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Literatura Infantojuvenil Bases da Literatura Infantojuvenil Prof.a Dr.a Adriana Giarola Ferraz Figueiredo • Unidade de Ensino: 1. • Competência da Unidade: Conhecer a literatura infantojuvenil em sua origem. • Resumo: Será estudado o conceito e a natureza da literatura infantojuvenil, a relação dessa literatura com a "literatura geral" e também com o ensino. • Palavras-chave: Literatura infantojuvenil; narrativas; fantasia. • Título da Teleaula: Bases da Literatura Infantojuvenil. • Teleaula nº: 1. CONTEXTUALIZAÇÃO • Qual é a origem da Literatura Infantojuvenil? • Como se desenvolveu a Literatura Infantojuvenil no mundo? • Como se desenvolveu a Literatura Infantojuvenil no Brasil? • Quais são as bases da Literatura Infantojuvenil? (Disponível em: https://bityli.com/yuxDo. Acesso em: 14 jul. 2020.) CONTEXTUALIZAÇÃO • Charles Perrault (França) • Jacob Grimm e Wilhelm Grimm (Alemanha) • Hans Christian Andersen (Dinamarca) • Monteiro Lobato (Brasil) (Disponível em: https://bityli.com/5KesV. Acesso em: 8 set. 2020.) Conceitos Origem da Literatura Infantojuvenil Literatura Infantojuvenil • Ouvir histórias = história da humanidade. • Literatura para crianças e para jovens: final do séc. XVII e início do século XVIII. Literatura Infantojuvenil • Conceitos de infância e de família. → Cademartori (1986) → Zilberman (1993) • Adaptação de contos populares orais. Os primeiros livros para crianças foram produzidos ao final do século XVII e durante o século XVIII. Antes disso, não se escrevia para elas, porque não existia a “infância”. Hoje, a afirmação pode surpreender; todavia, a concepção de uma faixa etária diferenciada, com interesses próprios e necessitando de uma formação específica, só aconteceu em meio à Idade Moderna. (ZILBERMAN, 2003, p. 15.) Conceitos A Criança A Criança • A criança passou a ser isolada da sociedade, restringindo-se ao círculo familiar e depois à escola. • Na escola: nivelamento por idade; carteiras enfileiradas. (Disponível em: https://bityli.com/bv6xI. Acesso em: 8 set. 2020.) A Criança Narrativa primordial originou-se em parábolas, apólogos, fábulas, narrações mais ou menos simples que perderam o sentido com o passar do tempo, ficando apenas o enredo. (COELHO, 2010, p. 6.) A literatura infantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/impossível realização [...] (COELHO, 2000, p. 27.) Conceitos Das Narrativas Populares à Literatura Infantil • Novelística popular medieval, de raízes indo- europeias (narrativas). • A literatura para crianças e para jovens se especificou. Popularizaram-se na Europa. Transformaram-se em contos folclóricos durante a Idade Média. Passaram a compor a chamada literatura infantil. O Percurso • Apólogo • Fábula • Parábola • Contos de fadas Gêneros (Disponível em: https://bityli.com/Zj6zw. Acesso 10 mar. 2020.) Há um tempo certo para determinadas experiências de crescimento, e a infância é o período de aprender a construir pontes sobre a imensa lacuna entre a experiência interna e o mundo real. [...] Para a criança e para o adulto que, como Sócrates, sabe que ainda existe uma criança dentro do indivíduo mais sábio os contos de fadas exprimem verdades sobre a humanidade e sobre a própria pessoa. (BETTELHEIM, 1980, p. 83.) Resolução da SP Literatura Infantojuvenil e Oralidade Certo dia, uma professora de uma escola estadual levou para seus alunos uma fábula bastante popular: A cigarra e a formiga. Ela buscou uma versão de que gostava. A formiga acolhe a cigarra em sua casa que faz uma música e a canta, no final, com elogios à atitude da formiga. Seus alunos ficaram interessados e aplaudiram, porém, uma aluna disse que a história estava errada. A professora perguntou o porquê e ela respondeu que não era desse jeito a história do livro que sua mãe lia para ela desde que era menor. Descrição da Situação-Problema Como a professora deve resolver essa situação? (Disponível em: https://bityli.com/yuxDo. Acesso em: 14 jul. 2020.) • Para resolver essa situação, a professora precisa ter conhecimento da origem das fábulas, dos principais escritores e das diferentes versões que elas apresentam. • Também pode levar outras versões da mesma história, deixando que os alunos expressem opinião sobre cada versão. • É importante ela enfatizar que não existe versão certa ou errada e que a existência de versões ocorre porque as fábulas circulavam oralmente. Resolução da Situação-Problema Interação Literatura Infantojuvenil Mundial Contar histórias é atividade muito antiga. Até os profetas já falavam dela. Assim, o mais importante que o homem acumulou de sua experiência foi sendo comunicado de indivíduo a indivíduo, de povo a povo. Contar em latim é computare, abreviado de comptare, do qual se originou o vocábulo francês compter. Então, contar é o compito ou conto dos fatos. (GÓES, 1991, p. 125.) A dimensão do maravilhoso cria um imenso teatro de possibilidades nas histórias: tudo pode acontecer. Essa ausência mesmo de fronteiras serve ao propósito moral dos contos, que é precisamente ensinar onde se encontram os limites. O sonhar proporciona prazer por si mesmo, mas também representa uma dimensão prática da imaginação, um aspecto da faculdade do raciocínio, e pode abrir possibilidades sociais e públicas. (WERNER, 1999, p. 18.) Levando em conta os trechos anteriores, reflita sobre o seguinte questionamento. Quem são os autores e quais são os textos mais significativos da literatura infantojuvenil mundial? (Disponível em: https://bityli.com/yuxDo. Acesso em: 14 jul. 2020.) Conceitos Charles Perrault e a Literatura Infantojuvenil Charles Perrault • Charles Perrault publica, na França, em 1697, os Contes du temps passé avec des moralités (adaptações de textos folclóricos). • Sua obra apresenta preocupação com o didático e com o acréscimo de moralidades, que inexistiam nas versões populares. Charles Perrault • Perrault percebeu o interesse e o fascínio das crianças (próprios filhos) pelas histórias contadas pelas amas. • Retirou-se a violência e a referência à sexualidade. Despertando a um só tempo medo e alumbramento, os contos de fadas atraíram ao longo dos séculos tanto defensores entusiásticos, que celebram seus encantos vigorosos, quanto críticos severos, que deploram sua violência. (TATAR, 2004, p. 10.) Conceitos Outros Clássicos da Literatura Infantojuvenil • De uma forma geral, as narrativas orais sempre apresentavam personagens em situações precárias, semelhantes ao povo que as contava, mas acabavam tendo um final feliz, por meio da mágica e do elemento maravilhoso. • No século XIX: os Irmãos Grimm, na Alemanha, e o dinamarquês Christian Andersen (oficialmente), publicaram seus respectivos livros. Outros Clássicos • Os Irmãos Grimm, Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859), na Alemanha, entre os séculos XVIII e XIX, fizeram também uma importante coleta dos contos de fadas. • Essa coleta fazia parte do projeto romântico de construção da germanidade, e seus contos acabaram sendo vistos como histórias para o lar, para a família, e, consequentemente, lidas para as crianças. Os Irmãos Grimm (Disponível em: https://bityli.com/Ri0xg. Acesso em: 8 set. 2020.) • Dinamarquês Hans Christian Andersen (1805- 1875). • Entre seus seis volumes de contos, há inúmeras histórias famosas: O patinho feio, As roupas novas do imperador, A pequena Sereia. • Suas narrativas são uma coletânea de textos curtos, adaptações de contos orais. Hans Christian Andersen Conceitos A Literatura Infantojuvenil no Brasil E no Brasil? • Segundo Lajolo e Zilberman (1999), a literatura infantojuvenil brasileira teve início no final do século XIX e início do século XX. • Nessa produção, constam traduções de textos estrangeiros, obras retiradasdo folclore brasileiro e também produções dirigidas ao uso nas escolas. • Figueiredo Pimentel: Contos da Carochinha (1894). • Olavo Bilac: Contos Pátrios (1904) e Poesias Infantis (1904). Monteiro Lobato (1882-1948) rompe com esse tipo de literatura pedagógica. Seu objetivo era divertir e, em segundo lugar, educar, mas educar para a plena liberdade e para o livre-arbítrio. Desse modo, ele estaria formando leitores no sentido amplo da palavra. Monteiro Lobato (Disponível em: https://bityli.com/1tvZS. Acesso em: 8 set. 2020.) • Glorificação dos heróis e dos vultos da pátria. • Textos que enaltecem os bandeirantes. • Textos que tratam do ambiente rural e apresentam ufanismo. • Fragilização da criança nas histórias, justificando a intervenção do adulto na vida dela. Temas a partir de 1930: retrocesso • Revisão do mundo fantástico tradicional, reescritura dos contos de fadas. • Renovação em obras que mostram um desgaste da imagem exemplar da criança obediente e passiva. • Visão crítica da família e do mundo do adulto. • Aspectos gráficos não são mais subsidiários do texto, mas elementos autônomos. • Emergência do Brasil urbano – transferência das personagens para a cidade. A partir de 1970: novo cenário Resolução da SP Despertando o Interesse pelos Livros Fábio é professor do ensino fundamental. Ele encontrou entre os livros da biblioteca a obra Horror, humor e quadrinhos, de Heloísa Prieto, distribuída pelo MEC no programa PNBE, de 2014. Esse livro, publicado em 2011, faz parte da literatura infantojuvenil brasileira contemporânea. E, como vários outros, mereceria uma forma de ser divulgado. Ele quer escrever uma resenha para divulgar no jornal da escola e chamar a atenção para o livro, despertando o interesse de seus alunos e também dos demais professores. Descrição da Situação-Problema Como ele pode fazer essa resenha? (Disponível em: https://bityli.com/yuxDo. Acesso em: 14 jul. 2020.) • Para escrever sobre essa obra, além das informações fundamentais, como autor, ilustrador, editores, é preciso buscar outros aspectos, respondendo a algumas perguntas: • As ilustrações dialogam com o texto verbal, ampliando suas possibilidades significativas? • Há coerência entre o aspecto verbal e o visual? • O tema é adequado às expectativas do leitor pretendido? • Apresenta linguagem/temática adequadas ao público-alvo? Resolução da Situação-Problema Interação Pedagogismo ou Ludicidade? A literatura infantojuvenil brasileira teve dois momentos altos, que são a produção de Monteiro Lobato e a produção da década de 1970. Nesses dois momentos, a literatura infantojuvenil deixou de lado o pedagogismo para produzir textos lúdicos, que pudessem ser sedutores para a criança. Pensando nisso, leia os versos a seguir, analise e responda ao solicitado. O Menino Azul O menino quer um burrinho para passear. Um burrinho manso, que não corra nem pule, mas que saiba conversar. O menino quer um burrinho que saiba dizer o nome dos rios, das montanhas, das flores, – de tudo o que aparecer. O menino quer um burrinho que saiba inventar histórias bonitas com pessoas e bichos e com barquinhos no mar. E os dois sairão pelo mundo que é como um jardim apenas mais largo e talvez mais comprido e que não tenha fim. (MEIRELES, 1984, [s.p.].) (Quem souber de um burrinho desses, pode escrever para a Ruas das Casas, Número das Portas, ao Menino Azul que não sabe ler.) Nos poemas infantis de Olavo Bilac, temos uma forma poética que é a redondilha e também as quadrinhas com rimas, que mostram o apuro da escrita. Porém, geralmente, acabam perdendo em relação ao conteúdo, já que apresentam uma moral da história. Pensando nisso, o que pode diferenciar os poemas de Bilac do poema lido de Cecília Meireles? (Disponível em: https://bityli.com/yuxDo. Acesso em: 14 jul. 2020.) Conceitos Vamos revisar? REVISÃO Ouvir histórias = história da humanidade. Literatura para crianças e jovens: final do século XVII e início do século XVIII. Charles Perrault. Jacob Grimm e Wilhelm Grimm. Hans Christian Andersen. Monteiro Lobato. Disponível em: https://bityli.com/dBirR. Acesso em: 14 jul. 2020. REFERÊNCIAS BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980. CADEMARTORI, Lígia. História infantil e pedagogia. In: A formação e a noção de sujeito. São Paulo: 1992. COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000. COELHO, Nelly Novaes. Panorama histórico da literatura infantil/juvenil: das origens indo-europeias ao Brasil contemporâneo. 5. ed. São Paulo: Manole, 2010. GÓES, Lucia Pimentel. Introdução à literatura infantil e juvenil. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1991. MEIRELES, Cecília. Problemas da literatura infantil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. TATAR, Maria. Contos de fadas – edição comentada e ilustrada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. VIEIRA, Adriana Silene; FIUZA, Marina Miranda. Literatura infantojuvenil. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. WERNER, Marina. Da fera à loira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. 11. ed. São Paulo: Global, 2003.