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02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/20 APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA AULA 2 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/20 Profª Luana Cabral CONVERSA INICIAL Nesta aula, iremos compreender quais são os componentes da aptidão cardiorrespiratória, como ocorre a pequena e a grande circulação sanguínea e quais são os principais componentes que fazem parte desse sistema. Especificamente, iremos compreender quais são as principais diferenças entre os vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares sanguíneos). Nós também iremos entender qual é a importância da aptidão cardiorrespiratória na saúde de crianças e adolescentes, verificando, também, quais são os fatores que podem melhorar ou piorar esse componente da aptidão física voltada para a saúde. Alguns aspectos fisiológicos da aptidão cardiorrespiratória também serão abordados, assim, iremos compreender qual é o objetivo de avaliar o consumo máximo de oxigênio (VO2máx), a frequência cardíaca, a pressão arterial e o débito cardíaco. Com relação aos diferentes métodos de avaliação do componente aeróbio, iremos compreender como avaliar o VO2máx, a frequência cardíaca (no seu valor bruto, variabilidade e valor máximo), a percepção de esforço durante um exercício e os testes de campo e de laboratório para avaliar esse componente. Por fim, iremos compreender quais são os sistemas energéticos ligados ao componente anaeróbio e como podemos avaliar a capacidade anaeróbica por meio da mensuração do lactato sanguíneo e de testes de laboratório e de campo. TEMA 1 – CARACTERIZAÇÃO DOS COMPONENTES CARDIOVASCULARES Identificar os componentes cardiovasculares é importante para mensurar a aptidão cardiorrespiratória durante uma avaliação das aptidões físicas. É por meio desse sistema que o funcionamento do corpo ocorre de maneira correta, pois recebe oxigênio para funcionar. De acordo com 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/20 McArdle, Katch e Katch (2016, p. 494), existem quatro componentes do sistema cardiovascular: 1 – uma bomba que fornece uma ligação contínua com os três outros componentes; 2 – Um circuito de distribuição de alta pressão; 3 – Vasos de comunicação; 4 – Circuito de coleta e de retorno de baixa pressão. A bomba que fornece essa ligação contínua é o coração, que tem funções cruciais para o funcionamento do sistema cardiovascular. O coração é composto por dois átrios e dois ventrículos, do lado direito e esquerdo. O músculo cardíaco é um músculo que possui fibras curtas e com várias ramificações, de modo que sua contração é rápida, ritmada e involuntária. É o sistema nervoso autônomo que regula sua velocidade e força de contração. O coração tem algumas funções, e a circulação pequena ou circulação pulmonar ocorre do lado direito do coração, desempenhando as seguintes funções: Receber o sangue venoso (pobre em oxigênio) que retorna de todo corpo; Enviar o sangue para os pulmões. Por sua vez, no lado esquerdo do coração ocorre a grande circulação ou a circulação sistêmica, que tem as funções de: Receber o sangue rico em oxigênio do pulmão; Enviar o sangue para todo o corpo. O pulmão faz parte do ciclo vascular sanguíneo, sendo responsável por captar o oxigênio do ambiente e fazer com que o sangue se torne oxigenado para suprir as demandas corporais. Ele também tem a função de eliminar o dióxido de carbono proveniente do sangue venoso que retorna do corpo inteiro. A grande e a pequena circulações são demonstradas na figura 1. 1.1 VASOS SANGUÍNEOS 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/20 Os vasos sanguíneos são compostos pelas artérias, veias e capilares sanguíneos. Cada vaso possui uma função dentro do sistema vascular, fazendo com que o sangue circule em todo o corpo e leve oxigênio adequadamente a todas as células corporais. Cada um desses vasos possui diferenças no calibre, no diâmetro, na cor do sangue e na pressão sanguínea, bem como na velocidade com que o sangue passa e na direção em que é levado, as quais veremos detalhadamente a seguir. As artérias são os vasos que saem do coração, levando sangue para todo o corpo, nutrindo todas as células corporais com oxigênio. São os maiores vasos sanguíneos em questão do diâmetro e são os de maior calibre também, pois a pressão sanguínea é muito forte. O sangue que passa pelas artérias é rico em oxigênio e, por isso, é vermelho-vivo e seu fluxo é pulsante. É importante saber que a artéria pulmonar transporta sangue pobre em oxigênio do coração para o pulmão, diferindo das demais artérias corporais. As veias são os vasos sanguíneos que vêm dos tecidos do corpo todo em direção ao coração, transportando sangue pobre em oxigênio/nutrientes e rico em gás carbônico. Esse sangue transportado pelas veias é vermelho-escuro, o fluxo é lento, estável e com pouca pressão. Vale destacar que a veia pulmonar transporta sangue rico em oxigênio do pulmão para o coração. Importante lembrar que muitas veias possuem válvulas que impedem o retorno do sangue, tendo somente um sentido do sangue. Os capilares sanguíneos são pequenos vasos que contêm 6% do volume total sanguíneo e possuem calibre muito pequeno, Neles, o sangue tem o fluxo bem lento e estável. A principal função dos capilares é realizar a troca de sangue entre os tecidos, assegurando que haja a nutrição de oxigênio para todas as células corporais. Eles podem ser chamados de vênulas (que levam sangue até as veias) ou arteríolas (que levam o sangue até as artérias). Figura 1 – Demonstração do sistema de circulação sanguíneo (grande e pequeno) 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/20 Crédito: Olga Bolbot/Shutterstock. TEMA 2 – RELAÇÃO DE APTIDÃO CARDIORRESPIRATÓRIA E SAÚDE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES Compreender a relação entre a aptidão cardiorrespiratória e a saúde de crianças e adolescentes é de extrema importância, pois esse componente impacta diretamente na qualidade de vida. 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/20 A aptidão cardiorrespiratória ou a capacidade de endurance aeróbia está relacionada ao “correto funcionamento do coração, pulmão e do sistema vascular” (Galahue, 2013, p. 329). A avaliação da aptidão cardiorrespiratória pode ser feita em testes de laboratório, nos quais é avaliado o consumo máximo de oxigênio durante testes de esteira ou cicloergômetro até a exaustão. Esse componente da aptidão física é um dos principais relacionados à saúde, pois impacta diretamente na probabilidade de a criança ter uma predisposição ou maior prevalência aos fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta. Além disso, crianças e adolescentes que têm um bom condicionamento cardiorrespiratório são mais propensos a terem um estilo de vida mais saudável, maiores chances de ingressar na vida esportiva como meio de lazer, maiores níveis de atividades físicas habituais e mais qualidade de vida (Vasques; Silva; Lopes, 2007; Pate et al., 2006). Além disso, indivíduos com níveis mais elevados de aptidão cardiorrespiratória tendem a ter mais eficiência em tarefas cotidianas, bem como uma recuperação mais rápida após grandes esforços (Guedes; Guedes, 1995). De acordo com Pellegrini et al. (2016), altos níveis de aptidão cardiorrespiratória podem ser associados a uma menor adiposidade corporal total e abdominal, efeitos positivos sobre sintomas de depressão, ansiedade, estado do humor e autoestima e também é considerado um fator de proteção para as doenças cardiovasculares. Esse mesmo autor aponta que baixa aptidão cardiorrespiratória durante a infância e a adolescência está associada ao desenvolvimento de doenças metabólicas na vida adulta, como “obesidade, hiperlipidemia, resistência à insulina e hipertensão arterial”. Existem alguns fatores que podem explicar baixos níveis de aptidão cardiorrespiratóriaem adolescentes, e, com base neles, estratégias devem ser implementadas para diminuir a defasagem desse componente da aptidão física e para que intervenções sejam aplicadas a fim de aumentar o nível do condicionamento cardiorrespiratório. Em uma revisão sistemática, foi observado que o baixo nível socioeconômico, o excesso de adiposidade corporal e o sedentarismo favorecem o baixo nível cardiorrespiratório (Gonçalves et al., 2015). 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/20 Dessa forma, observa-se que os níveis de composição corporal, outro componente da aptidão física para a saúde, têm relação direta com o nível de aptidão cardiorrespiratória e que esse pode ser um fator a ser considerado durante avaliações e triagens em crianças e adolescentes. 2.1 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DA SAÚDE CARDIOVASCULAR Em diversos estudos sobre medidas e avaliações de crianças e adolescentes e sua relação com indicadores de risco relacionado à prevalência de doenças cardiorrespiratórias e vasculares, a composição corporal e outros fatores adjacentes são desenvolvidos para identificar o nível de aptidão cardiorrespiratória. De acordo com um estudo baseado em dados de aptidão física do PROESP (Projeto Esporte Brasil), baixo nível de aptidão física foi observado em 80,8% dos meninos e em 77,6% das meninas, considerando o teste de corrida/caminhada de nove minutos para avaliação da aptidão cardiorrespiratória, apresentando risco para a saúde (Pelegrini et al., 2011). De acordo com a PROESP, os critérios de avaliação para identificar se a criança está em uma zona de risco à saúde ou em uma zona saudável são baseados em valores normativos de estudos-base. Por exemplo, para os valores críticos para a saúde vascular são considerados o teste de corrida/caminhada de seis minutos e o IMC e RCE (razão cintura-estatura). Esses valores são descritos para crianças de seis a 17 anos no PROESP – 2021 (Gaya et al., 2021). TEMA 3 – ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA APTIDÃO CARDIORRESPIRATÓRIA Os aspectos fisiológicos da aptidão cardiorrespiratória em crianças e adolescentes devem ser compreendidos para que sejam aplicadas as ferramentas corretas de acordo com o sexo, a idade e as particularidades de cada criança. O consumo máximo de oxigênio (VO2máx) é o volume de oxigênio consumido pelo corpo durante uma atividade, sendo a variável mais utilizada para avaliar a aptidão cardiorrespiratória, a qual é medida por meio de um equipamento que consegue captar os gases inspirados e expirados durante um teste de esforço máximo, comumente feito em esteira ou cicloergômetro. 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/20 Já foi reportado que o VO2máx mais do que duplica em meninos entre as idades de seis a 12 anos, ao passo que “meninas de 15 anos tem VO2máx 20% menor do que meninos da mesma idade” (Rowland, 2005). Apesar do VO2máx ser o método mais preciso para estimar a capacidade cardiorrespiratória, há uma dificuldade de avaliar em grande escala devido ao tipo de medida do VO2máx, que necessita de um equipamento caro e bastante sensível a fatores psicológicos e cognitivos durante sua captação. Por esse motivo, testes de estimativas de resistência aeróbia são amplamente usados, como o teste de 1600 m ou o teste de vai-e-vem (suttle-run) (Galahue, 2013; Pelegrini et al., 2016). De acordo com Galahue (2013), existem características fisiológicas e diferenças entre os sexos na avaliação da capacidade cardiorrespiratória em adolescentes. Baseado no teste caminhada/corrida de uma milha, podemos destacar que os meninos são mais rápidos que as meninas em todas as faixas etárias; meninos progridem a capacidade aeróbia até o fim da adolescência, e, ao final da infância e começo da adolescência, há uma estabilização dessa capacidade em meninas (Galahue, 2013, p. 330). Além do VO2máx, existem duas variáveis fisiológicas ligadas ao condicionamento cardiorrespiratório: a frequência cardíaca e a pressão arterial (Fontoura et al., 2011). A frequência cardíaca mede a quantidade de batimentos cardíacos que o coração tem durante um minuto. A FC pode ser medida por meio de relógios com fitas de transmissão simultânea ou manualmente, pressionando levemente os dedos médio e indicador sob o pulso da pessoa, anotando a quantidade de batidas durante 15 segundos e multiplicando esse valor por quatro para saber em quantos batimentos por minuto está a pulsação dessa pessoa. Normalmente, em repouso a frequência cardíaca de adolescentes de 12 a 17 anos varia de 60 a 100 batimentos por minuto (bpm), similar à de adultos. Em crianças abaixo de 12 anos, a frequência pode variar de 70 a 130 bpm. A pressão arterial é o resultado dos efeitos do débito cardíaco e da resistência periférica total. A pressão arterial é medida por esse resultado da contração ventricular esquerda, a sístole, e pela fase de relaxamento cardíaco, chamada de diástole. A pressão arterial sistólica é a mais alta que o coração exerce e, em adultos, é de aproximadamente 120 mmHg. Já a pressão arterial diastólica é de aproximadamente 60 a 80 mmHg em adultos. 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/20 Em crianças e adolescentes, a pressão arterial varia de acordo com a faixa etária, peso e estatura (Fontoura et al., 2011, p. 18). A aferição da pressão arterial é feita de forma similar em adultos e crianças, porém, a medida deve ser feita com um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio e um estetoscópio, posicionado no braço. O débito cardíaco (DC) refere-se à quantidade de volume de sangue que é ejetado do coração em um minuto. Mais precisamente, o débito cardíaco pode ser calculado por meio da multiplicação da frequência cardíaca (quantidade de batimentos por minuto) pelo volume sistólico (que é a quantidade de sangue ejetado pelo coração). Essa medida é menor em crianças devido ao tamanho do coração e ao fato de a sua capacidade de ejeção sanguínea ser menor que a dos adultos. Entretanto, o DC é “suficiente para compensar o transporte de oxigênio” em crianças (Davidison et al., 2011). Todas essas variáveis fisiológicas (consumo de oxigênio, frequência cardíaca, débito cardíaco e pressão arterial) são diretamente afetadas pela composição corporal relacionada a altos níveis de gordura corporal, bem como pelo baixo nível de atividade física. A atividade física regular pode normalizar essas variáveis, dessa forma, a avaliação correta deve auxiliar os profissionais de educação física a fazerem o acompanhamento e a prescrição ideal para cada criança. TEMA 4 – MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DO COMPONENTE AERÓBIO Existem diferentes métodos de avaliação do componente aeróbio da aptidão cardiorrespiratória. Esses métodos podem ser definidos como métodos diretos ou indiretos. O método direto é a avaliação do consumo de oxigênio máximo, o VO2máx. A avaliação direta do VO2máx é feita por meio de uma máscara que capta os gases inspirados e expirados durante um teste de esforço físico máximo. Esse teste pode ser feito por meio de diferentes protocolos, cada um com sua especificidade e individualidade. A frequência cardíaca também é uma medida fisiológica que pode ser usada para avaliar o componente aeróbio, podendo ser avaliada pelo seu valor bruto, pela sua variabilidade e pelo percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmáx). A FC pode ser aferida durante um teste máximo ou pela fórmula baseada na idade: 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/20 FCmáxima = 220 – idade (anos) Para relacionar a FC do indivíduo, também é possível acompanhar sua percepção de esforço ao longo de um esforço físico. “A percepção de esforço é uma medida psicofísica definida pela percepção do quão pesado e difícil é uma tarefa física” (Borg, 1998), e uma das escalas mais utilizadas para medir essa percepção é a Escala de Borg 6-20, apresentada na tabela 1 (Borg, 1998). Trata-se de uma escala numérica que varia de seis a 20 pontos e que foi projetada para ser similaraos valores de FC durante um teste. É importante lembrar que existem instruções padronizadas que devem ser seguidas ao se aplicar a escala, bem como sessões de familiarização para que não se subestime ou superestime a percepção de esforço. Essas instruções de uso da escala podem ser acessadas em Cabral et al. (2020). Indiretamente, também é possível mensurar o VO2máx. Primeiro, há uma relação entre a %FCmáx e o VO2máx, no qual é possível mensurar a FCmáx e ter um indicador aproximado do VO2máx. De acordo com Fontoura et al. (2021), há uma “diferença de 10 a 15 pontos percentuais (ou mais); por exemplo: para realizarmos um exercício consumindo 60% do VO2máx, devemos fazer essa atividade aproximadamente com 70% ou 75% da FCmáx”. 4.1 TESTES INDIRETOS Os testes indiretos foram criados para estimar a capacidade aeróbica aproximada. Dessa forma, [eles] são calculados em função da FC, da distância percorrida, da resistência do ergômetro, entre outros. Esses métodos são baseados na teoria de que existe uma relação linear entre a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio submáximo, sendo possível chegar aos valores de FCmáx pela estimativa do VO2máx. (Fontoura et al., 2011, p. 18) O PROESP utiliza e indica teste de corrida e caminhada de seis minutos para avaliação indireta da capacidade cardiorrespiratória em crianças e adolescentes (figura 2). Nesse teste, é feita uma marcação no chão a cada dez metros em formato de quadrado, e as crianças são instruídas a 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/20 caminhar/correr durante seis minutos ao redor dessa marcação. A PROESP indica valores críticos de corte para esse teste e também apresenta que ele tem alta relação com o VO2máx (Lorenzi, 2006). Além desse teste, um dos mais utilizados e indicados para avaliar a aptidão cardiorrespiratória em crianças é o teste de vai-e-vem (Ruiz et al., 2011). Nesse teste, é necessário ter um espaço plano com duas linhas paralelas marcadas no chão, com distância de 20 metros entre elas. Ao som de um bip, o avaliado deve correr de uma linha a outra até o som duplo desse bip. Cada estágio tem tempos mais curtos entre os bips, e há uma relação entre o estágio em que o avaliado termina o teste e sua capacidade cardiorrespiratória. Tabela 1 – Escala de esforço percebido de Borg 6-20 Escala de Esforço Percebido de Borg 6 Nenhum esforço 7 Extremamente leve 8 9 Muito leve 10 11 Leve 12 13 Um pouco difícil 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/20 14 15 Difícil (pesado) 16 17 Muito difícil 18 19 Extremamente difícil 20 Esforço máximo Escala de Borg para esforço percebido Figura 2 – Avaliação do teste de caminhada/corrida de seis minutos Crédito: Jefferson Schnaider. 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/20 Por fim, os testes em ergômetros são bastante indicados para avaliar a capacidade cardiorrespiratória, pois eles fazem uma relação da distância percorrida, do tempo e/ou da FC durante o teste para mensurar o VO2máx. Um teste aplicado em crianças de dez a 16 anos foi proposto por Machado e Denadai (2013), sendo feito em uma esteira rolante, iniciando a uma velocidade de 9 km/h, com incrementos de 1 km/h a cada três minutos e 20 segundos de descanso entre os estágios. Eles desenvolveram uma fórmula para predizer o VO2máx, sendo Vpico a velocidade final do teste: VO2máx (ml/min) = -1574,06 + (141,38 x Vpico) + (48,34 * Massa corporal) TEMA 5 – MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DO COMPONENTE ANAERÓBIO Quando existem atividades em que não há consumo de oxigênio, podemos avaliar a capacidade anaeróbica. A capacidade anaeróbia está ligada diretamente a três vias de geração de energia: adenosina trifosfato (ATP), fosfagênio (ATP-CP) ou anaeróbio alático e ácido lático ou anaeróbio lático. Essas vias fazem parte do sistema energético não oxidativo e têm relação com exercícios de força, potência e sprints. A figura 3 demonstra os tipos de desempenho e a relação com a duração do exercício e as vias metabólicas corporais, considerando um exercício all-out. No sistema não oxidativo, quando o exercício tem duração de aproximadamente cinco segundos e é desenvolvido com grande força-potência, a principal via metabólica é o ATP. Nesses casos, os exercícios podem ser de salto em altura, de arremesso de dardo ou de saque no tênis. Quando a duração do exercício varia de 0-10 segundos, é relacionada a uma potência sustentada e a principal via metabólica é o ATP-CP, sem acúmulo de ácido lático. Nessas situações, sprints e altas velocidades com curtíssima duração são os principais exercícios realizados. Em aproximadamente um minuto de duração do exercício, podemos observar o sistema anaeróbio lático, em exercícios de sprints em corrida e natação, com o acúmulo de ácido lático. 5.1 TESTES PARA AVALIAR A CAPACIDADE ANAERÓBIA 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/20 Para avaliar a capacidade anaeróbia, devem ser feitos testes de sprints em pistas ou esteiras ergométricas, em cicloergômetros, bicicletas, entre outros. Existem diversos tipos de testes de sprint. Veremos alguns a seguir. O teste de 40 segundos de Matsudo (1987) consiste em correr a maior distância e o mais rápido possível durante 40 segundos em uma pista de atletismo. Para esse teste, dois avaliadores devem utilizar um cronometro e ficar a uma distância de 200 a 300 um do outro. O avaliado começa o teste próximo do primeiro avaliador e possivelmente o termina próximo do segundo. A distância percorrida deve ser marcada com precisão pelo segundo avaliador. Esse teste já foi demonstrado como uma maneira válida de estimar a potência anaeróbica máxima utilizando o sistema anaeróbio lático (Matsudo 1987). O teste de Wingate é um dos mais utilizados para avaliar a capacidade anaeróbica e a potência muscular. Esse teste é feito em cicloergômetro com carga predefinida, no qual o avaliado deve pedalar o mais rápido possível durante 30 segundos. Nesse teste, são gerados os valores de potência anaeróbia média e máxima. 5.2 MENSURAÇÃO DO LACTATO SANGUÍNEO Quando são feitos testes máximos, como o teste de Wingate, por exemplo, a avaliação do lactato sanguíneo é feita para determinar o limiar anaeróbio do avaliado. O lactato sanguíneo ou o ácido lático é o produto da glicólise anaeróbia, gerado durante exercícios máximos de até um minuto de duração. Numa avaliação usual, o sangue é extraído do lóbulo da orelha ou da ponta do dedo indicador e colocado em uma fita de análise sanguínea para determinar as concentrações de lactato sanguíneo. Essas mensurações do lactato podem ser feitas antes e após o teste. NA PRÁTICA 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/20 Considere que você está iniciando um treinamento com uma nova turma de alunos de uma escolinha de futebol para crianças de nove a 12 anos. Para saber a aptidão cardiorrespiratória dos seus alunos, você deve aplicar uma avaliação com testes para mensurar a capacidade aeróbia dos mesmos. Considerando que você quer periodizar um treinamento com avaliações semestrais, você deve aplicar essa bateria de testes no início e no fim do semestre, a fim de saber qual é o estado atual da aptidão dos alunos e também qual foi o nível de desenvolvimento dos seus alunos na avaliação do final do semestre. Para isso, você seleciona o teste de caminhada e corrida de seis minutos, que pode ser feito no campinho de treinos. Você irá aplicar dois dias depois o teste de vai-e-vem no mesmo local. Além dos testes, você irá mensurar a percepção de esforço antes, durante e após os testes com a Escala de Esforço Percebido de Borg 6-20, bem como a frequência cardíaca no início (FC de repouso) e no final dos testes (FC máxima). Com base nesses testes, você terá parâmetros da aptidão cardiorrespiratória para desenvolver corretamente o treinamento para seus alunos durante o semestre. Figura 3 – Descrição das principais vias energéticase a relação com a duração e os tipos de exercícios predominantes Duração do exercício 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/20 Atp força-potência (power lift, salto em altura, arremesso de dardo, tacada de golfe, saque de tênis) Atp+pcr Potência sustentada (sprints, freadas rápidas, desempenho do jogador de linha no futebol americano, rotina de ginástica) 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/20 Atp+pc+ácido lático Potência anaeróbica-endurance (sprints de 200 a 400m, natação de 100m) Transporte de elétron-fosforilação oxidativa Endurance aeróbica (distância de corrida superior a 800m) Sistemas não oxidativos Imediatos/a curto prazo Sistema aeróbico-oxidativo Vias energéticas predominantes Crédito: Joesaphotos/Shutterstock; Billion Photos/Shutterstock; CHZ Mhong/Shutterstock; Jacob Lund. FINALIZANDO 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/20 Nesta aula, identificamos que os componentes da aptidão cardiorrespiratória são o coração, o pulmão e os vasos sanguíneos. Aprendemos que existe a circulação pequena – ou circulação pulmonar – e a grande circulação – circulação sistêmica. Além disso, aprendemos que as artérias são os vasos de maior calibre, que, na sua grande maioria, levam sangue rico em oxigênio. Por sua vez, as veias são os vasos que comumente levam o sangue rico em gás carbônico, ao passo que os capilares sanguíneos são vasos de pequeno calibre que realizam a troca de sangue entre os tecidos. Aprendemos que a aptidão cardiorrespiratória tem impacto direto na saúde de crianças e adolescentes, de forma que altos níveis desse componente podem diminuir a adiposidade corporal e os sintomas depressivos, aumentando a proteção contra doenças cardiovasculares no futuro. Em relação aos aspectos fisiológicos da aptidão cardiorrespiratória, observamos que o VO2máx se desenvolve de forma diferente entre os sexos, podendo ser mensurado por meio de testes de campo que dão uma estimativa desse componente. Além disso, aprendemos que a frequência cardíaca, a pressão arterial e o débito cardíaco são parâmetros importantes na avaliação da aptidão cardiorrespiratória. Com relação aos métodos de avaliação do componente aeróbio, aprendemos que o VO2máx pode ser mensurado diretamente por um analisador de gases durante um teste máximo. Também compreendemos que a frequência cardíaca pode ser avaliada no seu valor bruto, pela sua variabilidade e pelo valor máximo, tanto com o uso de equipamentos como relógios quanto pela mensuração manual. A percepção de esforço pode ser avaliada durante testes de campo e/ou de laboratório para avaliar o componente aeróbio. Por fim, no que diz respeito aos métodos de avaliação do componente anaeróbio, compreendemos que o sistema energético não oxidativo está ligado à capacidade anaeróbica, a qual pode ser mensurada por meio de testes de laboratório, como o teste de Wingate; testes de campo, como o teste de 40 segundos; e por meio da mensuração do lactato sanguíneo durante esse tipo de teste máximo. REFERÊNCIAS 02/12/2023, 11:34 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/20 Cabral, L. L.; Nakamura, F. Y.; Stefanello, J. M. F. et al. Initial Validity and Reliability of the Portuguese Borg Rating of Perceived Exertion 6-20 Scale. Measurement in Physical Education and Exercise Science, v. 24, n. 2, p. 103-114, 2020. Davidison, J.; João, P. C.; Rodrigues, R. O.; Scavacini, A. S. Respostas cardiopulmonares durante o esforço em crianças e adolescentes nascidas prematuras. Rev. Paul. Pediatr., v. 29, n. 3, p. 443-8, 2011. Fontoura, A. S.; Formentin, C. M.; Abech, E. A. 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