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XIII A seguir, apresentamos uma breve descrição acerca dos temas contemporâneos trans- versais. Temas contemporâneos transversais Educação ambiental Macroárea: meio ambiente O desenvolvimento da compreensão do estudante quanto às práticas de consciência ambiental, da consciência dos problemas existentes e das soluções a serem tomadas é o objetivo do trabalho com esse tema. Ele também fomenta o compromisso do estudante com a proteção e a conservação do meio ambiente, reconhecendo-se como parte integrante da natureza. Educação para o consumo Macroárea: meio ambiente Esse tema propicia o desenvolvimento da capacidade dos estudantes compreenderem de forma crítica a sua condição de consumidor. Além disso, esse tema tem caráter múltiplo, permitindo-lhe que se relacione com outros temas, como Ciência e tecnologia, Educação ambiental e Saúde, uma vez que o padrão de consumo também está ligado a posicionamentos sociais, compromissos ambientais, ideologias etc. Educação financeira Macroárea: economia O trabalho com esse tema permite desenvolver a consciência dos estudantes para um consumo mais consciente, contribuindo, inclusive, para a administração dos próprios recursos financeiros. Educação fiscal Macroárea: economia Conhecer o sistema tributário do país, a moeda, a importância dos impostos e a aplicação de recursos aos serviços públicos é o objetivo desse tema, a fim de que o estudante também aprenda a reivindicar direitos sobre produtos e serviços públicos. Trabalho Macroárea: economia Esse tema tem o objetivo de levar os estudantes a compreender as relações de trabalho que envolvem todo o processo produtivo até a comercialização dos produtos, o valor do trabalho, a importância de todas as profissões, algumas ocupações no mercado de trabalho, o trabalho infantil, a distribuição desigual da riqueza, entre outros temas. Ciência e tecnologia Macroárea: ciência e tecnologia Esse tema possibilita que o estudante compreenda como o ser humano se relaciona com o ambiente ao seu redor, desenvolvendo um olhar crítico acerca dessa relação. Por meio desse tema, ainda é possível contemplar aspectos sociais e humanos da ciência e da tecnologia nos âmbitos político, cultural, econômico e ambiental. Direitos da criança e do adolescente Macroárea: cidadania e civismo Esse tema possibilita reflexões na escola sobre direitos e deveres da criança e do adolescente, levando à compreensão de que esse espaço escolar deve promover a interação, a troca de ideias e a cultura de paz, de modo que os estudantes também tomem consciência de seus direitos e deveres. Educação em direitos humanos Macroárea: cidadania e civismo A educação em direitos humanos visa à valorização e ao respeito à diversidade étnica e cultural, buscando a igualdade de direitos e valorizando as formas de viver, de expressar ideias e de manifestar crenças e tradições. XIV Nesta coleção, os temas contemporâneos transversais são abordados por meio de ativi- dades contextualizadas envolvendo assuntos relacionados a eles, como Educação em direitos humanos, Ciência e tecnologia, Diversidade cultural, Educação ambiental e Educação finan- ceira. Nessas atividades, além do desenvolvimento do assunto matemático, os estudantes são levados a realizar pesquisas, a expor e defender suas opiniões e a identificar fake news. Nos comentários página a página do manual, orientamos o professor no trabalho com essas atividades a fim de aprimorar a abordagem dos temas, inclusive, em alguns casos, propondo outras tarefas, como conversar com um profissional ou membro da comunida- de em que ele vive. Além disso, sempre que possível, explicamos como a abordagem dos temas contemporâneos transversais explora o desenvolvimento das competências gerais, em especial a Competência geral 9. Temas contemporâneos transversais Educação para o trânsito Macroárea: cidadania e civismo Esse tema propõe dinâmicas de situações reais e contextualizadas, permitindo aos estudantes que reflitam a respeito do tema e que interajam com o meio social em que vivem. Processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso Macroárea: cidadania e civismo O trabalho com esse tema tem o objetivo de tratar da importância do respeito e da valorização do idoso, desconstruindo o pensamento negativo sobre o envelhecimento ao qual todos estão sujeitos, além de promover discussões que abordam os direitos previstos no Estatuto do Idoso. Vida familiar e social Macroárea: cidadania e civismo Esse tema visa desenvolver a tolerância e o respeito às diferentes formações familiares. Busca também levar os estudantes a compreender o papel das mulheres nas famílias ao longo do tempo com relação às transformações, às permanências e à desconstrução de preconceitos e compreender as complexidades dentro da família e em seu convívio social. Educação alimentar e nutricional Macroárea: saúde Favorecer comportamentos e hábitos saudáveis é o objetivo desse tema, que propõe hábitos alimentares favoráveis à qualidade de vida, abordando culturas e culinárias das diversas regiões do país. Saúde Macroárea: saúde Esse tema busca promover a vida saudável, valorizando-a também no ambiente escolar. O objetivo principal é entender a saúde de maneira positiva e trabalhar com abordagens que levem os estudantes a cuidar da própria saúde. Educação para a valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras Macroárea: multiculturalismo Esse tema é voltado principalmente para a valorização cultural pluriétnica e para o desenvolvimento do combate ao racismo nas relações étnico-raciais. É importante buscar abordagens que colaborem com a construção da valorização cultural pluriétnica, contribuindo para uma sociedade justa, igualitária, democrática e inclusiva. Diversidade cultural Macroárea: multiculturalismo Esse tema tem como principal objetivo sensibilizar os estudantes com relação ao reconhecimento e ao respeito da diversidade étnica e cultural, com abordagens que combatam situações de discriminação. XV Proposta teórico-metodológica do componente curricular de Matemática Objetivos da obra Esta coleção de Matemática – destinada a estu- dantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental – tem por objetivo promover o processo de ensino e de aprendizagem de Matemática por meio de uma linguagem de fácil compreensão, buscando ampliar, assim, o interesse dos estudantes por essa área do conhecimento. A coleção contempla as cinco unidades temáticas propostas pela BNCC: Números, Álgebra, Geome- tria, Grandezas e medidas e Probabilidade e esta- tística. Os conteúdos são retomados em vários mo- mentos da coleção, ampliados e articulados entre si. Sempre que possível, os conteúdos são abordados por meio de situações contextualizadas e próximas à realidade do estudante. Procura-se também asso- ciar os conteúdos a outros componentes curricula- res, como História, Geografia, Ciências, Língua Por- tuguesa e Arte. No decorrer dos volumes, também são propos- tas situações que tratam de temas contemporâneos transversais, favorecendo o debate em sala de aula e a formação de opinião. Além disso, o conhecimento prévio dos estudantes é valorizado e tomado como ponto de partida para a construção de novos co- nhecimentos. As atividades e os textos propostos no livro do estudante incentivam a curiosidade e o espírito de investigação, o desenvolvimento da capacidade de resolver problemas recorrendo à modelagem mate- mática, ao raciocínio lógico-matemático (indução, dedução, abdução ou raciocínio por analogia), à de- dução de algumas propriedades e à verificação de conjecturas. O ensino de Matemática do 6º ao 9º ano Na etapa da vida que corresponde ao Ensino Fundamental, o estatuto de cidadão vai se definindo gradativamente conforme o educando vai [...] assumindo a condição de um sujeito de direitos. As crianças, quase sempre, percebem o sentido das transfor- mações corporaise culturais, afetivo-emo- cionais, sociais, pelas quais passam. Tais transformações requerem-lhes reformulação da autoimagem, a que se associa o desen- volvimento cognitivo. Junto a isso, buscam referências para a formação de valores pró- prios, novas estratégias para lidar com as diferentes exigências que lhes são impos- tas. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. Brasília: MEC: SEB: DICEI, 2013. p. 37. Todos os dias, as pessoas estão envolvidas em situações nas quais é necessário contar, adicionar, subtrair, multiplicar, dividir, medir, comparar etc. Por isso, o conhecimento matemático constitui uma ferramenta de vasta aplicabilidade e deve ser explorado de forma ampla no Ensino Fundamental, desenvolvendo nos estudantes a estruturação do pensamento, a agilização do raciocínio dedutivo e a capacidade de resolver problemas, além de possi- bilitar o apoio à construção de conhecimentos em outras áreas do conhecimento. Além disso, na atual sociedade, a interpretação crítica de informações e sua utilização de modo adequado tornam-se cada vez mais necessárias. Partindo desse princípio, o cidadão deve ser capaz de interpretar e transformar sua realidade, de de- senvolver estratégias pessoais e de utilizar recursos tecnológicos para resolver situações-problema, bem como trabalhar de maneira coletiva e cooperativa, entre outras capacidades. O conhecimento matemático aliado ao saber co- tidiano tem a função de contribuir para a formação de cidadãos capazes de compreender e se comu- nicar na sociedade. Isso porque está relacionado a várias outras áreas, como Ciências da Natureza e Ciências Sociais, e porque está presente nas artes, como em composições musicais e em coreografias, e nos esportes. XVI Conhecer os objetivos gerais para o Ensino Fun- damental de Matemática é essencial para que sejam obtidos bons resultados no processo de ensino e de aprendizagem. Apresentamos a seguir alguns objeti- vos do ensino de Matemática para os Anos Finais do Ensino Fundamental. • Identificar os conhecimentos matemáticos co- mo meios de compreensão e transformação da realidade. • Perceber o caráter intelectual característico da Matemática como meio que incentiva a curio- sidade, o interesse, o espírito investigativo e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas. • Realizar observações empíricas do mundo real com o objetivo de estabelecer relação com conteúdos matemáticos estudados e, com base neles, fazer induções e conjecturas. • Selecionar, organizar e produzir informações significativas com o objetivo de interpretá-las e avaliá-las criticamente. • Formular e resolver situações-problema a fim de desenvolver formas de raciocínio e proces- sos utilizando conceitos e procedimentos ma- temáticos, além de instrumentos tecnológicos disponíveis. • Comunicar-se em linguagem matemática usan- do linguagem simbólica. • Estabelecer relações entre o conhecimento ma- temático e o conhecimento de outras áreas do conhecimento. • Ter segurança na própria capacidade de cons- trução do conhecimento matemático. • Deduzir algumas propriedades matemáticas e verificar conjecturas. A resolução de problemas As situações-problema estão presentes em todos os volumes desta coleção e apresentam diferentes objetivos, tais como: • abordar conteúdos e conceitos; • apresentar diferentes estratégias de resolução; • promover a troca de ideias entre os estudantes por meio de questões abertas; • resgatar o conhecimento prévio dos estudantes sobre determinado conteúdo; • aplicar técnicas e conceitos trabalhados anteriormente. Nas orientações educacionais para o ensino de Matemática, a resolução de problemas tem conquis- tado um papel de destaque em razão dos benefí- cios que pode oferecer ao processo de ensino e de aprendizagem desse componente curricular. Nela, defende-se a proposta de que conceitos, ideias e métodos matemáticos devem ser aborda- dos por meio de situações-problema que levem os estudantes a desenvolver suas estratégias de resolu- ção. Em resumo, uma situação-problema é o ponto de partida da atividade matemática. [...] Um dos maiores motivos para o estudo da Matemática na escola é desenvolver a habilidade de resolver problemas. Essa ha- bilidade é importante não apenas para a aprendizagem matemática da criança, mas também para o desenvolvimento de suas potencialidades em termos de inteligência e cognição. Por isso, acreditamos que a reso- lução de problemas deva estar presente no ensino de matemática, em todas séries es- colares, não só pela sua importância como forma de desenvolver várias habilidades, mas especialmente por possibilitar ao aluno a alegria de vencer obstáculos criados por sua própria curiosidade, vivenciando, as- sim, o que significa fazer matemática. Para uma criança, assim como para um adulto, um problema é toda situação que ela enfrenta e não encontra solução imedia- ta que lhe permita ligar os dados de partida ao objetivo a atingir. A noção de problema comporta a ideia de novidade, de algo nun- ca feito, de algo ainda não compreendido. Dessa forma, a primeira característica da abordagem de resolução de problemas que propomos é considerar como problema toda situação que permita algum questionamen- to ou investigação. SMOLE, Kátia Stocco; DINIZ, Maria Ignez; CÂNDIDO, Patrícia (org.). Resolução de problemas. Porto Alegre: Artmed, 2000. p. 13. (Coleção Matemática de 0 a 6). Ao se engajar nesse processo, os estudantes po- derão: XVII [...] identificar e selecionar informações relevantes, buscar padrões, relações e ge- neralizações; formular planos e procedimen- tos, integrar e empregar conceitos e habili- dades aprendidos previamente; e estender seu conhecimento a novas situações. [...] HOUSE, Peggy A. Aventurando-se pelos caminhos da resolução de problemas. In: KRULIK, Stephen; REYS, Robert E. (org.). A resolução de problemas na matemática escolar. São Paulo: Atual, 1997. p. 234. Isso pode contribuir para que eles deixem de ser apenas espectadores e se tornem agentes no pro- cesso de aprendizagem da Matemática. Alguns pesquisadores afirmam que a principal razão e a real justificativa para ensinar Matemática são sua utilidade e a capacitação que ela desenvol- ve no estudante para resolver problemas, os quais devem exigir do estudante uma interpretação do enunciado, uma reflexão sobre os dados envolvidos e uma definição de sua estratégia de resolução. Nes- sa concepção, o educando terá a oportunidade de desenvolver o espírito crítico, o raciocínio lógico e o modo de pensar matemático, bem como perceber que a Matemática pode ajudar na resolução de pro- blemas comuns do dia a dia. Com a resolução de problemas, tem-se a opor- tunidade de tornar os estudantes em cidadãos com capacidade de desenvolver as próprias estratégias de resolução nas mais diversas situações. [...] Na perspectiva de uma sociedade muito flexível nas demandas trabalhistas e culturais de seus cidadãos e, ao mesmo tempo, muito competitiva, não basta pro- porcionar conhecimentos “empacotados”, fechados em si mesmos. Ao contrário, é pre- ciso tornar os alunos pessoas capazes de enfrentar situações e contextos variáveis, que exijam deles a aprendizagem de novos conhecimentos e habilidades. [...] POZO, Juan Ignacio (org.). A solução de problemas: aprender a resolver, resolver para aprender. Tradução: Beatriz Afonso Neves. Porto Alegre: Artmed, 1998. p. 9. Para que o trabalho com a resolução de pro- blemas possa ser viabilizado, é necessário que o professor promova situações em sala de aula que possibilitem aos estudantes vivenciar experiências nas quais ela esteja presente. Nesta coleção, as si- tuações-problema são apresentadas com o propó- sito de desenvolver no estudante habilidades que lhe permitam enfrentar situações em contextos va- riáveis, no âmbito escolar ou não. Nessa proposta, as atividades visam motivar os estudantes a resga- tar conhecimentosprévios, desenvolver estratégias próprias de resolução e verbalizar seu raciocínio por meio da oralidade e de registros escritos. A prática docente Atualmente, a interação dos estudantes com a tecnologia incorporou mudanças de comportamen- to em sala de aula, e essa “geração digital” passou a exigir do professor a mesma alteração. Eles espe- ram, por exemplo, que o professor utilize essa tec- nologia em suas aulas. Com isso, seu papel, mesmo sendo essencial, passa a ser redimensionado signifi- cativamente. Assim como a sociedade, a comunidade escolar e mais especificamente o estudante têm passado por mudanças, por uma transição de metodologias de ensino. O estudante passa a ter participação ativa no processo de ensino e de aprendizagem, ou seja, torna-se protagonista da construção de seu conheci- mento. Nesse sentido, o professor torna-se um me- diador e um avaliador de processos, ou seja, aquele que ajuda a fornecer as informações necessárias pa- ra que o estudante tenha condições de construir seu conhecimento, reestruturando o processo quando necessário. Para Santaló: a missão dos educadores é preparar as novas gerações para o mundo em que terão que viver. Isto quer dizer proporcionar- lhes o ensino necessário para que adquiram as destrezas e habilidades que vão necessitar para seu desempenho, com comodidade e eficiência, no seio da sociedade que enfren- tarão ao concluir sua escolaridade. [...] SANTALÓ, Luis Antônio. Matemática para não matemáticos. In: PARRA, Cecilia; SAIZ, Irma (org.). Didática da matemática: reflexões psicopedagógicas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. p. 11. Sendo assim, o professor deve assumir os papéis descritos a seguir. • Provedor: aquele que torna os conceitos e os conteúdos matemáticos passíveis de serem XVIII aprendidos pelos estudantes, fornecendo in- formações necessárias que eles ainda não têm condições de obter sozinhos. Para isso, o pro- fessor deverá ter um sólido conhecimento dos conteúdos que serão trabalhados. • Orientador: aquele que conduz e organiza o trabalho em sala de aula, buscando desenvolver a autonomia dos estudantes. • Incentivador: aquele que motiva continuamen- te os estudantes, incentivando-os a refletir, in- vestigar, levantar questões e trocar ideias com os colegas. Diante disso, é importante que o professor co- nheça as condições socioculturais, as expectativas e as competências cognitivas dos estudantes. Assim, terá condições de selecionar situações-problema re- lacionadas ao cotidiano de sua turma. É relevante também o trabalho de determinado conteúdo em diversos contextos, a fim de que eles desenvolvam a capacidade de generalização. Além disso, o professor precisa ter conhecimento das mudanças que ocorrem dentro e fora da esco- la. Nesse aspecto, a formação do professor é fun- damental, não se resumindo apenas à graduação ou à especialização, mas à formação continuada, a fim de acompanhar o desenvolvimento de estudos e os progressos que ocorrem no âmbito educacional. Não basta, por exemplo, que um professor de Matemáti- ca saiba o conteúdo da área; é necessário que ele co- nheça psicologia, pedagogia, linguagem, sexualidade, infância, adolescência, sonho, afeto, vida etc. Para se informar a respeito das mudanças que ocor- rem fora da escola, o professor precisa estar atento às constantes transformações e evoluções sociais, para, dessa maneira, verificar se seu trabalho contribui para a construção do conhecimento do estudante enquan- to cidadão. De acordo com Brousseau: o professor é uma espécie de ator. Atua segundo um texto escrito em outro contex- to e segundo determinada tradição. Pode- mos imaginá-lo como um ator da Commedia dell’arte: improvisa na hora, em função de um argumento ou uma trama. [...] BROUSSEAU, Guy. Os diferentes papéis do professor. In: PARRA, Cecilia; SAIZ, Irma (org.). Didática da matemática: reflexões psicopedagógicas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. p. 71. Planejamento Como parte da prática docente, o planejamento tem o intuito de auxiliar o professor a se organizar quanto ao conteúdo curricular que precisa trabalhar e às situações cotidianas de uma sala de aula nu- merosa. Trata-se de uma estratégia de organização para elencar os objetivos que pretende alcançar; as habilidades e competências que se pretende de- senvolver; os conteúdos que necessita preparar; a maneira como o ensino pode ser conduzido; além da verificação dos materiais que utilizará visando ao êxito nas aulas. Embora tenha a intenção de programar o anda- mento diário ou semanal dos conteúdos e das prá- ticas, o planejamento deve ser pensado e produ- zido de maneira flexível, permitindo alterações no decorrer do percurso, pois eventualidades podem ocorrer e a necessidade de uma nova condução do ensino deve ser proposta visando à aprendizagem dos estudantes. O planejamento pode ser considerado um rotei- ro norteador, construído de acordo com experiên- cias de falhas e acertos do docente no dia a dia. Ele se torna um instrumento de grande utilidade, principalmente quando o professor já conhece seus estudantes e os ritmos do processo de aprendizado que eles apresentam. Avaliação Um aspecto importante do processo de ensino e de aprendizagem é a avaliação. Nesse sentido, parti- mos do pressuposto de que avaliar consiste em algo essencial a todas as atividades humanas e, conse- quentemente, a toda proposta educacional. A avaliação não pode ser pensada como algo iso- lado, estanque, mas como parte do processo de en- sino e de aprendizagem, vinculada a um projeto pe- dagógico coerente com relação às suas finalidades. XIX Pensar na ação avaliativa consiste em refletir sobre todos os elementos que compõem o processo de ensino de aprendizagem, ou seja, enxergá-la como parte de um todo. Vista por essa ótica, como parte de um projeto pedagógico, a avaliação passa a ser uma forma de verificação da eficácia do método didático-pedagó- gico do professor. Com base nos resultados das ava- liações, o professor tem como refletir se os elemen- tos de sua prática estão adequados aos objetivos que pretende atingir e se favorecem a aprendizagem dos estudantes, de modo que possa reorientar sua prática pedagógica quando necessário. Outro papel importante do processo avaliativo diz respeito aos estudantes. É preciso dar a eles a oportunidade de verificar suas dificuldades e ne- cessidades na construção do conhecimento. E, por meio da avaliação, eles poderão tomar consciência dos conteúdos que já aprenderam e também identi- ficar se é necessária uma dedicação maior com rela- ção a alguns assuntos. A fim de que a avaliação possa contribuir para uma aprendizagem bem-sucedida por parte dos es- tudantes, é necessário que ela: [...] deixe de ser utilizada como recurso de autoridade, que decide sobre os destinos do educando, e assuma o papel de auxiliar o crescimento. [...] LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2006. p. 166. Diante das considerações apresentadas anterior- mente, o processo de avaliação deve ser contínuo e praticado diariamente no ambiente escolar. Uma avaliação contínua é uma maneira de o professor estar ciente das conquistas da turma e, desse modo, manter-se atento às falhas que podem ocorrer no processo de ensino e de aprendizagem da Matemá- tica. Avaliação é “movimento”, é ação e refle- xão. Na medida em que as crianças reali- zam suas tarefas, efetivam muitas conquis- tas: refletem sobre suas hipóteses, discu- tem-nas com pais e colegas, justificam suas alternativas diferenciadas. Esses momentos ultrapassam o momento próprio da tarefa. E, portanto, não se esgotam nelas. As ta- refas seguintes incluem e complementam dinamicamente as anteriores. A média de escores, na escola, e a concepção constati- va do teste, se contradiz a esse dinamismo. Obstaculiza, provoca a estagnação, as arbi- trariedades. [...] HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação: mitoe desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 2005. p. 52. Para proporcionar um trabalho contínuo de ava- liação dos estudantes, o professor pode utilizar di- versos recursos, a fim de auxiliá-lo nesse processo. Apresentamos a seguir alguns deles. • Registros orais, que permite ao professor com- preender como os estudantes estão desenvol- vendo o pensamento e que estratégia estão elaborando na resolução de uma situação ma- temática, a fim de acompanhar a evolução das ideias manifestadas por eles. • Registros escritos, que se referem às anotações que os estudantes fazem ao realizar atividades. • Registros pictóricos, por meio de desenhos, que permitem aos estudantes representar seu conhecimento durante a atividade. Mediante a utilização de instrumentos que envol- vam a produção escrita dos estudantes, o professor terá: [...] valiosas informações sobre o modo como compreenderam e registraram suas ideias a respeito de uma situação apresen- tada. Tais informações fornecem rico mate- rial para o professor incorporar ao seu re- pertório no planejamento das aulas e para orientar suas escolhas didáticas, servindo como referência para conversar sobre mate- mática com o aluno. [...] BURIASCO, Regina Luzia Corio de; CYRINO, Márcia Cristina de Costa Trindade; SOARES, Maria Tereza C. Um estudo sobre a construção de um manual para correção das provas com questões abertas de matemática – AVA2002. In: VIII ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA, 2004, Recife. Anais... Recife: UFPE, 2004. p. 2. XX Por meio de recursos que possibilitem a comuni- cação oral, professor e estudantes poderão traba- lhar na negociação de significados sobre conceitos, ideias matemáticas relacionadas a eles e estratégias e procedimentos de resolução de problemas, visan- do auxiliar a turma no processo de aprendizagem da Matemática. Organizar os trabalhos feitos pelos estudantes em pastas ou arquivos individuais é outra estratégia. Por meio desses arquivos, é possível verificar e iden- tificar os registros e os acertos indicados por eles, além de problemas de aprendizagem, permitindo um acompanhamento da evolução de cada um. Outra questão importante na avaliação é mantê- -los sempre informados de suas competências. Ati- tudes como a valorização do esforço e comentários sobre a maneira como constroem e se apropriam dos conhecimentos incentivam e conscientizam os estudantes da própria aprendizagem. Desse modo, a avaliação pode assumir diferentes formas para cumprir com diferentes objetivos. • Avaliação diagnóstica: normalmente realizada antes de iniciar o trabalho com determinado conteúdo curricular. Tem o objetivo de sondar o que os estudantes sabem sobre determina- do conteúdo e permite ao professor se basear nesses conhecimentos para planejar suas aulas. • Avaliação formativa (ou de processo): comu- mente realizada no decorrer do desenvolvimen- to do conteúdo em estudo. Tem o objetivo de verificar se os estudantes estão acompanhando e compreendendo o conteúdo em estudo. As- sim, é possível retomar o processo de ensino e de aprendizagem em tempo real, dar feedbacks à turma e rever estratégias de ensino. • Avaliação somativa (ou de resultado): geral- mente proposta ao final do trabalho com os conteúdos curriculares. Tem cunho classificató- rio, por meio de notas, por exemplo, com a intenção de verificar qual foi o aproveitamen- to obtido pelos estudantes. Com esse tipo de avaliação, é possível ter um panorama sobre as aprendizagens da turma e rever estratégias pa- ra suprir possíveis dificuldades dos estudantes. No processo de avaliação dos estudantes, o livro didático precisa cumprir o papel importante de con- tribuir com questões de relevante significado. Por is- so, esta coleção propõe ao professor oportunidades progressivas de verificar o rendimento da turma e analisar a prática pedagógica utilizada durante o de- senvolvimento das unidades. Em cada volume, há a preocupação em oferecer subsídios suficientes para a avaliação acontecer de maneira contínua e coeren- te na sala de aula, como é o caso, por exemplo, das sugestões de atividades apresentadas nas seções O que eu já sei? (atividades que podem ser utilizadas como avaliação diagnóstica), O que eu estudei? (atividades que podem ser utilizadas como avaliação formativa) e O que eu aprendi? (atividades que po- dem ser utilizadas como avaliação somativa), além de outras propostas indicadas no boxe Sugestão de avaliação, presentes nas orientações ao professor deste manual ao redor das reproduções das páginas do livro do estudante. Esta coleção tem o intuito de auxiliar o profes- sor a preparar os estudantes para desafios futuros. Por esse motivo, apresenta atividades que possibi- litam o preparo deles para exames de provas ofi- ciais, como as aplicadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que visam mensurar a qualidade da aprendizagem. Por meio da linguagem ou da estrutura das atividades, os estudantes entra- rão em contanto com exercícios avaliativos que se assemelham aos propostos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), não perdendo a intencionalidade de também servir como parâmetro diagnóstico ou formativo de uma avaliação. Fichas de avaliação e autoavaliação Para facilitar o trabalho do professor, ele pode fazer uso de fichas para avaliar o desempenho de cada estudante e, assim, elaborar um relatório indi- vidual de acompanhamento da aprendizagem. A seguir, apresentamos o modelo de uma ficha utilizada para auxiliar no acompanhamento do de- senvolvimento individual dos estudantes, com o ob- jetivo de avaliar seus conhecimentos, habilidades, suas atitudes e seus valores. XXI Modelo de ficha de acompanhamento individual Nome do estudante: Componente curricular: Turma: Período letivo de registro: Acompanhamento de aprendizagem por objetivos e/ou habilidades Não consegue executar Executa com dificuldade Executa com facilidade Observações Exemplo por objetivo: Realizar pesquisa amostral envolvendo um tema da realidade social. Exemplo por habilidade: (EF09MA23) Planejar e executar pesquisa amostral envolvendo tema da realidade social e comunicar os resultados por meio de relatório contendo avaliação de medidas de tendência central e da amplitude, tabelas e gráficos adequados, construídos com o apoio de planilhas eletrônicas. Acompanhamento socioemocional Desenvolvimento do estudante Sim Às vezes Não Observações Escuta com atenção a explicação dos conteúdos? Questiona quando não compreende o conteúdo? Faz uso correto da oralidade e/ou escrita para se expressar? Desenvolve as atividades com autonomia? Participa de maneira responsável das atividades propostas dentro e fora da sala de aula? Coopera com os colegas quando seu auxílio é solicitado? Demonstra ter empatia pelas pessoas de seu convívio? Demonstra zelo pelos seus materiais e pelos espaços da escola? Informações sobre o progresso nesse período letivo O exercício de ensino e de aprendizagem não deve ser uma responsabilidade ape- nas do professor. Ele também deve ser compartilhado com os estudantes, para que eles identifiquem seus avanços e seus limites. Com isso, o professor terá melhores condições de avaliar sua metodologia de ensino. Uma das sugestões para esse processo é o uso de fichas de autoavaliação, por meio das quais eles são incentivados a refletir sobre o próprio desenvolvimento em sala de aula e no processo de aprendizagem. A seguir, apresentamos um modelo de ficha de autoavaliação. XXII Relações entre os componentes curriculares Considerando as tendências atuais no âmbito da educação e em consonância com os princípios da BNCC, a interdisciplinaridade passou a ser frequentemente sugerida no tra- balho escolar. De modo geral, ela tem sido entendida como uma maneira de articular duas ou mais áreas do conhecimento por meio da exploração de determinado assunto, visando à análise, à discussão e à compreensãode tal tema sob os diferentes pontos de vista apre- sentados em cada uma dessas áreas. Esse modo de trabalho pode auxiliar os estudantes na construção de conhecimentos em uma perspectiva múltipla, com a participação dos professores de outros componentes curriculares e de outras pessoas da comunidade es- colar e da comunidade local. Nesse sentido, o ensino da Matemática deve: [...] engajar-se na crescente preocupação com a formação integral do aluno como cidadão da sociedade contemporânea onde cada vez mais é obrigado a to- mar decisões políticas complexas. Introduz-se, assim, definitivamente, na agen- da da Matemática escolar, o ensino voltado para a formação de cidadãos críticos e responsáveis. [...] TOMAZ, Vanessa Sena; DAVID, Maria Manuela Martins Soares. Interdisciplinaridade e aprendizagem da matemática em sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p. 15. (Coleção Tendências em Educação Matemática). Quando os componentes curriculares são usados para a compreensão dos detalhes de uma situação, os estudantes percebem sua natureza e utilidade. Além disso, o estabeleci- mento de uma relação entre o conhecimento prévio e o recém-adquirido, inclusive envol- vendo outras áreas do conhecimento, permite a criação de conflitos cognitivos, demons- trando a necessidade de reorganização de conceitos e dando significado à aprendizagem. Nesse sentido, a Matemática permite um trabalho integrado, por exemplo, com Geografia, História, Ciências, Língua Portuguesa, Educação Física e Arte. Para que o trabalho interdisciplinar seja bem estruturado e atinja os objetivos propos- tos em cada planejamento, é necessário atentar à realidade particular do grupo de estu- Ficha de autoavaliação Nome: Sim Às vezes Não Tenho interesse em participar das atividades realizadas em sala de aula? Compreendo os assuntos abordados pelo professor? Falo com o professor sobre minhas dúvidas? Expresso minhas opiniões durante os trabalhos em sala de aula? Mantenho um bom relacionamento com meus colegas de turma? Organizo meu material escolar?