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Faringites Bacterianas BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 1 Faringites Bacterianas - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO SUMÁRIO FARINGITE POR ESTREPTOCOCO O QUE É? Infecção bacteriana comum na infância e na adolescência, causada pelo Streptococcus pyogenes, também conhecido como estreptococo beta-hemolítico do grupo A (SBHA) EPIDEMIOLOGIA Agente causal mais comum de faringite bacteriana em crianças mais velhas e adolescentes Responsável por 15% a 30% de todos os casos de faringite em crianças entre 5 e 15 anos A incidência é mais alta no inverno e início da primavera FISIOPATOLOGIA Inoculação e Adesão: Inoculação: na mucosa da faringe, através do contato direto com gotículas respiratórias de uma pessoa infectada Adesão: a bactéria possui estruturas na superfície, como proteínas M e proteínas de adesão, que facilitam sua adesão às células epiteliais da faringe Colonização e Proliferação: Coloniza a mucosa faríngea, onde começa a se multiplicar O SBHA produz uma variedade de toxinas e enzimas Toxina pirogênica estreptocócica (TPE): estimula a liberação de citocinas pró-inflamatórias, levando a uma resposta inflamatória localizada na faringe Inflamação e Lesão Tecidual: Início da resposta inflamatória do sistema imunológico Recrutamento de células inflamatórias, como neutrófilos e macrófagos, para o local da infecção Inflamação da mucosa faríngea Lesão tecidual Sintomas da patologia Disseminação e Complicações: Em alguns casos, o SBHA pode se disseminar além da faringe e causar infecções mais graves, como celulite, fasciíte necrosante, pneumonia, bacteremia e até síndrome do choque tóxico QUADRO CLÍNICO Sintomas característicos: Febre alta (>38ºC) de início súbito Odinofagia Outros sinais e sintomas: Ausência de tosse, disfonia e rouquidão FARINGITE POR ESTREPTOCOCO O QUE É? EPIDEMIOLOGIA FISIOPATOLOGIA QUADRO CLÍNICO ACHADOS NO EXAME FÍSICO DIAGNÓSTICO CONDUTA AMOXICILINA E PENICILINA V ANGINA DIFTÉRICA O QUE É? EPIDEMIOLOGIA ETIOLOGIA QUADRO CLÍNICO ACHADOS NO EXAME FÍSICO DIAGNÓSTICO CONDUTA ERITROMICINA PENICILINA G PREVENÇÃO Faringites Bacterianas BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 2 Halitose Prostração Calafrios Cefaleia Dor abdominal Náuseas e vômitos ACHADOS NO EXAME FÍSICO Principais: Hipertrofia e hiperemia de Tonsilas Exsudato purulento Petéquias no palato e edema de úvula Linfonodomegalia cervical dolorosa Sinais de Escarlatina: Pode se desenvolver decorrente de uma faringite por estreptococo Exantema característico: puntiforme, eritematoso e coalescente (com textura de lixa) Língua: saburrosa e em framboesa Progressão rápida: 24 horas Sinais específicos: Sinal de Pastia: exantema mais evidente (exacerbado) em pregas cubitais, axilares ou inguinais Sinal de Filatov: hiperemia malar com palidez em torno da boca Poupa: palmas das mãos e plantas dos pés DIAGNÓSTICO Teste Rápido para Antígeno Estreptocócico: Positivo: Início do tratamento antibiótico Negativo ou Incerto: Realização de cultura de orofaringe Especificidade > 95% Sensibilidade entre 70% e 90% Cultura da orofaringe: Padrão de referência para o diagnóstico da faringite estreptocócica Sensibilidade entre 90% e 95% Especificidade > 95% Estreptococo beta-hemolítico do grupo A: quando associada aos sintomas clínicos descritos, justifica a indicação do tratamento antibiótico Estreptococos alfa-hemolíticos: não deve ser critério para a prescrição de antibióticos, pois essas bactérias podem colonizar naturalmente a orofaringe Hemograma: Pode ajudar a confirmar a suspeita bacteriana Não é obrigatório Leucocitose com possibilidade de desvio à esquerda Dosagem de Antiestreptolisina O: Não é indicada no manejo da faringite por SBHA, sendo reservada para a propedêutica da febre reumática, uma possível complicação CONDUTA Objetivo: Prevenir complicações, como febre reumática e glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica Antibióticos Recomendados: Amoxicilina: Frequentemente preferida, pois o sabor da suspensão é mais palatável do que o da penicilina V 50 mg/kg/dia, via oral (no máximo 1000 mg/dia), por 10 dias Penicilina V oral: 250 mg para crianças até 27 kg 500 mg para crianças acima de 27 kg Faringites Bacterianas BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 3 Penicilina Benzatina: Pacientes com histórico de Febre Reumática < 25kg: 600 mil UI > 25 kg: 1.200.000 UI Duração do Tratamento: Geralmente 10 dias Amigdalectomia: AMOXICILINA E PENICILINA V Classe: Antibiótico da classe das penicilinas, que pertence ao grupo dos beta-lactâmicos Mecanismo de ação: Inibição da síntese da parede celular bacteriana, uma estrutura essencial para a integridade e sobrevivência das bactérias Inibe a atividade de uma enzima chamada transpeptidase, que é responsável pela formação de ligações cruzadas entre as moléculas de peptidoglicano na parede celular bacteriana Enfraquece a estrutura celular das bactérias, tornando-as mais vulneráveis à pressão osmótica do meio externo Lise da célula bacteriana Morte da bactéria Efeitos colaterais: Distúrbios gastrointestinais: Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal são os efeitos colaterais gastrointestinais Reações alérgicas: algumas pessoas podem ser alérgicas à amoxicilina, especialmente aquelas com histórico de alergia a penicilinas Infecções fúngicas: o uso prolongado pode aumentar o risco de desenvolver infecções fúngicas, como candidíase oral (sapinho) ou vaginite por Candida Distúrbios hematológicos: em casos raros, pode causar diminuição do número de células sanguíneas, como glóbulos brancos e plaquetas, resultando em uma maior suscetibilidade a infecções e hematomas incomuns Distúrbios do sistema nervoso: tonturas, dor de cabeça e confusão ANGINA DIFTÉRICA O QUE É? Manifestação clínica da doença infecciosa causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, conhecida como difteria EPIDEMIOLOGIA Mais comum em países em desenvolvimento, onde as taxas de vacinação podem ser mais baixas e as condições sanitárias podem ser precárias ETIOLOGIA Bacilo gram-positivo Corynebacterium diphtheriae QUADRO CLÍNICO Sintomas clássicos: Dor de garganta Mal-estar Linfadenopatia cervical Febre baixa ACHADOS NO EXAME FÍSICO Faringites Bacterianas BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 4 Faríngeos: Eritema leve progredindo para manchas de exsudato cinza e branco Formação de uma pseudomembrana coalescente: 1/3 dos casos Composta de fibrina necrótica, leucócitos, eritrócitos, células epiteliais e microrganismos Linfonodos: Linfonodos cervicais frequentemente aumentados. Forma maligna: Extensa disseminação das membranas diftéricas “Pescoço taurino": aumento maciço dos linfonodos cervicais, região submandibular e região cervical anterior DIAGNÓSTICO Cultura das secreções do trato respiratório para C. diphtheriae CONDUTA Antibioticoterapia: Eritromicina Penicilina G procaína Casos graves: Pode ser necessária a administração de soro antitoxina diftérica ERITROMICINA Classe: Antibiótico da classe dos macrolídeos Mecanismo de ação: Liga-se a subunidade 50S do ribossomo bacteriano, interferindo no processo de tradução do RNA mensageiro (mRNA) em proteínas Inibe a síntese proteica Interfere na translocação do ribossomo ao longo do mRNA Impede que o ribossomo avance na síntese da proteína Interrupção do processo de síntese proteica bacteriana Efeitos colaterais: Distúrbios Gastrointestinais: Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal Reações Alérgicas: variam de erupções cutâneas leves a reações mais graves, como urticária, inchaço no rosto, dificuldade para respirar e anafilaxia Distúrbios Hepáticos: icterícia, dor abdominal e alterações nos testes de função hepática, pode causar hepatotoxicidade em alguns pacientes, resultando em danos ao fígado Distúrbios Cardíacos: pode causar prolongamento do intervalo QT no ECG, o que pode predispor o paciente a arritmias cardíacas potencialmente fatais, como a torsades de pointes Distúrbios doSistema Nervoso: tonturas, dor de cabeça, confusão e convulsões PENICILINA G Classe: Antibiótico beta-lactâmicos Mecanismo de ação: Inibição da síntese da parede celular bacteriana, uma estrutura essencial para a integridade e sobrevivência das bactérias Inibe a atividade de uma enzima chamada transpeptidase, que é responsável pela formação de ligações cruzadas entre as moléculas de peptidoglicano na parede celular bacteriana Enfraquece a estrutura celular das bactérias, tornando-as mais vulneráveis à pressão osmótica do meio externo Lise da célula bacteriana Morte da bactéria Efeitos colaterais: Reações alérgicas: algumas pessoas podem ser alérgicas à penicilinas Distúrbios gastrointestinais: Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal Distúrbios hematológicos: em casos raros, pode causar diminuição do número de células sanguíneas, como glóbulos brancos e plaquetas, resultando em uma maior suscetibilidade a infecções e hematomas incomuns Faringites Bacterianas BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 5 PREVENÇÃO Vacina pentavalente