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PARASITOLOGIA
O Filo Arthropoda agrupa mais de 1 milhão de espécies conhecidas e catalogadas, o que corresponde a mais de 80% de todas as espécies de animais descritas. Os artrópodes são animais invertebrados, dotados de apêndices articulados, exoesqueleto quitinoso e corpo segmentado. Habitam praticamente todos os habitats do planeta.
A classificação é debatida há séculos, e a tecnologia da filogenética molecular fornece uma nova relação entre os principais grupos dos artrópodes. Atualmente, de importância médica-veterinária, reconhece-se a divisão entre duas principais classes: Insecta e Arachnida, que, por sua vez, são divididas emordens, famílias, gêneros e espécies.
As picadas desses animais causam reações locais, e algumas espécies são venenosas. As de maior importância no estudo da Parasitologia Veterinária, porém, são as espécies que causam grandes infestações, comprometendo produtividade, e que desencadeiam reações alérgicas e transmitem patógenos causadores de doenças nos animais.
No contexto da Parasitologia Veterinária, denominam-se ectoparasitas os artrópodes considerados parasitas, ou seja, organismos que se alimentam e vivem o ciclo evolutivo, ou parte dele, na superfície do hospedeiro.
Os artrópodes podem ser vetores, ou seja, transmitem patógenos entre dois hospedeiros ou hospedeiros intermediários, os quais abrigam o patógeno em sua fase larval, com mudanças de estágios, e depois transmitem ao hospedeiro definitivo.
EXEMPLIFICANDO
A espécie de cestoide Dipylidium caninum é um parasita zoonótico de cães, gatos e, raramente, humanos. As pulgas são os hospedeiros intermediários pois albergam a fase larval do verme, enquanto os cães e gatos são os hospedeiros definitivos no ciclo de desenvolvimento da tênia.
Na disciplina de Parasitologia Veterinária, define-se a especialidade de entomologia como o estudo de insetos de importância veterinária, mas pode-se ampliar o termo para todos os artrópodes que parasitam os animais.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na Parasitologia Veterinária, as classes de importância são: Insecta e Arachnida. Na classe Insecta, incluem-se 30 ordens, sendo as ordens Diptera, Siphonaptera e Phthiraptera as de importância na medicina veterinária.
ia na medicina veterinária.
A estrutura do corpo dos artrópodes desta classe são: cabeça, tórax e abdome distintos, três pares de pernas e um par de antenas. Na cabeça, encontra-se um par de olhos e o aparelho bucal, com diversos formatos referentes à dieta. As pernas dos insetos têm funções especializadas para parasitar o hospedeiro, seja para correr, pular ou agarrar. Algumas espécies podem apresentar asas.
Na maioria das ordens, o ciclo evolutivo dos insetos, os estágios juvenis e adultos, se assemelham em sua forma. O estágio juvenil é denominado ninfa e, durante seu desenvolvimento, os insetos trocam a cutícula algumas vezes, aumentando o tamanho e tornando-se adultos. A Figura 1 apresenta o ciclo evolutivo descrito como desenvolvimento hemimetábolo, ou incompleto.
Figura 1. Representação do ciclo evolutivo hemimetábolo dos piolhos. Fonte: Adobe Stock. Acesso em: 18/05/2021.
Em outras ordens, nas quais os insetos apresentam uma maior evolução, os estágios juvenil e adulto são diferentes. No estágio juvenil, o inseto é denominado larva, quando precisa se alimentar e crescer para se transformar em adulto, responsável pela reprodução. O ciclo evolutivo é descrito como desenvolvimento holometábolo ou completo. Durante o desenvolvimento o inseto tem o estágio de pupa, responsável pela transição jovem-adulto e no qual todo o corpo é reorganizado e reconstruído, como pode ser visto na Figura 2.
Na classe Arachnida, o corpo dos adultos apresenta: gnatossoma (peças bucais), idiossoma (cefalotórax e abdome fusionados), quatro pares de pernas e ausência de antenas. Os membros de maior importância veterinária são os ácaros e os carrapatos, sendo parasitas obrigatórios, ou seja, que precisam estar em contato direto com o hospedeiro.
Os ácaros são ectoparasitas e habitam a pele de mamíferos e aves. A alimentação se dá devido à escavação da superfície ou camadas da pele, na qual ingere restos celulares, secreções sebáceas, linfa ou sangue. O ciclo evolutivo apresenta os estágios: ovos, larvas, ninfas e adultos. Os estágios se diferenciam pelo número de pernas, com exceção dos ovos. Veja na Figura 3.
Figura 3. Representação do ciclo evolutivo dos ácaros. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 18/05/2021. (Adaptado).
Os carrapatos acometem mamíferos e aves. São ectoparasitas hematófagos obrigatórios, com alta frequência de alimentação nos hospedeiros, o que pode causar reações inflamatórias, anemias e transmissão de patógenos.
As duas principais famílias de importância veterinária são: Ixodidae e Argasidae. O ciclo evolutivo da maioria das espécies consiste nos estágios: ovos, larvas, ninfas e adultos de ciclo de um ou mais hospedeiros. Veja mais detalhes na Figura 4.
Figura 4. Representação do ciclo evolutivo do carrapato. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 18/05/2021.
 
Na medicina veterinária os artrópodes são ectoparasitas dos animais (hospedeiros vertebrados). A associação entre esses dois organismos pode resultar na transmissão de doenças, inclusive as alérgicas, lesões e diminuição no desempenho, principalmente no caso de animais de produção.
Os ectoparasitas facultativos, em geral, vivem e se alimentam na superfície do corpo do hospedeiro e permanecem neste ambiente durante a maior parte do seu ciclo evolutivo.
Já os ectoparasitas obrigatórios dependem do hospedeiro para completar o ciclo biológico, vivendo de forma contínua na superfície do corpo. De modo geral, as espécies de parasitas são hospedeiro-específicos.
Dentro deste contexto, vamos apresentar as principais ordens de artrópodes e, dentro de cada ordem, as famílias e espécies de interesse médico-veterinário.
Esta ordem possui mais de 120 mil espécies descritas. Conhecidas como “moscas verdadeiras”, possuem duas asas e o ciclo de vida completo. No ciclo evolutivo das moscas, os estágios são: ovo, larva, pupa e mosca adulta, como mostra a Figura 5.
Figura 5. Representação dos estágios do ciclo evolutivo das moscas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 18/05/2021.
Tanto no estágio de larva quanto no adulto, as moscas podem parasitar hospedeiros. No estágio adulto, porém, algumas espécies agem como vetores de doenças.
As moscas picadoras e não-picadoras, conhecidas como moscas irritantes, representam a família Muscidae. A maioria acomete animais de produção, e algumas espécies são vetores de doenças bacterianas, helmintoses e protozooses.
As principais espécies de importância médico-veterinária são Musca domestica (mosca-doméstica), Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) e Haematobia irritans (mosca dos chifres).
As fêmeas adultas da espécie Musca domestica têm de 6 a 8 mm de comprimento, e os machos adultos, 5 a 6 mm. A coloração pode variar de cinza claro a cinza escuro. O tórax apresenta quatro listras longitudinais escuras, e o abdome tem cor amarelo-acastanhado. Os olhos são avermelhados e, nas fêmeas, o espaço entre eles é o dobro do que nos machos. Por fim, as pontas das aristas são plumosas.
No ciclo evolutivo, a fêmea põe até 150 ovos em matéria orgânica apodrecida ou nas fezes dos hospedeiros no intervalo de três a quatro dias. Com temperatura adequada, após 12 a 24 horas, os ovos eclodem, produzindo as larvas. Em três estágios, as larvas se alimentam da matéria orgânica e amadurecem entre três e sete dias, migram para um lugar mais seco, pupam e, depois de 23 a 26 dias, emergem as moscas adultas. Veja mais detalhes na Figura 6.
A espécie Stomoxys calcitrans é consideradauma praga em algumas regiões e sua picada é dolorosa. Pode atacar cães e tem grande impacto econômico na saúde e produtividade de bovinos. Os adultos têm tamanho de 7 a 8 mm de comprimento, tórax cinza, mais curto e largo se comparado ao da Musca domestica, e se alimentam de sangue.
A fêmea realiza postura de 15 a 50 ovos em matéria orgânica, fezes ou solo com urina. A eclosão dos ovos ocorre entre um e quatro dias, e as larvas se desenvolvem entre 6-30 dias. As larvas buscam um local mais seco e pupam. O estágio de pupa ocorre em locais mais secos, e as moscas adultas podem levar de 12 a 60 dias para emergirem.
A espécie Haematobia irritans é hematófaga, com coloração preto-acinzentada e é considerada uma praga na saúde e produtividade dos bovinos. Os adultos têm tamanho de 3 a 4 mm de comprimento.
Diferentes das demais espécies, essas moscas permanecem no hospedeiro, e as fêmeas só o abandonam para realizar a postura ou no caso de mudarem de hospedeiro de fato. A postura se dá em fezes frescas ou ao redor delas, com o número de 4 a 6 ovos. A eclosão pode ocorrem em quatro dias , e no período de pupa demoram seis a oito dias para as moscas adultas emergirem.
As moscas da família Calliphoridae são conhecidas como as moscas-varejeiras, com mais de mil espécies descritas. De importância na medicina veterinária, os gêneros Cochliomyia e Chrysomya causam miíase traumática (infestação de larvas nos tecidos de um hospedeiro vertebrado vivo).
O termo miíase é popularmente chamado de bicheira e, nesses gêneros, as espécies Chrysomya bezziana e Cochliomyia hominivorax são as únicas agentes obrigatórias de miíases. Ou seja, suas larvas precisam de um hospedeiro vivo para se desenvolverem.
CONTEXTUALIZANDO
As espécies obrigatórias de miíases são as espécies de moscas cujo estágio larval é realizado obrigatoriamente no hospedeiro vivo. Porém, existem espécies de moscas que podem ser agentes facultativos de miíases. Ou seja, realizam seu desenvolvimento em carcaças, mas podem atuar como invasores secundários em mamíferos vivos.
As moscas dessa família são grandes e apresentam corpo de coloração metálica azul ou verde. As fêmeas adultas realizam postura de 200 ovos, que eclodem após 12-14 horas. As larvas se alimentam por sete dias e migram para o solo após seu desenvolvimento, que dura cerca de 12-30 horas. Por sete dias ou semanas pupam até emergirem as moscas adultas.
A família Oestridae é um importante grupo na medicina veterinária e consiste em moscas pilosas e grandes. As larvas são parasitas obrigatórios de miíases, com alta especificidade ao hospedeiro. A miíase ocorre em nasofaringe, trato digestório ou na pele. As larvas são conhecidas como bernes e as subfamílias, Cuterebrinae, Oestrinae e Gasterophilinae são importantes no estudo da Parasitologia Veterinária.
A espécie Dermatobia hominis representa a subfamília Cuterebrinae. Essas moscas podem infestar tanto animais domésticos quanto seres humanos. A mosca adulta mede aproximadamente 12 mm, apresenta brilho azul metálico, com cabeça, pernas amarelo, alaranjadas e o tórax coberto por cerdas curtas. As larvas medem até 25 mm e são ovais, com duas a três fileiras de espinhos.
As moscas são encontradas em florestas e arbustos, e os adultos não se alimentam. Nos estágios larvais, acumulam reservas, e a ovoposição de até 25 ovos é realizada na parte inferior do abdome ou tórax de outro inseto, mosquito ou mosca, até que esse pouse no hospedeiro vertebrado para se alimentar. Os ovos eclodem ainda no hospedeiro de transporte e, quando chegam no hospedeiro vertebrado, penetram em aberturas na pele e migram para o tecido subcutâneo. Por meio da abertura, respiram e se desenvolvem até a emersão da larva madura após três meses. A pupa ocorre no solo e, depois de um mês, as moscas adultas emergem. Veja uma representação deste ciclo na Figura 7.
Figura 7. Representação do ciclo evolutivo da mosca da espécie Dermatobia hominis. Fonte: SERAFIM, 2009, p. 16. (Adaptado).
A espécie Oestrus ovis, conhecida como mosca-do-berne nasal, representa a subfamília Oestrinae. Os adultos apresentam uma coloração castanho-acinzentada, pontos pretos no abdome, corpo com pelos e medem aproximadamente 12 mm de comprimento. As larvas infestam a cavidade nasal de ovinos e caprinos e medem 30 mm, com coloração branco-amarelada e apresentando pequenos espinhos.
As fêmeas das moscas são vivíparas e lançam até 25 larvas nas narinas dos ovinos durante o voo. As larvas, de 1 mm de comprimento, migram pelos seios nasais e se alimentam do muco produzido devido à infestação. Completam o estágio larval no período de duas semanas a nove meses e, após se tornarem maduras, migram para as narinas, por onde serão espirradas para o solo. No solo, as larvas pupam entre três e nove semanas para a emersão das moscas adultas. Veja na Figura 8.
Figura 8. Representação do ciclo evolutivo da mosca da espécie Oestrus ovis. Fonte: DELGADO, 2009, p. 10. (Adaptado).
O gênero Gasterophilus é representante da subfamília Gasterophilinae. De importância veterinária, as moscas desse gênero são parasitas obrigatórios de equinos. As moscas adultas são robustas, com coloração preta, cobertas de pelos amarelos e medem de 10 a 15 mm de comprimento. As larvas maduras, presentes no estômago, são cilíndricas, laranja-avermelhadas, medem de 16 a 20 mm de comprimento e possuem espiráculos posteriores. Essas larvas podem ser eliminadas nas fezes.
As espécies desse gênero apresentam pequenas diferenças no ciclo evolutivo. De modo geral, as fêmeas fazem a ovoposição no hospedeiro, algumas, em região mandibular, membros torácicos ou, até mesmo, na vegetação, para serem ingeridos. As larvas eclodem e migram para a boca, onde se fixam na gengiva. Outras espécies migram para órgãos como o estômago e intestinos para se desenvolverem. As larvas maduras são eliminadas pelas fezes e pupam no solo para emergirem as moscas adultas. Veja o ciclo na Figura 9.
Figura 9. Representação do ciclo evolutivo da mosca do gênero Gasterophilus. Fonte: RODRIGUES, 2016, p. 49. (Adaptado)
ORDENS SIPHONAPTERA E PHTHIRAPTERA
A ordem Siphonaptera é representada pelas pulgas, insetos hematófagos obrigatórios. As pulgas são pequenas, medindo de 1 a 6 mm de comprimento. Têm coloração castanho-claro a preta, corpo achatado e não possuem asas.
As espécies de pulgas de maior importância na medicina veterinária são as ectoparasitas de mamíferos e aves. Elas permanecem no hospedeiro para a realização do repasto sanguíneo e a reprodução realizada no ambiente. Além de reação alérgica, podem causar anemia e transmissão de patógenos nos hospedeiros.
EXPLICANDO
A reação alérgica ocorre devido à hipersensibilidade (alergia) aos componentes da saliva da pulga. Conhecida como DAPP, apresenta características dermatológicas pruriginosas, principalmente em cães, e gatos e pode estar associada com a dermatite atópica canina.
A infestação de pulgas é observada em mamíferos domésticos, como cães e gatos, e no ser humano. Animais de grande porte, como ruminantes, equinos e suínos não apresentam espécies-específicas de pulgas. As pulgas são holometabólicas. Os ovos são depositados no solo ou no animal, e aleclosão ocorre entre dois dias e duas semanas. As larvas eclodem e se alimentam de restos de matéria orgânica. Após sofrerem muda, as larvas pupam para as pulgas adultas emergirem.
São importantes na Medicina Veterinária as espécies:
Ctenocephalides spp., parasitas de carnívoros;
Pulex irritans, parasitas de humanos;
Pulex irritans, parasitas de humanos;
Tunga penetrans, parasitas de edentados, roedores, animais de produção e humanos (bicho de pé).
A ordem Phthiraptera é representada pelos piolhos, que são classificados como ectoparasitas obrigatórios e hospedeiro-específicos. A transmissão entre hospedeiros se dá pelo contato direto
CURIOSIDADE
Os piolhos acometem humanos, aves e mamíferos, incluindo os marinhos, como focas e leões marinhos. As espécies são hospedeiros-específicos e, além disso, podem ser específicos de regiões dos hospedeiros, como piolhos específicosde cabeça, corpo e pelos nas partes íntimas em humanos.
Os piolhos medem de 0,5 a 8 mm de comprimento, possuem corpo achatado, pernas robustas, coloração bege a cinza e garras para se fixarem nos pelos ou penas. A alimentação se baseia em sangue, secreções sebáceas, restos de penas e tecido epitelial.
A infestação de piolhos denomina-se pediculose. Os piolhos podem causar reações alérgicas, anemia e serem vetores de patógenos. A ordem Phthiraptera possui duas subordens importantes na medicina veterinária: Anoplura e Mallophaga.
A subordem Anoplura é a dos piolhos conhecidos como piolhos-sugadores e parasitas exclusivos de mamíferos. Já os da subordem Mallophaga são conhecidos como piolhos-mastigadores e parasitas de aves e mamíferos.
Os piolhos-sugadores se alimentam de sangue, e os piolhos-mastigadores têm uma dieta variada, pois cortam e trituram os alimentos. Os ciclos evolutivos dos piolhos dessas subordens são similares. A fêmea realiza a ovoposição de 20 a 200 ovos operculados, denominados lêndeas, em pelos ou penas. O ovo eclode, dando origem à ninfa, que após três se transforma no piolho adulto. Veja o ciclo na Figura 10.
ORDEM IXODIDA, ASTIGMATA E PROSTIGMATA
A ordem Ixodida pertence à classe Arachnida e compreende os carrapatos, ectoparasitas hematófagos que acometem vertebrados como mamíferos e aves.
Os carrapatos se alimentam no hospedeiro por longos intervalos de tempo e sua picada pode causar reações alérgicas, toxicidade e paralisia. A hematofagia pode causar anemia e transmissão de patógenos (febre maculosa e doença de Lyme). As principais famílias da ordem Ixodida são: Ixodidae e Argasidae.
A família Ixodidae é conhecida como “carrapatos duros” devido ao escudo rígido da superfície do corpo do carrapato. Medem de 2 a 20 mm de comprimento e têm corpo achatado e fusionado.
As espécies são parasitas que passam curtos períodos de tempo no hospedeiro. Apresentam os seguintes estágios: ovo, larva hexápode, ninfa octópode e carrapatos adultos com oito pernas. Durante os estágios, realizam repastos sanguíneos prolongados, intercalados por períodos de vida livre. Para se fixarem nos hospedeiros, muitos aguardam na ponta da pastagem até que um em potencial passe ou são transferidos movendo-se pela superfície até encontrarem um local predileto. Algumas espécies podem ter ciclos evolutivos com mais de um hospedeiro. Veja detalhes na Figura 11.
O gênero Ixodes é o maior, com mais de 250 espécies de carrapatos pequenos acometendo grande variedade de hospedeiros, como mamíferos domésticos, aves e animais selvagens. O gênero Dermacentor compreende 30 espécies de carrapatos, na maioria de três hospedeiros, mas alguns com um hospedeiro apenas. A espécie Dermacentor nitens acomete equinos, bovinos e humanos, entre outros mamíferos domésticos e selvagens.
O gênero Riphicephalus compreende 60 espécies introduzidas em novos habitats pelo mundo. Eles atuam como vetores de importantes patógenos e infestam, em sua maioria, mamíferos, podendo também infectar aves. A maioria das espécies apresenta três hospedeiros, mas alguns, apenas dois. As espécies de importância na medicina veterinária são: Riphicephalus sanguineus e Riphicephalus (Boophilus) microplus.
O gênero Amblyomma apresenta mais de 100 espécies de carrapatos, amplamente distribuídos em regiões tropicais e subtropicais da África. Acometem aves, répteis, mamíferos domésticos e silvestres.
A família Argasidae é conhecida como “carrapatos moles” devido à ausência de escudo. O ciclo evolutivo apresenta vários hospedeiros. Os carrapatos apresentam um estágio larval, estágios de ninfas e adultos. As espécies são resistentes à seca e vivem por muitos anos, diferentemente dos Ixodidae. Os gêneros de importância veterinária são: Argas, Otobius e Ornithodoros.
O gênero Argas compreende 60 espécies. São carrapatos achatados de hábito noturno e de importância na medicina veterinária, acometendo pombos e aves domésticas, como galinhas e perus. A espécie Argas miniatus acomete aves selvagens.
O gênero Ornithodorus compreende 113 espécies, quase todas em habitats de regiões tropicais e subtropicais. A maioria das espécies encontra-se no continente africano, nos esconderijos de javalis e porcos-dos-arbustos.
Os carrapatos têm hábitos noturnos e vivem em grutas, ninhos, tocas ou cavernas, não sendo importante problema de animais domésticos. A infestação pode acarretar irritações, anemia e transmissão de patógenos nos mamíferos.
O gênero Otobius apresenta duas espécies ectoparasitas do canal auditivo: a espécie Otobius megnini, que acomete bovinos, equinos, ovinos, caprinos, cães, cervos, ruminantes selvagens e humanos; e a espécie Otobius lagophilus, que acomete coelhos e lebres.
As ordens Astigmata e Prostigmata compreendem os ácaros. Os termos “astigmata” e “prostigmata” estão relacionados com as aberturas respiratórias no corpo. Os ácaros são ectoparasitas de aves e mamíferos que habitam a pele. Por meio da perfuração ou escavação, alimentam-se de linfa, restos de pele, secreções sebáceas ou sangue.
O parasita fica em contato direto com o hospedeiro, e a transmissão ocorre por contato íntimo. A infestação chama-se acaríase e é conhecida como sarna. Algumas espécies são hospedeiros intermediários de patógenos.
Os ácaros medem menos de 0,5 mm de comprimento e têm corpo segmentado. O ciclo possui estágios de ovo, larvas, ninfas e adultos. As fêmeas fazem a ovoposição, as larvas emergem, mudam para ninfas e, depois, para ácaros adultos. Os estágios, com exceção do ovo, diferenciam-se pelo número de pernas dos ácaros.
A ordem Astigmata é um grupo de ácaros similar. A ordem inclui as famílias Sarcoptidae e Knemidocoptidae, conhecidos como ácaros escavadores.
A família Sarcoptidae apresenta as espécies Sarcoptes scabiei e Notoedres cati, de importância veterinária. A espécie Sarcoptes scabiei acomete a pele de todos os mamíferos domésticos e de humanos, sendo a escabiose uma zoonose.
DICA
Zoonose é o termo usado para designar doenças transmitidas entre animais e seres humanos. A escabiose, ou sarna, é uma doença pruriginosa tanto em animais quanto em humanos. Quando o animal é diagnosticado com o ácaro, os seres humanos contactantes devem buscar atendimento médico para o tratamento.
A espécie Notoedres cati acomete orelhas de gatos domésticos e selvagens, coelhos, cães, canídeos, raposas e seres humanos.
A família Knemidocoptidae possui membros de ácaros que causam sarna e crostas. O gênero de importância na medicina veterinária é o Knemidocoptes, ectoparasitas de aves.
A ordem Astigmata inclui, junto às outras famílias de ácaros escavadores, a família Psoroptidae, conhecida como ácaros não-escavadores. Os gêneros de importância veterinária são: Psoroptes, Chorioptes e Otodectes.
As espécies do gênero Psoroptes acometem: pele, corpo, pescoço, ombros, flancos, axilas, virilhas, orelhas, fossa infraorbital e pavilhão auricular, seja de ovinos, caprinos, bovinos, equinos, coelhos e búfalos.
O gênero Chorioptes acomete pele, pernas, pés, base da cauda e úbere, seja de camelos, lhamas, alpacas, bovinos, ovinos, equinos, caprinos e coelhos. A espécie Otodectes cynotis é conhecida como o ácaro da orelha de cães, gatos, furões, raposas e pequenos mamíferos.
A ordem Prostigmata é um grupo de ácaros com grande variedade de formas e habitats. A família Demodicidae é importante na medicina veterinária em razão da reação alérgica que os ácaros induzem. O gênero Demodex apresenta espécies de ácaros que habitam o folículo piloso e glândulas sebáceas, como pode ser visto na Figura 12.
São hospedeiros-específicos de animais e seres humanos. Como são comensais da pele, as lesões causadas por esses ácaros estão relacionadas com imunodepressão e interferência genética dos hospedeiros. A doença causada pelos ácaros é chamada de demodicose.
CONTROLE DOS ECTOPARASITAS
Dentro do contexto da Parasitologia Veterinária, todos os ectoparasitas apresentados causam algum dano às espécies de animais estudados no curso de medicina veterinária, o que acentua a importância do controle.
Paraser feito o controle, a realização do diagnóstico é necessária. O diagnóstico dos ectoparasitas é realizado na anamnese e observação clínica. Moscas, larvas, pulgas, carrapatos, piolhos e algumas espécies de ácaros podem ser visualizadas a olho nu ou com o auxílio de uma lupa.
No caso de alguns ectoparasitas, principalmente os ácaros escavadores, é necessária a avaliação de material coletado em microscópio. Pode-se utilizar lâmina de bisturi ou fita de acetato para a coleta do material. Em pequenos animais infestados com pulgas, pode-se realizar o teste do algodão úmido, o qual, ao passar sobre o pelo do animal, fica vermelho em contato com a água devido à dissolução das fezes da pulga constituídas de sangue.
Na pecuária bovina, o ectoparasita que mais preocupa o produtor e que mais causa prejuízo é o carrapato da espécie Rhipicephalus microplus. A infestação nos animais traz cerca de 3,2 bilhões de dólares de prejuízo por ano.
Além do prejuízo direto causado pela hematofagia, os parasitas causam comprometimento do couro e ganho de peso dos animais. O parasitismo abre portas para infecção, como a complexa Tristeza Parasitária Bovina, causada pelo protozoário Babesia sp. e pela Rickéttsia Anaplasma sp.
O segundo ectoparasita responsável por prejuízos bilionários é a mosca-dos-chifres (Haematobia irritans). As perdas são causadas pelo estresse dos animais devido à picada da mosca e repasto sanguíneo contínuo nos animais. O estresse causa diminuição de produtividade do leite e carne.
Outro ectoparasita que causa milhões de prejuízos é a larva da Dermatobia hominis. A presença das larvas da berne causa estresse e incômodo aos animais, além de danificar o couro devido aos orifícios com a presença das larvas.
O controle dos ectoparasitas deve ser feito com o uso de produtos que agem nos parasitas em conjunto com o manejo e tecnologias adotadas na propriedade. É importante lembrar do ciclo evolutivo dos parasitas para que se possa aplicar os produtos no intervalo correto, de modo que a ação se dê em todos os estágios.
O uso da pulverização e o controle de imersão são estratégias eficazes contra carrapatos, moscas, bernes e piolhos. A associação de princípios ativos, como clorpiriphós, cipermetrina, citronelal e fenthium tem ação de limpeza rápida dos ectoparasitas no animal.
Outra forma de aplicação de princípios ativos é a apresentação pour on, colocada no dorso do animal. A formulação faz com que ocorra a limpeza dos ectoparasitas de modo que eles se soltem do hospedeiro. Age contra moscas, bernes, piolhos, sarnas e carrapatos. Princípios ativos, como fluazuron, abamectina, clorpiriphós, cipermetrina, citronelal e fipronil podem ser utilizados.
É importante adotar o controle estratégico nas propriedades, ou seja, elaborar estratégias após o diagnóstico da situação. Deve-se avaliar: nível tecnológico, modelo de produção, tamanho do rebanho, sistema de pastoreio, raças dos animais, clima, pastagem e taxas de lotação. Todos esses dados são fatores essenciais para a escolha e o desenvolvimento de medidas de controle da população do carrapato.
O controle deve ser realizado em todos os animais ou nos lotes que necessariamente permanecem na mesma pastagem durante todo o tratamento. No caso de outros animais de produção, como equinos, suínos, ovinos e caprinos, quando confinados em propriedades, o controle de ectoparasitas é semelhante ao utilizado em rebanhos bovinos.
As pulgas e carrapatos são os ectoparasitas que mais acometem pequenos animais, como cães e gatos. Esses parasitas se alimentam do sangue desses animais e podem transmitir doenças.
As duas espécies de pulgas de maior importância na rotina clínica veterinária são a Ctenocephalides felis, que afeta cães e gatos em todo o mundo, e Ctenocephalides canis, mais comum em cães. As pulgas não apresentam hospedeiros-específicos, o que torna o ser humano um alvo desses ectoparasitas, estando sujeitos a receber picadas quando o nível de infestação estiver elevado.
As duas espécies de carrapatos de maior importância na rotina clínica são a Amblyomma cajennense e Amblyomma sculptum, conhecidos como carrapato estrela. A doença que essas espécies transmitem tem um caráter zoonótico, e os animais são importantes reservatórios para o patógeno. A espécie Rhipicephalus sanguineus, conhecida como carrapato vermelho/marrom do cão, é responsável pela transmissão de patógenos causadores de doenças nos animais de companhia.
Além de pulgas e carrapatos, os pequenos animais também estão sujeitos a parasitas como piolhos e ácaros. A infestação de piolhos não é tão rotineira como a de pulgas e carrapatos, mas casos são diagnosticados em clínicas.
Os ácaros são bastantes diagnosticados na clínica, principalmente os do gênero Demodex, pois estão ligados à genética e às doenças imunodepressoras. Outros ácaros de transmissão direta entre animais infectados têm uma rotina menor devido ao uso de medicamentos periódicos fornecidos pelos tutores.
No mercado médico-veterinário, existem produtos para o tratamento de cães e gatos acometidos por ectoparasitas. Encontram-se várias apresentações de produtos, o que facilita a prescrição dos médicos veterinários e a utilização pelos tutores.
As principais apresentações são: pour on e oral. Princípios ativos, como ivermectina, fluralaner, amitraz, nitempiram, afloxolaner, selamectina, deltametrina, sarolaner, spinosad, fipronil, imidacloprida e lufenuron podem ser utilizados.
Para cada ectoparasita recomenda-se intervalo e período específicos em bula, que devem ser respeitados e seguidos de acordo com cada animal ou propriedade atendida. A utilização de medicações sem prescrição em bula e proibidas para algumas raças em específico pode ocasionar intoxicação e óbito.
Mais importante que o controle dos animais é o controle do ambiente onde os animais frequentam. Pulgas e carrapatos vivem grande parte de sua vida e realizam o ciclo biológico em um único ambiente, o que o torna a maior carga de infestação. Se o controle do ambiente não for realizado de maneira eficaz, o controle dos animais pode ficar comprometido.
Agora é a hora de sintetizar tudo o que aprendemos nessa unidade. Vamos lá?!
SINTETIZANDO
No contexto da Parasitologia Veterinária, o estudo dos artrópodes é muito importante devido à gama de organismos que causam e transmitem doenças nas diversas espécies de animais. Sem dúvidas, saber diferenciar o grupo das espécies e analisar o ciclo evolutivo é o ponto chave para o diagnóstico, sucesso do controle e tratamento.
Os artrópodes são classificados em diversas classes, ordens, famílias, gêneros e espécies que se diferenciam em características, ciclos evolutivos e hospedeiros. É importante compreendero comportamento de cada ectoparasita para que se saiba a abordagem necessária para a interrupção do ciclo, e a intervenção correta no controle da infestação e, talvez ainda mais necessário, como evitar a transmissão para os demais animais e humanos que tenham contato com os animais infestados.
Observamos que os artrópodes são organismos frequentemente encontrados nos diferentes habitats do nosso país. O Brasil é um país predominantemente de clima tropical, caracterizado por altas temperaturas e umidades. Essas características são essenciais na reprodução, o que favorece a presença desses organismos ao longo de todo o ano.
Por fim, relatamos as espécies de interesse médico-veterinário na rotina clínica de pequenos e grandes animais com o intuito de demonstrar as principais espécies responsáveis por infestações. Demonstramos as características que os definem e as diferenças entre os grupos, o que facilita o reconhecimento pelos médicos veterinários no fechamento do diagnóstico.

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