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MODELO DO PROJETO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO - TCC Centro Universitário Leonardo da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social MARIA ANGERLANIA MACHADO MARQUES VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER O Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina de Projeto de TCC – do Curso de Serviço Social – do Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, como exigência parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social. Nome do Tutor - Orientador Lana Michelle da Silva Cordeiro SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 3 2 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER .......................................4 3 A ASSISTÊNCIA SOCIAL E A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR.............................................................................................................................5 4 LEI MARIA DA PENHA.................................................................................................... 6 TIPOS DE VIOLÊNCIA 5 O SERVIÇO SOCIAL E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR ...............................8 5.1 SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS.............................................................................8 5.2 REINSERÇÃO SOCIAL.........................................................................................8 REFERÊNCIAS...................................................................................................................9 1 INTRODUÇÃO A violência doméstica e familiar é a principal causa de feminicídio no Brasil e no mundo. A violência contra a mulher tem sido apontada pela ONU como uma violação dos Direitos Humanos e como um problema de Saúde Pública, ou seja, como uma das principais causas de doenças de mulheres; da mesma forma, a violência cometida contra as mulheres é apontada como um dos principais entraves ao desenvolvimento de países do mundo inteiro. Tornou-se, na última década, um dos problemas públicos de maior visibilidade social e política no País. Esse processo acompanha um movimento global de reconhecimento dos direitos humanos das mulheres a uma vida sem violência. Organizações feministas brasileiras, juntamente com atores estatais, conquistaram a aprovação da Lei Maria da Penha, que previu mudanças estruturais na forma como o Estado lida com a violência doméstica. Assim, têm sido implementados diversos serviços públicos especializados no atendimento à mulher e no enfrentamento à violência doméstica, o que requer adequada concertação federativa e entre os Poderes da República. A despeito das dificuldades que esta tarefa exige, há, seguramente, mudanças recentes significativas na espacialização desses serviços, o que denota acrescente presença do Poder Público em lugares e situações outrora considerados íntimos e privados. Diante desse novo quadro, o presente estudo destina-se a analisar a espacialização dos referidos serviços especializados, considerando as premissas da transversalidade das políticas públicas, da intersetorialidade e da capilaridade previstas pelo Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. A superação da violência doméstica é um dos grandes desafios das políticas públicas no Brasil. A Lei no 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha (LMP), sancionada em 2006, representou um marco institucional importante nesse caminho, pois procurou tratar de forma integral o problema da violência doméstica, e não apenas da imputação de uma maior pena ao ofensor. Neste projeto pretendo, expor sobre a intervenção do Serviço Social junto à violência contra a mulher, propondo aportes teórico-metodológicos e políticas públicas para essa questão. 2. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER “Violência não é um sinal de força, a violência é um sinal de desespero e fraqueza.” DALAI LAMA A violência doméstica e familiar é aquela que mata, agride ou lesa física psicológica, sexual, moral ou financeiramente a mulher. Pode ser cometida por qualquer pessoa, inclusive mulher, que tenha uma relação familiar ou afetiva com a vítima, ou seja que more na mesma casa – pai, mãe, tia, - filho ou tenha algum outro tipo de relacionamento. As estatísticas relacionadas ao problema da violência contra as mulheres no Brasil, informa que 3.728 mulheres morreram em decorrência de violência em 2019. Especialistas alertam que os números não condizem com a realidade. Só no Ceará, o governo estadual registrou 27 casos em 2020, mas monitoramento da Rede de Observatórios da Segurança aponta que seriam pelo menos 47. Os reflexos desse tipo de discrepância não ficam limitados a uma planilha de dados que sai no jornal: eles acabam se revertendo em políticas muitas vezes ineficazes, já que estatísticas corretas são fundamentais para a tomada de decisão na gestão pública. Muitos casos de violência não são denunciados e consequentemente não entra nas estatísticas. Pinheiro (2001) assinala que surgem situações em que a família faz um pacto de silêncio entre si, não antes, mas depois da revelação, para os vizinhos não saberem do abuso. A família busca proteger seus membros, inclusive abusadores. Mas há situações bem diferentes, fundadas na divisão de que falamos acima, pois parte ou a maioria da família não aceitam o abuso e nem o abusador. 3. A ASSISTÊNCIA SOCIAL JUNTO A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR. A Assistência Social é uma política pública; um direito de todo cidadão que dela necessitar. Ela está organizada por meio do Sistema Único de Assistência Social (Suas), presente em todo o Brasil. Seu objetivo é garantir a proteção social aos cidadãos, ou seja, apoio a indivíduos, famílias e à comunidade no enfrentamento de suas dificuldades, por meio de serviços, benefícios, programas e projetos. O Sistema Único de Assistência Social (Suas) é um sistema público que organiza os serviços de assistência social no Brasil. Com um modelo de gestão participativa, ele articula os esforços e os recursos dos três níveis de governo, isto é, municípios, estados e a União, para a execução e o financiamento da Política Nacional de Assistência Social (PNAS), envolvendo diretamente estruturas e marcos regulatórios nacionais, estaduais, municipais e do Distrito Federal. O Suas organiza as ações da assistência social em dois tipos de proteção social. A primeira é a Proteção Social Básica, destinada à prevenção de riscos sociais e pessoais, por meio da oferta de programas, projetos, serviços e benefícios a indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social. A segunda é a Proteção Social Especial, destinada a famílias e indivíduos que já se encontram em situação de risco e que tiveram seus direitos violados por ocorrência de abandono, maus-tratos, abuso sexual, entre outros. Uma vida sem violência é um direito das mulheres. Porém, enfrentar a violência contra as mulheres é gerar uma nova cultura de convivência e paz. A situação da mulher progrediu nestes e em outros importantes campos da vida humana, desde a última metade do século XX. Entretanto, os avanços têm sido irregulares, dadas às desigualdades entre homens e mulheres, que ainda continuam e oferecem obstáculos ao desenvolvimento em todos os setores da vida social, acarretando sérias consequências sobre o bem-estar de todos. Compreender esse processo exige investigação e atuação profissional, que é, sem dúvida, sempre um desafio a solicitar disposição, capacitação, habilidade de quem o faz. Conhecer a situação de violência doméstica e familiar, em sua totalidade, vai demandar preparo teórico e metodológico, bem como postura ética e política. À medida que há a interação com o mundo vivido pela população usuária, novos e constantes desafios sãos postos pela sociedade e pela realidade histórica, estrutural e conjuntural. 4. LEI MARIA DA PENHA ( LMP ) A Lei no 11.340, sancionada em 2006, representou um marco institucional importante nesse caminho, pois procurou tratar de forma integral o problema daviolência doméstica, e não apenas da imputação de uma maior pena ao ofensor. Com efeito, a nova legislação ofereceu um conjunto de instrumentos para possibilitar a proteção e o acolhimento emergencial à vítima, isolando-a do agressor, ao mesmo tempo que criou mecanismos para garantir a assistência social da ofendida. A Lei Maria da Penha define cinco formas de violência doméstica e familiar: São elas: 1-Violência Física: Entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher. Bater ou espancar; empurrar; atirar objetos na direção da mulher; sacudir, chutar; apertar; queimar, cortar, ferir. 2-Violência Psicológica: É considerada qualquer conduta que: cause dano emocional e diminuição da autoestima; prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher; ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Xingar; humilhar; ameaçar e amedrontar; tirar a liberdade de escolha e ação; controlar o que faz; vigiar e inspecionar celular e computador da mulher, ou e-mails e redes sociais; isolar de amigos e familiares; impedir que trabalhe, estude ou saia de casa; fazer com que acredite que está louca. 3-Violência Sexual: Trata-se de qualquer conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. Estupro; obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa; impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar; forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação; limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher. 4-Violência Patrimonial: Entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Destruir material profissional para impedir que a mulher trabalhe; controlar o dinheiro gasto, obrigando-o a fazer prestação de contas, mesmo quando ela trabalhe fora; queimar, rasgar fotos ou documentos pessoais. 5-Violência Moral: acusar a mulher de traição; emitir juízos morais sobre a conduta; fazer críticas mentirosas; expor a vida íntima; rebaixar a mulher por meio de xingamentos; que incidem sobre sua índole; desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir. Em 2020 0 Congresso Nacional criou algumas leis específicas para auxiliar as mulheres brasileiras durante a Pandemia da Covid-19. Lei 13.894/2020 – Altera o artigo da Lei Maria da Penha, prevendo a competência dos juizados de violência Doméstica e familiar contra a mulher para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento ou dissolução de união estável nos casos de violência. Lei 14.022/2020- Estabelece que o atendimento às vítimas de violência doméstica é considerado essencial e não pode ser interrompido durante o estado de calamidade pública. “Conhecia também uma violência praticada de forma quase invisível, que é o preconceito contra as mulheres, desrespeito que abre caminho para atos mais severos e graves contra nós. Apesar de nossas conquistas, mesmo não tendo as melhores oportunidades, ainda costumam dizer que somos inferiores, e isso continua a transparecer em comentários públicos, piadas, letras de músicas, filmes ou peças de publicidade. Dizem que somos más motoristas, que gostamos de ser agredidas, que devemos nos restringir à cozinha, à cama ou às sombras.” Comment by lanna: Citação fora das normas da ABNT Maria da Penha Trecho do livro Sobrevivi... posso contar (1994) 5. O SERVIÇO SOCIAL E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR A violência Doméstica e Familiar se enquadra na Proteção Social Especial e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) é o órgão que lida com este tipo de questão social. O CREAS trabalha não só com a vítima, mas também com o agressor. É um trabalho contínuo através de uma equipe especializada, multidisciplinar por psicólogos e assistente sociais recebe todo um acompanhamento no sentido de ter seus direitos garantidos. Todos os que não permitem a inclusão social dos que foram excluídos da sociedade contribuem para a geração do câncer da descriminação, da violência e da desumanização. Herbert Alexandre Galdino Pereira 5.1 SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS - Proteção Social Básica e Proteção Social Especial; - Serviços das políticas públicas setoriais; - Programas e projetos de preparação para o trabalho e de inclusão produtiva; - Demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos; 5.2 REINSERÇÃO SOCIAL Contribuir com o fortalecimento das famílias e indivíduos para incluí-las no sistema de Proteção Social e serviços Públicos e prevenir a reincidência pra evitar que a violação ocorra novamente, ou pra que não se agrave. A ação da família e da rede implicam três dimensões a que nos referimos no livro citado (Faleiros e Faleiros, 2001): o atendimento, a responsabilização e a defesa. A pessoa vitimizada precisa de atendimento para enfrentar o trauma, com acesso a profissionais competentes e capazes de deslindar a questão numa perspectiva evolutiva e emancipatória, seja com a redução dos danos seja com a redução dos riscos. Danos e riscos se conjugam num processo complexo pois é preciso diminuir riscos que implicam a ausência ou distância do abusador, como também mudanças objetivas no convívio familiar e em suas condições de vida. O Assistente Social trabalha no acompanhamento psicossocial em meos a atendimentos individuais em articulação com a rede de saúde, habitação, acesso ao Cadúnico, acesso aos benefícios que o município dispõem. REFERÊNCIAS Comment by lanna: COLOQUE NAS NORMAS DA ABNT -Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais - Reimpressão 2014 -Violência doméstica e familiar contra a mulher: Ligue 180 e tudo o que você precisa saber — Português (Brasil) (www.gov.br), 14 de 0utubro de 2021, hora 22:30 -A intervenção do Serviço Social junto à questão da violência contra a mulher - Dialnet (unirioja.es) 14 de 0utubro de 2021, hora 22:54 -Repositório do Conhecimento do Ipea: A institucionalização das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil, 15 de outubro de 2021, hora 07:00 -8M: ONG alerta para imprecisão em dados oficiais de feminicídio; veja estatísticas | Agência Lupa (uol.com.br) 15 de outubro de 2021, hora 08:10 -Microsoft Word - 190215_tema_d_a_violenca_contra_mulher_cintia_engel.docx (ipea.gov.br) -15 de outubro de 2021, hora 08:46 -violencia-domestica-covid-19-v3.pdf (forumseguranca.org.br) -15 de outubro de 2021, hora 08:47 -Violência em Números — Portal Institucional do Senado Federal , 15 de outubro de 2021, hora 09:05 -Repositório do Conhecimento do Ipea: Avaliando a efetividade da Lei Maria da Penha , 15 de outubro de 2021, hora 09:09 -td_2048.pdf (ipea.gov.br), 15 de outubro de 2021, hora 09:12 -Painel OMV - Violência contra Mulheres.qvw (senado.gov.br) 15 de outubro de 2021, hora 09:00 -https://www.frasesfamosas.com.br/blogue/2015/11/25/a-violencia-contada-pelos-homens/ 15 de outubro de 2021, hora 22:42 -Pandemiia da violencia.pdf 15 de outubro de 2021, hora 22:48 -Seja Protagonista da Sua Vida – NÃO SE CALE (naosecale.ms.gov.br) 15 de outubro de 2021, hora 23:01 -Seja Protagonista da Sua Vida – NÃO SE CALE (naosecale.ms.gov.br) 15 de outubro de 2021, hora 23:06 https://www.institutomariadapenha.org.br/lei-11340/tipos-de-violencia.html acesso em 16 de outubro de 2021 as 21:00 O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL COM MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA CONJUGAL: espaço de atenção na formação profissional (pucrs.br) ACESSO EM 17 DE OUTUBRO DE 2021 AS 08:15 8636441-Texto do artigo-6114-2-10-20150814.pdf acesso em 17 de outubro de 2021 as 09:00 Vista do Abuso sexual de crianças e adolescentes: trama, drama e trauma (unicamp.br) 17 de outubro de 2021 as 09:10 2 image10.png image1.png