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Home > Ciclos da Medicina > Internato > Sarampo: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento Sarampo: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento Acervo Comunidade Sanar 14/03/2020 Índice 1. Epidemiologia 1.1. Transmissão 2. Fisiopatologia do sarampo 3. Quadro clínico de sarampo 3.1. Período prodrômico 3.2. Período exantemático 3.3. Período de convalescênça 4. Diagnóstico 4.1. Diagnóstico diferencial 5. Tratamento do sarampo 6. Ficha clínica do sarampo: 7. Você sabe tratar sarampo? 8. Leituras Relacionadas 8.1. Referências O sarampo é uma doença respiratória aguda, causada por RNA vírus do gênero Morbillivirus da família Paramyxoviridae e apresenta gravidade variável em populações de diferentes níveis socioeconômicos. Além disso, é uma infecção clássica da infância que pode ser fatal e está na Lista Nacional das Doenças e Agravos de Noti�cação Compulsória. O Brasil tem empreendido um grande esforço para erradicar essa doença por vacinação, o que resultou em um signi�cativo declínio da prevalência dela. https://sanarmed.com/ https://sanarmed.com/category/ciclos-da-medicina/ https://sanarmed.com/category/ciclos-da-medicina/internato/ https://sanarmed.com/author/comunidade-sanar/ https://sanarmed.com/ Epidemiologia Trata-se de um vírus de ampla distribuição mundial, com sua incidência, evolução clínica e letalidade aparentemente in�uenciadas pelas condições socioeconômicas, além do estado nutricional e imunitário dos pacientes. No ano 2000, a Organização Mundial da Saúde (OMS), estimou que haviam de 30 – 40 milhões de casos de sarampo no mundo, com 770 mil óbitos. A maior prevalência do sarampo é na infância, poupando lactentes menores de 6 meses pela persistência dos anticorpos maternos. No Brasil, devido ao aumento da cobertura vacinal a partir da década de 1980 o número de óbitos por essa doença reduziu gradativamente e, em 2000, a circulação endêmica do agente etiológico foi interrompida e casos autóctones deixaram de acontecer. A partir desse ano ocorreram surtos isolados devido a casos importados até que, em setembro de 2016, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) entregou ao Brasil o certi�cado de eliminação do sarampo. Mas as coisas mudaram de lá para cá e o Brasil não é mais um país considerado livre do sarampo. Só no ano de 2018 foram 10.262 casos con�rmados e no ano de 2019 foram noti�cados 561 casos, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Pará. Nesse contexto, vale lembrar que o sarampo é uma doença altamente contagiosa, o que reforça a importância da imunização populacional. Entretanto, a cobertura vacinal no país tem diminuído com o passar dos anos, sendo que esses dados apontam para um dos principais motivos do surto. Transmissão A transmissão dessa doença é direta e ocorre por secreções da nasofaringe expelidas por indivíduos contaminados ao falar, tossir, espirrar e respirar. Adicionalmente já foi descrita, em ambientes fechados, a contaminação por aerossóis com partículas virais no ar. O período de transmissibilidade vai de 4 a 6 dias antes do exantema até 4 dias após o aparecimento. Fisiopatologia do sarampo A entrada do vírus se dá com a inoculação do vírus no trato respiratório, pelas vias aéreas superiores onde ele infecta linfócitos, macrófagos alveolares e células dendríticas. Em seguida, o vírus sofre replicações sucessivas no epitélio da mucosa e se dissemina através da via linfática, atingindo, posteriormente, a via sanguínea. Com isso, é possível que o vírus cause uma viremia, engendrando uma elevada disseminação sistêmica do antígeno pelo corpo devido à forma de infecção do vírus ocorrer por meio das células epiteliais e endoteliais dos órgãos (transmissão direta entre as células). O vírus pode se instalar em tecidos como a conjuntiva, trato urinário, capilares sanguíneos, tecido linfático, sistema nervoso central e no trato respiratório, onde o vírus leva a necrose epitelial e a formação de células gigantes. O vírus causa certa repressão da resposta Th1 gerando imunossupressão. A infecção das células endoteliais e dos linfócitos T gera a alteração macroscópica denominada exantema, a qual é um sinal característico dessa infecção viral. Outros efeitos sistêmicos mais raros dessa viremia são uma encefalite pós-infecciosa de etiologia imunológica e uma panencefalite esclerosante subaguda ocasionada por vírus mutantes no sistema nervoso central. Caso a infecção seja tratada o indivíduo adquire uma imunidade vitalícia devido à memória imunológica do organismo, caso esse quadro não seja revertido o indivíduo pode evoluir a óbito devido a uma falha na imunidade mediada por células. Quadro clínico de sarampo O sarampo possui um período de incubação que varia de 7 – 18 dias, quando se iniciam febre e mal- estar do pródromo da infecção. Segundo o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde de 2019, o quadro clínico do sarampo é dividido em três fases bem de�nidas: período prodrômico ou catarral; período de estado ou exantemático; período de convalescença ou de descamação furfurácea. Período prodrômico Tem uma duração média de 6 dias, no início da doença. Todas as mucosas são comprometidas, resultando em um cortejo de sintomas muito característicos (febre, tosse produtiva, coriza, lesões de mucosa e boca e linfadenomegalia) pela manifestação clinica desse comprometimento. Nas últimas 24 horas desse período, surge, na altura dos pré-molares, o sinal de Koplik, pequenas manchas brancas com halo hiperemiado, consideradas como sinal patognomônico. Período exantemático Nesse momento, o paciente apresenta piora de todos os sintomas descritos, com prostração importante, quando, então, o exantema que caracteriza o sarampo aparece em surtos sucessivos. Surgem manchas sobrelevadas, maculopapulares, de cor avermelhada, com pele normal entre elas, distribuindo- se em sentido cefalocaudal. Período de convalescênça Nesse período as manchas tornam-se escurecidas e surge descamação �na, lembrando farinha, característica descrita no nome da fase – descamação furfurácea. Diagnóstico O diagnóstico de sarampo é clínico-epidemiológico. Em casos de dúvida diagnóstica é possível a realização do teste sorológico. A sorologia utiliza a técnica de ensaio imunoenzimático (ELISA) e detecta anticorpos IgM especí�cos e soro conversão ou aumento de anticorpos IgG. Os IgM são detectados na fase aguda da doença (dos primeiros dias até 4 semanas após aparecimento do exantema) e os IgG ainda são detectados muitos anos após a infecção. Os casos em que os resultados forem de IgM reagente ou inconclusivo devem ser noti�cados imediatamente e a coleta de segunda amostra de sangue deverá ser realizada entre 15 e 25 após a primeira coleta. Além disso, segundo o protocolo do Ministério da Saúde, a pesquisa para identi�cação do vírus pode ser realizada em amostras de orofaringe, nasofaringe e urina (coletadas até o 7º dia após aparecimento do exantema, principalmente nos 3 primeiros dias) a partir da técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR). Isso é importante para conhecer o genótipo do vírus, diferenciar vírus selvagem de vírus vacinal e diferenciar casos autóctones de casos importados. Diagnóstico diferencial Dentro do universo pediátrico, as principais doenças que fazem diagnóstico diferencial com o sarampo são: eritema infeccioso, doença de Kawasaki, exantema súbito e escarlatina, enquanto que nos adultos são: dengue, rubéola, infecção aguda pelo HIV. https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/junho/25/guia-vigilancia-saude-volume-unico-3ed.pdf https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/junho/25/guia-vigilancia-saude-volume-unico-3ed.pdf Tratamento do sarampo Não existe tratamento especí�co para o sarampo, sendo que, por ser uma doença autolimitada, os recursos terapêuticos visam aliviar os sintomas. Dessa maneira, é de grande importância atentar para a promoção de uma maior ingesta de líquidos e de um amparo nutricional, como também atentar para a administração de antipiréticos. A desnutriçãoe a desidratação devem ser combatidas com cuidados especiais, hidratação com soro �siológico a ½, ou a ¼ quando em lactente, sempre com soro glicosado de 5 – 8%, com realimentação precoce, em 12 horas. A vitamina A está recomendada, principalmente, para os pacientes desnutridos. Segundo o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde de 2019, é recomendado ministrar vitamina A, na forma de palmitato de retinol, para todas as crianças diagnosticadas com sarampo, visando diminuir o número de casos graves e fatais, assim como prevenir as complicações da doença. As seguintes dosagens são preconizadas: 50.000UI de palmitato de retinol na forma de solução oral para crianças com idade entre 0 e 6 meses; 100.000UI de palmitato de retinol na forma de cápsula para crianças com faixa etária entre 6 meses e 11 meses e 29 dias; 200.000UI de palmitato de retinol na forma de cápsula para crianças acima de 12 meses de idade. Independente do grupo etário, deve-se administrar 2 doses, sendo a primeira no dia do diagnóstico e a segundo no dia seguinte. Ficha clínica do sarampo: Você sabe tratar sarampo? Leituras Relacionadas Varíola dos macacos: o que é, sintomas, transmissão e tratamento Vacina contra o sarampo: como funciona, público-alvo e a importância Saiba tudo sobre a vacina contra o câncer de próstata, pulmão e ovários Referências SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Tratado de pediatria – Dennis Alexander Rabelo Burns… [et al.]]. 4ª edição. Monole, 2017. NELSON. Tratado de Pediatria – Richard E. Behrman, Hal B. Jenson, Robert Kliegman. 18ª Edição. Elsevier. 2009. Você sabe tratar SARAMPO? - Dica SanarFlixVocê sabe tratar SARAMPO? - Dica SanarFlix Compartilhe este artigo: Acervo Comunidade Sanar A comunidade Sanar, que encerrou suas atividades em julho de 2022, tinha como intuito colaborar na jornada de formação médica através do incentivo a produção de conteúdo de medicina de alta qualidade. 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