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CONHECIMENTOS 
GERAIS SOBRE O 
DIREITO PARA AS 
PESSOAS ATUANTES 
NOS NEGÓCIOS 
IMOBILIÁRIOS 
Professoras : 
Me. Mariane Helena Lopes 
Esp. Terezinha Aniceto Cameron 
Objetivos de aprendizagem 
• Conhecer o que é capacidade civil de acordo com o Direito. 
• Compreender como funciona a pessoa jurídica. 
• Analisar os gestores e corretores. 
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Plano de estudo 
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
• Capacidade Civil 
• Pessoa Jurídica 
• Gestores Imobiliários e Corretores 
Introdução 
Nesta unidade iremos estudar tópicos introdutórios do Direito, com o intuito de facilitar o conhecimento sobre a área que será 
estudada nesta disciplina. 
Inicialmente é preciso falar o que é a capacidade civil. Esta está diretamente atrelada à personalidade da pessoa. Dessa forma, 
antes de se falar propriamente na capacidade do indivíduo é preciso compreender o que vem a ser a personalidade para o Direito. 
Após essa conceituação, falaremos de cada uma das formas de capacidade civil. Por ela será possível classificar os sujeitos, bem 
como se os mesmos podem ou não realizar negócios sozinhos. 
É a partir desse tópico que poderemos entender melhor como funcionam os casos de interdição, ou seja, quando posso solicitar 
que o juiz determine que uma pessoa não pode realizar nenhum ato da vida civil. 
Feito o estudo sobre a pessoa física, iremos estudar a pessoa jurídica. Como veremos, a pessoa jurídica é uma ficção, criada pelos 
indivíduos com o intuito de limitar a responsabilidade, bem como o patrimônio da pessoa física e da pessoa jurídica. 
Após, a análise das pessoas jurídicas, passaremos a estudar a incapacidade das pessoas civis, ou seja, de que forma uma pessoa 
deixará de responder pelos atos da vida civil e quem poderá responder pelo o mesmo. 
Feita essa introdução, verificaremos quais os documentos necessários para que uma pessoa possa ser vendedor, ou melhor, 
corretor de imóveis. Além disso, analisaremos que a profissão ainda não é reconhecida, não existindo uma regulamentação 
específica sobre a mesma. De fato, o COFECI acaba regulamentando a atividade, mas nada que seja reconhecido. 
Dessa forma, fica evidente a importância no tema estudado para o contrato de corretagem, que é aquele realizado entre o 
interessado (cliente) e o corretor (mediador). 
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Assim, nesta unidade trataremos de conceitos introdutórios com o intuito de conhecer melhor o direito, bem como o 
funcionamento do mesmo para regulamentação da atividade na sociedade. Além disso, poderemos perceber de que forma o 
próprio indivíduo é protegido pelo nosso ordenamento jurídico. 
Avançar 
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CAPACIDADE CIVIL 
O Art. 1º do Código Civil dispõe que: “todo homem é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. 
Os animais são excluídos de seu raio de ação. Existem leis específicas de proteção aos seres irracionais. Eles são tomados em 
consideração apenas para fins sociais, pela necessidade de se elevar o sentimento humano, evitando-se o espetáculo degradante 
de perversa brutalidade (O Art. 1º do Código Civil). 
Assim, a pessoa natural é o ser humano provindo da mulher e o início da personalidade civil pode começar de duas formas: 1º) do 
nascimento com vida; 2º) da concepção do feto, ou seja, da divisão celular. Dependerá do autor para saber como ele considera o 
início da personalidade. 
Independente de qual forma se entende o início da personalidade, o nascituro é um sujeito de direito, podendo, pelo Art. 2º do 
Código Civil, receber doações e legados, bem como ser adotado e legitimado. 
A partir do momento em que o indivíduo adquire personalidade, é sujeito de direitos e obrigações. Essa capacidade pode ser 
definida como “a aptidão determinada pela ordem jurídica para gozo e exercício de um direito por seu titular” (MARTINS, 2013, p. 
224). 
O Art. 1º do Código Civil prevê que “toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”, implicando a capacidade de ser 
parte. Existem duas espécies de capacidade. São elas: a de gozo ou de direito e a de exercício ou de fato. A primeira é a aptidão da 
pessoa gozar seus direitos. Ela é inerente ao ente humano e toda pessoa a possui enquanto a segunda é a aptidão de exercitar 
direitos. 
A capacidade no Direito Civil é dividida em: 1) absolutamente incapazes; 2) relativamente capazes e; 3) plenamente capazes ou 
capacidade absoluta. 
Os absolutamente incapazes devem ser representados por seus pais ou guardiões e não podem exprimir sua vontade. De acordo 
com o Art. 3º do Código Civil, até o ano de 2015 eram os absolutamente incapazes: 
a. Os menores de 16 anos; 
b. Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; 
c. Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. É o que ocorre com a pessoa embriagada ou com 
alguém entorpecido por drogas alucinógenas. 
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Contudo, no ano de 2015, foi sancionada a Lei nº 13.146, que trouxe modificações com relação aos absolutamente incapazes. Por 
essa alteração, não existe mais, no Direito Privado, pessoa absolutamente incapaz que seja maior de idade. Como consequência, 
não há que se falar mais em uma ação de interdição absoluta no nosso sistema civil, visto que os menores não são interditados. 
Todas as pessoas com deficiência, das quais tratava o comando anterior, passam a ser, em regra, plenamente capazes para o Direito 
Civil, o que visa a sua plena inclusão, em prol de sua dignidade (TARTUCE, 2015, on-line). 
Os relativamente incapazes são aqueles que devem ser assistidos por seus pais ou representantes. Eles são incapazes 
relativamente a certos atos, ou à maneira de exercê-los. De acordo com o Art. 4º do Código Civil são eles: 
a. Os maiores de 16 e menores de 18 anos; 
b. Os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; 
c. Os pródigos são as pessoas que gastam desordenadamente, que dissipam ou dilapidam seu patrimônio sem justificativa. 
No caso dos relativamente incapazes, a Lei nº 13.146 de 2015 também trouxe modificações. Aqui não se fala mais no inciso II, no 
caso dos deficientes mentais. Mantiveram-se somente os ébrios habituais e os viciados em tóxicos (TARTUCE, 2015, on-line). 
A interdição é prevista nos artigos 747 a 758 do Código de Processo Civil, tendo por objetivo a interdição 
do incapaz e a nomeação de curador. 
Nesses artigos estão todas as disposições sobre quem pode ingressar com uma ação de interdição, bem 
como está funcionará na esfera judicial. 
De acordo com o art. 747 do dispositivo legal, a interdição pode ser promovida: I - pelo cônjuge ou 
companheiro; II - pelos parentes ou tutores; III - pelo representante da entidade em que se encontra 
abrigado o interditando; IV - pelo Ministério Público. No caso do Ministério Público, este só poderá 
requerer a interdição: I - se as pessoas designadas nos incisos I, II e III do art. 747 não existirem ou não 
promoverem a interdição; II - se, existindo, forem incapazes as pessoas mencionadas nos incisosI e II do art. 
747 . 
O tutor ou curador deverá prestar compromisso mostrando sua vontade perante o juízo. Caso não tenha 
mais interesse em continuar como tutor ou curador poderá eximir-se do encargo, apresentando sua escusa 
perante o juízo. Para saber mais sobre essa lei, acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018 
/2015/lei/l13105.htm . 
Fonte: a autora. 
Por fim, os plenamente capazes ou que possuem capacidade absoluta são os maiores de 18 anos, que ficam habilitados para a 
prática de todos os atos da vida civil. 
Para tanto, no caso da incapacidade relativa, o Còdigo Civil permite que seja feita a emancipação, de acordo com o art. art. 1.634, 
VII do Código Civil que dispõe que, até os 16 anos, os filhos menores devem ser representados por seus pais. A partir dos 16 anos e 
até os 18 anos ele é assistido. 
É nessa possibilidade de assistência que se pode falar na emancipação. A emancipação é a cessação, para os maiores de 16 e 
menores de 18 anos, de sua incapacidade, antes da idade prevista em lei – diga-se 18 anos – nos seguintes casos, de acordo com o 
Art. 5º do Código Civil: 
a. Por concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação 
judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 16 anos completos. Não pode ser feita por instrumento particular; 
b. Pelo exercício do emprego público efetivo; 
c. Pela colação de grau em curso de ensino superior; 
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http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.planalto.gov.br%2Fccivil_03%2F_ato2015-2018%2F2015%2Flei%2Fl13105.htm&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw0cCVCb2VANBKUj9-ML2aZk
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.planalto.gov.br%2Fccivil_03%2F_ato2015-2018%2F2015%2Flei%2Fl13105.htm&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw0cCVCb2VANBKUj9-ML2aZk
d. Pelo casamento; 
e. Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com 16 
anos completos tenha economia própria. 
Dessa forma, podemos perceber que a emancipação não acontece em todos os casos descritos em lei. Isso porque alguns deles já 
caíram em desuso e também não foram revistos pelo legislador ao modificar o Código Civil de 1916 para 2002. 
Assim como a lei prevê o surgimento da pessoa natural, ela também prevê o término da mesma, que acontece com a morte. Tal 
situação está prevista no Art. 6º do Código Civil que dispõe: “a existência da pessoa natural termina com a morte”. Nesse momento 
os bens do falecido se transmitem aos herdeiros. 
A certidão de óbito é o documento que comprova a morte real. Todavia, além desse tipo de morte, o Direito brasileiro prevê 
também a morte presumida, com relação aos ausentes. Nesses casos, a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. Deve-se 
entender por ausente a pessoa desaparecida do seu domicílio, que deixa de dar notícias por um longo período de tempo (COTRIM, 
2009, p. 92). 
Ainda, o Art. 7º do Código Civil também autoriza a declaração de morte presumida, independentemente da declaração de 
ausência: 
a. Se for extremamente provável a morte daquele que estava em perigo de vida; 
b. Se a pessoa desaparecida em campanha ou feita prisioneira não for encontrada até dois anos após o término da guerra. 
Essa declaração de morte presumida somente poderá ser requerida depois de cessadas as buscas e averiguações, e a sentença de 
declaração deve fixar a data provável do falecimento. 
PESSOA JURÍDICA 
A pessoa jurídica é criada por uma obra humana, podendo ocorrer, no caso de pessoas jurídicas de Direito Privado, por atos 
jurídicos bilaterais ou unilaterais. 
Independente do momento de sua criação, a pessoa jurídica de Direito Privado somente adquire personalidade jurídica quando o 
ato que a constitui é levado a registro, de acordo com o art. 45 do Código Civil, no cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas 
ou na Junta Comercial, dependendo da pessoa jurídica que estiver sendo criada. 
Antes de efetuar a inscrição no registro público, a pessoa jurídica simplesmente não existe para o Direito, e os atos eventualmente 
praticados em nome dela são considerados atos das pessoas naturais que os praticaram, em geral sendo os sócios ou os 
administradores. 
No caso da pessoa jurídica também é fundamental determinar o momento em que se inicia sua personalidade civil, ou seja, ao 
adquirir personalidade, a pessoa jurídica ganha patrimônio distinto daquele de quem a criou. Da mesma forma, a personalidade 
jurídica não se confunde com a daqueles que a criaram. 
Imagine a seguinte situação hipotética: uma sociedade não registrada compra um bem, e ele acaba sendo considerado comprado 
pela pessoa natural que celebrou o contrato em nome da pessoa jurídica. Imaginando que o valor do bem seja de R$ 10.000,00 e 
não foi passado ao vendedor. Ao averiguar a situação da sociedade, descobre-se que o patrimônio que se diz dela é de apenas R$ 
1.000,00, mas que os dois sócios – que assinaram o contrato em nome da sociedade – têm patrimônios de mais de R$1.000.000,00. 
Questiona-se: o vendedor ficará a ver navios? Não, pois se a sociedade não foi registrada, não existe para o Direito, não tem 
personalidade e, portanto, não tem patrimônio próprio. Logo, o patrimônio pessoal de quem praticou o ato em nome da sociedade 
responderá pela dívida de R$ 10.000,00, que no caso seriam os próprios sócios. 
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Seria possível determinar a morte de uma pessoa jurídica? Como poderia ser declarada a morte da mesma? 
Fonte: A autora 
A pessoa jurídica não morre. Ela se extingue dependendo de um ato de vontade dos associados, sócios ou administradores, 
chamado de dissolução. No caso das sociedades empresárias, a extinção pode ocorrer em razão de falência. Em qualquer dos 
casos, seja de dissolução ou de falência, a pessoa jurídica manterá a sua personalidade até que ocorra a liquidação, como prevê o 
art. 51 do Código Civil. 
Somente após a liquidação é que se pode cancelar o registro, seja no cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas, seja na Junta 
Comercial, dependendo do caso, quando então a pessoa desaparece do mundo jurídico. A liquidação vem a ser à morte da pessoa 
natural, e que o cancelamento do registro corresponde ao registro do óbito. (DONIZETTI, 2013) 
GESTORES IMOBILIÁRIOS E 
CORRETORES 
Feita uma análise sobre alguns institutos do Direito Civil, passaremos a estudar com mais profundidade algumas características 
especificas do Direito Imobiliário. 
Inicialmente devemos analisar a Constituição Federal de 1988, nos seus artigos 5º, inciso XIII e 22. 
[...] 
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Art. 5º. [...] 
XIII. É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que 
a lei estabelecer. 
[...] 
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: 
[...]XVI – organização do Sistema Nacional de Emprego e Condições para o Exercício de Profissões; [...] 
Percebe-se que, de acordo com os artigos descritos acima, o indivíduo pode escolher a sua profissão, de acordo com as 
qualificações profissionais que tiver. Além disso, o Estado deve legislar sobre todo o Sistema Nacional de Emprego e Condições 
para o exercício das profissões que existem no Brasil. Contudo, tal fato não acontece com os profissionais formados no curso 
superior de Tecnologia em Negócios Imobiliários. Ela ainda não é reconhecida e nem mesmo regulamentada. 
Livre exercício do trabalho, ofício ou profissão: 
Nos termos do art. 5º, inciso XIII, da Constituição Federal de 1988 é “livre o exercício de qualquer trabalho, 
ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.” 
Em face da relevância e complexidade de determinadas atividades profissionais,a lei estabelece requisitos 
de escolaridade ou qualificação, competindo privativamente à União a edição de normas disciplinadoras do 
exercício profissional, conforme o art. 22, inciso XVI, da Constituição Federal. 
“ A ausência de regulamentação de uma profissão, portanto, torna-a de livre exercício. A existência de 
regulamentação restringe o seu exercício àqueles que atendam aos requisitos da respectiva lei federal. ” 
(grifo do autor) 
Decorre, assim, que existem profissões regulamentadas e profissões não regulamentadas, constituindo 
contravenção penal ou crime o exercício de uma profissão regulamentada sem a observância das exigências 
contidas na lei. No caso dos profissionais oriundos de Cursos Superiores de Tecnologia em Negócios 
imobiliários, estes fazem parte de uma profissão ainda não regulamentada. (Mascarenhas, 2010, on-line) 
Pode-se perceber que, nesse caso, como não há uma regulamentação para a atividade, há uma restrição com relação ao exercício 
da mesma, atendendo os requisitos de uma lei federal. 
Dessa forma, existem artigos sobre a regulamentação da atividade do profissional de Negócios Imobiliários. Sobre o assunto, o 
COFECI (Conselho Federal de Corretores de Imóveis) admite o reconhecimento legal da atividade em matéria publicada no ano 
2006. 
Responsável pela normatização, fiscalização e avanços da profissão de corretor de imóveis, o Conselho 
Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) está negociando com o governo federal e o Congresso Nacional a 
instituição, através de lei, da carreira de corretor imobiliário de nível superior. Mais de 50% dos 
profissionais que exercem essa atividade, no Brasil, possuem diploma universitário. A constatação foi feita 
pelo recenseamento promovido pelo Cofeci, em todo o país, no ano passado. “A lei exige apenas o segundo- 
grau para que um profissional atue no mercado imobiliário. Mas a sociedade e a própria evolução da 
carreira levam ao aprimoramento. Buscamos, agora, o reconhecimento dessa qualificação com a instituição 
em lei da função de gestor imobiliário, para quem tem nível superior”, afirma o presidente do Cofeci, João 
Teodoro da Silva. 
Hoje, existem 80 cursos superiores de Gestão Imobiliária em todo o Brasil. “Reconhecer oficialmente a 
elevação do nível do corretor é uma necessidade que se reverte em melhores serviços prestados à 
sociedade”, destaca o presidente do Cofeci. Aproximadamente 200 mil corretores imobiliários atuam em 
https://sites.google.com/fabrico.com.br/di1/p�gina-inicial/unidade-1
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todo o Brasil. A profissão é regulamentada desde os Anos 60, e tem como seu “guarda-chuva” institucional o 
Sistema Cofeci-Creci. O corretor lida com o maior sonho do brasileiro: a aquisição da casa própria. Cerca de 
sete milhões de famílias ainda não possuem habitação, de acordo com levantamento realizado pelo 
Ministério das Cidades. “O Sistema Cofeci-Creci existe também para ajudar a solucionar as questões sociais 
ligadas ao setor imobiliário”, acrescenta o presidente do Cofeci. (GESTOR IMOBILIÁRIO, 2011,on-line) 
Percebe-se que a proposta é de que o Gestor Imobiliário tenha um leque maior de funções para realizar, bem como um nível mais 
qualificado, realizando planejamentos estratégicos de atendimento e vendas, sérvios de consultoria, avaliações, vistorias técnicas, 
análises de empreendimentos e sua aceitabilidade, pesquisa de mercado, entre outros. 
Em 2006, o COFECI aprovou a Resolução nº 957 estabelecendo a competência dos corretores de imóveis 
para também elaborarem o parecer técnico de avaliação imobiliária, mediante alguns critérios. 
Tal regulamentação se baseou na Lei nº 6.530/1978, referente às atribuições legais dos corretores de 
imóveis. A Resolução citada anteriormente deu aos corretores de imóveis o mesmo reconhecimento legal 
concedido aos engenheiros e arquitetos para realizarem a atividade de avaliação de imóveis. 
Contudo, as entidades profissionais de engenheiros e arquitetos repudiaram o ato administrativo do 
CONFECI. Diante dessa reação, o Confea e o Ibape acionaram a Justiça com o intuito de contestar a 
legalidade da resolução elaborada pelo CONFECI. 
Após o julgamento do caso, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF) deliberou em 20 de agosto de 
2010, reconhecendo a atribuição dos corretores em perícias de avaliações de imóveis. 
Para saber mais acesse: http://ogestorimobiliario.blogspot.com.br/ 
Fonte: MASCARENHAS, (2011, on-line) 
Para tanto, passaremos a analisar a função do corretor de acordo com o que consta no Código Civil. O corretor de imóveis pode ser 
contratado para atender tanto ao vendedor que pretende comercializar um imóvel quanto ao comprador que procura adquirir um 
que lhe agrade. 
Em seus artigos 722 e 729, o Código Civil dispõe sobre o contrato de Corretagem da seguinte forma: 
[...] 
Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada à outra em virtude de mandato, de prestação 
de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segunda, um ou mais negócios, 
conforme as instruções recebidas. 
[...] 
Art. 729. Os preceitos sobre corretagem constantes deste Código não excluem a aplicação de outras 
normas da legislação especial. 
[...] 
No caso em questão, o Ministro Cesar Rocha, no acórdão do STJ, 4ª Turma, REsp 214430, publicado no Diário Oficial da Justiça da 
União que 
https://sites.google.com/fabrico.com.br/di1/p�gina-inicial/unidade-1
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http://ogestorimobiliario.blogspot.com.br/
é certo que o contrato de corretagem, mesmo informal, exige que tenha havido um mínimo de contato entre 
o contratante e o contratado e que este tenha recebido instruções para intermediar a transação, já que, 
como se sabe, a atividade de corretagem se faz em nome do contratante. 
Em verdade, como se pode constatar no que foi dito até o momento, a obrigação do corretor é executar a mediação e prestar ao 
cliente as informações que forem necessárias ao negócio, esclarecendo não só sobre as condições como também sobre a 
segurança ou o risco do ato para que a negociação possa ser feita de forma clara entre as partes. Caso não preste todas as 
informações necessárias poderá responder por perdas e danos. 
Ainda que o corretor tenha um auxiliar, o que é permitido por lei, a responsabilidade é somente dele. 
Caso seja realizada uma intermediação conjunta onde mais de um corretor estará envolvido, a comissão deve ser dividida entre 
ambos, de forma igualitária, a não ser que exista entre as partes um acordo com relação ao percentual. 
Com relação ao corretor, a remuneração do mesmo chama-se “comissão” e deve ser ajustada previamente entre as partes. Ela é 
devida como pagamento quando houver negociação finalizada, visto que o corretor aproximou as partes contratantes. 
Caso a negociação não seja finalizada, não haverá pagamento ao corretor. Ainda, se o negócio for realizado sem intermediação de 
nenhum corretor, também não haverá remuneração a ser paga. 
Se o vendedor assinou uma opção de venda por escrito para um corretor e o imóvel sem a sua intermediação, como deve ser 
solucionado? E se houve a opção de venda com exclusividade por escrito, mas um amigo do vendedor se interessou pelo imóvel e 
foi feita uma negociação direta, a comissão também deverá ser paga? Nesses casos a comissão deverá ser paga mesmo assim, salvo 
no caso de inércia ou ociosidade, descaso do profissional, devendo ser provado que não houve esforços do corretor para vender a 
propriedade em questão. 
A Lei nº 6.530/78 regulamentada pelo Decreto 81.871/78 e que foi alterada pela Lei nº 10.795/2003 disciplinará a profissão de 
corretor de imóveis, bem como as Resoluções do COFECI. 
A Lei nº 6.530/78, em seus artigos 2º a 4º dispõe: 
[...] 
Art. 2º. O exercício da profissão de Corretor de Imóveis será permitido ao possuidor de título de Técnico em 
Transações Imobiliárias. 
Art. 3º. Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda,permuta e locação de 
imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. 
Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica 
inscrita nos termos desta lei. 
Art. 4º. A inscrição do Corretor de Imóveis e da pessoa jurídica será objeto de Resolução do Conselho 
Federal de Corretores de Imóveis. 
Como se pode notar, a pessoa jurídica com fins imobiliários deve ter pelo menos um dos sócios inscrito individualmente no CRECI, 
bem como pagar a contribuição anual da Instituição. 
O Conselho Regional do CRECI é responsável por baixar normas de ética profissional, elaborar contrato padrão para os serviços 
de corretagem de imóveis de observância obrigatória pelos inscritos, deve decidir sobre os pedidos de inscrição de Corretor de 
Imóveis e de pessoas jurídicas, organizar e manter o registro profissional das pessoas físicas e jurídicas inscritas, expedir carteiras 
profissionais e certificados de inscrição e impor as sanções previstas na lei (artigo 17 da lei). 
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O artigo 20 da Lei proíbe que o corretor de imóveis e a pessoa jurídica prejudiquem, por dolo ou culpa, os interesses dos clientes; 
proíbe também que facilite o exercício da profissão aos não inscritos no CRECI regularmente. Não é permitido promover o anúncio 
da proposta de transação, anunciar publicamente a proposta de venda e que não esteja autorizado por meio de documento escrito. 
Outro ponto importante é a não violação do sigilo profissional ou ainda a prática de qualquer ato não permitido por lei. 
Por fim, cabe ao corretor prestar contas, emitir recibos e devolver documentos que lhes foram confiados para quaisquer 
finalidades. 
Documentos Necessários aos Vendedores 
Como todo negócio, para que o mesmo exista e passe segurança a ser realizado, deve-se ater a cuidados principais referentes aos 
riscos que podem ocorrer nas vendas de imóveis que poderão ser prejudicados por descuido ao analisar a documentação 
necessária. 
Os documentos que devem ser apresentados pelos vendedores para que seja feita uma compra de forma segura são: 
1. RG e CPF : devem ser apresentados os documentos do casal vendedor para conferência dos dados e identificação dos mesmos. 
2. CERTIDÃO DE CASAMENTO : ela deve ser atualizada. Para se obter tal documento é necessário que seja solicitado no cartório 
onde o casamento foi realizado. Esse cuidado é fundamental pois pode ter havido um divórcio. 
Tal item é importante para saber se os vendedores podem vender os imóveis sem qualquer restrição. 
Caso o vendedor seja solteiro, deve ser solicitada uma certidão de nascimento atualizada, e assim poderá ser verificado se há ou 
não casamento. 
Atualmente pode ser solicitado também uma declaração de reconhecimento de união estável, caso seja informado de que o casal 
vive em uma união estável reconhecida. Se não houver a declaração, verificar se há um contrato de união onde se regulamenta 
deveres, obrigações e divisão de bens. Assim, nestas situações cada caso deve ser resolvido da melhor forma possível entre as 
partes. 
3. COMPROVANTE DE RESIDÊNCIA : as certidões expedidas pelo Poder Judiciário devem ser pedidas no local onde residem os 
vendedores. Caso residam na cidade atual há menos de 2 anos, faz-se necessário solicitar certidões também na comarca anterior 
de onde residiam, principalmente se for em outro Estado. 
4. CERTIDÕES FORENSES DOS VENDEDORES : devem ser solicitadas certidões dos distribuidores forenses na área cível e 
criminal, no período de 10 anos, e de todas as pessoas que foram proprietárias durante este período. Tais certidões são 
documentos de pesquisa no Poder Judiciário em nível estadual, para saber se existem processos contra os vendedores em geral. 
Nessa certidão irá aparecer se o vendedor está sendo processado. 
Pode-se citar como exemplo o caso do senhor José Paulo Silva que vendeu uma casa para Monica Marques. Após 2 anos de uso do 
imóvel, Monica notou que a casa começou a apresentar rachaduras e decidiu ingressar com uma ação judicial para que José Paulo 
Silva fosse responsabilizado pelos danos que foram causados. Nesse caso, para que o futuro comprador saiba que José Paulo Silva 
tem uma ação judicial contra ele, basta solicitar a certidão forense. 
Já a certidão criminal mostra com que tipo de pessoa se está negociando. Ou seja, se a pessoa já tem alguma passagem pela polícia. 
Devem ser solicitadas também as certidões negativas fiscais pelo período de 5 anos, de todas as pessoas que foram proprietárias 
durante esse período. Tais certidões apontam se existem dívidas fiscais para com o Poder Público decorrentes do não pagamento 
de tributos que os vendedores não quitaram. No caso da execução fiscal, tal ação tem preferência sobre as outras ações, podendo 
recair da mesma forma sobre um imóvel da pessoa com o intuito de garantir o pagamento. 
A certidão expedida pela Justiça do Trabalho é necessário verificar se há uma pendência trabalhista que também pode recair sobre 
o imóvel. A certidão expedida pelos cartórios de protestos devem ser solicitada em cada um dos cartórios existentes na cidade, 
para a verificação de indícios de insolvência do devedor, ou seja, verificar se o devedor possui alguma dívida que não foi paga. 
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A certidão expedida pela Justiça Federal pesquisará se existe algum processo na esfera federal com relação às dívidas oriundas de 
tributos federais e outros assuntos relativos à administração incorreta. Por fim, a certidão de quitação de tributos federais e 
previdenciários irá apontar quais são as dívidas que os devedores têm caso não paguem tributos federais e podem ter sua inscrição 
em dívida ativa. 
Nesses casos há necessidade de exigir certidões no local do imóvel e também na sede da Empresa e no local de residência dos 
sócios. A empresa é uma pessoa jurídica, que tem personalidade própria e seu patrimônio próprio. 
Deve ser apresentado o Estatuto Social da Empresa e as alterações posteriores e as atas constitutivas da deliberação da 
sociedade. Ou ainda, o Contrato Social com as referidas alterações devidamente registradas nos órgãos competentes. Esses 
contratos devem apresentar quem está gerindo a empresa no momento da venda, quem são os sócios e a participação de cada um 
deles, entre outros dados. 
Deve ser apresentado o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), imprescindível para a regularidade da empresa. 
As certidões que devem ser apresentadas pelas pessoas jurídicas são: a) dos distribuidores forenses na área cível e criminal, no 
período de 10 anos; negativas fiscais; c) negativa expedida pela Justiça do Trabalho; d) expedidas pelos Cartórios de Protestos; e) 
expedida pela Justiça Federal; f) negativa de quitação de tributos federais e previdenciários. 
Todas as certidões são de suma importância, pois caso a pessoa jurídica tenha todos os meios esgotados para cumprimento de suas 
dívidas, os sócios responderão com seus bens por meio de uma determinação concedida pelo juiz, nomeada como “desconstituição 
da pessoa jurídica”. 
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ATIVIDADES 
1. O Direito Civil estuda a relação entre pessoas e bens. Esse ramo é comum a todas as pessoas por disciplinar o modo de ser e agir, 
sem quaisquer referências às condições sociais e culturais, ou seja, toda a vida social é regida pelo Código Civil, que regula as 
ocorrências do dia. Um dos itens regulados pelo Direito Civil é a pessoa natural. Sobre essa pessoa natural, analise as afirmativas 
abaixo e assinale a alternativa correta: 
I - Todo o ser humanoé pessoa no sentido jurídico. 
II - No Direito brasileiro, os animais também são protegidos pelo Código Civil. 
III - A pessoa natural é o ser humano provindo da mulher. 
IV - O início da personalidade pode começar de duas formas: a) do nascimento com vida; b) da concepção do feto. 
a) Estão corretas somente as afirmativas I, II e III. 
b) Estão corretas somente as afirmativas I, II e IV. 
c) Estão corretas somente as afirmativas I, III e IV. 
d) Estão corretas somente as afirmativas II, III e IV. 
e) Todas as afirmativas estão corretas. 
2. Com a aquisição da personalidade, o indivíduo se torna um sujeito de direitos e obrigações. O art. 1º do Código Civil prevê que “ 
toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”, implicando a capacidade de ser parte. A capacidade pode ser de duas 
espécies: a de gozo ou de direito e a de exercício ou de fato. Sobre a capacidade, analise as afirmativas abaixo e assinale a 
alternativa correta : 
I - Os absolutamente incapazes devem ser representados por seus pais ou guardiões. 
II - Os relativamente incapazes são aqueles que devem ser assistidos por seus pais ou representantes. 
III - Os plenamente capazes ou que possuem capacidade absoluta são os maiores de 18 anos, que ficam habilitados para a prática 
de todos os atos da vida civil. 
IV - A emancipação é a cessação, para os maiores de 16 e menores de 18 anos, de sua incapacidade, antes da idade prevista em lei, 
nos casos especificados na mesma. 
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a) Estão corretas somente as afirmativas I, III e IV. 
b) Estão corretas somente as afirmativas II, III e IV. 
c) Estão corretas somente as afirmativas I, II e IV. 
d) Estão corretas somente as afirmativas I, II e III. 
e) Todas as afirmativas estão corretas. 
3. O art. 1º do Código Civil prescreve que “toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”, ou seja, o artigo determina 
que apenas a pessoa tem capacidade para adquirir/exercer direitos e contrair obrigações. Sobre a capacidade civil, assinale a 
alternativa correta: 
a) A capacidade de direito só algumas pessoas têm, e está relacionada com os exercícios dos atos da vida civil. 
b) Todo indivíduo já nasce com a capacidade de exercício ou de fato. 
c) Os absolutamente incapazes são aqueles que não têm capacidade de realizar os atos da vida civil pessoalmente, dependendo de 
que alguém realize os atos por eles. 
d) Os plenamente capazes são aqueles aos quais a lei permite que realizem alguns atos pessoalmente. 
e) Todas as alternativas estão corretas. 
Resolução das atividades 
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RESUMO 
Nesta unidade estudamos a pessoa natural. Para que pudéssemos compreender melhor como o direito a entende, bem como de 
que forma ela pode ser protegida, vimos a diferença entre personalidade e capacidade. 
A personalidade, dependerá do autor, para dizer quando ela irá começar. Para alguns será a partir da concepção do feto, para 
outros será do nascimento com vida. A capacidade é uma aptidão genérica para adquirir direitos. Esta se divide em capacidade de 
direito e capacidade de fato. 
A capacidade de direito é aquela que começa a partir do nascimento com vida; a de fato começa a partir do momento que o 
indivíduo completa 18 anos de idade. Além dessa classificação com relação a capacidade, pode-se falar também com relação ao 
sujeito. 
No que diz respeito ao sujeito, este pode ser classificado de três formas: plenamente capaz, relativamente incapaz e 
absolutamente incapaz. 
Os plenamente capazes são aqueles que têm discernimento completo e 18 anos completos. Nesse caso eles podem realizar todos 
os atos da vida civil, sem depender de ninguém. 
Os relativamente incapazes são aqueles maiores de 16 e menores de 18 anos; os ébrios habituais, viciados em tóxicos e os que, por 
deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; e, por fim, os 
pródigos. No caso dos relativamente incapazes, estes não podem realizar os atos da vida civil sozinhos. 
Eles devem ser assistidos por alguém. Além disso, com relação aos maiores de 16 e menores de 18 anos pode ser feita a 
emancipação, que é a antecipação dos atos da vida civil. 
Por fim, os absolutamente incapazes são os menores de 16 anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o 
necessário discernimento para a prática desses atos; e os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
Feito o estudo das pessoas físicas ou naturais, analisamos a pessoa jurídica. Vimos que ela é uma ficção criada pela sociedade, com 
o intuito de limitar responsabilidades e separar o patrimônio da pessoa física e da pessoa jurídica. 
A partir desse estudo vimos o que vem a ser a interdição. Esta pode ser promovida pelos pais ou tutor, pelo cônjuge ou algum 
parente próximo, ou ainda pelo próprio Ministério Público. 
O interditando poderá nomear um advogado, para que tenha a possibilidade de ampla defesa até a sentença final. Se a pessoa for 
interditada, a sentença deve ser inscrita no Registro de Pessoas Naturais e publicada para que todos tenham conhecimento sobre 
o ato realizado. Dessa forma, aqueles que forem realizar negócio com o mesmo terão conhecimento do ato e poderão se precaver 
de eventuais problemas que venham a surgir por conta do mesmo. 
Assim, podemos perceber que, por fatos como estes citados o estudo é de suma importância a fim de esclarecer eventuais dúvidas 
que possam surgir com relação ao tema. 
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Material Complementar 
Leitura 
LIVRO 
COLTRO, Antonio Carlos Mathias, Contrato de corretagem imobiliária 
–doutrina, jurisprudência e regulamento legal e administrativa. São 
Paulo: Atlas, 2013. 
Sinopse : O crescimento econômico atual, e especialmente o 
desenvolvimento da atividade comercial, tanto nos pequenos como nos 
grandes centros, fazem com que a atividade do intermediário de negócios 
adquira relevo cada vez maior, acabando por tornar-se ela própria uma 
forma de acelerar ainda mais o crescimento da atividade negocial, 
especialmente no âmbito da compra e venda de imóveis, que, a partir do 
novo Código Civil (Lei nº 10.406/02), passou a contar com previsão 
legislativa expressa e tendente à regulamentação do contrato de 
corretagem imobiliária. Nesta obra, com referência ao entendimento da 
doutrina nacional e estrangeira, bem como da jurisprudência, são 
examinados, de forma prática, os aspectos que interessam ao tema da 
intermediação de imóveis, com propostas para solução das dúvidas que o 
assunto propicia, de maneira a facilitar sua compreensão tanto por 
estudantes, como por profissionais do Direito e da corretagem 
imobiliária, segundo, inclusive, a jurisprudência que passou a se firmar a 
partir do Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406/02). A partir da 3ª edição, 
acrescentou-se capítulo tratando do exercício irregular da corretagem 
imobiliária e as consequências penais a tanto inerentes. 
O tema é abordado conforme os aspectos que lhe são próprios e as 
soluções que se têm como adequadas aoscasos que se apresentam à 
discussão, citando-se tanto a doutrina quanto a jurisprudência a respeito 
existentes, com exame do novo Código Civil, no capítulo próprio à 
matéria. Em vista disso, o livro procura, de forma prática, tornar mais fácil 
o trabalho de todos aqueles a quem a matéria seja de interesse, como 
estudantes, profissionais do Direito e os que atuam na área da 
corretagem imobiliária. 
Manual de consulta indispensável para profissionais envolvidos com 
negócio imobiliário. Leitura complementar para as disciplinas Direito 
Civil e Direito Imobiliário do curso de Direito. 
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REFERÊNCIAS 
COTRIM, G. Direito Fundamental : Instituições de Direito Público e Privado. São Paulo: Saraiva, 2009. 
MARTINS, S. P. Instituições de Direito Público e Privado . São Paulo: Atlas, 2012. 
______. Instituições de Direito Público e Privado . São Paulo: Atlas, 2013. 
REFERÊNCIAS ON-LINE 
BRASIL. Constituição Federal de 1988 . Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao 
/constituicaocompilado.htm . Acesso em: 22 mar. 2017. 
_________. Código Civil de 2002 . Lei 10.406. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm . Acesso 
em: 22 mar. 2017. 
_________. Lei nº 13.146 de 2015 . Institui a lei brasileira de inclusão. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03 
/_ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm . Acesso em: 22 mar. 2017. 
1 Em: http://www.migalhas.com.br/FamiliaeSucessoes/104,MI224217,21048- 
Alteracoes+do+Codigo+Civil+pela+lei+131462015+Estatuto+da+Pessoa+com . Acesso em: 21 mar. 2017. 
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http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.planalto.gov.br%2Fccivil_03%2Fconstituicao%2Fconstituicaocompilado.htm&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw30k2hVn2vlsCEV6wWFxOP6
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.planalto.gov.br%2Fccivil_03%2Fleis%2F2002%2FL10406.htm&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw39ENeBBTKGSZEiX3UjejW4
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.planalto.gov.br%2Fccivil_03%2F_ato2015-2018%2F2015%2FLei%2FL13146.htm&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3mR1CvHQQDWIhuz3Hqh0Q7
http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.planalto.gov.br%2Fccivil_03%2F_ato2015-2018%2F2015%2FLei%2FL13146.htm&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3mR1CvHQQDWIhuz3Hqh0Q7
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APROFUNDANDO 
Para que possamos entender como funciona na prática, abaixo veremos a aplicação de uma jurisprudência onde foi discutida a 
capacidade civil de uma das partes que realizou o negócio jurídico. 
“Estado do Paraná TRIBUNAL DE JUSTIÇA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Nº 1.438.459-3/01, DO FORO CENTRAL DA REGIÃO 
METROPOLITANA DE LONDRINA 1 ª VARA CÍVEL. EMBARGANTES: RODNEY CARLOS BOTELHO E OUTRO. EMBARGADA: 
YUMIKO KAWASSAKI RELATORA: DESª. ROSANA AMARA GIRARDI FACHIN. REL CONV.: JUIZ FABIAN SCHWEITZER. 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS DISCUSSÃO 
SOBRE A CAPACIDADE CIVIL DA AUTORA NO MOMENTO DA CELEBRAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO RESPONSABILIDADE 
SOLIDÁRIA ALEGAÇÃO DE OMISSÃO ­PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DO MÉRITO INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS 
FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO EM SUA INTEGRALIDADE EMBARGOS REJEITADOS. 
VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Embargos de Declaração nº 1.438.459-3/01, do Foro Central da Região 
Metropolitana de Londrina, 1ª Vara Cível, em que são Embargantes RODNEY CARLOS BOTELHO e SANDRA WIELEWSKI 
BOTELHO, e Embargada YUMIKO KAWASSAKI. 
PODER JUDICIÁRIO 
Estado do Paraná TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
1. Trata-se de Embargos de Declaração opostos em face de acórdão1, de minha relatoria, que negou provimento ao recurso de 
Apelação Cível interposto pelos ora Embargantes, com o seguinte teor de ementa: 
APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS CONTRATO DE PERMUTA. APELAÇÃO (02): 
PRELIMINARES (I). 
PRETENSÃO DE SUSPENSÃO DA CAUTELAR CONCEDIDO NA SENTENÇA POSSIBILIDADE CONCESSÃO DA MEDIDA PELA 
INSTÂNCIA SUPERIOR EXCEPCIONALMENTE DESDE QUE PREENCHIDOS OS REQUISITOS DO ART. 558, DO CPC NÃO 
VERIFICAÇÃO IN CASU PEDIDO INDEFERIDO. (II). INÉPCIA DA INICIAL INOCORRÊNCIA REQUISITOS DO ARTIGO 282 DO 
CPC DEVIDAMENTE PREENCHIDOS INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 295, §º ÚNICO DO CPC. MÉRITO ­APELAÇÕES 01 E 02 (I) 
SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO CONSTATAÇÃO CONTRATO DE PERMUTA DE BENS IMÓVEIS COMO PRIMEIROS 
PERMUTANTES OS APELANTES 02 E COMO SEGUNDA PERMUTANTE A APELADA APARTAMENTO DA APELADA SITUADO 
EM REGIÃO NOBRE DA CIDADE­ APELANTE 01 QUE ATUOU COMO PROCURADOR SUBSTABELECIDO DESTA ÚLTIMA 
NATUREZA DO AJUSTE QUE VERSAVA SOBRE A TROCA ENTRE DOIS IMÓVEIS DOS APELANTES 02 E UM IMÓVEL DA 
APELADA - CESSÃO DE BENS INEXITOSA PARA A SEGUNDA PERMUTANTE OUTORGA DE PROCURAÇÕES E 
SUBSTABELECIMENTO QUE RESULTARAM EM DANO MATERIAL E MORAL À APELADA, A QUAL NÃO TEVE TRANSFERIDO 
EM SEU FAVOR OS BENS PROVENIENTES DO NEGÓCIO TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA QUE SOMENTE TEVE EFEITOS 
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POSITIVOS NAS ESFERAS PATRIMONIAIS DOS PRIMEIROS PERMUTANTES E DO APELANTE 01 - ATO QUE OBJETIVAVA 
RESULTADO DIVERSO DA PRETENSÃO INICIAL DO AJUSTE PROVA TESTEMUNHAL SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO 
CONFIGURADA COM EMPREGO DE ARDIL BENS QUE SE ENCONTRAM SOB PROPRIEDADE DE TERCEIROS INDENIZAÇÃO 
DE VALOR EQUIVALENTE QUE É DE RIGOR ART. 182, NCC.- (II). PLEITO DE 1 Fls. 14/21-TJPR. 
(...) 
Inconformados, os requeridos recorreram afirmando que a decisão está equivocada, pois contém omissão em sua fundamentação 
quando trata da capacidade da autora no momento da celebração do negócio jurídico, bem como sobre a responsabilidade de 
indenizar a autora ser somente do mandatário, não cabendo aos ora embargantes o pagamento da mesma. 
Requer, assim, o acolhimento do recurso para que sejam supridos os vícios apontados. 
É o relatório. 
(...) 
3. No mérito, porém, não há supedâneo para a pretensão dos Embargantes, pois inexiste omissão no acórdão recorrido, que 
resolveu a controvérsia com respaldo em jurisprudência deste Tribunal de Justiça e em legislações pertinentes ao caso concreto, 
após cautelosa análise dos fatos e documentos que instruem o caderno processual. 
Sabe-se, a respeito, que os declaratórios não se prestam para rediscussão do mérito da demanda, mas sim, e tão somente, para 
corrigir eventuais vícios, ausentes no caso concreto, digo eu. 
Nesse liame, o entendimento jurisprudencial: 
“1. Os Embargos de Declaração constituem recurso de contornos rígidos, destinados a promover a integração dodecisum omisso, 
obscuro ou contraditório. Não se prestam a rediscutir o mérito. (...) 3. Verifica-se, portanto, que a controvérsia foi integralmente 
solucionada, com motivação suficiente e em consonância com o entendimento do STJ sobre a questão, não se configurando 
omissão, contradição ou obscuridade no aresto embargado. (...)”2 “1. Inexistindo omissão ou obscuridade no acórdão recorrido, 
não há como prosperarem os embargos de declaração. O simples descontentamento da parte com o julgamento não tem o condão 
de tornar cabíveis os embargos de declaração, recurso de rígidos contornos processuais que serve ao aprimoramento da decisão, 
mas não à sua modificação, que só excepcionalmente é admitida. O que não é o caso dos autos." 
No mesmo sentido, oportuno citar lição de ARAKEN DE ASSIS: 
“O art. 496, IV, insere os embargos declaração no catálogo recursal. Repetiu a lei em vigor o art. 808. V, do CPC de 1939. 
Formalmente, portanto, o remédio é um recurso (princípio da taxatividade). No entanto, dentre outras características discrepante, 
os embargos de declaração não visam à reforma ou à invalidação do provimento impugnado. 
O remédio presta-se a integrar ou a aclarar o pronunciamento judicial, talvez decorrente do julgamento de outro recurso, 
escoimando-o dos defeitos considerados relevantes à sua compreensão e alcance, a saber: a omissão, a contradição e a 
obscuridade. Em caráter excepcional, os embargos de declaração corrigem a dúvida; além disso, há defeitos atípicos que, na falta 
de outro expediente hábil ou por medida de saudável economia, emendam-se mediante os declaratórios”. 
Observe-se que os Embargantes alegam omissão no acordão, porém sua fundamentação evidencia a mera pretensão de 
rediscussão do tema, em razão de seu inconformismo com a decisão que foi desfavorável aos seus interesses, uma vez que todos os 
pontos suscitados na apelação foram apreciados no decisum. 
Improcedem os embargos, pois, em verdade, trata-se de manifesto inconformismo dos recorrentes que, utilizando os mesmos 
fundamentos anteriormente apresentados, buscam a rediscussão do mérito alegando a omissão do julgado, o que não condiz com 
a realidade, pois esgotadas todas as questões lançadas pelas partes, conforme trechos do julgado: 
“Assim, adentrando no tema, como bem salientou o D. Magistrado singular: 
“(...) O que, todavia, não se pode esperar da autora Yumiko pelas razões já expostas acima, vale dizer, sua dificuldade em 
compreender o significado de expressões em português e ignorância quanto aos procedimentos burocráticos e legais envolvendo 
transações imobiliárias. 
Particularmente, as circunstâncias do caso mostram inequivocamente que a autora não detinha consciência de que transferia ao 
corréu Paulo seu procurador supostamente de confiança por longos anos todos os direitos que possuía sobre os imóveis ao 
assinar o substabelecimento de mov. 57.9, do que se denota a invalidade do ato. (...)” (Grifei.) 
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“A condenação dos réus ao pagamento de danos morais fixada na sentença atingiu a monta de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), 
na qual os réus Paulo Cezar dos Santos e Rodney Carlos Botelho deverão responder por 2/5 desta verba (R$ 16.000,00), cada um, 
e a ré Sandra pelo 1/5 restante (R$ 8.000,00), pois restou comprovado a utilização do aproveitamento nefasto proveniente da 
relação de confiança então adquirida entre as partes para a realização de negócios que prejudicaram a autora com a repercussão 
negativa perante toda a sociedade e principalmente no seu âmago pessoal, com ofensa à honra e à dignidade.” (Grifei.) (...) 
PARABÉNS! 
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EDITORIAL 
DIREÇÃO UNICESUMAR 
Reitor Wilson de Matos Silva 
Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva 
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Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi 
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ . Núcleo de Educação a Distância; LOPES , 
Mariane Helena; CAMERON , Terezinha Aniceto; 
Direito Imobiliário . 
Mariane Helena Lopes; Terezinha Aniceto Cameron 
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 
29 p. 
“Pós-graduação Universo - EaD”. 
1. Direito. 2. Imobiliário. 3. EaD. I. Título. 
CDD - 22 ed. 346 
CIP - NBR 12899 - AACR/2 
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NEGÓCIOS JURÍDICOS 
TÍPICOS 
IMOBILIÁRIOS 
Professoras : 
Me. Mariane Helena Lopes 
Esp. Terezinha Aniceto Cameron 
Objetivos de aprendizagem 
• Analisar os principais negócios realizados pelos gestores imobiliários 
• Conhecer os procedimentos da compra e venda 
• Conhecer os principais itens de uma escritura e também da justificativa. 
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Plano de estudo 
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: 
• Negócios jurídicos típicos imobiliários 
• Compra e venda 
• Elementos Essenciais de uma escritura e justificativa 
Introdução 
Nesta unidade estudaremos alguns negócios jurídicos que são típicos da atividade do gestor de negócios imobiliários. 
Inicialmente precisamos saber quais são os atos próprios do Registro de Imóveis. Para tanto identificaremos de que forma a Lei de 
Registro Público. Iremos analisar como estes deverão ser feitos e quais os requisitos para que os mesmos possam acontecer. 
Visto isso, verificaremos como deve ser feita a transferência e aquisição do domínio de uma propriedade. A esta dá-se o nome de 
compra e venda. A mesma se impõe pelos requisitos essenciais a todo ato essencial oneroso, que são as partes, objeto, preço e 
consentimento. Nesse caso, a forma é um elemento essencial. 
Para realização da mesma é permitida a representação de uma ou de ambas as partes por procurador. Nesse caso os mandatos 
devem ser solenes, na forma de procuração por instrumento público. 
Visto a compra e venda, passamos a analisar a doação. Esta pode ser feita em vida ou em morte. A doação é quando se transfere um 
patrimônio bens ou vantagens para o de outra pessoa que os aceita. Os eventuais encargos inerentes à aquisição não se 
compreendem como contraprestação por não terem valor de equivalência do próprio objeto do ato negocial. 
Na sequência, vimos a dação em pagamento. Esta é uma das formas de extinção das obrigações, onde é realizado o pagamento de 
forma indireta. Tal modalidade submete-se como forma regular de satisfação e, ainda, modalidade específica negocial, visto que o 
devedor possa quitar sua obrigação entregando, em lugar de dinheiro em espécie, seu equivalente em bens móveis, créditos 
celulares, ou bens imóveis. 
Passamos a analisar os elementos essenciais de uma escritura, verificandocomo a mesma deve ser elaborada. 
Dessa forma, todos os negócios citados anteriormente são essenciais para a realização da atividade. 
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NEGÓCIOS JURÍDICOS TÍPICOS 
IMOBILIÁRIOS 
FATOS JURÍDICOS 
O fato jurídico independe da vontade do homem. É um acontecimento em que a relação jurídica nasce, modifica e extingue 
(MARTINS, 2013, p. 233). Por outro lado, o ato jurídico é um fato proveniente da ação humana, de forma voluntária e lícita, com o 
objetivo de adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos. Ele é um tipo de fato jurídico (MARTINS, 2013, p. 233). 
Assim, o fato jurídico independe da vontade do homem, enquanto o ato jurídico depende da vontade do homem. 
O negócio jurídico é a declaração de vontade que a pessoa tem em adquirir, modificar, alterar ou extinguir uma relação jurídica 
(MARTINS, 2013, p. 234). Sendo assim, o negócio jurídico é uma espécie de ato jurídico lícito. 
Entretanto, para se realizar um negócio jurídico, alguns elementos essenciais são necessários e sem eles não há como realizar um 
negócio jurídico. Passaremos a estudar os elementos essenciais para a realização desse negócio. 
Para que o negócio jurídico tenha validade, de acordo com (MARTINS, 2013) é preciso que alguns elementos estejam presentes. 
São eles: 
1º) Agente capaz: o indivíduo deve ter capacidade plena, que é adquirida aos 18 anos. 
2º) Objeto lícito, possível, determinado ou determinável: 
• lícito: é aquele objeto permitido por lei. Não irão dar validade ao negócio jurídico se o objeto for ilícito, por exemplo, 
contrabando, tráfico de drogas, jogo de bicho, etc. 
• possível: é aquele possível de ser realizado. 
• determinado: é o objeto especificado. 
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• determinável: é o objeto que não foi especificado no momento de realização do negócio e, no momento do cumprimento, será 
conhecido. 
3º) Forma prescrita ou não proibida por lei: é a previsão legal. Observa-se o conteúdo legal para a realização do negócio. 
Entretanto, ao realizar o negócio jurídico, alguns defeitos podem ser identificados, fazendo que o mesmo não tenha validade. 
Analisaremos cada um desses defeitos a seguir e ao final teremos um quadro com um exemplo de cada um dos defeitos estudados. 
Erro 
É a falsa noção a respeito de alguma coisa. O erro é anulável quando a pessoa pensa que fez uma coisa e, na verdade, ocorreu outra. 
Ou seja, quando há algo errado com relação ao objeto principal da declaração, ou alguma das qualidades a ele essenciais. 
Igualmente, o que for pertinente às qualidades essenciais da pessoa, a quem se refira a declaração de vontade. Esse conhecimento 
tem tanta importância que, se a pessoa soubesse, o negócio não seria realizado. 
Dolo 
Para exemplificar, imaginemos a seguinte situação: uma pessoa induz outra a praticar o ato que prejudica a segunda e beneficia a 
primeira (MARTINS, 2013). Podemos chamar tal ação de dolo que ocorre quando uma pessoa induz em erro outra, por malícia ou 
astúcia. A própria pessoa avalia incorretamente os elementos do negócio jurídico (MARTINS, 2013). 
Coação 
É a violência física ou moral que impede a pessoa de manifestar livremente sua vontade. Ela deve causar um temor de dano 
iminente e considerável à sua pessoa, à sua família ou aos seus bens. 
Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial, ou seja, não pode ser 
considerada como coação uma ameaça que não cause um dano iminente, irreversível à pessoa ameaçada, caso esta não realize o 
negócio jurídico. 
Estado de perigo 
É quando alguém, com a premissa da necessidade de salvar-se ou de salvar a pessoa de sua família de um grave dano conhecido 
pela outra parte, assume uma obrigação excessivamente onerosa. 
Lesão 
A lesão “Ocorre quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a uma prestação manifestamente 
desproporcional ao valor da prestação oposta” (Art. 157 do Código Civil). A desproporção é apreciada segundo os valores vigentes 
ao tempo em que o negócio jurídico foi celebrado. 
Fraude contra credores 
É o desfalque do patrimônio devedor, que aliena bens com o objetivo de não pagar suas dívidas. Servem para prejudicar a outra 
pessoa. 
Atos Próprios do Registro de Imóveis 
A Lei de Registro Público, em seu capítulo “Da escrituração” enumera os atos negociais e típicos de registro, num rigoroso critério 
de controle do Estado, alçando-os à matéria de enfrentamento de ordem pública. O art. 172 da citada lei, dispõe: 
Artigo 172. No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos desta lei, o registro e a averbação dos títulos ou 
atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintivos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em 
lei, inter vivos ou mortis causa , quer para sua constituição, transferência e extinção, quer para sua validade 
em relação a terceiros, quer para sua disponibilidade. 
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Assim, o legislador fixou a competência dos Registros de Imóveis para as seguintes atribuições privativas, que são: a) forma 
observante segundo a ordem pública, no dizer que “nos termos da lei”; b) dos atos próprios, segundo o gênero “registro e 
averbação”; c) quanto à modalidade dos bens imóveis; d) como forma exclusiva, com a tríplice finalidade de atribuir autenticidade, 
segurança e eficácia aos atos jurídicos. 
Considerando-se próprios os seguintes atos, inerentes, exclusivamente, ao serventuário enquanto investido da qualidade de 
escrevente dos Cartórios de Registro de Imóveis: 
Matrícula: é o número identificador do imóvel, que o individualiza. Sem ele, de acordo com a Lei nº 6.015/73, não há propriedade 
imóvel disponível. 
A matrícula deve ser feita à vista dos elementos constantes do título apresentado e do registro anterior que constar do próprio 
cartório. Se o título anterior estiver registrado em outro cartório, o novo título será apresentado juntamente com certidão 
atualizada, emitida pelo referido registro, comprovando a existência do anterior. 
Ainda, pode ser atribuída a matrícula o desmembramento de bens imóveis na constituição das unidades autônomas em edificação 
sob a modalidade de condomínio edilício, parcelamento de gleba para loteamento, individualizadas, de acordo com o artigo 235, 
parágrafo único da Lei de Registro Público. 
Registro: engloba as expressões inscrição e transcrição. Contudo, por registro deve-se entender os atos atinentes a ato próprio do 
registrador para inscrever no álbum imobiliários negócios e atos atinentes a ato próprio do registrador para inscrever no álbum 
imobiliário negócios e atos jurídicos constitutivos de direitos reais e outros a eles legalmente vinculados. Penhoras, contratos de 
anticrese, cédulas, pactos antenupciais, além de outros negócios, sendo registrados nos Livros 2 ou 3 dos Registros de Imóveis 
(AGHIARIAN, 2014) 
Aquisições de propriedade imóvel, assim como quaisquer atos negociais definitivos, ou judiciais, que gerem direitos à aquisição da 
propriedade ou comprometimento de sua indisponibilidade, como a constituição de direitos reais de garantia, antes anotados pela 
forma da inscrição, com natureza principal de constituição, ou excepcionalmente declaração de direitos (AGHIARIAN, 2014) 
Averbação: é o ato pertinente à modificaçãodo próprio registro, este como ato principal previsto na lei. Todo ato modificativo do 
status da propriedade ou do titular do domínio será objeto de averbação. 
Os atos encontram-se discriminados no art. 167, inciso II, item 1 a 16, em que se verifica a ideia de atos circunstantes à 
propriedade, sem, contudo, comprometer a qualidade do vínculo jurídico entre o sujeito e o bem jurídico. 
Via de regra, as averbações são subordinadas ao princípio da instância, ou seja, dependem de interesse e aprovação do 
interessado. 
Imagine a seguinte situação: Maria das Dores resolveu comprar um imóvel de José Carlos. Ao resolver 
realizar o contrato, Maria e José Carlos precisam realizar uma prenotação, que é um ato preparatório, 
antecipando o direito do titular na aquisição do imóvel. Contudo, após dois anos, aparece Carlos Henrique, 
alegando ser o dono do imóvel. No caso em questão, atribui-se o direito de propriedade exclusivo a Maria 
das Dores. 
Quanto ao outro, não se reconhece constituído direito real, pelo que lhe restará pretensão indenizatória, 
ferido o vínculo de limitada natureza obrigacional em face do alienante. Tal a segurança de efeitos que gera 
o ato de prenotação, que acuradamente o legislador da Lei de Registro Público, sob forma de “protocolo”, 
taxativamente determina que “todos os títulos tomarão, no Protocolo, o número de ordem que lhes 
competir em razão da sequência rigorosa de sua apresentação (art. 182 da Lei), determinando, ainda, 
exaustivamente que ainda em cada título reproduza “o número de ordem respectivo e a data de sua 
prenotação” (art. 183, da Lei). 
Fonte: Caso fictício, elaborado pela autora. 
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Averbação premonitória: com o acréscimo de uma nova figura normativa prevista no art. 615-A do Código de Processo Civil, o 
legislador previu, na fase de execuções, a possibilidade de uma averbação específica, quanto aos efeitos, o da publicidade em sede 
de execução, como se pode observar no que o mesmo dispõe: 
Art. 615-A. O exequente poderá, no ato da distribuição, obter certidão comprobatória do ajuizamento da 
execução, com identificação das partes e valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, 
registro de veículos ou registro de outros bens sujeitos à penhora ou arresto. 
Assim, a doutrina registral vem por ampliar possibilidades dessa útil figura de registro e mesmo os tribunais, com mais larga 
efetividade, acolhem sua eficácia prática no mundo do processo ou da preparação do processo. 
Prenotação: é um ato de natureza preparatória e eficácia cautelar, constituindo-se em um ato prévio. Pode-se dizer que tem 
natureza antecipativa do direito do titular na aquisição ou no direito sobre o bem, quando apresentado para registro, porque 
atribui preferência e exclusividade pela aquisição descrita. 
Lafayette Pereira (2012, p.12) entende a prenotação como 
Inscrição provisória das hipotecas que não podem ser inscritas senão depois da especialização. Provisória 
como ela é, vigora por um prazo curto. Este prazo é concebido para as diligências da especialização e 
consequente inscrição. A utilidade da prenotação consiste na virtude de retrotrair os efeitos da inscrição 
que se realiza dentro de seu prazo, à data da constituição da hipoteca. 
Importa na verificação de sua definição ver os elementos de consequência e segurança prévia, assim como de preferência, à época 
em que não se falava em registro, mas em inscrição e transcrição, à época em que inexistia um sistema registral civil pátrio. 
Do ato de prenotação decorrerão duas situações jurídicas, a primeira, a efetivação o registro com eficácia retroativa à data da 
prenotação. De outro lado, a segunda, existindo irregularidade ou imperfeição de ordem objetiva, no título apresentado, ou ainda, 
inexistindo elementos que se encontrem igualmente descritos na matrícula, surgirá a figura da exigência. 
Cancelamento: é o ato de extinção de registros e averbações. Sua natureza típica é de ato de averbação, jurídica desconstitutiva, 
dado que o cancelamento se processa através de averbação de cancelamento. 
Enquanto não cancelado, o registro produz todos os efeitos legais, não podendo o oficial cancelar a prenotação, ainda que se prove 
que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido, de acordo com o determinado no art. 252 da Lei de Registro Público. 
Já no caso de terceiros que se sintam prejudicado, é lícito, em juízo, fazer prova da extinção dos ônus, reais, e promover o 
cancelamento do seu registro, facultando assim, ingressar com o seu no álbum imobiliário ou proteger, de alguma forma justificada, 
sua propriedade (art. 253 da Lei de Registro Público). 
Para saber mais sobre as Leis que regem o funcionamento de todo o Direito brasileiro, acesse o site do 
Planalto ( http://www.planalto.gov.br ). Por ser um site do Governo Federal, ele é atualizado diariamente e 
contém todas as leis que já existiram e existem em nosso país. 
Fonte: a autora 
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http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.planalto.gov.br&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw14Rbc-zzoM0b8G21jXy6-_
COMPRA E VENDA 
Um dos atos típicos para a transferência e aquisição regular de domínio é a compra e venda. Ela se impõe pelos requisitos 
essenciais a todo ato essencial oneroso, que são as partes, objeto, preço e consentimento, materializado o assentimento sob forma 
solene, especificado no art. 108 do Código Civil. Caio Mário dispõe que o preço, a coisa e o consentimento como os chamados 
essentia negotti. 
A forma também é elemento essencial, visto que uma vez que o elemento inexiste não se chega ao direito de propriedade, já que o 
nosso sistema jurídico exige o registro do título no momento em que se atribui o caráter real do vínculo, sendo a propriedade a 
consequência. 
Indiscutivelmente é permitida a representação de uma ou de ambas as partes por procurador. Contudo, nesse caso os mandatos 
devem ser solenes, na forma de procuração por instrumento público e, nesse caso, sendo de bom alvitre assegurar-se o mais 
próximo à escrituração do ato principal, ou seja, se ainda se encontra válido ou se é autêntico o referido instrumento, mediante 
busca no cartório em que foi elaborado ou por expedição de via recente. 
A compra e venda, mesmo que em face do transmitente do domínio, exige o registro, nos termos da Lei nº 6.015/73. 
O Código Civil admite, como cláusulas próprias, negociais, do contrato de compra e venda, a cláusula de retrovenda, a de 
preempção e o pacto de melhor comprador, todas de caráter resolutivo, pois admitem a ocorrência de dado fato futuro e incerto, 
capaz de desfazer o negócio jurídico, em certo tempo, mesmo ao arbítrio exclusivo do antigo proprietário, sujeito da relação 
condicional. 
Em face da primeira cláusula citada, o vendedor poderá reaver o imóvel, restituindo o preço pago e demais despesas realizadas no 
bem, como benfeitorias úteis e necessárias, no prazo máximo de três anos, se do silêncio restar o termo, deferindo-se o caráter de 
definitividade (irretratável) após transcorridos os três anos. 
Pela segunda, se reserva em favor do alienante a preferência pela recompra do imóvel, em caso de alienação, por parte do então 
comprador, atual senhorio. Tal direito será exercido em igualdade de condições, às que forem obtidas na livre oferta, reservando- 
se, apenas, o direito a perdas e danos, o titular do direito de prelação, em caso de inobservância desse dever contratual. Com 
relação ao art. 519 do Código Civil, não se aplica à desapropriação o direito de preempção ou preferência, diante da tese 
administrativa, que logrou êxito nos tribunais, para a qual, independente da utilização que veio a merecer, integrando o patrimônio 
público mediante justa indenização ao expropriado, carece este, de direito subjetivo preferente, senão em igualdade de condiçõesa qualquer outro, em caso de alienação, o que se faria segundo a livre concorrência pública para obtenção da melhor vantagem em 
favor da administração. 
Por fim, o chamado Pacto Comissório é aquele no qual o vendedor poderá exigir que lhe pague o preço acertado, em caso de 
prestação de execução diferida (em execução continuada), ou ainda que se desfaça o negócio (art. 1.163, CC). 
Pela mesma lei se impõe a Cláusula de venda a contento, prevista no art. 509, do CC, considerada aplicável apenas a bens móveis, 
que se “classifica a dos gêneros, que se costuma provar, medir, pesar, ou experimentar antes de aceitos”, como direito potestativo, 
segundo Caio Mário. 
O vendedor, melhor conhecedor da coisa vendida e de sua extensão, é responsável pela correspondência da metragem quando 
enuncia área para a qual se vincula no momento da venda. Dessa feita, considera-se vício redibitório, capaz de anular ou legitimar a 
redução do preço quando a área entregue se apure menor que a divulgada para venda, ensejando a ação exempto, em favor do 
adquirente. Assim, dispõe o art. 500 do Código Civil: 
Se, na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida de extensão, ou se determinar a respectiva área, 
e esta não corresponder, em qualquer dos casos, às dimensões dadas, o comprador terá o direito de exigir o 
complemento da área, e, não sendo isso possível, o de reclamar a resolução do contrato ou abatimento 
proporcional ao preço. 
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§1º. Presume-se que a referência às dimensões foi simplesmente enunciativa, quando a diferença 
encontrada não exceder de um vigésimo da área total enunciada, ressalvado ao comprador o direito de 
provar que, em tais circunstâncias, não teria realizado o negócio. 
§2º. Se em vez de falta houver excesso, e o vendedor provar que tinha motivos para ignorar a medida exata 
da área vendida, caberá ao comprador, à sua escolha, completar o valor correspondente ao preço ou 
devolver o excesso. 
§3º. Não haverá complemento de área, nem devolução de excesso, se o imóvel for vendido como coisa certa 
e discriminada, tendo sido apenas enunciativa a referência às suas dimensões, ainda que não conste, de 
modo expresso, ter sido a venda ad corpus . 
Como modalidade de ação edilícia, a ação ex empto, como se pode inferir, legítima pretensão de complementação de área em 
compra e venda de imóvel, ad mensuram, na chamada compra de terreno ou de terra nua. Haja vista que não se conceberia 
complementação de área de imóvel construído. 
Em princípio, ao menos até a atual concepção geral dos doutrinadores, não se vislumbra imóvel edificado comprado a metro 
quadrado como passível de ensejar ação ex empto. 
Antes da criação do programa Minha Casa, Minha Vida, muitas pessoas dependiam de locação de imóveis para que pudessem ter 
um lugar para morar. 
Com a inserção do programa, muitas pessoas passaram a adquirir seu próprio imóvel, conquistando a tão sonhada casa própria. 
Contudo, em alguns casos, o vendedor poderá reaver o imóvel vendido. Para compreender melhor, analise o caso abaixo. 
Mario Borges, brasileiro, solteiro, resolveu comprar um imóvel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Encontrou um apartamento, 
bem localizado, no valor de R$ 450.000,00, o que considerou razoável e resolveu finalizar o negócio. Procurou o proprietário, 
Dário Silva, para finalizar o negócio. Pagou metade à vista e o resto financiou pelo Minha Casa, Minha Vida. Todavia, Dário resolve 
pedir o imóvel de volta, após 2 anos da realização da venda. No caso em questão, Mario deverá devolver o imóvel, já que o termo 
ajustado ainda não recebeu o caráter de definitividade. 
No caso de uma compra e venda o vendedor poderá reaver o imóvel, restituindo o preço pago e demais despesas realizadas no 
bem, como benfeitorias úteis e necessárias, no prazo máximo de três anos, caso o silêncio restar o termo, deferindo-se o caráter de 
definitividade depois de transcorridos os três anos. 
Pode-se observar que ao analisar uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, em que foi relator o Exmo. Sr. Ministro Sálvio de 
Figueiredo, evidencia a decisão sobre hipótese de retrovenda, em que o comprador se obrigou, no prazo de três anos, a edificar no 
terreno da alienante, o que não fez, ensejando o direito de reaver a coisa para si, mediante ajuizamento de ação ordinária 
cumulada com consignação pelo valor recebido da transação, sem prejuízo da atualização e das benfeitorias ressarcíveis (STJ, 4ª T., 
REsp. 89.560, 25.5.1998 apud José da Silva Pacheco, Direito Imobiliário 40/98, p. 943) 
Sempre foi tranquilo, entre os que cuidaram do assunto, o entendimento de que podiam o vendedor ou seus sucessores exigir do 
comprador ou de terceiros adquirentes o resgate ou retrato, mediante a restituição do preço e mais despesas feitas pelo 
comprador, quando no contrato de compra e venda tivesse sido estipulado o pacto de retrovenda. 
Se o comprador não acedesse em fazê-lo, espontaneamente, pela via convencional, poderiam o vendedor ou seus herdeiros 
demandar, judicialmente, com vista a obter de volta o imóvel, com a devolução do preço. 
Doação 
Pelo art. 538 do Código Civil, “considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio 
bens ou vantagens para o de outra, que os aceita”. Todavia, tal conceito deve ser aperfeiçoado no que diz respeitoa certeza de que 
se trata de ato negocial bilateral, por depender de aceitação, gracioso, porque se transfere o bem sem contraprestação e formal ou 
solene, se o objeto for bem imóvel. 
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Os eventuais encargos inerentes à aquisição não se compreendem como contraprestação por não terem valor de equivalência do 
próprio objeto do ato negocial. Por isso não se pode desfigurar a doação como gratuita, quando imputado ao donatário o 
pagamento do Imposto de Transmissão, escritura e registro, além da obtenção das certidões negativas. 
Admitem-se além dos encargos em benefício de terceiros, aceitos pelo donatário, outras limitações ao direito de propriedade 
impostas pelo doador, igualmente sob pena de reversão, como manter palmeiras, alimentar gatos da propriedade e tantos outros 
caprichos próprios da velhice solitária, ou mesmo cláusula de reversão, sobre-existindo vivo o doador ao donatário. 
Considerando o caráter gracioso da doação, até mesmo o nascituro poderá ser beneficiário nos termos do art. 538 do Código Civil. 
Entretanto, deve-se buscar obra clássica exclusiva quanto aos direitos reais, a fim de se revigorarem diversas hipóteses próprias de 
ilegitimidade para doação, assim como para aceitação ou em favor da concubina. 
No caso da doação, será que no Direito brasileiro poderia ser feita a mesma para um animal de estimação, 
como acontece em outros países? 
Fonte: a autora 
De acordo com o art. 548 do Código Civil, é vedada a doação de todo o patrimônio do doador, não sendo o caso, entretanto, se o 
doador desfazendo-se do seu único bem imóvel, ainda está amparado por rendas de quaisquer naturezas indisponíveis enquanto 
direito. 
Em duas situações a doação não mais se poderá reverter ou revogar. São elas: a) se a doação se revestir de caráter não liberatório 
puro, como em decorrência de acerto de algum negócio jurídico a que sirva de causa, sua natureza assumirá certo interesse em 
conflito; b) se alguém a título de doação outorga procuração para outra, autorizando-o a transferir ou receber certo bem, e lhe dá 
quitação, tal mandato assume natureza de “compra e venda”. 
Dação em Pagamento 
Considera-se uma das formas de extinção das obrigações a dação como forma de pagamento indireto, prevista no art. 356 do 
Código Civil, submetendo-se como forma regular de satisfação, e, ainda, modalidade específica negocial, uma vez que se admita 
que o devedor possa quitar sua obrigação entregando, em lugar de dinheiro

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