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<p>APICULTURA – ABELHAS COM</p><p>E SEM FERRÃO</p><p>AULA 6</p><p>Profª Greissi Tente Giraldi</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta etapa, recordaremos alguns aspectos que dizem respeito ao</p><p>desenvolvimento e às práticas da apicultura convencional e, dando seguimento</p><p>ao nosso estudo, veremos como fazer a transição da apicultura convencional</p><p>para a apicultura orgânica, caso o apicultor deseje aderir à produção orgânica</p><p>dos produtos da colmeia. Estudaremos também sobre a normalização da</p><p>cadeia apícola, o pasto apícola e a importância que esse assunto tem, tanto na</p><p>apicultura convencional como na apicultura orgânica.</p><p>Os objetivos desta etapa são: conhecer como pode ser feita a transição</p><p>da apicultura convencional para a apicultura orgânica; entender como e por que</p><p>se normatizou a cadeia apícola; conhecer algumas plantas que são utilizadas</p><p>como pasto apícola, e por sua vez concedem cor, sabor e aroma ao mel; e por</p><p>fim, vamos estudar alguns aspectos da interação entre apicultura e agricultura,</p><p>para entendermos a importância das abelhas para a produção de alimentos e</p><p>como o manejo agrícola pode influenciar positiva ou negativamente na vida e</p><p>na saúde das abelhas.</p><p>Desejamos a você um excelente estudo.</p><p>TEMA 1 – ASPECTOS DA APICULTURA CONVENCIONAL E DA APICULTURA</p><p>ORGÂNICA NA OBTENÇÃO DE PRODUTOS DA COLMEIA</p><p>A apicultura convencional é a mais praticada em território nacional.</p><p>Observamos ao longo das etapas anteriores como são obtidos os produtos da</p><p>colmeia e, nos temas abordados anteriormente, é importante salientar que as</p><p>práticas sugeridas estão relacionadas ao sistema convencional de produção,</p><p>então, a proposta desse tema é apresentar como pode ser feita a transição do</p><p>sistema convencional de obtenção dos produtos da colmeia para a apicultura</p><p>orgânica, que tem mostrado uma demanda crescente por parte dos</p><p>consumidores de produtos apícolas. Veremos nesta abordagem, também,</p><p>como ocorreu a normalização da cadeia apícola e quais são as principais</p><p>normas que devem ser atendidas para a comercialização nacional e</p><p>internacional de mel, além de conhecer os principais aspectos sanitários que</p><p>podem afetar a saúde da colmeia.</p><p>3</p><p>1.1 Boas práticas na produção apícola em sistema convencional</p><p>Vamos recordar alguns conceitos e práticas que vimos no decorrer do</p><p>nosso estudo sobre a obtenção de produtos da colmeia? Ao falarmos de boas</p><p>práticas na produção apícola, devemos nos recordar de alguns aspectos sobre</p><p>como pode ser feito o planejamento de implantação dos apiários; como deve</p><p>ser a área onde será feita a implantação, se há presença de alimento para as</p><p>abelhas; como deve ser o acesso ao apiário, quais são os principais requisitos</p><p>que o apicultor deve atender para a segurança do apiário e das pessoas,</p><p>criações ou benfeitorias que estejam no entorno.</p><p>Além disso, devemos nos atentar ao tipo de caixa que será utilizada para</p><p>ninho e melgueira, vimos que as caixas devem obedecer a uma padronização e</p><p>devem ter uma numeração única para controle do apicultor acerca do manejo</p><p>que será conduzido no apiário.</p><p>Outro aspecto que vimos no decorrer do nosso estudo diz respeito à</p><p>colheita do mel e o transporte dos favos para extração na casa do mel, quais</p><p>são os equipamentos de proteção individual e os utensílios que devem ser</p><p>utilizados, e como deve ser a higienização praticada nesse processo; vimos</p><p>também quais são as condições climáticas próximas do ideal para a colheita do</p><p>mel.</p><p>Veremos, agora, quais são os principais cuidados que se deve ter em</p><p>relação à sanidade da colmeia.</p><p>1.2 Sanidade da colmeia</p><p>“A saúde das abelhas é fundamental para a produção e a qualidade do</p><p>mel e, nesse sentido, todos os manejos durante o processo produtivo devem</p><p>ser feitos corretamente visando a sua manutenção” (Costa; Cella; Cunha,</p><p>2020).</p><p>Naturalmente, há condições em que as abelhas ficam mais suscetíveis</p><p>ao contato com agentes patológicos e inimigos naturais.</p><p>Nesse sentido, é importante que o apicultor esteja apto a reconhecer as</p><p>possíveis alterações que possam ser causadas, tanto por doenças como por</p><p>inimigos naturais, a fim de tomar as devidas providências de manejo para</p><p>erradicação ou contenção dos agentes causais de doenças, ou mesmo dos</p><p>inimigos naturais. Após a confirmação de determinada doença ou surto de</p><p>4</p><p>inimigos naturais, uma prática relevante é a divulgação à comunidade, pois isso</p><p>auxilia outros apicultores a preservarem suas colmeias (Lopes et al., 2004;</p><p>Costa; Cunha; Cella, 2020).</p><p>O adoecimento das abelhas pode ocorrer tanto na fase jovem como na</p><p>fase adulta do inseto, provocando diminuição nos produtos advindos da</p><p>colmeia, o que pode estar diretamente ligado ao aumento da mortalidade das</p><p>crias e à redução geral da população da colônia (Lopes et al., 2004).</p><p>Vejamos com mais detalhes as principais doenças que ocorrem nas</p><p>abelhas, primeiramente na fase jovem e posteriormente na fase adulta. É</p><p>importante entendermos que as doenças que acometem as crias geralmente</p><p>causam maiores prejuízos do que as doenças que acometem as abelhas</p><p>adultas, por isso que o apicultor, nas revisões das colmeias, deve se atentar ao</p><p>menor sinal de doença, por conta da importância do reconhecimento dos</p><p>principais sintomas. Vamos conhecer as principais doenças e os seus agentes</p><p>causais:</p><p>Cria Pútrida Europeia (CPE) “é uma doença causada pela bactéria</p><p>Melissococus pluton, que ataca as crias quando estas consomem alimento</p><p>contaminado” (Lopes et al., 2004) e os sintomas aparecem, geralmente, no</p><p>início de um fluxo de néctar; o apicultor percebe, nas suas vistorias, favos com</p><p>muitas falhas e opérculos perfurados ou afundados.</p><p>A morte ocorre geralmente na fase de larva, quando o corpo está em</p><p>forma de “C” no fundo da célula, antes que os alvéolos sejam</p><p>operculados; as larvas doentes também podem morrer em fase mais</p><p>adiantada, quando estão tecendo o casulo, neste caso, ao invés de</p><p>estarem no fundo da célula, aparecem contorcidas, nas paredes dos</p><p>alvéolos. (Lopes et al., 2004)</p><p>Essa doença pode ocorrer em todo o país, mas geralmente não causa</p><p>sérios prejuízos, o que não significa que as práticas preventivas e curativas</p><p>devem ser negligenciadas; o manejo de controle sugerido e praticado quando</p><p>há ocorrência de CPE é a retirada dos quadros que apresentem crias doentes</p><p>e a substituição da rainha por uma que apresente características de resistência</p><p>à doença, além disso, é importante que o apicultor não utilize os equipamentos</p><p>contaminados no manejo de colmeias sadias, visando evitar a dispersão da</p><p>doença (Lopes et al., 2004; Costa; Cunha; Cella, 2020).</p><p>Cria Pútrida Americana (CPA) “é uma doença causada pela bactéria</p><p>Paenibacillus larvae, e, semelhante a doença anterior, as larvas são infectadas</p><p>quando consomem alimento contaminado” (Lopes et al., 2004).</p><p>5</p><p>Essa doença pode ocasionar danos severos às crias e à colmeia de</p><p>modo geral, isso porque a espécie de bactéria que provoca a CPA produz</p><p>esporos que sobrevivem no ambiente por muito tempo, mesmo em condições</p><p>adversas de radiação e temperatura, por isso, é importante que o apicultor</p><p>tome as medidas de contenção no caso de suspeita de CPA (Lopes et al.,</p><p>2004).</p><p>Entre os sintomas que essa doença provoca, podemos citar:</p><p>Favos de crias falhados, opérculos perfurados, escurecidos e</p><p>afundados; morte da cria na fase de larva ou pupa, quando o corpo</p><p>está em posição vertical na célula. As larvas podem apresentar</p><p>mudança de cor, passando do branco-pérola para amarelo até</p><p>marrom-escuro e, as larvas mortas apresentam consistência viscosa,</p><p>principalmente quando apresentam coloração marrom-escuro. (Lopes</p><p>et al., 2004)</p><p>“No estágio final da doença, a cria fica escura e ressecada formando</p><p>escamas finas e achatadas, geralmente de cor marrom ou preta, que ficam</p><p>aderidas nas paredes do alvéolo e de difícil remoção” (Lopes et al., 2004).</p><p>Como medidas de contenção,</p><p>recomenda-se que o apicultor obedeça</p><p>aos seguintes protocolos:</p><p>1. realizar a identificação das colmeias com sintomas de CPA;</p><p>2. evitar utilizar os mesmos equipamentos de manejo nas colmeias sadias;</p><p>3. coletar amostras dos insetos que apresentem sintomas da doença para</p><p>laboratórios especializados para confirmação da suspeita de ocorrência</p><p>de CPA;</p><p>4. no caso de confirmação de CPA, o apicultor deve comunicar aos órgãos</p><p>competentes a ocorrência da doença e realizar a eliminação das</p><p>colônias afetadas, a qual sugere-se que seja feita por incineração. Caso</p><p>o apicultor opte pelo reaproveitamento das caixas (ninho e melgueira),</p><p>as abelhas adultas devem ser mortas e depois queimadas junto com os</p><p>favos, e as caixas devem passar por um processo de esterilização, que</p><p>pode ser feito de duas maneiras: mergulhando as peças em parafina a</p><p>160 ºC por 10 minutos ou em solução de hipoclorito de sódio a 0,5% por</p><p>20 minutos (Lopes et al., 2004).</p><p>“Para evitar a disseminação dessa grave doença no Brasil, os</p><p>apicultores devem estar bastante atentos para nunca utilizarem mel ou pólen</p><p>importados para alimentação de suas abelhas no período de entressafra, pois</p><p>6</p><p>podem estar contaminados e por consequência, contaminar as colmeias”</p><p>(Lopes et al., 2004).</p><p>H�� uma outra doença que acomete as crias, que é causada pelo vírus</p><p>“Sac Brood Virus” (SBV), o qual não teve registro oficial de ocorrência no</p><p>Brasil. No entanto, existe uma doença que ocorre com sintomas muito</p><p>parecidos, causada pelo pólen da planta barbatimão (Stryphnodendron sp.) e,</p><p>devido à semelhança que os sintomas apresentam, essa doença passou a ser</p><p>chamada de cria ensacada brasileira (Lopes et al., 2004).</p><p>A cria ensacada brasileira “ocorre em áreas de cerrado, onde se</p><p>encontra a planta barbatimão e tem ocasionado prejuízos em várias regiões,</p><p>principalmente no sudeste brasileiro. Em alguns casos, pode provocar 100% de</p><p>mortalidade de crias, chegando a destruir uma colônia forte em pouco tempo”</p><p>(Lopes et al., 2004).</p><p>Os sintomas são visíveis em:</p><p>Favos de crias com falhas e opérculos geralmente perfurados ou</p><p>totalmente removidos, nesse caso, as crias mortas não apresentam</p><p>cheiro pútrido, no entanto, as crias apresentam coloração cinza-claro,</p><p>marrom ou cinza-escuro; e ocorre a formação de líquido entre o</p><p>tegumento da larva e da pupa em formação.</p><p>Quando a cria doente é retirada cuidadosamente do alvéolo com o</p><p>auxílio de uma pinça presa na região da cabeça, apresenta formato</p><p>de saco e, é possível observar o acúmulo de líquido na parte inferior</p><p>e uma massa branca na parte superior, que corresponde ao corpo da</p><p>pupa que estava em formação. (Lopes et al., 2004)</p><p>Visando a prevenção da ocorrência da cria ensacada brasileira, sugere-</p><p>se que o apicultor evite a instalação dos apiários em áreas onde há ocorrência</p><p>de barbatimão, ou então, na época de florescimento dessa espécie, faça a</p><p>migração do apiário para um local distante o suficiente para preservar as</p><p>colmeias. Há também a possibilidade de o apicultor fornecer uma alimentação</p><p>alternativa para as abelhas, como é o caso das dietas artificiais; se o apicultor</p><p>optar por essa prática de manejo, a dieta artificial deve ser introduzida para as</p><p>colônias com pelo menos um mês de antecedência da floração do barbatimão.</p><p>Cria Giz “é uma doença causada pelo fungo Ascosphaera apis e, sua</p><p>ocorrência no Brasil tem sido baixa, com relatos apenas nos estados do RS,</p><p>SP e MG estando sua ocorrência relacionada à alimentação das abelhas com</p><p>pólen contaminado” (Lopes et al., 2004).</p><p>A alimentação das crias com pólen contaminado por A. apis apresenta</p><p>alguns sintomas que podem ser observados pelo apicultor durante as vistorias</p><p>7</p><p>das colmeias, entre os quais podemos citar a presença de opérculos</p><p>perfurados de insetos mortos na fase de pré-pupa ou pupa e ausência de</p><p>cheiro pútrido; o inseto morto na fase jovem apresenta características de</p><p>coloração branca ou cinza-escuro e aspecto mumificado.</p><p>Essa doença pode ser facilmente evitada pelo apicultor, adotando</p><p>medidas simples de prevenção, entre as quais podemos citar o não</p><p>fornecimento de pólen importado para alimentação das colmeias, pois existe a</p><p>possibilidade de ele estar contaminado com A. apis. Outra prática de manejo</p><p>que pode ser adotada é a substituição da rainha por outra de linhagem mais</p><p>resistente e evitar a instalação do apiário em locais com excesso de umidade</p><p>(Lopes et al., 2004).</p><p>Vamos agora conhecer as principais doenças que podem acometer as</p><p>abelhas adultas. Assim como é importante o apicultor saber reconhecer os</p><p>sintomas na fase jovem das abelhas, também é importante que ele saiba</p><p>reconhecê-las na fase adulta.</p><p>As doenças em abelhas adultas são mais difíceis de serem</p><p>diagnosticadas em campo, porque muitas vezes apresentam</p><p>sintomas similares e, desse modo, para a confirmação de doenças ou</p><p>endoparasitoses, amostras de abelhas com sintomas devem ser</p><p>coletadas e enviadas a laboratórios especializados.</p><p>O sintoma geral da ocorrência de doenças em abelhas adultas é a</p><p>presença de abelhas mortas ou moribundas, rastejando na frente da</p><p>colmeia; no entanto, esses sintomas também ocorrem quando há</p><p>intoxicação das abelhas por inseticidas. (Lopes et al., 2004)</p><p>Por esse motivo, o apicultor deve estar atento a aplicações de</p><p>defensivos agrícolas (agrotóxicos) nas áreas próximas ao apiário, devido à</p><p>área de alcance no forrageamento das abelhas campeiras.</p><p>As principais doenças ocorrentes em abelhas adultas são conhecidas</p><p>como nosemose e acariose, tendo como agentes causais o protozoário</p><p>Nosema apis e o pelo ácaro Acarapis woodi, respectivamente.</p><p>A nosemose é contraída pelas abelhas na ingestão dos esporos de N.</p><p>apis que podem estar dispersos no ambiente; essa doença acomete o intestino,</p><p>provocando a destruição das células epiteliais responsáveis pela digestão, por</p><p>isso o sintoma mais comum de nosemose é a diarreia, que quando ocorre de</p><p>forma intensa leva o inseto à morte.</p><p>Uma das formas de controle da doença é a desinfecção das caixas que</p><p>abrigaram abelhas doentes, visando a eliminação dos esporos de N. apis, o</p><p>apicultor também deve manejar as abelhas colônias sadias de forma isolada</p><p>8</p><p>para evitar que não haja contaminação dessas; já como ações preventivas da</p><p>doença podemos citar: “algumas práticas simples, como a escolha adequada</p><p>do local para instalação do apiário, com disponibilidade de água limpa; a troca</p><p>de favos com crias doentes por favos novos e a higienização dos materiais</p><p>apícolas que foram utilizados em colmeias contaminadas” (Lopes et al., 2004).</p><p>A acariose é provocada em abelhas do gênero Apis, pelo ácaro A.</p><p>woodi, que é um parasita interno obrigatório da espécie, ou seja, o ácaro</p><p>depende da abelha para completar seu ciclo de vida. Para sua sobrevivência,</p><p>A. woodi se aloja nas traqueias torácicas das abelhas, causando a perfuração</p><p>destas para que possa se alimentar da hemolinfa (Brasil, 2023).</p><p>Os principais sinais de que as abelhas estão com acariose são “abelhas</p><p>rastejando na frente da colmeia e no alvado, com as asas separadas,</p><p>impossibilitadas de voar. A prevenção dessa doença pode ser feita mantendo</p><p>os enxames fortes e evitando instalar os apiários com grande número de</p><p>colmeias” (Lopes et al., 2004).</p><p>As abelhas também possuem alguns inimigos naturais que, quando</p><p>presentes na colmeia, atrapalham a produção das abelhas, no que diz respeito</p><p>aos produtos apícolas e, entre eles, podemos citar o ácaro Varroa destructor,</p><p>lepidópteros das espécies Galleria mellonela e Achroia grisella, formigas,</p><p>cupins e pássaros.</p><p>Diferentemente do ácaro endoparasita A. woodi, o ácaro V. destructor,</p><p>responsável pelo que chamamos de varroa, é um parasita externo, que pode</p><p>estar presente tanto nas crias como nos insetos adultos. Esse ácaro sobrevive</p><p>se alimentando da hemolinfa das abelhas, e utiliza recursos da colmeia para</p><p>seu desenvolvimento, por exemplo,</p><p>as fêmeas de V. destructor ovipositam nas</p><p>células de cria das abelhas e saem da colmeia para buscar outros hospedeiros</p><p>quando estão sobre o corpo de abelhas operárias e zangões; para tanto, como</p><p>forma de diminuir as infestações sugere-se que o apicultor substitua a abelha</p><p>rainha por outra que seja mais tolerante à ocorrência de varroa.</p><p>Já no caso de colmeias com a presença das traças da cera, as</p><p>mariposas:</p><p>[...] colocam seus ovos em pequenas frestas dos quadros e caixas,</p><p>principalmente em colmeias fracas. Após a eclosão, as lagartas se</p><p>alimentam da cera, construindo galerias nos favos, onde depositam</p><p>fios de seda, assim, os quadros ficam cobertos com grandes</p><p>quantidades de fios de seda e fezes e, algumas vezes, afetam</p><p>diretamente a cria, além disso, podem e causam danos significativos</p><p>aos favos armazenados durante a entressafra. (Lopes et al., 2004)</p><p>9</p><p>Para evitar os danos causados pelas traças da cera, o apicultor pode</p><p>adotar medidas preventivas, que evitem a chegada das mariposas na colmeia;</p><p>o manejo preventivo pode ser feito mantendo as colmeias fortes e reduzindo a</p><p>abertura do alvado em épocas de entressafra e épocas de frio.</p><p>É importante que o apicultor evite deixar resíduos de cera no apiário e</p><p>faça o armazenamento dos favos e das lâminas de cera em locais que sejam</p><p>arejados e claros, pois as mariposas têm preferência por locais escuros para</p><p>oviposição, assim, quando os materiais estão alocados em locais claros, a</p><p>preferência das mariposas por ovipositar nesse local diminui.</p><p>É possível, ainda, dependendo das condições do apicultor, que os favos</p><p>e as lâminas de cera sejam protegidos com telas, oferecendo uma proteção</p><p>física para os materiais.</p><p>Até aqui vimos os principais agentes causais de danos às abelhas, tanto</p><p>na fase jovem quanto na fase adulta, e podemos perceber que não há formas</p><p>de controle que tangenciem o uso de produtos químicos, no entanto, a</p><p>utilização de produtos orgânicos é permitida, desde que sejam utilizados com</p><p>orientação técnica e de forma criteriosa, visto que mesmo produtos orgânicos,</p><p>se utilizados de forma inadequada, podem deixar resíduos no mel e acarretar</p><p>problemas para as abelhas (Costa; Cella; Cunha, 2020).</p><p>Nesse sentido, uma das principais diferenças entre o manejo da</p><p>apicultura convencional e a apicultura orgânica é o manejo da sanidade da</p><p>colmeia, além de aspectos no que diz respeito ao pasto apícola e ao local de</p><p>implantação do apiário. Vejamos, a seguir, como pode ser feita a transição de</p><p>um sistema para outro.</p><p>1.3 Conversão da apicultura convencional para apicultura orgânica</p><p>O processo de conversão da apicultura convencional para a apicultura</p><p>orgânica deve obedecer a vários aspectos que fazem parte da transição de um</p><p>sistema para outro. Caso o apicultor deseje fazer essa transição, ele deve</p><p>assegurar que está cumprindo com todos os aspectos previstos nas normas</p><p>orgânicas para apicultura, o que vale tanto para os apiários quanto para as</p><p>áreas de pastos apícolas (Costa; Cella; Cunha, 2020).</p><p>A norma brasileira vigente para a produção de produtos orgânicos</p><p>estabelece que o período de conversão seja de 120 dias para colmeias em</p><p>10</p><p>produção e 30 dias para enxames capturados dentro de unidades de produção</p><p>orgânica.</p><p>Iniciado o período de conversão, todos os materiais utilizados nos</p><p>apiários devem ser de procedência orgânica, para que os produtos sejam</p><p>reconhecidos pela certificadora como orgânicos.</p><p>Em alguns casos é natural que haja a reposição dos enxames, no</p><p>entanto, como alguns deles são capturados na natureza, a legislação brasileira</p><p>prevê a aquisição de até 10% de enxames não orgânicos para reposição, e em</p><p>casos excepcionais esta porcentagem pode ser aumentada, desde que haja a</p><p>aprovação da certificadora; importante salientar que a possibilidade de captura</p><p>de enxames na natureza está de acordo com a norma brasileira e é</p><p>assegurada pela legislação nacional (Costa; Cella; Cunha, 2020).</p><p>TEMA 2 – BOAS PRÁTICAS PARA A APICULTURA ORGÂNICA</p><p>A demanda por produtos orgânicos vem numa crescente há anos, como</p><p>sabemos, a procura por parte dos consumidores por alimentos mais “limpos”</p><p>tem aumentado em todos os segmentos agropecuários, e com a apicultura não</p><p>é diferente.</p><p>O mel orgânico produzido no Brasil é conhecido por sua alta qualidade,</p><p>valor agregado e diversidade de sabores, o que levou o produto brasileiro a</p><p>conquistar diversos países. Praticamente todo o mel orgânico produzido no</p><p>Brasil é exportado, e mais de 70% do produto é destinado para os Estados</p><p>Unidos e a outra parte é exportada para países da Europa, Japão, China,</p><p>Argentina, Peru e Uruguai.</p><p>A seguir, vamos conhecer um pouco mais sobre a apicultura orgânica.</p><p>2.1 Produção paralela</p><p>A apicultura orgânica obedece a princípios muito semelhantes no que diz</p><p>respeito à implantação do apiário, no entanto, podemos considerar fazer uma</p><p>comparação sobre a produção paralela de produtos da colmeia, ou seja,</p><p>apicultura convencional e orgânica ocorrendo simultaneamente na mesma</p><p>propriedade. Vamos entender melhor como isso é possível?</p><p>A legislação brasileira permite a produção paralela na mesma</p><p>propriedade, desde que haja a separação dos processos produtivos, no</p><p>11</p><p>entanto, os sistemas convencional e orgânico podem coexistir por cinco anos,</p><p>obedecendo objetivos diferentes (Costa; Cella; Cunha, 2020).</p><p>O apicultor que optar por essa transição deve ter apenas uma parte de</p><p>seus enxames para serviços de polinização em áreas não orgânicas, e é</p><p>necessário também que o apicultor mantenha os registros tanto dos apiários</p><p>orgânicos quanto dos apiários em áreas de apicultura convencional (Costa;</p><p>Cella; Cunha, 2020).</p><p>2.2 Localização do apiário</p><p>Os apiários que serão responsáveis pela produção orgânica de produtos</p><p>da colmeia podem ser instalados em unidades de produção orgânica, áreas</p><p>nativas e áreas com reflorestamentos, nesse último caso, é necessário que a</p><p>certificadora autorize.</p><p>Alguns pontos devem ser observados quanto à localização do apiário</p><p>para produção orgânica, entre os quais estão a distância mínima de três</p><p>quilômetros de áreas que não ofereçam quaisquer riscos à qualidade orgânica</p><p>dos produtos das abelhas.</p><p>Os apiários devem estar obrigatoriamente distantes de aterros</p><p>sanitários, indústrias, áreas de pecuária intensiva, uso de defensivos agrícolas</p><p>(agrotóxicos) em áreas agrícolas, lavouras de cultivos geneticamente</p><p>modificados, entre outras fontes de contaminação que devem ser avaliadas</p><p>previamente (Costa; Cella; Cunha, 2020). Outro ponto que deve ser</p><p>considerado pelo apicultor é que se este trabalha com exportação dos produtos</p><p>da colmeia, os critérios estabelecidos quanto à zona de vigilância de cada país</p><p>devem ser obedecidos.</p><p>Por exemplo:</p><p>Os estabelecimentos que exportam mel para os Estados Unidos</p><p>devem apresentar um estudo fora dos 3 quilômetros do raio da</p><p>localização do apiário (zona de vigilância), que é de 3,4 quilômetros a</p><p>partir do final dos 3 quilômetros iniciais, chamados de zona de</p><p>forragem; o objetivo dessa prática é minimizar que outras fontes</p><p>contaminantes possam ter algum impacto na qualidade orgânica dos</p><p>produtos das abelhas, para tanto, é necessário que tanto a zona de</p><p>forragem quanto a zona de vigilância estejam descritas no mapa de</p><p>localização do apiário. (Costa; Cella; Cunha, 2020)</p><p>Para tanto, os apicultores que desenvolvem a apicultura orgânica devem</p><p>apresentar um mapa da localização do apiário no qual esteja indicada a zona</p><p>12</p><p>de forragem (distância mínima de três quilômetros), em escala adequada e</p><p>com uma legenda caracterizando os possíveis riscos dentro desta área.</p><p>2.3 Manejo sanitário</p><p>O manejo sanitário adotado pelos apicultores que optarem pela</p><p>produção orgânica deve atender a normatização que rege a produção orgânica</p><p>de alimentos, visando a utilização de insetos preferencialmente resistentes às</p><p>doenças que podem ocorrer nos</p><p>apiários (Costa; Cella e Cunha; 2020).</p><p>Outro aspecto importante é o monitoramento regular do apiário, porque</p><p>ainda é comum em algumas regiões apicultores que não monitoram os</p><p>aspectos sanitários de suas colmeias. Nesse sentido, a apicultura orgânica,</p><p>enquadrada legalmente na legislação de produtos orgânicos, deve seguir o</p><p>manejo sanitário previsto na lei (Costa; Cella; Cunha, 2020).</p><p>2.4 Plano de manejo</p><p>O plano de manejo orgânico é o documento em que o apicultor fornece</p><p>informações a respeito de sua produção orgânica para a certificadora, esse</p><p>plano deve conter informações de todas as unidades de produção envolvidas</p><p>com a apicultura orgânica e estas atividades poderão ou não ser realizadas</p><p>dentro da propriedade.</p><p>O conteúdo que deve estar descrito no plano de manejo diz respeito ao</p><p>material utilizado para a confecção, pintura e cobertura das caixas, devendo</p><p>ser atóxico; a procedência da cera que vai revestir os quadros deve</p><p>obrigatoriamente ser de origem orgânica, se necessário, o apicultor deve</p><p>comprovar sua origem com documentos fiscais do fornecedor.</p><p>Cada apicultor deve apresentar no seu plano de manejo uma estimativa</p><p>anual de produção de todos os produtos apícolas colhidos, assim como todos</p><p>os períodos de colheitas. Estas estimativas serão referências para a</p><p>comprovação no momento da comercialização e serão verificadas pela</p><p>certificadora em qualquer momento do ano (Costa; Cella; Cunha, 2020).</p><p>Além dos itens descritos, o plano de manejo deve conter informações</p><p>das espécies que compõem o pasto e flora apícola e disponibilidade anual de</p><p>alimento para as abelhas, logo, deve ser informada a época de floração das</p><p>espécies; a alimentação artificial só poderá ser feita se informada previamente</p><p>13</p><p>no plano de manejo; no plano ainda deve ser informado o clima da região,</p><p>condições topográficas e hídricas e a descrição dos materiais que serão</p><p>utilizados no fumigador; também deverá conter as eventuais práticas utilizadas</p><p>para controle de pragas e doenças da colmeia.</p><p>TEMA 3 – NORMALIZAÇÃO DA CADEIA APÍCOLA</p><p>Por muito tempo, a cadeia produtiva do mel sobreviveu às flutuações do</p><p>mercado interno sem normas ou padrões de qualidade que norteassem os</p><p>apicultores nas práticas que deveriam ser atendidas e de que forma isso</p><p>deveria ocorrer.</p><p>Quando os produtos da colmeia passaram a ganhar apreço por</p><p>consumidores internacionais, houve uma preocupação quanto à qualidade do</p><p>mel que seria exportado. Para garantir a qualidade do mel, tanto para o</p><p>mercado interno quanto para o mercado externo foi criada uma série de</p><p>normas que os apicultores devem atender para que seus produtos sejam</p><p>comercializados, a partir desse momento, então, pode-se dizer que a cadeia</p><p>apícola foi normatizada, pois, de acordo com as regras internacionais, a</p><p>normalização é fundamental para a exportação dos produtos.</p><p>3.1 Normalização da cadeia apícola</p><p>Para o estabelecimento das relações mercadológicas entre os países</p><p>importadores e exportadores é importante que haja a padronização de</p><p>procedimentos, visando garantir a qualidade do produto ou serviço, em função</p><p>de um mercado globalizado.</p><p>Segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), 60% das</p><p>exportações são realizadas por países desenvolvidos, e essa diferença com os</p><p>países em desenvolvimento pode estar relacionada com as limitações impostas</p><p>pela falta de instituições de certificação e instituições que estabeleçam normas</p><p>e padrões de qualidade nesses países (ABNT, 2012).</p><p>No âmbito do mercado interno, cada vez mais os processos, serviços e</p><p>produtos buscam atender às exigências de consumidores, que estão cada vez</p><p>mais conscientes da importância de produtos certificados, e as empresas que</p><p>conseguem comprovar a qualidade dos seus produtos por meio da aplicação</p><p>14</p><p>de normas técnicas apresentam maior poder de competitividade, adquirindo um</p><p>diferencial estratégico no seu campo de atuação.</p><p>Diante desse cenário, a normalização representa uma ferramenta</p><p>extremamente interessante e eficaz para assegurar a qualidade de produtos e</p><p>processos para comprovação da organização do setor (nesse caso, o setor</p><p>apícola); para proteção de seus produtos frente a eventuais restrições técnicas</p><p>e para atendimento das exigências de mercado.</p><p>O processo de normalização resulta da percepção compartilhada dos</p><p>agentes econômicos de que há vantagens em estabelecer um acordo</p><p>voluntário para determinar as bases comuns para o fornecimento de um</p><p>produto, processo ou serviço, utilizando a tecnologia como instrumento, face à</p><p>diversidade do mercado (ABNT, 2012).</p><p>As normas são estabelecidas por consenso e são voluntárias em sua</p><p>aplicação pelo mercado e usuários, diferentemente dos regulamentos, que são</p><p>obrigatórios.</p><p>Nesse sentido, as normas são desenvolvidas por instituições de</p><p>normalização e estabelecem os requisitos ou diretrizes para atividades ou os</p><p>seus resultados. Elas têm autorregulação da sociedade e são focadas no</p><p>mercado, já os regulamentos técnicos são documentos semelhantes, emitidos</p><p>por uma autoridade regulatória, sendo obrigatórios, como já vimos.</p><p>No entanto, esses regulamentos podem ser baseados nas normas</p><p>técnicas, tendo foco e atuação no mercado interno e internacional, assim os</p><p>regulamentos e as normas técnicas devem ser complementares, embora a</p><p>normalização propicie um diferencial de mercado, gerando padrões acima dos</p><p>estabelecidos pela legislação, porém não a sobrepondo.</p><p>Para o país, o seu acervo de normas representa a formalização, a</p><p>consolidação e a universalização do acesso à sua tecnologia e, felizmente,</p><p>diversos países já dispõem de normas técnicas voltadas para o setor apícola,</p><p>como é o caso da Argentina, Chile, Uruguai e países da União Europeia.</p><p>No Brasil, órgãos como o Inmetro, Embrapa, ABNT, Sebrae, Epagri,</p><p>Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), representantes de empresas</p><p>apícolas e associação de produtores se uniram para formar uma comissão,</p><p>atualmente chamada de Comissão de Estudo Especial da Cadeia Apícola –</p><p>ABNT/CEE-87 - que tem como objetivo a normalização da atividade apícola,</p><p>compreendendo a produção, manipulação, transporte e equipamentos nas</p><p>15</p><p>fases de campo, casa de mel e entreposto, no que diz respeito aos requisitos,</p><p>terminologia, métodos de ensaio e sistema de rastreabilidade (ABNT, 2012).</p><p>Nesse sentido, a ABNT/CEE-87 adotou o mel como prioridade para o</p><p>desenvolvimento de seus primeiros trabalhos, para que posteriormente as</p><p>normas possam ser desenvolvidas e aplicadas para os outros produtos</p><p>oriundos da produção apícola, entendendo que outras normas que visem</p><p>contribuir para a melhoria e garantia da qualidade de toda a cadeia possam ser</p><p>aplicadas (ABNT, 2012).</p><p>3.2 Principais Normas Técnicas aplicadas à apicultura</p><p>Para que a normalização da cadeia apícola pudesse ocorrer</p><p>efetivamente, algumas normas foram descritas e publicadas pela Associação</p><p>Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é o órgão responsável pela</p><p>normalização técnica no Brasil. A seguir vamos conhecer quais são as</p><p>principais normas que regem a cadeia apícola e do que elas tratam.</p><p>ABNT NBR 15713 – Apicultura, equipamentos, colmeia tipo</p><p>Langstroth</p><p>Essa norma é voltada, principalmente, para empresas ou fabricantes de</p><p>colmeias com a finalidade de orientar corretamente a fabricação de uma</p><p>colmeia padrão do tipo “Langstroth”, modelo americano, uma vez que</p><p>disponibiliza todos os requisitos necessários como medidas, dimensões,</p><p>tolerâncias, materiais, tratamentos, inclusive com a disposição dos respectivos</p><p>gabaritos para cada peça componente do conjunto.</p><p>É cultural que muitos apicultores fabriquem suas próprias colmeias, no</p><p>entanto, isso não exclui que eles sigam os padrões estabelecidos por esta</p><p>norma, pois isso é um fator que é levado em consideração para o processo de</p><p>certificação do produto.</p><p>A colmeia é o principal utensílio da apicultura moderna e é</p><p>fundamental</p><p>para a criação racional de abelhas e para uma produção de mel com qualidade.</p><p>A colmeia “Langstroth”, como vimos ao longo deste estudo, é a mais utilizada</p><p>na criação de abelhas do gênero Apis em todo o mundo, pois seus diferenciais</p><p>estão relacionados com a consideração do “espaço-abelha”, que é o espaço</p><p>interno entre os favos, e a mobilidade dos quadros, dentro do ninho e da</p><p>melgueira. Justamente pelas suas inúmeras qualidades e praticidade, é o</p><p>16</p><p>modelo de colmeia recomendado como padrão nacional pela Confederação</p><p>Brasileira de Apicultura (CBA).</p><p>A padronização para sua correta construção, considerando suas</p><p>medidas originais, é fundamental para o desenvolvimento de uma apicultura</p><p>racional e sustentável, proporcionando otimização de custos e materiais,</p><p>evitando diferenças de construção entre os diversos fabricantes, e oferecendo,</p><p>dessa forma, um produto de qualidade ao setor produtivo (ABNT, 2012).</p><p>ABNT NBR 15585 – Apicultura, mel, sistemas de produção no</p><p>campo</p><p>Esta foi a primeira norma a ser elaborada pela ABNT/CEE-87, com o</p><p>objetivo de preencher uma lacuna importante na cadeia produtiva do mel, a</p><p>qual inicialmente não dispunha de regulamentos, normas ou qualquer outro</p><p>material de normalização que considerasse todos os aspectos de produção</p><p>“do campo à mesa” e que indicasse os requisitos técnicos a serem</p><p>considerados na fase de produção de mel no campo, passando pela fase de</p><p>beneficiamento da unidade de extração e finalmente expedição do produto, que</p><p>se destina ao entreposto onde ocorrem as etapas de processamento,</p><p>fracionamento e formação de derivados das matérias-primas apícolas, como o</p><p>mel, própolis, geleia real, cera e pólen apícola (ABNT, 2012).</p><p>Desta forma, os requisitos estabelecidos por esta norma técnica</p><p>visaram, primeiramente, garantir a qualidade e a segurança de consumo para o</p><p>mel, além disso, aspectos ambientais de conservação dos recursos naturais e</p><p>aspectos sociais, como a segurança dos apicultores e o seu bem-estar durante</p><p>o manejo das colmeias, e a segurança da comunidade do entorno dos apiários,</p><p>prevenindo a ocorrência de acidentes, também foram considerados. Essa</p><p>norma também discorre sobre as características de cor, sabor e aroma dos</p><p>méis e sobre a qualidade do mel para comercialização (ABNT, 2012).</p><p>ABNT NBR 15654 – Apicultura, mel, sistema de rastreabilidade</p><p>Esta norma apresenta os princípios e especifica os requisitos básicos</p><p>para planejar e implementar um sistema de rastreabilidade para a produção de</p><p>mel no campo, beneficiamento a unidade de extração e processamento no</p><p>entreposto, podendo ser aplicada por organizações, como grupo de produtores,</p><p>associações, cooperativas e empresas que atuem em qualquer etapa da</p><p>cadeia produtiva apícola para a produção de mel.</p><p>17</p><p>A aplicação dessa norma tem como base a necessidade de estabelecer</p><p>procedimentos e ações de gestão que garantam a qualidade do produto e a</p><p>transparência do processo produtivo.</p><p>O sistema de rastreabilidade que será utilizado, independentemente do</p><p>nível tecnológico do apicultor, deve ser capaz de documentar, por meio de</p><p>registros passíveis de verificação, o histórico do mel e/ou localizá-lo na cadeia</p><p>de alimentos. Dessa forma, a aplicação de ferramentas e mecanismo de</p><p>registro é fundamental para a aplicabilidade do sistema de rastreabilidade e,</p><p>nesse sentido, devem ser consideradas as características dos seus usuários.</p><p>Nesse caso, deve-se fazer uma consideração em relação à atividade</p><p>apícola, que majoritariamente é exercida por pequenos produtores rurais, que</p><p>em muitos casos apresentam de baixo a médio nível educacional e não têm a</p><p>cultura de realizar registros de suas atividades, nem de considerar o conjunto</p><p>de suas atividades executadas para a produção de mel, como ações</p><p>interligadas que, juntas, formam um sistema de produção.</p><p>Visando facilitar a implantação de um sistema de rastreabilidade junto</p><p>aos pequenos produtores, esta NBR que estamos estudando propõe algumas</p><p>sugestões para os segmentos da cadeia produtiva do mel envolvidos na</p><p>produção de campo, beneficiamento do produto e expedição para o entreposto.</p><p>Para a unidade de extração de produtos das abelhas, sugere-se:</p><p>1. Organizar o cadastro de todos os apicultores que utilizam suas</p><p>instalações para extração do mel, além de implantar as boas práticas de</p><p>fabricação e adotar o plano APPCC (Análise de Perigos e Pontos</p><p>Críticos de Controle), essa metodologia é usada para identificar e evitar</p><p>ou reduzir a níveis “aceitáveis” perigos de contaminação dos produtos;</p><p>2. Checar o preenchimento dos registros da produção do mel a ser</p><p>extraído na unidade (aplicação das boas práticas apícolas);</p><p>3. Exigir o certificado de conformidade do mel que será centrifugado;</p><p>4. Fazer o registro do processo de extração realizado pelos apicultores</p><p>vinculados à unidade;</p><p>5. Gerar o número de identificação dos lotes formados na unidade para</p><p>acompanhamento do produto expedido;</p><p>6. Manter todos os registros relativos aos seus fornecedores (cadastro de</p><p>produtores) e informações de recebimento, extração e expedição de mel,</p><p>18</p><p>de forma a garantir sua acessibilidade e disponibilidade em casos de</p><p>fiscalização, auditorias e procedimentos de medidas corretivas de recall;</p><p>7. Seguir as orientações e realizar as tarefas solicitadas pelo entreposto</p><p>ao qual está vinculada.</p><p>Para o apicultor, sugere-se:</p><p>1. Identificar as colmeias, fornecendo a elas um número fixo e único;</p><p>2. Cadastrar os apiários, fornecendo a eles um número fixo e único;</p><p>3. Preencher o caderno de campo de todas as visitas ao apiário, com</p><p>atenção especial para o dia da coleta dos quadros de mel que serão</p><p>entregues e centrifugados na Uepa;</p><p>4. Conhecer e seguir os procedimentos de trabalho e registros</p><p>estabelecidos pela Uepa;</p><p>5. Seguir as orientações do entreposto e da Uepa e realizar as tarefas</p><p>solicitadas por estes;</p><p>6. Manter todos os registros relativos aos seus apiários atualizados</p><p>(cadernos de campo), de forma a garantir sua acessibilidade e</p><p>disponibilidade em casos de fiscalização, auditorias e procedimentos de</p><p>medidas corretivas e de recall.</p><p>3.3 Certificação de produtos orgânicos</p><p>No caso da certificação de produtos orgânicos oriundos da colmeia, é</p><p>importante que o apicultor tenha suficiente conhecimento sobre manejo das</p><p>abelhas em sistemas orgânicos para assegurar a qualidade orgânica das</p><p>colheitas obtidas, assim como assegurar o princípio de bem-estar animal das</p><p>abelhas. É durante a inspeção da certificadora que a qualidade orgânica e o</p><p>bem-estar animal são auditados, podendo a decisão de certificação ser</p><p>favorável ou não.</p><p>Para a norma do Brasil, a revisão é da Instrução Normativa n. 46, de</p><p>outubro de 2011, regulamentada pela IN n. 17, de junho de 2014, do Ministério</p><p>da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), revogada pela Portaria n. 52,</p><p>de 15 de março de 2021.</p><p>Para os Estados Unidos, a Norma Orgânica não tem até o momento um</p><p>capítulo para a apicultura, no entanto, as orientações para a apicultura orgânica</p><p>do país seguem uma recomendação conhecida como Nosb (National Organic</p><p>19</p><p>Standards Board), que data no ano de 2010. Ainda, segundo os mesmos</p><p>autores, a União Europeia adota padrões muito bem definidos, mas autoriza</p><p>apenas a certificação de produtos produzidos dentro da própria UE (Costa;</p><p>Cella; Cunha, 2020).</p><p>Para a certificação de produtos produzidos em outros países, cada</p><p>certificadora tem que criar seus padrões de certificação equivalentes ao da</p><p>norma da UE, e por meio deste padrão equivalente, os produtos são</p><p>certificados, e assim podem ingressar na UE com o status de orgânico.</p><p>A norma brasileira prevê a certificação de produtos da apicultura, assim</p><p>como da meliponicultura. Na recomendação técnica para os Estados Unidos</p><p>está prevista apenas a certificação de produtos da apicultura, enquanto no</p><p>padrão de certificação</p><p>para a UE estão previstas a certificação de produtos da</p><p>apicultura e a de outros ecótipos locais. Atualmente, praticamente toda a</p><p>certificação orgânica é de produtos da apicultura, principalmente mel, cera e</p><p>própolis.</p><p>TEMA 4 – PASTO APÍCOLA E FLORA APÍCOLA</p><p>O pasto apícola de uma região é formado pelo conjunto de plantas que</p><p>fornecem recursos como pólen e néctar, essenciais à sobrevivência das</p><p>abelhas, por isso, é fundamental que o apicultor observe a flora apícola</p><p>presente no local onde serão instalados os apiários ou meliponários.</p><p>Aqui, veremos como os apicultores podem planejar o manejo do pasto</p><p>apícola para a sua região, para que as abelhas possam ter alimentos em todos</p><p>os meses do ano e, veremos também, o que fazer no caso de precisar</p><p>suplementar a alimentação da colmeia.</p><p>4.1 Entendimento dos conceitos e sua finalidade</p><p>Por definição, “denomina-se flora apícola ao conjunto das plantas que</p><p>fornecem alimento, seja néctar ou pólen às abelhas em uma determinada</p><p>região, sendo a qualidade do pasto um dos principais fatores determinantes da</p><p>eficiência da atividade apícola na localidade em questão” (Souza et al., 1996).</p><p>Pasto apícola:</p><p>Refere-se à quantidade de flores capazes de fornecer néctar e pólen,</p><p>como insumos básicos à elaboração do mel, própolis, cera e geleia</p><p>real. Uma planta é considerada como pasto apícola, se suas flores</p><p>20</p><p>produzem néctar e pólen em condições de serem aproveitadas pelas</p><p>abelhas, dito isso, é importante lembrar que existem flores que não</p><p>produzem essas substâncias ou tem um formato que impossibilita a</p><p>coleta desses materiais pelas abelhas. (Souza et al., 1996)</p><p>Como vimos anteriormente:</p><p>O pólen e o néctar constituem basicamente a única fonte de alimento</p><p>das abelhas. O pólen é fonte concentrada de proteínas e o néctar</p><p>contém sacarose, frutose e glicose, destacando-se como importante</p><p>fornecedor de energia. A disponibilidade de pólen e néctar afeta o</p><p>peso das larvas, pupas e adultos recém-emergidos, daí a importância</p><p>das floradas e do conhecimento das épocas de suas ocorrências por</p><p>parte do apicultor, para a vida e a produção da colônia.</p><p>A flora apícola ideal seria aquela que fornecesse grande quantidade</p><p>de alimento às abelhas, durante todo o ano, possibilitando que suas</p><p>colônias se mantivessem em desenvolvimento constante e que o</p><p>apicultor pudesse, também, coletar mel de boa qualidade,</p><p>constantemente. Entretanto, o que se verifica é que o potencial</p><p>apícola difere tremendamente de região para região e que, numa</p><p>mesma localidade, a produção se concentra em determinados</p><p>períodos, no entanto, toda essa variação se deve ao fato de a</p><p>produção de néctar e, em menor escala, de pólen, ser influenciada</p><p>por grande número de fatores internos e externos à planta.</p><p>Trabalhos relatam que, dentre os fatores externos, os principais são a</p><p>radiação solar, temperatura e umidade do ar, altitude do local,</p><p>umidade e fertilidade do solo; além disso, há uma série de outros</p><p>fatores inerentes a própria planta influencia a produção, tanto do</p><p>néctar quanto do pólen, entre os quais podemos citar a</p><p>hereditariedade, idade e sanidade da planta. Um ponto a ser</p><p>considerado, é que a condição ideal obtida da interação de todos</p><p>esses fatores, não é a mesma para todas as espécies. Nesse</p><p>contexto, para algumas espécies o elemento mais importante na</p><p>definição da produção é a temperatura, para outras, umidade ou</p><p>fertilidade do solo, e há mesmo algumas que parecem ser</p><p>indiferentes às modificações do ambiente, produzindo néctar e/ou</p><p>pólen em vários tipos de solos ou clima. (Souza et al., 1996)</p><p>O conhecimento das plantas visitadas pelas abelhas, seus períodos de</p><p>florescimento e os recursos ofertados são informações importantes para que os</p><p>criadores entendam o relacionamento entre a flora apícola e suas colônias e</p><p>possam identificar períodos de abundância e escassez de alimentos; além</p><p>disso, os produtores devem ser estimulados a promover a conservação e o</p><p>incremento do pasto apícola, fundamental para o sucesso da atividade.</p><p>4.2 Plantas apícolas</p><p>As plantas apícolas podem ser divididas em três grupos principais,</p><p>sendo eles:</p><p>1) plantas nectaríferas, que fornecem exclusivamente néctar às</p><p>abelhas; 2) plantas poliníferas, que fornecem exclusivamente pólen</p><p>às abelhas; 3) plantas nectaríferas-poliníferas, que fornecem tanto</p><p>néctar quanto pólen às abelhas. (Almeida et al. 2003)</p><p>21</p><p>Além disso, as plantas apícolas podem ser classificadas quanto a sua</p><p>produtividade, quando a flora apícola principal é</p><p>[...] constituída pelas plantas de maior fluxo nectarífero, normalmente</p><p>formam pastos densos, com floradas prolongadas, como por exemplo</p><p>eucalipto, laranjeira e angico.</p><p>A flora apícola secundária ou flora de manutenção é formada por</p><p>plantas que fornecem menor quantidade de néctar e pólen, servindo</p><p>apenas para a manutenção da colmeia, como por exemplo as ervas</p><p>daninhas (guanxuma, picão-preto, maria-mole, trevo-branco) e</p><p>algumas frutíferas, como a goiabeira.</p><p>A flora apícola terciária ou florada eventual é constituída por plantas</p><p>que só produzem fluxo de pólen e/ou néctar quando bem</p><p>representadas, como exemplo disso, podemos citar: astrapéias,</p><p>caliandras, amor-agarradinho, entre outras.</p><p>E, a flora apícola quartenária, ou seja, as plantas cultivadas ou</p><p>culturas, tem como objetivo principal o uso das abelhas na visita</p><p>destas flores é a realização da polinização, no entanto, a presença de</p><p>néctar e pólen na flora quartenária é bastante variável, e ainda existe</p><p>o risco de contaminação das abelhas devido ao uso comum de</p><p>agrotóxicos nestas culturas, portanto, cuidados se fazem necessários</p><p>para esse tipo de exploração. Como exemplo dessa flora, podemos</p><p>citar: girassol, feijão, citrus, soja, melão, entre outros. (Almeida et al.,</p><p>2003)</p><p>O material publicado por Almeida et al. (2003) traz uma lista com uma</p><p>relação de plantas apícolas, baseada na consulta de diversos trabalhos</p><p>científicos sobre plantas nativas, ornamentais, cultivadas e exóticas utilizadas</p><p>pelas abelhas Apis mellifera, com presença e florescimento bastante variáveis</p><p>nas diversas regiões do país, a qual recomendamos que você visite e busque</p><p>conhecer quais delas ocorrem na sua região.</p><p>As abelhas sem ferrão têm uma preferência natural por plantas nativas,</p><p>por razões que se originam no centro de origem destas.</p><p>4.3 Plantas tóxicas para as abelhas</p><p>A diversidade espécies de plantas que as abelhas visitam é</p><p>significativamente grande, no entanto, algumas plantas causam prejuízos às</p><p>abelhas.</p><p>De acordo com Barker (1990), as plantas que apresentam propriedades</p><p>tóxicas para abelhas geralmente são pouco visitadas por elas, significando</p><p>redução do risco de intoxicação.</p><p>Entretanto, em períodos de baixa disponibilidade de recursos, as</p><p>abelhas podem coletá-los mesmo em plantas tóxicas, entre as quais podemos</p><p>citar o barbatimão (Stryphnodendron spp.), a espatódea (Spathodea</p><p>campanulata) e o neem (Azadirachta indica) (Brasil, 2023).</p><p>22</p><p>4.4 Alimentação suplementar para as abelhas</p><p>Sendo a flora e o pasto apícola a principal fonte de alimento para as</p><p>abelhas, de onde elas obtêm os macronutrientes proteicos e energéticos para</p><p>sua sobrevivência, é de extrema importância que a disponibilidade seja</p><p>constante durante todos os meses do ano. No entanto, sabemos que diversos</p><p>entraves ocorrem, naturalmente, dificultando a disponibilidade de alimento ou</p><p>deixando-os escassos em determinadas épocas do ano, com destaque para o</p><p>inverno, na região Sul do país.</p><p>Uma opção para driblar a situação de escassez de alimento é a adoção</p><p>de práticas de manejo, como a alimentação suplementar para as abelhas. Essa</p><p>prática deve ser implementada no apiário com critério e de preferência sob</p><p>orientação técnica, para que não ocasione prejuízos para o apicultor e para as</p><p>colmeias, pois a alimentação artificial fornecida de forma inadequada é</p><p>considerada uma das principais formas de adulteração do mel.</p><p>Para</p><p>alimentar abelhas com ferrão, estudos realizados por Pereira</p><p>mostraram que o fornecimento de alimento nos períodos críticos reduz o</p><p>abandono das colônias no apiário e pode aumentar a produção em até quatro</p><p>vezes. Entretanto, a alimentação não pode ser usada como única forma de</p><p>manejo para evitar o enfraquecimento e abandono. É preciso ficar atento para</p><p>a falta de água e de sombreamento, idade das rainhas, ataque de inimigos</p><p>naturais, mortandade das abelhas e, principalmente, na flora apícola da região.</p><p>Para abelhas sem ferrão, Costa, Cella e Cunha (2020) recomendam que</p><p>seja fornecida alimentação artificial em períodos de chuva intensa, o que</p><p>dificulta o forrageamento das abelhas em busca de alimento, visando manter</p><p>as colônias fortes e saudáveis.</p><p>Em ambos os documentos foram disponibilizadas possibilidades de</p><p>elaboração de receitas para suprir as demandas energéticas e proteicas,</p><p>conforme a necessidade dos insetos em suas diferentes fases.</p><p>4.5 Distribuição das abelhas sem ferrão nos principais biomas brasileiros</p><p>Vimos anteriormente a importância que as plantas apícolas têm para a</p><p>vida e a saúde das abelhas. Veremos aqui qual que é a distribuição das</p><p>abelhas nativas nos diferentes biomas brasileiros, uma vez que as abelhas</p><p>Apis ocorrem em todo o território nacional.</p><p>23</p><p>Há, no Brasil, seis biomas distintos. Na Figura 1 temos uma noção dos</p><p>estados brasileiros em que ocorre cada bioma.</p><p>Figura 1 – Biomas brasileiros</p><p>Créditos: Peter Hermes Furian/ Adobe Stock.</p><p>A Amazônia é o maior bioma brasileiro e cobre uma parte significativa</p><p>do território, esse bioma detém a maior diversidade de abelhas sem ferrão do</p><p>país, uma vez que possui registros de aproximadamente 200 espécies, sendo</p><p>mais de 100 delas de ocorrência exclusiva.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/202411562/peter-hermes-furian?load_type=author&prev_url=detail</p><p>24</p><p>A Amazônia é constituída de uma série de fitofisionomias bastante</p><p>diversas que carregam biodiversidades próprias, fatores que tornam difícil a</p><p>tarefa de eleger espécies representativas do bioma todo. O gênero Melipona é</p><p>talvez um dos grandes destaques, já que possui 20 espécies exclusivas do</p><p>bioma e entre os meliponicultores, é o mais procurado pela mansidão das</p><p>abelhas, do mel frequentemente apreciado e da capacidade de aceitação à</p><p>vida em caixas para criação.</p><p>Dentre as espécies desse gênero, a uruçu boca-de-renda (M.</p><p>seminigra), é uma das mais amplamente distribuídas nesse bioma e que marca</p><p>presença em meliponários na porção mais ocidental da Amazônia. Na porção</p><p>mais oriental se destacam a uruçu amarela (M. flavolineata) e a uruçu cinzenta,</p><p>também conhecida como tiúba (M. fasciculata), essa última presente também</p><p>na região de transição com o cerrado. É também notável, e talvez mais fácil de</p><p>enxergar na imensidão da floresta Amazônica, a grande quantidade de ninhos</p><p>externos das espécies de Trigona.</p><p>É na Amazônia que fica clara a íntima relação dos meliponíneos com os</p><p>povos nativos do Brasil, já que há registros de criação desses animais de forma</p><p>racional por diferentes etnias indígenas, cada uma com suas próprias espécies</p><p>e com sua própria maneira de manejar.</p><p>O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, que corta o Brasil Central</p><p>quase que de norte a sul. Tamanha é a sua extensão que passa por uma</p><p>grande diversidade de composições geográficas e climáticas, que reflete em</p><p>uma grande biodiversidade de forma geral.</p><p>Os característicos troncos retorcidos de árvores de casca grossa</p><p>abrigam a segunda maior diversidade de abelhas sem ferrão entre os biomas,</p><p>tendo sido descritas um número de espécies aproximadamente duas vezes</p><p>menor que na Amazônia.</p><p>Assim como a Mata Atlântica, esse bioma vem sofrendo uma extensa e</p><p>rápida perda de área para pastagens e plantações, colocando uma série de</p><p>espécies em risco de extinção. Este é o caso da uruçu amarela do cerrado</p><p>(Melipona rufiventris), uma abelha que apesar de bastante criada por</p><p>meliponicultores, encontra-se na situação de perigo de extinção em áreas de</p><p>vegetação nativas de Cerrado.</p><p>A abelha mandaguari (Scaptotrigona postica) é também muito comum</p><p>nesse bioma, talvez por ser mais resistente aos impactos ambientais causados</p><p>25</p><p>pela atividade antrópica e por responder bem ao manejo em caixas, é bastante</p><p>encontrada tanto em meliponários quanto em fragmentos de cerrado.</p><p>No bioma caatinga há um domínio fitogeográfico considerado</p><p>exclusivamente brasileiro, de clima semiárido e baixa pluviosidade anual. Lá a</p><p>diversidade de espécies de abelhas pode ser menos aparente, no entanto, no</p><p>sertão nordestino os ocos dos troncos retorcidos das umburanas, catingueiras</p><p>e cumarus abrigam as jandaíras (Melipona subnitida). Além de ser uma das</p><p>espécies responsáveis pela polinização de grande parte da flora silvestre desta</p><p>área, a jandaíra é, sem dúvidas, a abelha mais popular nos meliponários da</p><p>região e entre os criadores de abelhas, destacando-se por sua importância</p><p>econômica para a população local.</p><p>A jandaíra é endêmica do Nordeste, esta espécie possui ampla</p><p>distribuição geográfica na caatinga, mas ocorre também nas matas de restinga</p><p>ao longo da costa atlântica. Por sua vez, margeando o Rio São Francisco</p><p>depara-se mais amiúde com a Melipona mandacaia, uma das espécies</p><p>popularmente conhecidas como mandaçaia.</p><p>Entre outras espécies que se destacam na paisagem estão a pequena</p><p>“mosquito” (Plebeia flavocincta) e a moça-branca da região (Frieseomelitta</p><p>doederleini). A caatinga, apesar do estigma de ambiente desértico com pouca</p><p>diversidade, é rica em configurações paisagísticas e florísticas, o que são</p><p>fatores muito importantes para a distribuição das espécies que ocorrem nestes</p><p>ambientes, por exemplo, entre “as caatingas” há configurações arbóreas e</p><p>subarbóreas de pequeno porte com alta densidade de troncos lenhosos e finos,</p><p>mencionadas na literatura como Matas de Carrasco ou Catanduvas.</p><p>Ainda existem os chamados brejos de altitude ou florestas serranas, que</p><p>possuem características e condições de florestas de Mata Atlântica, que</p><p>favorecem a ocorrência de espécies diferentes das encontradas em ambientes</p><p>mais áridos, são verdadeiros “santuários” da vida silvestre dentro do semiárido</p><p>nordestino. De fato, as caatingas são muito diferentes entre si, mas, o que</p><p>sabemos, é que as espécies de meliponíneos que habitam esses locais são</p><p>resilientes e bem adaptadas as suas próprias condições morfoclimáticas.</p><p>A Mata Atlântica:</p><p>[...] possui grande extensão de área mesclada com outras</p><p>fitofisionomias, uma vez que muito da sua área original já foi</p><p>desmatada. Apesar de ser um ambiente bastante modificado, a Mata</p><p>Atlântica abriga diversas espécies que são únicas desse bioma, como</p><p>26</p><p>o caso da Melipona capixaba, Friesella schrottkyi e algumas espécies</p><p>do gênero Plebeia, como por exemplo, P. grapiuna, P. julianii, P. lucii,</p><p>P. meridionalis, P. mosquito, entre outras.</p><p>Entre as espécies mais criadas, destacam-se a guaraipo M. bicolor, a</p><p>bugia M. mondury e a uruçu nordestina M. scutellaris, abelhas que</p><p>produzem um mel altamente apreciado, resistem bem ao manejo e às</p><p>altas umidades, e no caso da guaraipo também resiste às baixas</p><p>temperaturas da porção da Mata Atlântica mais ao sul do país. Outras</p><p>espécies apreciadas pelos criadores e grande produtoras de mel são</p><p>a Scaptotrigona xanthotricha, conhecida como mandaguari amarela e</p><p>a S. depilis, conhecida como canudo.</p><p>Não há muitos registros de extinção de espécies de abelhas sem</p><p>ferrão nesse bioma, porém, uma espécie que foi registrada e descrita</p><p>como nova na Serra da Bocaina, em São Paulo (Schwarziana</p><p>bocainensis), não foi novamente encontrada, há apenas o registro de</p><p>seis abelhas coletadas na década de 1960, apesar de já ter havido</p><p>tentativas sem sucesso para procurá-la nessa mesma área</p><p>posteriormente.</p><p>A uruçu nordestina (M. scutellaris), apesar de ser uma das espécies</p><p>mais importantes</p><p>para a meliponicultura na Mata Atlântica, também já</p><p>é considerada extinta do ambiente natural, fato que reforça a</p><p>importância da meliponicultura, do ponto de vista que esta atividade</p><p>pode ser vista como uma atividade de conservação das espécies</p><p>nativas. (Nogueira et al., 2023)</p><p>O Pantanal:</p><p>[...] é um bioma pequeno em área e considerado relativamente novo,</p><p>já que o leito do rio Paraná ainda está em formação. Esse bioma se</p><p>destaca por possuir algumas características únicas, como a de ser</p><p>inundado quase o ano todo. Dessa forma, várias espécies de fauna e</p><p>flora precisaram se adaptar ao longo do tempo para resistir a essas</p><p>pressões ambientais.</p><p>Nesse contexto, os registros de ocorrência de abelhas nativas para</p><p>esse bioma são escassos, havendo relato apenas da Plebeia</p><p>catamarcensis, única nessa região, não possuindo registros</p><p>catalogados para outras áreas até o momento.</p><p>Entre os criadores, a espécie que se destaca é a Melipona orbignyi,</p><p>conhecida como mandaçaia do Pantanal, sendo outras espécies</p><p>comuns aos meliponicultores presente nesse bioma a Scaptotrigona</p><p>postica, conhecida como mandaguari preta, e a S. depilis conhecida</p><p>como canudo. (Nogueira et al., 2023)</p><p>O Pampa:</p><p>[...] configura-se como o único bioma contido em apenas um estado</p><p>brasileiro, e possui clima subtropical e temperado, com as estações</p><p>do ano bem definidas. O Pampa e o Pantanal possuem as menores</p><p>extensões territoriais entre os biomas, e também a menor riqueza em</p><p>número de espécies de abelhas sem ferrão.</p><p>No Pampa não são encontradas espécies de ocorrência exclusiva, já</p><p>que todas elas também ocorrem em outros biomas, uma das</p><p>espécies mais conhecidas da região talvez seja a Mourella caerulea,</p><p>que possui traços metálicos em seu tegumento e constrói seus ninhos</p><p>sob o solo, uma condição importante para abelhas que vivem nos</p><p>Pampas, já que esse bioma não possui muitas espécies de árvores</p><p>com troncos que poderiam abrigar abelhas sem ferrão. Essa espécie</p><p>está sofrendo pressão antrópica, uma vez que nessa região há</p><p>muitas áreas agricultáveis, que praticam o revolvimento do solo para</p><p>a plantação, e essa prática de revolvimento de solo acaba</p><p>danificando ou até destruindo os ninhos das abelhas.</p><p>27</p><p>Outras espécies conhecidas nesse bioma são as Plebeia nigriceps, P.</p><p>julianii e P. wittmanni, (P. nigriceps e P. julianii nidificam em paredes</p><p>de alvenaria ou cavidades em madeira, P. wittmanni utiliza fendas de</p><p>rochas de granito). (Nogueira et al., 2023)</p><p>Há no bioma Pampa ocorrência de abelhas sem ferrão que estão</p><p>presentes em praticamente todos os biomas do Brasil, como a jataí</p><p>(Tetragonisca angustula), arapuá ou abelha-cachorro (Trigona spinipes) e a</p><p>borá (Tetragona clavipes).</p><p>Os esforços de coleta e estudos de taxonomia sobre abelhas sem</p><p>ferrão ainda não conseguiram trazer um entendimento sobre quais</p><p>fatores determinam a distribuição das abelhas sem ferrão, pois há</p><p>espécies que parecem estar marcadamente presente em dois</p><p>biomas, como a mandaçaia, que ocorre na área de transição dos</p><p>biomas Cerrado e Mata Atlântica na região Sudeste do Brasil e a</p><p>uruçu nordestina, que ocorre tanto na Caatinga quanto na Mata</p><p>Atlântica do Nordeste brasileiro.</p><p>O que se sabe é que, em um ou mais biomas existam áreas onde</p><p>certos fatores climáticos, geográficos e biológicos, que ainda não foi</p><p>mensurado, que, de fato limitem a distribuição de certas espécies e</p><p>que talvez o que se entende hoje pelas fronteiras dos biomas não</p><p>sejam o principal fator afetando a distribuição. (Nogueira et al., 2023)</p><p>TEMA 5 – APICULTURA E AGRICULTURA</p><p>Aqui, abordaremos um dos assuntos mais polêmicos quando se trata de</p><p>apicultura e meliponicultura, que é justamente a coexistência da apicultura e da</p><p>meliponicultura com a agricultura.</p><p>Se traçarmos em nosso imaginário um paralelo, de um lado teremos</p><p>aqueles que são os responsáveis pela vida no planeta, e do outro lado os</p><p>alimentos. Nesse cenário, precisamos compreender que, se na ausência de</p><p>alimentos em larga escala o mundo pode colapsar devido à fome, por outro</p><p>lado, só há alimentos graças à presença das abelhas, com e sem ferrão.</p><p>Vimos no início do nosso estudo a importância das abelhas e como se</p><p>deu sua evolução ao longo do tempo, e assim, vencendo diversos obstáculos</p><p>temporais e atemporais, as abelhas vêm se adaptando e sobrevivendo milênio</p><p>após milênio e perpetuando a vida.</p><p>Nesse sentido, o mundo contemporâneo parece estar clareando a sua</p><p>visão para o entendimento de quão elementar é preservar a vida desses</p><p>pequenos insetos que são gigantes na missão de sustentar a agricultura e a</p><p>produção de alimentos.</p><p>28</p><p>5.1 Produtividade agrícola e os serviços de polinização na agricultura</p><p>A polinização é um fator de grande importância na produção de várias</p><p>culturas agrícolas. Além do aumento no número de frutos, a polinização,</p><p>quando bem realizada, também leva a um aumento no número e qualidade das</p><p>sementes, melhorando o teor de óleo, no caso das oleaginosas; nota-se maior</p><p>qualidade no tamanho, peso e qualidade dos frutos e menor deformação,</p><p>encurtando o ciclo de certas culturas agrícolas e ainda uniformizando o</p><p>amadurecimento dos frutos, o que, por sua vez, diminui as perdas na colheita.</p><p>No entanto, as baixas produtividades das culturas quase não são</p><p>relacionadas com o fator de produção polinização, normalmente, as baixas</p><p>produtividades são associadas a fatores climáticos, doenças e práticas de</p><p>manejo; devido a isso, a ênfase para os tão desejados aumentos de</p><p>produtividades é dada a novas variedades, agroquímicos, técnicas de cultivo,</p><p>controle de pragas e ao equilíbrio ecológico isoladamente, como se essas</p><p>práticas fossem independentes do processo de polinização das plantas.</p><p>No Brasil, ainda predomina a ideia de que a simples introdução de</p><p>colmeias na área cultivada já é suficiente para que se obtenha níveis desejados</p><p>de polinização, no entanto, os serviços de polinização têm sido utilizados em</p><p>larga escala no país, em culturas de expressão econômica, como a maçã, na</p><p>região Sul, e o melão, nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte.</p><p>Além dos cultivos citados, outros tantos dependem da polinização para</p><p>se reproduzir, sejam eles cultivados em campo aberto ou em ambientes</p><p>protegidos; entre os cultivos de campo aberto, que tem uma forte relação com</p><p>os polinizadores, podemos citar: acerola, alfafa, cebola, girassol, maracujá,</p><p>mirtilo, melancia, abóboras, morangas e soja. Já os principais cultivos que são</p><p>desenvolvidos em ambientes protegido podemos citar a berinjela, morango,</p><p>tomate, pimentão e muitos outros.</p><p>5.2 Paisagem agrícola e as abelhas</p><p>A mudança da paisagem natural para a paisagem agrícola traz consigo</p><p>algumas implicações que estão diretamente ligadas à diminuição da</p><p>biodiversidade naquela área.</p><p>A redução da biodiversidade do local aliada a outras práticas agrícolas, a</p><p>exemplo do revolvimento do solo, dificulta a dinâmica de forrageamento e</p><p>29</p><p>nidificação das abelhas, principalmente das espécies nativas, que nidificam no</p><p>solo. Por isso, é importante a preservação da paisagem natural e, em locais</p><p>onde isso não é mais possível, é interessante que haja áreas de recuperação</p><p>ou reflorestamento, visando a atração de abelhas e outros polinizadores no</p><p>local, o que favorece a reprodução de diversas espécies agrícolas.</p><p>5.3 Práticas agrícolas e os polinizadores</p><p>“Várias práticas agrícolas atuais causam impactos altamente negativos</p><p>sobre os polinizadores, afetando sua diversidade, abundância e eficiência de</p><p>polinização. Os efeitos mais drásticos dessas práticas decorrem dos</p><p>agrotóxicos, sobretudo na sua forma inadequada de uso” (Witter et al., 2014).</p><p>Esse tema é bastante polêmico no que diz respeito ao manejo dos</p><p>cultivos agrícolas, uma vez que o desequilíbrio causado por manejos</p><p>inadequados prejudica seriamente a vida dos polinizadores, reduzindo</p><p>significativamente suas populações.</p><p>A contaminação dos polinizadores pode ocorrer</p><p>basicamente por duas</p><p>formas:</p><p>1) por contato, quando os produtos de ação rápida são absorvidos</p><p>por meio do tegumento; isso ocorre quando as abelhas forrageiam</p><p>em campos recentemente pulverizados; 2) por ingestão, que ocorre</p><p>quando a as abelhas ingerem néctar ou pólen contaminados,</p><p>normalmente por inseticidas sistêmicos, que são absorvidos pelo</p><p>tecido vegetal da planta. (Witter et al., 2014)</p><p>Então podemos concluir que as abelhas se contaminam quando as</p><p>abelhas visitam as flores.</p><p>Outro ponto que não está relacionado com o modo de ação dos</p><p>inseticidas, mas pode ser tão prejudicial quanto, é que as abelhas que nidificam</p><p>no solo ficam expostas ao risco, assim, as crias não estão necessariamente</p><p>protegidas da ação dos inseticidas.</p><p>Para diminuir os riscos de contaminação dos polinizadores pelos</p><p>agrotóxicos, deve-se evitar pulverizações diurnas com inseticidas</p><p>considerados de alto risco para as abelhas, a exemplo do fipronil,</p><p>especialmente em culturas em pleno florescimento, visto que essa é a</p><p>fase mais atrativa e as abelhas estão em intensa atividade de coleta.</p><p>Inseticidas cujos ingredientes ativos se degradam em poucas horas</p><p>após as aplicações podem ser pulverizados, com relativa segurança</p><p>para as abelhas, durante a noite, adiantado período do entardecer ou</p><p>início do amanhecer. (Witter et al., 2014)</p><p>30</p><p>Pois fatores ambientais como temperatura, umidade e vento podem</p><p>influenciar o potencial de toxicidade de um inseticida.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Chegamos ao fim desta etapa.</p><p>Por meio dela tivemos a oportunidade de abordar e conhecer diversos</p><p>temas relacionados à importância das abelhas no ecossistema agrícola.</p><p>Relembramos alguns dos principais aspectos da apicultura convencional</p><p>e conhecemos as práticas que podem ser aplicadas caso o apicultor deseje</p><p>produzir mel e outros produtos apícolas organicamente.</p><p>Vimos como a cadeia de produtos apícolas foi normatizada e a</p><p>importância que a normatização tem para os acordos mercadológicos nacionais</p><p>e internacionais.</p><p>Além disso, estudamos sobre pasto apícola, transitando por diversos</p><p>campos dentro desse tema, o qual vimos ser fundamental para o bom</p><p>desempenho produtivo e saúde das abelhas. Sobretudo, vimos a importante</p><p>relação entre apicultura e agricultura e entendemos que a vida do ecossistema</p><p>agrícola é dependente da boa qualidade de vida das abelhas.</p><p>31</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, D. de et al. Plantas visitadas por abelhas e polinização.</p><p>Piracicaba: ESALQ - Divisão de Biblioteca e Documentação, 2003. 40 p. (Série</p><p>Produtor Rural, Edição Especial). Disponível em:</p><p><https://www.semabelhasemalimento.com.br/wp-</p><p>content/uploads/2015/02/Plantas-da-Flora-Apicola-ESALQ.pdf>. Acesso em: 14</p><p>fev. 2024.</p><p>ANBT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Normalização: guia de</p><p>uso e aplicação de normas da cadeia apícola. Associação Brasileira de</p><p>Normas Técnicas, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.</p><p>Rio de Janeiro: ABNT; Sebrae, 2012.</p><p>BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução</p><p>Normativa n. 17, de 06 de junho de 2014. Estabelece o Regulamento Técnico</p><p>para os Sistemas Orgânicos de Produção, bem como as listas de substâncias e</p><p>práticas permitidas para uso nos Sistemas Orgânicos de Produção, na forma</p><p>desta Instrução Normativa e de seus Anexos I a VIII. (NR).</p><p>BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Portaria n. 52,</p><p>de 15 março de 2021. Estabelece o Regulamento Técnico para os Sistemas</p><p>Orgânicos de Produção e as listas de substâncias e práticas para o uso nos</p><p>Sistemas Orgânicos de Produção.</p><p>BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Manual de doenças das</p><p>abelhas: boas práticas aplicadas à prevenção, controle e erradicação de</p><p>doenças das abelhas direcionado ao serviço veterinário oficial / Departamento</p><p>de Saúde Animal. Secretaria de Defesa Agropecuária. Brasília: Mapa/SDA,</p><p>2023.180 p.</p><p>COSTA, A. C. de O.; CELLA, I.; CUNHA, R. D. da. (Orgs.). Qualidade do mel</p><p>de abelhas Apis mellifera – boas práticas de produção e extração.</p><p>Florianópolis, 2020. 76 p. (Epagri. Boletim Didático, 148).</p><p>LAGE, V. M. G. B. Ocorrência e distribuição da nosemose em apiários do</p><p>estado da Bahia. Dissertação. Universidade Federal da Bahia, 2018.</p><p>LOPES, M. T. R et al. Doenças e inimigos naturais das abelhas. Teresina:</p><p>Embrapa Meio-Norte, 2004. 26 p. (Embrapa Meio-Norte. Documentos; 103).</p><p>32</p><p>Disponível em:</p><p><https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/36207/1/Doc103.pdf>.</p><p>Acesso em: 14 fev. 2024.</p><p>NOGUEIRA, D. S et al. As abelhas “sem ferrão” dos biomas brasileiros.</p><p>Ciência e Cultura, 4. ed., 2023.</p><p>PEREIRA, F. de M. Alternativas de alimentação para abelhas. Disponível</p><p>em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/25400/1/CBA18.pdf>.</p><p>Acesso em: 14 fev. 2024.</p><p>WITTER, S. et al. As abelhas e a agricultura. [recurso eletrônico]. Porto</p><p>Alegre: EDIPUCRS, 2014. 143 p.</p><p>Conversa inicial</p><p>FINALIZANDO</p><p>REFERÊNCIAS</p>