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<p>História da Palestina</p><p>nos Tempos de Jesus</p><p>Material Teórico</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Prof. Dr. Edgar Silva Gomes</p><p>Prof. Ms. André Valva</p><p>Revisão Textual:</p><p>Prof. Ms. Claudio Brites</p><p>História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo: Religião e</p><p>Poder na Sociedade Romana</p><p>• Introdução</p><p>• O Contexto Político-Religioso de Paulo</p><p>• A Confrontação com o Império</p><p>• A Sociedade Alternativa ao Poder do Império Romano</p><p>· Aprender um pouco mais sobre um importante tema: De Saulo a</p><p>Paulo: Religião e Poder na Sociedade Romana. Então, procure ler,</p><p>com atenção, o conteúdo disponibilizado e o material complementar.</p><p>Não se esqueça! A leitura é um momento oportuno para registrar</p><p>suas dúvidas; por isso, não deixe de registrá-las e transmiti-las ao</p><p>professor-tutor.</p><p>OBJETIVO DE APRENDIZADO</p><p>História da Palestina: Século I – De Saulo a</p><p>Paulo: Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>Orientações de estudo</p><p>Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem</p><p>aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua</p><p>formação acadêmica e atuação profissional, siga</p><p>algumas recomendações básicas:</p><p>Assim:</p><p>Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte</p><p>da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e</p><p>horário fixos como o seu “momento do estudo”.</p><p>Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma</p><p>alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.</p><p>No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e</p><p>sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também</p><p>encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua</p><p>interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.</p><p>Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,</p><p>pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato</p><p>com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.</p><p>Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte</p><p>Mantenha o foco!</p><p>Evite se distrair com</p><p>as redes sociais.</p><p>Mantenha o foco!</p><p>Evite se distrair com</p><p>as redes sociais.</p><p>Determine um</p><p>horário fixo</p><p>para estudar.</p><p>Aproveite as</p><p>indicações</p><p>de Material</p><p>Complementar.</p><p>Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma</p><p>Não se esqueça</p><p>de se alimentar</p><p>e se manter</p><p>hidratado.</p><p>Aproveite as</p><p>Conserve seu</p><p>material e local de</p><p>estudos sempre</p><p>organizados.</p><p>Procure manter</p><p>contato com seus</p><p>colegas e tutores</p><p>para trocar ideias!</p><p>Isso amplia a</p><p>aprendizagem.</p><p>Seja original!</p><p>Nunca plagie</p><p>trabalhos.</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>Contextualização</p><p>Saiba que esta Disciplina tem como propósito apresentar um panorama histórico</p><p>do contexto da atuação de Jesus com as discussões mais recentes dessa área; além</p><p>de lhe proporcionar momentos de leitura – textual e audiovisual – e reflexão sobre</p><p>os temas que serão aqui discutidos, contribuindo com sua formação continuada e</p><p>trajetória profissional.</p><p>Esta Disciplina está organizada em seis Unidades, cujo eixo principal será a</p><p>História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo: Religião e Poder na Sociedade</p><p>Romana, ou seja, que dê conta de conhecer, definir, classificar e conceituar Jesus e</p><p>seu tempo como campo de pesquisas, estudos e formação acadêmica e profissional,</p><p>é o que você encontrará nas próximas unidades.</p><p>Ademais, perceba que a Disciplina em ensino a distância pode ser realizada em</p><p>qualquer lugar que você tenha acesso à Internet e em qualquer horário. Dessa forma,</p><p>normalmente com a correria do dia a dia não nos organizamos e deixamos para</p><p>o último momento o acesso ao estudo, o que implicará no não aprofundamento</p><p>do material trabalhado, ou ainda, na perda dos prazos para o lançamento das</p><p>atividades solicitadas.</p><p>Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo,</p><p>você poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário</p><p>todos ou alguns dias e determinar como o “momento do estudo”.</p><p>No material de cada unidade há videoaulas e leituras indicadas, assim como</p><p>sugestões de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua</p><p>interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.</p><p>Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em</p><p>fóruns de discussão, assim como realize as atividades de sistematização, estas que</p><p>lhe ajudarão a verificar o quanto absorveu do conteúdo: são questões objetivas que</p><p>lhe pedirão resoluções coerentes ao apresentado no material da respectiva Unidade</p><p>para, então, prepará-lo(a) à realização das respectivas avaliações. Tratando-se de</p><p>atividades avaliativas, se houver dúvidas sobre a correta resposta, volte a consultar</p><p>as videoaulas e leituras indicadas para sanar tais incertezas.</p><p>8</p><p>9</p><p>Introdução</p><p>Desde a década de 60 a.C. o destino da Palestina estava vinculado ao destino do</p><p>império romano, “[...] sob os últimos asmoneus, sumos sacerdotes e etnarcas dos</p><p>judeus, e sob Herodes o Grande, amigo e aliado do povo romano (37 a.C.), e o neto</p><p>deste, Herodes Agripa (41-44 d.C.), a Palestina foi um Estado vassalo” (SIMON;</p><p>BENOIT, 1987, p. 119). Um procurador romano governou todos os territórios dos</p><p>judeus, a Judeia, a partir de 6 d.C., que era o território que atualmente chamamos</p><p>de Palestina. A maior autoridade local permanecia sendo o sumo sacerdote, que a</p><p>partir do sinédrio julgava os casos relacionados à Lei mosaica, esta que regia a vida</p><p>individual e coletiva do povo judeu e de seus conversos.</p><p>Toda essa aliança de interesses entre as elites romanas e judaicas se deteriorou</p><p>com a insurreição de 66-70, “[...] que tendo visado à independência, resultou na</p><p>devastação de Jerusalém e do Templo pelas legiões de Tito, bem como na extinção</p><p>simultânea do sacerdócio, a Palestina foi colocada sob regime de administração</p><p>direta, com o procurador substituído [...]”, após este fato e sendo administrada por</p><p>um Legado, não houve mais nenhuma autoridade local com reconhecimento oficial</p><p>por parte do império romano (SIMON; BENOIT, 1987, p. 119).</p><p>O contexto político-religioso de Paulo, tratando-se de um judeu religioso, como</p><p>era o caso do apóstolo em questão, confunde-se e isto justifica a perseguição às seitas</p><p>e ao cristianismo nascente, fatores que desfrutavam do mesmo ambiente religioso,</p><p>o Templo, local sagrado e ritualístico para o povo judeu, “[...] sob o aspecto ritual,</p><p>esse serviço divino atingia o ponto culminante nas solenes liturgias do Templo de</p><p>Jerusalém, santuário único e sem imagens do Deus único e invisível [...]”, de modo</p><p>que os pagãos não podiam conviver com judeus no Templo, e a população judaica</p><p>era dividida em classes sociais, onde se alternavam para fazer assistência no culto,</p><p>porém, a casta sacerdotal, descendentes de Aarão, era quem verdadeiramente</p><p>conduzia as cerimonias (SIMON; BENOIT, 1987, p. 56).</p><p>Jesus tentou quebrar essa rigidez do sistema judaico de seu tempo, “[...] hoje não</p><p>podemos chegar à compreensão satisfatória do pensamento e do ensinamento de</p><p>Jesus, sem entendermos o que Ele e seus contemporâneos sentiam a respeito do</p><p>tempo [...]”, esse seria um tempo novo, sem as divisões de classes, preconceitos e</p><p>hierarquias; o Reino de Deus com certeza não era aquele que estava reinando nos</p><p>tempos de Jesus (NOLAN, 1987, p. 109). Essa fora a missão de Paulo, depois de</p><p>converso ao cristianismo, e será nosso desafio nestas páginas: entender o contexto</p><p>em que esse apóstolo missionou para transmitir aos seus contemporâneos a palavra</p><p>de Deus e anunciar o Seu Reino.</p><p>9</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>Figura 1</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>O Contexto Político-Religioso de Paulo</p><p>Afinal, quem era Paulo? Qual sua origem? Segundo Murphy-O’Connor, no livro</p><p>Paulo: biografia crítica,</p><p>o apóstolo deixa esta nossa dúvida sem solução; porém,</p><p>há algumas pistas sobre a sua origem. Em Romanos indica-se que sua origem é</p><p>israelita: “Pergunto, então: não teria Deus, porventura, repudiado seu povo? De</p><p>modo algum! Pois eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo</p><p>de Benjamin” (Rm, 11, 1). Paulo insiste em dar suas credenciais judaicas em suas</p><p>epistolas, e isto é um ato político vivido por judeus das diásporas, e que fora vivida</p><p>mais uma vez pela maioria dos israelitas expulsos, mais uma vez em sua história, de</p><p>sua terra natal, nas décadas de 60 e 70 d.C., pelo império romano: “Aquilo que os</p><p>outros ousam apresentar – falo como insensato – ouso-o também eu. São hebreus?</p><p>Também eu. São israelitas? Também eu. São descendentes de Abraão? Também</p><p>eu” (Cor, 11, 22).</p><p>O judaísmo a partir da década de 60 d.C. não se limitava mais ao território da</p><p>Palestina, onde originalmente se instalaram ao deixar o Egito rumo à Canaã, a terra</p><p>prometida por Deus ao seu povo, ou seja, a região da Palestina, dos tempos da</p><p>dominação do império romano. Para se entender os deslocamentos dos judeus e o</p><p>sentimento de pertencimento desse povo ao universo político-cultural do judaísmo</p><p>e, em consequência, à afirmação de Paulo de que era realmente um judeu, é</p><p>preciso entender que “[...] de maneira quase que ininterrupta, a partir do exílio, um</p><p>vasto movimento de emigração, ora forçado, ora espontâneo, levara à constituição</p><p>de importantíssimas colônias judaicas em toda a bacia do mediterrâneo [...]”; é</p><p>importante também lembrar que “[...] os judeus possuíam um estatuto oficial [...]</p><p>que lhes garantia, tanto na diáspora, quanto na Palestina, liberdade de proteção</p><p>do Estado romano para exercer seu próprio culto [...]”, e não era só em relação</p><p>ao culto, mas também em matéria de obediência civil ao império, tudo que ferisse</p><p>10</p><p>11</p><p>a sua religiosidade; com isso, “[...] além de dispensá-lo de tudo o que, em matéria</p><p>de deveres cívicos, fosse incompatível com as exigências de sua fé [...]”, com isso,</p><p>os judeus estavam dispensados de prestar culto ao imperador (SIMON; BENOIT,</p><p>1987, p. 71).</p><p>Pelos relatos das cartas paulinas, já sabemos, então, que Paulo era um judeu</p><p>praticante, temente a Deus e fiel à Lei, tão fiel que foi um dos grandes perseguidores</p><p>dos cristãos, ou seja, dos primeiros judeus seguidores de Jesus, que na diáspora</p><p>frequentavam o mesmo espaço do culto a Deus, nas sinagogas. Podemos também</p><p>dizer que, segundo as Escrituras Sagradas, Paulo era um judeu da diáspora. Segundo</p><p>Murphy-O’Connor (2000), as cartas paulinas dão uma pequena pista de onde veio</p><p>o apóstolo, ou seja, de sua terra natal, a Cilícia: “A capital Antioquia tinha muitos</p><p>aspectos semelhantes a Damasco que ele foi forçado a deixar [...]. Certamente,</p><p>oferecia muitas oportunidades para o ministério. Porque então ele foi à Cilícia?</p><p>A resposta mais simples é a existência de uma ligação pessoal” (MURPHY-</p><p>O’CONNOR, 2000, p. 47).</p><p>“Eu sou judeu. Nasci em Tarso, da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, educado aos</p><p>pés de Gamaliel, na observância exata da Lei de nossos pais, cheio de zelo por Deus,</p><p>como vós todos no dia de hoje” (Lc, 22, 3).</p><p>Para Murphy-O’Connor (2000) essa informação foi confirmada por Lucas,</p><p>quando disse que Paulo veio de Tarso, ou seja, a capital da Cilícia: “O Senhor lhe</p><p>disse em visão: Ananias! Ele respondeu: Estou aqui Senhor! E o Senhor prosseguiu:</p><p>Levanta-te, vai pela rua chamada Direita e procura, na casa de Judá, por alguém de</p><p>nome Saulo de Tarso” (At, 9, 11). Lucas ainda confirma essa informação em outras</p><p>passagens dos Atos e, desta vez, “reproduz” as palavras do apóstolo: “Respondeu-</p><p>lhe Paulo: eu sou judeu, de Tarso, da Cicia, cidadão de uma cidade insigne. Agora,</p><p>porém, peço-te: permite-me falar ao povo” (At, 21, 39). Segundo Murphy-O’Connor</p><p>(2000), o discípulo Lucas não teria qualquer interesse em inventar uma origem para</p><p>Paulo: “Lucas não teria interesses em inventar para Paulo uma origem na diáspora</p><p>[...] com certeza, teria preferido que Paulo fosse de Jerusalém [...]”; mas bem que</p><p>Lucas tentou ligar Paulo à Jerusalém ao sugerir que ele foi educado naquela cidade:</p><p>“De fato, ele tenta fazer Paulo ser de Jerusalém por adoção, afirmando que, embora</p><p>nascido em Tarso, Paulo não só foi educado, mas também formado em Jerusalém”</p><p>(MURPHY-O’CONNOR, 2000, p. 47). Porém, Tarso foi uma importante cidade do</p><p>império romano, anexada por Pompeu no ano de 64 a.C., situada na Ásia Menor,</p><p>região da atual Turquia.</p><p>Vosso lar está em uma grande cidade e ocupais uma terra fértil, porque</p><p>encontrais as necessidades da vida supridas na maior abundância e profusão,</p><p>pois tendes este rio que corre pelo coração da vossa cidade; além disso,</p><p>Tarso é a capital de todo o povo da Cilícia (XENOFONTE, Discursos, 33,</p><p>17; cf. 34, 7 apud MURPHY-O’CONNOR, 2000, p. 48).</p><p>11</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>Sob o domínio do império romano desde 66 a.C., a cidade de Tarso, na região</p><p>da Cilícia, foi uma cidade leal à Roma e sua população recebeu grande contingente</p><p>de judeus até o final do século I d.C.; como visto, os judeus gozavam de um</p><p>estatuto especial para exercer sua religião e, em alguns casos, sua administração,</p><p>mesmo depois da revolta da década de 60 d.C., “[...] no âmbito municipal [...] as</p><p>comunidades judaicas por vezes gozavam dos mesmo direitos que a população</p><p>pagã, sem por isso ficarem sujeitas às mesmas obrigações, na medida em que estas</p><p>fossem de caráter religioso, possuíam uma administração particular [...]” (SIMON;</p><p>BENOIT, 1987, p. 72). Apesar de não se dar da mesma forma em todas as regiões,</p><p>e de em algumas ocasiões causar conflitos com os pagãos, por causa da liberdade</p><p>de crença e administrativa que gozavam, fosse um desrespeito aos outros cidadãos</p><p>do império.</p><p>Figura 2</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Os judeus viveram em seu mundo particular, mesmo na(s) diáspora(s), ou seja,</p><p>aplicando suas leis aos seus cidadãos, os israelitas, que estavam sob a égide da</p><p>Lei mosaica. Dessa forma é que se justifica a perseguição de Paulo aos cristãos,</p><p>que naquele contexto eram considerados “desertores” do judaísmo, chamados de</p><p>nazarenos ou cristãos; era um novo grupo que estava se formando no seio do</p><p>judaísmo, que coexistia com os outros quatro grupos: saduceus, fariseus, zelotes</p><p>e essênios. Os seguidores de Jesus continuavam a frequentar o Templo, até sua</p><p>destruição, e depois passaram a frequentar as sinagogas na diáspora. Para o</p><p>judaísmo o significado de seita não tem a mesma conotação dada à palavra na</p><p>contemporaneidade; naquele contexto, as seitas judaicas eram, principalmente, os</p><p>saduceus, os fariseus, os essênios e os zelotes, como dito.</p><p>12</p><p>13</p><p>“Aliás, eu poderia, até, confi ar na carne. Se algum outro pensa que pode confi ar</p><p>na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de</p><p>Benjamin, hebreu fi lho de hebreus; quanto a Lei fariseu; quanto ao zelo perseguidor</p><p>da igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível” (FL, 3, 4-5). Em Lucas, Paulo</p><p>confi rma a perseguição aos cristãos: “Persegui de morte este caminho, prendendo e</p><p>lançando à prisão homens e mulheres, como podem testemunhar o sumo sacerdote</p><p>e todos os anciãos. Deles cheguei a receber cartas de recomendação para os irmãos</p><p>em Damasco e para lá me dirigi, a fi m de trazer algemados para Jerusalém os que lá</p><p>estivessem, para serem aqui punidos” (Lc, 22, 4-5).</p><p>A palavra haíresis deu origem ao termo heresia, porém, todos os quatro grupos</p><p>citados são denominados pelo termo haíresis, “[...] mas que a princípio não apre-</p><p>sentava conotação pejorativa e significava apenas escolha, opção, escola filosófica</p><p>ou religiosa. Foi exatamente esse termo que o latim traduziu por secta (SIMON;</p><p>BENOIT, 1987, p. 60). Saduceus e zelotes eram representantes do judaísmo oficial,</p><p>ao passo que essênios e zelotes eram grupos de judeus marginalizados pela oficiali-</p><p>dade do Templo, ou seja, estavam mais próximos do que entendemos</p><p>por seita hoje,</p><p>porém não os são, haja vista que para os judeus a palavra seita, originada do termo</p><p>haíresis, queria dizer simplesmente escolha, apesar dos dois últimos grupos estarem</p><p>em situação de discriminação, como dissemos, não foram perseguidos de forma sis-</p><p>temática – como foram os cristãos no contexto paulino.</p><p>Paulo, um fariseu, como se autodenominou, pertencia à ala predominante do</p><p>judaísmo naquele contexto. Em seu favor também estava o fato de sua cidade de</p><p>origem gozar de grande prestígio diante do império romano, já no final do século I</p><p>a.C., este fato pode ser constatado, segundo Murphy-O’Connor (2000), por estar</p><p>“[...] absorvida no sistema romano em 66 a.C., quando Pompeu organizou a Ásia</p><p>Menor, Tarso opôs-se a Cássio, assassino de seu protetor Júlio César. Em 42 a.C.,</p><p>Marco Antônio recompensou a lealdade concedendo-lhe liberdade e imunidade [...]”,</p><p>esta concessão era fato raro para uma cidade que não era colônia, e o privilégio</p><p>foi sendo confirmado pelos dominadores, Augusto em 31 a.C., após a batalha de</p><p>Ácio, “[...] lhe outorgou terra, leis, honra, controle do rio e do mar em vossa parte</p><p>do mundo e é por isso que vossa cidade cresceu tão depressa [...]” (MURPHY-</p><p>O’CONNOR, 2000, p. 48).</p><p>Todo esse prestígio galgado ao longo do tempo pela cidade de Tarso diante do</p><p>império romano nos é particularmente importante, pois os habitantes da região da</p><p>Cilícia garantiram para si a cidadania romana, e Paulo fora, portanto, um cidadão</p><p>romano, fazendo uso dessa condição para se defender da perseguição que passou</p><p>a sofrer após sua conversão ao cristianismo.</p><p>13</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>Importante!</p><p>“Depois de o amarrarem com as correias, Paulo observou ao centurião presente: ‘ser-</p><p>vos-á lícito açoitar um cidadão romano, ainda mais sem ter sido condenado?’ A estas</p><p>palavras, o centurião foi ter com o tribuno para preveni-lo: ‘Que vais fazer? Este homem</p><p>é cidadão romano’”. Vindo, então, o tribuno, perguntou a Paulo: ‘Dize-me: tu és cidadão</p><p>romano?’ ‘Sim’, respondeu ele. O tribuno retomou: ‘Precisei de um vultuoso capital para</p><p>adquirir a esta cidadania’. ‘Pois eu, disse Paulo, a tenho de nascença’. Imediatamente se</p><p>afastaram dele os que iam torturá-lo. O próprio tribuno teve receio, ao reconhecer que</p><p>era um cidadão romano, e que mesmo assim o havia acorrentado (At, 22, 25-29).</p><p>Importante!</p><p>Paulo viveu em um contexto político-religioso bastante conturbado, que culminou</p><p>com a revolta de 60-70 d.C., onde o Templo de Jerusalém foi destruído; nem mesmo</p><p>os judeus estavam seguros para praticar sua religião no contexto da diáspora; o</p><p>cristianismo estava se tornando uma seita independente da religião dos judeus e,</p><p>com isso, passou a ser perseguido pelos defensores da Lei mosaica, nas regiões</p><p>onde gozava de liberdade, e pelo paganismo do império romano. Paulo passou de</p><p>perseguidor a perseguido e ao se converter teve de enfrentar a ira dos judeus do</p><p>sinédrio e dos governantes romanos.</p><p>A Confrontação com o Império</p><p>Todo o mundo habitado lhe prestava honras normalmente conferidas</p><p>aos deuses do Olimpo. Essas honras são tão bem atestadas por templos,</p><p>corredores, vestíbulos e colunas, que toda cidade que contém obras</p><p>magnificas novas e antigas é superada em magnificência pela beleza e</p><p>magnitude das dedicadas a César (FILO, Legatio ad gaium, p. 149-150,</p><p>adaptação de LOEB apud HORSLEY, 2004, p. 19).</p><p>Na Antiguidade Clássica, na qual grande parte foi dominada pelo império roma-</p><p>no, ao falarmos de religião, devemos ter em mente que não se trata de religião como</p><p>entendemos no mundo hodierno, pois naquele contexto a religião era indissociável à</p><p>política. Essa cultura também se aplicaria ao judaísmo, permeado pelo binômio inse-</p><p>parável à época: religião e política. A cultura judaica não separava em seu cotidiano</p><p>a política da religião.</p><p>O culto romano ao imperador, para além do sentido religioso, foi fortemente mar-</p><p>cado pelo aspecto político da dominação; adorar o imperador era adorar o Estado e</p><p>tudo o que implicava à época esse conceito. Portanto, “[...] se pensarmos a religião</p><p>primordialmente em termos da fé do indivíduo em um Deus ou em sua relação pesso-</p><p>al com um Deus, podemos não perceber a importância de expressões religiosas bem</p><p>mais importantes nas sociedades tradicionais” (HORSLEY, 2004, p. 21).</p><p>14</p><p>15</p><p>Os romanos expandiram seu império através da força das armas; dessa forma,</p><p>controlaram grande parte do mundo conhecido na Antiguidade; usaram do medo</p><p>para impor seu poder e controlar as regiões que foram conquistando, “[...] os líderes</p><p>militares romanos usavam a crucificação para aterrorizar os povos subjugados a fim</p><p>de submetê-los ao regime imperial” (HORSLEY, 2004, p. 19).</p><p>Em alguns casos, após dominarem um povo ou região, foram sendo realizadas</p><p>importantes alianças com as elites subjugadas pelo império, a fim de manter o</p><p>domínio sobre a população como aconteceu, por exemplo, com a elite judaica,</p><p>que se aliou ao império e ajudou a oprimir seu próprio povo. Mas, não foi somente</p><p>com a elite judaica que os romanos fizeram alianças, dando liberdades controladas;</p><p>muito antes, outras regiões foram anexadas ao império romano e se mantiveram</p><p>pacificadas não pela força inicial, mas passaram a ser integradas ao império através</p><p>de alianças.</p><p>Porém, após a nova forma implantada por Augusto para administrar seu impé-</p><p>rio, o uso da força militar e da ostensiva lei fiscal, como predominava na Palestina,</p><p>cedeu espaço para uma nova forma de exercício de poder, que seguia “[...] apa-</p><p>rentemente mais um padrão de relações sociais, articulado com maior visibilidade</p><p>em formas religiosas, ou talvez devêssemos dizer político-religiosas” (HORSLEY,</p><p>2004, p. 21); ou seja, os povos dominados há mais tempo foram assimilando a cul-</p><p>tura político-religiosa do império romano, onde a importância do culto religioso se</p><p>concentrava “[...] nas sociedade tradicionais, como os rituais sacrificiais, os festivais</p><p>comunitários, e a estruturação e decoração do espaço público [...]” (HORSLEY,</p><p>2004, p. 21); a religião instrumentalizada pelo Estado imperial não cedia muito</p><p>espaço para as relações de fé entre homens e deuses sobrenaturais. Outra questão</p><p>importante que não podemos perder de vista, sobre tal contexto, é a de que:</p><p>Quase três gerações antes da época da missão de Paulo em Filipos,</p><p>Tessalônica, Corinto e Éfeso, essas áreas foram completamente pacificadas.</p><p>Na verdade, a ordem imperial em áreas como as províncias de Acaia, da</p><p>Macedônia e da Ásia sequer exigia uma burocracia administrativa e muito</p><p>menos a presença militar. Uma das mudanças realmente notáveis sob o</p><p>império de Augusto foi a consolidação do imperium romanum numa</p><p>entidade bem mais unificada do que a mera reunião de províncias [...]</p><p>o poder imperial já não funcionava de acordo com aquilo que se pensa</p><p>comumente como interações políticas [...] as relações de poder imperiais</p><p>passaram a se constituir nas imagens, santuários, templos e festivais do</p><p>culto ao imperador [...] a elite provincial, que se tornara cliente imperial,</p><p>era também o principal patrocinador do culto imperial, as instituições</p><p>político-religiosas em que as relações de poder se constituíam eram</p><p>virtualmente inseparáveis das redes socioeconômicas locais da sociedade</p><p>imperial (HORSLEY, 2004, p. 20-21).</p><p>Paulo de Tarso entrou em rota de colisão com o modo de vida que havia se</p><p>espalhado pelo império romano para além do território Palestino. O neoapóstolo</p><p>era judeu e defendeu a aplicação do rigor da Lei mosaica para os judeus que se</p><p>desviavam da fé/cultura judaica, ou seja, Paulo lutou para preservar a fé de seus</p><p>15</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>antepassados, portanto, seria comum dizer que também foi contra a religião de</p><p>Estado romano, apesar de ser um cidadão romano, era um judeu da diáspora, e</p><p>como todo judeu, que mais uma vez viveu o dilema do exílio forçado e de conviver</p><p>com</p><p>outra cultura, o apóstolo Paulo era um judeu praticante.</p><p>Como vimos, a Palestina esteve durante quase um século sob a antiga forma de</p><p>dominação romana, apesar da aliança da elite judaica, capitaneada pelo sinédrio,</p><p>onde havia liberdade administrativa e de culto para os judeus, grande parte da</p><p>população, em especial os camponeses, vivia sob pesadas obrigações da política</p><p>fiscal do império e, com isso, perderam suas terras e pagaram sobretaxas sobre</p><p>suas mercadorias em diversas ocasiões, inclusive ao frequentar o Templo. A revolta</p><p>das décadas 60 e 70 d.C. desnudou uma situação insustentável e o império agiu</p><p>com toda brutalidade que lhe foi bastante peculiar contra os insurgentes.</p><p>Como era a situação dos cristãos no período compreendido entre a morte de Jesus</p><p>e a atuação de Paulo, após a sua conversão, estava mais tensa a situação política</p><p>entre a população da Palestina e o império romano. Em relação aos judeu-cristãos</p><p>de língua hebraica ou aramaica, o curto espaço de tempo, entre a morte de Jesus</p><p>e a queda do Templo de Jerusalém, esse grupo passou da tolerância ao desprezo</p><p>e perseguição, dentro de sua própria nação. A relação entre os judeus (ortodoxos)</p><p>e os cristãos (judeus) sofrera um desgaste gradual, pois ambos frequentavam o</p><p>templo, segundo Pierini (1998, p. 52), “[...] a língua e a cultura constituem, desde</p><p>o início, o primeiro elemento de distinção no interior da comunidade dos novos</p><p>crentes, mesmo sem levar a uma distinção propriamente dita [...] os judeus cristãos</p><p>são tolerados pelas autoridades de Jerusalém”.</p><p>Os ânimos estavam tão acirrados na Palestina que em pouco tempo os apóstolos</p><p>passaram a sofrer seguidas prisões; Pedro e João tiveram de enfrentar acusações</p><p>e prisões: “Estavam, eles falando ao povo, quando sobrevieram os sacerdotes, o</p><p>oficial do Templo e os saduceus, contrariados por vê-los ensinar ao povo e anunciar,</p><p>em Jesus, a ressurreição dos mortos. Lançaram as mãos sobre eles e os recolheram</p><p>ao cárcere” (At. 4, 1-3). Em nome de Cristo, os apóstolos, no ano de 44 sofreram</p><p>perseguição das autoridades civis, “[...] desencadeada por Herodes Agripa II, com</p><p>a prisão e decapitação de Tiago de Zebedeu, irmão de João, e com a prisão de</p><p>Pedro. Depois que Pedro foi libertado e afastado de Jerusalém, a comunidade</p><p>judeu-cristã é confiada a Tiago, irmão do Senhor” (PIERINI, 1998, p. 53).</p><p>Nesse contexto a mensagem cristã começou a se expandir e atingiu a Judeia, a</p><p>Galileia e a Samaria, isso em meados do final da década de 30, chegando, inclusive,</p><p>à Roma, capital do império. Esse é um tipo de judeu-cristianismo ortodoxo. A</p><p>comunidade judaica da capital vivia em estreita relação com a Palestina, a pregação</p><p>da “Boa Nova” na década de 40 chegou a tal ponto que “[...] a propagação pela</p><p>capital deve ter-se verificado durante os anos 40, dado que o imperador Cláudio,</p><p>por volta de 49, toma medidas contra os judeus romanos, que estavam em briga</p><p>por causa de certo ‘Cresto’ (Cristo?)” (PIERINI, 1998, p. 53).</p><p>16</p><p>17</p><p>O contexto da conversão de Paulo, um judeu ortodoxo fiel à Lei mosaica,</p><p>que segundo alguns textos historiográficos, perseguia os cristão-helenistas, e não</p><p>apenas estes, pois “[...] ele assiste, aprovando-a, a morte de Estevão e colabora</p><p>com a perseguição aos heleno-cristãos. Perto de Damasco, porém, no ano de</p><p>37, converte-se ao cristianismo, após uma visão repentina” (PIERINI, 1998, p.</p><p>55). O mesmo Pierini nos informa a respeito do batismo de Paulo, realizado por</p><p>Ananias em Damasco, e de sua saída da cidade por causa da hostilidade sofrida</p><p>pelo apóstolo quando anunciava a messianidade de Jesus aos judeus.</p><p>Paulo saiu de Damasco e foi para o território dos nabateus, antes de ir à Jerusalém</p><p>se juntar à comunidade cristã, porém, entre os judeu-cristãos, Paulo também foi</p><p>repudiado, “[...] junta-se à comunidade cristã mediante os bons ofícios de Barnabé</p><p>e começa forte polêmica com os judeus especialmente com os da diáspora, e</p><p>por isso deve novamente fugir, refugiando-se primeiro na Cesareia e, depois em</p><p>Tarso” (PIERINI, 1998, p. 55). Esta peregrinação de Paulo se deu em torno de 39</p><p>ou 40, mas fora a rotina do apóstolo que fez em sua vida quatro grandes viagens</p><p>missionárias, “Por volta de 43-44, de novo por iniciativa de Barnabé, Saulo é</p><p>levado de Tarso a Antioquia, e aí desenvolve os temas do próprio ‘Evangelho’ e da</p><p>sua experiência cristã. Do ano de 44 ao 46, Saulo se transfere pela segunda vez a</p><p>Jerusalém, junto com Barnabé” (PIERINI, 1998, p. 55).</p><p>As viagens missionárias de Paulo: https://goo.gl/XnScFq</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>O apóstolo Paulo, ao se converter ao cristianismo, após trocar de lado, pois em</p><p>boa parte de sua vida, Paulo esteve ao lado dos opressores, viu-se impelido a reparar</p><p>seus erros e a espalhar a “Boa Nova” entre os povos. Paulo levou o nome de Cristo</p><p>para além das “fronteiras” do judaísmo e atingiu o mundo gentio com a palavra de</p><p>Jesus. E a palavra de Jesus, ou como a chamamos, “Boa Nova”, estava subverten-</p><p>do a lógica político-religiosa do império romano e do mundo conquistado por esse</p><p>império. Porém, como o apóstolo transformou um símbolo que era utilizado pelos</p><p>romanos para aterrorizar em símbolo de salvação para os povos oprimidos?</p><p>Primordialmente por meio da missão de Paulo, o Cristo Crucificado tornou-</p><p>se o símbolo central do movimento popular que veio a ser o cristianismo.</p><p>Uma vez que o crucifixo ficou cercado e coberto por várias associações</p><p>com sacrifício e expiação dos pecados, era fácil perder de vista o terror que</p><p>a cruz originalmente evocava como instrumento de tortura para escravos</p><p>e povos resistentes ao domínio romano [...]. A violência militar romana</p><p>estabeleceu as condições materiais, políticas e culturais em que se originou</p><p>o movimento cristão (HORSLEY, 2004, p. 19).</p><p>Paulo combateu a religião de seu tempo, ou seja, a religião de Estado do império</p><p>romano e outras formas culturais que estivessem contra a nova moral, ou seja,</p><p>tudo aquilo que incidia contra a “Boa Nova”; Paulo enfrentou os poderosos de</p><p>seu tempo para fazer o anúncio, “[...] rei Agripa, não me mostrei rebelde à visão</p><p>celeste. Ao contrário, primeiro os habitantes de Damasco, aos de Jerusalém e toda</p><p>17</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>a região da Judeia, e depois aos gentios anunciei o arrependimento e a conversão</p><p>a Deus com a prática de obras dignas” (At, 26, 19-20); e falou a todos os povos</p><p>em Roma: “Paulo ficou dois anos inteiros na moradia que havia alugado. Recebia</p><p>todos aqueles que vinham visitá-lo, proclamando o reino de Deus e ensinando o</p><p>que se refere ao Senhor Jesus Cristo com toda a intrepidez e sem impedimento”</p><p>(At, 28, 30-31).</p><p>Paulo viveu o bastante para testemunhar a primeira grande perseguição aos</p><p>cristãos realizada pelo imperador Nero e, nesse contexto, não foram só os cristãos</p><p>oriundos do paganismo de língua “grega” helenizados que foram perseguidos, os</p><p>judeu-cristãos, apesar do apego à Lei e ao Templo, nesse contexto, passaram a ser</p><p>hostilizados pelos judeus ortodoxos e “[...] são objeto de uma grave perseguição por</p><p>parte dos judeus: no ano 62, Tiago, ‘o justo’, chefe da comunidade, sofre o martírio</p><p>por obra do sumo sacerdote Anano [...]”, segundo Pierini (1998), essa perseguição</p><p>foi instigada pelos judeus, “[...] bem situados na corte, desaba sobre os cristão a</p><p>primeira perseguição imperial, a de Nero, ocorrida nos anos 64-65, após o incêndio</p><p>de Roma, que perdurou do dia 19 ao dia 25 de julho de 64. Acusados de serem os</p><p>incendiários [...]” (PIERINI, 1998, p. 57).</p><p>Os cristãos foram acusados e perseguidos pelo incêndio em Roma, porém, a viagem</p><p>pela Espanha e pelo Mar Egeu livrou Paulo de presenciar a tragédia que assolou a</p><p>cidade e os habitantes cristãos; segundo Murphy-O’Connor (2000), o incêndio durou</p><p>nove dias, de 19 a 28 de julho de 64, o que difere em três dias das fontes de Pierini</p><p>(1998), porém, o que importa é que Paulo não esteve presente na cidade nessa ocasião,</p><p>dado que foi justamente em seu retorno</p><p>que começaram seus dias de martírio, numa</p><p>cidade arrasada que teve dez dos seus quatorze bairros destruídos.</p><p>O imperador romano se apressou em reconstruir a cidade e dar abrigo aos</p><p>flagelados pelo incêndio, “[...] a fim de assegurar que a tragédia não se repetisse</p><p>e sua propiciação de todos os deuses que pudessem ter se sentido desrespeitados,</p><p>espalhou-se a notícia de que o imperador recorrera a um tipo de renovação um</p><p>tanto drástica [...]” (MURPHY-O’CONNOR, 2000, p. 371). A suspeita era de um</p><p>incêndio provocado, e esta suspeita recaiu sobre os cristãos, afinal, Nero precisava</p><p>de um bode expiatório, e o bode expiatório foi um grupo em ascensão, os cristãos.</p><p>Segundo os Anais de Tácito, citados por Murphy-O’Connor (2000, p. 371): “Nero</p><p>inventou bodes expiatórios e puniu com todo requinte os notórios e depravados</p><p>cristãos, como eram popularmente chamados, suas mortes foram ridicularizadas,</p><p>vestidos de animais selvagens foram estraçalhados por cães, ou crucificados [...]”</p><p>(TÁCITO, Anais, 15, 44). Temos notícias historiográficas mais popularmente</p><p>divulgadas, de que os cristãos foram transformados em tochas humanas para iluminar</p><p>Roma à noite, essa informação também consta nos Anais de Tácito.</p><p>18</p><p>19</p><p>Figura 2 - O incêndio de Roma, 18 de julho de 64, óleo de Hubert Robert,</p><p>no Museu de Arte Moderna André Malraux, em Le Havre.</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>A notícia do incêndio de Roma se espalhou e não tardou a chegar às comunidades</p><p>paulinas da Ásia e da Grécia, e com ela havia um grande dilema para o apóstolo:</p><p>“[...] os fiéis ficaram consternados ao saber da morte horrível que seus irmãos de</p><p>fé haviam sofrido. Vendo o impacto de tal pavor em seus convertidos, Paulo não</p><p>teve dificuldade em imaginar as consequências para os poucos cristãos de Roma</p><p>[...]” (MURPHY-O’CONNOR, 2000, p. 371). Paulo precisava enfrentar a situação</p><p>e retornar à capital do império – e foi o que ele teve de fazer.</p><p>O risco era grande demais, porém, era preciso correr em auxílio dos cristãos</p><p>que por ventura tivessem sobrevivido, “[...] para a igreja romana sobreviver, outras</p><p>comunidades teriam de vir em seu auxílio. Aqui temos um motivo que explica de</p><p>maneira adequada a volta de Paulo à Roma e a decisão de Erastes de permanecer em</p><p>Corinto. Este último achou o risco grande demais” (MURPHY-O’CONNOR, 2000,</p><p>p. 372). O fato de Erastes ter permanecido em Corinto também é atestado pela</p><p>segunda carta de Timóteo: “Saúda a Prisca e a família de Onesíforo. Erasto ficou em</p><p>Corinto. Deixei Trófimo doente em Mileto. Procura vir antes do inverno. Enviam-te</p><p>saudações: Êubulo, Pudente, Lino, Cláudia e todos os irmãos” (2TM, 4, 19-21).</p><p>O risco corrido por Paulo foi imenso, segundo Murphy-O’Connor (2000, p.</p><p>372), “[...] é improvável que entrasse secretamente na Cidade depois se esgueirasse</p><p>com cautela de um esconderijo a outro. A discrição era o primeiro passo em</p><p>direção à apostasia. A restauração da comunidade exigia uma presença bastante</p><p>representativa”. Nesse caso, o risco iminente era o menor problema, pois para Paulo</p><p>manter a sua posição de liderança, era preciso demonstrar coragem e segurança,</p><p>“[...] o testemunho tinha de ser público [...]” (MURPHY-O’CONNOR, 2000, p.</p><p>372). Porém, os cristãos eram perseguidos e Paulo sofreu as consequências: “Está</p><p>19</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>registrado que, no reinado de Nero, Paulo foi decapitado em Roma mesmo, que</p><p>Pedro foi igualmente crucificado e o registro se confirma pelo fato de que ali os</p><p>cemitérios ainda são chamados pelos nomes de Pedro e Paulo [...]” (MURPHY-</p><p>O’CONNOR, 2000, p. 372).</p><p>Paulo enfrentou o império romano para defender a fé que havia abraçado,</p><p>e dela deu testemunho até o último dia de sua vida: “Entendemos que a forma</p><p>da morte de Paulo, decapitação, significa que ele foi condenado por um tribunal</p><p>regularmente constituído. Não sabemos onde se realizou a execução, nem onde foi</p><p>enterrado” (MURPHY-O’CONNOR, 2000, p. 372).</p><p>A Sociedade Alternativa ao Poder</p><p>do Império Romano</p><p>Para os historiadores da igreja, Marcel Simon e André Benoit (1987, p. 119),</p><p>“[...] tanto quanto uma fé, o cristianismo nascente era uma esperança. [...] Ante um</p><p>mundo dominado pelas potências do mal e condenado a curto prazo, sua primeira</p><p>atitude só poderia ter sido de completa negação e hostilidade”. Com o fim da Era</p><p>Apostólica, ou seja, com o desaparecimento da geração que conviveu com Jesus</p><p>e seus discípulos mais próximos de seu tempo, e os primeiros apóstolos, como</p><p>Paulo, por exemplo, o cristianismo começou a se espalhar pelo mundo antigo.</p><p>Eram homens e mulheres que foram se convertendo ao cristianismo, exortados que</p><p>foram pelas palavras e testemunhos de outros homens e mulheres que conviveram</p><p>muito próximos aos primeiros seguidores de Jesus Cristo.</p><p>Os eventos que envolveram a vida e a morte de Jesus começavam a ser</p><p>interpretados por seus seguidores “[...] para a jovem cristandade, o drama palestino</p><p>foi interpretado, por um momento, como uma das catástrofes que deveriam</p><p>anunciar a parusia; mas, na medida em que esta tardava a realizar-se, passou a</p><p>interpretá-lo em definitivo [como] sinal de castigo” (SIMON; BENOIT, 1987, p.</p><p>109). Esse evento que a jovem cristandade presenciou foi a destruição do Templo</p><p>de Jerusalém, no contexto da revolta da década de 70.</p><p>Esse castigo contra Israel era interpretado como uma recusa da palavra de</p><p>Jesus ao seu povo, que não havia reconhecido o Messias. Os judeu-cristãos não</p><p>estavam renegando o judaísmo e seu povo, mas para os não judeus ficava cada</p><p>vez mais difícil entender os acontecimentos que flagelaram a Palestina, após a</p><p>revolta da década de 70, “[...] para eles se tornava difícil encontrar uma explicação</p><p>verdadeiramente satisfatória para um acontecimento que, aos olhos de um cristão</p><p>não judeu, assumia o valor de uma confirmação celeste à mensagem de Estevão e</p><p>Paulo” (SIMON; BENOIT, 1987, p. 109).</p><p>20</p><p>21</p><p>A igreja aguardava o iminente regresso do Cristo justiceiro. Tal atitude expressou-</p><p>se claramente nas imprecações do Apocalipse contra a Besta e Babilônia, a grande</p><p>meretriz, símbolos transparentes de Roma (SIMON; BENOIT, 1987, p. 119).</p><p>Essa “confirmação celeste” à mensagem de Paulo aos gentios só fez crescer</p><p>o número de adeptos ao cristianismo para além das fronteiras do judaísmo, os</p><p>gentios foram aos poucos se tornando maioria dentro da igreja nascente. Apesar do</p><p>comprometimento gentio à nova fé, “[...] a influência das concepções judaicas far-se-</p><p>ia sentir por muito tempo ainda, antes de mais nada porque a Igreja nunca deixou</p><p>de considerar a Bíblia como Escritura inspirada, que passou a designar como Antigo</p><p>Testamento [...]” (SIMON; BENOIT, 1987, p. 110). Paulo impulsionou a missão entre</p><p>os gentios, e até mesmo entre os doze apóstolos, segundo Simon e Benoit (1987),</p><p>alguns deles passaram a pregar entre os gentios, “[...] não obedeceram, porém, a um</p><p>plano missionário de conjunto, pois é lendária a tradição segundo a qual dividiram o</p><p>mundo com vistas à evangelização [...]” (SIMON; BENOIT, 1987, p. 110).</p><p>A igreja crescia em número de adeptos e se expandia “pelos quatro cantos do</p><p>mundo”, foi até à Antioquia e Síria, e estas são as duas comunidades mais bem</p><p>documentadas pelo livro dos Atos dos Apóstolos, como em Antioquia, “[...] onde</p><p>surgiu a denominação de cristão e onde pela primeira vez se enfrentou o problema</p><p>concreto das relações entre os cristãos não judeus e o judaísmo. Desde a época</p><p>apostólica existiram comunidades cristãs em outras cidades da Síria e da Fenícia”</p><p>(SIMON; BENOIT, 1987, p. 112). Surgiu nessa região, que englobava cidades</p><p>importantes como, por exemplo, Damasco, Tiro e Sídon, um pequeno livro, a</p><p>Didakké, atribuído aos ensinamentos dos doze apóstolos, portanto, com forte</p><p>influência do judaísmo. A Didakké é um pequeno livreto que contém ensinamentos</p><p>catequéticos e litúrgicos.</p><p>A expansão chegou à Ásia Menor, instalando-se em Éfeso, Magnésia, Trales,</p><p>Filadélfia e Esmirna, cidade</p><p>do bispo Policarpo, “[...] o cristianismo achava-se</p><p>solidamente enraizado na região, onde missionários chegados da Palestina, a maior</p><p>parte em decorrência dos acontecimentos do ano 70, haviam dado continuidade</p><p>à obra de Paulo [...]” (SIMON; BENOIT, 1987, p. 112-113). O Oriente semita e</p><p>o Ocidente latino também recebiam a “Boa Nova” como, por exemplo, a Gália,</p><p>Cartago e a Costa Setentrional da África, isso até o final do século I; na África do</p><p>Norte podem ser atestadas comunidades cristãs de língua latina, enquanto que a</p><p>Gália e a Costa Setentrional, ao que tudo indica, foram cristianizadas na língua grega.</p><p>Outra região que figura entre as prováveis comunidades cristãs primitivas, além das</p><p>comunidades que floresciam no Mediterrâneo, cujo esforço se deveu às igrejas locais,</p><p>que emigraram da Palestina, “[...] mais a Leste, em Osroena e Adiabena, o cristianismo</p><p>enraizava-se de modo a sugerir a implantação muito antiga. No que diz respeito aos</p><p>grandes centros, em particular Edessa e Arbela [...]” (SIMON; BENOIT, 1987, p.</p><p>110). É bastante sugestiva a ideia de que essas regiões tenham sido cristianizadas pelo</p><p>apóstolo Tomé, tal tradição é indicada em alguns escritos apócrifos.</p><p>21</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>A cristianização dessa região no Oriente, pelo que tudo indica, foi evangelizada</p><p>na língua aramaica, no final do primeiro século, segundo consta, o missionário</p><p>vindo da Palestina para essa região foi um tal Adai e, em comparação com o</p><p>mundo greco-latino, as características mais acentuadas são de tradição de origem</p><p>judaica palestina, porém, “[...] embora não se possa qualificá-lo, em função disso,</p><p>como judeu-cristão na estrita e precisa acepção do termo [...], aparenta não ter</p><p>recebido a influência de Paulo, e suas categorias de pensamento iriam permanecer</p><p>muito mais semitas que gregas” (SIMON; BENOIT, 1987, p. 114).</p><p>O cristianismo se expandiu rapidamente e, ao contrário do senso comum, a nova</p><p>religião não era uma profissão de fé apenas dos estratos sociais mais pobres das</p><p>sociedades onde se infiltrara, “[...] o cristianismo não se definiu unicamente como</p><p>religião dos pobres. Seria errôneo encará-lo como expressão da consciência coletiva</p><p>do proletariado antigo [...]” (SIMON; BENOIT, 1987, p. 116); o cristianismo,</p><p>realmente, veio para todos aqueles que estivessem/estão abertos à “Boa Nova”.</p><p>Na realidade, houve dificuldade de penetração da propaganda cristã, no Ocidente,</p><p>entre os camponeses, ao contrário disso, “[...] nas cidades, em contrapartida, a</p><p>propaganda cristã rapidamente ultrapassou os bairros populares [...], com certeza já</p><p>na época de Domiciano, despertava simpatias e conseguia adeptos na aristocracia</p><p>romana” (SIMON; BENOIT, 1987, p. 116).</p><p>Apesar de a aristocracia romana ser considerada o último pilar para o paganismo,</p><p>em declínio – diga-se de passagem. Em cidades como Éfeso, a elite local também</p><p>pôde ser contada entre os convertidos ao cristianismo como, por exemplo, Áquila</p><p>e Priscila, “[...] os padres apologistas e os padres alexandrinos eram representantes</p><p>de uma burguesia culta (Tertuliano e Plínio), ambos assinalaram a existência de</p><p>gente de toda condição social nas fileiras dos cristãos” (SIMON; BENOIT, 1987, p.</p><p>116). O cristianismo se tornou a religião de todos os povos e de todas as classes.</p><p>Jesus não fundou uma instituição; seu movimento inspirou homens e mulheres:</p><p>“Havia os doze, as mulheres, sua família (Maria, Tiago e Judas), muitos dos pobres</p><p>e oprimidos que tinham sido reerguidos por Ele; havia discípulos na Galileia e</p><p>discípulos em Jericó, em Jerusalém” (NOLAN, 1987, p. 194). Esses homens e</p><p>mulheres só fizeram aumentar ao longo dos séculos, dos milênios, de modo que o</p><p>movimento inspirado por Jesus é uma sociedade alternativa ao império romano e</p><p>aos impérios que se sucederam na história após a vinda de Jesus.</p><p>Cada qual se lembrava de Jesus de seu jeito, ou tinha ficado impressionado</p><p>por um determinado aspecto daquilo que tinha ouvido a respeito dele. No</p><p>começo não havia doutrinas nem dogmas, e nem um modo universalmente</p><p>aceito de seguir Jesus, ou de acreditar nele. Jesus não teve sucessor. Ele não</p><p>tinha inspirado o tipo de movimento que, para continuar, simplesmente</p><p>nomeia sucessores para líder original. Os zelotas, como os Macabeus</p><p>antes deles, tinham sucessão dinástica ou hereditária. Mas a característica</p><p>extraordinária do movimento inspirado por Jesus era que ele próprio</p><p>continuou a ser o líder e a inspiração de seus seguidores, mesmo após a sua</p><p>morte. Sentia-se, obviamente, que Jesus era insubstituível. Se ele morresse,</p><p>o movimento morreria, Mas se o movimento continuasse a viver, isso só</p><p>poderia ser, então, porque de um modo ou de outro Jesus continuava a</p><p>22</p><p>23</p><p>viver [...]. Os primeiros cristãos foram aqueles que continuaram a vivenciar,</p><p>ou começaram a vivenciar, de um modo ou de outro, o poder da presença</p><p>de Jesus entre eles após a Sua morte. Todos sentiam que, apesar de Sua</p><p>morte, Jesus ainda os estava dirigindo, guiando e inspirando (NOLAN,</p><p>1987, p. 194-195).</p><p>Importante!</p><p>“[...] não compete a vós conhecer os tempos e os momentos que o Pai fi xou com Sua</p><p>própria autoridade. Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descera sobre</p><p>vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até</p><p>os confi ns da Terra. Dito isto, foi elevado à vista deles, a uma nuvem o ocultou a seus</p><p>olhos” (At. 1, 6-9).</p><p>Importante!</p><p>23</p><p>UNIDADE História da Palestina: Século I – De Saulo a Paulo:</p><p>Religião e Poder na Sociedade Romana</p><p>Material Complementar</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Livros</p><p>A figura de Jesus Cristo no livro Jesus de Nazaré de Joseph Ratzinger</p><p>BRITO, Joel Gomes de. A figura de Jesus Cristo no livro Jesus de Nazaré de Joseph</p><p>Ratzinger. 2014. Dissertação (Mestrado em Teologia) - Universidade Católica Portuguesa, 2014.</p><p>O Evangelho de Mateus e o Judaísmo Formativo</p><p>OVERMAN, J. Andrew. O Evangelho de Mateus e o judaísmo formativo. São Paulo:</p><p>Loyola, 1997.</p><p>Movimentos messiânicos no tempo de Jesus: Jesus e outros messias</p><p>SCARDELAI, Donizete. Movimentos messiânicos no tempo de Jesus: Jesus e outros</p><p>messias. São Paulo: Paulus, 1998.</p><p>Um judeu chamado Jesus: uma leitura do Evangelho à luz da Torá</p><p>VIDAL, Marie. Um judeu chamado Jesus: uma leitura do Evangelho à luz da Torá. Petrópolis:</p><p>Vozes, 2000.</p><p>24</p><p>25</p><p>Referências</p><p>HANSON, John S.; HORSLEY, Richard A. Bandidos, profetas e messias:</p><p>movimentos populares no tempo de Jesus. São Paulo: Paulus, 1995.</p><p>HORSLEY, Richard A. Paulo e o império: religião e poder na sociedade imperial</p><p>romana. São Paulo: Paulus, 2004.</p><p>SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A Palestina no tempo de Jesus.</p><p>São Paulo: Paulus, 1983.</p><p>NOLAN, Albert. Jesus antes do cristianismo. São Paulo: Paulus, 1988.</p><p>A BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 1995.</p><p>MURPHY-O’CONNOR, Jerome. Paulo: biografia crítica. São Paulo: Loyola, 2000.</p><p>PIERINI, Franco. A Idade Antiga. São Paulo: Paulus, 1998.</p><p>SIMON, Marcel; BENOIT, André. Judaísmo e cristianismo antigo: de Antíoco</p><p>Epifânio a Constantino. São Paulo: Edusp, 1987.</p><p>25</p>

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