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<p>PSICOLOGIA DA</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>Unidade 1</p><p>Fundamentos da Psicologia</p><p>CEO</p><p>DAVID LIRA STEPHEN BARROS</p><p>DIRETORA EDITORIAL</p><p>ALESSANDRA FERREIRA</p><p>GERENTE EDITORIAL</p><p>LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS</p><p>PROJETO GRÁFICO</p><p>TIAGO DA ROCHA</p><p>AUTORIA</p><p>RAQUEL ELISABETH DUMASZAK</p><p>4 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>A</p><p>U</p><p>TO</p><p>RI</p><p>A</p><p>Raquel Elisabeth Dumaszak</p><p>Olá. Sou formada em Psicologia, nas modalidades</p><p>bacharelado e licenciatura, e, desde então, atuo com Psicologia,</p><p>Educação e Aprendizagem. Tenho interesse por assuntos que</p><p>envolvem neurociências, comportamento e cognição, temáticas</p><p>que segui na pós-graduação. Fui convidada pela Editora</p><p>Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes</p><p>e espero contribuir bastante com seu aprendizado teórico e</p><p>profissional!</p><p>5PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>ÍC</p><p>O</p><p>N</p><p>ES</p><p>6 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Origem e influências filosóficas da Psicologia........................ 9</p><p>Influências fisiológicas para Psicologia .......................................................... 16</p><p>Psicologia científica: métodos descritivo, correlacional e</p><p>experimental ........................................................................... 21</p><p>Método descritivo ..............................................................................................23</p><p>Método correlacional .......................................................................................25</p><p>Método experimental .......................................................................................27</p><p>Psicologia científica: Estruturalismo, Funcionalismo e</p><p>Associacionismo ..................................................................... 30</p><p>Estruturalismo ....................................................................................................30</p><p>O Funcionalismo ................................................................................................33</p><p>O Associacionismo .............................................................................................38</p><p>Alguns teóricos importantes dessa época ..................................... 39</p><p>Objeto de estudo da Psicologia ............................................ 45</p><p>Psicologia clínica ................................................................................................45</p><p>Psicologia social .................................................................................................47</p><p>Psicologia organizacional .................................................................................51</p><p>Psicologia do desenvolvimento humano .......................................................54</p><p>Psicologia escolar e educacional ....................................................................56</p><p>Psicobiologia ......................................................................................................57</p><p>SU</p><p>M</p><p>Á</p><p>RI</p><p>O</p><p>7PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>A</p><p>PR</p><p>ES</p><p>EN</p><p>TA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>Seja bem-vindo. Nesta unidade, veremos que a Psicologia</p><p>é uma ciência aplicável a qualquer cultura, povo e tempo.</p><p>Modernizada, presente em diversos campos de atuação e cada</p><p>vez mais com uma perspectiva multiprofissional, ela promete</p><p>interagir com outras áreas do conhecimento, contribuindo para</p><p>o desenvolvimento humano e social. Como esse é um tema</p><p>extenso, focaremos na relação entre Psicologia, Educação,</p><p>Pedagogia, aprendizagem e outras questões que envolvem</p><p>esse interesse. Porém, para compreendermos bem e fazermos</p><p>uso dessa ciência tão valiosa, precisamos conhecer a origem de</p><p>sua teoria, para entender suas heranças históricas, filosóficas,</p><p>fisiológicas e biológicas, e, assim, compreender essa esfera</p><p>científica que ampara e dá subsídio a você, futuro pedagogo! Ao</p><p>longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo!</p><p>Vamos começar?</p><p>8 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>O</p><p>BJ</p><p>ET</p><p>IV</p><p>O</p><p>S</p><p>Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo</p><p>é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências</p><p>profissionais até o término desta etapa de estudos:</p><p>1. Compreender a importância e a história da Psicologia,</p><p>identificando suas principais influências filosóficas.</p><p>2. Aplicar os métodos descritivo, correlacional e</p><p>experimental da Psicologia científica.</p><p>3. Entender e aplicar os conceitos do Estruturalismo,</p><p>Funcionalismo e Associacionismo, à luz da Psicologia</p><p>científica.</p><p>4. Identificar os objetos de estudo da Psicologia e suas</p><p>aplicações.</p><p>Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao</p><p>conhecimento? Ao trabalho!</p><p>9PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Origem e influências</p><p>filosóficas da Psicologia</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender a importância e a história da Psicologia,</p><p>identificando suas principais influências filosóficas.</p><p>E então? Motivado para desenvolver esta</p><p>competência? Vamos lá!</p><p>A Psicologia é uma das ciências mais antigas e nasceu</p><p>a partir da Filosofia. Seus primeiros registros foram escritos</p><p>por Aristóteles (384-322 a.C.) e datam de mais de 2.000 anos.</p><p>Aristóteles escreveu sobre sono, sonhos, sentidos e memória</p><p>e criou conceitos posteriormente usados, como a catarse e a</p><p>metafísica.</p><p>Os primeiros escritos a dar embasamento à Psicologia</p><p>são de teóricos como Sócrates, Platão e Aristóteles. Eles rompem</p><p>com a Filosofia natural determinista e buscam entender o</p><p>homem como senhor de suas ações, por meio de sua mente e</p><p>seus comportamentos, como autor de sua própria história.</p><p>É importante compararmos a Filosofia de Sócrates, Platão</p><p>e Aristóteles com a dos filósofos naturais, os pré-socráticos,</p><p>que observavam e tentavam compreender o mundo a partir</p><p>dos fenômenos naturais, deixando o ser em uma posição</p><p>determinista, pela qual sua existência e suas ações são fruto do</p><p>espaço e tempo (BORGES, 2009).</p><p>10 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>EXPLICANDO</p><p>MELHOR</p><p>A ideia de compreender o homem por sua mente</p><p>e ações se inicia com Sócrates. Ele inovou tanto o</p><p>pensamento metafísico que a Filosofia passou a</p><p>ser dividida em filósofos pré e pós-socráticos! Mas,</p><p>afinal, o que ele disse de tão inovador?</p><p>Antes de Sócrates, os filósofos eram chamados de</p><p>“filósofos naturais”, porque entendiam o homem como parte</p><p>da natureza, que ditaria o caminho de seu conhecimento. Esse</p><p>filósofo é inovador, porque passou a compreender o homem</p><p>como um ser independente, autor e responsável por suas ações.</p><p>Figura 1 – Sócrates</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Platão (428/7-347 a.C.), um de seus discípulos, por sua</p><p>vez, era determinista e compreendia o homem como produto do</p><p>mundo das ideias, advindas da razão, ou seja, o conhecimento se</p><p>dá pela razão, e não pelos sentidos do corpo. Você se lembra do</p><p>mito da caverna de Platão? Ele utilizou essa metáfora para dizer</p><p>que aquelas sombras refletidas nas paredes da caverna não</p><p>refletem o mundo como ele realmente é, por isso, cada um deve</p><p>se libertar das “aparências” e sair da caverna, ou seja, o homem é</p><p>dotado de capacidade cognitiva, por isso, é responsável por seu</p><p>processo de busca do conhecimento.</p><p>Homem produto da razão e conhecimento.</p><p>quebra a filosofia naturalista (determinista) se voltando para o homem como autor de suas ações.</p><p>11PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 2 – Platão</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Os estudos de Platão são complexos e pertinentes,</p><p>porém, vemos fortemente a influência das ideias de Aristóteles na</p><p>formação da Filosofia Moderna e, posteriormente, da Psicologia.</p><p>ACESSE</p><p>Para entender melhor o mito da caverna acesse</p><p>pelo QR-Code.</p><p>https://www.blogodorium.com.br/resumo-sobre-o-mito-da-caverna-de-platao/</p><p>12 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 3 - Ilustração da “Alegoria da Caverna” de Platão (428/7-347AC)</p><p>Fonte: Wikimedia Commons.</p><p>O Mito da Caverna, também conhecido como Alegoria</p><p>da Caverna, foi uma parábola contada por Sócrates aos seus</p><p>dois irmãos, Gláuco e Adimanto,</p><p>2009.</p><p>SOARES, G. Portfólio – Psicologia da Educação. Psicologia da</p><p>Educação, 2013. Disponível em: http://psicologiadaeducacao-</p><p>portfolio.blogspot.com/2013/02/o-comportamentalismo-de-</p><p>pavlov-watson-e.html. Acesso em: 18 jul. 2023.</p><p>TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a</p><p>pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.</p><p>RE</p><p>FE</p><p>RÊ</p><p>N</p><p>CI</p><p>A</p><p>S</p><p>http://www.fafich.ufmg.br/cogvila/dischistoria/Gomes3.pdf</p><p>http://www.fafich.ufmg.br/cogvila/dischistoria/Gomes3.pdf</p><p>http://psicologiaiesgo.blogspot.com/2010/09/mary-whiton-calkins-venceu-o.html</p><p>http://psicologiaiesgo.blogspot.com/2010/09/mary-whiton-calkins-venceu-o.html</p><p>https://www.travessa.com.br/Cengage_Learning_BR/editora/61229af2-816f-437f-9f19-be89b413a958</p><p>62 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Origem e influências filosóficas da Psicologia</p><p>Influências fisiológicas para Psicologia</p><p>Psicologia científica: métodos descritivo, correlacional e experimental</p><p>Método descritivo</p><p>Método correlacional</p><p>Método experimental</p><p>Psicologia científica: Estruturalismo, Funcionalismo e Associacionismo</p><p>Estruturalismo</p><p>O Funcionalismo</p><p>O Associacionismo</p><p>Alguns teóricos importantes dessa época</p><p>Objeto de estudo da Psicologia</p><p>Psicologia clínica</p><p>Psicologia social</p><p>Psicologia organizacional</p><p>Psicologia do desenvolvimento humano</p><p>Psicologia escolar e educacional</p><p>Psicobiologia</p><p>e relatada por Platão em “A</p><p>República” (livro VII).</p><p>A imagem do Mito da Caverna de Platão retrata três fases.</p><p>Na primeira, os homens observam as sombras de objetos na</p><p>parede. Na segunda fase, eles decidem sair da caverna e passam</p><p>pelo fogo e pelos objetos autores das sombras. Os homens</p><p>observam e chegam à conclusão de que um não corresponde ao</p><p>outro. Por fim, na terceira fase, os homens estão no mundo real</p><p>e se libertaram das sombras.</p><p>Aristóteles (384/3-322 a.C.) influenciou a Filosofia do</p><p>século XVII, apresentando a ideia de mente e corpo como</p><p>entidades separadas, que interagem entre si para provocar</p><p>sensações. Esse filósofo foi inovador, porque, além de suas</p><p>contribuições filosóficas, é considerado o primeiro grande</p><p>pesquisador sistemático. Além disso, ele definiu o objeto de</p><p>estudo de várias ciências e foi o primeiro a oferecer uma teoria</p><p>sistemática sobre a Psicologia (GOMES, 1996).</p><p>As tendências filosóficas dessa época são retomadas</p><p>fortemente pelo filósofo francês René Descartes (1596-1650),</p><p>Mente e corpo são separados e interagem entre sí.</p><p>Retoma as filosofias humanas pós-socráticas e às continua.</p><p>13PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>que viveu em um cenário Europeu marcado por conflitos e por</p><p>uma forte influência religiosa e do Estado, para comandar o</p><p>raciocínio e desenvolvimento intelectual.</p><p>O interesse primordial de Descartes era aplicar o</p><p>conhecimento de caráter científico às questões práticas do</p><p>cotidiano. Ele sempre buscou meios para que os cabelos não</p><p>fossem esbranquiçados e procurou formas de aperfeiçoar as</p><p>manobras de uma cadeira de rodas para deficientes físicos.</p><p>Apesar de acreditar na existência de Deus como criador</p><p>do universo, Descartes tinha uma visão mais mecanicista e</p><p>racional do homem, e foi bastante influenciado por matemáticos</p><p>como Galileu Galilei (1564-1642), propondo uma observação</p><p>fundamentada no mundo físico e em evidências científicas.</p><p>Descartes voltou seu olhar para diversas problemáticas,</p><p>mas uma das mais importantes foi a tentativa de resolver o</p><p>problema mente-corpo, visando responder à seguinte pergunta:</p><p>o universo da mente e o mundo material possuem naturezas</p><p>diferentes?</p><p>A investigação do comportamento humano passa a ser</p><p>individual independentemente de raça, sexo e classe social, e</p><p>um método também chamado de reducionista (GOMES, 1996;</p><p>SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).</p><p>Então, Descartes defende, por meio da sua teoria mente-</p><p>corpo, que a mente realiza uma influência sobre o corpo, no entanto,</p><p>a influência deste sobre a mente possuía uma maior proporção do</p><p>que se acreditava, não havendo, assim, uma relação entre eles tida</p><p>como unilateral, mas sim mútua.</p><p>Reducionismo: o comportamento humano é individual e independente.</p><p>Highlight</p><p>14 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 4 – René Descartes</p><p>Fonte: Wilipedia</p><p>Descartes considerava, em sua teoria, a mente como imaterial,</p><p>isto é, ela não possui uma substância física, no entanto, é composta pela</p><p>capacidade de pensamento e de outros processos cognitivos. Assim, em</p><p>consequência dessa imaterialidade e capacidade, a mente proporciona</p><p>para os indivíduos informações com relação ao mundo exterior.</p><p>A mente na visão de Descartes, desse modo, possui três tipos</p><p>de capacidades fundamentais:</p><p>1. Pensamento</p><p>2. Percepção.</p><p>3. Vontade.</p><p>Por meio dessas capacidades, ela influencia o corpo e é</p><p>influenciada também por ele.</p><p>Highlight</p><p>15PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A catarse (atualmente em desuso) ficou conhecida</p><p>com Sigmund Freud (1856-1939) e Joseph Breuer,</p><p>que aplicavam essa técnica em pacientes para</p><p>induzi-los à hipnose, pela qual liberariam emoções</p><p>e sentimentos repreendidos, aliviando sintomas</p><p>psicossomáticos. Aristóteles chamava o teatro de</p><p>fenômeno catártico, pois, segundo ele, havia ali</p><p>uma capacidade de libertação, já que, à medida que</p><p>o indivíduo visse os sentimentos ali representados,</p><p>se libertaria deles.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Metafísica é o estudo do que não pode ser testado</p><p>empiricamente; está além da física.</p><p>O cenário da época vivida por Descartes era literalmente</p><p>mecanicista. A criação de máquinas industriais, a revolução no</p><p>trabalho braçal e esse quadro em todo o contexto social levou</p><p>esse pensador a deixar de lado o pensamento naturalista</p><p>e enxergar o homem também em suas “peças” menores.</p><p>Entrávamos na era da Filosofia Moderna (SCHULTZ; SCHULTZ,</p><p>2009).</p><p>As contribuições da Filosofia moderna foram</p><p>fundamentais para a Psicologia, pois ela investiga o</p><p>comportamento, sempre priorizando o método científico.</p><p>Além disso, a era industrial influenciou a visão mecanicista e</p><p>reducionista do comportamento, na qual podemos destacar o</p><p>“arco reflexo”.</p><p>Descartes observou que o corpo humano produz</p><p>movimentos involuntários sabemos, hoje, que são os chamados</p><p>de arco reflexo) sem processamento cognitivo, que assim</p><p>acontecem para ter melhor resposta do corpo e protegê-lo de</p><p>Highlight</p><p>Highlight</p><p>Highlight</p><p>16 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>estímulos nocivos, como uma queimadura na mão, por exemplo</p><p>(CARLSON, 2002).</p><p>Em suma, a teoria do arco reflexo afirma que</p><p>movimentos involuntários acontecem sem processamento</p><p>cognitivo, para ter uma resposta mais rápida do corpo e</p><p>protegê-lo de estímulos nocivos. Essa teoria é fundamentada</p><p>no movimento mecânico e robotizado das máquinas francesas</p><p>do século XIX, o zeitgeist influente em Descartes.</p><p>Essa teoria é fundamentada no movimento mecânico</p><p>e robotizado das máquinas francesas do século XIX, o zeitgeist</p><p>influente em Descartes.</p><p>EXPLICANDO</p><p>MELHOR</p><p>Essa visão mecânica e reducionista influenciou</p><p>teorias extremamente importantes e que, hoje,</p><p>ainda são fortemente estudadas dentro da</p><p>Psicologia e de outras áreas de conhecimento, que</p><p>serão de grande aplicabilidade para o pedagogo</p><p>compreender estímulos influenciadores em sala</p><p>de aula, os quais podem contribuir ou prejudicar a</p><p>aprendizagem e o desenvolvimento dos trabalhos.</p><p>Influências fisiológicas para</p><p>Psicologia</p><p>A partir do estudo do corpo humano, relacionando</p><p>cérebro e comportamento, deu-se um importante feito para</p><p>a ciência psicológica, a inclusão do estudo fisiológico e sua</p><p>interação com o comportamento.</p><p>Estudos como o de Broca e de Wernicke, por exemplo,</p><p>foram fundamentais para a identificação de regiões cerebrais</p><p>responsáveis pela linguagem e compreensão.</p><p>observada pela primeira vez por Descartes e averiguada posteriormente por Marshall Hall.</p><p>17PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>A investigação reducionista, a retirada de Deus do centro</p><p>do universo e a inserção do homem como senhor de suas ações</p><p>levou a ciência a buscar respostas para doenças, calamidades</p><p>e comportamento humano no próprio homem. Graças a essa</p><p>mudança histórica, foi possível haver estudos sobre cognição,</p><p>desenvolvimento e consciência. A ciência psicológica passa,</p><p>então, a receber influências fisiológicas que eram realizadas</p><p>desde o século XIX com a pesquisa experimental.</p><p>Como filósofos importantes para a Psicologia temos</p><p>Descartes, que, conforme abordamos, entre seus estudos, focou</p><p>na interação mente-corpo. Além disso, Descartes trouxe à baila</p><p>que a mente produz dois tipos de ideias:</p><p>1. Ideias derivadas – são ideias que surgem a partir da</p><p>aplicação de forma direta de estímulos externos, por exemplo,</p><p>a imagem de uma árvore. Assim, ele concluiu que as ideias</p><p>derivadas constituem das experiências dos sentidos.</p><p>2. Ideias inatas – ao contrário das ideias derivadas,</p><p>as inatas são produzidas pela mente ou pelo consciente, por</p><p>exemplo, a ideia da existência de Deus.</p><p>Descartes contribuiu com diferentes ideias que serviram</p><p>como catalisador das diferentes tendências da Psicologia, entre</p><p>as quais podemos citar:</p><p>• O estudo das ideias inatas.</p><p>• A teoria do ato reflexo.</p><p>• Concepção mecanicista do corpo.</p><p>• Localização das funções mentais no cérebro.</p><p>• Interação mente-corpo.</p><p>a mente interage com o corpo, e o corpo com a mente</p><p>a mente interage com o corpo, e o corpo com a mente</p><p>Highlight</p><p>Highlight</p><p>Highlight</p><p>18 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Já Marshall Hall (1790-1857) chegou à conclusão de que</p><p>existem diversos tipos de movimentos originados pelo cérebro e</p><p>sistema nervoso ou muscular, isso porque os animais decapitados</p><p>ainda se mexiam. Assim, ele descobriu que os movimentos nem</p><p>sempre são modulados pelo cérebro.</p><p>Figura 5 – Marshall Hall</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Os estudos feitos por fisiologistas dessa época permitiram</p><p>descobertas importantes como a de Paul Broca (1824-1880),</p><p>um cirurgião parisiense que, ao atender um paciente que</p><p>compreendia a linguagem, porém não falava mais do que a</p><p>palavra “tam”, buscou investigar o que podia estar comprometido</p><p>em seu cérebro, e assim se deu a descoberta da região cerebral</p><p>chamada de área de Broca, tão estudada por fonoaudiólogos</p><p>e psicopedagogos por ser responsável pela fluência verbal,</p><p>compreensão da fala e leitura. O conhecimento a respeito do</p><p>funcionamento das regiões cerebrais é importante, pois, no caso</p><p>da afasia de Broca, uma pessoa pode compreender muito bem</p><p>um texto lido, mas não conseguirá lê-lo (GRIGGS, 2009).</p><p>reflexos, movimentos automaticos que não precisam de comando conciente</p><p>19PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 6 – Área de Broca e área de Wernicke</p><p>córtex motor primário</p><p>(Giro pré-central)</p><p>córtex sensorial</p><p>primário</p><p>(Giro pós-central)</p><p>Área de associação</p><p>sensorial somática</p><p>Área de associação</p><p>motora somática</p><p>(Córtex pré-motor)</p><p>Área de</p><p>associação</p><p>visual</p><p>Área de associação</p><p>auditiva</p><p>Área de Broca</p><p>(produção da fala)</p><p>Cóterx</p><p>pré-frontal</p><p>Córtex</p><p>Visual</p><p>Córtex</p><p>Auditivo</p><p>Área de Wernicke</p><p>(enternder fala)</p><p>Regiões motoras e sensoriais do córtex cerebral</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para saber mais sobre a funcionalidade dessas</p><p>regiões acesse pelo QR-Code.</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Blausen_0102_Brain_Motor%26Sensory.png</p><p>20 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza</p><p>de que você realmente entendeu o tema de</p><p>estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que</p><p>vimos. Iniciamos nosso capítulo com o estudo da</p><p>origem e das influências filosóficas da Psicologia,</p><p>compreendendo que a Psicologia nasceu da</p><p>Filosofia, tendo seus primeiros escritos feitos por</p><p>Aristóteles, datando de mais de 2.000 anos. Em</p><p>seguida, comparamos a Filosofia de Sócrates,</p><p>Platão e Aristóteles com a dos filósofos naturais,</p><p>os pré-socráticos, que observavam e tentavam</p><p>compreender o mundo a partir dos fenômenos</p><p>naturais, deixando o ser em uma posição</p><p>determinista, segundo a qual sua existência</p><p>e ações é fruto do espaço e tempo. Vimos a</p><p>importância do estudo de Descartes para o avanço</p><p>da Psicologia e, por fim, nossos olhares se voltaram</p><p>para as influências fisiológicas para Psicologia,</p><p>relembrando a importância de Broca e Wernicke,</p><p>assim como de Descartes e Marshall.</p><p>21PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Psicologia científica: métodos</p><p>descritivo, correlacional e</p><p>experimental</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender os métodos descritivo, correlacional e</p><p>experimental da Psicologia científica. E então?</p><p>Motivado para desenvolver esta competência?</p><p>Vamos lá. Avante!</p><p>A Psicologia é uma ciência que estuda o comportamento</p><p>humano e os processos mentais, para que seja possível predizer</p><p>comportamentos, interpretar ações, compreender a dinâmica de</p><p>um grupo etc. A Associação Americana de Psicologia (APA) lista</p><p>mais de 50 divisões de atuação dentro da Psicologia. Porém, para</p><p>a pesquisa, existem apenas quatro, que são as áreas biológicas</p><p>e cognitivas, que estudam fatores internos, como o sistema</p><p>fisiológico, uso de medicamentos e pensamento, raciocínio etc.;</p><p>e as áreas das teorias comportamentais e socioculturais, que</p><p>estudam fatores externos, como um melhor tipo de aulas, provas</p><p>escolares e comportamentos que acontecem em grupo, como o</p><p>bullying, por exemplo, e que podem influenciar uns aos outros.</p><p>Resumindo, temos:</p><p>• As áreas biológica e cognitiva – estudam fatores</p><p>internos.</p><p>• As áreas comportamental e sociocultural – estudam</p><p>fatores externos</p><p>22 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 7 – Psicologia cognitiva</p><p>Biológica</p><p>Sociocultural</p><p>Cognitiva</p><p>Comportamental</p><p>Fonte: Elaborada pela autoria (2022).</p><p>O método científico é uma maneira compartilhada em</p><p>todo o mundo para adquirir conhecimento a respeito do mundo</p><p>que nos rodeia. A Psicologia segue os pilares para produção de</p><p>conhecimento que visam formular uma hipótese, delinear um</p><p>estudo, mas, para que isso seja possível, esse estudo deve utilizar</p><p>um dos três métodos de se fazer pesquisa, que são o descritivo,</p><p>correlacional e experimental. Esses são métodos padrão para</p><p>que os dados observados sejam coletados corretamente e que</p><p>possamos chegar às conclusões do estudo para posteriormente</p><p>serem publicadas (HOCKENBURY; HOCKENBURY, 2001).</p><p>É importante ter em mente que qualquer pessoa pode</p><p>produzir ciência e que qualquer ambiente pode ser propício para</p><p>o fornecimento de dados e responder a hipóteses, como no caso</p><p>de um professor em sala de aula que investiga uma maneira</p><p>23PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>de despertar interesse nas crianças para que façam o dever de</p><p>casa. Ele desenvolve um pensamento crítico a respeito, que é</p><p>uma maneira científica de enxergar aquela situação-problema,</p><p>sempre optando pela neutralidade e fugindo de qualquer ideia</p><p>tendenciosa.</p><p>Assim, ele observa que algumas atitudes em sala motivam</p><p>as crianças e, a partir daí, cria a seguinte hipótese de pesquisa:</p><p>“colar uma estrelinha dourada no caderno de um aluno tende</p><p>a melhorar seu desempenho escolar”. Assim, o professor</p><p>precisa começar a investigar sua hipótese para confirmar se</p><p>ela é realmente eficaz; caso seja, ele terá progresso em sala de</p><p>aula. Vamos, agora, entender um pouco sobre a metodologia de</p><p>pesquisa para auxiliar o professor em seu projeto de pesquisa.</p><p>REFLITA</p><p>Qual método você acredita que seja o mais indicado</p><p>para esse estudo? O descritivo, correlacional ou</p><p>experimental? Vejamos um por um!</p><p>Método descritivo</p><p>O método descritivo exige do investigador uma série de</p><p>informações sobre o que deseja pesquisar. Esse tipo de estudo</p><p>pretende descrever os fatos e fenômenos de determinada</p><p>realidade (TRIVIÑOS, 1987). O método descritivo é dividido em</p><p>três tipos:</p><p>• Técnicas observacionais.</p><p>• Estudo de caso.</p><p>• Pesquisa de levantamento.</p><p>Quando se diz que uma pesquisa é descritiva,</p><p>se está querendo dizer que se limita a uma</p><p>24 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>descrição pura e simples de cada uma</p><p>das variáveis, isoladamente, sem que sua</p><p>associação ou interação com as demais sejam</p><p>examinadas. (CASTRO, 1976, p. 66)</p><p>Com relação aos três tipos do método descritivo</p><p>temos que: as técnicas observacionais apenas observam o</p><p>comportamento, seja em seu ambiente natural, como um biólogo</p><p>que se esconde para observar pássaros, ou em laboratórios, com</p><p>situações-problema criadas para esse fim. Porém, a observação</p><p>naturalística é mais indicada, pois sabe-se que as pessoas</p><p>modificam seu comportamento em laboratórios, mas nem</p><p>sempre ela é possível, pois o pesquisador observador inserido</p><p>em um local também pode interferir na dinâmica do grupo (ao</p><p>pesquisar a relação entre chefe e subordinado, por exemplo).</p><p>Além disso, sua inserção em um local se passando por</p><p>outra pessoa que não um pesquisador fere os pressupostos</p><p>éticos da pesquisa científica. Há, ainda, a observação participante,</p><p>pela qual o observador realmente se torna membro do grupo e</p><p>compartilha com ele o mesmo ofício, sem infringir a ética e o</p><p>sigilo.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>O estudo de caso é muito utilizado na prática clínica,</p><p>pois permite estudar um único participante com</p><p>bastante profundidade e por um período maior.</p><p>Geralmente, esse tipo de estudo relata alguma</p><p>intervenção clínica e mudanças no padrão de</p><p>comportamento do indivíduo. Os dados</p><p>coletados</p><p>com esse tipo de estudo são posteriormente</p><p>compartilhados para serem utilizados por</p><p>profissionais que encontram casos semelhantes</p><p>O último tipo de pesquisa descritiva é a pesquisa de</p><p>levantamento, que é a entrevista com os participantes. Esse tipo</p><p>de pesquisa é muito utilizada por ser prática e acessível, mas</p><p>25PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>requer mais cuidado do pesquisador para não analisar os dados</p><p>tendenciosamente (HOCKENBURY; HOCKENBURY, 2001).</p><p>Por fim, cabe destacarmos exemplos de pesquisas com</p><p>caráter descritivo:</p><p>• Análise de documento.</p><p>• Estudos de caso.</p><p>• Pesquisa ex-post-facto.</p><p>Método correlacional</p><p>A preocupação do método correlacional é determinar</p><p>as relações existentes entre as variáveis. É importante destacar</p><p>que não é feita uma manipulação das variáveis, mas sim uma</p><p>investigação da extensão em que as variáveis estão relacionadas.</p><p>Com esse método, procura-se explorar essas variações, no</p><p>entanto, não se dedica à análise da relação causa-efeito.</p><p>IMPORTANTE</p><p>O método experimental só poderá ser utilizado</p><p>após a utilização do método correlacional, porque,</p><p>para que haja a aplicação da relação causa-efeito</p><p>que é tida no método correlacional, é necessário,</p><p>antes, que se estabeleça quando duas variáveis</p><p>são correlatas.</p><p>Quando é apresentada uma relação entre duas variáveis, dizemos que elas</p><p>estão correlacionadas. Lembra-se do exemplo que usamos para mostrar</p><p>a prática do pensamento crítico em sala de aula? Outra pesquisa que o</p><p>professor poderia fazer é a correlacional. Nela, ele pegaria um número</p><p>de alunos com maiores notas e faria uma correlação com o número de</p><p>estrelas douradas que foram ganhadas, para saber se há correlação entre</p><p>essas duas variáveis.</p><p>26 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>EXPLICANDO</p><p>MELHOR</p><p>O estudo correlacional mede a relação entre</p><p>duas variáveis, de modo que a existência de uma</p><p>pressupõe a existência de outra, o que se chama</p><p>correlação positiva. Quando a existência de uma</p><p>variável pressupõe a inexistência de outra, nomeia-</p><p>se correlação negativa.</p><p>Com o método correlacional, obtém-se diferentes tipos</p><p>de informações, entre eles:</p><p>• Compreender um fenômeno complexo.</p><p>• Desenvolver uma teoria relacionada a um fenômeno</p><p>comportamental.</p><p>Figura 8 – Método correlacional</p><p>Fonte: Freepik</p><p>Por meio do método correlacional, é possível:</p><p>• Entender determinados eventos relacionados,</p><p>condições e comportamentos.</p><p>27PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>• Predizer comportamentos variáveis ou condições</p><p>futuras levando em consideração o que se sabe de uma</p><p>outra variável.</p><p>• Algumas vezes, obter sugestões do que uma variável</p><p>está causando em outra.</p><p>Método experimental</p><p>O último tipo de pesquisa é a experimental, na qual o</p><p>pesquisador pode manipular as variáveis para saber qual delas</p><p>está influenciando para que haja o resultado. Esse método é</p><p>bastante utilizado em laboratórios que testam medicamentos.</p><p>Um grupo recebe a medicação e o outro o placebo, assim, fica</p><p>mais fácil saber se a mediação funciona.</p><p>Assim, o método experimental investiga a manipulação</p><p>de tratamentos buscando estabelecer a relação causa-efeito, já</p><p>mencionada anteriormente nas variáveis investigadas. Há uma</p><p>manipulação na variável independente, visando julgar seu efeito</p><p>sobre uma variável dependente.</p><p>Destaca-se que a relação de causa-efeito não pode ser</p><p>estabelecida por meio de técnicas estatísticas, porém apenas</p><p>pela aplicação de um pensamento lógico para os experimentos</p><p>que são delineados regularmente.</p><p>O método experimental tem como objetivo testar as</p><p>hipóteses do pesquisador, visando elencar a forma ou por quais</p><p>causas o fenômeno é produzido.</p><p>Esse método pode ser aplicado no exemplo anterior da</p><p>escola, por exemplo, dividindo as crianças em quatro grupos:</p><p>grupo que recebeu estrelinha por fazer a tarefa; grupo que fez</p><p>a tarefa, mas não recebeu estrelinha; grupo que não fez a tarefa</p><p>e recebeu a estrela e grupo que não fez a tarefa e não recebeu</p><p>28 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>a estrela. O professor poderia comparar o resultado das provas</p><p>ao final do semestre, ou dar uma prova após cada estrela colada</p><p>no caderno de um grupo, ou, ainda, inverter os grupos que iriam</p><p>ganhar a estrelinha (o nome para esse método é delineamento</p><p>cruzado).</p><p>Porém, esse método exige que um protocolo experimental</p><p>seja seguido, a fim de que o número de participantes, tempo de</p><p>pesquisa e comprometimento ético sejam resguardados.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Assista ao vídeo “Quais os tipos de pesquisa? -</p><p>Metodologia Científica” para reforçar ainda mais</p><p>sua reflexão a respeito da pesquisa científica e, em</p><p>seguida, reflita sobre qual método você acredita</p><p>ser o mais indicado para o nosso professor do</p><p>exemplo dado. Para acessá-lo, disponível no QR-</p><p>Code.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LPVZIdC1R-Y</p><p>29PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir o que vimos. A</p><p>pesquisa científica consiste em um padrão de coleta</p><p>e publicação de dados, de modo que qualquer</p><p>pesquisador ou profissional da área possa utilizar</p><p>evidências e conceitos seguros para sanar dúvidas</p><p>ou enriquecer seu conhecimento a respeito de</p><p>um mesmo assunto. Assim, estudamos sobre os</p><p>métodos descritivo, correlacional e experimental.</p><p>Compreendemos que o método descritivo exige</p><p>do investigador uma série de informações sobre</p><p>o que deseja pesquisar e que ele é dividido em</p><p>três tipos: técnicas observacionais, estudo de</p><p>caso e pesquisa de levantamento. Com relação ao</p><p>método correlacional, vimos que ele determina</p><p>as relações existentes entre as variáveis e só</p><p>poderá ser utilizado após a utilização do método</p><p>correlacional. Por fim, estudamos sobre o método</p><p>experimental, com o qual o pesquisador pode</p><p>manipular as variáveis para saber qual delas está</p><p>influenciando para que haja o resultado. Esse</p><p>método é bastante utilizado em laboratórios</p><p>que testam medicamentos. Um grupo recebe a</p><p>medicação e o outro o placebo, assim, fica mais</p><p>fácil saber se a mediação funciona.</p><p>30 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Psicologia científica:</p><p>Estruturalismo, Funcionalismo</p><p>e Associacionismo</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo você será capaz de</p><p>entender e aplicar os conceitos do Estruturalismo,</p><p>do Funcionalismo e do Associacionismo, à luz</p><p>da Psicologia científica. E então? Motivado para</p><p>desenvolver esta competência? Vamos lá!</p><p>Estruturalismo</p><p>O modo de explicar a mente e o comportamento humano</p><p>ao longo da história foi fundamentado na Filosofia, na Biologia,</p><p>na Sociologia e na Fisiologia. A Psicologia era um campo de</p><p>estudo que, até então, estava contido nessas áreas. Estudos a</p><p>respeito de estímulos sensoriais e respostas corporais, como</p><p>o de Pavlov (1849-1936), técnicas de extirpação de partes do</p><p>cérebro de animais para examinar problemas e consequências</p><p>comportamentais, e dissecação post mortem foram úteis para</p><p>avançar no entendimento acerca do comportamento humano.</p><p>Mas como, de fato, a Psicologia surgiu como ciência e disciplina</p><p>isolada? Vamos ver?</p><p>Podemos dizer que a Psicologia como disciplina surgiu</p><p>em 1874, na Alemanha, no laboratório do fisiologista, filósofo e</p><p>psicólogo Wilhelm Wundt (1832-1920). O laboratório inaugurado</p><p>por Wundt está localizado na Universidade de Leipzig, local onde</p><p>a Psicologia começou. Esse é o laboratório mais antigo da área,</p><p>com mais de 160 pesquisas de doutorado orientadas por Wundt</p><p>(SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).</p><p>31PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 9 – Wilhelm Wundt</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Wundt utilizou a pesquisa experimental em laboratório</p><p>para investigar processos psicológicos básicos, como consciência,</p><p>sensações e percepções. Ele queria entender como nossa mente</p><p>era capaz de produzir esses processos psicológicos, por exemplo,</p><p>como uma sensação de tato se processa. Há um padrão limiar</p><p>ou</p><p>tempo de contato para que a sensação seja causada? Esse tinha</p><p>por base a experimentação e a comprovação física, por isso seus</p><p>estudos fazem parte de uma área de pesquisa atual da Psicologia</p><p>chamada de Psicofísica.</p><p>A percepção é uma subárea da Psicologia pela qual</p><p>perpassam fundamentos da Psicofísica. O estudo da percepção</p><p>envolve a detecção de estímulos do ambiente por meio dos</p><p>32 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>órgãos do sentido. Sabemos que temos neurônios receptores</p><p>de sensações, como dor e tato, porém os primeiros estudos</p><p>nessa área queriam identificar a intensidade psicológica das</p><p>sensações resultantes de estímulos externos. Então, sabemos</p><p>que os neurônios nociceptores detectam o estímulo e, em</p><p>seguida, eles devem ser diferenciados, por exemplo, no quente</p><p>ou no frio? Parece fácil, não é? Mas agora lhe convido a fazer</p><p>uma experiência, caro aluno. Afunde sua mão direita em uma</p><p>água bem gelada, porém suportável e, em seguida, afunde essa</p><p>mesma mão em água morna. Feito isso, afunde agora sua mão</p><p>esquerda em uma água natural e após isso em uma água morna.</p><p>Acredito que a sua mão direita sentiu a água mais quente se</p><p>comparada à outra, não é? Pois bem, assim entramos na terceira</p><p>parte do estudo, o reconhecimento do estímulo: sua modalidade</p><p>e intensidade.</p><p>Porém, esse tipo de estudo fica sujeito a erros em razão</p><p>da subjetividade de cada participante. Como os experimentos</p><p>eram introspectivos, não poderia haver um consenso público, o</p><p>que resultou em muitas críticas ao método e, mesmo com toda</p><p>sua importância e relevância para o avanço da pesquisa, foi uma</p><p>escola que caiu em desuso após a morte de seus fundadores.</p><p>Os estudos de Wundt se basearam na comprovação da</p><p>estrutura da consciência e seus reflexos no corpo humano. Esse</p><p>método recebeu o nome de Estruturalismo, termo dado por um</p><p>de seus mais ilustres alunos, Edward Bradford Titchener (1867-</p><p>1927) que, após a conclusão de seu doutorado foi convidado a</p><p>trabalhar como professor na Universidade Cornell, nos Estados</p><p>Unidos, expandindo a Psicologia Experimental para aquele país.</p><p>Vale lembrar que, após o distanciamento físico entre professor e</p><p>aluno, algumas de suas ideias também se diferenciaram.</p><p>33PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>Estruturalismo é a mais antiga escola da Psicologia,</p><p>que visava descobrir os processos conscientes e</p><p>como se conectam com as condições fisiológicas</p><p>do corpo.</p><p>Esta primeira corrente psicológica morreu junto com seus</p><p>fundadores, ainda que muito importante para todo o surgimento</p><p>da Psicologia experimental. Não resistiu às críticas dos alunos</p><p>pesquisadores que sucederam a academia após a morte de seus</p><p>precursores, porque as variáveis ali estudadas não poderiam</p><p>ser observadas, cabendo apenas ao participante responder</p><p>a respeito do que sentiu, ou seja, totalmente introspectivo.</p><p>Um tipo de experimento realizado naquela época, na área da</p><p>percepção, consistia em saber quanto tempo uma pessoa levaria</p><p>para detectar o som de um sino tocando. O participante anotava</p><p>em um papel o momento em que ouvisse o sinal, e o tempo era</p><p>medido posteriormente.</p><p>NOTA</p><p>Sempre que o termo “sensação” for mencionado,</p><p>estamos nos referindo aos órgãos dos sentidos e</p><p>aos seus respectivos neurônios nociceptores (tato,</p><p>audição, paladar, olfato e visão).</p><p>O Funcionalismo</p><p>Por volta de 1870, um brilhante professor da Universidade</p><p>de Harvard chamado William James (1842-1910) se interessava</p><p>e estudava bastante os escritos de Wundt e, com base neles,</p><p>em suas obras descrevia a função do cérebro, hábito, memória,</p><p>sensação, percepção e emoção (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).</p><p>34 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 10 – William James (1842-1910)</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Para James, a Psicologia tinha como intenção desvendar</p><p>a noção biológica do cérebro sobre a consciência, o que deveria</p><p>ser analisado em seu ambiente natural, de uma forma mais</p><p>sistemática e não fragmentada, como no Estruturalismo. A</p><p>proposta, que também era embasada na Biologia Darwinista,</p><p>pretendia responder como o ser humano se adaptava ao</p><p>seu meio ambiente. Esse método de estudo foi denominado</p><p>Funcionalismo, pois pretendia entender o organismo e sua</p><p>adaptação ao meio.</p><p>Vale lembrar que o Funcionalismo foi criado por William</p><p>James e estudava não somente os processos e experiências</p><p>mentais, mas o propósito deles no comportamento.</p><p>35PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>As ideias de William James foram tão bem</p><p>aceitas que este novo jeito de se fazer Psicologia</p><p>se expandiu rapidamente, porque ela não se</p><p>interessava apenas na introspecção e na função</p><p>fragmentada de cada região cerebral ou do</p><p>corpo, das sensações e dos sentimentos, mas no</p><p>entendimento global do organismo e da aplicação</p><p>da Psicologia para outros campos, como educação</p><p>e ambientes de trabalho.</p><p>O Funcionalismo não utilizava a Psicologia Experimental</p><p>e passava a observar o funcionamento psicológico sistemático</p><p>de populações de pessoas saudáveis ou emocionalmente</p><p>desequilibradas, e até animais. Também eram utilizadas crianças</p><p>e seus ambientes escolares, por isso essa escola psicológica</p><p>teve um grande impacto na educação normal e infantil. Um dos</p><p>alunos de James, John Dewey (1859-1952), grande referência no</p><p>campo da educação moderna, afirmava que as crianças deviam</p><p>aprender no nível para o qual estivessem preparadas (SCHULTZ;</p><p>SCHULTZ, 2009).</p><p>É imprescindível citar ainda dois ilustres discípulos de</p><p>William James: um deles foi Stanley Hall (1844-1924), conhecido</p><p>por ser o primeiro psicólogo a receber o título de PhD nos</p><p>Estados Unidos, com seus estudos a respeito da Psicologia do</p><p>Desenvolvimento e da Adolescência. Além disso, esse autor</p><p>fundou a Associação Americana de Psicologia (APA) e o primeiro</p><p>jornal americano de Psicologia, que existem até hoje, sendo a</p><p>APA a maior instituição de Psicologia no mundo.</p><p>36 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 11 – Stanley Hall (1844-1924)</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Outra ilustre aluna de James foi Mary Whiton Calkins</p><p>(1863-1930), que, apesar de ter completado todas as exigências</p><p>para o recebimento de seu título de PhD em Psicologia, teve</p><p>seu título negado pela Universidade de Harvard em 1890, por</p><p>ser mulher. Calkins passou a lecionar Psicologia para uma</p><p>universidade feminina, onde criou seu laboratório de Psicologia.</p><p>Além disso, foi a primeira presidente da APA.</p><p>Figura 12 – Estudiosos da psicologia</p><p>Fonte: Psicologiaiesgo (2022).</p><p>37PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A primeira mulher do mundo a receber o título de</p><p>Ph.D. em Psicologia foi Margaret Floy Washburn</p><p>(1871-1939), aluna de Titchener também nos</p><p>Estados Unidos, com seus estudos sobre</p><p>comportamento animal e teoria motora. Além</p><p>disso, foi a segunda mulher a presidir a APA.</p><p>Figura 13 – Margaret Floy Washburn (1871- 1939)</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Apesar de todo o sucesso, a escola funcionalista não</p><p>ficou livre de críticas. Psicólogos experimentais como Wundt</p><p>acreditavam que a pesquisa fora dos padrões de controle</p><p>do laboratório seria inconstante e fora de consenso público,</p><p>significando um retorno à ciência pura, aquela fundamentada</p><p>em ideias (como Platão) e não em evidências científicas</p><p>comprovadas, como a Filosofia moderna nos ensina, por isso não</p><p>a reconheciam como Psicologia.</p><p>REFLITA</p><p>É importante refletirmos que essa época já era o</p><p>século XX. Freud, Skinner, Watson e outros teóricos</p><p>já existiam. A Psicologia estava formada.</p><p>38 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>O Associacionismo</p><p>O Associacionismo teve início no Reino Unido com David</p><p>Hartley (1705-1757). Não é uma escola criada como crítica às</p><p>anteriores, mas uma corrente de pensamento fundamentada</p><p>em ideias filosóficas positivistas e empiristas, que, assim como o</p><p>Estruturalismo e o Funcionalismo, buscava entender os processos</p><p>mentais. Com base em teorias Newtonianas e empiristas, essa</p><p>teoria propunha que a mente seria produto de ações vibratórias</p><p>do sistema nervoso que produziriam sensações, e essas sensações</p><p>produziriam as ideias. Posteriormente, a concepção de sensação-</p><p>ideia foi substituída pela expressão estímulo-reação, ou seja,</p><p>estímulo-resposta. Importantes filósofos e psicólogos firmaram</p><p>suas teorias com base nessas ideias, que estão presentes e são</p><p>utilizadas na Psicologia atual (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>O Positivismo foi uma escola filosófica criada pelo</p><p>francês Augusto Comte (1798-1857). Para os filósofos</p><p>positivistas, a ciência deveria ser construída por meio</p><p>de um protocolo sistemático de observações empíricas</p><p>e de fenômenos concretos passíveis de serem</p><p>observados e confirmados por consenso público.</p><p>As ideias apresentadas nessa corrente de pensamento</p><p>foram bastante revolucionárias, pois se aprofundaram na</p><p>compreensão do funcionamento cognitivo. Um filósofo que</p><p>inspirou o Associacionismo foi o inglês John Locke (1632-1704),</p><p>que defendia a tese aristotélica de que o homem nasce sem</p><p>qualquer conhecimento prévio, ou seja, como uma tábula-rasa.</p><p>Para Locke, o conhecimento é fruto da sensação (experiência</p><p>sensorial) e reflexão (cognitiva mental). A sensação e a reflexão</p><p>formam as ideias simples, que são elementares e não podem ser</p><p>reduzidas ou analisadas. A junção das ideias simples forma as</p><p>ideias complexas, as quais podem ser estudadas. A conexão entre</p><p>39PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>as ideias simples para formar as complexas recebeu o nome de</p><p>associação, cujo processo serve como base para explicar o que</p><p>atualmente os psicólogos, os pedagogos e os psicopedagogos</p><p>chamam de aprendizagem (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).</p><p>EXPLICANDO</p><p>MELHOR</p><p>Como já explicamos anteriormente, a sensação</p><p>deve-se aos órgãos dos sentidos, enquanto a</p><p>percepção é a assimilação da sensação com a</p><p>subjetividade de cada indivíduo. A junção dessas</p><p>duas operações forma a reflexão, ou seja, quando</p><p>temos uma experiência sensorial, atribuímos a ela</p><p>uma ideia a respeito do que foi vivenciado. Isso é</p><p>a associação, e essa percepção a respeito do que</p><p>está sendo vivenciado, ou seja, o entendimento</p><p>interno das operações da razão, é chamada de</p><p>reflexão.</p><p>O “espírito” intelectual dessa época vinha da influência</p><p>de filósofos materialistas como Descartes. A ideia mentalista a</p><p>respeito da reflexão afirmava que todo o conhecimento é função</p><p>de um fenômeno mental e dependente da pessoa que a vivencia.</p><p>Assim, o Associacionismo defendia que o homem não nasce com</p><p>ideias inatas. O conhecimento é fruto dos processos fisiológicos</p><p>subjacentes que, por sua vez, formarão os processos psicológicos.</p><p>A doutrina do mecanicismo foi utilizada para explicar a mente</p><p>humana, sendo essa passiva e automática, respondente a</p><p>estímulos externos.</p><p>Alguns teóricos importantes dessa</p><p>época</p><p>Um estudo dessa época e que contribui diretamente para</p><p>a prática do pedagogo foram os achados de Hermann Ebbinghaus</p><p>(1850-1909), aluno de Wundt que em 1885 publicou o resultado</p><p>de uma pesquisa a respeito da associação, aprendizagem e</p><p>memória. Veja o exemplo:</p><p>40 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Exemplo:</p><p>Leia o seguinte conjunto de letras:</p><p>Ce zl e m sl mrvoso !</p><p>Tente lembrar-se de todas daqui a 30 minutos.</p><p>Agora tente novamente.</p><p>Céu azul e um sol maravilhoso!</p><p>Viu só? Isto seria uma breve demonstração de como a</p><p>associação de ideias é importante para melhor consolidar</p><p>a memória. Provavelmente, você imaginou um céu, um sol,</p><p>e vieram várias imagens e percepções em sua mente.</p><p>Outro teórico que contribuiu (acidentalmente) para a</p><p>Psicologia Experimental foi Ivan Pavlov (1849-1936), um fisiologista</p><p>russo que estava realizando um estudo gastrointestinal com</p><p>um cachorro, o qual sempre que ia ser alimentado, um sino</p><p>era tocado. Pavlov percebeu que o cão salivava quando o sino</p><p>tocava, antes de ver a comida.</p><p>Figura 14 – Ivan Pavlov (1849- 1936)</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>41PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Então, Pavlov fez a seguinte observação: a associação de</p><p>um estímulo não condicionado (comida) com a apresentação de</p><p>um estímulo neutro (som de uma campainha) pode provocar</p><p>uma resposta condicionada (salivação), ou seja, aprendida. Veja</p><p>o esquema a seguir</p><p>FIGURA 15 – Esquema do condicionamento de estímulos Pavloviano</p><p>1. Antes do condicionamento</p><p>comida</p><p>som</p><p>som</p><p>som</p><p>Estímulo</p><p>neutro</p><p>Estímulo</p><p>condicionado</p><p>Estímulo</p><p>incondicionado</p><p>resposta não</p><p>condicionada</p><p>resposta</p><p>condicionada</p><p>resposta</p><p>incondicionada</p><p>resposta</p><p>incondicionada</p><p>Sem</p><p>salivaçãosalivação</p><p>salivação salivação</p><p>comida</p><p>3. Durante condicionamento</p><p>2. Antes do condicionamento</p><p>4. Após condicionamento</p><p>Resposta</p><p>Resposta</p><p>Resposta</p><p>Resposta</p><p>Fonte: Editorial Telesapiens.</p><p>42 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 16 – Animal experimental utilizado por Pavlov</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Um dos animais utilizados por Pavlov encontra-</p><p>se embalsamado, e a residência utilizada para</p><p>experimentos foi transformada em um museu na</p><p>Rússia, na cidade de Ryazan.</p><p>A descoberta de Pavlov foi chamada de reflexo</p><p>condicionado, ou seja, quando nosso corpo reage fisiologicamente</p><p>a um estímulo condicionado. Essa teoria serviu como base para</p><p>as pesquisas de Watson e Skinner, dois importantes psicólogos</p><p>comportamentais, cujas teorias são muito utilizadas na pesquisa</p><p>psicológica e na clínica atual.</p><p>Influenciado por Pavlov, John Broadus Watson (1878-</p><p>1958) foi um famoso professor de Psicologia americano,</p><p>considerado o fundador da Psicologia Comportamental. Aqui nos</p><p>ateremos apenas à importância dos achados de Watson, uma</p><p>escola psicológica que não acreditava na existência da mente e</p><p>dizia que apenas o comportamento era passível de estudo, pois</p><p>era observável.</p><p>Para Watson, o comportamento humano poderia ser</p><p>modelado de acordo com o ambiente. Ele criou um famoso</p><p>esquema que representava essa crença: S – R, do inglês stimulus-</p><p>43PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>response, que se tornou a base para a definição de aprendizagem</p><p>para sua teoria. Os experimentos de Watson são famosos e</p><p>muito comentados ainda hoje, pois contribuíram imensamente</p><p>para o conceito da relação entre modelagem comportamental e</p><p>meio. Esses experimentos, porém, foram considerados ofensivos</p><p>para quem estava participando da pesquisa (SCHULTZ; SCHULTZ,</p><p>2009).</p><p>Agora pense na prática da pedagogia quanto ao</p><p>comportamento dos alunos em relação ao meio (ambiente</p><p>escolar, professor, amigos, escola em geral). Como o meio pode</p><p>refletir no comportamento dos alunos? Caso você não consiga</p><p>responder a essa questão, guarde-a como uma motivação para</p><p>estudar todo o capítulo.</p><p>Ao estudar a história de alguma disciplina, temos a</p><p>impressão de que um autor pegou o bastão de seu antecessor</p><p>e seguiu adiante. Porém, o que estamos vendo na história da</p><p>Psicologia é uma relação de construção dinâmica e de poucos</p><p>anos atrás. Aqui estamos no século XX: as mulheres lutam para</p><p>ter espaço na sociedade, associacionistas e estruturalistas</p><p>trabalham cada qual em seu laboratório. Freud e Skinner escrevem</p><p>suas teorias durante a mesma época, ou seja, as divergências</p><p>resultaram em muito crescimento e avanço nas pesquisas, com</p><p>muitas mudanças na sociedade em pouco tempo.</p><p>A figura mostra um relato histórico de 1909, ano de</p><p>aniversário da Clarck University em Massachusets, onde Freud</p><p>apresentou cinco conferências sobre Psicanálise. Na plateia</p><p>estavam Stanley Hall, William James, entre outros. Nota-se</p><p>também ainda a ausência de mulheres nos registros acadêmicos,</p><p>apesar da participação delas nas aulas, na academia e no</p><p>desenvolvimento das pesquisas. Na fileira da frente estão Freud,</p><p>à esquerda, Stanley Hall, no centro, e Carl Jung a direita.</p><p>44 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Figura 17 – Teóricos da Psicologia reunidos</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza</p><p>de que você realmente entendeu o tema de</p><p>estudo deste capítulo, vamos resumir algo do</p><p>que vimos.</p><p>Você compreendeu os conceitos do</p><p>Estruturalismo, Funcionalismo e Associacionismo,</p><p>à luz da Psicologia científica.</p><p>45PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Objeto de estudo da Psicologia</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo você será capaz de</p><p>identificar os objetos de estudo da Psicologia e suas</p><p>aplicações. E então? Motivado para desenvolver</p><p>esta competência? Vamos lá!</p><p>Sem dúvida, os objetos de estudo da Psicologia são o</p><p>comportamento humano e os processos mentais e cognitivos.</p><p>Esta ciência surgiu como uma ramificação das ciências filosóficas</p><p>que buscava compreender o universo e a existência humana.</p><p>Ao focar no homem, a ciência passou a investigar cada</p><p>vez mais suas estruturas anatômica, fisiológica e neurofuncional.</p><p>Antes do período do Iluminismo, acreditava-se que o homem</p><p>emitia comportamentos emanados por forças sobrenaturais.</p><p>Com o aprimoramento do estudo neurológico, o cenário</p><p>mudou: doenças neurológicas foram descobertas, a relação</p><p>entre sensação e cérebro também se aprimorou e o estudo mais</p><p>compreensível do comportamento pôde ser aplicado a esferas</p><p>organizacionais, escolares, industriais, entre outras inúmeras</p><p>vertentes.</p><p>Vamos agora conhecer um pouco do objeto de estudo da</p><p>Psicologia e suas aplicações, principalmente no que se aproxima</p><p>à prática do pedagogo e do ambiente educacional.</p><p>Psicologia clínica</p><p>Sem dúvida, a área mais conhecida dentro da Psicologia</p><p>é a área clínica, que se dedica à saúde mental, ou seja, à</p><p>compreensão dos transtornos mentais e aos sofrimentos</p><p>psíquicos do ser humano. Vale lembrar que os primeiros</p><p>46 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>atendimentos individuais dentro da Psicologia eram destinados</p><p>à compreensão de problemas de aprendizagem e memória,</p><p>realizados por Wundt e seus alunos, e daí partindo para análises</p><p>comportamentais. Porém, a grande explosão da Psicologia e sua</p><p>fama na área clínica para tratar doenças psicológicas deve-se a</p><p>Freud, que fundou a teoria psicanalítica, levando-a a quase todo</p><p>o mundo.</p><p>Figura 18 – Tipo de atendimento clínico</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Além da teoria psicanalítica, existem várias</p><p>outras abordagens terapêuticas reconhecidas</p><p>pela ciência. Alguns teóricos são considerados</p><p>neofreudianos porque estudaram e se basearam</p><p>na Psicanálise Freudiana para desenvolver seu</p><p>método de intervenção, como Carl Jung e a teoria</p><p>dos arquétipos e inconsciente coletivo, Erik Erikson,</p><p>Karen Horney e Alfred Adler, entre outros.</p><p>Há ainda a metodologia comportamental que hoje</p><p>é muito utilizada em clínica. Essa modalidade de terapia é</p><p>bastante famosa por estudar a intervenção de comportamentos</p><p>traumáticos e estereotipados, como Transtorno Obsessivo</p><p>47PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Compulsivo (TOC), Transtorno do Espectro Autista (TEA), fobias e</p><p>questões de sofrimento psíquico em geral.</p><p>Em resposta às duas teorias anteriores, Carl Rogers</p><p>(1902-1987) deu início à Psicologia Humanista, uma forma mais</p><p>positiva e sistêmica de compreender as questões humanas.</p><p>Existem também as teorias que visam ao atendimento grupal e</p><p>não somente individual, como a Gestalt-terapia, por exemplo.</p><p>Existem outras abordagens também muito importantes na</p><p>pesquisa em Psicologia Clínica, que buscam investigar os</p><p>transtornos mentais em relação ao ambiente, a evolução desses</p><p>transtornos, as novas modalidades de intervenção, entre outros</p><p>(HOCKENBURRY; HOCKENBURRY, 2003).</p><p>Psicologia social</p><p>A Psicologia Social aborda as relações entre os membros</p><p>de um grupo social que não precisa ser coeso; por exemplo, uma</p><p>fila de pessoas em um banco se caracteriza como um grupo.</p><p>As pessoas tendem a se comportar de forma diferente</p><p>quando estão acompanhadas, sendo influenciadas pelos</p><p>comportamentos de outros. Desse modo, a Psicologia Social é o</p><p>estudo de como os indivíduos pensam, sentem e se comportam</p><p>em situações sociais.</p><p>Engana-se quem acredita que a Psicologia seja totalmente</p><p>limitada a uma área de conhecimento. Freud, em sua teoria</p><p>psicanalítica, já abordava a importância do meio social para o</p><p>comportamento humano e descrevia a família como o primeiro</p><p>grupo social, que seria transformado pela vivência da criança em</p><p>um segundo grupo, a comunidade. Vygotsky também escreveu</p><p>sobre a importância do grupo no surgimento da linguagem, a</p><p>qual seria influenciada pela cultura (FADIMAN; FRAGER, 2002).</p><p>48 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Porém, essa modalidade surgiu nos períodos de guerra</p><p>mundial, quando se tornou imprescindível compreender as</p><p>razões para alguns comportamentos de grupos. Kurt Lewin (1890-</p><p>1947) foi um teórico que trabalhou sobre essa seara durante a</p><p>Segunda Guerra, pesquisando o comportamento e a percepção</p><p>de pessoas quando estão em grupo, e desenvolveu a chamada</p><p>“pesquisa-ação”, um tipo de pesquisa descritiva e participante.</p><p>No Brasil, a Psicologia Social é marcada por diferentes</p><p>tendências, como a abordagem mais empirista e experimental-</p><p>cognitiva, e uma Psicologia mais ligada à Sociologia, que estuda</p><p>conceitos de comunidade, exclusão, inclusão social, estigmas,</p><p>entre outros.</p><p>São conceitos importantes para essa área a cognição</p><p>social e a influência social. A cognição social é o processo de</p><p>formação de impressões a respeito de outras pessoas, como</p><p>interpretamos o significado do comportamento delas e como</p><p>o nosso comportamento é afetado por nossas atitudes, ou</p><p>seja, é um estudo sobre como o ser humano recebe, processa</p><p>e armazena a informação advinda do mundo. O estudo das</p><p>emoções e da cognição faz parte do estudo da cognição social e,</p><p>como diz Hamilton et al. (1994) apud Garrido, Azevedo e Palma</p><p>(2011),</p><p>O poder explicativo dos modelos cognitivos</p><p>adoptados em cognição social prende-se,</p><p>principalmente, com a sua capacidade em</p><p>descrever de forma precisa os mecanismos</p><p>gerais da aprendizagem e do pensamento,</p><p>subjacentes a uma variedade de áreas. Os</p><p>primeiros desenvolvimentos da cognição social</p><p>ficaram assim marcados pela investigação</p><p>dos fundamentos cognitivos dos fenómenos</p><p>sociais através do modelo do processamento</p><p>49PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>da informação, assumindo que o indivíduo</p><p>no contexto social é alguém que se encontra</p><p>virtualmente embrenhado nalguma forma de</p><p>processamento de informação. Isto aplica-se</p><p>quer a pessoa esteja a formar uma impressão,</p><p>a dirigir uma reunião, a pensar na sua escola</p><p>primária, a lidar com uma doença ou a decidir</p><p>que marca de desodorizante comprar. Em</p><p>qualquer uma destas circunstâncias a pessoa</p><p>dá atenção e codifica informação do contexto</p><p>social, interpreta e elabora essa informação</p><p>através de processos avaliativos, inferenciais e</p><p>atribucionais e representa esse conhecimento</p><p>em memória para que mais tarde possa ser</p><p>recuperado e, subsequentemente utilizado,</p><p>em processos de pensamento e julgamento,</p><p>e para guiar o comportamento. (HAMILTON</p><p>et al., 1994 apud GARRIDO; AZEVEDO; PALMA,</p><p>2011, p. 116)</p><p>A influência social estuda como nosso comportamento</p><p>é afetado por situações e por outras pessoas. Essas influências</p><p>seriam, por exemplo, a importância atribuída a uma figura de</p><p>autoridade ou o fato de ajudarmos ou não um estranho. Ainda</p><p>neste campo, há o estudo sobre o fenômeno da dissonância</p><p>cognitiva, que ocorre quando o indivíduo se esforça para manter</p><p>a coerência (consonância) com suas crenças. Veja o exemplo a</p><p>seguir:</p><p>• Indivíduo fumante.</p><p>• Relação de consonância cognitiva - sabe que é</p><p>prejudicial, reconhece e decide parar de fumar.</p><p>• Relação de dissonância cognitiva - indivíduo fuma e</p><p>sabe que é prejudicial, tem um discurso voltado para</p><p>o não fumar, mas decide continuar fumando. Nesse</p><p>50 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>caso, seu comportamento não reforça suas crenças e</p><p>ele pode tentar justificá-lo criando novas crenças para</p><p>manter uma consonância, por exemplo: “Sim, eu fumo,</p><p>mas eu me exercito bastante, portanto quem não se</p><p>exercita e se alimenta mal, está pior que eu!”.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Assista ao vídeo disponível no QR-Code , que traz</p><p>uma explicação</p><p>e aplicação bem didática e atual</p><p>para a dissonância cognitiva.</p><p>Estudos sobre o comportamento social são bastante</p><p>investigados na Psicologia social: um deles, muito famoso, é o</p><p>estudo da obediência, que foi desenvolvido por Stanley Milgran</p><p>(1933-1984) nos Estados Unidos. Uma de suas investigações</p><p>propunha entender o comportamento excessivo de guardas que</p><p>serviram ao exército nazista, cometendo atrocidades, na maioria</p><p>das vezes fora de um combate, estando a vítima indefesa e sem</p><p>apresentar qualquer indício de ataque. Após o final da guerra,</p><p>quando esses guardas eram questionados a respeito de suas</p><p>atrocidades, apenas respondiam que estavam cumprindo</p><p>ordens.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=57HCDIZQ37M</p><p>51PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>SAIBA MAIS</p><p>O experimento de Milgram é considerado</p><p>importantíssimo para a pesquisa do</p><p>comportamento de grupos, porém não pode ser</p><p>repetido por ser considerado exagerado para os</p><p>padrões éticos da pesquisa, por causar perturbação</p><p>aos seus participantes. Essa história se tornou</p><p>filme com título “Experimenter – die Stanley Milgram</p><p>Story” dirigido por Michael Almereyda em 2015.</p><p>Psicologia organizacional</p><p>A Psicologia organizacional e do trabalho se iniciou ainda</p><p>no século XIX com a Revolução Industrial, pois, com o avanço da</p><p>tecnologia, as máquinas revolucionaram o esquema de trabalho,</p><p>os horários e a rotatividade de funcionários, por isso também é</p><p>chamada de Psicologia industrial. Ela tem o intuito de aumentar</p><p>a lucratividade e a produtividade, utilizando conhecimentos da</p><p>Psicometria (BASTOS; GALVÃO-MARTINS, 1990).</p><p>A Psicologia Organizacional estuda o clima organizacional</p><p>e qualidade de vida no trabalho, a saúde e bem-estar do</p><p>funcionário, ergonomia, poder e conflito, utilizando dinâmicas de</p><p>grupo, desenvolvimento de equipes e estudos sobre liderança.</p><p>A pesquisa nessa área é importante para manter uma relação</p><p>saudável entre empresa, funcionários e trabalho, além de</p><p>tentar compreender novas possibilidades de atuação, garantir a</p><p>inclusão social e interesses individuais de cada empresa.</p><p>https://filmesonline4k.tv/xfsearch/director/Michael+Almereyda/</p><p>52 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>IMPORTANTE</p><p>Um importante teórico dessa área é Abraham</p><p>Maslow (1905-1970), considerado o fundador da</p><p>Psicologia Humanista, que se baseou em conceitos</p><p>do Behaviorismo, Psicanálise e Gestalt. Seus estudos</p><p>são significativos para lidar com organizações,</p><p>porque defende a ideia de que a satisfação</p><p>profissional e o crescimento do funcionário e</p><p>da empresa são apenas as consequências de</p><p>um bom delineamento de autossatisfação, que</p><p>será trabalhado individualmente e no grupo</p><p>organizacional. Maslow representou isto em uma</p><p>pirâmide, a chamada pirâmide de Maslow.</p><p>FIGURA 19 – Pirâmide de Maslow</p><p>Fonte: Wikipedia</p><p>53PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>SAIBA MAIS</p><p>De acordo com a pirâmide de necessidades, o</p><p>indivíduo busca primeiro o que é essencial para</p><p>sua sobrevivência e, à medida que conquista um</p><p>nível, o outro passa a ser seu objetivo. O topo da</p><p>pirâmide torna o indivíduo realizado, ou melhor</p><p>dizendo, conforme a definição de Maslow, o</p><p>indivíduo conquista a autoatualização, que seria a</p><p>oportunidade e capacidade de explorar os talentos,</p><p>potencialidades etc.</p><p>A observação de Maslow a respeito da hierarquia das</p><p>necessidades nos mostra que o homem muda sua concepção</p><p>a respeito do que realmente lhe importa. Quando o indivíduo</p><p>enxerga o que é importante para o desenvolvimento de seu</p><p>Self (termo utilizado tanto por Maslow quanto pelos psicólogos</p><p>da abordagem humanista para se referir ao nosso “Eu”, nossa</p><p>psique), ele se sente motivado intimamente, “com necessidades</p><p>de autorrealização” (FADIMAM; FRAGER, 2002). Maslow (1970)</p><p>chamou isso de “Metamotivação” e, para ele, as pessoas</p><p>metamotivadas têm tendência à autoatualização, pois sua base</p><p>da pirâmide está contemplada.</p><p>É inteiramente verdadeiro que o homem vive</p><p>apenas de pão – quando não há pão. Mas</p><p>o que acontece com os desejos do homem</p><p>quando há muito pão e sua barriga está</p><p>cronicamente cheia? Imediatamente emergem</p><p>outras (e superiores) necessidades e são essas,</p><p>em vez de apetites fisiológicos, que dominam</p><p>seu organismo. E quando elas, por sua vez,</p><p>são satisfeitas, novamente novas (e ainda</p><p>superiores) necessidades emergem e assim por</p><p>diante. (MASLOW, 1970, p. 38)</p><p>54 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Um sujeito autoatualizado não é aquele livre de</p><p>problemas, mas aquele que utiliza toda sua capacidade, seus</p><p>talentos e suas forças, para perceber com mais eficiência a</p><p>realidade e realizar fatos mais satisfatórios para si. No campo</p><p>afetivo, esse indivíduo aceita melhor a si e aos outros, cultiva a</p><p>espontaneidade, simplicidade e naturalidade, concentra-se no</p><p>problema, e não no ego, entre outros aspectos.</p><p>Autoatualização representa um compromisso</p><p>a longo prazo com o crescimento e o</p><p>desenvolvimento máximo das capacidades, e</p><p>não um acomodamento no mínimo por causa de</p><p>preguiça ou falta de autoconfiança. O trabalho</p><p>de autoatualização envolve a escolha de</p><p>problemas criativos e valiosos. Maslow escreve</p><p>que indivíduos autoatualizadores são atraídos</p><p>por problemas mais desafiantes e intrigantes,</p><p>por questões que exigem os maiores e mais</p><p>criativos esforços. Estão dispostos a enfrentar</p><p>a incerteza e a ambiguidade e preferem o</p><p>desafio a soluções fáceis. (FADIMAN; FRAGER,</p><p>2002, p. 267)</p><p>Maslow incluiu algumas pessoas em seu estudo que foram</p><p>consideradas por ele como autoatualizadas, entre elas Tomas</p><p>Jefferson, Albert Einstein, Aldous Huxley e Abraham Lincoln.</p><p>Psicologia do desenvolvimento</p><p>humano</p><p>A Psicologia do desenvolvimento é uma grande área de</p><p>estudo, pois acompanha as mudanças psicológicas ao longo da</p><p>vida e abrange como as pessoas mudam fisicamente, mental,</p><p>e socialmente ao longo da vida em todas as idades e estágios</p><p>(primeira infância, velhice etc.). Os psicólogos do desenvolvimento</p><p>55PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>investigam a influência de fatores múltiplos no desenvolvimento,</p><p>incluindo os biológicos, ambientais, sociais e culturais.</p><p>A Psicologia do desenvolvimento estuda a relação entre</p><p>o genótipo (informações hereditárias de um organismo contidas</p><p>em seu código genético) e o fenótipo (genética do organismo</p><p>somada à influência de fatores ambientais e da possível interação</p><p>entre os dois). Assim, doenças genéticas e características físicas</p><p>e psicológicas são objetos de pesquisa. O desenvolvimento da</p><p>criança desde a formação da linguagem até a velhice, estando</p><p>ou não em condições genéticas típicas, é de interesse dessa área</p><p>(HOCKENBURRY; HOCKENBURRY, 2001).</p><p>Jean William Fritz Piaget (1896-1980) é um dos teóricos</p><p>importantes dessa área de pesquisa que se interessou pela</p><p>formação da inteligência, a construção do conhecimento infantil</p><p>e seu desenvolvimento cognitivo. Ele dividiu a aprendizagem</p><p>infantil em estágios de desenvolvimento naturais e intrínsecos,</p><p>que se desenvolvem como etapas para a construção do</p><p>conhecimento. Lev Semyonovich Vygotsky (1896-1934) também</p><p>estudou o desenvolvimento intelectual das crianças e priorizou</p><p>as interações sociais e condições de vida do indivíduo para o</p><p>desenvolvimento cognitivo.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A Psicologia do Desenvolvimento ainda conta</p><p>com diversos autores dedicados unicamente a</p><p>investigar o comportamento do adolescente, do</p><p>adulto e do idoso, visto que uma série de mudanças</p><p>físicas, hormonais e psicológicas ocorrem no corpo</p><p>humano ao longo da vida, bem como a mudança</p><p>no comportamento dinâmico social. É notável que</p><p>em cada idade há um desenvolvimento moral</p><p>diferente e uma devolutiva social diferente em</p><p>cada fase (HOCKENBURY; HOCKENBURY, 2001).</p><p>56 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>Psicologia escolar e educacional</p><p>A Psicologia escolar e educacional investiga os processos</p><p>de ensino-aprendizagem. Alguns teóricos a chamam de Psicologia</p><p>escolar, porque o psicólogo atua dentro da escola, sempre</p><p>focado no aprendizado do aluno,</p><p>mas ela também é chamada</p><p>de Psicologia Educacional, pois, para outros teóricos, o aprender</p><p>não acontece apenas no ambiente escolar e engloba também</p><p>a participação de outros ambientes educativos e participações-</p><p>chave, como a família, por exemplo.</p><p>A atuação é tanto na aplicação profissional quanto na</p><p>pesquisa, sempre dentro das perspectivas emocional, cognitiva</p><p>e social. A Psicologia atua em parceria com outras áreas do</p><p>conhecimento humano, como Antropologia, Pedagogia, Filosofia</p><p>e Fonoaudiologia, para entender as causas do fracasso escolar,</p><p>da desmotivação e, principalmente, de transtornos e dificuldades</p><p>de aprendizagem. A partir de uma visão sistêmica, age em duas</p><p>frentes: a preventiva e a que requer ajustes ou mudanças.</p><p>De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico</p><p>das Doenças Mentais - DSM 5 (APA, 2014), os transtornos</p><p>de aprendizagem são inabilidades específicas nas áreas da</p><p>leitura, escrita ou matemática, provocadas por disfunções ou</p><p>sequelas cerebrais que comprometem a região responsável</p><p>pelo aprendizado, ou seja, as causas são pontuais, necessitando</p><p>de um diagnóstico, para que se pense na intervenção</p><p>profissional. Assim, será desenhado um método diferente</p><p>de ensino e acompanhamento, e, quando necessário,</p><p>haverá o acompanhamento médico regular para intervenção</p><p>medicamentosa. Os transtornos de aprendizagem são</p><p>frequentemente confundidos com dificuldades de aprendizagem</p><p>porque a má produção escolar do aluno é muito parecida,</p><p>resultando em diagnósticos incorretos.</p><p>57PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>As causas das dificuldades de aprendizagem são</p><p>extrínsecas, subjetivas e técnicas, como falta de oportunidade</p><p>de aprender, principalmente nos primeiros estágios de</p><p>desenvolvimento, mudanças de escola que podem resultar</p><p>na descontinuidade do aprendizado, comprometimento na</p><p>inteligência global (pois nesse caso não se espera um desempenho</p><p>acadêmico, assim como em outros casos), comprometimentos</p><p>visuais ou auditivos não corrigidos, além de questões emocionais</p><p>que comprometem a saúde mental da criança, como problemas</p><p>em casa, bullying, má relação com o professor, má alimentação,</p><p>sono ruim etc.</p><p>O psicólogo também realiza ações de prevenção,</p><p>avaliação, diagnóstico, acompanhamento e orientação</p><p>psicológica aplicada dentro de um contexto institucional, e não</p><p>ao aluno individualmente. Porém, para casos que necessitam,</p><p>realizam-se encaminhamentos clínicos.</p><p>ACESSE</p><p>Você sabe a diferença entre dificuldade e</p><p>transtorno de aprendizagem, ou quer aprofundar</p><p>um pouco mais o seu conhecimento? Então, acesse</p><p>o material disponível no QR-Code.</p><p>Psicobiologia</p><p>É uma área do conhecimento que busca compreender</p><p>o comportamento por meio de suas bases biológicas, ou seja,</p><p>utilizam-se estudos fisiológicos e genéticos, para compreender</p><p>ttps://blog. portabilis.com. br/dificuldade-de-aprendizagem/</p><p>58 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>a interação entre sistema nervoso e comportamento. Também</p><p>conhecida como Neurociência Comportamental, é uma área</p><p>dentro do campo das Neurociências, na qual estão inseridos</p><p>diversos tipos de profissionais, como o neuropsicólogo e</p><p>neuropsicopedagogo, além das áreas que relacionam seus</p><p>problemas de pesquisa com as hipóteses neuronais, como</p><p>o neuromarketing, por exemplo, que é uma área nova dentro</p><p>deste campo (GRIGGS, 2009).</p><p>As Neurociências estão crescendo bastante. Com o</p><p>avanço da tecnologia, foram criados equipamentos que permitem</p><p>mapear o cérebro e verificar suas áreas ativas ou comprometidas,</p><p>facilitando o diagnóstico e prognóstico do paciente. O resultado</p><p>de um exame de imagem ajuda muito os profissionais a</p><p>confirmarem uma área lesionada no cérebro. O neuropsicólogo,</p><p>por exemplo, poderá trabalhar na reabilitação dessa área dentro</p><p>dos limites da plasticidade cerebral. Já o neuropsicopedagogo</p><p>poderá realizar um trabalho de reabilitação cognitiva ou de</p><p>aprendizagem para uma criança mais rapidamente, pois, por</p><p>meio de um exame de imagem pontual, o profissional saberá</p><p>se o dano está na região cerebral responsável pela memória,</p><p>linguagem ou outra (GRIGGS, 2009).</p><p>A plasticidade cerebral é a capacidade de o cérebro mudar</p><p>ao longo da vida. O SNC (Sistema Nervoso Central) modifica sua</p><p>organização estrutural e funcional em resposta às experiências</p><p>(estímulos ambientais). Desse modo, a estimulação profissional</p><p>possibilita a reativação de algumas áreas inativas. Isso acontece</p><p>porque o estímulo externo faz com que surjam novas conexões</p><p>entre os chamados neurônios, que estariam “adormecidos”</p><p>(GRIGGS, 2009).</p><p>59PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quer se aprofundar na relação entre Psicologia</p><p>e Pedagogia? Recomendamos o acesso ao artigo</p><p>“Voltando o olhar para o professor: a Psicologia e</p><p>pedagogia caminhando juntas”, disponível no QR-</p><p>Code.</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você</p><p>aprendeu a identificar os objetos de estudo da</p><p>Psicologia e suas aplicações.</p><p>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-80232005000100010&lng=pt&tlng=pt</p><p>60 PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. Manual diagnóstico</p><p>e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. São Paulo: Artmed</p><p>Editora, 2014.</p><p>BASTOS, A. V. B.; GALVAO-MARTINS, A. H. C. O que pode fazer o</p><p>psicólogo organizacional. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 10, n.</p><p>1, p. 10-18, 1990. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.</p><p>php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931990000100005&lng=en&</p><p>nrm=iss. Acesso em: 04 Mar. 2019.</p><p>BLOGODORIUM. Resumo sobre o mito da caverna de Platão,</p><p>c2022. Disponível em: https://www.blogodorium.com.br/resumo-</p><p>sobre-o-mito-da-caverna-de-platao/. Acesso em: 04 Mar. 2019.</p><p>BORGES, D. G. A influência platônica sobre a modernidade:</p><p>semelhanças entre o pensamento de Platão e o sistema de René</p><p>Descartes. Polymatheia. Polymatheia – Revista de Filosofia,</p><p>Fortaleza, vol. 5, n. 8, 2009, p. 173-189. Disponível em: https://</p><p>revistas.uece.br/index.php/revistapolymatheia/article/view/6492.</p><p>Acesso em: 04 Mar. 2019.</p><p>CASTRO, C. M. Estrutura e apresentação de publicações</p><p>científicas. São Paulo: McGraw-Hill, 1976.</p><p>CARLSON, N R. Fisiologia do comportamento. São Paulo: Manole,</p><p>2002.</p><p>FADIMAN, J.; FRAGER, R. Teorias da personalidade. São Paulo:</p><p>Habra, 2002.</p><p>GARRIDO, M.V.; AZEVEDO, C.; PALMA, T. Cognição social:</p><p>Fundamentos, formulações actuais e perspectivas</p><p>futuras. Psicologia, Lisboa , v. 25, n. 1, p. 113-157, jun. 2011.</p><p>Disponível em http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_</p><p>arttext&pid=S0874-20492011000100006&lng=pt&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 15 abr. 2019.</p><p>RE</p><p>FE</p><p>RÊ</p><p>N</p><p>CI</p><p>A</p><p>S</p><p>https://www.blogodorium.com.br/resumo-sobre-o-mito-da-caverna-de-platao/</p><p>https://www.blogodorium.com.br/resumo-sobre-o-mito-da-caverna-de-platao/</p><p>61PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>1</p><p>GOMES, B. W. A Psicologia de Platão e de Aristóteles. Curso de</p><p>Introdução à História da Psicologia – Aula 3. [S. l.]: UFMG, 1996.</p><p>Disponível em: http://www.fafich.ufmg.br/cogvila/dischistoria/</p><p>Gomes3.pdf. Acesso em: 15 abr. 2019.</p><p>GRIGGS, R. A. Psicologia: uma abordagem concisa. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2009.</p><p>HOCKENBURY, D. H.; HOCKENBURY, S. E. Descobrindo a</p><p>Psicologia. São Paulo: Manole, 2001.</p><p>MASLOW, A. Motivation and personality. New York: Harper and</p><p>Row, 1970.</p><p>MAZIN, G. O Método de Introspecção de Wundt. Psicoeduca, 2016.</p><p>Disponível em: https://psicoeduca.com.br/psicologia/historia-da-</p><p>psicologia/14-o-metodo-de-introspeccao-de-wundt. Acesso em:</p><p>14 jul. 2022.</p><p>PSICOLOGIA IESGO. Mary Whiton Calkins venceu o preconceito</p><p>e a discriminação na Psicologia dos anos 60, 2010. Disponível</p><p>em: http://Psicologiaiesgo.blogspot.com/2010/09/mary-whiton-</p><p>calkins-venceu-o.html Acesso em: 15 abr. 2019.</p><p>SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna.</p><p>São Paulo: Cengage Learning BR,</p>