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R $ 1 8 , 0 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 E D I Ç Ã O 2 4 8 FA LTA G E N T E IMPRESSOR A QUE FA Z DESDE CASA ATÉ COMIDA REVOLUCIONA O MERCADO D O N A R C I S I S M O AO S A D I S M O SAIBA LIDAR COM A PERSONALIDADE OBSCUR A DE COLEGAS E CHEFES FE LIZ E M PR EG O N OVO UM GUIA COMPLETO PAR A QUEM ESTÁ EM BUSCA DE UMA VAGA S U M Á R I O FOTOS: 1 A N DR E VA L EN T I M 2 GER M A NO LÜ DER S J A N E I R O D E 2 0 1 9 | I L U S T R A Ç Ã O D E C A PA : LOVAT TO A G O R A 10 Bastidores A CASA DAS MULHERES DA MARÉ OFERECE ASSISTÊNCIA NA REGIÃO ONDE MORAM 140 000 PESSOAS 12 Notas A DIAGEO RECICLOU 20 000 TONELADAS DE VIDRO 14 Mundo O GOOGLE QUER CONSTRUIR UMA CIDADE PRÓPRIA 16 Por dentro das empresas CONHEÇA A KROTON 18 Por dentro das profissões OS PROFISSIONAIS DE WEARABLES ESTÃO EM ALTA 20 Entrevista com a presidente MARIA OLDHAM, CEO DA IZETTLE L I V R O 7 6 Proibido para mulheres A JORNALISTA AMERICANA EMILY CHANG EXPÕE O SEXISMO NO VALE DO SILÍCIO A R T I G O S 8 0 Liderança em ambientes inovadores P O R NEIL PATEL 81 Empáticos, mas justos P O R LUIZ C A RLOS C A BRER A R E V I R A V O L T A 82 Faz de conta LARA BATISTA LARGOU A CARREIRA EM TI E SE TORNOU YOUTUBER 5 Para você 6 Feedback 9 #vocênoinsta S e ç õ e s T E C N O L O G I A 36 CONSUMO ENGAJADO LISTAMOS DEZ PLATAFORMAS PARA QUEM DESEJA CONSUMIR MELHOR E FAZER COMPRAS MAIS SUSTENTÁVEIS D E S E N V O L V I M E N T O 54 A LINGUAGEM DO FUTURO SABER PROGRAMAR SERÁ TÃO IMPORTANTE QUANTO FALAR INGLÊS M E R C A D O 72 BATALHA DAS MAQUININHAS A COMPETIÇÃO NO SEGMENTO DE PAGAMENTOS SE ACIRRA, GERANDO INOVAÇÃO E VAGAS D I V E R S I D A D E 50 DRAG NO ESCRITÓRIO CONHEÇA FERNANDO MAGRIN, EXECUTIVO DA AMERICAN AIRLINES QUE VIROU DRAG QUEEN T Ê N D E N C I A 40 IMPRESSORA 3D ESSE MAQUINÁRIO — QUE FABRICA DE CASAS A ALIMENTOS — ESTÁ TRANSFORMANDO TODOS OS SETORES E BUSCA MÃO DE OBRA G U I A D O E M P R E G O 58 À CAÇA DAS VAGAS NÓS CRIAMOS UM PASSO A PASSO QUE VAI AJUDAR VOCÊ EM TODAS AS ETAPAS DA BUSCA POR NOVOS DESAFIOS C O M P O R T A M E N T 0 46 PERSONALIDADES SOMBRIAS CIENTISTAS DESCOBRIRAM QUE ALGUMAS PESSOAS TÊM TRAÇOS DIFÍCEIS DE LIDAR. APRENDA A IDENTIFICÁ-LOS P R O D U T I V I D A D E 68 O TEMPO É RELATIVO EXISTEM DOIS ESTILOS DE ORGANIZAR O TEMPO: SEGUINDO O RELÓGIO OU A LISTA DE ATIVIDADES. SAIBA OS PRÓS E OS CONTRAS DE CADA UM C A P A 2 2 C O M O G A N H A R D I N H E I R O E M 2 0 19 UM GUIA PARA ORGANIZAR AS CONTAS, RENEGOCIAR DÍVIDAS, INVESTIR DE MANEIRA MAIS INTELIGENTE E PROTEGER O ORÇAMENTO DAS INCERTEZAS DO ANO QUE COMEÇA Antônio Carlos Barbosa da Silva, aposentado: planejamento para economizar em viagens 1 2 ASSINATURAS VENDAS www.assineabril.com.br Grande SP: 11 3347-2145 Demais localidades: 0800-7752145 De 2a a 6a feira das 8h às 22h VENDAS CORPORATIVAS, PROJETOS ESPECIAIS E VENDAS EM LOTE assinaturacorporativa@abril.com.br ATENDIMENTO www.abrilsac.com.br Grande SP: 11 5087-2112 Demais localidades: 0800-7752112 De 2a a 6a feira das 8h às 22h PARA BAIXAR SUA REVISTA DIGITAL Acesse www.revistasdigitaisabril.com.br CORRESPONDÊNCIA Comentários sobre o conteúdo editorial de VOCÊ S/A, sugestões e críticas: redacaovocesa@abril.com.br Cartas e mensagens devem trazer nome completo, endereço e telefone do autor. Por razões de espaço ou clareza, elas poderão ser publicadas de forma reduzida. PRÉVIA VOCÊ S/A Anuncie em VOCÊ S/A e fale com o público leitor mais qualificado do Brasil: publicidade.exame@abril.com.br Tel.: (11) 3037-5922 – São Paulo Tel.: (21) 2546-8100 – Rio de Janeiro Tel.: (11) 3037-5759 – Outras praças Tel.: (11) 3037-5679 – Internacional www.abril.com.br/trabalheconosco FA LE COM A (Lançada em 1998) Editoras: Tatiana Sendin, Elisa Tozzi e Mariana Poli Repórter: Luciana Lima Estagiária: Monique Lima Núcleo de Revisão: Ivana Traversim (chefe) e Maurício José de Oliveira Editor de Arte: Everton Prudêncio Fotografia: Germano Lüders (editor) e Gabriel Correa (pesquisador) CTI: Leandro Almario Fonseca (chefe), Carlos Pedretti, Eduardo Frazão e Julio Gomes Diretor de Redação: André Lahóz Mendonça de Barros VOCÊ S/A 248 (ISSN 1415-520001), ano 21, no 01, é uma publicação mensal da Editora Abril. Edições anteriores: Ligue para 0800 777-3022 ou solicite ao seu jornaleiro pelo preço da última edição em banca mais despesa de remessa (sujeito a disponibilidade de estoque). Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. VOCÊ S/A não admite publicidade redacional. REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA: Av. Major Sylvio de Magalhães Padilha, 5200, Ed. Atlanta, 4o andar, Morumbi, São Paulo, SP, CEP 05693-000, tel. (11) 3037-2000. 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Otaviano Alves de Lima, 4400, Freguesia do Ó, CEP 02909-900, São Paulo, SP www.grupoabril.com.br VICTOR CIVITA (1907-1990) ROBERTO CIVITA (1936-2013) Fundada em 1950 Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente), Thomaz Souto Corrêa (Vice-Presidente) e Giancarlo Civita P A R A V O C Ê LIBERDADE U m dos exercícios feitos no coaching é a roda da vida. Você desenha uma pizza e coloca em cada um dos oito pedaços uma área de sua existên- cia: família e amigos, amor, lazer, saúde, espi- ritualidade, intelecto, trabalho/carreira e di- nheiro. A partir daí, começa a analisar cada fatia. Se tudo se encontra satisfatório em família, por exemplo, você deve marcar nessa casa um traço que fique mais pró- ximo da borda externa. Se há alguma in- satisfação em carreira, a marcação fica perto do centro. E assim por diante. Pare na casa dinheiro e avalie como anda sua situação financeira. Você fecha o mês no vermelho ou no azul? Consegue guardar alguma coisa? Tem uma verba reservada para emergências? E, principalmente, tem uma verba reservada para ser livre? É a independência financeira que permitirá que você mude de casa, conheça o país dos sonhos ou deixe o emprego que te aborrece. Por mais difícil que seja, é preciso poupar — nem que sejam 100 reais por mês. Co- mece essa educação aos poucos e, confor- me se sentir confiante, vá avançando na complexidade dos investimentos. Ninguém precisa virar sovina nem al- mejar ser o próximo Tio Patinhas, apenas ter consciência do papel do dinheiro em nossa sociedade — e na história de cada um. O objetivo a ser perseguido é que todas as esferas da roda da vida estejam com o traço próximo à borda final, signi- ficando que os elementos estão em equi- líbrio. Logo, você deve estar tranquilo — e, portanto, feliz. E ninguém é feliz preso, com aquela sen- sação de bola de ferro no pé. Por isso, além das dicas para conseguir a independência financeira, nós também apresentamos nes- ta edição um guia para quem quer mudar de emprego, com recomendações valiosas para ter um currículo atraente, bombar na rede social e conquistar os recrutadores. Um ano se inicia, então, por que não? Um brinde ao novo ciclo e à liberdade— de ser e ter o que você quiser. T a t i a n a S e n d i n E d i t o r a V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A F E E D B A C K /VOCESA /VOCÊSA @VOCESA REDACAOVOCESA@ABRIL .COM.BR @VOCESA @VOCESA NO INSTAGRAM @MEIRELLESADRIANO Que capa, que assunto mais pertinente. Vocês são um ponto fora da curva. Parabéns. (Sobre a reportagem Construa sua marca pessoal, ed. 247) @SONYLACERDA Parabéns à equipe. Tema excelente em tempos de profissionalização vazia e profissionais superficiais. (Sobre a reportagem Construa sua marca pessoal, ed. 247) @ELIANACUSTODIOMELO Vou correndo buscar a minha. Sou fã de carteirinha. Olha a rima! (Sobre a reportagem Construa sua marca pessoal, ed. 247) NO LINKEDIN LUCIANE BORGES Que sacada extraordinária falar sobre PVP (Proposta de Valor do Profissional). Cada vez mais os profissio- nais precisam se preocupar com a marca pessoal, não há como fugir de mais esse desafio para quem quer se manter competitivo. (Sobre a reportagem Construa sua marca pessoal, ed. 247) ALBÍRIO GONÇALVES Mais uma edição excelente e já 100% devorada. (Sobre a edição 247) WILLIAM GUSHIKEM Excelente matéria. Saber ser singular e conseguir externalizar isso de maneira plural fará todo o sentido e com certeza garantirá a todos um lugar ao sol e me- lhor posicionamento. (Sobre a reportagem Construa sua marca pessoal, ed. 247) ROSELEIDE SILVA Excelente matéria. Personal Branding ensina como se diferenciar nesse cenário tão competitivo, analisar pontos fortes e fracos baseados em sua trajetória e pensar como uma verdadeira empresa. (Sobre a reportagem Construa sua marca pessoal, ed. 247) BRUNA MANISCALCO A minha chegou em casa ontem. Ansiosa para ler e compartilhar minhas impressões. Parabéns pelo ano na VOCÊ S/A. Assino a revista há três anos e os assuntos sempre são muito ricos e interessantes. Como uma profissional de 26 anos, me deparo muito com as mudanças que a revista aborda! (Sobre o Guia VOCÊ S/A — As Melhores Empresas para Começar a Carreira 2018, ed. 247) POR E-MAIL POLLYANA OLIVEIRA GUIMARÃES Gostei muito da matéria a respeito de marca pessoal, porém alguns cuidados precisam ser tomados ao informar o leitor, ou seja, a marca pessoal é desenvolvida a partir da essência, dos valores, das competências e habilidades da pessoa. A parte de redes sociais é marketing pessoal, ou seja, a parte visível da marca. De nada adianta desenvolver o marketing se a marca pessoal não estiver bem sustentada. (Sobre a reportagem Construa sua marca pessoal, ed. 247) NO APP JAQUELINE SILVA Estou lidando com uma equipe bem saturada da outra parte da gestão e vou intensificar o diálogo, como sugere a matéria. Ótimas dicas. (Sobre o artigo Você foi convidado a liderar uma equipe difícil. E agora?, de Norberto Chadad) F E E D B A C K V O C Ê S/A J A N E I R O D E 2 0 1 9 9 # N O I N S T A FIM DE CICLO Dezembro é mês de festas. Para compartilhar o encerramento do ano e as festividades nas empresas, leitores de VOCÊ S/A enviaram as fotos de suas celebrações P r óx i m o d e s a f i o: Para saber qual será o tema das fotos na próxima edição, siga a @vocesa nas redes sociais. Não se esqueça de colocar a hashtag #vocesa na imagem e de deixar seu perfil público no Instagram. @j.huguenin comemorou com a festa do branco no Itaú Unibanco @shai.n_farias teve um festão do The Beauty Box @kamarquetti aproveitou o amigo secreto com as colegas do Serasa Experian @vimaia confraternizou com os amigos A G O R A | B A S T I D O R E S A instituição Casa das Mulheres da Maré, no Rio de Janeiro, ajuda moradoras da comunidade com cursos profissionalizantes Te x t o L u c i a n a L i m a | F o t o A n d r e V a l e n t i m A luta continua 1 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 1 Andreza Jorge, coordenadora da iniciativa: desafio de empoderar as moradoras A violência no complexo da Maré, no Rio de Janeiro, é uma constante. Só em 2017, 42 pessoas morreram vítimas de confrontos policiais na região, com a terceira maior taxa de homicídios da ci- dade carioca. O assassinato de Marielle Franco, vereadora eleita com 46 502 vo- tos e nascida na região, é um dos casos mais emblemáticos na história recente do local, formado por 16 favelas. Foi para alterar essa realidade e empoderar outras mulheres a lutar por mais direitos, assim como fazia Marielle, que surgiu o espaço Casa de Mulheres da Maré, em 2016. A iniciativa é do Instituto Redes da Maré, que há 11 anos batalha por po- líticas públicas para os 140 000 moradores do conjunto de comunidades. Uma das beneficiárias dos projetos é An- dreza Jorge, de 30 anos, hoje coordenadora da fundação. Formada em dança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestranda em relações étnico-raciais na mesma instituição, a jovem atua em ONGs desde os 15 anos e se tornou uma liderança local. À frente da Casa de Mulheres desde o ano passado, ela ajuda a organizar a programação do espaço, que conta com oficinas e cursos profissionalizantes de culinária e cabeleireira, além de- assistência psicológica, social e jurídica para as mulheres da região. Semestralmente, 100 moradoras se formam nas capacitações, que abordam não só a parte técnica mas também temas como gênero e raça. Isso acontece porque o papel da iniciativa é ir além de formar trabalhadoras. “Queremos ser um centro de referência, acolhimento e valorização da luta das mulheres na Maré, que sempre se organizaram em busca de direitos como saneamento, água e luz”, diz Andreza. Hoje, os projetos são mantidos por edi- tais públicos e privados, e campanhas de crowdfunding. 1 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A A G O R A | N O T A S Cooperativa Vila Lata, em São Paulo: reciclagem de garrafas da Diageo, Pernod Ricard e Heineken FOTOS: DI V U L GAÇÃO E m 2018, o programa de recicla- gem da Diageo, dona das mar- cas Johnnie Walker, Smirnoff e Ypióca, atingiu mais de 20 000 toneladas de vidro reutilizado. Batizado de Glass is Good, a iniciativa começou em 2010 e conta com a parceria de outras empresas de bebidas, como Heineken e Pernord Ricard, além da fabricante de vidros Owens-Illinois — que compra o material reutilizado. “O vidro é infinitamente reciclável, mas atualmente, no Brasil, apenas 47% é reaproveitado. Esse é um cenário que queremos mudar”, afirma Daniela De Fiori, diretora de relações corporativas da Diageo. Fazem parte do projeto 500 cooperados nas cidades de São Paulo, Santana de Parnaíba, Ribeirão Preto, Recife, Fortaleza, Natal, Belo Horizon- te, Rio de Janeiro e Brasília. Além de doar o maquinário e os equipamentos de segurança, as empresas realizam treinamentos de profissionalização com os trabalhadores das cooperativas. “A ideia é que eles se enxerguem como um elo dessa cadeia e criem um ne- gócio sustentável”, completa Daniela. S U S T E N T A B I L I D A D E Um brinde ao meio ambiente R E C R U T A M E N T O Jovens e insatisfeitos Uma pesquisa feita pelo CIEE, empresa de recrutamento de estagiários e jovens aprendizes, com 500 estudantes das universidades paulistas Mackenzie, PUC, USP, ESPM, Cásper Líbero, FEI, Belas, Artes, FGV, Insper e Faap, apontou que esse público anda descontente com os processos de recrutamento. Cerca de 68% deles criticaram as seleções de que participaram e outros 31% se queixam da lentidão de receberem feedback. SOBRE OS PROCESSOS DE SELEÇÃO SOBRE AS DEVOLUTIVAS Do que eles reclamam FEEDBACK DEMORADO E PADRONIZADO31% QUEREM TER UM FEEDBACK CONSTRUTIVO68% GOSTARIAM DE RECEBER RETORNO MAIS RÁPIDO47% SENTEM FALTA DE COMPROMETIMENTO DAS EMPRESAS EM DAR AS DEVOLUTIVAS 22% DINÂMICAS LONGAS E REPETITIVAS, CHEIAS DE ETAPAS E SEM PROVAS PRÁTICAS 22% EMPRESAS ENCAMINHAM PARA VAGAS FORA DA EXPECTATIVA8%GESTORES FRIOS, SEM MUITO ENVOLVIMENTO 6% FALTA DE VALORIZAÇÃO DOS CANDIDATOS5% V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 3 R E C O N H E C I M E N T O Show de prêmios O Grupo GR, que conta com 2 000 empregados, resolveu ser generoso na hora de premiar os líderes que bateram as metas em 2018. T R E I N A M E N T O Respeitável público Em novembro, 250 funcionários da empresa de benefícios Edenred Brasil passaram por um treinamento diferente. Durante uma ação batizada de Inspirômetro, eles assistiram a um espetáculo circense e participam de oficinas de malabares, corda bamba, perna de pau e bola de equilíbrio. A iniciativa é uma tentativa de repaginar o programa Jornada da Educação, que acontecia havia sete anos e contava com uma semana de palestras de desenvolvimento pessoal. “Queríamos encontrar uma forma diferente para comunicar os novos valores do grupo, que são imaginação, respeito, simplicidade, espírito empreendedor e paixão pelos clientes”, diz José Ricardo Amaro, diretor de recursos humanos do grupo Edenred. Funcionários do Grupo GR: TVs, motos e bônus financeiro para os líderes Q U A L I D A D E D E V I D A Mais tempo para os papais Segundo dois estudos da consultoria Talenses, mais companhias estão oferecendo o benefício de licença- paternidade de 20 dias para os pais. Na primeira pesquisa, feita em 2015 e respondida por 140 empresas, cerca de 18% afirmaram conceder a dispensa para os profissionais; já em 2018, com 79 empresas respondentes, o número aumentou para 23%. QUANTO TEMPO A EMPRESA OFERECE PAR A A LICENÇA-PATERNIDADE? SUA EMPRESA TEM INTERESSE EM OFERECER LICENÇA-PATERNIDADE ESTENDIDA? QUAIS SERIAM OS BENEFÍCIOS DE ADERIR À LICENÇA-PATERNIDADE DE 20 DIAS? 32% 70% 18% 1,5% 7,3%1,4% 3% 68% 40% 73% 23% 60% 2015 2018 SIM NÃO 5 DIAS 20 DIAS NÃO SEI OUTRO RETENÇÃO DE TALENTOS ATRAÇÃO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE DIMINUIÇÃO DA DESIGUALDADE DE GÊNERO OUTRO 21% 3% 10% 17% 5% 14% 14% 29% 45% 43% Funcionários da Edenred: aulas circenses ajudam no desenvolvimento pessoal A empresa, que atua nas áreas de construção, incorporação e administração de parques e resorts, distribuiu mais de 200 000 reais em premiações, que iam de TVs e bonificações em dinheiro até motos. Ao todo, 60 gestores das áreas de vendas, administrativo, controladoria e marketing foram escolhidos e, além das gratificações, receberam medalhas em agradecimento. “Não há nada mais justo do que reconhecer aqueles que fazem a diferença na empresa, quem não enxerga isso está fadado ao fracasso”, diz Rodolfo Rezende, diretor do Grupo GR. DE ACORDO COM UM ESTUDO DO INSTITUTO DE PESQUISA PEW RESEARCH CENTER, OS MORADORES DA ÁFRICA SUBSAARIANA VEEM COM BONS OLHOS O AUMENTO DA CONEXÃO DIGITAL NA REGIÃO. O ESTUDO FOI FEITO COM 6 795 CIDADÃOS DE GANA, QUÊNIA, NIGÉRIA, SENEGAL, ÁFRICA DO SUL E TANZÂNIA. VEJA ALGUNS RESULTADOS. Á F R I C A Conexão faz bem COMO A INTERNET INFLUENCIA A EDUCAÇÃO? 79% ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA 13% ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA 5% SÃO NEUTROS COMO A INTERNET INFLUENCIA A ECONOMIA? 63% ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA 16% ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA 10% SÃO NEUTROS COMO A INTERNET INFLUENCIA OS RELACIONAMENTOS PESSOAIS? 62% ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA 22% ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA 8% SÃO NEUTROS COMO A INTERNET INFLUENCIA A POLÍTICA? 52% ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA 27% ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA 12% SÃO NEUTROS COMO A INTERNET INFLUENCIA A MORALIDADE? 45% ACREDITAM QUE É UMA BOA INFLUÊNCIA 39% ACREDITAM QUE É UMA MÁ INFLUÊNCIA 11% SÃO NEUTROS A G O R A | N O T A S 1 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A A G O R A | M U N D O Googlelândia N ão há limites para o Google. O novo desafio da multina- cional é construir a própria cidade. O projeto, divulgado em dezembro de 2018, foi aprovado em 2017 pela prefeitura de Mountain View, na Califórnia, onde está localizada a sede da companhia, e promete melhorar a oferta de moradia na região. Devem ser erguidas cerca de 8 000 casas, 300 000 metros qua- drados de escritórios novos e outros 38 000 metros de centros comerciais. Das unidades residenciais, 20% terão valores acessíveis. As obras ainda não têm data para começar, mas os executivos do Google devem se reunir com as autoridades da cidade para acertar os detalhes no início deste ano. O interesse da empresa de tec- nologia em investir em empreendi- mentos imobiliários não é recente. Nos últimos dois anos, a Alphabet, conglomerado do qual o Google faz parte, gastou 2,8 bilhões de dólares ad- quirindo propriedades californianas. PARA DIMINUIR O ABSENTEÍSMO E AUMENTAR A PRODUTIVIDADE, O GOVERNO DE PORTUGAL LANÇOU O PROGRAMA “TRÊS EM LINHA”. O DOCUMENTO TEM 33 PROPOSTAS DE INCENTIVO AO EQUILÍBRIO ENTRE VIDA PESSOAL E TRABALHO, COMO AUMENTO DA LICENÇA-PATERNIDADE PARA 20 DIAS, DISPENSA DE TRÊS HORAS PARA ACOMPANHAR OS FILHOS NO PRIMEIRO DIA NA ESCOLA E MENOS PARTICIPAÇÕES EM REUNIÕES NA EMPRESA. POR ENQUANTO, 47 ORGANIZA- ÇÕES, ENTRE PÚBLICAS E PRIVADAS, ESTÃO ENVOLVIDAS EM UM PROJETO-PILOTO QUE COMEÇOU EM DEZEMBRO DE 2018. A IDEIA É AVALIAR OS IMPACTOS DA INICIATIVA DAQUI A TRÊS ANOS. E U R O P A Por mais equilíbrio Projeções da cidade do Google: a construção quer estimular a economia local E S T A D O S U N I D O S FOTOS: DI V U L GAÇÃO Uma gigante em transformação Q uando a Kroton Edu- cacional nasceu, em 1966, com o curso pré-vestibular Pitágo- ras, em Belo Horizon- te, tinha apenas 600 alunos. Quatro déca- das e muitas fusões depois, a empresa se tornou um dos maiores grupos edu- cacionais privados do Brasil, com 143 unidades espalhadas em 20 estados Com 143 unidades em 20 estados do Brasil e 26 000 funcionários, a Kroton, que tem entre suas marcas as faculdades Anhanguera e Unopar, tem o desafio de se digitalizar e melhorar o dia a dia dos funcionários L u c i a n a L i m a A G O R A | P O R D E N T R O D A S E M P R E S A S | K R O T O N 1 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTO: GER M A NO LÜ DER S Escritório da Kroton em São Paulo: simplificação da avaliação de desempenho e procura por profissionais digitais PA L AV R A DA E M P R E S A : “Transformação digital, embora a gente fale bastante sobre ferramentas, é sobre pessoas. O nosso desafio é fazer todo mundo mudar a forma de pensar” 1 CELEIRO DE OPORTUNIDADES NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS, A KRO- TON COMPROU CERCA DE 30 EM- PRESAS E MAIS DO QUE DOBROU DE TAMANHO. COM ISSO, SUR- GIRAM CHANCES DE CRESCER INTERNAMENTE. UM EXEMPLO É O PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE DIRETORES, NO QUAL A COM- PANHIA PREPARA GESTORES PARA ASSUMIR O COMANDO DAS NOVAS UNIDADES. ELES PASSAM POR 300 HORAS DE TREINA- MENTO E CERTIFICAÇÕES DE TEMAS LIGADOS AO NEGÓCIO. 2 EM BUSCA DO DIGITAL DESDE 2017, A EMPRESA PASSA POR UMA TRANSFORMA- ÇÃO DIGITAL. ALÉM DA CONTRA- TAÇÃO DE UM VICE-PRESIDENTE DE TECNOLOGIA, A KROTON IMPLANTOU UMA METODOLO- GIA ÁGIL: A ÁREA CORPORA- TIVA NÃO SE DIVIDE MAIS EM DEPARTAMENTOS, MAS EM 20 “FLUXOS DE VALOR”, COMO, POR EXEMPLO, A EXPERIÊNCIA DO ALUNO. ISSO GERA DEMANDA POR PROFISSIONAIS DIGITAIS. 3 FUNCIONÁRIO ALUNO ALÉM DE OFERECER BOL- SAS DE ESTUDO INTEGRAIS AOS EMPREGADOS E DE 50% AOS FAMILIARES, VÁLIDAS PARA AS FACULDADES DO GRUPO, A COMPANHIA TEM UMA UNIVERSIDADE CORPO- RATIVA. CRIADA EM 2014 COM SEDE FÍSICA EM VALINHOS (SP), POSSUI 313 CURSOS, BIBLIO- TECA E SALA DE COACHING. 4 ESPÍRITO JOVEM A MÉDIA DE IDADE NA KROTON É 37 ANOS, E PARA ATRAIR JOVENS A COMPA- NHIA VEM LANÇANDO MÃO DE DIVERSAS AÇÕES, COMO A ABOLIÇÃO DO DRESS CODE OBRIGATÓRIO NOS ESCRITÓRIOS CORPORATIVOS. AS UNIDADES EM VALINHOS, LONDRINA (PR) E SÃO PAULO (SP) PASSARAM POR REFORMAS QUE CRIARAM ÁREAS DE CONVIVÊNCIA E DESCOM- PRESSÃO. A KROTON PLANEJA TER ESPAÇOS SEMELHANTES NAS SALAS DOSPROFESSO- RES DENTRO DAS ESCOLAS. 5 SOB PRESSÃO A EMPRESA AINDA NÃO TEM UMA POLÍTICA FORMAL DE HOME OFFICE E HORÁRIO FLE- XÍVEL, NEM DE QUALIDADE DE VIDA. COMENTÁRIOS DE FUN- CIONÁRIOS E EX-FUNCIONÁRIOS NO SITE DE AVALIAÇÕES LOVE MONDAYS RELATAM EXCESSO DE TRABALHO EM ALGUNS LOCAIS. 6 TAMANHO CONTINENTAL POR SER UMA GIGANTE COM 26 000 TRABALHADORES ESPALHADOS POR DIVERSAS CI- DADES BRASILEIRAS, A KROTON REFORÇOU SUA COMUNICAÇÃO INTERNA. UMA DAS INICIATIVAS É A TV CORPORATIVA, NA QUAL O CORPO EXECUTIVO ABORDA QUESTÕES DO NEGÓCIO. OS PROGRAMAS FICAM GRAVADOS. 7 MAIS DIVERSIDADE EMBORA 55% DOS EMPRE- GADOS SEJAM MULHERES, A KROTON BUSCA AUMENTAR O NÚMERO DE FUNCIONÁRIAS NA LIDERANÇA. PARA ISSO, INCLUI PELO MENOS UMA PROFISSIO- NAL NOS PROCESSOS SELETI- VOS EXTERNOS E INTERNOS. 8 SELO VERDE EM 2018, POR MEIO DE SUGESTÕES DAS EQUIPES, A EMPRESA COLOCOU LÂMPADAS DE LED NAS UNIDADES DE EN- SINO, SUBSTITUIU TORNEIRAS POR OUTRAS COM MENOR VAZÃO DE ÁGUA E ADOTOU POLÍTICAS PARA DIMINUIR O CONSUMO DE ENERGIA DOS ARES-CONDICIONADOS, COM UM SOFTWARE QUE MONITO- RA OS PERÍODOS OCIOSOS. 9 SIMPLES E DIRETO NO ANO PASSADO, A KRO- TON ALTEROU O MODELO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO, QUE CONTAVA COM 56 COMPE- TÊNCIAS. HOJE, PARA TODOS OS CARGOS, SÃO APENAS SETE, QUE VARIAM DE ACORDO COM A FUNÇÃO. O PROCESSO TEM FEEDBACK DOS PARES FEITO POR MEIO DE UM APLICATIVO. 10 DORES DE CRESCIMENTO EMBORA A EMPRESA AFIRME QUE NÃO EXISTEM PROBLE- MAS RELACIONADOS AO CRESCIMENTO ACELERADO E AOS PROCESSOS DE FUSÃO, COMENTÁRIOS NO LOVE MON- DAYS DEMONSTRAM FALTA DE UNIFORMIZAÇÃO DE PRÁTICAS — ALGUMAS DELAS ESTÃO DISPONÍVEIS APENAS NOS ESCRITÓRIOS CORPORATIVOS. EB.VAGAS.COM.BR/KROTON S I T E PA R A E N V I O D E C U R R ÍC U LO: C O M P E T Ê N C I A S: A KROTON PROCURA PROFISSIONAIS QUE SEJAM MÃO NA MASSA E POSSUAM SENSO EMPREENDEDOR, VALORIZEM A MERITOCRACIA E NÃO TENHAM MEDO DE TRANSITAR ENTRE AS ÁREAS VAG A S A B E R TA S: 298 EFETIVAS FÁBIO LACERDA, VICE- PRESIDENTE DE RH DA KROTON e mais de 1 milhão de estudantes de ensino superior e básico. Depois da malsucedida tentativa de se unir com a Estácio, em 2017, a companhia resolveu voltar os olhos para o ensino básico e comprou a Somos Educação, em abril de 2018, por 6,3 bilhões de reais. Com 26 000 funcionários e um faturamento que bateu os 2,2 bi- lhões de reais em 2017, a Kroton tem entre suas marcas as faculda- des Anhanguera, Unopar e Unic. V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 7 1 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A A G O R A | P O R D E N T R O D A S P R O F I S S Õ E S | D E S I G N W E A R A B L E S O consumo de roupas e acessórios inteligentes deve dobrar até 2022. Para atuar na área, é preciso fazer parte de equipes multidisciplinares que unam criativos e nerds M i c h e l e L o u r e i r o Moda conectada André Pupo e Mariana Queiróz, fundadores da Divaholic: projeto de bonés com videogame Um dia na vida: desenvolvedor de wearables FOTO: GER M A NO LÜ DER S V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 1 9 A indústria têxtil está se reinven- tando por causa da tecnologia, e com isso surgem os dispositivos vestíveis, ou wearables, tendên- cia que une moda a aparatos in- teligentes — como é o caso dos relógios conectados e das pulsei- rinhas fitness, que medem bati- mentos cardíacos e recebem e-mails. Segundo o IDC, empresa de análise mercado- lógica, já foram comercializados 115,4 milhões de unidades de peças inteligentes no mundo todo, e isso deve dobrar até 2022. Não à toa, os profis- sionais que criam, desenham e executam esses produtos estarão entre os mais demandados no setor de tecnologia em 2019, segundo a consul- toria Hays. “O indivíduo deve buscar várias fren- tes de especialização”, diz Diva Costa, professo- ra do curso de designer de moda do Senai CETIQT. Isso porque, para desenvolver projetos, é preciso montar times multidisciplinares. É exatamente essa pluralidade que define a Divaholic, uma empresa de tecnologia vestível que aplica blockchain, inteligência artificial e internet das coisas para fazer roupas e acessórios. A marca foi fundada pela estilista Mariana Quei- róz, de 30 anos, ao lado do publicitário André Pupo, de 42 anos. “Cada projeto demanda novos conhecimentos”, diz Mariana. Para André, que já ganhou prêmio em Cannes como publicitário e especialista em tecnologia criativa, o mundo dos wearables chama a atenção por permitir muita experimentação. “Estamos na fase do erro e acer- to, o que é um desafio. Mas isso abre caminho para o pioneirismo.” Desde que foi fundada, em 2016, a Divaholic já fez projetos com grandes em- presas e deve divulgar produtos (ainda sigilosos) em breve. Entre as ideias há bonés para crianças com games que estimula o movimento e protóti- pos para indústrias de bens duráveis. Como se vê, é possível desenvolver vestíveis para os diversos setores — e uma das áreas com mais demanda é a da saúde. “Estamos criando uniformes que monitoram equipamentos cardí- acos com tecidos que controlam a temperatura e atuam com GPS para funcionários da Petrobras e Repsol”, diz Ricardo Cecci, pesquisador da co- ordenação de inovação em fibras do instituto Senai de Inovação em Biossintéticos. O Q U E FA Z E R PA R A AT UA R N A Á R E A AS FORMAÇÕES SÃO VARIADAS. UMA DAS ESPECIALIZAÇÕES É O MBI EM CONFECÇÃO 4.0 DO SENAI. QUEM QUER FAZER EXPERIMENTOS COM AS NOVAS TECNOLOGIAS PODE FREQUENTAR O FASHION LAB, UM ESPAÇO COLABORATIVO IDEALIZADO PELO SENAI CETIQT O P O R T U N IDA D E S Há procura pelos profissionais da área principalmente na indústria (têxtil e fabril) e no setor de saúde e qualidade de vida P O N T O S P O S I T I VO S ESTAR NUM SEGMENTO EM EXPANSÃO COM CRESCIMENTO PROMISSOR ATUAR NA VANGUARDA DE UMA TENDÊNCIA TER CONTATO COM PROFISSIONAIS DE VÁRIOS SEGMENTOS APRENDER SOBRE DIVERSAS ESPECIALIDADES P O N T O S N EG AT I VO S POR SER UMA ÁREA NOVA, HÁ POUCAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, O APRENDIZADO É POR MEIO DOS ERROS, E OS RESULTADOS PODEM DEMORAR A APARECER AINDA NÃO HÁ UM CURSO DE LONGA DURAÇÃO QUE PREPARE ESPECIFICAMENTE PARA A CARREIRA. A FORMAÇÃO DEVE SER FEITA POR MEIO DE VÁRIOS TREINAMENTOS RELACIONADOS AO TEMA Q U E M C O N T R ATA AS PRINCIPAIS INDÚSTRIAS COM DEMANDA POR TECNOLOGIA VESTÍVEL SÃO MODA, SAÚDE, SEGURANÇA, ESPORTES, CUIDADO COM CRIANÇAS, MILITAR E ENTRETENIMENTO *ATÉ 2022, EM Â MBITO GLOBA L VAG A S: 30 000 VAGAS* P R I N C I PA I S C O M P E T Ê N C I A S PROFISSIONAIS PRECISAM SER CURIOSOS E BUSCAR NOVAS FONTES DE INFORMAÇÃO. NECESSITAM DE CONHECIMENTO EM TECNOLOGIA E PROGRAMAÇÃO, ALÉM DE SENSO ESTÉTICO APURADO, CRIATIVIDADE, HABILIDADES EM INGLÊS E COMÉRCIO EXTERIOR (JÁ QUE MUITA COISA PRECISA SER IMPORTADA). TRABALHAR EM EQUIPE É ESSENCIAL 50% DO TEMPO EM PESQUISA DE NOVAS SOLUÇÕES E TECNOLOGIAS 50% DO TEMPO EM CRIAÇÃO, PRODUÇÃO E COGESTÃO DOS PROJETOS JUNTO AOS FORNECEDORES, FUTUROS CONSUMIDORES E CLIENTES AT I V IDA D E S - C H AV E PESQUISA DE REFERÊNCIAS, CRIAÇÃO DE PROTÓTIPOS, REUNIÕES COM EQUIPE MULTIDISCIPLINAR E DESENVOLVIMENTO DOS PRODUTOS M É D I A S A L A R I A L DE 6 000 A 15 000 REAIS R O T IN A D E T R A B A L H O 8 A 10 HORAS, EM MÉDIA 2 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A A G O R A | E N T R E V I S T A C O M A P R E S I D E N T E A internacionalização sempre esteve presente na vida da paulista Maria Oldham. Durante a faculdade, morou na Alemanha, de- pois passou metade de seus 12 anos de carreira em Londres, trabalhando no Goldman Sachs. Em 2017, resolveu sair do banco tradicional e se aventurar pelas startups. Foi quando conheceu a fintech sueca iZettle, fundada há oito anos e presente em 11 países. Ingressou na companhia como gerente de desenvolvimen- to em Londres e há um ano voltou ao Brasil como presidente da startup. O momento não poderia ser melhor, jáque em maio de 2018 a empresa foi comprada por 2,2 bilhões de dólares pelo PayPal, gigante dos sistemas de pagamento online. Com um time de 63 pessoas, o desafio da executiva é con- solidar a iZettle no mercado local em meio à guerra das maquininhas. Qual é a importância da operação brasileira para a iZettle? Nós estamos sólidos na Europa, mas enxergamos um potencial de cres- cimento enorme no Brasil — que depois de Estocolmo é nossa segun- da maior operação. Mesmo que o país esteja saindo de um período de crise, ele apresenta oportunidades de expansão que mercados maduros não possuem. Estamos falando de um público que movimenta 4,45 tri- lhões de reais por ano, dos quais a participação de meios de pagamen- to digitais é pequena, de apenas 28%. No Reino Unido, em compara- ção, esse número é 68%. Como você avalia o setor de meios de pagamento no Brasil? Antes, havia um monopólio de dois grandes players. Desde 2009, o Ban- co Central vem tomando medidas para tornar o setor competitivo. Esse mo- vimento aconteceu na Europa, e hoje existe uma série de regulamentações que acredito que serão implantadas no Brasil. Com isso, surgem oportu- nidades em todo o universo de paga- mentos digitais, inclusive de sistemas. Por que você decidiu sair do mercado financeiro? O Goldman Sachs foi uma excelente escola, mas sentia falta da experiên- Aos 36 anos, Maria Oldham está à frente da operação da iZettle, fintech sueca de meios de pagamento, e sua grande motivação é ficar em contato constante com o time T e x t o L u c i a n a L i m a | F o t o G e r m a n o L ü d e r s Mais perto das pessoas V O C Ê S/A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 1 “Em uma companhia de apenas 8 anos, as transformações são rápidas e existe abertura para resolver os problemas” cia da operação. Percebi que o mer- cado de fintechs estava crescendo, era dinâmico, e resolvi mudar. Foi quando conheci a iZettle. Em uma empresa de 8 anos, as transforma- ções são rápidas e existe abertura para resolver os problemas, o que me motiva. Quando eu trabalhava no banco, não me via fazendo aquilo para o resto da vida. Hoje, me vejo. Como lidou com o desafio de gerir pessoas ao assumir a presidência no Brasil? Essa era uma de minhas maiores preo cupações. Não sei se foi por cau- sa da cultura corporativa, mas lidar com pessoas se tornou algo que ali- menta, e não que suga minha energia. O clima de proximidade é grande, e todo mundo sabe a estratégia, então as coisas fluem. Claro que isso é re- forçado com diversas ações. Uma delas é o fato de que novos funcioná- rios passam uma semana na Suécia, conhecem a sede, conversam com o fundador. E, aqui, nos reunimos men- salmente com o time global por vídeo- -chamada para alinhar todo mundo. O mercado financeiro continua muito masculino. Como é ser mulher e presidente nesse setor? No começo da carreira, tinha difi- culdade para encontrar em quem me inspirar. Mesmo em Londres, onde há um maior equilíbrio de gênero, meus superiores eram homens. Na iZettle, as duas posições estratégi- cas, os cargos de CEO e CFO, são ocupadas por mulheres. Nossos ín- dices de diversidade são altos: o time brasileiro é 50% feminino, e temos 17% dos profissionais LGBTs. Quan- do eu assumi, conversei com cada um dos 63 funcionários, e todas as mulheres, e alguns homens, falaram da importância de ter uma mulher no comando. Isso faz a diferença. 2 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A F I N A N Ç A S ILUSTR AÇÃO: L OVAT T O V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 3 N A T A L I A G Ó M E Z A pós quatro anos de re- cessão, o Brasil ensaia, enfim, uma retomada. Segundo estimativas do mercado, a economia pode dar um salto de 2,5% em 2019. Se isso acontecer, o país crescerá o dobro dos dois anos anteriores, quando o PIB fechou em pífio 1,1%. Mas nem tudo o que reluz é ouro. Jair Bolsonaro está longe de ser unanimidade. A verdade é que, apesar de sua equipe econômica, ca- pitaneada por Paulos Guedes, possuir a simpatia do setor privado, os empresários só avançarão diante de um sinal verde. Em outras palavras, para que façam investimentos parrudos e voltem a contratar (gerando vagas de empregos), o atual presidente terá de cumprir quanto antes suas promessas de campanha, como a realização do ajuste fiscal e a aprovação da reforma da Previdência. “Isso seriam provas de que pretende combater a ineficiência do Estado brasileiro, o que aumentaria a confiança do mercado”, diz Ricardo Ro- cha, professor de finanças no Insper. Colocar a máquina pública nos trilhos, sem efeitos colaterais, é a visão otimista do que poderá acontecer nos próximos meses. Para os mais céticos, no entanto, há riscos no horizonte. Um deles é que as movimentações escancaradamente pró-mercado levem à precarização das condições de trabalho, voltando parte dos 57 mi- lhões de eleitores contra Bolsonaro. Outro é que o atual presidente não tenha jogo de cintura para lidar com os diferentes interesses dos parlamentares. Consultorias de negócios, como a Eurasia, acreditam que o Congresso será o calcanhar de aquiles do governan- te. Se quiser impor sua agenda liberal, Bolsonaro terá de exibir uma habilidade de barganha que não demonstrou possuir até agora, angariando líderes partidários que levem suas pautas adiante durante as votações. E os problemas não acabam por aí. Rodrigo de Losso, professor no departamento de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Uni- versidade de São Paulo (FEA-USP) e Ph.D. pela Uni- versidade de Chicago, afirma que alinhar forças dentro da própria base será um grande desafio. Quem vai falar mais alto na sala de reuniões: os generais? O “posto Ipiranga” Paulo Guedes? O superministro Sergio Moro? Ou os três filhos de Bolsonaro? “O temperamento forte dessas pessoas pode causar um curto circuito. Isso me parece algo importante a ser considerado, embora seja difícil mensurar seus impactos agora”, diz o professor. Um guia para organizar as contas, investir de maneira mais inteligente e proteger o orçamento das incertezas do ano que começa 24 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A F I N A N Ç A S E eu com isso? A esta altura, já deu para notar que 2019 será um ano peculiar do ponto de vista político e econômico, o que exigirá dos indivíduos uma atenção extra, sobretudo ao planejar o orçamento pessoal. Para início de conversa, convém observar para onde o vento sopra, sobretudo nos 100 primeiros dias do governo, quando muitas decisões serão anunciadas. Nesse período, até o começo de abril, a recomendação dos experts é que as pessoas evitem mudanças bruscas na carteira de investimentos e adiem compras gran- des, como de carro ou de imóvel. “É crucial não fazer movimento determinante até que tudo esteja mais bem compreendido”, orienta André Novaes, planejador financeiro na consultoria Life Finanças Pessoais. Recomenda-se, por exemplo, ficar de olho na reforma da Previdência: se ela for aprovada nos próximos três meses, a renda variável será uma opção interessante. Isso porque muitas companhias brasileiras de capital aberto vão se beneficiar com o clima de euforia pro- vocado pelo novo modelo previdenciário. A expectativa dos analistas é que a bolsa de valores tenha altas fortes em 2019. Projeções da XP, maior corretora de investimentos do país, mostram que o Ibo- vespa poderá chegar a 125 000 pontos, ante 90 000 no final de 2018. “Investir em ações será um bom negócio, principalmente nos setores de infraestrutura, varejo e bancos, que devem ser os mais beneficiados”, afirma Júlio Hegedus Netto, economista-chefe da consultoria de investimentos Lopes Filho & Associados. Já Marcia Dessen, diretora da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), pede caute- la. “Títulos de renda fixa precisam representar pelo menos metade da carteira de um investidor, por ser mais seguros.” Outro cuidado essencial é acompanhar asoscilações da Selic, taxa básica de juro que baliza títulos como Tesouro Direto e CDBs. Se ela cair, a ren- tabilidade da renda fixa diminui também. Outro efeito da queda dos juros é a inflação — com juros menores, a população consome mais, o que puxa alguns preços para cima. Mas não há previsão de que a Selic despenque. Depois de atingir a mínima histórica de 6,5% em 2018, a projeção é que agora fique em torno de 8%. O segredo para obter rendimentos fora da curva, portanto, será fazer escolhas financeiras mais inteligentes. Veja como conseguir isso em quatro etapas certeiras. ORGANIZAR O ORÇAMENTO 1 A lição mais valiosa a ser tirada das dificuldades econômicas dos últimos três anos é sobre a impor- tância de ter as contas em dia, com um valor guardado para enfrentar revezes. A empreende- dora Sabrina Cardoso, de 28 anos, sentiu na pele a falta que faz um colchão de segurança. Em agosto de 2016, ela deixou um emprego tradicional como designer numa empresa do setor têxtil para atuar em seu próprio negócio, uma hamburgueria arte- sanal itinerante no Rio de Janeiro. Com a intensifi- cação da crise no estado fluminense, o empreen- dimento passou a sofrer queda de vendas nos eventos de rua, que são o carro-chefe do negócio. Sem uma reserva fi- nanceira, Sabrina teve de desengavetar o diploma de designer e voltou a atuar como autônoma em 2018. “Parei de tirar pró- -labore na hamburgueria e comecei a me virar com frilas enquanto recupero meu negócio”, diz. Para enxugar despesas, ela ainda antecipou a união estável com o namorado, o que permitiu entrar como dependente no plano de saúde empre- sarial dele, que trabalha em regime de CLT numa companhia de tecnologia. Em setembro, Sabrina cancelou o cartão de crédito e passou a econo- mizar cerca de 400 reais por mês. “Quando olhava a fatura, tinha investi- do em roupas que não precisava, andado demais de Uber ou comprado livros que não leria por falta de tempo”, lembra. No momento, Sabrina procura um apartamento que comporte a cozinha de sua hamburgueria, que hoje funciona em um imóvel alugado só para isso. Segundo planejado- FOTO: L E A N DRO F ONSECA res financeiros, como não há bola de cristal capaz de prever o ano 2019, cortar gastos de maneira preventiva, usando táti- cas como a da designer carioca, é uma forma de se proteger de incertezas. “A importância de ter uma reserva de emergên- cia foi o grande aprendi- zado de 2018. Diante da crise, até mesmo funcio- nários públicos deixaram de receber salário, o que nunca se imaginou antes”, afirma Myrian Lund, professora e coordenado- ra de cursos de MBA na Fundação Getulio Vargas. Segundo ela, o ideal é ter seis meses do total das despesas (da família ou do empreendimento) aplicados numa moda- lidade de alta liquidez. Veja cinco passos para conquistar esse objetivo. V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 5 1 ANALISE RECEITA S E G A S TOS ANOTE QUANTO VOCÊ E OS OU- TROS MEMBROS DA FAMÍLIA (SE HOUVER) RECEBEM E LISTE TO- DAS AS DESPESAS MENSAIS — CONSIDERE ATÉ OS CENTAVOS NESSA CONTA, POIS NÃO EXISTE DINHEIRO PEQUENO. FAÇA ISSO NUM PAPEL EM BRANCO PARA VISUALIZAR COM CLAREZA. DE UM LADO, ANOTE OS GASTOS ESSENCIAIS COMO ALIMEN- TAÇÃO, MORADIA, ENERGIA, SAÚDE, EDUCAÇÃO. DO OUTRO, REGISTRE OS VARIÁVEIS, COMO PRESENTES, VIAGENS, GASOLINA. DÁ PARA CONTAR COM A AJUDA DE APLICATIVOS NESSA TAREFA. VEJA ALGUMAS OPÇÕES DE APP A SEGUIR. Sabrina Cardoso, empreendedora: aprendeu a ajustar as finanças durante a crise FOTO: GER M A NO LÜ DER S 2 RE VISE CONTR ATOS NA CATEGORIA GASTOS VARIÁVEIS, A PESSOA DEVE REVISAR TODOS OS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, COMO TV POR ASSINATURA E CANAIS DE STREAMING. ALGUMAS DESSAS DESPESAS PODEM SER REDUZIDAS AO OPTAR POR CONCORRENTES QUE OFEREÇAM PLANOS MAIS BARATOS, JÁ OUTRAS DEVEM NECESSARIAMENTE PASSAR POR RENEGOCIAÇÃO, COMO CONTRATOS DE ALUGUEL, TELEFONIA MÓVEL E CURSOS. 3 COR TE O QUE FOR IRRELE VANTE ESSA FASE É DAS MAIS COMPLICADAS. SEGUNDO A ECONOMISTA ANDREIA FERNANDA, FUNDADORA DA EMPRESA DE CONSULTORIA E PLANEJAMENTO FINANCEIRO RICO FOCO, NÃO EXISTE UMA REGRA ÚNICA. “MINHA SUGESTÃO É QUE CADA PESSOA ENVOLVIDA NO PROCESSO AVALIE QUAIS SÃO OS GASTOS MENOS INCÔMODOS DE SER CORTADOS E REFLITAM O PORQUÊ. É PRECISO PASSAR AS DESPESAS POR UM FILTRO DE RELEVÂNCIA”, DIZ. PARA UM JOVEM, OS GASTOS COM FESTAS PODEM SER IMPORTANTES, ENQUANTO PARA UMA FAMÍLIA COM FILHOS OS PASSEIOS DE FIM DE SEMANA SÃO MAIS DIFÍCEIS DE SER ABOLIDOS. “CADA UM DEVE AVALIAR COMO FAZER ISSO RESPEITANDO SEU CONTEXTO DE VIDA.” 4 FAÇ A APLIC AÇÕE S DE ALTA LIQUIDE Z INVISTA TODOS OS MESES, MESMO QUE EM DOSES PEQUENAS. ESSAS ECONOMIAS INICIAIS DEVEM IR PARA APLICAÇÕES QUE POSSAM SER RESGATADAS A QUALQUER MOMENTO, COMO TESOURO SELIC, FUNDOS DE RENDA FIXA E ALGUNS CDBs. NADA DE POUPANÇA. A POUPANÇA RENDE HOJE O EQUIVALENTE A 70% DA SELIC, QUE ESTÁ EM SEU PISO HISTÓRICO DE 6,5%. COM ISSO, A APLICAÇÃO MAIS POPULAR ENTRE OS BRASILEIROS ENTREGA CERCA DE 4,5% DE RENDIMENTO, POUCA COISA ACIMA DA INFLAÇÃO PROJETADA PARA O ANO. LOGO, NÃO É A MELHOR FORMA DE FAZER O DINHEIRO AUMENTAR. VALE LEMBRAR QUE A RESERVA DE EMERGÊNCIA DEVE PERMANECER INTOCADA E SOMENTE SER ACIONADA EM CASO DE IMPREVISTO. A PARTIR DO MOMENTO EM QUE O MONTANTE ATINGIR O VALOR EQUIVALENTE A SEIS MESES DE SALÁRIO LÍQUIDO, É POSSÍVEL COMEÇAR A SEPARAR DINHEIRO PARA OUTROS PROJETOS, TANTO AQUELES DE CURTO PRAZO, COMO FÉRIAS DE FINAL DE ANO, QUANTO DE LONGO PRAZO, VOLTADOS PARA A APOSENTADORIA. 5 NÃO AUMENTE OS G A S TOS (DE JEITO NENHUM) UMA VEZ QUE O ORÇAMENTO ESTIVER ORGANIZADO, A REGRA FUNDAMENTAL É NÃO VOLTAR AO MESMO PADRÃO DE VIDA, MESMO QUE A ECONOMIA MELHORE — COMO MUITOS ANALISTAS FINANCEIROS ACREDITAM QUE ACONTEÇA ENTRE 2019 E 2020. “CONTINUE A VIVER COMO SE VOCÊ ESTIVESSE RECOMEÇANDO AGORA”, RECOMENDA ANDREIA, DA RICO FOCO. SEGUNDO ELA, MUITA GENTE INTENSIFICA OS GASTOS DEPOIS DE ENGORDAR AS VACAS, O QUE ACABA MINANDO A REALIZAÇÃO DE PROJETOS IMPORTANTES. TECNOLOGIA A FAVOR CINCO APLICATIVOS QUE AJUDAM A ORGANIZAR AS FINANÇAS MINH A S EC ONOMI A S PERMITE CADASTRAR DIVERSAS CONTAS, CONTROLAR O CARTÃO DE CRÉDITO, ALÉM DE PROGRAMAR ALERTAS. minhaseconomias. com.br GUI A B OL SO ESSE APLICATIVO PUXA OS DADOS DE SUA CONTA BANCÁRIA E REGISTRA SEUS GASTOS AUTOMATICAMENTE, SEPARANDO POR CATEGORIA, COMO SAÚDE, COMPRAS VARIADAS, MERCADO, BARES E RESTAURANTES. guiabolso.com.br ORG A NIZ ZE AJUDA A ORGANIZAR METAS MENSAIS PARA O ORÇAMENTO E CRIA RELATÓRIOS COM AS INFORMAÇÕES DE GASTOS. organizze.com.br MOBILL S FAZ O CONTROLE DE RECEITAS E DESPESAS, DO CARTÃO DE CRÉDITO, ALÉM DE MAPEAR OBJETIVOS DE VIDA E DE APLICAÇÕES. mobills.com.br RENDA F I X A PESQUISA INVESTIMENTOS EM RENDA FIXA EM VÁRIAS CORRETORAS, CONTA COM UMA ÁREA DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA E GRÁFICOS COM AS PRINCIPAIS TAXAS DO MERCADO. apprendafixa.com.br F I N A N Ç A S 2 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 7 SAIR DO VERMELHO 2 Q uitar dívidas é um passo fundamental para ter uma vida financeira saudável. E nada como um início de ano para fazer isso. Para começar, é importante enxergar o tama- nho do endividamento, listando valores, taxas e instituições envolvidas. Deve-se considerar todo tipo de pagamento em aberto, como cheque especial, cartão de crédito, carnês de loja que ficaram esquecidos e, inclusive, aquele dinheiro emprestado por parentes. O próximo movimento é vender ou trocar ativos — para pagar ou baratear a quantia devida. Uma ideia, por exemplo, é substituir o carro por um modelo mais econômico, recebendo a dife- rença em espécie — a chamada “troca com troco”, modalidade que ficou popular durante a crise nas concessionárias. Esse dinhei- ro deve, impreterivelmente, ser usado para quitar os débitos.É possível também levar sua dívida para outra instituição financeira que ofereça taxas melhores ou um prazo de parce- lamento maior, diluindo o valor de forma a encaixá-lo melhor em seu orçamento. Para solicitar a portabilidade bancária, o lugar onde você tem o empréstimo Adriana Barbosa, assistente social: em apenas cinco anos conseguiu quitar a dívida de 250 000 reais 2 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A F I N A N Ç A S mais caras”, diz. Os juros, que em alguns dos créditos chegava a 6% ao mês, caíram para 1,4%. Além disso, ela conseguiu novos trabalhos e aumentou sua renda. “Toda oportunidade que surgia eu fui aceitando”, diz a assistente social, que atuou como professora, consultora e pesquisadora. Ao longo desse processo, além da consultoria de planejamento financeiro, Adriana contou com uma rede de apoio que incluiu a família, o gerente de um dos bancos, um advogado, um psicólogo e até um médi- co homeopata. Segundo ela, a ajuda de profissionais da saúde foi fundamental para conseguir equilíbrio físico e emocional para lidar com a situação. “Eu precisei trabalhar cinco anos de domingo a domingo em várias frentes para pagar a dívida.” Com a entrada de novas recei- tas, a renegociação dos emprés- timos e o corte de gastos, ela conseguiu transformar o valor em algo viável, quitando tudo em 2017. De lá para cá, Adriana começou até a juntar dinheiro. “Passar de devedora a poupadora não foi fácil, aprendi a buscar economia constante, comprando em mercados de atacado, andan- do de transporte público, encon- trando promoções e negociando sempre que possível. Também aprendi que a gente só pode gas- tar se tiver como pagar.” Hoje, no azul, Adriana está reformando a casa e guarda dinheiro para rea- lizar outros projetos, como fazer investimentos mais arrojados. CRÉDITO ALTERNATIVO AS FINTECHS DESBUROCRATIZARAM OS EMPRÉSTIMOS. PARA QUEM BUSCA FORMAS DE LEVANTAR DINHEIRO PARA AMORTIZAR DÍVIDAS, ELAS PODEM SER UMA ALTERNATIVA. CONFIRA: precisa fornecer um documen- to informando saldo devedor, valor das parcelas, quanto ainda falta pagar e as taxas praticadas. Esses dados servem para que o novo banco avalie a migração. Feita essa lição de casa, a pessoa deve analisar os compor- tamentos que levaram ao endivi- damento. De acordo com André Novaes, da Life Finanças Pessoais, é comum que o inadimplente se coloque como vítima da situação. “Se a pessoa não souber o que causou isso tudo, a dívida volta.” Foi a capacidade de assumir a responsabilidade que ajudou a as- sistente social Adriana Barbosa, de 58 anos, a quitar em apenas cinco anos um débito superior a 250 000 reais. O bolo chegou a esse tama- nho por causa da dificuldade de controlar as despesas mensais e à falta de planejamento antes de gastar. Ajudas recorrentes a familiares também agravaram a situação de Adriana, que incluía empréstimos, renovações de empréstimos, cartões de crédito e cheque especial de vários bancos. O ex-marido de Adriana era quem controlava as finanças do casal, mas ela só ficou ciente da gravidade da situação em 2011, quando perdeu o emprego. “Meu primeiro erro foi delegar meus recursos a outra pessoa”, afirma. Assim que percebeu o problema, ela decidiu avaliar o tamanho do buraco. Passou o pente-fino em todas as suas contas bancárias e em seus cartões e buscou o apoio de uma consultoria financeira. “As dívidas estavam espalhadas e, aos poucos, fiz portabilidade para concentrar num único banco. Por orientação da consultoria, comecei tratando das dívidas PA R A PE S S OA F ÍS IC A CREDITAS: PLATAFORMA ONLINE DE CRÉDITO COM GARANTIA, TRABALHA COM DOIS PRODUTOS PRINCIPAIS, O EMPRÉSTIMO COM GARANTIA DE IMÓVEL E O EMPRÉSTIMO COM GARANTIA DE VEÍCULO. creditas.com.br GERU: OFERECE CRÉDITO PESSOAL SEM GARANTIA E CONSIGNADO PARA APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO INSS A JUROS MAIS BAIXOS DO QUE OS DO MERCADO. geru.com.br CREDISFER A: DISPONIBILIZA CRÉDITO PESSOAL SEM GARANTIA NO VALOR DE ATÉ 15 000 REAIS, COM ENVIO DE DOCUMENTOS ONLINE. credisfera.com.br PA R A E MPREENDED ORE S BIVA: UNE PEQUENAS EMPRESAS A INVESTIDORES PESSOA FÍSICA, NO MODELO CONHECIDO COMO PEER TO PEER (P2P), PERMITINDO QUE VÁRIAS PESSOAS OFEREÇAM QUANTIAS QUE, JUNTAS, FORMAM O VALOR DO EMPRÉSTIMO SOLICITADO. biva.com.br NEXOOS: TAMBÉM ATUA NESSE MODELO P2P, FAZENDO A PONTE ENTRE PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS COM POSSÍVEIS INVESTIDORES INTERESSADOS. nexoos.com.br V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 2 9FOTO: A N DR E VA L EN T I M FAZER O DINHEIRO RENDER 3 C om a retomada da eco- nomia, alguns tipos de investimento devem ganhar fôlego. Se tudo correr como o esperado na visão otimista, as ações terão destaque em 2019. “Se a agenda reformista for realizada, as empresas devem revisar para cima suas expecta- tivas”, afirma o analista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic. Segundo a análise feita pela XP sobre os balanços financeiros das companhias, as mais atraentes no governo Bolsonaro devem ser B2W (conglomero formado por Submarino, Shoptime, America- nas.com), Gol, Bradesco, Banco do Brasil, Usiminas e Localiza, pois atuam em segmentos promissores e suas ações têm perspectivas de alta. O mesmo vale para os papéis das estatais, que podem ser impulsionados pelas iniciativas de privatização do novo governo. Por outro lado, acredita a XP, as orga- nizações exportadoras, como Vale e Suzano, devem ser menos bene- ficiadas, principalmente pela pre- visão de desvalorização do dólar. Atento a essas possibilidades, o advogado Antônio Leonardo Branco, de 33 anos, pretende readequar suas apostas em bolsa de valores neste ano, priorizando as companhias de varejo, bancos e construtoras. No momento, ele possui papéis de empresas de commodities e serviços, sendo que a renda variável representa 60% de sua carteira de investi- mentos. Outra iniciativa será aumentar sua exposição em criptomoedas. Para isso, vai reduzir as aplicações em renda Antônio Leonardo Branco, advogado: quer aumentar o investimento em criptomoedas 3 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A F I N A N Ç A S fixa de 40% para 30%. A ideia inicial é aplicar em bitcoin, moeda virtual mais famosa, ao qual pretende destinar 10 000 reais. “Por mais volátil que as criptomo- edas sejam, acredito em seu potencial. Elas são opção ao sistema financeiro clássico”, diz o advogado. (O bitcoin perdeu 60% de seu valor nos últimos 12 meses, mas ele chegou a bater 19 000% de crescimento em 2017.) Embora 2018 não tenha sido tão favorável às moedas virtuais, elas continuam chamando cada vez mais a atenção dos investido- res devido à forte rentabilidade acumulada nos últimos anos. Segundo o professor de economia na Fundação Instituto de Admi- nistração (FIA) e sócio da Arsenall Venture Builder, André Oda, a perspectiva para esse mercado é positiva, principalmente porque há uma tendência de surgirem medidas legais. “Cresce o núme- ro de países que já regularam ou estão regulando a emissão, a distribuição, a negociação e o uso dos criptomoedas”, afirma. Então, entre o perfil arrojado e o tradicional, ficamos assim: os criptoativos exigem cautela, pois oscilam muito; e a poupança está longe de ser uma boa opção. “Muita gente não sabe que a poupança só rende no dia do aniversário, e que se você sacar o dinheiro um dia antes, fica sem ganho”, afirma Fábio Macedo, diretor comercial da Easynvest. Mas, no meio desses extremos, há outras boas opções para ter mais dinheiro em 2019. O impor- tante é começar a aplicar. Não sabe como? Nós mostramos algumas alternativas para cada perfil de investidor. PERFIL INVESTIMENTO DEFINIÇÃO Co ns er va do r / In ic ia nt e TESOURO DIRETO VENDA DE TÍTULOS PÚBLICOS COM O OBJETIVO DE CAPTAR RECURSOS PARA O FINANCIAMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA E DAS ATIVIDADES DO GOVERNO FEDERAL. LCI E LCA A LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (LCI)E A LETRA DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO (LCA) SÃO EMITIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PARA CAPTAR E DESTINAR RECURSOS, RESPECTIVAMENTE, AO SETOR IMOBILIÁRIO E AO AGRONEGÓCIO. CDB E LC OS TÍTULOS DE CERTIFICADO DE DEPÓSITO BANCÁRIO (CDB) E AS LETRAS DE CÂMBIO (LC) SÃO EMITIDOS PARA QUE OS BANCOS E AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS CONSIGAM DINHEIRO PARA FINANCIAR SUAS ATIVIDADES DE CRÉDITO. M od er ad o DEBÊNTURES RENDA FIXA DE MÉDIO E LONGO PRAZO, DÁ AO INVESTIDOR O DIREITO DE CRÉDITO SOBRE A EMPRESA EMISSORA, RECEBENDO UMA TAXA DE JURO QUE PODE SER PREFIXADA OU PÓS-FIXADA. A rr oj ad o FUNDOS DE INVESTI- MENTOS IMOBI- LIÁRIOS (FII) SERVEM PARA INVESTIR EM EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, COMO SHOPPINGS, HOSPITAIS E PRÉDIOS COMERCIAIS. AS CONSTRUTORAS VENDEM UMA PARTE DO IMÓVEL EM COTAS E O DONO DE CADA COTA RECEBE UM VALOR PROPORCIONAL DOS ALUGUÉIS. FUNDOS DE ÍNDICES (ETFS) OS FUNDOS DE ÍNDICES OU ETF SÃO FORMADOS POR AÇÕES DE DIVERSAS EMPRESAS, QUE ACOMPANHAM O MOVIMENTO DOS PRINCIPAIS ÍNDICES DA BOLSA. VOCÊ COMPRA E VENDE SUAS COTAS DA MESMA FORMA QUE AS AÇÕES, COM A FACILIDADE DE ADQUIRIR UMA “CESTA” MISTA. AÇÕES TÍTULOS QUE REPRESENTAM UM PEDAÇO DE UMA EMPRESA, QUE VOCÊ PODE COMPRAR OU VENDER NA BOLSA DE VALORES. AO ADQUIRIR UMA AÇÃO, TORNA-SE SÓCIO DA COMPANHIA QUE A EMITIU, TENDO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. FUNDOS MULTIMERCADO FUNCIONA COMO UM CORINGA NA CARTEIRA DE UM INVESTIDOR, FAZENDO UMA PONTE ENTRE OS MERCADOS DE RENDA FIXA E RENDA VARIÁVEL. CERTIFICADO DE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS (COE) SÃO TÍTULOS DE BAIXO RISCO EMITIDOS POR GRANDES BANCOS. ELES FUNCIONAM COMO UM COMPOSTO DE APLICAÇÕES DE RENDA FIXA E RENDA VARIÁVEL. FONTE: E A SY N V EST POR QUÊ? RECOMENDAÇÃO RISCO É UMA OPÇÃO DE BAIXO CUSTO, COM ALTERNATIVAS A PARTIR DE 30 REAIS, E OFERECE RENTABILIDADE SUPERIOR À POUPANÇA. AO FINAL DE UM ANO, TEM RENTABILIDADE BRUTA DE CERCA DE 6,5%, COM RESULTADO FINAL EM TORNO DE 10,44% ACIMA DA POUPANÇA. O TIPO ESCOLHIDO VARIA DE ACORDO COM AS EXPECTATIVAS. O TESOURO SELIC É INTERESSANTE PARA CURTO PRAZO. JÁ O PREFIXADO TEM A GRANDE VANTAGEM DE O INVESTIDOR SABER EXATAMENTE QUANTO VAI RESGATAR NO VENCIMENTO. POR FIM, O IPCA É UMA ÓTIMA OPÇÃO PARA LONGO PRAZO E PROTEGE O INVESTIDOR CONTRA A VARIAÇÃO DA INFLAÇÃO É A APLICAÇÃO DE MENOR RISCO DO MERCADO. IDEAL PARA QUEM ESTÁ DANDO OS PRIMEIROS PASSOS NO MUNDO DO INVESTIMENTO. O MERCADO IMOBILIÁRIO E O AGRONEGÓCIO DEVEM AQUECER NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS, ENTÃO SERÃO BOAS ALTERNATIVAS PARA QUEM QUER DIVERSIFICAR. ESSES INVESTIMENTOS (DE MÉDIO E LONGO PRAZO) RENDEM, EM MÉDIA, 32,5% MAIS QUE A POUPANÇA. ESCOLHER ENTRE AS OPÇÕES PREFIXADO OU PÓS-FIXADO VAI DEPENDER DOS OBJETIVOS DO INVESTIDOR E DO PRAZO EM QUE ELE VAI FAZER O RESGASTE. AS DUAS OPÇÕES SÃO SEGURAS. BAIXO, COM COBERTURA DO FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO (FGC) ATÉ 250 000 REAIS. ESTÃO ENTRE OS MAIS RENTÁVEIS EM RENDA FIXA. A RENTABILIDADE BRUTA GIRA EM TORNO DE 7,21% AO ANO PARA UM TÍTULO COM PRAZO DE RESGATE DE 12 MESES. EM COMPARAÇÃO COM A POUPANÇA, RENDE 29% A MAIS NO PERÍODO. TÊM CARACTERÍSTICAS PARECIDAS COM O TESOURO DIRETO: PODEM SER PREFIXADAS, PÓS-FIXADAS OU IPCA. IMPORTANTE DESTACAR QUE, QUANTO MAIOR O PRAZO DE RESGATE, MAIORES AS TAXAS DE RENTABILIDADE. BAIXO. TAMBÉM HÁ COBERTURA DO FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO ATÉ 250 000 REAIS. COM POSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO BASTAN- TE ATRENTE — COM TÍTULOS CHEGANDO A IPCA+7 (INFLAÇÃO + 7% AO ANO). NO MOMENTO DE ESCOLHER A DEBÊNTURE, O INVESTIDOR PRECISA AVALIAR A EMPRESA QUE ESTÁ COMPRANDO. UMA DICA É OBSERVAR O RATING DA INSTITUIÇÃO E O PRAZO DE RESGATE. MÉDIO. COMO NÃO HÁ COBERTURA DO FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO (FGC), É RECOMENDADO A QUEM TEM CERTA MARGEM AO RISCO. É UMA ALTERNATIVA DE DIVERSIFICAÇÃO DE INVESTIMENTOS, COM BAIXO CUSTO INICIAL. MUITAS PESSOAS PROCURAM ESSE ATIVO PELO PAGAMENTO DE JUROS MENSAIS. É NECESSÁRIO QUE O INVESTIDOR ENTENDA AS CARACTERÍSTI- CAS DO FUNDO E NO QUE ELE ESTÁ INVESTINDO. O MERCADO IMOBILIÁRIO ESTÁ AQUECENDO E ALGUNS FUNDOS ESTÃO COM ATIVOS SUBVALORIZADOS. QUEM SE POSICIONAR AGORA VAI SAIR NA FRENTE. A SINALIZAÇÃO POSITIVA PARA O PRÓXIMO ANO TEM FEITO ALGUNS GESTORES ESTRUTURAREM NOVOS FUNDOS. ALGUNS TÊM RENDIMENTO LÍQUIDO ENTRE 0,8% E 1% AO MÊS. HÁ CORRETORAS QUE NÃO COBRAM TAXA. MÉDIO. O INVESTIDOR ESTÁ EXPOSTO À OSCILAÇÃO DE MERCADO, MAS, SE SELECIONAR BONS FUNDOS, TERÁ RENDA PERIÓDICA COM POUCA VOLATILIDADE. AO ADQUIRIR COTAS DE DETERMINADO ETF, PASSA-SE A DETER AS AÇÕES DO ÍNDICE A ELE RELACIONADO, SEM TER DE COMPRAR PAPÉIS SEPARADAMENTE, O QUE REPRESENTA UMA ECONOMIA EM TAXAS DE CORRETAGEM E DIVERSIFICAÇÃO DE SEU INVESTIMENTO. A RENTABILIDADE DESSE FUNDO VAI DEPENDER DA COMPOSIÇÃO DELE. SE AS EXPECTATIVAS POSITIVAS DE CRESCIMENTO DO MERCADO SE CONSOLIDAREM, OS ETFS PODERÃO TER RENTABILIDADE MUITO ATRAENTE. FIQUE DE OLHO. ALTO. O INVESTIDOR ESTÁ EXPOSTO ÀS OSCILAÇÕES DO MERCADO. COM EXPECTATIVAS POSITIVAS PARA 2019, O INVESTIDOR PODE APROVEITAR PARA LUCRAR COM OS PAPÉIS. ANTES DE INVESTIR, INFORME-SE SOBRE A EMPRESA E ESTUDE O COMPORTAMENTO DA AÇÃO NOS ÚLTIMOS MESES. BUSQUE SETORES MAIS SEGUROS, COMO OS DE TECNOLOGIA, FINANCEIRO, VAREJO ONLINE E INFRAESTRUTURA (SE A ECONOMIA DESLANCHAR, ESSE SEGMENTO DESLANCHARÁ JUNTO). ALTO. O INVESTIDOR ESTÁ EXPOSTO ÀS OSCILAÇÕES DO MERCADO. ÓTIMA OPÇÃO DE DIVERSIFICAÇÃO. EMBORA HAJA VOLATILIDADE, COSTUMA TRAZER RESULTADOS SATISFATÓRIOS, NORMALMENTE ACIMA DA RENDA FIXA TRADICIONAL. É IMPORTANTE LER COM ATENÇÃO O REGULAMENTO DE CADA FUNDO PARA ENTENDER QUAL É O HISTÓRICO DE RETORNO. “NOS FUNDOS MULTIMERCADO, OS GESTORES TÊM A LIBERDADE DE OPERAR EM VÁRIOS MERCADOS, AUMENTANDO A CHANCE DE PERFORMAR MELHOR”, EXPLICA FÁBIO MACEDO, DIRETOR COMERCIAL DA EASYNVEST. BAIXO, MÉDIO OU ALTO, VARIANDO DE ACORDO COM A COMPOSIÇÃO DO FUNDO ESCOLHIDO. É UM NOVO INVESTIMENTO DISPONÍVEL, NO QUAL O CAPITAL É PROTEGIDO CONTRA PERDAS. SE NO VENCIMENTO DO TÍTULO A APLICAÇÃO REGISTRAR RESULTADO POSITIVO, O INVESTIDOR RECEBE OS GANHOS. SE FOR NEGATIVO, O PRE- JUÍZO NÃO É REPASSADO E ELE GANHA O VALOR APLICADO INICIALMENTE. PARA APLICAR EM COE, EXISTEM DIVERSOS TIPOS DE VARIAÇÃO QUE DEPENDERÃO DA COMPOSIÇÃO DO CERTIFICADO. PODE ESTAR LIGADO A COMMODITIES, POR EXEMPLO. POR ISSO, O INVESTIDOR PRECISA FICAR DE OLHO NOS ATIVOS QUE O COE ESTÁ INVESTINDO PARA TER A MELHOR RENTABILIDADE. MÉDIO. TEM CAPITAL PROTEGIDO PELO EMISSOR, O QUE SIGNIFICA QUE O INVESTIDOR NUNCA VAI RESGATAR MENOS DO QUE INVESTIU, ALÉM DE TER OPOR- TUNIDADE DE RENTABILIDADE ACIMA DA CURVA. 3 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A F I N A N Ç A S DECRED (D CR) NASCIDA A PARTIR DE UM FORK (DIVISÃO NA REDE BLOCKCHAIN) DO BITCOIN, EM 2016, ESSA MOEDA TORNOU-SE RAPIDAMENTE UMA DAS QUERIDINHAS. NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS, POR EXEMPLO, VALORIZOU MAIS DE 1 400%. UM DOS DIFERENCIAIS É A TECNOLOGIA COLABORATIVA E A SEGURANÇA DAS TRANSAÇÕES. ASSIM COMO O IRMÃO BITCOIN, TEM UM LIMITE DE 21 MILHÕES DE UNIDADES — A POSSIBILIDADE DE ESCASSEZ VALORIZA O ATIVO. INFORMAÇÕES: decred.org/pt RIPPLE ( X RP) SEGUNDO MAIOR CRIPTOATIVO DEPOIS DO BITCOIN, ESSA CRIPTOMOEDA FOI LANÇADA PELA STARTUP HOMÔNIMA CUJA PROPOSTA É CONECTAR OS DIFERENTES SISTEMAS DE PAGAMENTO E CRIAR SOLUÇÕES FINANCEIRAS QUE BARATEIEM PAGAMENTOS GLOBAIS. SEU SISTEMA DE BLOCKCHAIN JÁ É USADO POR GRANDES BANCOS, SOBRETUDO NO JAPÃO. NOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS FOI UMA DAS CRIPTO DE MAIOR VALORIZAÇÃO, COM ALTA DE 5 000%. EM 2018, HOUVE UMA DEPRECIAÇÃO DE 86%, ENQUANTO EM 2016 E 2017 AS ALTAS FORAM DE 6% E 32 000%, RESPECTIVAMENTE. INFORMAÇÕES: ripple.com DA SH COM UMA COMUNIDADE COM FORTE PRESENÇA NO BRASIL, O SISTEMA DESSA CRIPTOMOEDA VISA OFERECER TRANSAÇÕES RÁPIDAS — ENQUANTO COM BITCOIN PODEM LEVAR ATÉ 1 HORA, DEPENDENDO DO VOLUME, AS COM DASH LEVAM SEGUNDOS. NO SITE É POSSÍVEL PESQUISAR POR PRODUTOS E SERVIÇOS ONDE AS PESSOAS POSSAMPAGAR COM DASH, DESDE TATUADORES ATÉ RESTAURANTES. EM 2018, O DASH CAIU 94%, DEPOIS DE TER SUBIDO 9 300% EM 2017 E 235% EM 2016. A ALTA ACUMULADA EM TRÊS ANOS É DE 1 726%. INFORMAÇÕES: discoverdash.com APLICAÇÃO HIGH TECH Diferentemente da moeda tradicional, a emissão da criptomoeda não passa por um Banco Central. O sistema é gerenciado pelos usuários. Nos últimos dois anos, essas moedas digitais ganharam relevância e tornaram-se uma forma de investimento que, para muitos, será o dinheiro futuro. Isso porque elas podem ser usadas como meio de pagamento e transacionadas de maneira online entre quem quer comprar e quem quer receber. O maior exemplo é o bitcoin, que ganhou fama em 2017 por sua rentabilidade absurda. Quem comprou o ativo em sua primeira cotação pública, em outubro de 2009, está literalmente milionário. Isso porque o valor da ação foi de 8/100 centavo de dólar, em outubro de 2009, para 19 783 dólares em dezembro, uma valorização de 25 milhões de vezes. O mercado esfriou em 2018, mas ainda assim sua valorização acumulada impressiona: nos últimos três anos, a alta foi de 700%. No Brasil, o investidor encontra bitcoin e outras criptomoedas em várias corretoras que atuam no país, como Mercado Bitcoin, Foxbit, BitcointoYou e Braziliex. Conheça três criptomoedas com boa chance de lucro para 2019. FONTE: BR A ZIL IEX FOTO: A N DR E VA L EN T I M PLANEJANDO O FUTURO 4 F azer uma viagem, comprar a casa própria ou em- preender. É importante ter clareza sobre cada um dos objetivos pes- soais para poder guardar a quantia de dinheiro exata para realizá-los, evitando assumir dívidas que vão tirar seu sono. Como mostramos no primeiro tópico desta reportagem, uma vez que uma reserva de emergência está garan- tida, especialistas reco- mendam dar um passo além: estabelecendo prioridades de curto (até um ano), médio (de um a cinco anos) e longo (mais de cinco anos) prazo. A aposentadoria precisa ser uma preocu- pação para pessoas de todas as idades, com um dinheiro guardado men- salmente só para isso. Já outros projetos devem variar conforme seus desejos — e seu estilo de vida. “Existem pes- soas que amam viajar e preferem não comprar a casa própria para ter mais mobilidade. Outras abrem mão de viagens para ter o imóvel dos sonhos e receber os amigos. Planejar é isso, decidir para onde vai destinar o dinheiro”, diz André Novaes, da Life Finanças Pessoais. VEJA A SEGUIR OS SONHOS MAIS FREQUENTES E AS DICAS PARA REALIZÁ-LOS. Antônio Carlos Barbosa da Silva, aposentado: planeja as viagens internacionais com 12 meses de antecedência V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 3 3 3 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A F I N A N Ç A S COMPR AR A C A SA PRÓPRIA COMO OS ÚLTIMOS ANOS FORAM DE VENDAS FRACAS NO SETOR IMOBILIÁRIO, HÁ BOAS OPORTUNIDADES PARA QUEM DESEJA COMPRAR A CASA PRÓPRIA. SEGUNDO DADOS DA FIPEZAP, O DESAQUECIMENTO DA ECONOMIA GEROU QUEDA REAL DE 18% NOS PREÇOS DOS RESIDENCIAIS, EM QUATRO ANOS. NO ENTANTO, SÓ VALE ENTRAR NUMA NEGOCIAÇÃO DESSAS QUEM TEM PELO ME- NOS 20% DO VALOR DO IMÓVEL PARA DAR À VISTA. “SE AINDA EXISTE MUITA INCERTEZA NA VIDA PESSOAL, MELHOR ALUGAR”, DIZ LUIZ CALADO, AUTOR DO LIVRO IMÓVEIS: SEU GUIA PARA FAZER DA COMPRA E VENDA UM GRANDE NEGÓCIO (SARAIVA, 34,90 REAIS). UMA VEZ TOMADA A DECISÃO, A PALAVRA DE ORDEM É PES- QUISAR. CONSIDERE AVALIAR E COMPARAR O PREÇO DE IMÓVEIS NA PLANTA, RECÉM- -LANÇADOS E PRONTOS. TIR AR UM PERÍODO SABÁTICO A NÃO SER QUE A PESSOA TENHA UM CURRÍCULO IR- RESISTÍVEL, ATUE EM ÁREAS DE ABUNDANTES OFERTAS DE EMPREGO, COMO A DE TI, E POSSUA RENDA GUARDADA PARA SEGURAR AS PONTAS POR NO MÍNIMO DOIS ANOS, ESPECIALISTAS DIZEM QUE O MOMENTO NÃO É FAVORÁVEL PARA SE AUSENTAR. SEGUNDO DADOS DO IBGE, A RECO- LOCAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO ESTÁ LEVANDO EM MÉDIA OITO MESES. TOMAR CRÉDITO? NEM PENSAR. “FINANCIAMENTO SÓ INDICO PARA COMPRAR A CASA PRÓPRIA OU EMPRE- ENDER. FAZER EMPRÉSTIMO PARA OUTROS FINS, COMO MBA, É COMPLICADO PORQUE O RETORNO FINANCEIRO É INCERTO E DE LONGO PRAZO”, DIZ MARCIA, DA PLANEJAR. ABRIR UM NEGÓCIO A EXPECTATIVA É QUE 2019 SEJA UM ANO MELHOR PARA EMPREENDER DO QUE OS ÚLTIMOS TRÊS, PORQUE A CONFIANÇA DO CONSUMIDOR ESTARÁ MAIOR. “DEVE HAVER UMA MELHORA CONTÍNUA DA ECONOMIA, O QUE DESTRAVA O CONSUMO”, DIZ GUILHERME AFIF DOMINGOS, PRESIDENTE DO SEBRAE. ENTRE OS SETORES QUE PROMETEM AQUECIMENTO ESTÃO OS DE TECNOLOGIA, ALI- MENTAÇÃO (PRINCIPALMENTE NATURAL), VAREJO, SERVIÇOS, SAÚDE E EDUCAÇÃO. MAS É PRECISO ALGUNS CUIDADOS ANTES DE SEGUIR POR ESSE CAMINHO. LEONARDO DONATO, LÍDER DE MERCADOS EMERGEN- TES DA CONSULTORIA EY PARA BRASIL E AMÉRICA LATINA, ORIENTA O EMPREENDEDOR A FAZER UM MAPEAMENTO COM- PLETO DO SEGMENTO EM QUE DESEJA ATUAR, ALÉM DE UM PLANEJAMENTO MINUCIOSO. O CUSTO MÉDIO PARA ABRIR UMA MICROEMPRESA EM SÃO PAULO — COM FATURAMENTO DE ATÉ 360 000 POR ANO — É DE 1 300 REAIS MENSAIS, E ISSO É APENAS PARA COMEÇAR A OPERAR. O MAIOR DESAFIO PARA NOVOS EMPRESÁRIOS É O TEMPO DE RETORNO, QUE LEVA UM ANO NO MELHOR DOS CENÁRIOS. ENQUANTO ISSO, DEVE-SE ESTAR PREPARADO (FINANCEIRA E EMOCIONAL- MENTE) PARA ARCAR COM AS DESPESAS DO NEGÓCIO COM RECURSOS PRÓPRIOS. VIA JAR MUNDO AFOR A ADQUIRA A MOEDA LOCAL AOS POUCOS, DURANTE OS 12 MESES QUE ANTECEDEM A VIAGEM. “SE A PESSOA TIVER A DISCIPLINA, NÃO FICARÁ TÃO EXPOSTA ÀS OSCILAÇÕES”, AFIRMA MATHIAS FISCHER, DIRETOR DE ESTRATÉGIA DA MEU CÂMBIO, PLATAFORMA DE COMPRA DE MOEDAS ESTRAN- GEIRAS. APÓS A FORTE ALTA DO DÓLAR EM 2018 (QUE BATEU 4,20 REAIS EM SETEMBRO), A EXPECTATIVA É QUE O DINHEI- RO AMERICANO FECHE 2019 NA CASA DOS 3,80 REAIS, COM AS PREVISÕES VARIANDO DE 3,22 A 4,30 REAIS. DE NOVO, TUDO VAI DEPENDER DO ANDAMENTO DAS REFORMAS DO GOVERNO. PARA SE PROTEGER DA FLU- TUAÇÃO, O TÉCNICO LEGISLA- TIVO APOSENTADO ANTÔNIO CARLOS BARBOSA DA SILVA, DE 69 ANOS, TEM O COSTUME DE OBTER DÓLAR NOS MOMENTOS DE BAIXA. “EU GOSTO DE ME PLANEJAR COM ANTECEDÊN- CIA. HÁ MUITO TEMPO COMPRO A MOEDA NA BAIXA E FICO COM UMA RESERVA”, DIZ. ALÉM DISSO, ELE GUARDA PARA A PRÓXIMA VIAGEM AS NOTAS QUE SOBRARAM NA ANTERIOR. SEU PASSEIO INTERNACIONAL MAIS RECENTE FOI NAS FÉRIAS DE 2017, PARA O CHILE, QUAN- DO PAGOU 3,30 REAIS CADA DÓ- LAR. EM 2018, ELE PRETENDIA IR PARA PORTUGAL, ESPANHA E ITÁLIA, MAS ADIOU O PLANO POR CAUSA DAS INSTABILIDA- DES ECONÔMICAS. ENQUANTO AGUARDA A SITUAÇÃO DO PAÍS MELHORAR, ELE ACOMPANHA AS NOTÍCIAS SOBRE A OSCILA- ÇÃO CAMBIAL E PESQUISA PRE- ÇOS DAS PASSAGENS AÉREAS. TROC AR DE C ARRO COMO O MERCADO AINDA ESTÁ EM BAIXA, ATÉ DÁ PARA OBTER ABATIMENTOS. MAS A REGRA É CLARA: TROCAR DE CARRO SÓ SE HOUVER DINHEIRO GUARDADO. AQUI, O IDEAL É TER NO MÍNIMO 50% DO VALOR DO AUTOMÓVEL PARA DAR DE ENTRADA, POIS ISSO POS- SIBILITARÁ NEGOCIAR TAXAS MENORES. MESMO ASSIM, É PRECISO PONDERAR SE AS PARCELAS CABEM NO BOLSO. LEVE EM CONSIDERAÇÃO AINDA O VALOR DO SEGURO E A MANUTENÇÃO DO VEÍCULO. CARROS DE MENOR SAÍDA TÊM DESCONTOS MELHORES — MAS RENDEM POUCO NA REVENDA. V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 3 5 DÚ VIDA CRUEL MARCIA DESSEN E JOSÉ FARIA JUNIOR, DA PLANEJAR, RESPONDEM A DÚVIDAS DE FINANÇAS ENVIADAS POR LEITORES NAS REDES SOCIAIS DE VOCÊ S/A N ESTE CASO, VOCÊ DEVE PRIORIZAR LIQUIDEZ, OU SEJA, A POSSIBILIDADE DE RESGATAR A QUALQUER MOMENTO, SEM RISCO E SEM PERDA DE RENTABILIDADE. APLICAÇÕES DE TAXA PÓS-FIXADA SÃO AS MAIS ADEQUADAS A ESSE OBJETIVO, POIS ACOMPANHAM A VARIAÇÃO DA TAXA BÁSICA DA ECONOMIA. TESOURO SELIC, CONSIDERANDO ISENÇÃO DE CORRETAGEM E CUSTO DE 0,30% AO ANO, É SEGURAMENTE UMA ÓTIMA OPÇÃO. P ARA INVESTIR É PRECISO, ANTES DE MAIS NADA, DE CONFIANÇA. SEJA NA INDICAÇÃO DOS PRODUTOS, SEJA NA ESCOLHA DA INSTITUIÇÃO. RELACIONAMENTO TAMBÉM É IMPORTANTE. ATENDIMENTO ATENCIOSO, ÉTICO E RESPONSÁVEL, COM FOCO NO CLIENTE, E NÃO NO PRODUTO. QUANTO MAIS NOS RELACIONAMOS COM A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA,MAIOR TENDE A SER A ATENÇÃO E A RENTABILIDADE. CUSTOS! INVESTIR COM O MENOR CUSTO POSSÍVEL É A FORMA MAIS SIMPLES DE AUMENTAR A RENTABILIDADE SEM CORRER MAIS RISCO. N O T W I T T E R C OM DISCIPLINA, INVESTIR SEMPRE, TODOS OS MESES. NÃO ESPERE “SOBRAR” DINHEIRO; NÃO VAI SOBRAR. INVISTA EM VOCÊ EM PRIMEIRO LUGAR E COLOQUE O DINHEIRO PARA TRABALHAR PARA VOCÊ. PEQUENOS VALORES, INVESTIDOS POR MUITOS ANOS, COM JUROS COMPOSTOS (JURO SOBRE JURO), FAZ O BOLO CRESCER. 100 REAIS POR MÊS, A JUROS DE 0,50% AO MÊS, EM CINCO ANOS VIRA 6 977 REAIS; EM DEZ, 16.388 REAIS; EM 20, 46 204 REAIS; E EM 40 ANOS 199 149 REAIS. PEGUE ESTE ÚLTIMO EXEMPLO E VEJA QUANTO SAIU DO BOLSO DO INVESTIDOR E QUANTO ELE GANHOU DE JUROS EM QUATRO DÉCADAS. INVESTIU 100 REAIS POR 480 MESES, OU SEJA, 48 000. GANHOU DE JUROS 151 149 REAIS (MAIS DE TRÊS VEZES O DINHEIRO APORTADO). Qual a perspectiva de rendimento do Tesouro Direto em vista das possíveis (ou não) alterações de políticas da taxa básica de juro? @reginaldo_rod N O TESOURO DIRETO É POSSÍVEL APLICAR POUCO E GANHAR JUROS DE INVESTIDOR GRANDE. A MESMA RENTABILIDADE É PAGA PARA APLICAÇÕES DE 30 REAIS E DE 1 MILHÃO. É POSSÍVEL DIVERSIFICAR, DE ACORDO COM OBJETIVO PESSOAL E CONTEXTO MACROECONÔMICO. 1) TESOURO SELIC: IDEAL PARA INVESTIR A RESERVA FINANCEIRA; RECURSOS JÁ COMPROMETIDOS EM PRAZO CURTO (ATÉ DOIS ANOS). OU SEJA, É POSITIVO PARA QUEM NECESSITA DE LIQUIDEZ A QUALQUER MOMENTO SEM O RISCO DE PERDA FINANCEIRA. MESMO INVESTIDORES AGRESSIVOS DEVEM TER PARTE DA CARTEIRA EM TÍTULOS DE TAXA PÓS-FIXADA, COMO TESOURO SELIC. 2) TESOURO PREFIXADO: PARA AQUELES QUE ACREDITAM NUMA POSSÍVEL QUEDA NA TAXA DE JURO, COM PERDA FUTURA NA RENTABILIDADE. SE POR UM LADO ESSA MODALIDADE EVITA ESSE RISCO, POR OUTRO PODE HAVER PERDA SE A TAXA DE JURO SUBIR. NO VENCIMENTO O INVESTIDOR GANHA EXATAMENTE A RENTABILIDADE DEFINIDA NO DIA DA COMPRA. 3) TESOURO IPCA+: OPÇÃO ADEQUADA AOS QUE DESEJAM PROTEGER O CAPITAL CONTRA A INFLAÇÃO E GANHAR NA TAXA DE JURO REAL (ACIMA DA INFLAÇÃO). ESSA TAXA É PREFIXADA NO DIA DA COMPRA. NO LONGO PRAZO HÁ GANHOS E PERDAS ANTES DO VENCIMENTO. ISSO PORQUE TESOURO IPCA+ É PÓS-FIXADO. ISTO É, SEU RENDIMENTO DERIVA SOBRE O IPCA, ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR, MEDIDO MÊS A MÊS PELO IBGE. Como fazer um investimento pequeno ficar grande? @paola_adriano Por onde começar? O que deve ser considerado na escolha da instituição? Ou na compra de papéis? @beckertiago N O I N S TAG R A M Onde investir mensalmente como reserva de emergência? @jvfuly 3 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A V ocê entra no su- permercado, es- colhe os produtos que precisa, mas, antes de colocá- -los no carrinho, enquadra o códi- go de barras na câmera de seu celular e, ali mes- mo, descobre, por meio de um apli- cativo que rastreia as práticas das indústrias, se está levando para casa um item sustentável, cuja produção esteja alinhada com seus valores. Exemplos de tecnologias como essa pipocam no Brasil e no mundo em resposta ao aumento do interesse das pessoas em fazer compras mais responsáveis. De uns anos para cá, adquirir alimentos de origem certi- ficada, usar produtos livres de testes em animais, comprar de empresas sem histórico de trabalho escravo e priorizar a locação em vez da aqui- sição tornaram-se atitudes comuns. Prova disso é que o Indicador de Consumo Consciente (ICC), que mede o equilíbrio entre a satisfa- ção pessoal e o nível de práticas ambientais, financeiras e de enga- jamento social dos brasileiros, su- biu de patamar nos últimos quatro anos. Segundo dados da pesquisa anual realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o ICC saltou 4 pontos percentuais de 2015 a 2018, saindo de 69% para 73%. Embora o desempenho esteja aquém do desejado — o estudo só considera que haja consumo cons- ciente no país quando esse índice fica acima de 80% —, os brasileiros avançam nessa questão. Hoje, de acordo com o SPC Brasil, 98% das pessoas reconhecem a importância CONSUMO ENGAJADO Listamos nove apps e um site para ajudar quem deseja consumir melhor e fazer compras mais sustentáveis do ponto de vista social e ambiental K a r i n a F u s c o T E C N O L O G I A da adoção de práticas sustentáveis na hora de comprar e 55% se encai- xam no grupo de transição, gente que já começou a inserir mudan- ças positivas na forma de consumir, mas cujas atitudes, em geral, ainda estão abaixo do esperado. Um estudo do Instituto Akatu, or- ganização sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mo- bilização da sociedade em prol do consumo consciente, publicado em julho, mostrou que a principal bar- reira para quem deseja ser um con- sumidor melhor é a necessidade de fazer um esforço, ou seja, mudar de hábi- tos (60%). “Muitos protelam essa ati- tude por achar que não faria diferença no colet ivo”, d i z José Vignoli, edu- cador financeiro do SPC. Outro entrave (apontado por 38% das pessoas) é o fato de os produtos sustentáveis se- rem mais caros (artigos orgânicos, por exemplo, custam, em média, 30% mais do que os convencionais). Nesse cenário, a tecnologia ganha relevância. “A revolução trazida pela internet das coisas e pela inte- ligência artificial viabiliza engajar o consumidor por meio das emba- lagens e formar uma nova cultura de consumo. Grandes varejistas e atacadistas também estão se mobi- lizando nesse sentido. Acreditamos que esteja em curso uma economia na qual os impactos sociais, am- bientais e econômicos farão dife- rença na decisão de compra”, diz Marcel Fukayama, cofundador e di- retor executivo do Sistema B Brasil, movimento empresarial que milita por um comércio mais inclusivo e sustentável. Conheça, a seguir, dez ferramentas que podem ajudá-lo a se inserir nesse movimento. V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 3 7ILUSTRAÇÕES: GU I L H ER M E H EN R IQU E 1 Olho Cidadão COM 271 EMPRESAS E 11 054 MARCAS BRASI- LEIRAS EM SUA BASE DE DADOS, ESSE APLICATI- VO DESENVOLVIDO EM 2017 PELO INSTITUTO TOTUM, QUE ATUA NO MERCADO DE AUDITORIAS INDEPENDENTES, SELOS E PROGRAMA DE AUTORRE- GULAMENTAÇÃO, PERMITE AO CONSUMIDOR CHECAR NO MOMENTO DA COMPRA A IDONEIDADE DOS FABRI- CANTES. BASTA POSICIO- NAR O CÓDIGO DE BARRAS DO PRODUTO NA CÂMERA DO CELULAR PARA TER ACESSO À “FICHA” DA EMPRESA OU GRUPO QUE PRODUZ O ITEM E SABER, POR EXEMPLO, SE HÁ ENVOLVIMENTO EM CASOS DE CORRUPÇÃO, FRAUDE OU DESRESPEITO AO MEIO AMBIENTE. A PLATAFORMA É ALIMEN- TADA COM INFORMA- ÇÕES ENVIADAS PELOS PRÓPRIOS USUÁRIOS. GRÁTIS ANDROID E iOS institutototum.com.br 2 Good on You FOCADO EM MODA ÉTICA E SUSTENTÁVEL, ESSE APP FORNECE INFORMA- ÇÕES E CLASSIFICA CERCA DE 2 000 MARCAS, PRINCI- PALMENTE AS DE ABRAN- GÊNCIA INTERNACIONAL, COMO NIKE, ZARA E ABERCROMBIE. LANÇADO EM 2015 NA AUSTRÁLIA, PERMITE AO USUÁRIO SABER, ENTRE OUTRAS COISAS, O POSICIONA- MENTO DA FABRICANTE DO ARTIGO DESEJADO SOBRE DIFERENTES QUESTÕES, TAIS COMO EMISSÃO DE POLUENTES E USO DE PELES E COURO. TAMBÉM CLASSIFICA MARCAS E EMPRESAS DE UMA A CINCO ESTRELAS E TRAZ NOTÍCIAS SOBRE TEMAS RELACIONADOS E OFERTAS DE MARCAS RESPONSÁVEIS. O APP É EM INGLÊS, MAS OS FUNDADORES COGITAM FAZER VERSÕES EM OUTROS IDIOMAS. GRÁTIS ANDROID E iOS goodonyou.eco 3 Moda Livre DESENVOLVIDO PELA ONG REPÓRTER BRASIL PARA COMBATER O TRABALHO ESCRAVO NA INDÚSTRIA DA MODA, ESSA PLATAFORMA AVALIA O ENVOLVIMENTO DAS MARCAS DE ROUPAS E O COMPROMISSO DAS LOJAS EM RELAÇÃO AO TEMA. PARA ISSO, FAZ INVESTIGAÇÕES PRÓPRIAS E AUDITORIA DE UM QUESTIONÁRIO APLICADO ÀS EMPRESAS. COM BASE NAS RESPOSTAS, CLASSIFICA- AS COM AS CORES VERDE, AMARELO E VERMELHO, CONSIDERANDO AS PRÁTICAS DE CADA UMA E OS FLAGRANTES DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (MTE). COM 170 000 DOWNLOADS, TEM ATUALIZAÇÃO ANUAL. ATÉ O FECHAMENTO DESTA EDIÇÃO, ERAM 119 GRIFESE VAREJISTAS AVALIADOS, COMO C&A E HOPE. GRÁTIS ANDROID E iOS reporterbrasil.org.br 5 Molécoola A STARTUP HOMÔNIMA QUE TRABALHA COM LOGÍSTICA REVERSA DE RECICLÁVEIS LANÇOU O APP EM JULHO PARA ESTIMULAR A SEPARA- ÇÃO DO LIXO E BONIFI- CAR ADEPTOS À CAUSA. DEPOIS DE BAIXÁ-LO, O CONSUMIDOR PREENCHE UM CADASTRO E RECEBE A INFORMAÇÃO SOBRE OS PONTOS DE COLETA NOS ARREDORES. AO LEVAR OS RECICLÁVEIS — GARRAFA PET, LATA DE REFRIGERANTE, CAIXA DE LEITE —, O CONSUMI- DOR É BONIFICADO COM PONTOS QUE PODEM SER TROCADOS POR PRO- DUTOS COMO COPO DE SILICONE, LÁPIS DE COR, RECARGA DE CELULAR E CRÉDITOS EM APPS DE TRANSPORTE, OU, ENTÃO, PODE DOAR OS PONTOS ÀS INSTITUIÇÕES APOIADAS. FUNCIONA NA CAPITAL PAULISTA. GRÁTIS ANDROID E iOS molecoola.eco 4 Desquebre A INICIATIVA NASCEU EM 2015 DE UMA IDEIA DE DOIS AMIGOS DE SÃO PAULO QUE ESTAVAM INCOMODADOS COM A REDUÇÃO DA VIDA ÚTIL DE ELETRODOMÉSTI- COS, DESCARTADOS CADA VEZ MAIS CEDO. AO ENTRAR NO APP, O CONSUMIDOR INFORMA SOBRE O EQUI- PAMENTO E OS “SINTO- MAS” APRESENTADOS. NA SEQUÊNCIA, RECEBE ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS. CASO SEJA NECESSÁRIO A PRESENÇA DE UM TÉCNICO, O DISPOSITIVO ACIONA UM PROFISSIONAL CADASTRA- DO QUE ATUE NA REGIÃO DO CLIENTE E, EM ATÉ 15 MINUTOS, É FEITO CONTATO PARA AGENDAR A VISITA. COM 16 000 DOWNLOADS, O APP FUNCIONA NA GRANDE SÃO PAULO, EM JUNDIAÍ E EM CAXIAS DO SUL (RS), ATENDENDO CERCA DE 300 CHAMADOS POR MÊS. EM 2019, DEVE CHEGAR A OUTRAS REGIÕES. GRÁTIS ANDROID E iOS desquebre.com.br 3 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FONTES: SPC BRASIL; CNDL E AK ATU FONTE: PESQUISA CONSUMO CONSCIENTE , DO SERV IÇO DE PROTEÇÃO AO CR ÉDITO (SPC BR A SIL) E DA CONFEDER AÇÃO NACIONA L DE DIR IGENTES LOJ ISTA S (CNDL), DE 2018 6 Etiquetagem Veicular NESTE APP DESENVOL- VIDO PELA PETROBRAS, EM PARCERIA COM O PROGRAMA NACIONAL DA RACIONALIZAÇÃO DO USO DOS DERIVADOS DO PETRÓLEO E DO GÁS NA- TURAL (CONPET), É POS- SÍVEL (ANTES DE TROCAR DE CARRO) CONSULTAR O CONSUMO DE COMBUS- TÍVEL DE DIFERENTES VEÍCULOS E MARCAS QUE ADERIRAM AO PROGRAMA BRASILEIRO DE ETIQUE- TAGEM VEICULAR DO INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA (INME- TRO). HÁ INFORMAÇÕES DE AUTOMÓVEIS DE 35 MARCAS E DE 1 249 MO- DELOS. OUTRO DESTAQUE DA FERRAMENTA É A ESTIMATIVA DE GASTOS MENSAL E ANUAL COM BASE EM DADOS INSE- RIDOS PELO USUÁRIO. GRÁTIS ANDROID E iOS conpet.gov.br 8 BuyCott COM ESCÂNER DO CÓDIGO DE BARRAS PELO CELULAR, O APP MOSTRA AOS USU- ÁRIOS A FILOSOFIA E AS PRÁTICAS DAS EMPRESAS, OFERECENDO INFORMA- ÇÕES SOBRE O POSICIO- NAMENTO EM RELAÇÃO A DIVERSAS CAUSAS, COMO FEMINISMO, TRABALHO ESCRAVO E PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. PERMITE AO CONSUMIDOR ESCOLHER QUAL PRODUTO LEVAR PARA CASA. O USUÁRIO TAMBÉM PODE ADERIR ÀS CAMPANHAS DA FERRAMENTA, COMO DE COMBATE AOS TESTES EM ANIMAIS E DE IGUALDADE SALARIAL ENTRE GÊNEROS, PARA INDICAR APOIO OU OPOSIÇÃO A VÁRIOS AS- SUNTOS E TÓPICOS. EM SUA BASE DE DADOS, GLOBAL, HÁ CERCA DE 20 MILHÕES DE TAGS DE CÓDIGOS DE BARRAS. EM INGLÊS. GRÁTIS ANDROID E iOS buycott.com 9 Cruelty-Free CRIADO PELA ORGANI- ZAÇÃO AUSTRALIANA CHOOSE CRUELTY FREE, O APP FORNECE INFORMAÇÕES EM INGLÊS SOBRE EMPRE- SAS DE COSMÉTICOS E PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL E DE LIMPEZA DOMÉSTICA QUE NÃO FAZEM TESTES EM ANI- MAIS. BASTA ESCANEAR O CÓDIGO DE BARRAS — EMBORA ESTEJA EM INGLÊS, FUNCIONA NO MUNDO TODO. PERMITE PESQUISAR POR CATE- GORIA, COMO XAMPUS OU HIDRATANTES. TUDO É ORGANIZADO EM ORDEM ALFABÉTICA, O QUE FACILITA A NAVE- GAÇÃO. OFERECE, AIN- DA, UMA LISTA VEGANA PARA OS INTERESSADOS EM COMPRAR APENAS ITENS DESSE TIPO. GRÁTIS DISPONÍVEL PARA ANDROID E iOS choosecruel- tyfree.org.au Avançou, mas pode melhorar Pesquisas revelam como o brasileiro pensa na hora de comprar Devagar e sempre O índice de Consumo Consciente no Brasil está melhorando PROCURAM EVITAR MARCAS QUE USAM TRABALHO ESCRAVO 87% CONSIDERAM UM DIA ADOTAR PRÁTICAS E HÁBITOS DE CONSUMO CONSCIENTE 84% NÃO SABEM DEFINIR EXATAMENTE O QUE É UM PRODUTO SUSTENTÁVEL 61% COMPRAM COM ALGUMA FREQUÊNCIA ITENS FALSIFICADOS, ATRAÍDOS PELO PREÇO 58% SÓ VEEM NECESSIDADE DE COMPRAS RESPONSÁVEIS NO FUTURO, QUANDO OS PROBLEMAS NO PLANETA SE AGRAVAREM 55% 80 70 60 2018201720162015 69% 73% 72% 73% T E C N O L O G I A 10 BoBags LANÇADO EM 2015, O SITE RESPONSIVO PARA MOBILE É FOCADO NO CONSUMO INTELIGENTE DE BOLSAS E ACESSÓRIOS, COMO CINTOS E LENÇOS. A IDEIA É QUE, EM VEZ DE COMPRAR ITENS NOVOS, OS CONSUMIDO- RES OS ALUGUEM POR ALGUNS DIAS. QUEM TEM ESSES ITENS PARADOS PODE COLOCÁ-LOS PARA LOCAÇÃO. ENTRE ACERVO PRÓPRIO E DE TERCEIROS, HÁ 550 ITENS À DISPOSI- ÇÃO, COM MARCAS QUE VÃO DE CHANEL, LOUIS VUITTON E GUCCI A OUTRAS QUE SÃO NOVIDADES POR AQUI, MAS SÃO FAMOSAS FORA, COMO CULT GAIA E MODJEWEL. AO ENTRAR NA PLATAFORMA, O CLIENTE ESCOLHE A PEÇA, DEFINE POR QUANTOS DIAS QUER USÁ-LA, FAZ O PAGA- MENTO POR CARTÃO DE CRÉDITO E RECEBE O ITEM EM ATÉ TRÊS DIAS. ATENDE EM TODO O BRASIL bobags.com.br 7 Rota da Reciclagem VISA REDUZIR A GERA- ÇÃO DE LIXO NO PAÍS E ESTIMULAR A RECICLA- GEM. PARA ISSO, INDICA PONTOS DE COLETA NO BRASIL TODO PARA RECICLAGEM DE ITENS LONGA VIDA, COMO CAIXAS DE LEITE E DE SUCO. IDEALIZADO PELA TETRA PAK, MULTINACIO- NAL SUECA DE EMBA- LAGENS, O APLICATIVO POSSIBILITA DIGITAR O ENDEREÇO ONDE MORA E MOSTRA OS LOCAIS PRÓXIMOS, DIVIDIDOS EM TRÊS CATEGORIAS: COOPERATIVAS; PONTOS DE ENTREGA VOLUNTÁRIA (PEVS), COMO SUPERMER- CADOS; E COMÉRCIOS QUE COMPRAM EMBALAGENS PARA BENEFICIAMENTO E ENVIO AOS RECICLADO- RES. SÃO 5 000 ENDE- REÇOS CADASTRADOS. GRÁTIS ANDROID E iOS rotadareciclagem. com.br 4 0 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A4 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A Quase metade das empresas brasileiras deve adotar a impressão 3D nos próximos cinco anos. Esse maquinário — que fabrica de casas a alimentos — está transformando todos os setores e tem carência de mão de obra capacitada M a r i a n a A m a r o IMPRIMINDO INOVAÇÃO T E N D Ê N C I A V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 1 D e tempos em tem- pos, uma novida- de tecnológica aparece com o rótulo de que vai transformar o mercado, acabar com profissões e mudar a for- ma de trabalho. Foi assim com a Revolução Indus- trial e a invenção da máquina a vapor, com a eletricidade, com o computador, com a internet e, mais recentemente, com o smartphone. Agora, entram na lista blockchain, internet das coisas e, claro, a impressão 3D. Essa última, em análises mais futuristas, revoluciona- ria não só a indústria mas diversos ou- tros setores da economia — da saúde à moda. Segundo o relatório O Futuro do Trabalho 2018, do Fórum Eco- nômico Mundial, 49% das empresas brasileiras, de áreas diferentes, pre- tendem investir nas três dimensões até 2022 e, de acordo com um estudo do banco americano Goldman Sachs, essa é uma das oito tecnologias que vão mudar os negócios. Desde quando surgiu uma das primeiras patentes de impressoras 3D, ainda na década de 80, o méto- do melhorou muito. A máquina era cara, lenta (demorava mais de um dia para imprimir um objeto de 10 centímetros, o que hoje pode ser fei- to em menos de uma hora) e estava limitada ao polímero. Foi por meio do investimento de universidades e de grandes empresas, como HP e GE, que o processo se tornou mais rápido e barato — além de ganhar “cargas” que vão de insumos indus- triais a órgãos humanos. A versatilidade desse dispositivo é tão atraente que os interessados pela tecnologia crescem. De acordo com um estudo da consultoria Wohler Associates, o número de fabricantes dessas máquinas aumentou de 97, V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 1FOTO: GER M A NO LÜ DER S Thiago Galassi, coordenador do Bricolab da Leroy Merlin: sete impressoras3D à disposição do público 4 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A em 2016, para 135, em 2017. Entre os entusiastas está a Nasa, que pagou 125 000 dólares para uma empresa texana desenvolver um aparato de impressão de comida para os as- tronautas — o que revolucionaria a alimentação no espaço. Mas não é preciso ir até Marte para desfru- tar da gastronomia das máquinas. “Imagine fazer uma sobremesa para convidados ou amigos em sua casa e ela ser impressa no momento? Isso já existe. Há padarias imprimindo bases de tortas”, diz Luis Rasquilha, CEO do Inova Consulting, consultoria especializada em inovação. Ao alcance das mãos Mas engana-se quem pensa que o maquinário fica restrito às empre- sas e às universidades. “Assim como hoje, quando você precisa imprimir seu TCC vai até uma gráfica, ha- verá locais para imprimir projetos, protótipos e peças em 3D”, afirma Claudio Raupp, presidente da HP. E esses lugares já estão começando a surgir. Um deles é o Bricolab, oficina de bricolagem da companhia de ma- teriais de construção Leroy Merlin. Construído em uma das lojas de São Paulo da multinacional francesa, o ambiente tem sete impressoras desse tipo à disposição dos frequentado- res (clientes ou não da loja) que, para usá-las, pagam 50 reais pela primeira hora e 25 reais por hora adicional. Quem coordena o espaço é o pau- listano Thiago Galassi, de 33 anos. Formado em engenharia eletrônica, Thiago aprendeu sobre o assunto sozinho com a ajuda da internet — chegou a montar um maquinário 3D em casa em 2013. Antes de entrar nesse mercado, Thiago trabalhou em empresas tradicionais na área de fabricação mecânica. A virada em sua carreira começou em 2016, quando foi contratado como técni- co de um laboratório de fabricação digital da Leroy. Hoje, ele treina os funcionários, faz o planejamento, as compras e a administração fi- nanceira e técnica do local. “Essa é uma oportunidade que teria per- dido se não tivesse começado a es- tudar sozinho”, afirma. Nos poucos meses em que está à frente da operação, Thiago já ajudou uma senhora a consertar uma má- quina fotográfica de 1954 que esta- va sem uma peça essencial para seu funcionamento — o equipamento não era mais produzido pelo fabricante. “Era a primeira câmera que ela tinha ganhado na vida. Nós imprimimos o que ela precisava”, diz Thiago. A maioria dos clientes, no entanto, é formada por profissionais da saúde que vão testar a fabricação de próte- ses ou representantes de indústria e empreendedores que precisam criar um protótipo. “Recebemos em média 100 pessoas por dia. Há muita curio- sidade por saber como é o processo de fabricação”, diz. Uma das grandes transformações trazidas pelo maquinário 3D é a democratização da produção — o que dá fôlego para que uma nova geração de empreendedores desafie mercados sólidos. Esse é o caso de Juliana Martinelli, de 26 anos. En- genheira elétrica, ela fundou a Ino- vaHouse 3D, empresa de impressão de casas. Sim, casas. O maquinário foi desenvolvido em parceria com o Senai e a Universidade do Paraná. A “tinta” usada é uma mistura de cimento, areia e água, com outros aditivos que dão resistência à cons- trução. Em fevereiro, a empresa vai tirar a primeira casa do papel, que terá 54 metros quadrados e leva- rá 15 dias para ficar pronta. “Não estamos tão atrasados no uso em relação ao resto do mundo, mas políticas públicas ajudariam a im- pulsionar o mercado. Em Dubai, por exemplo, há uma meta de que 25% das construções sejam feitas com impressoras até 2025”, diz Juliana. Projeções do amanhã Veja quais são as expectativas para esse mercado até 2022, de acordo com o relatório O Futuro do Trabalho 2018, feito pelo Fórum Econômico Mundial com 313 empresas 49% 41% DAS COMPANHIAS DEVEM ADOTAR A IMPRESSÃO 3D NOS PRÓXIMOS CINCO ANOS NA RÚSSIA E NA COREIA DO SUL, A IMPRESSÃO 3D É UMA DAS DEZ TECNOLOGIAS CONSIDERADAS PRIORITÁRIAS, À FRENTE DE DISPOSITIVOS VESTÍVEIS (WEARABLES), BLOCKCHAIN E COMPUTAÇÃO QUÂNTICA 57% 54% 53% 50% NO BRASIL, ESSE PERCENTUAL CHEGA A AEROESPACIAL DE LOGÍSTICA E TRANSPORTES ENERGIA QUÍMICA E BIOTECNOLOGIA SAÚDE ÓLEO E GÁS MINERAÇÃO 61% 58% T E N D Ê N C I A SETORES QUE MAIS VÃO INVESTIR: FOTOS: DI V U L GAÇÃO V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 3 A E R O E S PA C I A L NA INDÚSTRIA AEROESPACIAL, SETOR EM QUE SÃO EXIGIDOS ALTOS PADRÕES DE DESEMPENHO, A IMPRESSÃO 3D OFERECE PEÇAS COM TAMANHOS E COMPLEXIDA- DES DIVERSAS, ALÉM DE RESISTÊNCIA E LEVEZA, FATORES PRIMORDIAIS AO SETOR S A Ú D E A IMPRESSÃO REVOLUCIONOU NÃO APENAS OS PRODUTOS USADOS NA MEDICINA E NA ODONTOLOGIA, COMO PRÓTESES E ÓRTE- SES, MAS TAMBÉM MUDOU A FORMA COMO OS PROCEDIMENTOS SÃO REALIZADOS. É POSSÍVEL SIMULAR CIRURGIAS ORTOPÉDICAS E IMPRIMIR ÓRGÃOS, PELE, ARTÉRIAS E OSSOS. C O N S T R U Ç Ã O C I V I L E A R Q U I T E T U R A ALÉM DA POSSIBILIDADE DE CRIAR MA- QUETES, ESCULTURAS E ACESSÓRIOS DE DECORAÇÃO, A TECNOLOGIA É USA- DA PARA A IMPRESSÃO DE CASAS. I N D Ú S T R I A ARTE DA INDÚSTRIA 4.0, AS IMPRES- SORAS 3D PERMITEM, POR EXEMPLO, A PERSONALIZAÇÃO DE PRODUTOS, ALÉM DA REDUÇÃO DE CUSTOS E TEMPO COM PROTOTIPAGEM, PRODUÇÃO E LOGÍSTICA. A L I M E N TA Ç Ã O NO FUTURO, ESPERA-SE QUE A IMPRESSÃO 3D POSSA AJUDAR NA CRIAÇÃO DE NOVOS SABORES MANTENDO AS PROPRIEDADES NU- TRITIVAS DE VÁRIOS ALIMENTOS E ATÉ MESMO CRIANDO COMBINAÇÕES MAIS SAUDÁVEIS. Página virada Como os setores serão impactados pela impressão em três dimensões Aprendendo na prática O setor da saúde é um dos que mais investirão nas impressoras 3D. De acordo com o estudo do Fórum Eco- nômico Mundial, 53% das compa- nhias dessa área colocarão dinheiro nessa tecnologia até 2022. No Brasil, o uso já é realidade no departamen- to de radiologia da Casa de Saúde de São José, no Rio de Janeiro, desde 2017. “Elas auxiliam no diagnóstico e na produção de materiais que se adaptem perfeitamente aos pacien- tes, como órgãos e ossos”, diz Ilan Gottlieb, chefe do departamento. No primeiro ponto, o hospital já tem vasta experiência. “Conseguimos escanear uma má-formação de um feto ou uma fratura que precisava ser estudada, por exemplo, e criar um modelo em 3D para o médico analisar antes da operação”, afirma Ilan. No segundo, a evolução esbarra em normas da Anvi- sa, que precisa avaliar cada produto impresso. Todas as ações feitas com o dispositivo foram desenvolvidas na prática. “Operar o equipamento ainda não é tão simples e não havia cursos de capacitação, então precisamos Como você vê nas imagens desta página, a tecnologia 3D já é usada na indústria, na construção civil, no design de móveis e na gastronomia 4 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A Juliana Martinelli, fundadora da InovaHouse: casa de 54 metros quadrados será impressa em Brasília (DF) “ T I N TA” PA R A C Ó R N E A S NO REINO UNIDO, CIENTISTAS USARAM AS CÉLU- LAS RETIRADAS DA CÓRNEA DE UM DOADOR SAU- DÁVEL PARA CRIAR UMA MISTURA COM ALGINA- TO E COLÁGENO QUE PODE SER UTILIZADA COMO “TINTA” EM IMPRESSORAS 3D. EM MENOS DE DEZ MINUTOS, A CÓRNEA FICARIA PRONTA E AINDA SERIA FEITA “SOB MEDIDA” PARA CADA PACIENTE. P E L E H U M A N A UM GRUPO DE CIENTISTAS ESPANHOL CRIOU UMA BIOIMPRESSORA QUE FAZ PELE HUMA- NA PARA SER USADA EM TRANSPLANTES E EM TESTES DE COSMÉTICOS. JÁ SE PRODUZ TECIDO EPITELIAL HUMANO POR MEIO DA TÉCNICA IN-VITRO, MAS O USO DA IMPRESSO- RA 3D PERMITIRIA ESCALAR A PRODUÇÃO E AUMENTARIA A VELOCIDADE DO PROCESSO. B I C I C L E TA S A STARTUP AMERICANA AREVO, ESPECIALIZADA EM IMPRESSÃO 3D, PRODUZIU O QUE DIZ SER A PRIMEIRA BIKE DE FIBRA DE CARBONO DO MUNDO QUE TEM O QUADRO CONSTRUÍDO POR MEIO DA NOVA TECNOLOGIA — O QUE DEIXA A BICICLETA MAIS LEVE E BARATA. A EMPRESA QUER USAR A TÉCNICA PARA CRIAR AERONA- VES, VEÍCULOS ESPACIAIS E OUTROS PRODU- TOS QUE PRECISEM DA FIBRA DE CARBONO. R E M É D I O S A VITAE, STARTUP AMERICANADE SAÚDE, USA A IMPRESSÃO 3D PARA FABRICAR COMPRIMIDOS PERSONALIZADOS COM DOSAGENS ESPECÍFICAS, O QUE TORNA O PROCESSO DE MANIPULAÇÃO TRÊS VEZES MAIS RÁPIDO DO QUE O HABITUAL. C O M I D I N H A S UM GRUPO DE CIENTISTAS DA UNIVERSIDADE HEBRAICA DE JERUSALÉM ANUNCIOU UMA IM- PRESSORA 3D CAPAZ DE FABRICAR ALIMENTOS A PARTIR DE UMA BASE CELULAR. ENQUANTO ISSO, NO MIT, CIENTISTAS DESENVOLVERAM UMA IM- PRESSORA 3D QUE FAZ SORVETE EM 15 MINUTOS E UM GRUPO INGLÊS IMPRIME FRUTAS USANDO A TECNOLOGIA DE GASTRONOMIA MOLECULAR. Já é realidade Conheça tecnologias que foram criadas com impressoras 3D T E N D Ê N C I A 1 pesquisar por nossa conta”, diz Ilan. Essa é uma realidade do mercado: as escolas ainda estão se preparando para capacitar os profissionais que usarão a nova tecnologia. Mas pre- cisam fazer isso com urgência. “A técnica se popularizou e está inva- dindo diversos setores da economia. Se uma universidade de odontologia, medicina, engenharia ou design não trabalha com ela, quem está se for- mando lá já está fora do mercado”, diz André Skortzaru, fundador da 3D Criar, que distribui impressoras em terceira dimensão e dá consultorias sobre o tema. Para Luis Rasquilha, da Inova, as escolas vão se adaptar à de- manda. Assistiremos ao nascimento de muitos programas de graduação e pós”, diz. Centros de ensino como Unicamp, Universidade de São Paulo, ESPM, Mackenzie e Senai já oferecem FOTOS: 1 CR I ST I A NO M A R I Z 2 A N DR E VA L EN T I M V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 5 Ilan Gottlieb, chefe de departamento de radiologia Casa de Saúde de São José: o 3D auxilia no pré-operatório e na produção de ossos e órgãos Pé atrás Veja quais são os motivos que levam as empresas a não investir em impressão 3D FONTE: PWC FALTA DE PESSOAS ESPECIALIZADAS 42% ALTO CUSTO DA TECNOLOGIA 41% INCERTEZA SOBRE A QUALIDADE FINAL DO PRODUTO 33% VELOCIDADE DA IMPRESSÃO 26% cursos na área. O Senai, inclusive, lançou um estudo recente no qual lista 30 novas ocupações que surgirão nos próximos cinco a dez anos — e uma delas é o projetista para tecno- logia 3D, que deverá ganhar, em mé- dia, 3 000 reais e ter conhecimentos de programação, gestão tecnológica de automação, internet das coisas e, claro, muita criatividade. O papel das empresas O coordenador da Faculdade de Ciên- cia de Computação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Vivaldo Bre- tenitz, acredita que existe a necessida- de imediata para alguns profissionais de voltar a estudar. “Como sempre acontece com a chegada de inovação, trabalhos pesados são substituídos por máquinas, e aqueles que conse- guem se capacitar mudam de área e passam a ganhar salários melhores”, afirma. De qualquer forma, em sua avaliação, ainda é muito cedo para estimar o impacto real que a impres- são 3D terá no mercado de trabalho. Nesse sentido, seria papel das empresas — e dos profissionais — monitorar o setor constantemente, pois a concorrência é global. “Com o digital, os trabalhadores não pre- cisam mais estar no mesmo país que a fábrica: um bom profissional pode ter clientes em qualquer lugar do mundo e quem está competindo com você por uma vaga pode estar na Índia, na Alemanha ou em outro país”, diz Claudio Raupp, presidente da HP. “Esse é um mercado que gira 12 trilhões de dólares por ano e que afetará todos que fazem manufatura por injeção”, afirma o executivo. A multinacional está trazendo para o Brasil a tecnologia 3D e precisa ca- pacitar sua mão de obra. Para isso, investe em treinamentos internos e já enviou a equipe de vendas brasi- leira para uma imersão sobre o tema na matriz americana. Otimista, ele vê muito mais opor- tunidades para os profissionais do que ameaças. “Haverá demissões, pois as impressoras podem pro- duzir sob demanda com alto grau de personalização. Por outro lado, serão criados empregos com mais valor agregado e salários mais al- tos”, afirma Claudio. Existe hoje uma carência de mão de obra que saiba trabalhar com essa técnica. E quem estiver à frente da onda terá destaque. “O 3D vai impactar todas as indústrias, da comunicação às ciências aplicadas.” A melhor atitu- de é pensar em como seu setor de atuação vai se transformar com a nova tecnologia. Assim, em vez de se deixar levar pelos acontecimentos, você pode imprimir sua marca nesse mercado cheio de possibilidades. 2 4 6 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A C O M P O R T A M E N T O PERSONALIDADES SOMBRIAS 4 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 47 N inguém é perfeito e, convenhamos, em meio à pres- são e ao estresse do dia a dia pro- fissional, todo mundo acaba adotando um comportamento questionável de vez em quando. Uma pa lav ra atravessada, uma atitude grosseira, um gesto impulsivo... Sempre há o risco de decepcionar alguém e até se prejudicar, mas, afinal, faz parte do lado sombrio da personalidade, do “eu escondido” que todo mundo tem. Algumas pessoas, porém, demons- tram uma tendência a agir na sombra o tempo todo. E não é de hoje que os cientistas se concentram em en- tender as muitas variáveis de com- portamento antissocial e os traços de personalidade marcantes em in- divíduos que parecem seguir uma ética particular, em que o próprio benefício e interesse estão sempre à frente, nem que para isso seja ne- cessário passar por cima de alguém (ou de todo mundo). Um trio de pesquisadores europeus divulgou recentemente na revista oficial da Associação Americana de Todo mundo tem um lado obscuro, mas cientistas europeus descobriram que algumas pessoas têm traços que as tornam bem difíceis de lidar. Aprenda a identificá-las e a conviver com elas sem deixar que prejudiquem seu bem-estar psicológico M a r c i a D i D o m e n i c o Psicologia o resultado de um trabalho que mostra que, apesar de diferen- ças de perfil, indivíduos com condu- tas marcadas por falta de empatia, egoísmo, manipulação e narcisismo, entre outras atitudes nocivas (leia o quadro Ingredientes Básicos), compartilham uma espécie de ma- triz malévola, que eles chamaram de dark core (algo como “núcleo escu- ro”) da personalidade — ou apenas fator D. “A ideia básica é que todos os traços sombrios poderiam ser re- sumidos em um único elemento — o fator D —, suficiente para descrever a tendência individual de colocar a si mesmo, suas necessidades e seus interesses em primeiro lugar e ser ca- paz de tudo para chegar aonde quer, ainda que isso signifique prejudicar outras pessoas”, explicou, em entre- vista a VOCÊ S/A, Morten Moshagen, professor e pesquisador do Instituto de Psicologia e Educação da Univer- sidade de Ulm, na Alemanha, e um dos autores do estudo. Trocando em miúdos, em vez de descrever essas pessoas como egoístas e maquiavé- licas, por exemplo, seria suficiente dizer que elas têm D alto (semelhan- te ao QI alto quando se trata de in- teligência). Segundo Morten, o D é justamente uma mistura de vários ingredientes, “calculado” pela com- posição de desvios de caráter, desde os mais “inofensivos”, como narcisis- mo e egoísmo, até os mais malignos, como psicopatia e sadismo. A origem do mal Todo mundo tem um pouco dessas características negativas de persona- lidade. “Muitas vezes é o modo en- contrado pelo indivíduo para mani- festar insegurança e medo — de não ser admirado, de ser desrespeitado ou de não conseguir o que deseja”, diz Alexandre Pellaes, fundador da Ex-Boss, consultoria de modelos e práticas de gestão. “À medida que amadurece e aprende a lidar com a vulnerabilidade e a aceitar ajuda, o indivíduo passa a entender como pode controlar essas condutas an- tissociais.” Os autores do estudo eu- ropeu suspeitam que de 5% a 10% das pessoas apresentem níveis pro- blemáticos de fator D — são aquelas que chegam ao ponto, por exemplo, de adotar comportamento violento, criminoso ou altamente transgressor. Morten e os colegas insistemque a pesquisa é recente e ainda há bas- tante o que investigar sobre como aplicar na vida real as descobertas acerca do fator D. Mas deixam claro que esse conhecimento pode ser útil no contexto forense (para identifi- cação de suspeitos e solução de cri- mes) e em processos seletivos. “Por meio de um teste de medição, seria possível identificar candidatos com propensão a comportamento nocivo nas empresas, como corrupção e as- sédio moral”, diz Morten. Os dados também seriam proveitosos para criar programas de treinamento e avaliação de equipes. Fugindo da sombra Um dos princípios dessa teoria é que um sujeito não precisa ter em si todos ou muitos traços malignos para ser “diagnosticado” como dono de uma personalidade sombria. Alguém reco- nhecido pelos outros como maquia- vélico, sádico ou maldoso provavel- mente é assim mesmo. Resta, então, saber como lidar com ele. Ainda mais porque os modelos de gestão conservadores resultaram no surgimento de uma legião de chefes D nas empresas. Acostumados a se impor pelo poder e até pela tirania, exercem uma liderança construída sobre a entrega de resultados e com pouco interesse pelas pessoas. Wil- ma Dal Col, diretora da consultoria de gestão ManpowerGroup, comen- ta que esses tipos devem se tornar cada vez mais raros e podem estar fadados ao isolamento. “Pessoas au- ILUSTRAÇÕES: W EBER SON SA N T I AG O 4 8 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A 1 Só o que importa para mim é meu bem-estar 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 2 Vingança não traz conforto* 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 4 A maioria das pessoas merece ser respeitada* 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 5 Não tenho satisfação em ver o fracasso de meus adversários* 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 6 O sucesso é uma questão de sobrevivência dos mais aptos. Não me preocupo com os perdedores 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 7 Quem mexe comigo sempre se arrepende 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 8 Sou capaz de dizer qualquer coisa para conseguir o que desejo 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 3 Uma pessoa deve usar de todo e qualquer meio disponível a seu favor, cuidando para que os outros não saibam disso, é claro 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE Atenção: por se tratar de uma pesquisa em fase inicial, os resultados são abertos. Mas, quanto mais próximo de 60 for sua pontuação, maior é seu coeficiente do fator D *MORTEN MOSH AGEN, BENJA MI N HIBIG E INGO ZETTER , AUTOR ES DO ESTUDO T H E DA R K COR E OF PER SONA L I T Y C O M P O R T A M E N T O Ingredientes básicos O fator D é uma espécie de denominador comum entre diversas características que constituem uma personalidade obscura. Para ser assim, uma pessoa precisa ter pelo menos um pouco de cada uma dessas características E G O Í S M O TENDÊNCIA A VALORIZAR APENAS O QUE RESULTA EM BENEFÍCIO PRÓPRIO, EXCLUINDO OU IGNORANDO O BEM-ESTAR COLETIVO. S A D I S M O CAPACIDADE DE SENTIR PRAZER AO INFLIGIR DOR OU SOFRIMENTO (FÍSICO OU PSICOLÓGI- CO) A OUTRA PESSOA. M A Q U I AV E L I S M O HÁBITO DE MENTIR E MANIPULAR PARA CONSEGUIR O QUE DESEJA. Descubra o D em você O teste a seguir foi elaborado por Morten Moshagen, Benjamin Hibig e Ingo Zetter, autores do estudo The Dark Core of Personality (“O núcleo escuro da personalidade”, numa tradução livre). Responda quanto você concorda com as afirmações listadas abaixo, marcando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Para as frases com asterisco (*), calcule a ontuação subtraindo sua resposta de 5. Por exemplo, se respondeu 3 (não concordo nem discordo), o resultado é 5 – 3 = 2 (discordo). 4 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTO: X X X X X X V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 4 9 9 Quando estou irritado, atormentar os outros faz com que eu me sinta melhor 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 10 Prejudicar alguém me deixa muito desconfortável* 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 11 Fico mal quando alguma coisa que fiz deixa alguém chateado* 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE 12 Houve ocasiões em que estive disposto a sofrer algum dano a fim de punir alguém que merecia 1. DISCORDO TOTALMENTE 2. DISCORDO PARCIALMENTE 3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO 4. CONCORDO PARCIALMENTE 5. CONCORDO TOTALMENTE tocentradas e dispostas a tudo para vencer tendem a avançar na carreira porque são focadas em obter resulta- dos, mas têm cada vez menos espaço em um mundo corporativo baseado na colaboração e no coletivo”, diz. Não sucumbir a um chefe que sabe manipular as emoções nem sempre é fácil. Alexandre Pellaes sugere que a combinação de autoconhecimento com empatia é chave para saber como agir. “Tentar entender a posição do outro pode revelar que talvez você fizesse a mesma coisa em diversas situações, e isso pode tornar a relação e o trabalho mais leves”, diz. Oferecer feedback sobre como se sente e recor- rer às ferramentas de RH disponíveis para sua proteção também são boas estratégias. Só o que não pode é en- golir sapos sem necessidade. “Assédio moral é o limite”, diz Alexandre. Criar conexões fortes e confiáveis no ambiente de trabalho vale como uma espécie de blindagem contra pessoas negativas. Ter com quem desabafar e se aconselhar em mo- mentos de estresse causado por um chefe ou par tóxico faz uma grande diferença para não se deixar con- taminar, perder motivação e, muito menos, achar que é você quem apre- senta algum desvio de personalida- de. Mas, nesse processo, é impor- tante seguir o conselho de Wilma: “Não se pode modular o próprio comportamento pelo medo, deixan- do de agir quando se sente agredido ou injustiçado. Muito menos pelas atitudes do outro, espelhando con- dutas condenáveis para se mostrar próximo ao ‘algoz’ ”. O que você pre- cisa é buscar o equilíbrio interno e aprender a se defender. N A R C I S I S M O AUTOADMIRAÇÃO EXCESSIVA, QUE LEVA A ACREDITAR SER RAZOÁVEL USAR E MALTRATAR OUTRAS PESSOAS PARA CONQUISTAR O QUE QUER. INTE RE S S E PRÓPR IO DISPOSIÇÃO PARA FAZER DE TUDO PELA CONQUISTA DE “BENS” SOCIALMENTE VALORIZADOS — COISAS MATERIAIS, POSIÇÃO SOCIAL, RECONHECIMENTO PROFISSIONAL E FELICIDADE, POR EXEMPLO. M A L D A D E COMPORTAMENTO, GERAL- MENTE MOVIDO POR VIN- GANÇA, QUE LEVA A FERIR E PREJUDICAR OUTRAS PES- SOAS, MESMO QUE ISSO SIG- NIFIQUE FERIR A SI PRÓPRIO. P S I C O PAT I A DESPREZO PELOS OUTROS, REFORÇADO POR BAIXA EMPATIA E FALTA DE AU- TOCONTROLE (OU EXCES- SO DE IMPULSIVIDADE). D E S E N G A J A M E N T O M O R A L DESCOMPROMISSO COM AS IMPLICAÇÕES ÉTICAS E MORAIS DAS PRÓPRIAS AÇÕES. DIREITO PSICOLÓGICO CRENÇA DE QUE DETERMINADAS PESSOAS MERECEM TER MAIS E SER MAIS BEM TRATADAS DO QUE OUTRAS. 5 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A D I V E R S I D A D E Q uando o táxi esta-cionou para buscar a drag queen Mama Darling numa rua movimentada do centro de São Pau- lo, a peruca dela não passava na porta do carro. Para entrar, foi preciso tirar da cabeça o emaranha- do de fios, com meio metro de comprimento e um enorme arranjo de frutas. Mama Darling mede 1,81 metro e, no dia, usava sandálias de salto 15 centímetros. Eram quase 2 metros de altura tentando se acomo- dar no banco do passageiro sem rasgar a saia de tule, desfiar a meia-calça 7/8 ou perder umas das unhas postiças. Bem-humorada, pediu ao motorista que ficasse tranquilo: “Está tudo bem, moço”. Depois, perguntou qual era a previsão de chegada. Ao ouvir que estaria no local oito minutos antes do combinado, disse: “Ufa, em cima” . Naquela tarde de dezembro, em que era acompanhada por nossa reporta- gem, Mama, como ficou conhecida, participaria da comemoração de final de ano de uma tradicional produtora de cinema. Foi convidada para animar o evento e divertir os funcionários. E fez sua parte. Por mais de três horas, manteve-se animada em cima do pal- co, dançando na pista e brincando com os convidados — especialmente rapazes bonitos, para os quais gritava “lindo” e perguntava “casa comigo?”. Mandou dezenas de beijinhos, tirou UMA DRAG NO ESCRITÓRIO Conheça Fernando Magrin, o executivo da American Airlines que virou drag queen e criou um dos maiores blocos de Carnaval de São Paulo M a r i a n a P o l i fotos com crianças e soltou bordões como “Não é para assustar, é para se apaixonar” e “Menos nunca é mais”. Quem vê a cena não imagina que, por trás das lantejoulas e das piadi- nhas infames, está Fernando Magrin, de 53 anos, executivo da maior com- panhia aérea do mundo. Gerente de novos negócios da American Airlines, ele virou drag queen três anos atrás, em plena meia-idade, quando fundou o MinhoQueens, um dos grandes blo- cos do Carnaval de São Paulo. O nome de Mama Darling foi ins- pirado na personagem de Drew Barrymore no documentário Grey Gardens (2009). A atriz vive a prima decadente de Jackie Kennedy, uma jovem problemática que usa o tempo todo a expressão “mother darling” (querida mãe, na tradução para o por- tuguês). Segundo o executivo, como a drag queen é meio mãezona, o nome caiu como uma luva. “O bloco é fre- quentado por uma meninada e sou a mais velha. A mama é safada, mas tem uma coisa maternal ao mesmo tempo”, diz Fernando, que flexiona as palavras para o gênero feminino quando está se referindo ao alter ego. Acolhimento corporativo A virada inusitada lhe rendeu noto- riedade no mundo dos negócios. “As pessoas adoram saber dessa história, ficam curiosas e admiradas.” Forma- do em artes cênicas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando chegou à capital em 1993, aos 27 anos, para tentar a carreira de ator. Enquanto ensaiava peças de teatro e fazia testes para comerciais, ele passou a trabalhar aos finais de semana como vendedor de joias da loja H.Stern, no Aeroporto Interna- cional de Guarulhos, para manter a própria subsistência. Lá, fez amizade com uma moça que trabalhava na sala VIP da American Airlines, que o avisou quando surgiu uma vaga de atendimento no loun- ge da companhia aérea. Precisando de dinheiro, resolveu tentar. Com inglês fluente, fruto do intercâmbio feito na Califórnia aos 17 anos, e a desenvoltura adquirida no teatro, conquistou a oportunidade. “Num primeiro momento, eu me encantei pelos benefícios de viagem. Nós não pagávamos nem taxa de embarque. Comecei a passar até final de semana em Nova Iorque. Íamos para os Esta- dos Unidos comprar papel hi giênico. Era uma coisa absurda, porque o real valia mais doque o dólar.” Fernando começou sua carreira ali no início do Plano Real, quando o governo Fer- FOTOS: GER M A NO LÜ DER S Fernando Magrin, gerente de novos negócios da American Airlines: ele se transforma na drag queen Mama Darling nando Henrique Cardoso controlava a taxa de câmbio e a moeda americana chegou a valer 0,82 centavo de real. Mas o que mexeu com ele não fo- ram só os descontos nas passagens, mas o fato de perceber, pela primeira vez, que ser homossexual não era um problema. Pelo contrário. Na Ame- rican Airlines, descobriu um mundo novo. Em 1994, a multinacional já tinha, entre outras coisas, um atu- ante grupo de funcionários LGBT+, chamado de Pride (orgulho, na tra- dução para o português). “As pessoas falavam abertamente a respeito de sexualidade. Era natural. No final dos anos 90, quando ninguém tocava no assunto, conheci uma piloto trans que fez a transição trabalhando em nossa empresa. Foi esse o ambiente que encontrei e um dos motivos que me fez ficar até hoje.” Para o menino de Nova Odessa, cidade de 50 000 habitantes no in- terior paulista, acostumado a escon- der as bonecas do pai e a namorar garotas a contragosto, aquilo era um trunfo pessoal e profissional. Colegas e chefes souberam desde o começo que ele era gay, coisa que a família levou anos para descobrir. “Só consegui falar disso com meus parentes cinco anos atrás, quando meu pai morreu”, diz. Fernando trabalhou na área VIP por nove anos. Fazia o atendimento de passageiros importantes e em- barcava nomes como Xuxa, Pelé, Sônia Braga e Naomi Campbell. Nessas ocasiões, não perdia a opor- tunidade de brincar — traço de per- sonalidade que mantém ainda hoje, no escritório. Com um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, fez gra- ça. “Disse a ele que minha primeira palavra não tinha sido nem papai, nem mamãe, mas Pelé.” Para Malu Mader, contou piada. “Quem é o pai da Malu Mader? Malu Fader!” O jei- tão despachado o fez conquistar a simpatia dos passageiros. 52 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTOS: 1 A NA N DA M IGL I A NO/ F U T U R A PR ES S 2 GER M A NO LÜ DER S De secretário a executivo No final de 2005, ficou sabendo de uma vaga para trabalhar como auxi- liar do gerente-geral da área comercial no corporativo. Pegou a chance. Dois anos depois, foi promovido a agente de vendas, dando suporte aos repre- sentantes comerciais externos, auxi- liando com planilhas, dados e revisão de números. Em 2014, virou analista de vendas para a América Latina, pas- sando a se reportar diretamente ao time comercial de Miami. “Essa fase foi difícil, porque mexia com números e tive de aprender na raça. Só con- segui porque encontrei profissionais dispostos a me ensinar.” Em 2017, após uma troca de co- mando em sua equipe nos Estados Unidos, outra promoção: executivo de novos negócios. “A nova chefe disse que gostaria de me ver na rua, buscando contas. Falou que a em- presa abriria uma vaga e sugeriu que eu me candidatasse. ” A missão de Fernando, agora, é fechar negócios com pequenas e médias empresas e convencê-las de que a American Air- lines é a companhia certa para cuidar das viagens corporativas. Para isso, oferece programas de pontuação e tarifas com preços especiais. A aérea faz voos diários saindo de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Manaus para quatro cidades americanas: Miami, Dallas, Nova York e Los Angeles. A ascensão para gerente veio um ano depois de ter se tornado drag queen e fundado o bloco de Carna- val. Desde que criou a personagem também passou a ser chamado para ir a eventos, como a festa da firma que VOCÊ S/A acompanhou, a dar palestras e a comparecer a fóruns sobre diversidade. Já falou, ora com o terno e a gravata do Fernando, ora com as fantasias da Mama Darling, para pessoas da Avon, Accenture e Câmara Americana de Comércio do Rio de Janeiro. “Não sou especialista nem intelectual. Meus depoimentos vêm do coração.” E Fernando afirma estar sendo surpreendentemente recompensado pela experiência. “Após um desses eventos, recebi e-mail de um profissional com a mesma idade que eu. Ele escreveu: ‘Após ouvir sua história, decidi que vou chegar em minha empresa nesta semana e dizer que sou casado com um cara há 30 anos’.” Quando questionado se um dia ima- ginouque seria referência LGBT+, diz que isso nunca havia passado por sua mente. “Jamais pensei. Sinto como se tivesse tido uma segunda chance de exercer meu lado ator, uma oportuni- dade incrível de me reinventar”, diz. Bloco MinhoQueens, no Vale do Anhangabaú em São Paulo: 200 000 pessoas em 2018 1 D I V E R S I D A D E V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 3 colegas. “Eles querem me enfiar em tudo. Às vezes, preciso impedir”, conta. Em 2017, foi vestido de Mama Darling para discursar numa impor- tante convenção de vendas da Ame- rican Airlines. “Pego o microfone e já vou logo dizendo: ‘Que empresa é essa que deixa o funcionário vir vestido assim para apresentar ge- rentes e diretores?’ .” Orgulhoso, o gerente de novos negócios diz que, em 24 anos de companhia, sofreu preconceito uma única vez — e de um passageiro. Havia uma fila grande e o homem queria passar na frente. Ao ter o pedido negado, xingou-o de “bicha”. “Chamei o su- pervisor e fiz aquele senhor pedir desculpas. Tenho a sorte de traba- lhar num lugar que não me obriga a ser quem não sou.” Seu conselho aos profissionais que passam por situações difíceis no mercado de trabalho é que procurem se impor. “Estamos nesta vida para ser feliz. Acho tão triste imaginar alguém que não pode ser quem se é no emprego. Com que vontade se levanta da cama?” Fernando sabe que se assumir gay ou comunicar aos colegas uma readequação de gê- nero exige boa dose de coragem, por isso sugere que se fale primeiro com os mais próximos, formando uma rede de respeito. Mesmo com o espaço que conquis- tou, o executivo não se considera um ativista da causa LGBT+ no mundo corporativo. “Por enquanto, me en- xergo apenas como um exemplo possível. Alguém que mantém uma carreira sendo gay e drag queen.” En- tre seus planos está atuar de maneira mais significativa no Pride, o grupo de diversidade da American Airlines, e a criação de um stand up com Mama Darling para explorar esse universo. “Estou convicto de que, quanto mais nos posicionarmos, melhor. Um puxa o outro. No mundo corporativo, sou uma história de final feliz.” SINTO COMO SE TIVESSE TIDO UMA SEGUNDA CHANCE, UMA OPORTUNIDADE DE ME REINVENTAR Quando o Carnaval chegar Para dar conta do posto de gerência e levar seus projetos pessoais adiante, Fernando se desdobra. De manhã e à tarde, cuida da rotina na American Airlines. À noite e aos fins de semana, dedica-se ao MinhoQueens e à Mama Darling. Quando conversou com a re- portagem, no final de dezembro, ainda buscava patrocínio para colocar o bloco na rua. Segundo seus cálculos, serão necessários entre 50 000 e 70 000 reais para contratar trios, seguranças, gradil e cordeiros. “No ano passado, tivemos público de 200 000 pessoas”, diz. O exe- cutivo conta que a muvuca era tanta que nem conseguiu aproveitar. Bebeu duas garrafas de água durante o trajeto e passou o tempo todo observando a movimentação de cima do caminhão. “Eu me sinto responsável. Se vejo alguém brigar, mando parar. Se têm pessoas subindo em ponto de ônibus ou monumento, peço que a música seja interrompida até descerem.” Da porta do escritório para dentro, Fernando lida com a empolgação dos 2 A habilidade de programar será exigida em todas as áreas e se tornará tão importante quanto saber falar inglês. Descubra como entrar nesse universo G u i l h e r m e S o a r e s D i a s A LINGUAGEM DO FUTURO I magine estar em uma reu- nião em que apenas você não fala a língua em que ocorrem os debates. É assim que vão começar a se sentir aqueles que ainda não aprenderam a programar. Isso porque a lin- guagem dos códigos, antes restrita a quem trabalhasse com tecnologia e aos “ner- ds”, está se tornando cada vez mais comum no dia das pessoas. No futuro próximo, desven- dar esse idioma será tão básico no cotidiano do trabalho quanto falar inglês. “Essa será a linguagem mais importante dos próximos anos, não porque todo mundo vai programar, mas porque todo mundo vai depen- der da programação para trabalhar”, afirma Juliano Seabra, diretor de inovação e novos negócios da Totvs. O impacto será tão grande que, de acordo com o relatório The Next Era of Human-Machine Partner- ships (“A nova era de parcerias homem-máquina”, numa tradução livre), elaborado pela Dell Technolo- gies em parceria com o Institute for the Future (IFF), até 2030 todas as empresas serão baseadas em tecno- logia, qualquer que seja seu setor de atuação. Por isso, é bom se preparar. Hoje, candidatos que sabem es- crever um sistema já são vistos com bons olhos — e a demanda só vai crescer. “No caso dos recursos humanos, por exemplo, temos pla- taformas de treinamento e sistema de contratação com robô intera- gindo com funcionários. Se tenho gente no meu setor que sabe pro- 5 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A D E S E N V O L V I M E N T O FOTO: GER M A NO LÜ DER S FOTO: X X X X X X V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 5 Jessica Oliveira, estagiária de análise de dados do site Nexo: o curso de programação voltado para mulheres a ajudou a ingressar no mercado 5 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A gramar, não dependo da área de TI para tudo”, diz Carla Alessandra de Figueiredo, gerente executiva de RH da Stefanini, que está trei- nando não só os funcionários mas também os filhos deles no tema. “É como conhecer o pacote Offi- ce. Todo mundo terá de saber essa linguagem para extrair o máximo possível da tecnologia”, diz Carla. Mas quem quer se destacar pre- cisa ir além de simplesmente criar alguns códigos. É necessário com- preender o que está por trás desse processo. “Você precisa entender a lógica e saber como estruturar um algoritmo. Assim, evita ter que con- tratar alguém para executar uma ideia simples ou analisar informa- ções necessárias para algumas tare- fas”, diz Marielen Ferreira, cientista de dados da Totvs. Alta demanda No Guia Salarial 2019, da consul- toria Robert Half, que indica quais carreiras estarão em alta no ano que começa, o programador apare- ce como uma das profissões de des- taque. O documento ressalta que, “se antigamente o departamento de TI era visto como de suporte, hoje é vital e estratégico para os negócios”. De acordo com Caio Arnaes, gerente sênior de recrutamento da Robert Half, o crescimento dessa área tem a ver com a automação dos proces- sos, com a necessidade de analisar a quantidade de dados gerados (o famoso big data) e com a interação com os clientes por meio de aplicati- vos. “A demanda deve se manter nos Por onde começar Cursos para quem quer ingressar no universo dos códigos < PRESENCIAIS /> P R O G R A M AÇ ÃO E M P Y T H O N , R e M AT L A B QUEM OFERECE: FGV – EESP (ESCOLA DE ECONOMIA DE SÃO PAULO) PROGRAMA: PARA PARTICIPAR DAS AULAS, NÃO É PRECISO TER NENHUM CONHECIMENTO PRÉVIO EM PROGRAMAÇÃO, MAS É NECESSÁRIO TER FUNDAMENTOS DE ESTATÍSTICA E MATEMÁTICA. O CURSO TEM TEOR PRÁTICO E SE APROFUNDA NA LINGUAGEM PYTHON E APLICAÇÕES COM R E MATLAB. QUANDO: DE 2 DE FEVEREIRO A 8 DE JULHO (SÁBADOS ALTERNADOS), DAS 14 ÀS 16 HORAS DURAÇÃO: 18 HORAS – NOVE ENCONTROS VALOR: 1 000 REAIS, EM DUAS PARCELAS LOCAL: RUA ITAPEVA, 432, BELA VISTA – SÃO PAULO, SP INSCRIÇÕES: BIT.LY/FGV_PYTHON A P R E N D I Z A D O D E M ÁQ U I N A C O M D E E P - L E A R N I N G QUEM OFERECE: INSTITUTO MAUÁ DE TECNOLOGIA PROGRAMA: DESTINADO A QUEM ATUA OU QUER ATUAR NA ÁREA DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, O CURSO MOSTRA, DE MANEIRA PRÁTICA, O QUE SÃO AS REDES NEURAIS E DE QUE MANEIRA ELAS INFLUENCIAM NA PROGRAMAÇÃO DE MÁQUINAS COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. QUANDO: DURANTE O MÊS DE MARÇO DE 2019, ÀS TERÇAS E QUINTAS- FEIRAS, DAS 19 HORAS ÀS 22H30 DURAÇÃO: 120 HORAS VALOR: MATRÍCULA: 1 480 REAIS (ATÉ 21 DE JANEIRO) + 5 PARCELAS DE 1 580 REAIS LOCAL: PRAÇA MAUÁ, No 1, SÃO CAETANO DO SUL – SP INSCRIÇÕES: BIT.LY/MAUA_DEEPLEARNING L Ó G I C A D E P R OG R A M AÇ ÃO QUEM OFERECE: SENAC PROGRAMA: OS PARTICIPANTES VÃO APRENDER A CRIAR SOFTWARES AMIGÁVEIS POR MEIO DE APLICAÇÕES LÓGICAS DE PROGRAMAÇÃO. ENTRE OS TEMAS ESTÃO: ALGORITMOS, LOOPING INFINITO, VETORES E MÉTODOS DE PESQUISA. NÃO É PRECISO TER CONHECIMENTO PRÉVIO NO TEMA PARA SE INSCREVER. QUANDO: EM VÁRIAS DATAS E HORÁRIOS AO LONGO DO ANO, DE ACORDO COM A UNIDADE ESCOLHIDA DURAÇÃO: 40 HORAS VALOR: 827 REAIS LOCAIS: UNIDADES DO SENAC EM SÃO PAULO, RIBEIRÃO PRETO, SANTO ANDRÉ E SÃO BERNARDO DO CAMPO INSCRIÇÕES: BIT.LY/SENAC_LOGICA D E S E N V O L V I M E N T O V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 7 L I N G UAG E M D E P R O G R A M AÇ ÃO C # N Í V E L B Á S I C O QUEM OFERECE: UDEMY PROGRAMA: A LINGUAGEM C# (OU C SHARP) FOI CRIADA PELA MICROSOFT PARA EXTENSÕES “.NET”. O CURSO EXPLICA SOBRE O CONCEITO E AJUDA A DESENVOLVER APLICAÇÕES. PODE SER FEITO POR PROFISSIONAIS SEM NENHUM CONHECIMENTO PRÉVIO NO ASSUNTO. QUANDO: ABERTO EM QUALQUER ÉPOCA DO ANO DURAÇÃO: 12 HORAS VALOR: 25,99 REAIS LINK: BIT.LY/UDEMY_CLEVEL < ONLINE /> O R I E N TAÇ ÃO A O B J E T O S C O M JAVA QUEM OFERECE: ITA/COURSERA PROGRAMA: O CURSO É DESTINADO A PESSOAS QUE JÁ SABEM DESENVOLVER PROGRAMAS DE COMPLEXIDADE SIMPLES USANDO O JAVA E QUE QUEREM SE APROFUNDAR NA FERRAMENTA. A PROMESSA É QUE, NO FINAL DAS AULAS, O ESTUDANTE CONSIGA IMPLEMENTAR VERSÕES INICIAIS DE COMPONENTE DE GAMIFICAÇÃO. QUANDO: ABERTO EM QUALQUER ÉPOCA DO ANO DURAÇÃO: 50 HORAS VALOR: GRATUITO LINK: HTTP://BIT.LY/ITA_JAVA A N D R O I D C O M D E L P H I X E 8 – S I S T E M A S E A P L I C AT I VO S M O B I L E QUEM OFERECE: LEARNCAFE PROGRAMA: VOLTADO PARA QUEM QUER DESVENDAR A LINGUAGEM MOBILE, O CURSO ENSINA A DESENVOLVER DIVERSOS SISTEMAS E APLICATIVOS USADOS NOS SISTEMAS OPERACIONAIS ANDROID E iOS, ALÉM DE PLATAFORMAS QUE UTILIZAM O SISTEMA DELPHI. QUANDO: ABERTO EM QUALQUER ÉPOCA DO ANO DURAÇÃO: 43 HORAS VALOR: GRATUITO LINK: BIT.LY/LEARNCAFE_MOBIL C U R S O B Á S I C O D E C S S QUEM OFERECE: DEVMEDIA PROGRAMA: O CSS (CASCADING STYLE SHEETS, EM INGLÊS) É O MECANISMO POR TRÁS DA APARÊNCIA DE SITES. AO USÁ-LO, É POSSÍVEL MUDAR O LAYOUT DE PÁGINAS, CRIAR ANIMAÇÕES E GRÁFICO PARA GAMES, POR EXEMPLO. NAS AULAS, OS PARTICIPANTES APRENDEM TODOS OS ELEMENTOS NECESSÁRIOS PARA APLICAR O CSS. QUANDO: ABERTO EM QUALQUER ÉPOCA DO ANO DURAÇÃO: 39 HORAS, COM CERTIFICADO VALOR: GRATUITO LINK: BIT.LY/CSS_DEVMEDIA próximos anos. Esses profissionais não vão apenas criar softwares, mas entender essa nova linguagem e uti- lizá-la no dia a dia de seu trabalho”, diz Caio. Os salários acompanham a crescente do setor. Um exemplo é o desenvolvedor mobile, que em 2018 ganhou entre 6 000 e 11 000 reais e deve receber de 6 000 a 13 000 reais em 2019, uma alta de quase 12%. Embora as vagas estejam aí, há um apagão de programadores e cientis- tas de dados — não só no Brasil, de acordo com Luis Gonçalves, vice- -presidente sênior e gerente-geral para o Brasil na Dell EMC. “Essa é uma preocupação mundial. Há déficit de pessoal por causa da velocidade da transformação digital, o que tem feito com que, em alguns países, não seja exigida a formação universitária para trabalhar nessa área”, diz. O lado bom é que existem muitos cursos para quem quer aprender por conta própria. Fazer um deles aju- dou Jessica Oliveira, de 25 anos, a conquistar um estágio no setor de análise de dados e sistemas no site de notícias Nexo. “Fiz curso de ini- ciação em programação front-end na PrograMaria, que atende apenas mulheres. Não foi o primeiro, mas o mais condensado. Aprendi a utilizar e pesquisar as ferramentas e tags de html, o que ajuda a tornar o có- digo mais acessível ao usuário final. Meu trabalho hoje tem a ver com o que aprendi”, diz Jéssica. “Gosto do universo da informática e quero continuar estudando, pois essa é uma área muito aberta que sempre tem novidades e novas vagas.” ILUSTRAÇÃO: M A RCEL L A BR IO T T O COM ÍCON E S DO PEX EL S À CAÇA DAS VAGAS G U I A D O E M P R E G O A expectativa do mercado para 2019 é de recuperação econômica, o que deve gerar um aumento na oferta de emprego. Quer aproveitar uma dessas oportunidades? Nós criamos um passo a passo para ajudá-lo em todas as etapas da busca por novos desafios N a t a l y P u g l i e s i O país inicia 2019 com certo otimismo. O empresaria- do brasileiro aposta numa recuperação econômica já no primeiro ano do novo governo e, por isso, tende a liberar os investimentos para projetos e expansões, o que deve representar um aumento das oportunida- des de emprego. Segundo a pesquisa Agenda 2019, realizada pela consultoria Deloitte com 826 empresas de todo o país, as quais, juntas, fa- turam o equivalente a 43% do PIB nacional, o otimismo está atrelado às reformas tributária e previdenciária, apontadas pela maioria como prioridades. “Além disso, endereçar temas es- truturais, que gerem empregos e façam com que a sociedade se movimente, é de suma im- portância para 80% dos entrevistados. Esses são fatores condicionantes para o destrava- mento da economia”, afirma Othon Almeida, sócio-líder das áreas de desenvolvimento de mercado e talentos da Deloitte. Ainda segundo a pesquisa, 97% dos empresá- rios pretendem investir ou implementar ações que desenvolvam os seus negócios neste ano. E, para melhorar, quase metade (47%) manifestou a intenção de aumentar o quadro. Outros 32% planejam manter o número de funcionários no patamar atual, mas realizando substituições. “À medida que os empresários tomam a decisão de investir e ampliar as linhas de produção, sentimos o efeito direto sobre a criação de posi- ções de trabalho”, diz Sergio Firpo, professor de economia no Insper. Outra informação positiva vem da plataforma de recrutamento Vagas, que espera um aumento de 6% a 10% no número de postos oferecidos no site durante o ano que está começando. Isso representa, em média, 1 400 novos empregos por dia. Essas são boas notícias para quem quer se recolocar em 2019. E, para ajudar nessa jor- nada, VOCÊ S/A criou um guia para melhorar o currículo, ampliar a presença digital, ficar na mira dos recrutadores, encontrar a empresa ideal e se sair bem na entrevista de seleção. Confira as dicas dos especialistas nas páginas a seguir e feliz emprego novo! 5 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTO: GER M A NO LÜ DER S Boas conexões A EXECUTIVA DE VENDAS MANUELA CARDOSO, DE 35 ANOS, ESTAVA BEM EMPREGADA, MAS TINHA O SONHO DE EXPERIMENTAR O MODELO DE TRABA- LHO DE UMA MULTINACIONAL. PARA CONQUIS TÁ-LO, EL A CONTR ATOU UMA CONSULTORIA QUE REVISOU SEU CURRÍCULO E PERFIL DO LINKEDIN E A TREINOU PARA FUTURAS ENTREVISTAS. COMO LIÇÃO DE CASA, MANUELA PAS- SOU A ACOMPANHAR AS VAGAS POSTA- DAS NA REDE SOCIAL CORPORATIVA. UM DOS MACETES FOI FILTRAR POR REGIÃO: ELA QUERIA FICAR PERTO DE CAMPI- NAS, NO INTERIOR DE SÃO PAULO. NUMA DESSAS BUSCAS SURGIU A CHAN- CE NA GEODIS, COMPANHIA FRANCESA DE LOGÍSTICA. “O LINKEDIN MOSTROU QUE EU TINHA QUATRO CONEXÕES DE FUNCIONÁRIOS QUE TRABALHAVAM ALI. DECIDI CONTATAR UM DELES, COM QUEM TINHA POUCO CONTATO, MAS QUE JÁ CONHECIA MEU TRABALHO, POIS HAVÍAMOS ATUADO NA MESMA EMPRESA ANTERIORMENTE”, AFIRMA. PARA ISSO, A EXECUTIVA MANDOU UMA MENSAGEM DIRETAMENTE AO EX-COLE- GA DIZENDO QUE SE INTERESSOU PELA VAGA, QUE AQUELA ERA A POSIÇÃO QUE ELA OCUPAVA NAQUELE MOMENTO, ANEXOU O CURRÍCULO E PERGUNTOU SE ELE PODERIA RECOMENDÁ-LA IN- TERNAMENTE. DEU CERTO. EMBORA O COLEGA NÃO TIVESSE LIGAÇÃO COM A SELEÇÃO, CONSEGUIU ACELERAR A PARTICIPAÇÃO DE MANUELA NO PRO- CESSO. DEPOIS DE UM MÊS, ELA JÁ ESTAVA FAZENDO ENTREVISTAS. “TER SIDO RECOMENDADA POR ALGUÉM DE DENTRO DA COMPANHIA FEZ TODA A DIFERENÇA. NÃO FUI SÓ MAIS UM CUR- RÍCULO NO BANCO DE DADOS DO RH, GANHEI PONTOSNA CORRIDA.” V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 5 9 ILUSTRAÇÃO: M A RCOS M Ü L L ER G U I A D O E M P R E G O C U R R Í C U L O to para área de recursos huma- nos. Lembre-se de incluir seu objetivo profissional. E, quanto mais focado, melhor. “Quando é muito abrangente, fico em dú- vida sobre onde o profissional se encaixa”, diz Sérgio. O documento deve ir direto ao ponto, mas destacar, de for- ma sucinta, os resultados al- cançados. “Assim como todo mundo, recrutadores também têm pouco tempo para admi- nistrar tanta informação. Para chamar a atenção, é preciso mostrar uma trajetória de cons- tante evolução e entregas de forma coesa”, diz Sergio. A su- gestão é pontuar os cargos dos últimos cinco anos e embaixo de cada um deles as principais entregas, como a redução de uma despesa, a conquista de uma premiação ou um feedback positivo por determinado re- sultado. “Se você tem 25 anos, pode colocar a experiência des- de o estágio. Se é um diretor, coloque a partir de sua posição como gerente, por exemplo”, diz Rebeca Mayan, gerente da divisão de vendas da consulto- ria Talenses, especializada no recrutamento de executivos. Organizar em tópicos transmi- te mais objetividade, mas, se precisa descrever em texto corrido, cuide para que não ul- trapasse três linhas. Quando analisam esse docu- mento, os recrutadores olham, além do objetivo e da expe- riência com resultados, as com- petências técnicas e as ferra- mentas ou os sistemas que o profissional domina. “Se sua posição exige Excel, por exemplo, é bom incluir. Mas, se você é um pro- gramador e domina sistemas mais avançados, coloque esses, e não o Excel”, completa Rebeca. Foco é tudo Por mais conectado que o mercado esteja, tudo ainda começa com um bom currículo. E, por mais simples que esta tarefa pareça, ela exige atenção e cuidado. “Se estiver muito fácil montar seu currículo, vale a pena revê-lo”, afirma Sérgio Margo- sian, gerente da consultoria Michael Page e especialista em recrutamen- 6 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A Layout-padrão A aparência do currículo pode va- riar conforme sua preferência, indo desde um documento profissional- mente diagramado até um simples Word. Mas alguns cuidados devem ser tomados. Um deles é colocar as informações de contato em um local de fácil de visualização, de preferên- cia próximo ao seu nome. Outro ponto importante é manter um padrão de formatação. Coloque o nome das empresas por onde passou com o mesmo negrito ou sublinhado. Se quiser adicionar a data ao lado do cargo, padronize em todas as posi- ções. “Quando tenho dois currículos de pessoas igualmente qualificadas, priorizo para entrevista a que tem mais cuidado ao apresentar sua tra- jetória. É a primeira impressão que o candidato passa”, diz Sérgio. Por isso, cuidado com erros de portu- guês ou de digitação. O documen- to deve ter de duas a três páginas. Tradução simultânea Se você busca uma posição em uma multinacional, é importante ter um currículo em inglês. “Não é neces- sário preparar uma versão espe- cial, apenas a mesma versão do documento traduzido para o in- glês”, explica Sérgio. Um bom cur- rículo e uma apresentação simpá- tica no corpo do e-mail com um resumo sobre você e suas inten- ções já são suficientes. Cartas de apresentação são dispensáveis hoje em dia. “Elas podem se tornar re- petitivas quando se tem um currí- culo bem-feito. Como buscamos assertividade, uma apresentação bacana no próprio e-mail já faz esse papel”, afirma Sérgio. V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 1 Hackeando o Vagas.com Especialista da plataforma de recrutamento dá três dicas para fazer seu currículo aparecer A t u a l i z e s e u c u r r í c u l o Quando alguém está em busca de um candidato, ele usa filtros para procurá-lo no site. Até aí, nenhuma novidade. Mas existe um pulo do gato. “O recrutador filtra por data de atualização, porque não quer receber currículos de pessoas que não estejam mais naquela posição”, diz Thayane Fernandes, especialista em comunicação do Vagas. Ou seja, se você modificou o perfil recente- mente, tem mais chance de apare- cer na primeira triagem. O ideal é fazer isso a cada seis meses e, se nada tiver mudado nesse período, altere uma vírgula ou palavra. Já é o bastante para o software en- tender que o texto foi atualizado. U s e o M a p a d e C a r r e i r a Essa ferramenta mapeou mais de 7 000 cargos e desenhou as possíveis trajetórias de carreira trilhadas pelas profissões com base em dados reais do site. Lá também aparecem os salários estimados para diversos níveis daquela profissão, cursos realizados e palavras-chave que os recrutadores usam nas buscas quando querem encontrar aqueles profissionais. Essas palavras, se colocadas em seu cadastro, aumentam sua chance de ser encontrado pelos RHs. “Coloque sua pretensão salarial, pois esse é outro filtro utilizado nas procuras”, diz Thayane. A m p l i e a s p a l a v r a s - c h a v e No campo de busca de vagas, não fique preso apenas ao termo mais comum da posição que você deseja ocupar. A estratégia é colocar o máximo de nomenclaturas que o cargo possa ter. Isso é importante porque as empresas usam textos diferentes para definir a mesma função. Se estiver atrás de um emprego como vendedor, por exemplo, tente palavras-chave como “vendas”, “vendedor”, “comercial”, “executivo e contas”. Dessa forma, aparecerão muito mais resultados para sua pesquisa. R E M U N E R A Ç Ã O P R E S E N Ç A D I G I T A L Onde se cadastrar Currículo pronto, é hora de aumen- tar sua presença no mundo virtual. Se você quer se destacar como pro- fissional, o primeiro passo é ter um perfil no LinkedIn. O Brasil é o quarto país no ranking de utiliza- ção da rede social, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da Chi- na e da Índia. São 35 milhões de usuários no mundo e 100 000 novos perfis por semana. Haja networking. Além disso, as empresas postam suas vagas e recrutam pela ferra- menta, e quem está em uma busca ativa por emprego pode filtrar as oportunidades. Só no Brasil estão disponíveis 350 000 vagas e, no dia do fechamento desta reportagem, haviam sido criadas 6 000 novas posições nas últimas 24 horas. O segundo passo é cadastrar seu currículo no Vagas, que oferece 14 000 empregos por dia, tem mais de 3 000 clientes cadastrados — 70 das 100 maiores empresas do Brasil compõem esta lista — e uma base cadastral de 17 milhões de currí- culos. Todos os serviços oferecidos pelo site são gratuitos. Já o Linke- dIn tem também a conta Premium, que é paga e indicada para quem está ativamente atrás de um em- prego. Entre outros serviços, a ver- são top da rede social permite que os candidatos mandem um número determinado de mensagens diretas às pessoas mesmo sem estar conec- tados a elas, mostra estatísticas de uma vaga e como você está posicio- nado em relação a outros postulan- tes. Se quiser ter mais evidência em G U I A D O E M P R E G O 6 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A Por dentro do LinkedIn Aproximadamente 26 milhões de empresas mundo afora ofertam vagas no LinkedIn e mais de 4 milhões de pessoas já encontraram um emprego por meio da ferramenta desde sua criação, em 2012. Portanto, não tem como estar fora dessa plataforma. “Cerca de 70% das pessoas que participam da rede não estão procurando emprego, mas estão dispostas a ouvir propostas e ampliar seu networking”, diz Milton Beck, presidente do LinkedIn no Brasil. Para que seu perfil atraia olhares e seja admirado por suas conexões, seguem algumas dicas valiosas. FOTO: GER M A NO LÜ DER S Navegação profissional FORMADA EM RELAÇÕES PÚBLICAS, MAYRA CIVE, DE 30 ANOS, MERGU- LHOU NA INTERNET QUANDO FICOU DESEMPREGADA EM 2016. PRIMEIRO, ELA ATUALIZOU O PERFIL NO LINKEDIN TOMANDO CUIDADO PARA TRANSMITIR SUAS COMPETÊNCIAS DA MELHOR FORMA POSSÍVEL. “É IMPORTANTE CONTARUMA HISTÓRIA SOBRE SI M E S M O C O M PA L AV R A S - C H AV E Q U E O R EC R U TA D O R E N C O N T R E FACILMENTE”, DIZ MAYRA. COM ISSO, PA SSOU A SER RECRUTADA PAR A TRABALHOS FREEL ANCERS — SEU OBJETIVO NAQUELE MOMENTO. MAS, NO FINAL DE 2017, MAYRA COMEÇOU A CORRER ATRÁS DE EMPREGO FIXO. PARA ISSO, CADASTROU-SE EM SITES COMO VAG A S E C ATHO — NE S TE ÚLTIMO, PAGOU A CONTA PREMIUM, ESTRATÉGIA REPLICADA NO LINKEDIN. “ C O M O R E C E B I A AT U A L I Z A Ç Õ E S DIÁRIAS, EU VIA AS COMPETÊNCIAS QUE A S E MPRE S A S BUS C AVA M E ALTERAVA MEU PERFIL PARA QUE ELE CORRESPONDESSE À S PAL AVR A S- CHAVE.” NAVEGANDO PELA INTERNET, ELA ENCONTROU UMA VAGA NO SITE EMPREGA C AMPINA S. GOSTOU DO QUE VIU E ENVIOU SEU CURRÍCULO AO E-MAIL DO RH RESPONSÁVEL. DEPOIS DE ALGUMAS SEMANAS, O GESTOR ENTROU EM CONTATO PELO LINKEDIN. “ELE CONVERSOU COM ALGUM A S DAS PESSOAS QUE TINHAM FEITO RECOMENDAÇÕES NO MEU PERFIL ANTES DE ME PROCURAR.” A BUSCA EFETIVA POR EMPREGO DUROU APENAS TRÊS MESES. “NESSE MEIO TEMPO, TAMBÉM PARTICIPEI DE OUTROS TRÊS PROCESSOS PELO VAGAS”, DIZ MAYRA, QUE HOJE É COORDENADORA DE MARKETING NA FARMBASE, EMPRESA DE SAÚDE ANIMAL. COLOQUE UMA FOTO QUE REFLITA SUA IMAGEM NO TRABALHO. PERFIL COM FOTO É 21 VEZES MAIS VISTO E RECEBE NOVE VEZES MAIS PEDIDOS DE CONEXÃO. “É NECESSÁRIO PORQUE HUMANIZA O PROFISSIONAL, AFINAL, ESTAMOS À FRENTE DE UM COMPUTADOR”, AFIRMA MILTON. ATUALIZE SEU CARGO E TERÁ OITO VEZES MAIS VISITAS AO SEU PERFIL. PREENCHA CORRETAMENTE A INSTITUIÇÃO DE ENSINO QUE FREQUENTOU E AMPLIE EM 17 VEZES A CHANCE DE RECEBER MENSAGENS DE RECRUTADORES. INSIRA SUA LOCALIZAÇÃO. ISSO AUMENTA 23 VEZES SUA CHANCE DE SER ENCONTRADO. TENHA PALAVRAS- CHAVE SOBRE SUA EXPERTISE E ENTREGAS AO LONGO DE SEU PERFIL. AS EMPRESAS BUSCAM POR ESSES TERMOS. “É MUITO IMPORTANTE TER O RESUMO DE QUEM VOCÊ É COM DETALHES, CARACTERÍSTICAS QUE FAZEM DE VOCÊ UM PROFISSIONAL ESPECIAL”, DIZ MILTON. MANTENHA O PERFIL EM VÁRIOS IDIOMAS. ANEXE CONTEÚDO QUE SEJA RELEVANTE À SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL E POSTE ARTIGOS E INFORMAÇÕES QUE O EXPONHAM POSITIVAMENTE. AJA NO MUNDO VIRTUAL DO MODO COMO VOCÊ É NO MUNDO OFFLINE. “IMAGINE O LINKEDIN COMO UMA REUNIÃO. SE VOCÊ FALA COM A PESSOA E ELA NÃO TE RESPONDE, VOCÊ TENDE A PERDER O INTERESSE. O COMPORTAMENTO TEM DE SER PARECIDO COM O REAL”, DIZ MILTON. relação aos concorrentes, pode ativar o recurso Candidatura em Destaque. “Para ser encontrado não faz tanta diferença. Os recrutado- res, em geral, têm as contas Pre- mium, com mais filtros para buscar os profissionais”, diz Rebeca. Siga as empresas Embora muita gente esqueça, as companhias também possuem ban- co de currículos. E ele pode ser bastante útil. Nem sempre a opor- tunidade para seu perfil está aber- ta naquele momento, mas empresas sérias checam frequentemente os postulantes. “O RH faz a devida triagem e coloca os candidatos em um banco de talentos”, diz Sérgio, da Michael Page. O mesmo aconte- ce quando você registra suas expe- riências em sites de consultorias de recrutamento, que estão cons- tantemente atrás de bons profissio- nais. “O currículo é sempre enca- minhado ao recrutador da área de atuação do trabalhador”, afirma Rebeca, da Talenses. V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 3 6 4 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A G U I A D O E M P R E G O soas que tenham visão positiva e construtiva para os problemas. Já cheguei a convidar um executivo para um café depois que li um texto dele no LinkedIn”, afirma Sérgio. Estar próximo dos caçadores de talentos é importante porque algu- mas vagas são sigilosas e são traba- lhadas no boca a boca — e só serão divulgadas para quem tem algum contato com o recrutador. Aproximação inteligente Além de acompanhar sites e conhe- cer os headhunters, outra maneira de encontrar emprego é ficar atento às movimentações de cargo que acontecem entre suas conexões nas redes sociais. Por exemplo: se você é gerente de marketing e viu que um colega na mesma posição mudou de empresa, já sabe que existe uma vaga disponível ali. Nesse caso, a dica é conversar com seus contatos naquela companhia para se colocar à disposição e entender se o RH vai procurar alguém no mercado. Aproximar-se de colegas é impor- tante não só quando há uma vaga disponível. Vale ter essa atitude para sinalizar que você está aberto a de- safios. “Seja transparente sobre suas intenções. Diga: ‘Estou entrando em contato porque busco uma nova opor- tunidade e gostaria de agendar um café para a gente se conhecer me- lhor’ ”, orienta Sérgio. Segundo ele, a conversa deve ser feita diretamente com o gestor da posição que você almeja ou com o responsável pelo RH. Mas seja cauteloso com a quanti dade de vezes que aciona a mesma pessoa. “Não se torne impertinente insistin- do em ter uma resposta em curto espaço de tempo. Não pega bem”, diz Sérgio. Além disso, se você estiver empregado, mantenha a discrição para não prejudicar as relações com os atuais chefes e colegas. Nesse caso, o volume de contatos tem de ser pequeno e assertivo. N E T W O R K I N G Na mira dos headhunters Os recrutadores utilizam suas redes de contatos para conseguir indica- ções. “Temos muitas conexões com pessoas que atuam na área para a qual selecionamos e eles sempre nos indicam profissionais com quem já trabalharam. O networking é muito importante. E a melhor forma de desenvolvê-lo é enquanto se está empregado”, diz Sérgio, da Michale Page. Por isso, é preciso entrar no radar desse pessoal. Descubra qual é o headhunter que atua em sua área e escreva para ele no LinkedIn. Pode fazer o convite para tomar um café e conversar sobre carreira ou iniciar a conversa indicando um ar- tigo ou pesquisa que possa ser apro- veitado pelo hunter. Outra maneira de aparecer é adi- cioná-los à sua rede — desde que ela seja positivamente movimentada. Publicar artigos e compartilhar co- nhecimento pode atrair os olhares desses profissionais. “Buscamos pes- ILUSTRAÇÃO: M A RCOS M Ü L L ER V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 5 JÁ A PLATAFORMA VAGAS ESPERA UM AUMENTO DE 6% A 10% NO NÚMERO DE OPORTUNIDADES OFERTADAS PELAS EMPRESAS, PRINCIPALMENTE NOS SETORES ABAIXO 70% 16% 14% DAS VAGAS PARA SERVIÇOS. PRINCIPAIS ATIVIDADES DAS VAGAS PARA INDÚSTRIA. PRINCIPAIS ATIVIDADES DAS VAGAS PARA COMÉRCIO. PRINCIPAL ATIVIDADE VAREJISTASFABRICAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FARMAQUÍMICOS E FARMACÊUTICOS FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS SERVIÇOS | TECNOLOGIA | COMÉRCIO | VAREJO | CONSTRUÇÃO CIVIL | AUTOMOBILÍSTICO | SEGURANÇA PÚBLICA | SAÚDE Em alta Com a retomada do crescimento econômico, as consultorias Deloitte e Michael Page apostam no desenvolvimento de alguns setores que vão precisar de mão de obra em 2019. São eles: SAÚDE HUMANA TELECOMUNICAÇÕES SEGUROS SERVIÇOS FINANCEIROS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E N T R E V I S T A S Face a face Chegar à fase de entrevistas é sinal de que a chance de conquistar uma vaga é grande. Por isso, é importan- te se preparar. Estude o próprio currículo, sinta-se seguro para falar sobre datas e principais metas atin- gidas e tenha na manga detalhes de como as entregas foram feitas. Não se esqueça, também, de pesquisar sobre a possível empregadora: olhe relatórios de sustentabilidade da empresa, busque notícias sobre a companhia e sobre o setor no qual ela atua. Além disso, tente descobrir um pouco sobre a trajetória do en- trevistador. “Se você conta algo com o que a pessoa se identifica já quebra um gelo e cria a empatia”, diz Sérgio, da Michael Page. Mas a questão mais importante é ser sincero — para R E M U N E R A Ç Ã O FOTO: A L EX A N DR E BAT T I BUGL I6 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A falar, inclusive, sobre assuntoscom- plicados. “Todo mundo passa por momentos que saí ram do planejado. Eles devem ser abordados na entre- vista, assim como as lições que en- sinaram”, diz Sérgio. Atente-se também a ser verdadeiro ao declarar o nível de fluência em uma segunda língua porque os entre- vistadores podem mudar o idioma, de repente, no meio da conversa. E lembre-se de que, dependendo do interlocutor, o objetivo do bate-papo muda. O gestor direto precisa enten- der se o profissional se encaixa na equipe e se aprofundar em questões técnicas. A conversa com o RH gira em torno de valores e competências. O trabalho do headhunter é compre- ender de forma macro quem é esse profissional e entrar em detalhes para direcioná-lo para a vaga certa. Etiqueta básica O básico para não errar na roupa é o bom e velho “menos é mais”. Vá de forma coerente com a posição que você pretende ocupar e com a cul- tura da empresa. “Mais importante do que estar de camisa ou camiseta é o cuidado que se tem. Se você vai a uma festa, você se arruma, então, mostre que teve esse cuidado para estar na entrevista também”, afirma Sérgio, da Michael Page. Em termos de postura, sempre olhe no olho do entrevistador e não exagere supervalorizando as entre- gas. “Não é elegante perguntar sobre remuneração no momento da entre- vista. No entanto, se for questionado sobre pretensão salarial, responda”, diz Rebeca, da Talenses. Ao final da conversa, vale a pena acordar uma data para o feedback, seja ele posi- tivo ou negativo. E, no caso de o re- crutador não retornar na data com- binada, pode ligar. Mas é educado insistir no retorno apenas por três tentativas. Se for necessário mais que isso, melhor desistir. G U I A D O E M P R E G O QUANDO AINDA ESTAVA NA FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO, RENATO ROSSI, DE 29 ANOS, FEZ UMA LISTA COM AS EMPRESAS EM QUE GOSTARIA DE TRA- BALHAR NO FUTURO. UMA DELAS ERA A ELEKTRO, DISTRIBUIDORA DE ENERGIA QUE, EM AGOSTO DE 2017, FOI INCOR- PORADA PELO GRUPO NEOENERGIA. A DETERMINAÇÃO ERA TANTA QUE ELE SE DEDICOU DURANTE CINCO ANOS PARA ENTRAR LÁ. PRIMEIRO, O PAULISTA SE CONECTOU VIRTUALMENTE A VETERA- NOS DA FACULDADE QUE CARREGAVAM O CRACHÁ DA EMPRESA. “OLHAVA O PERFIL ACADÊMICO E PEDIA QUE ME AVISASSEM CASO SOUBESSEM DE UMA VAGA”, DIZ. ALÉM DISSO, SEGUIU COMPANHIAS DO SE- TOR NO LINKEDIN E CRIOU UM ALERTA NO GOOGLE COM AS PALAVRAS “ELEKTRO” E “ENERGIA ELÉTRICA”, O QUE GERAVA UM CLIPPING DE NOTÍCIAS. “COMECEI A GANHAR VOCABULÁRIO E A ENTENDER O CONTEXTO”, DIZ. ATÉ QUE RENATO RECE- BEU UMA LIGAÇÃO DE UM HEADHUNTER QUE RECRUTAVA PARA UMA VAGA CON- FIDENCIAL. “VOCÊ NÃO IMAGINA MINHA ALEGRIA QUANDO DESCOBRI QUE ERA A ELEKTRO. O ENTREVISTADOR FICOU CURIOSO PELO FATO DE EU ENTENDER TANTO DO SETOR E DA HISTÓRIA DA EMPRESA.” QUANDO PASSOU PARA A FASE FINAL, RAFAEL ACIONOU SUAS CONEXÕES DO LINKEDIN PEDINDO RE- COMENDAÇÕES. SUA NAMORADA, QUE ERA ESTAGIÁRIA NA COMPANHIA, FEZ O MESMO COM A PRÓPRIA CHEFE, QUE, POR SUA VEZ, COMENTOU COM O LÍDER DA VAGA. “ESSES CONTATOS FORAM IM- PORTANTES PARA MINHA INTEGRAÇÃO”, DIZ RAFAEL, QUE SE TORNOU ESPECIA- LISTA EM DESENVOLVIMENTO CORPORA- TIVO PARA FUSÃO E AQUISIÇÃO. Emprego dos sonhos 6 8 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A O TEMPO É RELATIVO Uma dupla de pesquisadoras acredita que existem dois estilos de organizar o dia a dia: seguindo o relógio ou a lista de atividades que precisam ser executadas. Conheça os comportamentos e os prós e os contras de cada perfil C a m i l l a G i n e s i P R O D U T I V I D A D E 6 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 9FOTO: GER M A NO LÜ DER S O modo de lidar com o tempo costuma variar de pessoa para pessoa. Há aqueles que pre- cisam fazer listas para tudo, os que baixam aplicati- vos, os que não vi- vem sem a agenda e ainda os que se entendem bem convivendo com o caos. Mas, de acordo com uma pes- quisa iniciada em 2014 e que terá sua versão mais recente publicada em abril na revista científica Current Opinion in Psychology existem, es- sencialmente, duas maneiras de se organizar: seguindo o relógio ou os eventos que precisam ser realizados. Essa é a teoria de Anne-Laure Sellier, professora associada de cria- tividade e marketing da HEC Paris, e Tamar Avnet, professora associada de marketing na escola de negócios da Universidade Yeshiva, de Nova York. Para chegar a essa conclusão, a dupla de estudiosas se debruçou sobre a bibliografia da organização do tempo e fez experimentos com 60 voluntários. Segundo o estudo, esses dois estilos são os mais comuns por causa do desenvolvimento das socie- dades, nas quais uma das duas ma- neiras sempre prevalece. Se na maior parte dos países ocidentais o padrão é que o relógio controle a agenda das pessoas, no mundo árabe, por exem- plo, uma reunião não acontece em um horário específico, mas quando os participantes se sentem prontos para começar — e se alguém der uma olhadinha nos ponteiros durante a conversa será considerado rude. V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 6 9 Raul Perez, coordenador de comunicação da SPcine (à dir.): horários fixos para acordar e responder aos e-mails 7 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A Visões diferentes De acordo com Anne-Laure e Tamar, os regidos pelo relógio são “indiví duos que dividem o tempo em unidades- -padrão, objetivas e quantificáveis e permitem que o relógio dite quando as atividades começam e terminam”. Um dia típico de alguém que se estru- tura assim é bem parecido com o de Raul Perez, de 28 anos, coordenador de comunicação da SPcine, empresa de cinema e audiovisual da Prefeitura de São Paulo. De segunda a sexta-fei- ra, ele acorda às 7h30, se arruma até as 8 horas e toma café da manhã em meia hora — assim consegue chegar ao trabalho no centro da cidade até as 9 horas. Seus primeiros 90 minutos no escritório são dedicados a responder aos e-mails e a hora seguinte serve para analisar os resultados da equipe nos últimos dias. Religiosamente às 13 horas ele almoça. E assim o dia continua, no cronômetro. “Sempre me impus horários com o objetivo de dar conta de tudo. Mas foi quando me tornei coordenador que senti os maio- res benefícios disso, principalmente para orientar a equipe”, afirma Raul. Do outro lado estão aqueles que se orientam seguindo as tarefas que precisam executar. Nesse caso, se- gundo as pesquisadoras, o que rege a agenda é a conclusão das atividades — o início de uma tarefa depende da realização de uma tarefa anterior. O francês Charles Vatin, de 28 anos, arquiteto de soluções digitais para a América Latina na companhia de tecnologia Keyrus, segue esse pa- drão. Sem horário fixo para dormir e começar a trabalhar — por causa dos diferentes fusos horários com os quais tem de lidar —, Charles come- ça seu dia entre as 8 e as 10 horas, dependendo do que precisa fazer. “Toda manhã reviso minhas listas de tarefas pessoais e profissionais e ordeno as atividades por nível de prioridade. Começo o dia pela mais importante e, assim que a termino, passo para a seguinte. Uma acaba puxando a outra”, explica Charles. Prós e contras Na pesquisa, Anne-Laure e Tamar apontam que não há certo e errado em agir de uma maneira ou de ou- tra. Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo, concorda: “Ne- nhum estilo de se planejar é melhor ou pior. O que acontece é que cada pessoa se adapta mais a um ou a ou- tro”. Mas as estudiosas dizem que há diferenças drásticas entre os perfis. Os “cronômetros de eventos”, como foram apelidados pelas pesquisado- ras, costumam ser mais assertivos na realização das tarefas, o que os ajuda a evitar resultados indesejados. Esse comportamento, no limite, pode le- var ao perfeccionismo. “Mas esse não é necessariamente o objetivo. Eles se esforçam para fazer o melhor possí- vel, mas sabem que isso pode não chegar à perfeição”,diz Anne-Laure. Aqueles que se orientam pelo relógio agem de outro jeito. Essas pes soas são mais focadas em rea- lizar suas tarefas e em seguir em frente e, por isso, conseguem driblar a procrastinação com mais facili- dade. Uma das grandes desvanta- gens desse pes soal, no entanto, é a dificuldade em curtir o momento e sentir emoções positivas, como en- tusiasmo, orgulho e admiração. “Por ter consciência de quanto tempo é necessário para executar uma tare- fa, quem é assim pode enxergar so- mente o sentido prático dela e sentir menos prazer em fazê-la”, explica a psicóloga Erica Lopes Rodrigues, Cara ou coroa? Veja quais são as principais características dos dois perfis de organização de tempo apontados como mais comuns pelas pesquisadoras Anne-Laure Sellier e Tamar Avnet. Lembre-se que é possível ter traços de ambos os estilos Cronômetro de relógio Preferir usar o calendário para se organizar Fugir da procrastinação Acreditar em acaso Ser criativo por um período preestabelecido de tempo Gerir equipes com eficiência Cronômetro de eventos Guiar-se por listas de tarefas Tentar evitar resultados indesejados Curtir o momento Pensar disruptivamente Sentir-se confiante ao liderar P R O D U T I V I D A D E FOTO: GER M A NO LÜ DER S ILUSTRAÇÃO: M A RCOS M Ü L L ER V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 1 que tem mais de uma década de experiência em recursos humanos. O interessante é que, como tudo na vida, existem gradações em todos nós — e dá para ter um pouco de ambos os estilos. “É possível alternar entre os dois perfis até num mesmo dia. Por exemplo, uma pessoa pode funcionar de acordo com o relógio durante o expediente e, depois disso, conversar com o namorado ou com a namorada sem impor um horário para o papo terminar”, diz Anne-Laure. Juntos e misturados Alguns estudos analisados pelas pesquisadoras de fato sugerem que a maneira como as pessoas encaram o tempo e ajustam a rotina é cultu- ral. Entretanto, outros mostram que a escolha de estilo de planejamento é consciente — ou seja, uma escolha individual que tem a ver com per- sonalidade, momento da vida e en- tendimento do que funciona melhor para cada um de nós. Charles Vatin, por exemplo, não agiu sempre como um “cronômetro de eventos” — ele já se esforçou para vi- ver de acordo com os ponteiros. “Du- rante um tempo, tentei estabelecer horários para minha rotina. Mas meu dia é muito dinâmico e sempre sur- gem imprevistos, como uma reunião com um cliente ou uma mudança num projeto. Passava mais tempo arruman- do meu cronograma do que fazendo o que precisava fazer”, explica. Assim como Charles, a maior parte das pessoas prefere se orientar pelas tarefas que precisa executar, segundo o estudo de Anne-Laure e Tamar. O problema é que, no mundo do traba- lho, a organização ainda é feita mais com base nos ponteiros do que nas atividades. “A maioria dos chefes pro- vavelmente são cronômetros de reló- gio. Se não são, acabam se tornando, pois costumam ter uma agenda para cumprir e, por isso, dificilmente po- dem se guiar pelos eventos”, diz Anne- -Laure. No entanto, quando os líderes conseguem romper essa barreira, cos- tumam ficar mais satisfeitos consigo mesmos, de acordo com o artigo da dupla de pesquisadoras. Os CEOs da área de tecnologia entrevistados por elas disseram que, quanto mais se portavam como “cronômetros de eventos”, mais se sentiam confiantes sobre suas habilidades de liderança. O lado bom é que, atualmente, há valorização de profissionais com pensamentos diferentes trabalhando juntos — desde que as entregas se- jam feitas. “A equipe ideal é compos- ta por pessoas dos dois perfis. Assim, pode- se evitar tanto a rigidez quanto os atrasos”, diz a psicóloga Erica. Ou seja, vale colocar um pouco de ordem no caos — e vice-versa. Charles Vatin, arquiteto de soluções digitais da Keyrus: lista de tarefas atualizada diariamente 7 2 J A N E I R O D E 2 9 1 8 V O C Ê S / A A BATALHA DAS MAQUININHAS A guerra no segmento de pagamentos se acirra, gerando inovação e oportunidades profissionais A n a R i t a M a r t i n s M E R C A D O Carolina Mendes, da LaPag: aos 22 anos, ela fundou uma startup para competir no setor de pagamentos V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 3 D o taxista ao pi- poquei ro, da m a n icu re ao f lanel inha, é raro encontrar um prestador de serviço ou c o m e r c i a n t e que não dê ao cliente o con- forto de pagar no débito ou no crédito. As máquinas de pagamento se espalharam pelo país. O movimento começou em 2010, quando a legislação decretou o fim da exclusividade entre bandeiras e credenciadoras de cartão, donas dos aparelhos. Antes, cartão Visa só ro- dava na Cielo e Mastercard só na Rede. Isso obrigava o vendedor a alugar mais de uma máquina, pa- gando taxas mensais nada convida- tivas. Como se não bastasse, o es- tabelecimento ainda precisava comprovar uma renda mínima, entre outros pré-requisitos. Resultado: autônomos ou quem tivesse um pe- queno comércio raramente ofere- ciam essa vantagem ao consumidor. Mas o jogo virou. E o que se viu, de lá para cá, foi uma guerra co- mercial para ganhar espaço nesse mercado. As armas? Isenções, bara- teamento de taxas e propaganda no horário nobre. Em 2018, no ápice da batalha, apelou-se até para Michel Teló e Wesley Safadão cantando juntos para vender a Minizinha, produto da PagSeguro oferecido a 12 parcelas de 9,90 reais. Para entender a dimensão dessa disputa, é preciso olhar os núme- ros. Em 2010, as credenciadoras Cielo (controlada por Banco do Bra- sil e Bradesco) e Rede (do Itaú) con- centravam 90% das transações em débito ou crédito. Oito anos depois, com a entrada de concorrentes de peso, como PagSeguro, GetNet (do Santander), Stone e Mercado Pago V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 3FOTO: L E A N DRO F ONSECA (do Mercado Livre), a fatia caiu para 73%. De acordo com o Banco Cen- tral, hoje existem 16 empresas de maquininhas no país. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédi- to e Serviços (Abecs), há 5,1 milhões de pontos de venda com máquinas de cartão ou terminais eletrônicos espalhados pelo país. Juntos, eles movimentaram, só em 2017, 1,36 tri- lhão de reais. Projeções da instituição mostram que 60% dos pagamentos realizados no Brasil serão efetuados dessa forma nos próximos cinco anos — o percentual atual é de 33%. Não é sem razão que o mundo vol- tou os olhos para o filão no país. Prova disso é o sucesso da PagSe- pelo Ant Financial, braço de paga- mentos da chinesa Alibaba. Para os especialistas, a aproxi- mação da gigante com a brasileira movimentará ainda mais o setor. Hoje, a Ant Financial é considerada uma das startups mais valiosas do mundo e tem, entre outras tecno- logias, a de pagamento por reco- nhecimento facial. “Esses movimentos mostram o aquecimento desse setor, que é muito lucrativo”, diz Bruno Diniz, sócio da Spiralem, consultoria fo- cada em inovação no mercado fi- nanceiro e professor do curso de fintech na Fundação Getulio Var- gas (FGV). Hoje, quem atua no seg- mento ganha dinheiro não só com tarifas de cerca de 1% cobradas a cada transação mas também com a chamada taxa de antecipação, em que a credenciadora adianta a transferência de dinheiro ao co- merciante, que paga entre 8% e 19% do valor a ser recebido. Ninguém quer ficar de fora. Em 2018, a Cielo, líder no setor com cerca de 40% do mercado, lançou três novos produtos, entre eles a LIO+, primeira máquina de paga- mentos que vem com smartphone, algo considerado uma inovação mundial. A empresa também tem investido em marketing (no tercei- ro trimestre foram 67,2 milhões de reais ante 55,2 milhões no mesmo período de 2017) e aumentado ex- ponencialmente o número de ven- dedores. Segundo Sérgio Saraiva, vice-presidente de Desenvolvimen- to Organizacional da Cielo, foram contratadas 1 100 pessoas de ven- das nos últimos trêsmeses para expandir os negócios. As medidas são uma resposta da Cielo ao baque provocado pela con- corrência. No terceiro trimestre de 2018, o lucro líquido ajustado foi de 812,8 milhões de reais, 20% menor do que no mesmo período de 2017. 5,1 M IL H Õ E S DE ESTABELECIMENTOS UTILIZAM AS MAQUININHAS DE PAGAMENTO NO BRASIL guro e da Stone na Bolsa de Valores de Nova York. Um ano atrás, quando abriu o capital nos Estados Unidos, a PagSeguro bateu o recorde de va- lor arrecadado por uma brasileira: 2,27 bilhões de dólares. A Stone teve o mesmo destino em outubro, quando lançou oferta de ações. Com receita de 414,1 milhões de reais no terceiro trimestre de 2018 (avanço de 121,4% em comparação ao mes- mo período de 2017), a companhia, fundada em 2013, captou nada me- nos que 1,5 bilhão de dólares na bolsa nova-iorquina. Uma fatia subs- tanciosa das ações foi adquirida 74 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A Ainda mais competição Segundo analistas do BTG Pactual, a Cielo também está reduzindo os preços em 20% a 30% para enfrentar o duelo, que está longe do fim. De acordo com relatório recente do Bra- desco BBI, a tendência é que grandes varejistas (sobretudo supermerca- dos) virem credenciadoras, livrando- -se das taxas cobradas nas transa- ções. Em setembro, o Grupo Pão de Açúcar lançou a maquininha Passaí. O produto começou a ser usado em lojas da rede Assaí e é oferecido tam- bém a comerciantes e prestadores de serviço sem cobrança de aluguel, sem taxa de adesão e com conexão via chip e Wi-Fi. Dez por cento da taxa cobrada por transação (a depen- der do faturamento do cliente) vira pontos que podem ser trocados por produtos no supermercado. Mas nem todos são concorrentes ferozes. As emissoras de cartões de débito e crédito, por exemplo, enxer- gam nessa briga uma boa oportuni- dade. Fernando Pantaleão, vice-pre- sidente da Visa, diz que a empresa vem mapeando os estabelecimen- tos que ainda não trabalham com máquinas de cartão. “Repassamos semanalmente esses dados às cre- denciadoras. Conversamos até com os bancos regionais, pois não adianta levar as máquinas a uma localidade se poucas pessoas ali têm acesso aos cartões”, afirma o executivo. Já a Mastercard aposta nas parce- rias estratégicas. É o caso do traba- lho em conjunto feito com a creden- ciadora GetNet para atender leilões de gado. João Pedro Neto, CEO da Mastercard para Brasil e Cone Sul, explica que nesse tipo de negócio as opções de parcelamento são diferen- tes das praticadas no mercado em geral. “Trabalhamos juntos e agora oferecemos uma máquina com me- canismo diferenciado. Nossa ideia é somar forças e levar máquinas para setores inexplorados, como paga- M E R C A D O Horizonte de desafios mento de mensalidades de escola e de condomínio”, diz o executivo. Quem também ganha no avanço da cadeia são as fabricantes dos cartões. Neste ano, a chinesa PAX teve de ampliar os turnos no Brasil, aumentar o maquinário e contratar serviços de terceiros para atender a pedidos de Cielo e PagSeguro. A produção cresceu 60% em 2018. Oportunidade profissional Com tanta competição, as compa- nhias voltaram a atenção para os profissionais. Há uma disputa por ta- lentos. Em 2017, antes de virar CEO da Adiq, empresa de maquininhas, o engenheiro Marcos Cavagnoli, de 46 anos, recusou o convite de duas concorrentes e de um gigante do Vale do Silício na área de meio de pagamento. “Escolhi pela empresa na qual senti que teria mais espaço para liderar estratégias que fariam a diferença nesse mercado.” Marcos, que foi presidente de uma unidade do J. P. Morgan da América Latina, um dos maiores bancos do mundo, está animado. Seu principal direcionamento à frente da Adiq é investir em tecnologia e customização, com soluções específicas para cada mercado. “Hoje, possuímos ferramen- tas que aumentam a taxa de aprova- ção da transação, impedindo que o cartão não ‘passe’ por algum erro do sistema, por exemplo. Também temos um software integrado à maquininha em que o comerciante pode oferecer pontos ou dinheiro de volta ao clien- te de acordo com suas compras.” Segundo Marcos, a competência mais importante para vencer num setor bélico como o de meios de pa- gamento é ter experiências diversas (ele também passou por Citibank e Alstom, e ajudou a criar startups do zero, como a Koin, que atua em pagamentos via boleto para lojas virtuais) e um olhar bastante atento às movimentações de mercado para EMBORA DE FORMA AINDA TÍMIDA, O BRASIL COMEÇA A SEGUIR OS PASSOS DA CHINA, REFERÊNCIA EM INOVAÇÃO NOS MEIOS DE PAGAMENTO. SEGUNDO ROBSON DANTAS, CONSULTOR DA MASTERCARD EM PROJETOS DIGITAIS PARA A AMÉRICA LATINA, ASSIM COMO ACONTECEU NO PAÍS ASIÁTICO, EM BREVE AS MAQUININHAS DEVEM PERDER O POSTO NO BRASIL PARA O CELULAR E OUTROS GADGETS, COMO RELÓGIOS INTELIGENTES. “OS CHINESES FAZEM PAGAMENTOS POR APROXIMAÇÃO, DE UM CELULAR PARA O OUTRO, COM QR CODE”, AFIRMA O EXECUTIVO. BRUNO DINIZ, DA CONSULTORIA SPIRALEM, VAI ALÉM: “ESSAS MAQUININHAS SÃO APENAS UM ESTÁGIO DA BATALHA. O MERCADO DEVE AVANÇAR MUITO NOS PRÓXIMOS ANOS”. NA CHINA, QUEM REVOLUCIONOU OS MEIOS DE PAGAMENTO FOI O APLICATIVO DE TROCAS DE MENSAGENS INSTANTÂNEAS WECHAT. COM 963 MILHÕES DE USUÁRIOS, ELE PERMITE, ALÉM DE CONVERSAR, FAZER PAGAMENTOS DIRETAMENTE DA PLATAFORMA. Shenzhen, na China: até os ônibus já aceitam pagamento via celular 1 FOTO: 1 GET T Y I M AGES 2 L E A N DRO F ONSECA V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 5 não perder de vista novos produtos e transformações no comportamento do consumidor. “Trabalhamos num seg- mento sensível, em que as mudanças ocorrem muito rápido, então o profis- sional dessa área precisa estudar ten- dências, reconhecer as oportunidades e colocar as soluções em prática em pouco tempo”, diz. Quando contrata, Marcos busca exatamente esse tipo de característica no candidato. Sérgio Saraiva, da Cielo, concor- da com Marcos sobre os talentos precisarem estar preparados para viver uma experiência intensa. “Antigamente, falava-se muito da importância do coeficiente de inte- ligência para a contratação. Depois, o coeficiente emocional ganhou im- portância. Em nossa área, damos atenção especial ao QA, coeficien- te de adaptação. O profissional — Marcos Cavagnoli, CEO da Adiq: antes de assumir, ele recusou três ofertas de emprego, inclusive no Vale do Silício oriundo geralmente das áreas de tecnologia, engenharia, estatísti- ca, matemática, vendas, mar keting, entre outras —, além de entender amplamente do negócio, precisa ser rápido na execução de projetos. Dizemos que somos uma empresa grande com alma de startup.” Se no mundo corporativo há em- presas contratando, os caminhos estão abertos também para os em- preendedores. Carolina Mendes, de 22 anos, que o diga. Formada em administração, ela resolveu fundar a startup LaPag quando, frequentan- do um salão de beleza, percebeu que ali havia grandes oportunidades. “A área de beleza ainda é pouco estru- turada. Senti que havia espaço para oferecer algo direcionado às suas necessidades, com ferramentas de gestão agregadas”, afirma. A maquininha da LaPag, utiliza- da em estabelecimentos de beleza e estética, divide automaticamente a comissão entre o prestador de serviço e o dono do estabelecimento, pagan- do separadamente o proprietário do salão, a manicure e o cabeleireiro. “Além disso, a máquina é conectada a um sistema que controla o estoque de produtos e a agenda, e até se comuni- ca com o cliente, mandando SMS para confirmar o horário”, diz Carolina. Fundada em outubro de 2016, a startup levantou 1,5 milhão de reais de aporte em seu primeiro ano de operação. Atraiu, entre outros in- vestidores, Renato Freitas, um dos fundadores do aplicativo 99. Com 100 clientes na carteira, a ex- pectativa é avançar ainda mais. A LaPag cresce 20% ao mês. A startup estima que existam hoje no Brasil cercade 750 000 salões de beleza. “Nosso maior desafio é ter destaque entre os meios de pagamento desse setor”, diz Carolina. Que a luta por relevância siga gerando serviços me- lhores, com benefícios para comer- ciantes, clientes e profissionais. 2 Proibido para mulheres FOTO: GET T Y I M AGES O Vale do Silício é referência quando pensamos sobre empresas disruptivas e empreendedores de sucesso. No entanto, o local não é feito só de encantamento. De acordo com a jornalista americana Emily Chang, o paraíso da inovação está longe de ser acolhedor para as mulheres — sejam elas empregadas em outras companhias ou fundadoras das próprias startups. No livro Manotopia, a autora, especializada em tecnologia e apresentadora de um programa sobre o tema no canal Bloomberg, descreve como o pensamento machista dos profissionais que são símbolo do Vale do Silício desestimula a entrada feminina no mundo das startups. No trecho a seguir, publicado com exclusividade por VOCÊ S/A, Emily faz críticas a Peter Thiel, fundador do PayPal. L I V R O 7 6 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A A última vez que entrevistei Pe- ter Thiel, está- vamos no palco da Conferência LendIt, na pri- mavera de 2016. Thiel, cofunda- dor do PayPal, talvez estivesse no ponto alto de sua influência cultural. Seu livro De Zero a Um, que postulou uma nova maneira de pensar sobre inovação e construir empresas de sucesso, ficou por um longo tempo na lista de best-sellers do New York Times e foi um enorme sucesso na China e em outros mercados estrangeiros. A eleição presidencial aconteceria em apenas sete meses; mas, durante nossa entrevista, Thiel alegou que não tinha nada a ver com isso. Ape- nas algumas semanas depois, ele de- clarou seu apoio a Donald Trump, uma jogada que lhe custaria um considerável capital social entre a elite do Vale do Silício. No dia em que conversei com ele, no entanto, Thiel ainda era visto por muitos como o rei filósofo do Vale do Silício, em parte por seu papel fun- damental no PayPal (que foi vendido ao eBay em 2002, por 1,5 bilhão de dólares) e por sua vasta gama de investimentos (do Facebook e Tesla à bioengenharia e energia nuclear); porém, mais recentemente, por cau- sa de seu influente livro. Aclamado pela Atlantic como “uma articulação lúcida e profunda do capitalismo e de suas consequências na econo- mia do século 21”, tornou-se leitura obrigatória para empresários de tec- nologia e outras pessoas influentes. No palco do LendIt, Thiel usava o uniforme-padrão do investidor de capital de risco: jeans surrados, cinto preto e uma camisa branca com colarinho aberto impecavel- mente passada. Ele suava. Não por causa das minhas perguntas incisi- vas, mas porque fica naturalmente desconfortável à frente de plateias e sob as luzes do palco. Apesar de não ser um orador par- ticularmente refinado (gagueja e é repetitivo), parece pensar em cada uma de suas respostas no momen- to, em vez de confiar em tópicos de discussão preparados. Nos primei- ros dois terços da entrevista, ele fez apontamentos interessantes e perspicazes sobre questões como a evolução da economia chinesa, o estado da política americana e o futuro da tecnologia. Então, perguntei a ele sobre a fal- ta de diversidade entre a elite do Vale do Silício. Duas semanas antes, a companhia de capital de risco de Thiel, fundada há 11 anos, a Foun- ders Fund, esteve nas manchetes por ter contratado sua primeira sócia, Cyan Banister (a esposa de Scott Banister, um dos primeiros membros do conselho do PayPal). Thiel é líder de mercado há duas décadas; mas, apesar disso, não assumiu nenhuma responsabilidade pessoal pela disparidade de gênero da tecnologia e, aparentemente, nem sequer pensou em como solucioná-la Trecho do livro A Máfia do PayPal e o mito da meritocracia V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 7 Pedi a opinião de Thiel sobre a falta de mulheres na indústria de capital de risco como um todo e sobre onde estava a causa da disparidade. “Todos temos a responsabilidade de fazer mais”, começou ele. “As dis- paridades são realmente grandes... Há uma questão muito relevante na tecnologia. Pode ser que haja uma enorme disparidade entre jogadores de xadrez ou professores de mate- mática, mas isso não importa tanto quanto a única indústria que real- mente está dando certo nos EUA.” A questão crucial, continuou ele, foi a falta de mulheres como fun- dadoras. Pelas suas contas, apenas duas mulheres foram fundadoras entre as 150 e tantas empresas “uni- córnio”, que valem mais de 1 bilhão de dólares. “O que realmente define a cultura do Vale do Silício não são os executivos ou os investidores de risco; são os fundadores de empre- sas. E esse é provavelmente o ponto em que a disparidade é mais grave.” Essa resposta elucidativa causou uma pequena reação na multidão. Ele reconheceu o problema, citou al- guns dados para esclarecer a situa- ção e concordou que a questão era importante. Qual foi sua receita para mudar as coisas? “Não sei o que fazer em relação a isso”, admitiu ele. Thiel é líder de mercado há duas décadas; mas, apesar disso, não as- sumiu nenhuma responsabilidade pessoal pela disparidade de gêne- ro da tecnologia e, aparentemen- te, nem sequer pensou em como a solucionar. O subtítulo do livro De Zero a Um é “O que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do Silício”; mas, quando o reli, depois da conferência, procurando como ele abordou essa questão crítica da exclusão feminina, descobri que essa “enorme disparidade” nem se- quer foi mencionada. Na verdade, ele conseguiu escrever o livro intei- ro sem usar nem uma vez a palavra “mulher”. Suspeitei que essa grande e importante “responsabilidade de fazer mais” não era, de fato, uma preocupação dele. A aparente falta de interesse de Thiel na condição feminina real- mente importa, porque Thiel não é apenas influente. Ele é o incon- testável chefe de um grupo am- plamente conhecido como a Máfia do PayPal, uma facção de homens que constituem uma das muitas ra- zões pelas quais o Vale do Silício se tornou fortemente dominado por homens brancos de determinada idade e formação acadêmica. Para entender o quão profundamente as crenças, decisões e ações desse grupo afetaram a indústria, temos de voltar a meados dos anos 90 e os conhecer quando eram um bando de gênios desajustados da Univer- sidade de Stanford. Do contra por natureza Keith Rabois, um ex-associado do PayPal, que agora é um dos princi- pais investidores de risco, lembra- -se claramente de quando conheceu Thiel. Era o primeiro dia de Rabois como calouro da Stanford, e Thiel, A aparente falta de interesse de Thiel na condição feminina realmente importa, porque Thiel não é apenas influente. Ele é o incontestável chefe de um grupo amplamente conhecido como a Máfia do PayPal L I V R O 7 8 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A questão de orgulho. “Todos come- çávamos a maioria das indagações com uma propensão à sabedoria não convencional. Quase não importava qual era o assunto”, diz Rabois. Eles eram do contra por natureza. Ninguém deveria ser julgado para sempre pelas certezas que tinham quando eram estudantes universi- tários. Entretanto, as opiniões ex- pressadas pelo grupo de Thiel em Stanford merecem ser reexamina- das, pois as ideias que formaram nos anos 90 esclarecem a visão de mundo que têm hoje. E, dada a exagerada influência da Máfia do PayPal no Vale do Silício, a visão de mundo desse grupo de homens afetou nossa cul- tura e mudou muitas vidas. No início dos anos 90, muitas universidades se empenhavam para criar um programa de ensino transcultural, e Stanford começou instituindo um novo curso, chamado culturas, ideias e valores. (...) Thiel e seus colegas da Stanford Review viram esses esforços como profun- damente insensatos, escrevendo que essa era uma tentativa dos professo-res de impor suas crenças pessoais antiocidentais e antipatriarcais no corpo discente. Universidades de- vem fechar os olhos para gênero e raça, argumentaram eles. Brancos e asiáticos não devem perder car- gos acadêmicos para candidatos de grupos sub-representados. Somente realizações mensuráveis e mérito acadêmico devem ser importantes. (...) A Stanford Review também mirou o feminismo. David Sacks, colunista da Stanford Review que se torna- ria o primeiro diretor de operações do PayPal enquanto Thiel era CEO, escreveu diversos artigos em uma publicação de 12 páginas dedica- da inteiramente a criticar a nova conscientização sobre estupro e agressão sexual. A palavra “ES- TUPRO”, em negrito, ocupa metade da primeira página, e a publicação inclui um artigo sobre “Como evi- tar acusações de agressão sexual”, complementado com maneiras de contrariar as “feminazis”, pontua- das por uma suástica modificada. Trecho retirado do livro MANOTOPIA: COMO O VALE DO SILÍCIO TORNOU-SE UM CLUBINHO MACHISTA Autor: Emily Chang Editora: Alta Books Páginas: 320 Preço: 59,90 LANÇAMENTO PREVISTO PARA 28 DE FEVEREIRO um terceiranista, passava pelos dormitórios distribuindo cópias do Stanford Review, o jornal conserva- dor estudantil que havia cofunda- do. Thiel normalmente deslizava o jornal por baixo das portas fecha- das dos dormitórios, mas a porta de Rabois estava aberta, e os dois começaram a conversar. Rabois, ele mesmo um conserva- dor, ficou imediatamente intrigado tanto por Thiel quanto pelo impe- tuoso jornal que editava. Pouco tem- po depois, disse-me Rabois, ele se tornou parte do grupo de estudan- tes universitários indisciplinados, nenhum deles formado em ciência da computação, que se uniu para compartilhar suas ideias de direita com o resto da população de Stan- ford, majoritariamente de esquerda. “Não sabíamos nada sobre tecnolo- gia e conversávamos principalmente sobre política”, diz ele; na verdade, eles estudavam direito, filosofia e administração. Rabois se lembra de ter sentido como se ele e seus colegas da Stanford Review fossem “rejeitados” em uma escola liberal. O próprio Thiel disse-me que, enquanto crescia, muitas vezes se sentia como um “estranho”. Ele, que imigrou da Alemanha com sua família, frequentou sete escolas pri- márias diferentes quando criança, foi criado como cristão protestante e se viu questionando crenças am- plamente aceitas, como a Teoria da Evolução, de Darwin. Em Stan- ford, recusar a se conformar com os pontos de vista predominantes dos outros estudantes tornou-se uma V O C Ê S / A J A N E I R O D E 2 0 1 9 7 9 U ma ótima ideia de negócio pode ser o bastante para inovar. Mas entre existir, sobreviver, crescer e prosperar há um longo percurso — por vezes, repleto de obstáculos. Nada de que o melhor dos pla- nejamentos estraté- gicos não dê conta, certo? Errado. Se fosse assim, o número de startups que ficam pelo caminho não seria tão alto: 30% daquelas que iniciam sua jornada, segundo pesquisa do Sebrae. Por que estou trazendo essa pers- pectiva de fracasso se prometo no tí- tulo falar em liderança? Porque essa é a palavra-chave para estar do lado dos vencedores. Uma proposta inova- dora e um bom plano de negócios só se transformam em uma empresa de sucesso se, por trás disso, há alguém capaz de conduzir a execução. Você parou para pensar nos desa- fios de uma nova empresa e em quan- to sua solução depende de um líder assertivo, criativo e determinado? Dá para obter algumas pistas em um recente estudo apresentado pelo escritório Nogueira, Elias, Laskowski e Matias Advogados (Nelm). Ali apa- recem questões como a dificuldade na captação de investimentos (ou seja, vender a outro um sonho que é seu, citada por 57% dos entrevistados). Não se pode esquecer, contudo, que esse mesmo sonho precisa ser comprado pelo público interno. Em bom por- tuguês: pela sua equipe. Encontrar talentos com potencial para escalar negócios é só o primeiro passo. Para dar certo, eles precisam de um líder capaz de proporcionar o engajamento que levará aos resultados. Liderança em ambientes inovadores Sem um líder capaz de mover as pessoas em busca de um objetivo comum, é impossível ter negócios disruptivos N E I L PAT E L ESCREVE SOBRE EMPREENDEDORISMO DIGITAL, É COFUNDADOR DA CRAZY EGG, DA HELLO BAR E DA KISSMETRICS E AJUDA EMPRESAS COMO AMAZON, FACEBOOK E GOOGLE A AUMENTAR SUA RECEITA Como fazer dar certo? Investir primeiro em você, nas habilidades necessárias para dar conta do recado. Para alcançar a excelência na liderança, há algumas etapas que não podem ser negligenciadas. Veja quais são: Tenha um propósito claro Dê a sua equipe uma missão pela qual lutar, mostre ao mercado que você não está a passeio e conquiste parceiros que compartilhem seus sonhos. Desenvolva competências Autoconhecimento, inteligência emo- cional, resiliência, assertividade. As habilidades nos preparam para lidar melhor com novos e velhos desafios. Estabeleça processos O Nelm descobriu que 77% dos in- vestidores temem os riscos gerais do negócio. Se você não estrutura a forma como a empresa funciona, afugenta o capital externo. Dê atenção total ao time Nem tudo se resume a um alto sa- lário. Ofereça capacitações e fe- edbacks. Delegue tarefas, confie responsabilidades. Dê autonomia, mas se faça presente. “Uma proposta inovadora e um bom plano de negócios só se transformam em uma empresa de sucesso se, por trás disso, há alguém capaz de conduzir a execução” 8 0 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A A R T I G O S V ocê já deve ter notado que existe um número enorme de artigos falando so- bre a relevância das soft skills (como são conhecidas as habilidades compor- tamentais) para se desenvolver num mundo em cons- tante transforma- ção, como este em que vivemos atualmente. Essas habilidades, que podemos chamar de interpessoais, são parte importante do perfil do líder mo- derno, daquele que trabalha na or- ganização exponencial, que torna ágeis as relações em seu perímetro e que sabe tratar as pessoas com dignidade e respeito. O profissional que forma alianças, que transmite empatia, que é íntegro, sem dúvida terá um desenvolvimento acelerado da carreira. Mas ele só con- quistará isso se conseguir entender que não pode cometer injustiças — e que o objetivo das soft skills não é ganhar um concurso de popularidade para ser escolhido o Papai Noel da festa de Natal da firma. É por isso que neste artigo, que inaugura 2019, quero discutir sobre os limites das habilidades comporta- mentais — principalmente para os profissionais que estão em uma posição de gestão. Um líder não precisa ter a obrigação de agradar a todo mundo. Os seus papéis, na realidade, são discordar da- queles que estão tendo atitudes disfuncionais; ser forte com os que deixam de respeitar os valores corporativos; e contradizer os colegas que entrarem em uma discussão sem argumentos objetivos para resolver um problema, apenas porque querem mostrar que estão com a razão. As competências comportamentais são importantes para o desenvolvimento da liderança. Mas é preciso tomar cuidado para não usá-las em prol de uma popularidade vazia Empáticos, mas justos L U I Z C A R L O S C A B R E R A ESCREVE SOBRE CARREIRA, É PROFESSOR NA EAESP-FGV E DIRETOR NA PMC - PANELLI MOTTA CABRERA & ASSOCIADOS Tratar igualitariamente os funcionários que atrapalham o processo de trabalho e os opositores sem argumentos, simplesmente para construir e manter uma imagem de “bonzinho”, só vai macular sua posição de liderança. O resultado para esse gestor será a perda do respei- to de sua equipe e também de seus apoiadores. Agindo assim, ele fará com que os grupos que sempre esti- veram a seu lado fiquem frustrados com uma atitude como essa. Um líder deve ser duro com quem precisa de limites, forte com aqueles que estão se desviando da trajetória ética e implacável com quem violenta os valores.Essas, sim, são atitudes soft da melhor qualidade, que trazem resultados excelentes para quem as pratica e, consequentemente, para todo o grupo a seu redor. Ser soft de verdade não é ser mole, nem conivente, menos ainda con- descendente. Ser um líder soft é se transformar em um ser humano de primeira qualidade. E quem é assim se torna especialmente admirado e respeitado por todos. “Seja duro com quem precisa de limites, forte com quem está se desviando da trajetória ética e implacável com quem violenta os valores” V O C Ê S/A J A N E I R O D E 2 0 1 9 8 1 8 2 J A N E I R O D E 2 0 1 9 V O C Ê S / A FOTO: GER M A NO LÜ DER S R E V I R A V O L T A Faz de conta O sonho de Lara Batista, de 30 anos, sempre foi traba- lhar com crianças. Filha de professores universitários, a paulista passou perto de seguir o caminho dos pais, mas trancou o curso de licenciatura, se formou em desenho industrial e, durante 16 anos, trilhou uma carreira de designer em empresas de tecnolo- gia. A vontade de lidar com os pe- quenos, porém, persistiu. Há três anos, enquanto fazia compras no supermercado, viu um punhado de caixas de papelão amontoadas e teve a ideia que a faria faturar 500 000 reais por ano. “Pensei que daria uma casa de bonecas legal. Já gostava de coisas manuais, mas nunca tinha feito miniaturas, resolvi tentar.” Lara criou a maquete e com- partilhou o passo a passo em uma conta no YouTube. “Na hora, várias crianças começaram a comentar o vídeo.” Nascia assim o Caseirices Kids, canal que hoje tem mais de 2 milhões de assi nantes e ensina a transformar sucatas e outros objetos em brinquedos. Durante dois anos a empreen dedora enfrentou uma roti- na de 14 horas de trabalho diárias, conciliando a produção dos vídeos com o antigo emprego. Mas, há cerca de um ano, quando o canal atingiu o primeiro milhão de espectadores, ela resolveu se demitir. Hoje, conta com uma equipe de cinco pessoas e tem o objetivo de faturar 100 000 por mês até 2019. “Nunca me senti tão feliz e realizada.” L u c i a n a L i m a