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PRINCÍPIOS DE ANESTESIOLOGIA
P R O F . M A U R I C I O D A H E R 
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Estratégia
MED
Prof. Mauricio Daher | Princípios de anestesiologia 2CIRURGIA
PROF. MAURICIO 
DAHER
APRESENTAÇÃO:
Prezado(a) colega, meu nome é Mauricio Daher. É com 
muita alegria que eu apresento a você o livro do Curso Extensivo 
Estratégia MED - Princípios de anestesiologia.
A descoberta da anestesia, há 175 anos, possibilitou um 
enorme desenvolvimento na técnica cirúrgica, inaugurando a era 
moderna da cirurgia. Devido a isso, é considerada por muitos 
como uma das maiores evoluções de toda a história da Medicina.
Na prática atual, diferentes técnicas anestésicas são 
empregadas para promover as melhores condições operatórias 
para os cirurgiões, oferecendo, ao mesmo tempo, segurança 
e conforto para os pacientes. O trabalho do anestesiologista 
moderno evoluiu para não ficar limitado apenas ao intraoperatório. 
Hoje, o cuidado inicia na avaliação pré-anestésica, cujo objetivo 
é coletar informações para que um planejamento anestésico 
personalizado seja formulado. Além disso, o anestesiologista 
tornou-se um perito no manejo da dor pós-operatória, 
contribuindo enormemente para a recuperação dos pacientes.
Para nosso estudo, selecionei os principais temas da 
anestesiologia, focando naqueles que mais são cobrados nas 
provas de Residência. Meu objetivo é ajudá-lo a superar mais essa 
entre muitas etapas que você já venceu ao longo da sua formação 
médica. Sei que o presente desafio é grande e que boa parte da 
trajetória da sua vida nos próximos anos será influenciada pelo 
seu desempenho nas provas que estão por vir. Eu já estive onde 
você está e lembro bem as incertezas e as dúvidas que tive.
Minha carreira na medicina não teve uma linha reta e logo 
no início ela já deu uma guinada importante. Minha cidade natal é 
Belo Horizonte e o vestibular em que passei em Medicina foi o da 
UFMG. Por questões familiares, antes mesmo da minha primeira 
aula de anatomia acabei me mudando para Brasília e transferindo 
o curso para a UnB. A mudança não estava nos meus planos e 
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Estratégia
MED
Prof. Mauricio Daher | Princípios de anestesiologia 3CIRURGIA
@prof.mauriciodaher@estrategiamed
/estrategiamed Estratégia MED
t.me/estrategiamed
a adaptação em Brasília, nos primeiros anos, não foi fácil. Mas, 
o tempo passou e hoje não me vejo morando em outra cidade 
que não seja Brasília. Durante o curso de Medicina da UnB, 
pude conhecer minha esposa e juntos construímos uma família e 
tivemos dois filhos.
Próximo ao final do curso, eu estava certo de que iria 
fazer Cardiologia. Consegui aprovação na Residência de Clínica 
Médica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e o plano 
da Cardiologia parecia bem encaminhado! Porém, o que estava 
tão certo na teoria não correspondeu à realidade e não me 
adaptei bem ao dia a dia da Residência de Clínica Médica. Em 
meio a minha insatisfação, acabei solicitando meu desligamento 
do programa e, por alguns meses, fiquei sem rumo e cheio de 
dúvidas sobre meu futuro.
Durante esse período confuso, comecei a trabalhar com 
atendimento pré-hospitalar e, aos poucos, fui percebendo que o 
atendimento de emergências e o fato de colocar a mão na massa 
e ver imediatamente o resultado das minhas ações eram aspectos 
que me atraíam muito no trabalho. Foi assim que vi a luz do 
laringoscópio e decidi que meu futuro estava na Anestesiologia.
 Minha formação como anestesiologista começou no 
Hospital Universitário de Brasília, onde pude aprender com 
grandes médicos e médicas a ciência e a arte do cuidado durante 
uma cirurgia, que, sem dúvida, é um dos momentos mais críticos 
da vida de qualquer pessoa. Além da Anestesiologia, descobri 
outra paixão durante meu tempo no HUB: o ensino médico. 
Percebi como é gratificante poder dividir a experiência de cuidar 
das pessoas.
Assim que terminei a Residência, comecei a trabalhar 
como anestesiologista e iniciei minha formação como educador. 
Em pouco tempo, eu estava assumindo um cargo de professor 
substituto na UnB e ingressava na pós-graduação dessa mesma 
instituição. De lá para cá, foram muitos congressos, pesquisas, 
estágios, cursos e palestras, mas o entusiasmo com a educação 
médica continua o mesmo.
 Eu tive muitos desafios e dúvidas ao longo da minha 
carreira, mas foi seguindo minhas paixões com dedicação e 
disciplina que os caminhos foram se abrindo. 
Mantenha o foco e dedique-se! Pode acreditar que as 
coisas vão acontecer!
E conte comigo na sua trajetória!
"O que você sabe não tem valor. O valor está no que você 
faz com o que sabe."
BRUCE LEE
Anestésicos venosos
Monitorização
Anestésicos locais
Anestesia do neuroeixo
Avaliação pré-anestésica
Bloqueadores neuromusculares
Cuidados pós-anestésicos
TEMAS MAIS PREVALENTES NAS PROVAS QUE 
SERÃO ABORDADOS
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 4
SUMÁRIO
1.0 AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA 6
1.1 HISTÓRIA E EXAME FÍSICO 7
1.1.1 EXAME DAS VIAS AÉREAS 8
1.2 EXAMES COMPLEMENTARES 11
1.3 CLASSIFICAÇÃO DE RISCO E PLANEJAMENTO 12
1.4 ORIENTAÇÕES PRÉ-ANESTÉSICAS 16
1.5 PLANEJAMENTO DA ANESTESIA AMBULATORIAL 18
2.0 AGENTES ANESTÉSICOS 21
2.1 ANESTÉSICOS INALATÓRIOS 23
2.1.1 EFEITOS SISTÊMICOS 26
2.1.1.1 HIPERTERMIA MALIGNA 27
2.1.2 AGENTES ESPECÍFICOS 29
2.2 AGENTES INTRAVENOSOS 31
2.2.1 OPIOIDES 32
2.2.1.1 MECANISMO DE EFEITO 32
2.2.1.2 OPIOIDES ESPECÍFICOS 34
2.2.2 ANESTÉSICOS VENOSOS NÃO OPIOIDES 35
2.2.2.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS 36
3.0 BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES 42
3.1 BLOQUEADOR DESPOLARIZANTE (SUCCINILCOLINA) 43
3.2 BLOQUEADORES ADESPOLARIZANTES 43
3.3 REVERSÃO DO BLOQUEIO ADESPOLARIZANTE 45
4.0 ANESTÉSICOS LOCAIS 47
4.1 MECANISMO DE AÇÃO 48
4.2 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS 50
4.3 TOXICIDADE 52
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 5
5.0 ANESTESIA DO NEUROEIXO 55
5.1 RAQUIANESTESIA 55
5.2 PERIDURAL 58
5.3 EFEITOS FISIOLÓGICOS 59
5.4 COMPLICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES 61
6.0 BLOQUEIO DE NERVOS PERIFÉRICOS 64
6.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS 64
6.2 COMPLICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES 65
7.0 MONITORIZAÇÃO ANESTÉSICA 66
7.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS 66
8.0 DOR AGUDA PÓS-OPERATÓRIA 70
8.1 FISIOPATOLOGIA DA DOR 71
8.2 AVALIAÇÃO E TRATAMENTO 72
9.0 RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA 76
9.1 HIPOTERMIA 76
9.2 NÁUSEAS E VÔMITOS 77
10.0 PONTOS CHAVE 80
11.0 LISTA DE QUESTÕES 82
12.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 83
13.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 84
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 6
CAPÍTULO
1.0 AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA
O ato anestésico não se inicia quando o paciente começa a receber as drogas anestésicas, mas sim quando é realizada a avaliação 
pré-anestésica (APA), um componente fundamental do cuidado a alguém que será submetido a algum tipo de procedimento com suporte 
anestésico. Durante essa avaliação, são colhidas informações, tanto sobre o paciente quantosobre o procedimento, e um plano anestésico 
específico é desenvolvido.
Idealmente, a APA é realizada dias antes da data planejada 
para o procedimento e, assim, investigações e terapias adicionais 
podem ser implementadas, objetivando a redução do risco 
cirúrgico-anestésico e melhores desfechos para o paciente. Os 
procedimentos realizados em caráter de urgência ou emergência, 
entretanto, não permitem ampla margem de tempo e, muitas 
vezes, os pacientes são avaliados imediatamente antes do início da 
anestesia. Apesar disso, informações cruciais – como o histórico de 
alergias ou dados que possam sugerir uma via aérea difícil – podem 
ser rapidamente obtidas, se adequadamente investigadas.
Fonte: Shutterstock.
A APA bem conduzida é capaz de diminuir a incidência de complicações. Doenças descompensadas e outras não diagnosticadas 
previamente podem ser identificadas pelo anestesiologista, que focará em condições que, quando tratadas, podem diminuir o risco cirúrgico-
anestésico. Um exemplo dessa ação é a administração de ferro para um paciente anêmico com objetivo de elevar o valor da hemoglobina 
antes de uma cirurgia.
A realização de uma APA adequada diminui a ansiedade e aumenta a satisfação do paciente relacionadas ao ato anestésico. Esse será 
um momento para que o paciente e seus familiares tirem todas as dúvidas a respeito do planejamento da anestesia e do controle da dor no 
pós-operatório, podendo, inclusive, participar das decisões que envolvem esse processo junto com o anestesiologista.
Além das vantagens que a APA traz para o paciente, o sistema de saúde também é beneficiado, visto que um planejamento apropriado 
permite a otimização de recursos dos estabelecimentos de saúde. A preparação e a orientação prévias dos pacientes resultam na diminuição 
no número de procedimentos cancelados, seja em função de um jejum inadequado ou devido a níveis glicêmicos muito elevados, por 
exemplo. O planejamento anestésico também permite a indicação precisa de equipamentos e cuidados para os pacientes que mais irão 
se beneficiar com sua utilização. Assim, um paciente com histórico de delirium pode receber um monitor da oximetria cerebral durante a 
anestesia, enquanto outro com doença pulmonar mal compensada será encaminhado para a UTI ao final do procedimento, ao invés da sala 
de recuperação pós-anestésica (SRPA).m
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 7
1.1 HISTÓRIA E EXAME FÍSICO
Como qualquer consulta médica, a avaliação pré-anestésica começa com a obtenção da história clínica, cujo objetivo é a identificação 
de condições que possam influenciar o risco dos procedimentos cirúrgico e anestésico e guiar a abordagem anestésica.
HISTÓRIA CLÍNICA
O primeiro passo é entender o motivo pelo qual o paciente realizará um procedimento com suporte anestésico e, a seguir, entender 
o procedimento que será realizado. A presença de comorbidades é avaliada, sendo importante determinar se estão compensadas ou não. A 
presença de doenças cardiovasculares ou pulmonares é particularmente relevante, pois essas condições estão associadas a complicações 
cirúrgicas importantes, como o infarto do miocárdio pós-operatório. Todos os medicamentos de que o paciente faz uso, inclusive os 
fitoterápicos, precisam ser documentados.
Avaliação pré-anestésica
Condições passíveis de 
otimização
� Encaminhar para especialistas
� Ajuste de medicamentos
� Novos exames
� Terapia para diminuição de riscos
Paciente otimizado
� Orientações pré-anestésicas
Prosseguir com
procedimentos
Vantagens
� Diminuição de complicações
� Maior satisfação do paciente
� Melhor utilização de recursos
� Diminuição dos custos
O histórico de cirurgias e anestesias prévias é abordado, 
focando na ocorrência de complicações, como dificuldade de 
intubação ou incidência de náuseas e vômitos no pós-operatório. 
Uma revisão sobre o passado de alergias, uso de álcool, tabagismo 
e drogas ilícitas deve ser obtida. Adicionalmente, é relevante a 
avaliação da prática de exercícios e do nível de capacidade funcional 
do paciente.
O exame físico, além de complementar os dados da história 
clínica, também é importante para o diagnóstico de condições 
específicas relacionadas ao ato anestésico, como a ausência de 
veias periféricas visíveis (indicando possível acesso venoso difícil) 
ou a presença de deformidades na coluna (sinalizando dificuldade 
na realização de bloqueios de neuroeixo). Fonte: Shutterstock.
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 8
1.1.1 EXAME DAS VIAS AÉREAS
Um aspecto fundamental do exame físico da APA é a avaliação 
das vias aéreas, focando na identificação de sinais de dificuldade de 
ventilação e intubação por laringoscopia. 
Os sinais que indicam dificuldade de ventilação sob 
máscara são: ausência de dentes, presença de barba e aumento 
de tecidos moles da face (p. ex.: obesidade, acromegalia, síndrome 
de Cushing). O diagnóstico ou a presença de sintomas da síndrome 
de apneia do sono também são indicativos de dificuldade de 
ventilação.
Em relação aos sinais que predizem dificuldade de 
intubação por laringoscopia (tabela 1.1), são pesquisados: 
limitação da abertura bucal, dentes proeminentes, limitação da 
extensão do pescoço, endurecimento dos tecidos do mento e do 
pescoço e a presença de alterações mandibulares (retrognatismo 
ou prognatismo). A classificação de Mallampati é uma parte 
importante da avaliação das vias aéreas, sendo que as classes III e 
IV estão associadas à dificuldade de visualização das cordas vocais 
na laringoscopia (figura 1.1).
Parâmetros Sinais de via aérea difícil
Comprimento dos incisivos superiores Incisivos muito proeminentes
Protrusão voluntária da mandíbula Dentes inferiores não ultrapassam a linha dos superiores
Distância entre incisivos < 3 cm
Classificação de Mallampati Classes III e IV
Distância tireomento < 5 cm ou < 3 polpas digitais
Complacência submandibular Rigidez aumentada
Comprimento do pescoço Avaliação subjetiva
Largura do pescoço Avaliação subjetiva
Mobilidade atlanto-occiptal Extensão da cabeça < 80°
Tabela 1.1 – Sinais clínicos de dificuldade de visualização das cordas vocais por laringoscopia.
Figura 1.1 - Classificação de Mallampati.
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 9
 CLASSIFICAÇÃO DE CORMACK-LEHANE
No momento da laringoscopia, a visualização da anatomia das vias aéreas permitirá 
definir a classificação de Cormack-Lehane do paciente. Essa é uma classificação utilizada 
no diagnóstico de via aérea difícil, sendo que os graus III e IV estão associados à 
dificuldade de intubação por laringoscopia (figura 1.2). A identificação de anatomia 
desfavorável pode sugerir que métodos alternativos de intubação sejam empregados, 
como o uso de um videolaringoscópio, por exemplo.
Figura 1.2 – Classificação de Cormack-Lehane. No grau 1, é visualizada praticamente toda a glote (abertura entre as cordas vocais); no grau 2, apenas a parte posterior 
da glote é vista; no grau 3, a glote não é visualizada, mas a epiglote sim; no grau 4, nem mesmo a epiglote é vista.
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 10
Estrategista, a avaliação das vias aéreas é um tema importante e que pode cair nas provas! A 
seguir, coloquei duas questões para praticarmos.CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - UFG - 2020) Paciente de 45 anos, do sexo feminino, pesando 75 kg e com 1,55 m de altura será submetida 
à colecistectomia videolaparoscópica. Na avaliação pré-anestésica, o exame físico da via aérea foi descrito da seguinte forma: presença de 
dentes bem conservados com incisivos superiores relativamente longos, sendo a distância interincisivos 2,5 cm, pescoço alongado com boa 
mobilidade cervical, distância tireomentoniana maior que 6 cm, reduzida complacência do espaço submandibular. Palato arqueado e ao teste 
de Mallampati foram visualizados o palato mole e a base da úvula. No caso da paciente, a classificação de Mallampati e o risco de dificuldade 
para a intubação são assim especificados:
A) Mallampati I e provável dificuldade para intubação.
B) Mallampati II e a intubação será sem dificuldade.
C) Mallampati III e provável dificuldade para intubação.
D) Malampati IV e, provavelmente, a intubação será sem dificuldade.
COMENTÁRIO:
Estrategista, vamos colocar em prática os conhecimentos sobre a avaliação de vias aéreas!
O enunciado apresenta uma paciente que será submetida à anestesia geral e que apresenta alguns sinais sugestivos de uma via aérea 
difícil. De acordo com a tabela 1.1, os sinais de via aérea difícil que a paciente apresenta são: incisivos proeminentes, distância interincisivos < 
3 cm, pescoço longo e reduzida complacência submandibular. Além disso, pela classificação de Mallampati, a paciente seria classificada como 
classe III (visualização de palato duro, palato mole e base da úvula), o que também sugere risco de via aérea difícil.
Vejamos as alternativas:
Incorreta a alternativa A. A classificação de Mallampati está incorreta, pois na classe I são visualizados: palato duro, palato mole, úvula 
completa, pilares amigdalianos e parede posterior da faringe. 
Incorreta a alternativa B. A classificação de Mallampati também está incorreta, pois na classe II são visualizados: palato duro, palato mole, 
parte da úvula e parte da parede posterior da faringe. 
Correta a alternativa C. 
Como descrito na figura 1.1 acima, essa é a classificação de Mallampati correta da paciente. A presença 
dos vários sinais descritos no enunciado realmente sugere que a abordagem da via aérea não será fácil.
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 11
Incorreta a alternativa D. Novamente, a classificação Mallampati está incorreta. Na classe IV, somente é visualizado o palato duro.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO - UFMT - 2020) A classificação de Cormack-Lehane tipo III, durante a laringoscopia direta para 
intubação orotraqueal com laringoscópio convencional, corresponde à visualização
A) apenas da epiglote.
B) apenas da base da língua e palato mole.
C) das aritenoides e da porção posterior das cordas vocais.
D) total das estruturas da glote.
COMENTÁRIO:
Essa questão avalia de forma direta quais são as estruturas visualizadas na laringoscopia de um paciente classificado como tipo III na 
classificação de Cormack-Lehane. Se você der uma olhada na figura 1.2, vai ficar fácil de responder!
Vamos às alternativas:
Correta a alternativa A. A visualização apenas da epiglote corresponde ao tipo III na classificação de Cormack-Lehane. Esse tipo, 
assim como o tipo IV, está associado à dificuldade de intubação.
Incorreta a alternativa B. A classificação de Cormack-Lehane avalia a anatomia da glote durante a laringoscopia. A alternativa, no entanto, 
apresenta estruturas da orofaringe que são avaliadas na classificação de Mallampati.
Incorreta a alternativa C. A abertura glótica é circundada por estruturas cartilaginosas: anteriormente pela epiglote; lateralmente pelas 
cordas vocais; posteriormente pelas cartilagens aritenoides. A visualização apenas da parte posterior da glote corresponde à classificação 
de Cormack-Lehane tipo II.
Incorreta a alternativa D. A visualização de todas as estruturas da glote corresponde ao tipo I na classificação de Cormack-Lehane.
1.2 EXAMES COMPLEMENTARES
A solicitação de exames complementares é baseada em características do paciente e do procedimento proposto. Os objetivos 
são esclarecer as suspeitas diagnósticas que apenas a história e o exame físico não foram capazes de definir e ajudar a guiar e otimizar o 
cuidado perioperatório. Não existem, entretanto, evidências científicas que determinem que exames devem ser solicitados e a rotina de uma 
instituição não será necessariamente a mesma de outra.
Estrategista, acho que aqui cabe um comentário: não existe uma definição dada pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia 
sobre os exames que precisam ser solicitados antes da realização de uma anestesia. Do ponto de vista prático, para 
as provas de Residência, utilize as recomendações dos livros de referência da banca examinadora para responder às 
questões sobre exames pré-operatórios.
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 12
De forma geral, pacientes sem doenças sistêmicas que 
realizarão cirurgias de baixo risco não necessitam de nenhum 
exame complementar. Os exames para pacientes com doenças 
sistêmicas devem avaliar a função dos órgãos comprometidos 
apenas se um resultado alterado exigir a mudança no plano 
cirúrgico-anestésico (p. ex.: avaliação da função hepática de um 
paciente com história de hepatite C). A validade de 6 meses é 
geralmente considerada adequada para exames pré-operatórios, 
desde que a condição do paciente não tenha mudado de maneira 
importante durante esse período.
Fonte: Shutterstock.
1.3 CLASSIFICAÇÃO DE RISCO E PLANEJAMENTO
A partir das informações colhidas na história clínica, no exame físico e nos exames complementares, é feita a estratificação de risco 
cirúrgico-anestésico do paciente. Os principais objetivos desse processo são: orientar o planejamento anestésico, programar a utilização de 
recursos e informar ao paciente e seus familiares sobre os riscos envolvidos.
Diferentes ferramentas foram desenvolvidas para auxiliar na classificação de risco. A mais utilizada (e a que mais é cobrada nas provas!) 
é classificação de estado físico da Sociedade Americana de Anestesiologistas (American Society of Anesthesiologists – ASA). A classificação 
ASA leva em consideração a presença e a gravidade de doenças sistêmicas do paciente e se o procedimento possui caráter de emergência ou 
não.
Caro(a) Estrategista, neste momento peço que você se esforce para aprender a 
classificação de estado físico da ASA, que está descrita na próxima tabela. A chance de 
caírem questões que envolvem esse assunto é grande! 
No caso de cirurgias com risco de sangramento aumentado (> 500 mL), é importante que seja solicitada tipagem sanguínea do paciente 
e que sejam reservadas bolsas de hemocomponentes em quantidade compatível com o potencial de sangramento.
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Classificação Definição Comentários e exemplos
ASA I
Paciente sem doenças sistêmicas, não tabagista e 
mínimo consumo de álcool
Indivíduo saudável
ASA II Presença de doença sistêmica leve
Doença compensada que não causa 
limitação funcional (p. ex.: hipertensão 
compensada, gestação normal, obesidade 
IMC > 30 e < 40 kg/m2)
ASA III Presença de doença sistêmica grave
Limitação funcional presente (p. ex.: insuficiência 
renal em diálise, obesidade mórbida com IMC > 
40 kg/m2)
ASA IV
Presença de doença sistêmica grave que 
apresenta uma ameaça constante à vida do 
paciente
Geralmente o pacientejá está hospitalizado 
pela doença (p. ex.: angina instável, insuficiência 
cardíaca descompensada)
ASA V
Paciente moribundo, sem expectativa de vida 
caso a cirurgia não seja realizada
Paciente em estado crítico (p. ex.: 
politraumatizado apresentando choque 
hemorrágico)
ASA VI Indivíduo com morte encefálica Cirurgia para retirada de órgãos
E Cirurgia em caráter de emergência
Letra E é acrescentada após o numeral da 
classificação (p. ex.: ASA IV E)
Tabela 1.2 – Classificação de risco pela ASA.
Além do que está descrito na tabela, existem alguns pontos que merecem comentário 
adicional, pois podem ser usados pelas bancas examinadoras para criarem questões com 
“pegadinhas”.
A classificação ASA I corresponde ao indivíduo saudável, 
que não fuma, não é obeso e não bebe (ou bebe minimamente). 
Basicamente, esse é o indivíduo que, antes de operar, só frequenta 
a academia e a igreja.
A classificação ASA II inclui indivíduos com obesidade 
(IMC > 30 e < 40 kg/m2), tabagistas e etilistas sociais. Devido às 
alterações fisiológicas da gestação, as grávidas saudáveis também 
são classificadas como ASA II. É importante notar que grávidas 
com doenças leves, como aquelas com hipertensão gestacional 
controlada, também são classificadas como ASA II.
A classificação ASA III inclui indivíduos com obesidade 
mórbida (IMC > 40 kg/m2) e etilistas pesados. Os pacientes com 
histórico distante (> 3 meses) de síndromes coronarianas agudas, 
acidente vascular cerebral (AVC), ataque isquêmico transitório (AIT) 
e procedimentos endovasculares com colocação de stents também 
são classificados como ASA III.
A classificação ASA IV inclui pacientes com histórico recente 
(< 3 meses) de síndromes coronarianas agudas, AVC, AIT e 
procedimentos endovasculares com colocação de stents.
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Estrategista, as bancas podem tentar confundi-lo, sugerindo que o paciente idoso recebe uma 
classificação da ASA mais alta. Mas, perceba que a idade, de forma isolada, não é um critério que 
define o risco cirúrgico-anestésico e não determina a classificação ASA. Não caia nessa!
Uma importante limitação da classificação da ASA é que o risco relacionado ao procedimento cirúrgico não é avaliado. Outras 
ferramentas, como a calculadora de risco cirúrgico NSQIP (National Surgical Quality Improvement Project) do Colégio Americano de Cirurgiões 
(American College of Surgeons), levam em consideração os riscos envolvidos em diversos tipos de procedimentos e estão sendo cada vez mais 
utilizadas na prática.
Depois que a avaliação de risco cirúrgico-anestésico é concluída, o anestesiologista desenha o plano anestésico, cujos elementos 
principais são:
Antes da realização da anestesia, o plano ainda é discutido com o paciente e com o cirurgião para que ajustes finais sejam feitos, 
visando o maior grau de segurança e satisfação possível.
Estrategista, que tal exercitarmos um pouco esses conhecimentos resolvendo duas questões?
Técnica
anestésica
Manejo das
vias aéreas
Monitorização
Analgesia
pós-operatória
Encaminhamento
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CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - UFS - 2020) Com relação à classificação de estado físico pela Sociedade Americana de Anestesiologia 
(ASA), assinale a alternativa CORRETA:
A) Paciente, 57 anos, masculino, com HAS controlada e colecistite aguda calculosa – ASA I.
B) Paciente, 62 anos, masculino, cirrótico, Child C, com perfuração de cólon após paracentese abdominal – ASA III.
C) Paciente, 72 anos, masculino, com enfisema pulmonar e hipertensão pulmonar moderada, com oclusão arterial aguda em membro 
inferior esquerdo – ASA III. 
D) Paciente, 16 anos, feminino, hígida, com diagnóstico de hérnia umbilical pequena redutível – ASA II. 
COMENTÁRIO:
Vejamos a classificação dos quatro pacientes apresentados:
Incorreta a alternativa A. Esse paciente possui uma doença sistêmica leve (hipertensão), que se encontra compensada; dessa forma, sua 
classificação é ASA II.
Incorreta a alternativa B. O paciente possui uma doença sistêmica grave (cirrose) que produz limitação funcional (insuficiência hepática) 
e se encontra descompensada (estágio Child C), ameaçando a vida do paciente. A partir desses dados, verificamos que a classificação é 
ASA IV.
Correta a alternativa C. O paciente possui duas doenças que causam limitação funcional, mas que, estando compensadas, não 
apresentam uma ameaça à vida; assim, sua classificação é ASA III. É interessante mencionar que, por 
se tratar de um procedimento de emergência, a classificação deveria receber um E após o numeral. O mais correto, portanto, seria a 
classificação ASA III E.
Incorreta a alternativa D. A classificação que os pacientes saudáveis recebem é ASA I.
(HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN - HIAE - 2017) Considere os seguintes pacientes a seguir: 
1- Paciente hipertenso, em uso de losartana, mantendo bom controle dos níveis pressóricos e diabetes mellitus, em uso de hipoglicemiantes 
orais, apresentando hemoglobina glicosilada dentro dos limites normais; 
2- Paciente com morte cerebral declarada, cujos órgãos serão removidos para doação. 
Na avaliação de riscos perioperatórios, de acordo com a classificação da Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) os pacientes 1 e 2 são 
classificados, respectivamente, como: 
A) ASA I / ASA III.
B) ASA II / ASA VI.
C) ASA III / ASA V. 
D) ASA I / ASA 0.
E) ASA II / ASA V.
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COMENTÁRIO:
O enunciado apresenta dois pacientes para serem classificados quanto ao estado físico, segundo a ASA. 
O primeiro paciente apresenta duas doenças sistêmicas que se encontram bem compensadas e não causam limitação funcional. Dessa 
forma, a classificação desse paciente é ASA II.
O segundo paciente corresponde ao doador de órgãos, que é a única situação que recebe a classificação ASA VI.
Sendo assim, a alternativa que apresenta as duas classificações corretas é a B.
Correta a alternativa B. 
1.4 ORIENTAÇÕES PRÉ-ANESTÉSICAS
Ao final da avaliação pré-anestésica, o paciente recebe 
orientações sobre ações para modificação de risco (p. ex.: 
parar de fumar), ajuste de medicamentos de uso crônico e 
jejum pré-anestésico. Podem ser prescritos medicamentos pré-
anestésicos, cujos objetivos incluem: diminuição da ansiedade 
(p. ex.: midazolam); melhora da analgesia pós-operatória (p. ex.: 
gabapentina) e diminuição do risco de broncoaspiração (p. ex.: 
ranitidina).
Como regra geral, os medicamentos de uso crônico 
devem ser continuados no período perioperatório. Entretanto, 
certas drogas podem aumentar o risco de complicações, como 
anticoagulantes (risco de sangramento), anti-hipertensivos (risco 
de hipotensão) e hipoglicemiantes (risco de hipoglicemia). Nesses 
casos, o paciente é orientado a ajustar o uso do medicamento, 
podendo diminuir a dose ou até suspender o uso por um período 
específico.
O objetivo do jejum pré-anestésico é permitir que o 
estômago esteja vazio no momento da indução anestésica, 
prevenindo assim a regurgitação e a broncoaspiração de conteúdo 
gástrico. Embora essa seja uma complicação rara, pode evoluir com 
pneumonite química grave e insuficiência respiratória (síndrome de 
Mendelson) e precisa ser levada em consideração.
A recomendação do tempo de jejum leva em consideração 
o tipo de alimento ingerido, segundo descrito na tabela a seguir: 
Alimento Tempode jejum
Água e líquidos sem resíduos (“líquidos claros”) 2 horas
Leite materno 4 horas
Leite não humano ou fórmula infantil 6 horas
Refeição leve 6 horas
Refeição completa 8 horas
Tabela 1.3 – Recomendações de jejum pré-anestésico.
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Parceiro(a), atente para a tabela 1.3, pois questões sobre o tempo de jejum são comuns nas provas! Veja 
que são todos valores pares de 2 a 8, começando com 2 h para os líquidos que requerem o mínimo de 
digestão (água, chá, café); em seguida, 4 h apenas para leite materno (todos outros leites são 6 horas); 
depois, 6 h para alimentos leves (bolachinhas com café) e, por fim, 8 h para uma alimentação completa 
(uma “pratada” de almoço).
Os líquidos sem resíduos são aqueles que não contêm 
partículas, como: água de coco, isotônicos, chá e café. Esses líquidos 
não devem incluir álcool. O termo “líquido claro” também pode 
ser utilizado para descrever os líquidos sem resíduos (inclusive em 
questões de prova!). Uma refeição leve consiste em uma pequena 
quantidade de alimento à base de farinha (1 torrada ou 2 biscoitos) 
acompanhada de um líquido sem resíduos.
Certas situações estão associadas a risco aumentado de 
regurgitação do conteúdo gástrico (tabela 1.4). Nesses casos, o 
paciente será tratado como se estivesse com o estômago cheio, 
independentemente de ter feito jejum ou não.
Atraso do esvaziamento gástrico Disfunção esofágica Aumento da pressão abdominal
Gastroparesia diabética
Obstrução intestinal
Íleo paralítico
Hérnia de hiato
Acalásia
Megaesôfago chagásico
Gravidez próxima ao termo
Obesidade
Ascite volumosa
Tabela 1.4 – Exemplos de condições que aumentam o risco de regurgitação do conteúdo gástrico durante a intubação. 
Fonte: Shutterstock.
CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO - UNIFESP - 2020) Em relação aos cuidados perioperatórios em cirurgia ginecológica pode-se afirmar 
que:
A) A ingesta de 200 ml de líquidos claros sem resíduos é permitida até duas horas antes do procedimento cirúrgico em pacientes sem 
contraindicação.
B) O jejum pré-operatório, nas cirurgias ginecológicas, deve ser de 8 horas para sólidos e líquidos para evitar a Síndrome de Mendelson.
C) Durante o jejum pré-operatório deve-se realizar a reposição rotineira e liberal de fluidos para evitar a desidratação e a hipoglicemia. 
D) A antibioticoprofilaxia deve ser realizada em todas as cirurgias ginecológicas uma hora antes do procedimento.
E) A profilaxia de náuseas e vômitos pós-operatórios não precisa ser realizada nas cirurgias ginecológicas pois o acesso pélvico não é fator 
de risco. 
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COMENTÁRIO:
Selecionei essa questão para mostrar como as orientações sobre o jejum pré-operatório podem aparecer nas provas. O enunciado 
pergunta sobre diferentes condutas que previnem complicações pós-operatórias.
Vejamos as alternativas:
Correta a alternativa A. 
Como vimos nas orientações sobre o jejum pré-operatório, a ingesta de líquidos “claros”, sem resíduos 
(água, água de coco, isotônico, chá), é permitida até 2 horas antes do início da anestesia.
Incorreta a alternativa B. Após uma refeição completa (alimentos sólidos), o tempo de jejum recomendado é de 8 horas. No entanto, a 
recomendação para líquidos é de apenas 2 horas (líquidos sem resíduos).
Incorreta a alternativa C. Apesar de ser importante evitar a desidratação e a hipoglicemia, existem restrições para o consumo de líquidos 
no pré-operatório.
Incorreta a alternativa D. A antibioticoprofilaxia é uma importante medida para diminuir a incidência de infecções pós-operatórias. 
Essa terapia é recomendada para cirurgias consideradas potencialmente contaminadas e para as contaminadas. No caso de cirurgias 
ginecológicas consideradas limpas, a profilaxia com antibiótico não é recomendada, no entanto.
Incorreta a alternativa E. Diversos fatores estão ligados à incidência de náuseas e vômitos no pós-operatório, que podem estar relacionados 
a características do paciente, da cirurgia e da anestesia (vide capítulo 9). Dependendo do somatório desses fatores, a profilaxia para 
náuseas e vômitos no pós-operatório será recomendada, ou não, em uma cirurgia ginecológica.
1.5 PLANEJAMENTO DA ANESTESIA AMBULATORIAL
O planejamento anestésico de procedimentos que são realizados em regime ambulatorial requer algumas considerações específicas, 
pois nesse tipo de atendimento os pacientes recebem alta das unidades de saúde no mesmo dia da realização do procedimento. Essa 
peculiaridade requer adaptações no preparo e seleção dos pacientes, visto que nem todos os pacientes e procedimentos são candidatos ao 
fluxo ambulatorial.
No Brasil, a resolução N° 1.886/2008, do CFM, estabelece as “Normas mínimas para o funcionamento de consultórios médicos e dos 
complexos cirúrgicos para procedimentos com internação de curta permanência”. Baseado nessa resolução, para que um procedimento 
possa ser realizado em regime ambulatorial, certos critérios devem ser preenchidos, como descrito a seguir:
• Classificação de estado físico ASA I ou II. O regime ambulatorial está indicado apenas para os pacientes classificados como 
ASA I ou ASA II. A razão para esse critério é que pacientes com estado físico ≥ ASA III apresentam um risco de complicações 
mais elevado, sendo então recomendado um tempo maior de observação após a realização do procedimento.
• Extensão e localização do procedimento a ser realizado permitem o tratamento com internação de curta permanência. 
Procedimentos adequados para regime ambulatorial são aqueles de pequeno e médio portes, em que não ocorrem perdas 
expressivas de sangue, dor intensa ou limitação funcional importante no pós-operatório. Um exemplo seria uma cirurgia 
ortopédica da mão.
• Não há necessidade de procedimentos especializados e controles estritos no pós-operatório. Como os pacientes recebem 
alta após o procedimento, aqueles que requerem recursos hospitalares não são candidatos ao fluxo ambulatorial.
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• O paciente deve estar acompanhado de pessoa adulta, lúcida e responsável. Após um período de recuperação da anestesia 
(geralmente 1 hora), o paciente recebe alta para seu domicílio. Na maioria dos casos, o paciente ainda apresenta efeitos 
residuais das drogas anestésicas no momento da alta e, dessa forma, não pode exercer certas atividades (p. ex.: dirigir), 
enquanto outras podem ser realizadas apenas sob supervisão de um adulto responsável (p. ex.: atravessar uma rua).
• O paciente deve aceitar o tratamento proposto. Assim como para quaisquer tratamentos propostos, o consentimento 
informado pelo paciente é fundamental.
A resolução ainda classifica os estabelecimentos de saúde que realizam procedimentos de curta permanência em quatro níveis de 
complexidade, de acordo com os equipamentos e os recursos humanos disponíveis em cada um desses níveis. Baseado nessa classificação, 
os estabelecimentos recebem a denominação de unidades do tipo I, II, III ou IV.
As unidades do tipo I correspondem a consultórios médicos em que são realizados procedimentos de pequeno porte, apenas sob 
anestesia local sem sedação. Em unidades dos tipos II e III é permitida a realização de procedimentos de pequeno e médio portes sob 
sedação, porém apenas nas unidades do tipo III é permitida a realização de anestesias do neuroeixo (raquianestesia ou peridural) e de 
anestesia geral.As unidades do tipo IV correspondem ao anexo de um hospital, o que possibilita a realização de todos os tipos de anestesia 
para procedimentos ambulatoriais (tabela 1.5).
Unidades Tipo I Tipo II Tipo III Tipo IV
Descrição
Consultórios médicos 
adaptados
Unidades 
ambulatoriais 
(centros de saúde)
Centro cirúrgico 
ambulatorial
Unidade dentro 
de um complexo 
hospitalar
Tipos de anestesia 
permitidos
Apenas local (sem 
sedação)
Local, sedação
Local, sedação, 
anestesia geral 
e anestesia do 
neuroeixo
Local, sedação, 
anestesia geral 
e anestesia do 
neuroeixo
Tipos de 
procedimentos
Cirurgias de pequeno 
porte
Exames e cirurgias de 
pequeno porte
Exames, cirurgias de 
pequeno e médio 
portes
Exames, cirurgias de 
pequeno e médio 
portes
Exemplo de 
procedimento
Tratamento cirúrgico 
de unha encravada
Colonoscopia
Implante de prótese 
mamária
Ablação percutânea 
de nódulo hepático
Tabela 1.5 – Unidades para realização de procedimentos ambulatoriais com suporte anestésico.
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CAI NA PROVA
(PROCESSO SELETIVO UNIFICADO - PSU MG - 2021) Paciente de 76 anos, sexo masculino, hipertenso, em uso de losartana, e diabético, em 
uso de metformina, vem apresentando bom controle clínico das comorbidades. Será submetido, em regime ambulatorial, à ressecção de 
lesão no membro inferior esquerdo sugestiva de melanoma. Considerando as informações acima, assinale a alternativa CORRETA.
A) A idade do paciente deveria contraindicar a realização deste procedimento em regime ambulatorial.
B) A anestesia geral não poderá ser realizada pois trata-se de cirurgia em regime ambulatorial.
C) A associação de hipertensão e diabetes deveria contraindicar a realização desta cirurgia em regime ambulatorial.
D) A raquianestesia poderá ser realizada desde que não haja contraindicações específicas.
COMENTÁRIO:
Estrategista, escolhi essa questão para praticarmos os conhecimentos sobre a avaliação e planejamento anestésico no contexto de 
procedimentos ambulatoriais.
O enunciado descreve um paciente idoso (idade > 75 anos), porém sem comorbidades que resultam em limitação funcional. Ele 
apresenta bom controle clínico da hipertensão arterial e do diabetes mellitus e será submetido a um procedimento provavelmente de 
pequeno porte.
Vamos às alternativas:
Incorreta a alternativa A. Um conceito muito importante para ser fixado sobre avaliação de risco é que, apesar de se correlacionar com 
diminuição da função orgânica, a idade de forma isolada não é um critério que define o risco cirúrgico-anestésico e não determina a 
classificação ASA. Sendo assim, a idade do indivíduo não define se ele pode ou não ser submetido a procedimentos em regime ambulatorial.
Incorreta a alternativa B. Desde que o estabelecimento possua os equipamentos, os recursos humanos e cumpra os requisitos estabelecidos 
na resolução 1.886/2008 do CFM e outras regulações cabíveis, não existe impeditivo para realização da técnica de anestesia geral para 
procedimentos em regime ambulatorial. Entretanto, essa técnica pode ser realizada apenas em unidades tipos III e IV.
Incorreta a alternativa C. Pela descrição do quadro do paciente, percebemos que ele possui doenças sistêmicas que, a princípio, não causam 
restrição funcional e estão bem controladas. Baseado nessas informações, o paciente possui classificação de estado físico ASA II, o que 
possibilita a realização de procedimentos em regime ambulatorial.
Correta a alternativa D.
Assim como a anestesia geral, não existem contraindicações para realização de bloqueios de neuroeixo 
(raquianestesia e peridural) em procedimentos ambulatoriais. De maneira semelhante à anestesia geral, 
entretanto, os bloqueios de neuroeixo só podem ser realizados em unidades classificadas como tipos III e IV.
Dessa forma, desde que o paciente não possua contraindicações individuais para a realização da raquianestesia, ela pode ser realizada 
em regime ambulatorial em uma unidade preparada para tal.
Estrategista, você acabou de aprender vários conceitos importantes em relação aos preparativos para a anestesia. Agora 
você estudará as diferentes classes de agentes anestésicos, um tema muito importante também. Considere tomar um 
líquido sem resíduos e vamos em frente!
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CAPÍTULO
2.0 AGENTES ANESTÉSICOS
O objetivo da administração dos diferentes tipos de fármacos anestésicos é induzir uma alteração da condição basal do paciente 
com o intuito de facilitar a realização de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos. 
Para realização dos mais diversos tipos de procedimentos, diferentes técnicas anestésicas foram desenvolvidas, que podem ser 
empregadas de forma isolada ou combinada.
Figura 2.1 – Técnicas anestésicas mais usadas na atualidade. Fonte: adaptado de Shutterstock.
As técnicas de anestesia local, regional e do neuroeixo são semelhantes, uma vez que todas envolvem a administração de anestésicos 
locais para bloqueio neuronal em diferentes pontos das vias de sinalização. A anestesia local é a técnica mais simples, sendo normalmente 
empregada em procedimentos de pequeno porte, e consiste na infusão de anestésicos locais diretamente na região em que a cirurgia será 
feita. As modalidades de anestesia regional e de neuroeixo envolvem o bloqueio de nervos individuais, plexos nervosos ou mesmo toda uma 
região da medula espinhal e serão descritas em capítulos específicos.
SEDAÇÃO E ANESTESIA GERAL
A sedação e a anestesia geral são caracterizadas pela administração de drogas com efeito sistêmico que induzem, de forma gradativa, 
a diminuição do nível de consciência, variando desde uma leve sonolência até o silenciamento completo da atividade neuronal do cérebro. 
De maneira geral, os esforços do anestesiologista são para que os procedimentos transcorram de forma confortável e segura, com a 
administração da menor quantidade possível de drogas. Entretanto, certos tipos de procedimentos exigem a realização de uma anestesia 
geral, seja pela necessidade de controle ventilatório (como em procedimentos laparoscópicos), pela impossibilidade de prover analgesia 
adequada de outra forma (como em cirurgias do abdome superior) ou pela necessidade de completa imobilização (como em neurocirurgias).
Anestesia local
Anestesia regional
Sedação
Anestesia do
neuroeixo
Anestesia geral
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Prof. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 22
O estado anestésico é caracterizado por quatro componentes – hipnose, analgesia, bloqueio neuromuscular e inibição dos reflexos 
autonômicos. A hipnose é alcançada pela inibição de estruturas do sistema nervoso central que mantêm a consciência. A analgesia é obtida 
pela inativação dos circuitos de sinalização da dor, o que também resulta em diminuição das respostas autonômicas ao estímulo doloroso. 
O bloqueio neuromuscular é alcançado pela interrupção da transmissão dos sinais dos nervos para os músculos, facilitando a intubação e o 
controle ventilatório.
Figura 2.2 - Componentes da técnica de anestesia geral.
O transcurso da anestesia geral pode ser dividido em 
três fases: indução, manutenção e recuperação (ou reversão). A 
indução é caracterizada pela transição do estado de vigília para 
o estado anestesiado, sendo, na maioria dos casos, realizada 
pela administração de agentes venosos. A indução utilizando 
anestésicos inalatórios é uma modalidade muito empregada para 
a anestesia de crianças,pois permite que um acesso venoso seja 
puncionado após o início da anestesia, evitando agitação adicional 
das crianças, que já são pouco colaborativas.
Durante a fase de manutenção, são feitos ajustes na dose 
de anestésicos de acordo com as necessidades do procedimento 
que está sendo realizado, assim como os sinais vitais do paciente, 
que são constantemente monitorados. Ao final do procedimento, a 
dose dos anestésicos que estão mantendo o paciente anestesiado 
começa a ser diminuída e, à medida que o efeito dos anestésicos 
vai desaparecendo, o paciente começa o processo de recuperação. 
Nessa fase de reversão da anestesia, o paciente desperta e é 
encaminhado à sala de recuperação pós-anestésica (SRPA). A 
fase de recuperação encerra-se somente quando não existem 
mais efeitos residuais das drogas anestésicas, o que geralmente só 
ocorre horas após a alta da SRPA.
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Fonte: adaptado de Shutterstock.
Indução
Transição do estado de vigília
para o anestesiado
Manutenção
Anestesia mantida e ajustada
de acordo com a necessidade
do procedimento e os sinais 
vitais do paciente
Recuperação
Supervisão do estado do paciente
enquanto o efeito das drogas 
desaparece
O estado de anestesia geral pode ser alcançado pela administração de drogas inalatórias (anestesia inalatória), pela administração de 
drogas venosas (anestesia venosa total) ou pela combinação de agentes inalatórios e venosos (anestesia balanceada).
2.1 ANESTÉSICOS INALATÓRIOS
O termo "anestésico inalatório" pode referir-se tanto a um grupo de compostos líquidos e voláteis (também chamados de halogenados, 
em função de sua estrutura química) quanto ao óxido nitroso, um gás de uso medicinal. Os primeiros procedimentos realizados sob anestesia 
geral empregavam fármacos desse tipo e, durante várias décadas, essa era a única forma de produzir esse grau de profundidade anestésica.
Apesar de normalmente serem utilizados em conjunto com outros tipos de anestésicos, os anestésicos halogenados são capazes de 
produzir, em maior ou menor grau, todos os principais componentes de uma anestesia geral. 
FARMACOLOGIA
A absorção dos anestésicos inalatórios ocorre através do 
epitélio respiratório e, em função da grande superfície de contato 
da árvore respiratória, o acesso desses agentes à corrente 
sanguínea ocorre de forma praticamente instantânea. De maneira 
semelhante, o processo de eliminação ocorre principalmente pela 
via respiratória, por exalação do anestésico. Dessa forma, podemos 
compreender o motivo pelo qual os efeitos farmacológicos dos 
anestésicos inalatórios dependem diretamente da concentração 
alveolar desses agentes. 
No momento em que a administração de um anestésico 
inalatório se inicia, as concentrações do agente no circuito 
ventilatório, nos alvéolos, nos tecidos periféricos e no sítio de 
efeito (o cérebro) começam a entrar em equilíbrio, na medida 
em que ocorre a absorção e a distribuição do fármaco nesses 
compartimentos. Quanto maior o tempo para atingir o equilíbrio, 
mais tempo levará para que a concentração no sítio de efeito se 
eleve, ou seja, para que os efeitos clínicos iniciem. 
Com base nessas características, os principais determinantes 
da dose do anestésico inalatório que será necessária para que sejam 
obtidos os efeitos clínicos, assim como para definir as velocidades 
de início e término dos efeitos, são: 
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• Solubilidade sanguínea e tecidual do agente. Quanto maior a solubilidade de um agente anestésico, mais potente ele será 
e menor será a dose necessária para se obter os efeitos clínicos. Por outro lado, um agente muito solúvel é rapidamente 
absorvido do alvéolo e depositado em tecidos periféricos, o que torna mais longo o tempo para que as concentrações atinjam 
um equilíbrio. Da mesma forma, um agente que sofreu grande deposição em função de elevada solubilidade levará mais 
tempo para ser eliminado, prolongando a duração dos efeitos.
• Ventilação alveolar e composição da mistura de gases. Visto que a absorção dos agentes inalatórios ocorre através da árvore 
respiratória, as velocidades de início e término dos efeitos, na medida em que o fármaco é iniciado ou interrompido, será 
diretamente influenciada pela ventilação. A concentração do anestésico no circuito ventilatório é diretamente ajustada pelo 
anestesista, que utiliza vaporizadores específicos para essa função.
• Relação ventilação e perfusão. Apesar de parecer contrasenso, o aumento da perfusão do tecido pulmonar torna mais lento 
o início dos efeitos dos anestésicos inalatórios. A explicação é que um fluxo pulmonar aumentado resulta em maior absorção 
do anestésico dos alvéolos e deposição nos tecidos periféricos; assim, o tempo para que as concentrações nos diferentes 
compartimentos atinjam um equilíbrio será mais longo.
A concentração alveolar mínima (CAM) é uma propriedade farmacológica peculiar dos anestésicos inalatórios, sendo bastante relevante 
durante a utilização clínica desses fármacos. A definição de CAM é a concentração alveolar de um agente anestésico que produz imobilidade 
em 50% dos indivíduos de uma população exposta a um estímulo doloroso (p. ex.: incisão cirúrgica). Dessa forma, a comparação da CAM 
entre os diferentes anestésicos inalatórios indica a potência relativa desses agentes, sendo inversa a relação entre a CAM e a potência 
anestésica.
Anestésico halogenado CAM (%)† Lipossolubilidade*
Óxido nitroso 104 1,4
Halotano 0,75 224
Enflurano 1,7 98
Isoflurano 1,4 98
Sevoflurano 2 51
Desflurano 6 19
Tabela 2.1 – Propriedades farmacológicas dos anestésicos halogenados. †Apresentado como percentual dos gases que são oferecidos ao paciente. *A solubilidade 
dos anestésicos inalatórios é estudada utilizando o conceito de coeficientes de partição. Esses coeficientes dizem respeito à distribuição relativa do anestésico quando 
presente em dois meios, sendo aqui representado o coeficiente óleo/gás. Quanto maior o valor, mais lipossolúvel é o agente.
Você deve estar pensando: “Professor! Isso não é muito específico? Isso cai nas provas?” A resposta é SIM para as duas 
perguntas, mas felizmente é um assunto que não cai muito. Preparei um resumo para ajudá-lo(a) e uma questão para 
praticarmos.
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Lipossolubilidade alta
� Potência alta
� CAM baixa
� Início e término de efeitos lentos
� Ex: halotano
Lipossolubilidade baixa
� Potência baixa
� CAM alta
� Início e término de efeitos lentos
� Ex: sevoflurano
CAI NA PROVA
(SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE GOIÁS - SES GO - 2017) Os anestésicos inalatórios têm propriedades de 
distribuição e absorção que os tornam mais ou menos potentes e com tempos de latência mais curtos ou mais 
longos, dependendo dos coeficientes de distribuição. O que se sabe dessas ações é que:
A) O isoflurano e o enflurano são um pouco mais potentes do que o halotano porque têm um menor 
coeficiente (óleo/gás), mas, o equilíbrio é mais rápido porque têm menor coeficiente (sangue/gás).
B) O óxido nitroso tem um coeficiente (sangue/gás) muito baixo e, por isso, o equilíbrio é muito rápido. No 
entanto, seu baixo coeficiente (óleo/gás) provoca uma CAM muito baixa.
C) O halotano tem um alto coeficiente (óleo/gás), propiciando alta potência e, portanto, baixa CAM. No 
entanto, sua eliminação torna-se mais lenta, levando a um tempo maior na recuperaçãopós-anestésica.
D) O desflurano e o sevoflurano são anestésicos novos que, deliberadamente, têm baixo coeficiente (sangue/
gás), propiciando alta potência e, portanto, baixa CAM.
COMENTÁRIO:
Estrategista, essa não é uma questão fácil, mas vai ajudar a sedimentar alguns conceitos sobre a farmacologia dos anestésicos inalatórios.
Como vimos, um dos principais determinantes das características farmacológicas dos agentes inalatórios é sua lipossolubilidade. A 
lipossolubilidade correlaciona-se diretamente com os coeficientes de distribuição óleo/gás e sangue/gás. Quanto mais lipossolúvel o agente, 
mais potente ele será; entretanto, maior será o tempo para atingir o equilíbrio de distribuição (início e término de ação mais lentos).
Vamos analisar as alternativas:
Incorreta a alternativa A. Na verdade, o halotano é mais potente quando comparado ao isoflurano (e o enflurano), possuindo uma 
CAM mais baixa (como pode ser percebido na tabela 2.1). Quanto à velocidade para atingir o equilíbrio de distribuição, é verdade que o 
isoflurano (e o enflurano) atinge o equilíbrio mais rapidamente, por ser menos solúvel em sangue quando comparado ao halotano.
Incorreta alternativa B. O óxido nitroso apresenta lipossolubilidade muito baixa, apresentando, consequentemente, um coeficiente 
sangue/gás baixo. Essa característica faz com que o óxido nitroso atinja rapidamente o equilíbrio e tenha rápidos início e término de efeito. 
A baixa lipossolubilidade, no entanto, determina uma CAM bastante elevada.
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Correta alternativa C. 
Pela análise dos dados da tabela 2.1, percebemos que as afirmativas apresentadas são verdadeiras. O
halotano é o anestésico halogenado mais lipossolúvel, como pode ser percebido por seu elevado coeficiente 
óleo/gás. Essa característica faz com que ele seja o mais potente, apresentando CAM baixa (apenas 0,75%). Pela mesma razão, ocorre 
ampla distribuição do halotano nos tecidos e na gordura, fazendo com que tanto o início quanto o término de sua ação sejam lentos.
Incorreta alternativa D. Os novos anestésicos apresentam um baixo coeficiente de distribuição sangue/gás (são menos lipossolúveis). 
Como vimos, o resultado é baixa potência, CAM mais elevada e maior velocidade de início e término dos efeitos.
2.1.1 EFEITOS SISTÊMICOS
Além de seus efeitos anestésicos, os agentes inalatórios produzem uma série de alterações importantes no funcionamento dos diversos 
sistemas fisiológicos do corpo.
SISTEMA CARDIOVASCULAR
Com exceção do óxido nitroso, os agentes inalatórios causam diminuição dose dependente da pressão arterial média. Esse efeito se 
deve, principalmente, à diminuição da resistência vascular periférica (vasodilatação), sendo pequeno o efeito sobre contratilidade miocárdica. 
A exceção é o halotano, cujo efeito hipotensor ocorre, primariamente, por inibição do inotropismo cardíaco. Os efeitos hipotensores dos 
anestésicos inalatórios podem ser particularmente pronunciados em pacientes idosos, hipovolêmicos ou criticamente enfermos.
SISTEMA RESPIRATÓRIO
Todos os agentes produzem aumento da frequência respiratória e diminuição do volume corrente. Apesar da ventilação (volume minuto) 
não cair consideravelmente, a diminuição do volume corrente leva a um aumento relativo do espaço morto e piora da troca gasosa. Como 
resultado, ocorre elevação progressiva da concentração plasmática de CO2 à medida que doses mais altas de anestésico são administradas.
SISTEMA NERVOSO 
Com exceção do óxido nitroso, os anestésicos inalatórios produzem diminuição da taxa metabólica cerebral e, por esse motivo, também 
seria esperado que diminuíssem o fluxo sanguíneo cerebral, pois esses parâmetros fisiológicos apresentam uma relação direta. Entretanto, 
esses anestésicos produzem inibição da autorregulação da vasculatura cerebral e, como resultado, ocorrem vasodilatação cerebral, aumento 
do fluxo sanguíneo cerebral (FSC) e aumento da pressão intracraniana. Esses efeitos ocorrem de forma dose dependente.
FUNÇÃO HEPÁTICA 
Os anestésicos inalatórios causam diminuição do fluxo sanguíneo hepático, sendo esse efeito mais pronunciado com o halotano. A 
utilização desse agente pode resultar em lesão hepática com alteração dos exames de função hepática.
FUNÇÃO RENAL
Todos os agentes halogenados causam diminuição do fluxo sanguíneo renal, da taxa de filtração glomerular e do débito urinário, sendo 
esses efeitos secundários à diminuição da pressão arterial. A administração desses fármacos para pacientes com hipovolemia aumenta o risco 
de lesão renal aguda.
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SISTEMA MUSCULAR
Exceto pelo óxido nitroso (que induz rigidez muscular), os anestésicos inalatórios causam relaxamento dose dependente dos músculos 
esqueléticos, potencializando a ação de bloqueadores neuromusculares. Adicionalmente, os agentes halogenados podem desencadear um 
estado de hipermetabolismo do tecido muscular conhecido como hipertermia maligna. Apesar de rara, essa condição pode resultar em 
graves consequências para o paciente e será descrita em mais detalhes a seguir.
2.1.1.1 HIPERTERMIA MALIGNA
A hipertermia maligna (HM) é uma condição patológica 
genética rara, com padrão de herança autossômico dominante, 
associada à administração de certas drogas utilizadas em 
anestesia – anestésicos inalatórios halogenados e succinilcolina. 
Embora todos os anestésicos halogenados tenham o potencial de 
desencadear a HM, pesquisas sugerem que o risco dos agentes 
mais novos (desflurano, sevoflurano e isoflurano) parece ser menor 
quando comparado ao risco associado ao halotano.
A exposição de células musculares ao fármaco em um 
indivíduo susceptível desencadeia a liberação excessiva de cálcio do 
retículo sarcoplasmático, causando contração muscular intensa e 
prolongada. Como resultado, observa-se hipermetabolismo celular 
dos músculos e disfunção em múltiplos sistemas orgânicos. 
O hipermetabolismo produz aumento do consumo de glicose, 
de oxigênio e grande produção de calor. Ocorrem anormalidades 
eletrolíticas, sendo as mais frequentes a hipercalemia e a acidose. 
Se o quadro não for adequadamente tratado, podem ocorrer: 
arritmias cardíacas, coagulação intravascular disseminada, 
rabdomiólise, edema cerebral, disfunção de múltiplos órgãos e 
morte.
Predisposição genética
Mutação do canal de cálcio (RYR1)
Exposição ao agente gatilho
Halogenados e succinilcolina
Abertura sustentada do canal
Elevação do cálcio intracelular
Intensa e prolongada contração 
muscular
Hipermetabolismo
 Complicações
� Acidose metabólica
� Hipertermia
� Hipercalemia
� Hipercapnia
� Rabdomiólise
Fonte: adaptado de Shutterstock.
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O quadro é caracterizado por taquicardia, rigidez muscular, 
arritmias, hipercarbia (elevação do CO2), sudorese e hipertermia. 
A HM deve sempre ser suspeitada em um paciente que desenvolve 
inexplicável hipercarbia e taquicardia. O diagnóstico é clínico no 
momento do evento, sendo posteriormente confirmado por análise 
laboratorial.
Figura 2.3 – Exemplo dos sinais vitais que um paciente apresentando hipertermia 
maligna poderia apresentar. Note como o valor do CO2 expirado (etCO2) sem 
encontra elevado (valores normais de 35 a 45 mmHg). Tperi – temperatura 
periférica; HR – frequência cardíaca; NBP – pressão arterial não invasiva; awRR – 
frequência respiratória. Fonte: acervo pessoal.O tratamento consiste na interrupção imediata do agente 
de gatilho, medidas de suporte (p. ex.: correção de eletrólitos, 
resfriamento) e administração de dantroleno (também chamado 
de dantrolene) o mais rapidamente possível. Sempre que possível, 
o procedimento deve ser suspenso até a completa recuperação do 
paciente.
O dantrolene é um tipo de relaxante muscular que age 
limitando a entrada de cálcio na célula muscular. É o agente de 
escolha para tratamento de HM, devendo ser administrado pela via 
venosa em bolus na dose de 2 a 3 mg/kg, a cada 5 minutos, até 
resolução do quadro (dose máxima de 10 mg/kg).
Vamos ver como a hipertermia maligna pode aparecer nas provas?
CAI NA PROVA
(HOSPITAL ESTADUAL DR JAYME DOS SANTOS NEVES - HEJSN - 2021) Paciente de 32 anos apresenta quadro clínico de apendicite aguda e é 
submetido à apendicectomia videolaparoscópica. Durante o ato anestésico, apresenta taquicardia, labilidade pressórica, sudorese, rigidez de 
membros inferiores e hipertemia progressiva. O diagnóstico deste paciente foi de hipertemia maligna. Qual medicação deve ser administrada?
A) Atropina.
B) Dantrolene.
C) Flumazenil.
D) Naloxona.
E) Midazolan.
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COMENTÁRIO:
O enunciado pergunta qual é o tratamento em um caso de hipertermia maligna no intraoperatório de um paciente jovem que está 
sendo submetido a um procedimento de moderada complexidade.
Vamos às alternativas:
Incorreta a alternativa A. A atropina não está indicada no tratamento da HM, podendo, inclusive, prejudicar o quadro ao exacerbar a 
taquicardia que o paciente já está apresentando.
Correta a alternativa B.
Como vimos, o dantroleno é o agente de escolha para tratamento de HM, devendo ser administrado o 
mais rapidamente possível após o diagnóstico.
Incorreta a alternativa C. O flumazenil é um antagonista da ação de benzodiazepínicos e seu uso é indicado para reverter a sedação 
induzida por essas drogas. O uso de flumazenil não está indicado para o tratamento da HM.
Incorreta a alternativa D. A naloxona é um opioide com ação antagonista que se liga com alta afinidade ao receptor opioide µ. Essa droga 
é utilizada como um “antídoto” de opioides em quadros de sobredose e depressão respiratória. A naloxona também não é indicada para 
o tratamento da HM.
Incorreta alternativa E. Os benzodiazepínicos (como o midazolam e o diazepam) são utilizados para produzir níveis variáveis de sedação. 
Seu uso em um paciente com HM até pode ser indicado caso o paciente esteja apresentando convulsões, que não é o caso do paciente da 
questão. Adicionalmente, seus efeitos não são capazes de interromper o processo que está desencadeando a HM.
2.1.2 AGENTES ESPECÍFICOS
ÓXIDO NITROSO
Agente inalatório menos potente, sendo utilizado apenas 
como adjuvante durante a administração da anestesia. Possui 
rápidos início e término de efeitos. Apresenta solubilidade no 
sangue 34 vezes maior quando comparado ao nitrogênio e essa 
diferença resulta na difusão do óxido nitroso para cavidades com 
ar dentro do corpo, provocando aumento do volume e da pressão 
dessas cavidades. 
O uso do óxido nitroso está associado a risco aumentado 
de náuseas e vômitos, anemia megaloblástica e aumento da 
resistência vascular pulmonar. Devido ao efeito de dilatar cavidades 
aeradas, sua utilização é contraindicada em cirurgias de ouvido e na 
presença de obstrução intestinal. Fonte: Shutterstock.
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ISOFLURANO
Anestésico barato e versátil, podendo ser usado em diversos tipos de procedimentos. Suas velocidades de início e término de ação, 
entretanto, são lentas e seu uso tem sido gradativamente substituído por agentes menos solúveis, como o sevoflurano e o desflurano.
Como os outros anestésicos halogenados, o uso do isoflurano produz queda na resistência vascular sistêmica devido à vasodilatação. O 
barorreflexo, entretanto, não sofre grande influência desse anestésico e, como resultado, geralmente ocorre taquicardia reflexa.
SEVOFLURANO
Apresenta rápidas velocidades de início e término de efeitos. Entre os agentes halogenados, é o que apresenta menor efeito sobre 
o sistema cardiovascular. Por não ser irritativo para as vias aéreas e possuir um odor agradável, é um agente indicado para induções 
inalatórias, sendo essa técnica muito utilizada para anestesia de crianças, pois possibilita que o acesso venoso seja obtido após a criança 
perder a consciência. Em crianças, pode resultar em agitação no momento do despertar da anestesia.
DESFLURANO
É o agente halogenado menos lipossolúvel e o que apresenta mais rápidas velocidades de início e término de ação. Apresenta o maior 
custo entre os anestésicos inalatórios, necessitando de um sistema de vaporização específico para seu uso. Também pode causar agitação no 
momento do despertar da anestesia em crianças.
HALOTANO
É o mais lipossolúvel entre todos os anestésicos inalatórios, apresentando velocidades lentas de início e término de efeitos. Assim como 
o sevoflurano, é um agente adequado para induções inalatórias. Apesar de barato, tem sido cada vez menos utilizado por ser o agente mais 
associado a reações adversas, como depressão miocárdica, arritmias e hepatotoxicidade.
Características Óxido nitroso Halotano Isoflurano Desflurano Sevoflurano
Lipossolubilidade Muito baixa Alta Intermediária Baixa Baixa
Velocidades de 
início e término
Muito elevadas Lentas Intermediárias Elevadas Elevadas
Potência Muito baixa Alta Intermediária Baixa Muito baixa
Indução 
inalatória
Não Sim Não Não Sim
Complicações
Náuseas, 
dilatação de 
cavidades
Depressão 
miocárdica, 
arritmias, 
hepatotoxicidade
Taquicardia
Agitação em 
crianças
Agitação em 
crianças
Tabela 2.2 – Resumo das propriedades dos anestésicos inalatórios.
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Ufa! Que tal um café antes de começarmos a parte de anestésicos venosos? Esses agentes são os 
mais cobrados nas provas, então é bom você estar energizado para melhorar seu aprendizado!
2.2 AGENTES INTRAVENOSOS
ANESTESIA VENOSA
Até um passado recente, a técnica padrão para produzir 
um estado de anestesia geral era baseada no uso de anestésicos 
inalatórios. Nos últimos anos, entretanto, essa abordagem vem 
sendo gradativamente substituída pela técnica de anestesia venosa 
total, em que todos os componentes do estado anestésico são 
obtidos pela administração de uma combinação de drogas venosas. 
A técnica padrão para a anestesia venosa requer a utilização 
de bombas de infusão para que um ajuste preciso das concentrações 
plasmáticas das drogas anestésicas seja obtido. Quando comparada 
à anestesia baseada em agentes inalatórios, a anestesia venosa 
apresenta como vantagens menos reação ao tubo traqueal, o que Fonte: Shutterstock.
torna a indução e o despertar mais suaves, assim como menor incidência de náuseas e vômitos no pós-operatório. De maneira geral, a fase 
de recuperação da anestesia é mais rápida e com menos efeitos colaterais, permitindo alta mais precoce da sala de recuperação. A principal 
desvantagem da anestesia venosa é o custo mais elevado, em função das drogas utilizadas e da necessidade equipamentos específicos.
ANESTESIA VENOSA
Vantagens
� Efeito antiemético
� Despertar suave
� Recuperação rápida
Desvantagens
� Requer equipamentos específicos
� Custo elevado
ANESTESIA INALATÓRIA
Vantagens
� Permite punção venosa após
indução
� Rápidatitulação da dose
Desvantagens
� Risco de agitação e náuseas e
vômitos
� Recuperação lenta
VS
Além de sua utilização na anestesia venosa total, os anestésicos venosos também são usados na técnica de anestesia balanceada, em 
que ocorre uma combinação de agentes inalatórios e venosos, e também nas sedações venosas. A indução anestésica, na maioria dos casos, 
é realizada utilizando drogas de administração venosa.
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Os anestésicos venosos pertencem a diferentes classes farmacológicas, podendo ser classificados em relação a suas estruturas 
moleculares, os receptores nos quais agem e os efeitos produzidos por sua ação. De maneira geral, esses agentes são divididos em fármacos 
opioides e não opioides.
2.2.1 OPIOIDES
A denominação "opioide" é dada aos fármacos que se ligam aos receptores opioides endógenos, produzindo ações como agonistas 
ou antagonistas. Opioides intravenosos são comumente usados para fornecer o componente de analgesia durante uma anestesia geral ou 
sedação e são os agentes mais amplamente usados para o tratamento da dor aguda no período pós-operatório imediato. Os opioides podem 
ser classificados de diferentes maneiras, entre elas:
• Síntese química. Os opioides naturais são aqueles que podem ser extraídos a partir de derivados do ópio, como a morfina 
e a codeína. Os opioides semissintéticos são o resultado de modificações na estrutura da morfina, sendo um exemplo a 
diacetilmorfina (heroína). Já os opioides sintéticos são drogas que foram desenvolvidas em laboratório com objetivo de 
otimizar certos aspectos farmacocinéticos ou farmacodinâmicos. Os opioides mais frequentemente utilizados na prática 
anestésica (fentanil, sufentanil e remifentanil) são exemplos de opioides sintéticos.
• Potência. Essa é uma divisão baseada na potência analgésica, sendo os opioides divididos em fortes (morfina, fentanil) e 
fracos (tramadol, codeína). A potência analgésica é determinada, principalmente, pela afinidade e efetividade da droga ao 
ligar-se e ativar o receptor opioide µ.
• Duração dos efeitos. A classificação pela duração dos efeitos é relevante do ponto de vista prático, pois ajuda a determinar 
que opioide será escolhido em determinadas situações. Opioides de curta duração, como o remifentanil, são escolhidos 
para situações cujo estímulo doloroso é curto (p. ex.: durante um procedimento cirúrgico). Por outro lado, o controle da dor 
pós-operatória requer opioides com efeitos de maior duração, já que esse tipo de dor é mais intenso por alguns dias após a 
cirurgia.
2.2.1.1 MECANISMO DE EFEITO
Os opioides ligam-se a receptores específicos localizados em 
todo o sistema nervoso central, além de também serem encontrados 
em outros tecidos. Quatro tipos principais de receptores opioides 
foram descritos: mu (μ), kappa (κ), delta (δ) e sigma (σ). O principal 
receptor associado aos efeitos analgésicos é o mu, cuja ativação 
também resulta em sedação, euforia e depressão respiratória. A 
ativação dos receptores kappa e delta também desempenha um 
papel no efeito analgésico dos opioides.
A ação analgésica dos opioides decorre tanto da inibição 
direta da transmissão dos impulsos de nociceptores (receptores 
de estímulos dolorosos) na coluna dorsal da medula quanto da 
ativação de circuitos inibitórios para as vias da dor (figura 2.4).
INIBIÇÃO DO CIRCUITO
DE SINALIZAÇÃO
ASCENDENTE DA DOR
ATIVAÇÃO DO SISTEMA
MODULADOR
DESCENDENTE DA DOR
Figura 2.4 – Ações dos opioides sobre a transmissão de estímulos dolorosos. 
Fonte: adaptado de Shutterstock.
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Além de analgesia, os opioides causam diversos efeitos 
sistêmicos, sendo alguns deles associados a complicações por 
vezes importantes (tabela 2.3). O efeito colateral mais temido dos 
opioides é a depressão ventilatória, devido à ação nos centros 
respiratórios do tronco cerebral. Como resultado, ocorre diminuição 
importante da frequência respiratória e elevação da PaCO2. Caso o 
paciente já apresente algum outro fator que diminua a eficiência 
respiratória (p. ex.: uso de benzodiazepínico, ingestão de álcool 
ou diminuição do nível de consciência), o efeito do opioide pode 
resultar em hipoxemia grave, que pode levar o paciente ao óbito, se 
não for tratada rapidamente.
Em relação ao sistema cardiovascular, os opioides são 
considerados drogas hemodinamicamente estáveis, causando 
poucos efeitos sobre a contratilidade miocárdica. Entretanto, 
quando doses elevadas são utilizadas, pode ocorrer diminuição do 
tônus simpático e, consequentemente, diminuição da frequência 
cardíaca, da resistência vascular sistêmica e da pressão arterial. 
Opioides que liberam histamina (p. ex.: morfina e meperidina) 
podem causar vasodilatação e queda da pressão arterial devido a 
esse efeito.
Outros efeitos sistêmicos relevantes dos opioides são: 
indução de prurido, diminuição da motilidade gastrointestinal, 
indução de náuseas e vômitos, retenção urinária e rigidez muscular.
Efeitos Observações
Sistema cardiovascular
Frequência cardíaca SE ou  (doses elevadas)
Efeito secundários a  tônus simpático 
ou vasodilatação por liberação de 
histamina (morfina)
Contratilidade SE
Pressão arterial SE ou 
Sistema respiratório
Frequência respiratória 
O efeito depressor da respiração pode 
atingir o pico após o pico do efeito 
analgésico
PaCO2 
Resposta à hipercarbia 
Sistema nervoso
Taxa metabólica cerebral  (discreta)
PIC pode subir devido à hipercarbia
Pressão intracraniana 
Sistema digestivo
Motilidade 
Risco de íleo paralítico aumentado
Náuseas e vômitos 
Sistema urinário
Retenção urinária  Risco de bexigoma aumentado
Tabela 2.3 – Efeitos sistêmicos dos opioides. SE - sem efeito.
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2.2.1.2 OPIOIDES ESPECÍFICOS
MORFINA
É um opioide natural com ação agonista de alta potência. Em pH fisiológico, a maior porcentagem das moléculas de morfina encontra-se 
na forma ionizada (aproximadamente 79%), o que torna lenta a difusão pela barreira hematoencefálica (lento início de efeito). O metabolismo 
é primariamente hepático e a via de excreção é predominantemente renal. Um dos metabólitos da morfina (morfina-6-glicuronídeo) é capaz 
de produzir, ainda, analgesia e depressão respiratória e sua eliminação é dependente da função renal. Dessa forma, pacientes com insuficiência 
renal apresentam aumento da duração dos efeitos da morfina, estando sob maior risco de depressão respiratória. A administração de 
morfina está associada à liberação de histamina, podendo resultar em rash cutâneo.
FENTANIL
Trata-se de um opioide muito lipossolúvel, apresentando rápidos início e término de efeitos. Apresenta potência 50 a 100 vezes 
maior em relação à morfina. O desaparecimento dos efeitos ocorre principalmente pela rápida deposição no tecido gorduroso, portanto a 
administração de doses múltiplas pode resultar em efeitos prolongados. O metabolismo é predominantemente hepático e a excreção é renal. 
O fentanil é uma droga frequentemente utilizada no procedimento de indução anestésica e intubação orotraqueal.
SUFENTANIL
Dentre os opioides usados em anestesia, o sufentanil é o que apresenta maior ligação a proteínas plasmáticas, o que limita o volume 
de distribuição efetivo dessa droga, permitindo seu uso em infusão contínua. Sua potência é aproximadamente 1.000 vezes maior do que a 
da morfina. Confere excelenteestabilidade hemodinâmica, apesar de poder cursar com bradicardia.
ALFENTANIL
Apresenta rápidos início e término de efeitos após administração em bolus, porém, em função de importante deposição tecidual, seu 
uso não é adequado para infusões contínuas. A rápida administração pode resultar em rigidez muscular e dificuldade na ventilação com 
pressão positiva.
Fonte: acervo pessoal.
REMIFENTANIL
Também apresenta rápidos início e término dos efeitos, porém 
não se acumula nos tecidos, sendo rapidamente metabolizado 
por enzimas plasmáticas. Em decorrência dessas características, o 
remifentanil é hoje o opioide de escolha para administração como 
infusão contínua, sendo frequentemente utilizado na técnica de 
anestesia venosa total. Apresenta potência em torno de 300 vezes 
maior do que a morfina.m
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NALOXONA
Possui ação antagonista, ligando-se com alta afinidade ao receptor opioide µ. É utilizada como antídoto em quadros de sobredose e 
depressão respiratória associados ao uso de opioides.
CAI NA PROVA
(SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE GOIÁS - SES GO - 2021) Qual dos opioides apresentados a seguir possui maior potência analgésica?
A) Morfina.
B) Fentanil.
C) Sufentanil.
D) Remifentanil.
COMENTÁRIO:
Como vimos, a potência analgésica é diretamente relacionada à afinidade da droga pelo receptor opioide µ.
Incorreta a alternativa A. Entre os opioides apresentados, a morfina é o menos potente.
Incorreta a alternativa B. O fentanil é 50 a 100 vezes mais potente em relação à morfina.
Correta a alternativa C. A potência do sufentanil é 1.000 vezes superior à da morfina.
Incorreta a alternativa D. O remifentanil apresenta potência em torno de 300 vezes maior do que a da morfina.
2.2.2 ANESTÉSICOS VENOSOS NÃO OPIOIDES
Esse grupo de anestésicos é composto pelos barbitúricos, os 
benzodiazepínicos, o etomidato, a cetamina e o propofol. Todos 
esses fármacos produzem sedação e hipnose, ou seja, diminuem 
o nível de consciência de forma dose dependente quando 
administrados. Devido a esse efeito, esses agentes também são 
chamados de hipnóticos.
O mecanismo de ação dos agentes hipnóticos envolve a 
ativação de vias inibitórias do SNC, cuja sinalização ocorre por 
meio do neurotransmissor GABA (ácido gama aminobutírico). O 
resultado dessa ação é a depressão do principal componente do 
SNC responsável pela ativação da consciência, o sistema reticular 
ativador ascendente. A exceção à regra é a cetamina, cujo efeito 
decorre de uma ação antagonista em receptores NMDA, da via de 
sinalização do neurotransmissor glutamato. O efeito da cetamina é 
produzir um estado de hipnose caracterizado por dissociação dos 
sinais sensoriais e a interpretação cerebral.m
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2.2.2.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
PROPOFOL 
Droga muito utilizada em anestesia em função de sua curta 
latência e rápida distribuição tecidual, o que promove rápida reversão 
de seus efeitos. Devido a essas características farmacocinéticas, é 
frequentemente utilizado em infusão contínua, seja para sedação 
ou como um dos componentes da anestesia geral venosa total. 
Possui ação hipnótica e causa amnésia, porém praticamente não 
possui efeito analgésico e seu uso é geralmente acompanhado da 
administração de um opioide. O metabolismo do propofol é pouco 
afetado pela disfunção hepática ou renal. 
O propofol apresenta como vantagens a promoção de um 
despertar suave, sensação de bem-estar e diminuição da incidência 
de náuseas e vômitos. Todos esses fatores contribuem para Fonte: Shutterstock.
uma rápida recuperação pós-anestésica. O principal efeito adverso é induzir hipotensão devido a sua ação vasodilatadora e depressora 
da contratilidade miocárdica e seu uso para pacientes que apresentam instabilidade hemodinâmica deve ser cauteloso e, por vezes, 
contraindicado. 
Os efeitos do propofol no SNC são caracterizados por diminuição da atividade neuronal e da taxa metabólica cerebral. De forma 
secundária, também ocorre queda do fluxo sanguíneo cerebral, visto que existe relação direta entre o metabolismo e a perfusão cerebrais. 
A queda do fluxo sanguíneo cerebral contribui para diminuição da pressão intracraniana. O somatório desses efeitos faz com que o propofol 
seja uma boa escolha para a manutenção da anestesia em procedimentos de neurocirurgia.
BENZODIAZEPÍNICOS
Em doses baixas, possuem ação ansiolítica e causam amnésia, motivos pelos quais são frequentemente utilizados como medicamentos 
pré-anestésicos para pacientes ansiosos. Podem causar depressão respiratória, especialmente se combinados com opioides. Seus efeitos 
cardiovasculares são menos pronunciados do que o propofol, mas ainda assim podem cursar com hipotensão quando doses mais altas são 
administradas. Os agentes mais frequentemente utilizados são o diazepam e o midazolam. Dependem da função hepática para metabolismo.
O flumazenil é um benzodiazepínico com ação antagonista e seu uso é indicado para reverter a sedação induzida por drogas dessa classe. 
O principal efeito colateral do flumazenil é a possibilidade de induzir convulsões em pacientes que fazem uso crônico de benzodiazepínicos.
BARBITÚRICOS
No passado, eram muito usados em anestesia, porém foram gradativamente sendo substituídos pelo propofol e o etomidato. São 
muito lipossolúveis e esse acúmulo na gordura pode fazer com que sua eliminação seja lenta, atrasando o despertar e causando efeitos 
adversos no pós-operatório, como náuseas e vômitos. O tiopental é um exemplo dessa classe de fármacos. O uso dessa droga é caracterizado 
por depressão da contratilidade miocárdica, vasodilatação, hipotensão arterial, liberação de histamina e diminuições na atividade, no 
metabolismo e no fluxo sanguíneo cerebrais.
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ETOMIDATO
Apresenta rápidos início e término de ação, sendo o agente hipnótico que oferece maior estabilidade hemodinâmica. Em função disso, 
é frequentemente escolhido como agente hipnótico em situações de urgência e na indução de pacientes com instabilidade hemodinâmica. 
Seu efeito adverso mais relevante é a supressão da produção de cortisol pela glândula adrenal. Pode induzir o aparecimento de mioclonias.
CETAMINA 
Possui rápido início de efeitos e, diferentemente dos outros hipnóticos, apresenta ação analgésica potente. Sua administração causa 
liberação de catecolaminas, produzindo aumentos da frequência cardíaca, da pressão arterial e da resistência vascular periférica. A ventilação 
é pouco afetada pela cetamina, que inclusive causa broncodilatação, tornando seu uso interessante em pacientes asmáticos. Nas provas, a 
cetamina também pode aparecer com as grafias: quetamina ou ketamina.
Ao contrário dos outros hipnóticos, causa aumento do metabolismo do SNC, do fluxo sanguíneo cerebral e da pressão intracraniana. 
Dessa forma, seu uso não é recomendado em situações de aumento da pressão intracraniana (p. ex.: trauma cranioencefálico) e risco 
aumentado de sangramento intracraniano (p. ex.: aneurisma cerebral).
Uma complicação frequente da cetamina é a indução de sonhos vívidos, alucinações e agitação no despertar (principalmente em 
crianças). Esses efeitos podem ser mitigados pela administração de benzodiazepínicos ou propofol.
Os efeitos sistêmicos dos agentes hipnóticos estão resumidos na tabela a seguir:
Propofol Etomidato Cetamina Midazolam Tiopental
Frequênciacardíaca
SE ou  SE  SE 
Contratilidade 
miocárdica
 SE  SE 
Pressão arterial  SE ou   SE ou  
Ventilação   SE  
Metabolismo 
cerebral
    
Fluxo sanguíneo 
cerebral
    
Pressão 
intracraniana
   SE ou  SE 
Náuseas e 
vômitos
  SE  
Tabela 2.4 – Efeitos sistêmicos dos anestésicos venosos. SE - Sem efeito.
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“Professor! É muita coisa! O que é mais importante???” 
Estrategista, geralmente o que é mais cobrado é o uso dos agentes venosos na indução para intubação em sequência 
rápida. Vamos revisar esse procedimento e depois praticar com algumas questões. No final do capítulo, preparei uma 
tabela resumo com os pontos mais importantes. Bora lá!
INDUÇÃO EM SEQUÊNCIA RÁPIDA
 A intubação de pacientes com estômago cheio está associada a risco aumentado de regurgitação e aspiração 
do conteúdo gástrico. Apesar de ser uma complicação rara, pode evoluir com pneumonite química grave e insuficiência 
respiratória (síndrome de Mendelson).
 Na tentativa de prevenir a aspiração do conteúdo gástrico, a intubação orotraqueal deve ser realizada por 
meio da técnica de intubação em sequência rápida. A técnica consiste na administração de medicamentos capazes de 
oferecer ótimas condições de intubação no menor tempo possível. Adicionalmente, o paciente é colocado em cefaloaclive 
e, geralmente, é feita pressão na cartilagem cricóide (manobra de Sellick).
 As drogas selecionadas para possibilitar a intubação são geralmente um hipnótico, um opioide e um bloqueador 
neuromuscular. Entre os agentes hipnóticos, podem ser usados o propofol, o midazolam, a cetamina e o etomidato. Entre 
os opioides, o mais frequentemente usado é o fentanil. O bloqueador neuromuscular de escolha é a succinilcolina que, na 
presença de alguma contraindicação para seu uso, pode ser substituída por rocurônio.
CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS - 2019) Paciente de 63 anos, com 65 kg, foi trazido à emergência com ferimento 
por arma de fogo no abdome. Foi indicada a laparotomia exploradora. Os sinais vitais revelaram pressão arterial de 80 x 46 mmHg e frequência 
cardíaca de 142 bpm. O agente de indução anestésica mais indicado é:
A) Propofol.
B) Tiopental.
C) Etomidato.
D) Lorazepam.
E) Dexmedetomidina. 
COMENTÁRIO
Como vimos, o objetivo da indução em sequência rápida é diminuir o risco de broncoaspiração de conteúdo gástrico. Outra preocupação 
em uma indução de emergência é manter a estabilidade hemodinâmica, especialmente nos casos em que o paciente já se apresenta hipotenso 
(como o paciente do enunciado). Assim, a questão está perguntando qual, entre as drogas, é capaz de causar hipnose com o mínimo de 
efeitos negativos sobre a hemodinâmica.
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Vejamos as alternativas:
Incorreta a alternativa A. O propofol oferece hipnose profunda e rápida, porém também causa vasodilatação, diminuição da contratilidade 
miocárdica e hipotensão. Sendo assim, seu uso é contraindicado nesse paciente.
Incorreta a alternativa B. Assim como o propofol, o uso do barbitúrico tiopental resulta em vasodilatação, diminuição da contratilidade 
miocárdica e hipotensão. Ele não deve ser usado em pacientes hipotensos.
Correta a alternativa C.
O etomidato é o hipnótico de escolha para indução de pacientes com comprometimento hemodinâmico, 
pois sua administração praticamente não influencia na função cardiovascular.
Incorreta a alternativa D. O lorazepam é um benzodiazepínico de longa duração que normalmente não é utilizado para indução de hipnose.
Incorreta a alternativa E. A dexmedetomidina é um antagonista do receptor alfa-2-adrenérgico. Possui efeito sedativo e analgésico, porém 
não promove perda completa da consciência e não é considerado um hipnótico. Pode causar bradicardia e hipotensão.
(FACULDADE DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - FAMERP - 2019) Paciente de 68 anos, gênero masculino, admitido em unidade 
de emergência por dispneia intensa iniciada há 2 horas. Ao exame físico evidenciam-se sibilos difusos na ausculta pulmonar, FC = 120 bpm; 
PA = 100 x 60 mmHg, FR = 36 irpm. Segundo esposa ele foi diagnosticado com DPOC há 1 ano, mas não tem feito uso de suas medicações 
regularmente. Após realização de 3 inalações com formoterol associado à brometo de ipatrópio paciente evolui em insuficiência respiratória 
e foi indicada intubação orotraqueal. Levando-se em conta as condições clínicas do paciente, qual das opções abaixo seria mais indicada como 
sedativo a ser utilizado antes de proceder a IOT?
A) Midazolam.
B) Etomidato.
C) Fentanil.
D) Quetamina. 
COMENTÁRIO:
O enunciado apresenta um paciente com insuficiência respiratória devido à DPOC e questiona qual é a droga mais indicada para 
sedação antes da intubação.
Vejamos as opções:
Incorreta a alternativa A. O midazolam causa hipotensão arterial e depressão respiratória e não tem efeito sobre a reatividade das vias 
aéreas. Entre as drogas apresentadas, não é a melhor escolha como sedativo para o paciente apresentado.
Incorreta a alternativa B. O etomidato poderia ser indicado como hipnótico caso o paciente apresentasse maior grau de instabilidade 
hemodinâmica. Adicionalmente, o etomidato não tem efeito sobre as vias aéreas.
Incorreta a alternativa C. O fentanil resulta em depressão ventilatória e não tem efeito considerável nas vias aéreas.
Correta a alternativa D. 
A cetamina (ou quetamina), devido a seu efeito broncodilatador, pode ser utilizada como sedativo e 
hipnótico em pacientes com aumento da reatividade das vias aéreas, como pacientes com asma e DPOC.
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(FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS - FMP - 2019) Paciente de 42 anos, sem comorbidades prévias conhecidas, é admitida na sala 
vermelha do pronto atendimento de urgência com quadro de disúria, polaciúria e desconforto hipogástrico há 7 dias, tendo evoluído com dor 
lombar, febre alta, náuseas e vômitos há 48 horas. No momento apresenta-se torporosa, PA 84 x 52 mmHg, FC 106 bpm, SpO2 74% com O2 
suplementar sob máscara com reservatório. Seu preceptor opta pela sequência rápida de intubação e escolhe o melhor fármaco dentre as 
opções disponíveis abaixo para a sedação. Qual foi o escolhido?
A) Quetamina.
B) Midazolam.
C) Propofol.
D) Dexmedetomidina. 
COMENTÁRIO:
Estrategista, o enunciado descreve uma paciente sem comorbidades prévias apresentando quadro sugestivo de choque séptico. O que 
chama a atenção é a instabilidade hemodinâmica que a paciente apresenta.
Correta a alternativa A. A cetamina (ou quetamina) seria o agente hipnótico de escolha nesse caso, pois provoca liberação de 
catecolaminas resultando em menor comprometimento da função cardiovascular.
Incorreta a alternativa B. O midazolam poderia resultar em hipotensão e piora do estado da paciente.
Incorreta a alternativa C. Assim como o midazolam, o propofol poderia piorar a hemodinâmica da paciente e não deveria ser utilizado.
Incorreta a alternativa D. A dexmedetomidina causa diminuição do tônus simpático, podendo resultar em bradicardia e hipotensão. 
Sendo assim, seu uso também não seria adequado para a paciente do enunciado.
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CIRURGIA Princípios de anestesiologiaProf. Mauricio Daher | Curso Extensivo | Maio 2022 41
Agentes Vantagens Efeitos adversos Quando usar Quando evitar
Propofol
Broncodilatação
Antiemético
Diminuição da PIC
Queda do débito 
cardíaco
Hipotensão
Asmáticos
Risco de náuseas e 
vômitos elevado
Neurocirurgia
Instabilidade 
hemodinâmica
Cetamina
Broncodilatação
Ativação simpática
Analgesia
Aumento do 
consumo de O2 no 
miocárdio
Elevação da PIC
Alucinações
Asmáticos
Instabilidade 
hemodinâmica
TCE/neurocirurgia
Psiquiátricos
Síndromes 
coronarianas
Etomidato
Estabilidade 
hemodinâmica
Supressão de cortisol
Instabilidade 
hemodinâmica
Insuficiência adrenal
Fentanil
Analgesia
Supressão de 
reflexos autonômicos
Bradicardia (doses 
altas)
Rigidez torácica
Frequentemente 
usado na indução em 
sequência rápida 
Bradicardia
Succinilcolina
Rápido e profundo 
bloqueio 
neuromuscular
Elevação do K+
Hipertermia maligna 
(raro)
Agente de escolha 
na indução em 
sequência rápida
Hipercalemia
Queimados
Acamados
Rocurônio
Adequado bloqueio 
neuromuscular
Reação alérgica 
(raro)
Presença de 
contraindicação para 
succinilcolina
Histórico de alergia a 
rocurônio
Tabela 2.5 – Resumo das drogas usadas no procedimento de intubação.m
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CAPÍTULO
3.0 BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES 
O relaxamento da musculatura esquelética durante a anestesia facilita muito o procedimento de intubação orotraqueal, além de 
possibilitar o adequado manejo e exposição cirúrgica. A administração de drogas com ação bloqueadora da junção neuromuscular é capaz 
de produzir esses efeitos.
Para melhor entendermos os tipos e as ações dos bloqueadores neuromusculares (BNM), vamos relembrar alguns conceitos da 
transmissão do sinal que resulta na contração muscular (figura 3.1). 
Figura 3.1 – Mecanismo da junção neuromuscular (descrição no texto).
O sinal neurológico que comanda a contração muscular é 
transmitido por neurônios motores que conduzem o potencial 
de ação até suas terminações nos músculos. A região de interface 
entre o neurônio e o miócito é chamada junção neuromuscular, 
uma estrutura especializada na transdução do sinal para o músculo.
Quando o potencial de ação chega à terminação neuronal, 
ocorre liberação de acetilcolina pelo neurônio que, então, se liga 
a seu receptor específico na membrana muscular. O receptor 
de acetilcolina age como um canal iônico que, quando ativado, 
se abre, permitindo o influxo de Na+ e efluxo de K+ nas células 
musculares. O resultado é a despolarização da membrana do 
miócito e subsequentes aumento da concentração intracelular de 
cálcio, ativação do complexo actina-miosina e contração muscular. 
Por fim, a ativação do receptor é interrompida pela degradação 
da acetilcolina pela enzima acetilcolinesterase, que se encontra 
presente na fenda sináptica.
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O bloqueio farmacológico da junção neuromuscular pode ocorrer por meio de dois mecanismos:
• Bloqueio despolarizante. O fármaco apresenta ação bifásica caracterizada inicialmente por ligação ao receptor de acetilcolina 
e ativação de sua ação despolarizante. O resultado é a contração da célula muscular. Diferentemente da acetilcolina, no 
entanto, o fármaco não sofre degradação pela acetilcolinesterase e permanece ligado ao receptor, impedindo novas 
despolarizações. O resultado final é o relaxamento muscular. A succinilcolina é o único BNM em uso clínico que apresenta 
esse mecanismo de ação.
• Bloqueio adespolarizante. O fármaco compete com a acetilcolina pela ligação ao receptor, possuindo grande afinidade pelo 
mesmo. Sua ligação, entretanto, não gera ativação do receptor e a célula muscular permanece relaxada. O bloqueio durará 
enquanto a quantidade de fármaco presente na junção neuromuscular for capaz de inibir a ação da acetilcolina. Existem 
duas classes de fármacos que produzem esse tipo de bloqueio: os benzilisoquinoleínicos (atracúrio e cisatracúrio) e os 
aminoesteroides (pancurônio, vecurônio e rocurônio).
3.1 BLOQUEADOR DESPOLARIZANTE (SUCCINILCOLINA) 
A succinilcolina é o BNM que apresenta o início de efeito 
mais rápido, oferecendo condições ótimas de relaxamento 
muscular após 60 segundos de infusão. A reversão ocorre de 
forma espontânea, por ação de colinesterases plasmáticas, após 
aproximadamente 10 minutos. Por essas características, é a 
droga de escolha para a indução em sequência rápida, quando 
existe um risco aumentado de aspiração de conteúdo gástrico. 
Diferentemente dos bloqueadores adespolarizantes, não existem 
drogas capazes de reverter a ação da succinilcolina.
A administração de succinilcolina está associada a 
importantes efeitos adversos, como a hipercalemia e a hipertermia 
maligna. O risco de hipercalemia grave encontra-se aumentado 
em situações que levam a aumento da quantidade de receptores 
de acetilcolina na membrana da célula muscular, como ocorre 
em pacientes traumatizados, queimados e paraplégicos. Nesses 
casos, o uso da succinilcolina é contraindicado, assim como nos 
casos em que os pacientes apresentam história pessoal ou familiar 
de hipertermia maligna. Outros efeitos adversos que podem ser 
observados após administração de succinilcolina são: aumento da 
pressão intraocular, bradicardia e mialgia.
3.2 BLOQUEADORES ADESPOLARIZANTES 
ATRACÚRIO 
Possui início e duração de efeitos intermediários. Seu metabolismo ocorre no plasma de forma independente da função hepática ou 
renal. Sua administração resulta em liberação de histamina de forma dose dependente, podendo resultar em hipotensão, broncoespasmo e 
rash cutâneo. É contraindicado em pacientes com história de reações de hipersensibilidade.
CISATRACÚRIO
Corresponde a um isômero do atracúrio, possuindo propriedades farmacológicas semelhantes a esse. O cisatracúrio, entretanto, não 
produz liberação de histamina e pode ser administrado com segurança em pacientes que apresentam história de reações de hipersensibilidade.
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PANCURÔNIO
É o BNM em uso clínico com maior duração de efeito (acima de 60 minutos). A duração é ainda mais prolongada em pacientes que 
apresentam disfunção hepática ou renal. Possui efeito vagolítico, causando elevações da frequência cardíaca, da pressão arterial e do débito 
cardíaco.
VECURÔNIO 
É um BNM com duração intermediária. Sua administração não resulta em alterações do sistema cardiovascular, assim como não libera 
histamina. A duração dos efeitos do vecurônio encontra-se aumentada em pacientes com disfunção hepática.
ROCURÔNIO
Trata-se do BNM adespolarizante, que produz o mais rápido relaxamento muscular, possibilitando o uso na indução em sequência 
rápida como substituto da succinilcolina. Os efeitos cardiovasculares são mínimos e não resultam em liberação de histamina.
As principais propriedades farmacológicas dos BNM estão resumidas na tabela a seguir:
Dose de intubação 
(mg/kg)
Início do efeito 
(min)
Duração 
(min)
Eliminação
Bloqueador despolarizante
Succinilcolina 0,5 - 1 0,5 - 1 10 - 12 Enzimas plasmáticas
Bloqueadores adespolarizantes
Atracúrio 0,5 3 - 4 55 - 80 Degradação plasmática
Cisatracúrio 0,15 2 - 3 60 - 90 Degradação plasmática
Pancurônio 0,1 3 - 4 130 - 220
Renal (85%)
Hepática (15%)
Vecurônio 0,1 3 - 4 50 - 80
Renal (40 - 50%)
Hepática (50 - 60%)
Rocurônio 0,6 - 1,2 1 - 2 55 - 80
Renal (10 - 25%)
Hepática (> 70%)
Tabela 3.1 –Propriedades farmacológicas dos bloqueadores neuromusculares.
CAI NA PROVA
(FACULDADE DE MEDICINA DO ABC SP - 2020) Dentre os fármacos abaixo, assinale a alternativa que contenha um bloqueador neuromuscular 
despolarizante:
A) Pancurônio
B) Atracúrio
C) Succinilcolina
D) Neostigmina
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COMENTÁRIO
Depois do que você já leu neste capítulo, essa questão ficou muito fácil! Como vimos, o único BNM despolarizante em uso clínico é a 
succinilcolina. Entre as alternativas ainda temos dois bloqueadores adespolarizantes (pancurônio e atracúrio) e a neostigmina, que é usada 
para reverter a ação dos bloqueadores adespolarizantes, como descrito a seguir.
Correta a alternativa C. 
3.3 REVERSÃO DO BLOQUEIO ADESPOLARIZANTE
Quando um BNM adespolarizante é utilizado, é importante 
que a função neuromuscular seja restabelecida ao final da 
anestesia, sendo esse um dos preparativos para que o despertar 
e a recuperação transcorram sem intercorrências. A ocorrência 
de bloqueio neuromuscular residual está associada à piora da 
função respiratória, hipercarbia e hipóxia, o que pode trazer sérias 
consequências para o paciente.
Uma vez identificado bloqueio neuromuscular residual 
ao final da anestesia (por avaliação clínica ou pelo uso de um 
estimulador de nervo periférico), são administradas drogas para a 
reversão dos efeitos dos BNM. A reversão pode ser feita por meio 
de dois mecanismos: pelo aumento da quantidade de acetilcolina 
na junção neuromuscular ou pela captura do bloqueador 
neuromuscular, impedindo sua ação.
ANTICOLINESTERÁSICOS
Até há pouco tempo, o uso de drogas anticolinesterásicas 
era a única forma de reversão dos BNM disponível para uso clínico. 
A ação desses fármacos resulta em aumento da quantidade de 
acetilcolina nas junções neuromusculares, tanto por estimularem 
sua liberação na terminação neuronal quanto por inibirem a enzima 
responsável pela degradação da acetilcolina (acetilcolinesterase). 
A neostigmina é o agente mais frequentemente utilizado, sendo 
o edrofônio e a piridoestigmina outros membros dessa classe 
farmacológica.
Além de sua ação na junção neuromuscular, os 
anticolinesterásicos exacerbam a ação da acetilcolina de forma 
sistêmica, inclusive nos receptores de acetilcolina muscarínicos (os 
receptores dos músculos são do tipo nicotínico) encontrados em 
órgão-alvo do sistema nervoso parassimpático. Assim, para que 
não ocorram broncoconstrição e bradicardias importantes (além 
de outros efeitos parassimpáticos), é importante a administração 
conjunta de um antagonista muscarínico. A atropina é geralmente 
utilizada para esse fim.
SUGAMMADEX
O sugammadex é uma droga recentemente desenvolvida, que age se ligando e rapidamente inativando os BNM do grupo de 
aminoesteroides. Apresenta afinidade particularmente elevada com o rocurônio. Não desencadeia efeitos sistêmicos indesejados, como 
ocorre com os anticolinesterásicos, e a principal complicação é o aparecimento de reações alérgicas, que são de rara ocorrência. A principal 
restrição para seu uso é o custo elevado.
Estrategista, assim como no assunto de anestésicos venosos, trouxe uma questão para treinarmos o uso de drogas na 
indução para intubação em sequência rápida. Esse é um assunto que você precisa dominar!
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CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP - 2021) O bloqueador neuromuscular indicado para intubação em sequência rápida 
em paciente com estômago cheio é:
A) Succinilcolina.
B) Vecurônio.
C) Pancurônio.
D) Atracúrio.
COMENTÁRIO:
Correta a alternativa A. A succinilcolina é o BNM que oferece condições de intubação mais rapidamente, produzindo relaxamento 
muscular em 0,5 a 1 minuto. É o BNM de escolha em intubações em sequência rápida, sendo o rocurônio 
a segunda escolha. A dose geralmente usada é de 1 mg/kg.
Incorreta a alternativa B. O início de ação do vecurônio ocorre em torno de 3 a 4 minutos, não sendo adequado para intubação de 
sequência rápida. 
Incorreta a alternativa C. O pancurônio não é um agente adequado para indução em sequência rápida, pois oferece condições de intubação 
apenas 3 a 4 minutos após sua administração (longa latência).
Incorreta a alternativa D. O atracúrio possui início e duração de efeitos intermediários, também não sendo indicado para intubação em 
sequência rápida.
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CAPÍTULO
4.0 ANESTÉSICOS LOCAIS 
Os anestésicos locais (AL) são fármacos cuja ação interrompe temporariamente a transmissão neuronal, causando perda de 
sensibilidade na região inervada pelos nervos bloqueados. Do ponto de vista químico, os AL são constituídos por um anel aromático, uma 
cadeia intermediária e um grupo amina. Os AL podem ser classificados em dois grupos, baseado na composição da cadeia intermediária – 
grupo amida ou grupo éster.
Figura 4.1 – Estrutura genérica de anestésicos locais.
GRUPO AMIDA 
São os AL mais utilizados na prática clínica. O metabolismo desses fármacos é hepático, por meio de enzimas do complexo do 
citocromo p450. A eliminação dos metabólitos ocorre pela via renal. Em função do metabolismo depender do fígado, situações associadas ao 
comprometimento da função ou da perfusão hepática – como choque, cirrose e insuficiência cardíaca – resultarão em maior risco de acúmulo 
e toxicidade do AL. Entre os membros do grupo amida figuram: a lidocaína, a prilocaína, a bupivacaína e a ropivacaína.
GRUPO ÉSTER
Os AL ésteres são compostos menos estáveis (em comparação aos AL amidas), sendo prontamente hidrolisados por esterases 
plasmáticas. Entre os metabólitos produzidos pela degradação de AL ésteres inclui-se o ácido para-aminobenzoico (PABA), um composto 
com importante potencial alergênico. Entre os membros desse grupo figuram: a cocaína, a procaína e a tetracaína.
Caro(a) Estrategista, caso apareça alguma questão que compara os dois grupos de anestésicos locais 
(amidas e ésteres), provavelmente aparecerá algo relacionado ao risco de alergias. Nesse caso, 
lembre-se de que o risco de alergia é aumentado em AL do grupo éster!
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4.1 MECANISMO DE AÇÃO
Os AL causam uma inibição reversível da condução do potencial de ação, ligando-se ao canal de Na+ e diminuindo a permeabilidade 
da membrana nervosa ao sódio. Inicialmente, o anestésico atravessa a membrana em sua forma não polar lipofílica. Em seguida, a 
molécula do AL conjuga-se a um próton, sendo convertida na forma polar hidrofílica. Essa forma do AL se liga ao canal de sódio em sua porção 
intracelular, prolongando o estado de inativação do canal de sódio (figura 4.2).
Figura 4.2 – Mecanismo de ação dos anestésicos locais. (A) O AL bloqueia a geração e a condução dos potenciais de ação nos neurônios periféricos. (B) Local de ação dos 
AL na porção intracelular do canal. (C) A forma não ionizada do anestésico local (R-NH2) penetra na membrana e é, então, convertido para a forma ionizada (R-NH3+). A 
forma ionizada liga-se ao canal de sódio no estado aberto, prolongando o estado de inativação do canal de sódio.
A potência dos AL é determinada principalmente pela 
lipossolubilidade da estrutura do fármaco, uma vez que, para exercerseus efeitos, é necessário que o AL atravesse a membrana lipídica 
da célula nervosa. Os compostos mais lipossolúveis penetram mais 
facilmente a membrana celular e menores quantidades da droga 
são capazes de produzir o efeito.
De forma semelhante, os AL que possuem maior fração não 
ionizada em pH fisiológico também atravessarão mais facilmente 
a membrana. Essa característica explica o menor tempo de latência 
da lidocaína, quando comparada à bupivacaína (vide quadro a 
seguir).
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PKA E AÇÃO DOS ANESTÉSICOS LOCAIS
Os anestésicos locais são bases fracas e podem apresentar-se nas formas ionizada e não 
ionizada. O pKa dos AL determina a proporção de formas ionizadas e não ionizadas 
que são encontradas em um determinado pH. Como cada droga possui um pKa 
diferente, a proporção das formas iônicas de diferentes drogas também será diferente. 
Essa característica dos AL influencia diretamente a velocidade de instalação dos efeitos 
(latência) de cada droga da seguinte forma:
 pKa   Concentração de formas não ionizadas   Permeabilidade na membrana
  Tempo para ínicio dos efeitos
A dependência das formas não ionizadas para o efeito 
dos AL torna-se particularmente evidente quando avaliamos o 
comportamento desses fármacos em meios ácidos. Como possuem 
propriedades de compostos básicos, os AL apresentam elevada 
ionização quando depositados em meios ácidos. Esse é o motivo 
pelo qual os bloqueios anestésicos geralmente não são eficazes 
quando feitos próximos a abcessos ou outras coleções purulentas.
O diâmetro e a mielinização da fibra nervosa também 
influenciam a ação dos AL. Fibras mielinizadas de menor diâmetro 
e fibras não mielinizadas são as mais facilmente bloqueadas. 
Assim, as fibras amielínicas do tipo C e as levemente mielinizadas 
do tipo A-delta, ambas responsáveis pela transmissão de estímulos 
dolorosos, são mais facilmente anestesiadas quando comparadas 
às fibras de tato (tipo A-beta) ou às motoras (tipo A-alfa), ambas 
mielinizadas. Os nervos autonômicos e sensoriais também são 
bloqueados com maior facilidade do que os nervos de tato ou 
motores (tabela 4.1).
Fibras A-alfa A-beta A-gama A-delta B C
Mielina Sim Sim Sim Sim Sim Não
Diâmetro 
(µm)
12 - 20 5 - 12 3 - 6 2 - 5 < 3 0,4 - 1,2
Velocidade 
(m/seg)
70 - 120 30 - 70 15 - 30 12 - 30 3 - 15 0,5 - 2
Modalidade
neurológica
Função 
motora
Tato 
discriminativo
Reflexos 
motores
Dor aguda e 
temperatura
Fibras 
autonômicas
Dor profunda
Tabela 4.1 – Propriedades das diferentes fibras nervosas.
O bloqueio das fibras nervosas ocorre gradualmente, iniciando com a perda de sensibilidade à dor; em seguida, à temperatura, ao 
toque, à propriocepção e, finalmente, com a perda do tônus muscular. A recuperação ocorre na ordem inversa.
A duração do bloqueio anestésico apresenta relação direta com a solubilidade lipídica e com o grau de ligação proteica do AL. Esse 
efeito ocorre devido aos AL mais lipossolúveis e que mais se ligam a proteínas, difundindo-se mais lentamente para a corrente sanguínea. 
Adicionalmente, a duração também é influenciada pela vascularização do tecido em que o AL é injetado, sendo que em tecidos mais 
vascularizados a duração é menor.
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ATENÇÃO, PORQUE CAI NA PROVA!
É importante que você se lembre da sequência de bloqueio pelos AL:
Sensação dolorosa  Sensação térmica  Sensação de toque  Fibras motoras
Criei um mnemônico para ajudá-lo(a): Não DOrme (dor) e TEnha (temperatura) TOda (toque) a 
MOtivação (motor)
CAI NA PROVA
(INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL - IAMSPE - 2020) A sequência de bloqueio das fibras nervosas, pelo 
anestésico local, é:
A) Frio - calor - dor - motor - tato.
B) Calor - frio - dor - tato - motor.
C) Dor - calor - frio - motor - tato.
D) Dor - frio - calor - tato - motor.
E) Dor - tato - frio - calor - motor.
COMENTÁRIO
Baseado no que vimos anteriormente, podemos ver que a alternativa que apresenta a sequência correta é a D.
Correta a alternativa D. 
4.2 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
Os anestésicos locais mais utilizados na prática da anestesia atualmente são: lidocaína, bupivacaína e ropivacaína. Na tabela 4.2 a seguir 
estão listadas algumas características importantes desses fármacos.
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Anestésico 
local
pKa
Aplicação 
clínica
Latência
Ligação 
proteica (%)
Duração (h) Dose tóxica
Lidocaína 7.9
Bloq. Perif.
Raqui.
Peridural
Rápida
Rápida
Rápida
65
1 – 3
0,5 – 1
1 – 2
4,5 mg/kg
7 mg/kg (c/epi)
Bupivacaína 8.1
Bloq. Perif.
Raqui.
Peridural
Lenta
Rápida
Moderada
95
4 – 12
1 – 4
2 – 5
2,5 mg/kg
3 mg/kg (c/epi)
Ropivacaína 8.1
Bloq. Perif.
Peridural
Lenta
Moderada
90 - 95
5 – 8
2 – 6
3 mg/kg
Tabela 4.2 – Características farmacológicas de anestésicos locais.
DROGAS COADJUVANTES
Diferentes drogas podem ser usadas como coadjuvantes de 
AL com o objetivo de modificar alguma característica do bloqueio 
anestésico, como a duração do bloqueio ou a velocidade de início 
dos efeitos.
A droga mais frequentemente associada aos AL é a adrenalina 
e seu efeito é causar vasoconstrição dos vasos que circundam a 
região em que o AL foi administrado. O resultado é a diminuição da 
absorção sistêmica do AL, que então permanecerá mais tempo no 
local onde foi injetado e a duração do bloqueio será aumentada. 
Por diminuir a absorção sistêmica e a concentração plasmática dos 
AL, a adrenalina também diminui o risco de toxicidade e permite 
que doses mais elevadas de AL sejam utilizadas. Apesar dessas 
vantagens, a adrenalina não deve ser utilizada em circulações 
terminais, como em bloqueios de dedos ou de pênis, pelo risco de 
induzir isquemia tecidual.
O bicarbonato de sódio também pode ser associado aos 
AL e promove alcalinização da solução do AL. Uma vez que os AL 
são compostos básicos, a elevação do pH resulta em aumento da 
proporção de formas não ionizadas da molécula do AL, que é a 
forma que consegue atravessar a membrana neuronal para inativar 
o canal de Na+. O resultado é o aumento na velocidade de início do 
bloqueio anestésico (diminuição da latência).
Os opioides e a clonidina também são usados como 
adjuvantes dos AL, principalmente em bloqueios de neuroeixo. 
Os efeitos dessas drogas são aumentar a duração do bloqueio 
anestésico, tornar o bloqueio mais profundo com menor dose de 
AL e promover analgesia residual após reversão do bloqueio.
A tabela 4.3 a seguir resume as características das drogas 
coadjuvantes de AL:
Droga adjuvante Efeitos sobre o AL Observações
Epinefrina
 absorção e toxicidade,  duração 
e qualidade do bloqueio
Associação muito frequente
Bicarbonato de sódio
 fração não ionizada de AL, 
 latência
Alcaliniza a solução de AL
Opioides  duração e qualidade do bloqueio Promove analgesia após o bloqueio
Clonidina  duração e qualidade do bloqueio Promove analgesia após o bloqueio
Tabela 4.3 – Características de drogas adjuvantes dos anestésicos locais.
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4.3 TOXICIDADE
A toxicidade dos AL ocorre pelo aumento da concentração plasmática da droga, que então agirá em territórios indesejados, bloqueandocanais de sódio e prejudicando a transmissão de potenciais de ação. Esses efeitos adversos terão maiores repercussões clínicas no sistema 
nervoso central e no sistema cardiovascular, como descrito a seguir.
A ação dos anestésicos locais sobre os canais de sódio depende da fração livre da droga. Dessa forma, a presença de condições que 
diminuam a ligação dos AL às proteínas plasmáticas predispõe ao surgimento dos efeitos tóxicos. A hipóxia, a hipercarbia e a acidemia 
aumentam a toxicidade dos AL por esse mecanismo.
SISTEMA NERVOSO CENTRAL 
Os AL ultrapassam facilmente a barreira hematoencefálica e os sintomas neurológicos centrais são precoces na intoxicação. Os 
primeiros que surgem são discretas alterações sensoriais. Em seguida, surgem sintomas excitatórios (convulsões) devido ao bloqueio de 
vias inibitórias do SNC. Por fim, surgem os sintomas depressores, que podem levar o paciente a um estado de coma.
SISTEMA CARDIOVASCULAR
Inicialmente, pode ocorrer elevação transitória da frequência cardíaca e da pressão arterial em função dos efeitos excitatórios do SNC. 
Posteriormente, ocorre depressão miocárdica dose dependente, hipotensão e arritmias que podem progredir para colapso cardiovascular e 
parada cardíaca.
Estrategista, um assunto bastante cobrado nas provas são os anestésicos locais, especialmente quanto à toxicidade 
relacionada a seu uso. Estude com atenção a figura a seguir e vamos praticar um pouco com algumas questões.
Figura 4.3 – Sintomas observados na toxicidade cardiovascular e neurológica dos AL.
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CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO - UNIFESP - 2019) Paciente com 70 kg está sendo submetido a drenagem de abscesso no cotovelo, 
sob anestesia local com lidocaína a 1% com vasoconstritor. Após usar 20 ml da solução, o paciente continua apresentando sensibilidade 
dolorosa na região. Qual das alternativas explicaria o quadro?
A) O vasoconstritor não deveria ser usado nesse tipo de situação.
B) A sensibilidade dolorosa persistente constitui sinal precoce de toxicidade.
C) O anestésico local continua em sua forma solúvel (ionizada).
D) A bupivacaína a 0,25% com vasoconstritor deveria ter sido usada no lugar da lidocaína.
E) A dose de anestésico utilizada foi insuficiente.
COMENTÁRIO:
Essa questão ilustra a importância da compreensão dos mecanismos de ação dos anestésicos locais e como suas características químicas 
influenciam seus efeitos.
Vamos às alternativas:
Incorreta a alternativa A. O uso de vasoconstritores como adjuntos dos AL em bloqueios não é recomendado em circulações terminais, 
como em extremidades, pelo risco de isquemia. A administração de vasoconstritores no cotovelo não é contraindicada.
Incorreta a alternativa B. Alterações sensoriais (gosto metálico, parestesia perioral) são sinais precoces de toxicidade por AL. A persistência 
da sensação dolorosa não é um sinal de toxicidade. 
Correta a alternativa C.
Para que os AL produzam seu efeito, é preciso que atravessem a membrana lipídica da célula neuronal. 
Dessa forma, quanto mais lipofílico e menos ionizado for o AL, mais facilmente ele exercerá seus efeitos. 
Os AL são bases fracas que se ionizam em ambientes ácidos, como é caso das coleções encontradas dentro de abscessos. Assim, quando 
AL são administrados em abcessos, terão efeito reduzido, pois estarão mais ionizados e terão maior dificuldade de atravessar a membrana 
neuronal.
Incorreta a alternativa D. O pH do abcesso causaria o mesmo efeito de diminuição de efetividade do bloqueio, caso a lidocaína fosse 
substituída por bupivacaína.
Incorreta a alternativa E. O motivo da falha do bloqueio não foi a dose insuficiente, mas a administração de AL em meio ácido. Apesar 
disso, mais anestésico ainda poderia ser administrado, pois a dose tóxica da lidocaína com epinefrina para esse paciente é de 490 mg (7 
mg/kg) e foram administrados apenas 200 mg (20 mL de solução a 1%). 
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(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - UFS - 2019) A toxicidade ao sistema nervoso central pela administração de anestésicos locais é:
A) Reduzida devido à diminuição da ligação dessas drogas às proteínas plasmáticas.
B) Relacionada a efeitos excitatórios resultantes, frequentemente, das baixas concentrações plasmáticas dessas drogas.
C) Caracterizada por efeitos excitatórios se as drogas forem lipofílicas e estiverem em altas concentrações plasmáticas.
D) Manifestada, por exemplo, por convulsão, sendo que o limiar convulsivo pode ser aumentado pela administração de benzodiazepínicos.
COMENTÁRIO:
Incorreta a alternativa A. Condições que causam diminuição da ligação proteica dos AL (hipóxia, hipercarbia e acidemia) causam aumento 
do risco de toxicidade.
Incorreta a alternativa B. O risco de toxicidade é aumentado em função de elevadas concentrações plasmáticas da droga e não baixas 
concentrações.
Incorreta a alternativa C. Não existe relação entre o surgimento de sintomas excitatórios (convulsões) e a lipossolubilidade da droga.
Correta a alternativa D. 
A convulsão é considerada um sintoma excitatório da toxicidade dos AL e ocorre devido à inibição de 
circuitos inibitórios do SNC. Os benzodiazepínicos aumentam o limiar convulsivo e podem ser usados no 
tratamento das convulsões devido à toxicidade por AL.
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CAPÍTULO
5.0 ANESTESIA DO NEUROEIXO 
Os bloqueios do neuroeixo são técnicas muito praticadas e, apesar de não possuírem indicações absolutas, podem ser a melhor 
abordagem anestésica em certas situações. Os dois tipos de bloqueios de neuroeixo realizados são o bloqueio subaracnóideo, comumente 
chamado de raquianestesia, e o bloqueio peridural. Apesar das similaridades entre essas duas técnicas, cada uma apresenta características 
próprias, por isso possuem indicações específicas.
5.1 RAQUIANESTESIA
A raquianestesia consiste na deposição de anestésico local 
entre a aracnoide e a pia-máter, no espaço meníngeo preenchido 
por líquido cefalorraquidiano (liquor) – o espaço subaracnóideo. 
Dessa forma, observamos que, na raquianestesia, a injeção do 
fármaco ocorre diretamente dentro do sistema nervoso central.
Figura 5.1 – Representação das meninges. Na raquianestesia, a agulha atravessa 
a dura-máter e a aracnoide (perceba que são fundidas) e o anestésico é 
depositado no espaço preenchido por liquor, entre a aracnoide e a pia-máter 
(espaço subaracnóideo). Nesse espaço também se encontram vasos e trabéculas 
aracnóideas (trama em azul).
Levando isso em consideração, o local em que a punção do 
espaço subaracnóideo geralmente é realizada é a coluna lombar, 
nos espaços intervertebrais de L
3
-L4 ou L4-L5
. Nessa região, a medula 
espinhal já terminou na cauda equina e, consequentemente, o 
risco de lesão nervosa direta pela agulha é menor. Também é 
interessante notar que os calibres das agulhas de raquianestesia 
atualmente utilizados são bastante finos.
A técnica de execução da raquianestesia consiste em:
• Posicionamento adequado do paciente. O paciente 
deve estar monitorizado e os materiais de emergência 
disponíveis. A punção pode ser feita tanto na posição 
sentada quanto em decúbito lateral. O paciente deve 
flexionar o tronco ao máximo para abrir os espaços 
intervertebrais.
• Preparo dos materiais e medicamentos. As seringas e agulhas são escolhidas e os fármacos aspirados. Como ocorrerá 
manipulaçãodo SNC, é fundamental que o procedimento seja feito com técnica asséptica.
• Identificação do local da punção. Os espaços intervertebrais L
3
-L4 e L4-L5 
são identificados por achados anatômicos e palpação.
• Punção subaracnóidea e administração do anestésico. A agulha de raquianestesia é progredida até transfixar a aracnoide, 
sendo a correta localização identificada pela drenagem de liquor através da agulha. O procedimento acaba com a administração 
do anestésico (figura 5.1).
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Figura 5.2 – Representação da punção do espaço subaracnóideo.
ATENÇÃO, PORQUE CAI NA PROVA!
É importante que você se lembre da sequência de planos que a agulha atravessa:
Pele  Subcutâneo  Ligamento supraespinhoso  Ligamento interespinhoso  Ligamento amarelo 
 Espaço peridural  Dura-máter e aracnoide  Espaço subaracnoide
Vamos praticar com uma questão!
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CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - UFG - 2016) Na punção para realização de raquianestesia, a agulha utilizada:
A) Deve restringir a perfuração até a pia-máter.
B) Deve limitar-se a perfurar o ligamento interespinhoso.
C) Deve atravessar os ligamentos amarelo e supraespinhoso.
D) Pode deixar de perfurar a dura-máter.
COMENTÁRIO:
Essa questão avalia o conhecimento sobre os planos que a agulha de raquianestesia perfura até atingir o ponto correto da injeção do 
anestésico local.
Vamos avaliar as alternativas:
Incorreta a alternativa A. Como vimos, a agulha deve avançar até perfurar a aracnoide e o anestésico deve ser injetado no espaço 
subaracnóideo. No caso de a agulha perfurar a pia-máter, ocorrerá traumatismo de estruturas nervosas, pois essa meninge recobre 
diretamente o sistema nervoso.
Incorreta a alternativa B. Após atravessar o ligamento interespinhoso, a agulha estará no ligamento amarelo.
Correta a alternativa C. Essas estruturas são atravessadas pela agulha no trajeto para realização da raquianestesia.
Incorreta a alternativa D. A agulha precisa atravessar a dura-máter para chegar ao espaço subaracnóideo. 
Após a administração do anestésico, o bloqueio da 
transmissão neuronal começa a instalar-se rapidamente, afetando 
a inervação de todas as regiões do corpo abaixo do local em que o 
anestésico foi depositado.
A duração da raquianestesia é determinada pelo tipo e pela 
dose do AL que foi utilizado, assim como pela adição de drogas 
adjuvantes. Apesar de muitos anestésicos já terem sido descritos 
para uso em raquianestesia, hoje em dia os bloqueios são feitos 
basicamente com a bupivacaína e, em menor grau, com a lidocaína.
As drogas adjuvantes mais frequentemente utilizadas na 
raquianestesia são o fentanil, o sufentanil, a morfina e a clonidina. 
Como descrito no capítulo de anestésicos locais, todas essas drogas 
farão com que o bloqueio seja mais profundo e duradouro para uma 
mesma quantidade de AL. Adicionalmente, esses agentes conferem 
efeito analgésico mesmo após reversão do bloqueio. Apesar das 
baixas doses utilizadas, ainda existe risco de depressão respiratória 
quando opioides são usados na raquianestesia.
A raquianestesia fornece excelentes condições cirúrgicas 
para procedimentos abaixo do umbigo, sendo bastante utilizada em 
procedimentos urológicos, ginecológicos, vasculares e ortopédicos 
dos membros inferiores. No caso do parto cesariano, é considerada 
a técnica de escolha.
Uma óbvia vantagem da raquianestesia é evitar a manipulação 
das vias aéreas, uma característica bastante relevante nos casos em 
que o paciente possui doenças pulmonares ou risco de dificuldade 
de intubação. 
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5.2 PERIDURAL
Na anestesia peridural, o anestésico local é depositado 
no espaço peridural e entra em contato com as raízes nervosas 
quando estas saem da medula. O espaço peridural circunda a dura-
máter ao longo de todas as porções da coluna, sendo na verdade um 
espaço virtual, por estar preenchido de gordura e vasos sanguíneos.
As agulhas utilizadas para a punção peridural diferem de 
maneira importante das agulhas de raquianestesia. As agulhas de 
peridural possuem pontas menos cortantes, para evitar lacerações 
da dura-máter. São também mais calibrosas, permitindo a 
introdução de um cateter através de seu lúmen. 
O posicionamento de um cateter no espaço peridural 
permite a administração de múltiplas doses ou até mesmo de 
uma infusão contínua de anestésico. O cateter pode permanecer 
no espaço peridural por dias após a cirurgia, facilitando muito o 
controle da dor pós-operatória.
Outra grande vantagem da anestesia peridural é poder ser 
realizada na coluna torácica, fornecendo os benefícios da anestesia 
de neuroeixo para procedimentos realizados no tórax ou na região 
abdominal alta.
Entre os fármacos adjuvantes mais utilizados na anestesia 
peridural podemos citar a epinefrina, a morfina, o fentanil e 
a clonidina. A utilização de adjuvantes é feita com os mesmos 
objetivos daqueles descritos para a raquianestesia.
Calma, parceiro(a)! Para que você não confunda as características da raquianestesia e da peridural, preparei uma tabela 
com algumas diferenças entre as duas técnicas que mais provavelmente podem aparecer nas provas.
Características Raquianestesia Anestesia peridural
Tipo de agulha Fina Calibrosa
Latência Rápida Lenta
Volume de AL Pequeno (3 a 5 mL) Elevado (15 a 20 mL)
Intensidade do bloqueio Pronunciada Menos pronunciada
Uso de cateter Raro Frequente
Tabela 5.1 – Diferenças entre a raquianestesia e a anestesia peridural.
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Figura 5.3 – Comparação das técnicas de anestesia do neuroeixo.
5.3 EFEITOS FISIOLÓGICOS
A instalação do bloqueio de neuroeixo é acompanhada de uma série de efeitos nos sistemas fisiológicos do corpo. Essas mudanças 
surgem por efeito primário do bloqueio neuronal ou secundário, em função da resposta orgânica adaptativa. Devido às diferenças entre a 
raquianestesia e a anestesia peridural, também observamos que as respostam irão diferir em maior ou menor grau. Os principais sistemas 
afetados são:
• Sistema cardiovascular. A anestesia do neuroeixo produz bloqueio da inervação simpática dos segmentos anestesiados, 
resultando em vasodilatação, diminuição do retorno venoso, hipotensão e taquicardia reflexa. Esses efeitos são mais 
pronunciados na raquianestesia em relação à anestesia peridural. A realização da peridural torácica alta (acima de T5) resulta 
em bloqueio de fibras simpáticas que inervam o coração, levando à bradicardia, diminuição da força contrátil e queda do 
débito cardíaco.
• Sistema respiratório. A função respiratória é pouco afetada, mas bloqueios altos podem causar perda da contração da 
musculatura ventilatória acessória. Se opioides forem usados como adjuvantes, diminuição da frequência respiratória e 
depressão respiratória podem ser observadas.
• Função neuroendócrina. O trauma cirúrgico está associado à ativação de sinais inflamatórios e liberação de substâncias de 
estresse como catecolaminas e cortisol. A anestesia do neuroeixo é capaz de diminuir a resposta inflamatória associada ao 
trauma cirúrgico.
• Sistema urinário. A anestesia do neuroeixo, quando resulta em bloqueiode fibras sacrais, causa atonia vesical, um efeito que 
pode perdurar várias horas e pode resultar no aparecimento de bexigoma.
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Aqui, vale mencionar que é bastante frequente aparecerem questões com casos de bexigoma 
induzido por raquianestesia. Coloquei a seguir uma questão com esse tema para praticarmos.
CAI NA PROVA
(HOSPITAL DA AERONÁUTICA DE SÃO PAULO - HASP - 2019) Homem de 21 anos, previamente hígido, está no pós-operatório imediato de 
hernioplastia inguinal bilateral, com realização de anestesia peridural. Refere nos últimos 40 minutos dor crescente em hipogástrio, com leve 
aumento de volume local. Está ansioso e agitado. Pulso: 110 bpm, PA: 120/90 mmHg, FR= 19 irpm, oximetria de pulso (ar ambiente) 98% 
Palpa-se massa dolorosa em hipogástrio. Descompressão brusca encontra-se negativa. A ferida cirúrgica tem bom aspecto. Diante do exposto, 
a conduta é:
A) Passagem de sonda vesical.
B) Abertura e revisão da incisão.
C) Tomografia com contraste endovenoso.
D) Ultrassom de abdômen.
COMENTÁRIO:
Atenção, pois questões como essa aparecem com certa frequência! Geralmente, apresentam um caso cirúrgico realizado sob bloqueio 
de neuroeixo (raquianestesia ou peridural) e no pós-operatório o paciente evolui com uma massa dolorosa em hipogástrio, sem outros 
comemorativos importantes. 
Vamos às alternativas:
Correta a alternativa A. Uma complicação frequente de bloqueios do neuroeixo é a retenção urinária, frequentemente 
acompanhada de bexigoma. A probabilidade é ainda mais elevada quando opioides são usados como 
adjuvantes no bloqueio. A explicação é que o bloqueio anestésico causa disfunção da musculatura miccional e relaxamento da bexiga. 
Esses efeitos podem durar por horas, mesmo após regressão do bloqueio da musculatura dos membros inferiores. 
Os sinais e sintomas do bexigoma são sensação de volume e dor na região de hipogástrio, além de taquicardia e hipertensão por 
ativação simpática. Dessa forma, o diagnóstico do caso é um bexigoma e o tratamento é a sondagem vesical.
Incorreta a alternativa B. É importante notar que a ferida apresenta bom aspecto, contraindicando essa conduta.
Incorreta a alternativa C. A possibilidade de uma condição intra-abdominal para ser estudada com uma tomografia é bastante remota 
devido ao baixo grau de complexidade cirúrgica e pelo fato de o paciente não apresentar outras comorbidades significativas.
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Incorreta a alternativa D. Apesar de ser um exame não invasivo, o uso do ultrassom seria inútil nesse caso e poderia atrasar o tratamento 
da dor do paciente pela sondagem vesical.
5.4 COMPLICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES
As técnicas de anestesia do neuroeixo são seguras, porém o procedimento para sua realização é delicado e envolve a manipulação de 
estruturas nobres (medula espinhal e raízes nervosas). As principais complicações associadas à anestesia do neuroeixo são:
HIPOTENSÃO ARTERIAL
Como descrito anteriormente, é frequente a ocorrência de hipotensão após anestesia do neuroeixo. Como essa é uma complicação 
normalmente esperada, geralmente é tratada precocemente e de forma eficaz. Entretanto, certas situações podem cursar com colapso 
cardiovascular, como em pacientes cardiopatas ou que estão hipovolêmicos no momento de instalação do bloqueio.
CEFALEIA APÓS PUNÇÃO DURAL
Fonte: Shutterstock.
Trata-se de uma complicação relativamente comum e benigna 
da raquianestesia. Ocorre mais frequentemente em mulheres 
jovens, sendo particularmente frequente após raquianestesia 
para cesariana. Apesar de normalmente ser chamada cefaleia 
“pós-raqui”, essa condição também pode aparecer na anestesia 
peridural, devido à perfuração acidental da dura-máter. 
O quadro clínico é caracterizado por cefaleia que surge 1 a 3 
dias após a punção, com duração de 1 a 2 semanas. É normalmente 
intensa, frontal ou occipital, sendo exacerbada por movimentos 
súbitos, como levantar e sentar. Pode ser acompanhada de 
alterações visuais e auditivas, náuseas e vômitos.
A causa da dor é o extravasamento de liquor através do orifício na dura-máter, criado pela agulha usada no bloqueio do neuroeixo, o 
que acaba resultando em diminuição da pressão liquórica e tração de estruturas do sistema nervoso. Normalmente, é bem controlada com 
analgésicos e manutenção da hidratação; entretanto, casos refratários podem ser tratados com um tampão sanguíneo (blood patch), em que 
um volume de 20 mL de sangue do paciente é injetado no espaço peridural, no mesmo local em que a punção prévia foi feita.
HEMATOMA PERIDURAL
Ocorre devido à perfuração de um vaso no espaço peridural. A formação de um hematoma nessa região pode causar compressão 
medular ou de raízes nervosas, produzindo sintomas de disfunção neurológica. Dependendo da gravidade, o quadro pode necessitar de uma 
cirurgia de emergência para evitar sequelas. O risco de hematoma peridural está aumentado em pacientes com problemas na coagulação ou 
que estejam tomando medicamentos anticoagulantes.
RAQUIANESTESIA TOTAL
A administração indevida do volume de AL usado em uma peridural no espaço subaracnoide vai resultar em bloqueio de toda (ou 
praticamente toda) a medula espinhal. O resultado é uma vasodilatação em todo o corpo, levando à profunda hipotensão. Caso o AL também 
atinja o cérebro, pode ocorrer parada respiratória e perda de consciência.
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INTOXICAÇÃO POR AL
Apesar de raro, é possível que um vaso seja puncionado durante o procedimento da anestesia peridural. Se o volume de AL for 
administrado diretamente no vaso, sintomas de intoxicação podem surgir.
LESÃO NEUROLÓGICA
Lesões neurológicas também são raras, mas podem ocorrer devido ao trauma direto pela agulha ou por injeção intraneural de AL. São 
percebidas por dor e alterações agudas da sensibilidade no momento da execução do bloqueio.
A anestesia do neuroeixo é contraindicada quando o paciente apresenta alergia a AL, quando existe infecção no local da punção ou 
na presença de alguma situação que predisponha ao surgimento de complicações graves, como descrito na tabela abaixo:
Contraindicação Complicação associada
Coagulopatia ou uso de anticoagulantes Hematoma peridural
Cardiopatia grave ou instabilidade 
hemodinâmica
Hipotensão arterial grave
Presença de deformidades ou cirurgias prévias 
da coluna
Lesão de estruturas
Tabela 5.2 – Contraindicações dos bloqueios de neuroeixo.
CAI NA PROVA
(SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS SP - 2015) Um paciente de 40 anos de idade está no quarto pós-operatório de hernioplastia inguinal 
direita à Lichtenstein, feita sob raquianestesia. Queixa-se de muita cefaleia e de vômitos frequentes. Está descorado e desidratado. A ferida 
operatória tem discreta hiperemia. Nega dor abdominal. Conduta mais apropriada:
A) Blood patch.
B) Benzodiazepínicos e analgésicos.
C) Analgésicos e antibioticoterapia tópica.
D) Antibioticoterapia oral.
E) Suspensão de opioides prescritos e reforço com analgésicos simples, mais frequentes.
COMENTÁRIO:
O enunciado apresenta um paciente que, após a raquianestesia, apresenta cefaleia e vômitos sem outras complicações. Sendo o 
diagnóstico mais provável a cefaleia pós-raquianestesia, o enunciado pergunta qual é a conduta mais adequada.
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Vamos checar as alternativas:
Correta a alternativa A. O tampão sanguíneo, ou blood patch, é o tratamento de escolha para os quadros refratários ou muito 
intensos de cefaleia pós-raqui. Como o paciente do enunciado se apresenta desidratado e referindo muita 
cefaleia, esse seria o tratamento adequado.
Incorreta a alternativa B. O uso de benzodiazepínicos não é recomendado para o tratamento da cefaleia pós-raqui.
Incorreta a alternativa C. A ferida apresenta apenas hiperemia discreta, um achado normal no pós-operatório e que não indica a presença 
de infecção de ferida operatória. Sendo assim, o uso do antibiótico não é recomendado.
Incorreta a alternativa D. Mesma explicação da alternativa C.
Incorreta a alternativa E. Como o paciente está apresentando desidratação e vômitos frequentes, o uso de analgésicos orais provavelmente 
não será eficaz.
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CAPÍTULO
6.0 BLOQUEIO DE NERVOS PERIFÉRICOS 
Estrategista, o tema deste capítulo não é frequentemente cobrado nas provas. 
Mantive-o aqui porque se trata de uma importante técnica anestésica e pela possibilidade de uma questão trazer um 
bloqueio de nervo periférico como contexto para perguntar sobre outro assunto.
Você não será prejudicado se pular para o próximo tema.
O bloqueio de nervos periféricos é capaz de promover excelente anestesia e duradoura analgesia, permitindo a realização de diversos 
tipos de cirurgias, apesar de serem o “carro chefe” de procedimentos ortopédicos. 
A administração dos anestésicos é feita em local próximo à incisão cirúrgica, limitando os efeitos sistêmicos da anestesia. Essa 
característica dos bloqueios periféricos aumenta a segurança do procedimento e diminui o tempo de recuperação e de internação do 
paciente. Por esse motivo, esses bloqueios são particularmente úteis em procedimentos ambulatoriais.
No passado, a localização dos nervos era feita por parâmetros 
anatômicos e indução de parestesia, literalmente “cutucando” o 
nervo com a agulha. Atualmente, pelo aparelho de ultrassom, é 
possível a visualização direta dos nervos, da agulha e da dispersão 
do AL (figura 6.1).
Figura 6.1 – Imagem de bloqueio de nervo periférico guiado por ultrassom. 
Fonte: acervo pessoal.
A possibilidade da introdução de um cateter próximo ao 
nervo que foi bloqueado para realização da cirurgia foi outra grande 
vantagem que o uso da ultrassonografia trouxe para a prática da 
anestesia. Dessa forma, doses adicionais de anestésico podem ser 
administradas, promovendo excelente analgesia até por vários dias 
após o procedimento.
6.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
Os bloqueios de face e pescoço são bastante utilizados para procedimentos de cirurgia plástica (p. ex.: rinoplastia, otoplastia) e cirurgia 
vascular (p. ex.: endarterectomia de carótida). 
Os bloqueios de membros superiores são frequentemente utilizados em procedimentos ortopédicos (p. ex.: artroscopia de ombro) 
e de cirurgia vascular (p. ex.: confecção de fístula arteriovenosa). O bloqueio mais frequentemente realizado é o bloqueio do plexo braquial.
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Figura 6.2 – Imagem representando o bloqueio de plexo braquial.
Assim como nos membros superiores, os procedimentos mais frequentemente realizados sob bloqueios de membros inferiores são 
ortopédicos (p. ex.: artroscopia de joelho) e de cirurgia vascular (p. ex.: amputação de dedos do pé). Os bloqueios mais relevantes são o do 
nervo ciático, do nervo femoral e de tornozelo (pentabloqueio).
O uso do ultrassom possibilitou a realização de bloqueios em planos musculares nos quais nervos das regiões torácica e abdominal 
estão localizados. Dessa forma, a anestesia de áreas específicas do tronco tornou-se possível. Podem ser realizadas cirurgias de reparo da 
parede (p. ex.: herniorrafia inguinal, herniorrafia umbilical) e cirurgias de mama (p. ex.: mamoplastia) empregando essa técnica.
6.2 COMPLICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES
Os procedimentos de bloqueio de nervos periféricos são considerados bastante seguros, principalmente quando realizados com auxílio 
da ultrassonografia. A complicação mais grave é a intoxicação por anestésicos locais, que pode ser evitada pela certificação de que a agulha 
não se encontra dentro de um vaso (aspiração negativa para sangue) e pela administração de uma quantidade de AL que não ultrapasse a 
dose tóxica do mesmo. Outras possíveis complicações são: lesão de nervos, formação de hematoma e infecção local.
Os bloqueios periféricos têm poucas contraindicações, podendo ser feitos mesmo em pacientes bastante frágeis. Basicamente, a única 
contraindicação é o relato feito pelo paciente de alergia ao anestésico local.m
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CAPÍTULO
7.0 MONITORIZAÇÃO ANESTÉSICA 
O objetivo da monitorização é traduzir o funcionamento dos 
sistemas orgânicos do paciente durante o ato anestésico. Segundo 
a resolução N° 2.174/2017 do CFM, que dispõe sobre a prática do 
ato anestésico, os parâmetros mínimos de monitorização durante 
a anestesia são:
• Oximetria de pulso, frequência cardíaca, pressão 
arterial e ritmo cardíaco por eletrocardiografia, que 
devem ser avaliados em todos os procedimentos.
• A temperatura deve ser avaliada em procedimentos 
com duração superior a 60 minutos ou quando o 
risco de alterações da temperatura é elevado, como 
no caso de prematuros, recém-nascidos, pacientes Fonte: Shutterstock.
7.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
O oxímetro de pulso avalia, de forma contínua, a fração de 
hemoglobina ligada ao oxigênio em relação à hemoglobina não 
conjugada. O processo envolve a emissão e subsequente captação 
de luz para determinação das frações de hemoglobina a partir 
do princípio de absorção de luz (espectrofotometria). O valor da 
oximetria de pulso traduz a eficiência do sistema respiratório em 
oxigenar o sangue.
A pressão arterial é normalmente medida de forma seriada, 
automática e não invasiva. O monitor apresenta os valores das 
pressões sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM). A diferença 
entre as pressões sistólica e diastólica é chamada de pressão de 
pulso (PP) e sua avaliação permite-nos fazer inferências sobre 
variações no volume sistólico.
A monitorização da PA também pode ser feita de forma 
contínua pela introdução de um cateter arterial. Essa é a chamada 
pressão arterial invasiva (PAI). A monitorização contínua pela PAI é 
indicada em situações em que podem ocorrer oscilações bruscas e 
repentinas na PA, como em pacientes apresentando instabilidade 
hemodinâmica, cardiopatas ou em cirurgias cardiovasculares.
com história anterior ou risco de hipertermia maligna e síndromes neurolépticas.
• A avaliação da ventilação, inclusive com capnografia, deve ser feita em todos os procedimentos com uma via aérea artificial 
(p. ex.: intubação traqueal), com ventilação artificial ou quando ocorre exposição a agentes que podem causar hipertermia 
maligna.
O CFM propõe ainda o uso, em casos específicos, de: monitorização do bloqueio neuromuscular, monitorização da profundidade da 
anestesia, monitorização hemodinâmica avançada, monitor de gases anestésicos e ecocardiografia intraoperatória.
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Um parâmetro bastante útil para guiar o manejo 
hemodinâmico intraoperatório é a variação da pressão de pulso, 
que pode ser obtida quando a PAI é utilizada. A análise da variação 
da pressão de pulso ao longo do ciclo ventilatório (em pacientes 
sob ventilação mecânica controlada) permite prever se o paciente 
é responsivo ou não à administração de fluidos. Indivíduos que 
apresentam elevação da variação da pressão de pulso apresentam 
baixas pressões de enchimento do coração e podem ser 
considerados hipovolêmicos.
Figura 7.1 – Representação gráfica da pressão de pulso.
utilizadas são a D2, para avaliação do ritmo e frequência, e a V5, para detecção de alterações isquêmicas.
O capnógrafo é um instrumento que mede, de forma contínua, o CO2 expirado, apresentando esse parâmetro tanto em forma de 
gráfico quanto com valores numéricos. Ele permite a detecção precoce de problemas ventilatórios como: falha de intubação, desconexão do 
circuito ventilatório e broncoespasmo (figura 7.2).
Além de avaliar a ventilação, o capnógrafo também é capaz de traduzir alterações hemodinâmicas, pois, quando ocorre diminuição 
da perfusão pulmonar, menos CO2 será expirado, sendo observada uma queda na curva de capnografia. Devido a essa propriedade, o uso do 
capnógrafo é recomendado durante o tratamento da parada cardiopulmonar, pois é capaz de informar sobre a eficácia da massagem cardíaca 
(valor de CO2 expirado acima de 10 mmHg corresponde à massagem eficaz) e sobre o retorno da circulação espontânea (súbita elevação da 
curva de capnografia e do valor do CO2 expirado). 
O eletrocardiograma intraoperatório exibe, de forma 
contínua, tanto o traçado elétrico do ritmo cardíaco quanto a 
frequência cardíaca. A presença de arritmias e os sinais elétricos 
da isquemia miocárdica podem ser precocemente detectados 
por avaliação desse monitor. As derivações mais frequentemente 
Atenção, Estrategista! Aprenda os padrões da curva de capnografia apresentados a seguir, pois 
foram tema de questões em provas recentes!
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Figura 7.2 – Diferentes padrões de curva de capnografia.
O eletroencefalograma (EEG) é um exame que registra 
diferenças de potencial elétrico cerebral a partir de múltiplos 
sensores posicionados na calota craniana. As drogas anestésicas 
causam depressão dose dependente da função cerebral, efeito 
esse que pode ser avaliado por mudanças nos padrões de onda do 
EEG, possibilitando melhor controle da anestesia.
Diferentes monitores foram desenvolvidos para avaliação 
do nível de consciência de pacientes sob anestesia geral. A base 
para o desenvolvimento desses monitores são os dados do EEG, 
que são então processados e correlacionados com diferentes níveis 
de consciência. Entre esses monitores de EEG processado, um 
dos mais utilizados é o BIS, que infere o nível de consciência do 
paciente a partir de um valor numérico chamado índice bispectral.
O algoritmo do BIS processa o sinal do EEG e apresenta um 
valor de índice que varia entre 0 e 100. O valor superior corresponde 
ao paciente completamente acordado e zero corresponde a 
um profundo estado de inconsciência ou coma, com o traçado 
eletroencefalográfico planificado, isoelétrico.
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Outro parâmetro importante que o monitor de BIS apresenta é a taxa de supressão, que corresponde à percentagem de tempo, nos 
últimos 60 segundos, em que a atividade do EEG foi suprimida. A elevação da taxa de supressão deve fazer com que o anestesista avalie se 
a anestesia está excessivamente profunda ou se existe alguma outra condição que produz diminuição da taxa metabólica cerebral, como a 
queda do débito cardíaco, por exemplo.
Para a maioria das drogas anestésicas, a faixa entre 40 e 60 do valor do BIS é usada como alvo para manutenção do estado de 
anestesia geral. O uso do BIS é especialmente recomendado nos casos de pacientes que apresentam alto risco de consciência intraoperatória 
e para aqueles que estão recebendo a anestesia venosa total.
CAI NA PROVA
(SELEÇÃO UNIFICADA PARA RESIDÊNCIA MÉDICA DO ESTADO DO CEARÁ - SURCE - 2021) Uma paciente foi submetida a uma gastrectomia 
parcial sob anestesia geral e relata aos familiares e médico que "lembra" de eventos ocorridos no transoperatório. A consciência operatória 
poderia ser minimizada através de qual das seguintes ações?
A) Manutenção venosa com morfina.
B) Manutenção do BIS em torno de 50-60. 
C) Reaplicação de pancurônio ao final da cirurgia.
D) Manutenção da PAM em torno de 60-70 mmHg.
COMENTÁRIO
Estrategista, vamos praticar um pouco os conhecimentos sobre a monitorização intraoperatória, mais especificamente sobre a 
monitorização da profundidade anestésica.
Vamos às alternativas:
Incorreta a alternativa A. A morfina não é normalmente utilizada como droga para manutenção do estado anestésico, sendo principalmente 
utilizada para controle da dor pós-operatória. Dito isso, os opioides apresentam um efeito sinérgico com agentes hipnóticos, diminuindo 
a quantidade desses agentes para induzir a inconsciência.
Correta a alternativa B. Por tratar-se de um monitor da profundidade anestésica, a utilização do monitor de BIS (mantendo o valor 
do índice abaixo de 60), provavelmente, teria contribuído para que a paciente não apresentasse lembranças 
do intraoperatório.
Incorreta a alternativa C. O pancurônio é um bloqueador neuromuscular adespolarizante de longa duração. Seu uso ao final da cirurgia 
poderia prejudicar a recuperação da paciente, aumentando o risco de bloqueio neuromuscular residual e causando dificuldade de 
extubação. O uso de bloqueadores neuromusculares não apresenta efeito sobre o nível de consciência.
Incorreta alternativa D - A elevação do nível de consciência (despertar) no intraoperatório geralmente está associada a elevações da 
frequência cardíaca e da pressão arterial. Essas alterações hemodinâmicas, entretanto, são muito inespecíficas para predizer consciência 
intraoperatória e não devem pautar uma estratégia que busca minimizar o risco dessa complicação.
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8.0 DOR AGUDA PÓS-OPERATÓRIA 
CAPÍTULO
A dor intensa é uma ocorrência frequente no pós-operatório e, 
além de causar sofrimento para o paciente, também está associada 
à piora da recuperação, aumento do risco de complicações pós-
operatórias e, consequentemente, piores resultados cirúrgicos.
A dor relacionada a procedimentos abdominais e torácicos 
compromete a mecânica respiratória, em função de diminuição 
da função diafragmática e aumento do tônus dos músculos 
abdominais. O resultado é diminuição do volume corrente, 
da capacidade residual funcional e complacência pulmonar. 
A capacidade do paciente respirar profundamente e tossir fica 
comprometida, aumentando o risco de hipoxemia, hipercapnia, 
acúmulo de secreções, atelectasia e pneumonia. Fonte: Shutterstock.
Adicionalmente, o paciente com dor tem dificuldade de caminhar, ficando mais restrito ao leito. Esse atraso na deambulação está 
associado a aumento do risco de trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar.
Em relação ao aparelho cardiovascular, a dor resulta em ativação do sistema nervoso simpático, produzindo taquicardia, hipertensão, 
aumento do volume sistólico e aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio. Esses efeitos colocamos pacientes com doença coronariana 
sob risco de isquemia e infarto, além de aumentarem o risco de arritmias. 
O metabolismo sofre mudanças devido ao efeito de mediadores de estresse (catecolaminas, cortisol, glucagon) liberados em função da 
dor. O resultado é aumento do catabolismo proteico, hiperglicemia e retenção de água e sódio.
Em relação ao trato gastrointestinal, a dor diminui a motilidade e aumenta o risco de íleo paralítico, náuseas e vômitos. Também pode 
ocorrer diminuição da motilidade da bexiga e uretra, resultando em retenção urinária.
Adicionalmente, a dor aguda mal controlada também causa modificações na sinalização sensorial, diminuindo o limiar para percepção 
dolorosa e predispondo ao aparecimento de síndromes dolorosas crônicas.
Parceiro(a), como você pode perceber, a dor pode causar uma série de complicações no pós-operatório. Como esse é 
um assunto frequentemente cobrado nas provas, recomendo que você dê um carinho especial a ele! Para ajudá-lo(a), 
preparei a tabela a seguir, revisando as complicações associadas à dor aguda pós-operatória.
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Efeito da dor Complicação associada
Sistema cardiovascular
Taquicardia, hipertensão,
aumento do consumo de O2
Arritmias, isquemia e infarto
Sistema respiratório
Diminuição da ventilação e da 
complacência pulmonar
Atraso na deambulação
Atelectasia, pneumonia
Trombose venosa profunda e 
tromboembolismo pulmonar
Metabolismo
Liberação de mediadores de 
estresse
Hiperglicemia, catabolismo 
proteico
Sistema digestivo Hipomotilidade
Íleo paralítico, náuseas e 
vômitos
Sistema urinário Hipomotilidade Retenção urinária
Tabela 8.1 – Complicações sistêmicas da dor aguda.
8.1 FISIOPATOLOGIA DA DOR
Dependendo de seu mecanismo, a dor aguda pode ser 
classificada como neuropática ou nociceptiva. A dor neuropática 
ocorre em razão de uma lesão ou inflamação do sistema nervoso, 
podendo surgir no pós-operatório de procedimentos em que 
ocorreu manipulação de estruturas neuronais. No entanto, a dor 
nociceptiva é o tipo mais frequentemente observado no período 
pós-operatório. Esse tipo de dor está associado à ativação de 
nociceptores por estímulos mecânicos, químicos ou térmicos, 
como os que ocorrem em função do trauma tecidual cirúrgico e a 
inflamação associada.
O processamento da dor nociceptiva compreende quatro 
etapas: transdução, transmissão, modulação e percepção. O 
entendimento dessas etapas auxilia no planejamento da terapia, 
uma vez que as drogas analgésicas apresentam ação em diferentes 
etapas da via de sinalização e processamento da dor.
A transdução ocorre nos receptores especializados da 
sensação dolorosa (nociceptores) e são gerados potenciais de 
ação em decorrência de estímulos nocivos de diferentes naturezas 
(químicos, térmicos, mecânicos). A ação de anestésicos locais, 
opioides e anti-inflamatórios interfere na etapa de transdução 
(figura 8.1).
A transmissão é caracterizada pela condução do potencial 
de ação até o córtex cerebral, a partir da ativação sequencial de 
neurônios em diferentes níveis. As fibras associadas à transmissão do 
estímulo doloroso são as do tipo A-delta (dor aguda bem localizada; 
trato espinotalâmico lateral) e do tipo C (dor profunda e difusa; 
trato espinorreticular). Essas fibras fazem conexão com neurônios 
da coluna posterior da medula que transmitem o sinal para núcleos 
superiores do SNC. A transmissão pode ser bloqueada pela ação 
de anestésicos locais em nervos periféricos ou no neuroeixo. Os 
opioides também atuam nessa etapa, diminuindo a transmissão 
dos sinais nociceptivos.
A modulação corresponde ao processamento do estímulo 
ao longo das vias aferentes da dor, podendo levar à inibição 
ou elevação do sinal. Um conjunto de fibras descendentes atua 
de forma importante no processo fisiológico de modulação da 
dor (sistema modulador descendente). Diversas substâncias 
moduladoras já foram descritas atuando nessa etapa, como a 
endorfina e a noradrenalina. A cetamina, os agonistas alfa-2-
adrenérgicos e os opioides atuam no sistema de modulação da 
dor, diminuindo a intensidade dos sinais nociceptivos.
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Na etapa de percepção, o indivíduo toma consciência do estímulo nociceptivo por ativação de diferentes regiões no cérebro. A 
discriminação espacial da dor ocorre no córtex somatossensorial. A percepção da dor é influenciada pelo estado emocional, expectativas e 
experiências prévias do indivíduo, com atuação importante do sistema límbico. A estimulação do tálamo desencadeará os efeitos autonômicos 
da sinalização nociceptiva, como taquicardia e elevação da pressão arterial. Os analgésicos (paracetamol e dipirona), os opioides e os 
agonistas alfa-2-adrenérgicos agem nessa etapa, diminuindo a percepção dolorosa.
Figura 8.1 – Processamento da dor e analgésicos que atuam em cada etapa desse processo. Fonte: adaptado de Shutterstock.
8.2 AVALIAÇÃO E TRATAMENTO
O controle analgésico adequado oferece conforto para o paciente, inibe a resposta ao estresse, melhora o padrão respiratório e a 
movimentação do paciente. Em função disso, o paciente consegue andar precocemente, realiza fisioterapia de forma eficaz e alimenta-se 
mais rapidamente, o que contribui para que receba alta mais precocemente.
O manejo da dor inicia-se antes da cirurgia, com a coleta de dados do paciente e estabelecimento de um plano analgésico traçado pelo 
cirurgião e o anestesiologista. A presença de dor e o uso de analgésicos antes da cirurgia são informações cruciais para auxiliar nessa etapa. 
O planejamento da analgesia deve incluir o uso de diferentes agentes farmacológicos e técnicas analgésicas (como bloqueio de nervos 
periféricos), buscando o sinergismo entre esses diferentes componentes. Essa abordagem recebe a denominação de analgesia multimodal, 
que é amplamente recomendada nos dias de hoje.
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Outra estratégia que vem recebendo destaque é a analgesia 
preemptiva. Ela é caracterizada pela administração de analgésicos 
ou pela realização de bloqueios anestésicos antes da ocorrência 
de estímulos dolorosos. Vários estudos já demonstraram que essa 
abordagem diminui a intensidade da dor pós-operatória, facilitando 
seu controle.
A avaliação da dor é normalmente feita utilizando escalas 
padronizadas, sendo as escalas visual analógica e verbal numérica 
as mais difundidas atualmente. Essas ferramentas consideram 
a intensidade referida pelo paciente, que dá uma nota em uma 
escala de 0 a 10, sendo 0 a ausência de dor e 10 a pior dor que ele 
pode imaginar (figura 8.2).
Sem dorSem dor Leve Moderada Intensa Crítica
Figura 8.2 – Escala visual analógica combinada com escalas qualitativa (leve, moderada, intensa e crítica) e de faces. Fonte: Shutterstock.
Pela abordagem de analgesia multimodal, o tratamento da 
dor é feito de forma escalonada, de acordo com a intensidade 
da dor referida pelo paciente, por uma combinação de terapias 
analgésicas. Os objetivos são promover controle adequado da dor 
e, ao mesmo tempo, diminuir o uso de opioides.
As dores de leve intensidade são tratadas com uma 
combinação de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais 
(AINES). No caso de dores de moderada intensidade, são 
incluídos opioides fracos à terapêutica com analgésicos e AINES. 
Dores intensas são tratadas primariamente com opioides fortes 
combinadosaos analgésicos e AINES.
Os quadros de dor intensa refratária ou recorrente podem 
ser abordados pela realização de procedimentos intervencionistas 
para interromper o estímulo doloroso. Para esse objetivo, podem 
ser indicados desde bloqueios de nervos periféricos até bloqueios 
de neuroeixo, que geralmente apresentam grande eficácia no 
controle da dor.
Dor refratária - Procedimentos
intervencionistas + Analgésicos + AINES
Dor intensa - Opioides fortes + Analgésicos +
AINES
Dor moderada - Opioides fracos + Analgésicos + AINES
Dor leve - Analgésicos + AINES
Drogas adjuvantes
Figura 8.3 – Terapia multimodal da dor aguda pós-operatória.
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Outra abordagem possível para os casos complexos é a utilização da analgesia controlada pelo paciente (patient controlled analgesia 
– PCA), que envolve o uso de bombas específicas que permitem uma programação em que o paciente consegue administrar doses de 
analgésicos quando sente a necessidade, fazendo isso de forma segura.
A abordagem multimodal também recomenda a inclusão de drogas com ação adjuvante no plano analgésico e um número de 
medicamentos já foram empregados para esse fim, como: corticoesteroides; antidepressivos; anticonvulsivantes; magnésio; agonistas do 
receptor α-2 adrenérgico e cetamina.
ANALGÉSICOS
Entre os analgésicos, são utilizados a dipirona e o paracetamol, sendo que ambos também possuem ação antitérmica. Essas drogas 
potencializam a analgesia de AINES e diminuem a necessidade de opioides. O uso de paracetamol está associado à disfunção hepática.
ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDES 
Reduzem a síntese de prostaglandinas, diminuindo a inflamação e promovendo analgesia. Podemos citar como exemplos o diclofenaco, 
o ibuprofeno e o tenoxicam. Os AINES diminuem a utilização de opioides, reduzindo também a incidência de náuseas e vômitos no pós-
operatório. Os efeitos colaterais mais importantes são gastrointestinais, renais e hematológicos, que precisam ser considerados antes 
de sua prescrição. Ocorre aumento do risco de sangramento no pós-operatório (especialmente gastrointestinal) por inibição da agregação 
plaquetária. Os efeitos renais incluem vasoconstrição renal e diminuição da taxa de filtração glomerular, que podem evoluir para lesão renal 
aguda. Pacientes idosos, nefropatas e hipovolêmicos apresentam um risco particularmente alto de complicações renais quando tomam AINES 
e seu uso, nessas situações, deve ser cauteloso.
OPIOIDES FRACOS 
Nessa categoria estão incluídos a codeína e o tramadol. São drogas menos potentes e, por esse motivo, também são menos associadas 
às complicações mais graves dos opioides, como a depressão respiratória. A codeína apresenta potência de aproximadamente 10% da 
morfina. Já o tramadol, além de agir no receptor opioide µ, também possui ação analgésica via receptores de serotonina e noradrenalina. O 
uso de tramadol está associado a náuseas e vômitos, além de poder predispor a convulsões.
OPIOIDES FORTES 
Correspondem ao principal tratamento de dores intensas no pós-operatório, apesar de todos os efeitos adversos relacionados a seu 
uso (descritos na seção sobre opioides venosos). Os agentes mais utilizados para o controle da dor aguda pós-operatória são, normalmente, 
o fentanil e a morfina. Adicionalmente, também podem ser utilizadas a metadona e a meperidina. A metadona possui potência analgésica 
equivalente à morfina, apresentando longa meia-vida (15 a 50 horas) e excreção que independe da função renal. O uso de meperidina é 
indicado especialmente em casos de dor associada à hipotermia e tremores, porém está associada a um risco aumentado de delirium e 
convulsões.
Estrategista, como você bem sabe, o tratamento da dor é um tema importante para ser estudado e não se aplica somente 
à anestesiologia, mas a diversas áreas da medicina. Garanto que o que você aprendeu aqui vai ajudá-lo(a) em questões 
de outros assuntos também!
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CIRURGIA Princípios de anestesiologia
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CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - UFS - 2020) Com relação à dor pós-operatória, podemos afirmar: 
A) Com relação ao sistema respiratório, a dor pode ocasionar redução da capacidade vital, do volume corrente, do volume residual e da 
capacidade residual funcional. Isso resulta em redução da complacência pulmonar, inabilidade em respirar profundamente ou tossir.
B) A presença de dor no pós-operatório leva a desconforto do paciente, mas não altera a taxa de outras complicações.
C) O estímulo da dor, originado na lesão tecidual no trauma, é conduzido através de fibras mielinizadas para o corno anterior da medula ou 
para núcleos mistos dos nervos cranianos.
D) O controle da dor deve ser feito rigorosamente, sendo necessária nas grandes cirurgias a administração de opioides durante toda a 
internação do paciente.
COMENTÁRIO
Essa questão aborda diversos aspectos da fisiologia e tratamento da dor que vimos anteriormente.
Vejamos as alternativas:
Correta a alternativa A. 
As dores relacionadas às cirurgias abdominais e torácicas causam piora da função diafragmática e resultam 
em contração da musculatura abdominal. O resultado é piora da mecânica ventilatória e diminuição da 
complacência pulmonar. Essas alterações aumentam o risco de complicações respiratórias pós-operatórias, como atelectasia e pneumonia.
Incorreta a alternativa B. Além do sofrimento que causa, a dor está associada a múltiplas disfunções orgânicas que aumentam o risco de 
diversas complicações. Para lembrar-se dessas complicações, revise a tabela 8.1.
Incorreta a alternativa C. O estímulo gerado nos nociceptores é transmitido para o sistema nervoso central por fibras mielinizadas (tipo 
A-delta) e amielínicas (tipo C) que se conectam com neurônios no corno POSTERIOR da medula. A figura 8.1 mostra bem essas conexões. 
Dê uma olhada lá!
Incorreta a alternativa D. O controle da dor deve ser rigoroso, entretanto isso não significa que opioides devem sempre ser usados. Na 
terapia da dor, múltiplas abordagens são indicadas (analgesia multimodal) com objetivo de diminuir a prescrição de opioides, que devem 
ficar reservados para casos de dores moderadas e intensas.
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CAPÍTULO
9.0 RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA
Fonte: Shutterstock.
A recuperação pós-anestésica corresponde à fase final da 
anestesia, que dura desde o momento em que as drogas anestésicas 
são interrompidas até quando não existem mais efeitos residuais 
desses agentes. Logo após a saída da sala em que o procedimento 
foi realizado, o paciente é normalmente encaminhado para a 
sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), onde permanece sob 
monitorização e recebe tratamentos para condições que podem 
surgir em decorrência do procedimento ou da anestesia que foram 
realizados. 
Durante a permanência na SRPA, os sinais vitais, a presença de 
sangramento, dor, náuseas e vômitos são continuamente avaliados, 
sendo anotados a cada 15 minutos pela equipe responsável. 
Usualmente, no momento em que o paciente recebe alta da SRPA, a recuperação anestésica ainda não está completa, mas ele encontra-se 
estável o bastante para terminar o processo de recuperação em um ambiente que não requer atenção constante, como o quarto do hospital 
ou mesmo seu domicílio.
Na maioria dos casos, a recuperação anestésica transcorre de forma tranquila, entretanto importantes complicações podem ocorrer, 
podendo, inclusive, levaro paciente ao óbito. A condição clínica prévia, o porte e o tipo de cirurgia, a técnica e a duração da anestesia são 
todos fatores que podem influenciar a incidência e a gravidade das complicações no período pós-operatório imediato. As complicações 
mais graves geralmente são relacionadas aos sistemas respiratório (depressão respiratória) ou cardiovascular (choque), porém, felizmente, 
são de rara ocorrência. Duas complicações frequentemente observadas na SRPA são hipotermia e náuseas e vômitos pós-operatórios.
9.1 HIPOTERMIA
A hipotermia é uma complicação frequentemente observada no pós-operatório e está associada a aumento de complicações e piora 
da experiência do paciente. A hipotermia é definida por uma temperatura central – a temperatura dos órgãos internos – abaixo de 36 °C. 
A incidência é aumentada nos extremos de idade, em procedimentos abdominais com grande exposição de vísceras e em procedimentos 
de longa duração.
A hipotermia diminui a taxa metabólica celular e pode oferecer proteção em situações de isquemia cerebral ou cardíaca. Entretanto, a 
queda da temperatura corporal causa disfunção de diversos sistemas orgânicos, sendo bastante deletéria para o paciente cirúrgico (tabela 
9.1). A eficácia da cascata de coagulação é dependente da temperatura e a hipotermia causa coagulopatia e aumento da perda de sangue 
durante a cirurgia. m
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Sistemas afetados Hipotermia leve Hipotermia intensa
Cardiovascular
Taquicardia e hipertensão 
(tremores)
Bradicardia, queda do débito 
cardíaco, arritmias
Respiratório Taquipneia (tremores) Depressão ventilatória
Nervoso
Aumento do efeito sedativo de 
drogas anestésicas
Queda do nível de consciência
Outros
Aumento do sangramento
Risco aumentado de infecção 
Hiperglicemia
Coagulação intravascular 
disseminada
Acidose metabólica
Oligúria
Tabela 9.1 – Complicações da hipotermia perioperatória.
No pós-operatório, os tremores associados à hipotermia 
podem aumentar em até cinco vezes o consumo de oxigênio, 
aumentando o risco de complicações cardiovasculares e infarto do 
miocárdio. Adicionalmente, diversas pesquisas já demonstraram 
a associação entre hipotermia e aumento do risco de infecção 
do sítio cirúrgico. Os mecanismos responsáveis pelo aumento do 
risco de infecção pela hipotermia são: diminuição da perfusão do 
tecido traumatizado pela cirurgia (diminuindo assim a migração de 
células imunológicas); redução da motilidade de células de defesa 
e prejuízo da cicatrização, aumentando o risco de deiscência e 
contaminação da ferida.
A transferência de calor durante uma cirurgia ocorre 
por meio dos mecanismos de radiação, condução, convecção 
e evaporação, sendo a principal causa de perda de calor a 
radiação. O sistema fisiológico de termorregulação é controlado 
na região do hipotálamo, com importante participação do sistema 
nervoso autonômico (controlando sudorese e vasoconstrição) e 
normalmente mantém a temperatura corporal dentro de uma 
faixa estreita, próxima de 37 °C. A anestesia geral e a anestesia do 
neuroeixo causam importante desregulação dos mecanismos de 
termorregulação, aumentando o risco de hipotermia associada à 
cirurgia.
Ao invés de tratada, o melhor é que a hipotermia 
perioperatória seja prevenida, idealmente pela utilização de 
mantas de aquecimento ativo, que utilizam ar ou água aquecidos. 
Outros métodos para evitar a perda de calor, porém com menor 
eficácia, são o aquecimento de fluidos intravenosos, o aumento da 
temperatura ambiente da sala de operação e a cobertura do corpo 
do paciente. Os tremores pós-operatórios podem ser tratados com 
a administração endovenosa de meperidina.
9.2 NÁUSEAS E VÔMITOS
As náuseas e vômitos são complicações frequentes no pós-operatório. Além de serem sintomas desagradáveis para os pacientes, 
também podem resultar em outras complicações, como deiscência de suturas, broncoaspiração e elevação da pressão intracraniana.
O reflexo do vômito pode ser induzido por diversos fatores fisiológicos e patológicos, assim como por drogas ou toxinas. Os principais 
componentes do SNC responsáveis pelo vômito são o centro do vômito e a zona quimiorreceptora de gatilho, ambos localizados no tronco 
cerebral. Essas estruturas integram diferentes sinais aferentes a partir de quimiorreceptores, receptores de pressão (trato gastrintestinal e 
SNC), nociceptores, sistema vestibular, núcleos cerebelares e córtex cerebral (percepções de dor, medo e ansiedade).
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Os neurotransmissores implicados no sistema de controle 
do vômito incluem a acetilcolina, a dopamina, a serotonina e a 
histamina. Dessa forma, a terapia antiemética é frequentemente 
baseada no uso de antagonistas de um ou mais desses 
neurotransmissores.
Os fatores de risco para náuseas e vômitos pós-operatórios 
(NVPO) podem estar relacionados ao paciente, à cirurgia e à 
anestesia (tabela 9.2).
Atualmente, é recomendado que os pacientes que 
apresentam risco elevado para NVPO recebam terapia profilática no 
intraoperatório com, pelo menos, dois tipos de agentes. As drogas 
mais frequentemente utilizadas para esse fim são a dexametasona Fonte: Shutterstock.
e um antagonista serotoninérgico (p. ex.: ondansetrona). Outros fármacos que também podem ser utilizados para a profilaxia e o tratamento 
de NVPO são: metoclopramida; droperidol; anti-histamínicos; benzodiazepínicos e propofol.
Paciente Cirurgia Anestesia
Sexo feminino
Adultos jovens
Ansiedade
Obesidade
Gravidez
Não ser fumante
Doenças gastrintestinais
Doenças metabólicas
Histórico de cinetose
Cirurgia abdominal laparoscópica
Neurocirurgia
Cirurgia do ouvido interno
Correção de estrabismo
Procedimento longo
Cirurgias de nariz e laringe
Opioides
Anestésicos halogenados
Etomidato
Cetamina
Neostigmina
Óxido nitroso
Dor
Tabela 9.2 – Fatores de risco para náuseas e vômitos pós-operatórios.
O tratamento dos pacientes que estão apresentando NVPO compreende a remoção da condição desencadeante (sempre que possível) 
e a administração de fármacos com ação antiemética, dando preferência aos agentes cujo mecanismo de ação seja diferente daquele das 
drogas já administradas para a profilaxia no intraoperatório.
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CAI NA PROVA
(FUNDAÇÃO HOSPITAL ESTADUAL DO ACRE - FUNDHACRE - 2020) Aumenta a incidência de náuseas e vômitos em anestesias para cirurgia 
ambulatorial de adultos:
A) Ingestão de água até 2 horas antes da indução de anestesia
B) Tabagismo
C) Propofol
D) Sexo feminino entre o 1º e o 7º dia do ciclo menstrual 
COMENTÁRIO
Incorreta alternativa A - A água, se ingerida até 2 horas antes da indução anestésica, normalmente não estará mais presente no estômago. 
Dessa forma, por não estar associada à distensão gástrica, o risco de vômito não está aumentado.
Incorreta alternativa B - O tabagismo apresenta um efeito protetor em relação à incidência de vômitos pós-operatórios.
Incorreta alternativa C - O propofol apresenta efeito antiemético, podendo ser usado tanto na prevenção de vômitos pós-operatórios, 
por sua utilização na manutenção da anestesia venosa, quanto no tratamento dos pacientes que estão apresentando náuseas, pela 
administração de pequenas doses.
Correta alternativa D - 
As mulheres jovens são o grupo etário sob maior risco do desenvolvimento de náuseas e vômitos pós-
operatórios. Durante essa fasedo ciclo menstrual, ocorre maior liberação de prostaglandinas, o que 
predispõe ao aparecimento de vômitos, aumentando o risco dessa complicação no pós-operatório.
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CAPÍTULO
10.0 PONTOS CHAVE
Estrategista, se você estiver sem tempo e quer revisar apenas o mais essencial, selecionei alguns pontos-chave para você. 
Procure resolver algumas questões da lista que selecionei para complementar o estudo.
Classificação Definição Comentários e exemplos
ASA I
Paciente sem doenças sistêmicas, não 
tabagista e mínimo consumo de álcool
Indivíduo saudável
ASA II Presença de doença sistêmica leve
Doença compensada que não causa limitação 
funcional (p. ex.: hipertensão compensada, gestação 
normal, obesidade IMC > 30 e < 40 kg/m2)
ASA III Presença de doença sistêmica grave
Limitação funcional presente (p. ex.: insuficiência renal 
em diálise, obesidade mórbida com IMC > 40 kg/m2)
ASA IV
Presença de doença sistêmica grave que 
apresenta uma ameaça constante à vida do 
paciente
Geralmente, o paciente já está hospitalizado pela 
doença (p. ex.: angina instável, insuficiência cardíaca 
descompensada)
ASA V
Paciente moribundo, sem expectativa de vida 
caso a cirurgia não seja realizada
Paciente em estado crítico (p. ex.: politraumatizado 
apresentando choque hemorrágico)
ASA VI Indivíduo com morte encefálica Cirurgia para retirada de órgãos
E Cirurgia em caráter de emergência
Letra E é acrescentada após o numeral da classificação 
(p. ex.: ASA IV E)
Tabela 10.1 – Classificação da ASA.
pKa
Quando menor o pKa, mais rápido
o bloqueio inicia
Ligação proteica
Quanto mais ligado, maior é a
duração do bloqueio
Ionização
Quanto mais ionizado, mais tempo
leva para instalação do bloqueio
Lipossolubilidade
Quanto mais lipossolúvel, maior
a potência
 Propriedades de anestésicos locais.
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Agentes Vantagens Efeitos adversos Quando usar Quando evitar
Propofol
Broncodilatação
Antiemético
Diminuição da PIC
Queda do débito 
cardíaco
Hipotensão
Asmáticos
Risco de náuseas e 
vômitos elevado
Neurocirurgia
Instabilidade 
hemodinâmica
Cetamina
Broncodilatação
Ativação simpática
Analgesia
Aumento do consumo 
de O2 no miocárdio
Elevação da PIC
Alucinações
Asmáticos
Instabilidade 
hemodinâmica
TCE/neurocirurgia
Psiquiátricos
Síndromes 
coronarianas
Etomidato
Estabilidade 
hemodinâmica
Supressão de cortisol
Instabilidade 
hemodinâmica
Insuficiência adrenal
Fentanil
Analgesia
Supressão de reflexos 
autonômicos
Bradicardia (doses 
altas)
Rigidez torácica
Frequentemente 
usado na indução em 
sequência rápida 
Bradicardia
Succinilcolina
Rápido e profundo 
bloqueio 
neuromuscular
Elevação do K+
Hipertermia maligna 
(raro)
Agente de escolha na 
indução em sequência 
rápida
Hipercalemia
Queimados
Acamados
Rocurônio
Adequado bloqueio 
neuromuscular
Reação alérgica (raro)
Presença de 
contraindicação para 
succinilcolina
Histórico de alergia a 
rocurônio
Tabela 10.2 – Drogas usadas na indução anestésica.
Figura 10.3 – Terapia multimodal da dor aguda pós-operatória.
Dor refratária - Procedimentos
intervencionistas + Analgésicos + AINES
Dor intensa - Opioides fortes + Analgésicos +
AINES
Dor moderada - Opioides fracos + Analgésicos + AINES
Dor leve - Analgésicos + AINES
Drogas adjuvantes
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Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula!
Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação.
Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser.
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CAPÍTULO
12.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Bagatini, A. et al. Bases do Ensino da Anestesiologia. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Anestesiologia/SBA, 2016.
2. Azevedo, M.P.; Mattos, S.L.L.; Nunes, R.R. Anestesiologia, Dor e Medicina Paliativa: Um Enfoque para a Graduação. 1ª Ed. Rio de 
Janeiro: Sociedade Brasileira de Anestesiologia/SBA, 2018.
3. Butterworth, J.F.; Mackey, D.C.; Wasnick, J.D. Morgan & Mikhail’s Clinical Anesthesiology. 5th Ed. McGraw-Hill Education, 2013.
4. Alexander, J.C.; Casserly, E. Perioperative uses of intravenous opioids: Specific agents. UpToDate. [online] Disponível em: < https://www.
uptodate.com/contents/perioperative-uses-of-intravenous-opioids-specific-agents > [Acessado 14 de abril de 2021].
5. Mariano, E. Management of acute perioperative pain. UpToDate. [online] Disponível em: < https://www.uptodate.com/contents/
management-of-acute-perioperative-pain > [Acessado 15 de abril de 2021].
6. Urman, R.D.; Ehrenfeld, J.M. Pocket Anesthesia. 3rd Ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2017.
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CAPÍTULO
13.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estrategista 
Neste momento, eu gostaria de parabenizá-lo(a) por concluir mais uma etapa da sua jornada rumo à aprovação.
Sei que foram muitas informações, mas agora é importante que você pratique o que aprendeu, para consolidar seu conhecimento. 
Preparei uma lista de 50 questões para você treinar. Elas abrangem os principais assuntos de Anestesiologia cobrados nas provas. 
Após ler o presente livro e treinar com as 50 questões, acredito que você estará bem preparado(a) para encarar os temas de anestesiologia 
cobrados pelas bancas examinadoras.
Caso queira aprofundar ainda mais seus conhecimentos, você também pode entrar no banco de questões na plataforma do Estratégia 
MED e selecionar o subtema de Cirurgia - Princípios de Anestesiologia. 
A produção de novos conteúdos é constante no Estratégia MED e você pode ficar informado das novidades por meio de nossas redes 
sociais, no Instagram e no YouTube. 
Você poderá me encontrar nas sessões Live de resolução de questões, aulas sobre os assuntos de anestesiologia e no Instagram 
(@prof.mauriciodaher).
Precisando, é só chamar!
Conte comigo e um grande abraço!
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	1.0 AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA
	1.1 HISTÓRIA E EXAME FÍSICO
	1.1.1 EXAME DAS VIAS AÉREAS
	1.2 EXAMES COMPLEMENTARES
	1.3 CLASSIFICAÇÃO DE RISCO E PLANEJAMENTO
	1.4 ORIENTAÇÕES PRÉ-ANESTÉSICAS
	1.5 PLANEJAMENTO DA ANESTESIA AMBULATORIAL
	2.0 AGENTES ANESTÉSICOS
	2.1 ANESTÉSICOS INALATÓRIOS
	2.1.1 EFEITOS SISTÊMICOS
	2.1.1.1 HIPERTERMIA MALIGNA
	2.1.2 AGENTES ESPECÍFICOS
	2.2 AGENTES INTRAVENOSOS
	2.2.1 OPIOIDES
	2.2.1.1 MECANISMO DE EFEITO
	2.2.1.2 OPIOIDES ESPECÍFICOS
	2.2.2 ANESTÉSICOSVENOSOS NÃO OPIOIDES
	2.2.2.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
	3.0 BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES 
	3.1 BLOQUEADOR DESPOLARIZANTE (SUCCINILCOLINA) 
	3.2 BLOQUEADORES ADESPOLARIZANTES 
	3.3 REVERSÃO DO BLOQUEIO ADESPOLARIZANTE
	4.0 ANESTÉSICOS LOCAIS 
	4.1 MECANISMO DE AÇÃO
	4.2 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
	4.3 TOXICIDADE
	5.0 ANESTESIA DO NEUROEIXO 
	5.1 RAQUIANESTESIA
	5.2 PERIDURAL
	5.3 EFEITOS FISIOLÓGICOS
	5.4 COMPLICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES
	6.0 BLOQUEIO DE NERVOS PERIFÉRICOS 
	6.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
	6.2 COMPLICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES
	7.0 MONITORIZAÇÃO ANESTÉSICA 
	7.1 CONSIDERAÇÕES ESPECÍFICAS
	8.0 DOR AGUDA PÓS-OPERATÓRIA 
	8.1 FISIOPATOLOGIA DA DOR
	8.2 AVALIAÇÃO E TRATAMENTO
	9.0 RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA
	9.1 HIPOTERMIA
	9.2 NÁUSEAS E VÔMITOS
	10.0 PONTOS CHAVE
	11.0 LISTA DE QUESTÕES
	12.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
	13.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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