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Urgência e Emergência
IARA NOGUEIRA
Medicina Veterinária de Pequenos Animais
EDEMA PULMONAR03
05
QUEIMADURA
07
01 EXAME CLÍNICO GERAL
Sumário
RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR02
FRATURA EXPOSTA04
INTOXICAÇÃO POR CARBAMATO E
ORGANOFOSFORADOS
06
HIPERTERMIA
HIPOCO
RADA
CIANÓTI
C
A
H
IP
ERCORADA
Exame clínico geral
TIPOS DE
MUCOSAS
NO
RM
OCORADA
IC
TÉ
RICA
1
 A avaliação da coloração das mucosas é muito importante me
um exame clínico veterinário, uma vez que pode nos fornecer
informações valiosas sobre a saúde do animal. A avaliação consiste
em classificar as mucosas da gengiva, parte interna dos lábios e o
revestimento das pálpebras em: normocorada, hipocorada,
cianótica, hipercorada ou ictérica.
Normocorada: Coloração normal; Saudável.
Hipocorada: Indica anemia.
Cianótica: Distúrbio na hematose.
Hipercorada: Aumento da permeabilidade vascular.
Ictérica: Hiperbilirrubinemia.
 Juntamente com a avaliação da coloração de mucosas, deve-se realizar também o exame de TPC
(Tempo de Preenchimento Capilar). Com o dedo, pressione a gengiva do animal interrompendo
temporariamente o fluxo capilar, resultando em uma palidez momentânea na área pressionada.
Observe o tempo de restauração da coloração original. Um período maior que o esperado para a
restauração do preenchimento desses pequenos vasos sugere a presença de desidratação ou uma
resposta de vasoconstrição periférica.
 Animal sadio: 1 a 2s. Animal desidratado: 2 a 4s Animal gravemente desidratado: > 5 s
AVALIAÇÃO DOS PARÂMETROS VITAIS
Temperatura corporal (°C)
37,8 a 39,2 Jovens:
36,1 a 37,7
Adultos:
37,5 a 39,2
Frequência Respiratória
(Movimentos respiratórios/min)
20 a 40 18 a 36
Frequência cardíaca
(Batimentos cardíacos/min)
120 a 240 60 a 160
LINFONODOS PALPÁVEIS
Submandibular
Inguinal
Poplíteo
Axial
Pré-escapular
Poplíteo
Inguinal
Submandibular
Pré-escapular
Axial
 No exame de palpação dos linfonodos devemos avaliar bilateralmente o tamanho, a consistência e
sensibilidade de cada gânglio linfático. Os gânglios linfáticos são pequenos órgãos que filtram a linfa e
produzem células do sistema imunológico que ajudam a combater infecções. Quando há uma infecção
no organismo, os gânglios linfáticos podem ficar inchados e dolorosos.
Quando realizar?
Parada respiratória
Parada cardíaca
Ressuscitação Cardiopulmonar
2
 A ressuscitação cardiopulmonar se trata de um conjunto de manobras que visam restaurar a circulação
sanguínea para outras partes do corpo do animal, como o coração e o cérebro. O processo consiste em
duas ações: Compressões cardíacas e intubação. 
Avalie respiração e grau de consciência
 Se houver apneia e o animal estiver inconsciente, inicie o
processo de ressuscitação cardiopulmonar.
Posicione o animal.
 Em um local plano e estável, posicione o animal em
decúbito lateral (de preferência com o lado direito para
baixo). Em Gatos ou animais de pequeno porte, utilize a
ponta dos dedos para pressionar o coração. Para cães com
peito em forma de barril (bulldogs, rottweilers, mastins e
staffordshire terriers), vire-os de costas e coloque a palma
da mão dominante sobre a parte mais larga do fundo do
peito (o esterno).
Iniciando as compressões
 Posicione a palma das mãos sobre a costela do animal, onde os
cotovelos tocam o peito e pressione cerca de 1/4 a 1/3 para baixo.
Atente-se à força aplicada, uma vez que em excesso poderá ocasionar
uma lesão no tórax. 
Dica: Realize as compressões seguindo o ritmo de
"Beat it” de Michael Jackson.
 Certifique-se de que seus ombros estejam alinhados com as mãos e
estique bem os braços sem dobrar os cotovelos. Execute de 100 a 120
compressões por minuto. 
 Fonte: Fletcher DJ, et al., 2012.
Repita os passos 3 e 4.
 As manobras devem ser realizadas por 2 minutos. Após esse tempo, verifique os batimentos cardíacos e
a respiração do animal. Caso negativo, repita todo o processo até que o animal se encontre responsivo ou
até a chegada ao local de tratamento clínico.
Encaminhar o animal com urgência para a clínica médica veterinária.
Realize a intubação do animal
 Realize a intubação do animal para que sua respiração seja estabilizada. A respiração “Boca a focinho”
não é mais recomendada por risco de contaminação. 
 As compressões devem ser realizadas simultaneamente e de maneira ininterrupta. 
Edema Pulmonar Cardiogênico
3
O que podemos observar...
...Na anamnese : ...No exame físico :
Tosse noturna, parecendo um “engasgo”
Dispneia - Expiratória de vias aéreas inferiores
Fadiga
Episódios de síncope
Ortopnéia
Sopro sistólico em foco mitral
Crepitação pulmonar
Cianose
 O Edema Pulmonar Cardiogênico é caracterizado pelo acúmulo extravascular anormal de líquidos e
solutos no pulmão, frequentemente como causa da insuficiência cardíaca esquerda, podendo causar a
morte do paciente devido à perturbação das trocas gasosas e da mecânica pulmonar.
 O diagnóstico pode ser concluído após exames radiológicos, análises laboratoriais, eletrocardiografia e
ecocardiografia. Após a confirmação do quadro, inicia-se o tratamento.
ABORDAGEM INICIAL
1º passo: 
Estabeleça um acesso venoso. 
Oxigenoterapia: A suplementação de oxigênio é realizada por meio do uso de máscaras, cateter nasal,
capacete de oxigenação, tubo endotraqueal, gaiola de oxigênio, ou saco fenestrado cobrindo a cabeça.
Cuidado com hipertermia!
É importante evitar a agitação do animal, por esse motivo pode-se realizar a sedação.
Butorfanol: 0,1 a 0,3mg/kg/IM - Mais indicado pois também tem o efeito antitussígeno.
Acepromazina: 0,02 a 0,05mg/kg/IM (pós-carga)
Morfina: 0,1mg/kg/IV (pré-carga)
2º passo:
Mensuração da pressão arterial: Utilize o doppler vascular.
3º passo: Aplicação de diurético intravenoso. Atuam reduzindo a volemia do paciente e causam natriurese.
Furosemida: Efeito diurético; reduz a pós-carga e melhora o esvaziamento ventricular esquerdo. 
Início de ação: 5 minutos 
Pico de ação: 30 minutos 
Tempo de ação: cerca de 2 a 3 horas 
- Cães: 2-8 mg/kg em MÉDIA a cada 2h in bolus 
máximo de 12 mg/kg/dia 
- Gatos:1-4mg/kg a cada 4 a 24horas
Acesso
liberado à
água!
Lembre-se!
 Os tratamentos nunca serão como uma receita de bolo! É
importante ter em mente que é necessário individualizar e
direcionar o tratamento mais adequando considerando a situação
e as características clínicas de cada animal.
Caso não haja melhora, é indicado a ventilação assistida.
Encaminhar o animal com urgência para a clínica médica veterinária.
Fratura Exposta
4
Realize a contenção do animal
Controle do sangramento
Limpeza
 O animal, ao sentir dor, pode reagir defensivamente, podendo ferir o profissional ou agravar ainda mais a
fratura. Dessa forma, realize a contenção com a ajuda de auxiliares, utilizando técnicas de contenção
adequadas para o tamanho e temperamento do animal.
 Uma fratura exposta é quando o osso fraturado se desvia do seu local original, rompendo a pele. 
Saiba como agir inicialmente nessa situação:
 Se houver hemorragia, é crucial controlá-la
imediatamente. Aplique pressão direta na ferida com uma
gaze ou compressa estéril.
Administração de analgésicos e antibióticos.
 Para aliviar a dor do animal, pode-se administrar
analgésicos e antibióticos apropriados. Isso não
apenas ajuda no conforto do animal e previne o
crescimento de bactérias, mas também facilita a
manipulação e o tratamento. 
 Higienize a ferida com solução estéril de salina isotônica ou
de ringer lactato, sendo que dispositivos de pulsação a jato,
contendo pressão, são mais eficientes na remoção de detritos
e bactérias.
Cubra o ferimento e imobilize a fratura.
 Para proteção da ferida em relação a microrganismos externos, utilize uma bandagem estéril ou uma
compressa para cobrir totalmente a lesão. Mantenha úmido com soro fisiológico aquecido. Para minimizar
o movimento e prevenir mais danos à fratura, podemos optar por imobilizar a área afetada. Isso pode
envolver o uso de talas, bandagens ou outros dispositivos de imobilização apropriados.
 O tratamento de lesõesósseas em animais varia conforme idade, tamanho e tipo de fratura. Geralmente,
utiliza-se a inserção de pinos, placas, parafusos ou fios de aço inox para estabilizar os ossos. Além disso,
cirurgias de amputação podem ser consideradas, dependendo da gravidade do impacto no osso.
Encaminhar o animal com urgência para a clínica médica veterinária.
SINAIS CLÍNICOS
Intoxicação por Carbamato e Organofosforados
5
Braquicardia
Dispneia
Sialorreia (salivação excessiva)
Tremores musculares
Vômitos
Pode apresentar convulsões
O método utilizado para tratamento irá depender dos seguintes fatores:
Grau de consciência do animal, quantidade ingerida ou aplicada e tempo
pós exposição/ingestão
TRATAMENTO
Após avaliar os parâmetros vitais, é realizada a administração de Morfina (dosagem de 0,2mg/kg). A
morfina é um analgésico que tem como efeito colateral a êmese (vômitos), dessa forma será administrada
objetivando a expulsão do conteúdo estomacal através da boca.
MORFINA ➜ Animal consciente!
LAVAGEM GÁSTRICA
Deve ser realizada antes da administração de Morfina. Através de uma sonda nasogástrica é inserido soro
fisiológico frio em uma quantidade de 40/60ml para filhotes ou 200ml para adultos.
➜ Animal consciente!
CARVÃO ATIVADO
Esse método de tratamento é recomendado se o animal ingeriu o veneno dentro de 2 horas, uma vez que
o conteúdo ainda estará presente no estômago/intestino.
Via oral - Administrado de 2 em 2 horas por até 12 horas
Dosagens: Granulos ➜ 1-4g/kg; Suspensão ➜ 6-12ml/kg
Juntamente ao carvão ativado, pode-se administrar um catártico (Sorbitol) para a promoção de
diarreia com a finalidade de aumentar a passagem e diminuir o tempo para absorção do veneno.
➜ Animal consciente!
Pode ser aplicada de maneira intramuscular, intravenosa ou subcutânea. Dosagem: 0,2-2mg/kg.
No caso da intoxicação por chumbinho, é recomendada a administração de 1/4 da dose aplicada IV e
o restante via SC ou IM.
ATROPINA
Para definir a estabilidade não podemos utilizar FC como parâmetro e sim o
desaparecimento da salivação excessiva.
Fonte: Saker; Remillard, 2006
Encaminhar o animal com urgência para a clínica médica veterinária.
Hidroterapia imediata
 Molhe as zonas queimadas objetivando a redução de
zonas de coagulação, diminuir o edema, aumentar a
velocidade de reepitelização, auxiliar no controle da dor e
retirar sujidade e debris. 
 Para realizar esse procedimento, molhe a queimadura
com água fria (não gelada) por 15 a 30 minutos. Se preferir
Reanimação volêmica (queimaduras graves > 20%)
Fluidoterapia nas 24 horas iniciais para reposição de volemia: 
Fórmula de Parkland-Baxter: 4ml x peso (kg) x % queimadura ➔ Administrar metade do volume total nas
primeiras 8 horas e o restante nas outras 16 horas. Em caso de gatos, animais idosos ou cardiopatas, as
8 horas iniciais podem se estender até 12 horas. Utilize Ringer com Lactato.
Estime a % queimada do corpo
Lembre-se!
O objetivo é esfriar a queimadura, não
esfriar o paciente. Molhe somente onde
está queimado.
 Queimaduras acima de 20% podem causar choque hipovolêmico por perda excessiva de líquido. 
Dica para realizar a estimativa: Uma pata do animal equivale a aproximadamente 10%.
Queimadura
6
 Encaminhe o animal para uma clínica veterinária imediatamente ou em seguida. É importante que este
animal receba cuidados profissionais no mesmo dia do ocorrido.
Controle da dor
 Para auxiliar no controle da dor, pode-se utilizar opióides e não opióides, atentando-se sempre nas
instabilidades hemodinâmicas que podem surgir. É recomendado o uso de ansiolíticos combinados a
analgésicos. Uma vez que a ansiedade exacerba a dor aguda, pode-se administrar Trazodona ou
Gabapentina. A gabapentina não pode ser prescrita com Tramadol ou outro opióide. 
Suporte nutricional
 Inicie esse suporte em 24 a 48 horas caso o animal não esteja hipotenso. Controle a hipotensão antes
de iniciar. Utilize a via enteral sempre que possível. Pode-se utilizar sonda nasogástrica (cães) ou
esofágica (gatos).
Manejo das queimaduras
Resfriamento e limpeza: Água fria (não gelada) por 15 a 30 minutos. Não utilizar clorexidine ou qualquer
agente de limpeza pois podem inibir a cicatrização. Utilize SF ou sabão suave e água com o auxílio de
gaze estéril. Realize sempre movimentos suaves.
Escarotomia: Remoção precoce de escaras. Realizar assim que possível mas somente quando o animal
estiver estável pois será necessário induzir anestesia.
Antibióticos tópicos: Visa reduzir a infecção das queimaduras. 
Sulfadiazina de prata: bactericida de amplo espectro e tem efeito em fungos.
Mel de uso médico: Promove bom tecido de granulação com menos contração da ferida.
Manejo das feridas: Troca diária de curativos (utilize curativos não aderentes). Pode-se utilizar a Pele de
tilápia (curativo biológico oclusivo). Realize a retirada diária de pele queimada ou tecido necrótico.
utilize um tecido umedecido com água fria. 
Realize a hidroterapia uma ou mais vezes ao dia.
Caso haja comprometimento de vias aéreas por inalação de fumaça, ofereça suplementação de oxigênio.
Manutenção de via aérea: Intubação orotraqueal e VM precoce.
O² em alto fluxo com auxílio de Broncodilatadores.
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MANEIRAS DE
REFRESCAR O ANIMAL!
Uso de ventilador próximo ao
animal ou ar condicionado na
menor temperatura. 
Hipertermia
7
A hipertermia é o aumento da temperatura corporal acima do normal. Ocorre quando a termorregulação
é ineficiente, tornando o animal incapaz de manter sua temperatura no nível ideal. Dessa forma, o calor é
produzido ou armazenado no corpo a uma taxa excessiva.
Um animal com hipertermia pode apresentar, além
do aumento da temperatura corporal:
Taquipneia;
Taquicardia/arritmias;
Rigidez muscular;
Síndromes compartimentais;
Isquemia intestinal;
CID (Coagulação intravascular disseminada);
Tontura (Por falta de oxigenação).
Temperatura ideal para cães e gatos
37.5º - 39.2ºC
Leve o animal para um local
mais fresco e arejado. 
Passe uma toalha com
água na cabeça, pescoço,
virilha, axilas e barriga. 
Jogue um pouco de
álcool 70% na região
da barriga, coxins,
axilas e virilha.
Se ainda não houver
melhora, coloque o animal
em uma banheira de água
fresca. Com muito cuidado
para não descer a
temperatura abruptamente
e/ou em excesso.
Controle a temperatura do animal a cada 5 minutos com o uso de termômetro e
quando a temperatura chegar a 39°C interrompa todos os procedimentos.
Encaminhar o animal com urgência para a clínica médica veterinária.
O objetivo é reduzir a temperatura corporal em 0,5ºC por hora. Banho gelado não é uma
recomendação, uma vez que este pode causar vasoconstrição e dificultar a perda de calor.
Administração de Dantroleno (0,2mg/kg) para bloqueio dos canais de rianodina;
Hiperventilação Fio2 100%;
Controle de hipercalemia e de acidose;
Manutenção da diurese;
Ar condicionado na menor temperatura.
Outros procedimentos na clínica ...
Nossa
equipe
DESIGNER INSTRUCIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA
Gabriella Fossali
Sou estudante de Veterinária e Designer instrucional do
Fisiologia Comigo. Tenho grande satisfação em
simplificar conceitos complexos, transformando-os em
materiais didáticos de fácil entendimento. Cada
material é preparado na base de muito estudo e com
todo carinho. Por ser aluna, sei exatamente do que um
estudante gosta!
FUNDADORA DO FISIOLOGIA COMIGO
Iara Nogueira
Sou Médica Veterinária, professora e pesquisadora.
Acredito em um conhecimento teórico acessível,
apaixonante que se conecta com a prática. Para
alcançar o maior número de alunos da vet possível
idealizei o Fisiologia Comigo e a comunidade Nem só de
Nota se faz um vet. Vem comigo construir sua trajetória! 
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@FisiologiaComigo @FisiologiaComigoIaraNogueira