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02/12/2023, 11:34 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/20
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE NA INFÂNCIA E
ADOLESCÊNCIA
AULA 2
 
 
 
02/12/2023, 11:34 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/20
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Luana Cabral
CONVERSA INICIAL
Nesta aula, iremos compreender quais são os componentes da aptidão cardiorrespiratória, como ocorre a pequena e a grande circulação
sanguínea e quais são os principais componentes que fazem parte desse sistema. Especificamente, iremos compreender quais são as principais
diferenças entre os vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares sanguíneos). Nós também iremos entender qual é a importância da aptidão
cardiorrespiratória na saúde de crianças e adolescentes, verificando, também, quais são os fatores que podem melhorar ou piorar esse componente
da aptidão física voltada para a saúde.
Alguns aspectos fisiológicos da aptidão cardiorrespiratória também serão abordados, assim, iremos compreender qual é o objetivo de avaliar o
consumo máximo de oxigênio (VO2máx), a frequência cardíaca, a pressão arterial e o débito cardíaco. Com relação aos diferentes métodos de
avaliação do componente aeróbio, iremos compreender como avaliar o VO2máx, a frequência cardíaca (no seu valor bruto, variabilidade e valor
máximo), a percepção de esforço durante um exercício e os testes de campo e de laboratório para avaliar esse componente. Por fim, iremos
compreender quais são os sistemas energéticos ligados ao componente anaeróbio e como podemos avaliar a capacidade anaeróbica por meio da
mensuração do lactato sanguíneo e de testes de laboratório e de campo.
TEMA 1 – CARACTERIZAÇÃO DOS COMPONENTES CARDIOVASCULARES
Identificar os componentes cardiovasculares é importante para mensurar a aptidão cardiorrespiratória durante uma avaliação das aptidões
físicas. É por meio desse sistema que o funcionamento do corpo ocorre de maneira correta, pois recebe oxigênio para funcionar. De acordo com
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McArdle, Katch e Katch (2016, p. 494), existem quatro componentes do sistema cardiovascular:
1 – uma bomba que fornece uma ligação contínua com os três outros componentes; 2 – Um circuito de distribuição de alta pressão; 3 – Vasos de
comunicação; 4 – Circuito de coleta e de retorno de baixa pressão.
A bomba que fornece essa ligação contínua é o coração, que tem funções cruciais para o funcionamento do sistema cardiovascular. O coração é
composto por dois átrios e dois ventrículos, do lado direito e esquerdo.
O músculo cardíaco é um músculo que possui fibras curtas e com várias ramificações, de modo que sua contração é rápida, ritmada e
involuntária. É o sistema nervoso autônomo que regula sua velocidade e força de contração. O coração tem algumas funções, e a circulação
pequena ou circulação pulmonar ocorre do lado direito do coração, desempenhando as seguintes funções:
Receber o sangue venoso (pobre em oxigênio) que retorna de todo corpo;
Enviar o sangue para os pulmões.
Por sua vez, no lado esquerdo do coração ocorre a grande circulação ou a circulação sistêmica, que tem as funções de:
Receber o sangue rico em oxigênio do pulmão;
Enviar o sangue para todo o corpo.
O pulmão faz parte do ciclo vascular sanguíneo, sendo responsável por captar o oxigênio do ambiente e fazer com que o sangue se torne
oxigenado para suprir as demandas corporais. Ele também tem a função de eliminar o dióxido de carbono proveniente do sangue venoso que
retorna do corpo inteiro. A grande e a pequena circulações são demonstradas na figura 1.
1.1 VASOS SANGUÍNEOS
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Os vasos sanguíneos são compostos pelas artérias, veias e capilares sanguíneos. Cada vaso possui uma função dentro do sistema vascular,
fazendo com que o sangue circule em todo o corpo e leve oxigênio adequadamente a todas as células corporais. Cada um desses vasos possui
diferenças no calibre, no diâmetro, na cor do sangue e na pressão sanguínea, bem como na velocidade com que o sangue passa e na direção em
que é levado, as quais veremos detalhadamente a seguir.
As artérias são os vasos que saem do coração, levando sangue para todo o corpo, nutrindo todas as células corporais com oxigênio. São os
maiores vasos sanguíneos em questão do diâmetro e são os de maior calibre também, pois a pressão sanguínea é muito forte. O sangue que passa
pelas artérias é rico em oxigênio e, por isso, é vermelho-vivo e seu fluxo é pulsante. É importante saber que a artéria pulmonar transporta sangue
pobre em oxigênio do coração para o pulmão, diferindo das demais artérias corporais.
As veias são os vasos sanguíneos que vêm dos tecidos do corpo todo em direção ao coração, transportando sangue pobre em
oxigênio/nutrientes e rico em gás carbônico. Esse sangue transportado pelas veias é vermelho-escuro, o fluxo é lento, estável e com pouca pressão.
Vale destacar que a veia pulmonar transporta sangue rico em oxigênio do pulmão para o coração. Importante lembrar que muitas veias possuem
válvulas que impedem o retorno do sangue, tendo somente um sentido do sangue.
Os capilares sanguíneos são pequenos vasos que contêm 6% do volume total sanguíneo e possuem calibre muito pequeno, Neles, o sangue
tem o fluxo bem lento e estável. A principal função dos capilares é realizar a troca de sangue entre os tecidos, assegurando que haja a nutrição de
oxigênio para todas as células corporais. Eles podem ser chamados de vênulas (que levam sangue até as veias) ou arteríolas (que levam o sangue até
as artérias).
Figura 1 – Demonstração do sistema de circulação sanguíneo (grande e pequeno)
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Crédito: Olga Bolbot/Shutterstock.
TEMA 2 – RELAÇÃO DE APTIDÃO CARDIORRESPIRATÓRIA E SAÚDE EM CRIANÇAS E
ADOLESCENTES
Compreender a relação entre a aptidão cardiorrespiratória e a saúde de crianças e adolescentes é de extrema importância, pois esse
componente impacta diretamente na qualidade de vida.
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A aptidão cardiorrespiratória ou a capacidade de endurance aeróbia está relacionada ao “correto funcionamento do coração, pulmão e do
sistema vascular” (Galahue, 2013, p. 329). A avaliação da aptidão cardiorrespiratória pode ser feita em testes de laboratório, nos quais é avaliado o
consumo máximo de oxigênio durante testes de esteira ou cicloergômetro até a exaustão.
Esse componente da aptidão física é um dos principais relacionados à saúde, pois impacta diretamente na probabilidade de a criança ter uma
predisposição ou maior prevalência aos fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta. Além disso, crianças e
adolescentes que têm um bom condicionamento cardiorrespiratório são mais propensos a terem um estilo de vida mais saudável, maiores chances
de ingressar na vida esportiva como meio de lazer, maiores níveis de atividades físicas habituais e mais qualidade de vida (Vasques; Silva; Lopes,
2007; Pate et al., 2006). Além disso, indivíduos com níveis mais elevados de aptidão cardiorrespiratória tendem a ter mais eficiência em tarefas
cotidianas, bem como uma recuperação mais rápida após grandes esforços (Guedes; Guedes, 1995).
De acordo com Pellegrini et al. (2016), altos níveis de aptidão cardiorrespiratória podem ser associados a
uma menor adiposidade corporal total e abdominal, efeitos positivos sobre sintomas de depressão, ansiedade, estado do humor e autoestima e também é
considerado um fator de proteção para as doenças cardiovasculares.
Esse mesmo autor aponta que baixa aptidão cardiorrespiratória durante a infância e a adolescência está associada ao desenvolvimento de
doenças metabólicas na vida adulta, como “obesidade, hiperlipidemia, resistência à insulina e hipertensão arterial”.
Existem alguns fatores que podem explicar baixos níveis de aptidão cardiorrespiratóriaem adolescentes, e, com base neles, estratégias devem
ser implementadas para diminuir a defasagem desse componente da aptidão física e para que intervenções sejam aplicadas a fim de aumentar o
nível do condicionamento cardiorrespiratório.
Em uma revisão sistemática, foi observado que o baixo nível socioeconômico, o excesso de adiposidade corporal e o sedentarismo favorecem o
baixo nível cardiorrespiratório (Gonçalves et al., 2015).
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Dessa forma, observa-se que os níveis de composição corporal, outro componente da aptidão física para a saúde, têm relação direta com o
nível de aptidão cardiorrespiratória e que esse pode ser um fator a ser considerado durante avaliações e triagens em crianças e adolescentes.
2.1 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DA SAÚDE CARDIOVASCULAR
Em diversos estudos sobre medidas e avaliações de crianças e adolescentes e sua relação com indicadores de risco relacionado à prevalência de
doenças cardiorrespiratórias e vasculares, a composição corporal e outros fatores adjacentes são desenvolvidos para identificar o nível de aptidão
cardiorrespiratória. De acordo com um estudo baseado em dados de aptidão física do PROESP (Projeto Esporte Brasil), baixo nível de aptidão física
foi observado em 80,8% dos meninos e em 77,6% das meninas, considerando o teste de corrida/caminhada de nove minutos para avaliação da
aptidão cardiorrespiratória, apresentando risco para a saúde (Pelegrini et al., 2011).
De acordo com a PROESP, os critérios de avaliação para identificar se a criança está em uma zona de risco à saúde ou em uma zona saudável
são baseados em valores normativos de estudos-base. Por exemplo, para os valores críticos para a saúde vascular são considerados o teste de
corrida/caminhada de seis minutos e o IMC e RCE (razão cintura-estatura). Esses valores são descritos para crianças de seis a 17 anos no PROESP –
2021 (Gaya et al., 2021).
TEMA 3 – ASPECTOS FISIOLÓGICOS DA APTIDÃO CARDIORRESPIRATÓRIA
Os aspectos fisiológicos da aptidão cardiorrespiratória em crianças e adolescentes devem ser compreendidos para que sejam aplicadas as
ferramentas corretas de acordo com o sexo, a idade e as particularidades de cada criança. O consumo máximo de oxigênio (VO2máx) é o volume de
oxigênio consumido pelo corpo durante uma atividade, sendo a variável mais utilizada para avaliar a aptidão cardiorrespiratória, a qual é medida por
meio de um equipamento que consegue captar os gases inspirados e expirados durante um teste de esforço máximo, comumente feito em esteira
ou cicloergômetro.
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Já foi reportado que o VO2máx mais do que duplica em meninos entre as idades de seis a 12 anos, ao passo que “meninas de 15 anos tem
VO2máx 20% menor do que meninos da mesma idade” (Rowland, 2005).
Apesar do VO2máx ser o método mais preciso para estimar a capacidade cardiorrespiratória, há uma dificuldade de avaliar em grande escala
devido ao tipo de medida do VO2máx, que necessita de um equipamento caro e bastante sensível a fatores psicológicos e cognitivos durante sua
captação. Por esse motivo, testes de estimativas de resistência aeróbia são amplamente usados, como o teste de 1600 m ou o teste de vai-e-vem
(suttle-run) (Galahue, 2013; Pelegrini et al., 2016).
De acordo com Galahue (2013), existem características fisiológicas e diferenças entre os sexos na avaliação da capacidade cardiorrespiratória em
adolescentes. Baseado no teste caminhada/corrida de uma milha, podemos destacar que os meninos são mais rápidos que as meninas em todas as
faixas etárias; meninos progridem a capacidade aeróbia até o fim da adolescência, e, ao final da infância e começo da adolescência, há uma
estabilização dessa capacidade em meninas (Galahue, 2013, p. 330).
Além do VO2máx, existem duas variáveis fisiológicas ligadas ao condicionamento cardiorrespiratório: a frequência cardíaca e a pressão arterial
(Fontoura et al., 2011). A frequência cardíaca mede a quantidade de batimentos cardíacos que o coração tem durante um minuto. A FC pode ser
medida por meio de relógios com fitas de transmissão simultânea ou manualmente, pressionando levemente os dedos médio e indicador sob o
pulso da pessoa, anotando a quantidade de batidas durante 15 segundos e multiplicando esse valor por quatro para saber em quantos batimentos
por minuto está a pulsação dessa pessoa. Normalmente, em repouso a frequência cardíaca de adolescentes de 12 a 17 anos varia de 60 a 100
batimentos por minuto (bpm), similar à de adultos. Em crianças abaixo de 12 anos, a frequência pode variar de 70 a 130 bpm.
A pressão arterial é o resultado dos efeitos do débito cardíaco e da resistência periférica total. A pressão arterial é medida por esse resultado da
contração ventricular esquerda, a sístole, e pela fase de relaxamento cardíaco, chamada de diástole. A pressão arterial sistólica é a mais alta que o
coração exerce e, em adultos, é de aproximadamente 120 mmHg. Já a pressão arterial diastólica é de aproximadamente 60 a 80 mmHg em adultos.
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Em crianças e adolescentes, a pressão arterial varia de acordo com a faixa etária, peso e estatura (Fontoura et al., 2011, p. 18). A aferição da
pressão arterial é feita de forma similar em adultos e crianças, porém, a medida deve ser feita com um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio e
um estetoscópio, posicionado no braço. O débito cardíaco (DC) refere-se à quantidade de volume de sangue que é ejetado do coração em um
minuto. Mais precisamente, o débito cardíaco pode ser calculado por meio da multiplicação da frequência cardíaca (quantidade de batimentos por
minuto) pelo volume sistólico (que é a quantidade de sangue ejetado pelo coração). Essa medida é menor em crianças devido ao tamanho do
coração e ao fato de a sua capacidade de ejeção sanguínea ser menor que a dos adultos. Entretanto, o DC é “suficiente para compensar o transporte
de oxigênio” em crianças (Davidison et al., 2011).
Todas essas variáveis fisiológicas (consumo de oxigênio, frequência cardíaca, débito cardíaco e pressão arterial) são diretamente afetadas pela
composição corporal relacionada a altos níveis de gordura corporal, bem como pelo baixo nível de atividade física. A atividade física regular pode
normalizar essas variáveis, dessa forma, a avaliação correta deve auxiliar os profissionais de educação física a fazerem o acompanhamento e a
prescrição ideal para cada criança.
TEMA 4 – MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DO COMPONENTE AERÓBIO
Existem diferentes métodos de avaliação do componente aeróbio da aptidão cardiorrespiratória. Esses métodos podem ser definidos como
métodos diretos ou indiretos. O método direto é a avaliação do consumo de oxigênio máximo, o VO2máx. A avaliação direta do VO2máx é feita por
meio de uma máscara que capta os gases inspirados e expirados durante um teste de esforço físico máximo. Esse teste pode ser feito por meio de
diferentes protocolos, cada um com sua especificidade e individualidade.
A frequência cardíaca também é uma medida fisiológica que pode ser usada para avaliar o componente aeróbio, podendo ser avaliada pelo seu
valor bruto, pela sua variabilidade e pelo percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmáx). A FC pode ser aferida durante um teste máximo ou
pela fórmula baseada na idade:
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FCmáxima = 220 – idade (anos)
Para relacionar a FC do indivíduo, também é possível acompanhar sua percepção de esforço ao longo de um esforço físico. “A percepção de
esforço é uma medida psicofísica definida pela percepção do quão pesado e difícil é uma tarefa física” (Borg, 1998), e uma das escalas mais
utilizadas para medir essa percepção é a Escala de Borg 6-20, apresentada na tabela 1 (Borg, 1998). Trata-se de uma escala numérica que varia de
seis a 20 pontos e que foi projetada para ser similaraos valores de FC durante um teste.
É importante lembrar que existem instruções padronizadas que devem ser seguidas ao se aplicar a escala, bem como sessões de familiarização
para que não se subestime ou superestime a percepção de esforço. Essas instruções de uso da escala podem ser acessadas em Cabral et al. (2020).
Indiretamente, também é possível mensurar o VO2máx. Primeiro, há uma relação entre a %FCmáx e o VO2máx, no qual é possível mensurar a
FCmáx e ter um indicador aproximado do VO2máx. De acordo com Fontoura et al. (2021), há uma “diferença de 10 a 15 pontos percentuais (ou mais);
por exemplo: para realizarmos um exercício consumindo 60% do VO2máx, devemos fazer essa atividade aproximadamente com 70% ou 75% da
FCmáx”.
4.1 TESTES INDIRETOS
Os testes indiretos foram criados para estimar a capacidade aeróbica aproximada. Dessa forma,
[eles] são calculados em função da FC, da distância percorrida, da resistência do ergômetro, entre outros. Esses métodos são baseados na teoria de que existe
uma relação linear entre a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio submáximo, sendo possível chegar aos valores de FCmáx pela estimativa do VO2máx.
(Fontoura et al., 2011, p. 18)
O PROESP utiliza e indica teste de corrida e caminhada de seis minutos para avaliação indireta da capacidade cardiorrespiratória em crianças e
adolescentes (figura 2). Nesse teste, é feita uma marcação no chão a cada dez metros em formato de quadrado, e as crianças são instruídas a
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caminhar/correr durante seis minutos ao redor dessa marcação. A PROESP indica valores críticos de corte para esse teste e também apresenta que
ele tem alta relação com o VO2máx (Lorenzi, 2006).
Além desse teste, um dos mais utilizados e indicados para avaliar a aptidão cardiorrespiratória em crianças é o teste de vai-e-vem (Ruiz et al.,
2011). Nesse teste, é necessário ter um espaço plano com duas linhas paralelas marcadas no chão, com distância de 20 metros entre elas.
Ao som de um bip, o avaliado deve correr de uma linha a outra até o som duplo desse bip. Cada estágio tem tempos mais curtos entre os bips,
e há uma relação entre o estágio em que o avaliado termina o teste e sua capacidade cardiorrespiratória.
Tabela 1 – Escala de esforço percebido de Borg 6-20
Escala de Esforço Percebido de Borg
6 Nenhum esforço
7
Extremamente leve
8
9 Muito leve
10
11 Leve
12
13 Um pouco difícil
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14
15 Difícil (pesado)
16
17 Muito difícil
18
19 Extremamente difícil
20 Esforço máximo
Escala de Borg para esforço percebido
Figura 2 – Avaliação do teste de caminhada/corrida de seis minutos
Crédito: Jefferson Schnaider.
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Por fim, os testes em ergômetros são bastante indicados para avaliar a capacidade cardiorrespiratória, pois eles fazem uma relação da distância
percorrida, do tempo e/ou da FC durante o teste para mensurar o VO2máx. Um teste aplicado em crianças de dez a 16 anos foi proposto por
Machado e Denadai (2013), sendo feito em uma esteira rolante, iniciando a uma velocidade de 9 km/h, com incrementos de 1 km/h a cada três
minutos e 20 segundos de descanso entre os estágios. Eles desenvolveram uma fórmula para predizer o VO2máx, sendo Vpico a velocidade final do
teste:
VO2máx (ml/min) = -1574,06 + (141,38 x Vpico) + (48,34 * Massa corporal)
TEMA 5 – MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DO COMPONENTE ANAERÓBIO
Quando existem atividades em que não há consumo de oxigênio, podemos avaliar a capacidade anaeróbica. A capacidade anaeróbia está ligada
diretamente a três vias de geração de energia: adenosina trifosfato (ATP), fosfagênio (ATP-CP) ou anaeróbio alático e ácido lático ou anaeróbio
lático. Essas vias fazem parte do sistema energético não oxidativo e têm relação com exercícios de força, potência e sprints. A figura 3 demonstra os
tipos de desempenho e a relação com a duração do exercício e as vias metabólicas corporais, considerando um exercício all-out. No sistema não
oxidativo, quando o exercício tem duração de aproximadamente cinco segundos e é desenvolvido com grande força-potência, a principal via
metabólica é o ATP. Nesses casos, os exercícios podem ser de salto em altura, de arremesso de dardo ou de saque no tênis. Quando a duração do
exercício varia de 0-10 segundos, é relacionada a uma potência sustentada e a principal via metabólica é o ATP-CP, sem acúmulo de ácido lático.
Nessas situações, sprints e altas velocidades com curtíssima duração são os principais exercícios realizados. Em aproximadamente um minuto de
duração do exercício, podemos observar o sistema anaeróbio lático, em exercícios de sprints em corrida e natação, com o acúmulo de ácido lático.
5.1 TESTES PARA AVALIAR A CAPACIDADE ANAERÓBIA
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Para avaliar a capacidade anaeróbia, devem ser feitos testes de sprints em pistas ou esteiras ergométricas, em cicloergômetros, bicicletas, entre
outros. Existem diversos tipos de testes de sprint. Veremos alguns a seguir.
O teste de 40 segundos de Matsudo (1987) consiste em correr a maior distância e o mais rápido possível durante 40 segundos em uma pista de
atletismo. Para esse teste, dois avaliadores devem utilizar um cronometro e ficar a uma distância de 200 a 300 um do outro. O avaliado começa o
teste próximo do primeiro avaliador e possivelmente o termina próximo do segundo. A distância percorrida deve ser marcada com precisão pelo
segundo avaliador. Esse teste já foi demonstrado como uma maneira válida de estimar a potência anaeróbica máxima utilizando o sistema anaeróbio
lático (Matsudo 1987).
O teste de Wingate é um dos mais utilizados para avaliar a capacidade anaeróbica e a potência muscular. Esse teste é feito em cicloergômetro
com carga predefinida, no qual o avaliado deve pedalar o mais rápido possível durante 30 segundos. Nesse teste, são gerados os valores de
potência anaeróbia média e máxima.
5.2 MENSURAÇÃO DO LACTATO SANGUÍNEO
Quando são feitos testes máximos, como o teste de Wingate, por exemplo, a avaliação do lactato sanguíneo é feita para determinar o limiar
anaeróbio do avaliado. O lactato sanguíneo ou o ácido lático é o produto da glicólise anaeróbia, gerado durante exercícios máximos de até um
minuto de duração. Numa avaliação usual, o sangue é extraído do lóbulo da orelha ou da ponta do dedo indicador e colocado em uma fita de
análise sanguínea para determinar as concentrações de lactato sanguíneo. Essas mensurações do lactato podem ser feitas antes e após o teste.
NA PRÁTICA
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Considere que você está iniciando um treinamento com uma nova turma de alunos de uma escolinha de futebol para crianças de nove a 12
anos. Para saber a aptidão cardiorrespiratória dos seus alunos, você deve aplicar uma avaliação com testes para mensurar a capacidade aeróbia dos
mesmos. Considerando que você quer periodizar um treinamento com avaliações semestrais, você deve aplicar essa bateria de testes no início e no
fim do semestre, a fim de saber qual é o estado atual da aptidão dos alunos e também qual foi o nível de desenvolvimento dos seus alunos na
avaliação do final do semestre.
Para isso, você seleciona o teste de caminhada e corrida de seis minutos, que pode ser feito no campinho de treinos. Você irá aplicar dois dias
depois o teste de vai-e-vem no mesmo local. Além dos testes, você irá mensurar a percepção de esforço antes, durante e após os testes com a
Escala de Esforço Percebido de Borg 6-20, bem como a frequência cardíaca no início (FC de repouso) e no final dos testes (FC máxima). Com base
nesses testes, você terá parâmetros da aptidão cardiorrespiratória para desenvolver corretamente o treinamento para seus alunos durante o
semestre.
Figura 3 – Descrição das principais vias energéticase a relação com a duração e os tipos de exercícios predominantes
Duração do exercício
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Atp
força-potência
(power lift, salto em altura, arremesso de dardo, tacada de golfe, saque de tênis)
Atp+pcr
Potência sustentada
(sprints, freadas rápidas, desempenho do jogador de linha no futebol americano, rotina de ginástica)
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Atp+pc+ácido lático
Potência anaeróbica-endurance
(sprints de 200 a 400m, natação de 100m)
Transporte de elétron-fosforilação oxidativa
Endurance aeróbica
(distância de corrida superior a 800m)
Sistemas não oxidativos
Imediatos/a curto prazo
Sistema aeróbico-oxidativo
Vias energéticas predominantes
Crédito: Joesaphotos/Shutterstock; Billion Photos/Shutterstock; CHZ Mhong/Shutterstock; Jacob Lund.
FINALIZANDO
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Nesta aula, identificamos que os componentes da aptidão cardiorrespiratória são o coração, o pulmão e os vasos sanguíneos. Aprendemos que
existe a circulação pequena – ou circulação pulmonar – e a grande circulação – circulação sistêmica. Além disso, aprendemos que as artérias são os
vasos de maior calibre, que, na sua grande maioria, levam sangue rico em oxigênio. Por sua vez, as veias são os vasos que comumente levam o
sangue rico em gás carbônico, ao passo que os capilares sanguíneos são vasos de pequeno calibre que realizam a troca de sangue entre os tecidos.
Aprendemos que a aptidão cardiorrespiratória tem impacto direto na saúde de crianças e adolescentes, de forma que altos níveis desse
componente podem diminuir a adiposidade corporal e os sintomas depressivos, aumentando a proteção contra doenças cardiovasculares no futuro.
Em relação aos aspectos fisiológicos da aptidão cardiorrespiratória, observamos que o VO2máx se desenvolve de forma diferente entre os sexos,
podendo ser mensurado por meio de testes de campo que dão uma estimativa desse componente. Além disso, aprendemos que a frequência
cardíaca, a pressão arterial e o débito cardíaco são parâmetros importantes na avaliação da aptidão cardiorrespiratória.
Com relação aos métodos de avaliação do componente aeróbio, aprendemos que o VO2máx pode ser mensurado diretamente por um
analisador de gases durante um teste máximo. Também compreendemos que a frequência cardíaca pode ser avaliada no seu valor bruto, pela sua
variabilidade e pelo valor máximo, tanto com o uso de equipamentos como relógios quanto pela mensuração manual. A percepção de esforço pode
ser avaliada durante testes de campo e/ou de laboratório para avaliar o componente aeróbio.
Por fim, no que diz respeito aos métodos de avaliação do componente anaeróbio, compreendemos que o sistema energético não oxidativo está
ligado à capacidade anaeróbica, a qual pode ser mensurada por meio de testes de laboratório, como o teste de Wingate; testes de campo, como o
teste de 40 segundos; e por meio da mensuração do lactato sanguíneo durante esse tipo de teste máximo.
REFERÊNCIAS
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