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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ P E D I A T R I A CHOQUE EM PEDIATRIA MARÇO/2022 P R O F . M A R I A N A P E G O R A R O m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ http://med.estrategia.com m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Choque em Pediatria PROF. MARIANA PEGORARO INTRODUÇÃO /estrategiamedt.me/estrategiamed Estratégia MED @estrategiamed @prof_marianaped Olá, Estrategista! Como você está? Meu nome é Mariana Pegoraro e estou aqui hoje para guiá-lo por mais um tema muito importante dentro da Pediatria e, também, dentro das provas do Revalida. Choque é um tema que pode aparecer tanto na prova de Clínica Médica quanto na prova de Pediatria. E pode acreditar em mim: a abordagem é bastante particular quando o paciente é uma criança! Você já conhece meu objetivo – ajudá-lo a passar na tão sonhada prova de Revalidação – e você também conhece nossa estratégia aqui do Estratégia MED: nós focaremos o estudo naquilo que é mais prevalente nas questões. Tendo por base a engenharia reversa, vamos priorizar os tópicos com maior chance de cair na prova. Porém, antes de começarmos a estudar esse tema, vou me apresentar: sou médica formada pela Universidade Federal do Paraná em 2012. Fiz Residência Médica em Pediatria no Hospital Israelita Albert Einstein e Residência em Terapia Intensiva Pediátrica na Universidade de São Paulo. Hoje, além das atividades de ensino, atuo como intensivista em uma UTI pediátrica na cidade de São Paulo. Você já pode imaginar que o tema "choque em pediatria" faz parte do meu dia a dia com bastante frequência. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://t.me/estrategiamed https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.instagram.com/estrategiamed/ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Choque em Pediatria Choque séptico Classificação do choque Choque no Revalida 75% 25% Bom... depois dessa breve apresentação, vamos então começar nosso estudo conhecendo a importância do tema dentro das provas do Revalida? Se analisarmos os últimos 10 anos de prova do Revalida INEP e UFMT, identificamos 4 questões envolvendo a temática "choque". Veja: Com base nesse gráfico de distribuição de questões, percebemos que nossa estratégia será focar os dois tópicos mais prevalentes em prova: • choque séptico em pediatria – o grande campeão de questões; e • classificação do choque. Abordaremos esses dois assuntos em detalhes ao longo do nosso material. Mas atenção: falaremos também de outros conceitos que não foram abordados recentemente nas provas do Revalida, mas que serão fundamentais para a compreensão do tema e a construção de nossa linha de raciocínio. Estou animada para esse desafio! E você, está pronto? Meu objetivo é transformar esse tema denso da Pediatria em algo mais leve e prático para você. Vamos lá!m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 4Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria SUMÁRIO 1.0 DEFINIÇÃO E FISIOPATOLOGIA 6 1.1 O QUE É CHOQUE? 6 1.2 QUAL É A FISIOPATOLOGIA DO CHOQUE? 7 1.3 OS MECANISMOS COMPENSATÓRIOS 9 2.0 AVALIAÇÃO DA CRIANÇA CRITICAMENTE ENFERMA 10 3.0 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 11 E TIPOS DE CHOQUE 11 3.1 CHOQUE HIPOVOLÊMICO 11 3.2 CHOQUE DISTRIBUTIVO 13 3.3 CHOQUE CARDIOGÊNICO 13 3.4 CHOQUE OBSTRUTIVO 14 3.5 CHOQUE DISSOCIATIVO 14 4.0 PRINCÍPIOS GERAIS DO TRATAMENTO DO CHOQUE 16 5.0 CHOQUE HIPOVOLÊMICO 17 6.0 CHOQUE CARDIOGÊNICO 17 7.0 CHOQUE OBSTRUTIVO 18 7.1 TAMPONAMENTO CARDÍACO 18 7.2 CARDIOPATIAS CONGÊNITAS DEPENDENTES DE CANAL ARTERIAL 18 7.3 PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO 18m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 5Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria 8.0 CHOQUE DISTRIBUTIVO (SÉPTICO) 19 8.1 DEFINIÇÃO DE SEPSE 19 8.2 CONDUTAS ESPECÍFICAS 21 9.0 LISTA DE QUESTÕES 27 11.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 28 12.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 28 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 6Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CAPÍTULO 1.0 DEFINIÇÃO E FISIOPATOLOGIA Vamos começar falando de conceitos gerais, querido Estrategista! Preste muita atenção nos conceitos de fisiopatologia. Eles serão a base para o tratamento do choque que virá na sequência! 1.1 O QUE É CHOQUE? Entendemos por choque a situação de desbalanço entre a oferta de oxigênio e nutrientes e a demanda tecidual (necessidades metabólicas dos tecidos). Fica mais fácil pensarmos no funcionamento do nosso organismo como um equilíbrio tênue em uma balança de pratos. No choque, o "pratinho" da balança que corresponde à demanda está mais pesado. Veja só: Demanda Oferta Esse desequilíbrio se manifesta como uma perfusão periférica e de órgãos-alvo inadequada, o que leva a alterações clínicas que veremos no decorrer deste livro. Com a perfusão tecidual deficiente, ocorre hipóxia tecidual e início do metabolismo celular anaeróbio. Como resultado deste último, acontece o acúmulo de lactato. O dano celular resultante desse processo pode levar à falência de múltiplos órgãos e sistemas. Não se esqueça, Estrategista: o choque é uma das principais causas de parada cardiorrespiratória (PCR) em pediatria. FIQUE ATENTO! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 7Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria 1.2 QUAL É A FISIOPATOLOGIA DO CHOQUE? Para começarmos a entender o choque, vamos nos lembrar da principal função do aparelho cardiovascular: transferir oxigênio aos tecidos e depurar os “detritos” resultantes do metabolismo celular (exemplo: CO 2 ). Já vimos que se o oxigênio não consegue chegar até as células, tem início o metabolismo anaeróbio para a produção de energia necessária ao organismo. No nosso capítulo de fisiopatologia, vamos começar revisando como ocorre a transferência de oxigênio aos tecidos e do que ela depende. ACORDE! A transferência de oxigênio aos tecidos depende de: • Teor de oxigênio no sangue; • Fluxo adequado de sangue para os tecidos; • Distribuição adequada do fluxo sanguíneo para os tecidos. Vamos começar pelo teor de oxigênio no sangue, querido colega Revalidando. Provavelmente, você já ouviu falar que a maior parte do oxigênio carreado pelo sangue está ligado à hemoglobina, e apenas uma parte muito pequena está dissolvida no plasma. Essa informação pode ser corroborada por uma fórmula que aprendemos lá nos primeiros semestres da faculdade: CONTEÚDO ARTERIAL DE OXIGÊNIO = (1,34 x [ ] HB X SaO2) + (0,0031 x PaO2) Por meio dessa equação, é possível inferir que oferecer oxigênio e manter uma hemoglobina em níveis aceitáveis é uma preocupação no manejo do choque, não é mesmo? Agora, chegou a hora de falarmos sobre o tão importante fluxo de sangue para os tecidos. Ele é dependente da resistência vascular e do débito cardíaco. PARE O débito cardíaco, que chamaremos neste livro de DC, é o volume de sangue bombeado pelo coração a cada batimento. Ele é calculado em litros por minuto por meio da seguinte fórmula: Débito cardíaco = xVolume sistólico Frequência cardíaca m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 8Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria O volume sistólico ou a fração de ejeção ventricular, por sua vez, depende de três variáveis: = volume de sangue no ventrículo antes da contraçãoPré-carga ContratilidadePós-carga = força de contração = resistência à ejeção Para facilitar, repare na figura a seguir: Este é o momento em que você deve estar imaginando: caso tenhamos uma redução na volemia (pré-carga), na contratilidade ou na resistência vascular (pós-carga), teremos prejuízo ao débito cardíaco e, consequentemente, choque. INDO MAIS FUNDO! Para finalizar, falaremos agora da distribuição do fluxo sanguíneo aos tecidos. Essa distribuição depende do calibre dos vasos sanguíneos que suprem determinado órgão ou tecido. A resistência vascular é ajustada para regular localmente a distribuição do fluxo sanguíneo e atender às demandas metabólicas. Em resumo, Estrategista: tanto uma vasodilatação quanto uma vasoconstrição podem interferir na distribuição do fluxo sanguíneo para os tecidos. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 9Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CURIOSIDADE Em demanda metabólica normal, o sangue arterial contém mais oxigênio do que necessitam os tecidos. Entretanto, se a demanda metabólica aumentar e/ou a transferência de O 2 reduzir (ou seja, quando há um desequilíbrio), os tecidos extrairão mais oxigênio transferido. Dessa forma, ao realizarmos uma gasometria venosa, haverá uma menor saturação do sangue venoso que retorna ao coração. Esse é o motivo pelo qual a mensuração da saturação venosa central é tão importante no contexto do choque. 1.3 OS MECANISMOS COMPENSATÓRIOS Quando o choque se desenvolve, o organismo lança mão de alguns mecanismos para tentar manter a transferência de O 2 para os órgãos vitais. Alguns deles são: • Aumento da resistência vascular • Taquicardia • Aumento da contratilidade cardíaca • Aumento do tônus venoso (aumento do retorno venoso) É importante frisar que existe uma vasoconstrição seletiva, promovendo um redirecionamento do fluxo sanguíneo para órgãos e tecidos vitais, como é o caso do cérebro e do coração. Depois desses conceitos, fica fácil concluir, portanto, que a hipotensão não é um sinal precoce no choque, pois os mecanismos compensatórios inicialmente conseguem mantê-la em níveis aceitáveis. Este, portanto, é um conceito que você precisa gravar, Estrategista: ESTA CAI NA PROVA! A hipotensão é um sinal tardio de choque! PA = xDébito cardíaco Resistência vascular Para finalizar esse tópico, vamos revisar juntos do que depende a pressão arterial (PA):m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 10Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria À medida que o débito cardíaco cai, a pressão arterial é inicialmente mantida por meio do aumento da resistência vascular. Sabemos, no entanto, que esse mecanismo tem um limite. Quando esse limite for ultrapassado, o paciente desenvolverá hipotensão. 2.0 AVALIAÇÃO DA CRIANÇA CRITICAMENTE ENFERMA CAPÍTULO Antes de avançarmos por esse tema tão importante dentro da pediatria, vamos revisar como se dá o atendimento da criança criticamente enferma. Quando estamos frente a um quadro potencialmente fatal, a prioridade é a estabilização clínica do paciente, por meio de uma abordagem sistemática. O que vai nos sinalizar para essa necessidade é a impressão inicial do paciente, por meio da observação de três aspectos: • Nível de consciência • Padrão respiratório • Cor (permitindo inferir como está a circulação) Caso seja notada alguma anormalidade em algum desses itens, as Diretrizes da American Heart Association recomendam a seguinte sequência de ações: Realizar o atendimento em sala de emergência. Oferecer oxigênio preferencialmente na forma de máscara não reinalante. Estabelecer acesso vascular. Monitorizar o paciente (ritmo cardíaco, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, oximetria e temperatura). Avaliar as vias aéreas. Avaliar a respiração (expansibilidade, ausculta respiratória, sinais de esforço respiratório). Avaliar a circulação (temperatura das extremidades, tempo de enchimento capilar, amplitude dos pulsos, ausculta cardíaca). Avaliar o status neurológico (pupilas, escala de coma de Glasgow, dextro). Realizar a exposição e o controle da temperatura. Por meio da abordagem sistemática do "ABCDE", é possível identificar agravos potencialmente fatais e realizar intervenções à medida que eles são identificados. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 11Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CAPÍTULO 3.0 APRESENTAÇÃO CLÍNICA E TIPOS DE CHOQUE Apesar de as manifestações clínicas serem variáveis conforme o tipo de choque, podemos observar alguns achados resultantes dos mecanismos compensatórios. Veja: • Aumento da frequência cardíaca (taquicardia). • Aumento da resistência vascular sistêmica = pele fria, moteada, diaforética e pálida, tempo de enchimento capilar lentificado, pulsos periféricos finos. • Redistribuição do fluxo sanguíneo = oligúria, vômitos, íleo. E a pressão arterial, professora Mariana? Conversamos no capítulo de fisiopatologia que a hipotensão é um sinal tardio de choque. Vamos aproveitar esse momento para revisarmos os valores de referência para hipotensão em pediatria: • NEONATOS: PAs < 60 mmHg • 1 A 12 MESES: PAs < 70 mmHg • 1 a 10 ANOS: PAs < 70 + (2x idade) mmHg • > 10 ANOS: PAs < 90 mmHg TOME NOTA! Para fecharmos essa introdução, só falta mencionar mais um conceito, Estrategista. Nós podemos classificar o choque conforme a presença ou a ausência de hipotensão. Vamos lá! • CHOQUE COMPENSADO: presença de choque, mas com a PA ainda normal. • CHOQUE HIPOTENSIVO: presença de choque na presença de hipotensão. Agora chegou a hora de conhecermos mais a fundo os diferentes tipos de choque. Neste momento, aqueles conceitos sobre fisiopatologia serão bastante importantes! 3.1 CHOQUE HIPOVOLÊMICO Vamos começar com o choque hipovolêmico, querido Revalidando, pois esse é considerado o tipo mais comum de choque em pediatria. A causa você já sabe – envolve uma redução da pré-carga, tanto por diarreia quanto por hemorragia, diurese osmótica (como no caso da cetoacidose diabética) ou grandes queimaduras. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 12Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria Clinicamente, as manifestações incluem sinais de desidratação, taquicardia, tempo de enchimento capilar lentificado, pulsos finos, extremidades frias, taquipneia sem sinais de desconforto respiratório, oligúria e sonolência. Como vimos, a hipotensão é um sinal tardio, que pode ou não estar presente. Repare, no quadrinho a seguir, as bases fisiopatológicas desse tipo de choque: INDO MAIS FUNDO! • PRÉ-CARGA: REDUZIDA • CONTRATILIDADE: NORMAL OU AUMENTADA • PÓS-CARGA: AUMENTADA As medidas terapêuticas para o choque hipovolêmico nós veremos na sequência. Vamos, agora, conhecer um pouco mais sobre outro tipo de choque muito comum em pediatria: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 13Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria INDO MAIS FUNDO! 3.2 CHOQUE DISTRIBUTIVO Nesse tipo de choque, existe uma redução ou um aumento da resistência vascular sistêmica, resultando em uma má distribuição do fluxo sanguíneo. A contratilidade cardíaca também pode estar reduzida nesse subgrupo. Os maiores exemplos que temos aqui são os choques séptico, anafilático e neurogênico. A apresentação clínica é variável, conforme o tipo de choque distributivo, e abordaremos com mais detalhes no capítulo a seguir. Por ora, quero que você fique atento quanto às bases fisiopatológicas dessetipo de choque: • PRÉ-CARGA: NORMAL OU REDUZIDA • CONTRATILIDADE CARDÍACA: NORMAL OU REDUZIDA • PÓS-CARGA: VARIÁVEL 3.3 CHOQUE CARDIOGÊNICO O choque cardiogênico é marcado por uma contratilidade cardíaca reduzida e por uma alta resistência vascular sistêmica. Existe congestão dos sistemas venosos pulmonar e sistêmico, que pode ser notada no exame físico. Esforço respiratório Clinicamente, esse tipo de choque se manifesta por taquicardia, pulsos finos, pele fria, enchimento capilar lentificado, taquipneia com esforço respiratório, sinais de insuficiência cardíaca (com hepatomegalia, inclusive) e sonolência, podendo ou não haver hipotensão. Os maiores exemplos de etiologias são a miocardite viral aguda, as arritmias cardíacas, as miocardiopatias e as cardiopatias congênitas. Repare, no quadro a seguir, como podemos resumir a fisiopatologia: • PRÉ-CARGA: VARIÁVEL • CONTRATILIDADE CARDÍACA: REDUZIDA • PÓS-CARGA: AUMENTADA m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 14Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria 3.4 CHOQUE OBSTRUTIVO Chegamos no choque obstrutivo, caro Estrategista! Nesse tipo de choque, existe uma obstrução fixa ao fluxo sanguíneo, como a que ocorre no pneumotórax hipertensivo, no tamponamento cardíaco, nas cardiopatias dependentes de canal e no tromboembolismo pulmonar (TEP) maciço. As manifestações clínicas são dependentes de cada etiologia, conforme veremos na sequência. Porém, para não perdermos o costume, cheque comigo as bases fisiopatológicas desse tipo de choque no quadrinho a seguir: INDO MAIS FUNDO! • PRÉ-CARGA: VARIÁVEL • CONTRATILIDADE CARDÍACA: NORMAL • PÓS-CARGA: AUMENTADA 3.5 CHOQUE DISSOCIATIVO Por fim, faltou mencionarmos um último tipo de choque – o choque dissociativo. Nesse caso, o que está prejudicado é a entrega de oxigênio aos tecidos. Os maiores exemplos desse tipo de choque são a meta- hemoglobinemia e a intoxicação por monóxido de carbono. O monóxido de carbono liga-se à hemoglobina com uma afinidade centenas de vezes maior do que o oxigênio, formando a carboxi-hemoglobina e comprometendo a entrega de oxigênio aos tecidos. Já a meta-hemoglobinemia é uma condição que desvia a curva de dissociação de hemoglobina para a esquerda e, consequentemente, causa diminuição da entrega do oxigênio aos tecidos. Ambas as situações levam à hipóxia severa, apesar da oferta de oxigênio. HORA DE PRATICAR! Vamos ver, agora, como os tipos de choque já foram cobrados em prova? m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 15Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CAI NA PROVA (UFMT – REVALIDA – 2013) O choque na infância pode ser classificado segundo a sua etiologia. Sobre o assunto, numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda. Então vamos lá, Estrategista! Repare que essa questão nos cobra apenas uma associação de colunas entre os tipos de choque e os exemplos de etiologias. Após termos realizado nossa revisão de fisiopatologia, fica fácil deduzirmos essa sequência numérica, não é mesmo? COMENTÁRIO 1 – Hipovolêmico. 2 – Distributivo. 3 – Cardiogênico. 4 – Obstrutivo. 5 – Dissociativo. ( ) Intoxicação por monóxido de carbono (CO); meta-hemoglobinemia. ( ) Tamponamento cardíaco; embolia pulmonar maciça. ( ) Sepse; traumatismo no sistema nervoso central ou medular. ( ) Insuficiência cardíaca congestiva grave; Disritmias. ( ) Hemorragias; síndrome de escape capilar. Gabarito: 5 – 4 – 2 – 3 – 1 Depois que fizemos um "aquecimento" sobre o tema com a questão acima, chegou a hora de estudarmos com mais detalhes cada tipo de choque e sua abordagem terapêutica. Você está pronto?m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 16Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria 4.0 PRINCÍPIOS GERAIS DO TRATAMENTO DO CHOQUE CAPÍTULO Você se lembra da balança de pratos que mostrei no início deste livro? Fica fácil retomarmos a analogia e deduzirmos que o grande objetivo terapêutico no choque é equilibrar os pratos da balança, não é mesmo? Veja: Demanda Oferta Os princípios gerais de terapêutica encontram-se no quadro a seguir: • Otimizar o teor de O2 no sangue. • Melhorar o volume e a distribuição do DC. • Reduzir a demanda de O2. • Corrigir as desordens metabólicas. Vimos, na abordagem da criança criticamente enferma, que o atendimento a um paciente grave segue uma sequência especial de ações, focando uma lista de prioridades. Dessa forma, ao atendermos um paciente em estado de choque, precisamos estar atentos a: • monitorização multiparamétrica; • estabelecimento de acesso vascular (venoso ou intraósseo); • avaliação primária conforme as diretrizes do PALS (ABCDE); • otimização do teor de oxigênio no sangue: oferecer O2, utilizar estratégias ventilatórias se necessário, transfundir se necessário; • foco na melhora do volume e da distribuição do débito cardíaco, por meio da administração de fluidos e drogas vasoativas; • promoção da redução da demanda tecidual por oxigênio, tratando febre, dor e ansiedade e considerando estratégias ventilatórias para reduzir o trabalho respiratório; • identificação e correção de hipoglicemia e distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 17Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CAPÍTULO CAPÍTULO CURIOSIDADE Quando estamos diante de um paciente grave, a prioridade é estabelecer um acesso venoso. Entretanto, a dificuldade em conseguir o acesso venoso em crianças graves é uma realidade. Dessa forma, uma alternativa é o acesso intraósseo, através do qual podemos administrar absolutamente tudo o que seria infundido em uma veia. O local preferencial é a tíbia proximal, mas a tíbia distal, o fêmur distal ou a espinha ilíaca anterossuperior são outras opções. São consideradas contraindicações para esse tipo de acesso fraturas por esmagamento, osteogênese imperfeita ou tentativas anteriores em um mesmo osso. 5.0 CHOQUE HIPOVOLÊMICO Já vimos que no choque hipovolêmico o problema central é a diminuição da pré-carga, portanto, como estratégia terapêutica, precisaremos adequá-la. O tratamento é realizado por meio da expansão com solução cristaloide em bólus rápido de 20 mL/ kg. No caso do choque hemorrágico, preconiza-se a transfusão sanguínea. 6.0 CHOQUE CARDIOGÊNICO No choque cardiogênico, vimos que o problema está na contratilidade cardíaca. Aqui, se exagerarmos na oferta de volume, pioraremos a congestão venosa sistêmica e pulmonar. Em razão disso, é preconizada a administração cautelosa de fluidos, de forma lenta, em alíquotas de 5 a 10 mL/kg, com reavaliações frequentes quanto a sinais de sobrecarga volêmica. O uso de drogas vasoativas de efeito inotrópico, como o milrinone, a dobutamina ou a adrenalina em doses bases, também faz parte do arsenal terapêutico. Nos casos de sinais de sobrecarga hídrica, os diuréticos podem ser considerados com cautela. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 18Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CAPÍTULO 7.0 CHOQUE OBSTRUTIVO Vamos conversar, agora, sobre os principais tipos de choque obstrutivo em pediatria. 7.1 TAMPONAMENTO CARDÍACO O tamponamento cardíaco é uma causa pouco comum de choque em crianças. Clinicamente, manifesta-se por taquicardia, perfusão deficiente, sons cardíacos abafados, pulso paradoxal e turgência jugular. O tratamento imediato é a pericardiocentese, que pode ser guiada por ultrassonografia. O tratamento definitivo, por sua vez, é a drenagempericárdica. 7.2 CARDIOPATIAS CONGÊNITAS DEPENDENTES DE CANAL ARTERIAL As cardiopatias congênitas dependentes de canal arterial são pouco lembradas como causas de choque obstrutivo. Cardiopatias críticas, como a interrupção do arco aórtico ou a síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, manifestam-se clinicamente com deterioração rápida da perfusão sistêmica, sinais de insuficiência cardíaca e assimetria de saturação pré e pós-ductal após o fechamento funcional do canal arterial. O tratamento imediato, nesses casos, é ligar a prostaglandina exógena para reabrir o canal. O tratamento definitivo depende de cirurgia cardíaca. 7.3 PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO Veja, na imagem ao lado, um radiografia de tórax com pneumotórax e desvio do mediastino. Mas atenção, Estrategista! Apesar de existir uma imagem de pneumotórax hipertensivo aqui ao lado, o diagnóstico é clínico! Solicitar exame de imagem nesse contexto é considerado um erro de conduta, pois retarda o tratamento. O pneumotórax hipertensivo manifesta-se clinicamente com desvio traqueal (difícil de ser visto em crianças), desconforto respiratório, assimetria torácica, redução do murmúrio vesicular no lado afetado, hipertimpanismo no lado afetado, turgência jugular, pulso paradoxal e deterioração da perfusão. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 19Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CAPÍTULO Trata-se de uma emergência, com necessidade de descompressão com Jelco® no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular do lado acometido. O tratamento definitivo é feito por meio da drenagem torácica. 8.0 CHOQUE DISTRIBUTIVO (SÉPTICO) ESTA CAI NA PROVA! Chegamos agora ao tópico campeão de abordagem nas provas do Revalida sobre o tema choque em pediatria. Este é o momento em que vale a pena lavar o rosto ou tomar um cafezinho, pois precisamos de toda sua atenção neste tópico. Vamos lá? O choque séptico é o grande exemplo de choque distributivo que focaremos neste capítulo. O manejo do choque anafilático encontra-se em livro específico e envolve administração de adrenalina e fluidoterapia. Já o choque neurogênico necessita de vasopressores e fluidoterapia em sua abordagem. 8.1 DEFINIÇÃO DE SEPSE Em 2016, com o SEPSIS-3, passaram a existir novas definições para sepse no adulto. Sepse passou a ser considerada uma disfunção orgânica com risco de vida, causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Já o choque séptico no adulto passou a ser considerado sepse com disfunção circulatória e celular/metabólica associada com alto risco de mortalidade. Na criança, no entanto, as definições permaneceram como anteriormente. Veja a tabela: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 20Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria DEFINIÇÃO CONCEITO SIRS (SÍNDROME DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA SISTÊMICA) Presença de pelo menos dois dos seguintes critérios ̶˗ e um deles deve ser alteração da temperatura ou do número de leucócitos: 1. Alteração de temperatura (febre ou hipotermia) 2. Taquicardia 3. Taquipneia 4. Alteração dos leucócitos (leucocitose ou leucopenia) SEPSE Presença de dois ou mais sinais de SIRS, sendo um deles hipertermia/hipotermia e/ou alteração de leucócitos, concomitantemente à presença de quadro infeccioso confirmado ou suspeito. SEPSE GRAVE Para fins práticos, qualquer disfunção orgânica associada à infecção suspeita ou confirmada caracterizará sepse grave. CHOQUE SÉPTICO Disfunção cardiovascular não responsiva a ≥ 40 mL/kg de volume. ATENÇÃO DECORE! SEPSE Infecção + SIRS (pelos menos 2 critérios ou sinais) SEPSE GRAVE Sepse + disfunção orgânica (Pelo menos 1 orgão) - MORTALIDADE + CHOQUE SÉPTICO Hipotensão persistente não responsiva a volume (refratária) Repare, na lista a seguir, quais são as principais disfunções orgânicas na sepse: • Cardiovascular (apesar da administração de ≥ 40 mL/kg de volume) • Respiratória (hipoxemia, hipercapnia) • Neurológica (escala de coma de Glasgow < 11 ou queda em relação ao basal) • Hepática (alteração de bilirrubinas ou de TGP) • Renal (aumento de creatinina) • Hematológica (plaquetopenia, alteração de coagulograma) m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 21Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria Precisamos, por fim, estar atentos quanto às crianças de maior risco. Veja: • Lactentes jovens e recém-nascidos • Pacientes oncológicos ou com asplenia • Pacientes pós-TMO/transplante de órgão sólido • Pacientes com presença de dispositivos (CVC) • Imunodeficientes Chegamos, agora, ao ponto mais importante do livro, querido aluno! Aquele ponto que literalmente despenca em provas. Você está pronto? Então, vamos seguir para nosso próximo tópico. 8.2 CONDUTAS ESPECÍFICAS Antes de falarmos sobre as condutas específicas para o choque séptico, vamos focar os alvos terapêuticos que buscamos com essas condutas: PRESTE MAIS ATENÇÃO! • Tempo de enchimento capilar < 3 segundos • Pressão arterial normal para a faixa etária (> P5) • Pulsos de amplitude normal • Ausência de diferença entre pulso central e periférico • Diurese > 1 mL/kg/hora • Extremidades aquecidas • Status neurológico normal para a idade Quando falamos em condutas específicas, precisamos nos lembrar daquela sequência de ações pertinentes à criança criticamente enferma. Veja que essa sequência de ações não muda quando falamos em choque séptico: • Realizar a monitorização. • Promover a oxigenação. • Tentar rapidamente um acesso vascular. • Solicitar exames para avaliar disfunções orgânicas: gasometria e lactato arterial, hemograma completo, creatinina, bilirrubina, coagulograma. Outros exames: ureia, troponina, NA/K, TGO/TGP. Exames opcionais podem ser incluídos, como PCR e procalcitonina. • Coletar culturas preferencialmente antes da primeira dose de antibiótico (hemoculturas e culturas de sítios suspeitos). • Utilizar antimicrobianos de amplo espectro. • Fazer ressuscitação volêmica. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 22Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria A ressuscitação volêmica é um dos grandes pilares do manejo do choque séptico. Esse tópico sofreu algumas alterações recentes na literatura, com a publicação do Surviving Sepsis Campaign. A regra de ouro hoje é ser cauteloso com a administração de volume, pois sabe-se que a sobrecarga hídrica está intimamente relacionada à maior mortalidade. Veja, no esquema a seguir, as recomendações mais atuais: Fonte: Shutterstock. Serviço de saúde sem UTI disponível Serviço de saúde com UTI disponível - Se houver hipotensão, administrar bólus de fluido 10-20 mL/ kg, até o máximo de 40 mL/kg. Se não houver hipotensão, evitar fluidos na forma de expansão e priorizar manutenção. - Se não houver sinais de sobrecarga volêmica, administrar bólus de fluido 10-20 mL/kg, até o máximo de 40-60 mL/kg. Repare como existe cautela nessas recomendações. A regra de ouro é reavaliar o paciente a cada pequena alíquota de volume, procurando por sinais de sobrecarga. HORA DE PRATICAR! Veja como fluidoterapia no contexto do choque séptico já caiu em prova do Revalida. Tenha apenas em mente que esta questão é antiga e que alguns conceitos já mudaram, como vimos: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 23Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria CAI NA PROVA (INEP – REVALIDA 2017) Um menino com 8 anos de idade foi encaminhado ao setor de emergência deum hospital pelo Corpo de Bombeiros. À admissão, a mãe do menino relata que, há 3 dias, ele começou a ter febre de 39 °C e tosse produtiva, com expectoração amarelada. Refere, ainda, que a criança apresentou piora significativa do estado geral nas últimas 24 horas, com redução do débito urinário. Ao exame físico, encontrava-se torporoso, taquicárdico, taquidispneico, hipotenso, com pulsos finos, extremidades frias e cianóticas e enchimento capilar de 5 segundos. Os exames e respectivos resultados são apresentados a seguir: hemograma: leucócitos = 24.000/mm³ (valor de referência: 4.000 a 10.000/mm³), bastões = 15%, segmentados = 50%. Gasometria: alcalose respiratória. Radiografia de tórax: condensação em todo o pulmão direito. Nesse caso, nos primeiros 10 minutos, além de iniciar oxigenoterapia e antibioticoterapia, a conduta em relação ao acesso e à expansão volumétrica deve ser: A) Venoso central; soro glicofisiológico a 40 mL/kg. B) Venoso central; soro fisiológico a 40 mL/kg. C) Intraósseo; soro glicofisiológico a 20 mL/kg. D) Intraósseo; soro fisiológico a 20 mL/kg. Vamos lá, querido Revalidando! Temos aqui uma questão envolvendo conduta no choque séptico em pediatria. O paciente apresentado no enunciado encontra-se com um quadro de choque hipotensivo em decorrência de quadro infeccioso de foco pulmonar. A questão menciona os passos iniciais, como oxigenoterapia e antibioticoterapia, mas não pergunta acerca de acesso vascular e fluidoterapia. As modalidades de acesso vascular na emergência são venosa ou intraóssea. Em termos de fluidoterapia, vimos que o recomendado são alíquotas de 10-20 mL/kg de solução cristaloide. Incorreta a alternativa A. O acesso venoso central não é considerado um acesso de emergência e sim conseguido eletivamente, idealmente em ambiente de terapia intensiva. A solução a ser utilizada é o soro fisiológico na dose de 10-20 mL/kg. Incorreta a alternativa B. O acesso venoso central não é considerado um acesso de emergência e sim conseguido eletivamente, idealmente em ambiente de terapia intensiva. A solução a ser utilizada é o soro fisiológico na dose de 10-20 mL/kg. Incorreta a alternativa C. Embora a modalidade de acesso esteja correta, a solução a ser utilizada é o soro fisiológico na dose de 10-20 mL/kg. Correta a alternativa D. O acesso intraósseo é o preferido, na impossibilidade de acesso venoso. A solução a ser utilizada é o soro fisiológico na dose de 10-20 mL/kg. COMENTÁRIO Gabarito: alternativa D. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 24Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria Agora, querido Estrategista, vamos conversar sobre a antibioticoterapia, essencial no contexto do choque séptico. O antibiótico escolhido deve ser • No choque séptico, deve ser administrado dentro de 1 hora. • Aceita-se que, na ausência de choque, seja administrado em até 3 horas. TOME NOTA! CURIOSIDADE Um conceito importante, querido Revalidando, é com relação à classificação do choque entre quente x frio. Antigamente, costumava-se classificar como frio o choque em que as extremidades estavam mais frias, o tempo de enchimento capilar estava lentificado e os pulsos, finos. Por outro lado, aceitava-se que o choque era quente quando as extremidades estavam vasodilatadas e com pulsos amplos. O intuito dessa classificação era prever se o choque era decorrente de disfunção cardíaca ou de vasoplegia, o que conduziria a escolha da droga vasoativa. Hoje, sabe-se que a classificação por meio dos parâmetros clínicos em choque quente e frio é uma ESTA CAI NA PROVA! A escolha deve recair entre epinefrina ou norepinefrina com base no perfil do choque, que é mais bem avaliado por meio de um eco funcional à beira do leito. classificação muito sujeita a erros, não fidedigna. Por isso, utilizamos outros parâmetros para guiar a escolha da droga vasoativa. Um desses parâmetros, que tem sido cada vez mais usado, é a mensuração do índice cardíaco por meio da ecocardiografia funcional à beira do leito. E já que mencionamos o uso de droga vasoativa, quando será que ela deve ser utilizada? A resposta, caro Estrategista, é quando estamos diante de um choque refratário a fluidos. A droga vasoativa pode ser iniciada em veia periférica com concentração diluída, mas o cateter venoso central deve ser instalado o mais precomente possível. E como é feita a escolha da droga? Já demos um spoiler ali em cima, não é mesmo? Para finalizarmos com chave de ouro este capítulo sobre choque séptico em pediatria, vamos conversar sobre a posição das referências mais atuais sobre o uso da hidrocortisona. Não há nenhuma evidência robusta que apoie ou refute o uso de hidrocortisona no choque pediátrico. Há recomendação, entretanto, de não fazer uso se houver estabilidade com fluidos e drogas vasoativas. Fica, portanto, subentendida sua utilização aceitável em contextos de choques refratários a drogas vasoativas. endovenoso e de amplo espectro. Veja, no quadro a seguir, o momento de administração: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 25Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria Os documentos citam algumas indicações específicas do corticoide, tais como: choque séptico associado à exposição aguda ou crônica aos corticosteroides, distúrbios do eixo hipotálamo- hipófise-adrenal, hiperplasia adrenal congênita e púrpura fulminans. Sobre os demais cuidados, Estrategista, é importante estar atento ao quadrinho a seguir: • Objetivar normoglicemia. • Corrigir distúrbios eletrolíticos (especialmente cálcio e potássio). • Utilizar hemoderivados conforme o caso. A tendência atual é menos liberal com relação à transfusão, sendo contrária se a concentração de hemoglobina no sangue for maior ou igual a 7 g/dL, em crianças hemodinamicamente estabilizadas, com choque séptico. • Adotar terapia de substituição renal conforme a necessidade. • Considerar individualmente a intubação orotraqueal nos pacientes com choque séptico, pois não há evidência na literatura que indique o momento adequado. HORA DE PRATICAR! Vamos encerrar este capítulo vendo como o assunto já foi cobrado em provas. Repare que é uma questão antiga, por isso devemos ter cuidado com alguns conceitos que mudaram ao longo dos anos. Esta questão, por exemplo, não apresenta alternativa aceitável nos dias atuais. CAI NA PROVA (INEP – REVALIDA 2011) Um menino, com quatro anos de idade, chegou ao Setor de Emergência com grave alteração na perfusão sistêmica. Sua mãe relatou que o menor estava febril há 20 dias e que não havia feito o tratamento indicado pelo médico para infecção do trato urinário. Foi diagnosticado choque séptico e administrado oxigênio (concentração 100%), providenciado acesso venoso e iniciada a infusão de soro fisiológico, 30 mL/kg em quinze minutos, sendo então realizada a sequência rápida de intubação orotraqueal e instalada ventilação pulmonar mecânica. Após essa conduta, enquanto esperava vaga na Unidade de Cuidados Intensivos, o paciente foi reavaliado e apresentou: frequência respiratória = 40 irpm; frequência cardíaca = 140 bpm; tempo de enchimento capilar de cinco segundos; pressão arterial = 75 x 50 mmHg. As extremidades estavam frias. Diante desse quadro, qual deve ser a conduta para essa criança? m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 26Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria A) Manter infusão de volume e iniciar dopamina ou dobutamina. B) Manter infusão de volume e iniciar dopamina ou norepinefrina. C) Suspender infusão de volume e iniciar dopamina dose alfa-adrenérgica ou epinefrina. D) Manter infusão de volume e iniciar dopamina dose alfa-adrenérgica ou norepinefrina. E) EManter infusão de volume e iniciar dopamina dose alfa-adrenérgica ou epinefrina. Estrategista, repare que esta questão apresenta vários pontos em desacordo com a conduta atual preconizada para o choque séptico. Sabemos que se trata de um choque séptico hipotensivo, mas note que o examinador coloca a informação “extremidades frias” para nos induzir a uma classificação clínica entre choque quente x frio, que sabemos que não é fidedigna. Além disso, a questão traz uma alíquota de volume administrada diferente da preconizada atualmente, que é de 10-20 mL/kg. Repare que, apesar da administração inicial de volume, o paciente permanece instável. Ele já está em ambiente de terapia intensiva. Se fôssemos transpor essa questão para os dias atuais, seria o momento de realizar um eco à beira do leito para nos ajudar na decisão da melhor droga vasoativa nesse momento. Além disso, na ausência de sinais de sobrecarga volêmica, poderíamos optar pela infusão de mais 10 mL/kg de volume. A droga de escolha para um choque séptico com disfunção cardíaca em pediatria é a epinefrina em baixas doses. Dessa forma, não existe alternativa que contemple a conduta a ser realizada. Incorretas alternativas A, B, C, D e E. É possível manter a infusão de volume caso não existam sinais de sobrecarga volêmica. É adequado ponderar a realização de um eco funcional. Em caso de disfunção cardíaca, a droga preconizada seria a adrenalina em baixas doses. COMENTÁRIO Gabarito: não há alternativa que contemple a resposta correta. Excelente, querido colega Revalidando! Chegamos ao fim de mais um livro que o ajudará a conquistar a tão sonhada Revalidação. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 27Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/CZ4s m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://estr.at/CZ4s m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 28Prof. Mariana Pegoraro | Pediatria | Março 2022 Choque em Pediatria 11.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAPÍTULO CAPÍTULO 1. American Heart Association (AHA) - Pediatric Advanced Life Support. Manual do Profissional. 2. American Heart Association. Destaques das Diretrizes de RCP e ACE, 2020. 3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Novas Diretrizes do Surviving Sepsis Campaign 2020 para o tratamento da sepse e choque séptico em pediatria. 2021. 4. Weiss, S.L. et al. Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for the Management of Septic Shock and Sepsis-Associated Organ Dysfunction in Children. Pediatric Critical Care Medicine, 2020. 12.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Querido Estrategista, Chegamos juntos ao final deste livro importante para a sua preparação para a prova de Revalidação. Questões abrangendo este tema não foram cobradas anualmente nas provas do INEP e da UFMT, mas, pela relevância do tema dentro da pediatria, é importante dominar alguns conceitos que podem eventualmente cair na prova. Minha sugestão, agora, é que você revise e faça questões envolvendo principalmente estes dois tópicos mais quentes: • Choque séptico • Tipos de choque em Pediatria e seus exemplos Preparei uma lista de questões para auxiliá-lo nessa revisão. Estou aqui para ajudá-lo e tirar suas dúvidas sobre este e os demais temas dentro da pediatria. Um abraço, Professora Mariana Pegoraro. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 1.0 DEFINIÇÃO E FISIOPATOLOGIA 1.1 O QUE É CHOQUE? 1.2 QUAL É A FISIOPATOLOGIA DO CHOQUE? 1.3 OS MECANISMOS COMPENSATÓRIOS 2.0 AVALIAÇÃO DA CRIANÇA CRITICAMENTE ENFERMA 3.0 APRESENTAÇÃO CLÍNICA E TIPOS DE CHOQUE 3.1 CHOQUE HIPOVOLÊMICO 3.2 CHOQUE DISTRIBUTIVO 3.3 CHOQUE CARDIOGÊNICO 3.4 CHOQUE OBSTRUTIVO 3.5 CHOQUE DISSOCIATIVO 4.0 PRINCÍPIOS GERAIS DO TRATAMENTO DO CHOQUE 5.0 CHOQUE HIPOVOLÊMICO 6.0 CHOQUE CARDIOGÊNICO 7.0 CHOQUE OBSTRUTIVO 7.1 TAMPONAMENTO CARDÍACO 7.2 CARDIOPATIAS CONGÊNITAS DEPENDENTES DE CANAL ARTERIAL 7.3 PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO 8.0 CHOQUE DISTRIBUTIVO (SÉPTICO) 8.1 DEFINIÇÃO DE SEPSE 8.2 CONDUTAS ESPECÍFICAS 9.0 Lista de questões 11.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 12.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS