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MTM 1022 – Equações Diferenciais B Aula 11 Séries de Fourier Vimos que é possível resolver o problema (1) desde que seja possível escrever uma função dada como uma série de senos. Analisaremos agora séries um pouco mais gerais, com a forma 0 1 cos . 2 n n n a n x n x a b sen l l (2) No conjunto de pontos onde a série for convergente, ela define uma função f cujo valor, em cada ponto, é a soma da série para este valor de x. Neste caso, a série (2) é a série de Fourier da função f. Nossos objetivos são determinar que funções podem ser representadas como a soma de uma série de Fourier e achar um método para calcular os coeficientes da série. = 𝑎0 2 + 𝑎1𝑐𝑜𝑠 𝜋𝑥 𝑙 + 𝑏1sen 𝜋𝑥 𝑙 + 𝑎2𝑐𝑜𝑠 2𝜋𝑥 𝑙 +𝑏2sen 2𝜋𝑥 𝑙 + 𝑎3𝑐𝑜𝑠 3𝜋𝑥 𝑙 + 𝑏3sen 3𝜋𝑥 𝑙 +⋯ = 0 1 cos 2 n n n a n x n x a b sen l l Exemplos: 1) A função seno e a função cosseno são periódicas com período fundamental 2) A função é periódica com período fundamental 2 .T 2 .T sen x De fato, 2 2 ( ) ( 2 ) ( ).sen x sen x sen x sen x O período fundamental de é n x sen l 2 . l T n Periodicidade das funções seno e cosseno Uma função é periódica, com período T > 0, se para todo x.:f ( ) ( )f x T f x Se T é um período da função f, então 2T também é um período pois f(x + 2T) = f( x+ T) = f(x). O menor período positivo é chamado período fundamental. As funções constituem um conjunto de funções Um conjunto de funções é mutuamente ortogonal se qualquer par de funções do conjunto for ortogonal. e cos , 1, 2,..., m x m x sen m l l mutuamente ortogonais no intervalo Na realidade, elas satisfazem.l x l 0, cos cos , ; l l m nm x n x dx l m nl l cos 0, quaisquer , ; l l m x n x sen dx m n l l 0, , . l l m nm x n x sen sen dx l m nl l Ortogonalidade das funções seno e cosseno O produto interno de duas funções reais u e v no intervalo é definido porx , ( ) ( ) .u v u x v x dx As funções u e v são ortogonais em se ( ) ( ) 0.u x v x dx x As fórmulas de Euler-Fourier Suponhamos que a série com a forma (2) seja convergente, e chamemos f(x) a sua soma: Os coeficientes podem ser relacionados de maneira bastante simples a f(x) usando as condições de ortogonalidade das funções seno e cosseno. e m ma b Multiplicando a equação (3) por onde n > 0 inteiro fixo e integrando em relação a x, de – l a l, obtemos cos , n x l 0 1 ( ) cos cos cos cos 2 l l l m l l l m an x n x m x n x f x dx dx a dx l l l l 1 cos . l m l m m x n x b sen dx l l Pelas condições de ortogonalidade, deduzimos que o único termo não nulo do segundo membro da equação acima é aquele no qual m=n no primeiro somatório. Portanto, Uma função é seccionalmente contínua se ela tiver apenas um número finito de descontinuidades (todas de primeira espécie) em qualquer intervalo limitado. 1 ( ) cos ( ) cos , 0,1,2, l l n n l l n x n x f x dx la a f x dx n l l l 1 ( ) , 1, 2, l n l n x b f x sen dx n l l Expressão semelhante pode ser obtida para os multiplicando a equação (3) por : n x sen l mb As fórmulas acima para os coeficientes de uma série de Fourier são conhecidas como fórmulas de Euler-Fourier. Séries de Fourier A seguir apresentaremos condições suficientes para que a função f seja igual à sua série de Fourier. :f f tem limites pela direita e pela esquerda em cada um dos pontos de descontinuidade. Não! Uma função é seccionalmente diferenciável se ela for seccionalmente contínua e sua derivada f ’ também for seccionalmente contínua. :f Teorema Seja uma função seccionalmente diferenciável e de período 2l. Então a série de Fourier da função f, dada por :f 0 1 cos 2 n n n a n x n x a b sen l l converge a f(x) se f é contínua em x e para se f é descontínua em x. 1 ( ) ( ) 2 f x f x Observação: é a média dos limites de f à direita e à esquerda no ponto x. 1 ( ) ( ) 2 f x f x Se definimos f(x) como a média dos limites à direita e à esquerda de f em cada um dos pontos de descontinuidade x, então a série de Fourier converge a f(x) para todos os pontos x no intervalo .l x l Exemplo 1: 0, 1 0 ( ) 1, 0 1. x f x x Determine a série de Fourier de f no intervalo 1 1.x Cálculo dos coeficientes: 1 1 1 0 1 ( ) (1 cos ) 1 ( 1) , 1. n n b f x sen n x dx sen n x dx n n n n 2 0 para par e para ímpar.n nb n b n n Portanto, a série de Fourier de f no intervalo é1 1x 1 2 2 2 3 5 2 3 5 sen x sen x sen x 1 1 1 01 0 1 ( ) cos cos sin =0 1.na f x n x dx n x dx n x n n 1 0 1 0 1 1 0 ( ) 0 1,a f x dx dx dx 0 1 ( ) cos 2 n n n a n x n x f x a b sen l l Pelo teorema, esta série converge a zero, se e a 1, se1 0x 0 1.x Em x =0, a série se reduz ao valor 1 . 2 Exemplo 2. Seja f a função que é igual a 1 para e x para2 0x 0 2.x Calcule a série de Fourier de f no intervalo 2 2.x 2l 2 0 2 0 2 2 0 1 1 1 ( ) 2, 2 2 2 a f x dx dx xdx 2 0 2 2 2 0 1 1 1 ( ) cos cos cos 2 2 2 2 2 2 n n x n x n x a f x dx dx x dx 0 2 2 0 2 0 1 1 2 2 2 2 2 2 n x n x n x sen x sen sen dx n n n 2 2 2 2 2 20 0 2 2 0, par 1 2 1 4 2 cos cos 1 4 2 2 2 2 , ímpar n n x n sen dx x n n n n n n 2 0 2 2 2 0 1 1 1 ( ) 2 2 2 2 2 2 n n x n x n x b f x sen dx sen dx x sen dx 0 2 2 0 2 0 1 1 2 2 cos cos cos 2 2 2 2 n x n x n x x dx n n n 2 2 2 0 1 2 2 (1 cos( )) (cos ) 2 2 , par1 (1 cos ) 0, ímpar n n n sen x n n n n n n n n Portanto, a série de Fourier de f no intervalo é2 2,x 2 2 2 2 0 0 4 1 4 3 1 1 cos cos 2 2 9 2 2 4 cos (2 1) / 2 1 sen 1 (2 1)n n x x sen x sen x n x n x n n (*) Pelo teorema, esta série converge a 1, se a x, se a 1/2 se x=0; e a 3/2 se 2 0;x 0 2;x 2.x