Logo Passei Direto
Buscar

Psicopedagogia Institucional

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

W
BA
00
45
_V
3.
0
PSICOPEDAGOGIA 
INSTITUCIONAL 
2
Juliana Zantut Nutti
Londrina
Editora e Distribuidora Educacional S.A. 
2023
PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL
1ª edição
3
2023
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
Homepage: https://www.cogna.com.br/
Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM 
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Ana Carolina Gulelmo Staut
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Giani Vendramel de Oliveira
Revisor
Neide Rodriguez Barea
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Nutti, Juliana Zantut
Psicopedagogia institucional/ Juliana Zantut Nutti, – 
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2023.
32 p.
ISBN 978-65-5903-456-7
1. Escolar. 2. Hospitalar. 3. Empresarial. I. Título. 
CDD 370.115
_____________________________________________________________________________ 
 Evelyn Moraes – CRB: 010289/O
N985p 
© 2023 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Psicopedagogia Institucional Escolar ________________________ 07
Psicopedagogia Hospitalar __________________________________ 18
Psicopedagogia nas empresas e no terceiro setor (organizações 
não governamentais) ________________________________________ 28
A intervenção psicopedagógica e o Código de Ética __________ 38
PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL 
5
Apresentação da disciplina
A disciplina tem como principais temáticas as características das 
instituições, a psicopedagogia institucional escolar, a psicopedagogia 
hospitalar, a psicopedagogia empresarial e a psicopedagoga institucional 
no terceiro setor. Além disso, analisam-se as relações entre a ética e a 
Psicopedagogia Institucional.
Seus principais objetivos são:
• Identificar as características das instituições como espaços de 
atuação em psicopedagogia institucional.
• Compreender o papel da psicopedagogia institucional nos 
contextos escolar, hospitalar e empresarial, e no terceiro setor.
• Analisar propostas psicopedagógicas de intervenção em diversos 
espaços institucionais.
• Conhecer as orientações éticas no contexto de atuação em 
psicopedagogia institucional.
Para alcançar esses objetivos, a disciplina foi organizada em temas.
No tema 1, analisam-se a instituição social e suas características e o 
trabalho do psicopedagogo na instituição escolar.
No tema 2, aborda-se a atuação em psicopedagogia hospitalar.
O tema 3, apresentam-se as características da atuação em 
psicopedagogia empresarial e no terceiro setor.
6
O quarto e último tema é dedicado às relações entre ética e atuação em 
psicopedagogia institucional.
Esperamos que você possa aprender mais acerca dessas temáticas 
necessárias para a atuação em psicopedagogia institucional.
Bons estudos!
7
Psicopedagogia Institucional 
Escolar
Autoria: Juliana Zantut Nutti
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Analisar o conceito de instituição social como o local 
de atuação do psicopedagogo institucional.
• Apresentar a psicopedagogia institucional e o seu 
enfoque preventivo.
• Analisar os objetivos da atuação do psicopedagogo 
institucional no contexto escolar.
8
1. A instituição social e suas características
Olá, estudante! Para falarmos da psicopedagogia institucional e 
seus âmbitos de atuação, como o contexto escolar, é primeiramente 
necessário compreender o que é uma instituição social.
Segundo Luz (2003), a instituição ou organização é um sistema de 
atividades conscientemente coordenadas por duas ou mais pessoas. 
Não é fácil conceituar instituição, pois esse termo não se aplica, 
necessariamente, a eventos observáveis, sólidas e concretas o tempo 
todo. O conceito de instituição é produzido para se analisar fenômenos 
mais subjetivos do que objetivos.
Os aspectos básicos de uma instituição são (Luz, 2003):
• Ter uma estrutura de responsabilidades e deveres em que as 
tarefas são distribuídas entre os seus participantes;
• Relações de papéis e de poder regularem os diversos subsistemas 
constituintes, que estão articulados entre si, tendo em vista os 
seus objetivos;
• Haver um conjunto complexo de crenças, valores, pressupostos, 
símbolos, artefatos, conhecimentos e normas, padronizados e 
reproduzidos por meio da socialização;
• Haver conflitos que podem ocorrer diante de divergência de 
valores, crenças e ideias dos membros, ou seja, acerca do que se 
considera a maneira correta de agir e de pensar.
Todas as instituições têm uma cultura organizacional, que é o conjunto 
de atributos físicos e psicossociais da organização e que caracteriza o 
seu modo de ser e a sua identidade. A cultura organizacional estabelece 
uma rede de concepções, normas e valores que são tomados como 
certos e permanecem submersos na vida organizacional.
9
Figura 1 – Cultura organizacional
Fonte: Freepik.
As principais instituições sociais são a família, as instituições de ensino, 
as instituições religiosas, jurídicas, econômicas e políticas. Uma das 
instituições em que a psicopedagogia institucional é mais atuante é a 
instituição escolar.
2. A psicopedagogia institucional no contexto 
escolar
A psicopedagogia nasceu na França, no final da década de 1940, pela 
criação de clínicas psicopedagógicas que atendiam crianças com 
dificuldades de aprendizagem em uma perspectiva médica. Aos poucos, 
o enfoque desse trabalho passou a ser pedagógico e psicológico, e esse 
trabalho se expandiu para outros países. No Brasil, a psicopedagogia 
chega na década de 1970, quando as dificuldades de aprendizagem 
eram associadas a uma disfunção neurológica denominada disfunção 
cerebral mínima (Bossa, 2000).
10
Segundo Fagali e Vale (2003), a psicopedagogia surgiu da necessidade 
de se compreender melhor os problemas de aprendizagem, refletindo 
a respeito das questões relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, 
psicomotor e afetivo, implícitos nas situações de aprendizagem. É 
uma área de conhecimento e atuação que estuda o processo de 
aprendizagem, as causas das dificuldades de aprendizagem, os padrões 
evolutivos normais e patologias, bem como a influência da família, da 
escola e da sociedade no desenvolvimento do conhecimento.
A psicopedagogia passou de uma perspectiva puramente clínica e 
individual para uma compreensão mais integradora do processo de 
aprendizagem, e para uma atuação mais preventiva.
O objeto de estudo da psicopedagogia, de forma sucinta, é o processo 
de aprendizagem e suas dificuldades, englobando e integrando 
vários conhecimentos em sua ação profissional, o qual deve ser 
entendido a partir dos enfoques preventivo e curativo. O enfoque 
preventivo tem como objeto a pessoa a ser educada, seus processos de 
desenvolvimento e aprendizagem e as alterações destes processos; não 
se restringe apenas à escola, mas também à família e à comunidade; 
e tem como objetivo esclarecer pais, professores e gestores a respeito 
das diferentes etapas do desenvolvimento humano, do processo de 
aprendizagem e suas dificuldades. Já o enfoque curativo considera como 
o objeto de estudo da psicopedagogia o diagnóstico e o tratamento de 
dificuldades de aprendizagem.
A psicopedagogia institucionalescolar está direcionada para o enfoque 
preventivo, e a instituição em si e a sua rede de relações são os objetos 
de trabalho do psicopedagogo. Na perspectiva preventiva, busca-se 
desenvolver projetos pedagógicos, avaliações e planejamentos na 
educação sistemática e assistemática (Porto, 2011).
Na escola, o psicopedagogo institucional atua no sentido de prevenir 
e amenizar as dificuldades de aprendizagem, a partir da análise das 
11
práticas didático-metodológicas, orientando professores e pais. Faz 
diagnósticos na instituição para encontrar as possíveis causas para 
as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos, e entra 
com intervenções em relação às dificuldades encontradas por meio 
de oficinas e projetos pedagógicos. Além disso, trabalha com dados 
provindos da observação, de conversas casuais, entrevistas e análise 
de documentos, mantém contato com secretarias de educação, 
orientadores educacionais, especialistas em currículo, gestores, 
professores, e deve estar presente em reuniões e oficinas de trabalho 
pedagógico (Porto, 2011).
Figura 2 – Entrevistas e orientações aos pais
Fonte: Freepik.
De acordo com Fagali e Vale (2003), o objetivo do trabalho do 
psicopedagogo institucional é estimular a reflexão e a criticidade na 
busca de superação dos obstáculos enfrentados, assegurando que a 
escola atue de forma integrada. Para isso, trabalha questões didáticas 
com os professores, a relação família e escola, planeja estratégias que 
possam superar as dificuldades encontradas, auxilia na revisão dos 
currículos, e elabora projetos pedagógicos gerais e específicos, entre 
outras intervenções.
12
Figura 3 – Orientação a docentes
Fonte: Freepik.
A psicopedagogia institucional tem um papel importante no auxílio 
das relações de ensino e aprendizagem, que é influenciada pelos 
alunos, professores e a comunidade escolar em geral, assim como as 
metodologias que são utilizadas no processo de ensino-aprendizagem. 
Para compreender as diferenças e aproveitar o potencial de todos, é 
necessário minimizar ou até superar as dificuldades identificadas no 
contexto da instituição. Dessa forma, o psicopedagogo institucional 
deverá compreender a cultura da instituição e a forma como o grupo 
interage entre si.
Considerando o trabalho na instituição escolar, identificam-se dois tipos 
de trabalhos psicopedagógicos:
• Atuação com alunos que apresentam dificuldades de 
aprendizagem: incluir e readaptar o aluno à situação de sala de 
aula, possibilitando o respeito às suas necessidades e ritmos. 
Acompanhar e supervisionar os trabalhos, envolvendo mais a 
instituição na problemática da aprendizagem escolar e capacitando 
a equipe docente.
• Assessoria psicopedagógica: desenvolvimento de assessorias 
para pedagogos, orientadores e professores das instituições de 
ensino. Tem como objetivo trabalhar as questões pertinentes às 
13
relações vinculares professor-aluno e redefinir os procedimentos 
pedagógicos, integrando o afetivo e cognitivo, por meio da 
aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do conhecimento.
Fagali e Vale (2003) descrevem que o aperfeiçoamento das construções 
pedagógicas pode ser feito mediante:
Figura 4 – Atuações do psicopedagogo institucional escolar
Fonte: adaptada de Fagali e Vale (2003).
O psicopedagogo na instituição escolar poderá auxiliar na elaboração 
do projeto pedagógico, orientar os professores a respeito da forma de 
ajudar o aluno com dificuldades de aprendizagem, fazer um diagnóstico 
institucional para averiguar possíveis problemas pedagógicos que 
possam estar prejudicando o processo de ensino-aprendizagem, 
encaminhar alunos para avaliação de profissionais clínicos 
(psicopedagogo clínico, psicólogo e fonoaudiólogo), e orientar os pais de 
alunos com dificuldades de aprendizagem, entre outras atividades.
De acordo com Campanholo e Marquezan (2019), o psicopedagogo 
institucional deve ter conhecimentos específicos em diversas 
especialidades, como compreender os transtornos comportamentais 
mentais e psicológicos, e questões sociais que afetam a aprendizagem, 
especialmente o funcionamento do ambiente e as características da 
14
escola como um todo. Para que os profissionais possam desenvolver 
melhor seu trabalho, é necessário ter uma visão holística do ambiente 
da criança. Uma de suas principais tarefas é a coleta de informações 
de alunos com dificuldades de aprendizagem em ambientes escolares, 
e sua prática mais efetiva é realizar avaliações psicopedagógicas e 
fornecer um relato fiel e completo do aluno.
Porto (2011) afirma que há necessidade de que se desenvolvam 
projetos voltados para a formação continuada dos docentes e para 
o desenvolvimento dos alunos, o que pode levar a uma de suas 
possibilidades mais importantes da atuação psicopedagógica escolar: 
a contribuição para o desenvolvimento da formação da comunidade 
escolar. O trabalho psicopedagógico na instituição escolar pode auxiliar 
no desenvolvimento da autonomia do professor, na reflexão a respeito da 
sua postura diante da ação pedagógica e na sua autoria de pensamento.
Para a realização do trabalho, é necessário que o psicopedagogo conheça 
as teorias que fazem referência ao pensamento da criança e do jovem, 
de como interagem com o meio à sua volta e de que maneira constroem 
conhecimentos, como no caso da abordagem socioconstrutivista.
Segundo Soares e Sena (2019), o psicopedagogo institucional deve 
analisar o projeto político-pedagógico, sobretudo as suas propostas de 
ensino e o que é valorizado como aprendizagem.
O psicopedagogo da instituição escolar deverá observar eventuais 
perturbações no processo aprendizagem dos alunos, participar 
da dinâmica da comunidade educativa e promover orientações 
metodológicas de ensino, de acordo com as características e 
particularidades dos indivíduos do grupo. Deve, ainda, participar 
da elaboração de planos e projetos teórico/práticos das políticas 
educacionais, auxiliando professores, diretores e coordenadores a 
repensar o papel da escola e analisar as necessidades individuais de 
aprendizagem da criança (Bossa, 2000).
15
2.1 O psicopedagogo institucional e a gestão educacional
Segundo Teixeira (2015), a importância da psicopedagogia institucional 
na escola se consolida quando esse profissional consegue olhar e 
escutar com a devida atenção um grupo de pessoas que faça parte 
da instituição/escola. Neste sentido, a atuação deste profissional, em 
parceria com a equipe de gestão educacional, contribui para que a 
escola compreenda as suas dificuldades e se organize para trabalhar em 
conjunto, com o objetivo de superá-las e/ou minimizá-las.
O envolvimento e o comprometimento do psicopedagogo institucional, 
da gestão educacional e da comunidade escolar são imprescindíveis 
para que isso ocorra. Em colaboração com a equipe de gestão 
educacional, o psicopedagogo deverá contribuir para que a instituição 
melhore o processo de ensino por meio de trabalhos envolvendo 
aprendizagens colaborativas e da promoção de formação para os 
professores, entre outras atividades.
2.2 O psicopedagogo institucional e o planejamento 
escolar
No planejamento escolar, o psicopedagogo institucional deverá auxiliar na 
reflexão acerca das ações pedagógicas e suas interferências no processo 
de aprendizagem dos alunos. O planejamento é uma mediação teórica 
metodológica para ação consciente e intencional e tem como finalidade 
fazer algo vir à tona, acontecer e se concretizar, sendo necessário 
estabelecer condições objetivas e subjetivas para o seu desenvolvimento.
As escolas devem traçar uma proposta de intervenção que seja capaz 
de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem dos 
alunos, sendo, assim, importante que o psicopedagogo institucional 
se concentre na observação e análise de uma situação concreta, 
não somente identificando as possíveis perturbações no processo 
16
de aprendizagem, mas orientando os procedimentos didáticos e 
metodológicas de acordo com as características dosindivíduos e grupos 
(Soares; Sena, 2019).
A melhoria do processo da aprendizagem e a minimização das 
dificuldades em relação ao rendimento escolar fazem parte do trabalho 
da psicopedagogia institucional não somente nas escolas, mas também 
em outras instituições.
Em síntese, a atuação e intervenção em psicopedagogia institucional na 
escola está voltada para:
Figura 5 – Atuação e intervenção em psicopedagogia institucional 
escolar
Fonte: adaptada de Bossa (2000).
17
Neste sentido, o psicopedagogo institucional tem um papel importante e 
uma atuação multifacetada no contexto escolar.
Referências
BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil. Contribuições a partir da prática. Porto 
Alegre: Artmed, 2000.
CAMPANHOLO, C.; MARQUEZAN, F. F. A Atuação do psicopedagogo na escola: um 
estudo do tipo estado do conhecimento. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 
36, n. 111, p. 341-351, dez. 2019. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862019000400009&lng=pt&nrm=iso. Acesso 
em: 24 jun. 2023.
FAGALI, E. Q.; VALE, Z. D. R. Psicopedagogia Institucional aplicada: aprendizagem 
escolar dinâmica e construção na sala de aula. 8. ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: 
Vozes, 2003.
LUZ, R. S. Gestão do Clima Organizacional: Proposta de critérios para 
metodologia de diagnóstico, mensuração e melhoria. 2003. 182 f. Dissertação 
(Mestrado em Sistemas de Gestão). Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2003. 
Disponível em: http://paginapessoal.utfpr.edu.br/leonardotonon/especializacao/
arquivos-gerais/Aula%203%20-%20Dissertacao%20Ricardo%20Luz.pdf. Acesso em: 
24 jun. 2023.
PORTO, O. Psicopedagogia Institucional: teoria, prática e assessoramento 
psicopedagógico. Rio de Janeiro: Wak, 2011.
SOARES, M.; SENA, C. C. B. A contribuição do psicopedagogo no contexto escolar. 
Disponível em: http://maratavarespsictics.pbworks.com/w/file/fetch/74460590/126-
130624014932-phpapp01.pdf. Acesso em: 24 jun. 2023.
TEIXEIRA, C. T. A Atuação psicopedagógica na instituição escolar em colaboração a 
gestão educacional. EDUCERE PUC–PR, 2015. Disponível em https://docplayer.com.
br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a-
gestao-educacional.html. Acesso em: 24 jun. 2023.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862019000400009&lng=pt&nrm=iso
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862019000400009&lng=pt&nrm=iso
http://paginapessoal.utfpr.edu.br/leonardotonon/especializacao/arquivos-gerais/Aula%203%20-%20Disser
http://paginapessoal.utfpr.edu.br/leonardotonon/especializacao/arquivos-gerais/Aula%203%20-%20Disser
http://maratavarespsictics.pbworks.com/w/file/fetch/74460590/126-130624014932-phpapp01.pdf
http://maratavarespsictics.pbworks.com/w/file/fetch/74460590/126-130624014932-phpapp01.pdf
https://docplayer.com.br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a-
https://docplayer.com.br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a-
https://docplayer.com.br/49563453-A-atuacao-psicopedagogica-na-instituicao-escolar-em-colaboracao-a-
18
Psicopedagogia Hospitalar
Autoria: Juliana Zantut Nutti
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Conhecer a psicopedagogia hospitalar como uma 
das alternativas de trabalho do psicopedagogo 
institucional.
• Analisar as classes hospitalares e a relação da 
atuação de pedagogos e psicopedagogos nesse 
contexto.
• Apresentar a organização da brinquedoteca 
hospitalar como uma das possibilidades de 
intervenção do psicopedagogo no hospital.
19
1. A atuação do psicopedagogo hospitalar
A psicopedagogia hospitalar tem, de modo geral, o objetivo de auxiliar 
no desenvolvimento cognitivo e educacional, atuando de forma 
preventiva e interativa e mobilizando a construção de um ambiente 
adequado para a recuperação do paciente, especialmente, da criança, 
que se torna vulnerável no processo de hospitalização. De acordo com 
Chaves (2004, [s. p.]):
A criança diante da hospitalização pode apresentar sentimentos como 
medo, sensação de abandono, sensação de punição, que podem 
desencadear mais sofrimento e dificuldade de intervenção para a equipe. 
Tudo isso ocorre ao mesmo tempo, mas com intensidades diferentes em 
cada criança, dependendo da idade, situação psicológica afetiva, rotinas 
hospitalares, motivo e duração da internação. Sendo essas condições 
determinam um maior ou menor comprometimento com o tratamento.
Portanto, a hospitalização pode acarretar, especialmente à criança, 
problemas em seu desenvolvimento, dos quais muitos podem 
ser prevenidos e/ou remediados pela atuação em psicopedagogia 
hospitalar. As remediações geralmente são de natureza emocional 
(como ansiedade e depressão), cognitiva (como dificuldades de 
aprendizagem) e motivacional (como a autoestima negativa). A 
enfermidade afeta as interações da criança com o ambiente físico e 
social em que vive e, por sua vez, os aspectos do ambiente são alterados 
como consequência da enfermidade.
Para Maluf (2007), a psicopedagogia hospitalar atua com avaliações 
e intervenções no contexto de saúde, considerando o processo de 
aprendizagem, o desenvolvimento e o uso de competências físicas, 
mentais e emocionais.
É um modo de intervenção institucional que leva em conta atividades 
diferenciadas, como as apresentadas no Quadro 1.
20
Quadro 1 – Ações do psicopedagogo hospitalar
Fonte: adaptado de Maluf (2007).
Além disso, o psicopedagogo no contexto hospitalar poderá:
• Integrar equipes multidisciplinares, colaborando com outros 
profissionais, orientando seu procedimento no trato com o 
paciente e sua família;
• Elaborar diagnósticos das condições de aprendizagem das pessoas 
internadas;
• Adaptar os recursos psicopedagógicos para o contexto da saúde;
• Elaborar programas terapêuticos de ensino/aprendizagem nas 
situações em que as pessoas estejam com as suas capacidades 
adaptativas diminuídas por razões de saúde;
• Elaborar e aplicar programas comunitários de prevenção de 
comportamentos de risco e de promoção de comportamentos 
saudáveis;
• Criar e desenvolver métodos e programas psicopedagógicos 
em contextos de reabilitação psicossocial, para pessoas em 
recuperação de doença;
21
• Elaborar relatórios de condições terapêuticas de ensino/
aprendizagem e outras comunicações.
Cabe ao psicopedagogo colocar em prática e ação todo o conhecimento 
que obteve nessa função de promovedor de benefícios e realização de 
tarefas que envolvam a aprendizagem e o conhecimento.
Figura 1 – Assessoria aos familiares
Fonte: Freepik.
1.1 Classes hospitalares
Um dos principais trabalhos do psicopedagogo hospitalar é promover 
a continuidade dos estudos dos estudantes hospitalizados, mediante o 
trabalho conjunto com o pedagogo nas chamadas classes hospitalares. 
As classes hospitalares são ambientes projetados com o propósito de 
favorecer o desenvolvimento da aprendizagem e a continuidade dos 
estudos para crianças e jovens no âmbito da educação básica internados 
em unidades hospitalares.
Segundo Porto (2008), a classe hospitalar tem o objetivo de garantir 
que crianças e adolescentes hospitalizados deem continuidade ao 
estudo dos conteúdos regulares, o que viabiliza um retorno pós alta 
sem tantos prejuízos à sua formação. E, nesse sentido, o profissional 
22
de psicopedagogia atua na assessoria aos pedagogos que exercem as 
atividades nas classes hospitalares.
De acordo com o Ministério da Educação (Brasil, 2002), o alunado das 
classes hospitalares é composto por estudantes com condições de saúde 
que exigem cuidados constantes, os quais impedem a sua frequência 
na instituição escolar, de forma temporária ou permanente. Deve ser 
uma sala que permita o desenvolvimento de atividades pedagógicas, 
com mobiliário adequado e uma bancada com pia, além de instalações 
sanitárias suficientes e adaptadas e, se possível, espaço ao ar livre 
adequado para atividades físicas e ludopedagógicas. Caso o estudante 
não possa ser retiradodo leito, o atendimento educacional pode ser 
desenvolvido no quarto, se necessário.
Nas classes hospitalares, sempre que possível, devem estar 
disponibilizados recursos audiovisuais, como computador em rede, 
televisão, aparelho de som e demais equipamentos e recursos didáticos.
Figura 2 – Classe hospitalar
Fonte: http://www.portaldaeducacao.recife.pe.gov.br/sites/default/files/imagem_noticia_
geral/classe_hospitalar.jpg. Acesso em: 23 ago. 2023.
http://www.portaldaeducacao.recife.pe.gov.br/sites/default/files/imagem_noticia_geral/classe_hospita
http://www.portaldaeducacao.recife.pe.gov.br/sites/default/files/imagem_noticia_geral/classe_hospita
23
A intervenção psicopedagógica realizada na classe hospitalar visa 
garantir os direitos básicos do ser humano, como o direito à saúde, 
à educação e à cidadania, buscando o desenvolvimento integral do 
indivíduo (Brasil, 2002).
Além do trabalho nas classes hospitalares, a psicopedagogia hospitalar 
traz como proposta o uso de atividades lúdicas no espaço hospitalar 
como forma de lidar com as demandas dos pacientes internados. 
De acordo com Pereira (2015), o atendimento psicopedagógico se dá 
mediante a necessidade de os estudantes hospitalizados terem apoio 
pedagógico e psicopedagógico no decorrer de sua permanência no 
ambiente hospitalar, proporcionando atendimento que envolva as 
dimensões cognitiva, socioafetiva e emocional e o desenvolvimento de 
atividades de estimulação sensorial, motora e perceptiva.
1.2 Brinquedotecas hospitalares
Uma das atividades que o psicopedagogo hospitalar pode realizar é a 
organização e manutenção de brinquedoteca hospitalar. Diante de sua 
formação como um especialista no processo de aprendizagem, e com 
os conhecimentos acerca da importância do lúdico no desenvolvimento 
integral, o psicopedagogo pode atuar nessa perspectiva.
Brinquedoteca são os espaços organizados para que as crianças 
brinquem, e podem ser inseridos em diferentes tipos de instituições 
como escolas, hospitais, centros de lazer, consultórios médicos, 
odontológicos e universidades (Carneiro, 2015).
Segundo Porto (2008), as brinquedotecas são espaços divididos em 
cantos tematizados que permitem desenvolver a fantasia das crianças. A 
brinquedoteca tem como objetivo específico a socialização, a interação e 
a promoção do contato da criança com o lúdico, além da aprendizagem 
pelo brincar, e nesse contexto pode-se construir a noção espaço-tempo 
e estruturas lógico-matemáticas.
24
Figura 3 – Brinquedoteca fixa do Instituto de Psiquiatria do Hospital 
das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 
(IPq–FM–USP)
Fonte: https://imagens.usp.br/wp-content/uploads/2010/03/2.jpg. Acesso em: 23 ago. 2023.
As brinquedotecas hospitalares podem ser fixas, funcionando em uma 
sala específica, e/ou móveis, para serem levadas até as crianças que não 
podem ser retiradas do leito.
Figura 4 – Brinquedotecas móveis
Fonte: http://200.198.6.35/images/stories/fotos_jornalismo/brinquedoteca-servas-2.jpg. 
Acesso em: 23 ago. 2023.
https://imagens.usp.br/wp-content/uploads/2010/03/2.jpg
http://200.198.6.35/images/stories/fotos_jornalismo/brinquedoteca-servas-2.jpg
25
Os brinquedos são classificados de diversas formas, como por áreas do 
conhecimento: primeira infância, descoberta da personalidade, jogos 
interativos, esportivos, socialização, jogos de tabuleiro, dentre outros.
Quadro 2 – Classificação de brinquedos
Fonte: adaptado de Carneiro (2015).
O ambiente da brinquedoteca deve ser acolhedor, limpo e arrumado 
ao final de cada sessão; bem iluminado, com brinquedos classificados 
de acordo com as idades, com música ambiente calma; colorido e com 
decorações do universo infantil (personagens e ilustrações).
De acordo com Carneiro (2015), nem todo espaço se presta ao 
funcionamento de uma brinquedoteca, portanto, é necessário enfatizar 
que esse espaço vai além de um conjunto organizado de brinquedos, 
e deverá proporcionar o divertimento e a relação entre as crianças e 
adultos, favorecendo a aprendizagem, a exploração de materiais, a 
descoberta de coisas novas, a criatividade e a fantasia, o que demonstra 
a relevância da sua adequação e qualidade.
26
Para Carneiro (2015), brinquedotecas favorecem a recuperação da 
criança e a expressão de suas experiências com os problemas de saúde, 
e possibilitam a exteriorização e a solução dos afetos.
1.3 Contribuições da psicopedagogia hospitalar
As contribuições da psicopedagogia hospitalar, de acordo com Maluf 
(2007), se dão pela atuação com questões ligadas à ansiedade, baixa 
autoestima e depressões, e na minimização dos prejuízos no processo 
de aprendizagem da pessoa hospitalizada, facilitando o desenvolvimento 
de uma relação mais saudável desse indivíduo com o seu meio.
A enfermidade tende a afetar as interações da criança com o ambiente 
físico e social em que vive e, por sua vez, os aspectos do ambiente são 
alterados como consequência da enfermidade. Assim, a capacidade de 
conhecer sua nova situação e gerenciá-la de modo otimista, produtiva e 
saudável fará diferença na realização do indivíduo, especialmente aquele 
que é hospitalizado por longos períodos.
Segundo Maluf (2007), a intervenção psicopedagógica, no caso da 
criança hospitalizada, cria um mecanismo de proteção que pode 
neutralizar as adversidades inerentes à condição de enfermidade e 
hospitalização, e facilita o desencadeamento do processo de resiliência, 
que consiste na habilidade de superar o efeito das adversidades e do 
estresse no curso do desenvolvimento.
A escola e a aquisição de novos conhecimentos são, para a criança, 
formas de ser inserida e reconhecida no meio social, necessários para 
sua avaliação como pessoa. Logo, a psicopedagogia é fundamental ao 
paciente hospitalizado para manter os laços com os conhecimentos 
básicos e desenvolver as competências de natureza psicossocial que, 
em virtude da internação, são bruscamente interrompidos e, por vezes, 
por longos períodos, alterando sua autoimagem e autoestima e as suas 
possibilidades de voltar a se inserir no mundo escolar.
27
Em síntese, a psicopedagogia hospitalar atua com avaliações e 
intervenções no contexto de saúde, considerando o processo de 
aprendizagem, o desenvolvimento e o uso de competências físicas, 
mentais e emocionais, e as principais contribuições dessa área a 
psicopedagogia estão relacionadas à diminuição da ansiedade, ao 
aumento da autoestima e à redução dos prejuízos no processo de 
aprendizagem de estudantes hospitalizados (Maluf, 2007).
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Classe hospitalar 
e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações. Brasília: MEC; 
SEESP, 2002. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/livro9.pdf. 
Acesso em: 2 jul. 2023.
CARNEIRO, M. A. B. Brinquedoteca: um espaço interessante para favorecer o 
desenvolvimento da criança. 2015. Laboratório de Brinquedos – Núcleo de Cultura e 
Pesquisas do Brincar – PUC/SP – Publicações. Disponível em: http://www4.pucsp.br/
educacao/brinquedoteca/downloads/brinquedoteca.pdf. Acesso em: 2 jul. 2023.
CHAVES, P. C. Projeto brinquedoteca hospitalar Nosso Cantinho: relato de 
experiência de brincar. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 
2., 2004, Belo Horizonte. Anais […]. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas 
Gerais, 2004. https://www.ufmg.br/congrext/Saude/Saude150.pdf. Acesso em: 2 jul. 
2023.
MALUF, M. I. Psicopedagogia hospitalar: por que e para quem? Construção 
Psicopedagógica, São Paulo, v. 15, n. 12, p. 7–26, dez. 2007. Disponível 
em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-
69542007001100002&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 2 jul. 2023.
PEREIRA, W. L. Psicopedagogia Hospitalar: um olhar humanizado a crianças 
hospitalizadas. Monografia (Bacharelado em Psicopedagogia) – Universidade 
Federal da Paraíba, João Pessoa, 2015. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/
jspui/bitstream/123456789/3015/1/WLP06042015.pdf.Acesso em: 2 jul. 2023.
PORTO, O. Psicopedagogia Hospitalar. Rio de Janeiro: Wak, 2008.
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/livro9.pdf
http://www4.pucsp.br/educacao/brinquedoteca/downloads/brinquedoteca.pdf
http://www4.pucsp.br/educacao/brinquedoteca/downloads/brinquedoteca.pdf
https://www.ufmg.br/congrext/Saude/Saude150.pdf
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542007001100002&lng=pt&nrm=iso
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542007001100002&lng=pt&nrm=iso
https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/3015/1/WLP06042015.pdf
https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/3015/1/WLP06042015.pdf
28
Psicopedagogia nas empresas e 
no terceiro setor (organizações 
não governamentais)
Autoria: Juliana Zantut Nutti
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Apresentar a psicopedagogia empresarial, conceitos 
e possiblidades de atuação.
• Apresentar conceitos e práticas do psicopedagogo 
institucional no terceiro setor, especialmente em 
organizações não governamentais (ONG).
• Analisar o papel do psicopedagogo como um agente 
de promoção de resiliência
29
1. A psicopedagogia empresarial
As empresas vivem em constante transformações, as quais 
geralmente levam a pressões para a ampliação de seu desempenho. 
O aumento do uso de tecnologias no trabalho exige que os 
funcionários se capacitem continuamente, a fim de acompanhar as 
inovações. Há, ainda, um crescente interesse pelo processo de ensino 
e aprendizagem no contexto organizacional, devido ao fato de que 
aprender é essencial para a sobrevivência das empresas em um 
contexto competitivo e dinâmico.
Nessa perspectiva, o psicopedagogo empresarial é o profissional que 
contribui para a gestão da aprendizagem individual e organizacional, 
propondo soluções e prevenindo problemas relacionados à 
aprendizagem que ocorre nas empresas. A psicopedagogia empresarial, 
assim, contribui para a gestão do processo de ensino e aprendizagem 
de pessoas e da organização. O psicopedagogo empresarial pode ainda 
atuar na formação profissional, no desenvolvimento profissional e nos 
programas de treinamento de pessoal.
O psicopedagogo empresarial deverá lidar com o processo de 
aprendizagem e as suas dificuldades, integrando vários campos do 
conhecimento, em conjunto com outros profissionais que atuam nas 
empresas. Poderá atuar, também, no gerenciamento dos conflitos, 
principalmente os oriundos de insuficiente formação acadêmica e da 
influência familiar e social.
O psicopedagogo pode atuar em três áreas distintas e complementares:
30
Figura 1 – Áreas de atuação do psicopedagogo empresarial
Fonte: adaptada de Nascimento (2008).
Em cada uma das etapas, o psicopedagogo precisará atuar de forma 
diferenciada, levando em consideração elementos fundamentais, como 
os objetivos organizacionais, a cultura e o clima organizacionais, pois se 
modificam ao longo do tempo.
A partir de estudos a respeito da organização, o psicopedagogo deverá 
selecionar o conteúdo para a capacitação, objetivando o contínuo 
desenvolvimento pessoal e profissional dos funcionários. As atividades 
realizadas implicam a identificação e o mapeamento dos processos 
cognitivos, de modo que o treinamento e o desenvolvimento sejam 
efetivos e ofereçam vantagens para a organização.
Figura 2 – Capacitações nas empresas
Fonte: Freepik.
31
Segundo Fagali (2010), o psicopedagogo deverá utilizar metodologias 
específicas, como estágio, oferecimento de cursos, seminários e 
visitas técnicas, e utilizar metodologias como a exposição oral, o 
debate, os estudos de caso e as dramatizações. A capacitação e 
o desenvolvimento podem ser feitos no modelo tradicional, em 
sala de aula, dentro da organização, trabalhando os fundamentos 
e conceitos teóricos. Pode haver, também, capacitações mais 
inovadoras e dinâmicas, com um foco no desenvolvimento emocional, 
comportamental e atitudinal dos funcionários.
Em relação aos programas de estágio, o psicopedagogo pode fazer 
o acompanhamento dos estagiários, trainees e jovens aprendizes de 
forma que sejam preparados para uma efetivação ou para o ingresso no 
mercado de trabalho (Bengezen, 2015).
Na seleção de pessoal, o psicopedagogo pode colaborar no processo de 
escolha do candidato mais apto para preencher as vagas de trabalho 
disponíveis e, nesse caso, deverá conhecer o perfil do candidato 
interessado na vaga, sua formação, questões de relacionamento social, 
emocionais, capacidade de trabalhar em equipe e de liderar, entre 
outros fatores. A participação do psicopedagogo no processo de seleção 
pode contribuir para a escolha de sistemas de avaliação pertinentes 
ao mercado ou a elaboração de instrumentos específicos, como o 
uso de jogos de estratégias. No acolhimento ao novo funcionário, o 
psicopedagogo poderá participar de projetos de socialização profissional 
de forma a facilitar a sua integração na organização (Fontava, 2005).
Fontava (2005) ainda recomenda que o psicopedagogo que atua na área 
de recursos humanos tenha uma formação complementar, para obter 
os conhecimentos a respeito dos processos de trabalho da empresa, dos 
conceitos fundamentais da gestão de pessoas, da criação e utilização 
de recursos tecnológicos, da gestão do conhecimento, da liderança e da 
gestão de mudanças, entre outros.
32
Apesar da atuação do psicopedagogo em empresas ainda ser 
incipiente no Brasil, há um grande potencial e muitos interessados em 
atuar nessa área.
2. Psicopedagogia institucional em 
organizações não governamentais
O trabalho do psicopedagogo institucional no terceiro setor, 
especialmente em ONG, está relacionado às características da atuação 
na modalidade de educação não formal. Entende-se por educação não 
formal aquela que se dá por meio do compartilhamento de experiências, 
em espaços e ações coletivos e de forma cotidiana, em contraponto 
à educação formal, desenvolvida em escolas regulares, e à educação 
informal, aquela que envolve os processos de socialização na família e 
na comunidade (Gohn, 2006).
A educação não formal designa um processo com várias dimensões, 
como se vê no quadro a seguir:
Quadro 1 – Dimensões da educação não formal
Fonte: adaptado de Gohn (2006).
33
O psicopedagogo que atua em ONG, no contexto da educação não 
formal, pode desenvolver atividades de intervenção por meio de 
estratégias e conteúdos educativos, atuando de forma interdisciplinar 
com pedagogos, assistentes sociais e instrutores de atividades 
ocupacionais, a fim de auxiliar na resolução de problemas coletivos, 
na prevenção de problemas de aprendizagem e na garantia de direitos 
individuais e comunitários.
2.1 A atuação psicopedagógica voltada à terceira idade
De acordo com Barboza e Wisniewski (2017), a psicopedagogia é a área 
do conhecimento com recursos capazes de prevenir e minimizar os 
efeitos do declínio de capacidades cognitivas, melhorando a condição 
de aprendizagem do ser em envelhecimento, e de fortalecer a crença 
no poder de aprendizagem que cada idoso apresenta, ajudando na 
construção da autoimagem e da autoestima adequadas. Nesse contexto, 
cabe ao psicopedagogo e à equipe multiprofissional empreender 
a mediação e assessoria aos idosos com propostas que podem ser 
utilizadas com esse público.
Figura 3 – Psicopedagogia voltada para a terceira idade
Fonte: Freepik.
34
O psicopedagogo pode atuar nos ajustes a serem feitos para que o idoso 
seja capaz de recuperar a sua capacidade produtiva e criadora, como 
nos jogos de xadrez, palavras cruzadas, recordação de fatos do dia a 
dia e aprendizagem de novas habilidades, como o uso do computador, 
aulas de pintura e de música. A ação psicopedagógica é importante na 
mediação entre o idoso e a construção e reconstrução do conhecimento, 
assim como a inclusão do idoso nos grupos de convivência.
2.2 A atuação psicopedagógica em unidades de medidas 
socioeducativas
Tavares, Carvalho e Silva (2016) procuram compreender a relevância 
da atuação interdisciplinare o papel do psicopedagogo em um serviço 
de medidas socioeducativas em meio aberto com adolescentes e 
jovens em recuperação. As autoras afirmam que o psicopedagogo é um 
profissional que pode ajudar a entender melhor as questões sociais, 
políticas, culturais e emocionais que interferem no desenvolvimento do 
sujeito, na sua aprendizagem e na relação com o conhecimento.
O serviço, que tem como público-alvo adolescentes, jovens e suas 
famílias, requer que os profissionais sejam habilitados a observar 
demandas trazidas pelos atendidos, “propiciando diálogo, reflexão e 
encaminhamento para a efetivação de metas e objetivos estabelecidos 
entre o técnico, o adolescente/jovem e sua família a fim de cumprir a 
medida socioeducativa imposta” (Tavares; Carvalho; Silva, 2016, p. 2).
A atuação do psicopedagogo é fundamental em um serviço de 
medidas socioeducativas em meio aberto, já que o profissional utiliza 
diagnósticos, faz acompanhamento e possíveis intervenções na 
aprendizagem dos indivíduos oriundas de sua história de vida e contexto 
familiar, social e cultural, assim como traz possibilidades de novos 
aprendizados e de novas vivências.
35
2.3 A psicopedagogia e a promoção da resiliência
Resiliência é um termo emprestado da física e se refere à propriedade de 
que são dotados alguns materiais de resistirem a choques ou outros tipos 
de pressão e depois voltarem ao estado normal, como o aço inoxidável.
Na psicologia, este conceito foi reinterpretado e significa a capacidade 
que uma pessoa tem de, ao passar por uma situação muito grave 
e dolorosa, seja em grupo ou de forma individual, conseguir se sair 
bem e retornar ao seu estado anterior sem muita dificuldade. Assim, 
pessoas resilientes conseguem superar as dificuldades da vida sem se 
desesperar ou tomar atitudes impensadas. Conseguem buscar soluções 
de maneira ativa para as suas dificuldades, mesmo sob enorme pressão 
psicológica (Sampaio, 2005).
Não existe uma relação direta entre a resiliência e o nível 
socioeconômico ou intelectual.
Existem três tipos de resiliência, de acordo com Garcia (2001), que são 
descritas no quadro a seguir:
Quadro 2 – Tipos de resiliência
Fonte: adaptado de Garcia (2001).
36
A resiliência pode ser desenvolvida desde a infância e quem ajuda a 
desenvolvê-la é chamado de promotor de resiliência. O psicopedagogo é 
considerado um promotor de resiliência pois, segundo Sampaio (2005), 
ajuda o indivíduo a desenvolver autonomia e independência, novas 
maneiras de resolver situações, de lidar com frustrações e de desenvolver 
a criatividade, aceitando e respeitando a si próprio e aos demais.
Ainda, o psicopedagogo, ao criar um contexto lúdico, pode proporcionar 
a reestruturação e reelaboração cognitiva e afetiva, buscando o 
entendimento e a superação da situação conflitante, provocando a 
melhora no rendimento escolar. O psicopedagogo deve estar atento para 
as situações que incomodam a criança e desenvolver um projeto de boa 
convivência em que se respeitam as diferenças. Deve também desenvolver 
práticas educativas lúdicas, rodas de conversas, debates, dinâmicas 
de grupo, relatos de experiência, apreciação de filmes com conteúdo 
motivador e outras atividades que podem auxiliar a promover a resiliência.
As situações do cotidiano que envolvem a resiliência, especialmente, 
nos contextos educacionais, são as doenças graves de membros da 
comunidade escolar; as situações gerais de violência e insegurança; 
casos de suicídio; uso de drogas; situações de bullying; inclusão de 
pessoas com deficiências e com distúrbios de aprendizagem.
Em síntese, vimos que na psicopedagogia empresarial o profissional 
contribui na administração da aprendizagem, no diagnóstico e na 
intervenção em problemas relacionados à aprendizagem de indivíduos 
e da própria organização, e o psicopedagogo empresarial pode atuar na 
formação profissional, no desenvolvimento profissional e nos programas 
de treinamento de pessoal.
A respeito da psicopedagogia institucional em ONG, os objetivos da 
educação não formal são a base para a atuação do psicopedagogo 
nesses contextos. Também analisamos como o psicopedagogo atua 
como promotor de resiliência e a importância do desenvolvimento dessa 
capacidade em contextos educacionais.
37
Referências
BARBOZA, V. M.; WISNIEWSKI, M. S. W. A psicopedagogia e a aprendizagem em 
idosos. Perspectiva, Erechim, v. 41, n.156, p. 29–38, dez. 2017. Disponível em: 
http://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/156_676.pdf. Acesso em: 22 ago. 
2023.
BENGEZEN, F. S. O psicopedagogo inserido na organização ligado ao setor de 
recursos humanos. RH Portal, 2015. Disponível em: https://www.rhportal.com.br/
artigos-rh/psicopedagogo-inserido-no-setor-de-recursos-humanos/. Acesso em: 23 
ago. 2023.
GARCIA, I. Vulnerabilidade e resiliência. Adolescência Latino-americana, 2001, n. 
2, p. 128–130.
GOHN, M. G. Educação Não Formal, participação da sociedade civil e estruturas 
colegiadas nas escolas. Revista Ensaio: Avaliação de Políticas Públicas Educacionais, 
Rio de Janeiro, v. 14, n. 50, p. 27–38, jan./mar. 2006. Disponível em: http://www.
scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405/. Acesso em: 11 jul. 2023.
FAGALI, E. Q. Atuação psicopedagógica na empresa. 2010. Disponível em: https://
pt.scribd.com/document/77153913/ATUACAO-PSICOPEDAGOGICA-NA-EMPRESA. 
Acesso em: 11 jul. 2023.
FONTAVA, F. M. O psicopedagogo na área de recursos humanos das organizações. 
In: IGEA, R. et al. Presente e futuro do trabalho psicopedagógico. Porto Alegre: 
ArtMed, 2005.
NASCIMENTO, C. T. do. A psicopedagogia e a aprendizagem organizacional: a 
importância da gestão do conhecimento na administração de recursos humanos. [s. 
l.], 2008.
SAMPAIO, S. A psicopedagogia como promovedora de resiliência. Psicopedagogia 
Brasil, 5 jul. 2005. Disponível em: https://www.psicopedagogiabrasil.com.br/em-
branco-chwu. Acesso em: 11 jul. 2023.
TAVARES, D. E.; CARVALHO, E. G. A.; SILVA, T. B. A atuação interdisciplinar do 
psicopedagogo nos serviços de medidas socioeducativas em meio aberto 
e no trabalho com os adolescentes e jovens em conflito com a lei. Revista 
Interdisciplinaridade, n. 9. 2016. PUC–SP. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/
index.php/interdisciplinaridade/article/view/29786. Acesso em: 11 jul. 2023.
http://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/156_676.pdf.
https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/psicopedagogo-inserido-no-setor-de-recursos-humanos/
https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/psicopedagogo-inserido-no-setor-de-recursos-humanos/
http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405/
http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v14n50/30405/
https://pt.scribd.com/document/77153913/ATUACAO-PSICOPEDAGOGICA-NA-EMPRESA. 
https://pt.scribd.com/document/77153913/ATUACAO-PSICOPEDAGOGICA-NA-EMPRESA. 
https://www.psicopedagogiabrasil.com.br/em-branco-chwu
https://www.psicopedagogiabrasil.com.br/em-branco-chwu
https://revistas.pucsp.br/index.php/interdisciplinaridade/article/view/29786
https://revistas.pucsp.br/index.php/interdisciplinaridade/article/view/29786
38
A intervenção psicopedagógica e 
o Código de Ética
Autoria: Juliana Zantut Nutti
Leitura crítica: Neide Rodriguez Barea
Objetivos
• Apresentar o conceito de intervenção e suas 
implicações na atuação do psicopedagogo 
institucional.
• Analisar as intervenções lúdicas com jogos como 
estratégia de intervenção em psicopedagogia 
institucional.
• Discutir a intervenção psicopedagógica e demais 
aspectos da prática de acordo com as regras e 
orientações do Código de Ética da Psicopedagogia.
39
1. Intervenção psicopedagógica institucional
No cotidiano institucional escolar, o termo “intervenção” é muito 
utilizado por professores e psicopedagogos para se referir ao uso 
de procedimentos e atividades dentro e fora da escola. A palavra 
intervenção tem o significado de “mediação”, e o verbo intervir, de 
“colocar-se no meio” ou “colocar-se entre algo.”
Em um sentido mais específico, o termo “intervenção” é usado para 
significar a interferência que um profissional faz em oprocesso de 
desenvolvimento e/ou aprendizagem de um sujeito que, geralmente, 
está apresentando problemas.
Na intervenção, os procedimentos adotados interferem no processo, 
sempre com o objetivo de compreender, explicitar ou corrigir o que 
está sendo alvo desta ação. Na intervenção, introduzem-se novos 
elementos no processo para levar à ruptura de um padrão anterior de 
relacionamento do sujeito com o mundo, as pessoas e as ideias.
Segundo a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), o 
psicopedagogo é o profissional habilitado para atuar na intervenção de 
processos de aprendizagem com os indivíduos, os grupos, as instituições 
e as comunidades (ABPp, 2022).
A atuação psicopedagógica ainda deverá assegurar, de acordo com a 
ABPp (2022):
40
Figura 1 – Objetivos da atuação psicopedagógica
Fonte: adaptada de ABPp (2022).
De acordo com Bossa (2000), na escola, o objeto de estudo da 
psicopedagogia são os processos didático-metodológicos e a 
dinâmica institucional e como esta interfere no processo de ensino e 
aprendizagem.
O psicopedagogo na instituição escolar, segundo Bossa (2000), poderá:
• Identificar precocemente sintomas de dificuldades de 
aprendizagem;
• Organizar projetos coletivos para prevenção de dificuldades de 
aprendizagem;
• Mediar a relação entre os grupos envolvidos no processo de 
ensino-aprendizagem: alunos, professores, pais e funcionários.
Não se pode esquecer de que há outros locais de atuação do 
psicopedagogo institucional além das escolas, que são as empresas, 
hospitais, creches, abrigos de idosos, orfanatos, ONG, sindicatos e 
comércios, ou seja, instituições em que existam processos de ensino e 
aprendizagem formais ou informais.
41
Uma forma simples de intervenção para os psicopedagogos 
institucionais iniciantes é a elaboração de intervenções como a 
realização de palestras ou minicursos que tratem da psicopedagogia 
e da psicopedagogia institucional, pois mesmo nas escolas, muitos 
alunos, professores, pais e funcionários têm dúvidas acerca de quem 
é o psicopedagogo e as diferenças entre a atuação da psicopedagogia 
clínica e institucional.
1.1 A oficina pedagógica como uma estratégia de 
intervenção institucional
Uma oficina pedagógica é um espaço de construção coletiva do 
conhecimento, de análise da realidade e de troca de experiências. 
Ação, interação, participação e vivência de situações concretas, por 
meio de sociodramas, análise de acontecimentos, leitura e discussão 
de textos e trabalho com as diversas expressões da cultura popular 
são os elementos fundamentais na dinâmica das oficinas pedagógicas. 
Portanto, as oficinas são consideradas propostas de produção de 
conhecimentos que surgem a partir de uma realidade ou necessidade 
concreta e são transferidas novamente para essa mesma realidade, a 
fim de melhorá-las (Candau et al., 1995).
As oficinas aplicadas à educação são espaços em que se aprende 
fazendo uns com os outros. São âmbitos de reflexão e de ação nos 
quais se pretende superar a separação que existe entre teoria e 
prática, conhecimento e trabalho e educação e vida. Constituem-
se em oportunidades de vivência de situações reais e significativas, 
fundamentadas no sentir-pensar-agir e são consideradas excelentes 
meio de construção de conhecimentos baseados na ação, mas com 
fundamentação (Paviani; Fontana, 2009).
Os três momentos de realização das oficinas, para Delizoicov, Angotti e 
Pernambuco (2002), consistem em:
42
Quadro 1 – Etapas de realização de oficinas pedagógicas
Fonte: adaptado de Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002).
Uma intervenção interessante que pode ser feita no contexto 
institucional pelo psicopedagogo é a oficina de confecção de jogos, tanto 
com alunos como com professores.
Os jogos têm sido usados como forma de conhecer e intervir no 
processo de aprendizagem e desenvolvimento do sujeito, especialmente 
das crianças, pois permitem observar o modo como o sujeito manifesta 
a sua criatividade, orientando as hipóteses diagnósticas e a intervenção 
diante das dificuldades de aprendizagem. Dessa forma, podem ser 
utilizados como ferramentas diagnósticas e como instrumentos de 
intervenção psicopedagógica, ao influenciar a estruturação cognitiva 
e favorecer a construção de raciocínio lógico com crianças que 
apresentam dificuldades de aprendizagem.
O jogo é um instrumento que permite que o indivíduo exercite o 
reconhecimento dos seus próprios erros e tente evitar ações que o 
levem a uma jogada negativa. No contexto do jogo, mesmo que a 
criança perca, ela se sentirá desafiada a jogar novamente, usando novos 
43
recursos e eliminando as ações inadequadas. O adulto, seja o professor 
ou psicopedagogo, é o mediador da utilização do jogo, devendo agir 
como um investigador do modo de pensar da criança, ajudando-a 
a compreender os erros e superar as dificuldades. Assim, o jogo 
contribui para o desenvolvimento da relação professor-aluno e sujeito-
psicopedagogo, com base no respeito, a admiração e a possibilidade de 
aprender com o outro (Molinari, 2016).
Os jogos e brincadeiras contribuem para a construção da inteligência, 
de forma que sejam usados em atividade lúdica prazerosa e 
com questionamentos do professor, respeitando as etapas de 
desenvolvimento intelectual da criança.
Na psicopedagogia, o uso de atividades lúdicas como os jogos contribui 
para que os alunos possam obter bons resultados em seu desempenho. 
Porém, somente atividades lúdicas não resolvem o complexo processo 
educativo: elas podem auxiliar em favor de promover mudanças, 
buscando, por parte dos professores interessados, promover mudanças 
e melhores resultados.
O jogo é um excelente recurso para o processo de ensino e 
aprendizagem, mas é preciso preservar a ludicidade, usando-o como 
instrumento de vinculação afetiva e cognitiva. Torna-se necessário 
então que o professor faça intervenções de caráter subjetivo, de 
forma que o indivíduo vai se percebendo e construindo a sua forma de 
aprender (Molinari, 2016). Dessa forma, é importante ressaltar que os 
jogos e brincadeiras possibilitam às crianças o desenvolvimento das 
suas habilidades intelectuais, sociais e físicas, de forma prazerosa e 
participativa, sendo os jogos e brincadeiras de grande contribuição para 
a intervenção com as dificuldades de aprendizagem.
1.2 As intervenções e o Código de Ética da 
Psicopedagogia
As intervenções psicopedagógicas, assim como os demais aspectos 
da prática psicopedagógica, são reguladas pelo Código de Ética da 
44
Psicopedagogia (ABPp, 2019). O Código de Ética da Associação Brasileira 
de Psicopedagogia tem como objetivo estabelecer parâmetros e orientar 
os profissionais da psicopedagogia brasileira quanto aos princípios, 
normas e valores em direção a uma boa conduta profissional.
A atividade psicopedagógica tem como objetivos propor ações 
em relação aos processos de aprendizagem e suas dificuldades; 
contribuir para os processos de inclusão escolar e social; realizar 
pesquisas científicas no campo da psicopedagogia; mediar as relações 
interpessoais nos processos de aprendizagem com vistas à prevenção 
de dificuldades ou à resolução de conflitos.
São deveres do psicopedagogo (ABPp, 2019):
Figura 2 – Deveres do psicopedagogo
Fonte: adaptada de ABPp (2019).
O Código de Ética afirma que a intervenção psicopedagógica se sustenta 
no conhecimento relacionado à aprendizagem e que deve considerar a 
indissociabilidade entre:
• os processos de aprendizagem;
• as dificuldades e as possibilidades dos sujeitos e sistemas para 
aprender.
45
Segundo o Código de Ética, a intervenção psicopedagógica destina-
se a diferentes sujeitos e sistemas – pessoas, grupos, instituições 
e comunidades –, considerando os respectivos processos de 
aprendizagem e seus contextos, o que ocorre também em situações de 
pesquisa, de atendimento clínico e institucional (ABPp, 2019).
O Código descreve que a psicopedagogia é de natureza inter e 
transdisciplinar, e utiliza recursos próprios e de outras áreas para 
o entendimentodo processo de aprendizagem dos aprendentes 
e dos sistemas, visando à intervenção. Dessa forma, a atividade 
psicopedagógica tem os seguintes objetivos:
Quadro 2 – Objetivos da atividade psicopedagógica
Fonte: adaptado de ABPp (2019).
O Código de Ética da Psicopedagogia aponta que o psicopedagogo deve, 
em conjunto com outras autoridades relacionadas ao campo de atuação, 
refletir a respeito da organização, criar, instalar e aplicar projetos em 
educação e saúde, no que diz respeito às questões psicopedagógicas 
(ABPp, 2019).
Essas propostas devem ser consideradas na dinâmica dos processos de 
intervenção, pois as instituições são compostas por pessoas e a troca de 
informações que tratam de fatos e dados é um dos mais inquietantes 
desafios a serem realizados pelo psicopedagogo institucional, que deve 
agir de forma estritamente profissional.
A respeito da confidencialidade e do sigilo dos dados obtidos 
durante o processo de intervenção, o Código de Ética estipula 
que o psicopedagogo mantenha sigilo profissional e preserve a 
46
confidencialidade dos dados que tem acesso devido ao exercício de 
sua atividade. Entende-se que não há quebra de sigilo da informação 
dos sujeitos e sistemas quando os dados são transmitidos a outros 
especialistas e/ou instituições comprometidos com o atendido e/ou com 
o atendimento, desde que a transmissão seja autorizada pelos próprios 
sujeitos e/ou seus responsáveis legais e sistemas (ABPp, 2019).
Isso tudo deve ser considerado na dinâmica dos processos de 
intervenção, pois as instituições são compostas por pessoas e a troca de 
informações de fatos e dados é um desafio nas intervenções feitas pelo 
psicopedagogo institucional, que deve agir profissionalmente.
Além disso, o psicopedagogo deve se autoanalisar para assumir somente 
as responsabilidades para as quais esteja realmente preparado dentro 
dos limites de sua competência psicopedagógica. Outras atividades do 
psicopedagogo são colaborar com o progresso da psicopedagogia, ampliar 
e disseminar seus conhecimentos e prestar serviços nas agremiações de 
classe sempre que possível. É seu papel responsabilizar-se por realizar fazer 
avaliações psicopedagógicas e fornecer ao cliente um diagnóstico claro. 
Por outro lado, o psicopedagogo deve preservar a identidade, parecer e/ou 
diagnóstico do cliente nos relatos e discussões feitos em estudos de casos 
e produções científicas. O psicopedagogo deve ser colaborativo e solidário 
com colegas sem ser conivente ou cúmplice com atos ilícitos ou calúnia.
Em síntese, o Código de Ética da Associação Brasileira de Psicopedagogia 
estabelece os princípios que regem a conduta profissional e que incluem 
a promoção da aprendizagem, garantindo o bem-estar das pessoas em 
atendimento profissional, utilizando os recursos disponíveis, incluindo a 
relação interprofissional (ABPp, 2019).
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA (ABPp). Diretrizes Básicas da 
Formação de Psicopedagogos no Brasil. São Paulo, 12 de dezembro de 2022. 
47
Disponível em: https://www.abpp.com.br/formacaodopsicopedagogo/. Acesso em: 
27 jul. 2023.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA (ABPp). Código de Ética. 2017–
2019. Disponível em: https://www.abpp.com.br/atuacao/. Acesso em: 27 jul. 2023.
BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil – contribuições a partir da prática. São 
Paulo: Artmed, 2000.
CANDAU, V. M. et al. Oficinas pedagógicas de direitos humanos. Petrópolis, RJ: 
Vozes, 1995.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: 
Fundamentos e Métodos. São Paulo: Cortez, 2002.
MOLINARI, A. C. Intervenção Psicopedagógica – Fundamentos e Sua Relação 
com as Possibilidades do Aprendente. Apostila do curso de Psicopedagogia 
Semipresencial. São Carlos: UNICEP, 2016.
PAVIANI, N. B. S.; FONTANA, N. M. Oficinas pedagógicas: relato de uma experiência. 
Conjectura, v. 14, n. 2, maio/ago., p. 77–88, 2009.
https://www.abpp.com.br/formacaodopsicopedagogo/
https://www.abpp.com.br/atuacao/
48
	Sumário
	Apresentação da disciplina 
	Psicopedagogia Institucional Escolar 
	Objetivos 
	1. A instituição social e suas características 
	2. A psicopedagogia institucional no contexto escolar 
	Referências 
	Psicopedagogia Hospitalar 
	Objetivos 
	1. A atuação do psicopedagogo hospitalar 
	Referências 
	Psicopedagogia nas empresas e no terceiro setor (organizações não governamentais) 
	Objetivos 
	1. A psicopedagogia empresarial 
	2. Psicopedagogia institucional em organizações não governamentais 
	Referências 
	A intervenção psicopedagógica e o Código de Ética 
	Objetivos 
	1. Intervenção psicopedagógica institucional 
	Referências

Mais conteúdos dessa disciplina