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Diferenciação sexual Anormal D R A . JA U A N E V I L E L A G I N E C O LO G I S TA O B S T E T R A P Ó S G R A D UA D A E M G I N E C O LO G I A E N D Ó C R I N A E G I N E C O LO G I A D A I N FÂ N C I A E A D O L E S C Ê N C I A P Ó S G R A D UA D A E M I N F E R T I L I D A D E E R E P R O D U Ç Ã O H U M A N A Desenvolvimento Sexual NORMAL Genitália Interna Ductos mesonéfricos - WOLFF ( regridem) Ductos paramesonéfricos - MULLER ( crescem) Ausência do fator determinante do testículo produto de um gene codificado na região SRY no cromossomo Y. Existem outros genes em investigação relacionados a diferenciação genitália femina. Desenvolvimento MULLER (paramesonéfrico) Desenvolvimento WOLLF (mesonéfrico) Genitália Externa FEMININA AUSÊNCIA TESTOSTERONA MASCULINA PRESENÇA DE TESTOSTERONA DISTÚRBIOS DO DESENVOLVIMENTO SEXUAL - DDS Todas as condições congênitas em que ocorra desenvolvimento atípico dos cromossomos, das gônadas ou da anatomia dos órgãos genitais. TERMOS ANTIGOS •"Intersexo” •“Hermafrodita” •“Pseudo-hermafrodita” • “Sexo reverso” ETIOLOGIA DDS 46, XX • Considera-se DDS 46 XX quando ocorre virilização de um feto geneticamente feminino com ovários. • Principal causa: hiperplasia suprarrenal congênita. Etiologia DDS 46, XY • Decorrente de alterações no processo de virilização de um feto masculino. • Pode ser oriunda de defeito na produção dos androgênios. • Falha de conversão da testosterona em di-idrotestosterona. • Defeito no receptor androgênico. Classificação etiopatogênica DDS cromossomo sexual anormal 45 X (Síndrome de Turner e variantes ou DDS 45 X) 47 XXY (Síndrome de Klinefelter e variantes ou DDS 47 XXY) 45 X / 46 XY (disgenesia gonadal mista DDS disgenético mosaico) 46 XX / 46 XY (ovotesticular DDS mosaico) CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DISTÚRBIO DO DESENVOLVIMENTO SEXUAL - DDS 46 XY A – Distúrbio do desenvolvimento gonadal DDS DISGENÉTICO XY • Disgenesia gonadal XY (Síndrome de Swyer) • Disgenesia gonadal XY parcial • Ovotesticular DDS XY B – Distúrbio na síntese ou ação de androgênio DDS ENDÓCRINO XY • Deficiências na síntese de androgênio (deficiência 17-hidroxiesteroide deidrogenase, deficiência 5 alfa redutase, outras deficiências) • Deficiente ação androgênica (insensibilidade androgênica completa e parcial) • Anomalia receptores LH (hipoplasia ou aplasia das células de Leydig) • Distúrbio do hormônio anti-mülleriano ou de seus receptore C - Outras: Hipospádias; extrofia cloacal, Iatrogenia CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DDS 46 XX A – Distúrbio do desenvolvimento gonadal DDS DISGENÉTICO XX • Ovotesticular DDS XX • Disgenesia gonadal XX • Testicular DDS (SRY +) B – Exposição a excesso de androgênio DDS ENDÓCRINO XX • Hiperplasia adrenal congênita fetal (deficiência 21 hidroxilase; deficiência 11 hidroxilase) • Deficiência placentária (aromatase) • Androgênio materno (luteoma; iatrogenia) C – Outras DDS ANOMALIAS DUCTOS DE MÜLLER Distúrbios dos ductos de Müller (anomalias da fusão; associações de síndromes) ABORDAGEM DIAGNÓSTICA Diagnóstico precoce ANAMNESE HISTÓRIA CONSAGUINIDADE HISTÓRIA FAMILIAR INDEFERENCIAÇÃO GENÉTICA AMENORREIA PRIMÁRIA OU INFERTILIDADE USO DE MEDICAÇÃO VIRILIZANTE VIRILIZAÇÃO MATERNA DURANTE GESTAÇÃO INTERCORRÊNCIAS DURANTE GESTAÇÃO ABORDAGEM DIAGNÓSTICA EXAME FÍSICO Objetivos observar a presença de algum distúrbio de desenvolvimento dos órgãos sexuais: • Hipertrofia do clitóris; • Presença de seio urogenital (fusão parcial das pregas labiais); • Testículos criptorquídicos ou não palpáveis; • Hipospádia; • Hérnia inguinal bilateral; • Estigmas da síndrome de Turner, tais como redundância da pele do pescoço (pescoço alado), tórax escavado, hipertelorismo, baixa estatura. EXAME FÍSICO HIPERTROFIA DE CLITÓRIS HIPOSPÁDIA Febrasgo EXAME FÍSICO TESTÍCULOS NÃO PALPÁVEIS ESTIGMAS DE TURNER Febrasgo EXAME FÍSICO NEONATAL AVALIAR GENITÁLIA EXTERNA: •MEDIDA DO FALO •INSERÇÃO MEATO URETRAL •RELAÇÃO COM INTROITO VAGINAL •AFASTAMENTO DAS PREGAS LABIOESCROTAIS AVALIAÇÃO DO GRAU DE VIRILIZAÇÃO DA GENITÁLIA EXTERNA EXAME FÍSICO ADOLESCÊNCIA PUBERDADE AMENORREIA PRIMÁRIA ( SÍNDROME GENÉTICA OU MALFORMAÇÃO MULLERIANA). CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS POUCO DESENVOLVIDOS. BAIXA ESTATURA OU ESTATURA NORMAL Febrasgo EXAMES COMPLEMENTARES • Auxiliam na definição do sexo de cada paciente. • Individualizado CARIÓTIPO USG ABDOME E PELVE DOSAGENS HORMONAIS RNM LAPAROSCOPIA COM BIÓPSIA DE GÔNADAS DETERMINAÇÃO DO SEXO DIFÍCIL DEFINIÇÃO. • IMPORTANTE definir diagnóstico etiopatogênico, conhecer características potenciais dos órgãos genitais, a fim de ofertar correções cirúrgicas e hormonais. •Nem sempre o sexo genético determinará o sexo a ser adotado. •ACOMPANHADO POR EQUIPE MULTIDISCIPLINAR. • ANTES DOS 24 MESES ???? MALFORMAÇÕES MULLERIANAS EMBRIOLOGIA ORIGEM Ductos Muller • ORIGINA ÚTERO, TUBAS E 2/3 SUPERIORES VAGINA SEIO UROGENITAL • 1/3 INFERIOR VAGINA Febrasgo CLASSIFICAÇÃO MALFORMAÇÕES OBSTRUTIVAS MALFORMAÇÕES NÃO OBSTRUTIVAS SÍNDROME MAYER - ROKITANSKY – KUSTER – HAUSER •Ambos os ductos de Müller não se desenvolvem, resultando em útero rudimentar sólido e não canalização da vagina, em pacientes XX com tubas uterinas e ovários normais. •Quadro clínico: amenorreia primária + caracteres sexuais secundários desenvolvidos + estatura normal. • Exame físico: desenvolvimento puberal normal para idade com ausência ou vagina curta. •Exames complementares: USG ou RNM . MALFORMAÇÃO OBSTRUTIVAS IMPEDEM A EXTERIORIZAÇÃO DO SANGRAMENTO MENSTRUAL DOR CÍCLICA CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS DESENVOLVIDOS AMENORREIA PRIMÁRIA MALFORMAÇÃO OBSTRUTIVAS • CORNO UTERINO NÃO COMUNICANTE • AGENESIA DE COLO UTERINO • SEPTO VAGINAL OBLÍQUO • SEPTO VAGINAL TRANSVERSO IMPERFURADO • HÍMEM IMPERFURADO • AGENESIA DE VAGINA ( TOTAL OU DE 1/3 INFERIOR) HÍMEM IMPERFURADO ABAULADO Febrasgo PUBERDADE PRECOCE DESENVOLVIMENTO PUBERAL NORMAL TELARCA PUBARCA MENARCA • 85 % dos casos é o primeiro evento do desenvolvimento puberal. • M2 de Tanner 6 meses – 1 ano Menarca ocorre em média de 2 – 2,5 anos da telarca. CLASSIFICAÇÃO DE MARSHALL E TARNNER, 1969 PÊLOS PUBIANOSMAMAS P1 Pré puberal, sem pêlosM1 Pré puberal, não há tecido mamário palpável P2 Pêlos esparsos e finos, em grandes lábiosM2 Desenvolvimento botão mamário com elevação da papila e aumento do diâmetro da aréola P3 Pelos mais escuros e grossos, acima da pube M3 Aumento da mama, sem separação do contorno da aréola e mama P4 Pelos escuros e grossos, não atingem a raiz das coxas M4 A aréola e a papila se projetam além da mama P5 Pelos escuros e grossos atingem a raiz das coxas M5 O contorno da aréola se torna contíguo à mama, e a papila se projeta além da aréola CLASSIFICAÇÃO TANNER E MARSHAL TELARCA MENARCA Hospital Sírio LIbanês PUBERDADE PRECOCE Caracteres sexuais secundários surgem antes dos 8 anos de idade em meninas (2 a 2,5 desvios-padrão da idade média). CLASSIFICAÇÃO: PUBERDADE PRECOCE INCOMPLETA ( telarca / adrenarca / menarca isolado) PUBERDADE PRECOCE COMPLETA ( telarca + pubarca + menarca) Central (gonadotrofina – dependente) Periférica (gonadotrofina – independente) Isossexual ou Heterossexual PUBERDADE PRECOCE INCOMPLETA MENARCA ISOLADA Sangramento vaginal isolado e auto-limitado sem outros caracteres sexuais. Ultrassom pélvica normal, hormônios níveis pré- puberes, EXCLUIR ABUSO SEXUAL. PUBARCA ISOLADA Aparecimento pêlos pubianos antes 8 anos sem outros sinais puberais. Pode estar associado ao baixo peso ao nascer, obesidade, e SOP na vida adulta. TELARCA ISOLADA Desenvolvimento uni ou bilateral sem outros sinais de desenvolvimento puberal Idiopática, autolimitada não altera idade óssea. PUBERDADE PRECOCE COMPLETA CENTRAL Gonadotrofinas – dependente (FSH e LH) Idiopática em 80 – 90 % dos casos. 10 % são causadaspor tumores SNC. CAUSAS CENTRAIS HAMARTOMA GLIOMA, ASTROCITOMAS, IRRADIAÇÃO SNC HIDROCEFALIA, TRAUMAS, INFECÇÕES ALTERAÇÕES GENÉTICAS EXPOSIÇÃO PRÉVIA À HORMÔNIOS PUBERDADE PRECOCE COMPLETA PERIFÉRICA TUMOR OVÁRIO HIPERFUNÇÃO ADRENAL (tumor ou hiperplasia adrenal congênita) Hipotireoidismo primário severo Iatrogênica ou acidental Sd McCune Albright SÍNDROME MCCUNE-ALBRIGHT Mutação somática ativadora no gene da subunidade alfa da proteína Gs levando à ativação crônica da adenilciclase com estímulo contínuo da função endócrina. A presença de cistos ovarianos funcionais levam a secreção de estradiol e sangramento vaginal. TRÍADE: ◦ PUBERDADE PRECOCE PERIFÉRICA ◦ MANCHAS CAFÉ COM LEITE ◦ DISPLASIA FIBRÓTICA POLIOSTÓTICA Síndrome de McCune-Albright: relato de caso com exame de microscopia eletrônica de transmissão https://stringfixer.com /pt/M cCune- Albright_Syndrom e DIAGNÓSTICO ANAMNESE • Evolução dos eventos puberais (ordem, início) • Correlação com a idade da puberdade de familiares • Questionar sobre cefaleia, alteração visual, trauma ou doença prévia de SNC • Questionar sobre exposição a hormônios DIAGNÓSTICO EXAME FÍSICO • Peso e altura • Velocidade crescimento ano ( cm/ano) • Exame de campo visual e fundo de olho para avaliar o comprometimento do SNC • Exame dermatológico para avaliar manchas café com leite presentes na SMA • Exame abdominal (massas?) • Avaliação critério de Tanner AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA Raio – X mãos e punhos ( braço não dominante) Dosagens hormonais LH, FSH e ESTRADIOL (avaliação inicial, diferenciar causa central de periférica) Níveis de LH > 0,6UI/L indicam ativação do eixo H-H-O (causa central) ESTRADIOL ALTO com FSH e LH baixos indicam causa periférica Teste de estímulo GnRh: dosagem de LH dosagem seriada de LH (tempos 0, 15 min, 30 min, 45 min) após estímulo com 100 mcg de GnRH endovenoso. Realizado na suspeita de causa central com níveis LH normais. Testosterona total e livre, androstenediona, S-DHEA USG pélvica / TC / RNM de pelve RNM de crânio Tratado Ginecologia Febrasgo TRATAMENTO OBJETIVOS Permitir que a criança atinja a estatura normal de um adulto. Evitar consequências psicológicas negativas. Altura Alvo ( ±8cm) ALTURA DA MÃE + ALTURA DO PAI – 13 __________________________________ 2 TRATAMENTO PUBERDADE CENTRAL Tratado Ginecologia Febrasgo TRATAMENTO É MANTIDO ATÉ O MOMENTO IDEAL PARA A MENARCA (controvérsias) TRATAMENTO PUBERDADE PERIFÉRICA Abordagem multidisciplinar (cirurgia, radioterapia, quimioterapia) TUMOR OVÁRIO OU ADRENAL GlicocorticoideHIPERPLASIA ADRENAL CONGÊNITA LevotiroxinaHIPOTIREOIDISMO Tamoxifeno ou letrozol Se evoluir para PPC - análogo GnRH Sd. McCune-Albright DÚVIDAS ? Referências Tratado de ginecologia Febrasgo / editores Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação Agnaldo Lopes da Silva Filho ...[et al.]. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2019. Rotinas em ginecologia/ Organizadores, Eduardo Pandolfi Passos ( et al.) - 7 ed. - Porto Alegre: Artmed, 2017. Matsuzaki CN, Narde I, Almeida JA. Puberdade normal, precoce e tardia. São Paulo: Federação Brasileiradas Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018. (Protocolo FEBRASGO - Ginecologia, nº20/Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Infanto Puberal). Tratado de ginecologia Febrasgo / editores Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação Agnaldo Lopes da Silva Filho ...[et al.]. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2019. Sogimig Literarura acessória: Almeida JAM, et al.Ginecologia da Infância e Adolescência. Rio de Janeiro, Atheneu. 2021. Sites: https://www.medicina.ufmg.br/observaped/genitalia-ambigua/. Acesso em 19 de maio de 2022