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Conceitos e Contextualização da Psicopedagogia Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Mônica Hoehne Mendes Revisão Textual: Aline Gonçalves Psicopedagogia: Um Elo entre a Pedagogia e a Psicologia Psicopedagogia: Um Elo entre a Pedagogia e a Psicologia • Apresentar o surgimento da Psicopedagogia no Brasil como demanda das dificuldades de aprendizagem; • Entender como se deu a constituição da Psicopedagogia enquanto área de conhecimento; • Desenvolver posicionamento próprio e embasado a respeito das linhas teóricas envolvidas na construção da Psicopedagogia. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Voltando um Pouco às Origens; • Compreendendo o Termo Psicopedagogia; • A Psicopedagogia: do Ontem ao Hoje; • E o Reconhecimento? • A Formação em Psicopedagogia. UNIDADE Psicopedagogia: Um Elo entre a Pedagogia e a Psicologia Voltando um Pouco às Origens Desde a década de 1960, os educadores sentiam-se carentes de conhecimentos mais fundamentados sobre as questões de leitura e escrita, em função disso, come- çaram a buscar orientações com profissionais argentinos, como o Prof. Julio Quirós (médico foniatra, neurologista e professor) e outros profissionais do Centro Médico de Investigações de Buenos Aires. Essa iniciativa gerou o surgimento de alguns núcleos de pedagogia terapêutica (SCOZ; MENDES, 1987). A carência de conhecimentos sobre dificuldades de aprendizagem provocou o aparecimento dos primeiros cursos com enfoque psicopedagógico na década de 1970, em São Paulo, mas os sujeitos com dificuldades eram encaminhados para au- las particulares, para psicólogos que intervinham na área emocional, e o aluno que apresentasse comportamento de desatenção era encaminhado para o neurologista, pois nesse período a patologia da aprendizagem era nomeada Disfunção Cerebral Mínima (DCM). Ainda segundo Scoz e Mendes (1987), no século XIX, na França, fazia-se uma intervenção pedagógica curativa para atender às demandas de desadaptação escolar e deficiência infantil, e no início do século XX, na Europa Central, a atitude dos pedagogos modifica-se graças à divulgação de conhecimentos e conceitos psicana- líticos, permitindo, assim, uma melhor compreensão dos fenômenos subjetivos na vida das pessoas. No momento seguinte é a medicina que passa a observar, classi- ficar e nomear as ações dos estudantes que os levava ao insucesso escolar. Desta forma, inicia-se a reeducação como uma atividade que procura cuidar das dificulda- des de aprendizagem, o que minimamente atendia essas necessidades, porém sem solucioná-las de maneira efetiva. A década de 1970 foi o período em que a dislexia e as desordens psicomotoras tomam maior vulto e a busca por informação e formação aumenta significativamente. Nesse contexto, os reeducadores mais sensíveis percebiam que a superação das difi- culdades acontecia não somente pelos exercícios realizados pelos alunos, mas, acima de tudo, pela relação que se estabelecia entre o sujeito e o reeducador. Os reeducadores que passaram a levar em conta a subjetividade por meio do olhar psicanalítico foram, de certa forma, precursores da forma atual da Psicopedagogia, principalmente aqueles que acreditavam na possibilidade de mudança do sujeito com dificuldade de aprendizagem. Vemos assim que a Psicopedagogia surge como um fazer empírico para atender crianças com dificuldade de aprendizagem. O primeiro curso regular de Psicopedagogia em São Paulo surgiu em 1979, no Instituto Sedes Sapientiae, que se destina desde então a promover cursos de aper- feiçoamento e especialização. O que nos chama a atenção é que esse curso desde o início introduz o atendimento aos alunos da rede pública, contemplando o aspecto vivencial das pessoas que eram alunas do curso de Psicopedagogia. 8 9 Na década de 1980, outros cursos surgiram em São Paulo e houve a criação da Associação de Psicopedagogos de São Paulo, com o intuito de contemplar uma demanda das pessoas que faziam sua formação principalmente a respeito do perfil desse novo profissional: o psicopedagogo. Afinal, quem é esse profissional? Quais suas atribuições? A Contribuição dos Psicopedagogos Argentinos A partir daí, profissionais de outros estados, que também estavam envolvidos com estudos voltados à aprendizagem, passaram a interagir com os profissionais paulistas; foi nesse momento que chegou o Prof. Jorge Visca, argentino que já desenvolvia um trabalho com professores da PUC – Rio de Janeiro. Sua contribuição dava-se por meio da articulação das propostas de Jean Piaget e Pichon-Rivière com enfoque para as questões da aprendizagem. Na verdade, ele desenvolvia um curso para esse grupo de educadores cariocas em módulos anuais. Na sequência, foi a Prof.ª Ana Maria Rodrigues Muniz, da Faculdade de El Salvador, de Buenos Aires, quem chegou ao Brasil, com uma visão mais dinâmica de Psicope- dagogia. Assim a compreensão do que é “um olhar psicopedagógico” fica mais clara para todos que se submeteram aos cursos e às supervisões com esses profissionais. Em 1984 aconteceu o I Encontro de Psicopedagogos em São Paulo, que contou com a participação de profissionais de onze estados brasileiros e de alguns países da América Latina (Chile, Uruguai e Argentina). Os conferencistas trouxeram trabalhos que mostravam a aplicação de teorias da psicolinguística e a presença de aspectos envolvidos na aprendizagem. No desdobramento desse encontro surge um periódico que procura atender a necessidade de publicações de cunho científico relacionadas às pesquisas sobre os problemas de aprendizagem. O II Encontro se realiza em 1986, e é nesse momento que se decide a transfor- mação da Associação de Psicopedagogos de São Paulo para Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), estendendo a possibilidade de criação de seções em outros estados do Brasil. A associação se faz presente até os dias atuais e tem um papel marcante na divul- gação de estudos e pesquisas realizados na área, além de proporcionar eventos que promovem o encontro dos profissionais para maior troca de experiências e aprofun- damento de seus estudos. No site da ABPp, você pode conferir informações sobre a associação, como a história, documentos relacionados à atuação do grupo, legislação, notícias, artigos, entre outros. Acesse em: https://bit.ly/2Z6s1fB 9 UNIDADE Psicopedagogia: Um Elo entre a Pedagogia e a Psicologia Ainda na década de 1980, outra profissional argentina que veio ao Brasil para palestras foi Sara Pain, que apresentava um pensamento bem aprofundado e con- sistente com base na psicanálise lacaniana. Foi Sara Pain quem assessorou a equipe da Associação Brasileira de Psicopedagogia para alinhar os campos de atuação do psicopedagogo (como veremos em outra unidade). O Berço Histórico na Argentina Será interessante conhecermos melhor o porquê da influência tão marcante da Argentina para o desdobramento da Psicopedagogia no Brasil, além de considerar a proximidade geográfica entre os dois países. Já falamos da vinda de profissionais argentinos para o nosso país e que em muito contribuíram para a nossa forma- ção, mas é importante que se saiba que, quando nós iniciamos nosso movimento em busca desse saber, lá o curso de graduação em Psicopedagogia já existia há 30 anos. Segundo Bossa, temos conhecimento de que o início do “fazer psicopedagógico”, assim como ocorreu no Brasil, foi pela reeducação, com o objetivo de atender os casos que, na época, eram nomeados como fracasso escolar. Em seguida, esses profissionais passaram a considerar as funções egoicas, tais como memória, percep- ção, atenção, pensamento etc., mediando os deficits por meio de um trabalho que ajudasse os sujeitos a vencer suas dificuldades. Segundo Fernandez (apud BOSSA, 2000), Buenos Aires foi a primeira cidade argentina a ter uma Faculdade de Psicopedagogia. Lá a formação manteve-se atrelada à área da Educação pela necessidade de orientar o processo educativo. Na década de 1970, começaram a surgir em Buenos Aires os Centrosde Saúde Mental para realizar diagnóstico e tratamento. A grande mudança na abordagem psicopedagógica argentina acontece quando os psicopedagogos passam a realizar o seu trabalho utilizando a escuta e o olhar clínico da Psicanálise, o que persiste até os dias de hoje. Porém, alguns profissionais recorreram a outras áreas também, como a Psicologia Social de Pichon-Rivière, a Teoria Construtivista de Piaget etc. Compreendendo o Termo Psicopedagogia Está estabelecido que a Psicopedagogia tem caráter interdisciplinar, isto é, é uma área que busca conhecimentos em outros campos teóricos para então dar subsídios à sua ação interventiva. É desta forma que constrói seu próprio corpo teórico e deli- mita seu objeto de estudo. Configura-se, portanto, a Psicopedagogia como uma articulação entre as áreas da Pedagogia e da Psicologia. 10 11 Macedo define a configuração desse acontecimento: A Psicopedagogia sensível à importância coletiva e individual destas duas áreas busca, a meu ver, legitimamente, uma articulação entre elas, mas para isso há que pagar um preço muito caro: o de criar uma nova área. Quando dois todos (Psicologia e Pedagogia, no nosso caso) atuando inde- pendentemente, no espaço ou no tempo, ainda que sobre um mesmo objeto (o ser humano, por exemplo) assimilam-se/acomodam-se recipro- camente, só podem fazê-lo na medida em que se transformam em partes de um novo todo (a Psicopedagogia, no nosso caso). Este obviamente não exclui nem impede que os anteriores continuem com sua vida e desenvol- vimento próprios. (MACEDO, 1992, p. 9) Alguns autores apontam o aspecto polissêmico do termo Psicopedagogia, pois em algumas situações é usado de forma adjetivada, por exemplo, “uma ação psico- pedagógica”, e em outras, de forma substantivada, a “Psicopedagogia Institucional”. Continuando nesse levantamento do uso da palavra, vamos encontrar ainda refe- rência à Psicopedagogia preventiva quando aplicada no âmbito escolar, em que o intuito é intervir junto às manifestações de qualquer nível de dificuldade de aprendi- zagem, antes que se transforme em um transtorno maior. Outra ação encontrada é nomeada como Psicopedagogia Clínica, em que a intervenção acontece de forma individualizada em razão de um problema já instalado com queixa proveniente da instituição escolar e, às vezes, da própria família. Ampliando a definição, encontramos a seguinte descrição de Barone (1994): O trabalho do psicopedagogo consistia em propor à criança a realização de diferentes tarefas e em acompanhá-la na execução, tendo como foco de atenção, não a tarefa em si, mas as diferentes reações da criança frente a ela, como os lapsos, as hesitações, os bloqueios, as repetições, os sen- timentos e angústias presentes. (BARONE, 1994, p. 184) A Psicopedagogia: do Ontem ao Hoje Na reeducação a proposta de trabalho dava-se por intermédio de técnicas que permitissem ao sujeito reter alguns conhecimentos necessários à sua reprodução em situações avaliativas. O trabalho realizado com os estudantes tentava suprir suas defasagens a fim de que pudessem atingir o rendimento para a respectiva idade e série escolar em que se encontravam. Na fase em que recebemos grande interferência da Neurologia na tentativa de explicar os sintomas da dislexia, da hiperatividade e de outras alterações de ordem neurológica, houve um uso acentuado de medicamentação, por esta razão esse período sofria uma leitura dos problemas de aprendizagem extremamente organicista. Em seguida, segundo Rubinstein (2004), a Psicopedagogia adota um modelo dinâ- mico porque leva em consideração a multiplicidade e a complexidade dos aspectos 11 UNIDADE Psicopedagogia: Um Elo entre a Pedagogia e a Psicologia envolvidos: cognitivo, cultural, emocional, social etc. Sendo assim, vamos nos deparar com a multiplicidade das formas de intervenção, já que depende da formação do tera- peuta, de seu embasamento teórico, o que significa dizer que cada profissional possui um estilo de intervenção. A ação psicopedagógica apresenta uma atuação mais toleran- te em relação ao erro, ao fracasso, acolhendo o sujeito com dificuldade, o que possibilita que, por meio de uma atitude mediadora, estimule seu potencial de aprendizagem. Para Jorge Visca (1987, apud BOSSA, 2004, p. 21), a Psicopedagogia no início era amparada pela Medicina e pela Psicologia, mas, com a visão multi e interdiscipli- nar, ela evoluiu a partir do momento em que define seu objeto de estudo: a apren- dizagem! A Psicopedagogia é, portanto, uma área que tem como ponto de partida de seus estudos o processo de aprendizagem, as características da aprendizagem humana, para que possa atender a demanda das dificuldades de aprendizagem. Falamos de uma Psicopedagogia dinâmica ao considerar a ação mais flexível, que não chega com nada predeterminado, pois a intervenção dependerá da singularidade de cada situação, ou melhor dizendo, de cada sujeito (veja a figura a seguir). 1ª fase: ação reeducativa; 2ª fase: a visão organicista; 3ª fase: modelo de intervenção dinâmica. Figura 1 – Fases da Psicopedagogia A Psicopedagogia ocupa-se do processo de aprendizagem para atender as necessi- dades dos sujeitos com dificuldades de aprendizagem (que surgiam em um contexto além dos limites da Psicologia e da Pedagogia), evoluindo a partir de uma práxis cons- truída levando em conta os referenciais teóricos de várias áreas de conhecimento. No início da década de 1990 (mais precisamente no biênio 1991/1992), o Conselho Nacional da ABPp elabora o Código de Ética do Psicopedagogo com intuito de orientar as ações desses profissionais de maneira correta e proba. Esse documento já recebeu duas reformulações, uma na gestão 2011/2013 e outra na 12 13 gestão 2017/2019, a fim de atualizá-lo em relação às transformações que as ações psicopedagógicas vêm sofrendo. Considero relevante refletirmos no sentido de um Código de Ética recorrendo ao conceito da palavra ética na Filosofia! Nesta área pode-se entender a ética como valores herdados em nossas práticas pessoais cotidianas, valores esses adquiridos na própria cultura. Ao nos referirmos a valores, estamos considerando a esfera moral que trata das questões do agir dos homens enquanto sujeitos de suas ações e responsáveis por elas. A ética contemporânea pressupõe um sujeito histórico-social, determinado pelas condições objetivas de sua existência, ao mesmo tempo em que atua sobre elas por meio de sua práxis. Práxis: uma prática refletida . Lembramos ainda que o objeto de reflexão da ética são as experiências morais do ser humano, com base no conhecimento do que é bom ou mau, certo ou errado, justo ou injusto. Ela estabelece os fundamentos e a validade das normas morais e dos juízos de valor. Portanto, consciência moral é a capacidade de discernir o justo do injusto (o bem do mal). O sujeito ético ou moral deve responder pelos seus atos, deve avaliar os efeitos e as consequências de suas ações! Por esta razão, o Conselho da ABPp elaborou o Código de Ética do psicopedagogo para auxiliá-lo na discrimi- nação das situações em que o agir deve estar respaldado por valores morais. Código de Ética. Acesse em: https://bit.ly/2Z49sIV E o Reconhecimento? Ao lado de várias ações, a ABPp vem atuando desde o início dos anos 2000 para conquistar o reconhecimento da profissão. Em um primeiro momento, segundo relato de Noffs, a ABPp elabora e dá entrada, no Congresso em Brasília, a um Projeto de Lei (PL) n. 3512 de 2008 e ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) n. 31/2010, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da atividade de Psicopedagogia e define as Diretrizes Curriculares para a Formação Inicial e Continuada dos profissionais da área em questão. Entretanto, por mudança de gestão política, o PL fica sem “movi- mentação” significativa por alguns anos. Atualmente, o PL retornou ao Congresso, onde se submete aos trâmites legais, sob os cuidados de um senador. Desde 2002 a Psicopedagogia está incluída na Classificação Brasileirade Ocu- pações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), inserida na família 2394-5, a dos Programadores, Avaliadores e Orientadores de Ensino da grande área Educação. Segue a descrição da ocupação: 13 UNIDADE Psicopedagogia: Um Elo entre a Pedagogia e a Psicologia Implementam a execução, avaliam e coordenam a (re)construção do pro- jeto pedagógico de escolas de educação infantil, de ensino médio ou en- sino profissionalizante com a equipe escolar. No desenvolvimento das ati- vidades, viabilizam o trabalho pedagógico coletivo e facilitam o processo comunicativo da comunidade escolar e de associações a ela vinculadas. CBO é classificação de ocupação, não é identificação profissional para atuação. A Formação em Psicopedagogia A formação em Psicopedagogia acontece prioritariamente em cursos de pós-gradua- ção lato sensu, atualmente em vários estados do Brasil, e em cursos de graduação em poucos estados. A ABPp procura acompanhar e atender os coordenadores desses cursos, organizando uma reunião com eles nos congressos e simpósios que promove, viabilizando assim a integração para pensar a Psicopedagogia brasileira. Quanto aos cursos de pós-graduação lato sensu, é importante que se esclareça que eles surgiram não em função da Psicopedagogia, e sim em um período em que os cursos de pós-graduação stricto sensu não conseguiam finalizar o processo de titulação em tempo hábil, por essa razão surgem os cursos lato sensu com 360 horas de carga horária para agilizar a entrada dos professores no ensino superior. Entretanto, quando os cursos de Psicopedagogia iniciaram, constatou-se que essa carga horária não era suficiente. A ABPp chegou a elaborar um documento nomeado Diretrizes da Formação de Psicopedagogos no Brasil, no qual se propunha o perfil profissional, habilidades e competências, níveis de formação: graduação, pós-graduação lato e stricto sensu, EAD semipresencial; além disso, esse docu- mento se atentava também aos eixos temáticos, áreas de conhecimento, avaliação, carga horária, atuação supervisionada e trabalho final de curso. Inicialmente, vários cursos procuraram adequar-se a essas propostas, mas ultimamente as institui- ções privadas têm diminuído principalmente a carga horária, comprometendo, em alguns casos, a qualidade da formação. O que podemos constatar de positivo como resultado dos cursos de Psicopeda- gogia foi a produção de monografias ao final e, para apreciá-las, a ABPp promoveu em seus eventos um espaço para que os trabalhos mais expressivos fossem apresen- tados, com direito a receber os comentários de profissionais já consagrados na área. Ao final da década de 1990 já se observava que o trabalho do psicopedagogo era reconhecido pela comunidade, marcando assim a legitimidade da Psicopedagogia, destarte o seu reconhecimento não ter acontecido ainda. Importante! É a partir da formação que se inicia o percurso para a construção da identidade do psicopedagogo! 14 15 Outra questão importante de ser analisada dentro do âmbito da formação é que há a necessidade de sua continuidade, mesmo após a finalização do curso, que se dá por meio de supervisões, grupos de estudos, simpósios, congressos etc. Desta forma, o profissional poderá atualizar-se, sanar suas dúvidas e desenvolver-se mais em sua atuação (veja a figura a seguir). Graduação • Pedagogia; • Psicologia; • Fonoaudiologia; • Serviço Social, etc. Pós-Graduação • Lato Sensu em Psicopedagogia. Formação Continuada • Supervisão; • Grupos de estudos; • Simpósios; • Congressos. Figura 2 – Formações possíveis ao psicopedagogo O profissional que cuida de sua formação de maneira contínua consegue ampliar sua percepção dos aspectos envolvidos nas dificuldades de aprendizagem do sujeito obser- vado; assegura um olhar mais atento ao sujeito em sua afetividade, valores, hábitos e o que aprende espontaneamente, podendo assim encontrar “brechas” para interagir com ele; atualizar seu embasamento teórico para garantir um trabalho eficaz. Essa atuação sempre atenta e atualizada só é conquistada por meio de grupos de estudo e supervisões. Como que elas se operacionalizam? Os grupos de estudo se organizam geralmente em torno de um tema, por exemplo, avaliação, jogos adequa- dos para determinado aspecto: vocabulário, raciocínio lógico, atenção etc., ou ainda o estudo de determinado teórico. Já a supervisão é a busca por um profissional mais experiente para fazer a leitura de um caso em atendimento, ajudando a ter uma compreensão mais detalhada de aspectos muitas vezes ocultos nas “entrelinhas” do discurso e das produções. É um momento muito rico, pois permite o aprofundamento teórico de forma muito prática. 15 UNIDADE Psicopedagogia: Um Elo entre a Pedagogia e a Psicologia Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Associação Brasileira de Psicopedagogia https://bit.ly/2Z6s1fB Livros Psicopedagogia: uma prática diferentes estilos RUBINSTEIN, E. (org.). Psicopedagogia: uma prática diferentes estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999. Leitura Psicopedagogia: uma identidade em construção Este artigo se propõe a relatar o processo de construção da identidade da Psicopedagogia, que se inicia a partir da necessidade de profissionais que buscam respaldo teórico para intervir junto aos indivíduos que apresentavam dificuldades em seu processo de aprendizagem. https://bit.ly/3akdgIY ‘Fracasso escolar é o fracasso do sistema educacional’, diz especialista https://glo.bo/2LrmEzv 16 17 Referências BARONE, L. Desejo e aprendizagem: a transferência na relação psicopedagógica. In: SARGO, C. et al. A práxis psicopedagógica brasileira. São Paulo: ABPp, 1994. B OSSA, N. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. M ENDES, M. H. Psicopedagogia: uma identidade em construção. Constr. Psicope- dagógica, São Paulo, v. 14, n. 11, dez. 2006. Disponível em : <http://pepsic. bvsalud. org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542006000100003&lng=pt&nrm =iso>. Acesso em: 28 jan. 2020. NOFFS, N. de A. A formação e regulamentação das atividades em Psicopedagogia. Revista Psicopedagogia, v. 33, n. 100, p. 110-120, 2016. Disponível em: <http:// pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862016000100013>. R UBINSTEIN, E. Da reeducação para a Psicopedagogia, um caminhar. In: ________. (org.). Psicopedagogia: uma prática, diferentes estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo , 2004. (e-book) ________. CASTANHO, M. I; NOFFS, N. de A. Rumos da Psicopedagogia Brasileira. Revista Psicopedagogia, n. 66, p. 225-238, 2004. (on-line). Disponível em: <http:// www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/387/rumos-da-psicopedagogia- brasileira >. SCOZ, B.; MENDES, M. A Psicopedagogia no Brasil: evolução histórica. Boletim – Associação Brasileira de Psicopedagogia, ano 6, n. 13, jun. 1987. ________. et. al. (org.). Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação pro- fissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. SEVERINO, A. J. Filosofia. 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