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AULA 2 MERCHANDISING E PROMOÇÃO DE VENDAS Prof. Joselmo Rezende 2 TEMA 1 – MÍDIAS DIGITAIS, PÁGINAS DIGITAIS E REDES SOCIAIS E COMO CONTRIBUEM PARA A PROMOÇÃO DE VENDAS Por meio da pesquisa on-line, os consumidores podem comprar em lojas virtuais, receber em casa ou retirar na loja física, e ainda pesquisar antes e comprar posteriormente na loja física. Esse processo do cliente escolher o que melhor convier e o que considerar seguro trata-se do conceito de multicanal (Julio, 2023). Segundo Dall'Agnol (2021), 80% de usuários de smartphone usam o telefone para decidir sobre a aquisição de um produto enquanto estão em uma loja, segundo levantamento da Math Ads. Este dado reforça a mudança drástica que ocorreu no comportamento do consumidor. O uso da tecnologia móvel é uma realidade na qual a linha que divide o virtual do real é muito tênue, fazendo o lojista também se adaptar a este novo cenário de mercado. Guglielmelli (2022) destaca um levantamento feito pela FGV que aponta 242 milhões de celulares para cerca de 214 milhões de pessoas, 352 milhões de dispositivos móveis (tablet, notebook), e mais de 447 milhões de dispositivos digitais (computador, notebook, tablet, smartphone) em uso no Brasil, ou seja, um número superior a 2 dispositivos digitais por habitante, em junho de 2022. “O smartphone domina a maioria dos usos, como bancos, compras e mídias sociais”, diz o levantamento (Guglielmelli, 2022). A pesquisa divulgada pela Opinion Box 2022 (Paiva, 2022b), sobre o panorama mobile no Brasil, divulga dados importantes sobre o perfil do uso de dispositivos móveis e aplicativos pelo consumidor brasileiro, como os 10 aplicativos mais populares na tela de entrada dos aparelhos móveis. 3 Tabela 1 – 10 aplicativos mais populares na homescreen de smartphones APLICATIVO % DE SMARTPHONES COM APP NA HOMESCREEN VARIAÇÃO EM 12 MESES 1 WHATSAPP 55% 2 INSTAGRAM 46% 3 FACEBOOK 36% 4 TELEGRAM 13% 5 NUBANK 12% 6 YOUTUBE 12% 7 UBER 11% 8 GOOGLE CROME 9% 9 CAIXA 9% 10 BANCO DO BRASIL 9% Alta Baixa Estável Fonte: Paiva, 2022b. A pesquisa também demonstra que 44% dos respondentes preferem ou não se incomodam em acessar os aplicativos em troca da exibição de publicidade, sendo o percentual maior entre os respondentes com 50 anos ou mais de idade (51%), e menor entre os mais jovens, de 16 a 29 anos (38%). Usuários das classes A e B são a maioria no uso do modelo em troca de publicidade (48%), sendo o restante as classes C, D e E (Paiva, 2022b). Este resultado é de extrema importância para as organizações e marcas que desejam chegar mais próximo de seus consumidores, utilizando estas plataformas como meio para divulgação e exibição de mídia. 1.1 Mídias digitais A mobilidade é a grande transformação do comportamento do consumidor nos anos mais recentes. O telefone celular deixou de ser um acessório de comunicação telefônica, o hardware vendido atualmente tem muito mais funções de comunicação e produção de conteúdo como s possibilidade de fazer download de aplicativos, acesso à web, câmeras de alta resolução, levando ao usuário um equipamento completo de produção. Para Gabriel (2010, p. 202), é necessário “conceituar adequadamente mídias sociais, pois é muito comum fazer confusão entre os termos redes sociais e mídias sociais”. Assim, as redes sociais representam as conexões entre pessoas, por afinidades ou por interesses comuns, já as mídias sociais dizem respeito aos 4 conteúdos produzidos nas redes, como textos, imagens ou vídeos e compartilhados pelos indivíduos. Para Lévy (2010, p. 64), a mídia é o suporte ou veículo da mensagem, assim as redes sociais podem ser consideradas, também, o veículo da mensagem que se quer transmitir, reforçando a ideia de mídia social. Entretanto, a rede social acontece no mundo físico. O que temos na web são plataformas de redes sociais, ou comunidades sociais on-line que existem em função dos nós e interesses comuns e fornecem ferramentas para facilitar as interconexões por meio destes interesses, gostos ou afinidades, que se conectam e constroem as relações sociais. Então, todo tipo de representação de pessoas na web pode ser considerado um nó na rede, sejam eles weblogs, perfis em redes sociais, blogs etc. E cada nó também é um potencial produtor de mídia com conteúdos escritos, imagens, vídeos, entre outros. Gabriel (2010, p. 202) reforça que as plataformas de redes sociais “são chamados de mídias sociais, porque muito dos conteúdos gerados por seus usuários são armazenados neles”. 1.2 Páginas digitais Segundo Gabriel (2010), uma página digital é um documento HTML (Hyper Text Language Markup) que inclui textos, imagens, recursos de programação, sendo esta uma única página ou um conjunto de páginas, que transmitem uma determinada mensagem. Gabriel (2010) descreve um pouco sobre cada um destes elementos. Quadro 1 – Definição de páginas digitais Página Digital Definição Site Uma organização de dados e conteúdos para serem encontrados facilmente, possui uma arquitetura de informação focada na organização de conteúdos. Minisite Criados com uma informação verticalizada, abordando um tema específico. Hotsite Sites com prazo de validade determinado, utilizados para uma determinada ação. Portal Sites com conteúdos voltados para seus públicos; apresentam conteúdos verticalizados. Blogs Em formatos de diário apresentam textos regulares, denominados “posts”. Perfis em redes sociais Páginas específicas inseridas em redes sociais. Normalmente são constituídas dentro das limitações da plataforma são utilizadas para relacionamento com seus públicos. Landing page Páginas específicas que aparecem para um indivíduo quando realiza uma pesquisa em buscadores e, ao localizar a informação, acessa o link apresentado; geralmente este link leva a uma página do conteúdo procurado, que é a landing page. Fonte: Gabriel (2010). 5 Gabriel (2010, p. 124) ainda compara as páginas digitais com a mídia tradicional, buscando assim uma correlação entre estes e uma maior ressignificação. Quadro 2 – Equivalência de páginas digitais Página digital Equivalência Site Um livro ou catálogo Portal Uma revista de informações como Veja Blog Um jornal diário Minisite Um folheto informativo Hotsite Um folheto promocional Perfil em redes sociais Uma página de catálogo específico como um catálogo de produtos ou uma lista de diretórios Landing page Flyer promocional que entrega somente o que foi solicitado Fonte: Gabriel (2010). As diferentes funções de cada página contribuem para a promoção das vendas das organizações, promovendo a integração dos diferentes canais na web para um mesmo objetivo. TEMA 2 – TRANSMIDIA E CONVERGÊNCIA DE VENDAS Falando de era das mídias e multimídias, exploramos tecnologias de diferentes suportes, inclusive digital para criar, manipular, armazenar e pesquisar conteúdos. Para clarear, precisamos esclarecer melhor a diferença de alguns conceitos: [...] multimídia é mais usado para definir a existência de mais de um meio de comunicação numa mesma história, quase que uma cópia do conteúdo para diferentes mídias, enquanto a crossmídia é a possibilidade de uma campanha, marca ou conteúdo utilizar concomitantemente diferentes tipos de plataformas para vender ou compartilhar alguma coisa ou ideia (Arnaut, 2011). Jenkins (2009, p. 141) introduziu o conceito de transmídia pela primeira vez em seu livro Cultura de Convergência, definindo transmídia como “uma história transmídia desenrola-se através de múltiplas plataformas de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo”. Gabriel (2010, p. 110) reforça esta ideia como sendo “o uso integrado das mídias, de forma que uma história ou mensagem ultrapassa os limites de um único meio”. Abaixo podemos exemplificarmelhor estas definições. 6 Figura 1 – Multimídia, Crossmídia e Transmídia Fonte: Gabriel (2010). Gabriel (2010), então, destaca o vídeo denominado “A 4º Tela”, elaborado pela Nokia em 2008, que apresentava as quatro telas que mudaram a vida do ser humano nos últimos 100 anos: o cinema, a televisão, o computador e o celular (Gabriel, M., 2010). Segundo a autora, estas quatro telas convivem na vida dos indivíduos, transformando-os de simples expectadores em multiteleinterativos. Wild (2003, p. 6) ressalta que este movimento coloca em evidência o que ele chama de “consumidor centauro”, que se movimentam entre os mundos reais e virtuais. Para ele, as empresas até então não precisavam pedir a permissão para vender, as organizações concentravam-se em segmentos de clientes, não havia conversões e os mercados eram considerados transmissões. No Brasil, temos um panorama extremamente promissor no que diz respeito à utilização de dispositivos móveis. A pesquisa promovida pela Opinion Box demonstra que 93% dos brasileiros já realizaram alguma compra por meio de aplicativos. A pesquisa ressalta uma frequência grande no uso dos dispositivos para efetuar compras, segundo o gráfico abaixo. 7 Gráfico 1 – Frequência de Compra por App ou Site Móvel Fonte: Paiva (2022b). Estes resultados demonstram uma necessidade, mais que urgente, no uso de estratégias de transmídia como ferramenta para chamar a atenção do consumidor brasileiro e converter a comunicação em vendas. A pesquisa ainda apresenta as categorias mais procuradas pelos brasileiros para compra por meio de dispositivos móveis. Gráfico 2 – Produtos mais populares no Comércio Móvel – Base Agosto/2022 Fonte: elaborado com base em Paiva, 2022b. A importância de apresentarmos estes números é reforçarmos o que já estamos falando desde o início: o ser humano – neste caso, o brasileiro – está Algumas vezes por ano 28% Algumas vezes por mês 44% Algumas vezes por semana 16% Quase todo dia 7% Todo dia 1% Quase nunca 4% 52% 50% 42% 36% 36% 34% 30% 27% 27% 25% 24% 17% 16% 15% 7% 8 hiperconectado, as conversas acontecem por meio de várias mídias diferentes, o que, segundo Adolpho (2011), é o comércio social. Muitas pessoas passam diversas horas em frente as mídias sociais, participam de “uma sociedade digital que se forma por meio das redes de fios e ondas que invadem nossos computadores” (Adolpho, 2011, p. 143), invisível aos olhos, mas que definem as decisões de compras. Apesar de reforçarmos as mídias digitais, o uso do conceito de transmídia não se restringe aos meios digitais, mas pode acontecer em jornais, revistas, livros, cinema, rádio e televisão, de forma a permitirem a transmissão de mensagens por transmídia (Gabriel, 2010). Arnaut et al. (2011) reforça que o mercado sempre se adapta às necessidades do público, resultando em benefícios para toda a sociedade. O momento agora é de definir quais as práticas mais adequadas para atender ao novo comportamento das pessoas, incluindo as novas mídias. TEMA 3 – MARKETING DE CONTEÚDO Vivemos em um momento diferente e já ressaltamos diversas vezes o poder do consumidor atual. A internet é percebida como um meio de informação e comunicação, e, se os usuários esperam isso, as empresas precisam entender que não devem frustrar seus consumidores (Adolpho, 2011). Os consumidores não querem ouvir empresas falando delas mesmas, eles procuram alguém que possa resolver seus problemas. Então, ao invés de falar do seu produto ou serviço, mostre como este pode facilitar a vida de seus clientes ou potenciais clientes. “Resolva o problema de seus usuários e pare de dizer o quanto você é bom ou eficiente” (Adolpho, 2011, p. 504). Gabriel (2010) define este conteúdo como presença digital, referindo-se, então, à presença de algo no campo digital e que ocorre normalmente por meio de conteúdos digitais disponibilizados nos ambientes digitais como sites, blogs, redes sociais, entre outros e podem existir em três tipos distintos (Gabriel, 2010, p. 249): • Presença própria – ocorre por meio de ativos (conteúdos) digitais com a marca da empresa construídos e mantidos pela própria entidade, como sites, perfis em redes sociais, blogs, entre outros; • Presença gratuita (ou ganha) – ativos digitais com a marca da empresa gerados e ganhos de forma orgânica na internet, como fazer parte de busca orgânica nos buscadores, comentários de terceiros, e conteúdos gerados nas redes sociais; e 9 • Presença paga – por meio de ativos digitais com a marca da empresa, comprados e pagos por ela, como anúncios, links patrocinados ou outros tipos de conteúdo pagos. Estes ativos digitais que garantem o contato com o público de interesse e podem ser determinados de acordo com a estratégia definida pela organização. A internet é considerada uma fonte de informação que os consumidores se utilizam para tomar determinadas decisões (Wind, 2003), onde a credibilidade de uma empresa é baseada no que ela tem a dizer para o mercado, mas principalmente no que o mercado tem a dizer sobre esta empresa, seus produtos ou serviços, e são estas informações que o mercado tomará como verdade (Adolpho, 2011). A percepção de valor se dá por meio de postagens e conteúdos publicados, os quais são de interesse de determinado público, recebendo, assim, cada vez mais seguidores e sendo seus conteúdos cada vez mais compartilhados. Adolpho (2011, p. 505) reforça que um site que tenha valor e relevância para o usuário cria uma percepção de qualidade, competência, credibilidade, proximidade e vários outros sentimentos necessários para a captação e fidelização do consumidor. Promover, então, os relacionamentos por meio de laços e interesses comuns pelos conteúdos é imprescindível para a promoção e interação dos indivíduos nas redes sociais, por isto o objetivo de entender melhor o marketing de conteúdo. Estes laços comuns construídos ao longo das redes sociais, das plataformas on- line e das diversas formas de interação constroem o que chamamos de “capital social”, que tem como premissa a ideia do investimento nas relações sociais com a expectativa de retorno esperado e que aumenta o valor das redes sociais (Rezende, 2015). Adolpho (2011, p. 506) afirma que “fazer marketing de conteúdo é fundamental na economia digital onde o mesmo se traduz em prover conteúdo relevante para o seu mercado, que não seja venda de produto”. Em resumo, no ambiente virtual, o indivíduo participa de um determinado grupo pelo que é produzido neste, que seja de seu interesse (valor intelectual), a interatividade promovida pela marca/organização, gerando o sentimento de pertencimento ao grupo (valor social) e a identificação dos valores do indivíduo com os valores do grupo (valor cultural). Estes três pilares baseiam a interatividade, na qualidade e na forma como os conteúdos são publicados em um determinado ambiente virtual. Garrinato (2017) destaca o marketing de conteúdo como a criação e o compartilhamento de conteúdo valioso e gratuito utilizado para atrair e converter interessados em clientes, e clientes em compradores recorrentes, podendo ser de todos 10 os tipos, desde a informação sobre a marca, sobre o produto ou sobre o seu serviço. O destaque aqui não é falar com foco nestes aspectos, mas sim como eles podem solucionar os problemas dos seus clientes. O marketing de conteúdo é uma técnica de marketing que cobre uma ampla gama de táticas e processos, dentre eles 1) análise das necessidades/preferências de conteúdo e informação de uma audiência-alvo estrategicamente definida, 2) criado para atender a essas necessidades de forma alinhada com metas predefinidas de marketing, 3) o conteúdo criado é disponibilizado, otimizado e utilizado para servir clientes e objetivos de negócios em todas as áreas possíveis do marketing, Relações Públicas, vendasetc., de forma mensurável e integrada (Garritano, 2017). Ferreira (2016) destaca que o marketing de conteúdo é uma proposta para atender a uma necessidade do consumidor moderno, de minimizar seus esforços ao proporcionar informações que atendam suas demandas, sejam confiáveis e objetivas, quando caracterizadas pela urgência ou imediatismo na promoção de uma ação, criando um canal para atendimento e relacionamento com o cliente. Comparando com a mídia tradicional, tanto off-line como on-line, podemos apresentar algumas diferenças entra as duas perspectivas. Tabela 2 – Marketing de Conteúdo x Publicidade Publicidade Marketing de Conteúdo Requer altos investimentos em compra de espaços publicitários e produção; na maioria dos casos, acessível somente para grandes corporações Você é o proprietário da sua própria mídia (site, blog, canais de vídeo, perfis em redes sociais) Foco no curto prazo; normalmente campanhas de 3 a 6 meses Foco no longo prazo; construção de confiança, autoridade O produto/serviço é o foco da comunicação, a fim de extrair o máximo de retorno do investimento realizado O produto/serviço não é o foco; 90% do orçamento é investido em conteúdos que educam, inspiram e entretém Tempo de exposição limitado (espaços de poucos segundos em veículos de mídia) e a mensagem praticamente desaparece com o fim da campanha Conteúdo contínua disponível e pode ser localizado em resultados orgânicos de mecanismos de buscas (sem custo), compartilhado por usuários em redes sociais etc. Relação de apenas “uma via” Abertura de conversas com consumidores em “duas vias” Fonte: Farnworth, 2016, citado por Garritano, 2017. Destacamos, então, que o marketing de conteúdo é uma nova perspectiva de abordagem junto ao cliente final, que não nasceu com o marketing digital, já que a relação com empresa cliente acontece há décadas. Por seu custo reduzido, está muito 11 alinhado com marketing digital, na perspectiva da mídia social, justamente pelo baixo custo e pelo potencial de propagação que a rede possui. TEMA 4 – LAÇOS FORTES E FRACOS NAS REDES SOCIAIS E O RELACIONAMENTO COM O CLIENTE As pessoas indicam quem ou o que elas conhecem e confiam. Podemos observar que os consumidores estão se desviando das mídias para as pessoas, assim como a tecnologia molda o comportamento das pessoas, as pessoas também moldam a própria tecnologia (Adolpho, 2011), “o que chamamos de busca social, uma busca baseada em credibilidade das indicações de seus contatos... A busca do Google é baseada em informação. A busca social é baseada em confiança” (Adolpho, 2011, p. 269). Gabriel (2010, p. 198) destaca que uma rede social é composta por atores (nós) e laços. As pessoas são os nós com suas representações na internet (blogs ou perfis em redes sociais), e suas conexões são os laços. A autora destaca que os laços podem ser de três tipos: • Fortes – relacionamentos e conexões próximas (família, amigos, relações dentro da empresa); • Fracos – relações superficiais as quais temos pouco contato; e • Ausentes – pessoas que não conhecemos ou não mantemos relacionamentos, mas que aparecem em nossas redes. Ainda segundo a autora, os laços fracos são os responsáveis pela maioria das conexões entre nós, ou seja, pela maior parte da estrutura das redes sociais. O laço social se dá por meio de interação social e sua força é medida pela reciprocidade. Mark Granovetter, em 1973, buscou entender como acontece a difusão de informações. Ele focou na relação entre as pessoas como interferência da propagação das mensagens. Laço, então, é o elemento de ligação entre as pessoas (atores) que participam de uma determinada rede a qual é o conjunto de atores, ligados por laços fortes e/ou fracos (Pinna, 2018). Assim, fica claro que as definições de laços nas relações são muito anteriores à internet, tratando de relações humanas. O que temos na web, então, são plataformas de mídias sociais que facilitam e ampliam a formação de laços entre os nós (indivíduos) da rede. 12 4.1 Laços fortes Laços fortes se caracterizam pela intimidade, proximidade e intencionalidade de criar e manter uma conexão entre duas pessoas (Recuero, 2009), como amigos, famílias e pessoas com quem mantemos relações próximas (Gabriel, 2010). Os laços fortes constituem-se em vias mais amplas e concretas para as trocas sociais (Recuero, 2009), os quais são importantes para a qualificação do indivíduo, ou seja, são estes os responsáveis por melhorar o capital social destes indivíduos, por meio da qualificação, indicação e referência, ou seja, tão importante quanto vislumbrar todos os laços fracos com a possibilidade de ampliação de sua rede de contatos para potencializar a divulgação de suas informações, estabelecer e fortalecer os laços fortes têm a premissa de fortalecer seu capital social e seu posicionamento na rede como autoridade em determinado assunto. Em linhas gerais, a proximidade com os indivíduos gera uma melhor reputação, gera afinidade, cria defensores, mais que somente consumidores, cria um “exército” que irá defender a marca e prestigiá-la em suas redes. Nesta perspectiva, a estratégia de comunicação das organizações deve considerar o uso de laços fortes para criar um capital social positivo, ao passo que os laços fracos terão o serviço de propagar este capital na rede. 4.2 Laços fracos Segundo Gabriel (2010, p. 199), os laços fracos são responsáveis pela maior parte da transmissão de informações entre as redes, ou seja, mais notícias e novidades fluem para os indivíduos por meio de laços fracos do que pelos laços fortes, caracterizam-se por relações esparsas, que não traduzem proximidade e intimidade (Recuero, 2010). Gabriel (2010, p. 199) reforça que, pelo fato de a internet ser um ambiente de circulação rápida da informação, os laços fracos tornam-se ainda mais críticos e sensíveis as mudanças. Segundo Luciana Lima (2006), os laços fracos perdem em consistência, porém ganham em habilidade de estabelecerem ligações com contatos mais longínquos do que aqueles que os laços fortes conseguem alcançar, assim apresentam-se como pontes que indiretamente conectam vários pontos da rede via fluxo de informações. A transmissão de notícias que se efetua nesse caso atinge potencialmente um maior número de indivíduos. A autora ainda reforça que os contatos estabelecidos por meio de laços fracos não se justapõem aos contatos estabelecidos pelos laços fortes, ou 13 seja, quanto mais o indivíduo estabelece relações pautadas sobre laços fracos, suas probabilidades de procurar por um laço forte diminuem. Os laços fracos constituem a maior parte das ligações entre os nós (indivíduos), o que se dá em função da capilaridade que as plataformas de redes sociais permitem aos indivíduos. Partindo do princípio de que o usuário formata o uso das redes e ele parte do princípio de publicitar suas conexões, os laços fracos aparecem como mais relevantes para a promoção e ligação com redes diferentes. TEMA 5 – CAPITAL SOCIAL E OS VALORES DA REDE SOCIAL (CULTURAL, SOCIAL E INTELECTUAL) Recuero (2010) relaciona o capital social à qualidade das conexões nas redes sociais, referente à conexão entre indivíduos para reforçar o capital social como um catalizador para a disseminação do capital humano e intelectual, seja pelo conhecimento e pela competência. Parte do conceito de Web 2.0, em que os usuários criam livremente e utilizam a inteligência coletiva para acessarem os recursos da rede e, assim, permite-se a transferência de conhecimento. A Internet surge como um meio social e interativo e como uma forma de transmissão unilateral dos produtores para os consumidores (Solomon, 2011). Desta forma, Recuero (2009) reforça que as redes sociais podem ser mapeadas por meio de trocas conversacionais entre os atores, as quais permitem ao observador compreendera natureza das relações sociais estabelecidas e suas principais características. Mas a conversação é constituída de interações entre os atores capazes de construir o valor social, conhecido como capital social. O capital social vai muito além do capital econômico; ele não é quantificado ou monetizado, como uma moeda para troca de serviços ou produtos. O capital social é medido pelo conhecimento intrínseco da rede, pela qualidade dos relacionamentos, pela atividade da rede social e pela reciprocidade entre os indivíduos da rede. Rheingold (1993, citado por Seraj, 2012) define as comunidades on-line como agregações que emergem da rede quando um número suficiente de pessoas sustenta discussões públicas por tempo suficiente e com ênfase no sentimento humano, para formar relacionamentos pessoais no ciberespaço. Esta perspectiva é importante para entendermos que o capital social nem sempre se forma estruturado ou planejado, por isto utilizar o planejamento, na perspectiva dos pilares reconhecidos como formadores da rede e construtores de percepção dos consumidores para com as instituições e marcas, reduz em muito as possíveis crises ao longo dos negócios. 14 Nesta visão, destacamos três conjuntos de valores que dizem respeito a percepção de construção de valor da comunidade on-line: • Valor intelectual; • Valor social; e • Valor cultural. Os dois primeiros valores correspondem às definições e funções do capital social e são relacionados com o acesso aos recursos da rede e a qualidade do conteúdo postado pelos usuários. O valor cultural diz respeito à atitude, pois busca a identificação cultural, suas características, regras e posturas. E por que falamos de conceitos de construção de valores nas redes sociais quando estamos pensando em merchandising e promoção de vendas? Porque, como já falamos aqui, o consumidor tem o poder da informação e produção de conteúdo nas mãos. O mundo é mobile, e qualquer problema que aconteça na porta de sua empresa, independente do tamanho, seja uma loja no bairro ou uma grande cadeia de varejo, temos que estar ao lado dos consumidores para minimizar ao máximo possíveis inconvenientes com o negócio. Por isto, construir um capital social positivo ajuda a minimizar possíveis crises, contando com a ajuda de seus consumidores influenciadores para defender sua organização, marca ou serviço. 5.1 O valor intelectual Segundo Seraj (2012), no valor intelectual, as principais características e que contribuem na criação do valor são a cocriação de conhecimento e a qualidade do conteúdo produzido pelo usuário, ou seja, o valor intelectual é um conteúdo, técnico, atualizado, confiável e entregue de uma forma profissional e cocriado com a participação de profissionais e entusiastas e participantes da rede. Seraj (2012) ressalta que significados, conteúdos e experiências que as corporações não são capazes de gerar são cocriadas pelos consumidores, o que, em um site da comunidade, garante a manutenção do conteúdo por meio de comentários e opiniões ou item visual adicionado à mensagem original, e todos contribuem para o conteúdo gerado. 5.2 O valor social O valor social estimula a qualidade do conteúdo e valores da comunidade on- line, orienta para um ambiente interativo on-line como a experiência de conexão e de 15 interação da comunidade, incluindo a participação, socialização e experiências comunitárias. Esta interatividade motiva as pessoas a se conectarem entre elas, e não está relacionada a máquinas ou tecnologia, mas sim a relações entre os membros da comunidade on-line, os quais desenvolvem laços fortes e criam lealdade para com a comunidade (SERAJ, 2012). 5.3 O valor cultural O terceiro valor, destacado por Seraj (2012), refere-se ao valor cultural, ou seja, o que dá sentido de identidade e compreensão do comportamento, sendo o conjunto de valores, ideias, significados e símbolos que ajudam os indivíduos a se comunicarem, interpretarem-se e se identificarem como membros de uma comunidade. Nas culturas on-line, as interações com o aprofundamento e amadurecimento das relações sociais on-line, por meio da cocriação e interação, criam as normas culturais e intenções que dão sentido e orientam a comunidade (Seraj, 2012, p. 217). Em resumo, o valor cultural somente será percebido se todos os membros da comunidade entenderem a sua importância e reconhecerem estes valores na construção de uma imagem da comunidade. 16 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os 8 P’s do Marketing Digital – O Guia Estratégico do Marketing Digital. São Paulo: Novatec, 2011. ARNAUT, R. D. Era Transmídia. Revista GEMInIS, ano 2, n. 2, p. 259 – 275, 2011. DALL'AGNOL, L. Nove em cada dez brasileiros pesquisam na internet antes de fazer compra. Veja, 6 out. 2021. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/coluna/radar/nove- em-cada-dez-brasileiros-pesquisam-na-internet-antes-de-fazer-compra/>. Acesso em: 3 mar. 2023. FERREIRA, L. M. Marketing de Conteúdo em Ambiente Digital: Uma estratégia de Branding na perspectiva evolutiva do Marketing. Revista Científica de Comunicação Social do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), v. 9, n. 1, p. 63- 80, jan./jun. 2016. GABRIEL, M. Marketing na Era Digital. São Paulo: Novatec, 2010. GARRITANO, G. 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