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R $ 1 8 , 0 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 E D I Ç Ã O 2 4 8
FA LTA G E N T E
IMPRESSOR A QUE FA Z DESDE CASA 
ATÉ COMIDA REVOLUCIONA O MERCADO
D O N A R C I S I S M O AO S A D I S M O
SAIBA LIDAR COM A PERSONALIDADE 
OBSCUR A DE COLEGAS E CHEFES
FE LIZ E M PR EG O N OVO
UM GUIA COMPLETO PAR A QUEM 
ESTÁ EM BUSCA DE UMA VAGA
S U M Á R I O
FOTOS: 1 A N DR E VA L EN T I M 2 GER M A NO LÜ DER S J A N E I R O D E 2 0 1 9 | I L U S T R A Ç Ã O D E C A PA : LOVAT TO
A G O R A
10 Bastidores 
A CASA DAS MULHERES DA MARÉ 
OFERECE ASSISTÊNCIA NA REGIÃO 
ONDE MORAM 140 000 PESSOAS
12 Notas 
A DIAGEO RECICLOU 20 000 
TONELADAS DE VIDRO 
14 Mundo 
O GOOGLE QUER CONSTRUIR 
UMA CIDADE PRÓPRIA 
16 Por dentro 
das empresas 
CONHEÇA A KROTON 
18 Por dentro 
das profissões 
OS PROFISSIONAIS DE 
WEARABLES ESTÃO EM ALTA
20 Entrevista 
com a presidente 
MARIA OLDHAM, CEO DA IZETTLE
L I V R O
7 6 Proibido para mulheres 
A JORNALISTA AMERICANA 
EMILY CHANG EXPÕE O 
SEXISMO NO VALE DO SILÍCIO
A R T I G O S
8 0 Liderança em 
ambientes inovadores 
P O R NEIL PATEL 
81 Empáticos, mas justos 
P O R LUIZ C A RLOS C A BRER A 
R E V I R A V O L T A
82 Faz de conta 
LARA BATISTA LARGOU A CARREIRA 
EM TI E SE TORNOU YOUTUBER 
5 Para você 
6 Feedback 
9 #vocênoinsta
S e ç õ e s
T E C N O L O G I A
36 CONSUMO ENGAJADO 
LISTAMOS DEZ PLATAFORMAS 
PARA QUEM DESEJA CONSUMIR 
MELHOR E FAZER COMPRAS 
MAIS SUSTENTÁVEIS 
D E S E N V O L V I M E N T O
54 A LINGUAGEM 
DO FUTURO 
SABER PROGRAMAR 
SERÁ TÃO IMPORTANTE 
QUANTO FALAR INGLÊS 
M E R C A D O
72 BATALHA DAS 
MAQUININHAS 
A COMPETIÇÃO NO SEGMENTO 
DE PAGAMENTOS SE ACIRRA, 
GERANDO INOVAÇÃO E VAGAS
D I V E R S I D A D E 
50 DRAG NO ESCRITÓRIO 
CONHEÇA FERNANDO 
MAGRIN, EXECUTIVO DA 
AMERICAN AIRLINES QUE 
VIROU DRAG QUEEN
T Ê N D E N C I A
40 IMPRESSORA 3D 
ESSE MAQUINÁRIO — QUE FABRICA 
DE CASAS A ALIMENTOS — ESTÁ 
TRANSFORMANDO TODOS OS 
SETORES E BUSCA MÃO DE OBRA
G U I A D O E M P R E G O 
58 À CAÇA DAS VAGAS 
NÓS CRIAMOS UM PASSO A 
PASSO QUE VAI AJUDAR VOCÊ 
EM TODAS AS ETAPAS DA 
BUSCA POR NOVOS DESAFIOS 
C O M P O R T A M E N T 0
46 PERSONALIDADES SOMBRIAS 
CIENTISTAS DESCOBRIRAM 
QUE ALGUMAS PESSOAS TÊM 
TRAÇOS DIFÍCEIS DE LIDAR. 
APRENDA A IDENTIFICÁ-LOS
P R O D U T I V I D A D E
68 O TEMPO É RELATIVO 
EXISTEM DOIS ESTILOS DE ORGANIZAR 
O TEMPO: SEGUINDO O RELÓGIO OU 
A LISTA DE ATIVIDADES. SAIBA OS 
PRÓS E OS CONTRAS DE CADA UM
C A P A
2 2 C O M O G A N H A R D I N H E I R O E M 2 0 19 
UM GUIA PARA ORGANIZAR AS CONTAS, RENEGOCIAR DÍVIDAS, INVESTIR DE MANEIRA MAIS 
INTELIGENTE E PROTEGER O ORÇAMENTO DAS INCERTEZAS DO ANO QUE COMEÇA 
Antônio Carlos Barbosa da Silva, 
aposentado: planejamento para 
economizar em viagens
1
2
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FA LE COM A
(Lançada em 1998)
Editoras: Tatiana Sendin, Elisa Tozzi e Mariana Poli Repórter: Luciana Lima Estagiária: Monique Lima 
Núcleo de Revisão: Ivana Traversim (chefe) e Maurício José de Oliveira Editor de Arte: Everton Prudêncio Fotografia: Germano 
Lüders (editor) e Gabriel Correa (pesquisador) CTI: Leandro Almario Fonseca (chefe), Carlos Pedretti, Eduardo Frazão e Julio Gomes
Diretor de Redação: André Lahóz Mendonça de Barros
VOCÊ S/A 248 (ISSN 1415-520001), ano 21, no 01, é uma publicação mensal da Editora Abril. Edições anteriores: Ligue para 0800 777-3022 
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Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. VOCÊ S/A não admite publicidade redacional.
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(1907-1990) 
ROBERTO CIVITA 
(1936-2013)
Fundada em 1950
Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), 
Thomaz Souto Corrêa (Vice-Presidente) e Giancarlo Civita
P A R A V O C Ê
LIBERDADE
U
m dos exercícios feitos 
no coaching é a roda da 
vida. Você desenha uma 
pizza e coloca em cada 
um dos oito pedaços 
uma área de sua existên-
cia: família e amigos, 
amor, lazer, saúde, espi-
ritualidade, intelecto, 
trabalho/carreira e di-
nheiro. A partir daí, começa a analisar 
cada fatia. Se tudo se encontra satisfatório 
em família, por exemplo, você deve marcar 
nessa casa um traço que fique mais pró-
ximo da borda externa. Se há alguma in-
satisfação em carreira, a marcação fica 
perto do centro. E assim por diante.
Pare na casa dinheiro e avalie como anda 
sua situação financeira. Você fecha o mês 
no vermelho ou no azul? Consegue guardar 
alguma coisa? Tem uma verba reservada 
para emergências? E, principalmente, tem 
uma verba reservada para ser livre? É a 
independência financeira que permitirá que 
você mude de casa, conheça o país dos 
sonhos ou deixe o emprego que te aborrece. 
Por mais difícil que seja, é preciso poupar 
— nem que sejam 100 reais por mês. Co-
mece essa educação aos poucos e, confor-
me se sentir confiante, vá avançando na 
complexidade dos investimentos.
Ninguém precisa virar sovina nem al-
mejar ser o próximo Tio Patinhas, apenas 
ter consciência do papel do dinheiro em 
nossa sociedade — e na história de cada 
um. O objetivo a ser perseguido é que 
todas as esferas da roda da vida estejam 
com o traço próximo à borda final, signi-
ficando que os elementos estão em equi-
líbrio. Logo, você deve estar tranquilo 
— e, portanto, feliz.
E ninguém é feliz preso, com aquela sen-
sação de bola de ferro no pé. Por isso, além 
das dicas para conseguir a independência 
financeira, nós também apresentamos nes-
ta edição um guia para quem quer mudar 
de emprego, com recomendações valiosas 
para ter um currículo atraente, bombar na 
rede social e conquistar os recrutadores.
Um ano se inicia, então, por que não?
Um brinde ao novo ciclo e à liberdade— de ser e ter o que você quiser.
T a t i a n a S e n d i n
E d i t o r a
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5
6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
F E E D B A C K
/VOCESA
/VOCÊSA
@VOCESA
REDACAOVOCESA@ABRIL .COM.BR
@VOCESA
@VOCESA
NO INSTAGRAM
@MEIRELLESADRIANO
Que capa, que assunto 
mais pertinente. Vocês 
são um ponto fora da 
curva. Parabéns. (Sobre a 
reportagem Construa sua 
marca pessoal, ed. 247)
@SONYLACERDA
Parabéns à equipe. Tema 
excelente em tempos de 
profissionalização vazia e 
profissionais superficiais. 
(Sobre a reportagem 
Construa sua marca 
pessoal, ed. 247)
@ELIANACUSTODIOMELO 
Vou correndo buscar 
a minha. Sou fã de 
carteirinha. Olha a rima! 
(Sobre a reportagem 
Construa sua marca 
pessoal, ed. 247)
NO LINKEDIN
LUCIANE BORGES 
Que sacada extraordinária 
falar sobre PVP (Proposta 
de Valor do Profissional). 
Cada vez mais os profissio-
nais precisam se preocupar 
com a marca pessoal, não 
há como fugir de mais esse 
desafio para quem quer se 
manter competitivo. (Sobre 
a reportagem Construa sua 
marca pessoal, ed. 247)
ALBÍRIO GONÇALVES 
Mais uma edição excelente 
e já 100% devorada. 
(Sobre a edição 247)
WILLIAM GUSHIKEM 
Excelente matéria. Saber 
ser singular e conseguir 
externalizar isso de maneira 
plural fará todo o sentido 
e com certeza garantirá a 
todos um lugar ao sol e me-
lhor posicionamento. (Sobre 
a reportagem Construa sua 
marca pessoal, ed. 247)
ROSELEIDE SILVA
Excelente matéria. 
Personal Branding ensina 
como se diferenciar nesse 
cenário tão competitivo, 
analisar pontos fortes e 
fracos baseados em sua 
trajetória e pensar como 
uma verdadeira empresa. 
(Sobre a reportagem 
Construa sua marca 
pessoal, ed. 247)
BRUNA MANISCALCO 
A minha chegou em casa 
ontem. Ansiosa para ler 
e compartilhar minhas 
impressões. Parabéns pelo 
ano na VOCÊ S/A. Assino 
a revista há três anos e os 
assuntos sempre são muito 
ricos e interessantes. Como 
uma profissional de 26 
anos, me deparo muito com 
as mudanças que a revista 
aborda! (Sobre o Guia 
VOCÊ S/A — As Melhores 
Empresas para Começar 
a Carreira 2018, ed. 247)
POR E-MAIL
POLLYANA OLIVEIRA 
GUIMARÃES
Gostei muito da matéria a 
respeito de marca pessoal, 
porém alguns cuidados 
precisam ser tomados 
ao informar o leitor, ou 
seja, a marca pessoal é 
desenvolvida a partir da 
essência, dos valores, das 
competências e habilidades 
da pessoa. A parte de redes 
sociais é marketing pessoal, 
ou seja, a parte visível da 
marca. De nada adianta 
desenvolver o marketing se 
a marca pessoal não estiver 
bem sustentada. (Sobre a 
reportagem Construa sua 
marca pessoal, ed. 247)
NO APP 
JAQUELINE SILVA
Estou lidando com uma 
equipe bem saturada da 
outra parte da gestão e vou 
intensificar o diálogo, como 
sugere a matéria. Ótimas 
dicas. (Sobre o artigo Você 
foi convidado a liderar uma 
equipe difícil. E agora?, 
de Norberto Chadad) 
F E E D B A C K
V O C Ê S/A J A N E I R O D E 2 0 1 9 9
# N O I N S T A
FIM DE CICLO 
Dezembro é mês de festas. Para compartilhar o encerramento do ano e as festividades 
nas empresas, leitores de VOCÊ S/A enviaram as fotos de suas celebrações 
P r óx i m o d e s a f i o: 
Para saber qual será o tema das fotos na próxima edição, siga a @vocesa nas redes sociais. 
Não se esqueça de colocar a hashtag #vocesa na imagem 
e de deixar seu perfil público no Instagram. 
@j.huguenin 
comemorou com 
a festa do branco 
no Itaú Unibanco 
@shai.n_farias 
teve um festão do 
The Beauty Box
@kamarquetti 
aproveitou o 
amigo secreto 
com as colegas do 
Serasa Experian
@vimaia 
confraternizou 
com os amigos
A G O R A | B A S T I D O R E S
A instituição Casa das Mulheres da Maré, no Rio de Janeiro,
ajuda moradoras da comunidade com cursos profissionalizantes
Te x t o L u c i a n a L i m a | F o t o A n d r e V a l e n t i m
A luta continua
1 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 1
Andreza Jorge, 
coordenadora da 
iniciativa: desafio 
de empoderar 
as moradoras
A 
violência no complexo da Maré, no Rio 
de Janeiro, é uma constante. Só em 
2017, 42 pessoas morreram vítimas de 
confrontos policiais na região, com a 
terceira maior taxa de homicídios da ci-
dade carioca. O assassinato de Marielle 
Franco, vereadora eleita com 46 502 vo-
tos e nascida na região, é um dos casos 
mais emblemáticos na história recente 
do local, formado por 16 favelas. Foi para alterar essa 
realidade e empoderar outras mulheres a lutar por mais 
direitos, assim como fazia Marielle, que surgiu o espaço 
Casa de Mulheres da Maré, em 2016. A iniciativa é do 
Instituto Redes da Maré, que há 11 anos batalha por po-
líticas públicas para os 140 000 moradores do conjunto de 
comunidades. Uma das beneficiárias dos projetos é An-
dreza Jorge, de 30 anos, hoje coordenadora da fundação. 
Formada em dança pela Universidade Federal do Rio de 
Janeiro (UFRJ) e mestranda em relações étnico-raciais 
na mesma instituição, a jovem atua em ONGs desde os 
15 anos e se tornou uma liderança local. À frente da Casa 
de Mulheres desde o ano passado, ela ajuda a organizar a 
programação do espaço, que conta com oficinas e cursos 
profissionalizantes de culinária e cabeleireira, além de-
assistência psicológica, social e jurídica para as mulheres 
da região. Semestralmente, 100 moradoras se formam nas 
capacitações, que abordam não só a parte técnica mas 
também temas como gênero e raça. Isso acontece porque 
o papel da iniciativa é ir além de formar trabalhadoras. 
“Queremos ser um centro de referência, acolhimento e 
valorização da luta das mulheres na Maré, que sempre se 
organizaram em busca de direitos como saneamento, água 
e luz”, diz Andreza. Hoje, os projetos são mantidos por edi-
tais públicos e privados, e campanhas de crowdfunding.
1 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
A G O R A | N O T A S
 Cooperativa Vila Lata, em 
São Paulo: reciclagem de garrafas da 
Diageo, Pernod Ricard e Heineken
FOTOS: DI V U L GAÇÃO
E
m 2018, o programa de recicla-
gem da Diageo, dona das mar-
cas Johnnie Walker, Smirnoff e 
Ypióca, atingiu mais de 20 000 
toneladas de vidro reutilizado. 
Batizado de Glass is Good, a iniciativa 
começou em 2010 e conta com a parceria 
de outras empresas de bebidas, como 
Heineken e Pernord Ricard, além da 
fabricante de vidros Owens-Illinois — 
que compra o material reutilizado. “O 
vidro é infinitamente reciclável, mas 
atualmente, no Brasil, apenas 47% é 
reaproveitado. Esse é um cenário que 
queremos mudar”, afirma Daniela De 
Fiori, diretora de relações corporativas 
da Diageo. Fazem parte do projeto 500 
cooperados nas cidades de São Paulo, 
Santana de Parnaíba, Ribeirão Preto, 
Recife, Fortaleza, Natal, Belo Horizon-
te, Rio de Janeiro e Brasília. Além de 
doar o maquinário e os equipamentos 
de segurança, as empresas realizam 
treinamentos de profissionalização com 
os trabalhadores das cooperativas. “A 
ideia é que eles se enxerguem como 
um elo dessa cadeia e criem um ne-
gócio sustentável”, completa Daniela.
S U S T E N T A B I L I D A D E 
Um brinde ao 
meio ambiente
R E C R U T A M E N T O
Jovens e 
insatisfeitos 
Uma pesquisa feita pelo CIEE, 
empresa de recrutamento de 
estagiários e jovens aprendizes, 
com 500 estudantes das 
universidades paulistas 
Mackenzie, PUC, USP, ESPM, 
Cásper Líbero, FEI, Belas, 
Artes, FGV, Insper e Faap, 
apontou que esse público anda 
descontente com os processos 
de recrutamento. Cerca de 68% 
deles criticaram as seleções 
de que participaram e outros 
31% se queixam da lentidão 
de receberem feedback. 
SOBRE OS PROCESSOS DE SELEÇÃO
SOBRE AS DEVOLUTIVAS 
Do que eles reclamam
FEEDBACK DEMORADO 
E PADRONIZADO31%
QUEREM TER UM FEEDBACK 
CONSTRUTIVO68%
GOSTARIAM DE RECEBER 
RETORNO MAIS RÁPIDO47%
SENTEM FALTA DE 
COMPROMETIMENTO 
DAS EMPRESAS EM 
DAR AS DEVOLUTIVAS
22%
DINÂMICAS LONGAS 
E REPETITIVAS, CHEIAS 
DE ETAPAS E SEM 
PROVAS PRÁTICAS 
22%
EMPRESAS ENCAMINHAM 
PARA VAGAS FORA 
DA EXPECTATIVA8%GESTORES FRIOS, 
SEM MUITO 
ENVOLVIMENTO 6%
FALTA DE 
VALORIZAÇÃO 
DOS CANDIDATOS5%
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 3
R E C O N H E C I M E N T O
Show de prêmios 
O Grupo GR, que conta com 2 000 
empregados, resolveu ser generoso 
na hora de premiar os líderes 
que bateram as metas em 2018. 
T R E I N A M E N T O 
Respeitável público
Em novembro, 250 funcionários da empresa de benefícios Edenred Brasil 
passaram por um treinamento diferente. Durante uma ação batizada de 
Inspirômetro, eles assistiram a um espetáculo circense e participam de 
oficinas de malabares, corda bamba, perna de pau e bola de equilíbrio. 
A iniciativa é uma tentativa de repaginar o programa Jornada da Educação, 
que acontecia havia sete anos e contava com uma semana de palestras 
de desenvolvimento pessoal. “Queríamos encontrar uma forma diferente 
para comunicar os novos valores do grupo, que são imaginação, respeito, 
simplicidade, espírito empreendedor e paixão pelos clientes”, diz 
José Ricardo Amaro, diretor de recursos humanos do grupo Edenred. 
Funcionários do Grupo GR: TVs, motos 
e bônus financeiro para os líderes
Q U A L I D A D E D E V I D A 
Mais tempo 
para os papais
Segundo dois estudos da consultoria 
Talenses, mais companhias estão 
oferecendo o benefício de licença-
paternidade de 20 dias para 
os pais. Na primeira pesquisa, 
feita em 2015 e respondida por 
140 empresas, cerca de 18% 
afirmaram conceder a dispensa 
para os profissionais; já em 2018, 
com 79 empresas respondentes, 
o número aumentou para 23%. 
QUANTO TEMPO A EMPRESA OFERECE 
PAR A A LICENÇA-PATERNIDADE?
SUA EMPRESA TEM INTERESSE EM OFERECER 
LICENÇA-PATERNIDADE ESTENDIDA?
QUAIS SERIAM OS BENEFÍCIOS DE ADERIR 
À LICENÇA-PATERNIDADE DE 20 DIAS? 
32%
70%
18%
1,5%
7,3%1,4% 3%
68%
40%
73%
23%
60%
2015 2018
SIM NÃO
5 DIAS 20 DIAS NÃO SEI OUTRO
RETENÇÃO 
DE TALENTOS
ATRAÇÃO
AUMENTO DE 
PRODUTIVIDADE
DIMINUIÇÃO DA 
DESIGUALDADE 
DE GÊNERO
OUTRO
21%
3%
10%
17%
5%
14%
14%
29%
45%
43%
Funcionários da Edenred: aulas circenses ajudam no desenvolvimento pessoal 
A empresa, que atua nas áreas 
de construção, incorporação e 
administração de parques e resorts, 
distribuiu mais de 200 000 reais 
em premiações, que iam de TVs 
e bonificações em dinheiro até 
motos. Ao todo, 60 gestores das 
áreas de vendas, administrativo, 
controladoria e marketing 
foram escolhidos e, além das 
gratificações, receberam medalhas 
em agradecimento. “Não há nada 
mais justo do que reconhecer 
aqueles que fazem a diferença na 
empresa, quem não enxerga isso 
está fadado ao fracasso”, diz Rodolfo 
Rezende, diretor do Grupo GR.
DE ACORDO COM UM ESTUDO DO INSTITUTO DE 
PESQUISA PEW RESEARCH CENTER, OS MORADORES 
DA ÁFRICA SUBSAARIANA VEEM COM BONS OLHOS 
O AUMENTO DA CONEXÃO DIGITAL NA REGIÃO. 
O ESTUDO FOI FEITO COM 6 795 CIDADÃOS DE 
GANA, QUÊNIA, NIGÉRIA, SENEGAL, ÁFRICA DO 
SUL E TANZÂNIA. VEJA ALGUNS RESULTADOS. 
Á F R I C A
Conexão faz bem
COMO A INTERNET INFLUENCIA A EDUCAÇÃO? 
79% 
ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA
13% 
ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA
5% 
SÃO NEUTROS
COMO A INTERNET INFLUENCIA A ECONOMIA? 
63% 
ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA
16% 
ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA
10% 
SÃO NEUTROS 
COMO A INTERNET INFLUENCIA OS 
RELACIONAMENTOS PESSOAIS? 
62% 
ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA
22% 
ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA
8% 
SÃO NEUTROS
COMO A INTERNET INFLUENCIA A POLÍTICA? 
52% 
ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA
27% 
ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA
12% 
SÃO NEUTROS
COMO A INTERNET INFLUENCIA A MORALIDADE? 
45% 
ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA
39% 
ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA
11% 
SÃO NEUTROS
A G O R A | N O T A S
1 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
A G O R A | M U N D O
Googlelândia 
N 
ão há limites para o Google. 
O novo desafio da multina-
cional é construir a própria 
cidade. O projeto, divulgado 
em dezembro de 2018, foi 
aprovado em 2017 pela prefeitura de 
Mountain View, na Califórnia, onde 
está localizada a sede da companhia, e 
promete melhorar a oferta de moradia 
na região. Devem ser erguidas cerca 
de 8 000 casas, 300 000 metros qua-
drados de escritórios novos e outros 
38 000 metros de centros comerciais. 
Das unidades residenciais, 20% terão 
valores acessíveis. As obras ainda 
não têm data para começar, mas os 
executivos do Google devem se reunir 
com as autoridades da cidade para 
acertar os detalhes no início deste 
ano. O interesse da empresa de tec-
nologia em investir em empreendi-
mentos imobiliários não é recente. 
Nos últimos dois anos, a Alphabet, 
conglomerado do qual o Google faz 
parte, gastou 2,8 bilhões de dólares ad-
quirindo propriedades californianas. 
PARA DIMINUIR O ABSENTEÍSMO E AUMENTAR 
A PRODUTIVIDADE, O GOVERNO DE PORTUGAL 
LANÇOU O PROGRAMA “TRÊS EM LINHA”. O 
DOCUMENTO TEM 33 PROPOSTAS DE INCENTIVO 
AO EQUILÍBRIO ENTRE VIDA PESSOAL E TRABALHO, COMO AUMENTO DA LICENÇA-PATERNIDADE 
PARA 20 DIAS, DISPENSA DE TRÊS HORAS PARA ACOMPANHAR OS FILHOS NO PRIMEIRO DIA NA 
ESCOLA E MENOS PARTICIPAÇÕES EM REUNIÕES NA EMPRESA. POR ENQUANTO, 47 ORGANIZA-
ÇÕES, ENTRE PÚBLICAS E PRIVADAS, ESTÃO ENVOLVIDAS EM UM PROJETO-PILOTO QUE COMEÇOU 
EM DEZEMBRO DE 2018. A IDEIA É AVALIAR OS IMPACTOS DA INICIATIVA DAQUI A TRÊS ANOS. 
E U R O P A
Por mais equilíbrio 
Projeções da 
cidade do Google: 
a construção 
quer estimular a 
economia local
E S T A D O S U N I D O S 
FOTOS: DI V U L GAÇÃO
Uma gigante em 
transformação 
Q
uando a Kroton Edu-
cacional nasceu, em 
1966, com o curso 
pré-vestibular Pitágo-
ras, em Belo Horizon-
te, tinha apenas 600 
alunos. Quatro déca-
das e muitas fusões 
depois, a empresa se 
tornou um dos maiores grupos edu-
cacionais privados do Brasil, com 143 
unidades espalhadas em 20 estados 
Com 143 unidades em 20 estados do Brasil e 26 000 
funcionários, a Kroton, que tem entre suas marcas as 
faculdades Anhanguera e Unopar, tem o desafio de se 
digitalizar e melhorar o dia a dia dos funcionários 
L u c i a n a L i m a
A G O R A | P O R D E N T R O D A S E M P R E S A S | K R O T O N
1 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTO: GER M A NO LÜ DER S
Escritório da Kroton em São Paulo: 
simplificação da avaliação de 
desempenho e procura por 
profissionais digitais 
PA L AV R A DA E M P R E S A :
“Transformação digital, embora 
a gente fale bastante sobre 
ferramentas, é sobre pessoas. 
O nosso desafio é fazer todo mundo 
mudar a forma de pensar”
1 CELEIRO DE 
OPORTUNIDADES
NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS, A KRO-
TON COMPROU CERCA DE 30 EM-
PRESAS E MAIS DO QUE DOBROU 
DE TAMANHO. COM ISSO, SUR-
GIRAM CHANCES DE CRESCER 
INTERNAMENTE. UM EXEMPLO É 
O PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE 
DIRETORES, NO QUAL A COM-
PANHIA PREPARA GESTORES 
PARA ASSUMIR O COMANDO DAS 
NOVAS UNIDADES. ELES PASSAM 
POR 300 HORAS DE TREINA-
MENTO E CERTIFICAÇÕES DE 
TEMAS LIGADOS AO NEGÓCIO. 
2 EM BUSCA DO DIGITAL
DESDE 2017, A EMPRESA 
PASSA POR UMA TRANSFORMA-
ÇÃO DIGITAL. ALÉM DA CONTRA-
TAÇÃO DE UM VICE-PRESIDENTE 
DE TECNOLOGIA, A KROTON 
IMPLANTOU UMA METODOLO-
GIA ÁGIL: A ÁREA CORPORA-
TIVA NÃO SE DIVIDE MAIS EM 
DEPARTAMENTOS, MAS EM 20 
“FLUXOS DE VALOR”, COMO, POR 
EXEMPLO, A EXPERIÊNCIA DO 
ALUNO. ISSO GERA DEMANDA 
POR PROFISSIONAIS DIGITAIS.
3 FUNCIONÁRIO ALUNO
ALÉM DE OFERECER BOL-
SAS DE ESTUDO INTEGRAIS 
AOS EMPREGADOS E DE 50% 
AOS FAMILIARES, VÁLIDAS 
PARA AS FACULDADES DO 
GRUPO, A COMPANHIA TEM 
UMA UNIVERSIDADE CORPO-
RATIVA. CRIADA EM 2014 COM 
SEDE FÍSICA EM VALINHOS (SP), 
POSSUI 313 CURSOS, BIBLIO-
TECA E SALA DE COACHING. 
4 ESPÍRITO JOVEM 
A MÉDIA DE IDADE NA 
 KROTON É 37 ANOS, E PARA 
ATRAIR JOVENS A COMPA-
NHIA VEM LANÇANDO MÃO 
DE DIVERSAS AÇÕES, COMO 
A ABOLIÇÃO DO DRESS CODE 
OBRIGATÓRIO NOS ESCRITÓRIOS 
CORPORATIVOS. AS UNIDADES 
EM VALINHOS, LONDRINA (PR) E 
SÃO PAULO (SP) PASSARAM POR 
REFORMAS QUE CRIARAM ÁREAS 
DE CONVIVÊNCIA E DESCOM-
PRESSÃO. A KROTON PLANEJA 
TER ESPAÇOS SEMELHANTES 
NAS SALAS DOSPROFESSO-
RES DENTRO DAS ESCOLAS. 
5 SOB PRESSÃO
A EMPRESA AINDA NÃO 
TEM UMA POLÍTICA FORMAL DE 
HOME OFFICE E HORÁRIO FLE-
XÍVEL, NEM DE QUALIDADE DE 
VIDA. COMENTÁRIOS DE FUN-
CIONÁRIOS E EX-FUNCIONÁRIOS 
NO SITE DE AVALIAÇÕES LOVE 
MONDAYS RELATAM EXCESSO DE 
TRABALHO EM ALGUNS LOCAIS. 
6 TAMANHO CONTINENTAL 
POR SER UMA GIGANTE 
COM 26 000 TRABALHADORES 
ESPALHADOS POR DIVERSAS CI-
DADES BRASILEIRAS, A KROTON 
REFORÇOU SUA COMUNICAÇÃO 
INTERNA. UMA DAS INICIATIVAS 
É A TV CORPORATIVA, NA QUAL 
O CORPO EXECUTIVO ABORDA 
QUESTÕES DO NEGÓCIO. OS 
PROGRAMAS FICAM GRAVADOS. 
7 MAIS DIVERSIDADE 
EMBORA 55% DOS EMPRE-
GADOS SEJAM MULHERES, A 
KROTON BUSCA AUMENTAR O 
NÚMERO DE FUNCIONÁRIAS NA 
LIDERANÇA. PARA ISSO, INCLUI 
PELO MENOS UMA PROFISSIO-
NAL NOS PROCESSOS SELETI-
VOS EXTERNOS E INTERNOS. 
8 SELO VERDE 
EM 2018, POR MEIO DE 
SUGESTÕES DAS EQUIPES, A 
EMPRESA COLOCOU LÂMPADAS 
DE LED NAS UNIDADES DE EN-
SINO, SUBSTITUIU TORNEIRAS 
POR OUTRAS COM MENOR 
VAZÃO DE ÁGUA E ADOTOU 
POLÍTICAS PARA DIMINUIR O 
CONSUMO DE ENERGIA DOS 
ARES-CONDICIONADOS, COM 
UM SOFTWARE QUE MONITO-
RA OS PERÍODOS OCIOSOS.
9 SIMPLES E DIRETO
NO ANO PASSADO, A KRO-
TON ALTEROU O MODELO DE 
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO, 
QUE CONTAVA COM 56 COMPE-
TÊNCIAS. HOJE, PARA TODOS 
OS CARGOS, SÃO APENAS SETE, 
QUE VARIAM DE ACORDO COM 
A FUNÇÃO. O PROCESSO TEM 
FEEDBACK DOS PARES FEITO 
POR MEIO DE UM APLICATIVO.
10 DORES DE 
CRESCIMENTO
EMBORA A EMPRESA AFIRME 
QUE NÃO EXISTEM PROBLE-
MAS RELACIONADOS AO 
CRESCIMENTO ACELERADO E 
AOS PROCESSOS DE FUSÃO, 
COMENTÁRIOS NO LOVE MON-
DAYS DEMONSTRAM FALTA DE 
UNIFORMIZAÇÃO DE PRÁTICAS 
— ALGUMAS DELAS ESTÃO 
DISPONÍVEIS APENAS NOS 
ESCRITÓRIOS CORPORATIVOS.
EB.VAGAS.COM.BR/KROTON 
S I T E PA R A E N V I O D E C U R R ÍC U LO:
C O M P E T Ê N C I A S: 
A KROTON PROCURA PROFISSIONAIS 
QUE SEJAM MÃO NA MASSA E POSSUAM 
SENSO EMPREENDEDOR, VALORIZEM 
A MERITOCRACIA E NÃO TENHAM 
MEDO DE TRANSITAR ENTRE AS ÁREAS 
VAG A S A B E R TA S: 
298 EFETIVAS
FÁBIO 
LACERDA, 
VICE-
PRESIDENTE 
DE RH DA 
KROTON
e mais de 1 milhão de estudantes 
de ensino superior e básico. Depois 
da malsucedida tentativa de se unir 
com a Estácio, em 2017, a companhia 
resolveu voltar os olhos para o ensino 
básico e comprou a Somos Educação, 
em abril de 2018, por 6,3 bilhões de 
reais. Com 26 000 funcionários e um 
faturamento que bateu os 2,2 bi-
lhões de reais em 2017, a Kroton 
tem entre suas marcas as faculda-
des Anhanguera, Unopar e Unic.
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 7
1 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
A G O R A | P O R D E N T R O D A S P R O F I S S Õ E S | D E S I G N W E A R A B L E S
O consumo de roupas e acessórios inteligentes deve dobrar até 2022. Para atuar na 
área, é preciso fazer parte de equipes multidisciplinares que unam criativos e nerds 
M i c h e l e L o u r e i r o
Moda conectada
André Pupo e 
Mariana Queiróz, 
fundadores da 
Divaholic: projeto 
de bonés com 
videogame
Um dia na vida: 
desenvolvedor de wearables
FOTO: GER M A NO LÜ DER S V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 9
A 
indústria têxtil está se reinven-
tando por causa da tecnologia, e 
com isso surgem os dispositivos 
vestíveis, ou wearables, tendên-
cia que une moda a aparatos in-
teligentes — como é o caso dos 
relógios conectados e das pulsei-
rinhas fitness, que medem bati-
mentos cardíacos e recebem e-mails. 
Segundo o IDC, empresa de análise mercado-
lógica, já foram comercializados 115,4 milhões 
de unidades de peças inteligentes no mundo todo, 
e isso deve dobrar até 2022. Não à toa, os profis-
sionais que criam, desenham e executam esses 
produtos estarão entre os mais demandados no 
setor de tecnologia em 2019, segundo a consul-
toria Hays. “O indivíduo deve buscar várias fren-
tes de especialização”, diz Diva Costa, professo-
ra do curso de designer de moda do Senai 
 CETIQT. Isso porque, para desenvolver projetos, 
é preciso montar times multidisciplinares. 
É exatamente essa pluralidade que define a 
Divaholic, uma empresa de tecnologia vestível 
que aplica blockchain, inteligência artificial e 
internet das coisas para fazer roupas e acessórios. 
A marca foi fundada pela estilista Mariana Quei-
róz, de 30 anos, ao lado do publicitário André 
Pupo, de 42 anos. “Cada projeto demanda novos 
conhecimentos”, diz Mariana. Para André, que já 
ganhou prêmio em Cannes como publicitário e 
especialista em tecnologia criativa, o mundo dos 
wearables chama a atenção por permitir muita 
experimentação. “Estamos na fase do erro e acer-
to, o que é um desafio. Mas isso abre caminho 
para o pioneirismo.” Desde que foi fundada, em 
2016, a Divaholic já fez projetos com grandes em-
presas e deve divulgar produtos (ainda sigilosos) 
em breve. Entre as ideias há bonés para crianças 
com games que estimula o movimento e protóti-
pos para indústrias de bens duráveis.
Como se vê, é possível desenvolver vestíveis 
para os diversos setores — e uma das áreas com 
mais demanda é a da saúde. “Estamos criando 
uniformes que monitoram equipamentos cardí-
acos com tecidos que controlam a temperatura e 
atuam com GPS para funcionários da Petrobras 
e Repsol”, diz Ricardo Cecci, pesquisador da co-
ordenação de inovação em fibras do instituto 
Senai de Inovação em Biossintéticos. 
O Q U E FA Z E R PA R A 
AT UA R N A Á R E A
AS FORMAÇÕES SÃO VARIADAS. 
UMA DAS ESPECIALIZAÇÕES É O 
MBI EM CONFECÇÃO 4.0 DO SENAI. 
QUEM QUER FAZER EXPERIMENTOS 
COM AS NOVAS TECNOLOGIAS 
PODE FREQUENTAR O FASHION 
LAB, UM ESPAÇO COLABORATIVO 
IDEALIZADO PELO SENAI CETIQT
O P O R T U N IDA D E S 
Há procura pelos 
profissionais da área 
principalmente na indústria 
(têxtil e fabril) e no setor de 
saúde e qualidade de vida 
P O N T O S P O S I T I VO S
 ESTAR NUM SEGMENTO EM EXPANSÃO
COM CRESCIMENTO PROMISSOR
 ATUAR NA VANGUARDA
DE UMA TENDÊNCIA 
 TER CONTATO COM PROFISSIONAIS
DE VÁRIOS SEGMENTOS
 APRENDER SOBRE DIVERSAS
ESPECIALIDADES
P O N T O S N EG AT I VO S
 POR SER UMA ÁREA NOVA,
HÁ POUCAS REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS, O APRENDIZADO 
É POR MEIO DOS ERROS, E 
OS RESULTADOS PODEM 
DEMORAR A APARECER 
 AINDA NÃO HÁ UM CURSO DE
LONGA DURAÇÃO QUE PREPARE 
ESPECIFICAMENTE PARA A CARREIRA. 
A FORMAÇÃO DEVE SER FEITA POR 
MEIO DE VÁRIOS TREINAMENTOS 
RELACIONADOS AO TEMA
Q U E M C O N T R ATA
AS PRINCIPAIS INDÚSTRIAS 
COM DEMANDA POR TECNOLOGIA 
VESTÍVEL SÃO MODA, SAÚDE, 
SEGURANÇA, ESPORTES, 
CUIDADO COM CRIANÇAS, 
MILITAR E ENTRETENIMENTO
*ATÉ 2022, EM Â MBITO GLOBA L
VAG A S: 30 000 VAGAS*
P R I N C I PA I S 
C O M P E T Ê N C I A S
PROFISSIONAIS PRECISAM SER 
CURIOSOS E BUSCAR NOVAS FONTES 
DE INFORMAÇÃO. NECESSITAM DE 
CONHECIMENTO EM TECNOLOGIA 
E PROGRAMAÇÃO, ALÉM DE SENSO 
ESTÉTICO APURADO, CRIATIVIDADE, 
HABILIDADES EM INGLÊS E 
COMÉRCIO EXTERIOR (JÁ QUE MUITA 
COISA PRECISA SER IMPORTADA). 
TRABALHAR EM EQUIPE É ESSENCIAL
50%
DO TEMPO EM PESQUISA 
DE NOVAS SOLUÇÕES 
E TECNOLOGIAS
50% DO TEMPO EM 
CRIAÇÃO, PRODUÇÃO E COGESTÃO DOS 
PROJETOS JUNTO AOS FORNECEDORES, 
FUTUROS CONSUMIDORES E CLIENTES
AT I V IDA D E S - C H AV E 
PESQUISA DE REFERÊNCIAS, CRIAÇÃO DE PROTÓTIPOS, REUNIÕES 
COM EQUIPE MULTIDISCIPLINAR E DESENVOLVIMENTO DOS PRODUTOS
M É D I A S A L A R I A L 
DE 6 000 A 15 000 REAIS
R O T IN A D E T R A B A L H O 
8 A 10 HORAS, EM MÉDIA
2 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
A G O R A | E N T R E V I S T A C O M A P R E S I D E N T E
A 
internacionalização sempre esteve presente na vida da paulista 
Maria Oldham. Durante a faculdade, morou na Alemanha, de-
pois passou metade de seus 12 anos de carreira em Londres, 
trabalhando no Goldman Sachs. Em 2017, resolveu sair do banco 
tradicional e se aventurar pelas startups. Foi quando conheceu 
a fintech sueca iZettle, fundada há oito anos e presente em 11 
países. Ingressou na companhia como gerente de desenvolvimen-
to em Londres e há um ano voltou ao Brasil como presidente da 
startup. O momento não poderia ser melhor, jáque em maio de 2018 a empresa 
foi comprada por 2,2 bilhões de dólares pelo PayPal, gigante dos sistemas de 
pagamento online. Com um time de 63 pessoas, o desafio da executiva é con-
solidar a iZettle no mercado local em meio à guerra das maquininhas.
Qual é a importância da operação 
brasileira para a iZettle?
Nós estamos sólidos na Europa, mas 
enxergamos um potencial de cres-
cimento enorme no Brasil — que 
depois de Estocolmo é nossa segun-
da maior operação. Mesmo que o 
país esteja saindo de um período de 
crise, ele apresenta oportunidades 
de expansão que mercados maduros 
não possuem. Estamos falando de 
um público que movimenta 4,45 tri-
lhões de reais por ano, dos quais a 
participação de meios de pagamen-
to digitais é pequena, de apenas 
28%. No Reino Unido, em compara-
ção, esse número é 68%. 
Como você avalia o setor de 
meios de pagamento no Brasil?
Antes, havia um monopólio de dois 
grandes players. Desde 2009, o Ban-
co Central vem tomando medidas para 
tornar o setor competitivo. Esse mo-
vimento aconteceu na Europa, e hoje 
existe uma série de regulamentações 
que acredito que serão implantadas 
no Brasil. Com isso, surgem oportu-
nidades em todo o universo de paga-
mentos digitais, inclusive de sistemas.
Por que você decidiu sair 
do mercado financeiro? 
O Goldman Sachs foi uma excelente 
escola, mas sentia falta da experiên-
Aos 36 anos, Maria Oldham está à frente da operação 
da iZettle, fintech sueca de meios de pagamento, e 
sua grande motivação é ficar em contato constante 
com o time T e x t o L u c i a n a L i m a | F o t o G e r m a n o L ü d e r s
Mais perto 
das pessoas
V O C Ê S/A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 1
“Em uma 
companhia 
de apenas 
8 anos, as 
transformações 
são rápidas 
e existe 
abertura para 
resolver os 
problemas”
cia da operação. Percebi que o mer-
cado de fintechs estava crescendo, 
era dinâmico, e resolvi mudar. Foi 
quando conheci a iZettle. Em uma 
empresa de 8 anos, as transforma-
ções são rápidas e existe abertura 
para resolver os problemas, o que me 
motiva. Quando eu trabalhava no 
banco, não me via fazendo aquilo 
para o resto da vida. Hoje, me vejo. 
Como lidou com o desafio 
de gerir pessoas ao assumir 
a presidência no Brasil? 
Essa era uma de minhas maiores 
preo cupações. Não sei se foi por cau-
sa da cultura corporativa, mas lidar 
com pessoas se tornou algo que ali-
menta, e não que suga minha energia. 
O clima de proximidade é grande, e 
todo mundo sabe a estratégia, então 
as coisas fluem. Claro que isso é re-
forçado com diversas ações. Uma 
delas é o fato de que novos funcioná-
rios passam uma semana na Suécia, 
conhecem a sede, conversam com o 
fundador. E, aqui, nos reunimos men-
salmente com o time global por vídeo-
-chamada para alinhar todo mundo. 
O mercado financeiro continua 
muito masculino. Como é ser 
mulher e presidente nesse setor? 
No começo da carreira, tinha difi-
culdade para encontrar em quem me 
inspirar. Mesmo em Londres, onde 
há um maior equilíbrio de gênero, 
meus superiores eram homens. Na 
iZettle, as duas posições estratégi-
cas, os cargos de CEO e CFO, são 
ocupadas por mulheres. Nossos ín-
dices de diversidade são altos: o time 
brasileiro é 50% feminino, e temos 
17% dos profissionais LGBTs. Quan-
do eu assumi, conversei com cada 
um dos 63 funcionários, e todas as 
mulheres, e alguns homens, falaram 
da importância de ter uma mulher 
no comando. Isso faz a diferença. 
2 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
F I N A N Ç A S
ILUSTR AÇÃO: L OVAT T O V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 3
N A T A L I A G Ó M E Z
A
pós quatro anos de re-
cessão, o Brasil ensaia, 
enfim, uma retomada. 
Segundo estimativas do 
mercado, a economia 
pode dar um salto de 
2,5% em 2019. Se isso 
acontecer, o país crescerá 
o dobro dos dois anos anteriores, quando o PIB fechou 
em pífio 1,1%. Mas nem tudo o que reluz é ouro. 
Jair Bolsonaro está longe de ser unanimidade. A 
verdade é que, apesar de sua equipe econômica, ca-
pitaneada por Paulos Guedes, possuir a simpatia do 
setor privado, os empresários só avançarão diante de 
um sinal verde. Em outras palavras, para que façam 
investimentos parrudos e voltem a contratar (gerando 
vagas de empregos), o atual presidente terá de cumprir 
quanto antes suas promessas de campanha, como a 
realização do ajuste fiscal e a aprovação da reforma 
da Previdência. “Isso seriam provas de que pretende 
combater a ineficiência do Estado brasileiro, o que 
aumentaria a confiança do mercado”, diz Ricardo Ro-
cha, professor de finanças no Insper. 
Colocar a máquina pública nos trilhos, sem efeitos 
colaterais, é a visão otimista do que poderá acontecer 
nos próximos meses. Para os mais céticos, no entanto, há 
riscos no horizonte. Um deles é que as movimentações 
escancaradamente pró-mercado levem à precarização 
das condições de trabalho, voltando parte dos 57 mi-
lhões de eleitores contra Bolsonaro. Outro é que o atual 
presidente não tenha jogo de cintura para lidar com os 
diferentes interesses dos parlamentares. 
Consultorias de negócios, como a Eurasia, acreditam 
que o Congresso será o calcanhar de aquiles do governan-
te. Se quiser impor sua agenda liberal, Bolsonaro terá de 
exibir uma habilidade de barganha que não demonstrou 
possuir até agora, angariando líderes partidários que 
levem suas pautas adiante durante as votações.
E os problemas não acabam por aí. Rodrigo de Losso, 
professor no departamento de economia da Faculdade 
de Economia, Administração e Contabilidade da Uni-
versidade de São Paulo (FEA-USP) e Ph.D. pela Uni-
versidade de Chicago, afirma que alinhar forças dentro 
da própria base será um grande desafio. Quem vai falar 
mais alto na sala de reuniões: os generais? O “posto 
Ipiranga” Paulo Guedes? O superministro Sergio Moro? 
Ou os três filhos de Bolsonaro? “O temperamento forte 
dessas pessoas pode causar um curto circuito. Isso me 
parece algo importante a ser considerado, embora seja 
difícil mensurar seus impactos agora”, diz o professor.
Um guia para organizar as 
contas, investir de maneira 
mais inteligente e proteger 
o orçamento das incertezas 
do ano que começa
24 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
F I N A N Ç A S
E eu com isso?
A esta altura, já deu para notar que 2019 será um ano 
peculiar do ponto de vista político e econômico, o que 
exigirá dos indivíduos uma atenção extra, sobretudo 
ao planejar o orçamento pessoal. 
Para início de conversa, convém observar para onde 
o vento sopra, sobretudo nos 100 primeiros dias do
governo, quando muitas decisões serão anunciadas.
Nesse período, até o começo de abril, a recomendação
dos experts é que as pessoas evitem mudanças bruscas
na carteira de investimentos e adiem compras gran-
des, como de carro ou de imóvel. “É crucial não fazer
movimento determinante até que tudo esteja mais
bem compreendido”, orienta André Novaes, planejador
financeiro na consultoria Life Finanças Pessoais.
Recomenda-se, por exemplo, ficar de olho na reforma 
da Previdência: se ela for aprovada nos próximos três 
meses, a renda variável será uma opção interessante. 
Isso porque muitas companhias brasileiras de capital 
aberto vão se beneficiar com o clima de euforia pro-
vocado pelo novo modelo previdenciário.
A expectativa dos analistas é que a bolsa de valores 
tenha altas fortes em 2019. Projeções da XP, maior 
corretora de investimentos do país, mostram que o Ibo-
vespa poderá chegar a 125 000 pontos, ante 90 000 no 
final de 2018. “Investir em ações será um bom negócio, 
principalmente nos setores de infraestrutura, varejo e 
bancos, que devem ser os mais beneficiados”, afirma 
Júlio Hegedus Netto, economista-chefe da consultoria 
de investimentos Lopes Filho & Associados.
 Já Marcia Dessen, diretora da Associação Brasileira 
de Planejadores Financeiros (Planejar), pede caute-
la. “Títulos de renda fixa precisam representar pelo 
menos metade da carteira de um investidor, por ser 
mais seguros.” Outro cuidado essencial é acompanhar 
asoscilações da Selic, taxa básica de juro que baliza 
títulos como Tesouro Direto e CDBs. Se ela cair, a ren-
tabilidade da renda fixa diminui também. Outro efeito 
da queda dos juros é a inflação — com juros menores, a 
população consome mais, o que puxa alguns preços para 
cima. Mas não há previsão de que a Selic despenque. 
Depois de atingir a mínima histórica de 6,5% em 2018, 
a projeção é que agora fique em torno de 8%. O segredo 
para obter rendimentos fora da curva, portanto, será 
fazer escolhas financeiras mais inteligentes. Veja como 
conseguir isso em quatro etapas certeiras.
ORGANIZAR 
O ORÇAMENTO
1
A lição mais valiosa 
a ser tirada das 
dificuldades 
econômicas dos últimos 
três anos é sobre a impor-
tância de ter as contas 
em dia, com um valor 
guardado para enfrentar 
revezes. A empreende-
dora Sabrina Cardoso, de 
28 anos, sentiu na pele a 
falta que faz um colchão 
de segurança. Em agosto 
de 2016, ela deixou um 
emprego tradicional como 
designer numa empresa 
do setor têxtil para atuar 
em seu próprio negócio, 
uma hamburgueria arte-
sanal itinerante no Rio de 
Janeiro. Com a intensifi-
cação da crise no estado 
fluminense, o empreen-
dimento passou a sofrer 
queda de vendas nos 
eventos de rua, que são o 
carro-chefe do negócio. 
Sem uma reserva fi-
nanceira, Sabrina teve de 
desengavetar o diploma 
de designer e voltou a 
atuar como autônoma em 
2018. “Parei de tirar pró-
-labore na hamburgueria
e comecei a me virar com
frilas enquanto recupero
meu negócio”, diz. Para
enxugar despesas, ela
ainda antecipou a união
estável com o namorado,
o que permitiu entrar
como dependente no
plano de saúde empre-
sarial dele, que trabalha
em regime de CLT numa
companhia de tecnologia.
Em setembro, Sabrina
cancelou o cartão de
crédito e passou a econo-
mizar cerca de 400 reais
por mês. “Quando olhava
a fatura, tinha investi-
do em roupas que não
precisava, andado demais
de Uber ou comprado
livros que não leria por
falta de tempo”, lembra.
No momento, Sabrina 
procura um apartamento 
que comporte a cozinha 
de sua hamburgueria, 
que hoje funciona em um 
imóvel alugado só para 
isso. Segundo planejado-
FOTO: L E A N DRO F ONSECA
res financeiros, como não 
há bola de cristal capaz 
de prever o ano 2019, 
cortar gastos de maneira 
preventiva, usando táti-
cas como a da designer 
carioca, é uma forma de 
se proteger de incertezas.
“A importância de ter 
uma reserva de emergên-
cia foi o grande aprendi-
zado de 2018. Diante da 
crise, até mesmo funcio-
nários públicos deixaram 
de receber salário, o que 
nunca se imaginou antes”, 
afirma Myrian Lund, 
professora e coordenado-
ra de cursos de MBA na 
Fundação Getulio Vargas. 
Segundo ela, o ideal é 
ter seis meses do total 
das despesas (da família 
ou do empreendimento) 
aplicados numa moda-
lidade de alta liquidez. 
Veja cinco passos para 
conquistar esse objetivo.
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 5
1 ANALISE 
RECEITA S E G A S TOS 
ANOTE QUANTO VOCÊ E OS OU-
TROS MEMBROS DA FAMÍLIA (SE 
HOUVER) RECEBEM E LISTE TO-
DAS AS DESPESAS MENSAIS — 
CONSIDERE ATÉ OS CENTAVOS 
NESSA CONTA, POIS NÃO EXISTE 
DINHEIRO PEQUENO. FAÇA ISSO 
NUM PAPEL EM BRANCO PARA 
VISUALIZAR COM CLAREZA. DE 
UM LADO, ANOTE OS GASTOS 
ESSENCIAIS COMO ALIMEN-
TAÇÃO, MORADIA, ENERGIA, 
SAÚDE, EDUCAÇÃO. DO OUTRO, 
REGISTRE OS VARIÁVEIS, 
COMO PRESENTES, VIAGENS, 
GASOLINA. DÁ PARA CONTAR 
COM A AJUDA DE APLICATIVOS 
NESSA TAREFA. VEJA ALGUMAS 
OPÇÕES DE APP A SEGUIR.
Sabrina Cardoso, 
empreendedora: 
aprendeu a ajustar 
as finanças 
durante a crise
FOTO: GER M A NO LÜ DER S
2 RE VISE 
CONTR ATOS
NA CATEGORIA GASTOS 
VARIÁVEIS, A PESSOA 
DEVE REVISAR TODOS OS 
CONTRATOS DE PRESTAÇÃO 
DE SERVIÇO, COMO TV 
POR ASSINATURA E CANAIS 
DE STREAMING. ALGUMAS 
DESSAS DESPESAS PODEM 
SER REDUZIDAS AO OPTAR 
POR CONCORRENTES QUE 
OFEREÇAM PLANOS MAIS 
BARATOS, JÁ OUTRAS DEVEM 
NECESSARIAMENTE PASSAR 
POR RENEGOCIAÇÃO, COMO 
CONTRATOS DE ALUGUEL, 
TELEFONIA MÓVEL E CURSOS.
3 COR TE O QUE 
FOR IRRELE VANTE 
ESSA FASE É DAS MAIS 
COMPLICADAS. SEGUNDO 
A ECONOMISTA ANDREIA 
FERNANDA, FUNDADORA DA 
EMPRESA DE CONSULTORIA E 
PLANEJAMENTO FINANCEIRO 
RICO FOCO, NÃO EXISTE 
UMA REGRA ÚNICA. “MINHA 
SUGESTÃO É QUE CADA 
PESSOA ENVOLVIDA NO 
PROCESSO AVALIE QUAIS 
SÃO OS GASTOS MENOS 
INCÔMODOS DE SER 
CORTADOS E REFLITAM O 
PORQUÊ. É PRECISO PASSAR 
AS DESPESAS POR UM 
FILTRO DE RELEVÂNCIA”, 
DIZ. PARA UM JOVEM, 
OS GASTOS COM FESTAS 
PODEM SER IMPORTANTES, 
ENQUANTO PARA UMA 
FAMÍLIA COM FILHOS 
OS PASSEIOS DE FIM DE 
SEMANA SÃO MAIS DIFÍCEIS 
DE SER ABOLIDOS. “CADA 
UM DEVE AVALIAR COMO 
FAZER ISSO RESPEITANDO 
SEU CONTEXTO DE VIDA.”
4 FAÇ A APLIC AÇÕE S 
DE ALTA LIQUIDE Z
INVISTA TODOS OS 
MESES, MESMO QUE EM 
DOSES PEQUENAS. ESSAS 
ECONOMIAS INICIAIS DEVEM 
IR PARA APLICAÇÕES QUE 
POSSAM SER RESGATADAS 
A QUALQUER MOMENTO, 
COMO TESOURO SELIC, 
FUNDOS DE RENDA FIXA 
E ALGUNS CDBs. NADA DE 
POUPANÇA. A POUPANÇA 
RENDE HOJE O EQUIVALENTE 
A 70% DA SELIC, QUE ESTÁ 
EM SEU PISO HISTÓRICO 
DE 6,5%. COM ISSO, A 
APLICAÇÃO MAIS POPULAR 
ENTRE OS BRASILEIROS 
ENTREGA CERCA DE 4,5% 
DE RENDIMENTO, POUCA 
COISA ACIMA DA INFLAÇÃO 
PROJETADA PARA O ANO. 
LOGO, NÃO É A MELHOR 
FORMA DE FAZER O 
DINHEIRO AUMENTAR.
VALE LEMBRAR QUE A 
RESERVA DE EMERGÊNCIA 
DEVE PERMANECER INTOCADA 
E SOMENTE SER ACIONADA 
EM CASO DE IMPREVISTO. 
A PARTIR DO MOMENTO EM 
QUE O MONTANTE ATINGIR O 
VALOR EQUIVALENTE A SEIS 
MESES DE SALÁRIO LÍQUIDO, 
É POSSÍVEL COMEÇAR A 
SEPARAR DINHEIRO PARA 
OUTROS PROJETOS, TANTO 
AQUELES DE CURTO PRAZO, 
COMO FÉRIAS DE FINAL DE 
ANO, QUANTO DE LONGO 
PRAZO, VOLTADOS PARA 
A APOSENTADORIA.
5 NÃO AUMENTE 
OS G A S TOS  (DE 
JEITO NENHUM)
UMA VEZ QUE O ORÇAMENTO 
ESTIVER ORGANIZADO, A 
REGRA FUNDAMENTAL É 
NÃO VOLTAR AO MESMO 
PADRÃO DE VIDA, MESMO 
QUE A ECONOMIA MELHORE 
— COMO MUITOS ANALISTAS 
FINANCEIROS ACREDITAM 
QUE ACONTEÇA ENTRE 2019 
E 2020. “CONTINUE A VIVER 
COMO SE VOCÊ ESTIVESSE 
RECOMEÇANDO AGORA”, 
RECOMENDA ANDREIA, DA 
RICO FOCO. SEGUNDO ELA, 
MUITA GENTE INTENSIFICA OS 
GASTOS DEPOIS DE ENGORDAR 
AS VACAS, O QUE ACABA 
MINANDO A REALIZAÇÃO 
DE PROJETOS IMPORTANTES.
TECNOLOGIA 
A FAVOR 
CINCO APLICATIVOS 
QUE AJUDAM 
A ORGANIZAR 
AS FINANÇAS
MINH A S 
EC ONOMI A S
PERMITE CADASTRAR 
DIVERSAS CONTAS, 
CONTROLAR 
O CARTÃO DE 
CRÉDITO, ALÉM 
DE PROGRAMAR 
ALERTAS. 
minhaseconomias.
com.br
 
GUI A B OL SO 
ESSE APLICATIVO 
PUXA OS DADOS 
DE SUA CONTA 
BANCÁRIA 
E REGISTRA 
SEUS GASTOS 
AUTOMATICAMENTE, 
SEPARANDO POR 
CATEGORIA, COMO 
SAÚDE, COMPRAS 
VARIADAS, 
MERCADO, BARES 
E RESTAURANTES. 
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ORG A NIZ ZE 
AJUDA A 
ORGANIZAR METAS 
MENSAIS PARA O 
ORÇAMENTO E CRIA 
RELATÓRIOS COM 
AS INFORMAÇÕES 
DE GASTOS. 
organizze.com.br
MOBILL S 
FAZ O CONTROLE 
DE RECEITAS E 
DESPESAS, DO 
CARTÃO DE CRÉDITO, 
ALÉM DE MAPEAR 
OBJETIVOS DE VIDA 
E DE APLICAÇÕES. 
mobills.com.br 
RENDA F I X A 
PESQUISA 
INVESTIMENTOS 
EM RENDA FIXA EM 
VÁRIAS CORRETORAS, 
CONTA COM UMA 
ÁREA DE EDUCAÇÃO 
FINANCEIRA E 
GRÁFICOS COM AS 
PRINCIPAIS TAXAS 
DO MERCADO. 
apprendafixa.com.br
F I N A N Ç A S
2 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 7
SAIR DO
VERMELHO
2
Q uitar dívidas é um passo 
fundamental para ter uma 
vida financeira saudável. 
E nada como um início de ano 
para fazer isso. Para começar, 
é importante enxergar o tama-
nho do endividamento, listando 
valores, taxas e instituições 
envolvidas. Deve-se considerar 
todo tipo de pagamento em aberto, 
como cheque especial, cartão de 
crédito, carnês de loja que ficaram 
esquecidos e, inclusive, aquele 
dinheiro emprestado por parentes.
O próximo movimento é vender 
ou trocar ativos — para pagar ou 
baratear a quantia devida. Uma 
ideia, por exemplo, é substituir 
o carro por um modelo mais 
econômico, recebendo a dife-
rença em espécie — a chamada 
“troca com troco”, modalidade 
que ficou popular durante a crise 
nas concessionárias. Esse dinhei-
ro deve, impreterivelmente, ser 
usado para quitar os débitos.É possível também levar sua 
dívida para outra instituição 
financeira que ofereça taxas 
melhores ou um prazo de parce-
lamento maior, diluindo o valor 
de forma a encaixá-lo melhor em 
seu orçamento. Para solicitar a 
portabilidade bancária, o lugar 
onde você tem o empréstimo 
Adriana Barbosa, 
assistente social: em 
apenas cinco anos 
conseguiu quitar a 
dívida de 250 000 reais
2 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
F I N A N Ç A S
mais caras”, diz. Os juros, que em 
alguns dos créditos chegava a 
6% ao mês, caíram para 1,4%.
Além disso, ela conseguiu 
novos trabalhos e aumentou 
sua renda. “Toda oportunidade 
que surgia eu fui aceitando”, diz 
a assistente social, que atuou 
como professora, consultora e 
pesquisadora. Ao longo desse 
processo, além da consultoria de 
planejamento financeiro, Adriana 
contou com uma rede de apoio 
que incluiu a família, o gerente 
de um dos bancos, um advogado, 
um psicólogo e até um médi-
co homeopata. Segundo ela, a 
ajuda de profissionais da saúde 
foi fundamental para conseguir 
equilíbrio físico e emocional 
para lidar com a situação. “Eu 
precisei trabalhar cinco anos de 
domingo a domingo em várias 
frentes para pagar a dívida.”
Com a entrada de novas recei-
tas, a renegociação dos emprés-
timos e o corte de gastos, ela 
conseguiu transformar o valor 
em algo viável, quitando tudo 
em 2017. De lá para cá, Adriana 
começou até a juntar dinheiro. 
“Passar de devedora a poupadora 
não foi fácil, aprendi a buscar 
economia constante, comprando 
em mercados de atacado, andan-
do de transporte público, encon-
trando promoções e negociando 
sempre que possível. Também 
aprendi que a gente só pode gas-
tar se tiver como pagar.” Hoje, no 
azul, Adriana está reformando a 
casa e guarda dinheiro para rea-
lizar outros projetos, como fazer 
investimentos mais arrojados.
CRÉDITO ALTERNATIVO 
AS FINTECHS DESBUROCRATIZARAM OS 
EMPRÉSTIMOS. PARA QUEM BUSCA FORMAS DE 
LEVANTAR DINHEIRO PARA AMORTIZAR DÍVIDAS, 
ELAS PODEM SER UMA ALTERNATIVA. CONFIRA: 
precisa fornecer um documen-
to informando saldo devedor, 
valor das parcelas, quanto ainda 
falta pagar e as taxas praticadas. 
Esses dados servem para que o 
novo banco avalie a migração.
Feita essa lição de casa, a 
pessoa deve analisar os compor-
tamentos que levaram ao endivi-
damento. De acordo com André 
Novaes, da Life Finanças Pessoais, 
é comum que o inadimplente se 
coloque como vítima da situação. 
“Se a pessoa não souber o que 
causou isso tudo, a dívida volta.”
Foi a capacidade de assumir a 
responsabilidade que ajudou a as-
sistente social Adriana Barbosa, de 
58 anos, a quitar em apenas cinco 
anos um débito superior a 250 000 
reais. O bolo chegou a esse tama-
nho por causa da dificuldade de 
controlar as despesas mensais 
e à falta de planejamento antes 
de gastar. Ajudas recorrentes a 
familiares também agravaram a 
situação de Adriana, que incluía 
empréstimos, renovações de 
empréstimos, cartões de crédito e 
cheque especial de vários bancos. 
O ex-marido de Adriana era 
quem controlava as finanças do 
casal, mas ela só ficou ciente da 
gravidade da situação em 2011, 
quando perdeu o emprego. “Meu 
primeiro erro foi delegar meus 
recursos a outra pessoa”, afirma. 
Assim que percebeu o problema, 
ela decidiu avaliar o tamanho do 
buraco. Passou o pente-fino em 
todas as suas contas bancárias e 
em seus cartões e buscou o apoio 
de uma consultoria financeira. 
“As dívidas estavam espalhadas 
e, aos poucos, fiz portabilidade 
para concentrar num único banco. 
Por orientação da consultoria, 
comecei tratando das dívidas 
PA R A PE S S OA F ÍS IC A 
CREDITAS: PLATAFORMA 
ONLINE DE CRÉDITO COM GARANTIA, 
TRABALHA COM DOIS PRODUTOS 
PRINCIPAIS, O EMPRÉSTIMO 
COM GARANTIA DE IMÓVEL E O 
EMPRÉSTIMO COM GARANTIA 
DE VEÍCULO. creditas.com.br 
GERU: OFERECE CRÉDITO PESSOAL 
SEM GARANTIA E CONSIGNADO PARA 
APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO 
INSS A JUROS MAIS BAIXOS DO QUE 
OS DO MERCADO. geru.com.br 
CREDISFER A: DISPONIBILIZA 
CRÉDITO PESSOAL SEM GARANTIA 
NO VALOR DE ATÉ 15 000 REAIS, COM 
ENVIO DE DOCUMENTOS ONLINE. 
credisfera.com.br
PA R A E MPREENDED ORE S 
BIVA: UNE PEQUENAS 
EMPRESAS A INVESTIDORES 
PESSOA FÍSICA, NO MODELO 
CONHECIDO COMO PEER TO 
PEER (P2P), PERMITINDO QUE 
VÁRIAS PESSOAS OFEREÇAM 
QUANTIAS QUE, JUNTAS, 
FORMAM O VALOR DO 
EMPRÉSTIMO SOLICITADO. 
biva.com.br 
NEXOOS: TAMBÉM ATUA 
NESSE MODELO P2P, FAZENDO 
A PONTE ENTRE PEQUENAS 
E MÉDIAS EMPRESAS COM 
POSSÍVEIS INVESTIDORES 
INTERESSADOS. 
nexoos.com.br
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 9FOTO: A N DR E VA L EN T I M
FAZER O 
DINHEIRO 
RENDER
3
C om a retomada da eco-
nomia, alguns tipos de 
investimento devem ganhar 
fôlego. Se tudo correr como o 
esperado na visão otimista, as 
ações terão destaque em 2019. 
“Se a agenda reformista for 
realizada, as empresas devem 
revisar para cima suas expecta-
tivas”, afirma o analista-chefe da 
XP Investimentos, Karel Luketic.
Segundo a análise feita pela XP 
sobre os balanços financeiros das 
companhias, as mais atraentes no 
governo Bolsonaro devem ser B2W 
(conglomero formado por 
Submarino, Shoptime, America-
nas.com), Gol, Bradesco, Banco 
do Brasil, Usiminas e Localiza, pois 
atuam em segmentos promissores 
e suas ações têm perspectivas 
de alta. O mesmo vale para os 
papéis das estatais, que podem ser 
impulsionados pelas iniciativas de 
privatização do novo governo. Por 
outro lado, acredita a XP, as orga-
nizações exportadoras, como Vale 
e Suzano, devem ser menos bene-
ficiadas, principalmente pela pre-
visão de desvalorização do dólar.
Atento a essas possibilidades, 
o advogado Antônio Leonardo
Branco, de 33 anos, pretende
readequar suas apostas em bolsa
de valores neste ano, priorizando
as companhias de varejo, bancos
e construtoras. No momento,
ele possui papéis de empresas
de commodities e serviços, sendo
que a renda variável representa
60% de sua carteira de investi-
mentos. Outra iniciativa será
aumentar sua exposição em
criptomoedas. Para isso, vai
reduzir as aplicações em renda
Antônio Leonardo 
Branco, advogado: 
quer aumentar o 
investimento em 
criptomoedas
3 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
F I N A N Ç A S
fixa de 40% para 30%. A ideia 
inicial é aplicar em bitcoin, moeda 
virtual mais famosa, ao qual 
pretende destinar 10 000 reais. 
“Por mais volátil que as criptomo-
edas sejam, acredito em seu 
potencial. Elas são opção ao 
sistema financeiro clássico”, diz o 
advogado. (O bitcoin perdeu 60% 
de seu valor nos últimos 12 meses, 
mas ele chegou a bater 19 000% 
de crescimento em 2017.)
Embora 2018 não tenha sido 
tão favorável às moedas virtuais, 
elas continuam chamando cada 
vez mais a atenção dos investido-
res devido à forte rentabilidade 
acumulada nos últimos anos. 
Segundo o professor de economia 
na Fundação Instituto de Admi-
nistração (FIA) e sócio da Arsenall 
Venture Builder, André Oda, a 
perspectiva para esse mercado 
é positiva, principalmente porque 
há uma tendência de surgirem 
medidas legais. “Cresce o núme-
ro de países que já regularam 
ou estão regulando a emissão, 
a distribuição, a negociação e o 
uso dos criptomoedas”, afirma.
Então, entre o perfil arrojado 
e o tradicional, ficamos assim: 
os criptoativos exigem cautela, 
pois oscilam muito; e a poupança 
está longe de ser uma boa opção. 
“Muita gente não sabe que a 
poupança só rende no dia do 
aniversário, e que se você sacar 
o dinheiro um dia antes, fica sem 
ganho”, afirma Fábio Macedo, 
diretor comercial da Easynvest.
Mas, no meio desses extremos, 
há outras boas opções para ter 
mais dinheiro em 2019. O impor-
tante é começar a aplicar. Não 
sabe como? Nós mostramos 
algumas alternativas para 
cada perfil de investidor.
PERFIL INVESTIMENTO DEFINIÇÃO 
Co
ns
er
va
do
r 
/ 
In
ic
ia
nt
e
TESOURO 
DIRETO
VENDA DE TÍTULOS PÚBLICOS COM O 
OBJETIVO DE CAPTAR RECURSOS PARA O 
FINANCIAMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA E DAS 
ATIVIDADES DO GOVERNO FEDERAL.
LCI E LCA A LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (LCI)E A LETRA DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO 
(LCA) SÃO EMITIDAS POR INSTITUIÇÕES 
FINANCEIRAS PARA CAPTAR E DESTINAR 
RECURSOS, RESPECTIVAMENTE, AO SETOR 
IMOBILIÁRIO E AO AGRONEGÓCIO.
CDB E LC OS TÍTULOS DE CERTIFICADO DE DEPÓSITO 
BANCÁRIO (CDB) E AS LETRAS DE CÂMBIO (LC) 
SÃO EMITIDOS PARA QUE OS BANCOS E AS 
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS CONSIGAM DINHEIRO 
PARA FINANCIAR SUAS ATIVIDADES DE CRÉDITO.
M
od
er
ad
o
DEBÊNTURES RENDA FIXA DE MÉDIO E LONGO PRAZO, 
DÁ AO INVESTIDOR O DIREITO DE CRÉDITO 
SOBRE A EMPRESA EMISSORA, RECEBENDO 
UMA TAXA DE JURO QUE PODE SER 
PREFIXADA OU PÓS-FIXADA.
A
rr
oj
ad
o
FUNDOS 
DE INVESTI-
MENTOS IMOBI-
LIÁRIOS (FII)
SERVEM PARA INVESTIR EM EMPREENDIMENTOS 
IMOBILIÁRIOS, COMO SHOPPINGS, HOSPITAIS 
E PRÉDIOS COMERCIAIS. AS CONSTRUTORAS 
VENDEM UMA PARTE DO IMÓVEL EM COTAS 
E O DONO DE CADA COTA RECEBE UM VALOR 
PROPORCIONAL DOS ALUGUÉIS.
FUNDOS DE 
ÍNDICES (ETFS)
OS FUNDOS DE ÍNDICES OU ETF SÃO FORMADOS 
POR AÇÕES DE DIVERSAS EMPRESAS, QUE 
ACOMPANHAM O MOVIMENTO DOS PRINCIPAIS 
ÍNDICES DA BOLSA. VOCÊ COMPRA E VENDE SUAS 
COTAS DA MESMA FORMA QUE AS AÇÕES, COM 
A FACILIDADE DE ADQUIRIR UMA “CESTA” MISTA.
AÇÕES TÍTULOS QUE REPRESENTAM UM PEDAÇO DE UMA 
EMPRESA, QUE VOCÊ PODE COMPRAR OU VENDER 
NA BOLSA DE VALORES. AO ADQUIRIR UMA AÇÃO, 
TORNA-SE SÓCIO DA COMPANHIA QUE A EMITIU, 
TENDO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. 
FUNDOS 
MULTIMERCADO
FUNCIONA COMO UM CORINGA NA CARTEIRA DE 
UM INVESTIDOR, FAZENDO UMA PONTE ENTRE 
OS MERCADOS DE RENDA FIXA E RENDA VARIÁVEL. 
CERTIFICADO 
DE OPERAÇÕES 
ESTRUTURADAS 
(COE)
SÃO TÍTULOS DE BAIXO RISCO EMITIDOS 
POR GRANDES BANCOS. ELES FUNCIONAM 
COMO UM COMPOSTO DE APLICAÇÕES 
DE RENDA FIXA E RENDA VARIÁVEL.
FONTE: E A SY N V EST
POR QUÊ? RECOMENDAÇÃO RISCO
É UMA OPÇÃO DE BAIXO CUSTO, COM 
ALTERNATIVAS A PARTIR DE 30 REAIS, E OFERECE 
RENTABILIDADE SUPERIOR À POUPANÇA. AO 
FINAL DE UM ANO, TEM RENTABILIDADE BRUTA 
DE CERCA DE 6,5%, COM RESULTADO FINAL 
EM TORNO DE 10,44% ACIMA DA POUPANÇA.
O TIPO ESCOLHIDO VARIA DE ACORDO COM AS EXPECTATIVAS. 
O TESOURO SELIC É INTERESSANTE PARA CURTO PRAZO. JÁ 
O PREFIXADO TEM A GRANDE VANTAGEM DE O INVESTIDOR 
SABER EXATAMENTE QUANTO VAI RESGATAR NO VENCIMENTO. 
POR FIM, O IPCA É UMA ÓTIMA OPÇÃO PARA LONGO PRAZO E 
PROTEGE O INVESTIDOR CONTRA A VARIAÇÃO DA INFLAÇÃO 
É A APLICAÇÃO DE MENOR 
RISCO DO MERCADO. IDEAL 
PARA QUEM ESTÁ DANDO 
OS PRIMEIROS PASSOS NO 
MUNDO DO INVESTIMENTO. 
O MERCADO IMOBILIÁRIO E O AGRONEGÓCIO 
DEVEM AQUECER NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS, 
ENTÃO SERÃO BOAS ALTERNATIVAS PARA QUEM 
QUER DIVERSIFICAR. ESSES INVESTIMENTOS 
(DE MÉDIO E LONGO PRAZO) RENDEM, EM 
MÉDIA, 32,5% MAIS QUE A POUPANÇA.
ESCOLHER ENTRE AS OPÇÕES 
PREFIXADO OU PÓS-FIXADO VAI 
DEPENDER DOS OBJETIVOS DO 
INVESTIDOR E DO PRAZO EM QUE 
ELE VAI FAZER O RESGASTE. AS 
DUAS OPÇÕES SÃO SEGURAS. 
BAIXO, COM COBERTURA DO 
FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO 
(FGC) ATÉ 250 000 REAIS. 
ESTÃO ENTRE OS MAIS RENTÁVEIS EM RENDA 
FIXA. A RENTABILIDADE BRUTA GIRA EM TORNO 
DE 7,21% AO ANO PARA UM TÍTULO COM PRAZO 
DE RESGATE DE 12 MESES. EM COMPARAÇÃO COM 
A POUPANÇA, RENDE 29% A MAIS NO PERÍODO.
TÊM CARACTERÍSTICAS PARECIDAS COM O 
TESOURO DIRETO: PODEM SER PREFIXADAS, 
PÓS-FIXADAS OU IPCA. IMPORTANTE DESTACAR 
QUE, QUANTO MAIOR O PRAZO DE RESGATE, 
MAIORES AS TAXAS DE RENTABILIDADE. 
BAIXO. TAMBÉM HÁ COBERTURA 
DO FUNDO GARANTIDOR DE 
CRÉDITO ATÉ 250 000 REAIS.
COM POSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO BASTAN-
TE ATRENTE — COM TÍTULOS CHEGANDO A IPCA+7 
(INFLAÇÃO + 7% AO ANO). NO MOMENTO DE 
ESCOLHER A DEBÊNTURE, O INVESTIDOR PRECISA 
AVALIAR A EMPRESA QUE ESTÁ COMPRANDO. 
UMA DICA É OBSERVAR O RATING 
DA INSTITUIÇÃO E O 
PRAZO DE RESGATE.
MÉDIO. COMO NÃO HÁ 
COBERTURA DO FUNDO 
GARANTIDOR DE CRÉDITO (FGC), 
É RECOMENDADO A QUEM TEM 
CERTA MARGEM AO RISCO.
É UMA ALTERNATIVA DE DIVERSIFICAÇÃO DE 
INVESTIMENTOS, COM BAIXO CUSTO INICIAL. 
MUITAS PESSOAS PROCURAM ESSE ATIVO PELO 
PAGAMENTO DE JUROS MENSAIS. É NECESSÁRIO 
QUE O INVESTIDOR ENTENDA AS CARACTERÍSTI-
CAS DO FUNDO E NO QUE ELE ESTÁ INVESTINDO.
O MERCADO IMOBILIÁRIO ESTÁ AQUECENDO E ALGUNS FUNDOS 
ESTÃO COM ATIVOS SUBVALORIZADOS. QUEM SE POSICIONAR 
AGORA VAI SAIR NA FRENTE. A SINALIZAÇÃO POSITIVA PARA O 
PRÓXIMO ANO TEM FEITO ALGUNS GESTORES ESTRUTURAREM 
NOVOS FUNDOS. ALGUNS TÊM RENDIMENTO LÍQUIDO ENTRE 0,8% 
E 1% AO MÊS. HÁ CORRETORAS QUE NÃO COBRAM TAXA.
MÉDIO. O INVESTIDOR ESTÁ 
EXPOSTO À OSCILAÇÃO DE 
MERCADO, MAS, SE SELECIONAR 
BONS FUNDOS, TERÁ RENDA 
PERIÓDICA COM POUCA 
VOLATILIDADE.
AO ADQUIRIR COTAS DE DETERMINADO ETF, 
PASSA-SE A DETER AS AÇÕES DO ÍNDICE A ELE 
RELACIONADO, SEM TER DE COMPRAR PAPÉIS 
SEPARADAMENTE, O QUE REPRESENTA UMA 
ECONOMIA EM TAXAS DE CORRETAGEM E 
DIVERSIFICAÇÃO DE SEU INVESTIMENTO.
A RENTABILIDADE DESSE FUNDO VAI 
DEPENDER DA COMPOSIÇÃO DELE. SE AS 
EXPECTATIVAS POSITIVAS DE CRESCIMENTO 
DO MERCADO SE CONSOLIDAREM, OS ETFS 
PODERÃO TER RENTABILIDADE MUITO 
ATRAENTE. FIQUE DE OLHO.
ALTO. O INVESTIDOR ESTÁ 
EXPOSTO ÀS OSCILAÇÕES 
DO MERCADO.
COM EXPECTATIVAS POSITIVAS PARA 2019, O 
INVESTIDOR PODE APROVEITAR PARA LUCRAR 
COM OS PAPÉIS. ANTES DE INVESTIR, INFORME-SE 
SOBRE A EMPRESA E ESTUDE O COMPORTAMENTO 
DA AÇÃO NOS ÚLTIMOS MESES.
BUSQUE SETORES MAIS SEGUROS, 
COMO OS DE TECNOLOGIA, FINANCEIRO, 
VAREJO ONLINE E INFRAESTRUTURA 
(SE A ECONOMIA DESLANCHAR, ESSE 
SEGMENTO DESLANCHARÁ JUNTO). 
ALTO. O INVESTIDOR ESTÁ 
EXPOSTO ÀS OSCILAÇÕES 
DO MERCADO.
ÓTIMA OPÇÃO DE DIVERSIFICAÇÃO. EMBORA HAJA 
VOLATILIDADE, COSTUMA TRAZER RESULTADOS 
SATISFATÓRIOS, NORMALMENTE ACIMA DA RENDA 
FIXA TRADICIONAL. É IMPORTANTE LER COM 
ATENÇÃO O REGULAMENTO DE CADA FUNDO PARA 
ENTENDER QUAL É O HISTÓRICO DE RETORNO.
“NOS FUNDOS MULTIMERCADO, OS 
GESTORES TÊM A LIBERDADE DE OPERAR 
EM VÁRIOS MERCADOS, AUMENTANDO 
A CHANCE DE PERFORMAR MELHOR”, 
EXPLICA FÁBIO MACEDO, DIRETOR 
COMERCIAL DA EASYNVEST.
BAIXO, MÉDIO OU ALTO, 
VARIANDO DE ACORDO COM 
A COMPOSIÇÃO DO FUNDO 
ESCOLHIDO. 
É UM NOVO INVESTIMENTO DISPONÍVEL, NO 
QUAL O CAPITAL É PROTEGIDO CONTRA PERDAS. 
SE NO VENCIMENTO DO TÍTULO A APLICAÇÃO 
REGISTRAR RESULTADO POSITIVO, O INVESTIDOR 
RECEBE OS GANHOS. SE FOR NEGATIVO, O PRE-
JUÍZO NÃO É REPASSADO E ELE GANHA O VALOR 
APLICADO INICIALMENTE.
PARA APLICAR EM COE, EXISTEM DIVERSOS TIPOS DE 
VARIAÇÃO QUE DEPENDERÃO DA COMPOSIÇÃO DO 
CERTIFICADO. PODE ESTAR LIGADO A COMMODITIES, 
POR EXEMPLO. POR ISSO, O INVESTIDOR PRECISA 
FICAR DE OLHO NOS ATIVOS QUE O COE ESTÁ 
INVESTINDO PARA TER A MELHOR RENTABILIDADE. 
MÉDIO. TEM CAPITAL PROTEGIDO 
PELO EMISSOR, O QUE SIGNIFICA 
QUE O INVESTIDOR NUNCA 
VAI RESGATAR MENOS DO QUE 
INVESTIU, ALÉM DE TER OPOR-
TUNIDADE DE RENTABILIDADE 
ACIMA DA CURVA.
3 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
F I N A N Ç A S
DECRED (D CR)
NASCIDA A PARTIR DE UM FORK (DIVISÃO NA 
REDE BLOCKCHAIN) DO BITCOIN, EM 2016, 
ESSA MOEDA TORNOU-SE RAPIDAMENTE UMA 
DAS QUERIDINHAS. NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS, 
POR EXEMPLO, VALORIZOU MAIS DE 1 400%. 
UM DOS DIFERENCIAIS É A TECNOLOGIA 
COLABORATIVA E A SEGURANÇA DAS 
TRANSAÇÕES. ASSIM COMO O IRMÃO BITCOIN, 
TEM UM LIMITE DE 21 MILHÕES DE UNIDADES 
— A POSSIBILIDADE DE ESCASSEZ VALORIZA 
O ATIVO. INFORMAÇÕES:  decred.org/pt
RIPPLE ( X RP)
SEGUNDO MAIOR CRIPTOATIVO DEPOIS DO 
BITCOIN, ESSA CRIPTOMOEDA FOI LANÇADA 
PELA STARTUP HOMÔNIMA CUJA PROPOSTA 
É CONECTAR OS DIFERENTES SISTEMAS DE 
PAGAMENTO E CRIAR SOLUÇÕES FINANCEIRAS 
QUE BARATEIEM PAGAMENTOS GLOBAIS. SEU 
SISTEMA DE BLOCKCHAIN JÁ É USADO POR 
GRANDES BANCOS, SOBRETUDO NO JAPÃO. 
NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS FOI UMA DAS 
CRIPTO DE MAIOR VALORIZAÇÃO, COM ALTA 
DE 5 000%. EM 2018, HOUVE UMA DEPRECIAÇÃO 
DE 86%, ENQUANTO EM 2016 E 2017 AS ALTAS 
FORAM DE 6% E 32 000%, RESPECTIVAMENTE. 
INFORMAÇÕES: ripple.com
DA SH
COM UMA COMUNIDADE COM FORTE 
PRESENÇA NO BRASIL, O SISTEMA DESSA 
CRIPTOMOEDA VISA OFERECER TRANSAÇÕES 
RÁPIDAS — ENQUANTO COM BITCOIN 
PODEM LEVAR ATÉ 1 HORA, DEPENDENDO 
DO VOLUME, AS COM DASH LEVAM 
SEGUNDOS. NO SITE É POSSÍVEL PESQUISAR 
POR PRODUTOS E SERVIÇOS ONDE AS 
PESSOAS POSSAMPAGAR COM DASH, DESDE 
TATUADORES ATÉ RESTAURANTES. EM 2018, 
O DASH CAIU 94%, DEPOIS DE TER SUBIDO 
9 300% EM 2017 E 235% EM 2016. A ALTA 
ACUMULADA EM TRÊS ANOS É DE 1 726%. 
INFORMAÇÕES: discoverdash.com
APLICAÇÃO HIGH TECH 
Diferentemente da moeda tradicional, a emissão da criptomoeda não 
passa por um Banco Central. O sistema é gerenciado pelos usuários. 
Nos últimos dois anos, essas moedas digitais ganharam relevância 
e tornaram-se uma forma de investimento que, para muitos, será 
o dinheiro futuro. Isso porque elas podem ser usadas como meio 
de pagamento e transacionadas de maneira online entre quem 
quer comprar e quem quer receber. O maior exemplo é o bitcoin, 
que ganhou fama em 2017 por sua rentabilidade absurda. Quem 
comprou o ativo em sua primeira cotação pública, em outubro de 
2009, está literalmente milionário. Isso porque o valor da ação foi de 
8/100 centavo de dólar, em outubro de 2009, para 19 783 dólares em 
dezembro, uma valorização de 25 milhões de vezes. O mercado esfriou 
em 2018, mas ainda assim sua valorização acumulada impressiona: 
nos últimos três anos, a alta foi de 700%. No Brasil, o investidor 
encontra bitcoin e outras criptomoedas em várias corretoras que 
atuam no país, como Mercado Bitcoin, Foxbit, BitcointoYou e Braziliex. 
Conheça três criptomoedas com boa chance de lucro para 2019.
FONTE: BR A ZIL IEX
FOTO: A N DR E VA L EN T I M
PLANEJANDO 
O FUTURO
4 F azer uma viagem, 
comprar a casa 
própria ou em-
preender. É importante 
ter clareza sobre cada 
um dos objetivos pes-
soais para poder guardar 
a quantia de dinheiro 
exata para realizá-los, 
evitando assumir dívidas 
que vão tirar seu sono. 
Como mostramos no 
primeiro tópico desta 
reportagem, uma vez 
que uma reserva de 
emergência está garan-
tida, especialistas reco-
mendam dar um passo 
além: estabelecendo 
prioridades de curto 
(até um ano), médio (de 
um a cinco anos) e longo 
(mais de cinco anos) 
prazo. A aposentadoria 
precisa ser uma preocu-
pação para pessoas de 
todas as idades, com um 
dinheiro guardado men-
salmente só para isso. 
Já outros projetos devem 
variar conforme seus 
desejos — e seu estilo 
de vida. “Existem pes-
soas que amam viajar 
e preferem não comprar 
a casa própria para ter 
mais mobilidade. Outras 
abrem mão de viagens 
para ter o imóvel dos 
sonhos e receber os 
amigos. Planejar é isso, 
decidir para onde vai 
destinar o dinheiro”, diz 
André Novaes, da Life 
Finanças Pessoais.
VEJA A SEGUIR OS SONHOS 
MAIS FREQUENTES E AS 
DICAS PARA REALIZÁ-LOS.
Antônio Carlos Barbosa 
da Silva, aposentado: 
planeja as viagens 
internacionais com 12 
meses de antecedência
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 3 3
3 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
F I N A N Ç A S
COMPR AR A 
C A SA PRÓPRIA
COMO OS ÚLTIMOS ANOS 
FORAM DE VENDAS FRACAS NO 
SETOR IMOBILIÁRIO, HÁ BOAS 
OPORTUNIDADES PARA QUEM 
DESEJA COMPRAR A CASA 
PRÓPRIA. SEGUNDO DADOS DA 
FIPEZAP, O DESAQUECIMENTO 
DA ECONOMIA GEROU QUEDA 
REAL DE 18% NOS PREÇOS DOS 
RESIDENCIAIS, EM QUATRO 
ANOS. NO ENTANTO, SÓ VALE 
ENTRAR NUMA NEGOCIAÇÃO 
DESSAS QUEM TEM PELO ME-
NOS 20% DO VALOR DO IMÓVEL 
PARA DAR À VISTA. “SE AINDA 
EXISTE MUITA INCERTEZA 
NA VIDA PESSOAL, MELHOR 
ALUGAR”, DIZ LUIZ CALADO, 
AUTOR DO LIVRO IMÓVEIS: SEU 
GUIA PARA FAZER DA COMPRA 
E VENDA UM GRANDE NEGÓCIO 
(SARAIVA, 34,90 REAIS). UMA 
VEZ TOMADA A DECISÃO, A 
PALAVRA DE ORDEM É PES-
QUISAR. CONSIDERE AVALIAR 
E COMPARAR O PREÇO DE 
IMÓVEIS NA PLANTA, RECÉM-
-LANÇADOS E PRONTOS. 
TIR AR UM 
PERÍODO SABÁTICO
A NÃO SER QUE A PESSOA 
TENHA UM CURRÍCULO IR-
RESISTÍVEL, ATUE EM ÁREAS 
DE ABUNDANTES OFERTAS 
DE EMPREGO, COMO A DE TI, 
E POSSUA RENDA GUARDADA 
PARA SEGURAR AS PONTAS 
POR NO MÍNIMO DOIS ANOS, 
ESPECIALISTAS DIZEM QUE O 
MOMENTO NÃO É FAVORÁVEL 
PARA SE AUSENTAR. SEGUNDO 
DADOS DO IBGE, A RECO-
LOCAÇÃO NO MERCADO DE 
TRABALHO BRASILEIRO ESTÁ 
LEVANDO EM MÉDIA OITO 
MESES. TOMAR CRÉDITO? NEM 
PENSAR. “FINANCIAMENTO 
SÓ INDICO PARA COMPRAR 
A CASA PRÓPRIA OU EMPRE-
ENDER. FAZER EMPRÉSTIMO 
PARA OUTROS FINS, COMO 
MBA, É COMPLICADO PORQUE 
O RETORNO FINANCEIRO É 
INCERTO E DE LONGO PRAZO”, 
DIZ MARCIA, DA PLANEJAR.
ABRIR UM NEGÓCIO 
A EXPECTATIVA É QUE 2019 
SEJA UM ANO MELHOR PARA 
EMPREENDER DO QUE OS 
ÚLTIMOS TRÊS, PORQUE A 
CONFIANÇA DO CONSUMIDOR 
ESTARÁ MAIOR. “DEVE HAVER 
UMA MELHORA CONTÍNUA DA 
ECONOMIA, O QUE DESTRAVA 
O CONSUMO”, DIZ GUILHERME 
AFIF DOMINGOS, PRESIDENTE 
DO SEBRAE. ENTRE OS SETORES 
QUE PROMETEM AQUECIMENTO 
ESTÃO OS DE TECNOLOGIA, ALI-
MENTAÇÃO (PRINCIPALMENTE 
NATURAL), VAREJO, SERVIÇOS, 
SAÚDE E EDUCAÇÃO. MAS É 
PRECISO ALGUNS CUIDADOS 
ANTES DE SEGUIR POR ESSE 
CAMINHO. LEONARDO DONATO, 
LÍDER DE MERCADOS EMERGEN-
TES DA CONSULTORIA EY PARA 
BRASIL E AMÉRICA LATINA, 
ORIENTA O EMPREENDEDOR A 
FAZER UM MAPEAMENTO COM-
PLETO DO SEGMENTO EM QUE 
DESEJA ATUAR, ALÉM DE UM 
PLANEJAMENTO MINUCIOSO. 
O CUSTO MÉDIO PARA ABRIR 
UMA MICROEMPRESA EM SÃO 
PAULO — COM FATURAMENTO 
DE ATÉ 360 000 POR ANO — É 
DE 1 300 REAIS MENSAIS, E ISSO 
É APENAS PARA COMEÇAR A 
OPERAR. O MAIOR DESAFIO 
PARA NOVOS EMPRESÁRIOS 
É O TEMPO DE RETORNO, QUE 
LEVA UM ANO NO MELHOR DOS 
CENÁRIOS. ENQUANTO ISSO, 
DEVE-SE ESTAR PREPARADO 
(FINANCEIRA E EMOCIONAL-
MENTE) PARA ARCAR COM 
AS DESPESAS DO NEGÓCIO 
COM RECURSOS PRÓPRIOS.
VIA JAR MUNDO AFOR A
ADQUIRA A MOEDA LOCAL 
AOS POUCOS, DURANTE OS 
12 MESES QUE ANTECEDEM A 
VIAGEM. “SE A PESSOA TIVER 
A DISCIPLINA, NÃO FICARÁ 
TÃO EXPOSTA ÀS OSCILAÇÕES”, 
AFIRMA MATHIAS FISCHER, 
DIRETOR DE ESTRATÉGIA DA 
MEU CÂMBIO, PLATAFORMA DE 
COMPRA DE MOEDAS ESTRAN-
GEIRAS. APÓS A FORTE ALTA 
DO DÓLAR EM 2018 (QUE BATEU 
4,20 REAIS EM SETEMBRO), A 
EXPECTATIVA É QUE O DINHEI-
RO AMERICANO FECHE 2019 NA 
CASA DOS 3,80 REAIS, COM AS 
PREVISÕES VARIANDO DE 3,22 
A 4,30 REAIS. DE NOVO, TUDO 
VAI DEPENDER DO ANDAMENTO 
DAS REFORMAS DO GOVERNO. 
PARA SE PROTEGER DA FLU-
TUAÇÃO, O TÉCNICO LEGISLA-
TIVO APOSENTADO ANTÔNIO 
CARLOS BARBOSA DA SILVA, DE 
69 ANOS, TEM O COSTUME DE 
OBTER DÓLAR NOS MOMENTOS 
DE BAIXA. “EU GOSTO DE ME 
PLANEJAR COM ANTECEDÊN-
CIA. HÁ MUITO TEMPO COMPRO 
A MOEDA NA BAIXA E FICO 
COM UMA RESERVA”, DIZ. ALÉM 
DISSO, ELE GUARDA PARA A 
PRÓXIMA VIAGEM AS NOTAS 
QUE SOBRARAM NA ANTERIOR. 
SEU PASSEIO INTERNACIONAL 
MAIS RECENTE FOI NAS FÉRIAS 
DE 2017, PARA O CHILE, QUAN-
DO PAGOU 3,30 REAIS CADA DÓ-
LAR. EM 2018, ELE PRETENDIA 
IR PARA PORTUGAL, ESPANHA 
E ITÁLIA, MAS ADIOU O PLANO 
POR CAUSA DAS INSTABILIDA-
DES ECONÔMICAS. ENQUANTO 
AGUARDA A SITUAÇÃO DO PAÍS 
MELHORAR, ELE ACOMPANHA 
AS NOTÍCIAS SOBRE A OSCILA-
ÇÃO CAMBIAL E PESQUISA PRE-
ÇOS DAS PASSAGENS AÉREAS.
TROC AR DE C ARRO
COMO O MERCADO AINDA ESTÁ 
EM BAIXA, ATÉ DÁ PARA OBTER 
ABATIMENTOS. MAS A REGRA 
É CLARA: TROCAR DE CARRO 
SÓ SE HOUVER DINHEIRO 
GUARDADO. AQUI, O IDEAL É 
TER NO MÍNIMO 50% DO VALOR 
DO AUTOMÓVEL PARA DAR 
DE ENTRADA, POIS ISSO POS-
SIBILITARÁ NEGOCIAR TAXAS 
MENORES. MESMO ASSIM, 
É PRECISO PONDERAR SE AS 
PARCELAS CABEM NO BOLSO. 
LEVE EM CONSIDERAÇÃO 
AINDA O VALOR DO SEGURO E 
A MANUTENÇÃO DO VEÍCULO. 
CARROS DE MENOR SAÍDA TÊM 
DESCONTOS MELHORES — MAS 
RENDEM POUCO NA REVENDA.
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 3 5
DÚ VIDA CRUEL 
MARCIA DESSEN E JOSÉ FARIA JUNIOR, DA PLANEJAR, RESPONDEM A DÚVIDAS DE FINANÇAS ENVIADAS 
POR LEITORES NAS REDES SOCIAIS DE VOCÊ S/A
N ESTE CASO, VOCÊ DEVE PRIORIZAR LIQUIDEZ, OU SEJA, 
A POSSIBILIDADE DE RESGATAR A QUALQUER MOMENTO, 
SEM RISCO E SEM PERDA DE RENTABILIDADE. APLICAÇÕES DE 
TAXA PÓS-FIXADA SÃO AS MAIS ADEQUADAS A ESSE OBJETIVO, 
POIS ACOMPANHAM A VARIAÇÃO DA TAXA BÁSICA DA ECONOMIA. 
TESOURO SELIC, CONSIDERANDO ISENÇÃO DE CORRETAGEM E 
CUSTO DE 0,30% AO ANO, É SEGURAMENTE UMA ÓTIMA OPÇÃO.
P ARA INVESTIR É PRECISO, ANTES DE MAIS NADA, DE CONFIANÇA. 
SEJA NA INDICAÇÃO DOS PRODUTOS, SEJA NA ESCOLHA DA 
INSTITUIÇÃO. RELACIONAMENTO TAMBÉM É IMPORTANTE. ATENDIMENTO 
ATENCIOSO, ÉTICO E RESPONSÁVEL, COM FOCO NO CLIENTE, E NÃO NO 
PRODUTO. QUANTO MAIS NOS RELACIONAMOS COM A INSTITUIÇÃO 
FINANCEIRA,MAIOR TENDE A SER A ATENÇÃO E A RENTABILIDADE. 
CUSTOS! INVESTIR COM O MENOR CUSTO POSSÍVEL É A FORMA MAIS 
SIMPLES DE AUMENTAR A RENTABILIDADE SEM CORRER MAIS RISCO.
N O T W I T T E R
C OM DISCIPLINA, INVESTIR SEMPRE, TODOS OS MESES. NÃO ESPERE 
“SOBRAR” DINHEIRO; NÃO VAI SOBRAR. INVISTA EM VOCÊ EM PRIMEIRO 
LUGAR E COLOQUE O DINHEIRO PARA TRABALHAR PARA VOCÊ. PEQUENOS 
VALORES, INVESTIDOS POR MUITOS ANOS, COM JUROS COMPOSTOS (JURO 
SOBRE JURO), FAZ O BOLO CRESCER. 100 REAIS POR MÊS, A JUROS DE 0,50% 
AO MÊS, EM CINCO ANOS VIRA 6 977 REAIS; EM DEZ, 16.388 REAIS; EM 20, 46 
204 REAIS; E EM 40 ANOS 199 149 REAIS. PEGUE ESTE ÚLTIMO EXEMPLO E VEJA 
QUANTO SAIU DO BOLSO DO INVESTIDOR E QUANTO ELE GANHOU DE JUROS 
EM QUATRO DÉCADAS. INVESTIU 100 REAIS POR 480 MESES, OU SEJA, 48 000. 
GANHOU DE JUROS 151 149 REAIS (MAIS DE TRÊS VEZES O DINHEIRO APORTADO). 
Qual a perspectiva de rendimento 
do Tesouro Direto em vista das 
possíveis (ou não) alterações de 
políticas da taxa básica de juro? 
@reginaldo_rod
N O TESOURO DIRETO É POSSÍVEL APLICAR POUCO E 
GANHAR JUROS DE INVESTIDOR GRANDE. A MESMA 
RENTABILIDADE É PAGA PARA APLICAÇÕES DE 30 REAIS E 
DE 1 MILHÃO. É POSSÍVEL DIVERSIFICAR, DE ACORDO COM 
OBJETIVO PESSOAL E CONTEXTO MACROECONÔMICO.
1) TESOURO SELIC: IDEAL PARA INVESTIR A RESERVA 
FINANCEIRA; RECURSOS JÁ COMPROMETIDOS EM PRAZO 
CURTO (ATÉ DOIS ANOS). OU SEJA, É POSITIVO PARA QUEM 
NECESSITA DE LIQUIDEZ A QUALQUER MOMENTO SEM 
O RISCO DE PERDA FINANCEIRA. MESMO INVESTIDORES 
AGRESSIVOS DEVEM TER PARTE DA CARTEIRA EM 
TÍTULOS DE TAXA PÓS-FIXADA, COMO TESOURO SELIC.
2) TESOURO PREFIXADO: PARA AQUELES QUE 
ACREDITAM NUMA POSSÍVEL QUEDA NA TAXA DE JURO, 
COM PERDA FUTURA NA RENTABILIDADE. SE POR 
UM LADO ESSA MODALIDADE EVITA ESSE RISCO, POR 
OUTRO PODE HAVER PERDA SE A TAXA DE JURO SUBIR. 
NO VENCIMENTO O INVESTIDOR GANHA EXATAMENTE 
A RENTABILIDADE DEFINIDA NO DIA DA COMPRA.
3) TESOURO IPCA+: OPÇÃO ADEQUADA AOS QUE 
DESEJAM PROTEGER O CAPITAL CONTRA A INFLAÇÃO E 
GANHAR NA TAXA DE JURO REAL (ACIMA DA INFLAÇÃO). 
ESSA TAXA É PREFIXADA NO DIA DA COMPRA. NO LONGO 
PRAZO HÁ GANHOS E PERDAS ANTES DO VENCIMENTO. 
ISSO PORQUE TESOURO IPCA+ É PÓS-FIXADO. ISTO É, SEU 
RENDIMENTO DERIVA SOBRE O IPCA, ÍNDICE DE PREÇOS 
AO CONSUMIDOR, MEDIDO MÊS A MÊS PELO IBGE. 
Como fazer um investimento 
pequeno ficar grande? 
@paola_adriano
Por onde começar? O que deve 
ser considerado na escolha 
da instituição? Ou na compra 
de papéis? @beckertiago
N O I N S TAG R A M 
Onde investir mensalmente 
como reserva de emergência? 
@jvfuly 
3 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
V
ocê entra no su-
permercado, es-
colhe os produtos 
que precisa, mas, 
antes de colocá-
-los no carrinho, 
enquadra o códi-
go de barras na 
câmera de seu 
celular e, ali mes-
mo, descobre, por meio de um apli-
cativo que rastreia as práticas das 
indústrias, se está levando para casa 
um item sustentável, cuja produção 
esteja alinhada com seus valores. 
Exemplos de tecnologias como 
essa pipocam no Brasil e no mundo 
em resposta ao aumento do interesse 
das pessoas em fazer compras mais 
responsáveis. De uns anos para cá, 
adquirir alimentos de origem certi-
ficada, usar produtos livres de testes 
em animais, comprar de empresas 
sem histórico de trabalho escravo e 
priorizar a locação em vez da aqui-
sição tornaram-se atitudes comuns. 
Prova disso é que o Indicador de 
Consumo Consciente (ICC), que 
mede o equilíbrio entre a satisfa-
ção pessoal e o nível de práticas 
ambientais, financeiras e de enga-
jamento social dos brasileiros, su-
biu de patamar nos últimos quatro 
anos. Segundo dados da pesquisa 
anual realizada pelo Serviço de 
Proteção ao Crédito (SPC Brasil) 
e pela Confederação Nacional de 
Dirigentes Lojistas (CNDL), o ICC 
saltou 4 pontos percentuais de 2015 
a 2018, saindo de 69% para 73%.
Embora o desempenho esteja 
aquém do desejado — o estudo só 
considera que haja consumo cons-
ciente no país quando esse índice 
fica acima de 80% —, os brasileiros 
avançam nessa questão. Hoje, de 
acordo com o SPC Brasil, 98% das 
pessoas reconhecem a importância 
CONSUMO ENGAJADO
Listamos nove apps e um site para ajudar quem deseja consumir melhor 
e fazer compras mais sustentáveis do ponto de vista social e ambiental 
K a r i n a F u s c o
T E C N O L O G I A 
da adoção de práticas sustentáveis 
na hora de comprar e 55% se encai-
xam no grupo de transição, gente 
que já começou a inserir mudan-
ças positivas na forma de consumir, 
mas cujas atitudes, em geral, ainda 
estão abaixo do esperado. 
Um estudo do Instituto Akatu, or-
ganização sem fins lucrativos que 
trabalha pela conscientização e mo-
bilização da sociedade em prol do 
consumo consciente, publicado em 
julho, mostrou que a principal bar-
reira para quem deseja ser um con-
sumidor melhor é a necessidade de 
fazer um esforço, ou 
seja, mudar de hábi-
tos (60%). “Muitos 
protelam essa ati-
tude por achar que 
não faria diferença 
no colet ivo”, d i z 
José Vignoli, edu-
cador financeiro do 
SPC. Outro entrave 
(apontado por 38% 
das pessoas) é o 
fato de os produtos sustentáveis se-
rem mais caros (artigos orgânicos, 
por exemplo, custam, em média, 
30% mais do que os convencionais).
Nesse cenário, a tecnologia ganha 
relevância. “A revolução trazida 
pela internet das coisas e pela inte-
ligência artificial viabiliza engajar 
o consumidor por meio das emba-
lagens e formar uma nova cultura 
de consumo. Grandes varejistas e 
atacadistas também estão se mobi-
lizando nesse sentido. Acreditamos 
que esteja em curso uma economia 
na qual os impactos sociais, am-
bientais e econômicos farão dife-
rença na decisão de compra”, diz 
Marcel Fukayama, cofundador e di-
retor executivo do Sistema B Brasil, 
movimento empresarial que milita 
por um comércio mais inclusivo e 
sustentável. Conheça, a seguir, dez 
ferramentas que podem ajudá-lo a 
se inserir nesse movimento.
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 3 7ILUSTRAÇÕES: GU I L H ER M E H EN R IQU E
1
Olho Cidadão
COM 271 EMPRESAS E 
11 054 MARCAS BRASI-
LEIRAS EM SUA BASE DE 
DADOS, ESSE APLICATI-
VO DESENVOLVIDO EM 
2017 PELO INSTITUTO 
TOTUM, QUE ATUA NO 
MERCADO DE AUDITORIAS 
INDEPENDENTES, SELOS E 
PROGRAMA DE AUTORRE-
GULAMENTAÇÃO, PERMITE 
AO CONSUMIDOR CHECAR 
NO MOMENTO DA COMPRA 
A IDONEIDADE DOS FABRI-
CANTES. BASTA POSICIO-
NAR O CÓDIGO DE BARRAS 
DO PRODUTO NA CÂMERA 
DO CELULAR PARA TER 
ACESSO À “FICHA” DA 
EMPRESA OU GRUPO 
QUE PRODUZ O ITEM E 
SABER, POR EXEMPLO, SE 
HÁ ENVOLVIMENTO EM 
CASOS DE CORRUPÇÃO, 
FRAUDE OU DESRESPEITO 
AO MEIO AMBIENTE. A 
PLATAFORMA É ALIMEN-
TADA COM INFORMA-
ÇÕES ENVIADAS PELOS 
PRÓPRIOS USUÁRIOS.
GRÁTIS
ANDROID E iOS 
institutototum.com.br
2
Good on You
FOCADO EM MODA ÉTICA 
E SUSTENTÁVEL, ESSE 
APP FORNECE INFORMA-
ÇÕES E CLASSIFICA CERCA 
DE 2 000 MARCAS, PRINCI-
PALMENTE AS DE ABRAN-
GÊNCIA INTERNACIONAL, 
COMO NIKE, ZARA E 
ABERCROMBIE. LANÇADO 
EM 2015 NA AUSTRÁLIA, 
PERMITE AO USUÁRIO 
SABER, ENTRE OUTRAS 
COISAS, O POSICIONA-
MENTO DA FABRICANTE 
DO ARTIGO DESEJADO 
SOBRE DIFERENTES 
QUESTÕES, TAIS COMO 
EMISSÃO DE POLUENTES 
E USO DE PELES E COURO. 
TAMBÉM CLASSIFICA 
MARCAS E EMPRESAS DE 
UMA A CINCO ESTRELAS 
E TRAZ NOTÍCIAS SOBRE 
TEMAS RELACIONADOS 
E OFERTAS DE MARCAS 
RESPONSÁVEIS. O APP 
É EM INGLÊS, MAS OS 
FUNDADORES COGITAM 
FAZER VERSÕES EM 
OUTROS IDIOMAS.
GRÁTIS
ANDROID E iOS 
goodonyou.eco
3
Moda Livre
DESENVOLVIDO PELA 
ONG REPÓRTER BRASIL 
PARA COMBATER O 
TRABALHO ESCRAVO NA 
INDÚSTRIA DA MODA, 
ESSA PLATAFORMA 
AVALIA O ENVOLVIMENTO 
DAS MARCAS DE ROUPAS 
E O COMPROMISSO DAS 
LOJAS EM RELAÇÃO 
AO TEMA. PARA ISSO, 
FAZ INVESTIGAÇÕES 
PRÓPRIAS E AUDITORIA 
DE UM QUESTIONÁRIO 
APLICADO ÀS EMPRESAS. 
COM BASE NAS 
RESPOSTAS, CLASSIFICA-
AS COM AS CORES VERDE, 
AMARELO E VERMELHO, 
CONSIDERANDO AS 
PRÁTICAS DE CADA UMA 
E OS FLAGRANTES DO 
MINISTÉRIO DO TRABALHO 
E EMPREGO (MTE). COM 
170 000 DOWNLOADS, TEM 
ATUALIZAÇÃO ANUAL. ATÉ 
O FECHAMENTO DESTA 
EDIÇÃO, ERAM 119 GRIFESE VAREJISTAS AVALIADOS, 
COMO C&A E HOPE.
GRÁTIS
ANDROID E iOS 
reporterbrasil.org.br
5
Molécoola
A STARTUP HOMÔNIMA 
QUE TRABALHA COM 
LOGÍSTICA REVERSA DE 
RECICLÁVEIS LANÇOU O 
APP EM JULHO PARA 
ESTIMULAR A SEPARA-
ÇÃO DO LIXO E BONIFI-
CAR ADEPTOS À CAUSA. 
DEPOIS DE BAIXÁ-LO, O 
CONSUMIDOR PREENCHE 
UM CADASTRO E RECEBE 
A INFORMAÇÃO SOBRE 
OS PONTOS DE COLETA 
NOS ARREDORES. AO 
LEVAR OS RECICLÁVEIS 
— GARRAFA PET, LATA DE 
REFRIGERANTE, CAIXA 
DE LEITE —, O CONSUMI-
DOR É BONIFICADO COM 
PONTOS QUE PODEM SER 
TROCADOS POR PRO-
DUTOS COMO COPO DE 
SILICONE, LÁPIS DE COR, 
RECARGA DE CELULAR 
E CRÉDITOS EM APPS 
DE TRANSPORTE, OU, 
ENTÃO, PODE DOAR OS 
PONTOS ÀS INSTITUIÇÕES 
APOIADAS. FUNCIONA 
NA CAPITAL PAULISTA. 
GRÁTIS
ANDROID E iOS
molecoola.eco
4
Desquebre
A INICIATIVA NASCEU EM 
2015 DE UMA IDEIA DE DOIS 
AMIGOS DE SÃO PAULO QUE 
ESTAVAM INCOMODADOS 
COM A REDUÇÃO DA VIDA 
ÚTIL DE ELETRODOMÉSTI-
COS, DESCARTADOS CADA 
VEZ MAIS CEDO. AO ENTRAR 
NO APP, O CONSUMIDOR 
INFORMA SOBRE O EQUI-
PAMENTO E OS “SINTO-
MAS” APRESENTADOS. 
NA SEQUÊNCIA, RECEBE 
ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS. 
CASO SEJA NECESSÁRIO A 
PRESENÇA DE UM TÉCNICO, 
O DISPOSITIVO ACIONA UM 
PROFISSIONAL CADASTRA-
DO QUE ATUE NA REGIÃO 
DO CLIENTE E, EM ATÉ 15 
MINUTOS, É FEITO CONTATO 
PARA AGENDAR A VISITA. 
COM 16 000 DOWNLOADS, O 
APP FUNCIONA NA GRANDE 
SÃO PAULO, EM JUNDIAÍ 
E EM CAXIAS DO SUL (RS), 
ATENDENDO CERCA DE 
300 CHAMADOS POR MÊS. 
EM 2019, DEVE CHEGAR 
A OUTRAS REGIÕES.
GRÁTIS
ANDROID E iOS
desquebre.com.br
3 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
FONTES: SPC BRASIL; CNDL E AK ATU
FONTE: PESQUISA CONSUMO CONSCIENTE , 
DO SERV IÇO DE PROTEÇÃO AO CR ÉDITO 
(SPC BR A SIL) E DA CONFEDER AÇÃO NACIONA L 
DE DIR IGENTES LOJ ISTA S (CNDL), DE 2018
6
Etiquetagem 
Veicular
NESTE APP DESENVOL-
VIDO PELA PETROBRAS, 
EM PARCERIA COM O 
PROGRAMA NACIONAL 
DA RACIONALIZAÇÃO DO 
USO DOS DERIVADOS DO 
PETRÓLEO E DO GÁS NA-
TURAL (CONPET), É POS-
SÍVEL (ANTES DE TROCAR 
DE CARRO) CONSULTAR O 
CONSUMO DE COMBUS-
TÍVEL DE DIFERENTES 
VEÍCULOS E MARCAS QUE 
ADERIRAM AO PROGRAMA 
BRASILEIRO DE ETIQUE-
TAGEM VEICULAR DO 
INSTITUTO NACIONAL DE 
METROLOGIA, QUALIDADE 
E TECNOLOGIA (INME-
TRO). HÁ INFORMAÇÕES 
DE AUTOMÓVEIS DE 35 
MARCAS E DE 1 249 MO-
DELOS. OUTRO DESTAQUE 
DA FERRAMENTA É A 
ESTIMATIVA DE GASTOS 
MENSAL E ANUAL COM 
BASE EM DADOS INSE-
RIDOS PELO USUÁRIO. 
GRÁTIS 
ANDROID E iOS
conpet.gov.br
8
BuyCott
COM ESCÂNER DO CÓDIGO 
DE BARRAS PELO CELULAR, 
O APP MOSTRA AOS USU-
ÁRIOS A FILOSOFIA E AS 
PRÁTICAS DAS EMPRESAS, 
OFERECENDO INFORMA-
ÇÕES SOBRE O POSICIO-
NAMENTO EM RELAÇÃO A 
DIVERSAS CAUSAS, COMO 
FEMINISMO, TRABALHO 
ESCRAVO E PROTEÇÃO 
AO MEIO AMBIENTE. 
PERMITE AO CONSUMIDOR 
ESCOLHER QUAL PRODUTO 
LEVAR PARA CASA. O 
USUÁRIO TAMBÉM PODE 
ADERIR ÀS CAMPANHAS DA 
FERRAMENTA, COMO DE 
COMBATE AOS TESTES EM 
ANIMAIS E DE IGUALDADE 
SALARIAL ENTRE GÊNEROS, 
PARA INDICAR APOIO OU 
OPOSIÇÃO A VÁRIOS AS-
SUNTOS E TÓPICOS. EM SUA 
BASE DE DADOS, GLOBAL, 
HÁ CERCA DE 20 MILHÕES 
DE TAGS DE CÓDIGOS DE 
BARRAS. EM INGLÊS. 
GRÁTIS 
ANDROID E iOS
buycott.com
9
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CRIADO PELA ORGANI-
ZAÇÃO AUSTRALIANA 
CHOOSE CRUELTY 
FREE, O APP FORNECE 
INFORMAÇÕES EM 
INGLÊS SOBRE EMPRE-
SAS DE COSMÉTICOS E 
PRODUTOS DE HIGIENE 
PESSOAL E DE LIMPEZA 
DOMÉSTICA QUE NÃO 
FAZEM TESTES EM ANI-
MAIS. BASTA ESCANEAR 
O CÓDIGO DE BARRAS 
— EMBORA ESTEJA EM 
INGLÊS, FUNCIONA NO 
MUNDO TODO. PERMITE 
PESQUISAR POR CATE-
GORIA, COMO XAMPUS 
OU HIDRATANTES. TUDO 
É ORGANIZADO EM 
ORDEM ALFABÉTICA, O 
QUE FACILITA A NAVE-
GAÇÃO. OFERECE, AIN-
DA, UMA LISTA VEGANA 
PARA OS INTERESSADOS 
EM COMPRAR APENAS 
ITENS DESSE TIPO.
GRÁTIS
DISPONÍVEL PARA 
ANDROID E iOS 
choosecruel-
tyfree.org.au
Avançou, mas pode melhorar 
Pesquisas revelam como o brasileiro pensa na hora de comprar
Devagar 
e sempre
O índice de Consumo 
Consciente no Brasil 
está melhorando 
PROCURAM 
EVITAR 
MARCAS 
QUE 
USAM 
TRABALHO 
ESCRAVO
87% 
CONSIDERAM 
UM DIA 
ADOTAR 
PRÁTICAS E 
HÁBITOS DE 
CONSUMO 
CONSCIENTE 
84% 
NÃO SABEM 
DEFINIR 
EXATAMENTE 
O QUE
 É UM 
PRODUTO 
SUSTENTÁVEL
61% 
COMPRAM 
COM ALGUMA 
FREQUÊNCIA 
ITENS 
FALSIFICADOS, 
ATRAÍDOS 
PELO PREÇO
58% 
SÓ VEEM NECESSIDADE 
DE COMPRAS 
RESPONSÁVEIS NO 
FUTURO, QUANDO 
OS PROBLEMAS 
NO PLANETA SE 
AGRAVAREM 
55% 
80
70
60
2018201720162015
69% 73% 
72% 
73% 
T E C N O L O G I A 
10
BoBags
LANÇADO EM 2015, O SITE 
RESPONSIVO PARA MOBILE 
É FOCADO NO CONSUMO 
INTELIGENTE DE BOLSAS E 
ACESSÓRIOS, COMO CINTOS 
E LENÇOS. A IDEIA É QUE, 
EM VEZ DE COMPRAR ITENS 
NOVOS, OS CONSUMIDO-
RES OS ALUGUEM POR 
ALGUNS DIAS. QUEM TEM 
ESSES ITENS PARADOS 
PODE COLOCÁ-LOS PARA 
LOCAÇÃO. ENTRE ACERVO 
PRÓPRIO E DE TERCEIROS, 
HÁ 550 ITENS À DISPOSI-
ÇÃO, COM MARCAS QUE VÃO 
DE CHANEL, LOUIS VUITTON 
E GUCCI A OUTRAS QUE 
SÃO NOVIDADES POR 
AQUI, MAS SÃO FAMOSAS 
FORA, COMO CULT GAIA E 
MODJEWEL. AO ENTRAR NA 
PLATAFORMA, O CLIENTE 
ESCOLHE A PEÇA, DEFINE 
POR QUANTOS DIAS QUER 
USÁ-LA, FAZ O PAGA-
MENTO POR CARTÃO DE 
CRÉDITO E RECEBE O ITEM 
EM ATÉ TRÊS DIAS. 
ATENDE EM 
TODO O BRASIL
bobags.com.br
7
Rota da 
Reciclagem
VISA REDUZIR A GERA-
ÇÃO DE LIXO NO PAÍS E 
ESTIMULAR A RECICLA-
GEM. PARA ISSO, INDICA 
PONTOS DE COLETA 
NO BRASIL TODO PARA 
RECICLAGEM DE ITENS 
LONGA VIDA, COMO 
CAIXAS DE LEITE E DE 
SUCO. IDEALIZADO PELA 
TETRA PAK, MULTINACIO-
NAL SUECA DE EMBA-
LAGENS, O APLICATIVO 
POSSIBILITA DIGITAR O 
ENDEREÇO ONDE MORA 
E MOSTRA OS LOCAIS 
PRÓXIMOS, DIVIDIDOS 
EM TRÊS CATEGORIAS: 
COOPERATIVAS; PONTOS 
DE ENTREGA VOLUNTÁRIA 
(PEVS), COMO SUPERMER-
CADOS; E COMÉRCIOS QUE 
COMPRAM EMBALAGENS 
PARA BENEFICIAMENTO 
E ENVIO AOS RECICLADO-
RES. SÃO 5 000 ENDE-
REÇOS CADASTRADOS.
GRÁTIS
ANDROID E iOS 
rotadareciclagem.
com.br
4 0 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A4 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
Quase metade das empresas brasileiras deve adotar a impressão 3D nos próximos 
cinco anos. Esse maquinário — que fabrica de casas a alimentos — está transformando 
todos os setores e tem carência de mão de obra capacitada M a r i a n a A m a r o
IMPRIMINDO 
INOVAÇÃO
T E N D Ê N C I A
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 1
D
e tempos em tem-
pos, uma novida-
de tecnológica 
aparece com o 
rótulo de que 
vai transformar o 
mercado, acabar 
com profissões 
e mudar a for-
ma de trabalho. 
Foi assim com a 
Revolução Indus-
trial e a invenção da máquina a vapor, 
com a eletricidade, com o computador, 
com a internet e, mais recentemente, 
com o smartphone. Agora, entram na 
lista blockchain, internet das coisas e, 
claro, a impressão 3D. Essa última, em 
análises mais futuristas, revoluciona-
ria não só a indústria mas diversos ou-
tros setores da economia — da saúde 
à moda. Segundo o relatório O Futuro 
do Trabalho 2018, do Fórum Eco-
nômico Mundial, 49% das empresas 
brasileiras, de áreas diferentes, pre-
tendem investir nas três dimensões 
até 2022 e, de acordo com um estudo 
do banco americano Goldman Sachs, 
essa é uma das oito tecnologias que 
vão mudar os negócios. 
Desde quando surgiu uma das 
primeiras patentes de impressoras 
3D, ainda na década de 80, o méto-
do melhorou muito. A máquina era 
cara, lenta (demorava mais de um 
dia para imprimir um objeto de 10 
centímetros, o que hoje pode ser fei-
to em menos de uma hora) e estava 
limitada ao polímero. Foi por meio 
do investimento de universidades 
e de grandes empresas, como HP e 
GE, que o processo se tornou mais 
rápido e barato — além de ganhar 
“cargas” que vão de insumos indus-
triais a órgãos humanos.
A versatilidade desse dispositivo 
é tão atraente que os interessados 
pela tecnologia crescem. De acordo 
com um estudo da consultoria Wohler 
Associates, o número de fabricantes 
dessas máquinas aumentou de 97, 
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 1FOTO: GER M A NO LÜ DER S
Thiago Galassi, 
coordenador do 
Bricolab da Leroy 
Merlin: sete 
impressoras3D à 
disposição do público
4 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
em 2016, para 135, em 2017. Entre os 
entusiastas está a Nasa, que pagou 
125 000 dólares para uma empresa 
texana desenvolver um aparato de 
impressão de comida para os as-
tronautas — o que revolucionaria 
a alimentação no espaço. Mas não 
é preciso ir até Marte para desfru-
tar da gastronomia das máquinas. 
“Imagine fazer uma sobremesa para 
convidados ou amigos em sua casa e 
ela ser impressa no momento? Isso 
já existe. Há padarias imprimindo 
bases de tortas”, diz Luis Rasquilha, 
CEO do Inova Consulting, consultoria 
especializada em inovação. 
Ao alcance das mãos 
Mas engana-se quem pensa que o 
maquinário fica restrito às empre-
sas e às universidades. “Assim como 
hoje, quando você precisa imprimir 
seu TCC vai até uma gráfica, ha-
verá locais para imprimir projetos, 
protótipos e peças em 3D”, afirma 
Claudio Raupp, presidente da HP. E 
esses lugares já estão começando a 
surgir. Um deles é o Bricolab, oficina 
de bricolagem da companhia de ma-
teriais de construção Leroy Merlin. 
Construído em uma das lojas de São 
Paulo da multinacional francesa, o 
ambiente tem sete impressoras desse 
tipo à disposição dos frequentado-
res (clientes ou não da loja) que, para 
usá-las, pagam 50 reais pela primeira 
hora e 25 reais por hora adicional. 
Quem coordena o espaço é o pau-
listano Thiago Galassi, de 33 anos. 
Formado em engenharia eletrônica, 
Thiago aprendeu sobre o assunto 
sozinho com a ajuda da internet — 
chegou a montar um maquinário 3D 
em casa em 2013. Antes de entrar 
nesse mercado, Thiago trabalhou 
em empresas tradicionais na área 
de fabricação mecânica. A virada 
em sua carreira começou em 2016, 
quando foi contratado como técni-
co de um laboratório de fabricação 
digital da Leroy. Hoje, ele treina os 
funcionários, faz o planejamento, 
as compras e a administração fi-
nanceira e técnica do local. “Essa 
é uma oportunidade que teria per-
dido se não tivesse começado a es-
tudar sozinho”, afirma. 
Nos poucos meses em que está à 
frente da operação, Thiago já ajudou 
uma senhora a consertar uma má-
quina fotográfica de 1954 que esta-
va sem uma peça essencial para seu 
funcionamento — o equipamento não 
era mais produzido pelo fabricante. 
“Era a primeira câmera que ela tinha 
ganhado na vida. Nós imprimimos 
o que ela precisava”, diz Thiago. A 
maioria dos clientes, no entanto, é 
formada por profissionais da saúde 
que vão testar a fabricação de próte-
ses ou representantes de indústria e 
empreendedores que precisam criar 
um protótipo. “Recebemos em média 
100 pessoas por dia. Há muita curio-
sidade por saber como é o processo 
de fabricação”, diz. 
Uma das grandes transformações 
trazidas pelo maquinário 3D é a 
democratização da produção — o 
que dá fôlego para que uma nova 
geração de empreendedores desafie 
mercados sólidos. Esse é o caso de 
Juliana Martinelli, de 26 anos. En-
genheira elétrica, ela fundou a Ino-
vaHouse 3D, empresa de impressão 
de casas. Sim, casas. O maquinário 
foi desenvolvido em parceria com o 
Senai e a Universidade do Paraná. 
A “tinta” usada é uma mistura de 
cimento, areia e água, com outros 
aditivos que dão resistência à cons-
trução. Em fevereiro, a empresa vai 
tirar a primeira casa do papel, que 
terá 54 metros quadrados e leva-
rá 15 dias para ficar pronta. “Não 
estamos tão atrasados no uso em 
relação ao resto do mundo, mas 
políticas públicas ajudariam a im-
pulsionar o mercado. Em Dubai, por 
exemplo, há uma meta de que 25% 
das construções sejam feitas com 
impressoras até 2025”, diz Juliana. 
Projeções do amanhã 
Veja quais são as expectativas para esse 
mercado até 2022, de acordo com o relatório 
O Futuro do Trabalho 2018, feito pelo Fórum 
Econômico Mundial com 313 empresas 
49%
41%
DAS COMPANHIAS DEVEM 
ADOTAR A IMPRESSÃO 3D NOS 
PRÓXIMOS CINCO ANOS 
NA RÚSSIA E NA COREIA DO SUL, A IMPRESSÃO 3D É UMA DAS DEZ 
TECNOLOGIAS CONSIDERADAS PRIORITÁRIAS, À FRENTE DE DISPOSITIVOS 
VESTÍVEIS (WEARABLES), BLOCKCHAIN E COMPUTAÇÃO QUÂNTICA
57%
54% 53% 50%
NO BRASIL, ESSE 
PERCENTUAL CHEGA A 
AEROESPACIAL 
DE LOGÍSTICA E 
TRANSPORTES 
ENERGIA
QUÍMICA E 
BIOTECNOLOGIA
SAÚDE
ÓLEO 
E GÁS 
MINERAÇÃO
61% 58%
T E N D Ê N C I A
SETORES QUE MAIS VÃO INVESTIR: 
FOTOS: DI V U L GAÇÃO V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 3
A E R O E S PA C I A L
NA INDÚSTRIA AEROESPACIAL, SETOR EM 
QUE SÃO EXIGIDOS ALTOS PADRÕES DE 
DESEMPENHO, A IMPRESSÃO 3D OFERECE 
PEÇAS COM TAMANHOS E COMPLEXIDA-
DES DIVERSAS, ALÉM DE RESISTÊNCIA E 
LEVEZA, FATORES PRIMORDIAIS AO SETOR
S A Ú D E
A IMPRESSÃO REVOLUCIONOU NÃO APENAS 
OS PRODUTOS USADOS NA MEDICINA E NA 
ODONTOLOGIA, COMO PRÓTESES E ÓRTE-
SES, MAS TAMBÉM MUDOU A FORMA COMO 
OS PROCEDIMENTOS SÃO REALIZADOS. É 
POSSÍVEL SIMULAR CIRURGIAS ORTOPÉDICAS 
E IMPRIMIR ÓRGÃOS, PELE, ARTÉRIAS E OSSOS. 
C O N S T R U Ç Ã O C I V I L 
E A R Q U I T E T U R A
ALÉM DA POSSIBILIDADE DE CRIAR MA-
QUETES, ESCULTURAS E ACESSÓRIOS 
DE DECORAÇÃO, A TECNOLOGIA É USA-
DA PARA A IMPRESSÃO DE CASAS. 
I N D Ú S T R I A
ARTE DA INDÚSTRIA 4.0, AS IMPRES-
SORAS 3D PERMITEM, POR EXEMPLO, A 
PERSONALIZAÇÃO DE PRODUTOS, ALÉM 
DA REDUÇÃO DE CUSTOS E TEMPO COM 
PROTOTIPAGEM, PRODUÇÃO E LOGÍSTICA. 
A L I M E N TA Ç Ã O
NO FUTURO, ESPERA-SE QUE A IMPRESSÃO 
3D POSSA AJUDAR NA CRIAÇÃO DE NOVOS 
SABORES MANTENDO AS PROPRIEDADES NU-
TRITIVAS DE VÁRIOS ALIMENTOS E ATÉ MESMO 
CRIANDO COMBINAÇÕES MAIS SAUDÁVEIS.
Página 
virada 
Como os setores 
 serão impactados pela 
impressão em três 
dimensões
Aprendendo na prática 
O setor da saúde é um dos que mais 
investirão nas impressoras 3D. De 
acordo com o estudo do Fórum Eco-
nômico Mundial, 53% das compa-
nhias dessa área colocarão dinheiro 
nessa tecnologia até 2022. No Brasil, 
o uso já é realidade no departamen-
to de radiologia da Casa de Saúde de 
São José, no Rio de Janeiro, desde 
2017. “Elas auxiliam no diagnóstico 
e na produção de materiais que se 
adaptem perfeitamente aos pacien-
tes, como órgãos e ossos”, diz Ilan 
Gottlieb, chefe do departamento. No 
primeiro ponto, o hospital já tem vasta 
experiência. “Conseguimos escanear 
uma má-formação de um feto ou uma 
fratura que precisava ser estudada, 
por exemplo, e criar um modelo em 
3D para o médico analisar antes da 
operação”, afirma Ilan. No segundo, a 
evolução esbarra em normas da Anvi-
sa, que precisa avaliar cada produto 
impresso. Todas as ações feitas com 
o dispositivo foram desenvolvidas na 
prática. “Operar o equipamento ainda 
não é tão simples e não havia cursos 
de capacitação, então precisamos 
Como você vê nas imagens 
desta página, a tecnologia 
3D já é usada na indústria, 
na construção civil, 
no design de móveis 
e na gastronomia
4 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
Juliana Martinelli, fundadora 
da InovaHouse: casa de 54 
metros quadrados será 
impressa em Brasília (DF)
“ T I N TA” PA R A C Ó R N E A S
NO REINO UNIDO, CIENTISTAS USARAM AS CÉLU-
LAS RETIRADAS DA CÓRNEA DE UM DOADOR SAU-
DÁVEL PARA CRIAR UMA MISTURA COM ALGINA-
TO E COLÁGENO QUE PODE SER UTILIZADA COMO 
“TINTA” EM IMPRESSORAS 3D. EM MENOS DE DEZ 
MINUTOS, A CÓRNEA FICARIA PRONTA E AINDA 
SERIA FEITA “SOB MEDIDA” PARA CADA PACIENTE. 
P E L E H U M A N A
UM GRUPO DE CIENTISTAS ESPANHOL CRIOU 
UMA BIOIMPRESSORA QUE FAZ PELE HUMA-
NA PARA SER USADA EM TRANSPLANTES E 
EM TESTES DE COSMÉTICOS. JÁ SE PRODUZ 
TECIDO EPITELIAL HUMANO POR MEIO DA 
TÉCNICA IN-VITRO, MAS O USO DA IMPRESSO-
RA 3D PERMITIRIA ESCALAR A PRODUÇÃO E 
AUMENTARIA A VELOCIDADE DO PROCESSO. 
 
B I C I C L E TA S
A STARTUP AMERICANA AREVO, ESPECIALIZADA 
EM IMPRESSÃO 3D, PRODUZIU O QUE DIZ SER 
A PRIMEIRA BIKE DE FIBRA DE CARBONO DO 
MUNDO QUE TEM O QUADRO CONSTRUÍDO POR 
MEIO DA NOVA TECNOLOGIA — O QUE DEIXA A 
BICICLETA MAIS LEVE E BARATA. A EMPRESA 
QUER USAR A TÉCNICA PARA CRIAR AERONA-
VES, VEÍCULOS ESPACIAIS E OUTROS PRODU-
TOS QUE PRECISEM DA FIBRA DE CARBONO. 
R E M É D I O S
A VITAE, STARTUP AMERICANADE SAÚDE, USA A 
IMPRESSÃO 3D PARA FABRICAR COMPRIMIDOS 
PERSONALIZADOS COM DOSAGENS ESPECÍFICAS, 
O QUE TORNA O PROCESSO DE MANIPULAÇÃO 
TRÊS VEZES MAIS RÁPIDO DO QUE O HABITUAL. 
C O M I D I N H A S
UM GRUPO DE CIENTISTAS DA UNIVERSIDADE 
HEBRAICA DE JERUSALÉM ANUNCIOU UMA IM-
PRESSORA 3D CAPAZ DE FABRICAR ALIMENTOS A 
PARTIR DE UMA BASE CELULAR. ENQUANTO ISSO, 
NO MIT, CIENTISTAS DESENVOLVERAM UMA IM-
PRESSORA 3D QUE FAZ SORVETE EM 15 MINUTOS 
E UM GRUPO INGLÊS IMPRIME FRUTAS USANDO 
A TECNOLOGIA DE GASTRONOMIA MOLECULAR. 
Já é 
realidade 
Conheça tecnologias que 
foram criadas com 
impressoras 3D 
T E N D Ê N C I A
1
pesquisar por nossa conta”, diz Ilan. 
Essa é uma realidade do mercado: 
as escolas ainda estão se preparando 
para capacitar os profissionais que 
usarão a nova tecnologia. Mas pre-
cisam fazer isso com urgência. “A 
técnica se popularizou e está inva-
dindo diversos setores da economia. 
Se uma universidade de odontologia, 
medicina, engenharia ou design não 
trabalha com ela, quem está se for-
mando lá já está fora do mercado”, 
diz André Skortzaru, fundador da 3D 
Criar, que distribui impressoras em 
terceira dimensão e dá consultorias 
sobre o tema. Para Luis Rasquilha, da 
Inova, as escolas vão se adaptar à de-
manda. Assistiremos ao nascimento 
de muitos programas de graduação 
e pós”, diz. Centros de ensino como 
Unicamp, Universidade de São Paulo, 
ESPM, Mackenzie e Senai já oferecem 
FOTOS: 1 CR I ST I A NO M A R I Z 2 A N DR E VA L EN T I M V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 5
Ilan Gottlieb, chefe de 
departamento de radiologia 
Casa de Saúde de São José: o 3D 
auxilia no pré-operatório e na 
produção de ossos e órgãos 
Pé atrás 
Veja quais são os motivos que levam 
as empresas a não investir em impressão 3D 
FONTE: PWC
FALTA DE PESSOAS 
ESPECIALIZADAS
42% 
ALTO CUSTO 
DA TECNOLOGIA
41% 
INCERTEZA SOBRE 
A QUALIDADE FINAL 
DO PRODUTO
33% 
VELOCIDADE 
DA IMPRESSÃO
26% 
cursos na área. O Senai, inclusive, 
lançou um estudo recente no qual 
lista 30 novas ocupações que surgirão 
nos próximos cinco a dez anos — e 
uma delas é o projetista para tecno-
logia 3D, que deverá ganhar, em mé-
dia, 3 000 reais e ter conhecimentos 
de programação, gestão tecnológica 
de automação, internet das coisas e, 
claro, muita criatividade. 
O papel das empresas 
O coordenador da Faculdade de Ciên-
cia de Computação da Universidade 
Presbiteriana Mackenzie, Vivaldo Bre-
tenitz, acredita que existe a necessida-
de imediata para alguns profissionais 
de voltar a estudar. “Como sempre 
acontece com a chegada de inovação, 
trabalhos pesados são substituídos 
por máquinas, e aqueles que conse-
guem se capacitar mudam de área e 
passam a ganhar salários melhores”, 
afirma. De qualquer forma, em sua 
avaliação, ainda é muito cedo para 
estimar o impacto real que a impres-
são 3D terá no mercado de trabalho. 
Nesse sentido, seria papel das 
empresas — e dos profissionais — 
monitorar o setor constantemente, 
pois a concorrência é global. “Com 
o digital, os trabalhadores não pre-
cisam mais estar no mesmo país 
que a fábrica: um bom profissional 
pode ter clientes em qualquer lugar 
do mundo e quem está competindo 
com você por uma vaga pode estar 
na Índia, na Alemanha ou em outro 
país”, diz Claudio Raupp, presidente 
da HP. “Esse é um mercado que gira 
12 trilhões de dólares por ano e que 
afetará todos que fazem manufatura 
por injeção”, afirma o executivo. A 
multinacional está trazendo para o 
Brasil a tecnologia 3D e precisa ca-
pacitar sua mão de obra. Para isso, 
investe em treinamentos internos e 
já enviou a equipe de vendas brasi-
leira para uma imersão sobre o tema 
na matriz americana. 
Otimista, ele vê muito mais opor-
tunidades para os profissionais do 
que ameaças. “Haverá demissões, 
pois as impressoras podem pro-
duzir sob demanda com alto grau 
de personalização. Por outro lado, 
serão criados empregos com mais 
valor agregado e salários mais al-
tos”, afirma Claudio. Existe hoje 
uma carência de mão de obra que 
saiba trabalhar com essa técnica. E 
quem estiver à frente da onda terá 
destaque. “O 3D vai impactar todas 
as indústrias, da comunicação às 
ciências aplicadas.” A melhor atitu-
de é pensar em como seu setor de 
atuação vai se transformar com a 
nova tecnologia. Assim, em vez de se 
deixar levar pelos acontecimentos, 
você pode imprimir sua marca nesse 
mercado cheio de possibilidades. 
2
4 6 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A
C O M P O R T A M E N T O 
PERSONALIDADES 
SOMBRIAS 
4 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 47
N
inguém é perfeito 
e, convenhamos, 
em meio à pres-
são e ao estresse 
do dia a dia pro-
fissional, todo 
mundo acaba 
adotando um 
comportamento 
questionável de 
vez em quando. 
Uma pa lav ra 
atravessada, uma atitude grosseira, 
um gesto impulsivo... Sempre há o 
risco de decepcionar alguém e até 
se prejudicar, mas, afinal, faz parte 
do lado sombrio da personalidade, do 
“eu escondido” que todo mundo tem. 
Algumas pessoas, porém, demons-
tram uma tendência a agir na sombra 
o tempo todo. E não é de hoje que
os cientistas se concentram em en-
tender as muitas variáveis de com-
portamento antissocial e os traços
de personalidade marcantes em in-
divíduos que parecem seguir uma
ética particular, em que o próprio
benefício e interesse estão sempre
à frente, nem que para isso seja ne-
cessário passar por cima de alguém
(ou de todo mundo).
Um trio de pesquisadores europeus 
divulgou recentemente na revista 
oficial da Associação Americana de 
Todo mundo tem um lado 
obscuro, mas cientistas 
europeus descobriram 
que algumas pessoas 
têm traços que as tornam 
bem difíceis de lidar. 
Aprenda a identificá-las 
e a conviver com elas sem 
deixar que prejudiquem 
seu bem-estar psicológico 
M a r c i a D i D o m e n i c o
Psicologia o resultado de um trabalho 
que mostra que, apesar de diferen-
ças de perfil, indivíduos com condu-
tas marcadas por falta de empatia, 
egoísmo, manipulação e narcisismo, 
entre outras atitudes nocivas (leia 
o quadro Ingredientes Básicos),
compartilham uma espécie de ma-
triz malévola, que eles chamaram de
dark core (algo como “núcleo escu-
ro”) da personalidade — ou apenas
fator D. “A ideia básica é que todos
os traços sombrios poderiam ser re-
sumidos em um único elemento — o
fator D —, suficiente para descrever
a tendência individual de colocar a
si mesmo, suas necessidades e seus
interesses em primeiro lugar e ser ca-
paz de tudo para chegar aonde quer,
ainda que isso signifique prejudicar
outras pessoas”, explicou, em entre-
vista a VOCÊ S/A, Morten Moshagen,
professor e pesquisador do Instituto
de Psicologia e Educação da Univer-
sidade de Ulm, na Alemanha, e um
dos autores do estudo. Trocando em
miúdos, em vez de descrever essas
pessoas como egoístas e maquiavé-
licas, por exemplo, seria suficiente
dizer que elas têm D alto (semelhan-
te ao QI alto quando se trata de in-
teligência). Segundo Morten, o D é
justamente uma mistura de vários
ingredientes, “calculado” pela com-
posição de desvios de caráter, desde
os mais “inofensivos”, como narcisis-
mo e egoísmo, até os mais malignos,
como psicopatia e sadismo.
A origem do mal
Todo mundo tem um pouco dessas 
características negativas de persona-
lidade. “Muitas vezes é o modo en-
contrado pelo indivíduo para mani-
festar insegurança e medo — de não 
ser admirado, de ser desrespeitado 
ou de não conseguir o que deseja”, 
diz Alexandre Pellaes, fundador da 
Ex-Boss, consultoria de modelos e 
práticas de gestão. “À medida que 
amadurece e aprende a lidar com 
a vulnerabilidade e a aceitar ajuda, 
o indivíduo passa a entender como
pode controlar essas condutas an-
tissociais.” Os autores do estudo eu-
ropeu suspeitam que de 5% a 10%
das pessoas apresentem níveis pro-
blemáticos de fator D — são aquelas
que chegam ao ponto, por exemplo,
de adotar comportamento violento,
criminoso ou altamente transgressor.
Morten e os colegas insistemque 
a pesquisa é recente e ainda há bas-
tante o que investigar sobre como 
aplicar na vida real as descobertas 
acerca do fator D. Mas deixam claro 
que esse conhecimento pode ser útil 
no contexto forense (para identifi-
cação de suspeitos e solução de cri-
mes) e em processos seletivos. “Por 
meio de um teste de medição, seria 
possível identificar candidatos com 
propensão a comportamento nocivo 
nas empresas, como corrupção e as-
sédio moral”, diz Morten. Os dados 
também seriam proveitosos para 
criar programas de treinamento e 
avaliação de equipes. 
Fugindo da sombra
Um dos princípios dessa teoria é que 
um sujeito não precisa ter em si todos 
ou muitos traços malignos para ser 
“diagnosticado” como dono de uma 
personalidade sombria. Alguém reco-
nhecido pelos outros como maquia-
vélico, sádico ou maldoso provavel-
mente é assim mesmo. Resta, então, 
saber como lidar com ele. 
Ainda mais porque os modelos de 
gestão conservadores resultaram no 
surgimento de uma legião de chefes 
D nas empresas. Acostumados a se 
impor pelo poder e até pela tirania, 
exercem uma liderança construída 
sobre a entrega de resultados e com 
pouco interesse pelas pessoas. Wil-
ma Dal Col, diretora da consultoria 
de gestão ManpowerGroup, comen-
ta que esses tipos devem se tornar 
cada vez mais raros e podem estar 
fadados ao isolamento. “Pessoas au-
ILUSTRAÇÕES: W EBER SON SA N T I AG O
4 8 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A
1 Só o que importa para 
mim é meu bem-estar 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE 
2 Vingança não 
traz conforto*
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
4 A maioria das pessoas 
merece ser respeitada* 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
5 Não tenho satisfação em ver o 
fracasso de meus adversários* 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
6 O sucesso é uma questão 
de sobrevivência dos 
mais aptos. Não me preocupo 
com os perdedores 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
7 Quem mexe comigo 
sempre se arrepende 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
8 Sou capaz de dizer 
qualquer coisa para 
conseguir o que desejo 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
3 Uma pessoa deve usar de todo 
e qualquer meio disponível a 
seu favor, cuidando para que os 
outros não saibam disso, é claro 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
Atenção: por se tratar 
de uma pesquisa em fase 
inicial, os resultados são 
abertos. Mas, quanto mais 
próximo de 60 for sua 
pontuação, maior é seu 
coeficiente do fator D
*MORTEN MOSH AGEN, BENJA MI N HIBIG E INGO ZETTER , AUTOR ES DO ESTUDO T H E DA R K COR E OF PER SONA L I T Y
C O M P O R T A M E N T O 
Ingredientes 
básicos 
O fator D é uma espécie de 
denominador comum entre 
diversas características que 
constituem uma personalidade 
obscura. Para ser assim, 
uma pessoa precisa ter pelo 
menos um pouco de cada 
uma dessas características 
E G O Í S M O 
TENDÊNCIA A VALORIZAR 
APENAS O QUE RESULTA 
EM BENEFÍCIO PRÓPRIO, 
EXCLUINDO OU IGNORANDO 
O BEM-ESTAR COLETIVO.
S A D I S M O 
CAPACIDADE DE SENTIR 
PRAZER AO INFLIGIR 
DOR OU SOFRIMENTO 
(FÍSICO OU PSICOLÓGI-
CO) A OUTRA PESSOA.
M A Q U I AV E L I S M O
HÁBITO DE MENTIR 
E MANIPULAR 
PARA CONSEGUIR 
O QUE DESEJA.
Descubra o D em você
O teste a seguir foi elaborado por Morten Moshagen, Benjamin Hibig e Ingo Zetter, 
autores do estudo The Dark Core of Personality (“O núcleo escuro da personalidade”, 
numa tradução livre). Responda quanto você concorda com as afirmações listadas 
abaixo, marcando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Para as frases 
com asterisco (*), calcule a ontuação subtraindo sua resposta de 5. Por exemplo, se 
respondeu 3 (não concordo nem discordo), o resultado é 5 – 3 = 2 (discordo). 
4 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
FOTO: X X X X X X V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 9
9 Quando estou irritado, 
atormentar os outros faz 
com que eu me sinta melhor 
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
10 Prejudicar alguém me deixa 
muito desconfortável*
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
11 Fico mal quando 
alguma coisa que 
fiz deixa alguém chateado*
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
12 Houve ocasiões em que estive 
disposto a sofrer algum dano 
a fim de punir alguém que merecia
 1. DISCORDO TOTALMENTE 
 2. DISCORDO PARCIALMENTE 
 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 
 4. CONCORDO PARCIALMENTE 
 5. CONCORDO TOTALMENTE
tocentradas e dispostas a tudo para 
vencer tendem a avançar na carreira 
porque são focadas em obter resulta-
dos, mas têm cada vez menos espaço 
em um mundo corporativo baseado 
na colaboração e no coletivo”, diz.
Não sucumbir a um chefe que sabe 
manipular as emoções nem sempre é 
fácil. Alexandre Pellaes sugere que 
a combinação de autoconhecimento 
com empatia é chave para saber como 
agir. “Tentar entender a posição do 
outro pode revelar que talvez você 
fizesse a mesma coisa em diversas 
situações, e isso pode tornar a relação 
e o trabalho mais leves”, diz. Oferecer 
feedback sobre como se sente e recor-
rer às ferramentas de RH disponíveis 
para sua proteção também são boas 
estratégias. Só o que não pode é en-
golir sapos sem necessidade. “Assédio 
moral é o limite”, diz Alexandre. 
Criar conexões fortes e confiáveis 
no ambiente de trabalho vale como 
uma espécie de blindagem contra 
pessoas negativas. Ter com quem 
desabafar e se aconselhar em mo-
mentos de estresse causado por um 
chefe ou par tóxico faz uma grande 
diferença para não se deixar con-
taminar, perder motivação e, muito 
menos, achar que é você quem apre-
senta algum desvio de personalida-
de. Mas, nesse processo, é impor-
tante seguir o conselho de Wilma: 
“Não se pode modular o próprio 
comportamento pelo medo, deixan-
do de agir quando se sente agredido 
ou injustiçado. Muito menos pelas 
atitudes do outro, espelhando con-
dutas condenáveis para se mostrar 
próximo ao ‘algoz’ ”. O que você pre-
cisa é buscar o equilíbrio interno e 
aprender a se defender. 
N A R C I S I S M O 
AUTOADMIRAÇÃO EXCESSIVA, 
QUE LEVA A ACREDITAR SER 
RAZOÁVEL USAR E MALTRATAR 
OUTRAS PESSOAS PARA 
CONQUISTAR O QUE QUER.
INTE RE S S E PRÓPR IO
DISPOSIÇÃO PARA FAZER DE 
TUDO PELA CONQUISTA DE “BENS” 
SOCIALMENTE VALORIZADOS — 
COISAS MATERIAIS, POSIÇÃO SOCIAL, 
RECONHECIMENTO PROFISSIONAL 
E FELICIDADE, POR EXEMPLO.
M A L D A D E 
COMPORTAMENTO, GERAL-
MENTE MOVIDO POR VIN-
GANÇA, QUE LEVA A FERIR E 
PREJUDICAR OUTRAS PES-
SOAS, MESMO QUE ISSO SIG-
NIFIQUE FERIR A SI PRÓPRIO.
P S I C O PAT I A 
DESPREZO PELOS OUTROS, 
REFORÇADO POR BAIXA 
EMPATIA E FALTA DE AU-
TOCONTROLE (OU EXCES-
SO DE IMPULSIVIDADE).
D E S E N G A J A M E N T O 
M O R A L 
DESCOMPROMISSO 
COM AS IMPLICAÇÕES 
ÉTICAS E MORAIS DAS 
PRÓPRIAS AÇÕES.
DIREITO PSICOLÓGICO 
CRENÇA DE QUE 
DETERMINADAS PESSOAS 
MERECEM TER MAIS E 
SER MAIS BEM TRATADAS 
DO QUE OUTRAS.
5 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
D I V E R S I D A D E 
Q
uando o táxi esta-cionou para buscar 
a drag queen Mama 
Darling numa rua 
movimentada do 
centro de São Pau-
lo, a peruca dela não 
passava na porta do 
carro. Para entrar, 
foi preciso tirar da 
cabeça o emaranha-
do de fios, com meio 
metro de comprimento e um enorme 
arranjo de frutas. Mama Darling mede 
1,81 metro e, no dia, usava sandálias 
de salto 15 centímetros. Eram quase 2 
metros de altura tentando se acomo-
dar no banco do passageiro sem rasgar 
a saia de tule, desfiar a meia-calça 7/8 
ou perder umas das unhas postiças. 
Bem-humorada, pediu ao motorista 
que ficasse tranquilo: “Está tudo bem, 
moço”. Depois, perguntou qual era a 
previsão de chegada. Ao ouvir que 
estaria no local oito minutos antes 
do combinado, disse: “Ufa, em cima” .
Naquela tarde de dezembro, em que 
era acompanhada por nossa reporta-
gem, Mama, como ficou conhecida, 
participaria da comemoração de final 
de ano de uma tradicional produtora 
de cinema. Foi convidada para animar 
o evento e divertir os funcionários. E 
fez sua parte. Por mais de três horas, 
manteve-se animada em cima do pal-
co, dançando na pista e brincando 
com os convidados — especialmente 
rapazes bonitos, para os quais gritava 
“lindo” e perguntava “casa comigo?”. 
Mandou dezenas de beijinhos, tirou 
UMA DRAG NO ESCRITÓRIO
Conheça Fernando 
Magrin, o executivo da 
American Airlines que 
virou drag queen e criou 
um dos maiores blocos de 
Carnaval de São Paulo 
M a r i a n a P o l i
fotos com crianças e soltou bordões 
como “Não é para assustar, é para se 
apaixonar” e “Menos nunca é mais”.
Quem vê a cena não imagina que, 
por trás das lantejoulas e das piadi-
nhas infames, está Fernando Magrin, 
de 53 anos, executivo da maior com-
panhia aérea do mundo. Gerente de 
novos negócios da American Airlines, 
ele virou drag queen três anos atrás, 
em plena meia-idade, quando fundou 
o MinhoQueens, um dos grandes blo-
cos do Carnaval de São Paulo. 
O nome de Mama Darling foi ins-
pirado na personagem de Drew 
Barrymore no documentário Grey 
Gardens (2009). A atriz vive a prima 
decadente de Jackie Kennedy, uma 
jovem problemática que usa o tempo 
todo a expressão “mother darling” 
(querida mãe, na tradução para o por-
tuguês). Segundo o executivo, como a 
drag queen é meio mãezona, o nome 
caiu como uma luva. “O bloco é fre-
quentado por uma meninada e sou 
a mais velha. A mama é safada, mas 
tem uma coisa maternal ao mesmo 
tempo”, diz Fernando, que flexiona 
as palavras para o gênero feminino 
quando está se referindo ao alter ego. 
Acolhimento corporativo 
A virada inusitada lhe rendeu noto-
riedade no mundo dos negócios. “As 
pessoas adoram saber dessa história, 
ficam curiosas e admiradas.” Forma-
do em artes cênicas na Universidade 
Estadual de Campinas (Unicamp), 
Fernando chegou à capital em 1993, 
aos 27 anos, para tentar a carreira 
de ator. Enquanto ensaiava peças de 
teatro e fazia testes para comerciais, 
ele passou a trabalhar aos finais de 
semana como vendedor de joias da 
loja H.Stern, no Aeroporto Interna-
cional de Guarulhos, para manter a 
própria subsistência. 
Lá, fez amizade com uma moça que 
trabalhava na sala VIP da American 
Airlines, que o avisou quando surgiu 
uma vaga de atendimento no loun-
ge da companhia aérea. Precisando 
de dinheiro, resolveu tentar. Com 
inglês fluente, fruto do intercâmbio 
feito na Califórnia aos 17 anos, e a 
desenvoltura adquirida no teatro, 
conquistou a oportunidade. “Num 
primeiro momento, eu me encantei 
pelos benefícios de viagem. Nós não 
pagávamos nem taxa de embarque. 
Comecei a passar até final de semana 
em Nova Iorque. Íamos para os Esta-
dos Unidos comprar papel hi giênico. 
Era uma coisa absurda, porque o real 
valia mais doque o dólar.” Fernando 
começou sua carreira ali no início do 
Plano Real, quando o governo Fer-
FOTOS: GER M A NO LÜ DER S
Fernando Magrin, gerente de novos 
negócios da American Airlines: ele se 
transforma na drag queen Mama Darling 
nando Henrique Cardoso controlava a 
taxa de câmbio e a moeda americana 
chegou a valer 0,82 centavo de real. 
Mas o que mexeu com ele não fo-
ram só os descontos nas passagens, 
mas o fato de perceber, pela primeira 
vez, que ser homossexual não era um 
problema. Pelo contrário. Na Ame-
rican Airlines, descobriu um mundo 
novo. Em 1994, a multinacional já 
tinha, entre outras coisas, um atu-
ante grupo de funcionários LGBT+, 
chamado de Pride (orgulho, na tra-
dução para o português). “As pessoas 
falavam abertamente a respeito de 
sexualidade. Era natural. No final 
dos anos 90, quando ninguém tocava 
no assunto, conheci uma piloto trans 
que fez a transição trabalhando em 
nossa empresa. Foi esse o ambiente 
que encontrei e um dos motivos que 
me fez ficar até hoje.”
Para o menino de Nova Odessa, 
cidade de 50 000 habitantes no in-
terior paulista, acostumado a escon-
der as bonecas do pai e a namorar 
garotas a contragosto, aquilo era 
um trunfo pessoal e profissional. 
Colegas e chefes souberam desde o 
começo que ele era gay, coisa que a 
família levou anos para descobrir. 
“Só consegui falar disso com meus 
parentes cinco anos atrás, quando 
meu pai morreu”, diz. 
Fernando trabalhou na área VIP 
por nove anos. Fazia o atendimento 
de passageiros importantes e em-
barcava nomes como Xuxa, Pelé, 
Sônia Braga e Naomi Campbell. 
Nessas ocasiões, não perdia a opor-
tunidade de brincar — traço de per-
sonalidade que mantém ainda hoje, 
no escritório. Com um dos maiores 
ídolos do futebol brasileiro, fez gra-
ça. “Disse a ele que minha primeira 
palavra não tinha sido nem papai, 
nem mamãe, mas Pelé.” Para Malu 
Mader, contou piada. “Quem é o pai 
da Malu Mader? Malu Fader!” O jei-
tão despachado o fez conquistar a 
simpatia dos passageiros. 
52 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTOS: 1 A NA N DA M IGL I A NO/ F U T U R A PR ES S 2 GER M A NO LÜ DER S
De secretário a executivo 
No final de 2005, ficou sabendo de 
uma vaga para trabalhar como auxi-
liar do gerente-geral da área comercial 
no corporativo. Pegou a chance. Dois 
anos depois, foi promovido a agente 
de vendas, dando suporte aos repre-
sentantes comerciais externos, auxi-
liando com planilhas, dados e revisão 
de números. Em 2014, virou analista 
de vendas para a América Latina, pas-
sando a se reportar diretamente ao 
time comercial de Miami. “Essa fase 
foi difícil, porque mexia com números 
e tive de aprender na raça. Só con-
segui porque encontrei profissionais 
dispostos a me ensinar.”
Em 2017, após uma troca de co-
mando em sua equipe nos Estados 
Unidos, outra promoção: executivo 
de novos negócios. “A nova chefe 
disse que gostaria de me ver na rua, 
buscando contas. Falou que a em-
presa abriria uma vaga e sugeriu que 
eu me candidatasse. ” A missão de 
Fernando, agora, é fechar negócios 
com pequenas e médias empresas e 
convencê-las de que a American Air-
lines é a companhia certa para cuidar 
das viagens corporativas. Para isso, 
oferece programas de pontuação e 
tarifas com preços especiais. A aérea 
faz voos diários saindo de São Paulo, 
Rio de Janeiro, Brasília e Manaus para 
quatro cidades americanas: Miami, 
Dallas, Nova York e Los Angeles.
A ascensão para gerente veio um 
ano depois de ter se tornado drag 
queen e fundado o bloco de Carna-
val. Desde que criou a personagem 
também passou a ser chamado para 
ir a eventos, como a festa da firma 
que VOCÊ S/A acompanhou, a dar 
palestras e a comparecer a fóruns 
sobre diversidade. Já falou, ora com 
o terno e a gravata do Fernando, ora 
com as fantasias da Mama Darling, 
para pessoas da Avon, Accenture e 
Câmara Americana de Comércio do 
Rio de Janeiro. “Não sou especialista 
nem intelectual. Meus depoimentos 
vêm do coração.” E Fernando afirma 
estar sendo surpreendentemente 
recompensado pela experiência. 
“Após um desses eventos, recebi 
e-mail de um profissional com a 
mesma idade que eu. Ele escreveu: 
‘Após ouvir sua história, decidi que 
vou chegar em minha empresa nesta 
semana e dizer que sou casado com 
um cara há 30 anos’.” 
Quando questionado se um dia ima-
ginouque seria referência LGBT+, diz 
que isso nunca havia passado por sua 
mente. “Jamais pensei. Sinto como se 
tivesse tido uma segunda chance de 
exercer meu lado ator, uma oportuni-
dade incrível de me reinventar”, diz. 
Bloco MinhoQueens, no Vale do Anhangabaú em São Paulo: 200 000 pessoas em 2018 
1
D I V E R S I D A D E 
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 3
colegas. “Eles querem me enfiar em 
tudo. Às vezes, preciso impedir”, 
conta. Em 2017, foi vestido de Mama 
Darling para discursar numa impor-
tante convenção de vendas da Ame-
rican Airlines. “Pego o microfone e 
já vou logo dizendo: ‘Que empresa 
é essa que deixa o funcionário vir 
vestido assim para apresentar ge-
rentes e diretores?’ .” Orgulhoso, o 
gerente de novos negócios diz que, 
em 24 anos de companhia, sofreu 
preconceito uma única vez — e 
de um passageiro. Havia uma fila 
grande e o homem queria passar 
na frente. Ao ter o pedido negado, 
xingou-o de “bicha”. “Chamei o su-
pervisor e fiz aquele senhor pedir 
desculpas. Tenho a sorte de traba-
lhar num lugar que não me obriga 
a ser quem não sou.”
Seu conselho aos profissionais 
que passam por situações difíceis no 
mercado de trabalho é que procurem 
se impor. “Estamos nesta vida para 
ser feliz. Acho tão triste imaginar 
alguém que não pode ser quem se 
é no emprego. Com que vontade se 
levanta da cama?” Fernando sabe 
que se assumir gay ou comunicar 
aos colegas uma readequação de gê-
nero exige boa dose de coragem, por 
isso sugere que se fale primeiro com 
os mais próximos, formando uma 
rede de respeito. 
Mesmo com o espaço que conquis-
tou, o executivo não se considera um 
ativista da causa LGBT+ no mundo 
corporativo. “Por enquanto, me en-
xergo apenas como um exemplo 
possível. Alguém que mantém uma 
carreira sendo gay e drag queen.” En-
tre seus planos está atuar de maneira 
mais significativa no Pride, o grupo 
de diversidade da American Airlines, 
e a criação de um stand up com Mama 
Darling para explorar esse universo. 
“Estou convicto de que, quanto mais 
nos posicionarmos, melhor. Um puxa 
o outro. No mundo corporativo, sou 
uma história de final feliz.” 
SINTO COMO SE TIVESSE 
TIDO UMA SEGUNDA CHANCE, 
UMA OPORTUNIDADE 
DE ME REINVENTAR
Quando o Carnaval chegar 
Para dar conta do posto de gerência e 
levar seus projetos pessoais adiante, 
Fernando se desdobra. De manhã e 
à tarde, cuida da rotina na American 
Airlines. À noite e aos fins de semana, 
dedica-se ao MinhoQueens e à Mama 
Darling. Quando conversou com a re-
portagem, no final de dezembro, ainda 
buscava patrocínio para colocar o bloco 
na rua. Segundo seus cálculos, serão 
necessários entre 50 000 e 70 000 reais 
para contratar trios, seguranças, gradil 
e cordeiros. “No ano passado, tivemos 
público de 200 000 pessoas”, diz. O exe-
cutivo conta que a muvuca era tanta 
que nem conseguiu aproveitar. Bebeu 
duas garrafas de água durante o trajeto 
e passou o tempo todo observando a 
movimentação de cima do caminhão. 
“Eu me sinto responsável. Se vejo 
alguém brigar, mando parar. Se têm 
pessoas subindo em ponto de ônibus 
ou monumento, peço que a música seja 
interrompida até descerem.”
Da porta do escritório para dentro, 
Fernando lida com a empolgação dos 
2
A habilidade de programar será exigida em todas 
as áreas e se tornará tão importante quanto saber 
falar inglês. Descubra como entrar nesse universo 
G u i l h e r m e S o a r e s D i a s
A LINGUAGEM 
DO FUTURO
I
magine estar em uma reu-
nião em que apenas você não 
fala a língua em que ocorrem 
os debates. É assim que vão 
começar a se sentir aqueles 
que ainda não aprenderam a 
programar. Isso porque a lin-
guagem dos códigos, antes 
restrita a quem trabalhasse 
com tecnologia e aos “ner-
ds”, está se tornando cada 
vez mais comum no dia das 
pessoas. No futuro próximo, desven-
dar esse idioma será tão básico no 
cotidiano do trabalho quanto falar 
inglês. “Essa será a linguagem mais 
importante dos próximos anos, não 
porque todo mundo vai programar, 
mas porque todo mundo vai depen-
der da programação para trabalhar”, 
afirma Juliano Seabra, diretor de 
inovação e novos negócios da Totvs. 
O impacto será tão grande que, de 
acordo com o relatório The Next 
Era of Human-Machine Partner-
ships (“A nova era de parcerias 
homem-máquina”, numa tradução 
livre), elaborado pela Dell Technolo-
gies em parceria com o Institute for 
the Future (IFF), até 2030 todas as 
empresas serão baseadas em tecno-
logia, qualquer que seja seu setor de 
atuação. Por isso, é bom se preparar. 
Hoje, candidatos que sabem es-
crever um sistema já são vistos 
com bons olhos — e a demanda só 
vai crescer. “No caso dos recursos 
humanos, por exemplo, temos pla-
taformas de treinamento e sistema 
de contratação com robô intera-
gindo com funcionários. Se tenho 
gente no meu setor que sabe pro-
5 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
D E S E N V O L V I M E N T O
FOTO: GER M A NO LÜ DER S
FOTO: X X X X X X V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 5
 Jessica Oliveira, estagiária de 
análise de dados do site Nexo: o 
curso de programação voltado 
para mulheres a ajudou 
a ingressar no mercado 
5 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
gramar, não dependo da área de TI 
para tudo”, diz Carla Alessandra 
de Figueiredo, gerente executiva 
de RH da Stefanini, que está trei-
nando não só os funcionários mas 
também os filhos deles no tema. 
“É como conhecer o pacote Offi-
ce. Todo mundo terá de saber essa 
linguagem para extrair o máximo 
possível da tecnologia”, diz Carla.
Mas quem quer se destacar pre-
cisa ir além de simplesmente criar 
alguns códigos. É necessário com-
preender o que está por trás desse 
processo. “Você precisa entender a 
lógica e saber como estruturar um 
algoritmo. Assim, evita ter que con-
tratar alguém para executar uma 
ideia simples ou analisar informa-
ções necessárias para algumas tare-
fas”, diz Marielen Ferreira, cientista 
de dados da Totvs. 
Alta demanda
No Guia Salarial 2019, da consul-
toria Robert Half, que indica quais 
carreiras estarão em alta no ano 
que começa, o programador apare-
ce como uma das profissões de des-
taque. O documento ressalta que, 
“se antigamente o departamento de 
TI era visto como de suporte, hoje é 
vital e estratégico para os negócios”. 
De acordo com Caio Arnaes, gerente 
sênior de recrutamento da Robert 
Half, o crescimento dessa área tem 
a ver com a automação dos proces-
sos, com a necessidade de analisar 
a quantidade de dados gerados (o 
famoso big data) e com a interação 
com os clientes por meio de aplicati-
vos. “A demanda deve se manter nos 
Por onde começar 
Cursos para quem quer ingressar 
no universo dos códigos 
< PRESENCIAIS /> 
P R O G R A M AÇ ÃO E M 
P Y T H O N , R e M AT L A B
QUEM OFERECE: FGV – EESP 
(ESCOLA DE ECONOMIA DE SÃO PAULO) 
PROGRAMA: PARA PARTICIPAR 
DAS AULAS, NÃO É PRECISO TER 
NENHUM CONHECIMENTO PRÉVIO EM 
PROGRAMAÇÃO, MAS É NECESSÁRIO 
TER FUNDAMENTOS DE ESTATÍSTICA E 
MATEMÁTICA. O CURSO TEM TEOR PRÁTICO 
E SE APROFUNDA NA LINGUAGEM PYTHON 
E APLICAÇÕES COM R E MATLAB. 
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VISTA – SÃO PAULO, SP 
INSCRIÇÕES: 
BIT.LY/FGV_PYTHON
A P R E N D I Z A D O D E M ÁQ U I N A 
C O M D E E P - L E A R N I N G
QUEM OFERECE: INSTITUTO 
MAUÁ DE TECNOLOGIA
PROGRAMA: DESTINADO A QUEM 
ATUA OU QUER ATUAR NA ÁREA DE 
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, O CURSO 
MOSTRA, DE MANEIRA PRÁTICA, O QUE 
SÃO AS REDES NEURAIS E DE QUE MANEIRA 
ELAS INFLUENCIAM NA PROGRAMAÇÃO DE 
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DE 2019, ÀS TERÇAS E QUINTAS-
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DE JANEIRO) + 5 PARCELAS DE 1 580 REAIS 
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SÃO CAETANO DO SUL – SP 
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P R OG R A M AÇ ÃO
QUEM OFERECE: SENAC
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POR MEIO DE APLICAÇÕES LÓGICAS 
DE PROGRAMAÇÃO. ENTRE OS TEMAS 
ESTÃO: ALGORITMOS, LOOPING INFINITO, 
VETORES E MÉTODOS DE PESQUISA. 
NÃO É PRECISO TER CONHECIMENTO 
PRÉVIO NO TEMA PARA SE INSCREVER. 
QUANDO: EM VÁRIAS DATAS E 
HORÁRIOS AO LONGO DO ANO, DE 
ACORDO COM A UNIDADE ESCOLHIDA 
DURAÇÃO: 40 HORAS 
 VALOR: 827 REAIS
LOCAIS: UNIDADES DO SENAC EM 
SÃO PAULO, RIBEIRÃO PRETO, SANTO 
ANDRÉ E SÃO BERNARDO DO CAMPO 
INSCRIÇÕES: BIT.LY/SENAC_LOGICA 
D E S E N V O L V I M E N T O
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 7
L I N G UAG E M D E 
P R O G R A M AÇ ÃO 
C # N Í V E L B Á S I C O
QUEM OFERECE: UDEMY
PROGRAMA: A LINGUAGEM 
C# (OU C SHARP) FOI CRIADA 
PELA MICROSOFT PARA 
EXTENSÕES “.NET”. O CURSO 
EXPLICA SOBRE O CONCEITO 
E AJUDA A DESENVOLVER 
APLICAÇÕES. PODE SER FEITO 
POR PROFISSIONAIS SEM 
NENHUM CONHECIMENTO 
PRÉVIO NO ASSUNTO. 
QUANDO: ABERTO EM 
QUALQUER ÉPOCA DO ANO
DURAÇÃO: 12 HORAS
VALOR: 25,99 REAIS 
LINK: 
BIT.LY/UDEMY_CLEVEL 
< ONLINE /> 
O R I E N TAÇ ÃO A 
O B J E T O S C O M JAVA
QUEM OFERECE: 
ITA/COURSERA
PROGRAMA: O CURSO É 
DESTINADO A PESSOAS QUE JÁ 
SABEM DESENVOLVER PROGRAMAS 
DE COMPLEXIDADE SIMPLES 
USANDO O JAVA E QUE QUEREM 
SE APROFUNDAR NA FERRAMENTA. 
A PROMESSA É QUE, NO FINAL DAS 
AULAS, O ESTUDANTE CONSIGA 
IMPLEMENTAR VERSÕES INICIAIS 
DE COMPONENTE DE GAMIFICAÇÃO. 
QUANDO: ABERTO EM 
QUALQUER ÉPOCA DO ANO
DURAÇÃO: 50 HORAS
VALOR: GRATUITO
LINK: 
HTTP://BIT.LY/ITA_JAVA 
A N D R O I D C O M D E L P H I 
X E 8 – S I S T E M A S E 
A P L I C AT I VO S M O B I L E
QUEM OFERECE: LEARNCAFE 
PROGRAMA: VOLTADO 
PARA QUEM QUER DESVENDAR 
A LINGUAGEM MOBILE, O 
CURSO ENSINA A DESENVOLVER 
DIVERSOS SISTEMAS E 
APLICATIVOS USADOS NOS 
SISTEMAS OPERACIONAIS 
ANDROID E iOS, ALÉM 
DE PLATAFORMAS QUE 
UTILIZAM O SISTEMA DELPHI. 
QUANDO: ABERTO EM 
QUALQUER ÉPOCA DO ANO 
DURAÇÃO: 43 HORAS 
VALOR: GRATUITO 
LINK: 
BIT.LY/LEARNCAFE_MOBIL
C U R S O B Á S I C O 
D E C S S 
QUEM OFERECE: DEVMEDIA
PROGRAMA: O CSS (CASCADING 
STYLE SHEETS, EM INGLÊS) É 
O MECANISMO POR TRÁS DA 
APARÊNCIA DE SITES. AO USÁ-LO, 
É POSSÍVEL MUDAR O LAYOUT 
DE PÁGINAS, CRIAR ANIMAÇÕES 
E GRÁFICO PARA GAMES, POR 
EXEMPLO. NAS AULAS, OS 
PARTICIPANTES APRENDEM TODOS 
OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS 
PARA APLICAR O CSS. 
QUANDO: ABERTO EM 
QUALQUER ÉPOCA DO ANO
DURAÇÃO: 39 HORAS, 
COM CERTIFICADO 
VALOR: GRATUITO 
LINK: BIT.LY/CSS_DEVMEDIA 
próximos anos. Esses profissionais 
não vão apenas criar softwares, mas 
entender essa nova linguagem e uti-
lizá-la no dia a dia de seu trabalho”, 
diz Caio. Os salários acompanham a 
crescente do setor. Um exemplo é o 
desenvolvedor mobile, que em 2018 
ganhou entre 6 000 e 11 000 reais e 
deve receber de 6 000 a 13 000 reais 
em 2019, uma alta de quase 12%.
Embora as vagas estejam aí, há um 
apagão de programadores e cientis-
tas de dados — não só no Brasil, de 
acordo com Luis Gonçalves, vice-
-presidente sênior e gerente-geral 
para o Brasil na Dell EMC. “Essa é 
uma preocupação mundial. Há déficit 
de pessoal por causa da velocidade 
da transformação digital, o que tem 
feito com que, em alguns países, não 
seja exigida a formação universitária 
para trabalhar nessa área”, diz. 
O lado bom é que existem muitos 
cursos para quem quer aprender por 
conta própria. Fazer um deles aju-
dou Jessica Oliveira, de 25 anos, a 
conquistar um estágio no setor de 
análise de dados e sistemas no site 
de notícias Nexo. “Fiz curso de ini-
ciação em programação front-end 
na PrograMaria, que atende apenas 
mulheres. Não foi o primeiro, mas o 
mais condensado. Aprendi a utilizar 
e pesquisar as ferramentas e tags 
de html, o que ajuda a tornar o có-
digo mais acessível ao usuário final. 
Meu trabalho hoje tem a ver com 
o que aprendi”, diz Jéssica. “Gosto 
do universo da informática e quero 
continuar estudando, pois essa é 
uma área muito aberta que sempre 
tem novidades e novas vagas.” 
ILUSTRAÇÃO: M A RCEL L A BR IO T T O COM ÍCON E S DO PEX EL S
À CAÇA 
DAS VAGAS
G U I A D O E M P R E G O
A expectativa do mercado para 2019 é de recuperação econômica, o 
que deve gerar um aumento na oferta de emprego. Quer aproveitar 
uma dessas oportunidades? Nós criamos um passo a passo 
para ajudá-lo em todas as etapas da busca por novos desafios 
N a t a l y P u g l i e s i
O 
país inicia 2019 com certo 
otimismo. O empresaria-
do brasileiro aposta numa 
recuperação econômica já 
no primeiro ano do novo 
governo e, por isso, tende 
a liberar os investimentos 
para projetos e expansões, 
o que deve representar um
aumento das oportunida-
des de emprego. Segundo
a pesquisa Agenda 2019,
realizada pela consultoria Deloitte com 826 
empresas de todo o país, as quais, juntas, fa-
turam o equivalente a 43% do PIB nacional, o 
otimismo está atrelado às reformas tributária 
e previdenciária, apontadas pela maioria como 
prioridades. “Além disso, endereçar temas es-
truturais, que gerem empregos e façam com 
que a sociedade se movimente, é de suma im-
portância para 80% dos entrevistados. Esses 
são fatores condicionantes para o destrava-
mento da economia”, afirma Othon Almeida, 
sócio-líder das áreas de desenvolvimento de 
mercado e talentos da Deloitte. 
Ainda segundo a pesquisa, 97% dos empresá-
rios pretendem investir ou implementar ações 
que desenvolvam os seus negócios neste ano. E, 
para melhorar, quase metade (47%) manifestou 
a intenção de aumentar o quadro. Outros 32% 
planejam manter o número de funcionários no 
patamar atual, mas realizando substituições. “À 
medida que os empresários tomam a decisão 
de investir e ampliar as linhas de produção, 
sentimos o efeito direto sobre a criação de posi-
ções de trabalho”, diz Sergio Firpo, professor de 
economia no Insper. Outra informação positiva 
vem da plataforma de recrutamento Vagas, que 
espera um aumento de 6% a 10% no número 
de postos oferecidos no site durante o ano que 
está começando. Isso representa, em média, 1 
400 novos empregos por dia.
Essas são boas notícias para quem quer se 
recolocar em 2019. E, para ajudar nessa jor-
nada, VOCÊ S/A criou um guia para melhorar 
o currículo, ampliar a presença digital, ficar na
mira dos recrutadores, encontrar a empresa
ideal e se sair bem na entrevista de seleção.
Confira as dicas dos especialistas nas páginas
a seguir e feliz emprego novo!
5 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTO: GER M A NO LÜ DER S
Boas conexões 
A EXECUTIVA DE VENDAS MANUELA 
CARDOSO, DE 35 ANOS, ESTAVA BEM 
EMPREGADA, MAS TINHA O SONHO DE 
EXPERIMENTAR O MODELO DE TRABA-
LHO DE UMA MULTINACIONAL. PARA 
CONQUIS TÁ-LO, EL A CONTR ATOU 
UMA CONSULTORIA QUE REVISOU SEU 
CURRÍCULO E PERFIL DO LINKEDIN E A 
TREINOU PARA FUTURAS ENTREVISTAS. 
COMO LIÇÃO DE CASA, MANUELA PAS-
SOU A ACOMPANHAR AS VAGAS POSTA-
DAS NA REDE SOCIAL CORPORATIVA. UM 
DOS MACETES FOI FILTRAR POR REGIÃO: 
ELA QUERIA FICAR PERTO DE CAMPI-
NAS, NO INTERIOR DE SÃO PAULO. 
NUMA DESSAS BUSCAS SURGIU A CHAN-
CE NA GEODIS, COMPANHIA FRANCESA 
DE LOGÍSTICA. “O LINKEDIN MOSTROU 
QUE EU TINHA QUATRO CONEXÕES DE 
FUNCIONÁRIOS QUE TRABALHAVAM 
ALI. DECIDI CONTATAR UM DELES, COM 
QUEM TINHA POUCO CONTATO, MAS 
QUE JÁ CONHECIA MEU TRABALHO, 
POIS HAVÍAMOS ATUADO NA MESMA 
EMPRESA ANTERIORMENTE”, AFIRMA. 
PARA ISSO, A EXECUTIVA MANDOU UMA 
MENSAGEM DIRETAMENTE AO EX-COLE-
GA DIZENDO QUE SE INTERESSOU PELA 
VAGA, QUE AQUELA ERA A POSIÇÃO QUE 
ELA OCUPAVA NAQUELE MOMENTO, 
ANEXOU O CURRÍCULO E PERGUNTOU 
SE ELE PODERIA RECOMENDÁ-LA IN-
TERNAMENTE. DEU CERTO. EMBORA O 
COLEGA NÃO TIVESSE LIGAÇÃO COM 
A SELEÇÃO, CONSEGUIU ACELERAR A 
PARTICIPAÇÃO DE MANUELA NO PRO-
CESSO. DEPOIS DE UM MÊS, ELA JÁ 
ESTAVA FAZENDO ENTREVISTAS. “TER 
SIDO RECOMENDADA POR ALGUÉM DE 
DENTRO DA COMPANHIA FEZ TODA A 
DIFERENÇA. NÃO FUI SÓ MAIS UM CUR-
RÍCULO NO BANCO DE DADOS DO RH, 
GANHEI PONTOSNA CORRIDA.”
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 9
ILUSTRAÇÃO: M A RCOS M Ü L L ER
G U I A D O E M P R E G O
C U R R Í C U L O 
to para área de recursos huma-
nos. Lembre-se de incluir seu 
objetivo profissional. E, quanto 
mais focado, melhor. “Quando 
é muito abrangente, fico em dú-
vida sobre onde o profissional 
se encaixa”, diz Sérgio.
 O documento deve ir direto 
ao ponto, mas destacar, de for-
ma sucinta, os resultados al-
cançados. “Assim como todo 
mundo, recrutadores também 
têm pouco tempo para admi-
nistrar tanta informação. Para 
chamar a atenção, é preciso 
mostrar uma trajetória de cons-
tante evolução e entregas de 
forma coesa”, diz Sergio. A su-
gestão é pontuar os cargos dos 
últimos cinco anos e embaixo 
de cada um deles as principais 
entregas, como a redução de 
uma despesa, a conquista de 
uma premiação ou um feedback 
positivo por determinado re-
sultado. “Se você tem 25 anos, 
pode colocar a experiência des-
de o estágio. Se é um diretor, 
coloque a partir de sua posição 
como gerente, por exemplo”, 
diz Rebeca Mayan, gerente da 
divisão de vendas da consulto-
ria Talenses, especializada no 
recrutamento de executivos. 
Organizar em tópicos transmi-
te mais objetividade, mas, se 
precisa descrever em texto 
corrido, cuide para que não ul-
trapasse três linhas. 
Quando analisam esse docu-
mento, os recrutadores olham, 
além do objetivo e da expe-
riência com resultados, as com-
petências técnicas e as ferra-
mentas ou os sistemas que o 
profissional domina. “Se sua 
posição exige Excel, por exemplo, é 
bom incluir. Mas, se você é um pro-
gramador e domina sistemas mais 
avançados, coloque esses, e não o 
Excel”, completa Rebeca. 
Foco é tudo 
Por mais conectado que o mercado 
esteja, tudo ainda começa com um 
bom currículo. E, por mais simples 
que esta tarefa pareça, ela exige 
atenção e cuidado. “Se estiver muito 
fácil montar seu currículo, vale a 
pena revê-lo”, afirma Sérgio Margo-
sian, gerente da consultoria Michael 
Page e especialista em recrutamen-
6 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
Layout-padrão 
A aparência do currículo pode va-
riar conforme sua preferência, indo 
desde um documento profissional-
mente diagramado até um simples 
Word. Mas alguns cuidados devem 
ser tomados. Um deles é colocar as 
informações de contato em um local 
de fácil de visualização, de preferên-
cia próximo ao seu nome. 
Outro ponto importante é manter 
um padrão de formatação. Coloque o 
nome das empresas por onde passou 
com o mesmo negrito ou sublinhado. 
Se quiser adicionar a data ao lado do 
cargo, padronize em todas as posi-
ções. “Quando tenho dois currículos 
de pessoas igualmente qualificadas, 
priorizo para entrevista a que tem 
mais cuidado ao apresentar sua tra-
jetória. É a primeira impressão que 
o candidato passa”, diz Sérgio. Por 
isso, cuidado com erros de portu-
guês ou de digitação. O documen-
to deve ter de duas a três páginas. 
 
Tradução simultânea 
Se você busca uma posição em uma 
multinacional, é importante ter um 
currículo em inglês. “Não é neces-
sário preparar uma versão espe-
cial, apenas a mesma versão do 
documento traduzido para o in-
glês”, explica Sérgio. Um bom cur-
rículo e uma apresentação simpá-
tica no corpo do e-mail com um 
resumo sobre você e suas inten-
ções já são suficientes. Cartas de 
apresentação são dispensáveis hoje 
em dia. “Elas podem se tornar re-
petitivas quando se tem um currí-
culo bem-feito. Como buscamos 
assertividade, uma apresentação 
bacana no próprio e-mail já faz 
esse papel”, afirma Sérgio. 
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 1
Hackeando o Vagas.com
Especialista da plataforma de recrutamento dá três dicas para fazer seu currículo aparecer
A t u a l i z e 
s e u c u r r í c u l o
Quando alguém está em busca de 
um candidato, ele usa filtros para 
procurá-lo no site. Até aí, nenhuma 
novidade. Mas existe um pulo do 
gato. “O recrutador filtra por data 
de atualização, porque não quer 
receber currículos de pessoas que 
não estejam mais naquela posição”, 
diz Thayane Fernandes, especialista 
em comunicação do Vagas. Ou seja, 
se você modificou o perfil recente-
mente, tem mais chance de apare-
cer na primeira triagem. O ideal é 
fazer isso a cada seis meses e, se 
nada tiver mudado nesse período, 
altere uma vírgula ou palavra. Já 
é o bastante para o software en-
tender que o texto foi atualizado. 
U s e o M a p a 
d e C a r r e i r a
Essa ferramenta mapeou mais 
de 7 000 cargos e desenhou as 
possíveis trajetórias de carreira 
trilhadas pelas profissões com 
base em dados reais do site. Lá 
também aparecem os salários 
estimados para diversos níveis 
daquela profissão, cursos 
realizados e palavras-chave 
que os recrutadores usam nas 
buscas quando querem encontrar 
aqueles profissionais. Essas 
palavras, se colocadas em seu 
cadastro, aumentam sua chance 
de ser encontrado pelos RHs. 
“Coloque sua pretensão salarial, 
pois esse é outro filtro utilizado 
nas procuras”, diz Thayane. 
A m p l i e a s 
p a l a v r a s - c h a v e
No campo de busca de vagas, 
não fique preso apenas ao 
termo mais comum da posição 
que você deseja ocupar. A 
estratégia é colocar o máximo 
de nomenclaturas que o cargo 
possa ter. Isso é importante 
porque as empresas usam 
textos diferentes para definir 
a mesma função. Se estiver 
atrás de um emprego como 
vendedor, por exemplo, 
tente palavras-chave 
como “vendas”, “vendedor”, 
“comercial”, “executivo 
e contas”. Dessa forma, 
aparecerão muito mais 
resultados para sua pesquisa. 
R E M U N E R A Ç Ã O
P R E S E N Ç A D I G I T A L 
Onde se cadastrar 
Currículo pronto, é hora de aumen-
tar sua presença no mundo virtual. 
Se você quer se destacar como pro-
fissional, o primeiro passo é ter um 
perfil no LinkedIn. O Brasil é o 
quarto país no ranking de utiliza-
ção da rede social, ficando atrás 
apenas dos Estados Unidos, da Chi-
na e da Índia. São 35 milhões de 
usuários no mundo e 100 000 novos 
perfis por semana. Haja networking. 
Além disso, as empresas postam 
suas vagas e recrutam pela ferra-
menta, e quem está em uma busca 
ativa por emprego pode filtrar as 
oportunidades. Só no Brasil estão 
disponíveis 350 000 vagas e, no dia 
do fechamento desta reportagem, 
haviam sido criadas 6 000 novas 
posições nas últimas 24 horas. 
O segundo passo é cadastrar seu 
currículo no Vagas, que oferece 
14 000 empregos por dia, tem mais 
de 3 000 clientes cadastrados — 70 
das 100 maiores empresas do Brasil 
compõem esta lista — e uma base 
cadastral de 17 milhões de currí-
culos. Todos os serviços oferecidos 
pelo site são gratuitos. Já o Linke-
dIn tem também a conta Premium, 
que é paga e indicada para quem 
está ativamente atrás de um em-
prego. Entre outros serviços, a ver-
são top da rede social permite que 
os candidatos mandem um número 
determinado de mensagens diretas 
às pessoas mesmo sem estar conec-
tados a elas, mostra estatísticas de 
uma vaga e como você está posicio-
nado em relação a outros postulan-
tes. Se quiser ter mais evidência em 
G U I A D O E M P R E G O
6 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
Por dentro do LinkedIn 
Aproximadamente 26 milhões de empresas mundo 
afora ofertam vagas no LinkedIn e mais de 4 milhões de 
pessoas já encontraram um emprego por meio da ferramenta 
desde sua criação, em 2012. Portanto, não tem como estar 
fora dessa plataforma. “Cerca de 70% das pessoas que 
participam da rede não estão procurando emprego, mas 
estão dispostas a ouvir propostas e ampliar seu networking”, 
diz Milton Beck, presidente do LinkedIn no Brasil. 
Para que seu perfil atraia olhares e seja admirado 
por suas conexões, seguem algumas dicas valiosas. 
FOTO: GER M A NO LÜ DER S
Navegação 
profissional
FORMADA EM RELAÇÕES PÚBLICAS, 
MAYRA CIVE, DE 30 ANOS, MERGU-
LHOU NA INTERNET QUANDO FICOU 
DESEMPREGADA EM 2016. PRIMEIRO, 
ELA ATUALIZOU O PERFIL NO LINKEDIN 
TOMANDO CUIDADO PARA TRANSMITIR 
SUAS COMPETÊNCIAS DA MELHOR 
FORMA POSSÍVEL. “É IMPORTANTE 
CONTARUMA HISTÓRIA SOBRE SI 
M E S M O C O M PA L AV R A S - C H AV E 
Q U E O R EC R U TA D O R E N C O N T R E 
FACILMENTE”, DIZ MAYRA. COM ISSO, 
PA SSOU A SER RECRUTADA PAR A 
TRABALHOS FREEL ANCERS — SEU 
OBJETIVO NAQUELE MOMENTO. MAS, 
NO FINAL DE 2017, MAYRA COMEÇOU 
A CORRER ATRÁS DE EMPREGO FIXO. 
PARA ISSO, CADASTROU-SE EM SITES 
COMO VAG A S E C ATHO — NE S TE 
ÚLTIMO, PAGOU A CONTA PREMIUM, 
ESTRATÉGIA REPLICADA NO LINKEDIN. 
“ C O M O R E C E B I A AT U A L I Z A Ç Õ E S 
DIÁRIAS, EU VIA AS COMPETÊNCIAS 
QUE A S E MPRE S A S BUS C AVA M E 
ALTERAVA MEU PERFIL PARA QUE ELE 
CORRESPONDESSE À S PAL AVR A S-
CHAVE.” NAVEGANDO PELA INTERNET, 
ELA ENCONTROU UMA VAGA NO SITE 
EMPREGA C AMPINA S. GOSTOU DO 
QUE VIU E ENVIOU SEU CURRÍCULO AO 
E-MAIL DO RH RESPONSÁVEL. DEPOIS
DE ALGUMAS SEMANAS, O GESTOR
ENTROU EM CONTATO PELO LINKEDIN.
“ELE CONVERSOU COM ALGUM A S
DAS PESSOAS QUE TINHAM FEITO
RECOMENDAÇÕES NO MEU PERFIL ANTES
DE ME PROCURAR.” A BUSCA EFETIVA
POR EMPREGO DUROU APENAS TRÊS
MESES. “NESSE MEIO TEMPO, TAMBÉM
PARTICIPEI DE OUTROS TRÊS PROCESSOS
PELO VAGAS”, DIZ MAYRA, QUE HOJE
É COORDENADORA DE MARKETING NA
FARMBASE, EMPRESA DE SAÚDE ANIMAL.
COLOQUE UMA 
FOTO QUE REFLITA 
SUA IMAGEM 
NO TRABALHO. 
PERFIL COM FOTO 
É 21 VEZES MAIS 
VISTO E RECEBE 
NOVE VEZES 
MAIS PEDIDOS 
DE CONEXÃO. 
“É NECESSÁRIO 
PORQUE HUMANIZA 
O PROFISSIONAL, 
AFINAL, ESTAMOS 
À FRENTE DE UM 
COMPUTADOR”, 
AFIRMA MILTON. 
ATUALIZE 
SEU CARGO 
E TERÁ OITO 
VEZES MAIS 
VISITAS AO 
SEU PERFIL.
PREENCHA 
CORRETAMENTE 
A INSTITUIÇÃO 
DE ENSINO QUE 
FREQUENTOU 
E AMPLIE EM 17 
VEZES A CHANCE 
DE RECEBER 
MENSAGENS DE 
RECRUTADORES.
INSIRA SUA 
LOCALIZAÇÃO. 
ISSO AUMENTA 
23 VEZES SUA 
CHANCE DE SER 
ENCONTRADO. 
TENHA PALAVRAS-
CHAVE SOBRE 
SUA EXPERTISE 
E ENTREGAS 
AO LONGO DE 
SEU PERFIL. 
AS EMPRESAS 
BUSCAM POR 
ESSES TERMOS. 
“É MUITO 
IMPORTANTE 
TER O RESUMO 
DE QUEM VOCÊ É 
COM DETALHES, 
CARACTERÍSTICAS 
QUE FAZEM 
DE VOCÊ UM 
PROFISSIONAL 
ESPECIAL”, DIZ 
MILTON. 
MANTENHA O 
PERFIL EM VÁRIOS 
IDIOMAS.
ANEXE CONTEÚDO 
QUE SEJA 
RELEVANTE 
À SUA ATIVIDADE 
PROFISSIONAL E 
POSTE ARTIGOS 
E INFORMAÇÕES 
QUE O EXPONHAM 
POSITIVAMENTE.
AJA NO MUNDO 
VIRTUAL DO MODO 
COMO VOCÊ É NO 
MUNDO OFFLINE. 
“IMAGINE O 
LINKEDIN COMO 
UMA REUNIÃO. 
SE VOCÊ FALA 
COM A PESSOA 
E ELA NÃO TE 
RESPONDE, VOCÊ 
TENDE A PERDER 
O INTERESSE. O 
COMPORTAMENTO 
TEM DE SER 
PARECIDO COM O 
REAL”, DIZ MILTON. 
relação aos concorrentes, pode 
ativar o recurso Candidatura em 
Destaque. “Para ser encontrado não 
faz tanta diferença. Os recrutado-
res, em geral, têm as contas Pre-
mium, com mais filtros para buscar 
os profissionais”, diz Rebeca. 
Siga as empresas 
Embora muita gente esqueça, as 
companhias também possuem ban-
co de currículos. E ele pode ser 
bastante útil. Nem sempre a opor-
tunidade para seu perfil está aber-
ta naquele momento, mas empresas 
sérias checam frequentemente os 
postulantes. “O RH faz a devida 
triagem e coloca os candidatos em 
um banco de talentos”, diz Sérgio, 
da Michael Page. O mesmo aconte-
ce quando você registra suas expe-
riências em sites de consultorias 
de recrutamento, que estão cons-
tantemente atrás de bons profissio-
nais. “O currículo é sempre enca-
minhado ao recrutador da área de 
atuação do trabalhador”, afirma 
Rebeca, da Talenses.
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 3
6 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
G U I A D O E M P R E G O
soas que tenham visão positiva e 
construtiva para os problemas. Já 
cheguei a convidar um executivo 
para um café depois que li um texto 
dele no LinkedIn”, afirma Sérgio. 
Estar próximo dos caçadores de 
talentos é importante porque algu-
mas vagas são sigilosas e são traba-
lhadas no boca a boca — e só serão 
divulgadas para quem tem algum 
contato com o recrutador. 
Aproximação inteligente 
Além de acompanhar sites e conhe-
cer os headhunters, outra maneira 
de encontrar emprego é ficar atento 
às movimentações de cargo que 
acontecem entre suas conexões nas 
redes sociais. Por exemplo: se você 
é gerente de marketing e viu que um 
colega na mesma posição mudou de 
empresa, já sabe que existe uma 
vaga disponível ali. Nesse caso, a 
dica é conversar com seus contatos 
naquela companhia para se colocar 
à disposição e entender se o RH vai 
procurar alguém no mercado. 
Aproximar-se de colegas é impor-
tante não só quando há uma vaga 
disponível. Vale ter essa atitude para 
sinalizar que você está aberto a de-
safios. “Seja transparente sobre suas 
intenções. Diga: ‘Estou entrando em 
contato porque busco uma nova opor-
tunidade e gostaria de agendar um 
café para a gente se conhecer me-
lhor’ ”, orienta Sérgio. Segundo ele, a 
conversa deve ser feita diretamente 
com o gestor da posição que você 
almeja ou com o responsável pelo RH. 
Mas seja cauteloso com a quanti dade 
de vezes que aciona a mesma pessoa. 
“Não se torne impertinente insistin-
do em ter uma resposta em curto 
espaço de tempo. Não pega bem”, diz 
Sérgio. Além disso, se você estiver 
empregado, mantenha a discrição 
para não prejudicar as relações com 
os atuais chefes e colegas. Nesse 
caso, o volume de contatos tem de 
ser pequeno e assertivo.
N E T W O R K I N G 
Na mira dos headhunters 
Os recrutadores utilizam suas redes 
de contatos para conseguir indica-
ções. “Temos muitas conexões com 
pessoas que atuam na área para a 
qual selecionamos e eles sempre nos 
indicam profissionais com quem já 
trabalharam. O networking é muito 
importante. E a melhor forma de 
desenvolvê-lo é enquanto se está 
empregado”, diz Sérgio, da Michale 
Page. Por isso, é preciso entrar no 
radar desse pessoal. Descubra qual 
é o headhunter que atua em sua 
área e escreva para ele no LinkedIn. 
Pode fazer o convite para tomar um 
café e conversar sobre carreira ou 
iniciar a conversa indicando um ar-
tigo ou pesquisa que possa ser apro-
veitado pelo hunter. 
Outra maneira de aparecer é adi-
cioná-los à sua rede — desde que ela 
seja positivamente movimentada. 
Publicar artigos e compartilhar co-
nhecimento pode atrair os olhares 
desses profissionais. “Buscamos pes-
ILUSTRAÇÃO: M A RCOS M Ü L L ER
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 5
JÁ A PLATAFORMA VAGAS ESPERA UM AUMENTO DE 6% A 10% NO NÚMERO DE OPORTUNIDADES 
OFERTADAS PELAS EMPRESAS, PRINCIPALMENTE NOS SETORES ABAIXO 
70% 16% 14%
DAS VAGAS PARA SERVIÇOS. 
PRINCIPAIS ATIVIDADES
DAS VAGAS PARA INDÚSTRIA.
PRINCIPAIS ATIVIDADES
DAS VAGAS PARA COMÉRCIO.
PRINCIPAL ATIVIDADE
VAREJISTASFABRICAÇÃO DE PRODUTOS 
ALIMENTÍCIOS
FABRICAÇÃO DE PRODUTOS 
FARMAQUÍMICOS E FARMACÊUTICOS
FABRICAÇÃO DE 
PRODUTOS QUÍMICOS
SERVIÇOS | TECNOLOGIA | COMÉRCIO | VAREJO | CONSTRUÇÃO CIVIL | AUTOMOBILÍSTICO | SEGURANÇA PÚBLICA | SAÚDE 
Em alta
Com a retomada do crescimento econômico, as consultorias Deloitte e Michael Page apostam no 
desenvolvimento de alguns setores que vão precisar de mão de obra em 2019. São eles: 
SAÚDE HUMANA
TELECOMUNICAÇÕES
SEGUROS
 SERVIÇOS FINANCEIROS
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
E N T R E V I S T A S 
Face a face
Chegar à fase de entrevistas é sinal 
de que a chance de conquistar uma 
vaga é grande. Por isso, é importan-
te se preparar. Estude o próprio 
currículo, sinta-se seguro para falar 
sobre datas e principais metas atin-
gidas e tenha na manga detalhes de 
como as entregas foram feitas. Não 
se esqueça, também, de pesquisar 
sobre a possível empregadora: olhe 
relatórios de sustentabilidade da 
empresa, busque notícias sobre a 
companhia e sobre o setor no qual 
ela atua. Além disso, tente descobrir 
um pouco sobre a trajetória do en-
trevistador. “Se você conta algo com 
o que a pessoa se identifica já quebra 
um gelo e cria a empatia”, diz Sérgio, 
da Michael Page. Mas a questão mais 
importante é ser sincero — para 
R E M U N E R A Ç Ã O
FOTO: A L EX A N DR E BAT T I BUGL I6 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
falar, inclusive, sobre assuntoscom-
plicados. “Todo mundo passa por 
momentos que saí ram do planejado. 
Eles devem ser abordados na entre-
vista, assim como as lições que en-
sinaram”, diz Sérgio. 
Atente-se também a ser verdadeiro 
ao declarar o nível de fluência em 
uma segunda língua porque os entre-
vistadores podem mudar o idioma, 
de repente, no meio da conversa. 
E lembre-se de que, dependendo do 
interlocutor, o objetivo do bate-papo 
muda. O gestor direto precisa enten-
der se o profissional se encaixa na 
equipe e se aprofundar em questões 
técnicas. A conversa com o RH gira 
em torno de valores e competências. 
O trabalho do headhunter é compre-
ender de forma macro quem é esse 
profissional e entrar em detalhes para 
direcioná-lo para a vaga certa. 
Etiqueta básica 
O básico para não errar na roupa é 
o bom e velho “menos é mais”. Vá de 
forma coerente com a posição que 
você pretende ocupar e com a cul-
tura da empresa. “Mais importante 
do que estar de camisa ou camiseta 
é o cuidado que se tem. Se você vai 
a uma festa, você se arruma, então, 
mostre que teve esse cuidado para 
estar na entrevista também”, afirma 
Sérgio, da Michael Page. 
Em termos de postura, sempre 
olhe no olho do entrevistador e não 
exagere supervalorizando as entre-
gas. “Não é elegante perguntar sobre 
remuneração no momento da entre-
vista. No entanto, se for questionado 
sobre pretensão salarial, responda”, 
diz Rebeca, da Talenses. Ao final da 
conversa, vale a pena acordar uma 
data para o feedback, seja ele posi-
tivo ou negativo. E, no caso de o re-
crutador não retornar na data com-
binada, pode ligar. Mas é educado 
insistir no retorno apenas por três 
tentativas. Se for necessário mais 
que isso, melhor desistir. 
G U I A D O E M P R E G O
QUANDO AINDA ESTAVA NA FACULDADE 
DE ADMINISTRAÇÃO, RENATO ROSSI, 
DE 29 ANOS, FEZ UMA LISTA COM AS 
EMPRESAS EM QUE GOSTARIA DE TRA-
BALHAR NO FUTURO. UMA DELAS ERA A 
ELEKTRO, DISTRIBUIDORA DE ENERGIA 
QUE, EM AGOSTO DE 2017, FOI INCOR-
PORADA PELO GRUPO NEOENERGIA. A 
DETERMINAÇÃO ERA TANTA QUE ELE SE 
DEDICOU DURANTE CINCO ANOS PARA 
ENTRAR LÁ. PRIMEIRO, O PAULISTA SE 
CONECTOU VIRTUALMENTE A VETERA-
NOS DA FACULDADE QUE CARREGAVAM O 
CRACHÁ DA EMPRESA. “OLHAVA O PERFIL 
ACADÊMICO E PEDIA QUE ME AVISASSEM 
CASO SOUBESSEM DE UMA VAGA”, DIZ. 
ALÉM DISSO, SEGUIU COMPANHIAS DO SE-
TOR NO LINKEDIN E CRIOU UM ALERTA NO 
GOOGLE COM AS PALAVRAS “ELEKTRO” 
E “ENERGIA ELÉTRICA”, O QUE GERAVA 
UM CLIPPING DE NOTÍCIAS. “COMECEI A 
GANHAR VOCABULÁRIO E A ENTENDER O 
CONTEXTO”, DIZ. ATÉ QUE RENATO RECE-
BEU UMA LIGAÇÃO DE UM HEADHUNTER 
QUE RECRUTAVA PARA UMA VAGA CON-
FIDENCIAL. “VOCÊ NÃO IMAGINA MINHA 
ALEGRIA QUANDO DESCOBRI QUE ERA 
A ELEKTRO. O ENTREVISTADOR FICOU 
CURIOSO PELO FATO DE EU ENTENDER 
TANTO DO SETOR E DA HISTÓRIA DA 
EMPRESA.” QUANDO PASSOU PARA A 
FASE FINAL, RAFAEL ACIONOU SUAS 
CONEXÕES DO LINKEDIN PEDINDO RE-
COMENDAÇÕES. SUA NAMORADA, QUE 
ERA ESTAGIÁRIA NA COMPANHIA, FEZ 
O MESMO COM A PRÓPRIA CHEFE, QUE, 
POR SUA VEZ, COMENTOU COM O LÍDER 
DA VAGA. “ESSES CONTATOS FORAM IM-
PORTANTES PARA MINHA INTEGRAÇÃO”, 
DIZ RAFAEL, QUE SE TORNOU ESPECIA-
LISTA EM DESENVOLVIMENTO CORPORA-
TIVO PARA FUSÃO E AQUISIÇÃO. 
Emprego dos sonhos 
6 8 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A
O TEMPO 
É RELATIVO
Uma dupla de pesquisadoras 
acredita que existem dois estilos 
de organizar o dia a dia: seguindo 
o relógio ou a lista de atividades 
que precisam ser executadas. 
Conheça os comportamentos e os 
prós e os contras de cada perfil 
C a m i l l a G i n e s i
P R O D U T I V I D A D E 
6 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 9FOTO: GER M A NO LÜ DER S
O 
modo de lidar com 
o tempo costuma 
variar de pessoa 
para pessoa. Há 
aqueles que pre-
cisam fazer listas 
para tudo, os que 
baixam aplicati-
vos, os que não vi-
vem sem a agenda 
e ainda os que se 
entendem bem convivendo com o 
caos. Mas, de acordo com uma pes-
quisa iniciada em 2014 e que terá 
sua versão mais recente publicada 
em abril na revista científica Current 
Opinion in Psychology existem, es-
sencialmente, duas maneiras de se 
organizar: seguindo o relógio ou os 
eventos que precisam ser realizados. 
Essa é a teoria de Anne-Laure 
Sellier, professora associada de cria-
tividade e marketing da HEC Paris, 
e Tamar Avnet, professora associada 
de marketing na escola de negócios 
da Universidade Yeshiva, de Nova 
York. Para chegar a essa conclusão, 
a dupla de estudiosas se debruçou 
sobre a bibliografia da organização 
do tempo e fez experimentos com 60 
voluntários. Segundo o estudo, esses 
dois estilos são os mais comuns por 
causa do desenvolvimento das socie-
dades, nas quais uma das duas ma-
neiras sempre prevalece. Se na maior 
parte dos países ocidentais o padrão 
é que o relógio controle a agenda das 
pessoas, no mundo árabe, por exem-
plo, uma reunião não acontece em 
um horário específico, mas quando 
os participantes se sentem prontos 
para começar — e se alguém der uma 
olhadinha nos ponteiros durante a 
conversa será considerado rude. 
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 9
Raul Perez, coordenador 
de comunicação da 
SPcine (à dir.): horários 
fixos para acordar e 
responder aos e-mails
7 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
Visões diferentes 
De acordo com Anne-Laure e Tamar, 
os regidos pelo relógio são “indiví duos 
que dividem o tempo em unidades-
-padrão, objetivas e quantificáveis e 
permitem que o relógio dite quando 
as atividades começam e terminam”. 
Um dia típico de alguém que se estru-
tura assim é bem parecido com o de 
Raul Perez, de 28 anos, coordenador 
de comunicação da SPcine, empresa 
de cinema e audiovisual da Prefeitura 
de São Paulo. De segunda a sexta-fei-
ra, ele acorda às 7h30, se arruma até 
as 8 horas e toma café da manhã em 
meia hora — assim consegue chegar 
ao trabalho no centro da cidade até as 
9 horas. Seus primeiros 90 minutos no 
escritório são dedicados a responder 
aos e-mails e a hora seguinte serve 
para analisar os resultados da equipe 
nos últimos dias. Religiosamente às 
13 horas ele almoça. E assim o dia 
continua, no cronômetro. “Sempre 
me impus horários com o objetivo de 
dar conta de tudo. Mas foi quando me 
tornei coordenador que senti os maio-
res benefícios disso, principalmente 
para orientar a equipe”, afirma Raul.
Do outro lado estão aqueles que 
se orientam seguindo as tarefas que 
precisam executar. Nesse caso, se-
gundo as pesquisadoras, o que rege a 
agenda é a conclusão das atividades 
— o início de uma tarefa depende da 
realização de uma tarefa anterior. O 
francês Charles Vatin, de 28 anos, 
arquiteto de soluções digitais para 
a América Latina na companhia de 
tecnologia Keyrus, segue esse pa-
drão. Sem horário fixo para dormir 
e começar a trabalhar — por causa 
dos diferentes fusos horários com os 
quais tem de lidar —, Charles come-
ça seu dia entre as 8 e as 10 horas, 
dependendo do que precisa fazer. 
“Toda manhã reviso minhas listas 
de tarefas pessoais e profissionais 
e ordeno as atividades por nível de 
prioridade. Começo o dia pela mais 
importante e, assim que a termino, 
passo para a seguinte. Uma acaba 
puxando a outra”, explica Charles. 
Prós e contras 
Na pesquisa, Anne-Laure e Tamar 
apontam que não há certo e errado 
em agir de uma maneira ou de ou-
tra. Christian Barbosa, especialista 
em gestão do tempo, concorda: “Ne-
nhum estilo de se planejar é melhor 
ou pior. O que acontece é que cada 
pessoa se adapta mais a um ou a ou-
tro”. Mas as estudiosas dizem que há 
diferenças drásticas entre os perfis. 
Os “cronômetros de eventos”, como 
foram apelidados pelas pesquisado-
ras, costumam ser mais assertivos na 
realização das tarefas, o que os ajuda 
a evitar resultados indesejados. Esse 
comportamento, no limite, pode le-
var ao perfeccionismo. “Mas esse não 
é necessariamente o objetivo. Eles se 
esforçam para fazer o melhor possí-
vel, mas sabem que isso pode não 
chegar à perfeição”,diz Anne-Laure. 
Aqueles que se orientam pelo 
relógio agem de outro jeito. Essas 
pes soas são mais focadas em rea-
lizar suas tarefas e em seguir em 
frente e, por isso, conseguem driblar 
a procrastinação com mais facili-
dade. Uma das grandes desvanta-
gens desse pes soal, no entanto, é a 
dificuldade em curtir o momento e 
sentir emoções positivas, como en-
tusiasmo, orgulho e admiração. “Por 
ter consciência de quanto tempo é 
necessário para executar uma tare-
fa, quem é assim pode enxergar so-
mente o sentido prático dela e sentir 
menos prazer em fazê-la”, explica a 
psicóloga Erica Lopes Rodrigues, 
Cara ou coroa? 
Veja quais são as principais características dos dois perfis de organização de tempo apontados como mais comuns 
pelas pesquisadoras Anne-Laure Sellier e Tamar Avnet. Lembre-se que é possível ter traços de ambos os estilos 
Cronômetro de relógio
 Preferir usar o calendário 
para se organizar
 Fugir da procrastinação
 Acreditar em acaso
 Ser criativo por um período 
preestabelecido de tempo 
 Gerir equipes com eficiência
Cronômetro de eventos
 Guiar-se por listas 
de tarefas
 Tentar evitar resultados 
indesejados 
 Curtir o momento
 Pensar disruptivamente
 Sentir-se confiante ao liderar
P R O D U T I V I D A D E 
FOTO: GER M A NO LÜ DER S ILUSTRAÇÃO: M A RCOS M Ü L L ER V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 1
que tem mais de uma década de 
experiência em recursos humanos.
O interessante é que, como tudo na 
vida, existem gradações em todos nós 
— e dá para ter um pouco de ambos 
os estilos. “É possível alternar entre 
os dois perfis até num mesmo dia. Por 
exemplo, uma pessoa pode funcionar 
de acordo com o relógio durante o 
expediente e, depois disso, conversar 
com o namorado ou com a namorada 
sem impor um horário para o papo 
terminar”, diz Anne-Laure.
Juntos e misturados 
Alguns estudos analisados pelas 
pesquisadoras de fato sugerem que 
a maneira como as pessoas encaram 
o tempo e ajustam a rotina é cultu-
ral. Entretanto, outros mostram que 
a escolha de estilo de planejamento 
é consciente — ou seja, uma escolha 
individual que tem a ver com per-
sonalidade, momento da vida e en-
tendimento do que funciona melhor 
para cada um de nós. 
Charles Vatin, por exemplo, não 
agiu sempre como um “cronômetro de 
eventos” — ele já se esforçou para vi-
ver de acordo com os ponteiros. “Du-
rante um tempo, tentei estabelecer 
horários para minha rotina. Mas meu 
dia é muito dinâmico e sempre sur-
gem imprevistos, como uma reunião 
com um cliente ou uma mudança num 
projeto. Passava mais tempo arruman-
do meu cronograma do que fazendo o 
que precisava fazer”, explica. 
Assim como Charles, a maior parte 
das pessoas prefere se orientar pelas 
tarefas que precisa executar, segundo 
o estudo de Anne-Laure e Tamar. O 
problema é que, no mundo do traba-
lho, a organização ainda é feita mais 
com base nos ponteiros do que nas 
atividades. “A maioria dos chefes pro-
vavelmente são cronômetros de reló-
gio. Se não são, acabam se tornando, 
pois costumam ter uma agenda para 
cumprir e, por isso, dificilmente po-
dem se guiar pelos eventos”, diz Anne-
-Laure. No entanto, quando os líderes 
conseguem romper essa barreira, cos-
tumam ficar mais satisfeitos consigo 
mesmos, de acordo com o artigo da 
dupla de pesquisadoras. Os CEOs da 
área de tecnologia entrevistados 
por elas disseram que, quanto mais 
se portavam como “cronômetros de 
eventos”, mais se sentiam confiantes 
sobre suas habilidades de liderança. 
O lado bom é que, atualmente, 
há valorização de profissionais com 
pensamentos diferentes trabalhando 
juntos — desde que as entregas se-
jam feitas. “A equipe ideal é compos-
ta por pessoas dos dois perfis. Assim, 
pode- se evitar tanto a rigidez quanto 
os atrasos”, diz a psicóloga Erica. Ou 
seja, vale colocar um pouco de ordem 
no caos — e vice-versa. 
Charles Vatin, arquiteto de soluções digitais da Keyrus: lista de tarefas atualizada diariamente
7 2 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A
A BATALHA DAS 
MAQUININHAS
A guerra no segmento de 
pagamentos se acirra, gerando 
inovação e oportunidades profissionais 
A n a R i t a M a r t i n s
M E R C A D O
Carolina Mendes, 
da LaPag: aos 22 
anos, ela fundou 
uma startup para 
competir no setor 
de pagamentos
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 3
D
o taxista ao pi-
poquei ro, da
m a n icu re ao
f lanel inha, é
raro encontrar
um prestador
de serviço ou
c o m e r c i a n t e
que não dê ao
cliente o con-
forto de pagar
no débito ou no
crédito. As máquinas de pagamento 
se espalharam pelo país.
O movimento começou em 2010, 
quando a legislação decretou o fim 
da exclusividade entre bandeiras e 
credenciadoras de cartão, donas dos 
aparelhos. Antes, cartão Visa só ro-
dava na Cielo e Mastercard só na 
Rede. Isso obrigava o vendedor a 
alugar mais de uma máquina, pa-
gando taxas mensais nada convida-
tivas. Como se não bastasse, o es-
tabelecimento ainda precisava 
comprovar uma renda mínima, entre 
outros pré-requisitos. Resultado: 
autônomos ou quem tivesse um pe-
queno comércio raramente ofere-
ciam essa vantagem ao consumidor.
Mas o jogo virou. E o que se viu, 
de lá para cá, foi uma guerra co-
mercial para ganhar espaço nesse 
mercado. As armas? Isenções, bara-
teamento de taxas e propaganda no 
horário nobre. Em 2018, no ápice da 
batalha, apelou-se até para Michel 
Teló e Wesley Safadão cantando 
juntos para vender a Minizinha, 
produto da PagSeguro oferecido a 
12 parcelas de 9,90 reais. 
Para entender a dimensão dessa 
disputa, é preciso olhar os núme-
ros. Em 2010, as credenciadoras 
Cielo (controlada por Banco do Bra-
sil e Bradesco) e Rede (do Itaú) con-
centravam 90% das transações em 
débito ou crédito. Oito anos depois, 
com a entrada de concorrentes de 
peso, como PagSeguro, GetNet (do 
Santander), Stone e Mercado Pago 
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 3FOTO: L E A N DRO F ONSECA
(do Mercado Livre), a fatia caiu para 
73%. De acordo com o Banco Cen-
tral, hoje existem 16 empresas de 
maquininhas no país.
Segundo a Associação Brasileira 
das Empresas de Cartões de Crédi-
to e Serviços (Abecs), há 5,1 milhões 
de pontos de venda com máquinas 
de cartão ou terminais eletrônicos 
espalhados pelo país. Juntos, eles 
movimentaram, só em 2017, 1,36 tri-
lhão de reais. Projeções da instituição 
mostram que 60% dos pagamentos 
realizados no Brasil serão efetuados 
dessa forma nos próximos cinco anos 
— o percentual atual é de 33%.
Não é sem razão que o mundo vol-
tou os olhos para o filão no país. 
Prova disso é o sucesso da PagSe-
pelo Ant Financial, braço de paga-
mentos da chinesa Alibaba. 
Para os especialistas, a aproxi-
mação da gigante com a brasileira 
movimentará ainda mais o setor. 
Hoje, a Ant Financial é considerada 
uma das startups mais valiosas do 
mundo e tem, entre outras tecno-
logias, a de pagamento por reco-
nhecimento facial.
 “Esses movimentos mostram 
o aquecimento desse setor, que é
muito lucrativo”, diz Bruno Diniz,
sócio da Spiralem, consultoria fo-
cada em inovação no mercado fi-
nanceiro e professor do curso de
fintech na Fundação Getulio Var-
gas (FGV). Hoje, quem atua no seg-
mento ganha dinheiro não só com
tarifas de cerca de 1% cobradas a
cada transação mas também com
a chamada taxa de antecipação,
em que a credenciadora adianta a
transferência de dinheiro ao co-
merciante, que paga entre 8% e
19% do valor a ser recebido.
Ninguém quer ficar de fora. Em 
2018, a Cielo, líder no setor com 
cerca de 40% do mercado, lançou 
três novos produtos, entre eles a 
LIO+, primeira máquina de paga-
mentos que vem com smartphone, 
algo considerado uma inovação 
mundial. A empresa também tem 
investido em marketing (no tercei-
ro trimestre foram 67,2 milhões de 
reais ante 55,2 milhões no mesmo 
período de 2017) e aumentado ex-
ponencialmente o número de ven-
dedores. Segundo Sérgio Saraiva, 
vice-presidente de Desenvolvimen-
to Organizacional da Cielo, foram 
contratadas 1 100 pessoas de ven-
das nos últimos trêsmeses para 
expandir os negócios. 
As medidas são uma resposta da 
Cielo ao baque provocado pela con-
corrência. No terceiro trimestre de 
2018, o lucro líquido ajustado foi de 
812,8 milhões de reais, 20% menor 
do que no mesmo período de 2017. 
5,1 
M IL H Õ E S
DE ESTABELECIMENTOS 
UTILIZAM AS MAQUININHAS 
DE PAGAMENTO NO BRASIL
guro e da Stone na Bolsa de Valores 
de Nova York. Um ano atrás, quando 
abriu o capital nos Estados Unidos, 
a PagSeguro bateu o recorde de va-
lor arrecadado por uma brasileira: 
2,27 bilhões de dólares. A Stone 
teve o mesmo destino em outubro, 
quando lançou oferta de ações. Com 
receita de 414,1 milhões de reais no 
terceiro trimestre de 2018 (avanço 
de 121,4% em comparação ao mes-
mo período de 2017), a companhia, 
fundada em 2013, captou nada me-
nos que 1,5 bilhão de dólares na 
bolsa nova-iorquina. Uma fatia subs-
tanciosa das ações foi adquirida 
74 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
Ainda mais competição
Segundo analistas do BTG Pactual, 
a Cielo também está reduzindo os 
preços em 20% a 30% para enfrentar 
o duelo, que está longe do fim. De 
acordo com relatório recente do Bra-
desco BBI, a tendência é que grandes 
varejistas (sobretudo supermerca-
dos) virem credenciadoras, livrando-
-se das taxas cobradas nas transa-
ções. Em setembro, o Grupo Pão de 
Açúcar lançou a maquininha Passaí. 
O produto começou a ser usado em 
lojas da rede Assaí e é oferecido tam-
bém a comerciantes e prestadores 
de serviço sem cobrança de aluguel, 
sem taxa de adesão e com conexão 
via chip e Wi-Fi. Dez por cento da 
taxa cobrada por transação (a depen-
der do faturamento do cliente) vira 
pontos que podem ser trocados por 
produtos no supermercado.
Mas nem todos são concorrentes 
ferozes. As emissoras de cartões de 
débito e crédito, por exemplo, enxer-
gam nessa briga uma boa oportuni-
dade. Fernando Pantaleão, vice-pre-
sidente da Visa, diz que a empresa 
vem mapeando os estabelecimen-
tos que ainda não trabalham com 
máquinas de cartão. “Repassamos 
semanalmente esses dados às cre-
denciadoras. Conversamos até com 
os bancos regionais, pois não adianta 
levar as máquinas a uma localidade 
se poucas pessoas ali têm acesso aos 
cartões”, afirma o executivo. 
Já a Mastercard aposta nas parce-
rias estratégicas. É o caso do traba-
lho em conjunto feito com a creden-
ciadora GetNet para atender leilões 
de gado. João Pedro Neto, CEO da 
Mastercard para Brasil e Cone Sul, 
explica que nesse tipo de negócio as 
opções de parcelamento são diferen-
tes das praticadas no mercado em 
geral. “Trabalhamos juntos e agora 
oferecemos uma máquina com me-
canismo diferenciado. Nossa ideia é 
somar forças e levar máquinas para 
setores inexplorados, como paga-
M E R C A D O
Horizonte 
de desafios 
mento de mensalidades de escola e 
de condomínio”, diz o executivo.
Quem também ganha no avanço 
da cadeia são as fabricantes dos 
cartões. Neste ano, a chinesa PAX 
teve de ampliar os turnos no Brasil, 
aumentar o maquinário e contratar 
serviços de terceiros para atender 
a pedidos de Cielo e PagSeguro. A 
produção cresceu 60% em 2018.
Oportunidade profissional 
Com tanta competição, as compa-
nhias voltaram a atenção para os 
profissionais. Há uma disputa por ta-
lentos. Em 2017, antes de virar CEO 
da Adiq, empresa de maquininhas, 
o engenheiro Marcos Cavagnoli, de 
46 anos, recusou o convite de duas 
concorrentes e de um gigante do 
Vale do Silício na área de meio de 
pagamento. “Escolhi pela empresa 
na qual senti que teria mais espaço 
para liderar estratégias que fariam 
a diferença nesse mercado.”
Marcos, que foi presidente de uma 
unidade do J. P. Morgan da América 
Latina, um dos maiores bancos do 
mundo, está animado. Seu principal 
direcionamento à frente da Adiq é 
investir em tecnologia e customização, 
com soluções específicas para cada 
mercado. “Hoje, possuímos ferramen-
tas que aumentam a taxa de aprova-
ção da transação, impedindo que o 
cartão não ‘passe’ por algum erro do 
sistema, por exemplo. Também temos 
um software integrado à maquininha 
em que o comerciante pode oferecer 
pontos ou dinheiro de volta ao clien-
te de acordo com suas compras.”
Segundo Marcos, a competência 
mais importante para vencer num 
setor bélico como o de meios de pa-
gamento é ter experiências diversas 
(ele também passou por Citibank 
e Alstom, e ajudou a criar startups 
do zero, como a Koin, que atua em 
pagamentos via boleto para lojas 
virtuais) e um olhar bastante atento 
às movimentações de mercado para 
EMBORA DE FORMA AINDA TÍMIDA, 
O BRASIL COMEÇA A SEGUIR OS 
PASSOS DA CHINA, REFERÊNCIA EM 
INOVAÇÃO NOS MEIOS DE PAGAMENTO. 
SEGUNDO ROBSON DANTAS, 
CONSULTOR DA MASTERCARD EM 
PROJETOS DIGITAIS PARA A AMÉRICA 
LATINA, ASSIM COMO ACONTECEU NO 
PAÍS ASIÁTICO, EM BREVE AS 
MAQUININHAS DEVEM PERDER O 
POSTO NO BRASIL PARA O CELULAR E 
OUTROS GADGETS, COMO RELÓGIOS 
INTELIGENTES. “OS CHINESES FAZEM 
PAGAMENTOS POR APROXIMAÇÃO, DE 
UM CELULAR PARA O OUTRO, COM QR 
CODE”, AFIRMA O EXECUTIVO. BRUNO 
DINIZ, DA CONSULTORIA SPIRALEM, 
VAI ALÉM: “ESSAS MAQUININHAS SÃO 
APENAS UM ESTÁGIO DA BATALHA. O 
MERCADO DEVE AVANÇAR MUITO NOS 
PRÓXIMOS ANOS”. NA CHINA, QUEM 
REVOLUCIONOU OS MEIOS DE 
PAGAMENTO FOI O APLICATIVO DE 
TROCAS DE MENSAGENS INSTANTÂNEAS 
WECHAT. COM 963 MILHÕES DE 
USUÁRIOS, ELE PERMITE, ALÉM DE 
CONVERSAR, FAZER PAGAMENTOS 
DIRETAMENTE DA PLATAFORMA.
Shenzhen, na China: até os ônibus 
já aceitam pagamento via celular 
1
FOTO: 1 GET T Y I M AGES 2 L E A N DRO F ONSECA V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 5
não perder de vista novos produtos e 
transformações no comportamento do 
consumidor. “Trabalhamos num seg-
mento sensível, em que as mudanças 
ocorrem muito rápido, então o profis-
sional dessa área precisa estudar ten-
dências, reconhecer as oportunidades 
e colocar as soluções em prática em 
pouco tempo”, diz. Quando contrata, 
Marcos busca exatamente esse tipo 
de característica no candidato.
Sérgio Saraiva, da Cielo, concor-
da com Marcos sobre os talentos 
precisarem estar preparados para 
viver uma experiência intensa. 
“Antigamente, falava-se muito da 
importância do coeficiente de inte-
ligência para a contratação. Depois, 
o coeficiente emocional ganhou im-
portância. Em nossa área, damos 
atenção especial ao QA, coeficien-
te de adaptação. O profissional — 
Marcos Cavagnoli, CEO 
da Adiq: antes de assumir, 
ele recusou três ofertas 
de emprego, inclusive 
no Vale do Silício 
oriundo geralmente das áreas de 
tecnologia, engenharia, estatísti-
ca, matemática, vendas, mar keting, 
entre outras —, além de entender 
amplamente do negócio, precisa 
ser rápido na execução de projetos. 
Dizemos que somos uma empresa 
grande com alma de startup.”
Se no mundo corporativo há em-
presas contratando, os caminhos 
estão abertos também para os em-
preendedores. Carolina Mendes, de 
22 anos, que o diga. Formada em 
administração, ela resolveu fundar a 
startup LaPag quando, frequentan-
do um salão de beleza, percebeu que 
ali havia grandes oportunidades. “A 
área de beleza ainda é pouco estru-
turada. Senti que havia espaço para 
oferecer algo direcionado às suas 
necessidades, com ferramentas de 
gestão agregadas”, afirma.
A maquininha da LaPag, utiliza-
da em estabelecimentos de beleza e 
estética, divide automaticamente a 
comissão entre o prestador de serviço 
e o dono do estabelecimento, pagan-
do separadamente o proprietário do 
salão, a manicure e o cabeleireiro. 
“Além disso, a máquina é conectada a 
um sistema que controla o estoque de 
produtos e a agenda, e até se comuni-
ca com o cliente, mandando SMS para 
confirmar o horário”, diz Carolina. 
Fundada em outubro de 2016, a 
startup levantou 1,5 milhão de reais 
de aporte em seu primeiro ano de 
operação. Atraiu, entre outros in-
vestidores, Renato Freitas, um dos 
fundadores do aplicativo 99. 
Com 100 clientes na carteira, a ex-
pectativa é avançar ainda mais. A 
LaPag cresce 20% ao mês. A startup 
estima que existam hoje no Brasil 
cercade 750 000 salões de beleza. 
“Nosso maior desafio é ter destaque 
entre os meios de pagamento desse 
setor”, diz Carolina. Que a luta por 
relevância siga gerando serviços me-
lhores, com benefícios para comer-
ciantes, clientes e profissionais. 
2
Proibido 
para 
mulheres
FOTO: GET T Y I M AGES
O Vale do Silício é referência 
quando pensamos sobre 
empresas disruptivas e 
empreendedores de sucesso. 
No entanto, o local não é 
feito só de encantamento. 
De acordo com a jornalista 
americana Emily Chang, 
o paraíso da inovação está 
longe de ser acolhedor para 
as mulheres — sejam elas 
empregadas em outras 
companhias ou fundadoras 
das próprias startups. 
No livro Manotopia, a 
autora, especializada em 
tecnologia e apresentadora 
de um programa sobre o 
tema no canal Bloomberg, 
descreve como o pensamento 
machista dos profissionais 
que são símbolo do Vale 
do Silício desestimula a 
entrada feminina no mundo 
das startups. No trecho 
a seguir, publicado com 
exclusividade por VOCÊ S/A, 
 Emily faz críticas a Peter 
Thiel, fundador do PayPal.
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7 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
A 
última vez que 
entrevistei Pe-
ter Thiel, está-
vamos no palco 
da Conferência 
LendIt, na pri-
mavera de 2016. 
Thiel, cofunda-
dor do PayPal, 
talvez estivesse 
no ponto alto de 
sua influência cultural. Seu livro De 
Zero a Um, que postulou uma nova 
maneira de pensar sobre inovação 
e construir empresas de sucesso, 
ficou por um longo tempo na lista 
de best-sellers do New York Times 
e foi um enorme sucesso na China 
e em outros mercados estrangeiros.
A eleição presidencial aconteceria 
em apenas sete meses; mas, durante 
nossa entrevista, Thiel alegou que 
não tinha nada a ver com isso. Ape-
nas algumas semanas depois, ele de-
clarou seu apoio a Donald Trump, 
uma jogada que lhe custaria um 
considerável capital social entre a 
elite do Vale do Silício. 
No dia em que conversei com ele, 
no entanto, Thiel ainda era visto por 
muitos como o rei filósofo do Vale do 
Silício, em parte por seu papel fun-
damental no PayPal (que foi vendido 
ao eBay em 2002, por 1,5 bilhão de 
dólares) e por sua vasta gama de 
investimentos (do Facebook e Tesla 
à bioengenharia e energia nuclear); 
porém, mais recentemente, por cau-
sa de seu influente livro. Aclamado 
pela Atlantic como “uma articulação 
lúcida e profunda do capitalismo e 
de suas consequências na econo-
mia do século 21”, tornou-se leitura 
obrigatória para empresários de tec-
nologia e outras pessoas influentes. 
No palco do LendIt, Thiel usava o 
uniforme-padrão do investidor de 
capital de risco: jeans surrados, 
cinto preto e uma camisa branca 
com colarinho aberto impecavel-
mente passada. Ele suava. Não por 
causa das minhas perguntas incisi-
vas, mas porque fica naturalmente 
desconfortável à frente de plateias 
e sob as luzes do palco.
Apesar de não ser um orador par-
ticularmente refinado (gagueja e é 
repetitivo), parece pensar em cada 
uma de suas respostas no momen-
to, em vez de confiar em tópicos de 
discussão preparados. Nos primei-
ros dois terços da entrevista, ele 
fez apontamentos interessantes e 
perspicazes sobre questões como 
a evolução da economia chinesa, 
o estado da política americana e o 
futuro da tecnologia.
Então, perguntei a ele sobre a fal-
ta de diversidade entre a elite do 
Vale do Silício. Duas semanas antes, 
a companhia de capital de risco de 
Thiel, fundada há 11 anos, a Foun-
ders Fund, esteve nas manchetes 
por ter contratado sua primeira 
sócia, Cyan Banister (a esposa de 
Scott Banister, um dos primeiros 
membros do conselho do PayPal). 
Thiel é líder 
de mercado 
há duas 
décadas; mas, 
apesar disso, 
não assumiu 
nenhuma 
responsabilidade 
pessoal pela 
disparidade 
de gênero da 
tecnologia e, 
aparentemente, 
nem sequer 
pensou em como 
solucioná-la
Trecho do livro
A Máfia 
do PayPal 
e o mito da 
meritocracia
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 7
Pedi a opinião de Thiel sobre a falta 
de mulheres na indústria de capital 
de risco como um todo e sobre onde 
estava a causa da disparidade. 
“Todos temos a responsabilidade 
de fazer mais”, começou ele. “As dis-
paridades são realmente grandes... 
Há uma questão muito relevante na 
tecnologia. Pode ser que haja uma 
enorme disparidade entre jogadores 
de xadrez ou professores de mate-
mática, mas isso não importa tanto 
quanto a única indústria que real-
mente está dando certo nos EUA.” 
A questão crucial, continuou ele, 
foi a falta de mulheres como fun-
dadoras. Pelas suas contas, apenas 
duas mulheres foram fundadoras 
entre as 150 e tantas empresas “uni-
córnio”, que valem mais de 1 bilhão 
de dólares. “O que realmente define 
a cultura do Vale do Silício não são 
os executivos ou os investidores de 
risco; são os fundadores de empre-
sas. E esse é provavelmente o ponto 
em que a disparidade é mais grave.” 
Essa resposta elucidativa causou 
uma pequena reação na multidão. 
Ele reconheceu o problema, citou al-
guns dados para esclarecer a situa-
ção e concordou que a questão era 
importante.
Qual foi sua receita para mudar 
as coisas?
“Não sei o que fazer em relação a 
isso”, admitiu ele. 
Thiel é líder de mercado há duas 
décadas; mas, apesar disso, não as-
sumiu nenhuma responsabilidade 
pessoal pela disparidade de gêne-
ro da tecnologia e, aparentemen-
te, nem sequer pensou em como a 
solucionar. O subtítulo do livro De 
Zero a Um é “O que aprender sobre 
empreendedorismo com o Vale do 
Silício”; mas, quando o reli, depois 
da conferência, procurando como 
ele abordou essa questão crítica da 
exclusão feminina, descobri que 
essa “enorme disparidade” nem se-
quer foi mencionada. Na verdade, 
ele conseguiu escrever o livro intei-
ro sem usar nem uma vez a palavra 
“mulher”. Suspeitei que essa grande 
e importante “responsabilidade de 
fazer mais” não era, de fato, uma 
preocupação dele.
A aparente falta de interesse de 
Thiel na condição feminina real-
mente importa, porque Thiel não 
é apenas influente. Ele é o incon-
testável chefe de um grupo am-
plamente conhecido como a Máfia 
do PayPal, uma facção de homens 
que constituem uma das muitas ra-
zões pelas quais o Vale do Silício se 
tornou fortemente dominado por 
homens brancos de determinada 
idade e formação acadêmica. Para 
entender o quão profundamente 
as crenças, decisões e ações desse 
grupo afetaram a indústria, temos 
de voltar a meados dos anos 90 e os 
conhecer quando eram um bando 
de gênios desajustados da Univer-
sidade de Stanford.
Do contra por natureza
Keith Rabois, um ex-associado do 
PayPal, que agora é um dos princi-
pais investidores de risco, lembra-
-se claramente de quando conheceu 
Thiel. Era o primeiro dia de Rabois 
como calouro da Stanford, e Thiel, 
A aparente 
falta de interesse 
de Thiel na 
condição 
feminina 
realmente 
importa, 
porque Thiel 
não é apenas 
influente. Ele é 
o incontestável 
chefe de 
um grupo 
amplamente 
conhecido como 
a Máfia do PayPal
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7 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A
questão de orgulho. “Todos come-
çávamos a maioria das indagações 
com uma propensão à sabedoria não 
convencional. Quase não importava 
qual era o assunto”, diz Rabois. Eles 
eram do contra por natureza.
Ninguém deveria ser julgado para 
sempre pelas certezas que tinham 
quando eram estudantes universi-
tários. Entretanto, as opiniões ex-
pressadas pelo grupo de Thiel em 
Stanford merecem ser reexamina-
das, pois as ideias que formaram nos 
anos 90 esclarecem a visão de mundo 
que têm hoje. E, dada a exagerada 
influência da Máfia do PayPal no Vale 
do Silício, a visão de mundo desse 
grupo de homens afetou nossa cul-
tura e mudou muitas vidas.
No início dos anos 90, muitas 
universidades se empenhavam 
para criar um programa de ensino 
transcultural, e Stanford começou 
instituindo um novo curso, chamado 
culturas, ideias e valores. (...) Thiel 
e seus colegas da Stanford Review 
viram esses esforços como profun-
damente insensatos, escrevendo que 
essa era uma tentativa dos professo-res de impor suas crenças pessoais 
antiocidentais e antipatriarcais no 
corpo discente. Universidades de-
vem fechar os olhos para gênero e 
raça, argumentaram eles. Brancos 
e asiáticos não devem perder car-
gos acadêmicos para candidatos de 
grupos sub-representados. Somente 
realizações mensuráveis e mérito 
acadêmico devem ser importantes.
(...)
A Stanford Review também mirou 
o feminismo. David Sacks, colunista 
da Stanford Review que se torna-
ria o primeiro diretor de operações 
do PayPal enquanto Thiel era CEO, 
escreveu diversos artigos em uma 
publicação de 12 páginas dedica-
da inteiramente a criticar a nova 
conscientização sobre estupro e 
agressão sexual. A palavra “ES-
TUPRO”, em negrito, ocupa metade 
da primeira página, e a publicação 
inclui um artigo sobre “Como evi-
tar acusações de agressão sexual”, 
complementado com maneiras de 
contrariar as “feminazis”, pontua-
das por uma suástica modificada. 
Trecho retirado do livro 
MANOTOPIA: COMO O VALE 
DO SILÍCIO TORNOU-SE 
UM CLUBINHO MACHISTA
Autor: Emily Chang 
Editora: Alta Books 
Páginas: 320 
Preço: 59,90
LANÇAMENTO PREVISTO PARA 28 DE FEVEREIRO
um terceiranista, passava pelos 
dormitórios distribuindo cópias do 
Stanford Review, o jornal conserva-
dor estudantil que havia cofunda-
do. Thiel normalmente deslizava o 
jornal por baixo das portas fecha-
das dos dormitórios, mas a porta 
de Rabois estava aberta, e os dois 
começaram a conversar.
Rabois, ele mesmo um conserva-
dor, ficou imediatamente intrigado 
tanto por Thiel quanto pelo impe-
tuoso jornal que editava. Pouco tem-
po depois, disse-me Rabois, ele se 
tornou parte do grupo de estudan-
tes universitários indisciplinados, 
nenhum deles formado em ciência 
da computação, que se uniu para 
compartilhar suas ideias de direita 
com o resto da população de Stan-
ford, majoritariamente de esquerda. 
“Não sabíamos nada sobre tecnolo-
gia e conversávamos principalmente 
sobre política”, diz ele; na verdade, 
eles estudavam direito, filosofia e 
administração. Rabois se lembra 
de ter sentido como se ele e seus 
colegas da Stanford Review fossem 
“rejeitados” em uma escola liberal.
O próprio Thiel disse-me que, 
enquanto crescia, muitas vezes se 
sentia como um “estranho”. Ele, 
que imigrou da Alemanha com sua 
família, frequentou sete escolas pri-
márias diferentes quando criança, 
foi criado como cristão protestante 
e se viu questionando crenças am-
plamente aceitas, como a Teoria 
da Evolução, de Darwin. Em Stan-
ford, recusar a se conformar com os 
pontos de vista predominantes dos 
outros estudantes tornou-se uma 
V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 9
U
ma ótima ideia de negócio pode ser o 
bastante para inovar. Mas entre existir, 
sobreviver, crescer e prosperar há um 
longo percurso — por vezes, repleto de 
obstáculos. Nada de que o melhor dos pla-
nejamentos estraté-
gicos não dê conta, 
certo? Errado. Se 
fosse assim, o número de startups 
que ficam pelo caminho não seria tão 
alto: 30% daquelas que iniciam sua 
jornada, segundo pesquisa do Sebrae.
Por que estou trazendo essa pers-
pectiva de fracasso se prometo no tí-
tulo falar em liderança? Porque essa 
é a palavra-chave para estar do lado 
dos vencedores. Uma proposta inova-
dora e um bom plano de negócios só 
se transformam em uma empresa de 
sucesso se, por trás disso, há alguém 
capaz de conduzir a execução.
Você parou para pensar nos desa-
fios de uma nova empresa e em quan-
to sua solução depende de um líder 
assertivo, criativo e determinado?
Dá para obter algumas pistas em 
um recente estudo apresentado pelo 
escritório Nogueira, Elias, Laskowski 
e Matias Advogados (Nelm). Ali apa-
recem questões como a dificuldade 
na captação de investimentos (ou seja, vender a outro 
um sonho que é seu, citada por 57% dos entrevistados).
Não se pode esquecer, contudo, que esse mesmo sonho 
precisa ser comprado pelo público interno. Em bom por-
tuguês: pela sua equipe. Encontrar talentos com potencial 
para escalar negócios é só o primeiro passo. Para dar 
certo, eles precisam de um líder capaz de proporcionar 
o engajamento que levará aos resultados.
Liderança em ambientes inovadores
Sem um líder capaz de mover as pessoas em busca de 
um objetivo comum, é impossível ter negócios disruptivos 
N E I L PAT E L 
ESCREVE SOBRE EMPREENDEDORISMO 
DIGITAL, É COFUNDADOR DA CRAZY EGG, 
DA HELLO BAR E DA KISSMETRICS E AJUDA 
EMPRESAS COMO AMAZON, FACEBOOK 
E GOOGLE A AUMENTAR SUA RECEITA
Como fazer dar certo? Investir primeiro em você, nas 
habilidades necessárias para dar conta do recado. Para 
alcançar a excelência na liderança, há algumas etapas 
que não podem ser negligenciadas. Veja quais são: 
Tenha um propósito claro
Dê a sua equipe uma missão pela qual 
lutar, mostre ao mercado que você não 
está a passeio e conquiste parceiros 
que compartilhem seus sonhos.
Desenvolva competências
Autoconhecimento, inteligência emo-
cional, resiliência, assertividade. As 
habilidades nos preparam para lidar 
melhor com novos e velhos desafios.
Estabeleça processos
O Nelm descobriu que 77% dos in-
vestidores temem os riscos gerais 
do negócio. Se você não estrutura 
a forma como a empresa funciona, 
afugenta o capital externo.
Dê atenção total ao time
Nem tudo se resume a um alto sa-
lário. Ofereça capacitações e fe-
edbacks. Delegue tarefas, confie 
responsabilidades. Dê autonomia, 
mas se faça presente.
“Uma proposta 
inovadora e um 
bom plano de 
negócios só se 
transformam em 
uma empresa de 
sucesso se, por 
trás disso, há 
alguém capaz 
de conduzir 
a execução”
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A R T I G O S
V
ocê já deve ter notado que existe um 
número enorme de artigos falando so-
bre a relevância das soft skills (como 
são conhecidas as habilidades compor-
tamentais) para se desenvolver num 
mundo em cons-
tante transforma-
ção, como este em 
que vivemos atualmente.
Essas habilidades, que podemos 
chamar de interpessoais, são parte 
importante do perfil do líder mo-
derno, daquele que trabalha na or-
ganização exponencial, que torna 
ágeis as relações em seu perímetro 
e que sabe tratar as pessoas com 
dignidade e respeito.
O profissional que forma alianças, 
que transmite empatia, que é íntegro, 
sem dúvida terá um desenvolvimento 
acelerado da carreira. Mas ele só con-
quistará isso se conseguir entender 
que não pode cometer injustiças — e 
que o objetivo das soft skills não é 
ganhar um concurso de popularidade 
para ser escolhido o Papai Noel da 
festa de Natal da firma.
É por isso que neste artigo, que inaugura 2019, quero 
discutir sobre os limites das habilidades comporta-
mentais — principalmente para os profissionais que 
estão em uma posição de gestão.
Um líder não precisa ter a obrigação de agradar a todo 
mundo. Os seus papéis, na realidade, são discordar da-
queles que estão tendo atitudes disfuncionais; ser forte 
com os que deixam de respeitar os valores corporativos; 
e contradizer os colegas que entrarem em uma discussão 
sem argumentos objetivos para resolver um problema, 
apenas porque querem mostrar que estão com a razão. 
As competências comportamentais são importantes para o desenvolvimento da liderança. 
Mas é preciso tomar cuidado para não usá-las em prol de uma popularidade vazia 
Empáticos, mas justos 
L U I Z C A R L O S C A B R E R A
ESCREVE SOBRE 
CARREIRA, É PROFESSOR 
NA EAESP-FGV E DIRETOR 
NA PMC - PANELLI MOTTA 
CABRERA & ASSOCIADOS
Tratar igualitariamente os funcionários que atrapalham 
o processo de trabalho e os opositores sem argumentos, 
simplesmente para construir e manter uma imagem de 
“bonzinho”, só vai macular sua posição de liderança.
O resultado para esse gestor será a perda do respei-
to de sua equipe e também de seus 
apoiadores. Agindo assim, ele fará 
com que os grupos que sempre esti-
veram a seu lado fiquem frustrados 
com uma atitude como essa. 
Um líder deve ser duro com quem 
precisa de limites, forte com aqueles 
que estão se desviando da trajetória 
ética e implacável com quem violenta 
os valores.Essas, sim, são atitudes 
soft da melhor qualidade, que trazem 
resultados excelentes para quem as 
pratica e, consequentemente, para 
todo o grupo a seu redor. 
Ser soft de verdade não é ser mole, 
nem conivente, menos ainda con-
descendente. Ser um líder soft é se 
transformar em um ser humano de 
primeira qualidade. E quem é assim 
se torna especialmente admirado e 
respeitado por todos.
“Seja duro com 
quem precisa 
de limites, forte 
com quem está 
se desviando da 
trajetória ética e 
implacável com 
quem violenta 
os valores”
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8 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTO: GER M A NO LÜ DER S
R E V I R A V O L T A
Faz de conta
O sonho de Lara Batista, de 
30 anos, sempre foi traba-
lhar com crianças. Filha de 
professores universitários, 
a paulista passou perto de seguir 
o caminho dos pais, mas trancou
o curso de licenciatura, se formou
em desenho industrial e, durante
16 anos, trilhou uma carreira de
designer em empresas de tecnolo-
gia. A vontade de lidar com os pe-
quenos, porém, persistiu. Há três
anos, enquanto fazia compras no
supermercado, viu um punhado
de caixas de papelão amontoadas
e teve a ideia que a faria faturar
500 000 reais por ano. “Pensei que
daria uma casa de bonecas legal.
Já gostava de coisas manuais, mas
nunca tinha feito miniaturas, resolvi
tentar.” Lara criou a maquete e com-
partilhou o passo a passo em uma
conta no YouTube. “Na hora, várias
crianças começaram a comentar o
vídeo.” Nascia assim o Caseirices
Kids, canal que hoje tem mais de
2 milhões de assi nantes e ensina a
transformar sucatas e outros objetos
em brinquedos. Durante dois anos a
empreen dedora enfrentou uma roti-
na de 14 horas de trabalho diárias,
conciliando a produção dos vídeos
com o antigo emprego. Mas, há cerca
de um ano, quando o canal atingiu
o primeiro milhão de espectadores,
ela resolveu se demitir. Hoje, conta
com uma equipe de cinco pessoas
e tem o objetivo de faturar 100 000
por mês até 2019. “Nunca me senti
tão feliz e realizada.” L u c i a n a L i m a

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