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W BA 00 45 _V 3. 0 PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL 2 Juliana Zantut Nutti Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2023 PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL 1ª edição 3 2023 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR Homepage: https://www.cogna.com.br/ Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Coordenador Giani Vendramel de Oliveira Revisor Neide Rodriguez Barea Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Nutti, Juliana Zantut Psicopedagogia institucional/ Juliana Zantut Nutti, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2023. 32 p. ISBN 978-65-5903-456-7 1. Escolar. 2. Hospitalar. 3. Empresarial. I. Título. CDD 370.115 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 010289/O N985p © 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Psicopedagogia Institucional Escolar ________________________ 07 Psicopedagogia Hospitalar __________________________________ 18 Psicopedagogia nas empresas e no terceiro setor (organizações não governamentais) ________________________________________ 28 A intervenção psicopedagógica e o Código de Ética __________ 38 PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL 5 Apresentação da disciplina A disciplina tem como principais temáticas as características das instituições, a psicopedagogia institucional escolar, a psicopedagogia hospitalar, a psicopedagogia empresarial e a psicopedagoga institucional no terceiro setor. Além disso, analisam-se as relações entre a ética e a Psicopedagogia Institucional. Seus principais objetivos são: • Identificar as características das instituições como espaços de atuação em psicopedagogia institucional. • Compreender o papel da psicopedagogia institucional nos contextos escolar, hospitalar e empresarial, e no terceiro setor. • Analisar propostas psicopedagógicas de intervenção em diversos espaços institucionais. • Conhecer as orientações éticas no contexto de atuação em psicopedagogia institucional. Para alcançar esses objetivos, a disciplina foi organizada em temas. No tema 1, analisam-se a instituição social e suas características e o trabalho do psicopedagogo na instituição escolar. No tema 2, aborda-se a atuação em psicopedagogia hospitalar. O tema 3, apresentam-se as características da atuação em psicopedagogia empresarial e no terceiro setor. 6 O quarto e último tema é dedicado às relações entre ética e atuação em psicopedagogia institucional. Esperamos que você possa aprender mais acerca dessas temáticas necessárias para a atuação em psicopedagogia institucional. Bons estudos! 7 Psicopedagogia Institucional Escolar Autoria: Juliana Zantut Nutti Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Analisar o conceito de instituição social como o local de atuação do psicopedagogo institucional. • Apresentar a psicopedagogia institucional e o seu enfoque preventivo. • Analisar os objetivos da atuação do psicopedagogo institucional no contexto escolar. 8 1. A instituição social e suas características Olá, estudante! Para falarmos da psicopedagogia institucional e seus âmbitos de atuação, como o contexto escolar, é primeiramente necessário compreender o que é uma instituição social. Segundo Luz (2003), a instituição ou organização é um sistema de atividades conscientemente coordenadas por duas ou mais pessoas. Não é fácil conceituar instituição, pois esse termo não se aplica, necessariamente, a eventos observáveis, sólidas e concretas o tempo todo. O conceito de instituição é produzido para se analisar fenômenos mais subjetivos do que objetivos. Os aspectos básicos de uma instituição são (Luz, 2003): • Ter uma estrutura de responsabilidades e deveres em que as tarefas são distribuídas entre os seus participantes; • Relações de papéis e de poder regularem os diversos subsistemas constituintes, que estão articulados entre si, tendo em vista os seus objetivos; • Haver um conjunto complexo de crenças, valores, pressupostos, símbolos, artefatos, conhecimentos e normas, padronizados e reproduzidos por meio da socialização; • Haver conflitos que podem ocorrer diante de divergência de valores, crenças e ideias dos membros, ou seja, acerca do que se considera a maneira correta de agir e de pensar. Todas as instituições têm uma cultura organizacional, que é o conjunto de atributos físicos e psicossociais da organização e que caracteriza o seu modo de ser e a sua identidade. A cultura organizacional estabelece uma rede de concepções, normas e valores que são tomados como certos e permanecem submersos na vida organizacional. 9 Figura 1 – Cultura organizacional Fonte: Freepik. As principais instituições sociais são a família, as instituições de ensino, as instituições religiosas, jurídicas, econômicas e políticas. Uma das instituições em que a psicopedagogia institucional é mais atuante é a instituição escolar. 2. A psicopedagogia institucional no contexto escolar A psicopedagogia nasceu na França, no final da década de 1940, pela criação de clínicas psicopedagógicas que atendiam crianças com dificuldades de aprendizagem em uma perspectiva médica. Aos poucos, o enfoque desse trabalho passou a ser pedagógico e psicológico, e esse trabalho se expandiu para outros países. No Brasil, a psicopedagogia chega na década de 1970, quando as dificuldades de aprendizagem eram associadas a uma disfunção neurológica denominada disfunção cerebral mínima (Bossa, 2000). 10 Segundo Fagali e Vale (2003), a psicopedagogia surgiu da necessidade de se compreender melhor os problemas de aprendizagem, refletindo a respeito das questões relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, psicomotor e afetivo, implícitos nas situações de aprendizagem. É uma área de conhecimento e atuação que estuda o processo de aprendizagem, as causas das dificuldades de aprendizagem, os padrões evolutivos normais e patologias, bem como a influência da família, da escola e da sociedade no desenvolvimento do conhecimento. A psicopedagogia passou de uma perspectiva puramente clínica e individual para uma compreensão mais integradora do processo de aprendizagem, e para uma atuação mais preventiva. O objeto de estudo da psicopedagogia, de forma sucinta, é o processo de aprendizagem e suas dificuldades, englobando e integrando vários conhecimentos em sua ação profissional, o qual deve ser entendido a partir dos enfoques preventivo e curativo. O enfoque preventivo tem como objeto a pessoa a ser educada, seus processos de desenvolvimento e aprendizagem e as alterações destes processos; não se restringe apenas à escola, mas também à família e à comunidade; e tem como objetivo esclarecer pais, professores e gestores a respeito das diferentes etapas do desenvolvimento humano, do processo de aprendizagem e suas dificuldades. Já o enfoque curativo considera como o objeto de estudo da psicopedagogia o diagnóstico e o tratamento de dificuldades de aprendizagem. A psicopedagogia institucionalescolar está direcionada para o enfoque preventivo, e a instituição em si e a sua rede de relações são os objetos de trabalho do psicopedagogo. Na perspectiva preventiva, busca-se desenvolver projetos pedagógicos, avaliações e planejamentos na educação sistemática e assistemática (Porto, 2011). Na escola, o psicopedagogo institucional atua no sentido de prevenir e amenizar as dificuldades de aprendizagem, a partir da análise das 11 práticas didático-metodológicas, orientando professores e pais. Faz diagnósticos na instituição para encontrar as possíveis causas para as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos, e entra com intervenções em relação às dificuldades encontradas por meio de oficinas e projetos pedagógicos. Além disso, trabalha com dados provindos da observação, de conversas casuais, entrevistas e análise de documentos, mantém contato com secretarias de educação, orientadores educacionais, especialistas em currículo, gestores, professores, e deve estar presente em reuniões e oficinas de trabalho pedagógico (Porto, 2011). Figura 2 – Entrevistas e orientações aos pais Fonte: Freepik. De acordo com Fagali e Vale (2003), o objetivo do trabalho do psicopedagogo institucional é estimular a reflexão e a criticidade na busca de superação dos obstáculos enfrentados, assegurando que a escola atue de forma integrada. Para isso, trabalha questões didáticas com os professores, a relação família e escola, planeja estratégias que possam superar as dificuldades encontradas, auxilia na revisão dos currículos, e elabora projetos pedagógicos gerais e específicos, entre outras intervenções. 12 Figura 3 – Orientação a docentes Fonte: Freepik. A psicopedagogia institucional tem um papel importante no auxílio das relações de ensino e aprendizagem, que é influenciada pelos alunos, professores e a comunidade escolar em geral, assim como as metodologias que são utilizadas no processo de ensino-aprendizagem. Para compreender as diferenças e aproveitar o potencial de todos, é necessário minimizar ou até superar as dificuldades identificadas no contexto da instituição. Dessa forma, o psicopedagogo institucional deverá compreender a cultura da instituição e a forma como o grupo interage entre si. Considerando o trabalho na instituição escolar, identificam-se dois tipos de trabalhos psicopedagógicos: • Atuação com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem: incluir e readaptar o aluno à situação de sala de aula, possibilitando o respeito às suas necessidades e ritmos. Acompanhar e supervisionar os trabalhos, envolvendo mais a instituição na problemática da aprendizagem escolar e capacitando a equipe docente. • Assessoria psicopedagógica: desenvolvimento de assessorias para pedagogos, orientadores e professores das instituições de ensino. Tem como objetivo trabalhar as questões pertinentes às 13 relações vinculares professor-aluno e redefinir os procedimentos pedagógicos, integrando o afetivo e cognitivo, por meio da aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do conhecimento. Fagali e Vale (2003) descrevem que o aperfeiçoamento das construções pedagógicas pode ser feito mediante: Figura 4 – Atuações do psicopedagogo institucional escolar Fonte: adaptada de Fagali e Vale (2003). O psicopedagogo na instituição escolar poderá auxiliar na elaboração do projeto pedagógico, orientar os professores a respeito da forma de ajudar o aluno com dificuldades de aprendizagem, fazer um diagnóstico institucional para averiguar possíveis problemas pedagógicos que possam estar prejudicando o processo de ensino-aprendizagem, encaminhar alunos para avaliação de profissionais clínicos (psicopedagogo clínico, psicólogo e fonoaudiólogo), e orientar os pais de alunos com dificuldades de aprendizagem, entre outras atividades. De acordo com Campanholo e Marquezan (2019), o psicopedagogo institucional deve ter conhecimentos específicos em diversas especialidades, como compreender os transtornos comportamentais mentais e psicológicos, e questões sociais que afetam a aprendizagem, especialmente o funcionamento do ambiente e as características da 14 escola como um todo. Para que os profissionais possam desenvolver melhor seu trabalho, é necessário ter uma visão holística do ambiente da criança. Uma de suas principais tarefas é a coleta de informações de alunos com dificuldades de aprendizagem em ambientes escolares, e sua prática mais efetiva é realizar avaliações psicopedagógicas e fornecer um relato fiel e completo do aluno. Porto (2011) afirma que há necessidade de que se desenvolvam projetos voltados para a formação continuada dos docentes e para o desenvolvimento dos alunos, o que pode levar a uma de suas possibilidades mais importantes da atuação psicopedagógica escolar: a contribuição para o desenvolvimento da formação da comunidade escolar. O trabalho psicopedagógico na instituição escolar pode auxiliar no desenvolvimento da autonomia do professor, na reflexão a respeito da sua postura diante da ação pedagógica e na sua autoria de pensamento. Para a realização do trabalho, é necessário que o psicopedagogo conheça as teorias que fazem referência ao pensamento da criança e do jovem, de como interagem com o meio à sua volta e de que maneira constroem conhecimentos, como no caso da abordagem socioconstrutivista. Segundo Soares e Sena (2019), o psicopedagogo institucional deve analisar o projeto político-pedagógico, sobretudo as suas propostas de ensino e o que é valorizado como aprendizagem. O psicopedagogo da instituição escolar deverá observar eventuais perturbações no processo aprendizagem dos alunos, participar da dinâmica da comunidade educativa e promover orientações metodológicas de ensino, de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo. Deve, ainda, participar da elaboração de planos e projetos teórico/práticos das políticas educacionais, auxiliando professores, diretores e coordenadores a repensar o papel da escola e analisar as necessidades individuais de aprendizagem da criança (Bossa, 2000). 15 2.1 O psicopedagogo institucional e a gestão educacional Segundo Teixeira (2015), a importância da psicopedagogia institucional na escola se consolida quando esse profissional consegue olhar e escutar com a devida atenção um grupo de pessoas que faça parte da instituição/escola. Neste sentido, a atuação deste profissional, em parceria com a equipe de gestão educacional, contribui para que a escola compreenda as suas dificuldades e se organize para trabalhar em conjunto, com o objetivo de superá-las e/ou minimizá-las. O envolvimento e o comprometimento do psicopedagogo institucional, da gestão educacional e da comunidade escolar são imprescindíveis para que isso ocorra. Em colaboração com a equipe de gestão educacional, o psicopedagogo deverá contribuir para que a instituição melhore o processo de ensino por meio de trabalhos envolvendo aprendizagens colaborativas e da promoção de formação para os professores, entre outras atividades. 2.2 O psicopedagogo institucional e o planejamento escolar No planejamento escolar, o psicopedagogo institucional deverá auxiliar na reflexão acerca das ações pedagógicas e suas interferências no processo de aprendizagem dos alunos. O planejamento é uma mediação teórica metodológica para ação consciente e intencional e tem como finalidade fazer algo vir à tona, acontecer e se concretizar, sendo necessário estabelecer condições objetivas e subjetivas para o seu desenvolvimento. As escolas devem traçar uma proposta de intervenção que seja capaz de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem dos alunos, sendo, assim, importante que o psicopedagogo institucional se concentre na observação e análise de uma situação concreta, não somente identificando as possíveis perturbações no processo 16 de aprendizagem, mas orientando os procedimentos didáticos e metodológicas de acordo com as características dosindivíduos e grupos (Soares; Sena, 2019). A melhoria do processo da aprendizagem e a minimização das dificuldades em relação ao rendimento escolar fazem parte do trabalho da psicopedagogia institucional não somente nas escolas, mas também em outras instituições. Em síntese, a atuação e intervenção em psicopedagogia institucional na escola está voltada para: Figura 5 – Atuação e intervenção em psicopedagogia institucional escolar Fonte: adaptada de Bossa (2000). 17 Neste sentido, o psicopedagogo institucional tem um papel importante e uma atuação multifacetada no contexto escolar. Referências BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil. Contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artmed, 2000. CAMPANHOLO, C.; MARQUEZAN, F. F. A Atuação do psicopedagogo na escola: um estudo do tipo estado do conhecimento. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 36, n. 111, p. 341-351, dez. 2019. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862019000400009&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 24 jun. 2023. FAGALI, E. Q.; VALE, Z. D. R. Psicopedagogia Institucional aplicada: aprendizagem escolar dinâmica e construção na sala de aula. 8. ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2003. LUZ, R. S. Gestão do Clima Organizacional: Proposta de critérios para metodologia de diagnóstico, mensuração e melhoria. 2003. 182 f. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Gestão). Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2003. Disponível em: http://paginapessoal.utfpr.edu.br/leonardotonon/especializacao/ arquivos-gerais/Aula%203%20-%20Dissertacao%20Ricardo%20Luz.pdf. Acesso em: 24 jun. 2023. PORTO, O. Psicopedagogia Institucional: teoria, prática e assessoramento psicopedagógico. Rio de Janeiro: Wak, 2011. SOARES, M.; SENA, C. C. B. A contribuição do psicopedagogo no contexto escolar. Disponível em: http://maratavarespsictics.pbworks.com/w/file/fetch/74460590/126- 130624014932-phpapp01.pdf. Acesso em: 24 jun. 2023. TEIXEIRA, C. T. A Atuação psicopedagógica na instituição escolar em colaboração a gestão educacional. EDUCERE PUC–PR, 2015. Disponível em https://docplayer.com. br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a- gestao-educacional.html. Acesso em: 24 jun. 2023. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862019000400009&lng=pt&nrm=iso http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862019000400009&lng=pt&nrm=iso http://paginapessoal.utfpr.edu.br/leonardotonon/especializacao/arquivos-gerais/Aula%203%20-%20Disser http://paginapessoal.utfpr.edu.br/leonardotonon/especializacao/arquivos-gerais/Aula%203%20-%20Disser http://maratavarespsictics.pbworks.com/w/file/fetch/74460590/126-130624014932-phpapp01.pdf http://maratavarespsictics.pbworks.com/w/file/fetch/74460590/126-130624014932-phpapp01.pdf https://docplayer.com.br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a- https://docplayer.com.br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a- https://docplayer.com.br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a- 18 Psicopedagogia Hospitalar Autoria: Juliana Zantut Nutti Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Conhecer a psicopedagogia hospitalar como uma das alternativas de trabalho do psicopedagogo institucional. • Analisar as classes hospitalares e a relação da atuação de pedagogos e psicopedagogos nesse contexto. • Apresentar a organização da brinquedoteca hospitalar como uma das possibilidades de intervenção do psicopedagogo no hospital. 19 1. A atuação do psicopedagogo hospitalar A psicopedagogia hospitalar tem, de modo geral, o objetivo de auxiliar no desenvolvimento cognitivo e educacional, atuando de forma preventiva e interativa e mobilizando a construção de um ambiente adequado para a recuperação do paciente, especialmente, da criança, que se torna vulnerável no processo de hospitalização. De acordo com Chaves (2004, [s. p.]): A criança diante da hospitalização pode apresentar sentimentos como medo, sensação de abandono, sensação de punição, que podem desencadear mais sofrimento e dificuldade de intervenção para a equipe. Tudo isso ocorre ao mesmo tempo, mas com intensidades diferentes em cada criança, dependendo da idade, situação psicológica afetiva, rotinas hospitalares, motivo e duração da internação. Sendo essas condições determinam um maior ou menor comprometimento com o tratamento. Portanto, a hospitalização pode acarretar, especialmente à criança, problemas em seu desenvolvimento, dos quais muitos podem ser prevenidos e/ou remediados pela atuação em psicopedagogia hospitalar. As remediações geralmente são de natureza emocional (como ansiedade e depressão), cognitiva (como dificuldades de aprendizagem) e motivacional (como a autoestima negativa). A enfermidade afeta as interações da criança com o ambiente físico e social em que vive e, por sua vez, os aspectos do ambiente são alterados como consequência da enfermidade. Para Maluf (2007), a psicopedagogia hospitalar atua com avaliações e intervenções no contexto de saúde, considerando o processo de aprendizagem, o desenvolvimento e o uso de competências físicas, mentais e emocionais. É um modo de intervenção institucional que leva em conta atividades diferenciadas, como as apresentadas no Quadro 1. 20 Quadro 1 – Ações do psicopedagogo hospitalar Fonte: adaptado de Maluf (2007). Além disso, o psicopedagogo no contexto hospitalar poderá: • Integrar equipes multidisciplinares, colaborando com outros profissionais, orientando seu procedimento no trato com o paciente e sua família; • Elaborar diagnósticos das condições de aprendizagem das pessoas internadas; • Adaptar os recursos psicopedagógicos para o contexto da saúde; • Elaborar programas terapêuticos de ensino/aprendizagem nas situações em que as pessoas estejam com as suas capacidades adaptativas diminuídas por razões de saúde; • Elaborar e aplicar programas comunitários de prevenção de comportamentos de risco e de promoção de comportamentos saudáveis; • Criar e desenvolver métodos e programas psicopedagógicos em contextos de reabilitação psicossocial, para pessoas em recuperação de doença; 21 • Elaborar relatórios de condições terapêuticas de ensino/ aprendizagem e outras comunicações. Cabe ao psicopedagogo colocar em prática e ação todo o conhecimento que obteve nessa função de promovedor de benefícios e realização de tarefas que envolvam a aprendizagem e o conhecimento. Figura 1 – Assessoria aos familiares Fonte: Freepik. 1.1 Classes hospitalares Um dos principais trabalhos do psicopedagogo hospitalar é promover a continuidade dos estudos dos estudantes hospitalizados, mediante o trabalho conjunto com o pedagogo nas chamadas classes hospitalares. As classes hospitalares são ambientes projetados com o propósito de favorecer o desenvolvimento da aprendizagem e a continuidade dos estudos para crianças e jovens no âmbito da educação básica internados em unidades hospitalares. Segundo Porto (2008), a classe hospitalar tem o objetivo de garantir que crianças e adolescentes hospitalizados deem continuidade ao estudo dos conteúdos regulares, o que viabiliza um retorno pós alta sem tantos prejuízos à sua formação. E, nesse sentido, o profissional 22 de psicopedagogia atua na assessoria aos pedagogos que exercem as atividades nas classes hospitalares. De acordo com o Ministério da Educação (Brasil, 2002), o alunado das classes hospitalares é composto por estudantes com condições de saúde que exigem cuidados constantes, os quais impedem a sua frequência na instituição escolar, de forma temporária ou permanente. Deve ser uma sala que permita o desenvolvimento de atividades pedagógicas, com mobiliário adequado e uma bancada com pia, além de instalações sanitárias suficientes e adaptadas e, se possível, espaço ao ar livre adequado para atividades físicas e ludopedagógicas. Caso o estudante não possa ser retiradodo leito, o atendimento educacional pode ser desenvolvido no quarto, se necessário. Nas classes hospitalares, sempre que possível, devem estar disponibilizados recursos audiovisuais, como computador em rede, televisão, aparelho de som e demais equipamentos e recursos didáticos. Figura 2 – Classe hospitalar Fonte: http://www.portaldaeducacao.recife.pe.gov.br/sites/default/files/imagem_noticia_ geral/classe_hospitalar.jpg. Acesso em: 23 ago. 2023. http://www.portaldaeducacao.recife.pe.gov.br/sites/default/files/imagem_noticia_geral/classe_hospita http://www.portaldaeducacao.recife.pe.gov.br/sites/default/files/imagem_noticia_geral/classe_hospita 23 A intervenção psicopedagógica realizada na classe hospitalar visa garantir os direitos básicos do ser humano, como o direito à saúde, à educação e à cidadania, buscando o desenvolvimento integral do indivíduo (Brasil, 2002). Além do trabalho nas classes hospitalares, a psicopedagogia hospitalar traz como proposta o uso de atividades lúdicas no espaço hospitalar como forma de lidar com as demandas dos pacientes internados. De acordo com Pereira (2015), o atendimento psicopedagógico se dá mediante a necessidade de os estudantes hospitalizados terem apoio pedagógico e psicopedagógico no decorrer de sua permanência no ambiente hospitalar, proporcionando atendimento que envolva as dimensões cognitiva, socioafetiva e emocional e o desenvolvimento de atividades de estimulação sensorial, motora e perceptiva. 1.2 Brinquedotecas hospitalares Uma das atividades que o psicopedagogo hospitalar pode realizar é a organização e manutenção de brinquedoteca hospitalar. Diante de sua formação como um especialista no processo de aprendizagem, e com os conhecimentos acerca da importância do lúdico no desenvolvimento integral, o psicopedagogo pode atuar nessa perspectiva. Brinquedoteca são os espaços organizados para que as crianças brinquem, e podem ser inseridos em diferentes tipos de instituições como escolas, hospitais, centros de lazer, consultórios médicos, odontológicos e universidades (Carneiro, 2015). Segundo Porto (2008), as brinquedotecas são espaços divididos em cantos tematizados que permitem desenvolver a fantasia das crianças. A brinquedoteca tem como objetivo específico a socialização, a interação e a promoção do contato da criança com o lúdico, além da aprendizagem pelo brincar, e nesse contexto pode-se construir a noção espaço-tempo e estruturas lógico-matemáticas. 24 Figura 3 – Brinquedoteca fixa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq–FM–USP) Fonte: https://imagens.usp.br/wp-content/uploads/2010/03/2.jpg. Acesso em: 23 ago. 2023. As brinquedotecas hospitalares podem ser fixas, funcionando em uma sala específica, e/ou móveis, para serem levadas até as crianças que não podem ser retiradas do leito. Figura 4 – Brinquedotecas móveis Fonte: http://200.198.6.35/images/stories/fotos_jornalismo/brinquedoteca-servas-2.jpg. Acesso em: 23 ago. 2023. https://imagens.usp.br/wp-content/uploads/2010/03/2.jpg http://200.198.6.35/images/stories/fotos_jornalismo/brinquedoteca-servas-2.jpg 25 Os brinquedos são classificados de diversas formas, como por áreas do conhecimento: primeira infância, descoberta da personalidade, jogos interativos, esportivos, socialização, jogos de tabuleiro, dentre outros. Quadro 2 – Classificação de brinquedos Fonte: adaptado de Carneiro (2015). O ambiente da brinquedoteca deve ser acolhedor, limpo e arrumado ao final de cada sessão; bem iluminado, com brinquedos classificados de acordo com as idades, com música ambiente calma; colorido e com decorações do universo infantil (personagens e ilustrações). De acordo com Carneiro (2015), nem todo espaço se presta ao funcionamento de uma brinquedoteca, portanto, é necessário enfatizar que esse espaço vai além de um conjunto organizado de brinquedos, e deverá proporcionar o divertimento e a relação entre as crianças e adultos, favorecendo a aprendizagem, a exploração de materiais, a descoberta de coisas novas, a criatividade e a fantasia, o que demonstra a relevância da sua adequação e qualidade. 26 Para Carneiro (2015), brinquedotecas favorecem a recuperação da criança e a expressão de suas experiências com os problemas de saúde, e possibilitam a exteriorização e a solução dos afetos. 1.3 Contribuições da psicopedagogia hospitalar As contribuições da psicopedagogia hospitalar, de acordo com Maluf (2007), se dão pela atuação com questões ligadas à ansiedade, baixa autoestima e depressões, e na minimização dos prejuízos no processo de aprendizagem da pessoa hospitalizada, facilitando o desenvolvimento de uma relação mais saudável desse indivíduo com o seu meio. A enfermidade tende a afetar as interações da criança com o ambiente físico e social em que vive e, por sua vez, os aspectos do ambiente são alterados como consequência da enfermidade. Assim, a capacidade de conhecer sua nova situação e gerenciá-la de modo otimista, produtiva e saudável fará diferença na realização do indivíduo, especialmente aquele que é hospitalizado por longos períodos. Segundo Maluf (2007), a intervenção psicopedagógica, no caso da criança hospitalizada, cria um mecanismo de proteção que pode neutralizar as adversidades inerentes à condição de enfermidade e hospitalização, e facilita o desencadeamento do processo de resiliência, que consiste na habilidade de superar o efeito das adversidades e do estresse no curso do desenvolvimento. A escola e a aquisição de novos conhecimentos são, para a criança, formas de ser inserida e reconhecida no meio social, necessários para sua avaliação como pessoa. Logo, a psicopedagogia é fundamental ao paciente hospitalizado para manter os laços com os conhecimentos básicos e desenvolver as competências de natureza psicossocial que, em virtude da internação, são bruscamente interrompidos e, por vezes, por longos períodos, alterando sua autoimagem e autoestima e as suas possibilidades de voltar a se inserir no mundo escolar. 27 Em síntese, a psicopedagogia hospitalar atua com avaliações e intervenções no contexto de saúde, considerando o processo de aprendizagem, o desenvolvimento e o uso de competências físicas, mentais e emocionais, e as principais contribuições dessa área a psicopedagogia estão relacionadas à diminuição da ansiedade, ao aumento da autoestima e à redução dos prejuízos no processo de aprendizagem de estudantes hospitalizados (Maluf, 2007). Referências BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações. Brasília: MEC; SEESP, 2002. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/livro9.pdf. Acesso em: 2 jul. 2023. CARNEIRO, M. A. B. Brinquedoteca: um espaço interessante para favorecer o desenvolvimento da criança. 2015. Laboratório de Brinquedos – Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar – PUC/SP – Publicações. Disponível em: http://www4.pucsp.br/ educacao/brinquedoteca/downloads/brinquedoteca.pdf. Acesso em: 2 jul. 2023. CHAVES, P. C. Projeto brinquedoteca hospitalar Nosso Cantinho: relato de experiência de brincar. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 2., 2004, Belo Horizonte. Anais […]. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2004. https://www.ufmg.br/congrext/Saude/Saude150.pdf. Acesso em: 2 jul. 2023. MALUF, M. I. Psicopedagogia hospitalar: por que e para quem? Construção Psicopedagógica, São Paulo, v. 15, n. 12, p. 7–26, dez. 2007. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415- 69542007001100002&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 2 jul. 2023. PEREIRA, W. L. Psicopedagogia Hospitalar: um olhar humanizado a crianças hospitalizadas. Monografia (Bacharelado em Psicopedagogia) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2015. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/ jspui/bitstream/123456789/3015/1/WLP06042015.pdf.Acesso em: 2 jul. 2023. PORTO, O. Psicopedagogia Hospitalar. Rio de Janeiro: Wak, 2008. http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/livro9.pdf http://www4.pucsp.br/educacao/brinquedoteca/downloads/brinquedoteca.pdf http://www4.pucsp.br/educacao/brinquedoteca/downloads/brinquedoteca.pdf https://www.ufmg.br/congrext/Saude/Saude150.pdf http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542007001100002&lng=pt&nrm=iso http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542007001100002&lng=pt&nrm=iso https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/3015/1/WLP06042015.pdf https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/3015/1/WLP06042015.pdf 28 Psicopedagogia nas empresas e no terceiro setor (organizações não governamentais) Autoria: Juliana Zantut Nutti Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Apresentar a psicopedagogia empresarial, conceitos e possiblidades de atuação. • Apresentar conceitos e práticas do psicopedagogo institucional no terceiro setor, especialmente em organizações não governamentais (ONG). • Analisar o papel do psicopedagogo como um agente de promoção de resiliência 29 1. A psicopedagogia empresarial As empresas vivem em constante transformações, as quais geralmente levam a pressões para a ampliação de seu desempenho. O aumento do uso de tecnologias no trabalho exige que os funcionários se capacitem continuamente, a fim de acompanhar as inovações. Há, ainda, um crescente interesse pelo processo de ensino e aprendizagem no contexto organizacional, devido ao fato de que aprender é essencial para a sobrevivência das empresas em um contexto competitivo e dinâmico. Nessa perspectiva, o psicopedagogo empresarial é o profissional que contribui para a gestão da aprendizagem individual e organizacional, propondo soluções e prevenindo problemas relacionados à aprendizagem que ocorre nas empresas. A psicopedagogia empresarial, assim, contribui para a gestão do processo de ensino e aprendizagem de pessoas e da organização. O psicopedagogo empresarial pode ainda atuar na formação profissional, no desenvolvimento profissional e nos programas de treinamento de pessoal. O psicopedagogo empresarial deverá lidar com o processo de aprendizagem e as suas dificuldades, integrando vários campos do conhecimento, em conjunto com outros profissionais que atuam nas empresas. Poderá atuar, também, no gerenciamento dos conflitos, principalmente os oriundos de insuficiente formação acadêmica e da influência familiar e social. O psicopedagogo pode atuar em três áreas distintas e complementares: 30 Figura 1 – Áreas de atuação do psicopedagogo empresarial Fonte: adaptada de Nascimento (2008). Em cada uma das etapas, o psicopedagogo precisará atuar de forma diferenciada, levando em consideração elementos fundamentais, como os objetivos organizacionais, a cultura e o clima organizacionais, pois se modificam ao longo do tempo. A partir de estudos a respeito da organização, o psicopedagogo deverá selecionar o conteúdo para a capacitação, objetivando o contínuo desenvolvimento pessoal e profissional dos funcionários. As atividades realizadas implicam a identificação e o mapeamento dos processos cognitivos, de modo que o treinamento e o desenvolvimento sejam efetivos e ofereçam vantagens para a organização. Figura 2 – Capacitações nas empresas Fonte: Freepik. 31 Segundo Fagali (2010), o psicopedagogo deverá utilizar metodologias específicas, como estágio, oferecimento de cursos, seminários e visitas técnicas, e utilizar metodologias como a exposição oral, o debate, os estudos de caso e as dramatizações. A capacitação e o desenvolvimento podem ser feitos no modelo tradicional, em sala de aula, dentro da organização, trabalhando os fundamentos e conceitos teóricos. Pode haver, também, capacitações mais inovadoras e dinâmicas, com um foco no desenvolvimento emocional, comportamental e atitudinal dos funcionários. Em relação aos programas de estágio, o psicopedagogo pode fazer o acompanhamento dos estagiários, trainees e jovens aprendizes de forma que sejam preparados para uma efetivação ou para o ingresso no mercado de trabalho (Bengezen, 2015). Na seleção de pessoal, o psicopedagogo pode colaborar no processo de escolha do candidato mais apto para preencher as vagas de trabalho disponíveis e, nesse caso, deverá conhecer o perfil do candidato interessado na vaga, sua formação, questões de relacionamento social, emocionais, capacidade de trabalhar em equipe e de liderar, entre outros fatores. A participação do psicopedagogo no processo de seleção pode contribuir para a escolha de sistemas de avaliação pertinentes ao mercado ou a elaboração de instrumentos específicos, como o uso de jogos de estratégias. No acolhimento ao novo funcionário, o psicopedagogo poderá participar de projetos de socialização profissional de forma a facilitar a sua integração na organização (Fontava, 2005). Fontava (2005) ainda recomenda que o psicopedagogo que atua na área de recursos humanos tenha uma formação complementar, para obter os conhecimentos a respeito dos processos de trabalho da empresa, dos conceitos fundamentais da gestão de pessoas, da criação e utilização de recursos tecnológicos, da gestão do conhecimento, da liderança e da gestão de mudanças, entre outros. 32 Apesar da atuação do psicopedagogo em empresas ainda ser incipiente no Brasil, há um grande potencial e muitos interessados em atuar nessa área. 2. Psicopedagogia institucional em organizações não governamentais O trabalho do psicopedagogo institucional no terceiro setor, especialmente em ONG, está relacionado às características da atuação na modalidade de educação não formal. Entende-se por educação não formal aquela que se dá por meio do compartilhamento de experiências, em espaços e ações coletivos e de forma cotidiana, em contraponto à educação formal, desenvolvida em escolas regulares, e à educação informal, aquela que envolve os processos de socialização na família e na comunidade (Gohn, 2006). A educação não formal designa um processo com várias dimensões, como se vê no quadro a seguir: Quadro 1 – Dimensões da educação não formal Fonte: adaptado de Gohn (2006). 33 O psicopedagogo que atua em ONG, no contexto da educação não formal, pode desenvolver atividades de intervenção por meio de estratégias e conteúdos educativos, atuando de forma interdisciplinar com pedagogos, assistentes sociais e instrutores de atividades ocupacionais, a fim de auxiliar na resolução de problemas coletivos, na prevenção de problemas de aprendizagem e na garantia de direitos individuais e comunitários. 2.1 A atuação psicopedagógica voltada à terceira idade De acordo com Barboza e Wisniewski (2017), a psicopedagogia é a área do conhecimento com recursos capazes de prevenir e minimizar os efeitos do declínio de capacidades cognitivas, melhorando a condição de aprendizagem do ser em envelhecimento, e de fortalecer a crença no poder de aprendizagem que cada idoso apresenta, ajudando na construção da autoimagem e da autoestima adequadas. Nesse contexto, cabe ao psicopedagogo e à equipe multiprofissional empreender a mediação e assessoria aos idosos com propostas que podem ser utilizadas com esse público. Figura 3 – Psicopedagogia voltada para a terceira idade Fonte: Freepik. 34 O psicopedagogo pode atuar nos ajustes a serem feitos para que o idoso seja capaz de recuperar a sua capacidade produtiva e criadora, como nos jogos de xadrez, palavras cruzadas, recordação de fatos do dia a dia e aprendizagem de novas habilidades, como o uso do computador, aulas de pintura e de música. A ação psicopedagógica é importante na mediação entre o idoso e a construção e reconstrução do conhecimento, assim como a inclusão do idoso nos grupos de convivência. 2.2 A atuação psicopedagógica em unidades de medidas socioeducativas Tavares, Carvalho e Silva (2016) procuram compreender a relevância da atuação interdisciplinare o papel do psicopedagogo em um serviço de medidas socioeducativas em meio aberto com adolescentes e jovens em recuperação. As autoras afirmam que o psicopedagogo é um profissional que pode ajudar a entender melhor as questões sociais, políticas, culturais e emocionais que interferem no desenvolvimento do sujeito, na sua aprendizagem e na relação com o conhecimento. O serviço, que tem como público-alvo adolescentes, jovens e suas famílias, requer que os profissionais sejam habilitados a observar demandas trazidas pelos atendidos, “propiciando diálogo, reflexão e encaminhamento para a efetivação de metas e objetivos estabelecidos entre o técnico, o adolescente/jovem e sua família a fim de cumprir a medida socioeducativa imposta” (Tavares; Carvalho; Silva, 2016, p. 2). A atuação do psicopedagogo é fundamental em um serviço de medidas socioeducativas em meio aberto, já que o profissional utiliza diagnósticos, faz acompanhamento e possíveis intervenções na aprendizagem dos indivíduos oriundas de sua história de vida e contexto familiar, social e cultural, assim como traz possibilidades de novos aprendizados e de novas vivências. 35 2.3 A psicopedagogia e a promoção da resiliência Resiliência é um termo emprestado da física e se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais de resistirem a choques ou outros tipos de pressão e depois voltarem ao estado normal, como o aço inoxidável. Na psicologia, este conceito foi reinterpretado e significa a capacidade que uma pessoa tem de, ao passar por uma situação muito grave e dolorosa, seja em grupo ou de forma individual, conseguir se sair bem e retornar ao seu estado anterior sem muita dificuldade. Assim, pessoas resilientes conseguem superar as dificuldades da vida sem se desesperar ou tomar atitudes impensadas. Conseguem buscar soluções de maneira ativa para as suas dificuldades, mesmo sob enorme pressão psicológica (Sampaio, 2005). Não existe uma relação direta entre a resiliência e o nível socioeconômico ou intelectual. Existem três tipos de resiliência, de acordo com Garcia (2001), que são descritas no quadro a seguir: Quadro 2 – Tipos de resiliência Fonte: adaptado de Garcia (2001). 36 A resiliência pode ser desenvolvida desde a infância e quem ajuda a desenvolvê-la é chamado de promotor de resiliência. O psicopedagogo é considerado um promotor de resiliência pois, segundo Sampaio (2005), ajuda o indivíduo a desenvolver autonomia e independência, novas maneiras de resolver situações, de lidar com frustrações e de desenvolver a criatividade, aceitando e respeitando a si próprio e aos demais. Ainda, o psicopedagogo, ao criar um contexto lúdico, pode proporcionar a reestruturação e reelaboração cognitiva e afetiva, buscando o entendimento e a superação da situação conflitante, provocando a melhora no rendimento escolar. O psicopedagogo deve estar atento para as situações que incomodam a criança e desenvolver um projeto de boa convivência em que se respeitam as diferenças. Deve também desenvolver práticas educativas lúdicas, rodas de conversas, debates, dinâmicas de grupo, relatos de experiência, apreciação de filmes com conteúdo motivador e outras atividades que podem auxiliar a promover a resiliência. As situações do cotidiano que envolvem a resiliência, especialmente, nos contextos educacionais, são as doenças graves de membros da comunidade escolar; as situações gerais de violência e insegurança; casos de suicídio; uso de drogas; situações de bullying; inclusão de pessoas com deficiências e com distúrbios de aprendizagem. Em síntese, vimos que na psicopedagogia empresarial o profissional contribui na administração da aprendizagem, no diagnóstico e na intervenção em problemas relacionados à aprendizagem de indivíduos e da própria organização, e o psicopedagogo empresarial pode atuar na formação profissional, no desenvolvimento profissional e nos programas de treinamento de pessoal. A respeito da psicopedagogia institucional em ONG, os objetivos da educação não formal são a base para a atuação do psicopedagogo nesses contextos. Também analisamos como o psicopedagogo atua como promotor de resiliência e a importância do desenvolvimento dessa capacidade em contextos educacionais. 37 Referências BARBOZA, V. M.; WISNIEWSKI, M. S. W. A psicopedagogia e a aprendizagem em idosos. Perspectiva, Erechim, v. 41, n.156, p. 29–38, dez. 2017. Disponível em: http://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/156_676.pdf. Acesso em: 22 ago. 2023. BENGEZEN, F. S. O psicopedagogo inserido na organização ligado ao setor de recursos humanos. RH Portal, 2015. Disponível em: https://www.rhportal.com.br/ artigos-rh/psicopedagogo-inserido-no-setor-de-recursos-humanos/. Acesso em: 23 ago. 2023. GARCIA, I. Vulnerabilidade e resiliência. Adolescência Latino-americana, 2001, n. 2, p. 128–130. GOHN, M. G. Educação Não Formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Revista Ensaio: Avaliação de Políticas Públicas Educacionais, Rio de Janeiro, v. 14, n. 50, p. 27–38, jan./mar. 2006. Disponível em: http://www. scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405/. Acesso em: 11 jul. 2023. FAGALI, E. Q. Atuação psicopedagógica na empresa. 2010. Disponível em: https:// pt.scribd.com/document/77153913/ATUACAO-PSICOPEDAGOGICA-NA-EMPRESA. Acesso em: 11 jul. 2023. FONTAVA, F. M. O psicopedagogo na área de recursos humanos das organizações. In: IGEA, R. et al. Presente e futuro do trabalho psicopedagógico. Porto Alegre: ArtMed, 2005. NASCIMENTO, C. T. do. A psicopedagogia e a aprendizagem organizacional: a importância da gestão do conhecimento na administração de recursos humanos. [s. l.], 2008. SAMPAIO, S. A psicopedagogia como promovedora de resiliência. Psicopedagogia Brasil, 5 jul. 2005. Disponível em: https://www.psicopedagogiabrasil.com.br/em- branco-chwu. Acesso em: 11 jul. 2023. TAVARES, D. E.; CARVALHO, E. G. A.; SILVA, T. B. A atuação interdisciplinar do psicopedagogo nos serviços de medidas socioeducativas em meio aberto e no trabalho com os adolescentes e jovens em conflito com a lei. Revista Interdisciplinaridade, n. 9. 2016. PUC–SP. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/ index.php/interdisciplinaridade/article/view/29786. Acesso em: 11 jul. 2023. http://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/156_676.pdf. https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/psicopedagogo-inserido-no-setor-de-recursos-humanos/ https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/psicopedagogo-inserido-no-setor-de-recursos-humanos/ http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405/ http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405/ https://pt.scribd.com/document/77153913/ATUACAO-PSICOPEDAGOGICA-NA-EMPRESA. https://pt.scribd.com/document/77153913/ATUACAO-PSICOPEDAGOGICA-NA-EMPRESA. https://www.psicopedagogiabrasil.com.br/em-branco-chwu https://www.psicopedagogiabrasil.com.br/em-branco-chwu https://revistas.pucsp.br/index.php/interdisciplinaridade/article/view/29786 https://revistas.pucsp.br/index.php/interdisciplinaridade/article/view/29786 38 A intervenção psicopedagógica e o Código de Ética Autoria: Juliana Zantut Nutti Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea Objetivos • Apresentar o conceito de intervenção e suas implicações na atuação do psicopedagogo institucional. • Analisar as intervenções lúdicas com jogos como estratégia de intervenção em psicopedagogia institucional. • Discutir a intervenção psicopedagógica e demais aspectos da prática de acordo com as regras e orientações do Código de Ética da Psicopedagogia. 39 1. Intervenção psicopedagógica institucional No cotidiano institucional escolar, o termo “intervenção” é muito utilizado por professores e psicopedagogos para se referir ao uso de procedimentos e atividades dentro e fora da escola. A palavra intervenção tem o significado de “mediação”, e o verbo intervir, de “colocar-se no meio” ou “colocar-se entre algo.” Em um sentido mais específico, o termo “intervenção” é usado para significar a interferência que um profissional faz em oprocesso de desenvolvimento e/ou aprendizagem de um sujeito que, geralmente, está apresentando problemas. Na intervenção, os procedimentos adotados interferem no processo, sempre com o objetivo de compreender, explicitar ou corrigir o que está sendo alvo desta ação. Na intervenção, introduzem-se novos elementos no processo para levar à ruptura de um padrão anterior de relacionamento do sujeito com o mundo, as pessoas e as ideias. Segundo a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), o psicopedagogo é o profissional habilitado para atuar na intervenção de processos de aprendizagem com os indivíduos, os grupos, as instituições e as comunidades (ABPp, 2022). A atuação psicopedagógica ainda deverá assegurar, de acordo com a ABPp (2022): 40 Figura 1 – Objetivos da atuação psicopedagógica Fonte: adaptada de ABPp (2022). De acordo com Bossa (2000), na escola, o objeto de estudo da psicopedagogia são os processos didático-metodológicos e a dinâmica institucional e como esta interfere no processo de ensino e aprendizagem. O psicopedagogo na instituição escolar, segundo Bossa (2000), poderá: • Identificar precocemente sintomas de dificuldades de aprendizagem; • Organizar projetos coletivos para prevenção de dificuldades de aprendizagem; • Mediar a relação entre os grupos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem: alunos, professores, pais e funcionários. Não se pode esquecer de que há outros locais de atuação do psicopedagogo institucional além das escolas, que são as empresas, hospitais, creches, abrigos de idosos, orfanatos, ONG, sindicatos e comércios, ou seja, instituições em que existam processos de ensino e aprendizagem formais ou informais. 41 Uma forma simples de intervenção para os psicopedagogos institucionais iniciantes é a elaboração de intervenções como a realização de palestras ou minicursos que tratem da psicopedagogia e da psicopedagogia institucional, pois mesmo nas escolas, muitos alunos, professores, pais e funcionários têm dúvidas acerca de quem é o psicopedagogo e as diferenças entre a atuação da psicopedagogia clínica e institucional. 1.1 A oficina pedagógica como uma estratégia de intervenção institucional Uma oficina pedagógica é um espaço de construção coletiva do conhecimento, de análise da realidade e de troca de experiências. Ação, interação, participação e vivência de situações concretas, por meio de sociodramas, análise de acontecimentos, leitura e discussão de textos e trabalho com as diversas expressões da cultura popular são os elementos fundamentais na dinâmica das oficinas pedagógicas. Portanto, as oficinas são consideradas propostas de produção de conhecimentos que surgem a partir de uma realidade ou necessidade concreta e são transferidas novamente para essa mesma realidade, a fim de melhorá-las (Candau et al., 1995). As oficinas aplicadas à educação são espaços em que se aprende fazendo uns com os outros. São âmbitos de reflexão e de ação nos quais se pretende superar a separação que existe entre teoria e prática, conhecimento e trabalho e educação e vida. Constituem- se em oportunidades de vivência de situações reais e significativas, fundamentadas no sentir-pensar-agir e são consideradas excelentes meio de construção de conhecimentos baseados na ação, mas com fundamentação (Paviani; Fontana, 2009). Os três momentos de realização das oficinas, para Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002), consistem em: 42 Quadro 1 – Etapas de realização de oficinas pedagógicas Fonte: adaptado de Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002). Uma intervenção interessante que pode ser feita no contexto institucional pelo psicopedagogo é a oficina de confecção de jogos, tanto com alunos como com professores. Os jogos têm sido usados como forma de conhecer e intervir no processo de aprendizagem e desenvolvimento do sujeito, especialmente das crianças, pois permitem observar o modo como o sujeito manifesta a sua criatividade, orientando as hipóteses diagnósticas e a intervenção diante das dificuldades de aprendizagem. Dessa forma, podem ser utilizados como ferramentas diagnósticas e como instrumentos de intervenção psicopedagógica, ao influenciar a estruturação cognitiva e favorecer a construção de raciocínio lógico com crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. O jogo é um instrumento que permite que o indivíduo exercite o reconhecimento dos seus próprios erros e tente evitar ações que o levem a uma jogada negativa. No contexto do jogo, mesmo que a criança perca, ela se sentirá desafiada a jogar novamente, usando novos 43 recursos e eliminando as ações inadequadas. O adulto, seja o professor ou psicopedagogo, é o mediador da utilização do jogo, devendo agir como um investigador do modo de pensar da criança, ajudando-a a compreender os erros e superar as dificuldades. Assim, o jogo contribui para o desenvolvimento da relação professor-aluno e sujeito- psicopedagogo, com base no respeito, a admiração e a possibilidade de aprender com o outro (Molinari, 2016). Os jogos e brincadeiras contribuem para a construção da inteligência, de forma que sejam usados em atividade lúdica prazerosa e com questionamentos do professor, respeitando as etapas de desenvolvimento intelectual da criança. Na psicopedagogia, o uso de atividades lúdicas como os jogos contribui para que os alunos possam obter bons resultados em seu desempenho. Porém, somente atividades lúdicas não resolvem o complexo processo educativo: elas podem auxiliar em favor de promover mudanças, buscando, por parte dos professores interessados, promover mudanças e melhores resultados. O jogo é um excelente recurso para o processo de ensino e aprendizagem, mas é preciso preservar a ludicidade, usando-o como instrumento de vinculação afetiva e cognitiva. Torna-se necessário então que o professor faça intervenções de caráter subjetivo, de forma que o indivíduo vai se percebendo e construindo a sua forma de aprender (Molinari, 2016). Dessa forma, é importante ressaltar que os jogos e brincadeiras possibilitam às crianças o desenvolvimento das suas habilidades intelectuais, sociais e físicas, de forma prazerosa e participativa, sendo os jogos e brincadeiras de grande contribuição para a intervenção com as dificuldades de aprendizagem. 1.2 As intervenções e o Código de Ética da Psicopedagogia As intervenções psicopedagógicas, assim como os demais aspectos da prática psicopedagógica, são reguladas pelo Código de Ética da 44 Psicopedagogia (ABPp, 2019). O Código de Ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia tem como objetivo estabelecer parâmetros e orientar os profissionais da psicopedagogia brasileira quanto aos princípios, normas e valores em direção a uma boa conduta profissional. A atividade psicopedagógica tem como objetivos propor ações em relação aos processos de aprendizagem e suas dificuldades; contribuir para os processos de inclusão escolar e social; realizar pesquisas científicas no campo da psicopedagogia; mediar as relações interpessoais nos processos de aprendizagem com vistas à prevenção de dificuldades ou à resolução de conflitos. São deveres do psicopedagogo (ABPp, 2019): Figura 2 – Deveres do psicopedagogo Fonte: adaptada de ABPp (2019). O Código de Ética afirma que a intervenção psicopedagógica se sustenta no conhecimento relacionado à aprendizagem e que deve considerar a indissociabilidade entre: • os processos de aprendizagem; • as dificuldades e as possibilidades dos sujeitos e sistemas para aprender. 45 Segundo o Código de Ética, a intervenção psicopedagógica destina- se a diferentes sujeitos e sistemas – pessoas, grupos, instituições e comunidades –, considerando os respectivos processos de aprendizagem e seus contextos, o que ocorre também em situações de pesquisa, de atendimento clínico e institucional (ABPp, 2019). O Código descreve que a psicopedagogia é de natureza inter e transdisciplinar, e utiliza recursos próprios e de outras áreas para o entendimentodo processo de aprendizagem dos aprendentes e dos sistemas, visando à intervenção. Dessa forma, a atividade psicopedagógica tem os seguintes objetivos: Quadro 2 – Objetivos da atividade psicopedagógica Fonte: adaptado de ABPp (2019). O Código de Ética da Psicopedagogia aponta que o psicopedagogo deve, em conjunto com outras autoridades relacionadas ao campo de atuação, refletir a respeito da organização, criar, instalar e aplicar projetos em educação e saúde, no que diz respeito às questões psicopedagógicas (ABPp, 2019). Essas propostas devem ser consideradas na dinâmica dos processos de intervenção, pois as instituições são compostas por pessoas e a troca de informações que tratam de fatos e dados é um dos mais inquietantes desafios a serem realizados pelo psicopedagogo institucional, que deve agir de forma estritamente profissional. A respeito da confidencialidade e do sigilo dos dados obtidos durante o processo de intervenção, o Código de Ética estipula que o psicopedagogo mantenha sigilo profissional e preserve a 46 confidencialidade dos dados que tem acesso devido ao exercício de sua atividade. Entende-se que não há quebra de sigilo da informação dos sujeitos e sistemas quando os dados são transmitidos a outros especialistas e/ou instituições comprometidos com o atendido e/ou com o atendimento, desde que a transmissão seja autorizada pelos próprios sujeitos e/ou seus responsáveis legais e sistemas (ABPp, 2019). Isso tudo deve ser considerado na dinâmica dos processos de intervenção, pois as instituições são compostas por pessoas e a troca de informações de fatos e dados é um desafio nas intervenções feitas pelo psicopedagogo institucional, que deve agir profissionalmente. Além disso, o psicopedagogo deve se autoanalisar para assumir somente as responsabilidades para as quais esteja realmente preparado dentro dos limites de sua competência psicopedagógica. Outras atividades do psicopedagogo são colaborar com o progresso da psicopedagogia, ampliar e disseminar seus conhecimentos e prestar serviços nas agremiações de classe sempre que possível. É seu papel responsabilizar-se por realizar fazer avaliações psicopedagógicas e fornecer ao cliente um diagnóstico claro. Por outro lado, o psicopedagogo deve preservar a identidade, parecer e/ou diagnóstico do cliente nos relatos e discussões feitos em estudos de casos e produções científicas. O psicopedagogo deve ser colaborativo e solidário com colegas sem ser conivente ou cúmplice com atos ilícitos ou calúnia. Em síntese, o Código de Ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia estabelece os princípios que regem a conduta profissional e que incluem a promoção da aprendizagem, garantindo o bem-estar das pessoas em atendimento profissional, utilizando os recursos disponíveis, incluindo a relação interprofissional (ABPp, 2019). Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA (ABPp). Diretrizes Básicas da Formação de Psicopedagogos no Brasil. São Paulo, 12 de dezembro de 2022. 47 Disponível em: https://www.abpp.com.br/formacaodopsicopedagogo/. Acesso em: 27 jul. 2023. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA (ABPp). Código de Ética. 2017– 2019. Disponível em: https://www.abpp.com.br/atuacao/. Acesso em: 27 jul. 2023. BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil – contribuições a partir da prática. São Paulo: Artmed, 2000. CANDAU, V. M. et al. Oficinas pedagógicas de direitos humanos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: Fundamentos e Métodos. São Paulo: Cortez, 2002. MOLINARI, A. C. Intervenção Psicopedagógica – Fundamentos e Sua Relação com as Possibilidades do Aprendente. Apostila do curso de Psicopedagogia Semipresencial. São Carlos: UNICEP, 2016. PAVIANI, N. B. S.; FONTANA, N. M. Oficinas pedagógicas: relato de uma experiência. Conjectura, v. 14, n. 2, maio/ago., p. 77–88, 2009. https://www.abpp.com.br/formacaodopsicopedagogo/ https://www.abpp.com.br/atuacao/ 48 Sumário Apresentação da disciplina Psicopedagogia Institucional Escolar Objetivos 1. A instituição social e suas características 2. A psicopedagogia institucional no contexto escolar Referências Psicopedagogia Hospitalar Objetivos 1. A atuação do psicopedagogo hospitalar Referências Psicopedagogia nas empresas e no terceiro setor (organizações não governamentais) Objetivos 1. A psicopedagogia empresarial 2. Psicopedagogia institucional em organizações não governamentais Referências A intervenção psicopedagógica e o Código de Ética Objetivos 1. Intervenção psicopedagógica institucional Referências