os estados arcam com custos menores que a União, 
7Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
mas menores que os dos municípios, e, por fim, os municípios ficam com os 
menores custos (Figura 1).
Figura 1. Competências de cada esfera governamental quanto aos medicamentos do CEAF.
Fonte: Paraná (2018, documento on-line).
Acesso ao Componente Especializado
O acesso e a dispensação dos medicamentos do CEAF obedecem a critérios 
previamente estabelecidos pelo Ministério da Saúde nos Protocolos e Diretrizes 
Terapêuticas (PCDT). Então, para ter acesso aos medicamentos dos Grupos 1 
e 2 do CEAF, é necessário que o usuário abra um processo administrativo na 
Farmácia de Medicamentos Especiais, se houver na cidade, ou na Secretaria 
Municipal de Saúde, e que o médico preencha o laudo para solicitação de 
medicamento especializado e o formulário “Cadastro de Usuários”.
O processo de solicitação dos medicamentos é iniciado pelo usuário, ou 
por seu responsável, por meio da apresentação dos seguintes documentos:
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica8
  cópia do Cartão Nacional de Saúde (CNS);
  cópia de documento de identidade (certidão de nascimento, para crianças 
sem RG; RG,carteira de motorista, carteira profissional e carteira de 
trabalho).
  cópia de comprovante de residência;
  laudo para solicitação, avaliação e autorização de medicamentos (LME) 
devidamente preenchido pelo médico prescritor;
  prescrição médica;
  exames exigidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, 
conforme a doença e o medicamento solicitado;
  Termo de Esclarecimento e Responsabilidade (TER) assinado pelo 
médico e pelo usuário ou seu responsável, de acordo com a condição 
clínica; 
  relatórios específicos para:
 ■ artrite reumatóide;
 ■ comportamento agressivo no transtorno do espectro do autismo;
 ■ distúrbio mineral e ósseo na doença renal crônica;
 ■ esclerose múltipla;
 ■ hepatite C;
 ■ ictioses hereditárias;
 ■ síndrome de Guillain-Barré;
 ■ transtorno afetivo bipolar do tipo I.
O termo de esclarecimento é solicitado para diversos medicamentos ou 
enfermidades — por exemplo, quem tem acne grave deve assinar atestando que 
conhece os riscos do tratamento com Isotretinoína, que incluem pancreatite e 
hepatite, e mulheres ainda devem assumir o compromisso de não engravidar 
durante o tratamento.
Os relatórios específicos são necessários para avaliar particularidades das 
doenças e a efetividade do tratamento.
Após a entrega completa de todos os documentos, a solicitação é avaliada 
com base nos critérios definidos nos PCDT e, em caso de deferimento, será 
autorizada a dispensação do medicamento. A cada três meses, o cidadão 
precisa fazer o pedido de renovação para continuar o tratamento.
Fritzen, Motter e Paniz (2017) investigaram a prevalência de adesão ao 
tratamento com medicamentos do CEAF e sua associação com o acesso regular 
em usuários do município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O estudo 
transversal avaliou o tratamento de adultos de 20 anos ou mais, usuários desse 
grupo de medicamentos na localidade, e demonstrou que os tratamentos do 
9Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
CEAF mais requeridos foram os imunomoduladores e anticancerígenos. Os 
pesquisadores concluíram que a regularidade no acesso gratuito aos medica-
mentos do CEAF é essencial para adesão ao tratamento, porque tem impacto 
no comportamento do usuário, contribuindo para seu comprometimento com o 
tratamento e para o autocuidado. Por isso, os autores ressaltam a importância 
da programação desse componente para evitar que ocorram irregularidades no 
acesso devido à falta de fornecimento (FRITZEN; MOTTER; PANIZ, 2017).
O quadro da Figura 2, a seguir, mostra os principais medicamentos do 
CEAF solicitados entre 2010 e 2014, de acordo com os dados do Ministério 
da Saúde (BRASIL, 2014).
Figura 2. Os medicamentos do CEAF mais solicitados ao longo dos anos após a sua criação.
Fonte: Brasil (2014, p. 92).
Uma vez que o objetivo da criação do CEAF é aumentar o acesso aos 
medicamentos, garantindo um acompanhamento integral e o uso correto dos 
medicamentos, veja a Figura 3, a seguir, que mostra um levantamento realizado 
pelo próprio Ministério da Saúde com o número absoluto de pessoas tratadas 
antes e depois da criação do CEAF, em 2009. O gráfico aponta para o efetivo 
aumento de cidadãos tratados (BRASIL, 2014).
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica10
Figura 3. Dados do CEAF: os números de 2008 a 2009 correspondem ao período anterior 
ao CEAF.
Fonte: Brasil (2014, p. 90). 
1. Os medicamentos do Componente 
Especializado da Assistência 
Farmacêutica (CEAF) atendem ao 
tratamento de doenças crônicas, 
complexas e/ou tratamentos de 
alto custo. O CEAF surgiu a partir 
das revisões do Componente Básico 
(CBAF) e da Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais (RENAME), 
tendo por objetivo principal:
a) diminuir custos para os 
municípios, pois, ao retirar 
os tratamentos de alto 
custo do CBAF para o 
CEAF, seu financiamento 
passa a ser responsabilidade 
do governo federal.
b) criar novas estratégias para 
garantir o tratamento integral 
do usuário do SUS e aumentar 
o acesso da população a 
esses tratamenntos.
c) aumentar o acesso da 
população aos tratamentos 
ambulatoriais.
d) criar guias nacionais para 
uniformizar o tratamento 
das doenças de alto custo e 
evitar gastos desnecessários.
e) integralidade e descentralização 
dos tratamentos de alto custo.
2. De acordo com a Portaria GM/MS 
nº. 1.554, de 30 de julho de 2013, 
um dos critérios para divisão dos 
grupos do CEAF é a manutenção do 
equilíbrio financeiro entre as esferas 
de gestão do SUS. Isso significa 
que o financiamento do CEAF:
a) é de responsabilidade apenas 
e total do Ministério da Saúde.
11Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
b) é dividido igualmente 
entre os diferentes âmbitos 
governamentais, União, 
estados e municípios.
c) é dividido entre a União, cujos 
recursos são maiores, arcando 
com os maiores custos; estados, 
que arcam com custos menores 
que os da União, mas menores 
que os dos municípios; e, por 
fim, os municípios, que ficam 
com os menores custos.
d) não conta com a participação 
de verba municipal.
e) é de responsabilidade dos 
governos federal e estadual, 
que possuem mais recursos.
3. O Grupo 1 do CEAF atende 
a doenças que requerem 
tratamentos de maior 
complexidade; pacientes refratários 
ou intolerantes à primeira e/ou 
à segunda linha de tratamento; 
e, ainda, medicamentos que 
representam elevado impacto 
financeiro ou medicamentos 
incluídos em ações de 
desenvolvimento produtivo 
no complexo industrial da 
saúde. Assinale a alternativa que 
aponta corretamente a diferença 
entre os medicamentos dos 
Grupos 1A (G1A) e 1B (G1B).
a) Ambos são financiados 
pelo governo estadual, mas 
o G1A tem sua aquisição 
também sob responsabilidade 
do governo estadual e 
programação, armazenamento, 
distribuição e dispensação 
sob responsabilidade 
municipal. O G1B é adquirido, 
programado, armazenado, 
distribuído e dispensado pelo 
estado mediante repasse 
financeiro da União.
b) Ambos são financiados 
pelo governo estadual, mas 
o G1A tem sua aquisição 
também sob responsabilidade 
do governo estadual e 
programação, armazenamento, 
distribuição e dispensação 
sob responsabilidade 
municipal. O G1B é adquirido, 
programado, armazenado, 
distribuído e dispensado 
pelo município mediante 
repasse financeiro da União.
c) Ambos são financiados 
pelo governo estadual, mas 
o G1A tem sua aquisição 
também sob responsabilidade 
do governo estadual e 
programação, armazenamento, 
distribuição e dispensação 
sob responsabilidade 
municipal. O G1B é adquirido, 
programado, armazenado, 
distribuído e dispensado 
pelo município mediante 
repasse financeiro do Estado.
d) Ambos são financiados pelo 
governo federal, mas o G1A 
tem sua aquisição também 
sob responsabilidade 
do governo federal e 
programação, armazenamento, 
distribuição e dispensação 
sob responsabilidade 
estadual. O G1B é adquirido, 
programado, armazenado, 
distribuído e dispensado pelo 
estado mediante repasse 
financeiro da União.
e) Ambos são financiados pelos 
governos federal, estadual e 
municipal, mas o G1A tem sua 
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica12
aquisição, sua programação, 
seu armazenamento, sua 
distribuição e sua dispensação 
sob responsabilidade estadual. 
O G1B é adquirido, programado, 
armazenado, distribuído e 
dispensado pelo município. 
4. Para ter acesso aos medicamentos 
especializados, o usuário precisa 
abrir um processo de solicitação 
e entregar diversos documentos. 
Os documentos que devem ser 
fornecidos pelo médico são:
a) cópia do Cartão Nacional de 
Saúde (CNS), prescrição médica 
e Termo de Esclarecimento e 
Responsabilidade (TER) assinado.
b) prescrição médica; exames 
exigidos nos Protocolos Clínicos 
e Diretrizes Terapêuticas, 
conforme a doença e o 
medicamento solicitado, e 
Termo de Esclarecimento e 
Responsabilidade (TER) assinado 
pelo médico e pelo usuário 
ou seu responsável, de acordo 
com a condição clínica. 
c) cópia do Cartão Nacional 
de Saúde (CNS); laudo para 
solicitação, avaliaçãoe 
autorização de medicamentos 
— LME; prescrição médica; 
exames exigidos nos Protocolos 
Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, 
conforme a doença e o 
medicamento solicitado, 
e Termo de Esclarecimento e 
Responsabilidade (TER) assinado 
pelo médico e pelo usuário 
ou seu responsável, de acordo 
com a condição clínica. 
d) laudo para solicitação, avaliação 
e autorização de medicamentos 
— LME; prescrição médica; 
exames exigidos nos Protocolos 
Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, 
conforme a doença e o 
medicamento solicitado.
e) laudo para solicitação, 
avaliação e autorização de 
medicamentos — LME; prescrição 
médica; exames exigidos nos 
Protocolos Clínicos e Diretrizes 
Terapêuticas, conforme a doença 
e o medicamento solicitado, 
e Termo de Esclarecimento e 
Responsabilidade (TER) assinado 
pelo médico e pelo usuário 
ou seu responsável, de acordo 
com a condição clínica. 
5. Os medicamentos do Componente 
Especializado terão seu pedido 
liberado para dispensação 
apenas se:
a) a solicitação estiver de acordo 
com os recursos locais do 
Componente Especializado da 
Assistência Farmacêutica (CEAF).
b) a solicitação estiver de acordo 
com os critérios definidos 
nas linhas de cuidado.
c) a solicitação estiver de acordo 
com os critérios definidos nos 
Protocolos Clínicos e Diretrizes 
Terapêuticas (PCDT) ou nas 
Diretrizes Diagnósticas e 
Terapêuticas em Oncologia 
(DDT) — se for um 
caso oncológico.
d) a solicitação estiver de acordo 
com os critérios definidos 
nas Diretrizes Diagnósticas e 
Terapêuticas em Oncologia (DDT).
e) a solicitação estiver de acordo 
com os critérios definidos 
nos protocolos de uso.
13Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência farmacêutica no SUS: 20 anos de políticas e 
propostas para desenvolvimento e qualificação: relatório com análise e recomen-
dações de gestores, especialistas e representantes da sociedade civil organizada. 
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BRASIL. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: RENAME 
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PARANÁ. Secretaria de saúde. Componente especializado da assistência farmacêutica. 
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Leituras recomendadas
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BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº. 338, de 06 de maio de 2004. Aprova a Política 
Nacional de Assistência Farmacêutica. Brasília, DF, 2004. Disponível em: <http://bvsms.
saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2004/res0338_06_05_2004.html>. Acesso em: 26 
nov. 2018.
RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Saúde. Componente especializado. 2018. Disponível 
em: <http://www.saude.rs.gov.br/componente-especializado>. Acesso em: 24 nov. 2018. 
15Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
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