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DOENÇA CELÍACA DEFINIÇÕES Os pacientes que apresentam resolução de sintomas gastrointestinais e não gastrointestinais com dieta isenta de glúten (DSG), quando a doença celíaca e a alergia ao trigo mediada por IgE foram excluídas, são rotulados como tendo “sensibilidade ao glúten não celíaca” (SGNC). Apesar dos pacientes relatarem muitas vezes uma melhoria substancial dos sintomas ao adotar uma DSG, os resultados dos ensaios clínicos (que comparam glúten e placebo) foram até agora contraditórios, levando à incerteza sobre a verdadeira frequência desta síndrome. WGO, 2016 DOENÇA CELÍACA É uma enteropatia crônica do intestino delgado, de caráter autoimune, desencadeada pela exposição ao glúten em indivíduos geneticamente predispostos. O sistema imunológico tem o papel de combater invasores que podem causar infecções e doenças, como vírus e bactérias. Quando uma pessoa tem uma doença autoimune, no entanto, ocorre uma falha nesse mecanismo de defesa, que passa a atacar indevidamente células saudáveis do corpo. EPIDEMIOLOGIA Antes = acometia principalmente crianças entre 6 meses e 5 anos. Hoje = todas as faixas etárias - mais de 70% dos novos pacientes são diagnosticados acima dos 20 anos A maior incidência de soroconversão da doença celíaca é entre os 12 e 36 meses de idade. Prevalênciaaumentou significativamentenos últimos 20 anos Imagem do Iceberg idealizada por Richard Logan em 1991. Relação de casos de DC diagnosticados com não diagnosticados na Europa era de 5/1 a 13/1.World Gastroenterology Organisation, 2016 ETIOPATOGENIA A DC é o resultado da interação entre o glúten e fatores imunológicos, genéticos e ambientais. A gliadina, a fração solúvel em álcool do glúten, é uma proteína rica em aminoácidos de glutamina e prolina, e que é pobremente degradada pelas enzimas digestivas. As moléculas não digeridas da gliadina atravessam a barreira de permeabilidade intestinal, provavelmente durante um processo infeccioso ou quando há um aumento da permeabilidade por qualquer outra razão, e interage com as células apresentadoras de antígeno da lâmina própria da mucosa intestinal. JBG, RJ, v.6, n.1, p. 24, jan./mar. 2006 WGO, 2016 United European Gastroenterology Journal, Vol. 7(5) 583–613, 2019 GLÚTEN PROLAMINAS GLUTELINAS SOLÚVEIS EM ÁLCOOL INSOLÚVEIS EM ÁLCOOL FRAÇÃO INÓCUAFRAÇÃO TÓXICA •TRIGO – GLIADINAS •CENTEIO – SECALINAS •CEVADA – HORDEÍNAS •AVEIA - AVENINAS GLÚTEN Prolaminas/Gliadinas e Gluteninas: as qualidades plásticas e elásticas do glúten são resultado da presença das gliadinas e gluteninas no glúten. Prolaminas/gliadinas = expansibilidade Glutelinas = elasticidade Amplamente utilizados no processamento de alimentos para dar textura e sabor. HISTOPATOLOGIA Lesão histológicas Reação inflamatória deflagrada pelo consumo de glúten Localizada preferencialmente nas áreas proximais (duodeno + jejuno) Intensidades e extensões variáveis ao longo do intestine delgado e se intercalam com áreas de mucosa normal = diversidade de sintomas Zonulina = proteína responsável por controlar a proximidade entre células intestinais. Quanto maior a ativação da zonulina, mais afastadas elas estarão. O resultado disso é o aumento de espaço entre as células. CLASSIFICAÇÃO DE MARSH DE LESÕES DUODENAIS WGO Practice Guidelines, 2016. CLASSIFICAÇÃO DE MARSH DE LESÕES DUODENAIS QUADRO CLÍNICO Depende: Sensibilidade individual ao glúten Quantidade de glúten presente na dieta Idade Extensão e gravidade da resposta inflamatória na mucosa + outros fatores desconhecidos Forma clássica Diarreia crônica e desnutrição Distensão abdominal Intensa redução de massa glútea Guia orientador para celíacos, 2010 QUADRO CLÍNICO Forma não-clássica ou atípica Atípico digestivo: sintomas digestivos mais discretos ou constipação Atípico extradigestivo: baixa estatura, anemia ferropriva refratária à reposição de ferro por via oral, anemia por deficiência de folato e vitamina B12, hipoplasia do esmalte dentário, osteoporose, artralgias ou artrites, constipação intestinal refratária ao tratamento, atraso puberal, irregularidade do ciclo menstrual, esterilidade, abortos de repetição, ataxia, epilepsia (isolada ou associada à calcificação cerebral), neuropatia periférica, miopatia... DERMATITE HERPETIFORME (DH) Considerada doença celíaca (DC) da pele Doença de pele não contagiosa Caracterizada por lesões cutâneas do tipo bolhoso e intensamente pruriginoso Guia orientador para celíacos, 2010. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Doença Celíaca Portaria SAS/MS nº 1149, de 11 de novembro de 2015. QUADRO CLÍNICO Forma assintomática (silenciosa) Caracteriza-se por alterações sorológicas e histológicas da mucosa do intestino delgado compatíveis com DC, na ausência de manifestações clínicas Pode ser comprovada especialmente entre grupos de risco para a DC como, por exemplo, parentes de primeiro grau de pacientes celíacos Vem sendo reconhecida com maior frequência nas últimas duas décadas, após o desenvolvimento dos marcadores sorológicos para esta doença. Forma refratária: Persistência da inflamação intestinal mesmo durante dieta sem glúten (DSG) rígida BARBOSA et al, 2013 O ICEBERG CELÍACO DIAGNÓSTICO ABORDAGEM “NÃO-BIÓPSIA” PARA DIAGNÓSTICO DA DC– ESPGHAN 2020 EVOLUÇÃO E PROGNÓSTICO Dieta Sem Glúten = resposta clínica rápida Defeitos absortivos desaparecem Retorno do apetite (às vezes voraz) Recuperação nutricional = peso/estatura normalizam em cerca de 15 meses Idade óssea se aproxima gradativamente da cronológica Comprometimento do desenvolvimento neuropsicomotor desaparece PACIENTES COM DC NÃO TRATADA Os pacientes com doença celíaca (não tratada a longo prazo) têm risco elevado de complicações benignas e malignas, e de mortalidade Câncer — maior risco nos primeiros anos após o diagnóstico – diminui para risco (quase) normal no quinto ano Linfomas malignos Adenocarcinoma do intestino delgado Tumores orofaríngeos Infertilidade inexplicada (12%) Saúde e crescimento dos ossos prejudicados (osteoporose 30-40%) Fraturas ósseas: risco aumentado 35% para pacientes com DC sintomática clássica O risco de mortalidade é elevado em pacientes celíacos adultos, devido a um maior risco de neoplasia fatal (índice de risco, 1,31 Resultado adverso da gravidez WGO 2016 United European Gastroenterology Journal, Vol. 7(5) 583–613, 2019 ALTERAÇÕES NUTRICIONAIS Lesão na parte proximal do ID leva a má absorção especialmente de Ferro, Folato, Cálcio e Vit. D Na DC não tratada podemos encontrar deficiências de outros nutrientes: Vitaminas lipossolúveis Vitamina B6 e B12 (raras) Niacina Zinco Ácidos Graxos Essenciais INTOLERÂNCIA À LACTOSE E DC Deficiência secundária à lactose é estimada em 20-40% dos casos Incidência é maior em pacientes com sintomas gastrointestinais Quanto mais tarde o diagnóstico maior a intolerância à lactose Atenção à dieta = ↓ ingestão de Cálcio em 2/3 dos pacientes celíacos. TRATAMENTO Fonte: JBG, RJ, v.6,n.1,p.30, jan./mar. 2006. TRATAMENTO Dieta isenta de glúten por toda a vida Trigo Centeio Cevada Aveia? Restrição qualitativa e não quantitativa Quantidades mínimas podem provocar alterações histológicas AVEIA PURA (NÃO CONTAMINADO COM OUTROS GRÃOS) É SEGURA PARA COMER EM MAIS DE 95% DOS CASOS. TRATAMENTO Atenção a contaminação cruzada (utensílios, torradeiras, superfícies de cozimento) Higiene com água e sabão dos itens compartilhados evita necessidade de ter utensílios de cozinha separados Rotulagem dos alimentos Listas de alimentos sem glúten Pacientes devem ser aconselhados a consumir dieta rica em fibras United European Gastroenterology Journal, Vol. 7(5) 583–613, 2019 Alimentosque podem ou não ser consumidos pelos pacientes celíacos BARBOSA et al, 2013 Alimentos que podem ou não ser consumidos pelos pacientes celíacos BARBOSA et al, 2013 LEGISLAÇÃO Fonte: Palestra ACELBRA, 2007. (www.acelbra.org.br) AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO NUTRICIONAL Anamnese detalhada Exame físico Avaliação do estado nutricional Identificar pacientes em risco nutricional •Ganho de peso menor do que 5% em 2 meses; •Queda do peso em um canal de percentil; •P/E < 90%; • Perda de massa magra > 5%; •Albumina sérica < 3g/dl; •Ingestão alimentar < do que 80% das recomendações AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO NUTRICIONAL Avaliar o estado nutricional atual do paciente Identificar a ingestão de macronutrientes e/ou micronutrientes e detectar deficiências e/ou excessos. É importante que os pacientes com doença celíaca consultem um especialista e que consumam uma dieta balanceada incluindo vitaminas, cálcio e fibras. Analisar hábitos alimentares e possíveis fatores que afetam o acesso à dieta. Fornecer informação e iniciar a dieta sem glúten. Fornecer educação sobre a dieta. Fazer seguimento e avaliar a adesão à dieta e reforçar a orientação nutricional. WOG, 2016 AVALIAÇÃO E MONITORIZAÇÃO NUTRICIONAL Inquérito alimentar Cálculo das necessidades nutricionais Conforme RDA das DRIs para PA Desnutridos = VET com 15-50% a mais das necessidades preconizadas para faixa etária FUNDAMENTAL A ATUAÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR FASES DO TRATAMENTO FASE INICIAL: VET Normo à hiper Pausa alimentar (SN) para reidratação CHO Normoglicídica Isenta de lactose (fórmula extensamente hidrolisada?) Pobre em sacarose: preferir maltoses e dextroses Pobre em fibras insolúveis/resíduos PTN Normo à hiper LIP Normo TCM se esteatorréia CERCA DE 15 a 30 DIAS ATÉ RECUPERAR A MUCOSA FASE INICIAL: Consistência Conforme idade da criança NPO – líquida – pastosa – branda Fracionamento Aumentado (6-8 refeições/dia) Vitaminas e minerais Rastrear deficiência de Fe e Folato Suplementar Ca + Vit. D = se paciente osteoporótico NESTA FASE PODE SER NECESSÁRIA INTERNAÇÃO HOSPITALAR, CORREÇÃO DOS DISTÚRBIOS HIDROELETROLÍTICOS E NP. FASES DO TRATAMENTO FASE DE EVOLUÇÃO: VET Normo à hiper CHO Fibra = ANP Normoglicídica Isenta de lactose? PTN Normo à hiper LIP Normo Nesta fase a alimentação vai se tornando cada vez mais abrangente, até o doente receber a dieta habitual para sua faixa etária. FASES DO TRATAMENTO FASE DE MANUTENÇÃO: Difícil Desafio = evitar monotonia do cardápio Adolescência = transição da faixa pediátrica para adulto = 1/3 não obedece a dieta O PRINCIPAL MOTIVO PARA ADESÃO À DIETA É EVITAR SINTOMAS, MAIS DO QUE O MEDO DE COMPLICAÇÕES! FASES DO TRATAMENTO FASE DE MANUTENÇÃO: VET Normo à hiper CHO Normo Lactose? Fibras cfm. DRIs PTN Normo à hiper LIP Normo VITAMINAS A, C, D e complexo B MINERAIS Fe, Zn, Ca FASES DO TRATAMENTO DESAFIOS ACELBRA – RS – Associação dos Celíacos do Brasil – Rio Grande do Sul (fenacelbra.com.br) MATERIAL DE APOIO PARA CELÍACOS http://www.fenacelbra.com.br/acelbra_rs/ MATERIAL DE APOIO PARA CELÍACOS