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Estudos Disciplinares – Fisioterapia Motora Quest. I Pergunta 1 Paralisia Cerebral (PC) é um grupo de desordens do desenvolvimento do movimento e da postura, devido à lesão não progressiva no encéfalo imaturo, com etiologia e quadro clínicos diversos. Na PC, as desordens motoras estão frequentemente associadas às alterações sensoriais, cognitiva, comunicativa, perceptiva e/ou comportamental. Com o auxílio desta definição, julgue as afirmações que se seguem. I. A lesão que causa a PC poderá ocorrer no período pré, peri ou pós-natal até os 2 – 3 anos de vida. II. Devido à diversidade da etiologia, as manifestações clínicas da PC não são facilmente observadas. III. O diagnóstico da PC é baseado em alterações predominantemente motoras. IV. Devido ao caráter predominantemente motor, raramente, são encontrados distúrbios sensoriais associados ao quadro de PC. V. Tanto a lesão no encéfalo quanto os sinais e sintomas característicos da PC são progressivos. São corretas apenas as afirmações: a. I e II. b. I e III. c. I e V. d. II e IV. e. III e IV. Comentário da resposta: I) Essas lesões ocorrem no período pré-natal, perinatal ou na primeira infância, ou seja, durante a fase de desenvolvimento do encéfalo, e sua etiologia caracteriza-se por ser multifatorial. Por isso, essa afirmativa é verdadeira. III) Quando da análise clínica da PC, é fundamental que se leve em conta a extensão do distúrbio motor, sua intensidade e, principalmente, a caracterização semiológica desse distúrbio. Por isso, essa afirmativa é verdadeira. Pergunta 2 Os nervos cranianos contêm fibras sensitivas e/ou motoras que emergem por meio de forames ou fissuras situadas no crânio. São em número de 12 pares, identificados de I a XII. O Nervo Facial (NC VII) possui importante função motora e sensitiva da face, assim como participa na inervação parassimpática. Entre outros sinais, uma lesão periférica próxima à origem desse nervo fará com que o paciente apresente quadro clínico de: a. Paralisia motora dos músculos faciais das partes superiores e inferiores no lado ipsilateral da lesão e perda do paladar nos dois terços anteriores da língua. b. Paralisia motora dos músculos faciais da parte inferior do lado ipsilateral da lesão e incapacidade de olhar para baixo quando o olho é aduzido. c. Paralisia motora dos músculos faciais da parte superior do lado contralateral da lesão e perda da audição unilateral progressiva. d. Paralisia motora dos músculos faciais das partes superiores e inferiores no lado contralateral da lesão, acompanhada de ptose e pupila dilatada. e. Paralisia dos músculos faciais da parte superior do lado homolateral da lesão, acompanhada de perda da constrição pupilar e defeitos no campo visual. Comentário da resposta: Ipsilateral (do latim ipse, “próprio”; latus, “lado”). No mesmo lado do nervo, a fronte se imobiliza, o canto dos lábios cai, as dobras nasolabiais da face se achatam, as linhas faciais desaparecem e a saliva pode pingar do canto da boca. O cliente é incapaz de assobiar ou de inflar a bochecha porque o músculo bucinador fica paralisado. Quando sorri, os músculos normais puxam o canto contralateral dos lábios para cima, enquanto o canto paralisado continua caído. Nos 2/3 anteriores ipsilaterais da língua, as sensações gustativas desaparecem. Pergunta 3 Paciente de 5 anos de idade apresenta diagnóstico de mielomeningocele, nível lombar alto. Nesse caso, qual o procedimento fisioterapêutico mais adequado? a. Fortalecer a musculatura dos membros superiores e inferiores e do tronco; prevenir deformidades de membros inferiores e do tronco; realizar o treino de ortostatismo no parapodium e a deambulação fazendo uso de órtese longa bilateral com cinto pélvico e auxílio de andador ou muletas. b. Fortalecer a musculatura dos membros superiores e inferiores e do tronco; prevenir deformidades de membros inferiores e do tronco; realizar o treino de ortostatismo no parapodium e a deambulação fazendo uso de goteiras suropodálicas. c. Direcionar a terapia para o fortalecimento da musculatura dos membros superiores e do tronco; prevenir deformidades de membros inferiores por meio de alongamentos passivos; preparar o paciente para fazer uso de cadeiras de rodas. d. Direcionar a terapia para o fortalecimento da musculatura dos membros superiores e do tronco; prevenir deformidades; estimular o ortostatismo somente com o uso do parapodium e realizar alongamentos passivos. e. Direcionar a terapia para o fortalecimento e o alongamento da musculatura de membros inferiores; prevenir deformidades de membros inferiores fazendo uso de goteiras suropodálicas e estimular o ortostatismo. Comentário da resposta: O fisioterapeuta deve fortalecer os músculos de membros superiores, já que o cliente terá necessidade de utilizar essa musculatura durante as trocas de postura e quando usar muletas ou outros equipamentos de suporte. A musculatura de membros inferiores e a musculatura do tronco devem ser trabalhadas com o objetivo de preservar sua parte funcional. O treino na mesa para ortostatismo (parapodium) e a deambulação (por meio de órtese longa bilateral com cinto pélvico e auxílio de andador ou muletas) são sugeridos no caso de o cliente não ter o controle satisfatório da musculatura pélvica. Pergunta 4 A terapia por restrição e indução de movimentos (TRIM) tem por objetivo restringir os movimentos do dimídio sadio de pacientes com limitações funcionais causadas por lesões neurológicas. Hemiparéticos por sequela de doença cerebrovascular são comumente sujeitos de pesquisas nesse campo. Um dos motivos pelo qual o lado corporal acometido diminui consideravelmente sua funcionalidade é o desuso aprendido. Esse desuso interfere sobremaneira: a. Nos geradores centrais de padrões medulares. b. Nos padrões motores mediados pela medula espinhal. c. No funcionamento cerebelar, limitando suas modulações. d. Nas respostas eferentes e aferentes em todo o sistema nervoso central. e. Nas representações corticais do lado lesado, diminuindo em níveis relativamente baixos. Pergunta 5 Quando um indivíduo tem sua rotina alterada por condições que afetam a sua saúde, algumas atividades e a participação do indivíduo no âmbito social são bastante modificadas. As condições de saúde são influenciadas pelas estruturas e funções do corpo, assim como pelo nível de atividade funcional do indivíduo e sua participação na sociedade. O fisioterapeuta deve ter conhecimento acerca dos modelos de saúde hierarquizados. O pensar desse profissional deve ser voltado para uma visão global na avaliação e no tratamento. O modelo da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) considera os fatores: a. Sociais e econômicos. b. Ambientais e pessoais. c. Individuais e alimentares. d. Coletivos e organizacionais. e. Psicológicos e integracionistas. Comentário da resposta: O aspecto principal da CIF é a importância dos fatores contextuais (ambientais e pessoais) e seus conflitos, tanto positivos quanto negativos, nas três dimensões das condições de saúde: a estrutura e a função do corpo, a atividade e a participação social. Pergunta 6 A espasticidade é uma síndrome neurológica decorrente de lesões em neurônio motor superior. Um dos sinais é alteração do tônus muscular, que aparece, normalmente, na fase crônica de lesões como acidente vascular cerebral e paralisia cerebral, por exemplo. Sobre a espasticidade, leia as afirmativas a seguir: I) Os termos hipertonia espástica e espasticidade são sinônimos, e essa alteração motora está presente nas lesões centrais e periféricas do sistema nervoso. II) Alguns sinais clínicos que, normalmente, aparecem na síndrome da espasticidade são: clônus muscular, aumento dos reflexos tendíneose hipertonia elástica. III) As lesões de núcleos da base, também conhecidas como extrapiramidais, são caracterizadas pelos sinais de hipertonia elástica e bradicinesia. IV) A hipertonia elástica é velocidade dependente e pode ser avaliada por meio da inspeção e palpação da musculatura, além da mobilização passiva. É correto o que se afirma em: a. I e II. b. II e III. c. III e IV. d. II e IV. e. II, III e IV. Comentário da resposta: Afirmativa II correta, pois os principais sinais que aparecem quando o paciente tem uma lesão em sistema nervoso central, mais especificamente em neurônio motor superior, é a síndrome da espasticidade, na qual os pacientes irão apresentar clônus, aumento do tônus muscular (hipertonia elástica) e aumento dos reflexos tendíneos. Afirmativa IV está correta, pois, para se avaliar o tônus muscular, deve ser feita uma inspeção e palpação da musculatura a ser avaliada, além de uma mobilização passiva lenta primeiro, para ver o arco do movimento e depois uma mobilização passiva rápida para ativar fuso muscular, uma vez que a hipertonia elástica é velocidade dependente. Pergunta 7 Um jovem de 19 anos de idade sofreu traumatismo raquimedular decorrente de acidente automobilístico, com lesão completa em nível de T12. Após a alta hospitalar, iniciou tratamento fisioterapêutico em um centro de reabilitação e evoluiu com quadro de paraplegia. Que tipo de dispositivo ortótico o paciente poderá utilizar para atingir a deambulação terapêutica? a. Órtese tornozelo-pé (AFO). b. Órtese joelho-tornozelo-pé (KAFO). c. Órtese de joelho de lona extensora (KO). d. Órtese tutor longo com cinto pélvico (HKAFO). e. Órteses de joelho de lona extensora (KO) com tornozelo e pé (AFO). Comentário da resposta: O nível de lesão medular em T12 caracteriza um paciente sem controle do tronco inferior. O tutor longo com cinto pélvico é a órtese indicada para pacientes paraplégicos com equilíbrio precário de tronco. Pode ser recrutada também por auxiliar na manutenção da postura ortostática. Pergunta 8 Um homem com 56 anos de idade, com diagnóstico de Parkinson há um ano e meio, apresentou, na avaliação fisioterapêutica, grau de acometimento pela escala de Hoehn e Yahr, com tremor de repouso na mão e no pé esquerdos nos momentos em que o paciente está nervoso ou cansado. O paciente relata que consegue realizar suas atividades cotidianas, não apresenta comprometimento axial, nem alterações musculoesqueléticas. Considerando essa situação, avalie as afirmativas a seguir a respeito da conduta do fisioterapeuta. I. O posicionamento do paciente no leito deve ser orientado a fim de reduzir a espasticidade provocada pela síndrome piramidal. II. O paciente deve ser orientado a realizar rotação de tronco pela manhã, antes de se levantar, na posição sentada e, ao longo do dia, em pé, a fim de melhorar a mobilidade e prevenir a rigidez de tronco. III. O paciente deve ser orientado sobre os sintomas comuns na evolução dessa doença, que são dismetria, tremor de movimento, disdiadococinesia e nistagmo. IV. Devem ser oferecidas estratégias que envolvam ritmos e/ou música para que o paciente realize compasso rítmico, a fim de evitar episódios de congelamento. É correto o que se afirma em: a. I. b. II e IV. c. III e IV. d. I, II e III. e. I, II, III e IV. Comentário da resposta: II) Os exercícios ativos devem ser orientados aos portadores da DP, em especial para aqueles que recrutam a musculatura do tronco, devido aos sintomas da rigidez muscular e da bradicinesia que colaboram para alterações e instabilidade posturais. IV) Os recursos terapêuticos como música, utilização de pistas visuais e exercícios ativos associados ao comando verbal do terapeuta são estratégias de tratamento que visam minimizar os efeitos da bradicinesia e dos episódios de congelamento ou freezing. Pergunta 9 O tônus muscular faz parte da avaliação de um paciente neurológico, pois muitos pacientes apresentarão uma alteração desse estado de contração basal do músculo. De acordo com os seus conhecimentos sobre o tônus muscular e as suas alterações, leia as afirmativas a seguir: I) Em pacientes com lesão de Sistema Nervoso Central, o paciente apresentará um comprometimento no controle do tônus, resultando, obrigatoriamente, em hipertonia muscular. II) Na hipertonia elástica ou espástica, a contração muscular reflexa é percebida pelo fisioterapeuta como uma resistência brusca que, logo em seguida, desaparece, chamada de sinal do canivete. III) A hipertonia elástica é o comprometimento mais comumente encontrado após as lesões do neurônio motor superior ou trato piramidal. IV) Na hipertonia elástica, o aumento da resistência durante o alongamento passivo do músculo é intermitente e independe da velocidade do alongamento. É correto o que se afirma em: a. I e II. b. II e III. c. I, II e IV. d. II, III e IV. e. I, III e IV. Pergunta 10 Em relação à classificação topográfica de uma criança com paralisia cerebral, assinale a alternativa correta: a. Diparesia é comprometimento de um hemicorpo apenas. b. A classificação topográfica é dividida em espástica, discinética, ataxia, hipotônica e mista. c. Todos os pacientes com diagnóstico médico de paralisia cerebral irão apresentar um quadro de tetraparesia. d. Tetraparesia é o comprometimento dos membros superiores e inferiores de uma forma mais simétrica, além de ausência de controle de tronco e cervical. e. A classificação topográfica está dividida em tetraplegia e paraplegia. Comentário da resposta: A tetraparesia em uma criança com PC é a classificação mais grave na qual as crianças irão apresentar um quadro clínico com comprometimento nos membros inferiores e superiores, além de ausência de controle de tronco e cervical.