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PSICOPEDAGOGIA E AUTISMO Faculdade de Minas 2 Sumário Psicopedagogia e Autismo .............................................................................. 4 Definição da Psicopedagogia ....................................................................... 6 Áreas de atuação da Psicopedagogia ...................................................... 7 O profissional Psicopedagogo...................................................................... 8 Atendimento Psicopedagógico ................................................................. 8 A Atuação Psicopedagógica e o Autismo .................................................. 11 A importância do profissional de psicopedagogia na inclusão de crianças autistas na sala de aula ........................................................................................ 18 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 23 Faculdade de Minas 3 FACUMINAS A história do Instituto Facuminas, inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender a crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a Facuminas, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A Facuminas tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. Faculdade de Minas 4 Psicopedagogia e Autismo A psicopedagogia no TEA é uma área de extrema relevância para o desenvolvimento de uma pessoa que viva com autismo. No entanto, é imprescindível que os terapeutas saibam abordar cada caso de forma separada a fim que as intervenções promovam os pontos desejados para a criança e adolescente: capacidade de compreensão e assimilação na interação com outras pessoas; desenvolvimento de técnicas comunicativas, entre outro. Diante da abrangência da psicopedagogia nas intervenções propostas para o autismo, pode-se afirmar que a área em si lida com a aprendizagem como processo de construção. Isso é responsável pela formulação de aspectos (inquietações, curiosidades e reformulações) que se apresentam como desafios para os profissionais, sobretudo na busca por uma interação mais aprofundada com o indivíduo. Existe outro ponto que simboliza o desafio para a psicopedagogia no TEA: o fato desses profissionais atuarem com o enfoque diferente dos demais especialistas, cujas intervenções também são voltadas para esses casos (autismo). Importante salientar que a ação psicopedagógica procura focar não a patologia em si (TEA), mas os aspectos que contribuem na aprendizagem da criança. Isso é possível graças ao papel do psicopedagogo em apresentar o ato de aprender, mas de uma forma que una a aprendizagem com a peculiaridade que a criança tem de construir o seu conhecimento. Entre os vários atendimentos terapêuticos dos quais uma criança autista necessita, a intervenção psicopedagógica é extremamente importante para o desenvolvimento intelectual, social, afetivo e corporal. O psicopedagogo é um profissional indispensável, altamente relevante na atuação da vida da criança com TEA. Se pensarmos sem a participação desse Faculdade de Minas 5 profissional, provavelmente estaremos bloqueando a possibilidade de essas crianças terem assegurado um processo de aprendizagem mais significativo e lúdico, sua socialização mais fidedigna, seu desempenho cognitivo reabilitado e a descoberta de seus estímulos assegurada com resultados extraordinários; ou seja, perde-se a qualidade do atendimento multidisciplinar e a oportunidade de otimizar todo processo da aprendizagem e do desenvolvimento desse individuo. Por ser um profissional de investigação na relação da criança com a aprendizagem e suas dificuldades, ele identifica e atua nas causas que promovem esse insucesso, orientando os profissionais envolvidos com a criança e seus familiares, tornando a vida dessa criança mais saudável. O importante é valorizar todo o conhecimento que essa criança traz do seu mundo, considerando suas experiências, aprendendo com ela, respeitando suas limitações e favorecendo uma relação de confiança e prazer. Compete ao psicopedagogo conhecer as características da criança com o TEA, para que este tenha condições de planejar uma intervenção que venha atingir as necessidades e os aspectos afetivos, cognitivos e comportamentais. Conscientizar o profissional e todos envolvidos sobre a grande relevância do psicopedagogo na vida da criança com TEA é em que consiste este artigo. Bossa (1994, p. 66) diz: (…) “a de socializar os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta, dentro de um projeto social mais amplo”(…). Não é colocá-lo em nosso mundo, mas dar a ele o direito de ser inserido de maneira estrutural, contextualizado e organizado, nessa nova visão de vida. Tendo o psicopedagogo o papel de intervenção e de interferência, tratando da causa, a intervenção do psicopedagogo nos portadores de TEA tem o objetivo de orientar comportamentos, mediar ações, compreender e assimilar o processo de desenvolvimento desse individuo, com interação com a sociedade conforme suas condições e limitações num relacionamento com um mundo diferente do seu. A partir do momento em que se entendem e percebem a grande relevância do papel fundamental do psicopedagogo no desenvolvimento em todos os aspectos deste individuo, onde hipóteses são construídas, permitem aceitar novos desafios, Faculdade de Minas 6 tomando a postura de um terapeuta que interage e busca maior entendimento e conhecimento referente a esse individuo. O papel do psicopedagogo diante do diagnostico de autismo é de tentar preparar ou remediar a falta de conhecimento familiar e educacional e contribuir na aquisição da aprendizagem, no desenvolvimento da autoestima e na formação da personalidade humana. Ajudando a criança autista a se sentir pertencente e inserida no contexto escolar, integrada na família e na sociedade; o psicopedagogo, por sua vez, sentirá que seu trabalho de intervenção será mais produtivo causando assim o seu próprio bem estar. Definição da Psicopedagogia A Psicopedagogia é o campo que estuda a aprendizagem em suas diferentes relações e circunstâncias. Ela se ocupa do processo de aprendizagem e suas variações e da construção de estratégias para a superação do não-aprender, tendo como um de seus focos principais a autoria do pensamento e da aprendizagem. A Psicopedagogia tem uma visão integrada da aprendizagem, entendendo que todas as dimensões do sujeito são coparticipantes de seus processos de aprendizagem, por meio do entrelaçamento e da manifestação dos processos cognitivos, afetivo- emocionais, sociais, culturais, orgânicos, psíquicos e pedagógicos, concebendo o sujeito como individual e coletivo. A Psicopedagogia transita entre os aspectos pedagógicos e psíquicos e entre os processos de desenvolvimento e aprendizagem dos sujeitos. Sua intervençãoFaculdade de Minas 7 possibilita que indivíduos, grupos e instituições desenvolvam seus processos de aprendizagem de forma saudável, resgatando o prazer de aprender e descobrindo- se como autores de seus próprios processos. Áreas de atuação da Psicopedagogia A atuação da Psicopedagogia pode acontecer a partir da perspectiva Clínica, Institucional e da Pesquisa. A Psicopedagogia Clínica ocupa-se do entendimento do sujeito que aprende, através de sua história pessoal, de seus vínculos familiares, de sua modalidade de aprendizagem, compatibilizando conhecimento e saber. Procura compreender o sujeito a partir de seu processo de aprender e de não aprender, indagando como, o que e de que maneira ele pode aprender. Exerce suas funções nas dimensões terapêutica e institucional, buscando a compreensão das complexas relações de aprendizagem, dos lugares e papéis de sujeitos em suas redes históricas e pela formulação de espaços e dispositivos adequados ao resgate e à promoção da aprendizagem. Realiza ações voltadas para o resgate da aprendizagem, através da formulação de espaço e vínculo de confiança e da proposição de recursos adequados e específicos. Busca possibilitar que o sujeito construa sua autoria na aprendizagem. A Psicopedagogia Institucional considera as amplas e intrincadas relações de aprendizagem de uma instituição, analisando as relações institucionais e buscando elaborar condições de articular a qualificação dos processos de aprendizagem. Objetiva fazer com que os sujeitos de um grupo possam se conceber e agir como protagonistas de seus próprios processos de aprendizagem. Pode ter como objetivo, na escola, a diminuição da incidência dos problemas de aprendizagem. Analisa e age em relação às questões da didática e da metodologia, através da intervenção: na formação permanente e na assessoria junto aos professores; no atendimento familiar; no diagnóstico de sujeitos; no relacionamento entre alunos e professores; nas relações afetivas envolvidas nos processos de aprender; no significado que os alunos e professores dão à aprendizagem; na elaboração de currículos e ações pedagógicas que tenham efetivo desempenho junto ao processo de aprendizagem. Faculdade de Minas 8 A Psicopedagogia como área de Pesquisa compõe um conjunto de conhecimentos que auxiliam na investigação sobre os fenômenos dos processos de aprendizagem humana. O profissional Psicopedagogo O Psicopedagogo é um especialista em Psicopedagogia. Sua formação ocorre, geralmente, através de cursos de Especialização, possibilitando o aprofundamento dos conhecimentos obtidos nos cursos de graduação e a ampliação da discussão sobre os aspectos da aprendizagem, de sua autoria e da superação do não aprender. Assim, se uma pessoa tem a graduação em Licenciatura em Matemática e a especialização em Psicopedagogia, ela será Licenciada em Matemática e Especialista em Psicopedagogia. Se a pessoa tem graduação em Pedagogia e Especialização em Psicopedagogia, ela será uma Pedagoga e Especialista em Psicopedagogia. Se ela tiver a graduação em Psicologia e Especialização em Psicopedagogia, ela será uma Psicóloga e Especialista em Psicopedagogia. O especialista em Psicopedagogia é um profissional habilitado a lidar com os processos de aprendizagem e suas dificuldades junto às crianças, aos adolescentes, aos adultos ou às instituições, instigando aprendizagens significativas, de acordo com suas possibilidades e interesses. Em sua prática, o especialista em Psicopedagogia pode auxiliar na busca do prazer de aprender, na construção de um novo significado para as formas de aprender, da compreensão, por parte dos sujeitos, da maneira como aprendem e de como utilizar suas estratégias em relação a novos conhecimentos. Atendimento Psicopedagógico Entre os diferentes aspectos que precisam ser considerados ao longo de Faculdade de Minas 9 um atendimento psicopedagógico, seja institucional ou clínico, destacam-se alguns que necessitam de atenção, tais como o momento do diagnóstico, a anamnese, a elaboração de hipóteses e a análise do processo de construção da lecto-escrita. O processo diagnóstico caracteriza-se como os primeiros encontros nos quais se interage de forma mais direta com o sujeito encaminhado e com sua família, procurando conhecer mais detalhes de sua história. Porém, não é um momento fechado, que tenha como objetivo atribuir um rótulo ao sujeito. Há diagnósticos como transtorno de hiperatividade e déficit de atenção, autismo, entre outros, que não podem ser dados por um especialista em Psicopedagogia, que pode sugerir para a família procurar um profissional como um psiquiatra ou um neurologista para avaliar e realizar tal diagnóstico. O especialista em Psicopedagogia deve sempre realizar os encaminhamentos que julgar necessários, mencionando que há outras questões que também atrapalham a aprendizagem do sujeito e que só podem ser avaliadas por outro profissional habilitado. Por isso, fala- se tanto das parcerias nos atendimentos psicopedagógicos e de um trabalho interdisciplinar. Na medida em que o trabalho interdisciplinar é fundamental na ação psicopedagógica, é importante conhecer as ferramentas que existem e são usadas pelos outros profissionais envolvidos, para saber entendê-las adequadamente, quando se recebe um diagnóstico. Porém, isso não significa que se possa utilizá- las, já que algumas ferramentas são de uso exclusivo do psicólogo, do fonoaudiólogo ou do médico. O diagnóstico psicopedagógico necessita concentrar-se nos processos de aprendizagem. Esse momento não pode estar focado apenas no sujeito, mas em todas as relações que ele mantém seja na família, na escola ou no grupo de amigos, dentre outros. O diagnóstico é um momento no qual se pode iniciar o levantamento de hipóteses sobre como e o que o sujeito aprende, bem como o que o impede de aprender. Nessa ocasião, já se inicia também o tratamento. Quando se analisa a situação do sujeito, precisa-se propor desafios de superação, para que novas hipóteses possam ser levantadas e questões já possam ser superadas. Logo, Faculdade de Minas 10 não há uma separação rígida entre o período do diagnóstico e o do tratamento. Ao iniciar o diagnóstico, já se está começando o tratamento. Ao longo do processo diagnóstico, é importante ser realizada uma entrevista de anamnese, que se constitui numa técnica de investigação e análise, a partir da retomada da história de vida do sujeito através de uma conversa com a família. Ela é utilizada para auxiliar a compreender o funcionamento familiar, no sentido de se observar como o sujeito é visto por esse grupo, qual o seu papel, como o veem e compreendem sua situação ao longo da vida e como descrevem a dificuldade de aprendizagem. A anamnese auxilia o especialista em psicopedagogia a compreender o processo de aprendizagem do sujeito em diferentes momentos de sua vida. Por isso, suas perguntas devem se centrar mais no “como” do que no “quando”, como, por exemplo: Como foi que ele começou a andar? Como foi que ele aprendeu a falar? O quando traz uma questão mais relacionada com a temporalidade, o que tem importância, mas não tanto quando o processo de cada aprendizagem. A elaboração de hipóteses sobre como o sujeito aprende e o que o impede é de suma importância para o atendimento, pois é a partir dela que a ação do especialista em psicopedagogia é planejada e organizada. Ao longo de todo o tratamento, as hipóteses são elaboradas, superadas e redefinidas. A partir da superação de uma questão, outra poderá ser elaborada pelo especialista em Psicopedagogia. É significativo sempre partir do que o sujeito sabe fazer, o que conhece, aquilo no que tem sucesso. Além de reforçar suas possibilidades, com essa perspectiva também se consegue, muitas vezes, observar e analisar asestratégias utilizadas e lhe ajudar a usá-las nas situações de dificuldades. Outro aspecto relevante tem relação com as inúmeras vezes em que os especialistas centram a investigação psicopedagógica na leitura e na escrita quando o encaminhamento ocorre devido a uma dificuldade nessa área. Porém, precisa-se sempre lembrar de também Faculdade de Minas 11 analisar questões relativas ao pensamento lógico matemático. Várias vezes recebe-se dos educadores a avaliação de que o sujeito domina as questões relacionadas ao conhecimento matemático, mas o que ele consegue fazer são cálculos mecanizados, sem compreensão. A construção do pensamento lógico-matemático é estruturante da construção da leitura e da escrita, ou seja, são a base para a aprendizagem da leitura e da escrita. A testagem do nível de leitura e escrita precisa ser realizada juntamente com a observação, pois é importante observar as estratégias que o sujeito utiliza para ler e escrever sua própria produção. A Atuação Psicopedagógica e o Autismo Pode-se afirmar que a Psicopedagogia é uma área interessada em investigar a relação da criança com a aprendizagem. Sendo assim esta relação pode configurar-se como problemática, em relação aos aspectos pedagógicos, psicológicos, afetivos e cognitivos. Por se tratar de uma área investigativa esse profissional deve criar condições para que o indivíduo desenvolva uma aprendizagem mais significativa, Bossa (1994, p.62) ressalta que “a psicopedagogia preventiva se baseia principalmente na observação e análise profunda de uma situação concreta”. Faculdade de Minas 12 Neste caso compete ao Psicopedagogo conhecer as características da criança com o TEA, para que este tenha condições de planejar uma intervenção que venha atingir as necessidades e os aspectos afetivos, cognitivos e comportamentais de seus clientes. Talvez esse profissional não tenha percebido ainda a riqueza dessa profissão, que além de ajudar no quesito aprendizagem, esse possui uma função bem especial que, segundo Bossa, (1994, p. 66) é “a de socializar os conhecimentos disponíveis, promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta, dentro de um projeto social mais amplo”. Desta forma esse indivíduo pode se tornar inserido de maneira mais organizada em um mundo totalmente novo, pelo menos pra ele. A intervenção psicopedagógica tem o objetivo de revelar um padrão de Faculdade de Minas 13 relacionamento com o mundo, diferente daquela vivenciada até o momento pelo indivíduo, que consequentemente poderá ser lançado ao aprendizado e integrando- se a sociedade conforme suas condições o permitam. A intervenção tem como objetivo ajudar na compreensão, assimilação e orientação comportamentais, no caso dos portadores do TEA, introduzindo esse sujeito a novos elementos que poderão levá-lo a quebra de paradigmas. Vendo a psicopedagogia por essa perspectiva, ela nos projeta a uma análise e a uma reflexão da necessidade de perceber as angústias ali apresentadas, a estudar e pesquisar as condições que estão sendo requeridas nos aspectos relacionados com o desenvolvimento, cognitivo e/ou comportamental. A partir do momento em que o psicopedagogo percebe a aprendizagem como um processo de construção, onde se geram hipóteses, reformulações e a complexidade de fatores múltiplos, surgem inquietações e insatisfações, que nos permitem aceitar novos desafios convidando-os a sair da posição fria de mero expectador, para a de terapeuta que interage e busca maior entendimento e conhecimento referente ao indivíduo. Segundo Edith Rubinstein (2009, p. 128): O trabalho com autista é de fundamental importância para seu desenvolvimento, mas não podemos negar também que não é um trabalho fácil de realizar, até mesmo porque existem níveis diferentes de autismo, cada um com suas especificações e peculiaridades. Para Santos (2009), a Psicopedagogia possui caráter interdisciplinar, seu objeto de estudo deve ser entendido a partir de dois enfoques: preventivo e terapêutico, onde o primeiro considera como objeto o ser humano em desenvolvimento, seus processos de desenvolvimento e as alterações de tais processos. O enfoque terapêutico considera o objeto a identificação, análise, Faculdade de Minas 14 elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem. O psicopedagogo deve sempre estar ciente de que cada educando é diferente do outro, então, para cada um terá um olhar diferenciado, observando as necessidades daquele sujeito, observando também as possibilidades que o educando lhe oferece. É preciso que sejam escolhidos os meios eficazes para tornar o currículo escolar coerente com as necessidades do mesmo. Em relação ao trabalho psicopedagógico com os autistas: O papel do psicopedagogo diante de um quadro de inclusão escolar é de suma importância; pois será ele o intermediário de facilitações e possibilidades de aprendizagens. Ao se pensar na educação de crianças com TEA é preciso ter conhecimentos prévios sobre o transtorno e sobre o padrão normal das demais crianças. Requer a primazia da observação para atingir o verdadeiro caminho do saber, selecionar estímulos que tornem receptiva a prática usada, saber enriquecer o aprendizado, abordar as características da ação psicopedagógica. Em toda intervenção é necessária a consciência das possibilidades educacionais da criança com TEA, sabendo nortear um currículo eficaz e de acordo com suas peculiaridades, pois o aluno autista é um aprendiz que a sua maneira elabora suas ideias, ordena suas ações, sincroniza o funcionamento psíquico e a capacidade motora. Faculdade de Minas 15 Cunha (2015) abordou quatro critérios de mediação psicopedagógica para ser aplicada em crianças com TEA. A intencionalidade, reciprocidade, significado e transcendência. A intencionalidade, se refere ao modo de interação entre mediador e mediado, para que ambos aprendam moldar e interpretar estímulos. Reciprocidade, diz respeito à troca, é um caminho que torna visível o retorno do aprendente ao processo de aprendizagem, é importante o mediador nesse processo procurar recompensar as respostas positivas, pois assim o aprendente percebe que está no caminho certo. Significado, o mediador deve dar significado as ações, o mediado precisa compreender a função, a utilidade de tal ato, de tal objetivo. Transcendência, esta por objetivo promover a aquisição de estratégias que podem servir para diversas situações. O papel do psicopedagogo vem de ser o auxiliador com um olhar sistêmico, para tentar enxergar ao máximo sua capacidade cognitiva de aprendizado e tornar o currículo funcional para que seja desenvolvida a autonomia do aluno com TEA. Através do psicopedagogo se fará a eliminação de barreiras e criação de estratégias que muitas vezes são simples, mas que fazem parte da estratégia de ensino utilizada pelo professor regente e que irá possibilitar um currículo que atenda esse aluno. O trabalho da psicopedagogia não consiste em aplicar somente teorias, em se fazer aprender as teorias, mas sim possibilitar novas formas de aprender, observando o educando, buscando meios pra que se compreenda. A psicopedagogia não se prende nas dificuldades desse educando, mas sim, em estar procurando alternativas de ensinar sobrepondo as dificuldades de aprendizagens apresentadas pelo mesmo. Para Cunha (2015), o trabalho deve acontecer através da observação, primeiro passo para se atingir os pontos posteriores. A observação permite “selecionar os estímulos que tornam o aprendente mais receptível às práticas pedagógicas. O que o aluno ama o que lhe interessa, seus sonhos e desejos são Faculdade de Minas 16 baldrames da atuação psicopedagógica. A sua interioridade deveser priorizada [...]” (Idem, 2015, p 19). A observação possibilita conhecer os gostos, as preferências, os desejos, e a partir desses detalhes deve ser criada uma linha de trabalho, que também venha acompanhada de afeto e estímulos, para que a aprendizagem floresça a partir do interior do educando, pois, quanto maior for o numero de estímulos, maiores e melhores serão as oportunidades de evolução do aprendizado. Atuar como psicopedagogo, atendendo de maneira efetiva todos os alunos não é uma tarefa fácil, principalmente quando se trata em trabalhar com crianças portadoras de necessidades especiais, especificamente os autistas. O ato de ensinar exige uma série de habilidades e competências do educador, para que este consiga articular fatores individuais, sociais, internos, individuais, externos que influenciam o tempo todo o aluno. Assim, para que o autista possa ser favorecido pelas práticas pedagógicas é preciso que o profissional esteja preparado para lidar com essa nova clientela, tendo consciência de sua deficiência, mas também de suas habilidades, para que assim possa através de um bom planejamento e de uma boa elaboração de um Projeto Político Pedagógico. As práticas pedagógicas utilizadas em sala de aula são desenvolvidas pelos professores e por uma equipe pedagógica que organizem suas práticas relacionando-as com as concepções sobre criança, infância e educação. Essas práticas, entretanto, são reguladas pela escola e por toda a sua estrutura pedagógica. A educação inclusiva exige a adoção de práticas diferenciadas, não sendo concebidas práticas Faculdade de Minas 17 que se pautem pela homogeneidade e que considerem uma única forma de aprender. Deve-se ainda no processo educacional que as práticas pedagógicas não se limitem apenas a concepção da patologia, mas se volte para o indivíduo, deve se apoiar nas necessidades desses alunos. Ainda Cunha (2015), uma criança considerada normal aprende por brincadeiras, cria vínculos, adquire habilidades motoras e cognitivas, entretanto para uma criança autista, não é tão simples assim, pois há uma relação diferente entre o cérebro, os sentidos e as informações, o que acaba por nem sempre gerar conhecimento. A criança autista não deve simplesmente ser inserida em sala de aula e esperar que seu desenvolvimento aconteça. É importante que ela tenha a oportunidade de manusear os objetos, de conhecer para que servem. Dessa forma, as práticas pedagógicas devem estar voltadas para atividades que causem fascínio no autista, para que assim ele consiga desenvolver suas habilidades de maneira real. O atendimento psicopedagógico segundo Bastos (2005) deve considerar os seguintes aspectos: Faculdade de Minas 18 Assim, as práticas pedagógicas com crianças autistas devem estar voltadas para maneiras diferenciadas, é preciso que sejam selecionadas atividades e métodos visuais concretos, pois o visual para o autista é essencial, sendo facilitador no processo de aprendizagem. O trabalho psicopedagógico deve ser visto como uma ferramenta para ajudar na organização e estrutura cognitiva e comportamental dos indivíduos, sendo necessário intervenções específicas para melhor atender as crianças autistas. Dentre essas intervenções destacam-se dois métodos o ABA e o TEACH. A importância do profissional de psicopedagogia na inclusão de crianças autistas na sala de aula O autismo pode ser considerado leve, moderado e severo, e é um transtorno ímpar onde os sintomas podem aparecer de maneira diferente nos indivíduos, apresentando comprometimento diferente e em diversos graus. Pode ou não estar associado a atrasos no desenvolvimento cognitivo ou a outros transtornos. Apesar de não ser classificado pela medicina como deficiência, a legislação vigente garante as pessoas com TEA as mesmas proteções legais referente às pessoas com deficiência. A Educação Especial recebeu um maior destaque na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9.394/96. Em seu artigo 58 há intenção de contemplar a educação inclusiva, manifestando o propósito de incluir o aluno, sempre que possível, nas classes comuns do ensino regular. O caput do artigo cita: A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas realizada em 2007 foi incorporada a legislação brasileira em 2008 e possui força normativa equivalente a emenda constitucional. Faculdade de Minas 19 O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) é um importante instrumento de proteção e inclusão das pessoas com deficiência. Em seu artigo 27 destaca: Nesse sentido, a escola deve adequar o currículo, se necessário modificar estratégias, métodos e avaliação contemplando as diferenças no meio escolar. Os profissionais devem estar capacitados para tal e atentos aos objetivos que se deseja alcançar diante dessas crianças, levando em consideração que as finalidades da educação são as mesmas para todos os alunos. Diante dessa situação, as crianças com TEA enfrentam diversas dificuldades em sua vida escolar. O psicopedagogo que estuda os processos de aprendizagem de crianças, adolescentes e adultos, identifica as dificuldades e os transtornos que interferem na assimilação do conteúdo, fazendo uso de conhecimentos da psicologia e da antropologia para analisar o comportamento do aluno. O psicopedagogo deve auxiliar o educador para saber trabalhar com o relacionamento com seu aluno em um conhecimento o mais abrangente do Transtorno do Espectro Autista, das características da criança e de técnicas atualizadas de ensino. Cada pessoa tem uma relação diferente com o saber. As circunstâncias internas variam de acordo com a maturação e o grau do desenvolvimento da Faculdade de Minas 20 criança, enquanto que os fatores externos dizem respeito ao meio que a criança está inserida, como família, amigos, escola, entre outras relações. Precisa além do seu conhecimento teórico e prático, o psicopedagogo deve ter responsabilidade, sensibilidade em compreender que uma criança autista aprende, mas também ensina, pois, toda a bagagem que carrega consigo deve ser considerada. É responsabilidade do psicopedagogo intermediar o relacionamento entre quem ensina e quem aprende na construção de um vínculo. Beauclair (2013, p 01) em seu artigo sobre Psicopedagogia, afirma que: No processo de evolução dos seres humanos, gradativamente, adquirem novas habilidades, elas são assimiladas conforme o indivíduo interage com o ambiente e quando as informações estão estabilizadas a nível cognitivo, será possível a aquisição de outras competências (CHEVRIE-MULLER.; NARBONA 2005). Incluir é aprender junto e para isso há necessidade de que nas escolas esse ambiente de aprendizagem seja favorável. Independente do grau de severidade da criança com TEA, a educação inclusiva deve ser vivenciada individualmente favorecendo também a sociabilidade. Para que haja uma inclusão escolar visando a aprendizagem de crianças com autismo, o psicopedagogo precisa orientar os professores e toda a equipe escolar a trabalhar com essas crianças. É de suma importância que se use instruções claras, diretas e simples para cada tarefa orientada; ensinar comportamentos e obediência e regras; usar estímulos visuais facilitando o aprendizado; estimular a autonomia e a independência; utilizar de reforço positivo elogiando e parabenizando a cada Faculdade de Minas 21 comportamento correto ou acerto em atividades. Todavia, os reforços podem ser sociais, com uso de atividades e ou brinquedos. Pensando especificamente em formas avaliativas inclusivas, devemos mencionar alguns caminhos: observação e registro, portfólio, diário do professor e autoavaliação. Estes podem ser bons instrumentos para a contribuição de uma avaliação responsável esadia (AIMI e TAMBORIL, 2011). De tal modo, se faz necessário que o psicopedagogo depois de uma avaliação sistemática e coletando informações dos demais profissionais envolvidos, faça uma adaptação do conteúdo proposto pela escola levando em conta a aprendizagem da criança autista. Assim, é planificado um currículo individual, onde serão explanados objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação, com a finalidade de conduzir a construção do saber. As adaptações curriculares devem ser individualizadas e respeitar o repertório de habilidades acadêmicas, sociais e linguagem da criança, evoluindo, gradativamente, dentro de uma perspectiva de aprendizagem sem erro. De acordo com o MEC, as adaptações de acesso o currículo são modificações ou provisões de recursos espaciais, materiais ou de comunicação que vão facilitar que os alunos e alunas com necessidades educativas especiais possam se desenvolver com currículo ordinário ou, se for o caso, o currículo adaptado. Em todo intervenção, é preciso que o psicopedagogo esteja consciente das possibilidades educacionais do seu educando, mesmo diante de qualquer inadaptabilidade inicial. Para isso, é preciso que se escolham os meios eficazes que tornarão o currículo escolar coerente com as suas necessidades (CUNHA, 2015). Bossa (1994, p 23) também menciona a cerca da função do psicopedagogo Faculdade de Minas 22 no preços de aprendizagem: Neste entendimento, cabe ao psicopedagogo saber como o indivíduo se organiza, como se transforma em suas diversas etapas de vida, quais os recursos de conhecimento de que ele dispõe e a forma pela qual produz conhecimento e aprende. É preciso, também, que o psicopedagogo saiba o que é ensinar e o que é aprender; como interferem os sistemas e métodos educativos; os problemas estruturais que intervêm no surgimento dos transtornos de aprendizagem e no processo escolar. Ensinar e aprender são processos interligados. Não podemos pensar em um, sem estar em relação ao outro. Segundo Fernandez (2001, p.29), entre o ensinante e o aprendente, abre-se um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender. Ensinantes são os pais, os irmãos, os tios, os avós e demais integrantes da família, como também, os professores e companheiros da escola. As escolas enfrentam um grande desafio: lidar com as dificuldades de aprendizagem e ao mesmo tempo traçar uma proposta de intervenção capaz de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem dos alunos. Dessa forma, defende-se a importância do Psicopedagogo Institucional, como um profissional qualificado, que se baseia principalmente na observação e análise profunda de uma situação concreta, no sentido de não apenas identificar possíveis perturbações no processo de aprendizagem, mas para promover orientações didático metodológicas no espaço escolar de acordo com as características dos indivíduos e grupos. A presença de psicopedagogo no contexto escolar se faz essencial, pois sua intervenção vai além do aluno em sala de aula, mas na orientação dos pais, auxiliando os educadores, elaborando projetos, além de participar na implementação de propostas pedagógicas. Faculdade de Minas 23 REFERÊNCIAS BASTOS, A M B P. A PSICOPEDAGOGIA APLICADA AOS PORTADORES DE T.I.D. In: CAMARGOS. Jr., Walter (coord.) Transtornos Invasivos do Desenvolvimento: 3o Milênio / Walter Camargos Jr e colaboradores. -Brasília: Presidência da República, secretaria Especial dos Direitos Humanos, Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, 2005. p.127-131. BOSSA, N. A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 1994, p. 61- 76. RUBINSTEIN, Edith. A Especificidade do Diagnóstico Psicopedagógico. In: SISTO, Fermino Fernandes et al. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. 12 edição. Editora Vozes, 2009, p.127-139. SANTOS, Denise Morais. 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