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O contrato é o negócio jurídico bilateral, ou plurilateral (acordo das partes e sua manifestação externa), pois depende de mais de uma declaração de vontade, que sujeita as partes à observância de conduta idônea à satisfação dos interesses de que regularam, visando criar, modificar, resguardar, transmitir ou extinguir relações jurídicas.
Feita a sucinta definição do contrato, vejamos 10 classificações do contrato:
1. Classificação quanto ao efeito:
a) Unilateral: consiste no contrato em que só uma da parte tem a obrigação, enquanto a outra apenas concorda com os termos, como no caso do contrato de doação pura.
b) Bilateral: é o contrato no qual há prestação e contraprestação estipulada entre as partes, como no contrato de compra e venda.
C) Plurilateral: trata-se da possibilidade da existência de vários polos no contrato, cada um com seus deveres e direitos distintos, sendo vontades próprias.
Vê-se, por exemplo, o contrato societário ou de consórcio.
2. Classificação quanto à onerosidade:
a) Gratuito ou desinteressado: dá-se quando apenas uma das partes tem vantagem em razão da manifestação de vontade da outra parte, como o contrato de mútuo simples (empréstimo de bem fungível).
b) Oneroso comutativo: configura-se pela prestação mútua e já estabelecidas consequências do cumprimento ou não do contrato, tendo cada parte uma obrigação para com a outra já determinada.
c) Oneroso aleatório por natureza: nesta espécie, o cumprimento do contrato é, naturalmente, incerto, dependendo para que aconteça de um evento futuro, como no contrato de jogo e no contrato de seguro.
d) Oneroso aleatório pela vontade das partes: ocorre pela convenção das partes em que se cria um contrato que embora oneroso, depende de um evento futuro e incerto, como os contratos de emptio spei e emptio rei speratae.
3. Classificação quanto ao momento da execução:
a) Instantâneo: leva-se em conta o momento de celebração e cumprimento do contrato, por ocorrer em um único ato.
b) Diferido: trata-se de hipótese em que o cumprimento do contrato se dá em momento posterior a sua celebração.
c) De trato sucessivo ou em prestação: aqui, o cumprimento do contrato se dá no decorrer do tempo, podendo, inclusive, ser modificado o acordado em razão da teoria da imprevisão.
4. Classificação quanto ao agente:
a) Personalíssimo ou intuitu personae: trata-se do contrato em que apenas uma determinada pessoa poderá cumprir o acordado, uma vez que foi celebrado em razão de suas características pessoais.
b) Impessoal individual: consiste na hipótese em que qualquer pessoa pode cumprir o contrato.
c) Impessoal coletivo: são contratos que envolvem várias pessoas, como as convenções coletivas de trabalho.
5. Classificação quanto à formação:
a) Paritário: configura contrato em que a celebração é de comum acordo, ambos elaborando as cláusulas fixadas.
b) Adesão: hipótese em que apenas uma das partes elabora as cláusulas contratuais e a outra apenas as adere.
c) Tipo: consiste em desdobramento do contrato de adesão, de modo a se utilizar um formulário em que umas das partes, tão e somente, preencherá.
6. Classificação quanto ao modo por que existem:
a) Principal: trata-se de contrato fruto da convergência de vontades, estabelecendo relação jurídica originária entre as partes.
b) Acessório ou adjeto: espécie de contrato que se constitui em função do contrato principal, sendo garantia ou complementação deste.
c) Derivado: configura um contrato novo que só surge em razão da existência de uma relação jurídica contratual pretérita. Não se comunica, porém com o contrato principal.
7. Classificação quanto à forma:
a) Solene ou formal: aquele contrato que deve respeitar os requisitos estipulados em lei para que haja sua validade.
b) Não solene ou informal: decorre da ausência de disposição legal específica, de modo a poder ser feito o contrato de qualquer forma.
c) Consensual: são aqueles contratos que se consideram formados pela simples oferta e aceitação.
d) Reais: são contratos em que só serão considerados firmados com da entrega da coisa objeto do negócio jurídico, como no contrato de mútuo.
8. Classificação quanto ao objeto:
a) Preliminar ou pactum contrahendo: consiste no contrato firmado em que as partes se comprometem a no futuro firmar o contrato definitivo, como no caso de promessa de compra e venda de um imóvel.
b) Definitivo: trata-se do contrato pelo qual - de fato – concretiza-se o negócio jurídico.
9. Classificação quanto à designação:
a) Nominados ou típicos: são os contratos previstos em lei, dando-se parâmetros legais a sua formação.
b) Inominados: são os contratos sem previsão legal, mas que a lei considera lícito desde que respeitadas às disposições gerais do direito contratual.
c) Misto: são aqueles contratos que tem por base um contrato nominado/típico, mas se acrescentam cláusulas de outros contratos, ou cláusulas atípicas, em razão da especificidade do negócio a ser firmado.
d) Coligados: são contratos que trazem duas prestações em razão de um único negócio, como a venda de automóvel e assistência técnica no mesmo contrato.
e) União de contratos: são contratos distintos e autônomos que são unidos por conveniência, como um contrato de moradia que se soma a um contrato de empreitada para construí-la.
10. Classificação quanto ao objetivo:
a) Contrato de aquisição: é a forma de contrato definitivo, no qual se tem a transferência definitiva e documental do bem.
b) Contrato de uso ou gozo: configura contrato que não tem a finalidade de transferir a titularidade do bem, e sim de permitir o uso por determinado tempo, devendo ser devolvido nas mesmas condições, ressalvado o desgaste natural.
c) Contrato de prestação de serviço: trata-se daquele contrato pelo qual o prestador de serviço se obriga a prestar pessoalmente ou por terceiro um serviço definido no contrato em favor do contratante.
d) Contrato associativo: é o contrato realizado entre duas ou mais pessoas na busca de um fim comum, como no contrato social ou de cooperativa.
O CONTRATO E OS PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DAS PARTES (OU AUTONOMIA DA VONTADE)
O Código Civil francês, que refletiu em seu texto os princípios da Revolução Francesa (liberdade, fraternidade e igualdade), acabou por trazer à sociedade outros dois valores importantes, o de propriedade e o de contrato.
À época, o ideal revolucionário burguês de garantir à todos a propriedade era exteriorizado através do contrato. Assim, toda a base contratual foi concebida tendo como premissa a plena liberdade de contratar[10].
O direito de contratar, então, estava sob a égide da autonomia da vontade, sendo as partes livres para contratar, vedada qualquer interferência estatal sobre o direito individual das partes contratantes.
Assim, o princípio da liberdade das partes, ou autonomia da vontade, consiste na máxima da liberdade contratual entre os contratantes, ou seja, o poder que os contratantes têm de estipular livremente, mediante o acordo de vontades, a regulamentação de seus interesses.
Segundo Maria Helena Diniz, o
[...] poder de autorregulamentação dos interesses das partes contratantes, condensado no princípio da autonomia da vontade, envolve liberdade contratual (Gestaltungfreiheit), que é a de determinação do conteúdo da avença e a de criação de contratos atípicos, e liberdade de contratar (Abschlussfreiheit), alusiva à de celebrar ou não o contrato e à de escolher o outro contratante
Para Orlando Gomes, o princípio da liberdade de contratar consiste no poder que os indivíduos têm de declarar sua vontade e suscitar efeitos reconhecidos e tutelados pela ordem jurídica, sendo as partes capazes de provocar o nascimento de um direito ou de uma obrigação
Dessa forma, a liberdade de contratar é o reconhecimento da eficácia jurídica da vontade dos contratantes, que podem dispor sobre os seus interesses mediante acordos firmados livremente, desde que observada a ordem jurídica.
Entretanto, apesar de amplo, o reconhecimento da validade e da eficácia do acordo de vontades pela ordem jurídica não é ilimitado. A liberdadecontratual encontra alguns limites que devem ser respeitados para que o contrato seja considerado válido.
Entre eles está a preservação da ordem pública, uma vez que não se pode admitir que um contrato cujo objeto seja ilícito seja executado. Os contratos, dessa forma, devem ser exercidos nos limites da lei e da ordem pública.
Ainda, o contrato deve ser resultado da livre e consciente manifestação de vontade das partes contratantes, não sendo admitidos aqueles provenientes de erro, dolo, coação ou outros vícios, podendo ser anulados como prevê o artigo 171, II, do Código Civil
Por fim, o princípio da liberdade das partes encontra limites voltados à defesa da parte economicamente mais fraca do contrato, objetivando igualar os contratantes no que diz respeito ao acesso às informações necessárias para a realização do negócio jurídico.
Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço.
Contratos Parte geral
Conceito: O contrato é a mais comum e a mais importante fonte de obrigação, devido às suas múltiplas formas e inúmeras repercussões no mundo jurídico. Fonte de obrigação é o fato que lhe dá origem. Os fatos humanos que o Código Civil brasileiro considera geradores de obrigação são: a) os contratos; b) as declarações unilaterais da vontade; e c) os atos ilícitos, dolosos e culposos.
Os contratos podem ser celebrados com pessoas jurídicas, entre particulares ou com o Estado; Este intervém constante na relação contratual privada para assegurar a supremacia da ordem publica (dirigismo contratual) versa sobre matéria de cunho patrimonial.
Função social do contrato:
(Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato.
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual.
 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento dessa presunção, ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais, garantido também que:
I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução; II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e III - a revisão contratual somente ocorrerá de maneira excepcional e limitada.
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.
Requisitos de validade
art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I- agente capaz; II- objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei.
Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.
art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I- celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II-for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III- o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV-não revestir a forma prescrita em lei; V- for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI- tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Ex.: CC, art. 426, 489, 497, 548, 549, 1428.
 art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Inexistência de simulação (ou presença da transparência e lealdade).
 
CC, art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I- por incapacidade relativa do agente; II- por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.
CONSENTIMENTO (válido; emanado de vontades livres)
Princípios dos contratos
Principio da Autonomia da vontade: Significa ampla liberdade de contratar. Têm as partes a faculdade de celebrar ou não contratos, sem qualquer interferência do Estado. Podem celebrar contratos nominados ou fazer combinações, dando origem a contratos inominados. Como a vontade manifestada deve ser respeitada, a vença faz lei entre as partes, assegurando a qualquer delas o direito de exigir o seu compromisso.
Princípio da supremacia da ordem publica: A liberdade de contratar não é absoluta, está subordinada à supremacia da ordem publíca, ao interesse coletivo Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. 
 § único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual.
421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o afastamento dessa presunção, ressalvados os regimes jurídicos previstos em leis especiais, garantido também que:
 I - as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução; 
 II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e 
 III - a revisão contratual somente ocorrerá de maneira excepcional e limitada
Pacta sunt servanda:
Princípio do consensualismo: 1.57.13
Princípio da revisão contratual: Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação.
Princípio da relatividade dos contratos:
Princípio da obrigatoriedade dos contratos:Pacta sunt servanda Representa a força vinculante das convenções. Pelo princípio da autonomia da vontade, ninguém é obrigado a contratar, Os que o fazem, porém sendo o contrato válido e eficaz, devem cumpri-lo, sob pena de execução patrimonial contra o inadimplente. Art. 389 Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
Tem por fundamentos: a) A necessidade de segurança nos negócios (função social dos contratos) b) a intangibilidade imutabilidade do contrato.
 Mas este princípio da obrigatoriedade não é absoluto. A única limitação a esse princípio, dentro da concepção clássica, é a escusa por caso fortuito ou força maior. Art 393 e § Único
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.

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