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Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 1 Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO O QUE É? Refere-se à presença de cálculos biliares em qualquer parte do sistema biliar, incluindo a vesícula biliar e os ductos biliares CLASSIFICAÇÃO CÁLCULOS DE COLESTEROL Correspondem a cerca de 75% dos cálculos da vesícula biliar, são caracterizados pela cor amarelada e por medir entre 1 mm e 4 cm Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 2 CÁLCULO DE COLESTEROL PURO Correspondem a menos de 10% dos cálculos CÁLCULO DE COLESTEROL MISTO Mais de 70% da composição é colesterol e apresenta quantidades variáveis de sais de cálcio, sais biliares, proteínas e fosfolipídios CÁLCULOS PIGMENTARES Subdivididos em pretos ou marrons, eles são causados pela precipitação dos pigmentos biliares e possuem < 20% de colesterol na sua composição CÁLCULO PRETO Cálculo formado pela supersaturação do bilirrubinato de cálcio, carbonato e fosfato Presente em doenças hemolíticas, como anemia falciforme e esferocitose hereditária, e nos pacientes cirróticos CÁLCULO MARROM Podem se formar na vesícula ou nos ductos biliares Secundários a dismotilidade biliar e associados à infecção bacteriana Comuns em populações asiáticas EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO POPULAÇÃO GERAL Prevalência de litíase biliar em 11-36% da população PRINCIPAIS FATORES Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 3 1. Female 2. Fair (claro, caucasianos) 3. Fatty 4. Fertile (gestações prévias) 5. Forty years PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA Parentes de pessoas que apresentam colelitíase têm, independentemente de sua idade, peso ou dieta, um risco aumentado em 2 a 4 vezes para o desenvolvimento de cálculos vesiculares POPULAÇÃO INDÍGENA Parece estar associado a mutações no gene LITH DISMOTILIDADE VESICULAR A formação de cálculos biliares, especialmente de colesterol, está relacionada à estase biliar, dismotilidade da vesícula, hipersaturação da bile e fatores que reduzem a motilidade, como hipertrigliceridemia DIETA Dieta pobre em fibras Dieta rica em carboidratos refinados ESTROGÊNIO E PROGESTERONA O estrogênio age no hepatócito estimulando a síntese de colesterol, e a progesterona reduz a contratilidade da vesícula IDADE Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 4 A prevalência de litíase aumenta com a idade, principalmente após os 60 anos OBESIDADE Na obesidade, costuma haver uma hipersecreção de colesterol, o que torna a bile constantemente hipersaturada e aumenta a incidência de colelitíase em 3 vezes HIPERLIPEMIAS E CLOFIBRATO Indivíduos com hiperlipoproteinemia tipo IV e IIB apresentem maior incidência de litíase colesterótica. Porém, os níveis séricos de colesterol não parecem representar, isoladamente, fator de risco para colelitíase RESSECÇÃO ILEAL E DOENÇA DE CROHN Até 1/3 dos pacientes submetidos à ressecção ileal apresenta litíase vesicular ANEMIA HEMOLÍTICA Há grande incidência de litíase pigmentar nos estados hemolíticos CIRROSE Cirróticos têm incidência de litíase duas a três vezes maior que a população em geral, sendo que cerca de 30% dos pacientes com cirrose têm cálculos na vesícula INFECÇÕES A infecção biliar tem um papel importante na formação dos cálculos pigmentares castanhos, pelo aumento da desconjugação da bilirrubina direta pelas glicuronidases secretadas por enterobactérias, como a E. coli Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 5 FISIOPATOLOGIA 3 ESTÁGIOS FUNDAMENTAIS SUPERSATURAÇÃO DE COLESTEROL Início do processo de formação do cálculo de colesterol A solubilidade do colesterol depende de: Aumento do colesterol Diminuição da lecitina e dos sais biliares NUCLEAÇÃO O crescimento dos cristais de colesterol é acelerado por agentes pró-nucleação, aumentando, assim, os cristais e dando origem aos cálculos de colesterol CRESCIMENTO Agentes pró-nucleação aceleram o crescimento dos cristais Formação dos cálculos de colesterol a partir dos cristais APRESENTAÇÃO CLÍNICA SINTOMATOLOGIA 80-85% são assintomáticos 10% dos pacientes desenvolverão sintomas nos primeiros 5 anos após a descoberta do cálculo COLELITÍASE SINTOMÁTICA CÓLICA BILIAR 1. Ocorre após refeições, principalmente as gordurosas Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 6 2. Dor contínua em hipocôndrio direito, que pode irradiar para escápula 3. Duração de até 6 horas SINAIS E SINTOMAS ASSOCIADOS Náuseas Vômitos SINTOMAS ATÍPICOS Pirose Regurgitação Dor retroesternal Epigastralgia Dor torácica Distensão abdominal SINAL DE MURPHY Dor a palpação profunda com pausa inspiratória durante a palpação do hipocôndrio direito EXAMES COMPLEMENTARES LABORATORIAIS Leucocitose com desvio a esquerda Não é comum haver aumento nas transaminases A bilirrubina NÃO se eleva durante crises de cólica biliar RX DE ABDOME Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 7 A forma e a disposição da vesícula biliar dependem do biotipo do indivíduo, podendo ser encontrada desde acima da 12ª costela até abaixo da crista ilíaca USG TRANSABDOMINAL Os cálculos são acusticamente densos, refletindo as ondas do ultrassom Por não permitirem a passagem das ondas, eles projetam uma sombra acústica Por não estarem fixas à parede da vesícula, elas se movem com a mudança de decúbito Lama biliar, que é uma combinação de muco e microlitíase, é ecogênica, porém, não produz sombra acústica TC Tem um papel bem limitado para o diagnóstico de colelitíase e é inferior em relação à ultrassonografia USG ENDOSCÓPICA Cálculo em vesícula biliar: densidade elevada e forte sombra acústica posterior Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 8 Tem sua utilidade para o diagnóstico de microcálculos de vesícula biliar ou em paciente nos quais não é possível outros exames de imagem, como superobesos CINTILOGRAFIA BILIAR Utilizada para avaliar a secreção fisiológica da bile e é um exame que não é capaz de fornecer maiores detalhes anatômicos CONDUTA NÃO CIRÚRGICO É possível, porém, é raramente indicado e a taxa de falha é alta, sendo uma conduta de exceção LITOTRIPSIA EXTRACORPÓREA (LECO) Pode ser indicada nos pacientes que apresentem pedras únicas de 0,5cm a 2,0cm, com uma taxa de recorrência de 20% ÁCIDO URSODESOXICÓLICO (URSODIOL) Age solubilizando o colesterol presente na superfície e no centro do cálculo COLECISTECTOMIA PROFILÁTICA Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 9 INDICAÇÃO Pacientes com anemia falciforme Pacientes com vesícula em porcelana Cálculo > 25 mm (2,5 cm) Microcálculos (pelo risco aumentado de pancreatite biliar) Pacientes que serão submetidos a by-pass gástrico ou gastrectomias (Billroth II ou Y-de-Roux, em que a via biliar fica na alça exclusa) Paciente que será submetido a TRANSPLANTE COLECISTECTOMIA INDICAÇÃO EM PACIENTES SINTOMÁTICOS Cálculos > 3 cm Pólipos de vesícula biliar Vesícula em porcelana Anomalia congênita da vesícula biliar (vesícula dupla) Microesferocitose hereditária com litíase comprovada Pacientes que serão submetidos a uma cirurgia bariátrica ou transplante cardíaco TÉCNICA ABERTA Realizada através de incisão da parede abdominal anterior, seja incisão subcostal direita (tipo Kocher), mediana supraumbilical, ou paramediana direita TÉCNICA LAPAROSCÓPICA 1. Insuflação de CO2 no interior da cavidade por meio de punção com agulha de Verres na região umbilical Colelitíase - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 10 2. São colocados três trocartes na parede abdominal que permitem o acesso dos instrumentos cirúrgicos 3. É realizada dissecção do trígono hepatocístico e ligadura do pedículo da vesícula com clipes metálicos 4. É retirada a vesícula através do trocarte umbilical.