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cultural, espaço, apresenta duas propostas de pro- jetos que utilizam respectivamente a análise das mí- dias tradicionais (princípios de análise de discurso multimodal) e a revisão bibliográfica; • O volume que aborda os conflitos da convivência e os impasses da democracia traz o estudo de caso e o grupo focal como as metodologias de pesquisa propostas nos projetos; • No volume que aborda os impasses, desafios e con- flitos que envolvem a relação entre a sociedade e a natureza, os projetos serão realizados com base nos métodos de pesquisa de estudo de recepção (de obras de arte e de produtos da indústria cultural) e de pesquisa-ação; • A dinâmica das populações e a ocupação das ter- ritorialidades, assim como a formação do Estado, o desenvolvimento do capitalismo e a globaliza- ção são os temas principais de outro volume da coleção que apresenta como metodologias de pesquisa dos projetos a análise documental (prin- cípios de análise de discurso) e a construção e uso de amostragens; • As relações de produção, capital e trabalho serão abordadas no volume que utiliza as metodologias de análise de mídias sociais e construção e uso de questionários nos projetos propostos; • O processo de construção e conquista da cidada- nia é o tema principal do volume que apresenta duas propostas de projetos que utilizam a entrevis- ta (com destaque para a semiestruturada) e obser- vação, tomada de notas e construção de relatórios como metodologias de pesquisa. Diagnósticos e avaliações A avaliação é uma ação inerente ao ser humano, constante e cotidiana. A avaliação nos ajuda a enten- der o presente, a ressignificar o passado e a projetar o futuro. As diversas situações de escolha envolvem avaliações. A compreensão do presente implica re- constituir e avaliar o passado. Porém, avaliar exige selecionar informações e articulá-las, o que nem sem- pre é fácil, seja por não sabermos de quais informa- ções precisamos, seja por não conseguirmos acessá-las. No primeiro caso, a definição das infor- mações necessárias se relaciona com a finalidade da avaliação. Ou seja, definir o que precisamos conhecer implica saber para que se está avaliando. No segun- do caso, a obtenção da informação depende de sua natureza, de que tipo ela é, e dos instrumentos e es- tratégias mais adequados para obtê-las. Portanto, deve estar claro que até aqui não nos re- ferimos especificamente à avaliação da aprendizagem ou do estudante e, muito menos, a um dos seus ins- trumentos, a prova, duas associações comuns quando se trata de avaliar e aprender. A avaliação é essencial para a educação e a escola, bem como para todos os atores envolvidos direta e indiretamente com o processo de ensino-aprendiza- gem. De acordo com a perspectiva teórico-metodoló- gica na qual se insere o Novo Ensino Médio, o ato de avaliar deve ser ressignificado para que sua prática se- ja coerente com o seu propósito. A definição mais ampla dos objetivos da escola em consonância com os anseios de sua comunidade e as possibilidades oferecidas pela rede à qual pertence, bem como os recursos no território do qual faz parte, deve estar prevista no Projeto Pedagógico e no Plano Escolar. Eles são os referenciais para o planejamento de parte das avaliações que a escola, os professores e os estudantes devem realizar. A centralidade do estudante, o estímulo ao seu pro- tagonismo, a maior oferta de escolhas e a ampliação de responsabilidades, assim como a construção de pro- jeto de vida, implicam ensinar o estudante a avaliar a si próprio e o seu contexto, isto é, avaliar o seu univer- so de possibilidades. Assim como também é funda- mental identificar seus interesses e saberes prévios pa- ra que o planejamento preveja temas e conteúdos contextualizados e significativos. Nessa perspectiva, a avaliação é diagnóstica, pro- cessual e formativa, permitindo que estudantes e pro- fessores percebam o grau de envolvimento deles nesse processo e acompanhem sua dinâmica. É fundamental que cada estudante compreenda de que forma está desenvolvendo sua aprendizagem e que o professor perceba de que modo está seu planejamento e suas estratégias de ensino, tanto para o grupo quanto para cada educando, especificamente. ORIENTAÇÕES GERAIS | 185 V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 185V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 185 28/09/2020 14:5628/09/2020 14:56 Livros • HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 2005. Nesse livro são discutidos os objetivos da avaliação e sua adequação para projetos de ensino e aprendizagem que dialogam com a construção do conhecimento pelo educando. • LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. 17. ed. São Paulo: Cortez, 2005. O livro aborda a questão da avaliação da aprendizagem na escola, em termos conceituais e práticos, passando por abordagens filosóficas, sociológicas, políticas, psicológicas e pedagógicas. SUGESTÕES DE LEITURAS, VÍDEOS E SITES É importante que a avaliação esteja prevista no Pro- jeto Político-Pedagógico da escola e seja coerente com a fundamentação teórico-metodológica adotada, con- siderando os diferentes contextos em que ocorre. Por exemplo, avaliar o estudante em um trabalho de pes- quisa envolve valorizar sua habilidade de proceder o levantamento e tratamento de dados e informações, de análise, produção e elaboração de síntese pessoal, o que pode ser expresso em forma de textos, exposi- ção oral, mural, vídeos, etc. A avaliação deve ser estruturada como parte do processo pedagógico e educacional. Quando ela se res- tringe à aplicação de uma prova mensal ou bimestral, sua função fica reduzida a aspectos conceituais, cum- prindo um papel certificador, e a maioria dos estudan- tes estabelece um ritmo de acompanhamento dos con- teúdos concentrando seus esforços para a prova. Nesse contexto, a aprendizagem e o educando perdem a centralidade do processo, que passa a ser ocupada pela capacidade de responder a algumas perguntas em uma data preestabelecida. Assim, a avaliação não deve se limitar a um instrumento de quantificação aplicado no final do processo, mas constituir um recurso para acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem. Ela permite a revisão da programação e da abordagem do curso: se necessário, podem ocorrer mudanças de acor- do com as dificuldades, o desinteresse ou, ao contrário, a motivação dos estudantes para ir mais além. Todos os itens da avaliação, bem como seus instru- mentos, devem ser previamente conversados com a turma, explicitados de forma clara, para que todos os estudantes compreendam sua finalidade, aprendam com o processo e se comprometam com as metas tra- çadas. Trata-se de explicitar parte do “contrato didáti- co” que rege a relação entre docente e discentes na promoção de suas aprendizagens, sendo, portanto, li- vremente debatido, baseado na transparência, no diá- logo, e na clara definição de objetivos e propostas. Es- se é um momento fundamental para que a relação ensino-aprendizagem possa ser desenvolvida de forma satisfatória e dialógica. Os estudantes devem saber o que é esperado deles, como serão avaliados, com que frequência, em quais momentos e de acordo com quais critérios, e devem participar da elaboração desses critérios. Podem ainda, caso assim se decida, elaborar estratégias variadas para autoavaliação, algumas eventualmente comparadas com a avaliação feita pelo professor, ou ainda feita em parceria com outro estudante. São recursos para de- senvolver habilidades metacognitivas do estudante e consequentemente sua autonomia. Servem, portanto, à promoção do engajamento dos estudantes à própria formação e ao que acontece em sala de aula, de forma que esses recursos os incentivem na busca por melhor desempenho. A avaliação permanente permite a utilização das mais variadasferramentas e instrumentos para diag- nosticar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos anteriormente propostos. Em caso de aplicação de provas mensais ou bimes- trais, é importante que elas não se limitem a verificar a memorização de informações pelos estudantes, mas sua habilidade de observar, descrever, comparar, inter- pretar, argumentar, expressar, ou seja, analisar, sintetizar e elaborar propostas para dada situação. Isso pressu- põe que os estudantes não apenas detenham informa- ções, mas também desenvolvam a competência de manipulá-las e criticá-las para, com base nesse exercí- cio, construir seu conhecimento e solucionar situações- -problema da realidade. A prática da avaliação ao longo de todo o pro- cesso de aprendizagem permite planejar um acom- panhamento personalizado para os estudantes com dificuldades logo que se constate alguma defasagem, ou alterar a abordagem escolhida inicialmente 186 V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 186V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_161a197_MPG.indd 186 28/09/2020 14:5628/09/2020 14:56